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1741 - MORTÁGUA

Com os registos na principal equipa do Lusitano Futebol Clube a reportarem a sua primeira presença à época de 1934/35, Joaquim D’Almeida Mortágua começaria por disputar a 2ª divisão. No entanto, com a agremiação do Sotavento a claudicar no necessário apuramento dos anos seguintes, as próximas temporadas do jovem atleta, nascido também em Vila Real de Santo António, seriam cumpridas nas disputas arroladas somente ao panorama desportivo do Algarve.
Depois dessa campanha mencionada no parágrafo anterior, na qual o Lusitano viria a vencer o “regional”, só em 1938/39 é que o clube voltaria às pelejas dos “nacionais”. Numa altura em que Domingos Lopes era, provavelmente, o nome de maior monta na colectividade, Mortágua, à altura ainda a posicionar-se como extremo, também já figurava na lista de praticantes com enorme importância no arrolar da equipa titular.
Mesmo com a importância do clube a cimentar-se peremptoriamente, como provam as sucessivas aparições do emblema algarvio no Campeonato Nacional da 2ª divisão, e com a aparição de novos craques a projectar novos voos, como seria o caso de Isaurindo, Mortágua, na temporada de 1943/44, decidiria aventurar-se por outras paragens e anuir, um pouco mais a norte na raia portuguesa, ao desafio lançado pelo Campomaiorense. No entanto, muito mais do que um simples praticante, o seu papel no plantel dos “Galgos” viria a ultrapassar as funções que, até ao momento, estava habituado. Talvez como reflexo da sua enorme polivalência em campo, característica que faria com que, ao longo da carreira, conseguisse ocupar posições no sector ofensivo, no meio-campo e também em lugares mais recuados nos mais díspares esquemas tácticos idealizados, o jogador, grande entendedor das dinâmicas futebolísticas, aceitaria assumir-se como o treinador-jogador da colectividade alentejana.
Com a passagem por Campo Maior a durar apenas uma temporada, o regresso a Vila Real de Santo António entregá-lo-ia aos melhores anos do Lusitano. Todavia, para o surgimento dessa época áurea em muito contribuiria a emergência de outros atletas. Nesse rol alocado à equipa principal, Manuel Caldeira acabaria por vir a transformar-se num dos grandes ícones da massa adepta. Ainda assim, outros conseguiriam igualmente deixar a sua marca e para além da inscrição de Mortágua nessa lista de notáveis, também Madeira, a exemplo, faria parte do grupo que contribuiria para a ascensão dos homens a jogar em casa no Campo de Jogos Francisco Gomes Socorro até à 1ª divisão.
Nesse sentido, ao conseguir manter-se como um dos titulares da equipa, Mortágua, na temporada de 1947/48, transfigurar-se-ia numa das principais figuras do Lusitano na estreia entre os “grandes” do futebol luso. Essa estadia no patamar maior, que ao longo dos diferentes anos teria ainda a presença de outros atletas que também viriam a destacar-se nas competições portuguesas, casos de Luís Vasques e do incontornável José Maria Pedroto, serviria conjuntamente para sustentar o polivalente jogador como um dos históricos do conjunto algarvio. É verdade que as 64 partidas, por si disputadas nas 3 épocas passadas no degrau máximo, transformá-lo-iam numa das figuras com mais presenças, pelo clube do Sotavento, na prova de maior importância no calendário nacional. Ainda assim, há números mais surpreendentes na sua carreira e as 17 campanhas realizadas pelo atleta na agremiação sediada na foz do Guadiana, mesmo que mais nada houvesse, serviriam para inscrevê-lo nos anais da colectividade nascida em Vila Real de Santo António.

1675 - MARTINHO

Existem 2 questões na carreira de Martinho que não consegui ver respondidas. A primeira prende-se com a entrada do jogador no Atlético e com a possibilidade, ou não, de ter representado, anteriormente, outro emblema. Já a segunda dúvida surgiu-me pelo facto de não ter descoberto, na totalidade dos registos por mim pesquisados, qualquer referência à sua participação nas provas agendadas para a temporada de 1951/52. A hipotética falha levou-me, de seguida, a outra pergunta e, na tentativa de desvendar o mistério, muito menos encontrei qualquer justificação para o tal “desaparecimento”.
Adiantando este texto e contrariamente ao que está testemunhado em fontes mais recentes, que apenas mostram Carlos Martinho Gomes no Atlético a partir de 1947/48, as referências mais antigas, contemporâneas à carreira do avançado-centro, dizem-nos que a sua ligação ao emblema do popular bairro de Alcântara terá começado na campanha anterior, ou seja, durante a temporada de 1946/47. No entanto, naquilo que consegui investigar, nomeadamente nos registos do Campeonato Nacional da 1ª divisão, não achei qualquer dado que permita dizer que o jogador terá participado na prova de maior relevo no plano português.
O que consigo asseverar é a sua entrada em campo, pela equipa principal do Atlético, na edição de 1947/48 do escalão maior luso. Nesse contexto, não só o avançado apareceria como um dos nomes arrolado ao campo de jogos, como passaria, ao lado de Ben David, Armando Carneiro, Eduardo Vital ou Ernesto, a comparecer às pelejas da agremiação alcantarense na condição de membro regular do seu “onze”. Aliás, a titularidade conquistada levá-lo-ia a ser uma das escolhas do treinador Pedro Areso para a final da edição de 1948/49 da Taça de Portugal. Na partida disputada no Estádio Nacional, o ponta-de-lança inscreveria o seu nome no rol de marcadores. Porém, com a vitória a sorrir ao Benfica, o jogador veria o tão almejado troféu partir em direcção aos escaparates das “Águias”
Como uma das estrelas, não só do emblema “alfacinha”, mas do cenário futebolístico português, Martinho continuaria a sublinhar o alto gabarito das suas habilidades, a contrapor à baixa estatura física. Tais qualidades dariam um enorme contributo para os êxitos do conjunto a jogar em casa no Estádio da Tapadinha. Um bom exemplo desses sucessos colectivos viria com o 3º lugar alcançado na tabela classificativa do Campeonato Nacional de 1949/50. Ainda assim, a melhor honra surgiria com as chamadas aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. No contexto internacional, a 12 de Maio de 1951, numa digressão pelo Reino Unido, o avançado entraria em campo num “onze” onde também estariam Ben David e Ernesto. Passados apenas alguns dias sobre o jogo frente ao País de Gales, seguir-se-ia a sua entrada em campo, mais uma vez pela mão de Tavares da Silva, numa peleja a opor o grupo luso a Inglaterra. Na sequência dessas partidas de selecções, o atleta, como prova o planeamento do embate contra a Bélgica marcado para a 17 de Junho de 1951, ainda voltaria a ser chamado. Todavia, apesar de convocado, o ponta-de-lança não mais entraria em campo pelo seu país e, desse modo, acumularia 2 presenças com a “camisola das quinas”.
No resto da carreira, onde o tal hiato referido no parágrafo inicial poderá ser explicado por uma grave lesão ou até pela chamada ao Serviço Militar Obrigatório, outro momento de especial importância viria a ser a transferência para o maior rival do Atlético.Com os alcantarenses no 2º escalão, Martinho anuiria ao desafio lançado pelo Belenenses e, na campanha de 1958/59, passar-se-ia para o Restelo. Na sequência da aludida mudança, o jogador começaria por integrar o grupo de trabalho comandado por Fernando Vaz. No entanto, as 2 épocas seguintes, como resultado da veterania apresentada pelo avançado, entregá-lo-iam, na maioria das ocasiões, aos desafios dos “reservas”. Por fim, surgiria o plantel da CUF e fim da caminhada como futebolista com o termo das provas planeadas para 1961/62.

1652 - OSVALDO CAMBALACHO

Familiar de Octávio Cambalacho e de Manuel Cambalacho*, outros dois nomes com forte passagem pelo futebol português, Osvaldo Marques Santos Cambalacho, com uma carreira notável, não deixaria o nome do clã envergonhado. Tal como a parentela referida, seria o Seixal a conferir-lhe a naturalidade. Também na Margem Sul, o defesa-esquerdo, naquele que é o emblema mais representativo da mencionada localidade, daria os primeiros passos na modalidade. Com a estreia sénior a acontecer na temporada de 1942/43, os primeiros anos do atleta seriam cumpridos nas disputas dos patamares secundários. Ainda assim, as suas qualidades não passariam despercebidas a emblemas de outra monta e na campanha de 1948/49 seria apresentado como reforço do “O Elvas”.
Com o emblema alentejano a militar na 1ª divisão, Osvaldo Cambalacho, com outros colegas a merecerem a preferência de Severiano Correia, teria uma primeira época algo discreta. Já a chegada ao comando técnico dos “Azul e Oiro” de Mariano Amaro mudaria o seu cenário competitivo, tornando-se o defesa-esquerdo num dos elementos mais utilizados no plantel da colectividade raiana. Por outro lado, essa campanha de 1949/50 ditaria a despromoção do “O Elvas” ao 2º escalão. Ainda assim, a descida de divisão em pouco beliscaria a cotação do jogador. Nesse sentido, passados 4 anos sobre a chegada ao Rossio da Fonte Nova, o atleta receberia um novo convite e a viagem até ao Norte do país levá-lo-ia a abraçar a época mais faustosa da sua carreira.
Contratado pelo FC Porto para a temporada de 1952/53, o atleta começaria a trabalhar sob as instruções do argentino Lino Taioli. No entanto, mesmo reconhecidas as suas qualidades, a presença no plantel de Virgílio e de Carvalho impediria que o jogador conseguisse agarrar um lugar na equipa. Aliás, seria necessária a introdução, por parte de Dorival Yustrich, de um sistema táctico com três defesas, para que o esquerdino tomasse lugar, de forma inequívoca, no “onze” dos “Azuis e Brancos”. Já consigo cimentado como titular, essa temporada de 1955/56 significaria também a estreia do jogador nas conquistas de cariz nacional. Nesse contexto vencedor, primeiro emergiria o triunfo no Campeonato Nacional para, de seguida, numa final com a presença de Osvaldo Cambalacho, surgir a vitória na Taça de Portugal.
Outro momento de inolvidável importância na sua carreira surgiria na temporada a seguir à conquista da “dobradinha”. Com o FC Porto, pela primeira vez na história, a participar numa prova de âmbito continental, o sorteio da Taça dos Clubes Campeões Europeus ditaria ao destino o embate entre os “Dragões” e o Athletic Bilbao e apesar da dupla derrota do conjunto português, Osvaldo Cambalacho surgiria, numa eleição do brasileiro Flávio Costa, como um dos atletas arrolados ao embate ibérico.
Numa última temporada em que Barbosa ultrapassaria Osvaldo Cambalacho na luta por um lugar na equipa, o defesa-esquerdo teria na campanha de 1957/58 a derradeira aparição ao serviço do FC Porto. Daí em diante, numa caminhada a aproximar-se do fim, tempo ainda para o atleta representar o Vila Real, o Freamunde e o Leverense. Mesmo “penduradas as chuteiras”, o antigo jogador voltaria a ligar-se ao futebol e, no papel de treinador, orientaria emblemas como o Boavista, o Juventude de Évora, o Vizela ou a UD Oliveirense.

*Cheguei a ler que Osvaldo seria irmão de Octávio e tio de Manuel. Recentemente, noutra versão, em que só era feita referência à relação dos dois futebolistas mais velhos, dizia-se que Osvaldo seria sobrinho de Octávio. Nunca consegui confirmar a correcção de qualquer uma das afirmações.