611 - VARZIM S.C.

Quando, no começo do século passado, o futebol chegou a Portugal, rapidamente a sua fama alastrou-se aos quatro cantos do país. Não conseguindo mostrar indiferença a tão popular modalidade, alguns estudantes poveiros iniciariam a sua prática.
É de um grupo de entusiastas, que nasce um dos primeiros emblemas da Póvoa do Varzim. O União Foot-Ball Club começa por ser um dos pontos de congregação destes jovens. Contudo, a paixão que os levaria a fundar tal agremiação, acabaria por, também ela, originar algumas cisões no seio do conjunto. Ora, por acharem que eram sempre preteridos na altura da escolha dos “onzes”, alguns elementos do clube, haveriam de, noutro caminho, procurar o entusiasmo que os tinha levado a tal desporto. É deste modo que, aproximadamente, um ano após a criação do União Foot-Ball Club, surge o Varzim Foot-Ball Club.
 A 25 de Dezembro de 1915, davam-se os primeiros passos daquele que é, actualmente, o maior emblema da cidade nortenha. Depois de constituído, nada melhor do que uma partida de futebol para dar início às hostilidades. O adversário escolhido só poderia ser um e, desse modo, o primeiro jogo do Varzim haveria de terminar com uma vitória por 9-5, sobre o União Foot-Ball Club!!!
No entanto, não há zanga que separe os verdadeiros amigos. Como acordado em assembleia geral, aqueles que de costas viradas andavam, voltariam a dar as mãos. A 25 de Março de 1916, os elementos do União Foot-Ball Club e do Varzim Foot-Ball Club decidem acabar com a contenda que os havia separado. Fundem-se os clubes e o nome alterar-se-ia para Varzim Sport Club.
Após um caminho difícil, onde, durante a década de 40, até o futebol deixou de existir, o Varzim lá foi cimentando a sua existência. Um dos grandes pilares dessa história haveria de ser o actual estádio. Aprovada a compra dos terrenos em 1929, só passados muitos anos, precisamente em 1944, é que se dá início à construção da bancada central. Com o clube a subir os degraus das divisões, seria já com a chegada à 1ª Divisão que decisivos empreendimentos (construção de novas bancadas; relva; campo de treinos) haveriam de ser tomados para o imóvel.
A temporada de 1963/64, já depois de na época anterior marcar estreia na Taça de Portugal, traça um dos capítulos mais importantes na vida do Varzim. A primeira presença no patamar maior do nosso futebol e as 8 temporadas que, consecutivamente, aí passariam, fariam dos “Lobos do Mar” um dos clubes importantes no panorama nacional. Em termos de resultados, a melhor classificação de sempre, aconteceria já no final dos anos 70. Depois de um período de 5 anos sem marcar presença entre os “grandes”, o Varzim, pela mão de António Teixeira, sublinha o seu regresso. Esse trabalho, sempre pelo comando do antigo internacional luso, haveria de atingir o seu ponto máximo na época de 1978/79. O 5º lugar na tabela classificativa, seria demonstrativo da força de um grupo cheio de figuras primodivisionárias.
Após este período áureo e de, na segunda metade dos anos 80, voltar a marcar presença regular na 1ª divisão, as prestações do Varzim deixariam de ser condizentes com o seu estatuto e história. Nos últimos 28 anos, excepção feita a 3 temporadas (1997/98; 2001/02; 2002/03), o emblema poveiro viveria afastado das maiores decisões do futebol nacional. De salutar foi o regresso do clube, para esta época de 2015/16, aos campeonatos profissionais e à 2ª Liga. A esperança é que o “Alvi-Negro” das suas camisolas volte, o mais rápido possível, a abrilhantar os grandes palcos do futebol português.

CENTENÁRIOS - VARZIM S.C.

A entrada neste novo mês, marca mais uma efeméride para o futebol nacional. Sem conseguirmos ficar indiferentes àquilo que são 100 anos, o “Cromo sem caderneta” volta a juntar-se a mais uma bela celebração. Desta feita, a vez é do Varzim. Assim, Dezembro, mais uma vez, será dedicado aos “Centenários”.

610 - MANUEL MACHADO

Filho de um histórico do Vitória de Guimarães, o guarda-redes António Machado, a sua ligação ao futebol esculpir-se-ia de outras oportunidades. Sem grande carreira dentro das quatro linhas, ou, pelo menos, sem nada de relevante a apontar nesse contexto, Manuel Machado talhar-se-ia no banco dos suplentes.
Treinador de aferido em Portugal, o seu trajecto começaria a delinear-se no emblema onde seu pai é um símbolo. As camadas jovens vimaranenses, naquilo que era o começo dos anos 90, tornar-se-iam no seu tubo de ensaio. Depois veio a intermitência que, ora o punha como adjunto ou interino no Vitória, ora fazia dele o treinador principal de equipas de escalões secundários.
Após estes caboucos, Manuel Machado começaria a solidificar a sua carreira. A transição do Fafe para o Moreirense, haveria de se tornar num ponto fulcral do seu evoluir. Ao encetar esta nova etapa na 2ª divisão “B”, o sucesso que conseguiria ao serviço da formação de Moreira de Cónegos, chamaria a atenção para o trabalho perpetrado. Duas promoções consecutivas e a veleidade de, na época de estreia do clube na 1ª divisão (2002/03), conseguir um lugar tranquilo na tabela classificativa, convertê-lo-iam num treinador a ter em conta.
A partir desta altura, Manuel Machado cimentar-se-ia como um treinador de topo. A sua carreira, que jamais se afastaria do convívio dos grandes palcos, haveria de se construir de emblemas como os da Académica, Sp.Braga, Nacional, de uma curta passagem pelos gregos do Aris de Salónica e, claro, dos regressos a Guimarães. Seria mesmo na “Cidade Berço” que Manuel Machado daria um passo importante na consolidação do seu estatuto de primodivisionário. A obtenção de um 5º lugar na temporada de 2004/05, e a consequente qualificação para as competições europeias da época seguinte, seriam o sustento disso mesmo.
Hoje em dia no Nacional da Madeira, clube que conduziu à estreia europeia, Manuel Machado continua com uma postura singular e, de salutar no mundo do futebol, nada ortodoxa. Muito para além daquilo que põe em campo, da maneira ardilosa como monta as suas estratégias, há as acutilantes tiradas. Dono de uma eloquência distinta, a faculdade com que articula os seus raciocínios, faz dele um orador peculiar. Não é necessário muita pesquisa para que encontremos variadíssimos exemplos. Um desses momentos passar-se-ia após o embate contra o Sporting (2015/16), em que sofreria uma polémica derrota em Alvalade – “Isto deixa-me um pouco triste, ver este país de espinha dobrada, sempre a bater palmas aos Salgados e aos Azevedos e afins e que continua a espezinhar quem ganha o ordenado mínimo e que ainda tem de pagar impostos sobre isso."*.

 
*Em declarações à SportTV, a 21/09/2015

609 - PABLO SANZ


Natural da capital catalã, seria no Barcelona que Pablo Sanz daria os primeiros passos no futebol profissional. No entanto, a carreira do médio, apesar das qualidades que nele se reconheciam, haveria de esbarrar na equipa “B” “blaugrana”. Sem espaço para evoluir, a escolha do atleta, como para tanto outros ali formados, acabaria por ser a saída.
De malas aviadas para a capital espanhola, seria no Rayo Vallecano que encontraria abrigo. A temporada de 1997/98, era, desse modo, a oportunidade de Pablo Sanz fazer a sua estreia numa equipa principal. Ainda longe dos palcos maiores do futebol de “nuestros hermanos”, a continuidade no segundo escalão não desmoralizaria o jogador. Rapidamente, o centrocampista haveria de conseguir encontrar o caminho para o onze inicial, tornando-se numa das peças chave do plantel. A importância que granjeava dentro da dinâmica da equipa, faria de Pablo Sanz um dos principais responsáveis pelo regresso dos madrilenos à “La Liga”. Essa época de 1999/00, a da sua estreia no patamar maior, acabaria por mostrar que Pablo Sanz também era talhado para este tipo de desafios.
Num gruppo que foi contando com nomes como os de Lopetegui , o português Hélder (Sp. Braga; Boavista; PSG) ou o avançado angolano Quinzinho, as metas talhadas iam sendo cumpridas. Surpreendentemente, muito mais do que garantir a manutenção, o Rayo Vallecano ia conseguindo ultrapassar adversários de maior gabarito. Essas boas prestações colectivas, permitiriam a Pablo Sanz chegar às competições europeias, onde, para a temporada de 2000/01, atingiria os quartos-de-final da Taça UEFA.
Não só de alegrias foram feitos os 7 anos que Pablo Sanz passaria em Madrid. Em 2004, com o clube a viver a segunda despromoção num espaço de 2 anos, alguns adeptos acabariam por tomar atitudes desproporcionadas – “Foi o dia mais triste da minha vida: depois de sete anos no Rayo, sair do campo numa carrinha da polícia (…). Estávamos sitiados no campo. Tentamos ir por várias saídas, mas em todas havia gente a insultar-nos, gritando-nos. Fui o último a sair e um rapaz ou um homem, não me recordo bem, pediu-me a camisola. Ele estava à paisana e disse-lhe que não a podia dar. Então, agarrou-me o braço com força, insultou-me e vi que fazia um gesto para me agredir. Foi uma reacção instintiva e trocamos uns murros”*.
Este episódio, marcaria o derradeiro momento de Pablo Sanz com as cores do Rayo Vallecano. Curiosamente, a sua saída, apesar de inglória, acabaria por devolver o médio aos grandes palcos. O Numancia, que preparava a sua temporada 2004/05, haveria de ser a sua porta de regresso à primeira divisão espanhola.
Já com a barreira dos 30 anos ultrapassada, a carreira de Pablo Sanz não se prolongaria por muito mais tempo. Depois de representar o, já referido, emblema de Valência, o atleta acabaria por terminar a sua vida de futebolista ao serviço do Sabadell. Contudo, após um pequeno interregno, o antigo jogador haveria de voltar à modalidade, desta feita na condição de treinador.
Mormente ligado às equipas jovens, Pablo Sanz tem talhado o seu percurso como técnico. Essa experiência na formação, levariam a que a Federação da Costa Rica, em 2011, o escolhesse como coordenador dessas mesmas camadas. Seria, igualmente, para essas funções que o FC Porto, por indicação de Lopetegui, acabaria por o contratar. Pablo Sanz, com provas dadas nessas tarefas, é, desde 2014, o “Manager” da Academia  “Azul e Branca”.


*Retirado de http://getafeweb.mforos.com/  (22/06/2004), citando o jornal Marca.

608 - JOSÉ VITERBO

Apesar de só ter chegado à 1ª Liga na temporada passada (2014/15), para José Viterbo a história da Académica não era, de todo, estranha à sua própria existência. Se, por um lado, para documentar a sua ligação ao clube, tinha a presença nas balizas das equipas jovens, por outro, os anos que já tinha passado como técnico das camadas de formação, serviam para atestar o dito vínculo.
Mesmo sabendo desse passado comum, surpreendente foi a maneira como, desde o primeiro instante, Viterbo conseguiria manietar o público aos seus propósitos. A ideia de levantar a Académica, de a tirar das posições da despromoção, foi por si transmitida e acatada por os todos adeptos da “Briosa”. O veículo dessa mensagem, um só – a paixão que sempre nutriu pelo emblema conimbricense.
Depois de, no início do milénio, ter estado aos comandos da equipa “B” da Académica, os anos de separação entre o técnico e os “Estudantes”, prolongar-se-iam por mais de uma década. Contudo, o sonho de regressar àquela que sempre teve como sua casa, haveria de estar sempre presente. A prova seria o acordo que fez com Catarina Crisóstomo, a Presidente do seu último clube, antes do regresso a Coimbra – “Quando chegou ao Eirense foi bastante claro. Se tivesse algum convite para regressar à Académica, regressaria. A paixão é evidente e foi honesto a esse respeito”*.
Foi depois de muito vogar pelas divisões secundárias do nosso futebol, que José Viterbo voltou a sentir a emoção de estar à frente do clube do seu coração. Já após começar a época (2014/15) a treinar os “BB”, a demissão de Paulo Sérgio abrir-lhe-ia as portas da equipa principal. O começo, embebido na paixão que já descrevi, não poderia ter sido o melhor: 6 jogos sem perder e a Académica a ver-se livre dos lugares de despromoção. No final, o desfecho desejado por todos: a permanência entre os “Grandes”.
Mas, se a temporada transacta acabaria por se caracterizar pelo sucesso, já 2015/16 haveria de mostrar uma Académica bem longe da euforia do ano anterior. Os maus resultados, 5 derrotas nas 5 primeiras jornadas, ditariam o afastamento do técnico e a contratação de Filipe Gouveia. Contudo, e apesar deste desaire, a paixão de José Viterbo continua intacta. Prova são as suas palavras na hora do adeus – “Tomei a liberdade de pedir a demissão no final do jogo porque acho que é o melhor para a Académica (…).O mais importante é a Instituição e a minha decisão prende-se com o meu academismo. Não poderia prolongar no tempo outra decisão que não fosse esta”**.

 
*Artigo de Tiago Pimentel (Público), a 16/03/2015
**Artigo de Eduardo Pedrosa Marques (A Bola), a 20/09/2015

607 - GOUVEIA

A carreira de Gouveia, enquanto jogador profissional de futebol, haveria de desenhar-se com uma característica que aqui já falámos umas quantas vezes. Ora, 15 clubes como sénior e mais uns quantos nas camadas jovens, fazem do antigo médio uma espécie de “globetrotter”. Neste seu percurso, haveria de dar o salto para a categoria principal ao serviço do Varzim. Contudo, nessa temporada de 1991/92, Gouveia ainda estava a uma grande distância daquilo que viriam a ser as luzes da ribalta. AD Guarda, Amarante, União da Madeira e Paços de Ferreira haveriam de ser os capítulos que, entre a 2ª divisão “B” e a 1ª divisão, se seguiriam.
Foi com a camisola do Farense (1998/99) que o antigo futebolista chegou ao escalão máximo do nosso futebol. Requintado tecnicamente e com um bom entendimento das dinâmicas do jogo, Gouveia haveria de, desde logo, granjear algum destaque. O 11º lugar alcançado pelos algarvios na tabela classificativa, seria mais do que suficiente para pôr o centrocampista na rota de outros emblemas. O Belenenses, colectividade que se seguiria, serviria, então, de curta passagem para a Liga francesa.
Com o Montpellier a ocupar as últimas posições na tabela classificativa, o contrato assinado por Gouveia, como que a prever aquilo que acabaria por acontecer, seria apenas para o que restava da época de 1999/00. Findo esse período e confirmada a despromoção do emblema gaulês, o médio regressa a Portugal. No entanto, e ao contrário daquilo que tinha alcançado ao serviço dos clubes até aí representados, Gouveia não conseguiria impor-se como titular.
Apesar deste afastamento do “onze” inicial, o médio acabaria por sagrar-se campeão nacional (2000/01). Mas, se em termos de títulos tudo corria bem, a falta de jogos pelos “axadrezados” ditaria, ao fim de ano e meio, a saída de Gouveia. O regresso a Paços de Ferreira, mas, principalmente, as 3 temporadas ao serviço do Nacional, devolveriam o médio ao estatuto de imprescindível e classificá-lo-iam como um dos melhores na sua posição.
Já com a barreira dos 30 anos bem ultrapassada, Gouveia faz no Gil Vicente a sua última aparição na 1ª Liga. Depois de 2006, como que a entrar numa fase descendente da sua vida desportiva, o atleta começa a vogar pelos escalões secundários. Vizela, Desportivo das Aves e Vila Meã serviriam, desse modo, para completar a dezena e meia de clubes na sua carreira.
Como um verdadeiro apaixonado pela modalidade, não estaria muito tempo retirado do futebol. Logo na temporada seguinte à da sua despedida dos relvados, o Boavista volta a abrir-lhe as portas. Desta feita, o convite passaria por orientar as camadas de formação, nomeadamente os S-19. Ora, esta experiência com as jovens “Panteras” servira para dar início a uma carreira de treinador. Seria nessa senda que Gouveia, já no decorrer desta época (2015/16), receberia um convite da Académica. Na “Briosa” ocuparia o lugar deixado vago pela demissão de José Viterbo. O objectivo de tal união, será o de devolver o emblema aos bons resultados. Os mesmos que conseguiu em 2011/12, enquanto adjunto de Pedro Emanuel, e que permitiram aos “Estudantes” alcançarem a vitória na Taça de Portugal.

EQUIPAS TÉCNICAS 2015

Depois de mais um (não planeado) interregno, voltamos para vos dar a conhecer alguns dos "timoneiros" dos campeonatos profissionais. Treinadores Principais, Adjuntos, 1ª e 2ª Liga fazem, desse modo, parte do contexto para este novo mês. Assim sendo, não deixe de acompanhar em Novembro, as "Equipas Técnicas 2015".

606 - ZICO


De ascendência portuguesa, Zico tinha no seu pai um grande fã do Sporting. Talvez por influência dos relatos que ia acompanhando ao lado do seu progenitor, o jovem Arthur acabaria por eleger a dita modalidade, como a sua favorita.
Nesta senda, aos 14 anos de idade, e já depois de ter dados os primeiros passos na vertente de salão, Zico chega ao Flamengo. Atravessa as camadas de formação e, em 1971, faz a sua estreia pela equipa principal. Contudo, e apesar do talento que todos reconheciam nele, o seu físico franzino era um entrave à sua afirmação. Durante os 3 anos que se seguiriam, muito mais do que evoluir dentro de campo, o seu programa de treino passaria por trabalhos de fortalecimento muscular.
Em 1974, o atleta era já uma referência no meio campo dos “Rubro-Negros”. A sua técnica de passe, finta e, acima de tudo, o excepcional entendimento do jogo, rapidamente fariam dele um “habitué” entre o rol dos titulares.
Apesar do sucesso que ia tendo, inclusive com a conquista de alguns troféus – como são exemplo os 4 Campeonatos Carioca ganhos na década de 70 –, seria com a entrada nos anos 80 que a classe do médio explodiria. A “Era Zico”, como ficou conhecida, por essa altura, a série de sucessos do Flamengo, teria no jogador o principal impulsionador das vitórias. Os 4 Campeonatos Brasileiros, mas, principalmente, a conquista da Taça dos Libertadores e da Taça Intercontinental de 1981, transformariam Zico num dos maiores ídolos dos adeptos do emblema carioca.
Todo esse sucesso com a camisola do Flamengo, levá-lo-ia à selecção. Com a camisola “canarinha”, onde Zico era visto como um dos pilares, participaria nos Mundiais de 1978, 1982 e 1986. Jogou a Copa América de 1979 e, com tudo isto, acumularia 71 internacionalizações. Os 48 golos que concretizaria ao serviço do seu país, seriam suficientes para que, atrás de Pelé, chegasse ao 2º lugar (entretanto ultrapassado por Romário) dos melhores marcadores de sempre da selecção brasileira. Faltou-lhe, no entanto, um grande troféu. Numa selecção em que era sua a batuta, nunca teve o prazer de erguer uma das grandes Taças. Fica a consolação de, na sua estreia em Campeonatos do Mundo, ter recebido a medalha de Bronze.
Nisto de camisolas, Zico também vestiu as da Udinese e Kashima Antlers. Curiosa, seria a sua passagem por Itália… aliás, o que antecedeu a sua chegada. Ora, estando a Udinese disposta a pagar 4 milhões de dólares pela sua contratação, valor recorde à altura, os protestos de outros emblemas, relativamente aos valores envolvidos, levariam a Federação a cancelar a transferência. Este impedimento levaria a que os residentes locais se manifestassem. O grito de ordem era “Ou Zico ou a Áustria”, numa clara alusão ao tempo em que a região estava sobre o domínio do Império Austríaco. A ameaça de separatismo tomaria proporções tais que, o próprio Presidente italiano, Sandro Pertini, acabaria por intervir, autorizando a contratação do futebolista brasileiro.
É no Japão que Zico também tem um grande legião de fãs. A sua passagem pelo “País do Sol Nascente” ficaria marcada por dois momentos distintos. No primeiro, o médio acabaria por ajudar o Kashima Antlers, onde pôs um ponto final na vida de jogador, a transformar-se num dos emblemas de referência no Japão. O segundo capítulo desta sua passagem pelo Oriente, dar-se-ia já ao serviço da selecção. Convidado pelo dirigente máximo da Federação, antigo Presidente do Kashima, Zico assumiria as rédeas da equipa nacional. Ao “leme” da mesma, participaria no Mundial de 2006. Mas, o maior destaque, viria com a vitória dos nipónicos na edição de 2004 da Taça da Ásia.
Muito para além da sua carreira como futebolista, treinador ou, até, as suas participações no futebol de praia, Zico “fez uma perninha” no mundo da política. Entre 1990 e 1991, durante o Governo de Fernando Collor de Mello, Zico assumiria a pasta de Secretário Nacional do Esporte.

605 - WILMOTS

Seria no Sint-Truiden que daria os seus primeiros passos como profissional. Logo aí, a maneira lutadora como se acercava dos lances, as disputas guerreiras que travava com os oponentes e aquela força que o fazia nunca desistir de uma bola, valer-lhe-iam a atenção de outros clubes. 
Quem andava atento ao seu evoluir era o KV Mechelen (Malines). Aquele que, na transição dos anos 80 para os anos 90, era um dos emblemas de maior destaque na Bélgica, via no médio ofensivo muito mais do que um jovem com talento. Acreditando que era uma aposta segura, bastaria essa época de estreia, para que o clube onde militava Michel Preud’Homme contratasse Marc Wilmots.
A mudança de cores, traria para o atleta aquilo que qualquer jogador almeja na sua carreira. Logo nessa primeira temporada (1988/89), a Supertaça Europeia e o Campeonato da Bélgica entrariam para o currículo do médio. Mas se, por essa altura, a posição que mantinha no seio do plantel, ainda não permitia que começasse as suas partidas fora do banco de suplentes, os anos vindouros, mudariam, radicalmente, esse paradigma.
O aproveitamento que fazia das oportunidades que lhe eram entregues, acabariam por levar Wilmots a um lugar no “onze” inicial. Esse evoluir, cimentado na regularidade das suas prestações, transformariam os horizontes do médio em certezas bem assentes. A chamada à selecção nacional, a 26 de Maio de 1990, haveria de ser um desses momentos e um ponto importante para estatuto de estrela que aufere no futebol belga.
Como já dei a entender, a equipa nacional belga haveria de desempenhar um papel muito importante na sua vida. Não é para menos! Seria com a camisola dos “Diables Rouges” que Marc Wilmots participaria em 4 Mundiais (1990; 1994; 1998; 2002). Aliás, para ser correcto, houve uma quinta participação! Essa última, aconteceria no Verão de 2014. Ora, o Campeonato do Mundo organizado no Brasil, no qual Wilmots era o seleccionador belga, acabaria por devolver o seus país a um universo de onde andava afastado fazia 12 anos. Conseguiu levar a sua equipa aos quartos -de-final do torneio e, ao mesmo tempo, dava os passos necessários para que a Bélgica, como acontece actualmente (Outubro de 2015), ocupe o 2º posto do ranking FIFA.
Numa carreira que, por razão da sua eleição como Senador pelo Mouvement Réformateur”, sofreria um pequeno interregno em 2003, nem só de Mechelen e Selecção belga se fez a sua vida. Standard Liège e Schalke 04, os emblemas que mais partidas dão ao seu currículo, são também dois marcos da sua passagem pelos relvados. Pelos belgas ganharia apenas Taça do seu país. No entanto, o papel que desempenharia nos germânicos teria um peso bem maior. Muito para além da Taça da Alemanha conquistada, seria dele o derradeiro penalty que, frente ao Inter de Milão, desempataria a final da Taça UEFA de 1996/97. Por isso e pelo golo concretizado na 1ª mão, Wilmots será sempre recordado como o principal obreiro dessa vitória europeia.

POLÍTICA E FUTEBOL, parte II


Para o próximo fim-de-semana, está marcado em Portugal mais um acto eleitoral. Nesse dia 4, Domingo de Legislativas, o que se pede é que se escolham os deputados para o nosso parlamento. Aproveitando este mote, também o “Cromo Sem Caderneta” decidiu eleger mais uns quantos cromos. É deste modo que, durante o mês de Outubro, vamos regressar à “Política e Futebol”.