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1268 - MLADENOV

Com os primeiros passos dados ao serviço do Dimitrovgrad, as excelsas qualidades de Stoycho Mladenov, para além de levar o avançado às jovens selecções da Bulgária, fariam com que, ainda em idade juvenil, conseguisse conquistar um lugar no plantel sénior do referido clube. Ao destacar-se como um dos melhores do grupo de trabalho, rapidamente surgiriam os maiores emblemas do país a interessarem-se pela sua contratação. Quem venceria a corrida acabaria por ser o Beroe e a mudança para o emblema sediado na cidade de Stara Zagora catapultaria a carreira do atacante.
A estreia em jogos oficiais na temporada de 1976/77, a primeira no novo emblema, transformar-se-ia num presságio para uma carreira de excelência. Ao conquistar a titularidade ainda na preparação da época, o encetar de actividades por parte de Mladenov, resultado do golo por si concretizado, terminaria com o Beroe a vencer por 1-0. Nessa senda goleadora, os remates certeiros surgiriam naturalmente e, como consequência da sua habilidade finalizadora, logo ao segundo ano pelos “Verdes”, o avançado, com 21 tentos, terminaria a campanha como o Melhor Marcador do Campeonato da Bulgária.
Por altura da conquista do aludido galardão individual, já o avançado tinha conseguido estrear-se pela principal selecção búlgara. Frente à Escócia, num particular disputado no Hampden Park, o atleta brindaria a confiança do treinador Tsvetan Ilchev com um golo. Na sequência dessa partida agendada a 22 de Setembro de 1978, Mladenov passaria a ser arrolado como um dos nomes habituais nas convocatórias para os compromissos do conjunto nacional. Numa caminhada em que acumularia um total de 59 internacionalizações, o destaque surgiria com a sua chamada ao Mundial de 1986. No torneio organizado no México, o jogador participaria nos 3 encontros da Fase de grupos e contribuiria para a chegada da Bulgária aos oitavos-de-final.
Voltando ao percurso clubístico de Mladenov, a sua mudança na temporada de 1980/81 para o CSKA de Sófia, sublinhá-lo-ia como uma das maiores figuras do desporto búlgaro. Para esse estatuto em muito contribuiriam os troféus ganhos colectivamente. No emblema da capital, ao currículo do avançado acrescentar-se-iam as vitórias em 4 Campeonatos e em 2 Taças. Porém, para além dos títulos, as participações nas competições europeias, com especial destaque para a chegada às meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1981/82, elevariam o seu nome à condição de um dos jogadores mais apetecíveis no universo futebolístico. As exibições na referida edição da maior prova de clubes, onde 2 golos do avançado ajudariam a eliminar o Liverpool, fariam com que grandes colectividades fossem no seu encalço. Com os “Reds” a liderarem o interesse na sua contratação, seriam as entidades governamentais búlgaras a proibirem a saída do futebolista para o estrangeiro.
A mudança acabaria mesmo por acontecer na campanha a seguir ao Mundial de 1986. Com o Belenenses a abrir-lhe as portas do Ocidente, a chegada de Mladenov ao futebol português logo classificaria o jogador como um dos melhores intérpretes das provas lusas. Em 3 temporadas no Restelo, o avançado transformar-se-ia numa das figuras de proa do plantel. Para além de ajudar os “Azuis” a chegar ao pódio do Campeonato Nacional de 1987/88 e das participações na Taça UEFA, o avançado, apesar de não ter saído do banco na final frente ao Benfica, faria parte do grupo que venceria a Taça de Portugal de 1988/89.
Ainda em Portugal, Mladenov, numa carreira que terminaria aos 37 anos de idade, passaria por outros clubes. Com mais 2 temporadas ao serviço do Vitória Futebol Clube e outras tantas com as cores do Estoril Praia, o avançado cumpriria 7 temporadas na 1ª divisão. De seguida, numa fase de transição, surgiria a sua passagem pelo Olhanense, ainda como treinador-jogador. Após o Verão de 1994, o antigo futebolista, já em exclusivo no papel de “timoneiro”, manter-se-ia nos “Leões de Olhão”. Aliás, o Algarve tornar-se-ia de vital importância ao lança-lo, em definitivo, nas novas funções. Como técnico, conta com passagens pelo Belenenses, selecção da Bulgária, CSKA de Sófia e Litex Lovech e experiência em países como o Egipto, Arábia Saudita e Cazaquistão. Nesse longo percurso, o destaque vai para as 2 vitórias no Campeonato búlgaro à frente do mencionado emblema da capital ou para a conquista da Taça cazaque ao serviço do FC Kaisar.

1155 - SADAKOV

Com qualidades que o destacavam dos demais colegas, Sadakov, com 16 anos apenas, conseguiria estrear-se na equipa principal do Lokomotiv Plovdiv. Depois da presença em algumas partidas na temporada de 1978/79, a sua evolução aconteceria de forma sustentada. Aos poucos, ainda a disputar a 1ª divisão búlgara, o médio conseguiria afirmar-se como um dos elementos importantes no esquema táctico da sua equipa. No entanto, seria com a despromoção do conjunto sediado nas margens do Rio Maritsa que o seu sucesso passaria a desenhar-se em contornos bem definidos.
A primeira confirmação do seu êxito enquanto praticante de futebol, viria no começo da temporada de 1981/82. Arrolado para uma digressão ao Brasil, Sadakov seria chamado ao “onze” da selecção principal da Bulgária que, a 28 de Outubro, participaria num “particular” frente à congénere “canarinha”. Já o segundo momento especial, durante a referida passagem pelo escalão secundário, aconteceria em 1983. Numa caminhada feita na Taça do Exército Soviético que incluiria a eliminação do “gigante” CSKA de Sófia, o Lokomotiv Plovdiv não só conseguiria atingir a final, como, já no derradeiro desafio da prova, bateria o Chirpan por 3-1.
Apesar de ver o clube a oscilar demasiadas vezes entre os dois principais patamares búlgaros, a habilidade que o médio continuaria a demonstrar em campo levá-lo-ia a cimentar-se como um dos nomes habituais nas convocatórias da equipa nacional. Nesse sentido, seria com as cores da selecção que viveria um dos momentos mais importantes da sua caminhada profissional. Chamado a viajar para o México pelo treinador Ivan Vutsov, Sadakov, ao lado de uma extensa lista de atletas bem conhecidos dos emblemas portugueses, participaria em todas as partidas do seu país na campanha do Campeonato do Mundo de 1986.
De volta aos desafios de âmbito clubístico, o médio, cada vez mais tido como um das estrelas das provas búlgaras, passaria também a ser um dos elementos mais cobiçados do Lokomotiv Plovdiv. Depois de, alguns anos antes, ter visto gorada a transferência para o CSKA de Sófia, emblema com o qual, em 1985, chegaria a ter um pré-acordo rubricado, a oportunidade de conhecer outra colectividade surgiria vinda de um contexto competitivo estrangeiro. Após a queda do Muro de Berlim e no seguimento da aposta dos clubes portugueses em atletas nascidos na Bulgária, o Belenenses abriria as portas a Sadakov.
Ao Restelo chegaria para a temporada de 1989/90 e depressa conseguiria afirmar-se como uma das figuras dos “Azuis”. Porém, a despromoção do emblema lisboeta e a consequente presença na 2ª divisão de 1991/92 alteraria a ideia de uma união que, até esse momento, parecia perfeita. Como veiculado pelos noticiários da altura, Sadakov, juntamente com Galo e Jaime, seriam acusados, pela direcção liderada por Luís Pires, de falta de profissionalismo. Num processo que haveria de surpreender o restante plantel e até o treinador Abel Braga, os três internacionais acabariam afastados do grupo principal e, como castigo, seriam postos a treinar à parte.
Na sequência do polémico episódio, o médio, ainda durante a campanha de 1991/92, acabaria por regressar à Bulgária e ao Lokomotiv Plovdiv. Jogaria no emblema que o tinha formado durante mais 2 temporadas e meia. Ao fim do referido período e com vontade de dar o seu contributo, veria a pretensão de renovar contrato recusada pelos dirigentes. Acabaria por vincular-se aos rivais do Botev Plovdiv e, já em 1996, daria por terminada a sua caminhada como futebolista.
Anos mais tarde, já nas funções de treinador, voltaria àquele que ficaria ligado à sua carreira como o clube mais representativo.

1045 - CASAGRANDE

Alto, possante, com boa técnica e um exímio jogo de cabeça, Casagrande seria visto como uma das grandes promessas saídas das “escolas” do Corinthians. A sua promoção ao escalão sénior, no início da década de 80, assim parecia sublinhar todos esses predicados. Porém, uma atitude deveras polémica, faceta que acompanharia o atleta durante toda a carreira, iria causar-lhe alguns problemas. Ao entrar em conflito com Oswaldo Brandão, o ponta-de-lança ver-se-ia proscrito pelo treinador e acabaria emprestado ao Caldense. O ano de 1981, passado no emblema de Minas Gerais, seria suficiente para ordenar a sua volta. O seu regresso traria, num espectro muito aberto, imensas coisas ao seu percurso. Primeiro, em 1982 e 1983, as vitórias no Campeonato Paulista. Depois, a participação na Democracia Corintiana, movimento na luta conta a Ditadura Militar. Por fim, as noitadas, a controvérsia resultante com o treinador e a cedência, em 1984, ao São Paulo.
Incondicionalmente, o seu valor desportivo haveria de sobrepor-se a todas as discórdias. A valia com que era visto faria com que, em 1986, Têle Santana escolhesse o jogador para fazer parte do grupo que viajaria para o Campeonato do Mundo. No México participaria em 3 partidas e, desde logo, o interesse mostrado por outros emblemas levaria a que a sua transferência fosse negociada. O acordo entre o Corinthians e o FC Porto traria o avançado até Portugal. Todavia, sua acomodação aos “Azuis e Brancos” revelar-se-ia com grandes dificuldades. Muitos atribuiriam a inadaptação à boémia. A verdade é que a concorrência também era grande e a presença de Fernando Gomes, Madjer e até de Juary, tornariam o internacional brasileiro num suplente de luxo.
A participação em poucos jogos e, principalmente, os desamores vividos com a massa adepta, levariam os responsáveis portistas a precipitar a sua saída. Com a vitória na edição de 1986/87 da Taça dos Clubes Campeões Europeus a figurar no seu palmarés, e com o prestígio, ainda assim, pouco beliscado, Casagrande haveria de conseguir um lugar na Liga italiana. Começaria no “calcio” com as cores do Ascoli. Os 4 anos passados no emblema da região de Marche serviriam, acima de tudo, para aferir as boas qualidades do avançado. Atentos à sua evolução e à procura de um reforço para o ataque, os dirigentes do Torino veriam no brasileiro o elemento ideal para assaltar objectivos maiores. Logo na temporada de 1991/92, a da estreia do ponta-de-lança, o 3º lugar na “Serie A” e a chegada à final da Taça UEFA seriam demonstrativos desse propósito. Na prova europeia, o ponta-de-lança tornar-se-ia fulcral para o desempenho colectivo. O golo marcado no Santiago Barnabéu seria crucial para levar de vencida o Real Madrid e, com isso, atingir o derradeiro capítulo da prova. Já na final, os 2 remates certeiros conseguidos pelo atacante na 1ª mão, seriam insuficientes para derrotar os holandeses do Ajax.
A última parte da sua carreira dar-se-ia no regresso ao Brasil e com as curtas passagens por diversos emblemas. Flamengo, Corinthians, Paulista e São Francisco transformar-se-iam nas cores desse último capítulo. Já depois de aposentado, Casagrande manter-se-ia ligado ao futebol. Porém, muito mais do que as aparições como comentador televisivo, as suas histórias fora do desporto dar-lhe-iam ainda maior visibilidade. Os excessos, um ataque do miocárdio, um grave acidente de viação, apenas seriam superados pela revelação da sua dependência de drogas. Maior celeuma surgiria ainda com a publicação da sua biografia e com a denúncia do uso de doping durante a sua passagem pelo FC Porto.

884 - WHITESIDE

Com a entrada para os “schoolboys” da Irlanda do Norte, a quantidade de golos que ia marcando começaram a chamar a atenção de vários “olheiros”. Ipswich Town, Liverpool e Manchester United seriam os emblemas que tomariam a dianteira na luta pela sua aquisição. Nessa corrida, o facto de os pais serem adeptos do emblema de Lancashire pode ter tido alguma influência na hora de escolher o destino do filho. A verdade é que, ainda adolescente, Norman Whiteside atravessaria o Mar da Irlanda para assinar contrato com os “Red Devils”.
Mesmo sendo muito jovem a entrega que demonstrava em cada treino e, principalmente, os golos que continuava a concretizar, levariam a que, com apenas 16 anos, fizesse a sua estreia na equipa principal. Chamado a jogo pelo treinador Ron Atkinson, o atacante, a 24 de Abril de 1982, tornar-se-ia no atleta mais novo de sempre a entrar em campo com a camisola sénior do Manchester United. Aliás, a carreira de Whiteside ficaria marcada pela prematuridade. Nesse sentido, seriam muitas as marcas que o jogador iria bater. Para além do já referido, também pelo conjunto “mancunian” o atacante conseguiria outros recordes. À custa dos remates certeiros, o irlandês conseguiria ser o mais novo a marcar numa partida sénior dos “Red Devils”, o mais novo a marcar numa final da Taça de Inglaterra e a marcar numa final da Taça da Liga.
Não foi só pelo clube que Whiteside fez história. Também pela equipa nacional conseguiria inscrever o seu nome como um dos mais distintos atletas. Para isso bastou que, mais uma vez, fosse precoce. Ora, com tamanha qualidade, não demorou muito para que da selecção principal chegasse a primeira convocatória. Talvez o que ninguém estava à espera, é que tal chamada acontecesse na hora de anunciar o rol de jogadores a levar ao Mundial de 1982. Já em Espanha, naquela que seria a jornada de estreia da Irlanda do Norte no torneio, a sua participação no jogo com a Jugoslávia faria dele o mais novo de sempre a disputar uma partida numa fase final de um Campeonato do Mundo.
Mas apesar de todo o sucesso que, logo nas primeiras temporadas, conseguiria alcançar, a verdade é que a sua carreira também teria um final bastante precoce. O declínio do seu percurso começaria bem cedo, muito antes de alguém conseguir prever tal fim. Desde sempre acossado por lesões, os joelhos do jogador ficariam bastante afectados. A somar a esse infortúnio, também os seus excessos fora do futebol começariam a influenciar o seu desempenho. Essa segunda situação ficaria mais patente aquando da chegada de Alex Ferguson. O treinador escocês, intolerante com a atitude do atleta, acabaria por ser o principal factor para que o avançado abandonasse o clube. Ainda assim, seria o próprio atleta que diria que a sua saída do Manchester United teria pouco a ver com a sua conduta, mas sim com o desejo do técnico em renovar o plantel.
Transferido para o Everton em 1989/90, os problemas físicos nunca deixariam que o atleta voltasse aos níveis exibicionais de outrora. Duas temporadas após a chegada ao emblema de Liverpool e o avançado decide aposentar-se do futebol. Com o fim da carreira aos 26 anos, o interesse que tinha ganho pela medicina ligada ao desporto tornar-se-ia mais evidente. Para dar corpo a essa nova paixão, Whiteside decide entregar-se aos livros e formar-se em Podiatria. Hoje em dia, é um profissional da área e, na zona de Trafford abriu uma clínica da especialidade.

840 - ENGLAND 66

O Campeonato do Mundo de 1966, desde os seus estágios preliminares, haveria de ser tema para grandes conversas. Com um número de equipas nunca antes visto, as 70 selecções com lugar no torneio de qualificação transformar-se-iam num recorde para a história do futebol. Ainda assim, a caminhada inicial não ocorreria sem uma boa polémica. Indignados pela falta de um lugar com passagem directa à fase final, os países africanos decidem não participar. A dita contenda agravar-se-ia pela integração da África do Sul, à altura regida pelas leis do “Apartheid”, na zona da Ásia/Oceânia. Com o crescer dos protestos, o país acabaria mesmo por ser afastado pela FIFA. No entanto, e face à intransigência revelada pela entidade organizadora, que continuaria a defender o modelo de acesso, a posição das referidas nações manter-se-ia e o seu boicote também.
O torneio final jogar-se-ia em Inglaterra. Sendo o dito país o berço da modalidade, a enorme adesão por parte dos fãs seria encarada sem grande espanto. Aliás, os ingressos vendidos acabariam também por tornar-se num recorde. Para assistir aos embates proporcionados pelas 16 selecções, o número de adeptos presentes nos estádios ultrapassaria um total de milhão e meio.
Na primeira fase, seriam quatro os agregados compostos pelas equipas qualificadas. Portugal acabaria por ficar posicionada no Grupo 3. Ora, como um dos conjuntos estreantes, e ainda por cima a disputar um lugar nos quartos-de-final com Brasil e Hungria, as hipóteses dadas ao conjunto luso acabariam por ser pouco favoráveis. Contra tudo o que seria lógico, os “Magriços” até estavam ali para disputar o título. Logo nessa primeira etapa, ajudariam a eliminar o Brasil de Pelé e Garrincha. Contudo, esse não seria o único motivo de espanto. A Itália e Espanha, esta última campeã da Europa 2 anos antes, também ficariam de fora. Em sentido contrário, a surpresa chamada Coreia do Norte.
Seria a congénere coreana que Portugal enfrentaria na fase seguinte. A nossa selecção, em grande maioria composta pelos benfiquistas bicampeões europeus de clubes de 1961 e 1962 e pelos sportinguistas vencedores da Taça das Taças de 1964, era a grande favorita a passar a eliminatória. Todavia, aquilo que à partida era um jogo relativamente fácil tornar-se-ia num enorme susto para o conjunto português e num dos grandes momentos do torneio. Para tal muito contribuíram a entrada de rompante da equipa asiática que, aos 25 minutos, já vencia por 3-0. Depois o impensável e, com 4 golos de Eusébio e 1 de José Augusto, a reviravolta no marcador.
A faltar apenas uma ronda para atingir o derradeiro jogo do Campeonato do Mundo, as hipóteses de Portugal, e a força que os seus jogadores mostravam dentro de campo, pareciam também apontar para o troféu. Nada aparentava atemorizar os elementos das “quinas” e nem a contenda frente à Inglaterra tirava a esperança a jogadores e corpo técnico. É então que algo surpreendente acontece. Essa partida das meias-finais, inicialmente calendarizada para o Goodison Park, é, à última da hora, marcada para Wembley. A razão para tal alteração do programa, segundo a organização do torneio, dever-se-ia à maior capacidade do estádio londrino. O resultado: Portugal, ao invés de se manter a jogar em Liverpool, viu-se, no dia anterior ao embate, forçada a uma longa viagem até à capital britânica; já a selecção “da casa”, mantendo-se na cidade que, desde o começo do certame a acolhia, pode repousar e recuperar para o embate que se avizinhava.
À margem desse episódio ficariam os resultados da ronda. Por um lado, Portugal cairia frente à Inglaterra. Por outro, a República Federal Alemã, levaria de vencida a URSS. Perante tais desfechos, a final seria entregue a alemães e ingleses, enquanto que o 3º lugar seria disputado por soviéticos e portugueses.
Na partida de acesso ao último lugar do pódio, o “Pantera Negra” voltaria a marcar. Esse golo, num total de 9 remates certeiros, não só faria do avançado o Melhor Marcador do torneio, como ajudaria na conquista da medalha de bronze. Já no derradeiro jogo, aquele que revelaria o próximo campeão do mundo, mais uma polémica a juntar a tantas outras. Após o tempo regulamentar, com o “placard” a assinalar 2-2, a partida prossegue para prolongamento. Geoff Hurst, com 8 minutos decorridos após o reatamento, chuta à baliza adversária. A bola, com grande estrondo, acerta na barra. Depois vai ao chão e bate, algures perto da linha. O remate, mesmo tento em conta a enorme contestação, seria validado. A Inglaterra passava mais uma vez para a frente do marcador e com mais um golo de Hurst (faria um hat-trick) selaria a conquista da “Jules Rimet Cup”.

710 - HUGO SÁNCHEZ

Com um jeito inegável para o jogo da bola, desde muito cedo que as habilidades de Hugo Sánchez impressionariam tudo e todos. Nesta senda, seria já depois da sua participação nos Jogos Olímpicos de 1976, onde a sua irmã, ginasta, também estaria presente, que o atacante chega à principal categoria do Pumas UNAM. Pertencendo à equipa da Universidad Nacional Autónoma de México, o jovem jogador, para além da prática do futebol, apostaria na sua formação académica. Enquanto crescia como futebolista, Hugo Sánchez haveria também de terminar o curso em Medicina Dentária.
Sem tirar qualquer mérito ao seu sucesso universitário, onde Hugo Sánchez alcançaria o maior destaque seria, sem qualquer dúvida, dentro das “quatro linhas”. No futebol, a carreira do atacante, logo na época de estreia pelo Pumas, começaria com o título de campeão mexicano. Mesmo sem ainda conseguir grandes marcas pessoais, a qualidade que apresentava em jogo era reveladora de um futuro risonho. A confirmar essa previsão, os golos começariam a surgir naturalmente e ao terceiro ano como profissional, Hugo Sánchez sagra-se o melhor marcador do campeonato.
Ao contrário de muitos que, durante os anos 70, iam acabar as suas carreiras na liga dos Estados Unidos, Hugo Sánchez, ainda a dar os primeiros passos, intercalaria as temporadas mexicanas, com o “defeso” passado ao serviço do San Diego Sockers. Tendo sido essa a sua primeira experiência no estrangeiro, o grande salto na sua carreira ocorreria aquando da sua transferência para Espanha. No Atlético de Madrid, já depois de com o Pumas ter conquistado mais um campeonato e a Taça dos Campeões da CONCACAF, Hugo Sánchez faria a sua estreia no futebol europeu.

Os primeiros tempos na “La Liga”, com o avançado muitas vezes no banco de suplente, não seriam muito fáceis. Todavia, e com o passar do tempo, o atacante começaria a revelar todas as suas qualidades. Com um “timing” perfeito, a leitura que Hugo Sánchez fazia do jogo, permitia-lhe estar sempre no sítio certo. Melhor que a sua inteligência, só mesmo a maneira excêntrica como abordava muitos dos lances de ataque. Famoso pela quantidade de golos que marcaria durante o seu percurso profissional, só a mestria das suas “bicicletas”, e outras acrobacias, conseguiriam superar o sucesso dos seus números. 
Nisto de algarismos, o seu primeiro “Pichichi” chegaria na 4ª temporada com as cores dos “Colchoneros”. Mas numa altura em que o Atlético de Madrid andava afastado dos títulos, eis que o “namoro” vindo de outro clube da capital, acabaria por estragar uma relação quase perfeita. Seria então, no Verão de 1985, que Hugo Sánchez trocaria o Atlético pelo Real Madrid. A polémica que a transferência causaria, acabaria por ser esquecida com as exibições do craque. Dando continuidade ao bom trabalho que vinha fazendo, o atacante mexicano, nas 3 temporadas seguintes à mudança de clube, conseguiria sempre renovar o título de melhor marcador da liga espanhola. A este feito, não é alheia a qualidade da equipa “merengue”. Acompanhando o surgimento da famosa “Quinta del Buitre”, o avançado era o complemento ofensivo para o talento de jogadores como Míchel, Martin Vázquez ou Butragueño. O conjunto acabaria por dominar o futebol espanhol e Hugo Sánchez juntaria ao seu rol de títulos 5 Ligas (consecutivas), 1 “Copa del Rey”, 3 Supertaças e a vitória na Taça UEFA de 1985/86.
Talvez a única coisa que tenha faltado ao currículo do avançado, e tendo em conta o contexto vitorioso que o Real Madrid atravessaria, seria a Taça dos Campeões Europeus. Ainda assim, e em jeito de compensação, Hugo Sánchez acabaria por conseguir uma das maiores distinções que um goleador pode almejar. Em 1989/90, coincidindo com a conquista do seu último “Pichchi”, os 38 golos por si concretizados levá-lo-iam a vencer a Bota d’Ouro.
Após ter terminado a sua ligação ao Real Madrid em 1992, Hugo Sánchez entra numa fase errática da sua carreira. Mesmo sem o brilho de outrora, a mística que o seu nome carregava levá-lo-ia a ser chamado ao Campeonato do Mundo de 1994. Depois de em 1978 ter feito a sua estreia em Mundiais, e de em 1986, no seu México natal, ter alcançado os quartos-de-final, eis que os Estado Unidos testemunhariam a última presença do goleador num grande certame desportivo.
América, Rayo Vallecano, Atlante, Linz, Dallas Burn e, finalmente, Atlético Celaya seriam os emblemas que ocupariam os seus últimos anos de futebolista. Retirando-se já bem perto dos 40 anos de idade, a sua ligação ao futebol manter-se-ia. Como treinador, e com realce para a passagem pela selecção do seu país, o maior destaque consegui-lo-ia ao comando do Pumas UNAM. Na equipa que o lançou no mundo do desporto, Hugo Sánchez, ambos em 2004, venceria os Torneios de “Apertura” e “Clausura”.

637 - PÉTER DISZTL

Há “cromos “ e momentos no futebol que, sem que encontremos grande explicação, perduram e destacam a sua importância na nossa memória. O húngaro Disztl e o Mundial de 1986 assim funcionam comigo!!!
Apesar do torneio disputado no México ter sido, na minha “relação” com o antigo guarda-redes, um ponto de viragem, a carreira de Disztl, por essa altura, já se construía há largas temporadas. Mais precisamente nos anos 70, o jovem atleta era uma das promessas das escolas do Videoton. O dito estatuto, passados esses anos de formação, haveria de assegurar para si um lugar na equipa principal da cidade de Székesfehérvár. Após este primeiro passo, a maneira natural como foi impondo o seu jogo era a prova que as esperanças depositadas em si não tinham sido em vão. Nas selecções jovens, também Disztl ia mostrando qualidades. A convocatória para disputar o Mundial S-20 de 1979, dois anos após a sua subida aos séniores, também serviria de prova a essa sua evolução.
Curiosamente, e sendo o clube ao qual estava ligado um dos históricos do campeonato, troféus era coisa que rareava na sua carreira. No entanto, e no meio de tanta escassez, a época de 1984/85 haveria de trazer um enorme marco à sua vida como futebolista. Com presença na Taça UEFA, o Videoton haveria de galgar as diversas fases da competição. Tal era a força com que se iam apresentando na prova, que nem o Manchester United, adversário calhado em sorte para os quartos-de-final, conseguiria travar tamanho ímpeto. Chegados à derradeira etapa, onde Disztl jogaria ambas as partidas, o adversário acabaria por ser o possante Real Madrid. O Videoton acabaria por claudicar perante o poderio dos espanhóis. No entanto, e apesar do resultado desanimador da primeira mão (0-3), os húngaros não baixariam os braços e acabariam, em pleno Santiago Barnabéu, por impor uma derrota (0-1) aos “Merengues”.
Outro dos momentos marcantes que viveria como profissional acabaria por ser, como acima referido, o Mundial de 1986. Ele que, num particular frente à Noruega, tinha feito, em 1984, a sua estreia pela principal equipa nacional, via agora o seu nome incluído na chamada para o certame mexicano.
Engraçado haveria também de ser o seu regresso às lides clubistas. Depois de mais de uma década a defender as redes do Videoton, Disztl acabaria, findo o Campeonato do Mundo, por trocar de emblema. Mudar-se-ia para o Honvéd e, logo nos dos dois primeiros anos, contribuiria para a conquista do “bi-campeonato”.
Seria já em 1990, aquando da sua passagem para os 30 anos, que Disztl teria a sua primeira experiência no estrangeiro. Apesar das “brechas” na cortina de ferro, o guardião magiar não iria para muito longe e o Campeonato da Alemanha de Leste seria o seu destino.
Já depois de representar o Rot-Weiß Erfurt e o Leipzig, e de, ainda, contar com uma passagem pelos malaios do Selangor, Disztl volta ao seu país natal. Essa última fase da sua carreira, acabaria por caracterizar-se pela constante mudança de emblema. 
Após o seu afastamento dos relvados, a sua ligação com a modalidade tem tido alguma continuidade. Destaque para a sua aparição como adjunto de Paulo Sousa, naquele que seria o clube mais representativo da sua vida futebolística, o Videoton.

541 - GETOV

Foi no início dos anos 80 que no Spartak Pleven, emblema que por essa altura frequentava a divisão maior búlgara, começa a destacar-se um atleta que, sem ter um grande poder físico, brilhava pelas suas qualidades técnicas. A evolução do jogador seria de tal ordem positiva que, a 9 de Março de 1983, para um particular frente à Suíça, Getov faz a sua estreia na lista de convocados para a principal selecção do seu país. Não parecendo contente (apenas) com a sua primeira chamada à equipa nacional, o médio ofensivo, que havia começado o desafio na condição de suplente, haveria de deixar a sua marca no dito encontro. Sai do banco aos 76 minutos, numa altura em que o "placard" dava 1-0 para os adversários, e, bem perto do apito final do árbitro, conseguiria empatar a partida.
Aliás, esta sua veia goleadora haveria de ser uma das marcas mais vincadas na sua carreira. Essa sua aptidão para o golo, ele que, preferencialmente, até se posicionava atrás dos "verdadeiros" avançados, era uma das suas grandes armas. Sabia, sorrateiramente, aparecer na área; sabia, como ninguém, ludibriar as marcações dos seus oponentes; e, acima de tudo, tinha um pontapé terrivelmente certeiro. Todos estes predicados, levá-lo-iam a destacar-se como um dos bons artilheiros na Bulgária. A prova de que, tal "faro", era para ser levado a sério, é que, ainda ao serviço do Spartak Pleven, Getov haveria de conquistar, finda a temporada de 1984/85, o prémio de Melhor Marcador do Campeonato.
Ora, por essa altura já ele era um dos jogadores habituais nas chamadas à selecção. Essa assiduidade faria com que o seu nome, sem qualquer tipo de espanto, aparecesse como um dos eleitos para disputar o Mundial de 1986. No México, o atleta haveria de ser uma das figuras em destaque no seio do seu grupo. Disputaria todas as partidas e, mais uma vez, marcaria um dos golos (desafio frente à Coreia do Sul) que permitiria à sua equipa, na condição de um dos melhores terceiros, qualificar-se para os oitavos-de-final da competição.
Com o estatuto de estrela alcançado, foi normal que um dos maiores emblemas do seu país se interessasse na sua contratação. A transferência para o CSKA de Sofia ocorreria, deste modo, no início da época de 1988/89. No entanto, aquilo que parecia um passo em frente na progressão da sua carreira, acabaria por se tornar num, não direi grande, mas num pequeno desaire. Pouco utilizado, a solução para Getov foi a de procurar um novo rumo para a sua vida profissional. Como já tinha passado os 28 anos, idade mínima estipulada pelo governo para que pudesse ir jogar para outro país, a hipótese "estrangeiro" pôs-se. Ora, seria neste contexto que a meio da dita temporada (há que dizer que o CSKA sagrar-se-ia campeão nesse ano), Getov chega a Portugal.
No Portimonense, emblema para o qual se transferiu, jogaria dois anos e meio. A sua estreia, serviria para provar que, ao Algarve, acabava de chegar um grande craque. Nessa partida frente ao Marítimo, o internacional búlgaro mostraria aos adeptos um dos seus melhores atributos: a marcação de livres! O golo, um dos tantos que marcaria ao serviço dos "alvi-negros", foi uma pequena amostra daquilo que tinha para oferecer. Também é verdade que Getov evitava aquelas disputas onde se adivinhava algum contacto maior; igualmente, não é mentira dizer-se que poderia ter corrido um pouco mais. Contudo, e apesar de lhe serem apontados alguns defeitos, o médio era aquele que mais vezes fazia levantar o público; era o que mais vezes o fazia vibrar; era magia; era a verdadeira paixão do futebol. Por essa razão, e apesar de não ser, nem de perto nem de longe, um dos atletas com mais jogos realizados pelo clube, Getov é, ainda hoje, recordado como um dos melhores futebolistas que passou pela aquela cidade do Barlavento.
Já depois de voltar ao seu país, e com uma idade (34 anos) em que muitos já o consideravam como acabado, Getov mostra o porquê da sua fama. A vestir as cores do Levski de Sofia, acabaria por realizar uma das melhores temporadas da sua vida. Primeiro, com a quantidade de golos que concretizaria, ajuda o emblema da capital a conquistar o título de campeão. Esses ditos golos, 26, fariam com que, mais uma vez, se destacasse como o "rei dos goleadores"... e depois, em jeito de "cereja no topo do bolo", acabaria por ser eleito o Melhor Jogador do Campeonato de 1992/93.

486 - SOUNESS

Ainda adolescente, sairia da Escócia para ingressar nas escolas do Tottenham. Em Londres, nas camadas jovens dos "Spurs", o médio rapidamente se destacou, mas como não lhe davam oportunidade para jogar na equipa principal, um dia, tinha ele apenas 17 anos, decide ir falar pessoalmente com o "Manager". Na conversa com Bill Nicholson, Souness tenta convencê-lo do seu valor. O treinador não concorda e começa aqui um divórcio que, primeiramente, o leva a um empréstimo na liga norte-americana. Tal foi o seu desempenho nos meses que passou ao serviço do Montreal Olympique, tendo, inclusive, sido chamado ao "All-Star Game", que no seu regresso a Inglaterra, o Middlesbrough acabaria por o contratar.
5 anos e meio a vestir a camisola do "The Boro" foram suficientes para revelar um dos médios mais completos que o futebol já viu. Destemido, duro e resistente, mas, ao mesmo tempo, capaz dos mais subtis e delicados lances de futebol, Souness mostrava evoluir a cada passo que dava dentro de campo. O pior é que, paralelamente à sua genialidade, o centrocampista também era tido como um bom praticante nas actividades boémias. Temendo pelo seu futuro o seu treinador, o mítico Jack Charlton, avisou-o que, caso não mudasse de postura, o seu futuro como futebolista estaria em risco. Ora, "como pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita", o atleta, uns anos mais tarde, acabaria por fazer uma, também ela muito badalada - "Estou saturado, desencantado com o jogo. Apetecem-me umas boas férias, longe daquilo tudo". Bem dito, bem feito... e com isso acabaria suspenso pelo seu clube.
Indiferentes a tudo isto pareciam estar os responsáveis do Liverpool que, acabado o tal castigo, reuniram-se com as partes interessadas e acertaram a transferência do jogador. 350000£, recorde, à altura, para o futebol britânico, foi a maquia gasta pelos "The Reds" para assegurar o concurso do médio, já a temporada 1977/78 ia a meio. Contente ficou o atleta, por se mudar para a equipa que, ainda uns meses antes, se sagrara campeã europeia... contente ficou o clube, pois, sem o saber ainda, estava a assegurar mais 3 desses troféus para o seu palmarés!
O que veio nos anos futuros, a esse da sua chegada, pode resumir-se a uma palavra só: excepcional!!! 5 Ligas Inglesas, 4 Taças da Liga, 3 Charity Shield e, como já o referi, 3 Taças dos Campeões, são os números do sucesso que resultou da união entre o internacional escocês e o Liverpool. Com tudo isto, Souness acabaria, como o prova a nomeação para as "110 lendas do futebol inglês", por garantir o caminho para a imortalidade. É certo que teve a sorte de fazer parte de uma equipa brilhante, onde pontuavam nomes como os de Kenny Dalglish, Bruce Grobbelaar, Ian Rush, Terry McDermott e tantos outros. Contudo, também não é menos certo dizer-se que, muito do que foram estes atletas se deve à genialidade do "10" escocês.
Depois de uma série de anos por Inglaterra e, também, após uma passagem pela Sampdoria, Souness, curiosamente, assina por um clube do seu país natal. Claro, que o engraçado disto tudo não está no facto de Souness voltar à Escócia, mas no acordo selado por si. É que o médio não seria contratado apenas como jogador do Rangers, mas como o seu treinador-jogador... função que desempenhou durante quase 5 anos!!!!
Já depois desta primeira experiência como técnico, onde acabaria por ganhar 3 Ligas, Souness prosseguiu a sua vida no "banco". Esta levá-lo-ia, ainda que longe das conquistas que alcançou como jogador, a granjear alguns êxitos. Com carreira feita, quase na sua totalidade por Inglaterra, as suas incursões pelo estrangeiro levá-lo-iam, também, até à Turquia. Foi já na sua segunda aventura como emigrante que a meio da temporada de 1997/98, chega ao Benfica. Tal como chegou, abalou... sem nada e apenas deixando um conselho sobre o Presidente Vale e Azevedo - "Este homem não é de confiança"!!!

407 - MOZER

São poucos os que podem dizer que foram campeões em todos os clubes por onde passaram como jogador. Mozer é um dos que pode!
Chegaria às “escolas” do Flamengo, dispensado das camadas de formação do Botafogo. Na temporada de 1980 acabaria promovido à equipa principal do “Mengão” e, apesar da forte concorrência, não demoraria muito tempo para que o seu estilo “mandão” conseguisse impor-se no centro da defesa do emblema “carioca”. Mas apesar de um pouco impetuoso, por vezes irrascível, Mozer desde cedo deixaria transparecer uma classe inequívoca. Com um jogo de cabeça irrepreensível e uma capacidade de desarme excepcional, o atleta transformar-se-ia num dos esteios das conquistas “rubro-negras”, com o destaque a ir para a vitória na Copa dos Libertadores de 1981 e na Taça Intercontinental, jogada em Dezembro do mesmo ano, frente ao poderoso Liverpool.
Passados alguns anos, Mozer, quando em 1987 optaria por viajar para a Europa, a fim de vestir a camisola do Benfica, já consigo carregava um currículo impressionante. A presença no Mundial de 1986, a somar aos 4 títulos de campeão brasileiro, fariam dele uma das contratações mais sonantes para o grupo a trabalhar sob o comando de Ebbe Skovdahl. Com o estatuto que carregava, sem grande surpresa, o atleta passaria, com relativa facilidade, a ocupar um lugar no centro da defesa “encarnada”. Também nos corações daqueles que vibravam nas bancadas, o internacional “canarinho” viria a ganhar um lugar de destaque. Em abono da verdade o carinho do futebolista pelos fãs era recíproco e houvesse dúvidas a esse respeito, então as histórias contadas pelo jogador serviriam para dissipar qualquer equívoco.
Contaria Mozer, já como jogador do Marseille, que – “uns dias antes de cada jogo, o Papin chegava para mim e me dizia «vais ver o que é um estádio cheio e um ambiente terrível» (…). Até que, na taça dos campeões, nas meias-finais, o Benfica calhou no caminho do Marselha. Fiquei, ao início, desgostoso, porque ia defrontar o meu Benfica (...). Os jogadores foram saindo do balneário e eu atrasei um pouco, porque estava colocando uma ligadura no tornozelo. Quando cheguei perto do túnel de acesso ao estádio, começo a ver os meus companheiros, completamente assustados e todos do lado de dentro, não querendo entrar. Só depois percebi que, nessa altura o Eusébio foi chamado ao relvado para receber uma homenagem e foi aí que o estádio quase vinha abaixo. Logo no momento em que os meus companheiros do Marselha se preparavam para entrar. Claro que voltaram atrás assustados e me perguntado: «O que era aquilo?». Aquilo, respondi eu, é o INFERNO DA LUZ"*.
Contrariamente ao que tinha acontecido em 1988, quando ainda envergava o “manto sagrado” e, frente ao PSV Eindhoven, disputaria a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, nesse 18 Abril de 1990, célebre pela “mão de Vata”, Mozer não conseguiria o apuramento para o derradeiro jogo daquela que é a mais importante competição de clubes a nível mundial – “naquela noite, o Marselha perdeu, fiquei triste mas senti orgulho pelo Benfica. E já agora, naquele balneário, fui o único a ter uma vitória. Foi uma vitória moral, sobre aqueles que não acreditavam na grandeza do Benfica"*.
Depois da aventura francesa, onde venceria por 3 vezes a Ligue 1, Mozer, para seu gáudio e também para júbilo dos adeptos benfiquistas, voltaria a Lisboa em 1992/93. Com as “Águias”, depois de na primeira passagem ter vencido o Campeonato Nacional de 1988/89, o defesa-central acrescentaria ao currículo pessoal, logo no ano do seu regresso, a vitória na Taça de Portugal e em 1993/94 mais uma vez conquistaria o direito de exibir a faixa de campeão português. Já o final da sua carreira, após ter sido dispensado por Artur Jorge no termo da campanha de 1994/95, aconteceria no Japão. Convidado pelo antigo companheiro de selecção Zico, o defesa-central aceitaria o desafio do Kashima Antlers e partiria em direcção ao continente asiático, onde viria a vencer a liga nipónica.
Alguns anos após "pendurar as chuteiras", Mozer voltaria ao futebol. Ao lado de um José Mourinho estreante nas funções de treinador-principal, a "estrela" benfiquista sentar-se-ia pela primeira vez no banco de suplentes, como adjunto. Apesar de curto, esse regresso aos “Encarnados” adoçaria o seu gosto pelas funções de técnico, as mesmas a levarem-no a Angola, ao Interclube e à conquista do primeiro Campeonato Nacional da história do emblema de Luanda. Posteriormente, o antigo defesa teria experiências nos marroquinos do Raja Casablanca e, de regresso a Portugal, num primodivisionário Naval 1º de Maio e à frente do Portimonense.
Paralelamente à vida de treinador, Mozer tem frequentemente emprestado o seu bom humor aos mais variados programas televisivos, onde, sem sombra de dúvida, podemos destacar a passagem pelo "Mais Futebol", da TVI24.

*retirado do artigo publicado em obenficasoueu.blogspot.com, a 11/06/2009

386 - NEGRETE

Dono de um considerável rol de golos extraordinários, haveria de ser o tento marcado nos oitavos-de-final do Mundial de 1986, frente à Bulgária, que, definitivamente, revelaria o atleta aos olhos do mundo do futebol. Conta-se que antes do começo da dita partida, o jogador confessaria a um colega de equipa que aquele seria o dia em concretizaria o remate que iria abrir-lhe as portas da Europa. Javier Aguirre, muito para além do seu confidente nos momentos a antecederem a partida, acabaria por tornar-se numa preciosa ajuda na concretização desse sonho, quando, à entrada da grande-área adversária, ao receber a bola passada por Manuel Negrete, instantaneamente devolveria o esférico ao médio-ofensivo. Depois, surgiria um esplendoroso e espontâneo "pontapé de moinho" que, ao bater o antigo guardião do Belenenses, Borislav Mihaylov, acabaria a abrir o marcador no Estádio Azteca*.
Se a história contada no parágrafo anterior foi, ou não, o móbil que o Presidente João Rocha usaria para justificar a sua contratação ao UNAM, nunca haveremos de saber. A verdade é que o médio assinaria pelo Sporting no Verão de 1986. Nesse sentido, com um passado desportivo a incluir a conquista do Campeonato mexicano e uma larga lista de internacionalizações pelo país natal, Negrete chegaria a Alvalade como um atleta bem rodado. Contudo, contrariamente ao esperado de alguém com tanta experiência, o jogador encontraria enormes dificuldades em adaptar-se ao futebol europeu.
Já em Portugal, Negrete apresentaria a capacidade técnica como a melhor característica. Por outro lado, a fisionomia franzina fragilizá-lo-ia e demasiadamente exposto ao forte contacto físico, típico da modalidade praticada no “Velho Continente”, o médio enfrentaria tremendos obstáculos para mostrar a sua qualidade. Por essa razão, pouco tempo passado após a chegada a Lisboa, o jogador abalaria. Ainda, nessa campanha de 1986/87, teria uma passagem, igualmente efémera, pelo Sporting Gijon. Em abono da verdade, o internacional mexicano, na experiência ibérica, pouco faria para justificar o estatuto de estrela com que havia chegado. A excepção, talvez, seria o golo conseguido, ainda a actuar pelo emblema leonino, frente ao FC Barcelona, numa partida a contar para a segunda ronda da Taça UEFA**.
Depois de regressar ao México e de, na nação da América Central, ter representado, durante umas boas épocas, uns quantos emblemas do seu país natal, Negrete, já com 37 anos de idade, decidiria pôr um ponto final na vida como futebolista profissional. Apesar de terminada a caminhada nos relvados, o antigo jogador manter-se-ia ligado ao desporto e viria a ocupar cargos como o de Director Desportivo da UNAM, dirigiria a "Asociación de Futbolistas Profesionales" (neste caso ainda enquanto atleta), seria treinador do Atlante e, bem mais importante, viria a ser nomeado "Subsecretario del Deporte".
 
*assista ao referido golo no link
**assista ao referido golo no link 

356 - PUMPIDO

Ao fazer quase toda a carreira nas provas argentinas de futebol, a excepção, já no final do percurso competitivo, foi dada à passagem pelo Real Betis. Tirando essas 3 campanhas passadas, entre 1988/89 e 1990/91, em Espanha, Nery Pumpido representou alguns dos mais importantes emblemas do “País das Pampas”. Igualmente internacional pela Argentina, o guarda-redes marcou presença nos Mundiais de 1982, de 1986 e ainda no de 1990. Como campeão no torneio disputado no México, o guardião tornou-se, nos anos de 1980, numa das figuras mais proeminentes a jogar na sua posição. No entanto, a sua vida na defesa das balizas não foi apenas construída de saídas arrojadas ou de estiradas milagrosas. Houve momentos em que a prática daquele que, no Unión de Santa Fé, elegeu como modalidade favorita, trouxe à sua vida instantes caricatos e, noutras situações, verdadeiros pesadelos.
A primeira dessas ocasiões ocorreu em 1987 quando, na antemão da disputa da Copa América, Nery Pumpido fracturou o antebraço, acabando afastado da lista dos eleitos para a disputa do torneio organizado na Argentina. O segundo desses momentos, o mais arrepiante de todos, passou-se, já como atleta do River Plate, durante um treino. Na referida sessão, o exercício exigido pretendia que os guarda-redes saltassem e tocassem com as mãos na barra da baliza. O pior foi quando Pumpido, sem luvas, num desses pulos ficou com a aliança presa num dos ganchos que fixam as redes aos postes. O incidente custou-lhe parte do anelar e só depois de dois meses de paragem é que voltou a ter ordens para regressar à actividade profissional.
Outro episódio "sui generis", aconteceu quando um adepto do Chacarita atirou para dentro de campo, aos seus pés, uma galinha. A reacção do jogador, pelo menos para a ave, não foi a melhor, que, ao ser atingida por um pontapé, acabou por morrer. Ainda assim, a pior de todas as situações sofreu-a no, já no aqui referido, Mundial de Itália e num lance azarado, no encontro frente à URSS, esbarrou com o colega Olarticoechea, e fracturou o perónio e a tíbia.
Depois de, em definitivo, “arrumar as luvas”, Pumpido abraçou a vida de treinador. Como maiores conquistas nessa fase da vida, pode listar-se a conquista da edição de 2002 da Taça dos Libertadores, aquando da sua passagem pelo Olimpia Asunción, agremiação do Paraguai.
Por fim, mais uma curiosidade. Foi Pumpido a descobrir Óscar Cardozo e quem o levou para o Newell's Old Boys, clube argentino de onde o Benfica contratou o avançado.

241 - ANDRÉ

Depois de, nos primeiros anos de profissional como jogador, o FC Porto ter feito uma primeira tentativa para contratá-lo, passadas algumas temporadas e por insistência de José Maria Pedroto, o acordo com o Varzim para a sua transferência concretizou-se. André nunca chegou a ser orientado pelo mítico treinador dos "Azuis e Brancos". Porém, para o antigo homem do mar, que, futebolista feito, finalmente decidiu trocar as redes de pesca pela bola de futebol, a ida para as Antas veio a tornar-se na grande oportunidade para firmar os seus créditos na actividade desportiva.
 Com a entrada no novo emblema, foi Artur Jorge, também acabado de chegar, que o atleta viu aos comandos da equipa técnica. O treinador facilmente compreendeu aquilo que o médio-defensivo podia acrescentar ao grupo. Um homem de equipa, era isso mesmo que André era. Talvez pela filosofia que o mar ensina, o novo “trinco” dos “Dragões” rapidamente aprendeu a sacrificar-se pelos outros, a pôr o conjunto à frente dos desejos pessoais. Esse saber empírico reflectia-se em campo. De forma abnegada, por maior que fosse o desafio, jamais virava a cara a luta. Muitos foram os desarmes por si feitos no miolo do terreno; de igual modéstia vestiu os seus passes, importantes a balancear os colegas num novo ataque. Foi desses gestos a sua importância. Valor que levou o centrocampista a nunca falhar uma partida durante as campanhas que empurraram o FC Porto para as conquistas da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1986/87, da Supertaça Europeia e da Taça Intercontinental, ambas disputadas na campanha de 1987/88.
Na selecção, ao contrário do registado no clube, André nunca conseguiu assumir-se como um elemento de cariz indiscutível. No entanto, mesmo ao ficar longe do protagonismo alcançado de “azul e branco”, José Torres, o seleccionador nacional e seu antigo treinador no Varzim, não abdicou do contributo do médio. Nesse sentido, incluiu-o na campanha de apuramento e, depois de concretizada a qualificação, na convocatória para o grupo que, no México, disputou a fase final do Mundial de 1986.
A verdade é que as maiores glórias da carreira viveu-as com o emblema sediado nas Antas. A provar isso mesmo fica um registo que muito poucos podem exibir e orgulhar-se. Assim, e a juntar ao rol de vitórias já descrito, nos 11 anos que representou o FC Porto, podemos ainda acrescentar ao currículo pessoal do antigo futebolista, 7 Campeonatos, 3 Taças de Portugal e 6 Supertaças, o que perfaz um total de 19 títulos colectivos conquistados ao serviço dos “Dragões”.

84 - MARADONA

Quando um amigo seu, ao ser aceite no Argentinos Juniors, disse que conhecia um jogador melhor do que ele, o treinador quis vê-lo. A surpresa foi tal que os responsáveis do clube fizeram questão de acompanhá-lo até casa. Queriam confirmar a veracidade da idade nos seus documentos. Era verdade! Diego tinha apenas 9 anos!
Os dirigentes do Argentinos Juniores não tiveram grandes dificuldades para convencer os seus pais. Em pouco tempo, o menino tornou-se numa estrela. Com 11 anos apenas, por razão das suas habilidades, era chamado para animar programas televisivos. Aos 15 anos já jogava pela equipa principal e, até 1981, nunca mais de lá saiu.
Na selecção, a sua estreia foi igualmente precoce. Ainda hoje é o mais novo de sempre a vestir a camisola da Argentina. Tinha 16 anos quando Maradona foi chamado por César Menotti, para um jogo frente à Hungria. Em 1981 realizou outro sonho de menino e começou a jogar pelo clube do seu coração, o Boca Juniores. Deixou o Argentinos Juniors sem qualquer campeonato vencido, mas com 2 vitórias na lista dos Melhores Marcadores. No "La Bombonera" ganhou, finalmente, o seu primeiro campeonato argentino. Nisso, e com a sua fama a florescer desmesuradamente, o anseio dos adeptos em vê-lo ao vivo cresceu em paralelo. Para dar vazão à progressiva procura, e com os olhos postos nas receitas de bilheteira, a solução encontrada acabou por ser a organização de vários encontros particulares.
Com o futebol de Maradona a crescer cada vez mais, um ano após a sua chegada, o Boca Juniors não resistiu à investida do Barcelona. Sem conseguirem contornar a situação, os directores do emblema de Buenos Aires aceitaram a proposta de 7 milhões de dólares, à altura recorde mundial, feita pelo emblema catalão. Pouco tempo antes do Campeonato do Mundo de 1982, ficou acertada a sua transferência para Espanha. Na Catalunha foi recebido como o “Salvador”. Os adeptos viam no craque argentino, o jogador capaz de tirar os "blau-grana" do jejum que se perpetuava desde 1974. Contudo, a passagem de Maradona por Camp Nou transformou-se numa verdadeira montanha-russa. Feita de altos e baixos, a sua primeira experiência na “La Liga” acabou marcada por doenças, lesões graves, cenas de pancadaria e, também, pelos títulos conquistados.
O azar começou logo na época da sua chegada, quando uma hepatite, durante 3 meses, afastou o avançado dos relvados. Outros 3 meses foi o tempo que demorou a curar um tornozelo partido, após uma entrada de Andoni Goikoetxea, jogador do Athletic Bilbao. Por fim, o episódio vivido na final da Taça do Rey de 1984. Mais uma vez, frente ao já referido emblema basco, Maradona viu-se envolvido em desacatos e acabou castigado por mais 3 meses.
Após dois anos de contrato e porque a relação com a direcção não era das melhores, aceitou, dessa feita, ir para o Napoli. Não saiu de mãos abanar. Levou na bagagem, para além de mais um contrato milionário, 1 Campeonato, 1 Taça e 1 Supertaça espanhola. Em Itália, Maradona encontrou um clube que, apesar de ter uma história de respeito e uma enorme ambição, não tinha um poderio condizente com a qualidade desportiva do avançado. Porém, até isso estava prestes a mudar. Nos anos 7 anos seguintes, clube e atleta conquistaram 2 Campeonatos, 1 Taça, 1 Supertaça de Itália e, ainda, 1 Taça UEFA.
Pelo meio disputaram-se, em 1986 e 1990, os Mundiais do México e de Itália. No primeiro, como foi unanimemente reconhecido, levou a sua selecção às costas e na final, depois de derrotar a República Federal Alemã, tornou-se campeão. No segundo também chegou à derradeira partida do certame. Mas ao contrário do que tinha acontecido 4 anos antes, e lavado em lágrimas, viu o troféu ser entregue à selecção germânica. Curiosamente, Maradona também soube jogar fora das quatro-linhas. Em 1990, aquando do jogo da meia-final frente à “Squadra Azzurra”, dirigiu-se aos adeptos napolitanos e pediu-lhes que apoiassem a Argentina – "Durante trezentos e sessenta e quatro dias do ano, vocês são considerados pelo resto do país como estrangeiros e, hoje, têm de fazer o que eles querem, torcendo pela selecção italiana. Eu, por outro lado, sou napolitano durante os trezentos e sessenta e cinco dias do ano"*.
Um dos maiores escândalos da sua carreira estava ainda por rebentar. Após um jogo do Campeonato italiano, um controlo anti-doping deu positivo para cocaína; o castigo: 15 meses de suspensão. Voltou aos relvados já em Espanha e ao serviço do Sevilla. A união só durou 1 temporada, pois para além dos resultados desportivos medianos, Maradona, depois de descobrir que os dirigentes do clube andaluz tinham contratado detectives para o seguir nas suas saídas nocturnas, arreliou-se.
Regressou à Argentina para representar o Newell's Old Boys, mas a sua má forma era evidente e uma série de lesões levaram o clube, ao fim de 4 partidas, a rescindir com o jogador. Maradona conseguiu recuperar a tempo de ser chamado para o Mundial de 1994. Nos Estados Unidos da América, o seu regresso criou grandes expectativas. A aposta do seleccionador Alfio Basile, com o atacante a começar o torneio com grandes exibições, pareceu resultar em cheio. Porém, ainda durante o certame, o avançado voltou a ser apanhado nas malhas do “doping” e, sem o incentivo de “El Pibe”, a Argentina acabou por claudicar nos oitavos-de-final.
Depois do novo escândalo relacionado com o uso de substâncias proibidas, Maradona decidiu-se pelo fim da carreira de futebolista. Primeiro abraçou a vida de dirigente no Textil Mandiyú, para, de seguida, encetar uma caminhada como treinador do Racing Avellaneda. Pouco tempo passou fora do rectângulo de jogo. Não resistiu a um convite do Boca Juniors para calçar as chuteiras e, durante pouco mais de 30 jogos, voltou a deliciar os seus fãs.
Muitas foram as suas jogadas que, de tão brilhantes, ainda hoje são recordadas. Porém, houve uma que, de tão excepcional, resultou naquele que foi considerado pela FIFA, como o golo do século. Marcado no Mundial de 1986 frente à Inglaterra, é impossível ver a arrancada de Diego Armando Maradona sem sentir calafrios. Arrepiado ficou também o comentador argentino Víctor Hugo Morales que, nos festejos do golo, gritou: “quiero llorar... Dios Santo, viva el fútbol"**.

*retirado de https://pt.wikipedia.org/wiki/Diego_Maradona
**retirado de https://www.youtube.com/watch?v=1wVho3I0NtU

7 - MADJER e MENAD

Não poderia haver nada melhor para representar o futebol "mundialista" português do que dois participantes num cromo só!!! Mas diga-se a verdade – se ao corpo todo do da direita não consigo relacionar nada de fenomenal, ao calcanhar do outro, facilmente, atribuo um dos mais belos momentos que vi num "campo da bola"!!!
No Hernst Happel, em Viena, aproximava-se o minuto 77 de jogo. Os alemães já festejavam a conquista da Final dos Campeões Europeus de 1987, quando Madjer, num movimento rotativo, que o pôs de costas para a baliza adversaria, marcaria o primeiro golo frente ao Bayern Munique. O resultado, ainda com uma assistência do argelino, ficaria em 2-1 e o FC Porto, vitorioso, levaria para casa a taça.
Claro que esse jogo foi mágico, mas Madjer foi muito mais do que um golo. O avançado ajudou o FC Porto a erguer mais dois troféus internacionais - a Supertaça Europeia e, com 1 assistência e mais 1 remate certeiro, a Taça Intercontinental. Entre 1986 e 1991, vencendo diversos troféus nacionais, jogou 6 épocas pelos "Azuis e Brancos". Durante esse período, lugar para um pequeno interregno, durante o qual vestiria as cores do Valência.
Pela selecção, para além das duas presenças em fases finais do Mundial, 1982 e 1986, ainda conta com uma vitória na Taça de África das Nações.
Voltando a Menad, jogador que em 1986 representava o J.E. Tizi-Ouzou, teve uma carreira mais discreta, mas com alguns marcos interessantes. Vindo do Nimes, em 1990 entrou em Portugal, pela mão do Famalicão. No Minho, onde esteve 2 épocas, fez o suficiente para merecer a cobiça do Belenenses e acabaria por vir para o Restelo.
Depois da experiência "lusa", voltou à Argélia, e logo para vencer a Taça das Taças Africana pelo J.E. Tizi-Ouzou (ou JS Kabylie, como noutras referências). Pela selecção jogou o Mundial de 1986 no México, e como Madjer, venceu a CAN de 1990. No referido torneio africano, concretizou 4 golos, tornando-se no melhor marcador do certame.