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1567 - BLAGOJEVIC

Nascido na Bósnia-Herzegovina ainda no contexto da antiga Jugoslávia, Cvijetin Blagojevic iniciaria a sua caminhada sénior na temporada de 1976/77, ao serviço do FK Sloboda Tuzla. No emblema da sua região natal, depressa começaria a dar sinais de uma enorme qualidade técnica e de um entendimento do jogo acima da média. Esses predicados fariam com que emblemas de outra monta começassem a ir no seu encalço, com especial destaque para as duas principais colectividades sediadas na capital Belgrado. No entanto, com o Partizan inicialmente a oferecer-lhe uma boa proposta, a escolha do jovem atleta recairia no desafio lançado pelo Estrela Vermelha e a transferência para os de vermelho e branco aconteceria na temporada de 1978/79.
Logo na campanha de entrada no novo emblema, o médio-ala depressa alcançaria uma posição de destaque no plantel. Arrolado amiúde às pelejas futebolísticas, Blagojevic seria premiado pelo treinador Branko Stankovic com a chamada à final da Taça UEFA. Frente aos alemães do Borussia Mönchengladbach, o atleta participaria em ambas as mãos da decisiva ronda europeia. Infelizmente para os do seu lado, os germânicos, onde marcavam presença Simonsen ou Vogts, levariam a melhor. Todavia, os títulos não faltariam à sua caminhada competitiva e num grupo de trabalho onde, ao longo dos anos, partilharia o balneário com imensos craques, de onde destacaria, pela proximidade ao desporto luso, Zoran Filipovic, Zivanovic e Ivkovic, o médio-ala ainda arrecadaria para o palmarés pessoal a conquista de 3 Campeonatos e de 1 Taça da Jugoslávia.
Cumpridas praticamente 6 temporadas com a camisola da agremiação sediada em Belgrado, durante as quais disputaria 141 jogos oficiais, Blagojevic, com a abertura do Bloco de Leste, iniciaria um périplo por outros países da Europa. A primeira paragem, ainda no decorrer da temporada de 1983/84, seria nos gregos do Egaleo. De seguida viria a experiência nos suecos do Vasalunds IF, para, na época de 1985/86, aterrar em Portugal. Apresentado como reforço do Marítimo, o médio-ala, ao sublinhar as suas qualidades, conseguiria adaptar-se com relativa facilidade às competições portuguesas. Mesmo a entrar na veterania, o jogador afirmar-se-ia como uma das figuras do grupo de trabalho funchalense. Inicialmente à guarda de Mário Nunes, para, com a saída do aludido treinador, passar a trabalhar sob os comandos de António Oliveira, o jugoslavo contribuiria em boa parte para os objectivos do colectivo insular e deixaria a sua marca no tranquilo 12º posto da tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão.
Ao deixar o arquipélago da Madeira e após terminar a carreira de futebolista, num regresso a casa, integrado no plantel 1986/87 do FK Sloboda Tuzla, Cvijetin Blagojevic passaria a dedicar-se às tarefas de técnico. Ao abraçar tais funções, o antigo médio-ala, no começo, voltaria à Suécia, para, em Estocolmo, treinar o FK Sumarice e o FC Plavi. Seguir-se-iam emblemas da antiga Jugoslávia, rol onde o treinador acabaria por englobar o Zeleznik, Kozara Gradiska, Radnicki Obrenovac, Radnicki Pirot, Radnik Surdulica, Drina Zvornik ou as camadas jovens do Estrela Vermelha de Belgrado.

1387 - NÉLINHO

Ao terminar a formação no Sporting do Huambo, seria também no emblema angolano que Manuel Barroso Borges Castro Gonçalves, popularizado no mundo futebolístico como Nélinho, faria a transição para o patamar sénior. Alguns anos depois, já com algum traquejo na bagagem, o médio-ofensivo chegaria a Portugal para, na temporada de 1976/77, passar a representar o Torreense. Com o emblema do Oeste a militar na 2ª divisão, os maus resultados colectivos levariam a agremiação a descer de escalão. No entanto, as exibições do jogador destacar-se-iam das prestações dos demais colega e, no final da referida temporada, o atleta escaparia à despromoção.
À saída da agremiação sediada em Torres Vedras seguir-se-ia um período mais errante na carreira do jogador. A encetar esses tempos surgiria a primeira experiência vivida ao serviço do Sporting da Covilhã para, nos anos seguintes, adicionar ao seu percurso duas passagens pelo Desportivo de Portalegre e o ano vivido a envergar as cores do Olhanense. Tido como um elemento de cariz ofensivo, dono de uma técnica acima da média e de um saber táctico igualmente de valor superior, Nélinho, ainda assim, demoraria alguns anos até ter, naquele que é o patamar máximo do futebol português, uma oportunidade. No entanto, esse cenário viria a mudar e o regresso a um dos emblemas por si representados anteriormente transformar-se-ia no passo inicial de uma senda que o levaria ao convívio com os “grandes”.
De volta ao Sporting da Covilhã a partir da temporada de 1981/82, o primeiro grande destaque da nova ligação do atleta aos “Leões da Serra” surgiria no desenrolar da campanha de 1984/85. Com a colectividade ainda a militar no escalão secundário, a época do conjunto beirão, orientada nos preceitos do treinador Vieira Nunes, não só no Campeonato começaria a dar indícios de um final feliz. Também na Taça de Portugal os resultados alcançados carregariam o clube acima das expectativas. Com Nélinho a apresentar-se como um dos totalistas na prova e com um golo seu a ajudar à vitória na ronda frente ao Paços de Ferreira, o emblema do listado verde e branco avançaria na prova para além do previsto, acabando apenas, já nas meias-finais, por empancar no maior poderio do Benfica.
Com Nélinho transformado num dos esteios à guarda do treinador referido no parágrafo anterior, a época de 1984/85 não ficaria esgotada com o desempenho do Sporting da Covilhã na apelidada “Prova Rainha”. A prestação no Campeonato levaria os “Serranos” ao regresso à 1ª divisão e a subida de escalão faria com que o jogador, finalmente, conseguisse a merecida estreia naqueles que são os principais palcos do futebol luso. Todavia, a temporada de 1985/86 tornar-se-ia na única de cariz primodivisionário a preencher o currículo do desportista e, para além de, colectivamente, não ajudar a evitar a descida, o final da competição maior do calendário nacional marcaria também o termo da ligação do médio-ofensivo à agremiação sediada na Beira Baixa.
Findos os 5 anos de união ao Sporting da Covilhã, durante os quais chegaria a ser responsável por envergar a braçadeira de capitão, Nélinho entraria na derradeira fase da sua carreira enquanto praticante. Penafiel, Vianense e Moura transformar-se-iam nas cores desses últimos passos. Depois surgiria a ocasião para experimentar as tarefas de treinador e, nessas funções, mormente no Alentejo, passaria por emblemas como o Desportivo Portalegrense ou o Gafetense.

1299 - JOSÉ AUGUSTO

Natural da Guiné-Bissau, seria nas “escolas” do Vitória Sport Clube que José Augusto terminaria o percurso formativo. Ainda no emblema de Guimarães, o defesa, que também podia posicionar mais adiantado no terreno de jogo, teria a oportunidade de subir ao patamar sénior. Lançado pelo treinador Mário Imbelloni na temporada de 1979/80, a presença de elementos com maior traquejo no plantel, haveria de dificultar a afirmação do jovem atleta. Aliás, as épocas seguintes, mesmo com várias mudanças no comando técnico vimaranense, não seriam muito pródigas para a sua evolução e, no final da campanha de 1981/82, o jogador deixaria a “Cidade Berço”.
Com poucas partidas disputadas durante os primeiros anos da carreira, a transferência para o Desportivo de Chaves, mesmo que a disputar os patamares inferiores, daria ao jogador mais oportunidades para melhor nutrir as capacidades futebolísticas. Ainda assim, seria necessária outra mudança para que, de forma mais concreta, conseguisse dar corpo à sua qualidade. No Desportivo das Aves a partir da temporada de 1984/85, José Augusto transformar-se-ia numa das figuras do plantel e, logo nessa campanha de arranque com o listado alvo-rubro, acabaria por inscrever o seu nome na história do emblema sediado no concelho de Santo Tirso.
Como elemento do plantel que venceria a edição de 1984/85 do Campeonato Nacional da 2ª divisão, o jogador seria igualmente um dos responsáveis pela primeira subida do emblema da Vila das Aves ao patamar maior do futebol português. Já no desenrolar da época cumprida entre os “grandes”, José Augusto manter-se-ia como uma das principais figuras do grupo de trabalho à guarda do Professor Neca. Contudo, a presença do defesa em 22 partidas da principal prova do calendário nacional, seria insuficiente para impedir a despromoção do clube. Também para o jogador, a descida seria “fatal”, pois, a partir dessa data, não mais regressaria ao escalão máximo. Ainda assim, as suas exibições seriam suficientes para mantê-lo no plantel e as 4 campanhas cumpridas com os “Avenses” fariam da colectividade uma das mais representativas da sua caminhada como futebolista.
Seguir-se-iam, numa carreira a entrar na última fase, as passagens pelo Olhanense, União de Leiria, as 4 temporadas com as cores da Associação Desportiva de Fafe e, ao ainda serviço da agremiação minhota, o fim do trajecto como desportista no termo da campanha de 1993/94. Todavia, o “pendurar as chuteiras” não significaria para o antigo defesa o afastamento definitivo da modalidade. Como técnico, José Augusto já carrega uma longa experiência. Reconhecido pelo seu trabalho como adjunto de Manuel Machado, foram inúmeros os emblemas pelos quais passaria. Nesse sentido, destaque para os anos com o Moreirense, Vitória Sport Clube, Académica de Coimbra, Nacional da Madeira ou com os gregos do Aris de Salónica. Há também que referir as épocas em que, na condição de treinador-principal, esteve à frente do Caçadores das Taipas.

1213 - ADÃO

Com passagem pelo Sporting Clube de Bissau, seria já em Portugal e no Boavista que Adão da Silva viria a ser reconhecido como um atleta de alto gabarito. Com a entrada no Bessa a acontecer nos finais dos anos 70, o defesa-central não demoraria muito até conseguir merecer o seu lugar de destaque no “onze” inicial das “Panteras Negras”. Na época de 1979/80, sob o comando do técnico Mário Lino, começaria a ser visto como um dos esteios do sector mais recuado do conjunto portuense. Logo no princípio da referida temporada, seria arrolado para, de início no jogo, defrontar o FC Porto na disputa da Supertaça Cândido de Oliveira. Ao actuar os 90 minutos do encontro marcado para o Estádio das Antas, ajudaria na retenção das ofensivas adversárias e, desse modo, tornar-se-ia numa das principais figuras da vitória “axadrezada” por 2-1.
Ao ter a carreira praticamente toda ligada ao Boavista, é com normalidade que consideramos Adão como uma das históricas personagens da vida do clube. No entanto, a sua importância, que também justifica a sua longevidade como atleta impreterível do emblema sediado na Freguesia de Ramalde, extravasaria os anos passados a envergar a “camisola do xadrez”. Como é fácil de entender ao analisarmos os números do seu percurso profissional, o defesa, para quase todos os treinadores com passagem pelo Bessa, assumir-se-ia como um elemento regularmente presente nas convocatórias dos mais diferentes embates futebolísticos. Tirando algumas excepções, essa frequência rapidamente incluiria o jogador no rol de nomes com o selo primodivisionário. Para o estatuto de figura-mor, em boa medida e em igual força, contribuiriam as glórias colectivas. Aliás, essa relação de interdependência, o laço entre o homem e o conjunto, seria a chave de muitos sucessos.
No campo dos êxitos, para além do óbvio, ou seja, o troféu ganho e aludido no primeiro parágrafo, podemos começar pelas participações nas diferentes provas estruturadas pelo organismo aglutinador dos emblemas do “Velho Continente”. No âmbito das pelejas europeias, com a edição de 1979/80 da Taça dos Vencedores das Taças a marcar a sua estreia, a Taça UEFA também acabaria por preencher o percurso competitivo do internacional guineense. Como é igualmente claro, todos esses desafios, numa primeira instância, resultariam de uma boa performance colectiva nas competições portuguesas. Nesse sentido, para o ataque do Boavista às posições cimeiras do Campeonato Nacional, tal como da apelidada “Prova Rainha”, em muito contribuiriam as qualidades futebolísticas de Adão. Como um atleta possante, intrépido e incansável perante qualquer disputa, o central passaria a figurar como um exemplo para colegas de balneário e a merecer todo o respeito por parte dos adversários. Esse facto, como não poderia deixar de ser, ficaria sublinhado pela justa entrega ao seu braço esquerdo da braçadeira de “capitão” de equipa.
Depois de cerca de uma década ligado ao Boavista, o jogador, cuja única superstição era entrar primeiro com o pé canhoto em campo, veria as derradeiras etapas do trajecto competitivo levá-lo, com idêntica dedicação, a envergar outros emblemas. Já fora dos cenários primodivisionários, Adão teria uma curta experiência no plantel de 1989/90 da União de Leiria para, na campanha seguinte e após uma boa temporada com as cores do Feirense, dar por terminada a sua carreira.

1125 - PIO

Ao concluir a formação no Belenenses, Pio tinha como parte brilhante do seu, ainda curto, currículo, algumas passagens pelas jovens selecções nacionais. Ao lado de craques, casos do guardião Zé Beto, de Alberto Bastos Lopes ou Diamantino Miranda o percurso traçado com as cores de Portugal, com as participações no Torneio de St. Malo ou na fase de qualificação para o Torneio Internacional de Juniores da UEFA, permitir-lhe-iam sonhar com um futuro risonho.
No entanto, a passagem para o escalão sénior apresentá-lo-ia a um cenário diferente e longe dos contextos idílicos onde, até à altura, tinha vogado. Com o Lusitano de Évora a abrir-lhe as portas da equipa principal, a temporada de 1978/79 marcaria o começo de uma etapa competitiva que levaria o defesa-central aos patamares secundários. Depois de começar na 3ª divisão, a promoção do emblema alentejano, faria com que subisse mais um degrau na sua caminhada. Apesar de conseguir apresentar-se como um dos esteios do emblema eborense, a verdade é que as oportunidades para voltar aos grandes palcos ainda demorariam alguns anos a chegar e, até lá, tempo para mais duas camisolas.
Após a curta passagem pelo Juventude de Évora, a viagem para o extremo norte de Portugal entregá-lo-ia a desafios de outra monta. Ao envergar as cores do Desportivo de Chaves a partir da campanha de 1983/84, Pio inscreveria o seu nome como parte de um projecto ambicioso e com os olhos postos no escalão máximo do futebol luso. Ao fim do segundo ano com a camisola flaviense, o objectivo da subida dar-se-ia como cumprido. Sob as instruções de Raul Águas, o defesa manter-se-ia na equipa e, em 1985/86, integraria o plantel que disputaria o patamar mais elevado do Campeonato Nacional e que terminaria a época num honroso 6º lugar.
Curiosamente, a temporada que serviria de estreia na 1ª divisão, tanto na história do emblema transmontano, como na do próprio atleta, transformar-se-ia na única campanha do jogador entre os “grandes”. Mesmo ao contabilizar um bom número de jogos pelo Desportivo de Chaves, a verdade é que a ligação entre o atleta e o clube conheceria o fim em 1986. Talvez à procura de um papel de maior preponderância do que aquele que auferia em Trás-Os-Montes, Pio escolheria transferir-se para o Penafiel. Errada ou não, a opção pela colectividade duriense, tal como todos os desafios seguintes, afastá-lo-iam da 1ª divisão. Numa senda que viria a tornar-se um pouco errante, o defesa-central acabaria por experimentar diversas agremiações. Seguir-se-iam, entre o 2º e 3º escalão, Freamunde, Moura, Imortal, Sporting da Covilhã e o regresso ao Lusitano de Évora. Numa carreira de 17 anos como sénior, o fim aconteceria já nas distritais, ao serviço do Alcanenense e em 1995.