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991 - THERN

Tendo começado nas divisões secundárias e ao serviço do IFK Värnamo, Jonas Thern rubricaria o seu primeiro contrato profissional com o Malmö. A mudança, para aquele que é um dos emblemas com maior tradição no país escandinavo, traduzir-se-ia em resultados muito positivos. A sua integração, com o jogador a tornar-se numa das pedras basilares da equipa, ocorreria de forma muito célere. Para o médio, tal como para o clube, a transferência seria bem proveitosa e, logo nesse ano de 1985, os títulos entrariam na caminhada do centrocampista.
Ainda que tendo em conta o contexto competitivo, os anos que Thern passaria com as cores do Malmö seriam, de certo modo, faustosos. A constante participação nas competições europeias, os 5 Campeonatos e 2 Taças da Suécia ganhos pela sua equipa seriam, em boa parte, resultado da importância que conseguiria manter no seio do grupo. Esse peso, rapidamente o levaria a ser chamado à selecção principal do seu país e aos certames mais importantes. Com a estreia pelos “AA” a acontecer em Outubro de 1987, seria pelo conjunto olímpico que, em 1988, disputaria o primeiro grande torneio internacional.
Já o ano em que chegaria ao Benfica, 1989, coincidiria com a conquista do prémio de Melhor Jogador Sueco. Depois de uma curta experiência ao serviço do FC Zürich (1987/88), seria o regresso de Sven-Göran Eriksson à “Luz” que patrocinaria a segunda mudança do atleta para um país estrangeiro. Tendo reencontrado Mats Magnusson, contratado ao Malmö um ano antes, o médio, tal como já antes tinha ocorrido, transformar-se-ia num dos elementos mais importantes na estratégia montada.
Não sendo um portento técnico, a verdade é que Thern tinha no rigor táctico e qualidade batalhadora as suas maiores armas. A abnegação com que sempre entrava em campo seria tida como um exemplo a seguir. Tendo isso em conta, o atleta passaria a ser visto como um líder. O seu percurso na selecção seria o melhor exemplo disso. Com a braçadeira a ser-lhe entregue pela primeira vez em 1989, de 1991 até à sua última internacionalização, o médio seria incumbido de capitanear as cores do país. Nessas funções lideraria a Suécia em 2 importantes torneios. Depois de ter sido convocado para o Mundial de 1990 em Itália, o centrocampista, já na condição de “capitão”, participaria no Euro 92 e Campeonato do Mundo de 1994.
Tendo como grande marco na selecção o 3º lugar no Mundial disputado nos Estados Unidos da América, o seu palmarés clubístico seria mais rico. Depois do que conquistou pelo Malmö, também no Benfica conseguiria amealhar alguns troféus. Contudo, para além do Campeonato de 1990/91 e da Supertaça de 1989/90, Thern haveria de viver o seu melhor momento nas competições europeias. A edição de 1989/90 da Taça dos Clubes Campeões Europeus levaria os “Encarnados” à final da competição. Na partida marcada para o Praterstadion, à equipa portuguesa calharia defrontar o AC Milan. Mesmo sendo escalonado para entrar de início, a prestação do médio seria insuficiente para evitar que um golo de Frank Rijkaard entregasse o título aos italianos.
Seria em Itália que, depois de deixar Lisboa, Jonas Thern daria continuidade à sua carreira. Napoli e Roma seriam os emblemas em que, durante as 5 épocas seguintes, o sueco jogaria. Apesar de estar naquela que, à altura, era a liga europeia mais bem cotada, a sua passagem pelo “Calcio” não seria proveitosa em termos de troféus conquistados. Vitórias só as voltaria a saborear aquando da sua mudança para a Escócia. No Rangers ajudaria a vencer a Scottish Premier League de 1998/99. Essa campanha, em que pouco participaria, tornar-se-ia na derradeira como futebolista. Uma grave lesão acabaria por acelerar o final da sua carreira. Mesmo afastado dos relvados, o antigo internacional não deixaria a modalidade. Pouco tempo após a sua aposentação como atleta, daria início ao seu percurso de treinador. O regresso ao IFK Värnamo dar-lhe-ia o ensejo para, alguns anos mais tarde, dar um novo passo aos comandos do Halmstads BK. Paralelamente, vive também dos seus investimentos na hotelaria, como comentador desportivo e até como professor.

932 - STRÖMBERG

É em 1979, com a chegada de Sven-Göran Eriksson ao comando técnico do IFK Göteborg, que Strömberg passa a ter um papel de extrema importância no desenhar táctico da equipa sueca. Ainda que muito novo, daí em diante o seu nome passa a ter um lugar cativo no meio-campo. Com um físico possante, passada larga e um estilo intrépido, ao jovem atleta também não faltava qualidade técnica. A sua visão de jogo e capacidade de passe eram, bem acima do que emprestava ao conjunto em termos defensivos, a sua mais-valia.
A sua evolução haveria de alcançar um dos maiores picos já em 1982. Numa temporada histórica para o emblema escandinavo, a campanha na Taça UEFA acabaria por tornar-se memorável. Após conseguirem eliminar diversos candidatos à vitória na prova, os suecos acabariam por, na final, defrontar os alemães do Hamburger. Em ambas as partidas, Strömberg seria escolhido para ocupar um lugar no meio-campo. A sua contribuição para a conquista do título europeu seria inegável e o seu prestígio sairia deveras valorizado.
Curiosamente, só após a dita vitória nas competições internacionais é que Glenn Strömberg seria chamado à selecção “A” da Suécia. Todavia, e apesar de tardia, essa primeira convocatória ajudaria também para valorizar o seu currículo. Com a estreia a acontecer num amigável disputado em Junho de 1982, essa partida frente à antiga União Soviética serviria de preâmbulo para uma história que o conduziria à presença no Mundial de 1990. No torneio disputado em Itália, o seu país, sem conseguir pontuar, não passaria da fase de grupos. Ainda assim, ao lado dos benfiquistas Mats Magnusson e Jonas Thern, o médio acabaria por ser um dos que melhores exibições conseguiria cerzir.
Aliás, seria com as cores do Benfica que Strömberg, em definitivo, lançaria a carreira. Trazido para a “Luz” a meio da temporada de 1982/83, pelo já referido Sven-Göran Eriksson, a sua estreia de “Águia” ao peito aconteceria em Fevereiro de 1983. Apesar de tapado por outros colegas durante a primeira campanha, esse período de adaptação precederia uma segunda época de total consagração. Tendo, pelo meio, ajudado à conquista do Campeonato, da Taça de Portugal e à chegada do clube à final da Taça UEFA, o sueco tornar-se-ia num dos elementos mais preponderantes nos êxitos vindouros.
O protagonismo ganho no nosso país, faria com que o seu valor voltasse a disparar. Já com mais 1 Campeonato no seu currículo, seria do “Calcio” que surgiria um novo desafio. A irrecusável proposta vinda da Atalanta, levaria o atleta a experimentar a “Serie A”. Com as cores do emblema de Bergamo, o centrocampista tornar-se num dos principais craques do campeonato italiano. Mesmo tendo passado pela infelicidade da despromoção, a passagem pelo 2º escalão daria, no entanto, a responsabilidade do jogador passar a envergar a braçadeira de “capitão”. É nessa condição que, já de regresso à principal divisão, conduziria o clube a uma das melhores fases da sua história.
Já depois de ajudar a Atalanta a conseguir diversas qualificações para as competições europeias, é em 1992 que o médio decide ser a altura certa para pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Desde então, a sua relação com a modalidade mudou. Sem nunca ter abraçado as funções de técnico, Strömberg é um consagrado comentador desportivo. Paralelamente, o antigo internacional sueco é também consultor para “sites” de apostas e gere uma página electrónica dedicada ao futebol.

921 - BEBETO

Com estreia pelos seniores do Vitória, Bebeto, que tinha feito quase toda a formação pelo clube da Bahia, acabaria por conseguir destacar-se rapidamente. Um momento decisivo nessa rápida evolução seria o Mundial sub-20 de 1983. Ao lado de craques como Dunga, Jorginho, Aloísio (ex-FC Porto), Heitor (ex- Nacional e Marítimo) ou Guto (ex-Belenenses), a visibilidade dada pelo torneio, catapultá-lo-ia para o rol de prioridades de vários emblemas. Na verdade, ainda antes da realização do certame para “juniores”, já o seu clube havia recebido uma proposta pela sua aquisição. No entanto, as contrapartidas exigidas seriam muito elevadas e o Vasco da Gama acabaria por desistir da contratação.
Quem passaria para a frente nessa corrida, superando uma oferta superior vinda do Palmeiras, seria o Flamengo. Sensivelmente 1 ano após a sua chegada à categoria principal do Vitória, o jovem atleta veria a proposta feita pelo emblema do Rio de Janeiro ser aceite. Seguindo as pegadas do seu irmão Nilton, guardião falecido num acidente de aviação, Bebeto chega à Gávea numa altura de grandes sucessos. Em Março de 1983 faz a estreia pela nova equipa e os troféus, a partir desse momento, começariam a colorir o seu palmarés.
Todavia, e mesmo tendo vencido o “Brasileirão” de 1983, o “Estadual Carioca” de 1986, 3 Taças Guanabara e 3 Taças do Rio de Janeiro, Bebeto encerrava em si outro desejo. Influenciado pelo seu avô, o atacante era adepto do Vasco da Gama. É então que, vários anos após a ida para o “rubro-negro”, o sonho de representar os “cruzmaltinos” ganha novo alento. Após a tentativa de “namoro” falhada anos antes, nova aproximação aconteceria em 1989. Dessa feita o desfecho seria completamente diferente e a transferência acabaria por concretizar-se.
Tal como no clube anterior, a entrada de Bebeto para o conjunto fundado por portugueses como que serviria de amuleto. Logo nesse ano de 1989, o Vasco da Gama vence o Campeonato Brasileiro. Para o título, em muito contribuiriam os seus golos. Aliás, ao longo da sua carreira foram os remates certeiros que o catapultaram para um patamar sempre acima dos restantes jogadores. Muito mais do que ser um futebolista com boa técnica, capacidade de passe e leitura de jogo, o avançado era também um excelente finalizador. Para aferir essa “veia goleadora” estão os vários prémios ganhos como Melhor Marcador, entre eles no “Carioca” de 1988 e 1989, no “Brasileirão” de 1992, na Copa América de 1989, nos Jogos Olímpicos de 1996 ou, com a sua ida para Espanha, com a conquista do “Pichichi” de 1992/93.
Os anos na “La Liga” foram, provavelmente, os melhores do seu percurso profissional. É certo que o clube, durante as suas 4 temporadas na Galiza, nunca chegaria à crista do futebol de “nuestros hermanos”. A passagem pelo Deportivo La Coruña saldar-se-ia apenas pela conquista da Copa del Rey de 1994/95 e da Supercopa do ano seguinte. Já com a camisola “canarinha” a história seria um pouco diferente e a chamada ao Campeonato do Mundo de 1994 teria outro brilho. Nos Estados Unidos da América, ao contrário daquilo que tinha acontecido 4 anos antes em Itália, Bebeto seria uma das principais figuras do Brasil. Ao lado de Romário, os golos do atacante levariam o “Escrete” à vitória no Mundial. Nessa caminhada, fica a imagem dos festejos frente à Holanda. Na partida dos quartos-de-final, após bater o guardião adversário, o avançado correria para a linha-lateral. Em homenagem a Mattheus Oliveira (Estoril; Sporting; Vitória de Guimarães), o seu filho recém-nascido, Bebeto, com alguns dos colegas a seu lado, fingiria embalar um bebé.
O regresso ao Brasil em 1996, marcaria o começo da última parte da sua carreira. Sem ficar afastado dos títulos, essa derradeira fase caracterizar-se-ia por alguma errância. Saltando de clube em clube com bastante frequência, Bebeto também somaria passagens por diferentes nações. Para além do seu país natal, seriam Campeonatos como o do México, Japão, Espanha ou, para terminar, o da Arábia Saudita que teriam o prazer de o ver jogar.
Após ter posto um ponto final na vida de futebolista em 2003, Bebeto desmultiplicar-se-ia em diversas “personagens”. Em 2009 tentaria a sorte como treinador. Contudo, a experiência acabaria por ser bem curta. Aos comandos do América do Rio de Janeiro, o antigo internacional brasileiro não conseguiria aguentar-se nem 2 meses.  Já como político o destaque merecido seria por razão diferente. Em 2010 seria eleito deputado estadual pelo PDT, para, em 2014, e já no Partido da Solidariedade, repetir a façanha.

883 - MATTHÄUS

Numa altura em que o Borussia Mönchengladbach começava a perder o poderio demonstrado durante a década de 70, Lothar Matthäus faz a estreia na equipa principal do clube. Sendo ainda muito novo, poucos estariam à espera que conseguisse ter o impacto que viria a ter. Demonstrando exactamente o contrário, o jovem atleta rapidamente conseguiria agarrar um lugar no “onze”. Mesmo com o emblema alemão em queda, o impacto que conseguiria ter no plantel seria surpreendente. Como titular, logo na temporada de 1979/80 ajudaria o conjunto a chegar à final da Taça UEFA. Nessa derradeira etapa, ainda disputada a duas mãos, o médio marca um golo. No entanto, o tento seria insuficiente para derrotar o Eintracht Frankfurt, que levaria o troféu para casa.
Ainda que sem a tão almejada vitória, a verdade é que a referida campanha europeia seria uma das boas razões para que o seleccionador alemão decidisse convocá-lo para o Euro 80. Sem ainda contar com qualquer internacionalização “A”. Jupp Derwall fá-lo-ia entrar em campo aos 73 minutos de jogo, na partida frente à Holanda. Tempo mais que suficiente para que, logo no primeiro ano como profissional, conseguisse inscrever o seu nome no rol de vencedores do Europeu de selecções.
Daí em diante, e até à contratação pelo Bayern de Munique, a sua carreira entraria numa fase mais monótona… só em termos de troféus! Já no que diz respeito às suas exibições, essas demonstravam um jogador que, apesar da tenra idade, patenteava em campo uma maturidade espantosa. Tacticamente irrepreensível, Matthäus conseguia desempenhar com o mesmo rigor, tarefas defensivas ou ofensivas. Ora, essa capacidade, mantê-lo-ia como um dos habituais nas convocatórias da “Mannschaft”. Com as cores do seu país, e durante os anos passados com o Borussia Mönchengladbach, o médio ainda seria chamado ao Espanha 82 e ao Euro 84.
A transferência para o Bayern de Munique empurrá-lo-ia para a rota dos troféus. Logo em 1984/85 consegue conquistar o título de campeão. Nas campanhas a seguir a essa primeira vitória, a Bundesliga também não escaparia ao emblema bávaro e, a somar aos 3 triunfos consecutivos, viria 1 Taça da Alemanha (1985/86) e 1 Supertaça (1987/88). Já no plano das competições organizadas pela UEFA, a força demonstrada pela equipa alemã parecia querer apontar para mais sucessos. O ano em que isso estaria mais perto de acontecer, seria em 1987. No entanto, o FC Porto acabaria por estragar a festa a Matthäus e aos seus companheiros. Na final da Taça dos Campeões Europeus jogada em Viena, o “placard” ainda estaria a favor dos germânicos. O pior é que, já bem perto do final do encontro, dois golos dos “Azuis e Brancos” virariam tudo do avesso. Curiosamente, durante a segunda passagem do jogador pelo clube, algo semelhante aconteceria. Na derradeira partida da “Champions” de 1998/99, disputada frente ao Manchester United, dois tentos já nos descontos impediriam o médio, mais uma vez, de erguer o tão almejado “caneco”.
Mas se queremos falar de Matthäus a levantar troféus, então teremos que voltar à sua história com a equipa nacional alemã. Tendo disputado com a camisola do seu país 9 grandes torneios, o momento mais importante aconteceria no Mundial de 1990. Ostentando a braçadeira de capitão, e depois de em 1982 e em 1986 não ter conseguido ajudar os seus companheiros a conquistar mais do que a medalha de prata, em Itália as coisas correriam de forma um pouco diferente. Tendo na final, tal como campeonato anterior, apanhado a Argentina, dessa feita o desfecho seria outro. Com um golo de Andreas Brehme, a Alemanha (à altura RFA) venceria o certame e o médio lá teria a oportunidade de erguer a taça – “É uma grande honra vencer o Campeonato do Mundo, não só para a equipa, como também para o capitão que é o primeiro a quem é dado o troféu que todos querem ganhar. É uma sensação única. Eu estava com medo de fazer alguma coisa errada, de deixar cair o troféu”*.
Claro está que, durante a sua longa carreira, Matthäus teve a ensejo de vencer mais competições. Todavia, e mesmo tendo em conta o “Scudetto” conseguido pelo Inter de Milão ou as 4 Bundesligas e 1 Taça UEFA vencidas no regresso a Munique, seria a Alemanha que daria ao jogador as melhores marcas da sua carreira. Nesse sentido, não podemos esquecer que as suas 150 internacionalizações fazem dele o futebolista com mais partidas feitas pelo seu país. Já as 5 participações em Mundiais, igualando o mexicano Carbajal, também são um recorde. Ainda assim, o médio não ficaria por aqui e com 25 presenças em campo, o atleta transformar-se-ia no jogador com mais partidas disputadas em fases finais do Campeonato do Mundo.

*retirado da entrevista dada ao site www.fifa.com, a 03/05/2007

879 - HAKAN SÜKÜR

Quando em 1987 fez a estreia pela principal equipa do Sakaryaspor, ninguém estaria à espera que Hakan Sükür conseguisse ser uma figura famosa tanto no desporto turco, como na cena política do país. Quanto a essa segunda faceta, e mais tarde lá regressaremos, é quase certo que não. Já no que diz respeito às suas habilidades futebolísticas, a única verdade é que, desde muito cedo, o avançado começou a mostrar algum jeito para marcar golos.
Tendo evoluído com as selecções jovens da Turquia, também a nível do clube o que mostrava era positivo. Ainda assim, e devido à sua tenra idade, só nas temporadas a seguir à de estreia é que Hakan Sükür começaria a ganhar mais espaço no “onze” inicial do Sakaryaspor. 3 épocas após a sua estreia e sendo um dos elementos de maior importância dentro do grupo, surge a proposta do Bursaspor. No Verão de 1990, a transferência conclui-se e ao passar a jogar num grupo com maiores ambições, também a sua cotação começaria a crescer.
Em Março de 1992 mais um passo importante na sua carreira. A estreia pela selecção “A”, num particular frente ao Luxemburgo, lançá-lo-ia na senda internacional. Quase de imediato, viria o interesse do Galatasaray. Ora, a mudança para um dos “gigantes” de Istambul, a juntar à presença na “Champions” e à importância dos seus golos na conquista de diversos títulos, haveriam de pô-lo nas “bocas do mundo”.
Bastante valorizado, a sua saída para o “Calcio” a poucos surpreenderia. Ainda assim, a adaptação a uma realidade competitiva bastante diferente não correria segundo as expectativas criadas por altura da sua chegada a Itália. Os meses passados ao serviço do Torino pouco espelhariam a sua qualidade e a meio da temporada de 1995/96 dá-se o regresso ao Galatasaray. No entanto, há males que até vêm por bem. O fracasso da primeira experiência fora do país, empurrá-lo-ia para uma das melhores fases do seu percurso profissional. Mais uma série de títulos colectivos, 3 prémios de Melhor Marcador da “Süper Lig” e a conquista da Taça UEFA de 1999/00, sublinhariam esse período de 4 anos e meio.
Tão boa sequência de vitórias teria que resultar numa nova oportunidade no estrangeiro. Todavia, e tal com tinha acontecido anos antes, Hakan Sükür não conseguiria impor o seu futebol. Inter de Milão, Parma e Blackburn seriam os capítulos seguintes da sua história futebolística. É certo que, durante esse tempo, nem tudo foram dissabores. As participações com a Turquia nos principais certames de selecções, seriam positivas. Já depois de ter disputado o Euro 96 e o Euro 2000, a sua estreia num Campeonato do Mundo faria com que o ponta-de-lança entrasse para os anais da modalidade. No torneio de 2002, organizado entre o Japão e a Coreia do Sul, muito mais do que o 3º posto alcançado pela equipa nacional turca, ficaria para a memória um dos golos do atacante. Na partida para decidir a atribuição do último lugar do pódio, o jogador marcaria aos 10,8 segundos de jogo. Esse tento ficaria nos recordes como o golo mais rápido conseguido numa fase final de um Mundial.
A última fase da sua carreira seria, mais uma vez, despendida com as cores do Galatasaray. No cômputo das 3 passagens pelo emblema de Istambul, ao palmarés do jogador chegariam, para além da já referida conquista europeia, 8 Ligas, 5 Taças e 3 Supertaças. Esse derradeiro período terminaria em 2008 e, com o fim da carreira, o atleta ver-se-ia consagrado como um dos melhores atletas do desporto turco.
Após “pendurar as chuteiras” Hakan Sükür afastar-se-ia um pouco da modalidade. Mantendo alguma ligação ao futebol com as aparições em programas desportivos, o antigo internacional começaria a dedicar-se à política. No entanto, a nova ocupação acabaria por trazer imensos problemas à sua vida. Tendo sido eleito deputado pelo “Adalet ve Kalkinma Partisi”, partido do actual Presidente Recep Erdogan, seria a sua ligação a outra alta figura da cena turca que o poria em maus lençóis.
Próximo de Fethullah Gülen, a ordem, por parte das entidades oficiais, para encerrar escolas ligadas ao teólogo, levaria a que o ex-futebolista deixasse o AKP. O acto de protesto, e tendo em conta que o religioso é um dos principais opositores ao regime vigente no país, criaria uma enorme celeuma. Não tardou muito para que as autoridades fossem no seu encalço. Após ter publicado alguns comentários nas redes sociais, Hakan Sükür seria acusado de insultar o Presidente e de, tal como o seu pai, pertencer e financiar uma organização terrorista. Com o seu progenitor a ser encarcerado, acabando este por falecer na prisão, o antigo jogador conseguiria escapar-se do país. Na sequência da fuga, pede e consegue exílio político nos Estados Unidos da América, estando impossibilitado de voltar à Turquia.

825 - ANDERS LIMPAR

Os primeiros anos como sénior, ao serviço do IF Brommapojkarna e Örgryte, levá-lo-iam a ser chamado à selecção nacional. Essa primeira partida, num particular frente à União Soviética, serviria de prelúdio para a sua aparição nos Jogos Olímpicos de 1988. Funcionando como um bom impulso, a participação nas olimpíadas levá-lo-ia a conseguir novos interessados no seu concurso. Curiosamente, o período após a sua presença em Seoul ficaria caracterizado não só pela passagem por diversos clubes, como por uma rápida ascensão. Young Boys e Cremonese seriam os emblemas que precederiam a sua chegada à “Premier League”. É certo que, por essa altura, já o médio estava consolidado na equipa nacional. Contudo, seria a sua mudança para o Arsenal que o iria confirmar como um dos melhores futebolistas suecos.
As temporadas passadas no mais alto patamar inglês foram, sem dúvida alguma, o melhor período da sua caminhada profissional. Num percurso que, para além dos “Gunners”, seria preenchido com as cores do Everton e Birmingham, o palmarés conseguido em Inglaterra daria ainda mais importância a essas campanhas. 1 Taça dos Vencedores das Taças, 1 “Premier League”, 2 “FA Cups”, 1 “League Cup” e 2 “Community Shields”, vitórias divididas entre as estadias em Londres e Liverpool, seriam os números desses 7 anos por “Terras de Sua Majestade”.
Paralelamente à conquista de todos os troféus acima referidos, viriam mais participações em relevantes torneios para selecções. Mundial de 1990 e Euro 92, com a sua devida importância, seriam “abafados” pela presença no Campeonato do Mundo de 1994. Nos Estados Unidos da América a equipa escandinava teria uma das melhores participações da sua história. Mesmo tendo sido pouco utilizado, Anders Limpar faria parte do grupo que levaria a Suécia ao 3º lugar do pódio.
De volta ao seu país, o centrocampista entraria na última fase da carreira. AIK, onde conseguiria sagrar-se campeão sueco em 1998, Colorado Rapids (Estados Unidos da América), Djugardens, e o regresso ao IF Brommapojkarna marcariam essa derradeira etapa. Depois viriam algumas experiências como treinador. Nas funções de técnico, num percurso ainda longe do êxito que teve como jogador, Limpar já treinou as camadas jovens do Djugardens e, nos escalões secundários, os amadores do Sollentuna United.

775 - ANCELOTTI

Apesar de ter dado os primeiros passos nas divisões inferiores do “Calcio”, as boas prestações que foi conseguindo durante esses anos levá-lo-iam a despertar a cobiça de outros clubes. No Parma, onde faria a transição das “escolas” para o patamar sénior, Ancelotti haveria de conquistar a fama de jogador combativo. Curiosamente, contrastando com essa apreciação, o seu papel dentro de campo até era mais dado a funções ofensivas. Nessas tarefas, o médio ajudaria o clube a atingir a “Serie B” e tornar-se-ia numa das principais revelações saídas do conjunto orientado por Cesare Maldini.
Já com o Inter de Milão na sua peugada, é a AS Roma que, para a temporada de 1979/80, consegue contratá-lo. Integrando-se com relativa facilidade, a sua presença no meio-campo romano torna-se num dos principais esteios da dupla vitória na Taça de Itália (1979/80, 1980/81). Sempre na senda dos sucessos, aos quais não é alheio o trabalho do técnico Nils Liedholm, Ancelotti enriquece o seu palmarés com a conquista do “Scudetto” de 1982/83. Ainda sob a alçada do treinador sueco, alcança novo triunfo na “Coppa”. Contudo, essa temporada de 1983/84 ficaria marcada pelas provas continentais. Conseguindo, resultado da vitória na época anterior, marcar presença na Taça dos Campeões Europeus, os “Lupi” atingiriam a final da referida prova. O centrocampista, lesionado, falharia o derradeiro encontro e, num desafio que até seria disputado no Olímpico de Roma, nada pôde fazer para evitar a derrota imposta pelo Liverpool.
Os últimos anos com a camisola da AS Roma, onde ganharia mais uma Taça (1985/86), elevariam o estatuto de Ancelotti. Com a chegada de Sven-Göran Eriksson à capital italiana, o médio vê a sua importância aumentar e passa a envergar a braçadeira de capitão. Estando, ou não, relacionado, é também durante esse período que a sua presença na equipa nacional começa a ser mais regular. Essa assiduidade levá-lo-ia a ser chamado aos principais certames para selecções. Pela “Squadra Azzurra”, o atleta é chamado ao México 86 – onde não chega a entrar em campo –, participa no Euro 88 e no Mundial de 1990.
Por altura desses dois últimos torneios, já Ancelotti tinha deixado a AS Roma para representar o AC Milan. A jogar pelos “Rossoneri”, as metas atingidas triplicariam o valor do seu currículo. Aproveitando o início do melhor período da história do clube, o médio acrescentaria ao seu rol de vitórias 2 “Scudettos” (1987/88; 1991/92) e 1 “Supercoppa” (1988/89). Todavia, e sem menosprezar tais vitórias, seria no plano internacional que o jogador conseguiria maior realce. As 2 Taças Intercontinentais e as 2 Supertaças ganhas nas campanhas de 1989/90 e 1990/91, seriam o reflexo dos sucessos conseguidos na disputa da Taça dos Campeões Europeus. Na referida competição, e tendo já vencido a edição de 1988/89, destaque para a final de 1990, onde ajudaria o seu clube a derrotar o Benfica.
Tendo “pendurado as chuteiras” no Verão de 1992, a sua carreira como treinador começaria de imediato. Nessas funções, o antigo futebolista, muito para além de igualar os sucessos alcançados dentro de campo, tornar-se-ia num dos melhores técnicos a nível mundial. Com um percurso que já o levou a disputar as melhores ligas, o seu currículo conta com títulos em Itália, Inglaterra, Espanha, França e Alemanha. Entre tantas vitórias, divididas por clubes como Juventus, Milan, Chelsea, Paris SG, Real Madrid ou Bayern Munique, há que destacar as 3 “Champions” conquistadas. A última final (2013/14), vencida ao serviço dos “Merengues”, seria disputada no Estádio da Luz e contaria com a presença e um golo de Cristiano Ronaldo.

714 - ERWIN SÁNCHEZ

Conta-se que por altura de uma visita dos mais altos cargos do futebol à Bolívia, Michel Platini terá sido barrado por um segurança. Quem acompanhava o francês terá dito ao responsável pelo controlo qualquer coisa como: “Não há problema, este senhor é o Platini”. Como resposta teve: “O Platini conheço eu bem, e não é ele!”.
Foi desde muito novo que Erwin Sánchez, ou, para muitos, o “Platini da Bolívia”, começou a mostrar grande entusiasmo pelo futebol. Mas ao invés de tantos outros, à paixão pela modalidade também conseguia adicionar uma dose igual de aptidão. Esse seu jeito, levá-lo-ia, pouco depois de entrar na adolescência, a uma das mais categorizadas academias do seu país. Seria, então, na Tahuichi que o antigo médio começaria a jogar. Logo aí, todo esforço que punha em campo, a sua força e ímpeto, transformá-lo-iam num dos maiores craques da instituição. As chamadas à selecção não tardariam, e já depois de participar nos maiores certames para jovens, eis que chega a profissionalização.
O emblema que daria a primeira grande oportunidade a Sánchez seria o Destroyers. Mantendo a mesma atitude que havia caracterizado o seu percurso de formando, o jogador, rapidamente, passaria a estrela da equipa. Tanto assim foi que, não tardou muito tempo para que um dos gigantes da Bolívia fosse no seu encalço. Já a jogar na capital La Paz, e com as cores do Bolívar, o médio atingiria o topo do futebol no seu país. Por um lado viria o título de campeão nacional; por outro a chamada à selecção principal, a participação na Copa América de 1989 e a projecção além-fronteiras.
Foi já depois do referido torneio sul-americano, que o Benfica decide apostar no jovem jogador. Sven-Göran Eriksson, talvez impressionado pelas suas actuações no referido certame, inclui Sánchez no novo elenco das “Águias”. Contudo, a temporada de 1990/91 acabaria por ficar um pouco aquém do esperado. É certo que o Benfica conseguiria sagrar-se campeão nacional, mas, no plano individual, Sánchez, com algumas dificuldades em adaptar-se, pouco jogaria.
Já na temporada seguinte, o empréstimo ao Estoril-Praia serviria para uma mudança de paradigma. No “clube da linha” Sánchez voltaria a brilhar. Exibições pungentes, remates portentosos e alguns golos, seriam a receita para o seu sucesso. Contudo, e numa altura que o seu regresso à “Luz” seria o mais normal, tal acaba por não acontecer. Com a transferência de João Pinto do Boavista para o Benfica, o médio boliviano vê-se envolvido no negócio. João Pinto acabaria por vestir de “encarnado” e Sánchez marcharia no sentido inverso.
Não sei se esta mudança alguma vez terá sido vista como frustrante. A verdade é que sem a mesma, Sánchez passaria ao lado dos melhores anos da sua carreira. Com os “Axadrezados”, o médio cimentar-se-ia como um dos grandes futebolistas a jogar em Portugal. Num Boavista cada vez mais a beliscar a hegemonia dos ditos “grandes”, o atleta acabaria por ter um papel fulcral nesse crescimento. Como um dos grandes dínamos do meio-campo, o jogador, tanto a nível nacional, como nas competições europeias, ajudaria nas boas campanhas do emblema portuense. O momento mais alto dessa sua primeira passagem pelo clube, aconteceria na final da Taça de Portugal de 1996/97. Com 2 golos da sua autoria, o Boavista derrotaria o Benfica por 3-2 e, desse modo, Sánchez ajudaria a levar o troféu para o Estádio do Bessa.
Seria também durante este período que, com a camisola do seu país, Sánchez entraria para a história do futebol boliviano. Com uma espantosa campanha, que levaria a selecção sul-americana a superar congéneres bem mais poderosas, a Bolívia consegue o apuramento para o Mundial de 1994. Já nos Estados Unidos, e apesar de a sua equipa ter caído ainda na fase de grupos, Sánchez conseguiria um feito único. Com um golo frente à Espanha, o médio tornar-se-ia no primeiro jogador boliviano a marcar num Campeonato do Mundo.
Feitos como este, ou como a final da Copa América alcançada em 1997, fariam com que o valor do jogador subisse em flecha. Nesse sentido, e com a entrada de Manuel José para os “comandos” do Benfica, foi com alguma naturalidade que Sánchez foi apontado como reforço das “Águias”. Todavia, o regresso a Lisboa, mais uma vez, ficaria abaixo das expectativas. O reencontro com o seu antigo treinador no Boavista até que nem começou muito mal. O pior viria com a saída do mesmo e com a entrada de Souness e, já mais tarde, de Heynckes. Tanto o escocês, como o alemão, deixariam de apostar no médio e, entre um empréstimo ao Boavista e novo regresso à “Luz”, Sánchez acabaria a jogar pela equipa “b” do Benfica.
Após este período mais azarado, Sánchez volta novamente à “Invicta”. Mais uma vez no Boavista, o médio voltaria a fazer o que melhor sabia. Ainda que com a forte concorrência de Timofte, o boliviano, depois de uma fase inicial em que seria menos utilizado, volta a tornar-se num dos pilares do emblema nortenho. Com Jaime Pacheco como treinador, o Boavista volta aos anos de glória. Primeiro, vem a estreia na Liga dos Campeões; depois aquilo que há muito o grupo já prometia. Em 2000/01 as “Panteras” conseguiriam superar Benfica, FC Porto e Sporting. Com Sánchez em plano de destaque, o clube faz uma época única e sagra-se campeão nacional.
Com a saída de Jaime Pacheco para o Maiorca, e por razão de uma grave lesão, Sánchez passa para o “banco” boavisteiro. A sua primeira experiência como técnico seria, contudo, interrompida com o regresso do jogador à Bolívia. De volta à sua cidade natal, o internacional boliviano decide aceitar o convite do emblema da sua terra e volta a calçar as chuteiras. Durante dois anos ajudaria o Oriente Petrolero nas suas contendas. No entanto, este desafio conheceria um fim quando, após uma agressão a um árbitro, Sánchez acaba punido com uma suspensão de 18 meses.
O seu regresso ao futebol dar-se-ia, de uma forma lógica, com o retorno às funções de treinador. Com passagens pela selecção da Bolívia, Oriente Petrolero e Blooming, o currículo conseguido durante esse seu percurso leva o Boavista a apostar nos seus préstimos. Em 2015/16 consegue a proeza de salvar o clube de uma descida, por muitos, vaticinada. Depois da meta alcançada, eis que a nova temporada, que ainda decorre, acabaria por não trazer novos sucessos. Sem conseguir atingir o que estaria planeado, Sánchez, vítimas das famosas “chicotadas psicológicas”, acabaria substituído por Miguel Leal.

711 - WIM KIEFT

Num grupo em que as grandes estrelas eram Johan Cruyff e Soren Lerby, uma nova geração de craques parecia querer emergir na principal equipa do Ajax. Por entre Marco van Basten, Frank Rijkaard, Gerald Vanenburg e outros, Wim Kieft, como o próprio o viria a afirmar, nem era dos futebolistas mais dotados. Todavia, aquilo que o diminuía em talento era compensado por uma entrega exemplar – “Eu era o fim da linha num bom ataque e, normalmente, tinha a tarefa mais fácil. Eu não podia correr pelo campo e saltar como uma superestrela. Isso não era eu (…). Eu não era prendado. Tinha o talento para marcar e precisava de trabalhar mesmo muito”*.
A modéstia que sempre demonstrou e, talvez, até um certo embaraço, acabariam por ser a sua grande característica. A maneira intrépida como acorria aos lances ou o esforço que fazia para estar no lugar certo, eram o reflexo desse seu anti vedetismo. A responder aos passes dos colegas ou, apenas, reagindo às “sobras” de outros remates, Wim Kieft, desde os seu primeiros tempos como sénior, mostraria que, como poucos, até sabia das “artes” de ponta-de-lança. Esse seu talento, que ainda hoje continua a negar, levá-lo-ia ao topo do futebol europeu e, logo na sua 3ª temporada na equipa de Amesterdão, fá-lo-ia marcar golos suficientes para vencer a Bota d’Ouro de 1981/82.
Mas nem só de metas individuais se fez a carreira do avançado. Como é lógico num desporto colectivo, muito daquilo que conseguiria alcançar seria resultado das boas equipas onde estava inserido. Com as cores do Ajax, que vestiria até 1982/83, Wim Kieft acabaria por vencer 3 campeonatos e 1 Taça da Holanda. Já no PSV, onde ingressaria depois de uma passagem menos conseguida por Itália, repetiria os êxitos e conquistaria outros 3 campeonatos, 3 Taças e 1 Taça dos Campeões Europeus.
Na equipa nacional, o seu trajecto também seria premiado pelo sucesso. Com a estreia a acontecer em Setembro de 1981, o seu caminho com a camisola da Holanda acabaria por levá-lo à disputa dos mais importantes certames para selecções. Tendo estado presente no Mundial de 1990 e no Europeu de 1992, seria, no entanto, no primeiro grande torneio por si disputado que conseguiria a maior conquista. No Europeu de 1988, apesar da sua condição de suplente, Wim Kieft acabaria por ser essencial na caminhada vitoriosa. Na derradeira partida da fase de grupos, e quando tudo apontava para um empate, é então que o avançado salta do banco. Com uma cabeçada certeira, haveria de desfazer o zero a zero e, com esse triunfo frente à Republica da Irlanda, conseguiria garantir a passagem do seu país às meias-finais do torneio.
1988 acabaria por ser um dos melhores anos da sua carreira. No mês anterior à vitória no Euro 88, também a Alemanha (ainda RFA) testemunharia mais uma das suas conquistas. Em Estugarda, frente a um Benfica comandado por Toni, o nome do atacante faria parte do alinhamento inicial do PSV. Tendo o tempo regulamentar, tal como o prolongamento, terminado com um nulo no marcador, o que se seguiria seria a “lotaria” dos penalties. Ao contrário do azarado Veloso, Kieft não falharia na concretização do castigo máximo e ajudaria a equipa de Eindhoven a vencer essa final da Taça dos Campeões Europeus.
Tendo as passagens pelo estrangeiro – Pisa (83-86), Torino (86-87) e Bordeaux (90-91) – como os piores momentos do seu percurso profissional, seria já depois de “penduradas as chuteiras” que a sua vida tomaria um rumo indesejado. Numa altura em que já era comentador de televisão, o vício das drogas levá-lo-ia a uma situação financeiramente desesperante. Num contexto em que a sua saúde não era muito abonatória e que a pobreza já acenava de perto, eis que o antigo futebolista decide que era tempo de procurar uma cura. Recuperado da adição, voltaria aos programas desportivos e, paralelamente, lançaria um livro biográfico onde contaria todas as peripécias da sua passagem pelos relvados, como os momentos menos bons na sua existência pessoal.

 
*retirado do artigo em “Bleed Orange” – http://dutchsoccersite.org/ – , a 2 Fevereiro de 2016

679 - ALDAIR

A habilidade que desde miúdo haveria de mostrar com a bola, faria com que o seu pai, entusiasmado pela ideia de ter um filho jogador, decidisse pagar os custos da sua ida até ao Rio de Janeiro. O objectivo de tal viagem estava, desde a sua partida, bem traçado. Seguindo o desejo do seu progenitor, Aldair deveria ir treinar com o Vasco da Gama, para aí fazer carreira. Contudo, aquele que era sonho do “Seu” Carmerindo, fervoroso adepto do emblema “carioca”, acabaria por se tornar numa grande decepção para o jovem futebolista. Agastado pela maneira como era tratado, Aldair regressa a casa e, para não aborrecer o seu pai, mente, e diz que o haviam dispensado.
Falhada a primeira tentativa para encetar uma carreira, não tardou muito até que nova oportunidade surgisse. Desta feita, seria a antiga estrela do Flamengo, Juarez dos Santos, que tento observado Aldair, decide apontá-lo ao seu velho clube. No “Mengão”, Aldair começa a apurar aquelas que haveriam de tornar-se as suas melhores características. Ora, com uma técnica acima da média para um defesa, a maneira como sabia controlar a bola, era bem condizente com a sua postura tranquila. Incapaz de, sem sentido algum, chutar o esférico para frente, o central aprimorava-se pela maneira como colocava o mesmo. No entanto, estas suas características, tão comum entre os melhores médios, não deixavam com que, nos trabalhos defensivos, o atleta fosse negligente. Muito pelo contrário. Também nessas tarefas, Aldair era exímio. Fosse pelo ar, fosse com a bola nos pés dos adversários, a maneira como sabia colocar-se no terreno de jogo, era meio caminho para um desarme bem sucedido.
Foi com base nestes predicados que Aldair começaria a singrar com o listado rubro-negro. Na Gávea, a sua integração na equipa principal acabaria por ocorrer em 1985. Sem mostrar grande nervosismo, a maneira pragmática como ia ultrapassando todas as dificuldades de uma normal adaptação, levá-lo-iam a conquistar, pouco mais de um ano após a dita promoção, um lugar como titular.
Coincidência, ou não, nesse mesmo ano de 1986, o Flamengo vence o Campeonato Carioca. No ano seguinte continua a senda de bons resultados e Aldair, como um dos esteios da equipa, dá a sua ajuda em mais uma importante conquista. Essa vitória no “Brasileirão” de 1987, catapultaria Aldair para outros voos. Ainda assim, a sua chamada à principal selecção brasileira apenas ocorreria em 1989. Mais uma vez, a sua inclusão tornar-se-ia sinónimo de sucesso e, ao lado de outros craques como Valdo, Ricardo Gomes, Paulo Silas ou Branco, o jovem defesa dá a sua contribuição para, meses depois, o Brasil vencer a Copa América.
Com tudo isto, não tardou muito para que da Europa começasse a surgir algum interesse no seu concurso. Nesse sentido, quem haveria de ganhar a corrida pelos seus préstimos seria o Benfica. Em Portugal, Aldair, ao estilo de uma pequena transição, apenas passaria uma temporada. Contudo, seria um ano cheio de emoções. Primeiro, a final da Taça do Campeões Europeus de 1990, infelizmente perdida para o AC Milan; depois, viria a viagem para Itália e a presença no seu primeiro Mundial.
Seria mesmo no “Calcio” que Aldair daria seguimento à sua carreira. Contratado pela Roma, o defesa jogaria 13 anos pelo emblema da capital italiana. Num percurso tão longo, tempo suficiente para fazer dele um dos maiores ídolos do clube, Aldair serviria de alento para muitos dos futuros craques. É verdade que os títulos, na maioria dessas temporadas, acabariam por ser entregues aos adversários. Ainda assim, a dedicação com que sempre entrou em campo, valer-lhe-ia, durante largas épocas, a posse da braçadeira de capitão. Nisto de bons exemplos, porque não referi-lo como uma das inspirações para a conquista da “Coppa” de Itália de 1990/91, do “Scudetto” de 2000/01 ou, no ano seguinte, da “Supercoppa” italiana? Faltou-lhe, mais uma vez, a conquista de um troféu internacional. Desta feita frente ao Inter de Milão, Aldair, fatidicamente, perderia a oportunidade de erguer a Taça UEFA de 1991/92.
Os anos como titular na defesa romana, fariam dele, igualmente, um dos donos do último reduto brasileiro. Com a “Canarinha”, Aldair viveria os sucessos que, em certa medida, acabaria por ver negados ao serviço do seu clube. O triunfo no Mundial de 1994, seguido da final perdida no França 98, serviriam para abrilhantar o seu percurso profissional. Nisto de conquistas, não poderemos esquecer a medalha de bronze, conquistada frente a Portugal, nos Jogos Olímpicos de Atalanta (1996). Há ainda que lembrar a sua segunda vitória na Copa América (1997) e, ainda nesse ano, o troféu erguido na Taça das Confederações.
Os últimos anos da sua carreira passá-los-ia em curtas passagens por diversos clubes. Genoa, já na Serie B italiana, ou o regresso ao Brasil, para aí fazer um par de jogos pelo Rio Branco, serviriam para anunciar o terminar de uma longa vida nos relvados. O fim aconteceria com as cores do Murata, onde voltaria a sagrar-se campeão nacional, desta feita, de São Marino!

625 - GULLIT

É no final dos anos 70, que Ruud Gullit, como profissional, conhece o seu primeiro clube. Essa temporada de estreia no Haarlem, ainda que no principal escalão holandês, acabaria por ditar a despromoção da equipa. O passo atrás, muito mais do que prejudicial, permitiria ao grupo reorganizar-se. Dessa restruturação, como grande dinamizador, emergiria Gullit.
O regresso do Haarlem à “Eredivisie” tornar-se-ia numa grande surpresa. A pequena colectividade, muito para além de lutar pela manutenção, haveria de conseguir, nessa temporada de 1981/82, a qualificação para as competições europeias. Gullit, como o grande mestre da equipa, passaria a ser um dos atletas mais apetecíveis na Holanda.
Rápido, forte e com uma habilidade espantosa para o golo, o seu nome começou a ser cogitado noutros patamares. Ora, quem aproveitaria para as suas fileiras, acabaria por ser o Feyenoord. A mudança para um dos maiores clubes do país, daria os primeiros títulos à sua carreira. A “dobradinha” na época de 1983/84, acabaria por ser o ponto mais alto dessa sua passagem. No entanto, aquilo que mais se destacava era a sua evolução. Para ela, muito contribuiriam o convívio com grandes nomes do futebol, casos de Ivan Nielsen e, claro, Johan Cruijff.
Se o Feyenoord é um nome grande na Holanda, o PSV, em meados dos anos 80, preparava-se para atingir o topo da Europa. É nesse sentido que a contratação de Gullit acontece. Duas temporadas no emblema de Eindhoven, corresponderiam a mais 2 Campeonatos ganhos pelo médio ofensivo. Todavia, o grande prémio para o jogador acabaria por ser uma nova transferência.
Já com Sílvio Berlusconi como o “patrão” do Milan, a construção de uma equipa que arrasasse tanto em Itália, como pela Europa fora, era um grande desejo. Num plantel que contava com Baresi, Costacurta, Maldini, Ancelotti, Donadoni e Evani, nada melhor, só para completar o ramalhete, que a inclusão de Marco van Basten e Ruud Gullit. O conjunto, logo no ano de estreia dos dois holandeses (1987/88), venceria a “Serie A”. A caminhada, contudo, ainda não tinha atingido o topo idealizado por Berlusconi… pelo meio, o renascer da “Laranja Mecânica”.
Adiantando-se ao clube, na senda dos grandes sucessos, Gullit venceria o “Ballon d’Or” de 1987. O galardão seria dedicado a Nelson Mandela e à sua luta. Anos mais trade, o líder anti-apartheid, durante um encontro entre ambos, agradecer-lhe-ia o gesto, dizendo-lhe – “Agora muitos asseguram ser meus amigos, mas, naqueles anos, tinha muito poucos. Tu eras um dos meus soldados”*.
No ano seguinte ao do prémio da “France Football”, Gullit disputaria a 8ª edição do Europeu de selecções. O referido torneio, testemunharia o renascer de uma ideia antiga. A Holanda, mais uma vez recheada de craques, apresentava-se na Alemanha. Esse novo grupo, também ele orientado por Rinus Michels, acabaria por vingar a selecção de 1974. Numa campanha que até começaria com uma derrota frente à União Soviética, os holandeses chegariam à final. No Estádio Olímpico de Munique, ao contrário do que Cruijff, Neeskens e “companhia” tinham conseguido, esta nova “Laranja Mecânica” sairia vencedora. Depois de, nas meias-finais, afastarem a Alemanha Federal, os golos de Gullit e Marco van Basten derrotariam a U.R.S.S., abrindo caminho à conquista do troféu.
O regresso a Itália marcaria o início de um período áureo, na relação de Gullit com o Milan. Já com Frank Rijkaard nas fileiras, ele que haveria de se transferir do Sporting, os “Rossonero” conquistariam a Europa. A primeira vítima seria o Steaua de Bucareste, para, passado um ano, arrasarem com o Benfica. Destas duas finais, em 1989 e 1990, sairiam as duas Taças dos Campeões Europeus que constam na carreira de Gullit. A estas podemos ainda juntar 2 Taças Intercontinentais, 2 Supertaças Europeias e ainda, incluindo o que acima já foi referido, 3 “Scudettos”.
Apesar do papel de Gullit nesta caminhada gloriosa, a verdade é que o internacional holandês, nos derradeiros anos de Milan, haveria de perder alguma preponderância. Já sem o peso de outrora, a regularidade com era chamado à equipa, baixaria muito. Acabaria por não ser chamado à final da Taça dos Campeões Europeus de 1993 (vitória do Marseille), e, no final dessa temporada, seria emprestado à Sampdoria.
A fase final da sua carreira passá-la-ia em Inglaterra. Primeiro como jogador, e, depois, acumulando essas funções com as de treinador, Gullit defenderia as cores do Chelsea. A vitória na FA Cup (1996/97), seria o momento alto dessa sua passagem por Stamdford Bridge. Curiosa, seria também a análise que, alguns anos depois, faria desses seus últimos anos – “Quando fui do Milan para a Sampdoria e de seguida para o Chelsea, disfrutei muito mais do futebol, diverti-me mais, tive mais liberdade, expressei-me muito melhor no campo. Por sua vez, nunca mais ganhei como no Milan. Ganhei partidas, ganhei em diversão, mas nunca voltei a ganhar ao mais alto nível”*.

*retirado da entrevista conduzida por Martín Mazur, em “El Gráfico” (Maio de 2010)

554 - ROBERTO BAGGIO

Com uma qualidade precoce, o talento de Roberto Baggio, desde muito cedo, admiraria todos os que com ele trabalharam. Tanto assim foi que, com apenas 16 anos de idade, ao serviço do Vicenza, o atacante é chamado à primeira equipa. A jogar na "Serie C" italiana, os passos que dava na progressão da sua, ainda imberbe, carreira, pareciam os de um qualquer veterano da modalidade.
Jogava e fazia jogar... esta a maneira mais sucinta de descrever o futebol que apresentava dentro de campo. Dono de uma técnica brilhante, mas, acima de tudo, com um entendimento do jogo que o fazia delinear as mais bonitas jogadas, Roberto Baggio era o comandante de qualquer "onze" que se apresentasse em campo. Essa sua capacidade de empurrar os seus companheiros para as vitórias, fez com que a Fiorentina não perdesse muito tempo para garantir os seus serviços. Contudo, quando tudo apontava para que o jovem atleta desse um salto significativo na sua vida profissional, algo de aterrador acontece! Como os grandes jogadores também se vêem nas alturas de aflição, Baggio, para além de um futebolista atacante, tinha um enorme espírito de abnegação. Desse modo, e com essa mentalidade bem presente em todos os lances que disputava, numa partida que opunha a sua à equipa do Rimini, decide afrontar a ofensiva de um dos seus adversários. Ora, esse breve confronto, após uma "entrada de carrinho" de Roberto Baggio, acaba com uma grave lesão no joelho esquerdo do atacante. Com um rotura nos ligamentos, e com incerteza da total recuperação a pairar sobre o seu futuro, o possível abortar da transferência para a Fiorentina, acertada uns dias antes, escurecia todo um cenário já por si bem cinzento. Mas ao contrário daquilo que se vaticinava, os "Viola" haveriam de manter o acordo e, para que tudo corresse pelo melhor, seriam eles a patrocinar a necessária cirurgia e posteriores tratamentos.
É já depois do recobro que o avançado, na temporada de 1985/86, faz a sua estreia pelos de Florença e na “Seria A” italiana. Com um início um pouco atribulado, por razão de mais uma lesão, Roberto Baggio, depois de afastadas todas as mazelas, começa a impor-se como um dos mais influentes elementos da sua equipa. Com o número 10 a ornamentar a sua camisola, Baggio continuava a subir degraus no futebol. A ambição da sua equipa, que contava com nomes importantes da modalidade, leva-o às provas europeias. Com um lugar garantido na Taça UEFA, à Fiorentina calha em sorte um Boavista! Azar dos azares, o tal emblema português não se deixa atemorizar pelo poderio dos italianos, e Roberto Baggio, em 1986/87, acabaria por ser eliminado na ronda inicial da já referida competição!
Desaires à parte, a verdade é que entre os adeptos, a estima pelo jogador era cada vez maior. Acredito também, que a paixão que Roberto Baggio nutria pela equipa, crescia a cada jornada disputada. No entanto, e apesar de todo o romantismo desta relação, os títulos tardavam em colorir o currículo do avançado. Terá sido por esta razão, numa altura em já era tido como uma das maiores estrelas do "Calcio", que a Juventus toma a decisão de o contratar. 10 milhões de euros, recorde mundial em 1990, eram mais do que suficientes para que a mudança ficasse nos anais do futebol. No entanto, seria a loucura dos fãs "viola" que marcaria toda a transferência. Os ditos, ao constatarem que iriam perder o seu ídolo, começam por provocar desacatos em toda a cidade. Ele, Roberto Baggio, que, ainda pouco tempo antes, havia conduzido a equipa à final da Taça UEFA, deixava aqueles que mais o admiravam. Pior, era o facto de a troca ser a favor dos que, na derradeira etapa da referida prova internacional, tinham roubado à Fiorentina, o tão almejado triunfo. Apesar de tudo, apesar dos tumultos e das detenções, nada conseguiria travar a saída… e Roberto Baggio lá seguiria para Turim.
Depois do Campeonato do Mundo de 1990, onde o atleta faria parte dos convocados da anfitriã Itália, a ida para "Vecchia Signora" concluir-se-ia. Mas, enganem-se os que pensam que a novela da troca de emblemas acabaria por ficar esquecida. À 28ª ronda, as duas equipas intervenientes na "novela" mais badalada desse Verão, acabariam por se encontrar no Estádio Artemio Franchi. Aos 64 minutos de jogo, Baggio vê a placa com o seu número a ser erguida na lateral do campo. Depois de consumada a substituição, um cachecol púrpura é atirado na sua direcção. Este apanha-o do chão, beija-o e apesar de acenar em direcção à multidão, o perdão ainda ficaria por conseguir!!!
O curioso é que a carreira de Roberto Baggio está cheia destes episódios de "amor/ódio". Outra história emblemática, e que ilustra bem o que acabo de referir, passou-se em 1994, durante o Mundial disputado nos Estados Unidos. Ora, por esta altura, já o jogador era um dos mais consagrados no planeta. Tinha vencido a Taça UEFA de 1992/93 e a honra de conseguir, em simultâneo, ser eleito pela FIFA e pela "France Football", como o melhor futebolista de 1993. Por todos estes motivos, os seguidores da equipa nacional italiana, olhavam para ele como o principal impulsionador da sua selecção. E numa "Squadra Azzurra" bem apagada, seria esse mesmo o papel de Baggio... seria, pelo menos até à final!!! Ora, nesse que é sempre o mais importante dos jogos, os 90 minutos de tempo regulamentar, acrescidos de mais 30 do prolongamento, apenas trariam ao placar um 0-0!!! Na "roleta" dos penáltis, depois de Marcio Santos falhar para o Brasil e de Baresi e Massaro também não conseguirem concretizar os respectivos remates, chega a vez de Roberto Baggio. Se todos os olhos estavam postos em si, aquela bola por cima da trave, seria a derradeira machadada nos sonhos dos que esperavam uma Itália campeã. Mas como diria o jogador, no rescaldo do encontro: "Só falha penálties quem tem coragem de os marcar".
Incrivelmente, só depois de todo este percurso percorrido, é que Roberto Baggio consegue erguer o seu primeiro "Scudetto". Vence em 1994/95 ao serviço da Juventus, para, na época seguinte, e já com a cores do AC Milan, repetir a façanha.
Nos anos seguintes, a carreira do avançado como que entra numa espécie de corrupio. Veste a camisola do Bologna, do Inter e a do Brescia. Seria neste último emblema que Baggio "penduraria as chuteiras"... o mesmo que, uns anos antes, viu as suas redes serem fustigadas pelo primeiro golo daquele que ficaria conhecido como "il divino codino"!!!!

497 - HODGSON

Como jogador, a sua carreira seria, usando o melhor eufemismo de que me lembro, discreta. Até começou num dos emblemas com tradição em Inglaterra. Mas assim que acabou a formação no Crystal Palace, imediatamente se viu no caminho dos escalões inferiores.
Tonbridge Angels, Gravesend & Northfleet, Maidstone United, Ashford Town, Carshalton Athletic e, até, os sul-africanos do Berea Park serviram como sua "morada"! Nomes desconhecidos, é certo! Contudo, tão anónimos quanto o era, à altura, o de Roy Hodgson!
Como é óbvio, dinheiro não é coisa que esteja a associado a clubes amadores! Ora, como a "vontade" não é suficiente para pagar as contas, o jovem defesa teve que fazer pela vida. Assim, ao mesmo tempo que ia “espalhando magia” pelos relvados, Hodgson aplicava-se nos estudos. Chegou a professor de Educação Física e, paralelamente, acabaria por tirar o curso de treinador.
Foi esta última apetência que o levou à Suécia, corria o ano de 1976. Por sugestão do seu antigo colega de escola, Bob Houghton, treinador que levou o Malmö FF à final da Taça dos Campeões Europeus de 1979, o Halmstad oferecer-lhe-ia um contrato de trabalho. Sem qualquer currículo, Hodgson revelava-se como uma aposta arriscada. Contudo, cinco anos depois da sua chegada, tudo estava mudado. Para isso bastou-lhe uma coisa: inverter o destino que a sua equipa tomava. Dois Campeonatos, 1976 e 1979, foram mais que suficiente para tornar uma equipa que lutava pela permanência, numa das melhores daquele país. Claro, para Hodgson também a sua fama mudou… e de "grande risco" passou a "certeza".
Já depois de uma passagem pelo Bristol City, onde, numa primeira fase adjuvou o seu amigo Bob Houghton e, de seguida, comandou a equipa, Roy Hodgson regressou à Suécia. Começou no Oddevold, passou para o Örebro e, finalmente, assinaria pelo Malmö FF. Aqui, a sua chegada serviria para relembrar o seu estatuto de estrela. Afastado há uns anos da ribalta, e com isso, beliscada a sua imagem, 5 Campeonatos consecutivos e a vitória em 2 Taças, devolver-lhe-iam o brilho.
Apesar de tudo, Roy Hodgson continuava a ser um ilustre desconhecido. No mundo do futebol o seu nome raramente era falado e só os mais atentos sabiam da sua existência. Foi uma dessas pessoas que o chamou para o comando da Suíça. A partir desse momento a vida profissional de Roy Hodgson começou a mudar. Apurou a sua selecção, algo que não acontecia há cerca de 30 anos, para um Mundial; entre os adeptos daquele país, o feito transformou-o numa divindade; e, depois, com a passagem aos 1/8 final do EUA 94, começou a ser tido com outro respeito.
Hoje em dia, talvez falte ao técnico britânico uma constância de títulos para que possa ser, em definitivo, um nome consensual no futebol. É certo que momentos de louvável valor, não lhe faltam na sua carreira. Já nem digo os que viveu na Suécia. Falo, por exemplo, das duas finais da Taça UEFA (Inter e Fulham) em que já esteve presente, ou ainda o título de "Manager" do ano para a Liga Inglesa (Fulham, 2010).
Talvez tenha sido isso, um reconhecimento unanime, que Hodgson procurou quando assinou pela selecção inglesa. Contudo, as coisas não têm corrido de feição para o técnico. Se, por um lado, todos louvam o trabalho que tem feito ao nível da renovação e lançamento de novos atletas, por outro, faltam os resultados no campo desportivo. Isso mesmo ficou provado neste último mundial. A Inglaterra, que no último Europeu ainda chegou aos 1/4 final, no certame realizado no Brasil, quedou-se pelo último lugar do seu grupo. Pior ainda são os números, onde 1 empate e 2 duas derrotas ilustram, e de que maneira, a paupérrima prestação dos "Three Lions".

461 - BRANCO

São muitos os jogadores que exibem um "nome de guerra". No entanto, mesmo sabendo das inúmeras vezes que tal acontece, a verdade é que não são assim tantas as que sabemos a origem do apelido. Branco, de sua verdadeira identidade Cláudio Ibrahim Vaz Leal, ganhou a alcunha ainda na infância e por razão de ser o único de raça diferente, numa equipa só de negros.
Já numa senda mais a sério, o futebol levá-lo-ia a vestir a camisola do Internacional de Porto Alegre. Contudo, seria no Fluminense, emblema seguinte, que a sua carreira começaria a ganhar o merecido destaque. No início da década de 1980, o Fluminense atravessaria uma grave crise financeira. Sem dinheiro para contratações sonantes, a solução passaria pela aposta em novos talentos. Branco, entre outros, seria uma das escolhas para reforçar o plantel para a temporada de 1983. Tão boas as opções tidas, ironicamente feitas por necessidade, que o emblema carioca acabaria por encetar uma inesquecível senda de vitórias e de títulos. A mesma começaria com o “estadual” Carioca da campanha acima referida, ao qual a colectividade haveria de juntar os outros dois campeonatos seguintes. Todavia, mesmo com tantos sucessos, aquilo que ninguém esperava aconteceria em 1984 e o "Flu", com um plantel onde pontuavam nomes como Duílio, Ricardo Gomes ou Paulinho Cascavel, viria conquistar o “Brasileirão”.
Tamanho rol de troféus faria com que da selecção brasileira olhassem para si como um dos atletas a incluir em futuras convocatórias. Seria assim que, em 1986, Branco, apesar das críticas de alguns entendidos, assistiria ao seu nome a ser colocado entre os eleitos para viajar até ao México onde, nesse Verão, viria a disputar-se o Mundial de futebol. Prémio tê-lo-ia, igualmente, após o referido certame, aquando da sua contratação pelo Brescia. No entanto, mesmo com o clube italiano a situar-se longe dos emblemas mais apetecíveis, a transferência abrir-lhe-ia as portas da Europa e esse primeiro passo no “Velho Continente” daria azo ao surgimento de outra oportunidade.
A dita chance apareceria um par de anos após a chegada do defesa-esquerdo ao "Calcio", com o FC Porto, em 1988/89, a entrar na sua vida. De "azul e branco", com a conquista de 1 Campeonato Nacional (1989/90) e de 1 Supertaça (1990/91), Branco regressaria ao doce sabor das vitórias e, acima de tudo, voltaria a ser chamado para uma nova participação num Mundial. Nesse torneio viveria uma das mais curiosas histórias da vida como profissional, quando, na partida dos dezasseis avos de final do Itália 90, peleja entre a Argentina e o Brasil, haveria de pedir água aos seus adversários. Sem que ninguém desconfiasse de coisa alguma, o jogador, instantes depois de ingerir o líquido, começaria a sentir-se indisposto. Aparentemente, nada o justificava, até que, anos mais tarde, viria a saber-se a verdade - a água oferecida estava contaminada com calmantes!
Já no decorrer da terceira temporada de "dragão" ao peito, Branco deixaria Portugal para passar a representar o Genoa. É certo, foi pouco o tempo em que o internacional "canarinho" representou o FC Porto. Então, qual a justificação para que, ainda hoje, seja visto como um dos melhores laterais-esquerdos a vestir de “azul e branco”? É fácil responder! Branco era brilhante a defender, era excepcional nos desarmes e na maneira como preenchia a sua área de intervenção. Era, do mesmo modo, portentoso na maneira como ajudava os seus colegas no ataque e era, acima de tudo, mortífero na marcação de livres-directos.
Prestes a entrar na na fase descendente da carreira, Branco, que entretanto já tinha regressado ao Brasil, seria convocado para disputar mais um Mundial, dessa feita o certame organizado, em 1994, nos Estados Unidos da América. A escolha do seleccionar, que por essa ocasião era Carlos Alberto Parreira, voltaria a ser alvo de imensas críticas. No entanto, as mesmas cairiam por terra quando, na disputa por um lugar nas meias-finais, o lateral canhoto, na cobrança de uma falta, conseguiria aplicar o seu forte pontapé e com um estupendo golo acabaria a desempatar a partida frente à Holanda. A “Canarinha” venceria o torneio e o jogador ainda hoje diz – "Esse foi o lance da Copa e o lance da minha vida"*.

*retirado do artigo publicado por “Rebelde_29”, a 08/10/2007, em https://fcporto.forumperso.com

439 - VAN BASTEN

E se eu disser que Marco van Basten, é, na verdade, Marcel van Basten! Curioso, não é?! Bem, realmente pouco interessa este pormenor, pois a vida de Marco é, sem dúvida alguma, bem mais interessante que a de Marcel. Então, de onde vem tal nome? Não sei! É para mim uma total incógnita! Certo, é que um dos passos mais importantes dados pelo avançado, foi aquele que, a 3 de Abril de 1982, o tirou do banco de suplentes e o fez entrar em campo para o lugar do seu ídolo de sempre, Johan Cruyff.
Muito antes do episódio relatado no final do parágrafo anterior, já van Basten jogava à bola. Tudo começou na sua cidade natal, Utrecht, e tendo passado por diversos emblemas, foi do USV Elinkwijk que acabou por sair em direcção ao Ajax. Em Amesterdão encontrou o jogador que, para ele, era a verdadeira lenda. No entanto, nem só Cruyff serviu de inspiração. O pai de Marco – perdão, de Marcel – teve, igualmente, um papel muito importante no lançar da sua carreira. Tendo sido futebolista, foi ele o principal incentivo para que van Basten levasse avante o gosto pela modalidade. Por certo, nunca o seu progenitor imaginou que o avançado, muito para além de seguir as suas passadas, conseguisse ir bem mais além do que aquilo que tinha sido a sua carreira. Porém, podemos dizer: van Basten foi um dos melhores jogadores da história da modalidade.
Tal afirmação facilmente consegue justificar-se com os números que compõem a sua carreira. Todavia, tal como outros craques do mesmo gabarito, van Basten foi muito mais do que títulos, troféus ou golos. Quem o viu jogar sabe disso. Sabe que era sublime na maneira como controlava todo o último terço do campo, genial com a bola nos pés, veloz nas desmarcações e, acima de tudo, implacável na finalização. Ora, tanta qualidade só poderia trazer, para ele e para os clubes por onde passou, inúmeras conquistas. No Ajax, para além de 3 Campeonatos, 3 Taças e a Taça dos Vencedores das Taças de 1986/87, van Basten conseguiu vencer 4 vezes o prémio de goleador máximo dos Países Baixos. Numa dessas épocas, a 1985/86, conseguiu também alcançar o título individual almejado por todos os da sua posição, a Bota de Ouro. Tamanhos sucessos tornaram inevitável a cobiça de outros emblemas. O AC Milan que, liderado por Silvio Berlusconi, andava a formar uma superequipa, ficou na linha-da-frente. Marco van Basten mudou-se para Itália corria o Verão de 1987 e logo no final dessa primeira temporada haveria de erguer o primeiro de 4 "Scudettos".
"Veni vidi vici", poderão dizer vocês! Contudo, o momento que, nessa época de mudança para o Calcio, permanece na memória de todos, passou-o com a camisola laranja da sua selecção. No Euro 88, realizado na Alemanha, van Basten, por razão das lesões que o iriam afligir para o resto da carreira, até começou no banco de suplentes. No entanto, o segundo jogo seria marcado por um "hat-trick" seu, o mesmo que catapultou os Países Baixos até à final. Já na derradeira partida frente à U.R.S.S., algo de extraordinário aconteceu. Corria a segunda metade do encontro quando, da esquerda do campo, um centro largo, salvo erro de Arnold Mühren, parecia destinar o lance à linha de fundo. Foi então que apareceu van Basten que, sem deixar o esférico tocar no chão, com um fenomenal "volley" a partir de um ângulo apertadíssimo, enfiou a bola no interior da baliza de Dasaev.
É verdade que, para além desse minuto 54, muito mais aconteceu na carreira do atacante; é verdade também que ter um golo considerado como um dos melhores de sempre no futebol, é algo notável. Contudo, se fosse apenas isso, por certo, não estaríamos aqui a falar do jogador. Pois, podemos continuar a relatar os seus feitos, referindo que, ainda nesse ano de 1988, foi-lhe atribuído o Ballon d'Or. Repetiu a façanha por mais duas vezes – como ele, só Cruyff e Platini. Entretanto, pelo AC Milan venceu tudo o que havia para vencer. A saber-se: os, já referidos, 4 "Scudettos"; 2 Taças dos Clubes Campeões Europeus; 2 Supertaças UEFA; 2 Taças Intercontinentais; para além da dupla consagração como o Melhor Marcador da Serie A.
Em 1992 haveria de ser aclamado pela FIFA como o Melhor jogador do ano. No entanto, por essa altura já os seus tornozelos davam "pano para mangas". Por razão de tais lesões, a vida do atacante nos relvados não durou muito mais tempo. O fim chegou cedo demais, todos concordarão. Contudo, alguém com uma paixão tão grande pelo jogo, não poderia afastar-se dele para sempre. Foi por essa razão que van Basten iniciou as lides de treinador. Nessas funções, o principal papel que desempenhou foi o de seleccionador holandês, entre 2004 e 2008. Esteve, também, à frente dos destinos do Ajax e, hoje em dia, é o técnico principal do Heerenveen.

350 - ABEDI PELÉ

Abedi Pelé é tido como o melhor jogador de todos os tempos do Gana. Um dos factores a contribuir para tal título, foi o número de golos que marcou pela sua selecção e que fazem dele o melhor de sempre nesse "ranking". Porém, apesar da distinção, de, ao serviço da equipa nacional do seu país, ter conquistado a edição de 1982 da CAN e de, 10 anos depois, ter sido considerado o melhor jogador do aludido certame, a verdade é que a maior desilusão da sua carreira está ligada a essa camisola e por razão de nunca ter estado presente num Mundial de futebol.
Já a nível de clubes a história é outra. Depois de algumas aventuras no estrangeiro, como por exemplo na Suíça ou no Qatar, a chegada a França, em 1986 e para representar o Chamois Niortais, haveria de mudar o panorama internacional da modalidade. Bem, não foi imediatamente que a "revolução" aconteceu. Porém, as suas qualidades de jogo - uma técnica estonteante, uma visão primorosa, a força física ou os golos fantásticos - rapidamente haveriam de pô-lo na senda de emblemas de maior renome e poderio. Assim, não foi de estranhar que, passados alguns anos, Adebi Pelé chegasse àquela que era uma das melhores formações do planeta, na transição dos anos de 1980 para a década de 1990, ou seja, o Olympique Marseille. Cruzando-se, em diferentes alturas, com atletas como Jean-Pierre Papin, Chris Waddle ou Rudi Völler, o atacante rapidamente ajudaria o emblema da cidade gaulesa a empoleirar-se nos lugares cimeiros do futebol. Após algumas ameaças e com o Campeonato francês totalmente dominado pela agremiação sediada na Côte d’Azur, o clube, em 1992/93, mais uma vez, atingiria a final da Liga dos Campeões. Frente ao AC Milan, os “Phocéens” venceriam a prova. Nesse encontro disputado em Munique, a exibição do jogador haveria de ser deslumbrante, com o avançado, não fosse dele a marcação do canto a dar origem ao golo de Basile Boli, a empurrar decisivamente os colegas em direcção à vitória.
Já após uma campanha com as cores do Lyon e terminada a aventura em França, o internacional ganês, na temporada de 1994/95, haveria de mudar de país. No “Calcio”, o sucesso em termos de troféus ficaria bem distante do conseguido anteriormente, até porque o Torino, camisola que envergou na Serie A, não almejava a tanto. Contudo, a sua qualidade continuava bem patente e Abedi Pelé haveria de ser considerado como o melhor estrangeiro a actuar em Itália.
Depois de terminada a carreira de futebolista, que ainda o levou ao TSV 1860 München e de novo ao Médio Oriente, o antigo avançado decidiu mudar de papel no desporto. Adedi Pelé é agora o proprietário do modesto FC Nania, no qual, onde também desempenha as tarefas de treinador, já conseguiu conquistar a Taça e a Supertaça do Gana.

348 - SILAS

Com um início de carreira fulgurante, que chegaria a colocá-lo como uma das maiores promessas do futebol brasileiro, Silas haveria de destacar-se no Mundial sub-20, disputado em 1985. No torneio organizado na antiga U.R.S.S., para além da conquista do título colectivo, o centrocampista haveria de sair do certame eleito como o Melhor Jogador do Campeonato. Tudo isso, a juntar às boas exibições amealhadas ao serviço do São Paulo, rapidamente iriam pô-lo na rota de emblemas estrangeiros. Como futebolista, adivinhar-se-ia o seu futuro ligado, invariavelmente, à Europa. No entanto, o que poucos desconfiariam é que esse incontornável destino, com tantos “mercados” bem mais aliciantes, iria passar por Portugal e, em particular, pelo Sporting. Ainda assim, contra todas as probabilidades e depois da participação no Mundial do México de 1986, o médio-ofensivo, como reforço leonino para a temporada de 1988/89, acabaria por aterrar em Lisboa.
O investimento feito no internacional brasileiro parecia não trazer grande risco e Silas rapidamente provou ser uma aposta ganha. As grandes exibições, em que jogava e fazia jogar, e os belíssimos golos depressa fariam ver aos adeptos leoninos que estavam na presença de um grande craque. Mesmo com uma segunda temporada em Alvalade assolada por uma grave lesão e depois de ter participado e vencido a Copa América de 1989, o médio acabaria por fazer parte dos planos de Sebastião Lazaroni (haveria de ser treinador do Marítimo) e juntar-se-ia ao grupo "canarinho" que partiria em direcção a Itália, para a disputa do Mundial de 1990.
A segunda etapa de Silas pela Europa far-se-ia não muito tempo depois e, numa lógica de crescimento, ao serviço de emblemas do "Calcio". Depois de integrar o plantel de 1990/91 do Cesena e de, na época seguinte ter envergado a camisola dos genoveses da Sampdoria, a passagem do médio por Itália classificar-se-ia pelo esparso fulgor exibicional. Daí em diante, a carreira do jogador tomaria o formato de muitos outros seus conterrâneos. Feito numa espécie de "Globetrotter", o atleta acabaria por passar por cerca de uma dezena de outros emblemas e por campeonatos como o argentino ou o japonês. Já bem perto dos 40 anos de idade, decidir-se-ia a "pendurar as chuteiras" e viria a dedicar-se à vida de treinador, mormente em agremiações do seu país natal.

249 - ALEXI LALAS

De ascendência grega, ao jovem Panayotis Alexander Lalas, a certa altura da vida, por certo surgiu a ideia de escolher entre as suas grandes paixões: a música e o desporto. No entanto, em vez de agarrar-se a uma carreira ao estilo de Demis Roussos ou de perseguir os passos da selecção campeã europeia em 2004, o defesa acabou a caminhar em ambas as direcções. Bem, em abono da uma certa correcção, pouco do que aqui foi dito é verdade! Por um lado, o seu gosto musical levou-o para o rock. Também o referido em relação ao futebol é um disparate e muito antes da equipa nacional helénica atingir a glória em Portugal, já o jogador brilhava na modalidade, mas com as cores do país de acolhimento da família, ou seja, os Estados Unidos da América.
No “soccer”, desde muito cedo, mostrou ter capacidades bem acima dos demais companheiros de balneário. Em 1987 foi eleito o Melhor Jogador do Ano do liceu. Anos mais tarde, na Universidade, pois o desporto escolar nos Estados Unidos da América é encarado de forma um pouco diferente do que estamos habituados, tornou-se no maior sustento da sua equipa, os Rutgers Scarlet Knights. Já aos 22 anos, depois de representar a selecção norte-americana nos Jogos Olímpicos de 1992, apareceu-lhe a oportunidade de ingressar no Arsenal. Contudo, em Londres nunca conseguiu justificar a aposta nele feita e não passou do conjunto de reservas.
Apesar do revés vivido em Inglaterra, o sonho de jogar num emblema europeu acabou por tornar-se realidade. Ao transferir-se para o Padova na época de 1994/95, Alexi Lalas transformou-se no primeiro norte-americano a envergar uma camisola da Serie A italiana. O conjunto da região de Veneto, apesar de modesto, ainda assim, conseguiu a almejada manutenção e o defesa, considerado uma estrelas do Campeonato do Mundo realizado em 1994, manteve-se pelo “calcio” por mais uma  temporada.
Em 1996, Alexis Lalas regressou à Major Soccer League (MSL), onde, após passagens pelos New England Revolution, NY MetroStars e Kansas City Wizards, assinou pelos L.A. Galaxy. Na equipa Californiana venceu a edição de 2000 da "Champions" da CONCACAF. Sem mudar de emblema, depois de “penduradas as chuteiras” e a desempenhar as funções de "General Manager", continuou a brilhar e tornou-se num dos principais responsáveis pela contratação do astro britânico, David Beckham.
No que aos palcos diz respeito, Alexi Lalas conseguiu manter uma carreira paralela à caminhada no futebol e a sua banda, "Gypsies", chegou a lançar os álbuns "Woodland" e "Jet Lag". Depois dessa etapa colectiva, o antigo defesa prosseguiu a carreira a solo e já conta com 4 discos editados.

188 - YEKINI

Ao contrário de muitas estrelas africanas que, no futebol, surgem bem novas nos campeonatos europeus, a aventura de Yekini fora do seu continente, começou já o atleta contava com vários anos de tarimba.
Depois de competir na Nigéria e na Costa do Marfim, foi com 27 anos feitos que o avançado, na temporada de 1990/91, fez a estreia pelo Vitória Futebol Clube. Em Setúbal, provou aquilo que dele era dito. Apresentou-se como um jogador fisicamente possante e, no entanto, bem veloz; poderoso no jogo aéreo, apesar da maneira pouco estética de atacar os lances; acima de tudo, mostrou ter um instinto capaz de devastar as melhores defesas.
Os 13 golos marcados nessa época de chegada a Portugal, excelente para quem apenas entrou à 14ª jornada, foram insuficientes para evitar a despromoção da equipa sadina. O regresso do Vitória ao convívio dos “grandes”, aconteceu passadas duas campanhas após a aludida descida. Por essa altura, já o ponta-de-lança tinha conseguido um lugar cativo no coração dos adeptos. Ainda assim, faltavam-lhe atingir mais algumas metas para que, globalmente, fosse exaltado como um dos mais bem cotados da sua posição. Tais distinções não tardaram muito a chegar. Após o título de Melhor Jogador Africano de 1993, o primeiro de sempre para um futebolista nigeriano, seguiu-se a disputa da edição de 1994 da Taça das Nações Africanas. Na referida CAN, para além de ajudar a sua selecção a vencer o torneio, também saiu do certame com o troféu de goleador máximo. Para continuar a época em beleza, o ponta-de-lança, com 21 golos, conquistou o lugar cimeiro da tabela dos Melhores Marcadores do Campeonato Nacional de 1993/94.
Em abono da verdade, o atleta ainda tinha mais para dar à temporada. As marcas atingidas na CAN e nas provas portuguesas serviram de presságio para o que estava a chegar. Com a estreia da Nigéria num Mundial marcada para Junho de 1994, o atacante foi incluído nos eleitos para voar até aos Estados Unidos da América. Com o embate inicial agendado frente à Bulgária, a fortuna de ficar na história do desporto do seu país, mais uma vez, coube a Yekini. Na grande-área adversária, com a bola à sua mercê, não desperdiçou a oportunidade de, naquele que é o mais importante certame no planeta do futebol, ser o primeiro a marcar um golo pelas “Super Eagles”. Depois, foi ver os festejos emocionados e a imagem do ponta-de-lança agarrado às redes contrárias correu as televisões de todo o globo.
Obviamente, com todo o sucesso entretanto alcançado, foi muito difícil para o emblema setubalense conseguir aguentar, nas suas fileiras, o goleador. No Verão de 1994, Yekini deu o passo esperado e transferiu-se para o Olympiakos. Contudo, a sua carreira acabou por não sofrer a progressão por si desejada. Muito pelo contrário, tanto na Grécia, como ao serviço dos espanhóis do Sporting Gijon, fruto de uma notória inadaptação, as suas exibições nunca mais mostraram a força antiga. Yekini, talvez na busca do brilho perdido, ainda voltou ao Vitória. Todavia, a idade começou a sentir-se. Ainda assim, reflexo de um temperamento indomável, continuou a jogar por esse mundo fora. Aos 41 anos, depois de regressar a África, decidiu pôr um ponto final na longa e bonita carreira. Fim consagrado pelos números que, ainda hoje, garantem o avançado como o atleta com a maior quantidade de golos marcados pela principal selecção da Nigéria.

151 - ABEL XAVIER

Corria o Verão de 1990 e para os seniores do Estrela da Amadora era promovido um tal rapaz, alto e esguio, que já nessa altura era presença habitual nas selecções jovens nacionais. Aliás, seria mesmo com a "camisola das quinas" que Abel Xavier, um ano após a sua estreia na equipa da Linha de Sintra, atingiria, pela primeira vez, a ribalta. Falo, está claro, na final do Campeonato do Mundo sub-20 disputada em Lisboa e onde, com a 2ª leva da emergente "Geração d'Ouro", Portugal revalidaria o título mundial da categoria.
Passados 2 anos sobre a referida vitória, o inevitável aconteceria à jovem promessa lusa. Um dos ditos "3 grandes", nesse caso o Benfica, assumiria a sua contratação. Na "Luz" nada seria fácil para si. Aproveitando a sua polivalência, o habitual médio-defensivo, seria deslocado para a direita da defesa “encarnada”, de forma a colmatar um défice de jogadores para essa posição. Apesar das "Águias" terem ganho o Campeonato, as suas exibições, nas quais foi quase sempre titular, nunca chegariam a convencer o público, sendo mesmo considerado um dos elementos mais fracos da equipa campeã. Mais um ano passou e apanhado na purga que Artur Jorge preparou para o balneário da "Luz", Abel Xavier seria emprestado ao Bari, emblema da Serie A italiana, onde acabaria por ser pouco utilizado.
Depois da experiência no “calcio”, o regresso ao Benfica não aconteceu. Talvez por falta de vontade de ambas as partes em dar continuidade à ligação encetada 3 anos antes, a solução encontrada para a carreira do jogador acabou por ser a proposta feita pelo Real Oviedo. Em Espanha, Abel Xavier deu seguimento à sua diáspora que, pelo globo do futebol, raramente trouxe estadias superiores a um ou dois anos por emblema. A excepção foi a sua passagem pelos ingleses do Everton, 3 temporadas, durante a qual conseguiu o maior número de presenças em jogos num só clube e onde, por jogar maioritariamente a defesa-central, conseguiu as suas melhores prestações.
Foi também por altura da sua primeira presença em Inglaterra, que viveu um dos episódios mais penalizantes da carreira. Estávamos em 2000; disputava-se o Europeu de selecções organizado pela Bélgica e Holanda; a partida era a das meias-finais e o adversário a França. Já durante o prolongamento, um cruzamento de Wiltord acabaria interceptado por Abel Xavier. Na sequência do lance seria assinalada uma grande penalidade, por suposta "mão na bola" do defesa português. A confusão nascida daquele que ainda hoje é considerado um dos lances mais polémicos do torneio, resultaria no castigo de vários jogadores. Ainda assim, a pena de Abel Xavier, que começaria por nove meses, acabaria, após recurso, por ser reduzida para meio ano.
Em 2002, na transferência para o Liverpool, o jogador daria o seu derradeiro passo em crescendo. De seguida, e ainda com relevantes passagens pelo Galatasaray, Hannover e Roma, a carreira do atleta entraria em progressivo declínio. O seu ocaso seria acicatado por um polémico caso de doping. Mesmo ao alegar inocência, Abel Xavier nunca conseguiria provar a mesma. A pena lida no decorrer da temporada de 2005/06, decretaria um ano de suspensão e interromperia as suas prestações com as cores do Middlesbrough.
A sua última viagem seria para os Estados Unidos da América. Em Los Angeles, ao serviço dos LA Galaxy, encontrar-se-ia não só com David Beckham, mas também com todo o "glamour" de Hollywood. Na "pátria do cinema", o seu excêntrico visual não passaria despercebido e, acabado o futebol, seria convidado para, numa película, representar o papel de vilão. No entanto, as mudanças na sua vida não acabariam por aqui. Após um primeiro contacto com a religião muçulmana que, segundo o mesmo, ajudou-o a ultrapassar períodos difíceis na sua passagem pela Turquia, Abel decidiria converter-se ao Islão e mudar o seu nome para Faisal.
Em suma, Abel Xavier foi um verdadeiro fenómeno das migrações futebolísticas: 2 confederações, 8 campeonatos as 12 equipas diferentes representadas durante os 18 anos da sua carreira profissional, conferem-lhe o estatuto de verdadeiro "globetrotter"!