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1704 - ALFREDO MOREIRA

Natural da cidade de Setúbal, Alfredo Teixeira Moreira seria chamado aos trabalhos seniores do Vitória Futebol Clube no decorrer da temporada de 1957/58. Apesar de treinar com as estrelas dos “Sadinos”, a verdade é que o treinador uruguaio Humberto Buchelli, mesmo tendo em conta o potencial aferido ao defesa-central, só na campanha seguinte daria ao jovem praticante a oportunidade de fazer a estreia pelos homens a envergar o listado verde e branco. A partir desse momento, tirando raras excepções e tendo como parceiros no sector mais recuado jogadores como Polido, Manuel Joaquim, Galaz, Torpes ou Herculano, o atleta conseguiria manter-se como um dos elementos mais preponderantes da agremiação a actuar em casa no Campo dos Arcos.
A importância auferida, no colectivo por si representado, faria com que, na campanha de 1961/62, numa altura em que os “Sadinos” militavam na 2ª divisão, fosse um dos elementos escolhidos, por Filpo Nuñez, para disputar a derradeira partida da Taça de Portugal. No Estádio Nacional, a peleja frente ao Benfica não correria de feição para o seu lado. Todavia, apesar do desaire vivido no Jamor, a referida temporada, ao fim de dois anos afastado dos palcos principais do futebol português, representaria também a subida de escalão. Já de regresso ao convívio com os “grandes”, Alfredo Moreira passaria a destacar-se como um dos melhores atletas, da sua posição, a actuar no contexto competitivo luso e, tamanho destaque, levá-lo-ia a ser cobiçado por emblemas de outra monta.
Com a cotação em alta, o defesa-central, na campanha de 1963/64, seria apresentado como reforço do Sporting Clube de Portugal. Mesmo não tendo, à chegada a Alvalade, alcançado a titularidade de forma incontestável, as suas exibições dar-lhe-iam, para além da participação nas rondas planeadas para o Campeonato Nacional, o direito de disputar as eliminatórias da Taça dos Vencedores das Taças. Nos desafios de índole continental, ainda sob a alçada técnica de Gentil Martins, o atleta alinharia, em 3 partidas da mencionada prova, frente ao APOEL de Chipre e com o Manchester United. Como resultado de tais contendas, numa caminhada em que não participaria na final ou na finalíssima de Antuérpia, Alfredo Moreira, face ao triunfo dos “Leões” com o MTK Budapeste, veria o seu nome incluído no rol de personalidades triunfantes na competição organizada pela UEFA e entraria, de forma meritória, para o rol de notáveis a colorir a história dos “Verde e Brancos”.
Já a temporada de 1964/65, em termos individuais, terá sido uma das melhores da carreira do defesa-central. Para a apreciação por fim feita, em muito contribuiria a titularidade alcançada no Sporting. Ainda assim, não querendo menosprezar tal facto, haveria de surgir outro episódio que, durante a referida época, catapultaria o jogador para um patamar bem superior. Ao nunca ter tido a oportunidade de, em qualquer escalão, envergar a “camisola das quinas”, o dia 24 de Junho de 1965, alteraria essa conjuntura. Chamado por Manuel da Luz Afonso e orientado em campo por Otto Glória, a aludida data serviria de ocasião para a sua estreia na principal equipa de Portugal e a partida disputada na cidade do Porto, frente ao Brasil, entregar-lhe-ia, ao currículo profissional, 1 internacionalização “A” com as cores lusas.
Quando tudo apontava para Alfredo Moreira como um dos esteios do Sporting, uma grave lesão, contraída praticamente no encetar da época de 1965/66, deitaria abaixo muita dessa certeza. Já recuperado, mas definitivamente ultrapassado pela dupla composta por José Carlos e por Alexandre Baptista, o defesa-central jamais recuperaria a titularidade. Aliás, do incidente físico em diante, pouco mais jogaria na equipa principal leonina e após cumprir longos períodos nas “reservas” dos “Verde e Brancos”, o atleta, no termo da temporada de 1967/68, deixaria Alvalade para partir em direcção a Setúbal.
De regresso ao Vitória Futebol Clube na campanha de 1968/69, Alfredo Moreira, ao cumprir as 2 derradeiras épocas da carreira, instalar-se-ia, nas disputas primodivisionárias, como um dos principais actores da equipa. A trabalhar na intendência de Fernando Vaz, o defesa-central transformar-se-ia num dos esteios da agremiação setubalense e no escrever daquele que terá sido o capítulo mais faustoso da história do colectivo sediado no Bonfim, o jogador também daria um enorme contributo para as brilhantes participações internas e além-fronteiras. Nesse contexto resplandecente, surgiria o 3º lugar no Campeonato Nacional de 1969/70. Porém, o grande destaque emergiria da participação na Taça das Cidades com Feira, com o atleta, ao entrar em campo em ambas as edições da prova, a inscrever o seu nome na chegada do emblema português aos quartos-de-final de 1968/69 e, no ano seguinte, aos oitavos-de-final da competição.

1321 - HERNÂNI

Começaria por bilhar nos escalões de formação do Recreio de Águeda, de onde iria prestar provas ao Benfica e à Académica de Coimbra. Em ambos os emblemas, inclusive na colectividade lisboeta de quem se diz ter sido adepto, seria recusado. Algum tempo depois, muito por custa da habilidade com a bola, velocidade, passos certeiros e fintas estonteantes, acabaria por ingressar nos seniores do FC Porto. A estreia na equipa principal, na temporada de 1950/51, aconteceria à 19ª jornada do Campeonato Nacional e já depois da substituição do romeno Anton Vogel pelo treinador húngaro Gencsi Deseo. Daí em diante, Hernâni dedicar-se-ia de corpo e alma à formação da “Cidade Invicta” e por raras vezes vestiria as cores de outras agremiações.
Uma dessas excepções ocorreria por razão do Serviço Militar Obrigatório, o que levaria o atleta até Lisboa e ao cumprimento da época de 1952/53 com as cores do Estoril Praia. As outras ocasiões surgiriam nas habituais, à altura, cedências a outros emblemas por altura das digressões ao estrangeiro ou em particulares disputados com emblemas forasteiros. Nesse sentido, Hernâni acabaria por vestir as camisolas do Sporting e a do Nacional da Madeira, respectivamente numa tournée ao Brasil em Junho de 1953 e num “amigável” frente ao Deportivo Las Palmas.
Obviamente, Hernâni também brilhou com as cores de Portugal. Para além da presença na equipa “B” ou a ilustre passagem pela Selecção Militar, na qual seria de fulcral importância para a vitória lusa no Torneio Internacional Militar de 1958, o atacante viria a representar o conjunto principal. A estreia do atleta com a mais importante “camisola das quinas” aconteceria, pela mão de Salvador do Carmo, a 22 de Novembro de 1953. Esse “particular” frente à África do Sul, durante o qual um golo seu ajudaria à vitória por 3-1, encetaria uma longa caminhada e que coloriria a sua carreira com um somatório de 28 internacionalizações “A”.
Claro está que os maiores louvores, conseguidos durante o percurso competitivo, recebê-los-ia ao serviço dos “Dragões”. Muito para além das 332 partidas oficiais e dos 187 golos concretizados, por si bem demonstrativos do seu valor, houve outros momentos a sublinhar a sua importância. Tendo começado a jogar como interior-direito ou extremo para, numa fase mais adiantada da carreira, passar a actuar no miolo do terreno de jogo, Hernâni seria um dos pilares na conquista da “dobradinha” de 1955/56, na vitória na Taça de Portugal de 1957/58 e no triunfo da edição de 1958/59 do Campeonato Nacional. Por tudo isso, assumir-se-ia, ao lado de José Maria Pedroto, como um dos melhores elementos do plantel “azul e branco”, durante as décadas de 1950 e no início dos anos de 1960. A melhor prova dessa monta chegaria com o respeito dos colegas, com a inquestionável admiração dos adeptos e pela entrega da braçadeira de capitão ao seu cuidado.
Depois de retirado das actividades de futebolista, Hernâni Ferreira da Silva passaria a dedicar-se a dinamismos noutras áreas de ocupação. Apesar de ainda ter regressado ao FC Porto na condição de dirigente, seria à frente dos seus negócios como industrial e no comércio que o antigo desportista abraçaria o sucesso.

1201 - MANUEL CAMBALACHO

Ao nascer no íntimo de uma família com forte tradições no futebol nacional, sobrinho de Octávio Cambalacho e Osvaldo Cambalacho, a escolha do jovem Manuel pelo “jogo da bola”, a poucos haveria de surpreender. Depois de entrar para as “escolas” do Seixal Futebol Clube, emblema da sua e da terra natal dos aludidos tios maternos, a evolução do atacante logo deixaria destapar um intérprete de boas qualidades. Tal facto, após escalar alguns degraus no crescimento enquanto atleta, seria aferido pela chamada à selecção de juniores da Associação de Futebol de Setúbal. Porém, com o conjunto sediado no Campo do Bravo a militar nos escalões secundários, a sua promoção à equipa principal afastá-lo-ia, durante alguns anos, dos principais palcos do desporto português.
Com os emblemas da Margem Sul a alimentarem a sua preponderância no contexto competitivo nacional, o Seixal haveria de “apontar baterias” a objectivos de monta maior. Nesse sentido, a temporada de 1961/62, com Manuel Cambalacho a sublinhar a sua importância na linha ofensiva do clube, traria o primeiro grande troféu aos escaparates da agremiação e, por conseguinte, ao palmarés do avançado. A edição de estreia da Taça Ribeiro dos Reis, com o extremo-direito a titular, encaminharia o clube para o derradeiro desafio da competição. Numa partida disputada no Estádio do Restelo, os “Rapazes do Bravo” bateriam, por 4-2, os transmontanos do Vila Real e atravessariam o Rio Tejo na posse do recém-criado troféu.
Já na temporada de 1962/63, o Seixal viveria um dos episódios mais importantes da sua existência. Depois de terminar o campeonato no posto cimeiro da Zona Sul da 2ª divisão, a posição na tabela classificativa traduzir-se-ia pela subida de escalão. Com a colectividade e o atacante a estrearem-se no patamar maior, as exibições de Manuel Cambalacho haveriam de receber rasgados elogios. Como um dos titulares e ao marcar presença em 21 jornadas, o extremo tornar-se-ia num dos pilares da dura luta pela manutenção. Conseguida a permanência, o desafio traçado para 1964/65 terminaria de forma antagónica ao da campanha anterior e a descida tornar-se-ia numa fatal inevitabilidade. Ainda assim, momentos houve dignos de figurar, pelo menos, como uma curiosidade. Numa das piores prestações colectivas do ano, a goleada sofrida no Estádio da Luz por 11-3, numa campanha em que o Benfica sofreria apenas 8 golos “caseiros”, destacaria o avançado pelos 2 remates certeiros.
Numa vida dedicada ao Seixal Futebol Clube, o avançado, após terminar a caminhada de futebolista, continuaria ligado ao emblema. Durante vários anos dedicar-se-ia às responsabilidades de dirigente, às tarefas de treinador nas camadas jovens e fundaria a equipa de veteranos. Fora dos estádios, faria parte do elenco da Rádio Baía, como comentador desportivo. Para terminar, impossível não fazer referência às homenagens. Primeiro, o galardão entregue pela Federação Portuguesa de Futebol, que premiaria a totalidade de uma carreira competitiva sem punições. Por fim, a distinção da Câmara de Municipal do Seixal que, em 1996, entregaria a Manuel Cambalacho a medalha de Mérito Desportivo.