Com a formação concluída ao serviço do Atlético, seria ainda como praticante das “escolas” do emblema sediado no popular bairro de Alcântara que Fernando Aurélio Reis Martins encetaria o seu percurso nas equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Com o arranque da caminhada com a “camisola das quinas” a acontecer, pela mão de José Maria Pedroto, frente à Suíça, a partida com os helvéticos, disputada a 3 de Abril de 1974, serviria também para selar a qualificação para a fase final da edição de 1974 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Já no certame realizado na Suécia, o médio-esquerdo participaria em todas as jornadas efectuadas pelo conjunto luso, mas não evitaria, ainda na fase de grupos, a eliminação da sua equipa. Mais à frente, também nos “esperanças”, o jogador construiria o seu percurso com as cores de Portugal e teria na participação do Torneio de Toulon de 1976 o momento mais alto realizado pelos actualmente designados como sub-21.
As 20 internacionalizações conseguidas por Portugal conseguiriam, de certa forma, alimentar uma carreira cujo primeiro passo sénior seria também dado pelo Atlético. Lançado por Fernando Vaz nessa primodivisionária temporada de 1974/75, o médio teria na campanha seguinte, já na intendência de Carlos Silva, um importante momento para confirmar as suas qualidades. Seguir-se-ia, numa caminhada que ficaria caracterizada por alguma errância clubística, o ingresso no plantel de 1976/77 do Estoril Praia. Logo na época de chegada ao emblema da Linha de Cascais, Fernando Martins, chamado à peleja por José Bastos, participaria na final da Taça da FPF, perdida para o Sporting de Braga. Pelos “Canarinhos”, o médio-esquerdo ainda jogaria outras duas épocas. Já ao deixar o Estádio António Coimbra da Mota, a época de 1979/80, dando seguimento ao percurso no escalão máximo, levá-lo-ia até ao Marítimo.
Sendo certo que é possível avaliar a carreira de Fernando Martins como tendo passado por colectividades sem grandes ambições a títulos, é igualmente verdade que a caminhada do médio-esquerdo acabaria escrita, na quase totalidade, entre os “grandes” do futebol português. Nessa senda, onde praticamente conseguiria quedar-se sempre como titular, ao par de campanhas cumpridas na cidade do Funchal seguir-se-ia o Portimonense de 1981/82, que, na referida temporada, orientado por Artur Jorge, concluiria o Campeonato Nacional no 6º posto da tabela classificativa.
Após 3 anos no Barlavento, uma curta viagem, a encaminhá-lo um pouco mais para leste, entregá-lo-ia ao Farense. Na capital do Algarve, concretamente na 2ª temporada feita no Estádio de São Luís, encetando uma experiência nunca antes vivida, o escalão secundário, após 11 temporadas consecutivas no patamar maior, emergiria ao trajecto do jogador. Daí em diante, nunca mais regressaria à 1ª divisão. Ainda assim, na campanha de 1986/87, voltaria ao Estoril Praia, tornando-se a agremiação da Amoreira, com a nova passagem, na mais representativa da sua carreira enquanto futebolista.
Já nos últimos capítulos da caminhada competitiva, Fernando Martins retornaria ao Algarve e depois de Silves e do Almancilense, os alentejanos do São Marcos e a temporada de 1991/92 ditariam o “pendurar das chuteiras” do médio canhoto.
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1728 - FERNANDO MARTINS
1327 - ARAÚJO
Seria ainda como elemento das camadas de formação da CUF que José Araújo começaria a demonstrar dotes futebolísticos de alto gabarito. Tal facto levaria os responsáveis técnicos pelas jovens equipas da Federação Portuguesa de Futebol a convocá-lo aos, hoje em dia, denominados sub-16. Depois da estreia no referido escalão, partida disputada no âmbito do Torneio Internacional de St. Malo, a 30 de Março de 1975, o médio-ofensivo, que nesse jogo também marcaria um golo, continuaria a ser chamado a envergar as cores lusas. Nesse sentido e nos anos vindouros, o atleta, entre o patamar já aludido, os sub-18 e os sub-21, somaria um total de 15 internacionalizações.
Já a estreia no patamar sénior, ainda com as cores da CUF, ocorreria na temporada de 1975/76. Como elemento da equipa do Lavradio, Araújo, sob a alçada de Mário João e, após o despedimento deste, orientado por Francisco Abalroado, logo conquistaria um lugar de destaque no plantel. Infelizmente para o atleta, o clube não conseguiria evitar a despromoção ao segundo escalão. Aliás, o regresso do médio ao convívio com os “grandes” dar-se-ia somente passados alguns anos e com o jogador a envergar a camisola do rival Barreirense. Curiosamente, essa campanha de 1978/79, em termos colectivos, terminaria também com a descida do seu emblema, o que o forçaria a nova travessia pelos cenários secundários.
Ainda que na disputa da 2ª divisão, os desempenhos de Araújo acabariam por merecer a atenção de emblemas de outra monta. No entanto, a transferência para o Benfica na temporada de 1981/82, asseverando-o como uma das grandes promessas do desporto luso, resultaria numa enorme desilusão. Com o jogador assolado por uma grave lesão, o melhor que haveria de conseguir nos 3 anos de ligação às “Águias” seria a passagem pelas “reservas” do emblema da Luz.
Já recuperado, regressaria ao Barreiro e, mais uma vez, para envergar as cores da CUF, à altura já denominada Quimigal. No que diz respeito ao resto do seu caminho competitivo, a verdade é que o médio-ofensivo não mais voltaria às exibições de outrora e que tinham feito dele um dos bons intérpretes do futebol português. Pescadores da Costa da Caparica, Sesimbra e Estrela de Vendas Novas transformar-se-iam nas colectividades que acabariam por preencher os derradeiros passos de uma caminhada competitiva que conheceria o fim na transição da década de 1980 para a de 1990.
Já a estreia no patamar sénior, ainda com as cores da CUF, ocorreria na temporada de 1975/76. Como elemento da equipa do Lavradio, Araújo, sob a alçada de Mário João e, após o despedimento deste, orientado por Francisco Abalroado, logo conquistaria um lugar de destaque no plantel. Infelizmente para o atleta, o clube não conseguiria evitar a despromoção ao segundo escalão. Aliás, o regresso do médio ao convívio com os “grandes” dar-se-ia somente passados alguns anos e com o jogador a envergar a camisola do rival Barreirense. Curiosamente, essa campanha de 1978/79, em termos colectivos, terminaria também com a descida do seu emblema, o que o forçaria a nova travessia pelos cenários secundários.
Ainda que na disputa da 2ª divisão, os desempenhos de Araújo acabariam por merecer a atenção de emblemas de outra monta. No entanto, a transferência para o Benfica na temporada de 1981/82, asseverando-o como uma das grandes promessas do desporto luso, resultaria numa enorme desilusão. Com o jogador assolado por uma grave lesão, o melhor que haveria de conseguir nos 3 anos de ligação às “Águias” seria a passagem pelas “reservas” do emblema da Luz.
Já recuperado, regressaria ao Barreiro e, mais uma vez, para envergar as cores da CUF, à altura já denominada Quimigal. No que diz respeito ao resto do seu caminho competitivo, a verdade é que o médio-ofensivo não mais voltaria às exibições de outrora e que tinham feito dele um dos bons intérpretes do futebol português. Pescadores da Costa da Caparica, Sesimbra e Estrela de Vendas Novas transformar-se-iam nas colectividades que acabariam por preencher os derradeiros passos de uma caminhada competitiva que conheceria o fim na transição da década de 1980 para a de 1990.
1162 - PAVÃO
Nascido em Angola, acabaria descoberto pelo Benfica quando era praticante no Sporting do Lobito. Já em Lisboa, seria chamado à estreia pelas “Águias”, corria a temporada de 1968/69. Com o brasileiro Otto Glória à frente da equipa técnica, Jaime Pavão, seria incluído nos trabalhos do conjunto principal e, apesar de pouco ter jogado na campanha acima referida, os minutos em campo com a camisola dos “Encarnados”, seriam suficientes para incluí-lo na lista de futebolistas campeões nacionais.
Na época seguinte, o atleta apenas conseguiria participar nas partidas das “reservas”. Esse registo faria com que o jogador, longe do Estádio “da Luz”, procurasse outro destino para a sua, ainda curta, caminhada profissional. Seguir-se-ia, em 1970/71, a entrada no União de Tomar e a passagem pela 2ª divisão. Porém, o regresso do extremo ao patamar máximo viria a acontecer um ano após a entrada no emblema da “Cidade dos Templários”. Como um dos principais obreiros dessa promoção, Pavão manter-se-ia como um dos titulares da equipa. Rápido, com um excelente drible e uma capacidade de passe que o punha como um dos principais municiadores dos seus colegas mais avançados, depressa conseguiria tornar-se numa das estrelas do plantel.
Meia-dúzia de temporadas no União de Tomar, 3 das quais na 1ª divisão, fariam dele um dos atletas com mais participações pelo clube, em desafios do patamar mais alto do futebol português. Ainda assim, o final da campanha de 1975/76 daria como terminada a ligação entre o jogador e o emblema ribatejano. A etapa seguinte, com a mesma duração que a anterior, vivê-la-ia com as cores do Barreirense. Com o listado branco e vermelho, voltaria a brilhar e tornar-se-ia num dos pilares da táctica conjunta. Ainda assim, a sua passagem pela margem sul do Rio Tejo não traria ao trilho do atleta um registo primodivisionário tão rico quanto o que, até aí, já tinha conseguido alcançar. Com a colectividade do Estádio D. Manuel de Mello a entrar numa fase menos brilhante da sua história, a temporada de 1978/79 salvar-se-ia como a única disputada nos palcos maiores do Campeonato Nacional.
Já a época de 1981/82 viria a marcar o fim dos seus anos com o Barreirense. Pavão, numa rápida passagem já título amador, ainda viria a envergar a camisola dos Galitos do Barreiro. Em jeito de súmula, podemos dizer que ficaram para a memória colectiva a virtuosidade das suas jogadas e a alegria com que as executava. Em números, destaque para as 6 temporadas na 1ª divisão e o título de campeão na campanha de estreia como sénior.
Na época seguinte, o atleta apenas conseguiria participar nas partidas das “reservas”. Esse registo faria com que o jogador, longe do Estádio “da Luz”, procurasse outro destino para a sua, ainda curta, caminhada profissional. Seguir-se-ia, em 1970/71, a entrada no União de Tomar e a passagem pela 2ª divisão. Porém, o regresso do extremo ao patamar máximo viria a acontecer um ano após a entrada no emblema da “Cidade dos Templários”. Como um dos principais obreiros dessa promoção, Pavão manter-se-ia como um dos titulares da equipa. Rápido, com um excelente drible e uma capacidade de passe que o punha como um dos principais municiadores dos seus colegas mais avançados, depressa conseguiria tornar-se numa das estrelas do plantel.
Meia-dúzia de temporadas no União de Tomar, 3 das quais na 1ª divisão, fariam dele um dos atletas com mais participações pelo clube, em desafios do patamar mais alto do futebol português. Ainda assim, o final da campanha de 1975/76 daria como terminada a ligação entre o jogador e o emblema ribatejano. A etapa seguinte, com a mesma duração que a anterior, vivê-la-ia com as cores do Barreirense. Com o listado branco e vermelho, voltaria a brilhar e tornar-se-ia num dos pilares da táctica conjunta. Ainda assim, a sua passagem pela margem sul do Rio Tejo não traria ao trilho do atleta um registo primodivisionário tão rico quanto o que, até aí, já tinha conseguido alcançar. Com a colectividade do Estádio D. Manuel de Mello a entrar numa fase menos brilhante da sua história, a temporada de 1978/79 salvar-se-ia como a única disputada nos palcos maiores do Campeonato Nacional.
Já a época de 1981/82 viria a marcar o fim dos seus anos com o Barreirense. Pavão, numa rápida passagem já título amador, ainda viria a envergar a camisola dos Galitos do Barreiro. Em jeito de súmula, podemos dizer que ficaram para a memória colectiva a virtuosidade das suas jogadas e a alegria com que as executava. Em números, destaque para as 6 temporadas na 1ª divisão e o título de campeão na campanha de estreia como sénior.
759 - SHÉU
Mesmo tendo idade de júnior, Shéu já jogava pelos seniores do Sport Lisboa e Beira. Começou como extremo-direito, mas a sua impetuosidade para avançar no campo, deixava-o, inúmeras vezes, refém do “offside”. Então, os responsáveis técnicos da equipa decidem recuá-lo no terreno de jogo. Apesar da novidade, as qualidades que possuía ajudá-lo-iam nessa adaptação. Shéu responderia da melhor maneira à pretensão dos seus treinadores e, daí em diante, passaria a jogar como médio.
A sua qualidade era tal que José Augusto veria nele um bom reforço para o Benfica – “Foi um jogador que nem estava na lista de jovens que fui avaliar, mas vi-o a jogar em Moçambique quando fui buscar uma autorização para o Nené. Vi logo ali que o Shéu tinha uma enorme margem de progressão. Não hesitei e fiz questão de trazê-lo logo comigo para Lisboa”*.
Pior foi convencer o seu pai. Certo que a vida académica era mais importante que uma hipotética carreira de desportista, a autorização para que pudesse seguir viagem com a comitiva benfiquista, foi muito difícil de conseguir. Shéu insistiu no pedido e comprometeu-se a concluir os estudos. Convencido da sinceridade do filho, a permissão lá foi concedida. Shéu cumpriria a sua promessa e, em paralelo com o futebol, concluiria o curso de Mecânica e Desenho Industrial.
Tendo chegado a Portugal em 1970, o jovem atleta seria integrado na equipa de juniores das “Águias”. Ainda nesse escalão, começou a ser chamado à equipa principal, tendo sido convocado para alguns encontros de cariz amigável – “Fomos a Espanha fazer um torneio, a Salamanca, que ganhámos, e julgo que foi na fase final da época. Como era norma naquela altura, não regressávamos naquele dia, só no seguinte. Então os jogadores decidiram que iam sair. Pediram autorização ao treinador, mas este disse que não. Acabámos por nos reunir já fora do hotel para ir embora. E eu, que tinha sido pela primeira vez convocado, e logo para uma equipa daquelas, não sabia o que fazer. Estava numa encruzilhada! Decidi, lentamente, ir ter com os jogadores que estavam à frente do hotel. Fui a passo, pé ante pé, e do meio do grupo oiço uma voz: «Ó miúdo, vai-te deitar!» E quem era essa pessoa? O Eusébio. Libertando-me assim daquela situação difícil, para quem chegava de novo. Senti-me protegido.”**.
A 15 de Outubro de 1972, numa visita ao campo do Barreirense, Shéu faz a estreia oficial pela equipa sénior. Aos 80 minutos de jogo, entrando para o lugar de Toni, o médio dava início a uma caminhada que apenas terminaria em 1989. Logicamente, e apesar de reconhecidas as suas capacidades, as oportunidades que teria durante esses primeiros anos seriam escassas. Só na temporada de 1975/76, com a chegada de Mário Wilson aos comandos da equipa, é que o seu paradigma começou a alterar-se.
A verdade é que a partir desse momento, o atleta conquistaria um lugar no “onze” do Benfica. Como titular absoluto, e conseguindo manter essa importância, Shéu tornar-se-ia num dos principais pêndulos da equipa. Sem nunca ser muito exuberante, era ele o jogador que tornava possíveis os necessários equilíbrios tácticos. Esse seu papel contribuiria muito para que o Benfica conseguisse conquistar um sem número de títulos. 9 Campeonatos, 6 Taças de Portugal e 2 Supertaças fazem parte do seu currículo.
Em termos internacionais, o seu percurso não é, de todo, vergonhoso. Apesar de nunca ter conseguido vencer uma competição europeia, o centrocampista pode gabar-se de ter marcado presença em duas finais. Na primeira, a final da Taça UEFA de 1982/83, o Benfica seria derrotado pelo Anderlecht. Ainda assim, nesse duplo embate com a equipa belga (1-0; 1-1), o golo conseguido na 2ª mão seria da sua autoria. Já em 1988, com Shéu a envergar a braçadeira de capitão, os “Encarnados” seriam derrotados no derradeiro jogo da Taça dos Campeões Europeus, desta feita, frente aos holandeses do PSV Eindhoven.
No que à selecção diz respeito, o seu percurso é algo curioso. Tendo em conta as diversas chamadas à equipa nacional (24) e ao seu estatuto de grande médio, é surpreendente que nunca tenha sido chamado a disputar a fase final de uma grande competição. É certo que durante o seu percurso de futebolista, Portugal raramente conseguiu qualificar-se para esse tipo de certames. As excepções seriam o Euro 84 e o Mundial de 1986. Ora, a ausência no torneio disputado no México, até pode ser justificada pela entrada na derradeira fase da sua carreira. Já para França, numa altura em que ainda estava na posse de todas as suas capacidades físico-tácticas, o seu afastamento é difícil de entender.
Em 1989, como já foi referido, Shéu decide pôr um fim ao seu percurso nos relvados. No entanto, a sua ligação ao Benfica manter-se-ia. Tendo concordado com a proposta do Presidente João Santos, o médio passaria a ocupar um lugar na estrutura directiva. Com excepção feita a duas aparições como treinador (1998/99 – treinador interino; 2007/08 – treinador-adjunto), o antigo jogador tem, desde então, cumprido as funções de Coordenador Técnico da “Águias”.
A sua qualidade era tal que José Augusto veria nele um bom reforço para o Benfica – “Foi um jogador que nem estava na lista de jovens que fui avaliar, mas vi-o a jogar em Moçambique quando fui buscar uma autorização para o Nené. Vi logo ali que o Shéu tinha uma enorme margem de progressão. Não hesitei e fiz questão de trazê-lo logo comigo para Lisboa”*.
Pior foi convencer o seu pai. Certo que a vida académica era mais importante que uma hipotética carreira de desportista, a autorização para que pudesse seguir viagem com a comitiva benfiquista, foi muito difícil de conseguir. Shéu insistiu no pedido e comprometeu-se a concluir os estudos. Convencido da sinceridade do filho, a permissão lá foi concedida. Shéu cumpriria a sua promessa e, em paralelo com o futebol, concluiria o curso de Mecânica e Desenho Industrial.
Tendo chegado a Portugal em 1970, o jovem atleta seria integrado na equipa de juniores das “Águias”. Ainda nesse escalão, começou a ser chamado à equipa principal, tendo sido convocado para alguns encontros de cariz amigável – “Fomos a Espanha fazer um torneio, a Salamanca, que ganhámos, e julgo que foi na fase final da época. Como era norma naquela altura, não regressávamos naquele dia, só no seguinte. Então os jogadores decidiram que iam sair. Pediram autorização ao treinador, mas este disse que não. Acabámos por nos reunir já fora do hotel para ir embora. E eu, que tinha sido pela primeira vez convocado, e logo para uma equipa daquelas, não sabia o que fazer. Estava numa encruzilhada! Decidi, lentamente, ir ter com os jogadores que estavam à frente do hotel. Fui a passo, pé ante pé, e do meio do grupo oiço uma voz: «Ó miúdo, vai-te deitar!» E quem era essa pessoa? O Eusébio. Libertando-me assim daquela situação difícil, para quem chegava de novo. Senti-me protegido.”**.
A 15 de Outubro de 1972, numa visita ao campo do Barreirense, Shéu faz a estreia oficial pela equipa sénior. Aos 80 minutos de jogo, entrando para o lugar de Toni, o médio dava início a uma caminhada que apenas terminaria em 1989. Logicamente, e apesar de reconhecidas as suas capacidades, as oportunidades que teria durante esses primeiros anos seriam escassas. Só na temporada de 1975/76, com a chegada de Mário Wilson aos comandos da equipa, é que o seu paradigma começou a alterar-se.
A verdade é que a partir desse momento, o atleta conquistaria um lugar no “onze” do Benfica. Como titular absoluto, e conseguindo manter essa importância, Shéu tornar-se-ia num dos principais pêndulos da equipa. Sem nunca ser muito exuberante, era ele o jogador que tornava possíveis os necessários equilíbrios tácticos. Esse seu papel contribuiria muito para que o Benfica conseguisse conquistar um sem número de títulos. 9 Campeonatos, 6 Taças de Portugal e 2 Supertaças fazem parte do seu currículo.
Em termos internacionais, o seu percurso não é, de todo, vergonhoso. Apesar de nunca ter conseguido vencer uma competição europeia, o centrocampista pode gabar-se de ter marcado presença em duas finais. Na primeira, a final da Taça UEFA de 1982/83, o Benfica seria derrotado pelo Anderlecht. Ainda assim, nesse duplo embate com a equipa belga (1-0; 1-1), o golo conseguido na 2ª mão seria da sua autoria. Já em 1988, com Shéu a envergar a braçadeira de capitão, os “Encarnados” seriam derrotados no derradeiro jogo da Taça dos Campeões Europeus, desta feita, frente aos holandeses do PSV Eindhoven.
No que à selecção diz respeito, o seu percurso é algo curioso. Tendo em conta as diversas chamadas à equipa nacional (24) e ao seu estatuto de grande médio, é surpreendente que nunca tenha sido chamado a disputar a fase final de uma grande competição. É certo que durante o seu percurso de futebolista, Portugal raramente conseguiu qualificar-se para esse tipo de certames. As excepções seriam o Euro 84 e o Mundial de 1986. Ora, a ausência no torneio disputado no México, até pode ser justificada pela entrada na derradeira fase da sua carreira. Já para França, numa altura em que ainda estava na posse de todas as suas capacidades físico-tácticas, o seu afastamento é difícil de entender.
Em 1989, como já foi referido, Shéu decide pôr um fim ao seu percurso nos relvados. No entanto, a sua ligação ao Benfica manter-se-ia. Tendo concordado com a proposta do Presidente João Santos, o médio passaria a ocupar um lugar na estrutura directiva. Com excepção feita a duas aparições como treinador (1998/99 – treinador interino; 2007/08 – treinador-adjunto), o antigo jogador tem, desde então, cumprido as funções de Coordenador Técnico da “Águias”.
*retirado de “www.record.pt”, edição de 29/03/2014
**retirado de “www.relato.pt, “post” de 03/12/2016
**retirado de “www.relato.pt, “post” de 03/12/2016
728 - FERNANDO VAZ
Dividindo a sua meninice entre Angola, onde nasceu, Trás-os-Montes e Lisboa, seria na capital que, desde os seus 9 anos, a sua família decide fixar-se. Órfão de pai e com mais 3 irmãos, é na Casa Pia que Fernando Vaz encontra a solução para prosseguir a sua educação. Todavia, muito mais do que dar continuidade aos estudos, seria na instituição lisboeta que, ainda petiz, começa a dar os primeiros passos no futebol.
Apaixonado pela modalidade, é nas equipas escolares e, mais tarde, nas camadas jovens do clube que enceta o seu caminho como jogador. Ao ser descoberto pelo técnico Arthur John, que muito admirou as suas qualidades, Fernando Vaz, ainda adolescente, passa a fazer parte do plantel sénior do Casa Pia Atlético Clube. É aí, na principal equipa dos “Gansos”, que faz toda a carreira de futebolista. Participa na edição de 1938/39 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, para, na temporada seguinte, pôr um ponto final na sua vida de desportista.
Com 22 anos apenas, Fernando Vaz decide pôr de parte o futebol, para dar prioridade ao emprego como bancário. A ajuda que precisava dar à família, leva-o a tomar esta difícil decisão. Mas, mesmo afastado do rectângulo de jogo, a sua paixão pela modalidade não diminuía e, colaborando com o Jornal de Lisboa e com a revista Stadium, a ligação ao “jogo da bola” manter-se-ia. Já alguns anos depois, e numa altura em que estava sem emprego, recebe uma proposta de Cândido de Oliveira. O convite leva-o a desempenhar as funções de redactor no jornal A Bola e a cimentar a amizade entre os dois homens do futebol.
No desempenho das funções de jornalista, Fernando Vaz acabaria por chegar a Chefe de Redacção. Contudo, o seu conhecimento profundo do jogo, das suas tácticas e psicologias, leva a que Cândido de Oliveira decida apostar em si para o auxiliar no Sporting. Em Alvalade, naquele que era o clube do seu coração, começa uma carreira que, de muito rica, o levaria a passar por diversos emblemas nacionais. Belenenses, Caldas (onde é considerado um dos melhores que por lá passaram), Vitória de Guimarães, CUF, Sporting de Braga, Académica, Atlético, Beira-Mar ou Marítimo, são, entre outros, alguns dos emblemas que representaria.
Além dos já citados, houve outros emblemas que, porém, marcariam ainda mais a sua longa carreira de treinador. Podemos referir o FC Porto ou até a sua passagem pela Selecção Nacional. No entanto, há dois clubes que ficariam para sempre marcados no seu percurso. Um deles já aqui foi falado. No Sporting, Fernando Vaz acabaria por conseguir alguns dos seus maiores feitos. Primeiro, em 1969/70, venceria o Campeonato Nacional. Depois, e já na época seguinte, consegue conquistar a Taça de Portugal.
O emblema que aqui falta referir é o Vitória de Setúbal. Espalhadas por diversos períodos, as 10 temporadas passadas à frente dos “Sadinos”, fazem do clube o mais emblemático da sua carreira. Muito mais do que a longa ligação, o que Fernando Vaz realmente representa para o clube são os títulos conquistados durante a sua passagem. As Taças de Portugal de 1964/65 e 1966/67, adornadas ainda pela vitória na Taça Ribeiro dos Reis de 1968/69, são bem o exemplo da sua genialidade e competência.
Apaixonado pela modalidade, é nas equipas escolares e, mais tarde, nas camadas jovens do clube que enceta o seu caminho como jogador. Ao ser descoberto pelo técnico Arthur John, que muito admirou as suas qualidades, Fernando Vaz, ainda adolescente, passa a fazer parte do plantel sénior do Casa Pia Atlético Clube. É aí, na principal equipa dos “Gansos”, que faz toda a carreira de futebolista. Participa na edição de 1938/39 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, para, na temporada seguinte, pôr um ponto final na sua vida de desportista.
Com 22 anos apenas, Fernando Vaz decide pôr de parte o futebol, para dar prioridade ao emprego como bancário. A ajuda que precisava dar à família, leva-o a tomar esta difícil decisão. Mas, mesmo afastado do rectângulo de jogo, a sua paixão pela modalidade não diminuía e, colaborando com o Jornal de Lisboa e com a revista Stadium, a ligação ao “jogo da bola” manter-se-ia. Já alguns anos depois, e numa altura em que estava sem emprego, recebe uma proposta de Cândido de Oliveira. O convite leva-o a desempenhar as funções de redactor no jornal A Bola e a cimentar a amizade entre os dois homens do futebol.
No desempenho das funções de jornalista, Fernando Vaz acabaria por chegar a Chefe de Redacção. Contudo, o seu conhecimento profundo do jogo, das suas tácticas e psicologias, leva a que Cândido de Oliveira decida apostar em si para o auxiliar no Sporting. Em Alvalade, naquele que era o clube do seu coração, começa uma carreira que, de muito rica, o levaria a passar por diversos emblemas nacionais. Belenenses, Caldas (onde é considerado um dos melhores que por lá passaram), Vitória de Guimarães, CUF, Sporting de Braga, Académica, Atlético, Beira-Mar ou Marítimo, são, entre outros, alguns dos emblemas que representaria.
Além dos já citados, houve outros emblemas que, porém, marcariam ainda mais a sua longa carreira de treinador. Podemos referir o FC Porto ou até a sua passagem pela Selecção Nacional. No entanto, há dois clubes que ficariam para sempre marcados no seu percurso. Um deles já aqui foi falado. No Sporting, Fernando Vaz acabaria por conseguir alguns dos seus maiores feitos. Primeiro, em 1969/70, venceria o Campeonato Nacional. Depois, e já na época seguinte, consegue conquistar a Taça de Portugal.
O emblema que aqui falta referir é o Vitória de Setúbal. Espalhadas por diversos períodos, as 10 temporadas passadas à frente dos “Sadinos”, fazem do clube o mais emblemático da sua carreira. Muito mais do que a longa ligação, o que Fernando Vaz realmente representa para o clube são os títulos conquistados durante a sua passagem. As Taças de Portugal de 1964/65 e 1966/67, adornadas ainda pela vitória na Taça Ribeiro dos Reis de 1968/69, são bem o exemplo da sua genialidade e competência.
636 - ALBERTINO
No seu tempo de menino, nas ruas da cidade do Porto, chegou a partilhar a bola de trapos com o amigo Humberto Coelho. Já após percorrer as camadas jovens leixonenses, e certo que era como craque, Albertino acabaria por ganhar um lugar na equipa sénior de Matosinhos.
Com a estreia na temporada de 1968/69, a ocupar a posição de avançado, o seu crescimento como futebolista, do qual faria parte uma cedência ao Desportivo de Peniche, haveria de ser interrompido pelo Serviço Militar Obrigatório e pela Guerra Colonial. Destacado em Angola, acabaria por ser no Recreativo do Uíge que, fazendo o papel de treinador/jogador, daria continuidade à sua paixão desportiva.
Já após o 25 de Abril de 1974, Albertino regressaria a Portugal. Os dois anos que se seguiriam, sempre ao serviço do Leixões, acabariam por alimentar uma preciosidade na sua carreira. Ora, e se nos escalões de formação, na senda de um “namoro” com o FC Porto, tinha tentado mudar-se para os “Dragões”, o evoluir das suas habilidades alimentaria, ainda mais, esta “paixão”.
Por duas vezes tentar-se-ia uma transferência. Na primeira, pequenos detalhes afastariam Leixões e FC Porto de um acordo. Já da vez seguinte, seria o Boavista a intrometer-se no caminho. A mudança para o Bessa consumar-se-ia de uma forma curiosa. Após uma viagem à América do Sul, onde o FC Porto pediria “emprestado” o jogador ao Leixões, tudo parecia encaminhado para que Albertino vestisse de “Azul e Branco”. Contudo, na volta, Valentim Loureiro antecipar-se-ia a todos (Benfica e Sporting incluídos) e contrataria o atleta.
Seria de “Pantera” ao peito, que Albertino conseguiria afirmar-se como um jogador de topo. Logo na primeira metade dessa temporada de 1976/77, seria chamado às selecções nacionais. Primeiro com uma convocatória para as “Esperanças” e, logo de seguida, com duas partidas realizadas pelos “AA”, o atleta, ao serviço do Boavista, alcançaria o estatuto de internacional.
Ao fim de 3 épocas de “axadrezado”, e com uma Taça de Portugal (1978/79) no currículo, Albertino, finalmente, vê realizado o seu sonho de criança. A mudança para o FC Porto mostraria um atleta motivado, mas, de uma forma ou outra, preterido por outros colegas. Apesar de, raramente, ter sido uma primeira escolha, o que levaria Albertino a deixar o Estádio da Antas seria a chegada de Hermann Stessl e de um outro avançado – “Era o melhor marcador nos primeiros dez jogos do campeonato [1980/81]. Antes do jogo com o Benfica, no entanto, o F.C. Porto contratou o Mike Walsh para a vaga do Fernando Gomes, que tinha ido para o Gijon. O técnico resolveu, injustamente, tirar-me do onze. E acabou com a minha carreira no clube”*.
Segundo o próprio, seria o Marítimo, para onde se transferiria na temporada de 1982/83, que adiaria o fim planeado da sua vida no futebol. Ainda voltou, com início no Estarreja e passagens por Trofense, Sp. Covilhã (na 1ª divisão), Vila Real e Lousada, àquelas que são as rotinas de treinador. No entanto, o seu horizonte fixava-se noutra paixão. Tal como seu pai, o louvado Fernando Ventura Pereira, Albertino haveria de optar pelas “Belas Artes”. Acabaria por pôr o desporto de parte, dedicando-se com mestria às telas e pincéis. Hoje em dia, merece destaque como pintor.
* Retirado do artigo em www.maisfutebol.iol.pt, a 12 Janeiro de 2001
408 - VÍTOR MANUEL
Aquando da entrada na década de 1970, a Académica de Coimbra parecia querer habituar os seus adeptos à presença nas competições sob a alçada da UEFA. Para qualquer jovem em idade de formação, ver o seu emblema nessas altas andanças deve ter sido, pela certa, sinónimo de motivação extra. Com Vítor Manuel, que por altura da brilhante participação na da Taça dos Clubes Vencedores das Taças de 1969/70, pertencia ao escalão júnior dos "Estudantes", não deverá ter sido muito diferente [1].
Sénior a partir da temporada de 1971/72, Vítor Manuel ainda veria a sua "Briosa" atingir as provas europeias por mais uma vez. Contudo, na campanha referida no começo deste parágrafo, os planos desportivos para o jovem polivalente, que podia jogar a médio ou a defesa, afastá-lo-iam da equipa principal dos “Estudantes”, passando maior parte do tempo com os “reservas”. Tal razão faria com que nunca experimentasse a emoção de participar numa competição de índole continental. Porém, nem esse facto diminuiria a paixão sentida pelas camisolas da Académica. Alimentado por tal sentimento, envergaria as cores do emblema conimbricense durante uma década e a sua entrega à “Briosa”, tanto como futebolista, como noutras funções, haveriam de inscrevê-lo na história do clube.
Mesmo com um bom trajecto nos relvados, o mediatismo de que auferiria enquanto treinador dar-lhe-ia uma visibilidade muito própria. Com um estilo inconfundível, o “mister” Vítor Manuel incutiria às suas equipas um tom sublinhadamente aguerrido que, vezes sem conta, permitiriam aos colectivos por si orientados excederem-se, na tabela classificativa, para além do espectável. No entanto, apesar de muitas épocas como técnico-principal no escalão maior do futebol português, uma das suas grandes recordações, muitas vezes referida pelo próprio, reportar-se-ia à temporada de estreia nas funções de “timoneiro” e ao 4-4 que, à frente da Académica, conseguiria em Alvalade – "Foi um jogo emocionante, com aquele golo do Ribeiro, marcado de livre mesmo no final [aos 83 minutos], em que o Damas foi para um lado e a bola caiu devagar no canto da baliza. Impressionante, parece que estou a ver aquilo"*.
Depois de, por doença, ter feito um interregno no futebol, durante o qual o vimos no papel de comentador desportivo, Vítor Manuel, nos últimos anos tem andado mais por África. Aliás, seria ao serviço do 1º de Agosto, que o técnico português venceria o seu primeiro título, ou seja, a Taça de Angola.
Sénior a partir da temporada de 1971/72, Vítor Manuel ainda veria a sua "Briosa" atingir as provas europeias por mais uma vez. Contudo, na campanha referida no começo deste parágrafo, os planos desportivos para o jovem polivalente, que podia jogar a médio ou a defesa, afastá-lo-iam da equipa principal dos “Estudantes”, passando maior parte do tempo com os “reservas”. Tal razão faria com que nunca experimentasse a emoção de participar numa competição de índole continental. Porém, nem esse facto diminuiria a paixão sentida pelas camisolas da Académica. Alimentado por tal sentimento, envergaria as cores do emblema conimbricense durante uma década e a sua entrega à “Briosa”, tanto como futebolista, como noutras funções, haveriam de inscrevê-lo na história do clube.
Mesmo com um bom trajecto nos relvados, o mediatismo de que auferiria enquanto treinador dar-lhe-ia uma visibilidade muito própria. Com um estilo inconfundível, o “mister” Vítor Manuel incutiria às suas equipas um tom sublinhadamente aguerrido que, vezes sem conta, permitiriam aos colectivos por si orientados excederem-se, na tabela classificativa, para além do espectável. No entanto, apesar de muitas épocas como técnico-principal no escalão maior do futebol português, uma das suas grandes recordações, muitas vezes referida pelo próprio, reportar-se-ia à temporada de estreia nas funções de “timoneiro” e ao 4-4 que, à frente da Académica, conseguiria em Alvalade – "Foi um jogo emocionante, com aquele golo do Ribeiro, marcado de livre mesmo no final [aos 83 minutos], em que o Damas foi para um lado e a bola caiu devagar no canto da baliza. Impressionante, parece que estou a ver aquilo"*.
Depois de, por doença, ter feito um interregno no futebol, durante o qual o vimos no papel de comentador desportivo, Vítor Manuel, nos últimos anos tem andado mais por África. Aliás, seria ao serviço do 1º de Agosto, que o técnico português venceria o seu primeiro título, ou seja, a Taça de Angola.
*retirado do artigo publicado a 18 de Janeiro de 2003, em www.record.pt
[1] - mais de ma década após a publicação deste texto, encontrei alguma informação que contradiz o que aqui foi dito. Pelo dever de uma adenda, deixo-vos a carreira de Vítor Manuel corrigida: Tramagal Sport União (1968-69), Académica de Coimbra (1969 a 1979) - fonte (https://wikitejo.mediotejo.pt)
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