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1697 - PARENTE

Nascido a 8 de Abril de 1961, o destaque merecido às suas qualidades fariam com que Carlos Alberto Bastos Parente, ainda numa idade deveras precoce, fosse chamado aos trabalhos da equipa sénior do Sintrense. No entanto, essa temporada de 1977/78 não acabaria marcada apenas por esse fantástico feito. Mesmo a competir na 2ª divisão, também da Federação Portuguesa de Futebol haveriam de reparar no seu talento e o jovem médio, a 4 de Fevereiro de 1978 e no âmbito dos actuais sub-16, participaria, convocado por Peres Bandeira, numa partida de Portugal frente à Bélgica.
Ao evidenciar-se pelos passos relatados no parágrafo anterior, Parente teria na equipa de juniores do Benfica o passo seguinte da carreira. Porém, depois de um ano nas “escolas” dos “Encarnados”, na época de 1979/80 o médio-centro apareceria, treinado por José Torres, ao serviço do conjunto principal do Estoril Praia. Seguir-se-ia, mantendo-se o atleta nas pelejas da 1ª divisão, a Académica de Coimbra. Para infelicidade do jogador, a temporada de estreia na “Cidade dos Estudantes”, tal como tinha acontecido na agremiação da Linha de Cascais, terminaria com a descida do conjunto por si defendido. Na sequência do aludido desaire, as 3 campanhas subsequentes seriam passadas no 2º escalão e tal cenário só viria a modificar-se com nova mudança de clube.
Na chegada ao Boavista, Parente voltaria a trabalhar sob a alçada de Mário Wilson, o seu primeiro treinador na Académica de Coimbra. A justificar a contratação dos “Axadrezados”, essa temporada de 1984/85, muito mais do que devolver o centrocampista às contendas primodivisionárias, levá-lo-ia a ser tido como um dos grandes destaques do conjunto portuense. Contudo, contrariamente à evolução revelada até aí, a época seguinte, por razões que não consegui aferir, transformar-se-ia num autêntico ocaso para o jogador. Aliás, a titularidade, de forma inquestionável, recuperá-la-ia apenas em 1987/88, mas ainda a tempo de proporcionar para a sua carreira outro feito de contornos inolvidáveis.
Ao dar seguimento a uma série de chamadas às mais diversas selecções portuguesas, incluindo, nessas convocatórias, a participação no Mundial sub-20 de 1979, o jogador, a 11 de Novembro de 1987, teria a oportunidade de fazer a estreia com a principal “camisola das quinas”. Nessa partida frente à Suíça, a contar para a Fase de Apuramento do Euro 88, o médio-centro entraria em campo pela mão de Juca. Seguir-se-ia, ainda no âmbito da mesma qualificação, a contenda frente à Itália e, como resultado da última partida mencionada, num total de 25 internacionalizações, Parente ficaria também a contar com 2 jogos efectuados pelos “AA” de Portugal.
No que diz respeito ao percurso clubístico, Parente teria no Boavista o emblema mais representativo da sua caminhada profissional. Com os “Axadrezados” a lutar pelos lugares cimeiros das diferentes competições internas, os grandes destaques desse trajecto de 7 temporadas ao serviço das “Panteras Negras”, viriam com as várias participações nas competições sob a intendência da UEFA e com o 3º lugar, conquistado no termo da campanha de 1988/89, no Campeonato Nacional. Depois, sempre nas pelejas da 1ª divisão, surgiriam os 3 anos com as cores do Salgueiros. Por fim, como o derradeiro capítulo de um trajecto com laivos de enorme brilhantismo, emergiria a época de 1994/95 cumprida ao serviço do Marco.

1527 - EDMUNDO DUARTE

Praticante de enorme potencial, Edmundo Duarte, como atleta das camadas jovens do Candal, veria o FC Porto e o Benfica a interessarem-se pela sua contratação. A proximidade à família levá-lo-ia a escolher o emblema nortenho, onde viria a terminar o percurso formativo. Antes ainda da passagem definitiva a sénior, numa altura em que, ao cumprir o último ano nas “escolas” dos “Azuis e Brancos”, já trabalhava com a equipa principal do clube, viriam as convocatórias à selecção nacional. Integrado nos juniores lusos, o médio-ofensivo estrear-se-ia com a “camisola das quinas” a 5 de Dezembro de 1969, numa partida frente à Suíça. Seguir-se-iam outras 5 presenças em campo e, como ápice dessa caminhada com as cores de Portugal, a chamada à edição de 1970 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA.
Na transição para o patamar sénior, o interesse do Benfica voltaria a acender-se e, no âmbito das negociações entre os dois emblemas, o atleta chegaria mesmo a deslocar-se a Lisboa. Porém, as elevadas exigências do FC Porto impossibilitariam a transferência e desagradado com o desfecho, Edmundo Duarte, ao recusar-se a envergar a camisola dos “Dragões”, chegaria mesmo a pôr a hipótese de abandonar a modalidade. No entanto, a resolver a pequena crise, apareceria o convite do Vitória Sport Clube que, por empréstimo, haveria de convencer o jogador a mudar-se para o Minho. Em Guimarães, inicialmente sob o comando do treinador brasileiro Jorge Vieira, o jogador faria a estreia na 1ª divisão. Todavia, a parca utilização fá-lo-ia mudar de rumo e na sua carreira seguir-se-ia o Varzim.
Muito mais do que uma mudança de rumo no desporto, a ida de Edmundo Duarte para Angola viria a alterar o contexto da sua vida. Ainda assim, o futebol continuaria como parte integrante dessa senda por África e no Recreativo do Uíge assumir-se-ia como treinador/jogador. Mais tarde, novamente entregue ao exclusivo papel de futebolista, vestiria a camisola do FC Luanda. Depois viria o regresso a Portugal e na metrópole encontraria poiso no plantel de 1977/78 do Vila Real.
Com os anos seguintes igualmente preenchidos nas lutas do escalão secundário, o Leixões e o Paços de Ferreira viriam a colorir a caminhada competitiva do médio-ofensivo. Já o regresso à 1ª divisão aconteceria pelas portas do Penafiel, agremiação na qual, na temporada de 1980/81, voltaria a encontrar-se com um antigo companheiro dos tempos do FC Porto, o treinador-jogador António Oliveira. Contudo, num trajecto em constante mudança, Edmundo Duarte acabaria por aceitar o convite do Candal para, na temporada de 1981/82, abraçar, em simultâneo, as tarefas de futebolista e de técnico. Aliás, seria com esse estatuto que passaria pelo primodivisionário Ginásio de Alcobaça e onde, com o termo das provas de 1982/83, viria a “pendurar as chuteiras”.
Afastado das lides de praticante, Edmundo Duarte manter-se-ia ligado à modalidade. Dando seguimento à carreira de treinador, a caminhada do antigo médio viveria essencialmente das disputadas dos escalões inferiores. Ao orientar, numa carreira bem longa, emblemas históricos como a UD Oliveirense, o Trofense, o Torreense, o Sporting de Espinho ou o Feirense, um dos grandes momentos dessa rota vivê-lo-ia à frente dos Dragões Sandinenses, com os quais, numa espantosa campanha, chegaria aos quartos-de-final da Taça de Portugal de 1996/97.

1523 - TOZÉ

Ainda como júnior do Penafiel, agremiação onde completaria o percurso formativo, António José Alves Ribeiro, popularizado no mundo do futebol como Tozé, faria a sua estreia como sénior. Apesar de nessa temporada de 1983/84, pela mão do treinador Fernando Tomé, ter apenas entrado em campo numa partida a contar para a Taça de Portugal, a verdade é que a temporada seguinte revelaria um atacante bem mais afirmativo e preparado, mesmo em contexto primodivisionário, a ser utilizado com bastante frequência.
Daí em diante, o extremo passaria a ser tido como um dos elementos mais promissores do clube duriense e tal facto levá-lo-ia, por parte dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol, a ser tido como um elemento capaz de acrescentar valor às jovens equipas lusas. Inserido nos trabalhos dos sub-21, o atleta estrear-se-ia a 15 de Outubro de 1985. Essa partida frente à antiga Checoslováquia serviria de arranque a uma caminhada que levaria o avançado primeiramente à disputa da edição de 1986 do afamado Torneio de Toulon e anos mais tarde à primeira internacionalização “A”. Com a principal “camisola das quinas”, o jogador seria convocado por Artur Jorge e num particular frente a Espanha, agendado a 16 de Janeiro de 1991, conseguiria disputar um desafio pela equipa de maior monta em Portugal.
Após 4 épocas em que conseguiria destacar-se como um dos intérpretes mais proeminentes do Penafiel, Tozé, numa altura em que a sua equipa estava na disputa da 2ª divisão, teria a oportunidade de regressar ao convívio com os “grandes”. Contratado como reforço do Vitória Sport Clube para a época de 1987/88, o extremo, apesar de números aceitáveis, ficaria um pouco aquém das expectativas criadas em seu redor. Talvez tenha sido essa avaliação a levá-lo a trocar de emblema e sensivelmente um ano sobre a sua chegada a Guimarães, o atacante mudar-se-ia para a Madeira, onde, nas duas campanhas seguintes, passaria a representar o Marítimo. Todavia, onde voltaria a reaver o elã de anos anteriores seria já ao serviço do Beira-Mar. No plantel sediado na cidade de Aveiro, sob o comando de Vítor Urbano, o jogador voltaria a recuperar o estatuto de titular. Dessa maneira, seria um dos pilares da brilhante campanha dos “Auri-negros” e, para além de ajudar no 6º posto conseguido com o termo do Campeonato Nacional de 1990/91, ainda contribuiria, mesmo sem entrar em campo no Jamor, para a chegada à final da Taça de Portugal.
Seria já como internacional “A” que Tozé, depois de uma época em Aveiro, chegaria ao FC Porto. Nas Antas a partir de 1991/92, o extremo passaria a trabalhar sob a intendência de Carlos Alberto Silva. Mesmo com um plantel cheio de craques, a primeira temporada nas “Antas” daria, distribuídas entre as competições nacionais e as de índole continental, um número muito satisfatório de partidas disputadas. O pior viria na campanha seguinte, com o jogador a perder, nas estratégias do aludido treinador brasileiro, o espaço conquistado inicialmente. Já depois do arranque das provas agendadas para 1993/94, com Tomislav Ivic à frente dos destinos técnicos dos “Azuis e Brancos”, o atacante acabaria dispensado e a transferência para o Gil Vicente surgiria como a solução encontrada para a sua caminhada profissional.
À chegada a Barcelos, ganhos ao serviço do FC Porto, já o jogador contava no seu palmarés com a vitória em 2 Campeonatos Nacionais e 1 Supertaça. Com o estatuto potenciado por tão importantes troféus, o atleta configurar-se-ia como um dos nomes de relevo no plantel dos “Galos”. Ainda assim, o final da temporada traria a sua mudança para o Algarve. Com as cores do Farense, Tozé, mesmo com alguns períodos em que não conseguiria alcançar a titularidade, passaria 3 temporadas de bom nível, sendo, em 1994/95, um dos intérpretes do 5º lugar alcançado no Campeonato Nacional. Já na campanha seguinte, acabaria a participar na Taça UEFA e o extremo, na eliminatória frente aos gauleses do Olympique Lyon, entraria em campo em ambas as mãos.
Como último capítulo da sua carreira, depois de 13 temporadas no escalão máximo, viria o regresso a um Gil Vicente a disputar a edição de 1997/98 da divisão de Honra e, com o termo da campanha referida, o avançado decidiria “pendurar as chuteiras”.

1517 - HILÁRIO


Com a formação terminada no 1º Maio Futebol Clube Sarilhense, Hilário Fernandes Gomes, já com algumas épocas cumpridas nas disputas do calendário sénior, começaria a despertar a atenção de outros emblemas da Margem Sul do Rio Tejo. Nesse sentido, em 1978/79, o médio-defensivo seria apresentado como reforço do plantel do Grupo Desportivo da Quimigal, nova denominação para a antiga CUF.
Ainda a militar nos escalões secundários, após 4 campanhas no emblema sediado no Lavradio, onde partilharia o balneário com nomes conceituados do futebol português, casos de Oliveira, Vítor Pereira, Fernando Vicente, Crisanto ou Barradas, Hilário transitaria para o FC Barreirense. Com o listado branco e vermelho a partir da temporada de 1982/83, mesmo longe dos principais holofotes futebolísticos, o jogador conseguiria valorizar-se como um praticante de entrega inabalável. Esse acréscimo na sua cotização fá-lo-ia ser cobiçado por colectividades a lutar por objectivos de maior monta e a 1ª divisão, numa evolução deveras positiva, finalmente chegaria à caminhada competitiva do atleta.
As portas do escalão máximo ser-lhe-iam abertas pelo Vitória Sport Clube. No Minho, onde entraria acompanhado por Neno, seu colega no Estádio Dom Manuel de Mello, a época da sua chegada, a trabalhar às ordens do belga Raymond Goethals, correria de forma francamente positiva. Mesmo tendo em conta as prestações colectivas algo discretas, a verdade é que a época de 1984/85, em termos meramente pessoais, terá sido, por ventura, a mais bem conseguida na caminhada do jogador. Infelizmente, numa altura em que parecia estar a afirmar-se no convívio com os “grandes”, o médio não conseguiria dar continuidade às boas prestações ostentadas na época de arranque na “Cidade Berço”. Ainda assim, a cotação do atleta não sofreria um impacto irreparável e o Belenenses suceder-se-ia no seu trajecto.
Mesmo ao manter-se no patamar maior, a verdade é que Hilário não iria impor-se como um dos indiscutíveis dos “Azuis”. Nesse sentido, as duas épocas passadas no Estádio do Restelo, a de 1986/87 e a seguinte, ficariam aquém do espectável. O médio-defensivo, tanto a trabalhar sob o comando do belga Henri Depireux, como na temporada subsequente, onde seria orientado por Marinho Peres, pouco haveria de entrar em campo. Salvar-se-iam, em contribuições dignas de registo, a cooperação oferecida na qualificação para as provas de índole continental e, inserido o Belenenses na edição de 1987/88 da Taça UEFA, a sua presença em Camp Nou, na eliminatória frente ao FC Barcelona de Schuster, Lineker, Carrasco, Zubizarreta, entre outros craques mundiais.
De volta aos escalões secundários, a temporada de 1988/89 marcaria igualmente o seu regresso ao Estádio Dom Manuel de Mello. Daí em diante, ao envergar a camisola do emblema da Margem Sul por 5 campanhas consecutivas, o FC Barreirense tornar-se-ia na agremiação mais representativa da sua carreira. Porém, essa nova passagem pela colectividade aproximá-lo-ia dos derradeiros capítulos da caminhada desportiva. Já o fim dessa senda viria a emergir com o termo das competições agendadas para 1993/94 e depois de um ano a representar o Palmelense.

1465 - MATIAS


Ao completar a formação no Salgueiros, seria no decorrer do último ano como júnior, a temporada de 1982/83, que Manuel Matias, sob a intendência de Henrique Calisto, viria a ser chamado à equipa principal. Com uma maturidade acima da média, mesmo a actuar na 1ª divisão, não tardaria muito para que o jovem defesa-central alcançasse uma posição de destaque no plantel. Logo na temporada a seguir à estreia como sénior, o jogador assumir-se-ia como um dos esteios do sector mais recuado da colectividade de Paranhos. Ao revelar-se como um elemento seguro, valente e incansável, daí em diante, mesmo com a mudança de treinadores, o seu nome passaria a ser uma constante no alinhamento inicial do conjunto portuense.
A preponderância ganha no clube levá-lo-ia a ser chamado aos trabalhos das equipas na alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos “esperanças”, Matias estrear-se-ia com a “camisola das quinas” a 23 de Fevereiro de 1985. A partida frente à Republica Federal Alemã, uma vitória por 2-1, serviria de arranque a uma ligação que daria ao jogador, no escalão referido, 2 internacionalizações. Mais tarde, ainda seria convocado para os desafios dos “olímpicos”, contudo não chegaria a entrar em campo.
Das 7 campanhas feitas por Matias no conjunto principal do Salgueiros, com as 6 primeiras cumpridas no escalão máximo, as duas últimas seriam as de menor aproveitamento pessoal. Talvez por querer dar um novo empurrão à carreira, o defesa-central, para a temporada de 1988/89, decidiria rumar ao Rio Ave. Porém, a mudança mantê-lo-ia na disputa da 2ª divisão e com o emblema de Vila do Conde a quedar-se abaixo do meio da tabela classificativa, o jogador voltaria a cambiar de direcção. Já a experiência no União da Madeira de 1990/91, devolvê-lo-ia, não só ao degrau maior do futebol luso, como sublinharia o atleta como um praticante de predicados merecedores de outros voos. Essa constatação encaminhá-lo-ia para o Vitória Sport Clube e para o período mais produtivo da sua caminhada competitiva.
A representar o emblema sediado em Guimarães a partir da campanha de 1991/92, Matias, sempre como um dos elementos mais importantes nas manobras tácticas do clube, ajudaria os vimaranenses a lutar pelas posições cimeiras da tabela classificativa. Nessa senda, o defesa-central acabaria por fazer a sua estreia em competições de índole continental. Na Taça UEFA de 1992/93, o atleta participaria em 3 das 4 partidas disputadas pelos minhotos na aludida competição. Tendo entrado em campo numa das mãos com os neerlandeses do Ajax, o maior destaque iria para a eliminatória frente à Real Sociedad, na qual, para além de titular em ambas as partidas, o atleta ajudaria a afastar a formação basca.
A entrar na veterania, Matias trocaria a agremiação da “Cidade Berço” pelo Leça. Já no decorrer dessa temporada de 1995/96, durante a qual manteria bons níveis exibicionais, uma nova proposta surgiria no seu caminho. Com o FC Porto à procura de remodelar o grupo de trabalho, o defesa-central seria escolhido por Bobby Robson como um dos reforços para a segunda metade da época. No entanto, a chegada a um dos “grandes” não seria fácil para o jogador e a presença de craques como Aloísio, José Carlos ou Jorge Costa dar-lhe-ia poucas oportunidades. Ainda assim, o tempo passado nas Antas seria proveitoso e ao seu currículo adicionaria a conquista do Campeonato Nacional.
A época seguinte à saída dos “Dragões” dividi-la-ia, ainda na 1ª divisão, entre o Vitória Futebol Clube e o Gil Vicente. Depois viriam as campanhas ao serviço do Trofense e o “pendurar das chuteiras” com o termo da época de 1998/99. Porém, mesmo ao pôr um fim na caminhada enquanto futebolista, Matias voltaria a ligar-se à modalidade, dessa feita na condição de treinador. Nas funções de técnico, o antigo defesa tem orientado equipas de norte a sul de Portugal Continental e também nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Para além dos conjuntos lusos, há ainda a realçar as experiências em vários países do Médio Oriente ou as suas incursões por África.

1421 - FERNANDO CRUZ

 

Antes do fim do percurso formativo, feito com as cores do Vitória Futebol Clube, Fernando Cruz começaria a dar indicações de ser um jogador com qualidades acima da média. De estatura elevada, o jovem avançado, ainda como elemento dos juniores da agremiação setubalense, seria chamado aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Ao serviço dos agora conhecidos como sub-16, o atleta, a 24 de Fevereiro de 1979, faria a estreia com as cores lusas. Essa partida frente a Israel, orientada por Peres Bandeira e ao lado de nomes como Dito, Jaime Magalhães, João Pinto, Bandeirinha ou Mário Jorge, tornar-se-ia no tiro de partida para uma caminhada durante a qual, ao passar por vários escalões, somaria um total de 29 internacionalizações. Nesse rol de partidas feitas com a “camisola das quinas”, há ainda a destacar as chamadas ao Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1980 ou às edições de 1981 e de 1982 do Torneio de Toulon.
Aferido como uma grande promessa, a 18ª jornada do Campeonato Nacional de 1979/80, com Fernando Cruz ainda em idade júnior, tornar-se-ia na ronda da sua promoção às pelejas da equipa principal dos “Sadinos”. Depois dessa partida sob a alçada do inglês Jimmy Hagan, o avançado rapidamente conseguiria conquistar um lugar no “onze” do Vitória Futebol Clube. Já como um dos elementos mais utilizados do plantel, o jogador começaria a alimentar a cobiça de emblemas de maior monta. Quem acabaria por apostar na sua contratação haveria de ser o Sporting. Porém, com a entrada em Alvalade a ocorrer na campanha de 1983/84, as suas prestações ao serviço dos “Leões” ficariam aquém do projectado e, nas duas temporadas de “verde e branco”, o atacante poucas presenças em campo somaria ao currículo.
O insucesso da sua passagem pelo Sporting não impediria que o avançado continuasse a esgrimir-se em contexto primodivisionário. De volta à cidade de Setúbal na época de 1985/86, Fernando Cruz exibir-se-ia a um bom nível. Contudo, a campanha de retorno ao Vitória Futebol Clube terminaria, na que à sua carreira diria respeito, com uma inédita despromoção. Ainda assim, o atleta manter-se-ia pelo Bonfim e ajudaria, com apenas um ano cumprido no patamar secundário, a nova promoção. Curiosamente, o jogador, ao invés de continuar o percurso profissional na colectividade setubalense, preferiria aceitar o desafio lançado pelos responsáveis do Farense. No Algarve faria 3 temporadas. Todavia, apesar de as 2 primeiras terem sido realizadas no convívio com os “grandes”, seria a derradeira campanha passada no sul do país que traria outro momento histórico à sua caminhada competitiva. Numa contenda agendada frente ao Estrela da Amadora, Paco Fortes convocá-lo-ia para a última ronda da Taça de Portugal. Com um golo marcado na final e a consequente presença na finalíssima, a edição de 1989/90 da “Prova Rainha”, mesmo com a vitória a sorrir ao adversário, emergiria como um acontecimento inolvidável.
Com a saída do Farense, o trajecto do avançado tornar-se-ia bem mais errante. Seguir-se-iam, no máximo com uma época passada em cada clube, o Sporting de Espinho, a última presença na 1º divisão com as cores do União da Madeira, Louletano, Atlético, Lusitano de Évora, Ovarense e o final da carreira no plantel de 1995/96 do Torres Novas.
Depois de “pendurar as chuteiras”, Fernando Cruz ainda voltaria a ligar-se à modalidade como treinador, com o principal destaque para a experiências no “O Elvas”.

1415 - JESUS


Com a formação dividida entre o Sporting de Espinho e as “escolas” do FC Porto, António Jesus, na transição para sénior, seria apresentado como reforço do Desportivo de Chaves. Depois dessa temporada de 1973/74, ainda a título de empréstimo e mantendo-se na disputa da 2ª divisão, seguir-se-ia o Lusitânia de Lourosa. O guarda-redes ainda regressaria ao plantel de 1975/76 dos “Dragões”. Porém, ver-se-ia sempre tapado por outros colegas, casos de Rui ou Tibi, e preterido nas escolhas do treinador Aimoré Moreira.
A mudança de paradigma, ou seja, a afirmação de Jesus como um intérprete de cariz superior ou com habilidades primodivisionárias, ocorreria com a sua entrada no Beira-Mar. Nessa temporada de 1976/77, durante a qual faria a estreia na 1ª divisão, o guardião daria os passos que o levariam, com grande convicção, a cimentar a sua carreira. Antes ainda dessa definição, o atleta teria um pequeno revés, com o conjunto de Aveiro a passar pelo escalão secundário. Contudo, esse tropeção traduzir-se-ia num episódio insignificante e, mesmo afastado dos principais escaparates, as suas exibições seriam suficientes para promovê-lo no regresso ao convívio com os “grandes”.
O emblema que voltaria a abrir-lhe as portas da 1ª divisão, seria o Varzim. Daí em diante, praticamente até aos derradeiros anos do seu percurso como futebolista, Jesus manter-se-ia nos degraus cimeiros das provas lusas. Após cumprir 3 anos como o dono da baliza dos “Lobos do Mar”, onde, sob a intendência de António Teixeira, contribuiria para o histórico 5º lugar alcançado com o fim do Campeonato Nacional de 1978/79, o guardião chegaria ao emblema que mais marcaria a sua caminhada profissional. No Vitória Sport Clube a partir de 1981/82, só nessa passagem inicial, cumpriria 7 campanhas consecutivas. É verdade que acumularia algumas épocas de parca utilização. Ainda assim, o tempo passado em Guimarães serviria para somar ao currículo momentos de grande importância. Nesse sentido, há a relembrar as participações nas provas sob a alçada da UEFA e, como é óbvio, as chamadas às equipas a trabalhar sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol.
A envergar a “camisola das quinas”, com a estreia pelos “olímpicos” a 30 de Outubro de 1983, António Jesus também chegaria ao conjunto principal. Com a primeira presença em campo a acontecer, pela mão de Rui Seabra, a 4 de Fevereiro de 1987, o jogador, no período caracterizado pelo rescaldo do “Caso Saltillo”, seria um dos atletas mais vezes chamado a defender as cores lusas. Na sequência dessa primeira internacionalização, um particular, disputado no Estádio 1º de Maio, frente à Bélgica, o guarda-redes voltaria a ser arrolado já para as partidas a contar para a Fase de Qualificação do Euro 88 e acabaria a acumular um total de 7 internacionalizações “A”.
Caracterizado como um guarda-redes de baixa estatura, mas com uma forma física invejável, com reflexos felinos e bem arrojado, Jesus, mesmo com a saída do Vitória Sport Clube, continuaria no radar dos emblemas primodivisionários. Na caminhada profissional, ainda teria a oportunidade, em ambos os emblemas com passagens de um ano, para representar o Leixões e o Desportivo de Chaves. De seguida, o desafio lançado pela agremiação comandada tecnicamente pelo brasileiro Paulo Autuori, levá-lo-ia, na campanha de 1990/91, a regressar à “Cidade Berço” e a cumprir outras 3 campanhas de belíssimo resultado. Por fim, de volta a Trás-os-Montes, surgiriam a época de 1993/94 passada na disputa da Divisão de Honra, o convite para, com a saída de Carlos Garcia, passar a assumir as rédeas da colectividade flaviense e, sob a sua alçada, a subida ao escalão máximo do Desportivo de Chaves.
Já decidido a continuar nas tarefas de treinador, António Jesus ergueria uma carreira feita, na grande essência, de emblemas a esgrimirem-se pelos patamares secundários. Ainda assim, há que destacar a sua experiência à frente do Marítimo, os 4 anos a trabalhar com o Sporting da Covilhã, o convite de Manuel Machado para integrar a equipa técnica do Vitória Sport Clube e, pela sua carga emocional, as passagens pelo emblema da sua terra natal, o Sporting de Espinho.

1376 - HÉLDER


Após uma auspiciosa passagem pelas jovens equipas de atletismo do Tramagal, já decidido a singrar no “jogo da bola”, Hélder Catalão, visto como uma promessa do futebol português, emergiria na equipa principal da Académica de Coimbra na temporada de 1974/75. No entanto, apesar de reconhecidas as suas habilidades, a presença de elementos bem mais tarimbados, casos de Melo ou Rogério Cardoso, não deixariam muito espaço para o inexperiente guarda-redes. Ainda assim, esse contexto não demoraria muito a mudar e a época seguinte serviria para confirmar todo o valor adivinhado no jogador.
Titularíssimo na alçada técnica de José Crispim, a campanha de 1975/76 acabaria por encaminhar o jovem guardião até aos trabalhos sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Nos “esperanças”, actualmente denominados sub-21, Hélder seria chamado à disputa da edição de 1976 do Torneio de Toulon, ao longo do qual acabaria por somar 4 internacionalizações.
Depois de uma época a sublinhar-se como um dos pilares dos “Estudantes, a verdade é que Hélder, inicialmente ainda a partilhar os deveres à baliza com os colegas, acabaria por perder algum protagonismo para Marrafa. Com o final da temporada de 1978/79 e com a despromoção da “Briosa”, talvez à procura de mais oportunidades para jogar, o guarda-redes optaria pela mudança para o Académico de Viseu. Ainda no 2º escalão, o jogador faria parte do plantel que devolveria a agremiação beirã ao patamar máximo. Nas duas épocas seguintes, voltaria a assumir-se como um dos grandes intérpretes a vogar entre os “grandes” e as belas exibições, que fariam dele o 2º atleta de sempre com mais partidas disputadas na 1ª divisão pelos “Viriatos”, levá-lo-iam a dar um novo salto na carreira.
A transferência para o Sporting de Braga na temporada de 1982/83, grupo que durante essa época disputaria a Supertaça, levá-lo-ia, no começo, a épocas algo discretas. Contudo, a partir da campanha de 1984/85, tirando algumas excepções, Hélder passaria a ser visto como um dos grandes esteios dos “Guerreiros”. Essa preponderância acabaria por empurrá-lo aos trabalhos da principal selecção portuguesa. Chamado por Juca, o primeiro a treiná-lo no já aludido emblema minhoto, o guarda-redes não conseguiria somar qualquer internacionalização “A”. Ainda assim, em algumas ocasiões haveria de ocupar um lugar no banco de suplentes e, a exemplo, seria inscrito nas fichas de jogos dos particulares frente a Angola e ao Brasil, respectivamente a 29 de Março e a 8 Junho de 1989.
Ao fim de 8 anos a vestir a camisola do Sporting de Braga, Hélder voltaria a mudar de rumo, dessa feita para passar a defender as cores do Beira-Mar. Mantendo-se na disputa da 1ª divisão, o destaque dessa sua temporada de estreia com a colectividade de Aveiro surgiria na Taça de Portugal e com a chegada à derradeira partida da prova. No Estádio Nacional do Jamor, chamado por Vítor Urbano, o guardião faria parte do “onze” escolhido para a importante peleja. Infelizmente para o seu emblema, a boa exibição que conseguiria fazer frente ao FC Porto seria insuficiente para evitar a derrota e os “Aurinegros”, depois de cumprido o prolongamento, sucumbiriam perante o 3-1 final.
Com o Beira-Mar a revelar-se como o último emblema primodivisionário da sua carreira, o guardião, após 17 campanhas no patamar maior do futebol português, ainda envergaria emblemas de outras agremiações. Nacional da Madeira, Amares e Monfortense, transformar-se-iam nos clubes a colorir a derradeira etapa da caminhada competitiva do jogador. Depois de “pendurar as luvas” no termo da campanha de 1996/97, quando já contava com 42 anos de idade, o antigo futebolista ainda voltaria a ligar-se à modalidade. Como treinador de guarda-redes, os maiores destaques viriam com o regresso ao Sporting de Braga e com a passagem pelos espanhóis do Tenerife.

1362 - LÚCIO


Ao surgir no plantel sénior do Leixões ainda na metade inicial da década de 1970, Lúcio teria a primeira campanha de destaque durante a temporada de 1975/76. No decorrer da referida época primodivisionária, o jogador haveria de sobrepor-se ao seu concorrente directo, o guarda-redes João Serrão. Curiosamente, a chegada do Benje, como reforço para o plantel do ano seguinte, devolvê-lo-ia ao banco de suplentes e, para piorar a situação, as prestações colectivas, findo o Campeonato Nacional, levariam à despromoção do emblema matosinhense.
Com a mencionada descida, Lúcio ver-se-ia vetado à disputa do escalão secundário luso. Ainda assim, mesmo afastado dos holofotes maiores do futebol, o guardião conseguiria exibições de tal forma positivas que levariam os responsáveis por outros emblemas a aferirem o atleta como um possível elemento a contratar. Porém, essa situação só viria a concretizar-se passados 5 anos a vogar na 2ª divisão. No Varzim de 1982/83, numa altura que já era um praticante com bastante traquejo competitivo, teria a oportunidade de regressar ao patamar máximo e desse modo encetar aquela que viria a tornar-se na melhor fase da sua carreira.
No Varzim, o “magriço” José Torres seria o primeiro técnico a dar ao guarda-redes a titularidade. Aliás, daí em diante, o jogador tornar-se-ia num dos principais esteios da equipa e um dos elementos que, tirando raras excepções, passaria a ilustrar o “onze” inicial dos “Lobos-do-mar”. Essa preponderância, constante durante a primeira passagem pelo clube, seria suficiente para dar ao atleta o estatuto de histórico. Outro dos factores que contribuiriam para tal avaliação, prender-se-ia com as chamadas aos vários escalões sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse sentido, depois de já ter representado, por 4 vezes, o conjunto “olímpico” português, o guardião acabaria por conseguir a sua oportunidade pelos “AA”. Frente a Itália, numa partida a contar para a Fase de Apuramento do Euro 88, o treinador Juca ver-se-ia forçado a substituir o lesionado António Jesus e, com a entrada em campo no Stadio Giuseppe Meazza, Lúcio conseguiria 1 internacionalização com a principal “camisola das quinas”.
Depois da meia-dúzia de anos cumpridos com as cores do equipamento alvinegro, Lúcio decidir-se-ia pela mudança de emblema, passando, a partir da temporada de1988/89, a representar o Tirsense. Ao integrar o plantel dos “Jesuítas” ainda na 2ª divisão, o guarda-redes ajudaria a equipa a voltar ao escalão máximo. Nas duas épocas seguintes, ambas primodivisionárias, manter-se-ia sempre em plano de destaque e, apesar da veterania, conservar-se-ia como um dos nomes mais vezes chamados à titularidade. Porém, com a idade a deixar adivinhar um fim de carreira a aproximar-se, o guardião, com a saída da agremiação sediada em Santo Tirso, poria um ponto final na caminhada entre os “grandes”. Seguir-se-ia o regresso ao Varzim e para finalizar uma caminhada sénior de mais de duas dezenas de anos, o termo do trajecto enquanto futebolista, em 1993/94, já com as cores da AD São Pedro da Cova.
Apesar de arrumadas as luvas, Lúcio não ficaria afastado da modalidade. Como treinador-adjunto, construiria uma longa e sólida carreira. Sobretudo ao lado de Carlos Brito, o antigo guarda-redes passaria por emblemas como Rio Ave, Estrela da Amadora, Boavista, Nacional, Leixões, Penafiel e Freamunde.

1353 - JÚLIO


Descoberto no Ramaldense, popular colectividade que também lançou Humberto Coelho, Júlio acabaria a sua formação já nos juniores do FC Porto e como campeão nacional da categoria. Aferido como um ponta-de-lança bastante oportuno, o jovem jogador, ainda com 17 anos, seria chamado, na época de 1971/72, à equipa principal dos “Dragões”. Com a estreia sénior a acontecer sob a alçada do treinador António Feliciano, a verdade é que nos anos vindouros, o avançado conquistaria, com algumas excepções, poucas oportunidades para envergar o listado dos “Azuis e Brancos”. Ainda assim, o atacante, por vários anos, manter-se-ia como um elemento válido dentro do plantel portista. Todavia, com a chegada de José Maria Pedroto ao Estádio das Antas, a situação do jogador, por razão da relação fleumática com o aludido técnico, pioraria e terminaria com um pedido de rescisão contratual – “Não dava, o meu feitio chocava com o dele. Ele tinha duas caras. Disse-lhe isso. Na cara. Então ò Rui, há uma digressão no Brasil e quatro/cinco jogadores não regressam a Portugal com a equipa. Diz-me ‘és o melhor do mundo’ e, de repente, no jogo seguinte, não contas para ele. Vais para a bancada enquanto os outros jogam? (…) Outra: sou suplente num jogo com a Académica. Ao intervalo, 0-0. ‘Vai lá para dentro e resolve’, disse-me ele. E resolvi, fiz o 1-0 e o 2-0. No jogo seguinte, nem convocado fui”*.
Seria também durante a primeira passagem de Júlio pelo FC Porto que as selecções entrariam no quotidiano do jogador. Arrolado primeiramente para representar as “esperanças”, a partida frente à Bulgária, a 13 de Outubro de 1973, encetaria um percurso que, num total de 5 internacionalizações, levaria o ponta-de-lança a representar a equipa “B”, os “olímpicos” e a ser listado aos trabalhos do conjunto “A”. Nesse percurso, as chamadas à equipa principal lusa trariam à história do atleta episódios peculiares e, pior que tudo, de grande infortúnio. O primeiro, em Setembro de 1980, por altura de um “amigável” disputado frente à Itália, terminaria com o jogador, contra todas as expectativas, a não sair do banco de suplentes. Novamente chamado por Juca, passados alguns meses surgiria a oportunidade de uma partida a contar para a Fase de Apuramento do Mundial de 1982. Na peleja a opor Portugal a Israel, o avançado acabaria a aquecer, mas um incidente tão curioso quanto azarado tiraria ao atacante a oportunidade de entrar em campo – “Disse-me para ir aquecer que ia entrar (…). Saí pela direita do banco, corri pela linha lateral, dei a volta à bandeirola de canto e continuei a correr pela linha de fundo (…). Sem saber, tinha o preparador-físico José Falcão a correr atrás de mim. Era um homem que usava uns óculos fundo de garrafa. Quando me viro para continuar a correr no sentido inverso, bato com o nariz nos óculos dele e parto a cana. Comecei imediatamente a sangrar”**. “O Juca vê aquilo e diz que não posso entrar com sangue. Nunca mais lhe falei. Quem entra é o Manuel Fernandes. Por essa altura, já estou no balneário a levar uns agrafos do massagista Mário Belo. Terminado o serviço, fui-me embora e nunca mais voltei à selecção”*.
Regressando ao percurso clubístico do avançado, ao fim de 6 temporadas no FC Porto e com o currículo colorido pela vitória na edição de 1976/77 da Taça de Portugal, Júlio haveria de ingressar no Varzim. No emblema da Póvoa, o ponta-de-lança acabaria por fazer uma grande campanha, a ponto de começar a despertar a cobiça de outros emblemas. O primeiro a fazer-lhe uma proposta concreta seria o Benfica, mas as divergências surgidas no momento de rubricar a nova ligação, levariam à suspensão do acto. Surgiria então o Boavista, emblema com o qual assinaria um contrato. No Bessa a partir da campanha de 1978/79, o jogador manter-se-ia como um elemento deveras importante no cumprir dos desígnios colectivos. Nesse sentido, é impossível não destacar dois momentos. O primeiro seria a final da Taça de Portugal de 1978/79, onde um golo seu empurraria a decisão da peleja para a finalíssima. Mais uma vez chamado para o “onze” por Jimmy Hagan, o avançado, com o único remate certeiro do desafio, daria o troféu aos “Axadrezados”. Para completar este capítulo, há ainda que fazer referência à Supertaça do ano seguinte, altercada frente ao FC Porto, e onde 2 tentos seus entregariam aos escaparates das “Panteras” a edição inicial do troféu.
Com 3 épocas no Bessa a revelarem elevados índices exibicionais, Júlio, mais uma vez, viria a ser contratado pelo FC Porto. Sem conseguir ser um titular indiscutível, o avançado conquistaria uma razoável fatia de preponderância nos objectivos da equipa, ajudando, logo na época de volta às Antas, à conquista da Supertaça de 1981/82. Contudo, com José Maria Pedroto de novo no comando técnico dos “Dragões”, o avançado, volvida uma campanha sobre o regresso do treinador aos “Azuis e Brancos”, pediria a rescisão da ligação laboral.
Seguir-se-iam, numa carreira a aproximar-se do fim, a época passada ao serviço do Vitória Sport Clube, onde voltaria a encontrar-se com o seu treinador no FC Porto, o austríaco Hermann Stessl. Depois surgiriam o Portimonense e o Salgueiros, numa caminhada desportiva que, com a conclusão da temporada de 1985/86 e com um total de 15 campanhas primodivisionárias, levaria Júlio a “pendurar as chuteiras”.

*retirado da entrevista conduzida por Rui Miguel Tovar, publicada a 30/07/2021, em https://tovarfc.pt
**retirado do artigo de Sérgio Pereira, publicado a 05/08/2010, em https://maisfutebol.iol.pt

1293 - LUZ

Antes ainda de aparecer na equipa principal do Boavista, já Luz brilhava nos patamares de formação dos “Axadrezados”. Igualmente avaliado pelos responsáveis técnicos da Federação como uma grande promessa, o guardião seria integrado no grupo que, com as cores de Portugal, conseguiria qualificar-se para a edição de 1969 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Sob a alçada da dupla David Sequerra (seleccionador) e Francisco Polido (treinador), depois da estreia frente à Itália ainda nas partidas de apuramento, o jovem futebolista seria arrolado à comitiva com destino à República Democrática da Alemanha e, ao lado de nomes bem conhecidos do futebol português, casos de Laranjeira, Carlos Simões, Carolino ou Barbosa, disputaria a Fase Final do referido certame.
Com o empurrão dado pelas internacionalizações somadas com a “camisola das quinas”, o guarda-redes, na temporada de 1969/70, emergiria no conjunto sénior do Boavista. Com as “Panteras” recém-regressadas à 1ª divisão, Luz, ligeiramente atrás na luta pela titularidade, acabaria por quase dividir o lugar à baliza com Quim. Todavia, apesar dos bons números apresentados, a frequência das suas presenças na ficha de jogo não teriam continuidade na campanha seguinte. Aliás, daí em diante o jogador disputaria poucas partidas pelos “Axadrezados” e, por razão da falta de oportunidades, a relação entre o atleta e o clube terminaria com o fim da campanha de 1971/72.
Com a saída do Bessa, o jogador encetaria um longo caminho longe dos palcos principais do futebol nacional. Sporting de Espinho, Salgueiros e Paços de Ferreira também fariam parte dessa etapa, cumprida durante 8 temporadas consecutivas. Seguir-se-ia, ainda na 2ª divisão, a entrada no plantel de 1979/80 do Penafiel. A chegada ao conjunto rubro-negro daria a oportunidade ao guardião de inscrever o seu nome numa das mais importantes páginas da história da colectividade sediada no Vale do Sousa. Já como um guarda-redes experimentado, Luz daria ao último reduto penafidelense a força necessária para a inédita subida ao escalão principal. Com a estreia do clube no patamar maior do futebol português a acontecer na época de 1980/81, essa campanha serviria igualmente para devolver o atleta ao convívio dos “grandes” e, de alguma forma, dar outra justiça aos números do seu currículo.
Como um dos pilares das duas primeiras campanhas primodivisionárias do Penafiel, seria com a despromoção do clube ao escalão secundário que daria início a um novo périplo. Nessa senda, depois de uma curta passagem pela Sanjoanense, Luz teria ainda a oportunidade de, na temporada de 1983/84 e ao serviço do Recreio de Águeda, voltar às pelejas da 1ª divisão. O guardião regressaria também ao Paços de Ferreira que, com mais 4 temporadas cumpridas com a camisola dos “Castores”, tornar-se-ia no emblema mais representativo de toda a sua caminhada desportiva.
Após “pendurar as luvas” no final da temporada de 1987/88, o antigo guarda-redes manter-se-ia ligado ao futebol. No Paços de Ferreira, onde em épocas idas e em paralelo aos deveres de jogador, já tinha experimentado as tarefas de treinador, António Luz passaria a dedicar-se à vida de técnico. Numa carreira que durante os primeiros anos fá-lo-ia cirandar por emblemas do norte do país, o grande destaque terá de ir para às ligações erguidas no arquipélago do Açores, nomeadamente ao serviço de agremiações como o Vitória do Pico, o Fayal Sport Club, o Lajense ou o Flamengos.

1274 - AMÍLCAR

Com a formação concluída no Oriental, seria no popular emblema “alfacinha” que Amílcar subiria ao patamar sénior. Com a campanha seguinte, já na temporada de 1973/74, o jovem futebolista, com a promoção da equipa ao escalão máximo, conseguiria também estrear-se na 1ª divisão. Apesar de pouco experiente, a verdade é que a grande montra do futebol português em nada intimidaria o defesa. Lançado no escalão máximo pelo treinador Pedro Gomes, o central rapidamente conseguiria segurar um lugar no “onze”. Ao conservar o estatuto de titular também na época subsequente, o prémio para as boas exibições chegaria com a chamada à selecção, nomeadamente aos trabalhos das “esperanças” lusas.
O encetar da temporada de 1975/76 revelaria Amílcar com as cores do Estoril Praia. Ao manter-se na 1ª divisão, o defesa, sempre a demonstrar uma evolução francamente positiva, consagrar-se-ia como um dos bons intérpretes a disputar as principais provas nacionais. Sem nunca abandonar o escalão máximo e como um dos pilares da estratégia montada pelos diversos treinadores contratados pelos “Canarinhos”, os 4 anos de bom nível vividos ao serviço do conjunto da Linha de Cascais, serviriam, ainda mais, para valorizar o atleta.
Seguir-se-ia no seu trajecto desportivo um dos emblemas mais importantes da carreira do defesa-central. No Belenenses a partir da temporada de 1979/80, seriam as 2 campanhas disputadas pela agremiação da “Cruz de Cristo” que catapultariam Amílcar para um patamar apenas alcançado por uma elite de praticantes. Depois de cimentado no sector mais recuado do desenho táctico, peça fundamental para qualquer um dos técnicos com quem trabalharia no Restelo, o atleta acabaria convocado a vestir a mais importante “camisola das quinas”. Chamado a jogo por Juca, seu antigo treinador nos “Azuis”, a estreia pela principal selecção portuguesa aconteceria a 20 de Junho de 1981, no Estádio das Antas. No decorrer desse “amigável” frente à Espanha, entraria para o lugar de Eurico Gomes e, desse modo, enriqueceria o currículo com 1 internacionalização “A”.
Apesar da indubitável importância do Belenenses na caminhada de Amílcar, o Portimonense, onde chegaria a envergar a braçadeira de capitão, tornar-se-ia no emblema mais representativo da sua ligação ao futebol. Depois de ter estado com um pé no Sporting Clube de Portugal, a “operação relâmpago” perpetrada pelos dirigentes da aludida colectividade algarvia, desviaria o jogador, no Verão de 1981, para o sul do país. Inserido num plante cheio de craques, casos de Joaquim Murça, Carlos Alhinho, Valter Costa, Norton de Matos ou Carlos Coelho, e orientado por um promissor e ambicioso Artur Jorge, mais uma vez, o defesa iria impor-se como um dos melhores elementos do plantel e, por conseguinte, do panorama desportivo em Portugal.
O regresso ao Estoril Praia na temporada de 1983/84 marcaria o fim da sua senda primodivisionária. Após 11 campanhas no convívio com os “grandes”, o atleta passaria a disputar os escalões secundários. O Estrela da Amadora e o Silves, em partes iguais, marcariam os últimos 4 anos do defesa como futebolista. Já o referido emblema algarvio, onde acabaria por “pendurar as chuteiras” em 1987/88, daria igualmente ensejo a outras funções dentro da modalidade. Ao dar aí os primeiros passos como treinador, Amílcar Fonseca alimentaria a carreira ao trabalhar em emblemas da região. Quarteirense, Imortal, Lagoa e Louletano também fariam parte dessa experiência. No entanto, seriam os anos passados nas equipas técnicas do Portimonense que mais importância trariam ao seu trajecto como técnico.

1260 - ARMANDO


Ao transitar, na temporada de 1983/84, da equipa de juniores para o conjunto principal do Sport Comércio e Salgueiros, Armando dos Santos, sem que ainda alguém soubesse, estava a dar os primeiros passos para ser tido como um dos bons avançados que, na passagem da década de 1980 para os anos de 1990, haveriam de colorir os diferentes palcos do panorama competitivo português.
Na referida campanha de estreia, com a primeira partida sénior do avançado a acontecer pela mão do treinador Octávio Machado, poucas seriam as vezes em que marcaria presença em campo. No entanto, a época seguinte destaparia um cenário completamente diferente, com o ponta-de-lança a conseguir revelar-se, não só como um dos elementos do plantel usado com maior frequência, mas como um dos atletas que passaria a compor o “onze” tipo idealizado pelo técnico Henrique Calisto.
Armando, daí em diante, posicionar-se-ia como uma das peças fulcrais no xadrez táctico do conjunto sediado no portuense bairro de Paranhos. Apesar da aparência esguia, a verdade é que o atacante, em todas as rondas, assumiria sempre uma postura bastante batalhadora. Ajudado pela avantajada altura, o avançado ficaria célebre pela atitude intrépida. Sem qualquer receio de pelejar com os defesas contrários, as jogadas por si conduzidas tornar-se-iam em acções fulcrais para o sucesso dos objectivos traçados para o grupo e os golos por si concretizados num tónico para voos de cariz pessoal.
Independentemente da mudança ou continuidade dos treinadores, a titularidade do jogador manter-se-ia como de crucial monta para a manutenção, numa boa sucessão de anos, do Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro como um dos escaparates futebolísticos do escalão máximo português. O estatuto ganho por Armando durante essas 4 temporadas na 1ª divisão, levaria outros emblemas a olhar para os seus serviços como capazes de reforçar os intentos colectivos dos respectivos grupos de trabalho. Nesse sentido, a proposta vinda dos responsáveis directivos do Boavista acabaria por levar o avançado a cambiar de cor de camisola e a abraçar o Bessa como a nova casa.
Nos “Axadrezados” a partir de 1987/88, o jogador, na primeira época no novo emblema conseguiria alimentar os números da sua carreira de forma bem cevada. Daí em diante, ainda que com registos mais discretos, Armando manter-se-ia sempre como um elemento muito participativo. Em 4 campanhas primodivisionárias, com o clube a lutar por metas mais cimeiras, o grande destaque da sua passagem pelas “Panteras” viria com o 3º posto conquistado no final da edição de 1988/89 do Campeonato Nacional. Com tal classificação, emergiria também a participação nas provas continentais agendadas para a temporada seguinte. Contudo, para a infelicidade do atleta, o treinador Raul Águas não levaria o avançado a entrar em campo na eliminatória frente aos alemães do Karl-Marx-Stadt.
Nas épocas subsequentes começaria por envergar a camisola do Gil Vicente para, um ano de depois da chegada a Barcelos, passar a trajar as cores do Farense. Com mais três campanhas na 1ª divisão a enriquecer-lhe o currículo, a passagem pelo Algarve, após 11 campanhas consecutivas no patamar máximo, marcaria o fim de Armando no convívio com os “grandes”. Seguidamente, a dividir a época em duas, chegariam ao percurso do avançado o Amora e o FC Marco. Daí em diante, uma verdadeira incógnita! Ao saber que o atleta completou a campanha de 1994/95 com 29 anos de idade, a verdade é que não encontrei qualquer outro registo capaz de elucidar-me sobre o prolongamento, ou não, da sua carreira! Terá “pendurado as chuteiras”? Terá continuado a caminhada competitiva noutro país? A dúvida persiste! Ainda assim, há uma pista. Sem saber grandes pormenores, cheguei a ler que o atleta, numa determinada altura, terá aberto uma loja de artigos de desporto no Luxemburgo.

1222 - PIRES


Atleta com facilidade em posicionar-se nos vários lugares da linha mais ofensiva, Manuel Pires haveria de emergir num dos emblemas da sua terra natal. No Grupo Desportivo “Os Nazarenos”, o avançado, depois de terminada a formação, seria promovido às competições seniores. Apesar das qualidades reveladas, a verdade é que demoraria alguns anos até conseguir atingir os patamares cimeiros das provas portuguesas. Após disputar o Campeonato da Associação de Futebol de Leiria e da breve passagem pela 3ª divisão nacional, seria o regresso aos “distritais” que, sem abandonar o clube, daria novo impulso à sua caminhada.
Já depois da transferência que o tornaria num elemento do plantel de 1978/79 do Ginásio de Alcobaça, Pires, de forma sistemática, começaria a subir degraus na carreira. Nesse sentido, a época imediata à da sua entrada no novo emblema, apresentar-lhe-ia o escalão secundário. Seguir-se-ia, sem deixar a 2ª divisão, a mudança para o Rio Ave. Com a chegada ao emblema de Vila do Conde, o jogador veria a sua vida competitiva transformar-se. Mesmo ao demorar algum tempo a afirmar-se no “onze”, a temporada de 1981/82, pela mão do treinador Mourinho Félix, apresentá-lo-ia ao patamar máximo do nosso futebol. A referida campanha, com o 5º posto na tabela de classificação, inscreveria o nome do avançado no rol de atletas a dar ao clube a melhor posição de sempre no Campeonato Nacional.
As campanhas seguintes, já com Pires alinhado como um dos titulares, trariam ao seu currículo outras ocasiões dignas de registo. A primeira, a 24 de Abril de 1983, chegaria na sequência dos trabalhos agendados pela Federação Portuguesa de Futebol. Integrado na selecção olímpica, o avançado, numa partida marcada para o Jamor, entraria em campo na peleja frente à República Federal Alemã. Ao sair do banco, o atacante daria um enorme contributo para a vitória frente à congénere germânica e, com um golo aos 79 minutos, ajudaria a inscrever no placard final o resultado de 3-1.
Seria também no Estádio Nacional que Pires viveria outros dos episódios mais marcantes da sua passagem pela colectividade vilacondense. Mais uma vez sobre a alçada do técnico Mourinho Félix, a chegada do Rio Ave ao derradeiro encontro da edição de 1983/84 da Taça de Portugal, registaria o momento no álbum de memórias do avançado, como inesquecível. Depois de ajudar a eliminar, entre outros emblemas, o Estoril Praia e o Vitória Sport Clube, o atacante seria chamado à titularidade na disputa da final. Infelizmente para si e para os seus colegas, a sorte do jogo sorriria ao adversário e, substituído aos 65 minutos, assistiria já do banco de suplentes ao último apito e ao FC Porto confirmado como o lado triunfador.
Com a evolução demonstrada no percurso percorrido, Pires começaria a ser cobiçado por outros emblemas. Com o Rio ave a não evitar a despromoção no final da temporada de 1984/85, o avançado prosseguiria a carreira no Boavista. A primeira grande novidade resultante da nova transferência, seria a participação nas competições europeias. Na campanha de estreia no Bessa, ao ser chamado por João Alves à disputa da Taça UEFA, entraria em campo frente aos belgas do Club Brugge.
O fim da ligação com os “Axadrezados”, acabaria por representar duas coisas para o atleta. Para começar seria a despedida da 1ª divisão. A segunda, já depois de uma passagem pela União de Leiria, representaria o regresso ao Ginásio de Alcobaça e, como fim de carreira, o retorno ao Grupo Desportivo “Os Nazarenos”. Já retirado das lides competitivas, Pires não ficaria afastado do desporto. Para além dos negócios na área da restauração, o antigo atleta é Presidente da Associação Recreativa do Planalto, colectividade em que sobressai a prática do Futsal.

1207 - JOSÉ MARIA


Oriundo de uma família pobre, a pesca, ainda em criança, tomaria conta da sua vida. Porém, apesar de muito ocupado pela actividade profissional, José Maria conseguiria arranjar tempo para alimentar a paixão pelo futebol. Seria assim que, em idade adolescente, tentaria a sorte no Varzim. Ficaria. No entanto, as faltas dadas por razão dos labores da faina, levariam os responsáveis pelas camadas jovens do emblema poveiro a mandá-lo embora. Dispensado, desistiu da modalidade. Só passado um par anos é que voltaria ao desporto e, dessa feita, ao Futebol de Salão. Regresso suficiente para chamar a atenção da modesta Associação Cultural e Desportiva de Fajozes e, daí em diante, abraçar a variante de “11”com outra força.
Depois de uma curta passagem pelo Castêlo da Maia, o Famalicão daria um novo fôlego à sua caminhada e logo em dois aspectos. Primeiro e com um contrato profissional, José Maria acabaria por deixar a vida no mar. Já o segundo pormenor viria com a substituição de dois colegas – “Eu era ponta de lança, sempre fui ponta de lança. Mas num jogo do Famalicão no terreno do Riopele ficámos sem dois jogadores de combate, que se lesionaram, logo aos vinte minutos: um central e um médio. O treinador era o Fernando Tomé, chamou-me ao banco e disse que só tinha um recurso: tinha de me meter a central. Acabámos por ganhar. A partir daí joguei como trinco, embora às vezes pudesse ser central ou lateral-direito”*.
Apesar de militar na 2ª divisão, os seus desempenhos fariam com que as 2 temporadas ao serviço da equipa minhota contribuíssem para cevar o seu valor. Esse crescimento levaria o Varzim a apostar na sua contratação. Ao mudar-se para o emblema da sua terra, orientado pelo “magriço” José Torres, José Maria, na campanha de 1983/84, teria a oportunidade para fazer a estreia no escalão máximo. Pouco afectado pelo acréscimo da exigência competitiva, o “trinco” logo assumiria um lugar no “onze” inicial. Aliás, a titularidade seria uma constante durante toda a sua caminhada desportiva. Como um atleta de raça, durinho e incapaz de virar as costas à luta, o médio tornar-se-ia indispensável para os treinadores. Poucas vezes seria preterido no alinhar da equipa e só o enorme azar de duas graves lesões contraídas, afastariam o médio dos campos da bola.
A primeira lesão, para além de um longo período de recuperação, interromperia as negociações e impediria mesmo a transferência do jogador para o Sporting. Já o segundo incidente, mais uma vez uma perna partida, aconteceria quando José Maria defendia as cores do Tirsense. Com convites de vários emblemas, a opção do médio-defensivo pelo emblema “jesuíta” levá-lo-ia, na temporada de 1988/89, a abraçar um novo projecto. Contribuiria, na campanha da sua chegada, para o regresso do clube à 1ª divisão. Depois, ajudaria a colectividade a manter-se no convívio com os “grandes”, mas o final da época de 1990/91, não evitada a despromoção, marcaria também o regresso do atleta à Póvoa de Varzim.
Pouco mais duraria a sua carreira desportiva. Ainda na primeira metade da década de 90, ao aceitar o desafio lançado pelos dirigentes dos “Lobos do Mar”, passaria a dedicar-se às tarefas de técnico, no papel de treinador-adjunto do Varzim. “Sol de pouca dura”, pois a decisão de José Maria, após um convite para orientar as camadas jovens da colectividade poveira que nunca chegaria a concretizar-se, seria a de voltar às lides da pesca.

*retirado do artigo de Sérgio Pereira, publicado a 26/04/2018, em https://maisfutebol.iol.pt

1205 - VIEIRINHA

Ainda como júnior do Estoril Praia, Vieirinha logo começaria a dar sinais de uma qualidade competitiva acima da média. A prova dessa competência seria confirmada, em Novembro de 1968, pela sua chamada às jovens selecções de Portugal. Pelos sub-18 lusos, ao partilhar a experiência ao lado de outras promessas do futebol nacional, o defesa seria chamado a entrar em campo num “particular” frente à congénere francesa.
Na temporada a seguir à partida disputada com a “camisola das quinas”, a Vieirinha ser-lhe-ia dada a oportunidade de subir ao conjunto principal dos “Canarinhos”. Com a equipa ainda a disputar o 3º escalão nacional, os primeiros anos da carreira desportiva do lateral-direito passariam pelos patamares inferiores do futebol português. No entanto, tudo iria mudar para o defesa, com a chegada de Jimmy Hagan na campanha de 1973/74. A entrada do treinador inglês para o comando técnico do Estoril Praia como que serviria de tónico. Em 2 anos consecutivos, a colectividade sediada na “Linha de Cascais” subiria duas vezes de degrau e, desse modo, alcançaria a 1ª divisão.
Por altura do regresso do Estoril Praia ao escalão máximo, já Vieirinha era tido como uma das principais figuras do clube. Nem mesmo o Serviço Militar Obrigatório, nem o destacamento que o levaria até às pelejas da Guerra Colonial na Guiné-Bissau, afastariam o atleta duma das suas maiores paixões. De volta às actividades desportivas, o lateral agarraria um lugar no “onze” estorilista e ajudaria à conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão de 1974/75. Já como “actor” nos palcos principais do nosso futebol, o defesa sublinharia as capacidades que, anos antes, tinham posto os trabalhos das jovens selecções no seu caminho. Tal seria o destaque conseguido durante as 3 campanhas seguintes, com a qualidade exibicional revelada a elevá-lo à condição de um dos melhores a actuar na sua posição, que a sua carreira sofreria novo impulso. A mudança surgiria através do convite endereçado pelo FC Porto e, ao aceitar o repto lançado, a época de 1978/79 marcaria um dos episódios mais importantes da sua caminhada.
Sob a alçada do treinador José Maria Pedroto, a entrada de Vieirinha no Estádio das Antas, com uma competição interna bem renhida, traria ao quotidiano do jogador a natural dificuldade em assegurar as mesmas oportunidades que até aí tinha conseguido. Sem nunca ter sido avaliado como um dos indiscutíveis do “onze” do FC Porto, ainda assim a passagem do defesa pelos “Azuis e Brancos” seria preenchida por bons momentos. Para além da participação na Taça dos Clubes Campeões Europeus, tendo entrado em campo na eliminatória frente ao AEK de Atenas, o melhor dessa temporada de 1978/79 chegaria com a vitória no Campeonato Nacional. Já na época seguinte, o desempenho do defesa pautar-se-ia por aferições mais discretas e, nesse sentido, a relação entre o atleta e os “Azuis e Brancos” chegaria ao fim.
Após a saída do FC Porto, seguir-se-ia o Vitória Futebol Clube. Porém, um ano volvido sobre a chegada a Setúbal e com o regresso do Estoril Praia à 1ª divisão, Vieirinha retornaria ao emblema onde tinha passado a maior parte do percurso competitivo. As partidas disputadas nas 3 temporadas subsequentes, sempre no patamar máximo, contribuiriam para vincar, ainda mais, a inscrição do nome do atleta nos anais do clube. Nesse sentido, o total de 160 jogos disputados no escalão máximo, transformariam o lateral-direito no 3º atleta com mais partidas feitas no patamar maior do futebol português, na história dos “Canarinhos”.

1195 - FREITAS

Depois de começar a jogar futebol no Lusitano do Lobito, a viagem para Portugal, com o intuito principal de continuar os estudos, levá-lo-ia até ao Belenenses. No Restelo, ainda que tido como um jogador com pouca capacidade técnica, Freitas conseguiria impor-se no centro do sector mais recuado. Com a chegada aos “Azuis” a acontecer na temporada de 1967/68, a sua dedicação, rigor táctico e força física seriam suficientes para fazer dele um elemento importante no seio do plantel lisboeta.
Ao dividir, durante as duas primeiras campanhas, as presenças em campo com outros colegas, a época de 1969/70 mostraria o defesa já como um dos titulares. Daí em diante, Freitas tornar-se-ia num dos grandes pilares dos sucessos do colectivo. Ao configurar-se como uma figura nuclear de um Belenenses a lutar, muitas vezes, pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, o atleta assumir-se-ia também como um dos nomes habituais nos trabalhos da selecção nacional. Com a estreia pela principal equipa de Portugal a acontecer a 10 de Maio de 1972, essa partida de qualificação para o Mundial de 1974 frente ao Chipre, serviria de arranque a uma caminhada na qual acumularia um total de 9 internacionalizações “A” e 1 participação pelo conjunto “B” luso.
Ao fim de 9 temporadas a defender o emblema da “Cruz de Cristo”, depois de 212 jogos no escalão máximo, das participações com a “camisola das quinas” e da presença, no Maracanã, com as cores da selecção do Mundo, Freitas aceitaria um novo desafio para a carreira. Com José Maria Pedroto no comando técnico do FC Porto, a época de 1976/77, a da chegada do atleta à “Cidade Invicta”, ficaria marcada pela conquista da Taça de Portugal. Depois desse primeiro grande título, seguir-se-iam uma série de conquistas que abrilhantariam, ainda mais, os escaparates do clube e o currículo do jogador. A campanha imediata assinalaria o fim de 19 anos sem a conquista, por parte dos “Dragões”, da prova maior do calendário futebolístico nacional. À vitória no Campeonato de 1977/78, juntar-se-ia a vitória na edição seguinte da referida prova. Por fim, no que ao palmarés do defesa diz respeito, há ainda que fazer referência ao triunfo na Supertaça Cândido de Oliveira de 1981/82.
Já numa fase marcadamente descendente do trajecto competitivo, Freitas teria ainda tempo para outras duas camisolas. Depois de em 1983/84, ainda na 1ª divisão, representar o Portimonense, a passagem pelo Sporting de Espinho na campanha de 1984/85, significaria o fim da sua história como futebolista. Sem deixar a Costa Verde, logo após “pendurar as chuteiras”, o antigo defesa assumiria o papel de treinador dos “Tigres”. Nas funções de técnico, viveria algumas experiências no seu país natal, as quais marcariam a sua memória com momentos arrepiantes – “(…) quando estive a treinar em Angola um avião que nos transportava caiu mas conseguimos escapar “*. Mais tarde voltaria a sobreviver a outro acidente de aviação – “(…) o helicóptero caiu porque acabou a gasolina”*! Já de volta a Portugal, juntamente com os filhos, inauguraria a Escola Futebol 115.

*retirado do artigo de Eugénio Queirós, publicado em www.record.pt, a 04/12/2016

1139 - RONNIE GLAVIN


Ao aproveitar a descida do Partick Thistle ao segundo escalão escocês, Ronnie Glavin, até aí um elemento não muito utilizado do plantel, conseguiria assumir-se como um dos jogadores mais importantes no regresso do seu emblema à “Premier Division”. De volta ao patamar máximo na temporada de 1971/72, seria ainda na metade inicial dessa campanha que venceria o primeiro grande troféu da carreira. Chamado ao “onze” inicial, ajudaria a derrotar o Celtic e, depois de uma vitória por 4-1, a inscrever a conquista da Taça da Liga no palmarés pessoal.
Curiosamente, seria o Celtic o próximo emblema na sua caminhada profissional. Depois de destacar-se como um futebolista talentoso, dono de uma técnica superior, de uma enorme visão de jogo e de um remate tão valioso como as outras habilidades já referidas, ainda no Partick Thistle começariam a surgir os primeiros rumores de emblemas interessados na contratação do médio-ofensivo. Veiculados Manchester United e Glasgow Rangers como futuros destinos, seria o apelo do emblema de que era adepto que levaria o atleta a mudar de cores.
Após 6 épocas ao serviço do Partick Thistle, a mudança na temporada 1974/75 para o Celtic, transformaria o médio no jogador mais caro da história do emblema “católico”. Talvez pressionado pelos números da transferência, a verdade é que a primeira campanha de Ronnie Glavin de “verde e branco” seria um pouco discreta. Todavia, daí em diante conseguiria afirmar-se como um dos elementos de referência no seio do plantel. Nesse sentido, a parceria com Kenny Dalglish tornar-se-ia num bom tónico para alavancar as exibições do atleta. Já como um dos elementos mais utilizados da equipa, e depois da vitória na Taça da Escócia de 1974/75, seguir-se-iam outros títulos, com destaque para as vitórias nas edições de 1976/77 e 1978/79 da Liga escocesa e ainda para a conquista de outra Scottish Cup, em 1976/77.
A importância revelada em cada jogo levá-lo-ia a ser convocado à selecção nacional. Incrivelmente, e ao destacar-se como um dos bons nomes do futebol escocês dos anos 70, Ronnie Glavin apenas conseguiria 1 internacionalização na sua carreira sénior. Nessa partida, disputada no mítico Hampden Park a 27 de Abril de 1977, acabaria por defrontar a congénere sueca. Chamado a jogo pelo treinador Willie Ormond, o médio entraria no “onze” inicial e contribuiria, no “particular” frente á nação escandinava, para a vitória por 3-1.
Outro pormenor interessante sobre a sua carreira, aconteceria no final da campanha 1978/79, com o fim da ligação ao Celtic. Apesar de ser um dos nomes habituais na ficha de jogo, a especulada necessidade de dar um novo ânimo à sua caminhada competitiva, levaria o médio a procurar um novo rumo. Até aqui tudo normal, mas a grande curiosidade desse episódio tornar-se-ia na escolha da nova colectividade a representar, ou seja, na troca do histórico emblema da cidade de Glasgow pela 3ª divisão inglesa e pelo modesto Barnsley. No entanto, a transferência traria, pelo menos a nível pessoal, algo extra ao currículo do jogador. Ao fim de 5 temporadas de excelsas exibições, Ronnie Glavin tornar-se-ia na grande estrela da equipa, ao ponto de, ainda hoje, ser recordado como um dos melhores atletas de sempre do conjunto sediado em Yorkshire.
Seria então do Barnsley que, já numa etapa avançada da sua carreira, reforçaria o Belenenses. Sob a alçada do britânico Jimmy Melia, mesmo já com 34 anos de idade, o médio-ofensivo assumiria um papel importante no esquema táctico dos “Azuis”. No Restelo marcaria presença na maior parte das pelejas calendarizadas para a temporada de 1984/85, mas a ligação com os da “Cruz de Cristo” terminaria após um ano de boas exibições. Seguir-se-ia o regresso a Inglaterra e os primeiros passos em novas funções. De volta ao Barnsley, ainda que no papel de adjunto-jogador, começaria a ganhar alguma experiência como técnico. Passaria, também nessas funções, pelo Stockport County, onde voltaria a encontrar-se com o “manager” inglês com quem tinha trabalhado em Lisboa.
Já após representar os escoceses do Cowdenbeath e os norte-americanos do St. Louis Steamers, Ronnie Glavin passaria a dedicar-se, em exclusivo, às tarefas de treinador. Numa carreira bem longa, o antigo internacional pela Escócia trilharia o seu caminho em emblemas de escalões mais baixos e patamares amadores de Inglaterra.

1109 - JOSÉ ROMÃO

Natural de Beja, seria nessa cidade alentejana que José Romão daria os primeiros passos no futebol. Depois de um percurso formativo feito com as cores do Despertar Sport Clube, seria a mudança para o Desportivo que acabaria por apadrinhar a sua promoção ao patamar sénior.
Apesar de apenas disputar a 3ª divisão nacional, os bons desempenhos do extremo-direito levariam o Vitória de Guimarães a aferir em si um bom reforço para os anos vindouros. Pouco tempo passado após a sua estreia na equipa principal da colectividade bejense, o atacante, com a viagem para a “Cidade Berço”, passaria a viver uma realidade competitiva bem diferente daquela a que estava habituado. Com os vimaranenses a disputar o escalão máximo do futebol nacional, a grandeza do salto dado pelo atleta poderá explicar o vivido nos anos seguintes à sua chegada ao novo clube. No Minho, entre 1971 e 1976, poucas seriam as oportunidades que o atacante conseguiria alcançar. A escassez de jogos feitos pelo primeiro conjunto levá-lo-ia a procurar uma nova solução e a atravessar um largo período afastado das mais importantes decisões do futebol português.
Com passagens pela AD Fafe, Penafiel, Rio Pele e Ginásio de Alcobaça, a experiência de José Romão na 2ª divisão terminaria com a promoção do último emblema arrolado no começo deste parágrafo. Com a colectividade pertencente à Associação de Futebol de Leiria a conseguir estrear-se na 1ª divisão nessa temporada de 1982/83, o nome do avançado ficaria, incontornavelmente, ligado à história do clube. Idêntico elo conseguiria na ligação ao Vizela. Depois de uma época em que, ainda na condição de jogador, ajudaria o emblema minhoto na subida de divisão, a campanha de 1984/85 levá-lo-ia a assumir o comando técnico da equipa e, com isso, a tornar-se no primeiro treinador a orientar o clube no patamar máximo do Campeonato Nacional.
Aliás, seria no desempenho das funções de treinador que José Romão mais conseguiria destacar-se. No referido papel, cimentar-se-ia como um nome incontornável no teatro primodivisionário. Para além do Vizela, também o Penafiel, Desportivo de Chaves, Vitória de Setúbal, Famalicão, Belenenses, Tirsense, Académica e Alverca fariam parte do seu trajecto profissional. Com tamanho traquejo a enriquecer o seu currículo, o convite por parte da Federação Portuguesa de Futebol, serviria como reconhecimento do seu bom desempenho. Começaria, na campanha de apuramento e fase final do Mundial de 2002, como adjunto de António Oliveira. Passaria, depois, a trabalhar com os conjuntos sub-21 e “olímpicos” de Portugal, com os quais, respectivamente, disputaria o Euro 2004 e, ainda no mesmo ano, o torneio de futebol dos Jogos de Atenas.
Depois de cumprida a etapa na Federação, José Romão, ao dar seguimento ao seu papel como treinador, passaria a orientar equipas estrangeiras. Marrocos, Catar e Kuwait apresentar-se-iam como os novos cenários competitivos do técnico português. Apesar das boas prestações nos países do Médio Oriente, seria na nação magrebina que o “timoneiro” luso alcançaria maior sucesso. Após ter conseguido vencer o Campeonato em 2005/06 ao serviço do WAC, o seu regresso a Casablanca, dessa feita à frente dos destinos do Raja, levá-lo-ia, em 2008/09, a repetir a vitória na principal competição marroquina.

1106 - TEIXEIRINHA

Ao destacar-se nos juniores do Estoril Praia, Teixeirinha acabaria incluído nos trabalhos das jovens selecções portuguesas. Para além do prémio das chamadas aos escalões de formação da Federação Portuguesa de Futebol, nessa mesma temporada de 1977/78, a qualidade dos seus desempenhos seria reconhecido com a estreia na equipa sénior dos “Canarinhos”. Com tão célere escalada, seria o Benfica que rapidamente iria no seu encalço. Porém, a mudança de emblema não traria os resultados esperados e mesmo ao manter-se como um dos arrolados dos sub-18 da “equipa das quinas”, a dificuldade apresentada durante o período passado com as “Águias” levaria a que o defesa-lateral nunca conseguisse uma oportunidade no conjunto principal “encarnado”.
Depois da temporada passada na “Luz”, o regresso ao conjunto sediado na Linha de Cascais, devolveria o jogador ao normal caminho evolutivo. No seu crescimento e de forma progressiva, Teixeirinha acabaria por conquistar um lugar no “onze” do Estoril Praia. Todavia, e tendo voltado numa altura em que o clube disputava a 1ª divisão, seria a época seguinte e a descida de escalão que levariam o jogador a assumir uma posição na equipa inicial. O final dessa campanha de 1980/81, com nova promoção ao patamar máximo, serviria também para que o defesa começasse a alicerçar-se como um atleta de cariz primodivisionário. Esse estatuto vincar-se-ia ao ponto do lateral começar a ser visto como um dos melhores intérpretes a jogar na sua posição. Após 3 anos de bom nível exibicional, nova oportunidade surgiria na sua caminhada e a mudança para o Algarve traria novos desafios à sua carreira.
A transferência para o Portimonense, no começo da temporada de 1984/85, entregá-lo-ia a outras metas. Com o conjunto do Barlavento em franco crescimento, o defesa tornar-se-ia numa das mais importantes peças da equipa. Ao assumir a titularidade, o lateral, logo no ano da chegada, seria um dos principais nomes na excelente caminhada do emblema algarvio no Campeonato Nacional. Com o 5º posto da tabela classificativa a ficar assegurado no final da já referida campanha, o ano seguinte levaria o clube, e o jogador, à estreia nas competições europeias. Nesse sentido, na edição de 1985/86 da Taça UEFA, calharia em sorte o Partizan de Belgrado. Com Teixeirinha a ser chamado ao “onze” em ambos os embates, a vitória caseira por 1-0 encheria o coração de todos com a perspectiva de uma possível qualificação para a ronda seguinte. No entanto, a 2ª mão, disputada na antiga Jugoslávia, seria madrasta para os portugueses. Ainda assim, nem a derrota por 4-0, nem a subsequente eliminação, haveria de tirar o nome do futebolista dos anais da colectividade.
Curiosamente, o fim da ligação ao Portimonense transformar-se-ia também no derradeiro capítulo de Teixeirinha no escalão máximo nacional. Sem nunca ter perdido a preponderância no seio do plantel “alvinegro” e ainda numa idade a pouco justificar a falta de oportunidades, a verdade é que a carreira do defesa, daí em diante, passaria a trilhar os caminhos dos patamares secundárias. Depois de, em 1988/89, ter assinado pelo Louletano, as escolhas que faria nos anos seguintes também não contribuiriam para o seu regresso à 1ª divisão. Seguir-se-iam o Sporting de Espinho, Alba e Machico e, seguida a um largo interregno, a sua experiência nos “amadores” do Passil.
Após, em definitivo, ter posto um ponto final na caminhada como praticante, fica também o registo da sua experiência como técnico. No papel de adjunto da equipa principal e também como timoneiro em alguns escalões de formação, destaque para a sua passagem pelo Samouquence.