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1757 - ZEFERINO

Ponta-de-Lança com grande aptidão para o golo, Zeferino Paulo Borges Soares, mesmo sem apresentar uma estampa física espantosa, desde muito cedo, haveria de chamar a atenção para as suas enormes potencialidades. Praticante pertencente às “escolas” do FC Porto, também nas jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, o jogador conseguiria destacar-se pelas qualidades desportivas. Com o percurso com as cores lusas encetado nos sub-16, o atacante, num somatório de 46 internacionalizações e 34 remates certeiros, manter-se-ia, durante vários anos, nas cogitações dos diferentes seleccionadores. Tendo a primeira aparição acontecido a 3 de Novembro de 1993, essa partida frente a França, na qual seria orientado por Rui Caçador, serviria de arranque a uma caminhada que iria empurrar o atacante para inúmeros certames de grande monta. Nesse sentido, pelo meio da presença no Europeu sub-16 de 1994, no Mundial sub-17 de 1995 ou no Europeu sub-18 de 1996, o maior destaque emergiria da sua participação no Europeu sub-16 de 1995 e de uma final, onde, frente a Espanha, marcaria um dos golos da vitória por 2-0.
Com o merecido destaque conseguido com a “camisola das quinas”, Zeferino, ainda em idade de formação, começaria a ser cobiçado pelos “gigantes” da Europa. Desse modo, num processo algo conturbado, o avançado deixaria o FC Porto para, com apenas 16 anos de idade, passar a representar o Real Madrid. Incluído no plantel “B” de 1995/96 dos “Merengues”, o avançado ainda manteria a ligação contratual à agremiação da capital espanhola durante vários anos. No entanto, sem nunca ter tido a oportunidade de representar o conjunto principal dos “Madridistas”, o ponta-de-lança primeiro passaria por empréstimos ao Las Palmas de 1997/98, ao Badajoz de 1999/00, até ser, a meio da temporada de 2000/01, libertado de qualquer obrigação. A dispensa faria com que repensasse a sua carreira e o regresso a Portugal levá-lo-ia, lado a lado com Tinaia, seu parceiro na aventura pelo país vizinho, a rubricar uma união com o Alverca.
No emblema ribatejano, inicialmente treinado por Jesualdo Ferreira, Zeferino voltaria a dar a ideia de puder recuperar alguma da magia perdida em Espanha. Todavia, o avançado, apesar da utilidade demonstrada durante a ligação de 3 anos e meio ao Alverca, nunca conseguiria afirmar-se como um dos titulares absolutos. Ainda assim, o referido período serviria para que o atleta viesse, não só a fazer a estreia, como a disputar 3 edições do Campeonato Nacional da 1ª divisão. De seguida, surgiriam novas passagens pelo estrangeiro. Tais experiências encaminhá-lo-iam, na campanha de 2004/05, até ao Umm-Salal do Qatar. Após o Médio Oriente, o avançado tentaria a Major Soccer League, mas os treinos no DC United não correriam como o pretendido e o avançado-centro acabaria por não assinar qualquer contrato.
À desilusão vivida nos Estados Unidos da América, suceder-se-ia o regresso ao país de “Nuestros Hermanos” onde, no 4º escalão espanhol, passaria a representar o Logroñes. Por fim, numa errância que caracterizaria os derradeiros anos do seu trajecto competitivo, com uma sabática de um ano pelo meio, emergiria novamente o Umm-Salal. Já em 2008/09, viria uma hipotética e breve passagem pelo Chipre do Norte e pelo Cetinkaya TSK*, para, ainda na última época mencionada, viajar até Malta onde, com as cores do Hibernians, acabaria a sagrar-se campeão daquele país situado no meio do Mar Mediterrâneo.

*não consegui confirmar tal informação. 

1712 - CATANHA

Nascido como Henrique Guedes da Silva, seria pela alcunha Catanha que o avançado ficaria conhecido no universo do futebol.
Até aqui, tudo bem! O pior surgiu no momento em que tentei reconstruir a sua caminhada competitiva! Nesse sentido, com diferentes fontes a veicularem trajectos bem diferentes, foi deveras difícil – no meu caso, impossível – conseguir recriar essa sua passagem pelo “jogo da bola”, com uma certeza inabalável. Ainda assim, e para encetar esta tentativa de biografia, a informação a aparecer com maior frequência é aquela a dizer-nos o início da carreira sénior de Catanha no plantel de 1991 do São Caetano.
Os passos seguintes da caminhada do atleta, numa ordem que depende da origem da informação, surgiriam da sua ligação a CSA, União São João, Paysandu e fazendo fé em fontes a aparecerem de forma mais esparsa, igualmente ao Rio Branco. Finalmente, tendo em conta que, daí em diante e durante vários anos, o seu percurso reveste-se de uma certeza bem alicerçada, emergiria a ligação de Catanha ao Belenenses de 1995/96. Já no Restelo, onde chegaria com a referida temporada a meio, o avançado-centro passaria a ser orientado por João Alves. Porém, com a ida do “Luvas Pretas” para o Salamanca, o jogador, numa “senda lusa” que englobaria nomes como Ivkovic, Paulo Torres, Miguel Serôdio, Nuno Afonso, Taira, Agostinho, Giovanella, Pauleta e César Brito, também acabaria a mudar-se para as provas espanholas agendadas para 1996/97.
Curiosamente, a sua passagem pelos “Charros” ficaria bem aquém do já revelado anteriormente. A fraca prestação obtida nessa época cumprida no emblema sediado na região de Castela e Leão levá-lo-ia, na campanha seguinte, a ser emprestado ao Leganés. Ainda no escalão secundário, os números conseguidos pelo novo clube, fariam com que o Málaga decidisse apostar na sua contratação. Na colectividade sediada no Sul do país, o avançado finalmente veria a sua “veia goleadora” a despontar e após a consagração como o Melhor Marcador da Segunda División de 1998/99, a subida de patamar, ainda ligado aos “Boquerones”, catapultá-lo-ia para os melhores anos da carreira.
Com a época de 1999/00 a mostrá-lo como o goleador máximo do Málaga e o 3º na tabela do Pichichi, Catanha veria a sua cotação a subir em flecha. Esse acréscimo de valor, fá-lo-ia ser cobiçado por emblemas com ambições maiores e a transferência para o Celta de Vigo, à altura por um montante recorde para o clube galego, transformar-se-ia num dos grandes acontecimentos do defeso estival de 2000. Nos Balaídos, onde começaria por ser treinado por Víctor Fernandéz, técnico que viria a ter uma ligação com o FC Porto, o avançado-centro conservar-se-ia como um dos bons intérpretes da La Liga. Paralelamente à confirmação das suas habilidades surgiria, então, a oportunidade do atacante vir a naturalizar-se e, com o termo do processo inerente à obtenção da nacionalidade espanhola, abrir-se-lhe-iam as portas da “La Roja”.
A estreia pela principal selecção de Espanha aconteceria, pela mão de José António Camacho, a 7 de Outubro de 2000. Depois dessa partida frente a Israel, agendada para o Estádio Santiago Bernabéu, Catanha teria a ocasião de disputar outras partidas do foro internacional. Igualmente no âmbito da Fase de Qualificação para o Mundial de 2002, participaria também no embate com a Áustria. Por fim, num trajecto que daria ao seu currículo um total de 3 partidas efectuadas com a camisola da “La Roja”, o avançado seria ainda convocado para, em Novembro do mesmo ano, entrar em campo num “amigável” frente aos Países Baixos.
Após 3 anos e meio passados na Galiza, Catanha decidiria ser a hora de mudar de rumo. Daí em diante, a sua carreira assumiria os contornos de uma caminhada extremamente errante. Depois dos russos do Krylya Sovetov, o avançado, a meio da temporada de 2004/05 regressaria ao Belenenses. De seguida, num trajecto dividido entre o Brasil e a Espanha surgiriam uma larga série de emblema que, como já destapei anteriormente, não tive como assegurar a sua veracidade no currículo do jogador. Ainda assim, pelo meio de diversas informações a dar-nos a sua união a clubes como o Marília, Sport Atalaia, CSA, Corinthians Alagoano, Sete de Setembro, Santa Rita, ou, já na fase espanhola, a Linares, Unión Estepona, Zenit de Torremolinos e Atlético Estación, há a destacar a sua passagem pelo Atlético Mineiro de 2005 e pelo Dos Hermanas San Andrés, onde, aos 44 anos, partilharia o balneário com o filho.
Já como treinador e também nas funções de dirigente, o antigo avançado parece ter tido algumas experiências. Sem que tenha conseguido confirmar tais informações, deixo-vos uma lista do que tem sido veiculado para Catanha nas aludias tarefas, nomeadamente os gibraltarinos do Leo FC, o Almuñécar City, o Nerja, o Unión Estepona ou as camadas de formação do Málaga.

1553 - CARLOS ALBERTO SILVA


Formado em Educação Física, seria no início dos anos de 1970 que Carlos Alberto Silva encetaria a carreira como treinador-principal no futebol sénior. Ainda na mesma década, a mudança para o Guarani, onde viria a orientar os ainda jovens Careca e Renato, traria ao seu palmarés o primeiro grande título. Com a entrada no emblema de Campinas a acontecer na temporada de 1978, o treinador dirigiria o clube até ao derradeiro jogo do “Brasileirão”. Na final encontrar-se-ia com o Palmeiras e, com vitórias em ambas as mãos, daria aos escaparates do “Bugre” o mais importante título do calendário futebolístico brasileiro.
Também nos “estaduais” conseguiria títulos meritórios. Pelo São Paulo venceria o “Paulistão” em 1980, 1989 e ainda participaria na campanha vitoriosa de 1981. No Campeonato Pernambucano, ao serviço do Santa Cruz, ergueria o troféu em 1983. Já na disputa do “Mineirão”, sagrar-se-ia campeão em 1981 pelo Atlético Mineiro e teria, mais uma vez, a sua cota parte de responsabilidade no triunfo conseguido pelo Cruzeiro, na época de 1987. Aliás, seria no emblema de Belo Horizonte que viria a selar outro momento importante na sua caminhada profissional, quando, numa digressão em Portugal, tomaria a decisão de lançar na equipa principal um jovem de nome Ronaldo Luís Nazário de Lima.
Outro emblema que defenderia, com enorme galhardia e sucesso, seria o da Confederação Brasileira de Futebol. Pela “Canarinha” venceria a edição de 1987 dos Jogos Pan-Americanos e qualificaria o Brasil para os Jogos Olímpicos de 1988. No torneio com sede em Seul, para onde levaria inúmeros nomes bem conhecidos do futebol português, como José Carlos, Batista, Ricardo Gomes, André Cruz, Aloísio, Careca e Valdo, o técnico conduziria o “Escrete” até à Medalha de Prata.
No estrangeiro, já como um treinador de créditos firmados no seu país natal, começaria pelo Japão, onde, ao serviço do Yomiuri FC (actual Tokyo Verdy) viria a sagrar-se campeão em 1991. Seguir-se-ia, pouco tempo depois, a sua experiência em Portugal. Contratado por Jorge Nuno Pinto da Costa para orientar o plantel de 1991/92 do FC Porto, o sucesso do técnico brasileiro seria imediato. À frente dos “Dragões”, onde voltaria a encontrar-se com Aloísio, venceria, por duas vezes consecutivas, o Campeonato Nacional da 1ª divisão. Também conquistaria a Supertaça de 1991/92, após uma finalíssima curiosamente disputada já no decorrer da época seguinte. No entanto, a memória do aludido Presidente dos “Dragões” sublinhá-lo-ia como uma pessoa distinta – “Tinha aquele jeito introvertido, mas era um excelente conversador e enquanto foi nosso treinador mostrou ser sempre um trabalhador incansável, com os bons resultados que conhecemos (…), mas nesta altura o que mais recordo é a relação de amizade que mantivemos todos estes anos”*.
No resto da carreira, cumprida na sua grande percentagem na defesa de emblemas brasileiros, as excepções emergiriam dos desafios lançados por emblemas europeus. Nesses regressos ao “Velho Continente”, o maior destaque iria para os seus desempenhos na La Liga, com as cores do Deportivo La Coruña. Obviamente, seria impossível esquecer a sua passagem pelos Açores, onde, à frente de um primodivisionário Santa Clara, orientaria o conjunto micaelense no decorrer da campanha de 2002/03.

*retirado do artigo de Joana Quintas, publicado a 13/11/2017, em https://bolanarede.pt

967 - ANGULO


Tendo terminado a sua formação no Sporting Gijon, seria no plantel “B” do conjunto asturiano que Miguel Ángel Angulo daria os primeiros passos como sénior. As boas prestações do médio ofensivo, logo nessa temporada de 1994/95, fariam com que o Valencia fosse no seu encalço. Contrato pelo emblema “Ché”, a ambição de conseguir estrear-se pela equipa principal esbarraria no intuito dos responsáveis técnicos do clube. Aferida a necessidade de ganhar um pouco mais de traquejo, o jovem jogador acabaria por rodar com a formação “B” para, de seguida, ser cedido ao Villarreal.
Com o regresso ao Mestalla para a campanha de 1997/98, Angulo finalmente conseguiria cimentar-se no plantel do Valencia. Com presenças regulares em campo, o médio ofensivo, que também podia actuar do lado direito do sector intermediário, começaria a ganhar alguma importância nas manobras tácticas da equipa. Sem nunca conseguir ser um dos titulares indiscutíveis, fruto da presença no balneário de craques como o ex-benfiquista Pablo Aimar, o atleta transformar-se-ia, ainda assim, numa das figuras de relevo das conquistas do clube na transição do milénio.
As vitórias nas edições de 2001/02 e 2003/04 da “La Liga”, na “Copa del Rey” de 1998/99 e “Supercopa” de 1999/00, serviriam como aperitivo para as conquistas da Taça UEFA de 2003/04 e para a Supertaça Europeia da temporada seguinte. Faltou, nessas suas caminhadas continentais, uma vitória na “Champions”. Contudo, Angulo pode orgulhar-se das suas participações no mais importante troféu de clubes. Em 1999/00 e 2000/01, com o médio a entrar de início na primeira das duas referidas finais, o Valencia chegaria ao derradeiro encontro. Infelizmente para o futebolista, em ambos os desafios a sua equipa sairia derrotada.
Logicamente que o caminho trilhado no clube iria influenciar a sua vida na selecção nacional espanhola. Com a “Roja”, o trajecto de Angulo, que remontava às categorias jovens, completar-se-ia com 11 chamadas ao conjunto principal. Com a participação no Mundial sub-20 de 1997, a Medalha de Prata nas Olimpíadas de 2000 e as vitórias no Euro sub-18 de 1995 e Euro sub-21 de 1998, ao currículo do médio só faltou mais cor no itinerário sénior. Sem nunca ter marcado presença num dos grandes torneios reservados às equipas nacionais “A”, a grande parte das suas internacionalizações seriam conquistadas na marcha de qualificação para o Campeonato da Europa de 2008.
Em 13 campanhas ao serviço do Valencia, com o já referido interregno de uma temporada, o estatuto de Angulo foi crescendo. Sendo visto como uma das lendas do clube, esse percurso não o foi sem alguns sobressaltos.  Um desses momentos aconteceria com a chegada do holandês Ronald Koeman. O médio, com a contratação do novo treinador, acabaria por ver o seu nome no rol de jogadores a dispensar. Pouco tempo depois, nova sucessão. Com Voro, ele e outros elementos, como Cañizares ou Albelda, seriam reintegrados no grupo de trabalho. No entanto, a verdade é que, por essa altura, já o atleta tinha entrado na fase descendente da carreira. Ainda antes de anunciar o fim da mesma, dá-se a passagem pelo Sporting de 2009/10. Em Portugal, sob o comando de Paulo Bento, ainda jogaria algumas partidas. Porém, o antigo internacional espanhol já não se encontrava na melhor forma e, 3 meses volvidos, era divulgada a rescisão contractual.
Alguns anos após deixar Lisboa e de anunciar a sua retirada dos relvados, Angulo voltaria à modalidade. Já nas funções de treinador teria passagens pelas camadas jovens do Valencia e uma experiência como adjunto da equipa principal.

880 - CAFU

Tendo sido recusado por alguns dos maiores emblemas no panorama desportivo brasileiro, entre os quais Corinthians, Palmeiras e Santos, seria no São Paulo que o jovem Cafu encontraria abrigo para dar seguimento à formação como futebolista. Já em 1989, mantendo as cores da camisola, o defesa faria a transição para o patamar sénior. Mesmo sem conseguir conquistar uma única oportunidade nesse ano de estreia, as suas qualidades fariam com que nas temporadas seguintes começasse a ganhar o seu espaço. Também no que diz respeito a títulos, os troféus não demorariam a entrar na sua vida. O “Brasileirão” de 1991, os “Estaduais Paulistas” de 1991 e 1992, a Copa Libertadores e a Taça Intercontinental de 1992 e 1993, a Supercopa Sudamericana de 1993, a Recopa Sudamerica de 1993 e 1994 e a Copa CONMEBOL de 1994 seriam os títulos que acabariam por colorir os anos iniciais da sua carreira.
No mesmo ano em que é eleito o Melhor Jogador Sul-Americano, Cafu tem a sua primeira aventura no estrangeiro. Em Espanha, passa a representar o Zaragoza e ajuda o emblema de Aragão numa das campanhas mais notáveis da história do clube. Com craques como Juan Esnáider, Fernando Cáceres, Gustavo Poyet, Jesús Solana ou Alberto Belsué, o grupo orientado pelo antigo treinador do FC Porto, Víctor Fernández, chegaria à final da Taça das Taças de 1994/95. Na derradeira partida, disputada no Parc des Princes, o resultado de 1-1 levaria a disputa do troféu para prolongamento. É então que, perto do fim da partida, Nayim, com um chapéu de bem longe, decide a partida em favor dos espanhóis.
No final dessa temporada na “La Liga”, a Parmalat, empresa italiana que nos anos 90 muito gastou no futebol, adquire do seu “passe”. A ideia dos investidores era a de levar o atleta de volta ao seu país. Sendo o Palmeiras o principal emblema patrocinado no Brasil, a vontade de aí colocar o atleta esbarraria na cláusula imposta pelo São Paulo na hora da sua transferência para a Europa. Tentando contornar essa exigência, que implicaria o pagamento de uma maquia considerável, a solução encontrada ditaria a passagem de Cafu pelo Juventude.
Após a curta estadia no emblema de Caxias do Sul, e entre processos na justiça desportiva e multas, dá-se a mudança para o Palestra Itália. A passagem pelo Palmeiras, onde ainda conseguiria vencer o “Estadual Paulista” de 1996, pouco mais serviria do que a transição para uma nova aventura no “Velho Continente”. Apesar da aposta pouco conseguida no regresso ao Brasil, o título de campeão do mundo obtido em 1994 manteria a sua cotação bem alta. Por essa razão, não seria difícil para os responsáveis da Roma entender que o defesa seria uma contratação segura. A sua ida para o “Calcio“ dar-se-ia na temporada de 1997/98 e tal passo seria deveras importante para que Cafu conseguisse transformar-se num dos melhores laterais-direitos da história recente da modalidade.
Sendo preciso, não só a ida para a Serie A ajudaria a que desse o maior salto na sua carreira. A importância das suas prestações no sucesso da selecção brasileira, também contribuiria para que o valor do jogador não parasse de crescer. Os números conseguidos com a camisola “canarinha” seriam a maior aferição desse êxito. Nesse sentido, é impossível esquecer os títulos. Ora, para além de 2 vitórias na Copa América (1997; 1999) e 1 na Taça das Confederações (1997), há ainda as presenças no Campeonato do Mundo. À já referida conquista em 1994, temos que juntar mais 3 participações naquele que é o maior certame futebolístico da actualidade. As partidas jogadas nos torneios organizados nos Estados Unidos da América, na França, no Japão e Coreia do Sul e na Alemanha, resultariam numa série de recordes quebrados. Assim, a juntar a uma nova vitória em 2002, Cafu tornar-se-ia no primeiro futebolista a marcar presença em 3 finais consecutivas (1994, 1998 e 2002) e a vencer mais jogos, 16, em fases finais de Mundiais.
Voltando à sua estadia em Itália, o defesa passaria 11 temporadas no “Calcio”. Essas campanhas, divididas entre Roma e AC Milan, transformariam o atleta. Como já foi referido, a experiência contribuiria para que Cafu passasse de um bom atleta para ser um dos melhores a actuar na sua posição. As participações nas competições europeias, mormente na Liga dos Campeões, muito contribuiriam para esse estatuto. Todavia, essas presenças, só por si, não seriam suficientes. A vitória do conjunto milanês na edição de 2006/07 da “Champions” seria muito importante para sublinhar tudo o que aqui já foi dito acerca do jogador. Para “completar o ramalhete” não posso deixar de referir as conquistas de 1 “Scudetto” por cada equipa representada, ou, já nos “Rossoneri”, dos triunfos na Supertaça Europeia (2003; 2007) e no Mundial de Clubes (2007).

824 - MICHEL


Quando se pertence àquela que ficou conhecida como a “Quinta del Buitre”, então é quase certo que podemos associar a palavra sucesso à carreira do jogador! Com Michel não foi diferente! Melhor ainda… podemos dizer que o médio foi um dos expoentes máximos dessa fornada de jovens atletas que, a par do mítico Emílio Butragueño, saiu dos escalões de formação do Real Madrid.
Também a sua chegada à principal equipa “merengue”, em 1984/85, serviria para provar aquilo que já foi dito no parágrafo anterior. Conseguindo, imediatamente, fixar-se como um dos titulares, Michel, em toda a sua caminhada de “branco”, jamais jogaria menos de 30 partidas para a liga espanhola. Esse facto, já por si deveras importante, a juntar aos títulos ganhos e à qualidade de jogo que sempre apresentou, transformá-lo-ia num dos atletas legendários da história do Real Madrid.
Num desses campos referidos, o da aptidão técnica e táctica, Michel era um médio que actuava preferencialmente pela direita do campo. Tendo uma enorme habilidade para progredir com a bola nos pés e de, nas jogadas ofensivas, ler as movimentações de todos os companheiros, os seus passes eram uma grande arma para municiar os ataques. Não só no clube, mas também pela selecção espanhola, os seus cruzamentos ficaram conhecidos por, em tantos casos, serem meio caminho para o golo.
Como ainda agora foi dito, não foi só no Real Madrid que Michel fez história. Também pela equipa nacional, o médio conseguiu construir um percurso invejável. Com as cores da “Roja”, e já com um largo caminho nas camadas de formação, o atleta seria chamado a disputar as mais importantes competições para selecções. Após ter chegado ao derradeiro desafio do Europeu s-21 de 1984, torneio ganho pela Inglaterra, o jogador participaria no Euro 88 e nos Mundiais de 1986 e 1990. Contudo, pela Espanha ficou a faltar um grande título. Já no que diz respeito ao clube, o saldo é completamente diferente. Pelo Real Madrid venceria quase tudo o que há para ganhar. Conquistou 6 “La Ligas”, incluindo o “penta” entre 1985/86 e 1989/90; venceu 2 “Copas del Rey” e 4 “Supercopas”; e, naquilo que foi a sua carreira nas competições europeias, arrecadou para o seu palmarés 2 Taças UEFA (1984/85; 1985/86).
Já depois da despedida do Real Madrid e de, ao lado dos companheiros “madridistas” Butragueño e Hugo Sanchez, ter tido uma última aventura nos mexicanos do Atletico Celaya, Michel decide pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Depois desse abandono em 1997, muitos foram os anos em que o ex-internacional espanhol ficou arredado da modalidade. Afastado, é certo, num sentido pouco lato. Nesse interregno, o antigo craque ficaria conhecido pelas suas colaborações, tanto como comentador televisivo, como nos artigos escritos para jornais desportivos.
Curiosamente, e ao contrário de tantos outros colegas, a sua carreira como treinador, só daria os primeiros passos, quase uma década após ter “pendurado as chuteiras”. Quem lhe abriria a porta acabaria por ser o Rayo Vallecano que, na temporada de 2005/06 o convidaria para assumir o comando da equipa principal. Nesse percurso como técnico, que já conta com passagens pelo Sevilla, Getafe, Marseille ou Málaga, destaque para a sua “estadia” na Grécia. Dessa colaboração com o Olympiacos resultariam diversos títulos, dos quais 2 Campeonatos e 1 Taça.



792 - PABLO AIMAR


Descoberto no Estudiantes de Río Cuarto, seria no River Plate que Pablo Aimar terminaria a sua formação. No entanto, a mudança para Buenos Aires foi tudo menos fácil. Com o intuito que prosseguisse os estudos, o seu pai haveria de opor-se à sua ida para a capital. Consta que só concordou com essa ideia, depois de Daniel Passarela ter ido, pessoalmente, pedir-lhe autorização!
A sua qualidade técnica, associada a uma excelente interpretação das dinâmicas de jogo, levá-lo-iam, desde muito cedo, a impressionar os mais distintos adeptos da modalidade. Diego Armando Maradona, a esse propósito, diria que “El Mago”, apelido que viria a ganhar uns anos mais tarde, era o único futebolista que pagaria para ver jogar!
À margem dos elogios, e com relativa facilidade, o médio ofensivo conseguiria impor-se na equipa principal do River Plate. Os golos que marcava, e, na maioria dos casos, as bolas que oferecia aos seus colegas mais avançados, permitir-lhe-iam uma senda de importantes triunfos. Juntando os Torneios de “Apertura” e “Clausura”, as 5 vitórias na Liga Argentina, ou, entre outras distinções, a conquista do Mundial s-20 de 1997, serviriam para exponenciar o seu valor. Tanto destaque, faria com que da Europa, começassem a surgir interessados no seu concurso. O crescente assédio pelos seus préstimos, com vários emblemas na corrida, acabaria com a sua transferência para o Valência.
Contratado por Rafa Benítez em 2000/01, Pablo Aimar vestiria a camisola dos “Los Che” numa das melhores fases da história do clube. Com os seus toques de pura magia, o “playmaker” seria de enorme importância na conquista das “La Ligas” de 2001/02 e 2003/04. Durante essas 6 temporadas, também nas competições europeias o médio conheceria o sucesso. Muito para além da disputa final da “Champions” de 2000/01, a vitória na edição de 2003/04 da Taça UEFA seria um marco na sua carreira. Também pelo Benfica chegaria a mais 2 finais da referida competição, entretanto rebaptizada como Liga Europa. No entanto, e ao contrário da primeira presença, pelas “Águias” o atleta não conseguiria erguer o troféu.
Ainda antes da sua mudança para Lisboa, Pablo Aimar envergaria as cores do Zaragoza. Durante esses dois anos, o médio, ainda que com exibições de encher o olho, acabaria por ser muito fustigado por lesões. Aliás, essa era uma das críticas que, ainda durante o tempo em Valência, era alvo. No Benfica, esse seu aspecto mais frágil seria tido em conta pelos responsáveis da equipa e, tomadas a necessárias precauções, as prestações do atleta torná-lo-iam num dos favoritos da massa adepta.
Voltando um pouco atrás, a sua contratação pelos “Encarnados” em 2008/09, numa altura em que a participação em 2 Mundiais, numa Taça das Confederações e em 2 edições da Copa América faziam dele uma estrela de cariz internacional, ficaria marcada por momentos curiosos. Perseguido por emblemas como o Everton, a vontade de o trazer para Portugal superaria um sem número de obstáculos. Num derradeiro esforço para materializar esse desejo, entra em cena, como o próprio Aimar haveria de contar, uma das mais prestigiadas figuras do emblema “alfacinha” – “Ia para Inglaterra mas um homem como o Rui Costa apanha um avião, vai para a porta de tua casa e diz-me: «Vou retirar-me, quero que uses a minha camisola». É impossível ficar indiferente a este gesto. Depois agradeci-lhe o que fez porque o que vivi foi fantástico. Joguei numa equipa enorme com colegas de qualidade gigante”*.
5 anos de “Águia” ao peito renderiam ao seu currículo mais 5 títulos. 1 Campeonato e 4 Taças da Liga seriam o resultado de uma união que terminaria em 2013. Depois, viria a passagem pelos malaios do Johor FC e o adeus no clube que, na segunda metade da década de 90, o tinha lançado para o estrelato. Após essa despedida, e apesar de algumas propostas, Pablo Aimar manter-se-ia afastado do futebol. Felizmente, essa realidade mudaria já este ano (2017) e, a convite da Federação argentina, o antigo “astro” aceitaria o cargo de seleccionador dos s-17 do seu país.

 
*retirado do artigo de Flávio Miguel Silva, publicado no jornal “Record”, a 06/03/2016

742 - GATTUSO


Congregar no mesmo “onze” alguns jogadores é, na verdade, saber transformar meras partidas de futebol em momentos (e caneladas) inesquecíveis. Duplas como Dennis Wise e Vinnie Jones (Wimbledon), Jorge Costa e Paulinho Santos (FC Porto) só poderiam ser ultrapassadas, no que ao terror e pancada diz respeito, se conseguíssemos juntar na mesma equipa Marco Materezzi e Gennaro Gattuso. Pois bem, isso até já aconteceu!!!
Gattuso apareceu no futebol com as cores do Perugia. No emblema do centro de Itália, o médio cresceria ao lado de alguns nomes históricos do “Calcio”. Todavia, e como o próprio já o referiu, seria com o antigo central que acabaria por criar fortes laços de amizade – “O Marco foi o meu grande irmão dessa altura (…). Ele levava-me para todo o lado, no seu carro, porque eu ainda não tinha carta de condução, e até me ajudou com dinheiro”*.
Sem grandes oportunidades na Serie A, é no Verão de 1997 que o jogador decide tentar a sua sorte no estrangeiro. Tão novo era, que, com os seus 19 anos de idade, torna-se no atleta mais jovem de sempre a deixar o seu país. Já em Glasgow, vestiria as cores do Rangers e… encontrar-se-ia com Paul Gascoine!!! Ora, as praxes do antigo internacional inglês, tornar-se-iam recorrentes – “Uma vez, estou a equipar-me no balneário para um treino quando toco nos meus calções e noto-os mais pesados que nunca. E é aí que vejo que ele borrou-se no meio dos meus calções”*. Ainda assim, e ao contrário do que possa pensar-se, esta, tal como outras peripécias, acabariam por facilitar a integração de Gattuso.
No que seria o seu processo de adaptação, também a forma como jogava ajudá-lo-ia a afirmar-se na Escócia. Ríspido na disputa de qualquer bola, a sua agressividade adaptava-se bem à cultura futebolística daquele país. Walter Smith rapidamente entende essa mais-valia e, com bastante frequência, começa a incluí-lo no “onze” titular. No entanto, a mesma impetuosidade que o ajudava acabaria por trazer-lhe alguns dissabores. Um deles ocorreria no seu primeiro “Old Firm”. Nesse “derby” de Glasgow, tendo sido chamado ao alinhamento inicial, Gattuso consegue o impensável. Ainda durante os primeiros instantes de jogo, vê um amarelo. Depois, passados apenas 10 minutos, volta a incidir no disparate e, com mais uma cartolina, acaba por ser expulso.
O entendimento que Dick Advocaat, técnico que substituiria Walter Smith, tinha acerca da sua utilidade em campo, faria com que Gattuso, a meio da temporada de 1998/99, decidisse voltar para Itália. No Salernitana, e apesar da fraca prestação colectiva, as boas exibições individuais levariam a que o AC Milan, no final dessa mesma época, decida contratá-lo. Nos “Rossoneri” a sua carreira iria mudar radicalmente. Durante os 13 anos em que representaria o clube do seu coração, Gattuso partilharia o balneário com as mais diferentes estrelas do futebol mundial. Rui Costa, Maldini, Boban, Pirlo, Zlatan Ibrahimovic, Kaká e Shevchenko são apenas alguns dos nomes que ajudariam o médio a construir um currículo invejável. Para além de 2 “Scudettos”, 1 “Coppa” de Itália, 2 “Supercoppa”, também no plano internacional a sua carreira ficaria marcada pelo sucesso. Nesse campo, títulos como as 2 “Champions League”, 2 Supertaças da UEFA e 1 Mundial de clubes só seriam equiparados à conquista conseguida com a selecção italiana. No Mundial de 2006, torneio que ficaria marcado pelo desentendimento entre Zidane e o seu amigo Materazzi, essa mesma final daria a Gattuso o mais prestigiante troféu da sua vida como profissional.
É claro que, paralelamente ao sucesso desportivo, a sua carreira haveria de ser marcada pela excessiva agressividade. Querelas com colegas, adversários, treinadores e quem mais se atravessasse no seu caminho, seriam o alimento predilecto de todos os pasquins desportivos. Espantosamente, esse seu mau génio manter-se-ia mesmo depois de ter abraçado as funções de treinador. Já depois de no Sion, em 2012/13, ter feito a transição dos relvados para o “banco”, Gattuso passaria pelo comando do Palermo e OFI Creta. Seria, no entanto, já ao serviço do Pisa que novo episódio preencheria os cabeçalhos dos jornais. No final da época passada (2016/17) e no jogo que viria a decidir a subida do seu clube, o antigo internacional, exaltado com o desenrolar da partida acabaria por agredir o seu próprio adjunto!


*adaptado da entrevista de Rui Miguel Tovar, em www.observador.pt, a 08/12/2016

609 - PABLO SANZ


Natural da capital catalã, seria no Barcelona que Pablo Sanz daria os primeiros passos no futebol profissional. No entanto, a carreira do médio, apesar das qualidades que nele se reconheciam, haveria de esbarrar na equipa “B” “blaugrana”. Sem espaço para evoluir, a escolha do atleta, como para tanto outros ali formados, acabaria por ser a saída.
De malas aviadas para a capital espanhola, seria no Rayo Vallecano que encontraria abrigo. A temporada de 1997/98, era, desse modo, a oportunidade de Pablo Sanz fazer a sua estreia numa equipa principal. Ainda longe dos palcos maiores do futebol de “nuestros hermanos”, a continuidade no segundo escalão não desmoralizaria o jogador. Rapidamente, o centrocampista haveria de conseguir encontrar o caminho para o onze inicial, tornando-se numa das peças chave do plantel. A importância que granjeava dentro da dinâmica da equipa, faria de Pablo Sanz um dos principais responsáveis pelo regresso dos madrilenos à “La Liga”. Essa época de 1999/00, a da sua estreia no patamar maior, acabaria por mostrar que Pablo Sanz também era talhado para este tipo de desafios.
Num gruppo que foi contando com nomes como os de Lopetegui , o português Hélder (Sp. Braga; Boavista; PSG) ou o avançado angolano Quinzinho, as metas talhadas iam sendo cumpridas. Surpreendentemente, muito mais do que garantir a manutenção, o Rayo Vallecano ia conseguindo ultrapassar adversários de maior gabarito. Essas boas prestações colectivas, permitiriam a Pablo Sanz chegar às competições europeias, onde, para a temporada de 2000/01, atingiria os quartos-de-final da Taça UEFA.
Não só de alegrias foram feitos os 7 anos que Pablo Sanz passaria em Madrid. Em 2004, com o clube a viver a segunda despromoção num espaço de 2 anos, alguns adeptos acabariam por tomar atitudes desproporcionadas – “Foi o dia mais triste da minha vida: depois de sete anos no Rayo, sair do campo numa carrinha da polícia (…). Estávamos sitiados no campo. Tentamos ir por várias saídas, mas em todas havia gente a insultar-nos, gritando-nos. Fui o último a sair e um rapaz ou um homem, não me recordo bem, pediu-me a camisola. Ele estava à paisana e disse-lhe que não a podia dar. Então, agarrou-me o braço com força, insultou-me e vi que fazia um gesto para me agredir. Foi uma reacção instintiva e trocamos uns murros”*.
Este episódio, marcaria o derradeiro momento de Pablo Sanz com as cores do Rayo Vallecano. Curiosamente, a sua saída, apesar de inglória, acabaria por devolver o médio aos grandes palcos. O Numancia, que preparava a sua temporada 2004/05, haveria de ser a sua porta de regresso à primeira divisão espanhola.
Já com a barreira dos 30 anos ultrapassada, a carreira de Pablo Sanz não se prolongaria por muito mais tempo. Depois de representar o, já referido, emblema de Valência, o atleta acabaria por terminar a sua vida de futebolista ao serviço do Sabadell. Contudo, após um pequeno interregno, o antigo jogador haveria de voltar à modalidade, desta feita na condição de treinador.
Mormente ligado às equipas jovens, Pablo Sanz tem talhado o seu percurso como técnico. Essa experiência na formação, levariam a que a Federação da Costa Rica, em 2011, o escolhesse como coordenador dessas mesmas camadas. Seria, igualmente, para essas funções que o FC Porto, por indicação de Lopetegui, acabaria por o contratar. Pablo Sanz, com provas dadas nessas tarefas, é, desde 2014, o “Manager” da Academia  “Azul e Branca”.


*Retirado de http://getafeweb.mforos.com/  (22/06/2004), citando o jornal Marca.

558 - SANCHÍS


Sabendo-o filho de uma antiga estrela do Real Madrid e da selecção espanhola, também ele de nome Sanchís, o trajecto que seguiria como futebolista acaba por não ser uma tão grande surpresa. Ainda assim, há uma diferença entre ambos que é de destacar. É que enquanto o pai faria a sua carreira à custa de alguns emblemas, o filho acabaria por apenas conhecer uma cor, o branco dos "Merengues".
Ora, Sanchís, o rebento, faria toda a sua formação no clube da capital. Saído de um grupo famoso da "cantera", cujo atleta mais icónico acabaria por ser um miúdo de nome Emilio, a sua estreia na equipa principal consumar-se-ia pela mão de Alfredo Di Stefano.
Por esta altura, na primeira metade dos anos 80, nomes como os de Martín Vázquez, Míchel, Pardeza ou, lá está, Emilio Butragueño, pouco ainda diziam aos fãs do futebol. Contudo, seria da "Quinta del Buitre" que os adeptos do Real Madrid ganhariam mais um grupo de ídolos. Desse conjunto, Sanchís era o defesa. Mas ao contrário de muitos que jogam na sua posição, o central destacava-se pela sua sobriedade e pela maneira tranquila como abordava os lances. Claro, apesar destas características e que, desde muito cedo, o fariam destacar-se dos demais, Sanchís era também um jogador possante, ágil, dotado de um sentido de colocação excepcional e com uma bravura incontestável.
Os primeiros títulos chegariam à sua vida profissional, com o decorrer da temporada de 1984/85. Essa "Copa de la Liga", e, principalmente, a Taça UEFA conquistada ao Videoton (Hungria), pareciam servir de premonição para o que se estava a preparar. O que viria nos anos seguintes, seria a estreia de Sanchís nas vitórias na "La Liga". Mas, perguntam vocês, que de especial têm um campeonato ganho pelo Real Madrid???!!! Bem, tirando o óbvio... Mas, o que tornaria especial esse de 1985/86, é que seria o começo de um "Penta", algo, à data, visto em Espanha uma só vez, e quando o Real Madrid era comandado por nomes como os de Di Stefano, Puskas e afins!!!
O ano de 1986 marcaria para Sanchís, o seu único troféu conquistado pelas selecções seniores do seu país. Esse Europeu de S-21, num grupo feito de bons nomes, surpreendentemente, acabaria por não ter continuidade ao nível da equipa principal. No Euro 88 e no Mundial de 1990, torneios onde Manuel Sanchís participaria, e apesar das esperanças depositadas na equipa, a "La Roja" nunca chegaria às etapas de decisão.
Contrariamente a estes desaires, pelo Real Madrid, os títulos pareciam brotar em catadupa. Ainda assim, e sem desdenhar de todos os sucessos, ao currículo de Sanchís faltava ainda qualquer coisa. Ironicamente, a Liga dos Campeões chegaria à sua vida profissional, quando o ocaso da sua carreira já era um dado adquirido. No entanto, após a primeira conquista, esta ainda como titular e dono da braçadeira de capitão, Sanchís voltaria a ter a honra de, por uma segunda vez, levantar tão almejada taça. Posteriormente à vitória frente à Juventus (1997/98), a equipa do Valencia testemunharia nova conquista. Após entrar aos 80 minutos de jogo, seria ele que teria a honra de erguer o troféu (1999/00), segundo no seu rol e oitavo para o Real Madrid.
Sanchís apenas faria mais uma época. Ao fim da dita, os números não deixariam qualquer equívoco. Com 710 jogos disputados com a camisola branca e, espantoso para alguém da sua posição, com 40 golos marcados, o defesa era dono de uma parte substancial da história do Real Madrid.

528 - LOPETEGUI


Promissoras exibições no seu percurso de formação, fariam com que o Real Madrid visse nele uma boa aposta para a construção dos seus próximos planteis. Do País Basco para a capital espanhola, a viagem de Lopetegui levá-lo-ia, já que apenas tinha 19 anos, para a equipa "b" dos "Merengues". Mas se o futuro parecia sorrir-lhe, a verdade é que as oportunidades que se lhe perspectivavam ao início, esfumar-se-iam, acabando, pouco ou nada, por aparecer.
Com escassas chamadas à equipa principal "madridista", e já depois de um empréstimo ao Las Palmas, na carreira do jovem guardião urgia a necessidade de jogar ao mais alto nível, e com uma regularidade diferente da, até então, conseguida. A oportunidade de se relançar surgir-lhe-ia vinda do modesto Logroñés. É correcto dizer-se que esta mudança, apesar do clube estar na 1ª divisão, poderia ter sido vista como um passo atrás na sua evolução. Contudo, a qualidade exibicional que acabaria por mostrar, devolvê-lo-ia à ribalta do futebol espanhol. Ora, esta sua ascensão, acabaria por ter reflexo nas chamadas para a selecção. Seria, então, já na campanha de qualificação para o Mundial de 1994, que Lopetegui faria a sua estreia com a camisola do seu país. Faria, também, na sequência dessa sua chamada, parte do lote de atletas que, nesse ano e com o intuito de disputar o já referido torneio, viajaria para os Estados Unidos.
Com o regresso a Espanha, surgir-lhe-ia nova oportunidade de vingar num dos colossos do futebol mundial. Se da primeira vez a chance tinha aparecido de Madrid, já esta segunda, falando de rivalidades desportivas, viria do sentido oposto. Mas, mais uma vez, a história repetir-se-ia. No Barcelona, desta feita na sombra de Busquets, e, mais tarde, na de Vítor Baía, Lopetegui pouco seria utilizado. Apesar de tudo, o guarda-redes, tal como recorda o antigo "nº 1" de Portugal, mostrava-se uma peça fundamental na dinâmica da equipa - "Além de bom colega, transmitia uma boa energia. Apesar de ser o terceiro guarda-redes, que é uma posição sombra, notava-se que tinha espírito de liderança e peso junto da equipa"*.
Terá sido esta sua característica, isto já depois de, em 2002, ter terminado a sua carreira no Rayo Vallecano, que levaria Lopetegui a decidir-se pela vida de treinador. Curiosamente, a sua primeira experiência com técnico seria um autêntico desastre. Depois deste episódio de apenas 10 jogos, ao comando da equipa onde tinha "pendurado as luvas", seguiu-se, 5 anos depois, a passagem pelo Real Madrid Castilla. O sexto lugar aí conseguido, seria suficiente, com um ano de interregno pelo meio, para que a Real Federación Española de Fútbol visse nele um valor seguro para comandar os destinos dos escalões jovens das suas equipas. Apesar do risco que o seu parco currículo apresentava, a verdade é que Lopetegui mostrou-se como uma aposta segura. Os resultados, esses, vieram com as vitórias, primeiro em 2011, do Campeonato Europeu de Sub-19, e depois com a conquista Campeonato da Europa de Sub-21, em 2013.
É com este percurso que Lopetegui chegou, durante este defeso, ao Estádio do Dragão. É certo, muito devido à sua falta de traquejo com equipas seniores, que o antigo internacional espanhol, tem sido visto com alguma desconfiança. No entanto, há também que assumir que o FC Porto atravessa uma fase de renovação. Esta implica a entrada de muitos jogadores, que, com o habitual "poderio" financeiro dos emblemas portugueses, é feito há custa de atletas jovens. Ora, nesse campo, Lopetegui poderá ser visto como o Homem ideal para a função. E se era uma revolução que pretendiam os responsáveis "Azuis e Brancos", então, essa, o técnico espanhol já pôs em marcha. Os resultados??? O tempo logo o dirá...


* Retirado do artigo do "Expresso" (06/05/14), por Isabel Cabral.

503 - HUGO

Apareceu na categoria principal do Sp. Braga com apenas 18 anos. Como jovem que dava sinais de talento, começou, progressivamente, a conquistar o seu espaço dentro do plantel. No entanto, e apesar de na segunda temporada ao serviço dos "Arsenalistas" já ser, em certa medida, uma figura habitual no escalonamento da equipa, ninguém estaria à espera de, tão cedo, o ver partir para outras paragens. Hoje em dia, talvez, nem fosse motivo de espanto, mas numa altura em que ainda não era habitual a debandada dos nossos jovens atletas, Hugo haveria de ser contratado pela Sampdoria.
Já em Itália, sem nunca ser um jogador consensual entre os adeptos, o defesa haveria de conseguir ser um dos nomes com mais presenças no "onze" inicial. Apontado pelos "tiffosi" como lento, desastrado e com falta de técnica, para o técnico Vujadin Boskov, Hugo era uma das primeiras escolhas. Assim se manteve, mesmo sob a alçada de outros treinadores, nas duas épocas que se seguiram... até que de Portugal chega um novo convite!
Ora, o desafio que, no Verão de 2000, apresentariam a Hugo era simples: trocar a segunda divisão transalpina (entretanto, a Sampdoria havia sido despromovida) por um dos "grandes" do Campeonato Nacional. Se foi muito difícil tomar a decisão, não o sei! O que é verdade é que, nesse dito defeso, Hugo deixaria Génova para se instalar em Lisboa.
No Sporting, se alguma vez pensou em ser um dos indiscutíveis no centro da defesa, por certo, acabou por ter uma grande desilusão. Contudo, quer se tenha gostado, ou não, do antigo jogador, há algumas coisas que ninguém pode negar. "Esforço, Dedicação, Devoção..." acabariam por ser os três grandes predicados leoninos, que melhor assentariam em Hugo... quanto à "Glória", essa é discutível! Apesar de tudo, Hugo pode orgulhar-se de ter cumprido 6 temporadas em Alvalade. Nelas, enriqueceria o seu currículo com alguns títulos. 1 Campeonato (2001/02) e 1 Supertaça (2002/03) fazem os números dessa sua passagem.
Foi já para a época de 2006/07 que Hugo abalaria para Setúbal. No Vitória, o ponto mais alto desse seu capítulo, coincidiria com um dos episódios históricos dos "Sadinos" e, porque não dizê-lo, do futebol nacional. A Taça da Liga, esse tal momento, conheceria em 2007/08 a sua edição de arranque. À final, marcada para o Estádio do Algarve, chegariam Sporting e a equipa da foz do Sado. Aos 90 minutos o resultado mantinha-se no 0-0. É então que a marcação dos penalties dá o desempate. Para Setúbal iria a primeira edição da competição e para Hugo, que nesse jogo não saiu do banco, mais um "caneco" para o seu rol de vitórias
O último passo da sua vida de profissional dá-lo-ia mais a Norte e na cidade de Aveiro. Ironicamente, quando por esta altura já poucos jogadores contam em ser preponderantes, Hugo, finalmente, havê-lo-ia de ser. No Beira-Mar, nas 3 temporadas que por lá passou, o nome do central haveria de ser um dos mais apontados na ficha de jogo. Jogou, e muito... mas acima de tudo haveria de ser uma voz de comando. Por essa razão foi-lhe entregue, meritoriamente, a braçadeira de capitão; por essa razão terminou a carreira em grande; por essa razão, podemos dizê-lo, "mais vale tarde do que nunca"!

417 - MARCO AURÉLIO

Depois do América, a mudança de Marco Aurélio para o conjunto, também “carioca”, do Vasco da Gama, faria com que a sua cotação começasse a subir em flecha. No entanto, na chegada, em 1988, à equipa principal dos “cruzmaltinos”, o defesa-central não teria a vida facilitada. Ainda assim, as épocas seguintes mostrariam um cenário diferente, com o jogador a assumir-se como peça importante e um dos obreiros da vitória no Campeonato Brasileiro de 1989.
Bastaria mais uma época para que, do lado oriental do Oceano Atlântico, outros cenários começassem a congeminar-se. Nesse sentido, o União da Madeira e a ideia de vir jogar para a 1ª divisão lusa de 1990/91 até começariam por agradar ao defesa. Porém, aquando da chegada ao Funchal, apercebendo-se que a dimensão do clube era mais modesta do que as expectativas criadas em volta da transferência, Marco Aurélio viria a mostrar algumas reticências em relação à mudança. Apesar de perfeitamente compreensível a dúvida do jogador, principalmente atendendo à grandeza de um emblema como o Vasco da Gama, talvez a ideia de que a colectividade insular acabasse por ser uma boa porta de entrada para o futebol europeu, tivesse ajudado a apaziguar o atleta. A verdade é que a entrega em jogo e, fora dos relvados, a sua simpatia, gentileza e educação serviriam de fortes bases para o seu sucesso desportivo e para facilmente conquistar os adeptos do “União da Bola”.
No cenário competitivo, sem nunca deixar de lado a correcção, o defesa-central portar-se-ia, tal como a alcunha que viria a ganhar alguns anos depois, como um verdadeiro “Imperador”. Categórico na hora de cortar a bola, fisicamente possante, rápido, mas sempre mantendo uma elegância e tranquilidade nem sempre patentes nos praticantes da sua posição, as 4 temporadas na Madeira fariam dele um dos “activos” com melhor cotação nas provas portuguesas. Nessa evolução, já depois de, ao serviço do União, ter chegado a “capitão”, seria por indicação de Carlos Queiroz que surgiria o convite do Sporting. Em Alvalade a partir de 1994/95, a sua época de estreia, pondo fim a um ciclo de 13 anos sem qualquer conquista para os “Leões”, dar-lhe-ia ao currículo a vitória na Taça de Portugal. No ano seguinte mais um troféu, a Supertaça. No entanto, o melhor da sua passagem pela agremiação lisboeta seria uma constância exibicional, mesmo em alturas de alguma instabilidade, de alto gabarito. Toda a habilidade e liderança demonstradas, para além de, mais uma vez, entregar ao seu cuidado a braçadeira de “capitão”, fariam com que outras portas viessem a abrir-se e em Dezembro de 1998, mesmo a contar 32 anos de idade, um convite de Itália fá-lo-ia mudar-se para o “Calcio”.
Estrear-se-ia na Serie A com as cores do Vicenza. Contudo, apesar da oportunidade de experimentar uma das mais importantes ligas europeias, a falta de consistência colectiva do seu novo clube faria com que o defesa-central passasse a vogar entre os dois principais escalões italianos. Ainda assim, Marco Aurélio manter-se-ia pelo “Calcio” durante vários anos e após passar por outros emblemas, casos do Palermo, Cosenza, SPAL e Teramo, seria com os 40 anos de idade bem à vista, que o jogador tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Depois do fim da carreira como praticante, Marco Aurélio regressaria ao Brasil. Por um lado, abraçaria ainda mais a religião – de relembrar que em Portugal foi um dos grandes dinamizadores do movimento “Atletas de Cristo” – e viria a tornar-se professor bíblico. Por outro lado continuaria ligado ao futebol, onde, como "olheiro", passaria a estar atento ao surgimento de novos craques para a modalidade.

299 - MINER


O clube que, na segunda metade dos anos de 1990 iniciou a "moda" de importar jogadores do outro lado da fronteira, pelo menos de uma forma mais afincada, foi o Desportivo de Chaves. Um dos primeiros atletas que, nessa leva, veio a juntar-se ao plantel transmontano, preparava a colectividade flaviense a temporada de 1995/96, foi Miner.
O centrocampista, apesar de praticamente desconhecido para o público em geral, já tinha um passado na “La Liga”, a representar o Sporting Gijon. Formado nas escolas do emblema asturiano, onde teve a companhia do irmão mais novo David García, Miner começou por ser um dos elementos mais utilizados durante a época de estreia na equipa principal, a de 1993/94. No entanto, esse cenário acabou por inverter-se na temporada seguinte e, com as poucas presenças em campo, o atleta tomou a decisão de abandonar o “El Molinón” para encetar uma grande aventura pelo futebol luso.
Em Portugal, Miner apresentou-se como um médio-ofensivo com tendência para aparecer em zonas de finalização. Ao cair tanto para a direita, como a jogar a “número 10”, essa propensão mais atacante, mesmo tendo em conta que a sua principal função era a de municiador, valeu-lhe, na época de estreia em Trás-os-Montes, alguns golos. Essa campanha de 1995/96 acabou por ser, provavelmente, a melhor do atleta em provas lusas. Não quero dizer que as temporadas seguintes tivessem sido medíocres. A verdade é que o futebolista nem nos dois anos seguintes, ao fim dos quais e com descida do clube abandonou os flavienses, nem depois quando vestiu a camisola do Alverca ou a do Santa Clara conseguiu fazer má-figura. Há sempre a excepção e os dois últimos anos no emblema açoriano foram uma travessia no deserto e o encetar da fase descendente da sua vida como profissional de futebol. A partir dessa altura o espanhol começou a vogar pelas divisões inferiores, primeiro ao serviço do União Micaelense e, por fim, de volta ao país natal onde, em 2009, pôs um ponto final na carreira.

297 - CHANO

Não pode dizer-se que, no decorrer da vida como futebolista, Chano tivesse sido um jogador medíocre. Longe disso. Em certa medida, penso até que terá sido injustamente subvalorizado, razão possível para justificar a única internacionalização “A” com a camisola da selecção espanhola.
Ao dividir grande parte da carreira entre o Real Betis e o Tenerife, Chano habituou-se, ou não estivéssemos a falar da “La Liga”, aos melhores palcos da modalidade. Com a sua visão de jogo e qualidade de passe, imprimiu no futebol uma marca de qualidade, a qual levou o jogador a transformar-se num elemento nuclear das equipas por onde passou. Já no que à mudança para o Benfica diz respeito, não poderá dizer-se o mesmo sobre a sua importância. Contratado com o aval do técnico alemão Jupp Heynckes, por quem tinha sido treinado no emblema sediado nas Ilhas Canárias, os 34 anos que contava por altura da chegada a Lisboa, em grande medida, revelaram as mazelas trazidas de uma longa vida passada no desporto. É verdade que ainda conseguimos vislumbrar algumas capacidades. Porém, para além de pouco ajudado pela idade, há também que referir que o Estádio da “Luz”, por altura da sua estadia em Portugal, não era o lugar mais indicado para alguém provar o quer que fosse, nomeadamente aptidões futebolísticas.
Nas duas temporadas passadas com as “Águias”, a de 1999/00 e a de 2000/01, que acabaram por tornar-se nas últimas do médio como profissional, Chano pouco acrescentou ao currículo pessoal. Num plantel onde escasseavam os nomes sonantes, o melhor que o espanhol conseguiu levar na bagagem foi um 3º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional.

76 - ZANETTI

Uma das coisas que mais impressiona é a sua longevidade como jogador. Claro que terão havido muitos futebolistas cuja carreira durou muito, mas que não fizeram mais do que arrastar-se até à exaustão. Assim sendo, devo emendar! O que mais impressiona é a sua longevidade como jogador de qualidade!
Penso que é um daqueles atletas que, por mais esforço que faça, nunca conseguirá jogar mal! Seja na direita, no centro ou na esquerda; seja na defesa ou no meio campo, as suas exibições são de grande qualidade. Sim, a excepcional polivalência é mais uma das suas características.
Javier Zanetti é um daqueles jogadores que qualquer treinador sonha ter na sua equipa. Apesar de não ser um executante de grande exuberância, é tacticamente perfeito e, principalmente, é de uma entrega sem qualquer mácula. Na paixão que apresenta em todos os desafios, aliada a uma disciplina exemplar (o seu último vermelho foi há mais de 10 anos), a sua presença alicerça-o como um verdadeiro líder.
Está em Milão, onde fez praticamente toda a sua carreira. Chegou a Itália em 1995, vindo da Argentina. No seu país natal, como sénior, jogou apenas durante três épocas: uma no Talleres RE e duas, as que precederam a sua vinda para a Europa, no Banfield. Apesar da sua primeira internacionalização ter sido conseguida quando ainda jogava no seu país, grande parte da notoriedade e títulos ganhos, foram conquistados no “Calcio” e ao serviço do Inter. Aí ganhou quase tudo. Venceu a Taça UEFA em 1998, conquistou Taças e Supertaças Italianas, adicionou ao seu currículo o "Penta" na Série, e, já sob o comando de José Mourinho, triunfou na Liga dos Campeões.
Curiosamente, a final da “Champions” coincidiu com o seu 700º jogo com a camisola do Inter. Continua esta temporada, com 37 anos, a ser um dos jogadores com mais presenças em campo. Nessa caminhada está à beira do recorde de 758 partidas, de Giuseppe Bergomi. Com tanta participação, arrisca-se a ficar na história como o futebolista mais utilizado pelo emblema "Neri Azzurri".