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1263 - RAUL

Ao surgir nos seniores do Leixões na segunda metade da década de 1950, o defesa haveria de partilhar o balneário com craques como Osvaldo Silva, Jacinto, Jaburú ou Joaquim Pacheco. Ao destacar-se como um dos melhores nessa mescla composta de veterania e juventude, Raul Machado acabaria por inscrever o seu nome nas mais importantes páginas da história do emblema sediado em Matosinhos.
O primeiro desses capítulos surgiria na temporada de 1960/61. Com o crescer da sua preponderância no desenho táctico do clube nortenho, o atleta, depois de galgadas as rondas precedentes da Taça de Portugal, chegaria à final, não só como titular, mas como o líder do “onze” escolhido para disputar a derradeira peleja da prova. Escalonado pelo argentino Filpo Nuñez, Raul apresentar-se-ia no Estádio das Antas para comandar o listado alvirrubro em direcção a um grande feito. Frente ao FC Porto, nem mesmo o ambiente desfavorável atemorizaria o conjunto capitaneado pelo defesa e, com o “placard” a registar o 2-0 final, o jogador subiria à tribuna para erguer o tão almejado troféu.
Com a vitória na “Prova Rainha”, a época seguinte traria a Raul a estreia nas competições sob a chancela da UEFA. Na Taça dos Clubes Vencedores de Taças, o defesa apresentar-se-ia em todas as 6 partidas de uma participação que apenas terminaria nos quartos-de-final e aos pés dos germânicos do Motor Jena (Carl Zeiss Jena). Curiosamente, ainda no decorrer dessa campanha europeia, o jogador chegaria a ser cogitado para a selecção nacional. Como um dos futebolistas lusos mais dotados para a posição, seria convocado para um embate referente à Fase de Qualificação para Mundial de 1962 – “O Peyroteo, que era selecionador nacional, convocou-me para um jogo fora, frente ao Luxemburgo (4-2), que foi o da estreia do Eusébio pela Seleção Nacional. No entanto, um dirigente do Leixões andou com o telegrama no bolso durante quatro dias e eu acabei por não embarcar a tempo”*.
Como, à altura, aos internacionais cabia receber metade do montante envolvido numa futura transferência, a peripécia teria como resultado directo a adição nos cofres do Leixões da totalidade do dinheiro resultante da sua mudança para o Benfica. Apesar da trapalhada, e já com o Sporting e FC Porto na corrida, a entrada de Raul na “Luz”, ao lado do já referido Jacinto, concretizar-se na temporada de 1962/63. Como um praticante experimentado, o defesa logo conseguiria agarrar um lugar no “onze” idealizado pelo, igualmente recém-chegado, Fernando Riera. Esse destaque levá-lo-ia a ter um papel importantíssimo nas conquistas internas, mas também nas belas campanhas das “Águias” nas competições continentais. Nesse sentido, logo na campanha da sua chegada a Lisboa, o defesa seria chamado ao alinhamento inicial da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, frente ao AC Milan. Aliás, jogaria também o último jogo da edição de 1964/65, perdido para o Inter. Já em 1967/68, apesar de ter participado nas eliminatórias, falharia a derradeira partida da prova, frente ao Manchester United.
Cimentado como um dos grandes nomes do plantel “encarnado”, Raul, finalmente, conseguiria a estreia pela selecção nacional. Pela mão de José Maria Antunes, a 7 de Novembro de 1962, o defesa, pela primeira vez, entraria em campo a envergar a “camisola das quinas”. Depois dessa partida frente à Bulgária, agendada no apuramento para o Euro 64, o seu nome continuaria como um dos habituais na lista de chamados aos trabalhos das equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Ainda assim, contra muitas das projecções feitas à altura, o atleta não faria parte dos arrolados para o Mundial de 1966.
As 7 temporadas ao serviço do Benfica, enriqueceriam, e de que maneira, o currículo pessoal do futebolista. Com quase duas centenas de partidas disputadas de “Águia” ao peito, Raul daria um contributo enorme para a conquista de vários troféus. Com o fim da ligação aos “Encarnados” a acontecer no final da campanha de 1968/69, o defesa partiria para uma última época ao serviço do Leixões e com a bagagem recheada por 6 Campeonatos Nacionais e 2 Taças de Portugal vencidos durante a sua estadia em Lisboa.

*retirado do artigo de Sérgio Pires, publicado a 10/03/2017, em https://maisfutebol.iol.pt

1209 - ADOLFO

Formado no Barreirense, onde viria a estrear-se pelo conjunto sénior durante a temporada de 1960/61, Adolfo teria ainda que passar pelo Seixal FC até conseguir fixar-se na equipa principal dos “Alvi-rubros”. Nesse sentido, a campanha de 1963/64 acabaria por confirmá-lo como um elemento capaz de ser utilizado com frequência e, aos poucos, haveria de conquistar o seu lugar no sector mais recuado do colectivo sediado na Margem Sul do Rio Tejo.
Ao destacar-se como um dos melhores elementos da equipa, seria o “magriço” José Augusto a aconselhá-lo ao Benfica. Depois de brilhar durante a temporada de 1965/66, a transferência do Barreirense para as “Águias” teria como propósito reforçar uma lateral-esquerda à procura de concorrência para Cruz. Aliás, seria a presença do referido atleta que atrasaria a afirmação de Adolfo. Depois de uma primeira campanha discreta, a adaptação ao lado direito da defesa permitir-lhe-ia actuar com uma maior regularidade. Essa progressiva afirmação levá-lo-ia, na época de 1967/68, a um dos momentos mais importantes da sua carreira. Com os “Encarnados” a avançar nas eliminatórias da Taça dos Clubes Campeões Europeus e com a chegada à final, Otto Glória chamá-lo-ia ao derradeiro desafio da competição e à peleja frente ao Manchester United.
Durante a passagem pelo Benfica, resultado das boas exibições conseguidas nas provas de índole clubística, a Adolfo abrir-se-iam outras importantes portas. A mais relevante seria, sem sombra de dúvida, a da selecção nacional. Chamado a jogo por José Gomes da Silva, ao conseguir a primeira internacionalização numa jornada da Fase de Apuramento para o Euro 72, essa partida frente à Escócia daria o tiro de partida para um total de 15 presenças com a principal “camisola das quinas”. Pelo meio transformar-se-ia numa peça fulcral na inolvidável participação de Portugal no Torneio da Independência. No Brasil, no certame que também ficaria conhecido como a Mini-Copa de 1972, o defesa participaria em todas as rondas, inclusive na final perdida para o Brasil.
Ao cumprir 9 temporadas com a camisola do Benfica, Adolfo acabaria por merecer o seu lugar na história do clube lisboeta. Para além das 204 partidas oficiais, realizadas entre as diferentes competições, o defesa distinguir-se-ia pela ajuda na conquista de diversos troféus. Com um palmarés riquíssimo, com realce para as vitórias em 6 Campeonatos Nacionais e 3 Taças de Portugal, o jogador também conseguiria destacar-se pela atitude dentro do rectângulo de jogo. Nesse campo, o atleta acabaria aferido como um intérprete veloz, incansável e que facilmente era capaz de percorrer todo o corredor lateral. Para desempenhar todas essas funções, fossem elas defensivas ou atacantes, em muito também contribuiriam a sua técnica, capacidade de passe, entendimento táctico e uma postura aguerrida na altura dos embates homem-a-homem.
Com a sua caminhada a aproximar-se do fim, tempo ainda para Adolfo vestir outras camisolas. União de Montemor e o Portimonense como derradeira participação do defesa na 1ª divisão, transformar-se-iam nas últimas etapas do seu trajecto enquanto futebolista. Como treinador, teria algumas experiências, como são exemplo as suas passagens pelo Benfica de Castelo Branco ou Alcains. No Benfica acabaria também por aceitar um lugar nas equipas técnicas das camadas jovens.

1124 - RUI RODRIGUES

Começaria no desporto pelo basquetebol e com as cores do Ferroviário de Lourenço Marques. No entanto, a paixão pelo futebol levá-lo-ia, ainda no mesmo clube, a tentar a sua sorte. Chumbado nos testes de admissão, foi vez de prestar provas no Grupo Desportivo 1º de Maio. Ao agradar aos responsáveis técnicos, o jovem Rui Rodrigues passaria a envergar uma camisola diferente e, ao cortar o laço com a colectividade ligada aos caminhos-de-ferro, acabaria a praticar ambas as modalidades no emblema sediado no seu bairro.
Já no novo clube, cedo começaria a demonstrar qualidades bem superiores aos demais colegas de balneário. A sua habilidade rapidamente levaria o atleta a subir à equipa principal do 1º de Maio. Com as exibições a prometerem horizontes mais longínquos, seria da metrópole que chegaria a grande novidade. Convocado para os sub-18 lusos, o jogador, à altura médio, seria chamado a participar nos trabalhos da jovem selecção portuguesa.
Depois de, com as cores de Portugal, participar na edição de 1962 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA, Rui Rodrigues ainda regressaria a Moçambique para, sob a alçada do clube, disputar o Campeonato daquela antiga colónia. Todavia, a sua fama já há muito que tinha chegado aos ouvidos dos responsáveis dos grandes emblemas nacionais. Com a Académica e o Benfica à cabeça, o atleta, com a ideia de também continuar os estudos, escolheria o conjunto de Coimbra.
Como aluno do Curso de Farmácia e, em simultâneo, a praticar futebol, a sua integração aconteceria de forma rápida. Ao chegar para a temporada de 1962/63, Rui Rodrigues depressa conseguiria cimentar-se como um elemento importante no plantel da “Briosa”. Ao convencer o treinador José Maria Pedroto, passaria a jogar com bastante regularidade. Seria, no entanto, já sob os comandos de Mário Wilson que acabaria por afirmar-se como um dos titulares.  Indiscutível no “onze” e já a jogar no centro da defesa, o atleta acabaria por fazer parte dos anos áureos da formação conimbricense.
Depois de, na campanha de 1966/67, ter disputado a final da Taça de Portugal e do 2º lugar conseguido no Campeonato Nacional desse mesmo ano, seguir-se-ia a estreia na principal selecção portuguesa. A 26 de Novembro de 1967, pela mão de José Gomes da Silva, Rui Rodrigues seria chamado, numa peleja frente à Bulgária, à Fase de Qualificação para o Euro 68. Já com o estatuto de internacional sublinhado pela regularidade das convocatórias, mais uma vez surgiria o interesse do Benfica na contratação do defesa. Após 9 temporadas em Coimbra e com a transferência acertada entre a Académica e as “Águias”, a mudança para Lisboa dar-se-ia na temporada de 1971/72. Em Lisboa surgiriam os primeiros troféus da sua carreira e, nos 3 anos passados com os “Encarnados”, o atleta acrescentaria ao seu currículo 2 títulos de campeão nacional.
A saída do Benfica em 1974, levaria Rui Rodrigues ao Vitória de Guimarães. No Minho voltaria a encontrar-se com Mário Wilson e, como em épocas anteriores, pautaria a passagem pela “Cidade Berço” com exibições de grande nível. Já na fase final do percurso enquanto futebolista, tempo ainda para o regresso a Coimbra. Ao completar mais 3 temporadas com as cores da Académica, o defesa terminaria a sua carreira com um total de 17 campanhas feitas no principal escalão português.
Depois de pendurar as chuteiras, passaria a dedicar-se ao treino. Nas funções de técnico, ainda que sem chegar aos grandes palcos, orientaria emblemas como o Beira-Mar, União de Coimbra ou as camadas jovens do Benfica. Já mais afastado do desporto, tornou-se, em 1996, proprietário de uma farmácia numa pequena localidade do Ribatejo.

1085 - JACINTO

Surgiria na equipa principal do Leixões no início da década de 1960 e a tempo de participar num dos episódios históricos do conjunto de Matosinhos. Apesar de pouco ter jogado nessa época de 1960/61, a sua evolução levaria o treinador Filpo Nuñez a arrolá-lo como titular na final da Taça de Portugal. No Estádio das Antas, Jacinto surgiria como uma das surpresas do “onze” inicial. Porém, o espanto maior surgiria com o desenrolar da partida e contra o favoritismo do FC Porto, os de vermelho e branco sairiam vencedores.
No seguimento desse feito, surgiria a participação na Taça dos Vencedores das Taças. Já como um dos pilares da equipa, o defesa voltaria a ser essencial na progressão colectiva. Ao participar em todas as 6 partidas, Jacinto ajudaria o Leixões a atingir os quartos-de-final da prova. Na sequência de tamanha glória, o atleta começaria a ser visto, por equipas de outra monta, como um bom reforço. O Benfica, posicionando-se à frente de outros concorrentes, acabaria por contratar o jovem futebolista na temporada de 1962/63. Contudo, numa equipa que tinha acabado de consagrar-se bicampeã europeia, a concorrência seria feroz. Tal facto, levaria o jogador a ser visto como uma solução de segunda linha e, durante alguns anos, manter-se-ia na sombra de nomes como Cavém, Germano, Cruz, Ângelo ou Luciano.
Ao passar 9 anos de “Águia” ao peito, a última metade desse período, revelaria Jacinto como um elemento de bastante preponderância no seio do grupo “encarnado”. Nesse crescimento, apesar de ter participado nas campanhas que levariam o Benfica à final de 2 edições da Taça dos Clubes Campeões Europeus, só em 1968 é que Jacinto lograria participar na derradeira peleja da prova. Apesar do título perdido frente ao Manchester United, troféus não faltariam ao atleta e no Benfica, o defesa enriqueceria o palmarés pessoal com mais 7 Campeonatos Nacionais e 2 Taças de Portugal.
Também com as cores da selecção portuguesa, Jacinto trilharia o seu caminho. Não tendo tantas chamadas como muitos dos contemporâneos colegas de equipa, ainda assim, o defesa conseguiria chegar à principal selecção lusa. Tendo também participado nos elencos da equipa “b” e sub-21, a primeira chamada “A” surgiria já no rescaldo da participação dos “Magriços” no Campeonato do Mundo. Convocado por Manuel da Luz Afonso e orientado por Otto Glória, a sua estreia com a “camisola das quinas” aconteceria em Novembro de 1966, numa partida frente à Suécia. Passar-se-iam quase 2 anos até conseguir nova oportunidade e, na campanha de apuramento para o Mundial de 1970, registaria as outras 4 internacionalizações.
Depois de ter deixado o Benfica em 1971, Jacinto, ao dividir a campanha seguinte em duas partes, ainda faria mais uma temporada. Curiosamente, depois do regresso ao Leixões, o defesa, já no decorrer da época de 1971/72, abandonaria o emblema em que tinha sido formado, para, com as cores do FC Porto, dar por findo um percurso de 12 anos que, como futebolista, só conheceu a 1ª divisão.