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1500 - MIRANDA

Com o percurso formativo terminado ao serviço do Varzim, António Miranda subiria à equipa principal dos poveiros na temporada de 1983/84. Orientado pelo “magriço” José Torres na época da sua estreia pelos seniores, a participação do clube na 1ª divisão e a presença no plantel de atletas mais experientes impediriam o médio-ofensivo, que podia posicionar-se à direita ou ao centro, de alcançar mais oportunidades. Porém, o virtuosismo apresentado pelo jovem atleta, logo na campanha seguinte, começaria a destapar outros voos. Progressivamente, a confirmação do jogador como um elemento merecedor de um lugar no “onze” levá-lo-ia, ao aproveitar a curta passagem da colectividade nortenha pelo escalão secundário, a assumir-se como uma das principais figuras dos “Lobos-do-mar”. Já o regresso ao convívio com os “grandes” na campanha de 1986/87, serviria apenas para confirmá-lo como um das maiores promessas a actuar nas provas lusas e as chamadas aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol viria a provar todo o seu valor desportivo.
Ao alinhar no “onze” orientado por António Oliveira, a partida forasteira disputada, a 22 de Setembro de 1987, frente à Suécia, serviria de arranque a uma caminhada que, no escalão sub-21, daria ao médio-ofensivo um total de 3 internacionalizações. A acompanhar essas partidas com a camisola de Portugal, o melhor emergiria com o desenrolar da campanha de 1987/88, com o jogador, muito mais do que titular no conjunto sob a alçada de Henrique Calisto, a pautar-se como um dos melhores intérpretes do Varzim. As boas exibições conseguidas serviriam de base para o capítulo seguinte na sua carreira. Com a transferência para o Benfica, Miranda passaria a envergar um emblema com ambições condizentes com as suas habilidades. No entanto, a entrada no Estádio da Luz não traria ao atleta os resultados esperados e as poucas oportunidades alcançadas durante a temporada de 1988/89 não iriam garantir a continuidade do jogador no grupo de trabalho das “Águias”.
Ao deixar os “Encarnados”, Miranda, com a vitória no Campeonato Nacional a colorir-lhe o currículo, encetaria um périplo caracterizado pelas mudanças anuais de colectividade. Desportivo de Chaves, Estrela da Amadora, Beira-Mar, Paços de Ferreira e Sporting de Espinho fariam parte desse trecho da sua carreira. Com todas as passagens, à excepção da ligação com os “Tigres da Costa Verde”, a caracterizarem-se por experiências primodivisionárias, há, mesmo assim, a destacar a época de 1990/91, vivida na Reboleira. Com os “Tricolores”, em estreias para o clube e para o atleta, surgiria primeiro a disputa da Supertaça e, em seguida, emergiriam as competições de cariz continental. No troféu a opor a sua equipa ao FC Porto, apesar da derrota, há a registar o golo marcado pelo médio-ofensivo. Já na disputa da Taça dos Vencedores das Taças, o jogador entraria em campo nas eliminatórias frente aos suíços do Neuchâtel Xamax e aos belgas do RFC Liège, sublinhando-se como um dos participantes nesse episódio de enorme importância histórica para a agremiação da Linha de Sintra.
Seguir-se-ia o regresso ao Varzim. De volta, na campanha de 1994/95, ao emblema onde tinha concluído o percurso formativo, Miranda apanharia os “Lobos-do-mar” nas contendas da 2ª divisão “B”. Pautando-se como um pêndulo nas exibições do conjunto poveiro, o médio-ofensivo tornar-se-ia num dos pilares do regresso da equipa ao convívio com os “grandes”. Essa temporada de 1997/98 marcaria a sua despedida do colectivo mais representativo do seu percurso enquanto futebolista. Paralelamente, a referida época transformar-se-ia, numa caminhada competitiva preenchida por 10 anos primodivisionários, na última do jogador no patamar máximo do futebol luso.
Apesar de estar a avançar, a passos largos, para o final da carreira, Miranda teria ainda tempo, dividida essa campanha de 1998/99 entre o Leixões e o Santa Clara, para disputar mais uma temporada. Depois viria a carreira de treinador, a qual levaria o antigo atleta a diversas experiências no Médio Oriente, nomeadamente no Kuwait e Bahrain.

906 - CHIQUINHO CARLOS

Após conseguir destacar-se no Botafogo de Ribeirão Preto, os “gigantes” do futebol brasileiro começaram a ir no seu encalço. Numa corrida em que também participariam Corinthians e Santos, seria a proposta de um clube do Rio de Janeiro que atrairia o atleta. Com o acordo consumado, seria no Flamengo que, no meio de um plantel recheado de craques, Chiquinho Carlos continuaria a mostrar o porquê da sua aquisição. Nem as estrelas Zico e Sócrates, nem os emergentes Mozer e Bebeto teriam força suficiente para intimidar o jovem atacante. No emblema “carioca”, pelo qual jogaria um par de temporadas, as suas exibições e golos acabariam por empurrá-lo para outros voos. Como sequência lógica, a Europa entraria no seu percurso e essa viagem mudaria o correr da sua vida.
Seria o Benfica o emblema a recebê-lo no “Velho Continente”. Com as “Águias” a atravessar uma fase muito positiva, logo nessa temporada de 1986/87 Chiquinho começaria por adicionar importantes títulos ao currículo. Como um elemento bastante utilizado pelo inglês John Mortimore, o atacante teria um papel importante na conquista do Campeonato Nacional e da Taça de Portugal. Também o ano seguinte seria, no campo desportivo, de grande satisfação para o avançado. Mesmo sem conseguir amealhar qualquer título, a brilhante caminhada dos “Encarnados” nas competições internacionais levá-lo-ia a estar presente num dos momentos mais importantes de toda a época. Depois de ter sido utilizado na grande maioria dos embates e, inclusive, ter marcado um golo numa das partidas dos quartos-de-final, o atacante seria escolhido para entrar de início na derradeira partida da competição. Infelizmente para o clube português, a “lotaria dos penalties” não correria de feição e a Taça dos Clubes Campeões Europeus seria ganha pelo PSV Eindhoven.
Surpreendentemente, a sua ligação ao Benfica terminaria no Verão de 1988. Mesmo assim, Chiquinho Carlos haveria de mostrar que ainda tinha muito a dar ao futebol português. Nas 7 temporadas seguintes, continuaria a prová-lo na 1ª divisão. No Vitória de Guimarães, Sporting de Braga e ainda no Vitória de Setúbal manter-se-ia como um elemento preponderante. Destaque para a sua passagem pela “Cidade Berço”, onde contribuiria para a vitória na Supertaça de 1988/89.
Já após ter passado a barreira dos 30 anos de idade, pode dizer-se que Chiquinho Carlos entra na última fase da carreira. Contudo, e mesmo afastado das principais competições nacionais, não é possível afirmar que esse capítulo tenha sido desinteressante. Muito pelo contrário, é a partir da temporada de 1995/96 que o seu percurso profissional começa a alimentar uma das curiosidades do mesmo. Tendo assinado contrato pelo Académico de Viseu, a mudança para a Beira Alta seria o primeiro passo para a sua “longevidade”. Seguir-se-iam o Atlético e o Mafra. No emblema saloio, com o terminar da campanha de 2000/01, o fim do seu trajecto como futebolista parecia adivinhar-se. Mais um engano. É então que o avançado decide dedicar-se à prática amadora e passa a defender as cores do Igreja Nova. A disputar os “regionais” de Lisboa, o atleta ainda consegue mais um par de surpresas. Primeiro passa a conciliar a vida de técnico no Mafra, com a do jogador dos “distritais”. Depois, provando que a sua habilidade dava para tudo, passa das zonas mais ofensivas do terreno de jogo para, como líbero, evitar os golos adversários.
Já em 2007, com 44 anos de idade, Chiquinho Carlos decide ser a hora certa para “pendurar as chuteiras”. Desde então, seria às funções de técnico que o antigo craque passaria a dedicar-se em exclusivo. No Mafra, onde já orientou os guarda-redes e até foi treinador principal, é agora (2018/19) um dos adjuntos de Filipe Martins.

805 - SILVINO

Nascido na cidade de Setúbal, foi no Vitória local que Silvino deu os primeiros passos. Todavia, e ao contrário de que possam pensar, foi o andebol que apaixonou o jovem desportista! O futebol, a modalidade em que construiria a sua carreira, viria apenas mais tarde.
Apesar desta história curiosa, foi mesmo no “jogo da bola” que Silvino viria a merecer grande destaque. Igualmente produto das “escolas” sadinas, desde muito cedo que conseguiria destacar-se na defesa das balizas do clube. Seria também ao serviço do Vitória de Setúbal que faria a transição para o patamar sénior. A esse nível e apesar de já trabalhar com o plantel há alguns anos, a sua estreia em alta competição, acabaria por acontecer apenas na temporada de 1978/79. Os resultados seriam excelentes e, logo nessa mesma época, o guardião acabaria por ser convocado para os trabalhos da equipa portuguesa s-21.
Mesmo com um começo auspicioso, a verdade é que a experiência de Jorge Amaral, seu colega de balneário, acabaria por destroná-lo da titularidade. Esse facto haveria de pesar na sua decisão de mudar de clube e, para a temporada de 1982/83, o atleta passa a apresentar-se com as cores do Vitória de Guimarães. Já no Minho, onde trabalharia sob a alçada de Manuel José e Hermann Stessl, Silvino voltaria a afirmar-se como uma das grandes esperanças do futebol português. O seu potencial, logo na época da chegada, ficaria sublinhado com a convocatória para a principal selecção nacional e a estreia num particular frente à Hungria.
É já com o estatuto de internacional que Silvino é transferido para o Benfica. Passadas 2 épocas após a sua chegada a Guimarães, o emblema da “Luz”, com o intuito de ir preparando a sucessão de Manuel Bento, decide apostar na sua contratação. Com tal lenda na baliza das “Águias”, a conquista de um lugar no “onze” foi sendo adiada. Sem grandes oportunidades, o jogador acabaria por ser cedido. Contudo, e no fim desse empréstimo ao Desportivo das Aves, o lugar finalmente seria seu.
No rescaldo do Mundial de 1986, onde Bento sofreria uma grave lesão, Silvino consegue afirmar-se nos “Encarnados”. Daí em diante, torna-se num dos incontestáveis no alinhamento benfiquista e, mais uma vez, passa a ser um dos nomes presentes nas chamadas à selecção. No clube, os títulos começam a suceder-se e a disputa das competições europeias permitem a sua presença em 2 finais da Taça dos Campeões Europeus (1988; 1990). No cômputo dessas 9 campanhas pelas “Águias”, o resultado para o seu palmarés seriam a conquista de 4 Campeonatos Nacionais, 2 Taças de Portugal e 1 Supertaça.
Mesmo sendo um dos elementos mais importantes no plantel, o regresso de Neno em 1990, leva a que a sua hegemonia comece a ser disputada. Alternando a titularidade com o seu colega de equipa, só a chegada do treinador Artur Jorge e a contratação de Michel Preud’Homme põe um ponto final na ligação entre o Benfica e Silvino. Ainda assim, a sua carreira estava longe de terminar e, com 35 anos de idade, volta a assinar contrato pelo Vitória de Setúbal. Todavia, esse regresso à cidade do Sado, serviria apenas de ponte para o seu ingresso noutro dos “3 grandes”. O FC Porto, a partir da época de 1995/96, transformar-se-ia na sua nova casa. O melhor, no entanto, estava ainda para vir. Após vencer mais 2 Campeonatos e 1 Supertaça pelos “Azuis e Brancos”, a sua transferência para o Salgueiros permitir-lhe-ia novas chamadas à “Equipa das Quinas”. Resultado de uma série de lesões, Silvino, ironicamente, é chamado pelo treinador que o havia dispensado do Benfica. Ora, é sob a orientação de Artur Jorge que o guardião participa em 2 partidas da fase de qualificação para o Mundial de 1998, tornando-se no segundo atleta do emblema de Paranhos a envergar as "quinas".
Já depois de em Vidal Pinheiro ter “pendurado as luvas”, a sua ligação ao futebol manter-se-ia. Como treinador de guarda-redes começaria a trabalhar, em simultâneo, com a Federação Portuguesa de Futebol e no FC Porto. Com a chegada de José Mourinho aos “Dragões”, Silvino tornar-se-ia num dos seus fiéis escudeiros. Acompanhando o técnico português, o antigo internacional luso tem representado os melhores emblemas mundiais e ajudado a evoluir muitos daqueles que são tidos como os melhores a defender as balizas. Os casos de Petr Cech, Júlio César e Iker Casillas são bem o exemplo do seu excelente trabalho. Hoje em dia (2016/17), e desde o regresso a Inglaterra, Silvino é “Assistent Manager” do “Special One”, no Manchester United.

782 - AUGUSTO

Tendo feito praticamente toda a sua formação no Olhanense, foi ainda na primeira metade da década de 80 que Augusto subiria à equipa principal “Rubro-Negra”. Extremo irrequieto e dotado de uma técnica acima da média, rapidamente conseguiria conquistar a atenção do mundo do desporto. Mesmo com o emblema de Olhão a militar na 2ª divisão, as boas exibições que, desde muito cedo, começou a averbar, conseguiriam chamar a atenção de outro clube algarvio. O Portimonense, por indicação de Manuel José, haveria de conduzir as negociações para que a transferência se consumasse. No entanto, com a saída do referido técnico, seria pela mão de Vítor Oliveira que o avançado faria a estreia no patamar cimeiro do nosso futebol.
Como, por certo, já adivinharam, a primeira temporada de Augusto no Portimonense coincidiria com a estreia do clube nas competições europeias. Essa eliminatória frente ao Partizan de Belgrado haveria de ser um dos momentos altos da sua carreira. Ainda assim, durante essa época de 1985/86, as oportunidades que haveria de merecer não serviriam para confirmar todos os seus predicados. Seria já na campanha seguinte, durante a qual conseguiria afirmar-se no “onze” inicial, que tudo mudaria. Com o estatuto de titular, e com as chamadas às selecções de “Esperanças” e “Olímpica”, o seu valor aumentaria exponencialmente. Ora, com tudo isto e sendo ainda um atleta jovem, não foi grande a surpresa quando chegou o convite do Benfica.
Para a “Luz”, num negócio que também envolveria a transferência de Pacheco, Augusto chegaria na temporada de 1987/88. Contudo, e ao contrário do que até então tinha acontecido, a sua adaptação não correria da melhor maneira. “Tapado” por Diamantino, o jovem ala-direito acabaria por jogar pouco. Essa parca utilização faria com que, logo no final dessa época de chegada a Lisboa, a solução encontrada para Augusto fosse procurar um novo clube. Ainda na 1ª divisão, o extremo iria representar, nas duas campanhas seguintes, Portimonense e Beira-Mar. A partir desse momento, e surpreendentemente, aquele que tinha sido uma das grandes promessas do futebol “luso” deixa-se engolir pelos escalões inferiores. União de Leiria e Olhanense, seriam os clubes que se seguiriam. Numa incrível sucessão de mudanças, o atleta ainda jogaria por mais 7 clubes, terminado nos “distritais” e com as cores do Monchiquense.

586 - REAL

Tendo feito a sua formação em emblemas da região, AD Estação e Teixosense, seria na passagem para o escalão de sénior que o Sporting da Covilhã veria nele um bom reforço.
Ao jovem Real era dada assim, nessa temporada de 1983/84, a oportunidade de representar o mais conceituado clube da Beira Baixa. O salto das divisões amadoras para à 2ª Divisão, de todo atemorizaria o corajoso médio. Lutador, incapaz de virar a cara a uma disputa, a maneira como foi conseguindo impor-se nos “Leões da Beira”, acabaria por ser a prova cabal das suas capacidades.
O reflexo da sua postura, de todo o seu carácter, via-se em campo. A cada jornada que passava, a sua presença no miolo da equipa beirã, era, cada vez mais, importante. A sua relevância no seio do plantel do Sporting da Covilhã, alcançaria a sua dimensão máxima, aquando da subida da colectividade à 1ª Divisão Nacional. Num plantel que contava com elementos com algum traquejo, mas ao qual faltava, no seu todo, a experiência de grandes competições, a irreverência de Real acabaria por merecer o devido destaque.
Curiosamente, e apesar de ter representado clubes com maior tradição no contexto português, seria apenas ao serviço do Sporting da Covilhã que Real jogaria naquele que é o nosso escalão máximo. Essas duas temporadas, a de 1985/86 e a de 1987/88, seriam, por assim dizer, as precursoras de uma nova etapa na sua carreira. A mudança de que falo, viria com sua transferência para a Académica. Em Coimbra representaria, sem qualquer deslealdade para com os outros emblemas, o clube com mais tradição e grandeza, em toda a sua carreira. As suas exibições seriam condizentes com o estatuto dos “Estudantes”. Contudo, a Académica atravessava uma fase menos boa da sua história e, mesmo tendo em conta a qualidade dos planteis (Dimas, Fernando Couto, Latapy), a almejada promoção acabaria por nunca acontecer.
A segunda metade da sua vida profissional, acabaria por ser um périplo com diversas paragens. Alternando entre a Divisão de Honra e a 2ª Divisão “B”, o centrocampista, para além do regresso ao Sporting da Covilhã, vestira as camisolas de outros clubes, como o União de Lamas e o Benfica de Castelo Branco.
Seria já na recta final da sua vida de futebolista que aceita voltar ao clube da sua terra natal. Na vila do Teixoso, comanda os seus companheiros a uma das melhores aventuras daquela colectividade. “Carrega” com o clube nas distritais e, já na condição de treinador-jogador, consegue, para a época de 2001/02, levar o Teixosense aos “nacionais”.

572 - TONY SEALY

Tendo sido um atleta com várias presenças em equipas do escalão maior inglês, a verdade é que Tony Sealy raramente conseguiu impor-se nesses mesmos planteis.
Southampton e Crystal Palace seriam as primeiras equipas, a que se ligaria em termos contratuais. Inevitavelmente, tanto numa, como na outra, a incapacidade de conseguir arranjar espaço entre os elementos do ataque, resultaria em lógicas cedências. Nesta senda, seria já após um bem-sucedido empréstimo ao Port Vale (4ª divisão), que Terry Venables, o treinador que o tinha contratado para o Crystal Palace, o leva consigo para o Queens Park Rangers. Contudo, e se de início, a mudança de clube resultaria em nova cedência, já a temporada de 1982/83 traria um novo paradigma à carreira do avançado.
A disputar a segunda divisão inglesa, o Queens Park Rangers era um dos fortes candidatos à subida. Num plantel onde posso fazer referência ao defesa Terry Fenwick, o nome que mais se destacaria no sector ofensivo, seria o de Tony Sealy. Pequeno, mas forte fisicamente, a velocidade com que conseguia movimentar-se no último terço do terreno, era a sua grande arma. Essa rapidez, fazia com que fosse uma enorme dor de cabeça para quem o tentasse marcar. Aliado a isto, Sealy começaria a marcar golos. Tantos eram que, nessa época de 1982/83, tendo sido o melhor marcador da equipa, acabaria como um dos principais responsáveis pela promoção do clube.
A competição entre os grandes do futebol, mais uma vez, acabaria por afectar o rendimento do atleta. Eclipsado por outros mais afoitos, o estigma do insucesso, por esta altura, parecia querer acompanhá-lo muito para além daquilo que era espectável. Afastado das grandes provas durante o par de anos que se seguiria, seria o Leicester a resgatá-lo a este adverso destino.
Após ter representado o Fulham, para a época de 1985/86, o avançado marcaria nova presença na primeira divisão. Com o emblema da raposa a figurar na sua camisola, Tony Sealy mostrar-se-ia mais adaptado às exigências competitivas. Com um balanço que o revelava como um dos que, regularmente, era utilizado, nada faria prever que a temporada seguinte fosse uma nova decepção. Ora, é já neste oscilante registo de altos e baixos, que o atacante chega a Lisboa.
No Sporting o começo é auspicioso. Comandado pelo, também inglês, Keith Burkinshaw, Tony Sealy transforma-se numa verdadeira arma apontada às balizas adversárias. Em Dezembro, acaba por vencer o seu único troféu em Portugal. No entanto, essa vitória na Supertaça não impede o despedimento do treinador britânico. Esse afastamento, seria a premonição para a revolução perpetrada pelo recém-eleito presidente, Jorge Gonçalves.
A "limpeza de balneário", juntamente com a contratação de novos futebolistas, surpreendentemente, leva à dispensa do avançado. A solução para o seu futuro, um ano após a sua chegada a Portugal, é encontrada no norte do país. Mas a passagem pelo Sp.Braga seria ainda mais breve do que a sua estadia em Alvalade. Pouco tempo depois de ter chegado à "Cidade dos Arcebispos", Tony Sealy acaba por voltar a Inglaterra.
Este regresso determinaria o princípio do fim da sua carreira. Voltaria a jogar nos escalões inferiores, teria uma passagem pela Finlândia (Mypa 47), e haveria de pôr um ponto final nesta sua etapa profissional, depois de se mudar para Hong Kong.
Seria mesmo pela Ásia que o antigo jogador permaneceria. Aí radicado, começa a exercer novas funções no mundo do futebol. Passa, então, aos afazeres de treinador, e, algum tempo depois, abraça as responsabilidades de dirigente.

482 - MIGUEL

Miguel é o mais velho de três irmãos futebolistas - Basílio Marques e Tozé. Só isto serviria para aferir que o amor pela bola corria nas veias da família. Já o jeito do miúdo Miguel era como essa paixão, inegável. Ora, assim que soube dos treinos de captação, dirigiu-se ao Campo da Unidade para prestar provas. Ficou nas camadas jovens do Vitória de Guimarães até que, já na transição para os seniores, os responsáveis pela equipa decidem-se pelo seu empréstimo. Começa no Moreirense e nos anos seguintes vê-se sob a bandeira do Vizela, equipa que ajudaria a promover, pela primeira vez na história do emblema, à Primeira Divisão.
Pelas boas prestações que foi acumulando ao longo dessas temporadas, o conhecido treinador belga Raymond Goethals, que entretanto havia tomado o leme aos da "Cidade Berço", já não deixou partir o atleta. Fixou-o no centro da defesa e fez dele um dos principais pilares da equipa vitoriana. Esse estatuto soube mantê-lo daí em diante, contribuindo, e de que maneira, para os sucessos que o Vitória de Guimarães haveria de averbar nos anos vindouros. A compensação para Miguel por tão boas exibições, chegariam de diversas formas. Pode dizer-se que a qualificação para as provas europeias foi uma delas, contudo, o maior prémio acabaria por ser a chamada aos trabalhos da Selecção Nacional "A", onde, numa partida frente à Suécia, a contar para a Qualificação do Euro 88, faria a sua estreia.
Por esta altura, já outros emblemas andavam de olho no defesa. O primeiro a adiantar-se na corrida pelo central haveria de ser o Sporting e Miguel, no Verão de 1988, mudar-se-ia para Alvalade. De "verde e branco" vestia agora um jogador que, sem impressionar pela sua estatura física, era bom no jogo aéreo, forte na marcação e com um sentido posicional acima da média. Claro que tudo isto já seria suficiente para que Miguel fosse considerado como um dos melhores a actuar em Portugal. No entanto, a sua principal arma era a determinação, o sacrifício e a capacidade de luta que, inclusive, dizem, o fizeram partir os dentes na cabeça do "Bi-Bota D'Ouro", Fernando Gomes. Apesar das suas qualidades inegáveis, Miguel nunca conseguiria afirmar como um dos titulares indiscutíveis na equipa dos "Leões". Por essa razão a sua carreira, ao fim de 3 épocas em Lisboa, mudaria de ares, voltando ao Minho, mas, desta feita, ao Gil Vicente.
Continuaria, com todo o mérito, a jogar ao mais alto nível e na Primeira Divisão. Durante 6 anos representaria os de Barcelos no principal escalão do futebol português, até que, na temporada 1996/97, a sua equipa é despromovida. Por essa altura, já com 34 anos, muitos pensariam que o fim da vida profissional de Miguel estaria para chegar ao fim. Enganaram-se!!! Assinou de imediato pelo Trofense e aí permaneceu mais 8 épocas! Ao fim das ditas, e para provar que "velhos são os trapos", jogaria mais uma derradeira temporada, a representar o U.Torcatense. Seria, então, já com 43 anos de idade que Miguel decidiria ser o tempo certo para "pendurar as chuteiras".

398 - BASÍLIO

Nascido e criado na "Cidade Berço", seria ao serviço do Vitória Sport Clube que Basílio Marques começaria na prática do futebol. Nos primeiros passos desse trajecto, depois de terminar a formação com as cores dos “Conquistadores”, o defesa acabaria emprestado à AD Fafe e ao Lixa, respectivamente nas temporadas de 1984/85 e 1985/86. De seguida, fruto do bom trabalho apresentado nos dois anos anteriores, viria a sua integração no plantel principal da aludida colectividade vimaranense, orientada inicialmente pelo treinador brasileiro René Simões.
Numa temporada atribulada para o emblema sediado em Guimarães, onde, nessa campanha de 1986/87, outros dois nomes ainda passariam pelo comando técnico da equipa, a vida do jogador desenrolar-se-ia com a dificuldade habitual para um jovem. Sem grande espaço para ganhar o lugar no lado esquerdo da defesa, onde Carvalho surgiria uma grande forma, Basílio lograria de poucas oportunidades. Por coincidência, faria a sua estreia no Campeonato Nacional, ainda por cima a titular, na jornada inaugural da prova. Nessa ronda, frente aos eternos rivais do Sporting de Braga, num “derby” sempre escaldante, os de branco sairiam vencedores. No entanto, o triunfo pouco contribuiria para a afirmação do atleta e o resto da sua temporada traduzir-se-ia por números muito discretos.
Com uma vontade inata para vencer, aliada a uma boa capacidade de abnegação, Basílio manteria os seus níveis anímicos elevados. Outra ajuda preciosa viria da presença de uma cara bem conhecida da sua vida e a partilhar consigo o balneário. Três anos mais velho, o irmão Miguel era já um frequentador assíduo do "onze” vimaranense. Igualmente defesa, mas com a habilidade a empurrá-lo para o eixo do sector mais recuado, a sua impetuosidade ainda traria alguns dissabores ao lateral-esquerdo – "Lembro-me que uma vez, estávamos a jogar um torneio na Póvoa, e num lançamento lateral ele deu-me uma cabeçada e eu fiquei aí um mês e meio sem jogar"*.
Curiosidades à parte, a carreira de Basílio haveria de tomar o rumo normal de um jogador bem alicerçado e, com o avançar dos anos, igualmente bem cotado no futebol português. Nesse sentido, a titularidade, com uma ou outra intermitência, surgiria de forma bastante natural e regular. Tal constatação proporcionar-lhe-ia ser um dos escolhidos que, em 1988, ajudaria a levantar o primeiro troféu oficial do Vitória Sport Clube, a Supertaça Cândido de Oliveira. A referida conquista, aliada às 11 temporadas a vestir a camisola branca do clube minhoto conferir-lhe-ia um estatuto especial entre a exigente massa adepta. Por essa razão, poucos haveriam de estranhar que, passados alguns anos sobre a sua estreia sénior, a Basílio fosse entregue a responsabilidade de envergar a braçadeira de capitão.
A sua ligação com o Vitória Sport Clube terminaria, após ter perdido o estatuto de indiscutível, no defeso estival de 1997. De partida para o Alentejo, onde representaria o Campomaiorense, Basílio começaria a avançar para o fim da carreira. Como futebolista profissional ainda vestiria, em 1999/00, a camisola do Famalicão e então decidir-se-ia a "pendurar das chuteiras". Contudo, sem nunca perder a paixão pela modalidade, Basílio voltaria a ligar-se ao clube do coração. Como treinador, habitualmente no papel de adjunto, o antigo defesa é um dos ajudantes de Manuel Machado e depois dos anos passados no Estádio D. Afonso Henriques, trabalha agora no corpo técnico da equipa principal do Nacional da Madeira.


* retirado do artigo de Luís Pedro Ferreira, publicado a 11/06/2013, em https://maisfutebol,iol.pt.

337 - JAIME GRAÇA

Nascido como Jaime Pinto, onde terá o jogador ido buscar o apelido "Graça"? Talvez ao antigo craque benfiquista com o mesmo nome! Porque não?! A verdade é que esta ideia não passa de uma dedução que de lógica pode ter pouco! Talvez seja melhor dizer que não tem congruência alguma, pois não tenho qualquer indício em que consiga apoiar tal afirmação.
Facto é que Jaime Graça, natural da Guiné-Bissau, veio para Portugal, corria a temporada de 1979/80, com 20 anos de idade. Começaria por representar o modesto Estarreja para, logo na época seguinte, ser chamado a vestir a camisola do clube onde mais haveria de notabilizar-se, o Rio Ave. É certo que a estreia pelo emblema de Vila do Conde, pouco acrescentaria à sua carreira. O destaque de “Caravela” ao peito, os anos que fariam do extremo-direito uma das figuras do Campeonato Nacional e, principalmente, uma das inolvidáveis estrelas do clube, aconteceriam alguns anos depois.
Na evolução da sua carreira desportiva, após as passagens por Tirsense, União de Coimbra e, já na 1ª Divisão, pelo Boavista, o avançado, na temporada de 1985/86, regressaria ao conjunto a jogar em casa no Estádio dos Arcos. Dessa feita a sua velocidade iria oferecer ao ataque do Rio Ave uma dinâmica espantosa. Para além da reconhecida rapidez, os golos que concretizaria, 8 em 1986/87 e 7 em 1987/88, serviriam, em muito, os intuitos do clube vilacondense. Por esse motivo ficará para sempre ligado à colectividade. Conseguir-se-ia arranjar outras razões para justificar a sua importância na história rioavista. No entanto, muito para além do que sobre isto possa dizer-se, o cimentar da relação atleta/colectividade viria também a fazer-se pelo facto de aí ter crescido, como atleta, um dos seus filhos. Falo do promissor, e igualmente rápido, Yazalde.

243 - EDUARDO LUÍS

Quando no Verão de 1980 rebentou nas Antas o tão badalado "Verão Quente", Eduardo Luís parecia estar já com um pé a caminho do FC Porto. No entanto, em consequência do despedimento de Jorge Nuno Pinto da Costa, à altura o director para o futebol, e do treinador José Maria Pedroto, o negócio acabou por não ficar concretizado. Passados dois anos sobre o aludido, o referido técnico, de novo no comando da equipa portista, fez questão de voltar a pôr na lista de aquisições aquele que era um dos seus futebolistas predilectos. Com o acordo rubricado, o atleta deixou o Marítimo, emblema no qual estava há 6 temporadas, para regressar a um “grande”. Sim, regressar a um "grande"! Pois, anos antes, o defesa já tinha vestido a camisola do Benfica. Em abono da verdade, na "Luz" nunca teve grandes oportunidades. Contudo, o seu primeiro título, um Campeonato Nacional, foi conquistado de "Águia" ao peito.
Voltemos outra vez ao FC Porto, desta feita à temporada de 1983/84. Foi por essa altura que o “Dragão” começou a erguer-se em toda a plenitude. Na Taça dos Vencedores das Taças, perdida em Basileia frente à Juventus, o clube “azul e branco” chegou à primeira final europeia. Na evolução de Eduardo Luís a época representou, de forma regular, um lugar a titular no "onze" portista, mas curiosamente numa posição nova para si! Depois de no Benfica ter jogado como médio e de no Funchal terem recuado o atleta para o centro da defesa, nas Antas acabou desviado para a lateral – “Não foi fácil. Primeiro que me adaptasse ao lugar... Mas com insistência e o apoio de Pedroto consegui ser um bom defesa-esquerdo"*.
Não venceu o troféu continental em 1984, época onde marcou presença no Europeu de selecções organizado em França, mas ganhou em 1987. De regresso à posição de defesa-central, Eduardo Luís, em dupla com Celso, tornou-se num dos pilares da senda que levou o FC Porto à conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Muito desse sucesso deveu-se, um pouco à imagem do seu parceiro brasileiro, à maneira airosa como tratava a bola e, ao usar métodos igualmente subtis, ao jeito com que conseguia retirá-la da posse dos adversários para, prontamente, conduzir o esférico para os lances ofensivos da equipa.
Muito para além das vitórias, foram 7 anos em que entregou o corpo e a alma ao emblema que o carregou até à ribalta. Apesar de ter terminado a carreira distante do FC Porto e após passagens pelo Rio Ave e pela Ovarense, para Eduardo Luís a colectividade sediada na “Cidade Invicta”, como o próprio chegou a confessar – “É a minha história. É a minha referência. É a minha vida”*.

*retirado da entrevista publicada em https://bibo-porto-carago.blogspot.com, a 10/01/2011

34 - CARLOS BRITO

Emergiu no Boavista, passou pelo Salgueiros e acabou no Rio Ave. Sendo esse a grande parte do seu percurso como futebolista, desde que terminou a carreira de jogador e iniciou a de treinador é habitual, salvo raras excepções, encontrá-lo por Vila do Conde.
Carlos Brito prepara-se para, nesta campanha de 2010/11, começar a sua 10ª temporada à frente do Rio Ave. A sua paixão por este emblema é inquestionável. Tirando curtas passagens por Estrela da Amadora, Boavista Nacional e Leixões, é no Estádio do Arcos que melhor sabe orientar equipas de futebol.
Se o ano transacto, com base nas boas exibições, liderou o seu conjunto ao “título” de surpresa do Campeonato Nacional, vamos ver o que consegue fazer este ano, com este grupo.

10 - RADOSLAV ZDRAVKOV

Radoslav Zdravkov é um nome complicado para a nossa língua, quanto mais para os locutores de rádio e para os seus supersónicos relatos... ficou Radi!
No longínquo 1973, estreou-se, como sénior, no Lokomotiv de Sófia, de onde, ao fim de sete anos, se transferiu para o CSKA da mesma cidade. A Portugal chegou em 1986, com 30 anos. Representou o Desportivo de Chaves nos melhores anos da história do emblema flaviense e participou na Taça UEFA. Depois de 1989 jogou em mais três clubes, o Sp. Braga, o Paços de Ferreira e o Felgueiras - uma época em cada um.
Voltou à Bulgária, para as duas últimas temporadas de uma longa carreira, para jogar, primeiro, pelo Yantra Gabrovo, e depois pelo PFC Litex Lovech.
Representou selecção búlgara 71 vezes, tendo vestido a sua camisola no Mundial de 1986, no México. Terminou com 38 anos.