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1704 - ALFREDO MOREIRA

Natural da cidade de Setúbal, Alfredo Teixeira Moreira seria chamado aos trabalhos seniores do Vitória Futebol Clube no decorrer da temporada de 1957/58. Apesar de treinar com as estrelas dos “Sadinos”, a verdade é que o treinador uruguaio Humberto Buchelli, mesmo tendo em conta o potencial aferido ao defesa-central, só na campanha seguinte daria ao jovem praticante a oportunidade de fazer a estreia pelos homens a envergar o listado verde e branco. A partir desse momento, tirando raras excepções e tendo como parceiros no sector mais recuado jogadores como Polido, Manuel Joaquim, Galaz, Torpes ou Herculano, o atleta conseguiria manter-se como um dos elementos mais preponderantes da agremiação a actuar em casa no Campo dos Arcos.
A importância auferida, no colectivo por si representado, faria com que, na campanha de 1961/62, numa altura em que os “Sadinos” militavam na 2ª divisão, fosse um dos elementos escolhidos, por Filpo Nuñez, para disputar a derradeira partida da Taça de Portugal. No Estádio Nacional, a peleja frente ao Benfica não correria de feição para o seu lado. Todavia, apesar do desaire vivido no Jamor, a referida temporada, ao fim de dois anos afastado dos palcos principais do futebol português, representaria também a subida de escalão. Já de regresso ao convívio com os “grandes”, Alfredo Moreira passaria a destacar-se como um dos melhores atletas, da sua posição, a actuar no contexto competitivo luso e, tamanho destaque, levá-lo-ia a ser cobiçado por emblemas de outra monta.
Com a cotação em alta, o defesa-central, na campanha de 1963/64, seria apresentado como reforço do Sporting Clube de Portugal. Mesmo não tendo, à chegada a Alvalade, alcançado a titularidade de forma incontestável, as suas exibições dar-lhe-iam, para além da participação nas rondas planeadas para o Campeonato Nacional, o direito de disputar as eliminatórias da Taça dos Vencedores das Taças. Nos desafios de índole continental, ainda sob a alçada técnica de Gentil Martins, o atleta alinharia, em 3 partidas da mencionada prova, frente ao APOEL de Chipre e com o Manchester United. Como resultado de tais contendas, numa caminhada em que não participaria na final ou na finalíssima de Antuérpia, Alfredo Moreira, face ao triunfo dos “Leões” com o MTK Budapeste, veria o seu nome incluído no rol de personalidades triunfantes na competição organizada pela UEFA e entraria, de forma meritória, para o rol de notáveis a colorir a história dos “Verde e Brancos”.
Já a temporada de 1964/65, em termos individuais, terá sido uma das melhores da carreira do defesa-central. Para a apreciação por fim feita, em muito contribuiria a titularidade alcançada no Sporting. Ainda assim, não querendo menosprezar tal facto, haveria de surgir outro episódio que, durante a referida época, catapultaria o jogador para um patamar bem superior. Ao nunca ter tido a oportunidade de, em qualquer escalão, envergar a “camisola das quinas”, o dia 24 de Junho de 1965, alteraria essa conjuntura. Chamado por Manuel da Luz Afonso e orientado em campo por Otto Glória, a aludida data serviria de ocasião para a sua estreia na principal equipa de Portugal e a partida disputada na cidade do Porto, frente ao Brasil, entregar-lhe-ia, ao currículo profissional, 1 internacionalização “A” com as cores lusas.
Quando tudo apontava para Alfredo Moreira como um dos esteios do Sporting, uma grave lesão, contraída praticamente no encetar da época de 1965/66, deitaria abaixo muita dessa certeza. Já recuperado, mas definitivamente ultrapassado pela dupla composta por José Carlos e por Alexandre Baptista, o defesa-central jamais recuperaria a titularidade. Aliás, do incidente físico em diante, pouco mais jogaria na equipa principal leonina e após cumprir longos períodos nas “reservas” dos “Verde e Brancos”, o atleta, no termo da temporada de 1967/68, deixaria Alvalade para partir em direcção a Setúbal.
De regresso ao Vitória Futebol Clube na campanha de 1968/69, Alfredo Moreira, ao cumprir as 2 derradeiras épocas da carreira, instalar-se-ia, nas disputas primodivisionárias, como um dos principais actores da equipa. A trabalhar na intendência de Fernando Vaz, o defesa-central transformar-se-ia num dos esteios da agremiação setubalense e no escrever daquele que terá sido o capítulo mais faustoso da história do colectivo sediado no Bonfim, o jogador também daria um enorme contributo para as brilhantes participações internas e além-fronteiras. Nesse contexto resplandecente, surgiria o 3º lugar no Campeonato Nacional de 1969/70. Porém, o grande destaque emergiria da participação na Taça das Cidades com Feira, com o atleta, ao entrar em campo em ambas as edições da prova, a inscrever o seu nome na chegada do emblema português aos quartos-de-final de 1968/69 e, no ano seguinte, aos oitavos-de-final da competição.

1606 - MÁRIO TORRES

Podendo também posicionar-se a lateral ou como “trinco”, seria como defesa-central que Mário Torres mais conseguiria destacar-se. Ao chegar a Portugal, muito novo, vindo da cidade angolana de Nova Lisboa, actual Huambo, o jovem jogador, cuja meta principal da viagem eram os estudos, passaria a integrar a equipa de juniores da Académica de Coimbra. Logo nessa temporada de 1949/50 ajudaria os “Estudantes” a vencer o Campeonato Nacional da categoria e, ao subir à categoria principal na campanha seguinte, depressa conseguiria afirmar-se como uma das principais figuras da colectividade sediada na Beira Litoral.
Orientado na estreia como sénior pelo argentino Oscar Tellechea, Mário Torres, sem demonstrar qualquer temor pelas pelejas primodivisionárias, logo viria a consolidar-se como um dos homens mais utilizados no plantel. Tal estatuto levá-lo-ia, com grande naturalidade, à presença na final da edição de 1950/51 da Taça de Portugal. Ao lado de Capela, Bentes, Melo, Azeredo, entre outros, o jogador entraria no Estádio Nacional para defrontar o Benfica orientado por Ted Smith. Mesmo tendo a “Briosa” começado o desafio praticamente a vencer, o golo de Macedo seria insuficiente para derrotar as “Águias” e um “poker” de Rogério de Carvalho serviria para cimentar a vitória por 5-1, com que os “Encarnados” sairiam do Jamor.
Seguir-se-iam diversos anos como figura maior dos combates futebolísticos no escalão máximo português. Aliás, seria a dupla que, durante largos anos, haveria de fazer com Mário Wilson, a oferecer um dos grandes esteios de uma Académica de Coimbra consolidada entre os “grandes”. Nessa caminhada, numa altura em que “Velho Capitão” já tinha deixado as lides de futebolista para passar a comandar os “Estudantes”, a 4ª posição conquistada na tabela classificativa da edição de 1964/65 do Campeonato Nacional surgiria como um recorde para a colectividade conimbricense.
Para além desses registos colectivos, emergiriam as distinções pessoais. Um dos melhores prémios que receberia pelas excelsas exibições conseguidas ao serviço da “Briosa” surgiria a 22 de Dezembro de 1957. Nesse dia, na cidade de Milão, Mário Torres, pela primeira vez na carreira, seria laureado com a honra de envergar a principal “camisola das quinas”. Chamado à peleja frente a Itália pelo seleccionador José Maria Antunes, o atleta encetaria em San Siro uma caminhada que o levaria a outras chamadas à equipa nacional. No trajecto por Portugal entraria em campo em outras 4 ocasiões e somaria, desse modo, um total de 5 internacionalizações “A”.
No que diz respeito à Académica de Coimbra, a juntar às prestações dentro de campo, há igualmente que destacar Mário Torres como a verdadeira personificação da mítica figura do jogador/estudante. Nesse contexto, paralelamente ao futebol, o defesa-central jamais descuraria os estudos e chegaria a licenciar-se em Medicina ainda na condição de atleta. Depois viria a especialização em Genecologia e um trajecto que o levaria, anos após “pendurar as chuteiras”, a Director da Maternidade dos Hospitais da Universidade de Coimbra. No que diz respeito aos registos conseguidos com as cores dos “Estudantes”, há a sublinhar as 16 épocas, sempre na 1ª divisão, ao serviço do clube e os 373 jogos oficiais cumpridos pela agremiação beirã, 320 dos quais nas lutas primodivisionárias.

1524 - ROCHA

Nascido em Macau, seria na antiga região sob a administração portuguesa que Augusto Rocha começaria a praticar futebol. Com a entrada no Rubro Negro na temporada de 1952/53, seria já como membro integrante do plantel de 1953/54 do Sporting de Macau que o ágil avançado começaria a chamar a atenção dos seguidores da modalidade. No entanto, o momento crucial na viragem da sua carreira chegaria num encontro em que, por razão da chamada à selecção do território referido no começo deste parágrafo, haveria de defrontar Hong Kong. Com uma exibição magistral, o jovem praticante, louvado pela imprensa, passaria a ser cobiçado pelo Benfica e pelo Desportivo de Lourenço Marques. Porém, seria o Sporting Clube de Portugal, após a intervenção do seu antigo atleta e também macaense António da Conceição, a convencer o jogador.
Em Lisboa, apesar do enorme potencial apresentado, a verdade é que Rocha não conseguiria impor-se no “onze” leonino. Depois de passar a campanha de 1954/55 nas “reservas”, a época seguinte também não seria pródiga. Ao estrear-se na equipa principal do Sporting pela mão de Alejandro Scopelli, o atacante ver-se-ia ultrapassado nas escolhas do treinador “verde e branco” por outros colegas. Ainda assim, as suas qualidades levariam os responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol a olhar para si como um bom elemento para reforçar as equipas a envergar a “camisola das quinas”. Nesse sentido, ainda no decorrer da segunda temporada no Lumiar, o jogador viria a estrear-se pelo conjunto “B” de Portugal. Essa primeira partida encaminhá-lo-ia, nos anos vindouros, para outras chamadas. À equipa “A” chegaria pela mão de José Maria Antunes, num encontro disputado frente a Espanha, a 13 de Abril de 1958. Daí em diante começaria a somar jogos, tanto pelos “esperanças”, como pelo grupo principal, acumulando, no agregado de todas as aparições com as cores lusas, um total de 11 internacionalizações.
Já como atleta da Académica de Coimbra, a mudança de Rocha para a “Cidade dos Estudantes” na temporada de 1956/57, viria a modificar radicalmente a sua carreira. Tendo rapidamente conquistado um lugar de realce no seio do plantel, o avançado passaria a assegurar um lugar no rol dos habituais titulares. Nesse contexto, o atleta tornar-se-ia num dos pilares de uma das épocas áureas da história da colectividade conimbricense, colaborando, a exemplo, para a chegada ao 2º posto da tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão de 1966/67. Igualmente, no que diz respeito a momentos inolvidáveis, o atacante também participaria nas campanhas de 1966/67 e de 1968/69 da Taça de Portugal, as quais levariam a “Briosa” até ao derradeiro desafio da competição. Em ambas as aludidas edições, o jogador marcaria presença no relvado do Jamor. No entanto, a sorte nunca sorriria ao seu lado e nas duas pelejas, o troféu seguiria na posse, respectivamente, do Vitória Futebol Clube e do Benfica.
Todavia, não só dos momentos mencionados no parágrafo anterior viveria a caminhada desportiva de Augusto Rocha. Para além do já relatado, contariam também as 15 campanhas consecutivas realizadas pelo jogador ao serviço da Académica e a braçadeira de capitão tantas vezes envergada. Nessa década e meia, o avançado, sem nunca deixar a 1ª divisão, somaria ao currículo pessoal um total de 304 contendas disputadas naquele que é o escalão máximo português e tal número torná-lo-ia num dos nomes como mais partidas cumpridas, pelo conjunto de Coimbra, na prova de maior monta do calendário futebolístico luso.

1398 - CALHAU

Ao longo destes mais de 13 anos de existência do “blog”, deparei-me com “cromos” muito difíceis. Encontrei-me, logicamente em sentido figurado, com futebolistas, como aquele que hoje aqui apresento, cuja carreira é um verdadeiro mistério. Sem excepção, todos esses árduos trabalhos tiveram, inevitavelmente, o condão de transportar a minha ideia para o dia em que a decisão tomada fez-me querer escrever a biografia do antigo atleta do Lusitano de Évora, José Maria. Desnecessário será dizer que a apoquentação sentida com a materialização dessa opção foi tremenda. No entanto, agora entendo o exagero da tal angústia, pois a figura que escolhi para este dia, no tempo despendido à pequena investigação e leituras prévias à elaboração dos textos aqui apresentados, logo tratou de sublinhar o avançado acima referido como uma demanda bem simples!
Iniciemos a exposição…
Escolhi para publicar, como a colorida estampa já destapou, Calhau. Posso já começar por dizer-vos que nada mais sei sobre a identificação do atleta. Não conheço o seu nome completo, nem sequer se a denominação apresentada no cromo, pondo já de parte tratar-se de um nome próprio, faz referência a uma qualquer alcunha ou ao apelido a transportar-nos para a filiação. Por outro lado, penso que consegui apurar, segundo o que retirei de algumas fontes, a data de nascimento! O que li diz-me que o jogador terá nascido a 2 de Agosto de 1943. Com isto, acredito que, por esta altura, já estareis a perguntar! Então, sabes o dia do aniversário e não conheces mais nada sobre a pessoa?! Não é bem assim…
A explicação para a pergunta que, hipoteticamente, podereis estar a fazer, está relacionada com uma das poucas conjunturas competitivas que descobri sobre o futebolista. Aliás, foi esse cenário que fez nascer em mim a vontade de explorar a sua carreira. O contexto é o do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961, disputado em Portugal e que levaria a jovem “equipa das quinas” à conquista do troféu. Como agora é fácil de adivinhar, Calhau, pelas boas indicações dadas enquanto praticante a envergar as cores da Sanjoanense, foi um dos elementos escolhidos pelo seleccionador David Sequerra para fazer parte do grupo de trabalho que, às ordens de José Maria Pedroto, acabou a participar no mencionado certame. Outra informação que consegui obter foi a de que o médio – aí está outro dado de relevância – nunca terá tido a oportunidade de cumprir, no desenovelar da vitoriosa caminhada, qualquer minuto em campo.
Bom… Está praticamente a esgotar-se tudo o que consigo afiançar (é melhor desconfiarem deste termo) sobre o futebolista. Que mais há a revelar? Uma das coisas que também li, é que Calhau, em data que não consegui descortinar com precisão, mas que a lógica leva-me a dizer que terá acontecido em tempos raianos à disputa do torneio sob a alçada da entidade maior do futebol europeu, chegou a ser chamado à selecção de juniores do norte, para participar numa peleja frente à congénere do sul. Terá o encontro servido de uma espécie de audição e de possível triagem para a formação do grupo que entrou no certame de 1961? Não faço a mínima ideia!
Claro está que falta dar-vos a informação que tirei do cromo que, de alguma forma, enceta esta publicação. Pela colecção a que pertence a figura, partindo do princípio que não há qualquer erro nesta associação, Calhau terá chegado à principal equipa da Sanjoanense. Referindo-se a estampa, tal como outra que faz parte do meu espólio, à temporada de 1963/64, então deverei concluir que o atleta terá participado na Zona Norte do Campeonato Nacional da 2ª divisão, campanha que a agremiação sediada no distrito de Aveiro terá terminado na 11ª posição da tabela classificativa.
Mais?! Deixo para os especialistas!

1321 - HERNÂNI

Começaria por bilhar nos escalões de formação do Recreio de Águeda, de onde iria prestar provas ao Benfica e à Académica de Coimbra. Em ambos os emblemas, inclusive na colectividade lisboeta de quem se diz ter sido adepto, seria recusado. Algum tempo depois, muito por custa da habilidade com a bola, velocidade, passos certeiros e fintas estonteantes, acabaria por ingressar nos seniores do FC Porto. A estreia na equipa principal, na temporada de 1950/51, aconteceria à 19ª jornada do Campeonato Nacional e já depois da substituição do romeno Anton Vogel pelo treinador húngaro Gencsi Deseo. Daí em diante, Hernâni dedicar-se-ia de corpo e alma à formação da “Cidade Invicta” e por raras vezes vestiria as cores de outras agremiações.
Uma dessas excepções ocorreria por razão do Serviço Militar Obrigatório, o que levaria o atleta até Lisboa e ao cumprimento da época de 1952/53 com as cores do Estoril Praia. As outras ocasiões surgiriam nas habituais, à altura, cedências a outros emblemas por altura das digressões ao estrangeiro ou em particulares disputados com emblemas forasteiros. Nesse sentido, Hernâni acabaria por vestir as camisolas do Sporting e a do Nacional da Madeira, respectivamente numa tournée ao Brasil em Junho de 1953 e num “amigável” frente ao Deportivo Las Palmas.
Obviamente, Hernâni também brilhou com as cores de Portugal. Para além da presença na equipa “B” ou a ilustre passagem pela Selecção Militar, na qual seria de fulcral importância para a vitória lusa no Torneio Internacional Militar de 1958, o atacante viria a representar o conjunto principal. A estreia do atleta com a mais importante “camisola das quinas” aconteceria, pela mão de Salvador do Carmo, a 22 de Novembro de 1953. Esse “particular” frente à África do Sul, durante o qual um golo seu ajudaria à vitória por 3-1, encetaria uma longa caminhada e que coloriria a sua carreira com um somatório de 28 internacionalizações “A”.
Claro está que os maiores louvores, conseguidos durante o percurso competitivo, recebê-los-ia ao serviço dos “Dragões”. Muito para além das 332 partidas oficiais e dos 187 golos concretizados, por si bem demonstrativos do seu valor, houve outros momentos a sublinhar a sua importância. Tendo começado a jogar como interior-direito ou extremo para, numa fase mais adiantada da carreira, passar a actuar no miolo do terreno de jogo, Hernâni seria um dos pilares na conquista da “dobradinha” de 1955/56, na vitória na Taça de Portugal de 1957/58 e no triunfo da edição de 1958/59 do Campeonato Nacional. Por tudo isso, assumir-se-ia, ao lado de José Maria Pedroto, como um dos melhores elementos do plantel “azul e branco”, durante as décadas de 1950 e no início dos anos de 1960. A melhor prova dessa monta chegaria com o respeito dos colegas, com a inquestionável admiração dos adeptos e pela entrega da braçadeira de capitão ao seu cuidado.
Depois de retirado das actividades de futebolista, Hernâni Ferreira da Silva passaria a dedicar-se a dinamismos noutras áreas de ocupação. Apesar de ainda ter regressado ao FC Porto na condição de dirigente, seria à frente dos seus negócios como industrial e no comércio que o antigo desportista abraçaria o sucesso.

1312 - JUVENAL

Depois da passagem pelos juvenis e pelos juniores do Sporting de Braga, a temporada de 1954/55, ao manter-se ao serviço do emblema sediado na “Cidade dos Arcebispos”, marcaria a subida de Juvenal ao patamar sénior. No entanto, por razões que ficaram por apurar, o jovem praticante acabaria por não continuar a representar a colectividade minhota. Aliás, para ser correcto, há que referir a segunda campanha após o fim do percurso formativo do jogador, como omissa ou, se preferirem, como o período para qual não encontrei qualquer tipo de referência feita à evolução do atleta.
Os registos para a época de 1956/57 dão conta de Juvenal como um elemento do plantel da União de Tomar. Posteriormente, com a campanha seguinte à passada com os “Nabantinos” a oferecer-nos outro hiato de incógnita génese, o regresso ao Minho levá-lo-ia a rubricar uma ligação com a Associação Desportiva “Os Limianos”. Na localidade situada no distrito de Viana do Castelo, o jogador manter-se-ia a competir por 4 temporadas consecutivas, com essa experiência a preceder o retorno à colectividade onde havia dado os primeiros passos como futebolista.
Com a entrada no Estádio 28 de Maio a acontecer na temporada de 1962/63, o atleta daria os passos iniciais para, de forma definitiva, inscrever o seu nome como um dos jogadores míticos da história do Sporting de Braga. Com o clube ainda a militar no escalão secundário, a promoção conseguida no final da campanha de 1963/64 transformar-se-ia no primeiro momento digno de registo. Porém, com os “Arsenalistas” de volta ao escalão máximo, a participação de Juvenal, sob alçada do treinador-jogador António Teixeira, ficaria muito aquém do esperado.
Curiosamente, a campanha seguinte e, acima de tudo, a chegada ao comando bracarense do argentino José Valle, mudaria radicalmente a sua importância no seio do grupo de trabalho. Ao mutar-se num dos titulares do esquema táctico idealizado pelo referido treinador sul-americano, o defesa, para além de participar em todas as jornadas referentes ao Campeonato Nacional, tornar-se-ia também numa das figuras de proa no galgar de etapas da Taça de Portugal. Na edição de 1965/66 da apelidada “Prova Rainha”, o atleta, mais do que marcar presença nas rondas eliminatórias, seria chamado a disputar a final da prova. No Estádio do Jamor, com a saída do técnico aludido no início do parágrafo a empurrar Rui Sim-Sim para as rédeas do colectivo, Juvenal seria chamado ao “onze” que, com um triunfo por 1-0 frente ao Vitória Futebol Clube, levaria para os escaparates minhotos o primeiro grande troféu da história da agremiação nortenha.
Com o brilharete conseguido na Taça de Portugal, o Sporting de Braga ver-se-ia a disputar a Taça dos Vencedores das Taças do ano seguinte. Mesmo com a perda de preponderância, resultado da contratação de Fernando Caiado para treinador, Juvenal teria a oportunidade de, ao lado da equipa, conseguir estrear-se nas provas organizadas pela UEFA. Depois de, sem a sua presença, terem sido eliminados os gregos do AEK de Atenas, o defesa acabaria chamado à peleja referente à 2ª mão da 2ª ronda. Para infelicidade do conjunto luso, o embate frente aos húngaros do Vasas Gyor ditaria a eliminação dos “Guerreiros do Minho”.
No que restaria da sua caminhada competitiva, sem abandonar os desafios primodivisionários, a carreira de Juvenal começaria a aproximar-se do fim. Sempre fiel ao Sporting de Braga e com a barreira dos 30 anos de idade bem ultrapassada, o termo da temporada de 1968/69 daria a ordem ao jogador para “pendurar as chuteiras”.

1201 - MANUEL CAMBALACHO

Ao nascer no íntimo de uma família com forte tradições no futebol nacional, sobrinho de Octávio Cambalacho e Osvaldo Cambalacho, a escolha do jovem Manuel pelo “jogo da bola”, a poucos haveria de surpreender. Depois de entrar para as “escolas” do Seixal Futebol Clube, emblema da sua e da terra natal dos aludidos tios maternos, a evolução do atacante logo deixaria destapar um intérprete de boas qualidades. Tal facto, após escalar alguns degraus no crescimento enquanto atleta, seria aferido pela chamada à selecção de juniores da Associação de Futebol de Setúbal. Porém, com o conjunto sediado no Campo do Bravo a militar nos escalões secundários, a sua promoção à equipa principal afastá-lo-ia, durante alguns anos, dos principais palcos do desporto português.
Com os emblemas da Margem Sul a alimentarem a sua preponderância no contexto competitivo nacional, o Seixal haveria de “apontar baterias” a objectivos de monta maior. Nesse sentido, a temporada de 1961/62, com Manuel Cambalacho a sublinhar a sua importância na linha ofensiva do clube, traria o primeiro grande troféu aos escaparates da agremiação e, por conseguinte, ao palmarés do avançado. A edição de estreia da Taça Ribeiro dos Reis, com o extremo-direito a titular, encaminharia o clube para o derradeiro desafio da competição. Numa partida disputada no Estádio do Restelo, os “Rapazes do Bravo” bateriam, por 4-2, os transmontanos do Vila Real e atravessariam o Rio Tejo na posse do recém-criado troféu.
Já na temporada de 1962/63, o Seixal viveria um dos episódios mais importantes da sua existência. Depois de terminar o campeonato no posto cimeiro da Zona Sul da 2ª divisão, a posição na tabela classificativa traduzir-se-ia pela subida de escalão. Com a colectividade e o atacante a estrearem-se no patamar maior, as exibições de Manuel Cambalacho haveriam de receber rasgados elogios. Como um dos titulares e ao marcar presença em 21 jornadas, o extremo tornar-se-ia num dos pilares da dura luta pela manutenção. Conseguida a permanência, o desafio traçado para 1964/65 terminaria de forma antagónica ao da campanha anterior e a descida tornar-se-ia numa fatal inevitabilidade. Ainda assim, momentos houve dignos de figurar, pelo menos, como uma curiosidade. Numa das piores prestações colectivas do ano, a goleada sofrida no Estádio da Luz por 11-3, numa campanha em que o Benfica sofreria apenas 8 golos “caseiros”, destacaria o avançado pelos 2 remates certeiros.
Numa vida dedicada ao Seixal Futebol Clube, o avançado, após terminar a caminhada de futebolista, continuaria ligado ao emblema. Durante vários anos dedicar-se-ia às responsabilidades de dirigente, às tarefas de treinador nas camadas jovens e fundaria a equipa de veteranos. Fora dos estádios, faria parte do elenco da Rádio Baía, como comentador desportivo. Para terminar, impossível não fazer referência às homenagens. Primeiro, o galardão entregue pela Federação Portuguesa de Futebol, que premiaria a totalidade de uma carreira competitiva sem punições. Por fim, a distinção da Câmara de Municipal do Seixal que, em 1996, entregaria a Manuel Cambalacho a medalha de Mérito Desportivo.

1042 - LOURENÇO

Formado nas “escolas” do Ginásio de Alcobaça, Lourenço, ainda como atleta do emblema da sua terra natal, começaria a demonstrar ser um dos grandes talentos da sua geração. Aliás, ainda antes de ser promovido a sénior, já o avançado-centro entrava nas contas da Federação Portuguesa de Futebol. Parte integrante da selecção, o atacante seria chamado a participar no Torneio Internacional de Juniores da UEFA organizado em 1960, na Áustria.
Sendo um avançado com boa técnica, sentido posicional apurado e, fosse de cabeça ou com qualquer um dos pés, dono de uma finalização mortífera, a elegância que apresentava dentro de campo dava a adivinhar voos bem altos para a sua carreira. Nesse sentido, não tardaria muito até que nova oportunidade surgisse no seu percurso competitivo. Após a estreia na equipa principal do Ginásio de Alcobaça, que, em 1960/61, militava na 3ª divisão, surgiria a Académica como principal interessada na sua contratação.
A mudança para Coimbra, logo na temporada seguinte à sua elevação a sénior, em nada assustaria o ponta-de-lança. Nem mesmo a presença de praticantes mais experientes, como Gaio ou Rocha, haveria de demover o jovem atleta na luta por um lugar na equipa. Ao fim de pouco tempo, já era um dos nomes com presença habitual nas fichas de jogo. Na campanha seguinte, com a “Briosa” a quedar-se apenas pelo 10º lugar, mais uma prova do seu valor. Num pódio que contaria com o vencedor José Torres e ainda com Eusébio, Lourenço conseguiria, à custa dos seus 24 golos, o 2º posto na classificação dos Melhores Marcadores do Campeonato Nacional.
A saída para o Sporting, para integrar o plantel de 1964/65, acabaria por ser vista como o passo normal para uma carreira em evolução positiva. Apesar de um começo um pouco apagado, seria ainda sob o comando de Jean Luciano que o avançado faria a estreia na equipa principal. Depois dessa partida à 8ª jornada, a dispensa do treinador francês levaria a que Lourenço passasse a ser utilizado com bastante mais frequência. A bem dizer, a partir desse momento, o ponta-de-lança conquistaria o estatuto de titular. A grande curiosidade é que, por razões difíceis de entender, a sua passagem por Alvalade jamais seria consensual. Nem sempre amado pelos adeptos, houve no entanto um episódio do qual sairia sob aplausos generalizados. Falo do mítico “poker”, conseguido na temporada de 1965/66, em plena “Luz”.
As grandes exibições de Lourenço, que, em abono da verdade, seriam um dos pilares da vitória leonina no Nacional de 1965/66, tornar-se-iam na principal motivação para a sua integração na comitiva que iria disputar o Mundial de 1966. Convocado aos “Magriços” por Manuel da Luz Afonso, Lourenço acabaria por nunca ser chamado a jogo pelo treinador Otto Glória. Muito mais do que uma infelicidade, a falta de minutos no torneio organizado em Inglaterra tornar-se-ia numa injustiça. Pior ainda do que não ter entrado em campo no Campeonato do Mundo, ficaria a mágoa de, durante uma carreira de excelência, nunca ter conseguido disputar qualquer peleja pela principal selecção portuguesa.
Porém, números houve que, para além de qualquer desaire ou contestação, entregariam Lourenço ao estatuto de estrela. Um desses registos seriam os golos marcados com as cores do Sporting, nas competições continentais. O recorde da altura, ultrapassado apenas por Manuel Fernandes e Liedson, seria uma dessas marcas. Depois, temos também os títulos. Nesse capítulo, e tendo o avançado grande peso nas suas conquistas, aparecem no seu palmarés 2 Campeonatos e 1 Taça de Portugal.

373 - SIMÕES

Depois de treinar no Belenenses e no Sporting e de fracassadas as investidas desses dois emblemas de Lisboa para contratar o jogador, em cena entrariam as "Águias". Certo dia, Fernando Caiado, antiga estrela benfiquista e, à altura, um dos seus "olheiros", propor-se-ia a assistir a um desafio entre o Almada e o Montijo. O objectivo da prospecção seria o de observar dois atletas da colectividade aldegalense. Porém, no clube da terra do "Cristo Rei" daria de caras com um jovem que, para além de muito rápido e de possuir uma capacidade de finta fantástica, tinha, igualmente, a faculdade de entender e executar o jogo de uma forma superior.
Do episódio acima mencionado até António Simões assinar pelo Benfica, demoraria pouco tempo e seria ainda como júnior que o extremo entraria pela primeira vez na Luz. No entanto, a idade parecia contar pouco para o jovem craque e Béla Guttmann, com o atacante a contar apenas 17 anos, haveria de chamá-lo à primeira equipa. A estreia, um jogo frente ao Peñarol, serviria, depois de um triunfo para cada lado, para decidir o vencedor da Taça Intercontinental de 1961. Após a pesada derrota por 5-0 na 2ª mão, o treinador húngaro resolveria injectar sangue novo na equipa e mandaria chamar, numa viagem da capital portuguesa até à finalíssima em Montevideu, duas das maiores promessas dos “Encarnados”: Eusébio e Simões. As “Águias” perderiam o troféu. Ainda assim, para essa temporada de 1961/62 estava guardada outra glória e no termo da dita campanha, os “Encarnados” levantariam a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Nos anos seguintes, naquela que é a maior prova de clubes a nível global, o atleta ainda marcaria presença em mais 3 finais. Porém, como sabemos, a sorte seria bem diferente da do encontro, disputado em Amesterdão, frente ao Real Madrid, com o conjunto luso a sair derrotado de todas essas contendas.
Pelo meio das sendas europeias, emergiria a famosa polémica a envolver o clube e o jogador. Depois de questionar um dos dirigentes do Benfica sobre os salários em atraso e de, inclusive, ter denunciado o caso à comunicação social, as suas relações com a direcção azedariam. Depois da suspensão por um mês, do assédio do Sporting e do pedido, por parte do atleta, de rescisão do contrato, Simões decidiria pedir ajuda a um jovem advogado de seu nome Jorge Sampaio ou, para os mais distraídos, o futuro Presidente da Republica. O litígio ficaria resolvido passados uns tempos, com o jogador a ver as condições contratuais melhoradas. O emblema “encarnado” também sairia beneficiado com o acordo e as “Águias” voltariam a contar com o atleta que, uns anos antes, tinha brilhado com as cores da selecção de Portugal no Mundial de 1966.
No que diz respeito à sua ligação com o Benfica, o jogador manter-se-ia a jogar pelo “Glorioso” até 1975, altura em que entraria numa nova fase da carreira. Entre o "El Dorado" do futebol nos anos de 1970, a Liga dos Estados Unidos da América, e alguns clubes de menor monta em Portugal, casos do Estoril Praia e do União de Tomar, Simões escreveria os últimos capítulos da sua brilhante história como atleta. De resto, falta ainda sublinhar a sua faceta de Homem capaz de dar a cara pelas lutas que, no futebol ou fora dele, achou serem válidas e que o levariam, no pós 25 de Abril de 1974, a ser eleito como deputado à Assembleia da República, pelo CDS.

70 - TORRES

Filho de Francisco Torres, jogador do Carcavelinhos, e sobrinho de Carlos Torres, extremo do Benfica, José só poderia sair aos seus. E saiu, mais do que a conta!
Começou no clube da sua terra, o Torres Novas, onde, em 2 épocas, marcou 105 golos. Tal concretização valer-lhe-ia a passagem para o Benfica, onde conseguiria estrear-se com 20 anos. Porém, seriam precisas mais 3 épocas para que conseguisse impor-se de “Águia” ao peito. O tempo era de José Águas e destronar o “capitão” não foi fácil. O treinador chileno Fernando Riera deu-lhe essa oportunidade. O início, mais porque substituía uma das grandes glórias do Benfica, do que falta de qualidade, não foi fácil. Apesar de contestado, aos poucos foi merecendo o respeito dos adeptos e, ao fim de alguns meses, José Torres já era exaltado como qualquer uma das estrelas benfiquistas.
Em campo, o seu 1,91m de altura e um jogo de cabeça mortífero, começaram a impor respeito. O seu carácter e "fair-play" também conquistaram adversários e os verdadeiros apreciadores do futebol. Ganhava assim o epíteto de "Bom Gigante". Partilhou as pelejas futebolísticas com outras “estrelas” da altura. Eusébio, Simões, Mário Coluna, José Augusto, entre outros, ajudaram-no a potenciar as suas capacidades e a demolir as defesas adversárias. No rescaldo de uma gloriosa carreira ficaram a conquista de 9 títulos nacionais, o primeiro lugar na tabela dos Melhores Marcadores de 1962/63, a presença no Mundial de Inglaterra em 1966, e as 3 finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Em 1971, José Torres viu-se envolvido na transferência de Vítor Baptista para o Benfica. Rumou à cidade do Sado e ao Vitória de Setúbal, com a mesma valentia de sempre. A vontade que impelia ao esférico permaneceu intacta e as bolas continuaram a invadir as redes adversárias, com uma precisão aterradora. Tal força, dificilmente igualável, foi premiada com mais 2 chamadas à selecção portuguesa. Ainda vestiu a camisola do Estoril Praia e ao serviço do clube da Linha de Cascais, deu por terminada a carreira de futebolista.
Já como treinador, voltou a abraçar a glória no futebol. Quando, antes do jogo com a República Federal Alemã, fulcral na qualificação para o Mundial de 1986, disse "deixem-me sonhar", José Torres, mais do que ninguém, acreditou ser possível o apuramento. Naquela noite fria de Estugarda, o homem que 20 anos antes tinha saboreado a glória de uma fase final, deu aos seus pupilos do mesmo inebriante "vinho". Torres mostrou que um onírico crer terá sempre forças para derrotar todas as quimeras e, com essa verdade, levou Portugal ao Campeonato do Mundo realizado no México.