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1759 - CARLTON MARTIN

Nascido em Inglaterra, mais concretamente na área de Liverpool, Carlton Martin, filho de mãe britânica e pai jamaicano, viajaria para o Canadá em Abril de 1982. Ao chegar ao referido país norte-americano, apaixonado que era pela modalidade, mas sem nunca ter praticado futebol de forma organizada, teria no Oakville Soccer Club o primeiro emblema da carreira. Curiosamente, um momento caricato haveria de encurtar a sua passagem pela mencionada colectividade dos arredores de Toronto – “No meu primeiro jogo, eu saí do banco de suplentes e fui substituído pelo treinador 20 minutos depois (…). À altura, eu era um extremo e fiz aquilo que qualquer um naquela posição faz, que são alguns bons cruzamentos e muita corrida”*.
No rescaldo do acontecido, um amigo da família, desagradado com o tal episódio, haveria de prometer ao jovem praticante uma oportunidade noutro emblema. Essa chance surgiria, pouco tempo depois, no Toronto West Indies United. Com a entrada na nova colectividade, onde passaria a ocupar a posição de defesa-central, a carreira do atleta depressa começaria a alavancar-se. Ao conquistar um lugar no “onze” titular, Martin passaria a ser considerado como um dos pilares do conjunto e seria, nesse sentido, um dos nomes mais consagrados na vitória do clube na Ontario Cup de 1973. 
Antes de chegar a Portugal, Carlton Martin haveria de representar os Toronto Italia e o First Portuguese, agremiação na qual chegaria a cruzar-se com nomes como Moniz, Narciso, Marinho ou Jacinto João. Muito à custa dos conhecimentos feitos na colectividade fundada por imigrantes lusos, de seguida, viria a travessia do Oceano Atlântico, a chegada ao “Velho Continente”, onde, na sua caminhada competitiva, emergiria então o Vitória Futebol Clube. No emblema sediado na cidade de Setúbal, ao entrar de imediato para o patamar máximo, o jogador seria apresentado como reforço para a temporada de 1977/78. Lançado por Fernando Vaz na equipa a exibir-se com o listado verde e branco, a verdade é que o atleta, mesmo sem qualquer experiência no futebol europeu, haveria de pegar de estaca no “onze” inicial dos “Sadinos”. Tal estatuto, a asseverá-lo como um dos habituais titulares e em épocas de alguma tranquilidade classificativa, mantê-lo-ia no par de anos vindouros e numa dupla formada mormente com o internacional José Mendes. No entanto, a preponderância verificada no arrolar da equipa principal começaria a desvanecer com a chegada de Rodrigues Dias. Aliás, essa campanha de 1980/81 tornar-se-ia na derradeira do jogador no conjunto a disputar os desafios caseiros no Estádio do Bonfim e o defesa-central, a anteceder o seu regresso ao Canadá, decidir-se-ia por outra experiência na 1ª divisão.
A aposta na entrada no grupo de trabalho do Sporting de Espinho não correria de feição para o jogador. Num plantel primodivisionário que, na temporada de 1981/82, haveria de ser orientado por Manuel José, a concorrência directa por um lugar na equipa, essencialmente composta por Serra e por Balacó, faria com que Carlton Martin tivesse pouquíssimas oportunidades para que, com a camisola dos “Tigres da Costa Verde”, voltasse a sublinhar o valor revelado em Setúbal. Tamanha falta de presenças em campo levá-lo-ia a deixar as provas portuguesas e a voltar ao Canadá. No país que o havia acolhido ainda em adolescente, o defesa-central, segundo alguns dados recolhidos, terá, na época de 1983, representado os Mississauga Croatia. Também li algumas referências a dar conta de uma nova ligação entre o atleta e o First Portuguese. Todavia, não consegui confirmar esta última informação, nem sequer qualquer dado sobre a sua continuidade no futebol.

*retirado do artigo de Ron Fanfair, publicado a 10/03/2023, em https://www.ronfanfair.com/

1377 - HÉLDER

Defesa polivalente, Hélder Jerónimo das Mercês, depois de emergir no Cova da Piedade, seria já ao serviço do Amora que, em plena caminhada sénior, conseguiria um destaque maior. No emblema com casa no Estádio da Medideira, participaria naquela que viria a tornar-se na época de ouro do clube. Ao ajudar, com o final da campanha de 1976/77, à subida ao patamar secundário, o atleta, depois de uma curta passagem de um ano pelo Seixal, retornaria à agremiação a vestir de azul para fazer parte do plantel que daria corpo a um feito inédito. Nesse sentido, após garantida a conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão de 1979/80, o jogador integraria o grupo de trabalho que, ao serviço da colectividade da Margem Sul, disputaria, pela primeira vez, o degrau máximo do futebol português.
No convívio com os “grandes”, as temporadas de 1980/81 e 1981/82 serviriam para confirmar o atleta como um praticante dono de uma sólida constância exibicional e, por essa razão, aferido como um elemento deveras confiável. Titular do Amora com o treinador Mourinho Félix e, posteriormente, sob a intendência técnica de José Moniz, a sua cotação começaria a subir. Cimentado como um dos bons intérpretes a actuar nas provas lusas, Hélder acabaria por ser cobiçado por emblemas de maior tradição e, ainda que de volta ao escalão secundário, a transferência para o Belenenses seria sinónimo do referido acréscimo de valor.
Com a entrada no Restelo a acontecer na temporada de 1982/83, Hélder, ao fazer-se acompanhar na mudança pelos antigos colegas de balneário Simões e Pereirinha, voltaria a trabalhar com Mourinho Félix. Já a época seguinte traria ao defesa dois momentos de destaque. O primeiro seria o reencontro com Jaime, o irmão mais novo e antigo parceiro no Amora. O segundo, esse de maior realce, emergiria com o trabalho feito sob o comando do inglês Jimmy Melia e que terminaria com a conquista da 2ª divisão e com o regresso do Belenenses ao escalão principal.
Os dois anos seguintes, sempre na disputa da 1ª divisão e a envergar a camisola da “Cruz de Cristo”, revelariam Hélder como um elemento importante, mas a acusar alguma veterania e a ocupar um lugar menos relevante nas escolhas dos técnicos. Ao entrar na última fase da carreira, o defesa deixaria o emblema lisboeta no final da campanha que levaria o Belenenses à disputa do derradeiro encontro da edição de 1985/86 da Taça de Portugal. Já afastado dos principais palcos nacionais, o atleta prosseguiria a caminhada competitiva no Recreio Desportivo de Águeda. Depois de uma época na colectividade sediada no distrito de Aveiro, dar-se-ia o seu regresso ao Seixal e com o termo da temporada de 1989/90, quando já contava com 38 anos de idade, o jogador decidir-se-ia a “pendurar as chuteiras”.

1335 - VÍTOR MADEIRA

Nascido no seio de uma família em que quatro dos seus irmãos também construíram carreira no futebol, Vítor Madeira entraria para as “escolas” do Desportivo de Beja. Depois de completar o percurso formativo na agremiação da sua terra natal, seria também no emblema do Baixo Alentejo que o avançado daria os primeiros passos nas competições seniores. Aliás, na etapa inicial da carreira, o jogador não sairia da província acima referida e o Vasco da Gama, de começo na mesma 3ª divisão e mais tarde no 2º escalão, completaria essa jornada inaugural.
Com a colectividade sediada em Sines a disputar a Zona Sul do escalão secundário de 1976/77, as exibições de Vítor Madeira, atacante que podia posicionar-se a ponta-de-lança, a extremo ou mesmo no apoio ao elemento mais avançado em campo, seriam suficientes para nele repararem equipas de outra monta. Com o Vitória Futebol Clube a perfilar-se como a melhor opção para a caminhada profissional do atleta, a sua mudança para a cidade de Setúbal dar-se-ia na temporada de 1977/78. Mesmo com a subida de patamar, a verdade é que o jogador não deixaria atemorizar-se pelo acréscimo de exigência das provas e na margem norte do Rio Sado, destacar-se-ia no plantel como um dos mais inscritos na ficha de jogo e igualmente como um dos elementos mais prolíferos no capítulo da finalização.
Tanto com Fernando Vaz, o seu primeiro treinador no Vitória, como sob a alçada dos técnicos seguintes, Vítor Madeira, tirando excepcionais ocasiões, conseguiria conservar o estatuto de mais utilizado. Durante 5 temporadas, com um curto intervalo nas férias, onde “fez uma perninha” na América do Norte ao serviço dos canadianos do First Portuguese, o avançado seria muito importante no cumprir dos objectivos colectivos dos “Sadinos”. Porém, apesar do destaque na equipa de Setúbal, o atacante, na campanha de 1982/83, decidiria mudar de camisola. No Estoril Praia a desafio de Mário Nunes, também ele com um passado competitivo ligado ao Desportivo de Beja, o aludido treinador teria também um papel significativo noutra etapa do trajecto do jogador e a sua mudança para a Ilha Madeira surgiria por convite do técnico.
Com o Marítimo a pelejar-se na 2ª divisão, o objectivo da subida cumprir-se-ia já com Vítor Madeira como parte do grupo de trabalho. Após essa época de estreia nos “Verde-rubros”, o regresso ao patamar máximo, sem deixar o Funchal, dar-se-ia na temporada de 1985/86. Ainda assim, o apelo daquele que viria a tornar-se no emblema mais representativo da sua carreira, faria com que o avançado voltasse a uma casa bem conhecida. De novo no Estádio do Bonfim, como reforço para a campanha de 1986/87, ajudaria o grupo liderado pelo inglês Malcolm Allison à promoção ao degrau maior do futebol português.
Depois de outras 4 temporadas em Setúbal e numa etapa de transição no futebol, Vítor Madeira assumir-se-ia como treinador-jogador do Vasco da Gama. Ainda em Sines daria continuidade à carreira de técnico, caminhada que já levou o antigo praticante a orientar diferentes conjuntos como o Alcochetense ou o Ferreirense.

1247 - EURICO

Eurico Caires terminaria a formação no Benfica, de onde sairia também para integrar os trabalhos orientados pelos técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Com as jovens selecções portuguesas, naquele que hoje é designado o escalão sub-18, o médio acumularia um total de 10 internacionalizações e seria convocado para disputar a fase final do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1971. No certame organizado na antiga Checoslováquia, o centrocampista tornar-se-ia numa das “estrelas” do conjunto comandado por Peres Bandeira. Já na final frente à Inglaterra, seria chamado ao “onze” inicial, mas, para infelicidade dos craques lusos, os britânicos venceriam a peleja por 3-0.
Não muito tempo após a realização do referido torneio, Eurico seria promovido à equipa principal do Benfica. Porém, nessa temporada de 1971/72, tapado no sector intermediário por atletas mais experientes, casos de Jaime Graça ou Toni, poucas seriam as oportunidades que conquistaria. Ainda assim, conseguiria ser chamado por Jimmy Hagan a disputar a Taça de Portugal e o Campeonato Nacional e esses jogos, um em cada prova, bastariam para embelezar o seu currículo com os respectivos troféus.
Seguir-se-iam na sua carreira, sem abandonar o patamar máximo, as passagens de uma época por Montijo e pelo Beira-Mar. Já no Estoril Praia, onde chegaria na temporada de 1974/75, voltaria a encontrar-se com Jimmy Hagan. No emblema da “Linha de Cascais”, tal como nas duas colectividades anteriores, Eurico assumir-se-ia como titular. Nesse sentido, logo na época de entrada no Estádio António Coimbra da Mota tornar-se-ia num dos pilares da conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão e no consequente regresso da equipa ao escalão maior. Durante o tempo passado com os “Canarinhos”, destaque também para as “férias” cumpridas na North American Soccer League (NASL). No “El Dorado” da década de 1970, o médio vestiria as camisolas dos Rochester Lancers e seria campeão na campanha de 1976, já como atleta dos Toronto Metros-Croatia.
A etapa seguinte da caminhada profissional, com início na temporada de 1977/78, vivê-la-ia com as cores do Belenenses. Apesar não ter sido uma fase tão consistente quanto a anterior, Eurico, nos anos passados no Restelo, manter-se-ia como um elemento preponderante. Para além da curiosidade de, mais uma vez, ter sido orientado pelo inglês Jimmy Hagan, o centrocampista acabaria igualmente por participar numa das piores páginas da história “Azul”. Com a despromoção no final da época de 1981/82, a primeira na história da “Cruz de Cristo”, também o jogador deixaria a 1ª divisão. Nos anos subsequentes, passaria por diversas colectividades a militar nos escalões secundários. Depois de representar o Almada e o União da Madeira, seria no Estrela da Amadora que, cumprida a campanha de 1984/85, daria por terminado o trajecto enquanto futebolista.

1191 - VALTER

Descoberto por responsáveis do Sporting Clube de Portugal, ao integrar as camadas de formação do emblema leonino, depressa seria reconhecido no guarda-redes capacidades para alimentar um futuro promissor. Nesse sentido, as chamadas às jovens selecções portuguesas serviriam para confirmar tudo aquilo que dele era esperado. Com a “camisola das quinas” conseguiria várias internacionalizações nos escalões actualmente denominados como sub-18 e sub-21 e faria parte do grupo de atletas que, em 1974, disputaria a fase final do Torneio Internacional de Juniores da UEFA.
Seria na época seguinte à do certame ainda agora aludido que Valter acabaria chamado a integrar o plantel principal dos “Verde e Brancos”. No entanto, a tomar conta da baliza do Sporting estava um senhor que dava pelo nome de Vítor Damas. A presença do craque, como é de fácil dedução, inviabilizaria a presença em campo de qualquer disputante. A falta de jogos durante a campanha de 1974/75, levaria o guardião a deixar Alvalade para, com o intuito de ganhar experiência, abraçar um “empréstimo” ao Sporting de Braga. Ainda assim, e tendo em conta as diversas partidas disputadas pelos “Arsenalistas”, o regresso do jogador a Lisboa pouco mais traria ao seu currículo do que presenças no banco de suplentes. Mesmo ao conseguir conservar um lugar no plantel dos “Leões” desde 1976/77 até a campanha de 1978/79, a verdade é que o guarda-redes não teria a habilidade para conquistar mais oportunidades e a sua ligação ao clube terminaria com a transferência para o Portimonense.
Sem nunca abandonar a 1ª divisão, a mudança para o Algarve revelaria um praticante que, apesar da forte concorrência enfrentada em anos anteriores, talvez tivesse merecido mais algumas chances. Daí em diante, pelas qualidades demonstradas a cada desafio superado, Valter sublinhar-se-ia como um jogador granjeador dos palcos maiores do futebol português. Esse estatuto ficaria ainda mais visível, com a aquisição do seu “passe” pelo Sporting de Braga. Um ano após a chegada ao Portimonense, o emblema minhoto, por ventura acicatado pela memória da sua entrega, decidir-se-ia pelo retorno do guardião ao seio do plantel. De volta ao Norte do país a partir da campanha de 1980/81, o jogador, como um dos pilares da equipa, aproveitaria os anos passados com os “Guerreiros” para ajudar o conjunto a alcançar objectivos bem lisonjeiros. O primeiro desses episódios, apesar da derrota frente ao Sporting, chegaria com a presença na final da Taça de Portugal de 1981/82. Já na época imediata, surgiria a participação na Taça dos Vencedores das Taças e, mais uma vez com os “Leões” a levar a melhor, viria com a disputa da Supertaça Cândido de Oliveira.
As 5 temporadas na “Cidade dos Arcebispos” precederiam a sua contratação pelo Estrela da Amadora. No emblema da “Linha de Sintra” desde 1985/86, ainda que afastado do papel preponderante vivido no Minho, Valter faria parte dos conjuntos que escreveriam alguns dos mais importantes capítulos da história do emblema “tricolor”. Depois de, em 1988/89, ter participado na estreia do clube na 1ª divisão, a campanha seguinte traria ao seu percurso outro momento inolvidável. Mesmo sem ter entrado em campo, a sua presença, em algumas eliminatórias, no banco de suplentes, inscrevê-lo-ia no rol de atletas que participariam na caminhada até à vitória na Taça de Portugal de 1989/90.
Os últimos anos da sua carreira enquanto futebolista, já afastado dos grandes palcos, levá-lo-iam a representar Amora, Fanhões e Oriental. Aliás, seria no histórico emblema lisboeta que Valter Onofre abraçaria outro papel no desporto. Como treinador de guarda-redes, tem feito da sua experiência uma ferramenta muito útil para orientar novos atletas. Com uma extensa carreira nas referidas funções, passaria também pelas equipas técnicas de Estrela da Amadora, Trofense, Olhanense, Casa Pia, Torreense e, já nesta época de 2021/22, aceitaria o convite endereçado pelo Lusitânia de Lourosa.