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1599 - JOHN TOSHACK

Nascido na capital do País de Gales, seria no Cardiff City que John Benjamin Toshack encetaria a caminhada no futebol profissional. Logo nessa época de 1965/66, com 16 anos apenas, revindicaria para si o título do jogador mais novo de sempre a actuar pela equipa principal do clube, recorde entretanto batido, em 2007, por Aaron Ramsey. Praticante fisicamente poderoso, forte nas disputas aéreas e com boa propensão para o golo, rapidamente o avançado-centro começaria a impor-se no alinhamento inicial dos “Bluebirds”. Mesmo com o clube a militar nos escalões inferiores de Inglaterra, as diversas conquistas da Welsh Cup, competição a dar acesso às provas sob a alçada da UEFA, dariam ao jogador o destaque necessário para ser notado por outras colectividades. Nesse sentido, uma das edições da Taça dos Vencedores das Taças, a de 1967/68, levaria o clube avante até às meias-finais, caindo apenas aos pés dos alemães do Hamburger SV. Claro que outras portas também viriam a abrir-se para o atleta e a selecção nacional também serviria para projectar a sua carreira.
Com as cores do País de Gales, John Toshack estrear-se-ia a 26 de Março de 1969. Essa partida frente à Republica Federal da Alemanha, chamado por David Bowen, serviria de arranque para um trajecto que daria ao atacante, soma conseguida na passagem pelas três agremiações a comporem a sua carreira enquanto praticante, um total de 40 internacionalizações. Porém, a camisola que maior prestígio traria à sua senda enquanto desportista seria a do “todo-poderoso” Liverpool. Aos “Reds” chegaria com a temporada de 1970/71 já em andamento. Ainda assim, pouco tempo demoraria até ultrapassar a concorrência de outros colegas bem mais traquejados, como são exemplo Ian St. John, Ian Callaghan ou Peter Thompson. A partilhar o balneário com outro conhecido do cenário português, caso do antigo adjunto do Benfica Phil Boersma, seria com um dos nomes mais famosos do futebol mundial que formaria uma das duplas mais temíveis a actuar pelo emblema de Merseyside. No entanto, não seria apenas Kevin Keegan o único a dividir consigo o estrelato e, numa equipa orientada pelo mítico Bill Shankly e mais tarde por Bob Paisley, Ray Clemence, Emlyn Hughes, Kenny Dalglish, Graeme Souness, entre tantos outros, serviriam de esteio para uma série inolvidável de conquistas.
Já com o currículo recheado por 8 temporadas ao serviço do Liverpool e o palmarés colorido pelas vitórias em 3 Division One, 1 FA Cup, 1 Charity Shield e principalmente em 1 Taça dos Clubes Campeões Europeus, 2 Taças UEFA e 1 Supertaça da UEFA, o avançado decidiria regressar ao País de Gales. Já numa fase de mudança na sua ligação ao futebol, John Toshack assumiria, em 1978/79, o cargo de treinador-jogador do Swansea City. Mais uma vez de volta aos patamares inferiores das ligas inglesas, os anos passados à frente dos “Swans” serviriam para engrossar o seu rol de conquistas com mais algumas vitórias na Welsh Cup e, muiito à custa da chegada ao escalão máximo, para cevar os créditos enquanto técnico. Curiosamente, com o desenrolar da caminhada enquanto treinador, a aposta na contratação do antigo avançado viria do estrangeiro. Apresentado no Sporting como o “timoneiro” para a campanha de 1984/85, a escolha do Presidente João Rocha não traria grandes sucessos para os lados de Alvalade. Ainda assim, durante a passagem de alguns meses por Portugal, ficariam nos registos a tentativa de implementar um sistema com 3 defesas-centrais e, acima de tudo, as estreias de Oceano, Litos e Fernando Mendes com a camisola dos “Leões”.
Apesar do desaire na experiência lusa, a fama de John Toshack não sairia muito beliscada, com o convite da Real Sociedad a surgir logo de seguida. Aliás, grande parte dos êxitos da sua senda enquanto treinador emergiria das inúmeras épocas vividas em Espanha. Tendo estado também à frente do Real Madrid, do Deportivo La Coruña e do Murcia o técnico galês atingiria a glória com as conquistas, à frente dos “Merengues”, da La Liga de 1989/90, com o triunfo, ao liderar a referida agremiação basca, na Copa del Rey de 1986/87 ou com a vitória, com as cores do aludido emblema galego, na Supercopa de 1995/96. Para além do já referido, há também que registar os anos em que passou aos comandos do Besiktas, do Saint-Étienne, do Catania, dos azeris do Khazar, dos marroquinos do WAC, dos iranianos do Tractor ou ainda as experiências na selecção do País de Gales e na equipa nacional da Macedónia do Norte.

1559 - JÚLIO CÉSAR

Produto das “escolas” do Flamengo, Júlio César desde muito cedo viria a demonstrar grande aptidão para a posição de guarda-redes. Nesse sentido, poucos ficariam admirados com as chamadas do jogador às jovens equipas sob a alçada da Confederação Brasileira de Futebol. No âmbito dos patamares formativos, o jogador seria convocado a disputar torneios de grande monta. Nesse rol, surgiriam a edição de 1995 do Sudamericano sub-17, ganha pelo Brasil, a participação, ainda no mesmo ano e na referida categoria, no Campeonato do Mundo e a chamada para a discussão do Mundial sub-20 de 1999.
Quanto ao percurso clubístico, Júlio César, apesar do potencial revelado, ainda demoraria algum tempo até ganhar o seu espaço no seio do plantel principal. Após a estreia sénior pelo “Mengão” na temporada de 1997, tapado por colegas mais experientes, só na campanha de 2000 é que começaria a aparecer com maior regularidade no “onze” do “rubro-negro”. Durante esses anos e já no decorrer das épocas como titular, o guarda-redes, com o brilho do colectivo a não permitir grandes feitos, ainda assim passaria a contar no seu palmarés com as vitórias em 4 “estaduais cariocas”, 3 Taças Guanabara, 1 Taça Rio, 1 Copa Mercosul e 1 Copa dos Campeões. No entanto, mesmo com o Flamengo longe de grandes conquistas, o jogador, ao longo dos 8 anos a envergar as divisas da colectividade sediada no Rio de Janeiro, conseguiria, à custa de exibições de grande qualidade, despertar a atenção de outros “mercados”. Já as aparições com a mais importante camisola do “Escrete”, muito mais do que sublinharem a sua habilidade, fariam com que as portas do “calcio” viessem a abrir-se.
Seria após a chamada à Taça das Confederações de 2003 e da titularidade e vitória na Copa América do ano seguinte que Júlio César chegaria a Itália. Contratado pelo Internazionale, Júlio César, antes de integrar, em definitivo, o grupo de trabalho do emblema milanês, ainda passaria a temporada de 2004/05 com as cores do Chievo Verona. Com a estreia pelos “Nerazzurri”, em 2005/06, a acontecer pela mão de Roberto Mancini, o guardião “canarinho”, num balneário onde marcava presença Luís Figo, rapidamente asseguraria um lugar à baliza. Daí em diante, a confirmar todos os predicados que tinham levado os responsáveis do clube a contratá-lo, o guardião, ao assegurar um lugar como titular, passaria a ser um dos rostos de várias conquistas de renome. Nesse sentido, logo à cabeça da lista surgiriam os 5 “Scudettos” consecutivos, 3 Coppas Italia e as 4 Supercoppas. Claro, nisso de troféus seria impossível esquecer os títulos de índole continental e o guardião, já sob as ordens de José Mourinho e com Ricardo Quaresma como colega, ajudaria a vencer a Liga dos Campeões e o Mundial de Clubes da FIFA, ambos disputados em 2009/10.
Depois da experiência italiana e das passagens por Queens Park Rangers e Toronto FC, Júlio César, com o currículo recheado pelas presenças em 3 Mundiais, outra Copa América e pelos troféus ganhos nas edições de 2009 e 2013 da Taça das Confederações, veria o Benfica a chegar-se ao seu caminho. Com a entrada na Luz a ocorrer em 2014/15, o jogador apanharia as “Águias” num das melhores fases da sua história moderna. Tal conjuntura, num plantel onde voltaria a cruzar-se com Luisão e Jonas, seus colegas de selecção, o guardião assumir-se-ia como um dos titulares do conjunto inicialmente às ordens de Jorge Jesus e nos anos seguintes treinado por Rui Vitória. Mais uma vez, o atleta tornar-se-ia num dos esteios de diversas glórias, com as conquistas de 3 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal, 1 Taça da Liga e 1 Supertaça a colorirem-lhe, ainda mais, o trajecto profissional. O pior emergiria já durante a 3ª temporada passada em Lisboa, onde as mazelas sofridas nas costas fariam com perdesse a preponderância nos sucessos colectivos. Essas lesões levá-lo-iam, já no decorrer da campanha de 2017/18, a deixar os “Encarnados”, a regressar ao Flamengo e a anunciar, alguns meses após voltar ao Brasil, o final da carreira como futebolista.

1304 - ROBERTO MARTÍNEZ

Com o percurso formativo a dividir-se entre o emblema da terra natal, o Balaguer, e o Zaragoza, seria na colectividade de Aragão que Roberto Martínez chegaria ao patamar sénior. Porém, a promoção ocorrida na temporada de 1991/92, ao invés de conduzir o jovem médio à equipa principal, levá-lo-ia a juntar-se ao conjunto “b”. Aliás, ao atleta poucas ocasiões seriam dadas para disputar o degrau máximo da “La Liga”. A falta de oportunidades, ao fim de 3 campanhas com “Los Blanquillos”, faria com que o centrocampista decidisse regressar a “casa” e, apesar do aparente passo atrás, dar-lhe-ia o ensejo de encaminhar a carreira profissional para um rumo geográfico diferente.
A época de 1994/95, passada com as cores do Balaguer, teria como efeito imediato o convite lançado pelos dirigentes do Wigan Athletic. Ao aceitar o desafio, o médio, na companhia de Isidro Díaz, atleta que vestiria as cores do Desportivo de Chaves e do Leça, partiria na direcção das Ilhas Britânicas. Curiosamente, para além do jogador agora referido, com quem já tinha partilhado o balneário nos últimos dois emblemas, Roberto Martínez, na chegada à nova colectividade, encontraria Jesús Seba, avançado que viria a ligar-se ao futebol português através da já aludida agremiação transmontana e também pelo Belenenses.
Em Inglaterra, apesar de nunca ter chegado à Premier League, Roberto Martínez, nas 6 temporadas com as cores do Wigan Athletic, pautar-se-ia como um dos melhores intérpretes do conjunto sediado em Lancashire. Esse protagonismo valer-lhe-ia, na campanha de 2001/02, a mudança para o patamar máximo da Escócia. Todavia, a passagem de um ano pelo Motherwell não seria tão prolífera quanto o esperado. Sem nunca conseguir afirmar-se no “onze”, o médio tomaria a decisão de regressar a Inglaterra e assinaria um contrato com o Walsall.
Mais uma vez a vogar pelos escalões inferiores das competições inglesas, o médio, que viria a terminar o trajecto de futebolista com a época de 2006/07 a decorrer, ainda representaria o Swansea e o Chester City. Depois de “pendurar as chuteiras”, num regresso ao referido emblema galês, Roberto Martínez, na mesma temporada em que deixaria os relvados, encetaria também a caminhada como treinador. Nas novas funções, os seus desempenhos, bem acima das aferições feitas à sua carreira enquanto atleta, começariam a receber rasgados elogios. Nesse sentido, após ter levado os “Swans” ao segundo patamar inglês, seria o regresso ao Wigan Athletic que deixaria o técnico nas “bocas do mundo”.
De volta à Greater Manchester para a temporada de 2009/10, Roberto Martínez pegaria nas rédeas do Wigan Athletic já com a agremiação a militar na Premier League. Mas para além do destaque relacionado com a presença no patamar máximo, seria a FA Cup de 2012/13 que traria ao seu currículo um dos mais importantes momentos. A disputa da mencionada edição da Taça de Inglaterra levá-lo-ia a comandar os seus discípulos até à final. Na peleja esgrimida no Estádio de Wembley, com o paraguaio Alcaráz, antigo defesa do Beira-Mar, presente no “onze”, o treinador orientaria o colectivo sob a sua alçada pelo caminho da vitória. Frente ao Manchester City, o golo conseguido já nos descontos, inscreveria no “placard” final o 1-0 e, com tal resultado, o espanhol entregaria aos escaparates dos “Latics” o almejado troféu.
A conquista do referido título pô-lo-ia, em definitivo, no grupo dos melhores técnicos a trabalhar na Europa. A avaliação dar-lhe-ia a oportunidade de treinar o Everton durante 2 temporadas e meia e, de seguida, aceitaria o convite da Union Royale Belge des Sociétés de Football-Association. À frente dos destinos da selecção da Bélgica a partir de 2016, conseguiria qualificar-se para os Mundiais de 2018 e de 2022 e para o Euro 2020. Ainda assim, talvez pelo facto de orientar uma das melhores gerações do país, a falta de títulos e, acima de tudo, a parca prestação dos “Diables Rouges” no certame organizado no Catar, levá-lo-iam a ser despedido. Não muito tempo depois, com a Federação Portuguesa de Futebol à procura de um sucessor para o Eng. Fernando Santos, Roberto Martínez seria apresentado como o novo seleccionador da “Equipa das Quinas”.

964 - PAUL SCHOLES

Apesar de pertencer à tão badalada “Class of 92”, a verdade é que Paul Scholes não marcaria presença na final que inspiraria o nome de uma das mais prolíferas gerações de jovens saídos das “escolas” do Manchester United. Poderia o facto ser relevante, porém, mesmo sem essa chamada ao derradeiro desafio da “FA Youth Cup” de 1992, a carreira do jogador haveria de pô-lo a par desses seus colegas de formação.
Um dos primeiros passos dados pelo atleta na direcção do estrelato, seria, como é lógico, a estreia na categoria principal dos “Red Devils”. Em Setembro de 1994, numa partida a contar para a Taça da Liga inglesa, Scholes seria chamado a jogo por Sir Alex Ferguson. Posto de início pelo técnico escocês, o jovem médio ofensivo daria a melhor resposta possível. Proporcionado a reviravolta no marcador, concretizaria frente ao Port Vale, os 2 golos da vitória por 1-2.
Nisso de êxitos nada melhor que a lista de títulos ganhos ao longo das 19 temporadas feitas com as cores Manchester United. Claro está que, tamanha longevidade, e logo num emblema de tão grande prestígio, teria que ser sustentada por bons predicados. Comecemos, então, pela sua maneira de jogar. Apesar do físico pouco surpreendente, Scholes valia-se da sua inteligência. Movendo-se no meio-campo, a maneira como geria o ritmo de jogo era uma das suas melhores habilidades. Era raro fazer um passe no momento errado. A calma com que geria o instante certo para pôr a bola nos seus colegas, aliada a uma qualidade de execução espantosa, era um dos seus maiores segredos.
A sua capacidade de ler o jogo, permitindo que estivesse sempre bem posicionado dentro de campo, serviria, como já revelado, como sustento para a vitória em diversas provas. O rol de conquistas na sua carreira é invejável. Para além na lista de títulos nacionais, na qual temos 11 “Premier Leagues”, 3 “FA Cups”, 2 League Cups e 5 “Charity Shields”, há ainda as conquistas nas provas internacionais. Nesse registo vêm logo à cabeça a conquista de 2 “Champions”. Todavia, há mais! O remate no seu palmarés colectivo faz-se também com 1 Taça Intercontinental e 1 Mundial de Clubes.
Também pela selecção Paul Scholes trilhou o seu caminho. É certo que, muito por culpa da falta de títulos, sem o brilho que conseguiria alcançar pelo clube. Curiosamente, ainda nos escalões de formação, o médio, que por essa altura jogava mais avançado no terreno, viria a conquistar o Europeu sub-18 de 1993. Mesmo tendo em conta a escassez de troféus, não podemos dizer que as 66 internacionalizações feitas com a camisola dos “3 Lions” foram vazias de emoções. Para provar o contrário bastaria nomear a presença do jogador em 2 Campeonatos da Europa e 2 Mundiais.
Apesar do final da sua carreira ter chegado com o final da temporada de 2012/13, Paul Scholes já tinha anunciado a sua “reforma” um ano antes. O “volte-face” ganharia corpo a meio da campanha que viria a ser a sua derradeira. Enfrentando uma penosa onda de lesões, os responsáveis pelo Manchester United acabariam por rogar ao jogador para que regresse aos relvados. O pedido, aceite, traria o médio de volta a Old Trafford para mais uns meses de competição. Mesmo assim, esse regresso ainda resultaria na disputa de mais de 2 dezenas de partidas e numa última vitória na “Premier League”.
Ainda que como futebolista aposentado, Scholes não ficaria afastado da modalidade. Por um lado temos a sua participação na compra do Salford City. Há que, igualmente, referir a sua participação como comentador televisivo em diversos eventos desportivos. Também como treinador, mormente à frente do Oldham Athletic, teria as suas experiências. Para terminar, uma pequena curiosidade relacionada com mais uma breve aparição nos campos de jogo. Em 2018, para ajudar a equipa do filho Arron, o antigo médio decidira voltar a calçar as chuteiras e fazer uma partida pelos amadores do Royton Town.

876 - PELÉ

Quando em casa mora um futebolista que, no cômputo do seu percurso profissional, vestiu as camisolas do Fluminense e do Atlético Mineiro, é fácil alimentar a paixão pelo “desporto rei”. Nesse sentido, é só seguir a velha máxima “filho de peixe sabe nadar”, para perceber que os primeiros passos do jovem Edson Arantes do Nascimento tiveram origem no seu progenitor, o avançado Dondinho.
Para além das brincadeiras com o pai, os seus primeiros anos no futebol seriam feitos de passagens pelas camadas juvenis de diferentes clubes. Jogando em paralelo as disciplinas de “11” e de “salão”, Pelé começaria a desenvolver características muito interessantes. Ora, é nesse percurso formativo que acabaria também por representar o Bauru Atlético Clube. No modesto emblema do Estado de São Paulo seria orientado por Waldemar de Brito, tornando-se o antigo internacional brasileiro numa das figuras mais preponderantes da sua carreira.
O referido técnico, compreendendo as excelsas habilidades do jovem atleta, decide levá-lo ao Santos para que este pudesse treinar à experiência. Rápido, com uma grande visão de jogo e com uma capacidade técnica também ela tremenda, Pelé deliciaria os responsáveis do clube. O agrado seria de tal ordem que pouco tempo após a sua chegada, dá-se a sua estreia pelo “Peixe”. Com apenas 15 anos, o médio-ofensivo é chamado a jogo frente ao Corinthians de Santo André. Daí em diante, os saltos no seu percurso seriam uma constante. Começa por ganhar um lugar no “onze” inicial; torna-se, na temporada a seguir à sua chegada, no Melhor Marcador do Campeonato Paulista”; e, ainda nesse ano de 1957, consegue estrear-se pela principal selecção do Brasil.
Aliás, seria pelo “Escrete” que Pelé conseguiria projectar-se a nível internacional. Depois de ter sido um dos principais intérpretes da vitória do Brasil no Mundial de 1958, o jogador começaria a ser desejado por diversos clubes. Vários “gigantes” europeus alinhar-se-iam como candidatos à sua contratação. Contudo, e como aconteceria em outras ocasiões, dir-se-ia que a sua transferência havia sido vetada pelos mais altos responsáveis do Estado. O assédio ao craque “canarinho” aumentaria de tom após nova aparição no Campeonato do Mundo. Quatro anos após a presença na Suécia, a sua participação no torneio organizado no Chile faria dele um dos atletas mais desejados na modalidade. Dessa feita, os periódicos desportivos veiculariam Manchester United, Real Madrid e Juventus como os colossos no seu encalço. No entanto, Pelé ficaria no Santos e, mais uma vez, viriam a público histórias sobre a interferência do governo num possível negócio.
Apesar dos troféus conseguidos ao serviço do Santos, a verdade é que seria pelo seu país que Pelé lograria os maiores prémios e distinções. Para além das participações em 4 torneios consecutivos, as vitórias nos certames de 1958, 1962 e 1970 fazem dele o atleta com mais triunfos na história do Campeonato do Mundo. Claro está, a ligação do astro brasileiro ao Mundial ainda deu azo a mais curiosidades. Por exemplo, a sua presença na final da competição disputada na Suécia, quando tinha apenas 17 anos e 249 dias, faz dele, ainda nos dias de hoje, o mais jovem futebolista a participar e vencer aquela que é a derradeira partida do torneio.

862 - GEOVANNI

Estreia-se na categoria principal do Cruzeiro no mesmo ano em que, com a selecção s-17 brasileira, consegue sagrar-se campeão do mundo. Nessa temporada de 1997, mesmo tendo jogado poucas partidas, ajuda também a equipa de Belo Horizonte a vencer o “estadual” de Minas Gerais. Nessa sequência afortunada, houve logo quem o apontasse como um dos futuros craques do futebol “canarinho”. Na verdade, os passos que daria em seguida sublinhá-lo-iam como tal. O empréstimo ao América, a participação nas Olimpíadas de Atlanta ou o golo que selaria a vitória da “Raposa” na Copa do Brasil de 2000, acabariam por fazer dele um jogador muito apetecível.
Após disputar a Copa América de 2001, e fazendo frente ao interesse de Juventus e Arsenal, o Barcelona apresenta uma proposta milionária pela sua aquisição. A mudança para a Catalunha, numa troca que envolveria uma quantia a rondar os €20 milhões, dar-se-ia no começo da temporada de 2001/02. O rescaldo dessa primeira campanha, e tendo ainda em conta o normal período de adaptação, até seria positivo. Já a época seguinte, acabaria por revelar-se ingrata para o jogador e, sem espaço na equipa “Blaugrana”, a solução para Geovanni passaria pela cedência a outro clube.
É então, na abertura do “Mercado de Inverno” de 2003 que surge o interesse do Benfica. Com poucas partidas disputadas na “La Liga”, o extremo-direito aceita a proposta dos “Encarnados” e muda-se para Lisboa. Na “Luz”, consegue mais uma vez afirmar-se como um jogador importante. Mesmo com algumas críticas à mistura, que o apontavam como um jogador lento e que, por vezes, vivia afastado do jogo, Geovanni agarraria um lugar no “onze” inicial. Primeiro pela mão de José António Camacho e, mais tarde, sob a orientação de Giovanni Trapattoni ou Ronald Koeman, o internacional “canarinho” daria um enorme contributo para devolver as “Águias” ao trilho dos títulos. No cômputo dos 3 anos e meio passados ao serviço do clube, o atacante venceria 1 Taça de Portugal (2003/04), 1 Campeonato (2004/05) e 1 Supertaça (2005/06).
Após deixar o Benfica, Geovanni voltaria ao Cruzeiro. Infelizmente, o regresso ao clube que o tinha lançado seria desapontante. Fustigado por lesões, o atacante pouco contribuiria para os objectivos traçados pelo emblema do sul do Brasil. Esse período menos positivo continuaria numa nova aventura pela Europa. Respondendo ao chamamento vindo da “Premier League”, o atleta assina contrato pelo Manchester City. Sem ser muito utilizado, mas apostado em vingar no futebol inglês, um ano após a sua chegada volta a mudar de camisola. Em 2008/09 vincula-se ao Hull City e desempenha um papel de grande importância na permanência dos “Tigers” no escalão máximo.
A última fase da sua carreira distribuir-se-ia entre uma curta passagem pelo futebol norte-americano e algumas trocas de clubes já no seu país natal. Após, na Major League Soccer, defender os San Jose Earthquakes, Geovanni ainda envergaria as cores de mais 3 clubes. Vitória Bahia, América Mineiro e Bragantino, numa caminhada que terminaria em 2013, tornar-se-iam nos derradeiros capítulos da sua história como futebolista profissional. Depois, viria uma nova ocupação. Como agente de outros atletas, Geovanni tem ajudado a colocar jovens talentos nas ligas europeias. Um bom exemplo disso é o guarda-redes do Sporting de Braga, Matheus.

646 - PHIL BOERSMA

Tendo impressionado pela sua capacidade física, Phil Boersma haveria de ser contratado pelo Liverpool, contava com 19 anos de idade. Alto e possante, rapidamente começou a ganhar estatuto enquanto jogava pelas “Reservas”. Contudo, “para mal dos seus pecados”, o ataque da equipa estava recheado de internacionais. Nomes como os Peter Thompson ou Roger Hunt acabariam por adiar a sua estreia na equipa principal dos “Reds”.
Esse primeiro jogo, por altura do seu 20º aniversário, aconteceria apenas na sua segunda temporada (1969/70). Pouco tempo após esta partida da Taça da Liga, Boersma faz a sua estreia, e logo a titular, na Liga Inglesa. Mas aquilo que poderia ter sido um começo auspicioso, acabaria por nunca se materializar em titularidade. Aliás, aquilo que é comum aos anos em que vestiu as cores do Liverpool, é que tendo sido sempre um bom jogador, o avançado nunca conseguiria ser um dos indiscutíveis em Anfield Road.
Primeiro tapado pelos nomes acima citados e, mais tarde, suplente de craques como John Toshack ou Kevin Keegan. Phil Boersma nunca conseguiria impor-se no “onze” inicial. Ainda assim, os 7 anos e meio que passaria na companhia destas “estrelas”, serviriam para que do seu currículo constassem importantes conquistas. A Taça UEFA de 1972/73, ganha frente ao Borussia M’gladbach de Jupp Heynckes, seria, numa das suas melhores épocas a nível individual, um desses troféus. Para além desta vitória europeia, o atacante sairia de Liverpool com mais 2 Campeonatos (1972/73; 1975/76) e 1 Charity Shield (1974/75).
Sem que conseguisse alterar a sua condição de suplente, em Dezembro de 1975, Phil Boersma transfere-se para o Middlesbrough. Aí começa a jogar mais recuado no campo e consegue, finalmente, manter o estatuto de titular. No entanto, a grande mudança na sua vida seria outra. Com Graeme Souness como companheiro de balneário, os dois atletas começam a travar uma grande amizade.
Seria já depois de representar o Luton Town e de, sob o comando de John Toshack, ter posto um ponto final na sua carreira no Swansea, que Phil Boersma passaria para os bastidores. Ora como fisioterapeuta, ora desempenhando diversos papeis como treinador, o antigo futebolista passaria a fazer parte das equipas técnicas de diferentes clubes. É nesta senda que, alguns anos mais tarde, volta a encontrar-se com o médio escocês. Sempre apoiando Graeme Souness, Boersma foi construindo uma carreira que já conta com vários anos. Glasgow Rangers, Liverpool, Galatasaray ou Southamptom, seriam alguns dos emblemas que antecederiam a sua passagem pelo corpo técnico benfiquista. Depois dessa sua experiência em Portugal, os seus préstimos, sendo sempre o braço direito do antigo treinador das “Águias”, continuariam ao serviço de Blackburn e Newcastle.

644 - JOHN RICHARDS

Tendo assinado contrato para a temporada de 1969/70, a sua estreia com a camisola principal do Wolverhampton Wanderers dar-se-ia apenas na segunda metade dessa temporada. Ora, com tal começo, seria impossível a alguém adivinhar que John Richards iria transformar-se num dos maiores ídolos da história do clube!
Se o seu começo, até pela inexperiência da idade, pouco traria ao clube, a época de 1971/72 já mostraria um jogador bem diferente. Influente na manobra da equipa, o atacante, ao lado dos seus companheiros, acabaria por ter um papel fulcral nos sucessos do grupo. Muitos mais dos que nas competições internas, esse ano ficaria marcado pela carreira do “Wolves” naquela que viria a ser a 1ª edição da Taça UEFA. Tendo feito um dos tentos que, na 1ª ronda da competição, ajudaria a eliminar a Académica de Coimbra, John Richards acompanharia a sua equipa até à final dessa edição. Nos derradeiros jogos (lembre-se que a final era jogada a duas partidas), a força do grupo, que já tinha deixado pelo caminho a Juventus, não seria suficiente para enfrentar o Tottenham. John Richard não faria nenhum golo e o Wolverhampton sairia derrotado.
Apesar da chegada à final de uma competição europeia, no plano individual, a melhor época do atacante acabaria por ser a de 1972/73. Os 36 golos que conseguiria concretizar, acabariam por, definitivamente, pô-lo na “linha da frente” do “onze” inicial. Nesse sentido, a sua assiduidade daria à equipa o estímulo necessário para os sucessos vindouros. Como um elixir, a presença de John Richards nas áreas adversárias, empurraria a sua equipa para a tomada de dois importantes troféus. Na Taça da Liga de 1973/74, a sua importância seria fulcral e no Estádio de Wembley marcaria o golo que, no 1-0 frente ao Manchester City, selaria a vitória do “Wolves”.
Em 1979/80, os seus golos voltariam a ser importantes para nova conquista na Taça da Liga. Contudo, a curiosidade que, após tanto sucesso, tomaria conta da carreira de John Richards, seria sua constante ausência da equipa nacional. É verdade que a partir de meados da década de 70, o Wolverhampton Wanderers, com algumas descidas à mistura, deixaria de ter um papel tão relevante no cenário inglês. Ainda assim, como muitos concordarão, uma única internacionalização, isto na selecção principal, é muito pouco para um atleta da sua categoria.
Se os seus golos poucas vezes o levariam à camisola dos “Três Leões”, já no que diz respeito à sua equipa, a história é bem diferente. Com 194 “tiros” certeiros, John Richards tornar-se-ia no melhor marcador da história do clube. Esse recorde, entretanto ultrapassado por Steve Bull, juntamente com as 14 temporadas que passaria com as cores do “Wolves”, acabariam por fazer dele uma das lendas do clube.
Já depois de um curto empréstimo ao Derby County, e numa altura em que que já planeava o fim da sua vida nos relvados, o inglês chega a Portugal. Apesar de nunca ter jogado na nossa 1º divisão, o ponta-de-lança ainda conseguiria um papel importante nos triunfos de um clube. No Funchal, duas épocas seriam suficientes para que ajudasse o Marítimo na sua ambição primodivisionária. Essa promoção seria alcançada no final de 1984/85, época que marcaria o fim da carreira John Richards.
Depois de “pendurar as chuteiras”, o ex-jogador dedicar-se-ia à política. Mas após um curto período num governo local da zona de Wolverhampton, o antigo atleta voltaria ao futebol. Desta feita como dirigente, ficaria alguns anos ligado ao seu antigo clube. No “Wolves” ocuparia diversos cargos, até que, mais recentemente, passou a dedicar-se à gestão de uma empresa, com negócios no ramo da manutenção de relvados.

640 - PETER EASTOE

Ainda era um adolescente quando assina pelo Wolverhampton Wanderers. Com uma evolução positiva ao serviço do seu clube, Peter Eastoe começa ser chamado às selecções jovens de Inglaterra. No entanto, e apesar de tudo indicar sucesso, após a chegada à idade sénior o cenário haveria de mudar um pouco. Com o sector ofensivo do “Wolves” povoado por jogadores mais experientes, caso do ex-maritimista John Richards, as oportunidades dadas a Eastoe eram poucas. Esta escassez, que ainda duraria os três primeiros anos da sua imberbe carreira, levá-lo-ia, primeiro por empréstimo e de seguida a título definitivo, a tentar a sua sorte no Swindon Town.
A mudança de um clube do primeiro escalão e que, por aquela altura, era “habitué” nas competições europeias, por outro de uma divisão inferior, ao invés de se tornar num passo atrás, acabaria por revelar-se positiva. A sua estreia, no entanto, acabaria por ser um misto de emoções. Por um lado, Eastoe haveria de marcar dois golos. Contudo, o avançado terminaria esse seu primeiro encontro com o maxilar partido!!!
Nesta questão dos golos, como o próprio haveria de afirmar, Peter Eastoe não era um especialista. É certo que durante a sua carreira, muitas foram as vezes, até pela posição que ocupava no terreno, em que fez a bola entrar nas balizas adversárias. Ainda assim, e essa era a sua grande apetência, o que melhor fazia dentro de campo era assistir os seus companheiros do ataque. Essas qualidades levariam a que, do patamar máximo, outros emblemas voltassem a requerer os seus préstimos.
Tendo sido na temporada anterior (1975/76), ao atingir a segunda posição na tabela classificativa, a maior surpresa da Liga Inglesa, o Queens Park Rangers (QPR) projectava-se como o clube certo para Peter Eastoe. A transferência, ele que, ainda com as cores do “Wolves”, tinha tido a sua estreia frente ao Belenenses (1973/74), levaria o atacante, desde logo, de regresso à Taça UEFA. Mas muito mais do que as competições europeias, o que esta mudança traria para o jogador, seria o acréscimo de prestígio em Inglaterra.
Apesar do sucesso com a equipa londrina, a última época que por lá passaria, por razão de não ser tão utilizado, levá-lo-ia a procurar uma nova solução para a sua vida profissional. Numa altura em que, literalmente, já ia a caminho de Sunderland, recebe uma chamada avisando-o do interesse concreto do Everton. Peter Eastoe, que ia acompanhado pelo seu pai, decide então mudar de rota e dirige-se a Goodison Park. Ora, seria já nos últimos meses da temporada de 1978/79, que o atacante faria a mudança para a cidade de Liverpool. Esta nova realidade tornar-se-ia de tal forma positiva que, acho que o posso afirmar, seria ao serviço do Everton que Eastoe viveria os anos mais prolíferos.
Ao aproximar-se dos 30 anos de idade, Peter Eastoe, pensando que era o melhor para as derradeiras temporadas da sua carreira, toma a decisão de trocar o Everton pelo West Bromwich Albion. A opção mostrar-se-ia errada e, ao invés de se afirmar no seio do plantel, o avançado acabaria por passar o tempo do seu contrato em sucessivas cedências.
Já depois, sempre na senda dos empréstimos, ter passado por Leicester, Huddersfield, Walsall e “Wolves”, o avançado chega a Portugal. No Farense passa dois anos e tem a surpresa de, já no final da sua carreira, ter o prazer de partilhar o balneário com os dois melhores atletas com quem haveria de jogar – “Havia um moço que jogou comigo em Portugal, que tinha vindo do Barcelona, que se chamava Paco Fortes. Ele era muito pequeno, mas que conseguia fazer coisas com a bola, conseguia. Também lá estava um brasileiro nesse tempo, do qual não me consigo lembrar do nome, um avançado, que também era inteligente com a bola”*.
Peter Eastoe ainda regressaria a Inglaterra, para terminar a sua carreira nos amadores do Atherstone Town.


*Retirado da entrevista em www.bluekipper.com, a 18 de Agosto de 2013
*Penso que o jogador brasileiro a que se refere será Gil, podendo também ser César, ambos internacionais e que partilhariam o balneário com Peter Eastoe.

638 - PETER BARNES

A primeira parte da carreira de Peter Barnes, desde cedo anunciaria e, seria injusto dizer-se o contrário, cumpriu com a promessa de fazer do jovem futebolista um grande jogador. Com as cores do Manchester City, ao serviço do qual faria a sua formação, o extremo, logo na segunda temporada na categoria principal, seria eleito como o “Melhor Jovem” a actuar na liga inglesa.
Como um impulso, a referida distinção manteria as actuações de Barnes a um nível elevado. A equipa nacional inglesa, na qual o avançado já era presença assídua pelas “Esperanças”, começou, também ela, a ser testemunha das suas qualidades. Novembro de 1977, numa partida frente à Itália, marcaria o início de um percurso que contaria com mais de duas dezenas de internacionalizações e ao qual, para ser perfeito, apenas faltaria uma presença num dos grandes certames para selecções.
Internamente, mesmo sem grandes títulos a abrilhantar a sua carreira (lembramos que o Manchester City dos anos 70 não era o “colosso” de hoje em dia) Peter Barnes ainda conseguiria, durante a época de 1975/76, adornar o seu currículo com a vitória na Taça da Liga.
Apesar da sua ligação ao Manchester City ter sido, em termos de clubes, a mais longa, a separação acabaria mesmo por acontecer. Depois de nos “Citizens” ter participado em perto de centena e meia de desafios, nos quais se incliu a sua estreia nas competições europeias, Peter Barnes, para a temporada de 1979/80, vê Malcolm Allison, num recorde para os “Sky Blues”, vender o seu passe ao West Bromwich Albion (WBA).
As boas exibições de Peter Barnes, que, com o WBA, voltaria a atingir os lugares europeus, levariam a que outras equipas entrassem no seu concurso. Contudo, aquilo que prometia ser uma mudança para melhor, acabaria como um rotundo falhanço. Ao serviço do Leeds United, a adaptação que quiseram fazer dele como avançado-centro acabaria por se provar desastrosa. Resultado disso, ou não, o clube acabaria por enfrentar as agruras da despromoção e Barnes acabaria por ser cedido ao Real Betis de Sevilha.
A passagem por Espanha tornar-se-ia numa espécie de transição na sua vida como profissional. Daí em diante, Peter Barnes acabaria por nunca mais conseguir consolidar-se num só clube. Passaria por uma série de diferentes emblemas. Entre Austrália, Irlanda do Norte e Estados Unidos da América e, ainda, clubes como Manchester United, Coventry e, só para dar mais um exemplo, Sunderland, surgiria, nesse seu errante trajecto, Portugal e o Sporting Clube Farense.

560 - PELLEGRINI

Já era um dos profissionais da Universidad de Chile quando, no final dos anos 70, acaba o curso de Engenharia Civil. Aplicado, tanto dentro do rectângulo de jogo, quanto no campo académico, Pellegrini nunca soube descurar nenhuma destas duas facetas da sua vida. Abraçando os estudos com afinco, sempre soube conciliá-los com a prática desportiva. No futebol, com uma atitude idêntica a tudo o resto na sua vida, procurou alicerçar o seu sucesso numa boa dose de trabalho. Sem ser um futebolista de características inigualáveis, era na sua atitude que o central se distinguia. Muito para além de ser um lutador dentro de campo, Pellegrini era inteligente o suficiente para entender as suas limitações. Por essa razão, depois dos treinos terminarem, era com frequência que os prolongava por mais uma hora, para assim praticar tanto os cabeceamentos, como os remates com o pé esquerdo.
Essa postura, muito mais do que garantir a titularidade no seu clube, acabaria por permitir que fizesse a sua estreia pela equipa nacional. Pelo Chile, e apesar de ainda contar com uma boa quantidade de internacionalizações, 28, nunca disputaria nenhum dos principais certames de selecções.
Também pela Universidad de Chile, que, pela altura, atravessava uma fase má da sua história, os títulos teimavam em não querer fazer parte do seu currículo. A excepção viria com a Taça do Chile de 1979, vencida frente aos rivais do Colo-Colo. Ainda assim, e apesar de parca em troféus, a carreira de Pellegrini haveria de ser suficiente para que merecesse um lugar na história do clube. A jogar na primeira equipa entre 1973 e 1986, as partidas que disputaria durante esses anos, seriam o bastante para que se tornasse num dos atletas que mais vezes vestiu a camisola do emblema de Santiago.
Curioso é, também, o episódio que levaria Pellegrini a decidir-se pela "reforma". Nele, conta-se que a um ressalto de bola vindo do guarda-redes, Pellegrini tentou chegar de cabeça. Foi, então, que um jovem atacante de 17 anos, se acerca por trás dele e ganha o lance nas alturas, acabando por marcar golo. Nessa partida contra o Cobreandino, o rapaz em questão dava pelo nome de Iván Zamorano - "se soubesse onde havia de chegar, não me tinha retirado, tinha jogado dois anos mais"*.
Como treinador, a sua vida começaria no emblema onde sempre havia jogado. Também nestas funções, haveria de ficar ligado à história do clube... desta feita, pela negativa!!! Ironicamente, ele que será sempre uma das figuras de proa da Universidad de Chile, teria como estreia o seu primeiro desaire. Numa época atribulada, em que as coisas já começaram mal, pior ainda acabariam. Pellegrini, sem conseguir dar resposta aos maus resultados, acaba por ver aquilo que, certamente, nunca havia planeado. Conclusão: um golo de diferença, seria suficiente para que a equipa, pela primeira vez na sua existência, fosse despromovida ao segundo escalão.
Em 1994, já depois de passar por alguns emblemas de menor monta, chega a outro grande chileno. Aos comandos da Universidad Católica, começa a ganhar algum currículo. Vence a Copa Interamericana e a Taça do Chile. Contudo, o campeonato acabaria sempre nas mãos de outro... nomeadamente da Universidad de Chile!!!
Estranhamente, seria a saída para outro país que mudaria o rumo à sua sorte. Seria no Equador, ao serviço do LDU Quito, que ganharia o seu primeiro campeonato. Depois, veio a aposta em clubes argentinos: primeiro, à frente do San Lorenzo, onde venceria o Campeonato Clausura e a Copa Mercosur; e depois, já a comandar os destinos do River Plate, onde ganharia mais um Campeonato Clausura.
Estes títulos levá-lo-iam à Europa. Em Espanha ganharia notoriedade ao conseguir, com equipas mais pequenas, imiscuir-se na luta de Real Madrid e Barcelona. Se à frente do Villarreal atingiria um segundo posto (2007/08) e os quartos-de-final da "Champions" (2008/09), também no banco do Málaga seria a Liga dos Campeões e, mais uma vez, a qualificação para os quartos-de-final da prova que o poriam nas bocas do mundo.
É certo que, entre estes dois trabalhos, houve um "tropeção" chamado Real Madrid. Mas mesmo assim, a sua credibilidade não pareceu ficar muito afectada. A prova disso veio com a aposta do Manchester City. Em Inglaterra, finalmente pode demonstrar que também tem estaleca para comandar grandes equipas, vencendo, na temporada de 2013/14, a "Premier League".