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932 - STRÖMBERG

É em 1979, com a chegada de Sven-Göran Eriksson ao comando técnico do IFK Göteborg, que Strömberg passa a ter um papel de extrema importância no desenhar táctico da equipa sueca. Ainda que muito novo, daí em diante o seu nome passa a ter um lugar cativo no meio-campo. Com um físico possante, passada larga e um estilo intrépido, ao jovem atleta também não faltava qualidade técnica. A sua visão de jogo e capacidade de passe eram, bem acima do que emprestava ao conjunto em termos defensivos, a sua mais-valia.
A sua evolução haveria de alcançar um dos maiores picos já em 1982. Numa temporada histórica para o emblema escandinavo, a campanha na Taça UEFA acabaria por tornar-se memorável. Após conseguirem eliminar diversos candidatos à vitória na prova, os suecos acabariam por, na final, defrontar os alemães do Hamburger. Em ambas as partidas, Strömberg seria escolhido para ocupar um lugar no meio-campo. A sua contribuição para a conquista do título europeu seria inegável e o seu prestígio sairia deveras valorizado.
Curiosamente, só após a dita vitória nas competições internacionais é que Glenn Strömberg seria chamado à selecção “A” da Suécia. Todavia, e apesar de tardia, essa primeira convocatória ajudaria também para valorizar o seu currículo. Com a estreia a acontecer num amigável disputado em Junho de 1982, essa partida frente à antiga União Soviética serviria de preâmbulo para uma história que o conduziria à presença no Mundial de 1990. No torneio disputado em Itália, o seu país, sem conseguir pontuar, não passaria da fase de grupos. Ainda assim, ao lado dos benfiquistas Mats Magnusson e Jonas Thern, o médio acabaria por ser um dos que melhores exibições conseguiria cerzir.
Aliás, seria com as cores do Benfica que Strömberg, em definitivo, lançaria a carreira. Trazido para a “Luz” a meio da temporada de 1982/83, pelo já referido Sven-Göran Eriksson, a sua estreia de “Águia” ao peito aconteceria em Fevereiro de 1983. Apesar de tapado por outros colegas durante a primeira campanha, esse período de adaptação precederia uma segunda época de total consagração. Tendo, pelo meio, ajudado à conquista do Campeonato, da Taça de Portugal e à chegada do clube à final da Taça UEFA, o sueco tornar-se-ia num dos elementos mais preponderantes nos êxitos vindouros.
O protagonismo ganho no nosso país, faria com que o seu valor voltasse a disparar. Já com mais 1 Campeonato no seu currículo, seria do “Calcio” que surgiria um novo desafio. A irrecusável proposta vinda da Atalanta, levaria o atleta a experimentar a “Serie A”. Com as cores do emblema de Bergamo, o centrocampista tornar-se num dos principais craques do campeonato italiano. Mesmo tendo passado pela infelicidade da despromoção, a passagem pelo 2º escalão daria, no entanto, a responsabilidade do jogador passar a envergar a braçadeira de “capitão”. É nessa condição que, já de regresso à principal divisão, conduziria o clube a uma das melhores fases da sua história.
Já depois de ajudar a Atalanta a conseguir diversas qualificações para as competições europeias, é em 1992 que o médio decide ser a altura certa para pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Desde então, a sua relação com a modalidade mudou. Sem nunca ter abraçado as funções de técnico, Strömberg é um consagrado comentador desportivo. Paralelamente, o antigo internacional sueco é também consultor para “sites” de apostas e gere uma página electrónica dedicada ao futebol.

883 - MATTHÄUS

Numa altura em que o Borussia Mönchengladbach começava a perder o poderio demonstrado durante a década de 70, Lothar Matthäus faz a estreia na equipa principal do clube. Sendo ainda muito novo, poucos estariam à espera que conseguisse ter o impacto que viria a ter. Demonstrando exactamente o contrário, o jovem atleta rapidamente conseguiria agarrar um lugar no “onze”. Mesmo com o emblema alemão em queda, o impacto que conseguiria ter no plantel seria surpreendente. Como titular, logo na temporada de 1979/80 ajudaria o conjunto a chegar à final da Taça UEFA. Nessa derradeira etapa, ainda disputada a duas mãos, o médio marca um golo. No entanto, o tento seria insuficiente para derrotar o Eintracht Frankfurt, que levaria o troféu para casa.
Ainda que sem a tão almejada vitória, a verdade é que a referida campanha europeia seria uma das boas razões para que o seleccionador alemão decidisse convocá-lo para o Euro 80. Sem ainda contar com qualquer internacionalização “A”. Jupp Derwall fá-lo-ia entrar em campo aos 73 minutos de jogo, na partida frente à Holanda. Tempo mais que suficiente para que, logo no primeiro ano como profissional, conseguisse inscrever o seu nome no rol de vencedores do Europeu de selecções.
Daí em diante, e até à contratação pelo Bayern de Munique, a sua carreira entraria numa fase mais monótona… só em termos de troféus! Já no que diz respeito às suas exibições, essas demonstravam um jogador que, apesar da tenra idade, patenteava em campo uma maturidade espantosa. Tacticamente irrepreensível, Matthäus conseguia desempenhar com o mesmo rigor, tarefas defensivas ou ofensivas. Ora, essa capacidade, mantê-lo-ia como um dos habituais nas convocatórias da “Mannschaft”. Com as cores do seu país, e durante os anos passados com o Borussia Mönchengladbach, o médio ainda seria chamado ao Espanha 82 e ao Euro 84.
A transferência para o Bayern de Munique empurrá-lo-ia para a rota dos troféus. Logo em 1984/85 consegue conquistar o título de campeão. Nas campanhas a seguir a essa primeira vitória, a Bundesliga também não escaparia ao emblema bávaro e, a somar aos 3 triunfos consecutivos, viria 1 Taça da Alemanha (1985/86) e 1 Supertaça (1987/88). Já no plano das competições organizadas pela UEFA, a força demonstrada pela equipa alemã parecia querer apontar para mais sucessos. O ano em que isso estaria mais perto de acontecer, seria em 1987. No entanto, o FC Porto acabaria por estragar a festa a Matthäus e aos seus companheiros. Na final da Taça dos Campeões Europeus jogada em Viena, o “placard” ainda estaria a favor dos germânicos. O pior é que, já bem perto do final do encontro, dois golos dos “Azuis e Brancos” virariam tudo do avesso. Curiosamente, durante a segunda passagem do jogador pelo clube, algo semelhante aconteceria. Na derradeira partida da “Champions” de 1998/99, disputada frente ao Manchester United, dois tentos já nos descontos impediriam o médio, mais uma vez, de erguer o tão almejado “caneco”.
Mas se queremos falar de Matthäus a levantar troféus, então teremos que voltar à sua história com a equipa nacional alemã. Tendo disputado com a camisola do seu país 9 grandes torneios, o momento mais importante aconteceria no Mundial de 1990. Ostentando a braçadeira de capitão, e depois de em 1982 e em 1986 não ter conseguido ajudar os seus companheiros a conquistar mais do que a medalha de prata, em Itália as coisas correriam de forma um pouco diferente. Tendo na final, tal como campeonato anterior, apanhado a Argentina, dessa feita o desfecho seria outro. Com um golo de Andreas Brehme, a Alemanha (à altura RFA) venceria o certame e o médio lá teria a oportunidade de erguer a taça – “É uma grande honra vencer o Campeonato do Mundo, não só para a equipa, como também para o capitão que é o primeiro a quem é dado o troféu que todos querem ganhar. É uma sensação única. Eu estava com medo de fazer alguma coisa errada, de deixar cair o troféu”*.
Claro está que, durante a sua longa carreira, Matthäus teve a ensejo de vencer mais competições. Todavia, e mesmo tendo em conta o “Scudetto” conseguido pelo Inter de Milão ou as 4 Bundesligas e 1 Taça UEFA vencidas no regresso a Munique, seria a Alemanha que daria ao jogador as melhores marcas da sua carreira. Nesse sentido, não podemos esquecer que as suas 150 internacionalizações fazem dele o futebolista com mais partidas feitas pelo seu país. Já as 5 participações em Mundiais, igualando o mexicano Carbajal, também são um recorde. Ainda assim, o médio não ficaria por aqui e com 25 presenças em campo, o atleta transformar-se-ia no jogador com mais partidas disputadas em fases finais do Campeonato do Mundo.

*retirado da entrevista dada ao site www.fifa.com, a 03/05/2007

825 - ANDERS LIMPAR

Os primeiros anos como sénior, ao serviço do IF Brommapojkarna e Örgryte, levá-lo-iam a ser chamado à selecção nacional. Essa primeira partida, num particular frente à União Soviética, serviria de prelúdio para a sua aparição nos Jogos Olímpicos de 1988. Funcionando como um bom impulso, a participação nas olimpíadas levá-lo-ia a conseguir novos interessados no seu concurso. Curiosamente, o período após a sua presença em Seoul ficaria caracterizado não só pela passagem por diversos clubes, como por uma rápida ascensão. Young Boys e Cremonese seriam os emblemas que precederiam a sua chegada à “Premier League”. É certo que, por essa altura, já o médio estava consolidado na equipa nacional. Contudo, seria a sua mudança para o Arsenal que o iria confirmar como um dos melhores futebolistas suecos.
As temporadas passadas no mais alto patamar inglês foram, sem dúvida alguma, o melhor período da sua caminhada profissional. Num percurso que, para além dos “Gunners”, seria preenchido com as cores do Everton e Birmingham, o palmarés conseguido em Inglaterra daria ainda mais importância a essas campanhas. 1 Taça dos Vencedores das Taças, 1 “Premier League”, 2 “FA Cups”, 1 “League Cup” e 2 “Community Shields”, vitórias divididas entre as estadias em Londres e Liverpool, seriam os números desses 7 anos por “Terras de Sua Majestade”.
Paralelamente à conquista de todos os troféus acima referidos, viriam mais participações em relevantes torneios para selecções. Mundial de 1990 e Euro 92, com a sua devida importância, seriam “abafados” pela presença no Campeonato do Mundo de 1994. Nos Estados Unidos da América a equipa escandinava teria uma das melhores participações da sua história. Mesmo tendo sido pouco utilizado, Anders Limpar faria parte do grupo que levaria a Suécia ao 3º lugar do pódio.
De volta ao seu país, o centrocampista entraria na última fase da carreira. AIK, onde conseguiria sagrar-se campeão sueco em 1998, Colorado Rapids (Estados Unidos da América), Djugardens, e o regresso ao IF Brommapojkarna marcariam essa derradeira etapa. Depois viriam algumas experiências como treinador. Nas funções de técnico, num percurso ainda longe do êxito que teve como jogador, Limpar já treinou as camadas jovens do Djugardens e, nos escalões secundários, os amadores do Sollentuna United.

775 - ANCELOTTI

Apesar de ter dado os primeiros passos nas divisões inferiores do “Calcio”, as boas prestações que foi conseguindo durante esses anos levá-lo-iam a despertar a cobiça de outros clubes. No Parma, onde faria a transição das “escolas” para o patamar sénior, Ancelotti haveria de conquistar a fama de jogador combativo. Curiosamente, contrastando com essa apreciação, o seu papel dentro de campo até era mais dado a funções ofensivas. Nessas tarefas, o médio ajudaria o clube a atingir a “Serie B” e tornar-se-ia numa das principais revelações saídas do conjunto orientado por Cesare Maldini.
Já com o Inter de Milão na sua peugada, é a AS Roma que, para a temporada de 1979/80, consegue contratá-lo. Integrando-se com relativa facilidade, a sua presença no meio-campo romano torna-se num dos principais esteios da dupla vitória na Taça de Itália (1979/80, 1980/81). Sempre na senda dos sucessos, aos quais não é alheio o trabalho do técnico Nils Liedholm, Ancelotti enriquece o seu palmarés com a conquista do “Scudetto” de 1982/83. Ainda sob a alçada do treinador sueco, alcança novo triunfo na “Coppa”. Contudo, essa temporada de 1983/84 ficaria marcada pelas provas continentais. Conseguindo, resultado da vitória na época anterior, marcar presença na Taça dos Campeões Europeus, os “Lupi” atingiriam a final da referida prova. O centrocampista, lesionado, falharia o derradeiro encontro e, num desafio que até seria disputado no Olímpico de Roma, nada pôde fazer para evitar a derrota imposta pelo Liverpool.
Os últimos anos com a camisola da AS Roma, onde ganharia mais uma Taça (1985/86), elevariam o estatuto de Ancelotti. Com a chegada de Sven-Göran Eriksson à capital italiana, o médio vê a sua importância aumentar e passa a envergar a braçadeira de capitão. Estando, ou não, relacionado, é também durante esse período que a sua presença na equipa nacional começa a ser mais regular. Essa assiduidade levá-lo-ia a ser chamado aos principais certames para selecções. Pela “Squadra Azzurra”, o atleta é chamado ao México 86 – onde não chega a entrar em campo –, participa no Euro 88 e no Mundial de 1990.
Por altura desses dois últimos torneios, já Ancelotti tinha deixado a AS Roma para representar o AC Milan. A jogar pelos “Rossoneri”, as metas atingidas triplicariam o valor do seu currículo. Aproveitando o início do melhor período da história do clube, o médio acrescentaria ao seu rol de vitórias 2 “Scudettos” (1987/88; 1991/92) e 1 “Supercoppa” (1988/89). Todavia, e sem menosprezar tais vitórias, seria no plano internacional que o jogador conseguiria maior realce. As 2 Taças Intercontinentais e as 2 Supertaças ganhas nas campanhas de 1989/90 e 1990/91, seriam o reflexo dos sucessos conseguidos na disputa da Taça dos Campeões Europeus. Na referida competição, e tendo já vencido a edição de 1988/89, destaque para a final de 1990, onde ajudaria o seu clube a derrotar o Benfica.
Tendo “pendurado as chuteiras” no Verão de 1992, a sua carreira como treinador começaria de imediato. Nessas funções, o antigo futebolista, muito para além de igualar os sucessos alcançados dentro de campo, tornar-se-ia num dos melhores técnicos a nível mundial. Com um percurso que já o levou a disputar as melhores ligas, o seu currículo conta com títulos em Itália, Inglaterra, Espanha, França e Alemanha. Entre tantas vitórias, divididas por clubes como Juventus, Milan, Chelsea, Paris SG, Real Madrid ou Bayern Munique, há que destacar as 3 “Champions” conquistadas. A última final (2013/14), vencida ao serviço dos “Merengues”, seria disputada no Estádio da Luz e contaria com a presença e um golo de Cristiano Ronaldo.

623 - MASOPUST

Seria com a camisola do FK Baník Most, colectividade da sua terra natal, que Masopust daria os primeiros passos de uma carreira memorável. Ainda adolescente, mudar-se-ia para o FK Teplice, mas, verdade seja dita, o novo emblema não tinha dimensão suficiente para a sua categoria. Ora, nesse sentido, seria curta a sua passagem pelo clube, tendo, em 1952, assinado por um dos grandes do futebol checoslovaco.
No Dukla de Praga o seu génio desenvolver-se-ia. Médio elegante, com uma capacidade técnica excepcional, Masopust rapidamente pegaria no meio campo da equipa. Talhando, com a sua visão de jogo, o caminho do sucesso, ajudaria a ganhar 4 Taças da Checoslováquia. Já o número de Campeonatos vencidos, durante os anos que vestiu a camisola do clube, subiria para o dobro.
É verdade que o Dukla, com o poderio mostrado durante os anos 50 e 60, representaria uma grande fatia no seu sucesso. Contudo, seria a equipa nacional que, como Pelé haveria de dizer, o ajudaria a chegar à condição de “um dos maiores ícones que o futebol conheceu”. Para tal, muito contribuiriam os torneios onde participaria. Ora, e se o Mundial de 1958, com a sua selecção a ser eliminada precocemente, nem contribuiria muito para esse estatuto, já o Euro que se seguiria e o Mundial de 1962, catapultariam Masupost para os anais do futebol.
É verdade que no Europeu de 1960, já a Checoslováquia havia chegado às meias-finais. Contudo, e porque a competição, nesse ano, conhecia apenas a sua primeira edição, a repercussão de tal brilharete seria relativa. Por essa razão, a sua chegada ao Chile, dois anos depois, não arrastaria grandes multidões. No entanto, com o avançar do torneio muito mudaria.
A maneira como pegava na bola, impressionava até os mais atentos. O modo como, singelamente, fintava um, dois ou três adversários, mostraria que, em todas as listas de craques, faltava o seu nome. Essa situação alterar-se-ia rapidamente. A chegada da Checoslováquia ao último jogo do Mundial, muito para isso contribuiria. Dessa derradeira partida, Masupost sairia derrotado. No entanto, o golo que marcou e que inauguraria o “placard”, muito mais do que afrontar as probabilidades do favorito Brasil, faria com que o atleta saísse do torneio como uma das figuras de proa.
Nesse mesmo ano de 1962, a “France Football” agraciaria o jogador com o “Ballon d’Or”. Não tendo conquistado nenhum título relevante, o galardão laureava sua a inteligência, habilidades e, porque não dizê-lo, a postura correcta como vivia o futebol. Daí em diante, Josef Masopust passou a ser um nome de elite; passou a figurar no rol mais importante dos futebolistas. A convocatória para a selecção do mundo, por altura da despedida de Stanley Matthews (1965), viria provar isso mesmo.
Numa altura em que os jogadores de Leste raramente eram vistos na metade ocidental da Europa, Masopust haveria de ser autorizado a mudar-se para a Bélgica. Na R. Crossing Molenbeek, já como treinador-jogador, faria a transição dos relvados para o banco de suplentes. Como técnico, apesar de não tão fulgurante, o antigo internacional haveria de conseguir os seus momentos altos. Muito para além do regresso ao Dukla de Praga ou a passagem pelo comando da selecção do seu país, o maior destaque da sua nova carreira consegui-lo-ia ao serviço do FC Zbrojovka Brno, quando em 1978 levaria o emblema ao título nacional checoslovaco.

464 - ACÁCIO

Apesar de ser um ídolo no Vasco do Gama, foi no Serrano, clube da cidade de Petrópolis, que Acácio começou por dar nas vistas. Foram, então, os jogos do "estadual" do Rio de Janeiro, principalmente os embates contra aqueles que nessa competição são os maiores emblemas, que acabaram por pô-lo em plano de destaque no futebol brasileiro. Dessa maneira, já com o estatuto de atleta muito promissor, Acácio, no decorrer da temporada de 1982, veio a rubricar um contrato com os referidos "Cruzmaltinos". Durante mais de 9 temporadas vestiu a camisola do clube fundado por descendentes portugueses, com a conquista do Campeonato Carioca a brindar esse seu ano de estreia em São Januário.
Desde o primeiro troféu ganho pelo Vasco da Gama, outros títulos foram aparecendo na sua carreira, como são os casos dos Campeonatos "Carioca" de 1987 e de 1988. No entanto, como afirmado pelo guardião, o título que ainda hoje traz as melhores lembranças, tanto pela importância, como pelas disputas memoráveis que nele foram ocorrendo, acabou por ser o "Brasileirão" de 1989. Ao ser a dita conquista um dos marcos mais importantes na sua vida, para Acácio, o ano de 1989, tornou-se inesquecível também por outras razões. Por um lado, foi em Março desse ano que o guardião, numa partida contra o Equador, fez a estreia com as cores da "Canarinha". Por outro lado, depois de ter marcado presença na edição de 1983 do torneio, veio a convocatória para a Copa América, de onde o Brasil saiu vencedor. Aliás, pode dizer-se que aqui começou uma bela relação com a selecção do seu país, a qual levaria o guarda-redes, na condição de suplente de Taffarel e ao lado de José Carlos, ao Mundial de 1990.
Foi sensivelmente 1 ano após a participação no certame organizado em Itália que Acácio tomou a decisão de vir para a Europa. O destino, bem improvável para um intérprete da sua categoria, pô-lo na rota do plantel de 1991/92 do Tirsense. Porém, bastou uma temporada na 2ª divisão para provar que a qualidade do internacional brasileiro, ainda que com 33 anos de idade, era merecedora de muito mais. Digno de tal justiça, na época seguinte à da chegada a Portugal, ao serviço do Beira-Mar, acabou por estrear-se no maior escalão luso. Pela colectividade de Aveiro foram 3 temporadas onde, à imagem daquilo que tinha mostrado no seu país, continuou a impor-se como titular. Muitas foram as histórias vividas, mas aquela que mais o marcou, como o próprio contou numa entrevista, prendeu-se com a tentativa de corrompê-lo e com isso facilitar a vitória do adversário, numa partida a opor a sua equipa à do FC Porto.
Polémicas à parte, Acácio retornou ao Brasil para, em 1996 e a jogar pelo Madureira, terminar a carreira. Continuou no seu país e é por lá que tem dado seguimento à sua vida como técnico, primeiro como treinador de guarda-redes do Botafogo e do Vasco da Gama e, numa experiência mais recente, como responsável máximo pelo plantel do Olaria.

363 - KASEY KELLER

Depois de iniciar a caminhada competitiva no desporto escolar e de ter entrado nas competições universitárias, Kasey Keller começou a ser chamado aos trabalhos das selecções jovens do seu país. Por razão do bom desempenho nas camadas de formação à guarda da United States Soccer Federation, o guarda-redes, com apenas 20 anos de idade e numa altura em que representava os Portland Pirates, logrou ser convocado para um grande certame sénior, o Campeonato do Mundo de 1990.
Em Itália, apesar de ficar na sombra de Tony Meola e de, por essa razão, não ter disputado qualquer um dos três encontros a envolver o conjunto americano, a sua chamada ao torneio foi suficiente para que do “Velho Continente” começasse a surgir o interesse de alguns clubes. Nessa corrida, o Millwall emergiu como o emblema mais convicto de que Keller era uma boa aposta. Nos “Lions” a partir da temporada de 1991/92, o atleta impôs-se com alguma naturalidade ao ponto de ter vencido, no ano a seguir à estreia, o mais importante galardão atribuído pelo clube aos seus atletas, isto é, o prémio de Jogador do Ano.
Seguiu-se, após alguns anos a disputar o segundo patamar inglês, a sua estreia na Premier League. A mudança para o plantel de 1996/97 do Leicester City trouxe-lhe também um importante troféu e o currículo do guardião, com a conquista a ocorrer na época da sua chegada ao emblema sediado nas East Midlands, passou contar com a vitória na Taça da Liga.
No entanto, a sua passagem pelos "The Foxes" não trouxe apenas boas memórias. Houve um episódio menos feliz e que, de certeza, o guardião tão cedo não esquecerá! Nos tempos livres, Kasey Keller decidiu experimentar a prática de outra modalidade. Arranjou um saco com o material apropriado, enfiou-o no automóvel e dirigiu-se a um campo de golfe. Até aqui tudo normal. O pior foi quando chegou ao destino e quis tirar o equipamento da bagageira. Pois bem, fê-lo com tal força e determinação que acertou com os tacos na boca e partiu uma série de dentes!
Depois da primeira estadia em Inglaterra, Kasey Keller começou um périplo que o levou também a outros campeonatos europeus. Rayo Vallecano, Tottenham Hotspurs, Southampton, Borussia Mönchengladbach e Fulham tornaram-se nos novos emblemas a colorir a sua caminhada competitiva. Desportivamente, apesar de uma utilização regular, nada a destacar nessas passagens. A excepção surgiu nas campanhas cumpridas no emblema germânico, onde, ao ser escolhido para capitão de equipa, veio a tornar-se no segundo atleta norte-americano a realizar tal função na Alemanha.

348 - SILAS

Com um início de carreira fulgurante, que chegaria a colocá-lo como uma das maiores promessas do futebol brasileiro, Silas haveria de destacar-se no Mundial sub-20, disputado em 1985. No torneio organizado na antiga U.R.S.S., para além da conquista do título colectivo, o centrocampista haveria de sair do certame eleito como o Melhor Jogador do Campeonato. Tudo isso, a juntar às boas exibições amealhadas ao serviço do São Paulo, rapidamente iriam pô-lo na rota de emblemas estrangeiros. Como futebolista, adivinhar-se-ia o seu futuro ligado, invariavelmente, à Europa. No entanto, o que poucos desconfiariam é que esse incontornável destino, com tantos “mercados” bem mais aliciantes, iria passar por Portugal e, em particular, pelo Sporting. Ainda assim, contra todas as probabilidades e depois da participação no Mundial do México de 1986, o médio-ofensivo, como reforço leonino para a temporada de 1988/89, acabaria por aterrar em Lisboa.
O investimento feito no internacional brasileiro parecia não trazer grande risco e Silas rapidamente provou ser uma aposta ganha. As grandes exibições, em que jogava e fazia jogar, e os belíssimos golos depressa fariam ver aos adeptos leoninos que estavam na presença de um grande craque. Mesmo com uma segunda temporada em Alvalade assolada por uma grave lesão e depois de ter participado e vencido a Copa América de 1989, o médio acabaria por fazer parte dos planos de Sebastião Lazaroni (haveria de ser treinador do Marítimo) e juntar-se-ia ao grupo "canarinho" que partiria em direcção a Itália, para a disputa do Mundial de 1990.
A segunda etapa de Silas pela Europa far-se-ia não muito tempo depois e, numa lógica de crescimento, ao serviço de emblemas do "Calcio". Depois de integrar o plantel de 1990/91 do Cesena e de, na época seguinte ter envergado a camisola dos genoveses da Sampdoria, a passagem do médio por Itália classificar-se-ia pelo esparso fulgor exibicional. Daí em diante, a carreira do jogador tomaria o formato de muitos outros seus conterrâneos. Feito numa espécie de "Globetrotter", o atleta acabaria por passar por cerca de uma dezena de outros emblemas e por campeonatos como o argentino ou o japonês. Já bem perto dos 40 anos de idade, decidir-se-ia a "pendurar as chuteiras" e viria a dedicar-se à vida de treinador, mormente em agremiações do seu país natal.

139 - HIGUITA

Tirando a sua passagem pelos colombianos do Atlético Nacional, onde conquistaria a Copa Libertadores de 1989, René Higuita não tem um registo impressionante de vitórias, nem sequer de presenças noutros grandes emblemas mundiais. Por exemplo, a sua passagem pela Europa fez-se ao serviço do modesto Valladolid de Espanha e, até essa experiência, não correu nada de feição.
Está bem que a sua vida fora dos relvados, com ligações aos cartéis da droga e consumo desses mesmos estupefacientes, muita tinta fez correr nos jornais. Mas isso, de certeza, que não seria suficiente para imortalizá-lo como praticante de futebol. Então, o que o tornou tão famoso?! A resposta quase todos sabem! Higuita era um guardião do mais excêntrico que podia haver. Para além dum visual inconfundível, ele também marcava livres, penaltis e, quando lhe dava na cabeça, abandonava a baliza e enfiava-se no ataque com os seus colegas.
Para verem como era Higuita, a primeira imagem que dele tenho é a de uma grande “trunfa” e de uma bela "bigodaça" que, agarrados ao corpo de um guarda-redes, desatavam a correr campo fora com a bola nos pés. Nos oitavos-de-final do Mundial de 1990, a brincadeira correu-lhe bem até ao meio-campo. Porém, quando Roger Milla, atleta dos Camarões, conseguiu roubar-lhe o esférico as coisas mudaram de sentido. O avançado marcou golo, os africanos venceram o encontro e a Colômbia acabou eliminada do torneio!
Higuita era capaz de tudo. Desde um “erro do tamanho de uma casa”*, como ele próprio classificou o tal episódio em Itália, à jogada mais espectacular, como o mítico "pontapé escorpião", revelado num particular contra Inglaterra. Em Wembley, Jamie Redknapp, que se estreava pelos “AA” do seu país, ao mesmo tempo que enviava um balão, sem nexo, para a área adversária, virava costas ao lance. Não chegaria a ver o "mergulho" para a frente e a defesa com os calcanhares! E só se voltou novamente para a baliza, como o próprio viria a confessar, porque ao ouvir os estridentes aplausos do público pensou que “El Loco” tivesse dado um monumental "frango"!

*retirado do artigo publicado em https://pt.qaz.wiki/wiki/Rene_Higuita

9 - ABDELGHANI

Já com 29 anos, vindo do gigante africano, Al-Ahly, chegou ao Beira-Mar em 1988, para a sua única aventura europeia. Com certeza houve quem pensasse que os seus melhores anos já tinham passado, no entanto, durante os quatro anos em que jogou no velhinho Estádio Mário Duarte (e outros), espalhou classe, participando em mais de 100 partidas.
Este médio ofensivo, para além de possuir grande técnica, era cheio de vontade. Nunca me hei-de esquecer da história em que o seu treinador, por altura do Ramadão, e devido ao jejum a que Abdelghani estava sujeito, indicou que este não deveria jogar... mas o egípcio pediu para entrar em campo e fez um dos melhores desafios em Portugal!!! Pela sua selecção jogou em mais de 90 ocasiões: venceu a CAN em 1986, esteve também nos Jogos Olímpicos de 1988 e marcou o único golo do Egipto no Itália 90 - penalty, no 1-1 frente à Holanda.

8 - VLK

Lubomir Vlk (mais uma tradução - Vlk quer dizer lobo), internacional pela antiga Checoslováquia, começou a sua carreira, na cidade de Ostrava, no Vitkovice. Apesar de ser da mesma terra que o Banik Ostrava e de viver um pouco à sombra do seu rival, o Vitkovice teve o seu grande momento em 1985/86, quando se sagrou campeão nacional... e logo na temporada de estreia de Vlk!!!
Seriam, no entanto, precisos mais alguns anos para que o defesa esquerdo despertasse o interesse de outros emblemas, o que viria a acontecer, logo a seguir ao Campeonato do Mundo de 1990, em Itália, transferindo-se para o FC Porto. Na "Invicta" não viria a ser muito utilizado - apenas 29 jogos em 3 épocas - o que o fez regressar ao seu clube de origem, e, dizem, do seu coração, onde termina a carreira em 2000. 
Representou ainda o Karviná, clube que durante um ano, 1994, se uniu ao Vitkovic, separando-se, os dois emblemas no ano seguinte. Em 2002 era o director desportivo do seu clube de sempre.