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1806 - XAVIER

José Manuel Xavier Guimarães terminaria o percurso formativo com as cores do FC Porto. No entanto, com o plantel de 1974/75 dos “Azuis e Brancos”, só para o sector intermediário, recheado com nomes como António Oliveira, Peres, Marco Aurélio ou Aílton, o jovem praticante não conseguiria encontrar um lugar para desenvolver as suas qualidades desportivas. Nesse sentido, a solução encontrada para o seu percurso haveria de passar pelo grupo de trabalho do Paços de Ferreira. Na “Capital do Móvel”, o médio-ofensivo, muito mais do que cumprir a primeira temporada enquanto sénior, faria parte de uma página histórica do clube e ajudaria a equipa dos “Castores”a estrear-se na 2ª divisão.
Seguir-se-ia, já na temporada de 1975/76, a sua apresentação como reforço do plantel do Salgueiros. A entrada no conjunto a jogar em casa no Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro empurrá-lo-ia para aquela que viria a tornar-se na colectividade mais representativa da sua caminhada profissional.  Ainda assim, com o clube do popular bairro de Paranhos a militar entre o 2º e o 3º escalão luso, a passagem de 5 anos pela agremiação portuense atrasar-lhe-ia a chegada ao convívio com os “grandes”. Esse merecido prémio competitivo ainda demoraria um pouco mais a chegar e seria necessária outra transferência para que o médio-ofensivo tivesse a merecida oportunidade de mostrar as suas habilidades futebolísticas ao mais alto nível.
A mudança para o Funchal, onde, na campanha de 1980/81, rubricaria um contrato com o Marítimo, daria ao jogador a estreia na 1ª divisão. Orientado inicialmente por António Medeiros, o atleta depressa conseguiria assumir-se com uma das principais referências no sector intermediário dos “Leões do Almirante Reis”. Contudo, as prestações colectivas do conjunto insular seriam insuficientes para que granjeassem de um resultado positivo na árdua luta pela manutenção. O 15º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional levá-lo-ia, de novo, ao patamar secundário e depois de fazer parte da conquista do título de 1981/82 do 2º escalão, o médio-ofensivo, ao deixar os madeirenses, optaria por regressar à cidade do Porto.
Dessa feita ao integrar o plantel do Boavista, Xavier passaria a ser orientado por Hermann Stessl. Mesmo com a saída do treinador austríaco e com as posteriores chegadas de outros 3 timoneiros, o jogador, nessa primodivisionária campanha de 1982/83, nunca conseguiria afirmar-se como um dos nomes habitualmente arrolados ao “onze”. A escassez de presenças em campo faria com que o médio-ofensivo, como a opção mais positiva para o seu trajecto competitivo, equacionasse uma nova mudança de rumo. O passo seguinte nessa senda, num percurso que passaria a caracterizar-se pelas diversas mudanças de divisas, afastá-lo-ia, mais uma vez, da 1ª divisão. Já cumprida a época de 1983/84 com as cores do Famalicão, o atleta voltaria a cambiar de camisola e a entrada no Penafiel de 1984/85, onde tornaria a trabalhar sob a égide de Manuel Barbosa, o seu último técnico nas “Panteras”, coincidiria também com a sua derradeira aparição nos principais palcos lusos.
Depois da experiência com o conjunto duriense, Xavier, entregue, em definitivo, às contendas dos escalões secundários, passaria por mais uma mão cheia de emblemas. Lusitânia de Lourosa, Nacional da Madeira, Pedrouços, Rebordosa e Leça acabariam a colorir uma caminhada que conheceria o seu termo com o encerrar das competições agendadas para a temporada de 1991/92.

1763 - GARCÊS

Descoberto nas “escolas” do Olhanense, Fernando de Jesus Colucas Garcês teria no Sporting o fim da caminhada formativa. Ainda em Alvalade, concretamente no desenovelar da temporada de 1974/75, o médio-ala direito teria a oportunidade de fazer a estreia nos desafios seniores. Numa época em que os “Leões” apresentariam 3 treinadores diferentes, seria pela mão do chileno Fernando Riera que o jovem intérprete encetaria a sua presença nas principais provas do calendário luso. No entanto, apesar do potencial revelado, o atleta, tanto na campanha já referida, como na seguinte, jamais conseguiria impor-se como um elemento de alguma preponderância no desenhar táctico da equipa lisboeta e com apenas 7 jogos em 2 anos, o jogador deixaria Alvalade no final de 1975/76.
Apesar do ligeiro desaire vivido com os “Verdes e Brancos”, Garcês, na campanha de 1976/77, mesmo com a mudança de colectividade, haveria de manter o seu lugar na 1ª divisão. Aliás, a temporada a vestir a camisola do Beira-Mar tornar-se-ia numa das melhores da sua carreira. Para tal avaliação, muito mais do que a titularidade alcançada no conjunto nascido na cidade de Aveiro, viriam as chamadas para as equipas sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado para os sub-21 lusos, o médio-ala teria a estreia internacional em pleno Torneio de Toulon. Arrolado para a edição de 1977 do certame organizado em França, o futebolista entraria nas 3 rondas em que Portugal participaria e, desse modo, acrescentaria ao currículo 3 partidas com a “camisola das quinas”.
Embora tenha realizado uma temporada de enorme valor, a despromoção do emblema a jogar em casa no Estádio Mário Duarte, faria com que o percurso de Garcês, na temporada de 1977/78, passasse pelo Riopele. Curiosamente, também a agremiação de Pousada de Saramagos haveria de claudicar na luta pela manutenção. Porém, o médio-ala, mais uma vez, conseguiria escapar aos escalões secundários. De novo ao serviço do Beira-Mar, o jogador continuaria a trilhar o seu caminho pelos cenários primodivisionários. Ainda assim, numa carreira que viria a caracterizar-se por alguma errância, a estadia em Aveiro, tal como em épocas anteriores, duraria apenas um ano. De seguida viria o União de Leiria que, em 1979/80, faria a estreia entre os “grandes” e também desceria de divisão. Depois emergiria o interesse do Vitória Futebol Clube e a entrada numa fase ligeiramente mais estável do seu trajecto competitivo.
A chegada a Setúbal no arranque da época de 1980/81, onde trabalharia com Rodrigues Dias, daria início a um par de ciclos de 2 anos cada um. No primeiro desses biénios, Garcês conseguiria consagrar-se como um dos homens com mais presenças no “onze” dos “Sadinos”. No entanto, a época seguinte exprimir-se-ia exactamente pelo oposto. Tamanho decréscimo nas partidas disputadas faria com que o médio procurasse, no Estoril Praia, outra solução para a carreira. Por coincidência, a transferência para o emblema da Linha de Cascais em nada mudaria o panorama competitivo do atleta e com Mário Nunes no comando dos “Canarinhos” poucas oportunidades haveria de alcançar.
Apesar das duas temporadas menos conseguidas, 1983/84, ainda a jogar na colectividade da Amoreira, devolveria o atleta aos patamares exibicionais de campanhas anteriores. Todavia, como aconteceria algumas vezes durante a carreira do médio, a descida do Estoril Praia levá-lo-ia, mais uma vez, a dar outro rumo à sua caminhada. Dessa feita, a escolha pelo plantel do União da Madeira afastá-lo-ia do patamar máximo do futebol português. Aliás, a época de 1984/85, passada no Funchal, muito mais do que encetar aquela que acabaria a tornar-se na derradeira fase da sua senda enquanto futebolista, viria a pôr fim a um ciclo de uma década consecutiva na 1ª divisão. Seguir-se-iam, com um ano apenas em cada colectividade, o Paços de Ferreira, o Lousada, o Valpaços e, com o “pendurar das chuteiras” a surgir com a conclusão da campanha de 1988/89, a experiência no Vila Meã.

990 - ANTÓNIO MEDEIROS

Antes ainda da estreia pela equipa principal do Belenenses, António Medeiros passaria pelos juniores do Restelo. Nessa temporada de 1948/49, antevendo os passos preludiais na primeira categoria, o médio jogaria também pelas “reservas”. Já a sua integração no plantel sénior aconteceria na campanha de 1953/54. Ao lado de nomes como Serafim Neves, António Feliciano, José Pereira, Vicente Lucas ou Matateu, o jovem atleta veria a sua tenra experiência alimentada com a luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa e a presença do conjunto lisboeta na Taça Latina.
Mesmo com a passagem pelo Restelo a ter um grande peso na sua evolução, os momentos mais importantes na sua caminhada como futebolista vivê-los-ia transposto alguns anos. Após ter vestido as cores do Oriental, a sua chegada ao Leixões acabaria por empurrá-lo para um dos episódios mais importantes na história do clube. O período de 5 temporadas que viveria ao serviço do emblema de Matosinhos, conheceria o seu apogeu na época de 1960/61. Num conjunto que tinha como estrelas maiores os brasileiros Osvaldo Silva e Jaburú, Medeiros, que também era um dos atletas mais utilizados, ajudaria o seu grupo a chegar à final da Taça de Portugal. Numa partida marcada para as Antas, o médio seria escolhido pelo treinador Filipo Núñez para iniciar o encontro. Mesmo tendo em conta o poderio dos adversários, a verdade é que os “Bebés do Mar” acabariam por zombar do favoritismo dos “Azuis e Brancos” e venceriam a peleja por 2-0.
Ainda com uma passagem pelo Feirense, a sua carreira de atleta esfumar-se-ia rapidamente. No entanto, António Medeiros recuperaria a sua importância no futebol português já noutras funções. Como treinador, o seu percurso far-se-ia, maioritariamente, durante as décadas de 70 e 80. Tendo sido visto como um dos melhores técnicos da altura, o seu regresso ao Belenenses transformar-se-ia num dos momentos áureos desse trajecto. Antes ainda, um episódio caricato vivido ao serviço do Estoril-Praia. Ora, existem coisas que hoje em dia são tão corriqueiras que até nos esquecemos que, em tempos idos, já foram grandes excentricidades. A 12 de Setembro de 1976, os “Canarinhos” haveriam de entrar em campo com algo bem diferente nos seus equipamentos. Sem que tal fosse usual, a equipa da Linha de Cascais, com o entusiasmo do seu timoneiro, apresentar-se-ia no Restelo com os nomes dos jogadores “estampados” nas respectivas camisolas.
Todavia, e como já aqui referi, o seu momento dourado seria vivido à frente do Belenenses. No Restelo, devolveria a equipa à luta pelos lugares de topo da tabela classificativa. Com o 5º posto conseguido na temporada de 1977/78, quase que devolvia o clube à senda das competições europeias. Ainda assim, não seria só com a “Cruz de Cristo” e com o Estoril-Praia que António Medeiros preencheria a sua caminhada como treinador. Só naquilo que é o nosso patamar principal também Leixões, União de Tomar, Tirsense, Marítimo, Portimonense, Penafiel, Amora, e “O Elvas” fariam parte desse percurso primodivisionário. Porém, e mesmo tendo em conta a riqueza do seu currículo, faltar-lhe-ia algo muito importante. Como um sonho que ficaria por concretizar, o técnico nunca chegaria ao cargo de seleccionador nacional.