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1647 - CERQUEIRA


Com o Penafiel a militar nos desafios do 2º escalão, Gustavo Pinto Cerqueira, depois da integração no plantel sénior de 1976/77, ainda demoraria alguns anos até atingir os principais palcos do futebol luso. Aliás, essa campanha de 1980/81 não seria só de estreia para o jovem guarda-redes. Também o clube, na referida época, encetaria o seu trajecto entre os “grandes”. Curiosamente, numa temporada em que o treinador Luís Miguel, o grande obreiro dessa subida, seria, logo após a 5ª jornada, substituído por António Oliveira, os “Durienses” atingiriam a melhor classificação de sempre no Campeonato Nacional da 1ª divisão, o 10º posto da tabela classificativa. Quanto ao guardião, mesmo na condição de suplente de António Luz, daria o seu contributo para a manutenção e numa dezena de jornadas mostraria as qualidades que haveriam de fazer de si um dos ícones da colectividade.
Contrariamente à evolução até aí revelada, Cerqueira, na temporada de 1981/82, acabaria ofuscado pela concorrência a um lugar à baliza. Pior cenário surgiria no final da época, no qual, o Penafiel, envolvido nas pelejas da Liguilha, não conseguiria escapar à indesejada despromoção. Ainda assim, o afastamento do escalão primodivisionário não seria longo… Bem, em abono da verdade, o regresso do guardião à 1ª divisão ainda demoraria um pouco mais. Com o empréstimo ao Valonguense a obrigá-lo a manter-se no escalão secundário, a campanha de 1983/84 serviria, na sua essência, para que o jogador acrescesse traquejo ao seu caminho. Já de regresso ao Estádio Municipal 25 de Abril, o guarda-redes, embora na disputa do patamar máximo de 1984/85, ainda não revelaria capacidades suficientes para ultrapassar Trindade na luta por um lugar no “onze”. Ainda assim, a mudança de paradigma estava para próximo e a opção técnica a levá-lo à titularidade, começaria a revelar-se logo na campanha seguinte.
A excepção à possível hegemonia, aludida no final do parágrafo anterior, emergiria, após mais uma curta passagem pelo 2º escalão, na temporada de 1987/88. Com Amaral, como totalista do Penafiel, a ocupar um papel deveras importante no plantel, Cerqueira voltaria à condição de suplente. Tal não duraria para sempre e ainda com José Romão à frente dos “Durienses”, a temporada subsequente inverteria os papéis dos dois guarda-redes mencionados. No entanto, o atleta, apesar de manter o estatuto de preferido durante mais uma campanha, não deixaria de enfrentar, de seguida, uma forte concorrência pelo lugar. Naquele que viria a ser o maior período, ininterrupto, passado pelo clube na 1ª divisão, o guardião ainda teria de lidar com a presença de Quim ou do checoslovaco Jan Musil. Mesmo assim, a visão dos adeptos em relação à sua entrega não mudaria e as épocas a encaminhá-lo para o fim de uma senda dedicada, quase em exclusivo, à agremiação penafidelense, serviram para cimentar o guardião como um dos nomes históricos dos “Rubro-negros”.
Com duas dezenas de campanhas dedicadas aos seniores do clube, depois das provas agendadas para 1991/92 resultarem no adeus do atleta à conjuntura primodivisionária, a época de 1996/97 traduzir-se-ia pela despedida de Cerqueira, enquanto praticante, do Penafiel. Após uma derradeira temporada com as cores do Rebordosa, o antigo desportista passaria a dedicar-se às actividades de técnico. Já no papel de treinador de guarda-redes voltaria aos “Durienses” e, ao vincar uma fidelidade fora do vulgar, manter-se-ia pelo Estádio Municipal 25 de Abril por mais 24 temporadas consecutivas.

1475 - ROGÉRIO PIMENTA

Depois de passar pelos “escolas” do Gil Vicente, Rogério Pimenta terminaria o percurso formativo ao serviço dos juniores do Sporting de Braga. No entanto, o arranque das suas actividades no escalão sénior afastá-lo-ia da “Cidade dos Arcebispos” e após uma curta passagem pelo plantel de 1981/82 do Forjães, o defesa-esquerdo regressaria ao já mencionado emblema de Barcelos.
De volta aos “Galos” a partir da temporada de 1982/83, o atleta encontraria a equipa a disputar o 2º escalão. Com o Gil Vicente, por regra, a manter-se longe dos lugares de subida, o jogador ainda teria de esperar vários anos até conseguir encetar a sua caminhada no patamar máximo do futebol luso. A tal oportunidade surgiria na temporada de 1987/88 e após a transferência para o Desportivo de Chaves. Já em Trás-os-Montes, o defesa-esquerdo apanharia o emblema transmontano a atravessar a mais faustosa época do seu historial e como resultado do 5º lugar conquistado no Campeonato Nacional do ano anterior, Rogério Pimenta faria parte do grupo de trabalho com estreia marcada nas competições de âmbito continental.
Com o Desportivo de Chaves orientado por Raul Águas, Rogério Pimenta, mesmo tendo em conta a total inexperiência primodivisionária, depressa assumira um papel de relevância no plantel. Com os “Flavienses” integrados na edição de 1987/88 da Taça UEFA, o defesa-esquerdo, no seguimento da titularidade conquistada à 3ª jornada do Campeonato, acabaria chamado para o embate frente à Universitatea Craiova. Na ronda a opor os transmontanos à agremiação romena, o jogador apareceria no “onze” pensado para a 1ª mão, ajudando a afastar o conjunto do leste europeu. Na eliminatória seguinte, frente ao Hónved, mais uma vez participaria no embate, mas dessa feita, veria os húngaros a seguir em frente na prova.
Depois de 4 temporadas ao serviço do Desportivo de Chaves, durante as quais somaria 113 partidas disputadas na 1ª divisão, Rogério Pimenta regressaria a outra “casa” bem conhecida do seu trajecto desportivo. Com a entrada no Sporting de Braga a ocorrer na campanha de 1991/92, o defesa-esquerdo, ligeiramente mais inconstante em relação aos anos passados em Trás-os-Montes, ainda assim conseguiria registos bem positivos, mormente na segunda campanha com os “Guerreiros”.
Seguir-se-ia, no rol de emblemas representados por Rogério Pimenta durante o trajecto profissional, o Esposende de 1994/95. Mesmo de volta aos escalões secundários, o atleta, ainda assim, traria ao currículo momentos de enorme interesse. O primeiro desses capítulos emergiria com a subida da colectividade minhota à edição de 1998/99 da divisão de Honra. No entanto, o mais importante de todos os episódios chegaria na mesma temporada e com o clube, após eliminar o Boavista, a atingir as meias-finais da Taça de Portugal.
Com meia dúzia de campanhas a envergar as cores do Esposende, a colectividade, por razão das referidas 6 temporadas, viria a tornar-se na mais representativa da carreira do defesa-esquerdo. Depois de um ano sabático, mas ainda com força para dar continuidade ao percurso competitivo, o jogador rubricaria um contrato com o Fão. Já perto de completar 40 anos de idade, seria altura de Rogério Pimenta tomar outra decisão importante e com o termo da época de 2001/02, chegaria a altura de “pendurar as chuteiras”.

1348 - JOÃO LUIZ


Com a carreira sénior a iniciar-se no final da década de 1970, João Luiz chegaria a Portugal já como um atleta com muita experiência. Com os primeiros passos como profissional dados no Funilense, os anos a defender as cores do Independente de Limeira e do Guarani antecederiam a entrada no emblema que acabaria por catapultá-lo no futebol. No Inter de Limeira, onde na temporada de 1986 haveria de vencer o Campeonato Paulista, o jogador cimentar-se-ia como um lateral-direito de uma regularidade espantosa, bastante seguro a defender, sem quaisquer inibições ofensivas e dono de um remate fortíssimo.
Curiosamente, seria à custa das qualidades de outro futebolista que o defesa viajaria para a Europa. A história é muito simples! Com os “observadores” do Sporting a irem para o Brasil no intuito de avaliar um lateral-direito do Bahia, o jogo ao qual assistiriam acabaria por ser frente ao Inter de Limeira. Com a exibição de João Luiz a atingir níveis de excelência, os emissários do emblema lisboeta desviariam a sua atenção para o atleta do “Leão da Paulista”. O final da história já todos conhecem e o jogador natural de Cosmópolis seria apresentado como reforço da colectividade “alfacinha”.
Com a chegada a Lisboa a acontecer a meio da temporada de 1986/87, seria pela mão de Keith Burkinshaw que João Luiz conseguiria estrear-se com o listado verde e branco. Ao conquistar a titularidade ainda com o técnico inglês, também sob a alçada dos treinadores seguintes, excepção feita a Marinho Peres, o jogador haveria de manter-se como um dos nomes mais vezes inscrito no “onze” leonino. Essa preponderância tornar-se-ia essencial para os sucessos colectivos, nomeadamente para o único troféu conquistado durante a passagem do lateral por Portugal. Nessa disputa da Supertaça de 1987/88, em ambas as mãos, o defesa apresentar-se-ia no alinhamento inicial e viria a tornar-se num dos esteios da vitória do Sporting.
Com a ligação aos “Leões” a terminar com o fim da campanha de 1991/92, João Luiz, depois de realizar 150 jogos oficias pelo Sporting, regressaria ao seu país natal. De volta ao Brasil, contratado pelo Palmeiras, a sua passagem pelo Palestra Itália ficaria marcada pela vitória no “Estadual” Paulista de 1993. Seguir-se-iam a ligação ao XV de Piracicaba e a grave lesão no joelho que haveria de pôr um ponto final na sua caminhada desportiva. Após “pendurar as chuteiras”, criaria, com outros dois parceiros de profissão, um projecto de agenciamento de atletas. Posteriormente, ao afastar-se do futebol por largos anos, o antigo defesa passaria a dedicar-se às tarefas de Técnico de Segurança no Trabalho. Porém, a paixão pela “bola” levá-lo-ia a aceitar o convite dos velhos camaradas e a retornar à empresa por si fundada.

1150 - ZEZÉ GOMES


Descoberto no Cruzeiro de Belo Horizonte, Zezé Gomes mudar-se-ia para as camadas jovens do Fluminense para, rapidamente, ser chamado aos trabalhos da equipa principal. No entanto, a sua habilidade era inversamente proporcional ao sentido de responsabilidade. Apontado pela imaturidade, as tentações de uma cidade como o Rio Janeiro fariam com que o jovem atleta muitas vezes fugisse às responsabilidades enquanto atleta – “Titular do time de juniores, mais uma vez ele perdeu o horário de treino da manhã porque fora dormir de madrugada e não conseguiu levantar a tempo. Também era mestre em fugir da concentração: na volta, depois de uma boa noitada, bastava escalar o muro e pular a janela, que deixara apenas encostada”*.
Tais atitudes fariam com que os responsáveis pelos “Tricolores” decidissem ceder o médio-ofensivo ao Avaí. Já de volta às Laranjeiras, Zezé Gomes apresentar-se-ia ao grupo como um elemento mais responsável. A mudança comportamental levaria a que o atleta conseguisse, na plenitude das suas capacidades, dar um bom contributo à equipa. Dentro de campo passaria a apresentar-se como um futebolista de elevadas capacidades técnicas, com grande visão de jogo e até com um bom “faro” para o golo. No entanto, passados alguns anos após o regresso ao emblema carioca, os responsáveis pelo clube decidir-se-iam por novos “empréstimos”. Já com um Campeonato do Rio de Janeiro no currículo, seguiria para o Atlético Paranaense, onde também venceria o Estadual. Passaria ainda pelo América-RJ e, num interregno que o levaria até à primeira aventura em Portugal, envergaria as cores do Vitória de Guimarães.
A segunda experiência na Europa, já cedido a título definitivo, seria ao serviço do Sporting de Espinho. Depois das andanças em terras lusas na temporada de 1984/85, a entrada no plantel de 1987/88 dos “Tigres”, daria uma nova alma à caminhada de Zezé Gomes. Mesmo com uma primeira campanha discreta, daí em diante o médio brasileiro começaria a cotar-se como um bom intérprete do nosso Campeonato. Ainda assim, e depois de 2 épocas a disputar a 1ª divisão, a despromoção do conjunto da Costa Verde, levá-lo-ia, por alguns anos, a atravessar o patamar secundário.
União de Leiria, o regresso ao Sporting de Espinho e o Estrela da Amadora fariam parte desse trajecto pelo 2º escalão. Aliás, seria no emblema da Linha de Sintra que Zezé Gomes voltaria a provar a sensação das pelejas primodivisionárias. Na Reboleira, durante a temporada de 1993/94, o médio, ao retornar ao convívio dos “grandes”, jogaria pela última vez na 1ª divisão. Seguir-se-ia o Campomaiorense orientado por Manuel Fernandes e, numa carreira que terminaria em Portugal em meados dos anos 90, outros emblemas de menor monta.

*retirado do artigo de Hideki Takizawa, publicado em “Placar Magazine”, a 27/08/1982

1041 - SANTOS


Começando por destacar-se nas “escolas” do Brasília e nas selecções jovens do Distrito Federal, a sua evolução mostraria um atleta cheio de predicados. Veloz, com boa técnica e com extinto suficiente para, inúmeras vezes, conseguir destacar-se na tabela dos goleadores, a sua estreia nos seniores aconteceria, ainda com Marcílio Santos em idade júnior, no decorrer da campanha de 1981. Já os anos seguintes acabariam por mostrar um atleta bem adaptado à competição profissional. Como um dos pilares da equipa da capital, o avançado, entre 1982 e 1984, ajudaria à conquista de 3 campeonatos estaduais consecutivos. Aliás, a sua importância seria enorme. Para o aferir, ficaria também o registo de 23 golos e que levá-lo-ia a ganhar o título “regional” de Melhor Marcador.
Em 1984 dar-se-ia a sua mudança para o Vasco da Gama. Com uma estreia auspiciosa, na qual ajudaria a vencer a Taça Rio, a sua passagem pelo emblema fundado por portugueses acabaria aquém do esperado. No Rio de Janeiro deparar-se-ia com uma forte concorrência para as posições do sector ofensivo. Nem mesmo a sua polivalência, que permitia ao atleta jogar no centro ou nas alas do ataque, ser-lhe-ia favorável na hora de conquistar um lugar no “onze”. Com Roberto Dinamite, Mauricinho e um jovem Romário a colherem a preferência dos técnicos, Santos nunca conseguiria passar de escolha secundária. Ao fim de, sensivelmente, 2 anos e meio, o tal contexto levaria o futebolista a procurar novas oportunidades. Um curto empréstimo à Portuguesa de São Paulo precederia a sua primeira experiência no estrangeiro e a chegada a Portugal.
Santos acabaria por reforçar o plantel de 1987/88 do Sporting de Braga. Sendo um jogador habilidoso, a sua integração ocorreria com normalidade. Ao contrário do que tinha acontecido no Vasco da Gama, o avançado conseguiria impor-se como um dos atletas mais influentes do plantel bracarense. No Minho, mesmo com o colectivo a quedar-se por classificações de meio da tabela, o atacante disputaria 4 temporadas de bom nível. Tendo isso em conta, a sua mudança para o Desportivo de Chaves não deixaria de ser uma surpresa. Estranheza também emergiria com os seus desempenhos em Trás-Os-Montes. Aliás, essa campanha de cariz mais pobre tornar-se-ia na última disputada por si na 1ª divisão.
União de Leiria, Peniche e Naval 1º de Maio acabariam por preencher a segunda metade dos 10 anos passados pelo avançado em Portugal. No regresso ao Brasil, tempo ainda para, com as cores do Gama, conseguir amealhar outro título de Campeão do Distrito Federal. Seguir-se-iam, sempre no mesmo estado, o Guará e o Dom Pedro II. Seria mesmo nesse último emblema que, ao pôr um ponto final na sua caminhada como futebolista, tentaria iniciar a carreira de treinador. Apesar de não ter durado muito tempo a experiência como técnico, a sua ligação à modalidade manter-se-ia. Fundaria uma escola, a Cruzeirinho, e passaria a dedicar-se à formação de jovens talentos.

429 - REDONDO


Quando se completa a formação num dos históricos clubes portugueses e sendo o dito emblema um frequentador assíduo da 1ª divisão, é normal que o intérprete em causa ambicione fazer carreira no escalão maior. João Redondo não deve ter passado ao lado de tal sonho e o início da carreira sénior haveria de trazer isso mesmo ao mencionado praticante. Porém, cumprida a época de estreia na principal equipa da Académica de Coimbra, a “Briosa”, com o termo das provas agendadas para 1979/80, acabaria por ser despromovida. Arrastado para o escalão secundário, o defesa manter-se-ia fiel ao clube e durante os anos seguintes acabaria afastado do convívio com os “grandes”. Curiosamente, seria após ajudar os “Estudantes” a regressar aos principais palcos do futebol luso que, na temporada de 1984/85, passaria a representar a União de Coimbra. Seguir-se-ia o Beira-Mar e não fosse a paciência uma virtude e talvez o emblema aveirense também não tivesse sido a porta de regresso ao patamar máximo.
Com a chegada ao Estádio Mário Duarte a acontecer na campanha de 1985/86, a temporada de 1988/89 marcaria não só o retorno dos “Auri-negros” à 1ª divisão, como também o regresso de Redondo ao ambicionado contexto primodivisionário. Cumprido o objectivo inicial, o passo seguinte levaria o defesa a querer manter-se como titular no referido patamar e, nos anos seguintes, o jogador conservar-se-ia como um dos nomes com presença habitual no “onze” do Beira-Mar. Tal estatuto, meritoriamente auferido na colectividade sediada em Aveiro, daria ao atleta a oportunidade de ultrapassar a centena de partidas disputadas no escalão máximo, transformando-o, naturalmente, numa das figuras de maior relevo nas provas nacionais, na transição da década de 1980 para a de 1990.
Depois de 8 temporadas ao serviço do Beira-Mar, ao longo das quais a presença na final da Taça de Portugal de 1990/91 serviria como ponto mais alto, o jogador deixaria a agremiação aveirense. Ao ser apresentado como reforço do Tirsense para a época de 1993/94, o defesa, com a camisola dos “Jesuítas”, teria nas 2 campanhas seguintes as últimas na 1ª divisão. Finalmente, como derradeiro capítulo da sua caminhada competitiva, surgiria a Sanjoanense e o final de carreira com o encerramento da temporada de 1996/97.

368 - PACO FORTES

 
 
Após a normal passagem pela equipa "b" do FC Barcelona, Paco Fortes, um ano após a referida promoção ao escalão sénior, haveria de conseguir afirmar-se no grupo principal "Blaugrana". Com presença habitual na metade ofensiva do meio-campo, o seu jogo, pautado pela rapidez e, principalmente, pela garra imprimida em todas os lances, levá-lo-ia, nessa temporada de 1975/76 e numa partida frente à congénere romena, à primeira e única chamada à selecção principal espanhola.
Após o sucesso inicial, as temporadas seguintes trariam ao médio-ofensivo algumas dificuldades e depois do empréstimo ao Málaga na temporada de 1976/77, o regresso ao clube de origem, apenas permitiria a Paco Fortes a assiduidade no banco de suplentes. Ainda assim, seria nas derradeiras temporadas ao serviço do emblema catalão que Paco Fortes venceria dois dos mais importantes títulos da carreira como futebolista: a Taça do Rei de 1977/78 e a Taça dos Vencedores das Taças de 1978/79. No entanto, apesar do fim da ligação à equipa onde tinha completado o trajecto formativo, Paco Fortes continuaria a actuar ao mais alto nível no seu país, inclusive, sem nunca abandonar o mais importante escalão da La Liga. Seguir-se-iam o Espanyol e o Valladolid, conseguindo no último emblema aludido e frente à equipa do Atlético Madrid, a proeza de vencer a edição de 1983/84 Taça da Liga.
A suceder a conquista do título ainda agora referido, surgiria, provavelmente, a decisão que, na vida de Paco Fortes, viria a alterar a sua história no futebol. Com 29 anos, o jogador aceitaria o convite vindo de Portugal e mudar-se-ia para o Algarve. No sul do país a partir da campanha de 1984/85, o médio, resultado da garra patente no seu jogo, rapidamente conquistaria os adeptos do Farense e nos anos a representar o emblema do Sotavento ganharia o direito de envergar a braçadeira de capitão.
Ao fim de 5 temporadas a representar o Farense como futebolista e depois de decidir “pendurar as chuteiras”, A faceta de líder só poderia levá-lo a uma nova função: a de treinador. À frente do balneário dos “Leões” algarvios, Paco Forte encaminharia o emblema aos melhores momentos da sua centenária história. Nas tarefas de técnico durante uma década, cimentaria a equipa como uma das habituais na 1ª Divisão; levá-la-ia à disputa da final da Taça de Portugal de 1989/90; conseguiria a melhor classificação de sempre no Campeonato Nacional, a 5ª posição em 1994/95 e alcançaria, como consequência da honrosa prestação na prova de maior prestígio no calendário português, a qualificação para as provas sob a alçada da UEFA.
Com a queda do Farense em graves problemas financeiros, o treinador catalão abandonaria o clube. Depois de mais algumas experiências ao comando de outras equipas, também ele acabaria por entrar numa fase complicada da vida pessoal. Ao regressar a Barcelona, sem emprego, ver-se-ia mergulhado em sérias dificuldades monetárias, perdendo a casa onde residia. Após algum tempo a morar numa carrinha, seria a Agrupacíon Barça Veterans, uma associação criada para auxiliar antigos atletas do clube, a dar-lhe a mão. Felizmente, o auxílio chegaria em forma de um novo emprego e Paco Fortes não enjeitaria a oportunidade. A trabalhar no Porto de Barcelona como controlador, a antiga estrela do futebol espanhol e português, encontraria um rumo para a vida e voltou a recuperar aquilo que sempre o havia caracterizado, a paixão perante os desafios.

246 - JUARY


Todos têm memória do fenomenal golo de calcanhar concretizado por Madjer. Porém, será que caiu no esquecimento o remate certeiro de Juary, também a passe do argelino, e que na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1986/87, completou a reviravolta no marcador? Com certeza que não!
O mais engraçado é que Juary, por estar "tocado", começou o embate de Viena no banco de suplentes. Contudo, com o "placard" desfavorável de 1-0, o treinador Artur Jorge, logo a seguir ao intervalo, fez entrar o atacante para o lugar de Quim. O resultado de tal alteração não foi imediato. Bem perto do fim, a substituição surtiu o efeito desejado e, depois de, aos 78 minutos, ter feito a assistência para o primeiro golo, o avançado brasileiro empurrou a bola para o fundo das redes à guarda do belga Jean-Marie Pfaff e deu a vitória ao FC Porto.
Por certo, a saudosa noite de Viena tornou-se num dos melhores embates da sua vida enquanto futebolista profissional. A verdade é que a carreira do avançado começou muitos anos antes, no Santos. No emblema do Estado de São Paulo, fez parte dos "Meninos da Vila", nome dado ao inesquecível grupo de jovens formados na casa e que, no final dos anos de 1970, alinhou pelo emblema paulista. Na Vila Belmiro, bairro onde está instalado o clube, Juary aprendeu que não era necessário ser alto para conseguir ser um bom avançado. A sua perícia resultava de uma velocidade estonteante e de um jeito singular para aparecer na grande-área adversária. Peculiar era também a maneira como comemorava os golos. Juary ainda hoje é lembrado pelas voltas que dava agarrado à bandeirola de canto, sempre que acertava na baliza. E muitas vezes conseguiu fazê-lo! Tantas que os 101 golos concretizados ao serviço do emblema que também celebrizou Pelé, passaram a constituir um marco de que poucos podem orgulhar-se.
Depois da notoriedade ganha com as cores do Santos ter levado o avançado à selecção "canarinha", a Juary só faltava dar o "salto" até à Europa. Esse horizonte atingiu-o poucos anos depois e após uma passagem pelo México. Já em Itália, as boas exibições pelo Avellino conseguiram assegurar-lhe uma mudança para Milão. Porém, como próprio chegou a contar – "No Inter foi um ano para esquecer em termos de futebol, pois não consegui praticamente render nada. Aprendi muita coisa a nível humano, mas futebolisticamente nada"*. A solução para o desaire foi transferir-se, novamente, para clubes de menor monta. Passou as temporadas seguintes no Ascoli e na Cremonese e quando já equacionava o regresso ao Brasil, apareceu então uma oportunidade vinda de Portugal.
No FC Porto mostrou ainda saber da arte de atacar a baliza contrária. Na estreia no Campeonato Nacional, em pleno Estádio das Antas frente ao Benfica, marcou o primeiro tento pelos "Azuis e Brancos". Ainda no decorrer dessa temporada, a de 1985/86, num encontro para as competições europeias, fez um "hat-trick" contra o Barcelona. Todavia, por razão dos 2-0 consentidos na Catalunha e de mais 1 golo sofrido nessa segunda volta, os 3 remates certeiros não seriam suficiente para passar a referida eliminatória. Não serviram esses 3 golos, mas chegou o tal que, aos 80 minutos, derrotou o Bayern de Munique e que ainda hoje tem o jogador num lugar de destaque no coração de todos os portistas.

*retirado do artigo de Filipe Caetano, publicado a 01/11/2005, em https://maisfutebol.iol.pt

120 - QUIM

Apesar de formado nas “escolas” do FC Porto, onde, na temporada de 1975/76, conseguiu estrear-se pelos seniores, foi no Marítimo que Quim fez grande parte do seu trajecto como futebolista.
No emblema insular, onde é treinador de guarda-redes, as boas exibições do guardião deixaram saudades. No entanto, não foram essas 11 temporadas que, hoje, garantem a Quim um lugar nesta “colecção”. O tal episódio apareceu já mais para o final da sua carreira. Por essa altura representava o Beira-Mar, quando construiu esse singular momento. Digo singular e, no entanto, não sei se o atrevimento foi isolado. Todavia, o que tornou esse instante em algo único foi o facto de, até esse dia, eu nunca ter visto um guarda-redes marcar um golo!
Essa minha memória reporta-se à época de 1989/90. O jogo opunha a equipa de Aveiro ao Tirsense. Num pontapé de baliza a baliza, e com o intervalo quase à vista, Quim tornou-se num herói improvável. Resultado do acto afoito, o número 1 apareceu no “placard” do velhinho Estádio Mário Duarte e preencheu o quadrado correspondente ao conjunto da casa.