1751 - RAYMOND GOETHALS

Com a formação terminada ao serviço do Daring Club Bruxelles, Raymond Goethals teria também no emblema sediado na capital o primeiro capítulo enquanto sénior. Depois dessa campanha de 1940/41, parece ser consensual que o guarda-redes ter-se-á mantido no clube até ao termo da temporada de 1946/47. O pior é que, daí para a frente, não consegui confirmar, de forma fiel, o resto da sua carreira como futebolista. Por um lado, existem fontes a dar-nos a curta passagem de 1 época pelo Royal Racing Club Brussels, seguida da permanência, por 4 anos, no Hannutois e por fim os derradeiros 5 anos dessa caminhada competitiva com as cores do AS Renaisiènne. Já outras fontes garantem a ligação ao Royal Racing Club Brussels até 1951/52, antes do seu ingresso no KSK Ronse e o termo do trajecto como guarda.redes no plantel de 1956/57 do Hannutois.
No meio de tanta confusão, outra das coisas que parece ser transversal a diferentes fontes informativas, é que Raymond Goethals terá encetado a carreira de treinador com uma época no Hannutois e outra no Stade Waremmien, respectivamente em 1957/58 e em 1958/59. No entanto, o arranque modesto dessa sua nova faceta no futebol não impediria que o antigo atleta, com a entrada no plantel de 1959/60 do Sint-Truiden, não começasse a fabricar um dos seus grandes sucessos enquanto técnico. Aliás, seria o 2º lugar conquistado pelo aludido emblema, no termo do Campeonato de 1965/66, que haveria de convencer os responsáveis pela Royal Belgian FA a convidá-lo para adjunto. Na equipa nacional do seu país, começaria por adjuvar Constant Vanden Stock. Todavia, a partir de 1969, o cargo de seleccionador principal ficaria à sua responsabilidade e ao pegar nos “Diables Rouges” a meio da Fase de Qualificação, conseguiria apurar a Bélgica para o Mundial de 1970.
À frente da selecção até 1976, Raymond Goethals teria no Europeu de 1972, mormente no 3º lugar conquistado, talvez o maior feito enquanto timoneiro da Bélgica. Depois, a partir de 1976/77, viria o Anderlecht, com o já mencionado Constant Vanden Stock como presidente. Naquele que é um dos maiores emblemas do país, o treinador, em 3 temporadas, iria chegar aos grandes palcos europeus. Nesse sentido, muito mais do que sucessos internos, emergiriam os êxitos no plano continental. Tudo começaria, logo no ano da sua chegada, com o triunfo na Supertaça europeia, feito repetido em 1978/79. Para além disso, há também a arrolar o par de presenças na final da Taça dos Vencedores das Taças. Na primeira, na campanha coincidente com a sua contratação por parte da agremiação de Bruxelas, os “Les Mauve et Blanc” defrontariam e claudicariam perante o Hamburger. Já a segunda, em 1977/78, correria de forma bem distinta, com o conjunto por si orientado, onde também brilhava Franky Vercauteren, homem que viria a passar pelo comando técnico do Sporting, a bater o Austria Wien.
Seguir-se-ia a primeira experiência no estrangeiro e após a época de 1979/80 à frente do Bordeaux, viria a “escapadinha” até ao Brasil, onde, como “conselheiro” para o futebol do São Paulo, teria na relação pouco pacifica com o treinador Carlos Alberto Silva a principal fonte de notícias. De regresso à Europa, o Standard Liège, onde brilhava Michel Preud’Homme, devolvê-lo-ia aos sucessos. Como novidade no seu palmarés, viriam logo os 2 Campeonatos conquistados. Também como motivo de destaque surgiriam outras 2 vitórias, dessa feita na Supertaça da Bélgica. Por fim, os triunfos num par de edições da Taça Intertoto e mais uma presença na final da Taça dos Vencedores das Taças, concretamente na edição de 1981/82, onde, na derradeira partida da prova, sairia derrotado pelo FC Barcelona.
Seria também por essa altura que viveria uma das grandes polémicas da carreira. Com o emblema por si orientado inserido na Taça dos Vencedores das Taças, as vésperas da já referida final trariam um episódio descoberto anos mais tarde. Segundo veio a saber-se, Raymond Goethals acabaria envolvido num caso de corrupção, no qual os jogadores do Waterschei terão sido aliciados, numa partida a anteceder o embate frente ao FC Barcelona, a não magoarem os atletas do Standard Liège. Castigado e proibido de trabalhar na Bélgica, o técnico aceitaria o convite do Vitória Sport Clube e mudar-se-ia para Portugal. Em Guimarães na temporada de 1984/85, o treinador passaria a orientar um grupo de trabalho onde brilhavam nomes como Neno, Miguel, Laureta, Paquito, Costeado, Paulo Ricardo, Roldão, entre outros. Porém, apesar da qualidade do plantel, o treinador belga não iria além do 9º lugar no Campeonato Nacional e ao fim de uma campanha deixaria o Minho.
Cumprido um período mais discreto, durante o qual treinaria o Racing Jet de Bruxelles, o regresso ao Anderlecht dar-lhe-ia a vitória na Taça da Bélgica de 1988/89. Seguir-se-ia nova passagem pelo Bordeaux e a contratação pelo Olympique Marseille. No emblema do sul de França, Raymond Goethals voltariaos focos novamente para si. Logo em 1990/91, para além da vitória na Ligue 1, triunfo que repetiria nas 2 campanhas seguintes, o belga levaria o seu grupo à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Perdida a decisiva contenta frente ao Estrela Vermelha de Belgrado, a época de 1992/93, dessa feita na 1ª edição da recém-criada Champions League, traria ao técnico outra oportunidade para conquistar o almejado troféu. Na partida disputada em Munique, numa equipa com Abedi Pelé, Völler, Boksic, Deschamps, Angloma, Desailly, Sauzée e o ex-benfiquista Jean-Jacques Eydelie, um golo de Basile Boli, serviria para derrotar o AC Milan.
Para finalizar um longa carreira como treinador, Raymond Goethals, em 1995, ainda teria uma curta passagem pelo Anderlecht.

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