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1769 - MATOS

Formado no FC Barreirense, haveria de ser no emblema da Margem Sul que José Fernando Silva Matos faria a estreia enquanto futebolista sénior. Nessa temporada de 1982/83, na qual participaria nas disputas da Zona Sul da 2ª divisão, o defesa-lateral poucas oportunidades conseguiria para demonstrar o seu valor. Nas épocas seguintes, sem deixar o referido patamar competitivo, o cenário pessoal do jogador começaria a mudar progressivamente e a campanha de 1984/85 acabaria a trazer-lhe a titularidade.
A constante chegada ao “onze” do FC Barreirense faria com que outras colectividades, nomeadamente aquelas ligadas às contendas de maior monta, começassem a reparar nas suas habilidades dentro de campo. O acréscimo de importância, verificado nesse período inicial da carreira, faria com que o Marítimo aferisse a sua contratação como benéfica para a valorização do plantel. Nos “Leões do Almirante Reis” a partir da temporada de 1985/86, o lateral-direito, estreante na 1ª divisão, teria em Mário Nunes o treinador a lançá-lo nas sendas do degrau maior do futebol luso. Mesmo sem qualquer experiência no referido plateau competitivo, a verdade é que Matos não ficaria, de todo, atrapalhado. Com presenças na maioria das jornadas do Campeonato Nacional, o atleta revelar-se-ia como um dos grandes destaques do conjunto madeirense. Essa constância exibicional, a levá-lo a merecer a confiança dos demais técnicos, saberia, com algumas excepções, conservá-la no par de campanhas seguintes. O contrário viria a verificar-se já no desenovelar de 1988/89 e a quebra de presenças nas fichas de jogo, ao fim de 4 anos na cidade do Funchal, fá-lo-ia mudar de rumo.
Com uma curiosa inscrição na página electrónica da Federação Portuguesa de Futebol a dá-lo, no arranque da temporada de 1988/89, como elemento do plantel do Beira-Mar, o que consegui apurar é que, no que diz respeito às aparições em campo, na mencionada época, Matos apenas contabilizaria jogos oficiais pelo Portimonense. No Algarve, ainda a pelejar nos cenários competitivos da 1ª divisão, o defesa-lateral, embora utilizado com uma frequência bastante aceitável, não conseguiria recuperar os números alcançados em anos pretéritos. De seguida, consumada a descida do listado alvinegro e a fazer fé na informação dada pelo “site” mencionado no início deste parágrafo, o jogador, mais uma vez, apareceria no encetar da campanha a exibir-se com um emblema para, no que aos registos de jogo diz respeito, apenas contabilizar presenças já ao serviço de outra agremiação. No entanto, independentemente do momento em que haveria de verificar-se a transferência, o que mais interessa retirar dessa mudança, é que o jogador, ao deixar o Barlavento para regressar ao FC Barreirense, jamais voltaria a calçar as chuteiras no universo primodivisionário.
Depois, já encetado o derradeiro trecho da sua carreira com o ano passado no emblema onde havia concluído a formação, Matos, que findaria a vida de futebolista com o termo das provas agendadas para a temporada de 1993/94, também continuaria a alimentar uma fase mais errante da caminhada competitiva. Nesse sentido, com mudanças de agremiação a cada ano cumprido, o lateral-direito ainda viria a representar, apresentados por ordem cronológica, os grupos de trabalho do Vila Real, do Montijo e da Quimigal.

1736 - BARTOLOMEU

Natural da Guiné-Bissau, onde nasceria a 11 de Novembro de 1959, a primeira referência encontrada sobre Bartolomeu Só Silva viria a transportar-nos para a época de 1980/81, durante a qual representaria o Alcanenense. Tal campanha, cumprida na disputa da 3ª divisão, seria proveitosa para o portentoso avançado-centro. As boas exibições levá-lo-iam, logo na época seguinte, a escalar um degrau competitivo e a entrada no SL Cartaxo fixá-lo-ia como um intérprete capaz de manter bons números também nesse patamar, bem como em contextos mais ambiciosos.
Ao sublinhar-se como um atleta de qualidades apreciáveis, Bartolomeu, ainda dentro do escalão secundário, começaria a despertar o interesse de colectividades de maior tradição no futebol português. Nesse sentido, o plantel de 1982/83 do Sporting da Covilhã, treinado por José Domingos, daria início a uma caminhada a levá-lo igualmente a representar o União de Coimbra, o Peniche e o Gil Vicente. No entanto, com excepção do emblema sediado na histórica localidade piscatória, onde permaneceria por duas campanhas consecutivas, o ponta-de-lança nunca conseguiria fixar por mais de um ano em cada uma das outras agremiações mencionadas. Ainda assim, a experiência em Barcelos, onde acabaria orientado pelo “magriço” José Carlos, abrir-lhe-ia as portas para outras paragens e as provas de 1987/88 seriam já efectuadas ao serviço d’ “O Elvas”.
No Alto Alentejo, o avançado-centro depressa conseguiria instalar-se como um das principais figuras arroladas ao “onze” inicial. Ao ultrapassar, primeiro nas escolhas Mário Nunes e depois nas opções de Vieira Nunes, colegas como Ulisses Morais, Bartolomeu, não só conquistaria a titularidade, como viria a afirmar-se como o melhor marcador da equipa. Todavia, as prestações colectivas, abaixo do desejado pelos responsáveis directivos do clube, fariam com que a temporada aludida no final do parágrafo anterior viesse a quedar-se como a única do atleta cumprida no convívio com os “grandes”. Mesmo com a despromoção dos “Azuis e Oiro”, a verdade é que o jogador manter-se-ia fiel aos desígnios da camisola raiana e com mais dois anos a jogar no Campo Demétrio Patalino, “O Elvas” viria a transformar-se no emblema mais representativo da sua caminhada enquanto futebolista.
A entrar na derradeira fase da carreira, Bartolomeu, afastado de vez dos cenários primodivisionários, ainda teria força para, durante mais alguns anos, representar outras agremiações. Nessa última senda, o rumo escolhido pelo avançado-centro voltaria a devolvê-lo, tal como no início da sua jornada futebolística, a um percurso deveras marcado pela errância. Mirense, onde voltaria a partilhar o balneário com Ulisses Morais, o Vila Real, Lusitânia dos Açores, Beneditense e Sacavenense seriam as divisas a precederem a conclusão de um trajecto competitivo, com o ponto final assinalado pelo termo das provas planeadas para 1993/94.

1637 - ALBERTO

Produto das “escolas” leoninas, Carlos Alberto Alves Fernandes Nicolau teria no derradeiro ano como júnior uma temporada de grande importância. Em primeiro lugar surgiriam as convocatórias para as jovens equipas no peloiro da Federação Portuguesa de Futebol. Com as cores lusas, sob as ordens de Peres Bandeira, o extremo-esquerdo estrear-se-ia frente à Inglaterra. Nessa partida disputada a 13 de Novembro de 1978, ao lado de João Pinto, Coelho, Parente ou Dito, o atleta encetaria uma marcha a habituá-lo aos contextos competitivos dos actualmente denominados como sub-18. Com uma dezena de aparições conseguidas pelo referido escalão, o atacante, anos mais tarde, ainda teria a oportunidade de representar os “esperanças” e alcançaria, ao participar na edição de 1981 do Torneio Internacional de Toulon, um total de 11 desafios jogados com a “camisola das quinas”.
Também na temporada de 1978/79, chamado por Milorad Pavic, Alberto estrear-se-ia como sénior do Sporting. Avaliado como um intérprete de enorme potencial, a época seguinte, inicialmente orientado por Rodrigues Dias e depois por Fernando Mendes, traduzir-se-ia pela sua integração, a tempo inteiro, na equipa principal dos “Leões”. Apesar de não conseguir impor-se como um dos principais nomes nas estratégias delineadas pelos aludidos treinadores, a verdade é que as poucas aparições em campo dar-lhe-iam o direito de juntar o seu nome ao rol de atletas vencedores do Campeonato Nacional de 1979/80. Ainda assim, a falta de utilização levariam os responsáveis pelos “Verde e Brancos” a idealizar um plano para o seu futuro próximo e o avançado, na campanha de 1980/81, passaria a representar o Recreio de Águeda.
Após o empréstimo a conduzi-lo até ao emblema sediado no distrito de Aveiro, Alberto regressaria a Alvalade. Tal como anteriormente, o extremo, à altura a trabalhar com o inglês Malcolm Allison, poucas vezes seria chamado às pelejas agendadas para o Sporting. Ainda assim, as suas prestações seriam suficientes para ser ovacionado como um dos autores da “dobradinha” de 1981/82. No entanto, o final da temporada ditaria uma sorte diferente para o jogador. Sem conseguir assegurar um lugar no plantel dos “Leões”, o avançado seria transferido para o Farense. No Algarve encetaria uma senda a empurrá-lo, durante 5 anos consecutivos, para a disputa do patamar secundário. Nessa caminhada, caracterizada pela errância, Ginásio de Alcobaça, Marítimo, Estrela da Amadora e o regresso ao Recreio de Águeda transformar-se-iam também nas cores do referido trecho. Como curiosidade maior vivida durante esse período, surgiriam as vezes em que ajudaria o clube por si representado à subida de escalão. Porém, em nenhuma dessas ocasiões seguiria com a equipa para a 1ª divisão e depois do desapontamento vivido com as colectividades sediadas no Sotavento e na Madeira, seria necessária a entrada n’ “O Elvas” para que regressasse ao convívio com os “grandes”.
No conjunto raiano, Alberto, na época de 1987/88, conseguiria impor-se como um dos titulares. Ainda assim, as suas prestações, a somar às exibições dos seus colegas, não seriam capazes de alimentar o sonho da permanência. Com nova despromoção, o extremo despedir-se-ia, de vez, do escalão máximo português. Daí em diante, num trajecto que terminaria em 1992/93, o avançado ainda envergaria as divisas da AD Fafe, Amora e Sacavenense.

1614 - SAMUEL

Nascido na Guiné-Bissau, Samuel António da Silva Tavares Quina, seria descoberto, ainda no país natal, por Cavungi – “Ele tinha ido lá de férias e falou de mim ao treinador do Benfica. Pediram-me para ir lá fazer um treino e fiquei”*. Já em Lisboa, apesar do aspecto franzino, a inteligência apresentada pelo jovem defesa-central, permitir-lhe-ia usar outros atributos de forma bem discernida, com o principal destaque a emergir da velocidade. A revelar um notório crescimento, ainda como capitão dos juniores, as qualidades referidas levá-lo-iam a praticar com a primeira equipa das “Águias”. A atitude demonstrada agradaria aos responsáveis técnicos e numa altura em que ainda treinava nas equipas de formação dos “Encarnados”, Sven-Göran Eriksson chamá-lo-ia à estreia no conjunto principal.
Após o arranque pelos seniores, numa partida a contar para a edição de 1983/84 da Taça de Portugal, Samuel fixar-se-ia definitivamente no grupo principal. No entanto, com nomes como Oliveira, Humberto Coelho e António Bastos Lopes como competidores directos, novas oportunidades não surgiriam de imediato. Por outro lado, a partida frente ao Desportivo de Chaves abriria ao atleta as portas das equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com a primeira aparição a ocorrer a 15 de Fevereiro de 1984, essa partida a opô-lo aos sub-18 da Bélgica, contenda orientada por José Augusto, permitiria ao atleta encetar uma senda que, para além das pelejas cumpridas por diversos escalões de formação, encaminhá-lo-ia até à principal “camisola das quinas”. Nesse contexto competitivo, seria a 4 de Setembro de 1991, dessa feita pela mão de Carlos Queiroz, que pela primeira vez apareceria em campo. Seguir-se-iam, ao jogo com a congénere da Áustria, outras partidas e uma carreira que chegaria a somar um total de 27 internacionalizações, 5 das quais feitas pelo conjunto “A” de Portugal.
Regressando ao percurso clubístico de Samuel, a campanha a suceder à da sua estreia, já com Pal Csernai como treinador, revelaria o atleta a jogar com uma espantosa frequência. Nessa caminhada, ainda saberia manter o estatuto de titular na primeira época do regresso de John Mortimore à Luz. Todavia, a partir da campanha de 1986/87, primeiro pela chegada de Dito e de Edmundo, para depois enfrentar a concorrência dos internacionais brasileiros Mozer e Ricardo Gomes, o defesa-central voltaria a perder espaço no “onze” do Benfica. Seria, no entanto, com Eriksson de novo à frente as “Águias” que o jogador voltaria a participar com mais frequência nos embates da colectividade “alfacinha”. Porém, numa carreira que ficaria marcada por altos e baixos, 1990/91 marcaria mais uma temporada discreta e ditaria a consequente viagem, por empréstimo, até à cidade do Porto.
Ao serviço do plantel de 1991/92 do Boavista, Samuel edificaria uma campanha brilhante, a qual culminaria com a sua presença na final da Taça de Portugal e com a vitória frente ao FC Porto. Tais sucessos, alcançados pelos “Axadrezados”, abrir-lhe-iam, de novo, as portas da Luz. Contudo, mais uma vez, o jogador claudicaria perante a concorrência. Sem espaço, o final da campanha de 1992/93 marcaria, em definitivo, o termo da ligação entre o atleta e o “Glorioso”. Com o currículo recheado pela conquista de 3 Campeonatos Nacionais, 4 Taças de Portugal, 2 Supertaças e pela presença na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1989/90, onde, com o intuito de travar Ruud Gullit, jogaria na lateral esquerda, o defesa voltaria a viajar em direcção ao Norte e assinaria contrato com o Vitória Sport Clube.
Em Guimarães a partir de 1993/94, Samuel entraria na última fase da caminhada como futebolista. Depois de um par de épocas ao serviço dos homens da “Cidade Berço”, onde nunca chegaria a ser um nome habitual no “onze” dos “Conquistadores”, o defesa-central, integrado no plantel de 1995/96 do Tirsense, cumpriria a 13ª campanha consecutiva no escalão máximo luso. Seguir-se-iam as passagens pelo Odivelas, pelo Fanhões e fim da carreira com o termo das provas calendarizadas para 1998/99.

*retirado do artigo de Ricardo Gouveia, publicado a 19/02/2014, em https://maisfutebol.iol.pt

1609 - ULISSES MORAIS

Júnior no Benfica, Ulisses Manuel Nogueira Morais, na altura de subir à equipa principal, veria o inglês John Mortimore a excluí-lo da lista de atletas aptos ingressar no plantel principal. Tapado por Nené e por Vítor Batista, o jovem avançado-centro encetaria assim um périplo de 2 anos primeiro com as cores do União de Montemor, para depois passar a representar o Sporting da Covilhã. De seguida, dando seguimento a uma senda erguida à imagem de um verdadeiro “globetrotter”, suceder-se-iam, com mudanças de cores a cada campanha, mais umas quantas colectividades a militar nas contendas dos escalões inferiores e o Bragança, o Mogadourense, a AD Guarda e o União de Tomar precederiam uma das fases mais estáveis na carreira do jogador.
Após a entrada no plantel de 1983/84 do Benfica e Castelo Branco, onde passaria a trabalhar sob a alçada do “magriço” Jaime Graça, o atacante manter-se-ia por 3 temporadas consecutivas ao serviço da colectividade da Beira Baixa. No entanto, com a última época dessa trindade a ser cumprida após a descida ao 3º escalão, o atleta voltaria a apostar na mudança de clube. Espantosamente, a experiência vivida ao serviço do Ermesinde, sem que abandonasse o 3º degrau do futebol luso, abrir-lhe-ia as portas do tão almejado patamar máximo. Contratado, em 1987/88, por um “O Elvas” orientado inicialmente por Mário Nunes, Ulisses Morais apresentar-se-ia na ronda inicial do Campeonato Nacional, partida disputada frente ao Penafiel, como titular dos “Azuis e Ouro”. Curiosamente, todas as inscrições do avançado-centro nas fichas de jogo dá-lo-iam como membro escolhido para o “onze” inicial. Porém, nem com o treinador já referido, nem posteriormente com Vieira Nunes, o jogador conseguiria ultrapassar a concorrência de Bartolomeu e terminaria a passagem pela agremiação raiana apenas com 3 jogos disputados.
O resto da sua carreira enquanto futebolista, à imagem dos primeiros anos, voltaria a devolvê-lo à errância e aos palcos secundários. Varzim, Peniche, Mirense, Leiria e Marrazes e, por fim, o regresso ao Sporting da Covilhã precederiam o “pendurar das chuteiras”, com o termo das provas agendadas para 1994/95. Todavia, apaixonado pela modalidade, Ulisses Morais manter-se-ia ligado ao “jogo da bola”. Como treinador, numa senda a começar também pelos patamares inferiores, seria a Naval 1º de Maio a dar-lhe a oportunidade de, na campanha de 1995/96, assumir as rédeas de uma equipa sénior. Depois da colectividade sediada na Figueira da Foz, os anos cumpridos nos Dragões Sandinenses e no Machico, transformar-se-iam no trajecto para chegar ao Estoril Praia. Na “Linha de Cascais” a partir de 2001/02, as 2 promoções consecutivas, com a última a dar ao seu currículo o título de campeão da divisão de Honra, abrir-lhe-iam outras perspectivas de carreira. Tal horizonte seria, obviamente, o 1º escalão. Porém, contra todas as expectativas, os “Canarinhos” deixariam de contar com os serviços do técnico e o Gil Vicente passaria a ser o seu novo emblema.
Em Barcelos, Ulisses Morais encetaria uma caminhada que, em definitivo, haveria de confirmá-lo como um treinador de habilidades primodivisionárias. No convívio com os “grandes”, com passagens a levá-lo também ao Marítimo, Naval 1º de Maio, Paços de Ferreira, Académica de Coimbra e Beira-Mar, o técnico somaria ao trajecto um total de 11 temporadas seguidas na 1ª divisão. Em Portugal ainda orientaria o Desportivo de Aves e o Famalicão. Depois viria o desafio lançado da Ásia e a vitória em 2 Taças e 1 Campeonato da Malásia – “(…) de repente, um argentino, o Martin Prest, que fora meu jogador no Marítimo, estava na Malásia a trabalhar com o príncipe (…). Ele disse que precisavam de um treinador para a seleção e fez-me uma exposição da situação. Fui lá para reunir com o príncipe e com ele. O príncipe achou que eu era mal empregue para aquele cargo. Porque eles não são nacionalistas, nem saudosistas, não olham para a seleção e choram como nós quando ouvimos o hino (…). O príncipe disse ao tal argentino para me convencer a ir para o Johor FC porque iam mandar o treinador embora (…)”*.

*retirado da entrevista de Alexandra Simões de Abreu, publicada a 27/03/2022, em https://tribuna.expresso.pt

1500 - MIRANDA

Com o percurso formativo terminado ao serviço do Varzim, António Miranda subiria à equipa principal dos poveiros na temporada de 1983/84. Orientado pelo “magriço” José Torres na época da sua estreia pelos seniores, a participação do clube na 1ª divisão e a presença no plantel de atletas mais experientes impediriam o médio-ofensivo, que podia posicionar-se à direita ou ao centro, de alcançar mais oportunidades. Porém, o virtuosismo apresentado pelo jovem atleta, logo na campanha seguinte, começaria a destapar outros voos. Progressivamente, a confirmação do jogador como um elemento merecedor de um lugar no “onze” levá-lo-ia, ao aproveitar a curta passagem da colectividade nortenha pelo escalão secundário, a assumir-se como uma das principais figuras dos “Lobos-do-mar”. Já o regresso ao convívio com os “grandes” na campanha de 1986/87, serviria apenas para confirmá-lo como um das maiores promessas a actuar nas provas lusas e as chamadas aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol viria a provar todo o seu valor desportivo.
Ao alinhar no “onze” orientado por António Oliveira, a partida forasteira disputada, a 22 de Setembro de 1987, frente à Suécia, serviria de arranque a uma caminhada que, no escalão sub-21, daria ao médio-ofensivo um total de 3 internacionalizações. A acompanhar essas partidas com a camisola de Portugal, o melhor emergiria com o desenrolar da campanha de 1987/88, com o jogador, muito mais do que titular no conjunto sob a alçada de Henrique Calisto, a pautar-se como um dos melhores intérpretes do Varzim. As boas exibições conseguidas serviriam de base para o capítulo seguinte na sua carreira. Com a transferência para o Benfica, Miranda passaria a envergar um emblema com ambições condizentes com as suas habilidades. No entanto, a entrada no Estádio da Luz não traria ao atleta os resultados esperados e as poucas oportunidades alcançadas durante a temporada de 1988/89 não iriam garantir a continuidade do jogador no grupo de trabalho das “Águias”.
Ao deixar os “Encarnados”, Miranda, com a vitória no Campeonato Nacional a colorir-lhe o currículo, encetaria um périplo caracterizado pelas mudanças anuais de colectividade. Desportivo de Chaves, Estrela da Amadora, Beira-Mar, Paços de Ferreira e Sporting de Espinho fariam parte desse trecho da sua carreira. Com todas as passagens, à excepção da ligação com os “Tigres da Costa Verde”, a caracterizarem-se por experiências primodivisionárias, há, mesmo assim, a destacar a época de 1990/91, vivida na Reboleira. Com os “Tricolores”, em estreias para o clube e para o atleta, surgiria primeiro a disputa da Supertaça e, em seguida, emergiriam as competições de cariz continental. No troféu a opor a sua equipa ao FC Porto, apesar da derrota, há a registar o golo marcado pelo médio-ofensivo. Já na disputa da Taça dos Vencedores das Taças, o jogador entraria em campo nas eliminatórias frente aos suíços do Neuchâtel Xamax e aos belgas do RFC Liège, sublinhando-se como um dos participantes nesse episódio de enorme importância histórica para a agremiação da Linha de Sintra.
Seguir-se-ia o regresso ao Varzim. De volta, na campanha de 1994/95, ao emblema onde tinha concluído o percurso formativo, Miranda apanharia os “Lobos-do-mar” nas contendas da 2ª divisão “B”. Pautando-se como um pêndulo nas exibições do conjunto poveiro, o médio-ofensivo tornar-se-ia num dos pilares do regresso da equipa ao convívio com os “grandes”. Essa temporada de 1997/98 marcaria a sua despedida do colectivo mais representativo do seu percurso enquanto futebolista. Paralelamente, a referida época transformar-se-ia, numa caminhada competitiva preenchida por 10 anos primodivisionários, na última do jogador no patamar máximo do futebol luso.
Apesar de estar a avançar, a passos largos, para o final da carreira, Miranda teria ainda tempo, dividida essa campanha de 1998/99 entre o Leixões e o Santa Clara, para disputar mais uma temporada. Depois viria a carreira de treinador, a qual levaria o antigo atleta a diversas experiências no Médio Oriente, nomeadamente no Kuwait e Bahrain.

1495 - RUI MANUEL

Rui Manuel Dionísio Correia destacar-se-ia ainda como elemento das camadas jovens do Torralta. De tal forma começaria a ser visto como uma enorme promessa do futebol que, da Federação Portuguesa de Futebol, não tardariam a chamá-lo aos trabalhos das jovens equipas lusas. A estreia com a “camisola das quinas”, no patamar agora denominado por sub-16, aconteceria a 3 de Março de 1984. Nessa partida, a contar para o Torneio Internacional do Algarve, o médio seria arrolado por José Augusto para, ao lado de Pacheco, Fernando Mendes, Samuel ou Lima, disputar a peleja frente à França. O encontro frente ao conjunto gaulês serviria de arranque a uma caminhada que, ao passar igualmente pelos sub-18 e pelos sub-21, terminaria com um total de 10 partidas cumpridas com as cores de Portugal.
Clubisticamente, Rui Manuel daria os primeiros passos como sénior ainda ao serviço do já mencionado Torralta. No entanto, como resultado dos bons atributos apresentados, as partidas feitas na 2ª divisão de 1985/86 seriam suficientes para que do Portimonense apostassem na sua contratação. Ao fazer a transição de clube ao lado de Pacheco, a verdade é que o arranque no escalão maior do futebol português não seria fácil para o jovem jogador. Nesse sentido, a campanha de 1986/87, com a estreia oficial a acontecer na 20ª ronda do Campeonato Nacional e já sob a alçada do brasileiro Paulo Roberto Dias, desenrolar-se-ia de forma modesta. No entanto, esse ocaso seria curto e a temporada seguinte revelaria um intérprete preparado para outros voos.
Numa altura em que também estava a ser assediado pelo Benfica, a transferência para o FC Porto orientado por Quinito transformar-se-ia no justo prémio para a sua evolução. Ainda assim, a forte concorrência encontrada no seio plantel de 1988/89 dos “Azuis e Brancos” não deixaria muito espaço ao atleta. A solução encontrada acabaria a levá-lo, por empréstimo, ao Penafiel. Porém, a perspectiva de um regresso às Antas, mesmo cumprida uma época auspiciosa, sairia gorada para o jogador que, como resultado da habilidade revelada, já desempenhava papéis tanto a médio como a defesa-lateral. Continuaria, sem deixar a 1ª divisão, como elemento da colectividade penafidelense. Seguir-se-ia, num curto regresso ao patamar secundário, a entrada no Sporting de Espinho, onde, para além de voltar a trabalhar com Quinito, ajudaria à vitória na 2ª divisão de Honra de 1991/92 e à consequente subida ao escalão máximo.
As quatro temporadas cumpridas ao serviço dos “Tigres da Costa Verde” serviriam para tornar o emblema num dos mais representativos da sua carreira profissional. Contudo, o emblema sediado em Espinho, concretamente na temporada de 1992/93, traduzir-se-ia também como a última experiência primodivisionária na caminhada desportiva do médio. Antes ainda de um regresso ao Algarve, o ingresso no Vitória Futebol Clube de 1995/96, outra vez a desafio do treinador Quinito, serviria para colorir o seu currículo com mais um histórico do panorama luso. Todavia, mesmo ao ajudar à subida dos “Sadinos”, ao seu trajecto imediato, como destapado numas linhas acima, emergiriam novas passagens pelo Portimonense que, intercaladas com a experiência ao serviço do Felgueiras, somariam mais 3 campanhas à sua caminhada. Por fim, a passagem pelo Lagoa que, após a decisão de “pendurar as chuteiras” com o termo da campanha de 2000/01, ainda daria ao antigo futebolista uma curta vivência nas tarefas de técnico.

1396 - SÉRGIO

Desde muito novo que Sérgio Louro começaria a revelar excelentes indicações relativamente aos predicados necessários para o cumprimento das funções de guarda-redes. De tal forma seriam aferidas as qualidades do jovem jogador que, ainda como atleta das camadas de formação do Barreirense, seria chamado aos trabalhos sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse sentido, a sua estreia com a “camisola das quinas”, numa altura em que apenas contava 15 anos de idade, seria a 6 de Maio de 1981, num “amigável” frente a França. Daí em diante, o seu nome passaria a ser, de forma regular, arrolado às partidas calendarizadas para as jovens equipas nacionais. Essa espantosa evolução levaria emblemas de outra monta a olhar para si como um potencial bom reforço. Surgiria, interessado na sua contratação, o Sporting e a mudança para Alvalade, ainda para frequentar as “escolas” leoninas, dar-se-ia na temporada de 1982/83.
Mantendo-se como um atleta amiúde convocado às jovens selecções lusas, a projecção de um futuro para Sérgio desenhar-se-ia com contornos de sucesso. Porém, depois de, pela mão de John Toshack, ter visto a sua estreia na equipa principal do Sporting a acontecer na época de 1984/85, a evolução do guardião, no resto da referida campanha, esbarraria com a presença dos “gigantes” Vítor Damas e Béla Katzirz. No seguimento dessa primeira partida, a contar para a Taça de Portugal, o atleta apenas alcançaria nova ocasião para entrar em campo no decorrer da temporada seguinte. Com poucas oportunidades para cevar o seu jogo, a ideia de um “empréstimo” começaria a emergir como uma solução bastante útil para o crescimento do guarda-redes e o Algarve acabaria como o destino traçado para os anos vindouros da sua carreira.
Ao serviço do Portimonense a partir da campanha de 1986/87, o atleta ver-se-ia integrado numa equipa que, por essa altura, vivia no rescaldo da melhor fase da sua história. Com o experiente Mendes e, posteriormente, com Peres e Figueiredo como principais concorrentes a ocupar um lugar à baliza, Sérgio acabaria por ter algum trabalho para conseguir manter-se como um dos nomes arrolados à ficha de jogo. Mesmo assim, nos 3 anos passados no Barlavento, com o maior destaque a surgir na temporada de 1988/89, muitas seriam as chamadas ao “onze”.
Os números alcançados a sul levariam a concluir que o tempo aí passado seria suficiente para justificar um regresso a Lisboa. De volta ao Sporting, consagrado pelas 39 internacionalizações nos diferentes escalões das selecções portuguesas, a verdade é que a sua inclusão no plantel de 1989/90, e nos seguintes, não traria ao atleta os resultados esperados. Com Tomislav Ivkovic a tomar a dianteira nas pelejas pela titularidade e com o surgimento de algumas lesões a atrapalharem a sua afirmação, Sérgio retornaria à condição de suplente. Tal como tinha acontecido durante a sua primeira aparição na equipa principal leonina, o guarda-redes pouco jogaria e após cumprir 4 temporadas de “Leão” ao peito, mais uma vez seria empurrado pelo destino para longe de Alvalade.
À procura de construir um percurso mais consistente, Sérgio apostaria na Académica para novo emblema. Todavia, a mudança para Coimbra na temporada de 1993/94 viria a afastá-lo das competições primodivisionárias. A partir desse momento, apesar de ter representado vários emblemas com forte tradição no panorama desportivo português, o guardião não mais voltaria às pelejas dos “grandes”. Naquilo que seria o resto da sua caminhada profissional como futebolista, após deixar os “estudantes”, o jogador teria ainda a oportunidade de representar emblemas como o Maia, o Paços de Ferreira ou, num curto regresso ao Algarve, o Portimonense.
Machico, Lagoa, Esperança de Lagos e o Desportivo de Beja fariam parte da última etapa competitiva de Sérgio. Já depois de “pendurar as luvas” com o final da campanha de 2000/01, o antigo guardião passaria a dedicar-se às funções de técnico. Como treinador de guarda-redes tem representado diversas colectividades, com destaque para o Estoril Praia, União de Leiria ou Vitória Futebol Clube. Há ainda que relembrar a sua experiência na Lituânia onde, incluído na equipa orientada por Mariano Barreto, trabalharia com o plantel do FC Stumbras.

1288 - KOSTADINOV

Formado no Trakia Plovdiv, entretanto rebaptizado como Botev Plovdiv, Kostadin Kostadinov, muito mais do que ser visto como uma das promessas saídas das “escolas” do emblema búlgaro, acabaria por tornar-se, também como resultado de uma longa ligação, numa das grandes lendas da colectividade.
Atacante que tanto podia posicionar-se no centro do sector mais ofensivo ou mais descaído para a direita, Kostadinov caracterizar-se-ia como um intérprete dono de uma grande mobilidade, rapidez e com um “faro” para o golo bem acima da média. Ao entrar na equipa principal na temporada de 1975/76, o avançado não demoraria muito até conseguir conquistar o seu espaço. Tão boa seria a evolução demonstrada que, antes ainda de completar 20 anos de idade, seria convocado para a principal selecção do seu país. Chamado por Tsevtan Ilchev a um embate frente à Roménia, esse particular agendado para a cidade de Blagoevgrad a 14 de Fevereiro de 1979, encetaria um percurso que levaria o futebolista ao maior certame de futebol. Já cimentado como uma das grandes figuras da equipa nacional, seria no México que teria um dos momentos altos da carreira. Integrado num grupo com imensos nomes com passagem por Portugal, casos de Mihaylov, Radi, Petrov, Getov, Sadakov, Dragolov, Mladenov e Gospodinov, a sua ajuda levaria a Bulgária a atingir os oitavos-de-final do Mundial de 1986.
Também ao serviço do clube, onde partilharia o balneário com outros atletas bem nossos conhecidos, como é o exemplo de Slavkov, Bota d’Ouro e antigo elemento do Desportivo de Chaves, Kostadinov viveria momentos inolvidáveis. Internamente, na senda desses brilharetes e numa liga tradicionalmente dominada por outros emblemas, há que nomear o 2º lugar do Trakia em 1985/86. Claro que o maior destaque terá de ir para a conquista da Taça da Bulgária de 1980/81, onde, ao entrar como titular na derradeira partida da prova, contribuiria para a vitória por 1-0, frente ao Pirin Blagoevgrad. Para colorir ainda mais o currículo do jogador, existem, igualmente, as várias participações nas competições organizadas sob a alçada da UEFA. Nesse sentido, tenho de sublinhar a exibição do avançado na Taça dos Vencedores das Taças de 1981/82, onde colaboraria na vitória histórica frente ao FC Barcelona. Para finalizar há que mencionar o golo por si concretizado e que, na edição de 1984/85 da prova europeia ainda agora aludida, ajudaria a derrotar o Bayern de Munique.
Numa caminhada tão rica, Kostadinov teria também a oportunidade de experimentar alguns contextos competitivos de países estrangeiros. A primeira saída do atleta dar-se-ia na temporada de 1987/88 e em direcção a Portugal. Ao disputar as provas lusas, o avançado, mesmo ao não conseguir, de forma indubitável, assumir-se como um dos principais nomes arrolados ao alinhamento inicial do Sporting de Braga, acabaria por somar números bem interessantes. Ainda assim, o destino levá-lo-ia a outras paragens e, logo na campanha seguinte, o atacante apresentar-se-ia como reforço dos gregos do Doxa Dramas.
Já a terminar o trajecto enquanto futebolista, o atleta voltaria ao emblema que o tinha formado. De regresso a Plovdiv, jogaria ainda 2 épocas que contribuiriam para firmá-lo como uma das maiores figuras do emblema. Ao “pendurar as chuteiras” em 1992 e com 350 partidas disputadas na Liga búlgara, Kostadinov tornar-se-ia no 5º jogador do clube com mais presenças na prova. Já os golos, 106 concretizados na referida competição, deixá-lo-iam um pouco mais acima na respectiva tabela e elevariam o avançado ao 2º posto dos goleadores do Botev no Campeonato.
Já depois de retirado dos relvados, o antigo jogador manteria o elo à modalidade. Em muito desse trajecto ligado ao Botev, Kostadinov tem desempenhado os papeis de treinador, mas também de director.

1281 - VÍTOR DUARTE

Apesar de integrado na primodivisionária Académica de 1978/79, a verdade é que Vítor Duarte, no plantel sénior comandado por Juca, não conseguiria alcançar qualquer oportunidade para jogar. Seguir-se-iam os escalões inferiores e, logo nas duas épocas imediatas à experiência com a “Briosa”, “Os Marialvas” e o Recreio de Águeda. Já de regresso à “Cidade dos Estudantes”, o defesa-central passaria a representar o emblema que acabaria por catapultar a sua carreira competitiva. As 4 temporadas de bom plano com a camisola da União de Coimbra, ainda que a disputar a 2ª divisão, seriam suficientes para empurrar o seu nome para os principais escaparates do desporto nacional e a caminho de um dos “grandes” do futebol português.
Mesmo sem grandes créditos naquela que é a principal competição lusa, os responsáveis do Benfica veriam em Vítor Duarte uma boa aposta para fortalecer o plantel construído para a campanha de 1985/86. Como um intérprete possante e aguerrido, a sua contratação teria como principal objectivo dar mais uma opção a uma defesa que já contava com nomes como Oliveira, António Bastos Lopes ou o jovem Samuel. Na realidade, a forte concorrência por um lugar no centro do sector mais recuado das “Águias”, não daria grande espaço ao recém-chegado elemento. Num grupo de trabalho comandado pelo técnico inglês John Mortimore, o jogador apenas conseguiria entrar em campo numa das partidas referentes à disputa do Campeonato Nacional e por essa razão, finda a época, aceitaria dar outro rumo à carreira.
No Farense de 1986/87, mas, principalmente, no Sporting de Braga da época seguinte, Vítor Duarte afirmar-se-ia como um futebolista de indubitável cariz primodivisionário. Aliás, a passagem pelo referido emblema minhoto transformar-se-ia, em termos pessoais, na experiência mais prolífera da sua caminhada profissional. Sempre como um dos pilares do estratagema táctico montado pelos diferentes treinadores, mantida a titularidade durante as 4 temporadas com os “Guerreiros”, o defesa consagrar-se-ia como um dos bons elementos a actuar nos principais palcos do futebol nacional.
Já ultrapassados os 30 anos de idade, o Beira-Mar surgiria na sua caminhada como a derradeira experiência do atleta no patamar maior. Apesar de modesta a temporada de entrada no Estádio Mário Duarte, a campanha seguinte, a de 1992/93, mostraria Vítor Duarte como um elemento fulcral no alinhamento inicial do emblema auri-negro e, nesse sentido, na plenitude das suas capacidades competitivas. Por essa razão, avaliado como uma figura preponderante na manobra táctica, a surpresa chegaria com o fim da ligação à colectividade aveirense. Seguir-se-ia o regresso às margens do Mondego e as temporadas passadas ao serviço da Académica e da União de Coimbra.
Num trajecto cujas 8 temporadas a actuar no escalão máximo serviriam para demonstrar a qualidade das exibições do defesa-central, o fim da carreira de Vítor Duarte enquanto futebolista, chegaria com o termo da temporada de 1996/97 e após um ano em que envergaria as divisas do Lousanense.

1278 - JOANITO

Com o percurso formativo todo cumprido com as cores da AD Estação, os bons desempenhos ao serviço da popular agremiação fundada na cidade da Covilhã, levariam João Manuel Matos Sousa, conhecido no “universo da bola” como Joanito, a ser introduzido aos trabalhos das jovens equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado no conjunto de “iniciados”, seria a 06 de Maio de 1981 que entraria em campo frente à França e, desse modo, acrescentaria 1 internacionalização aos passos iniciais da sua carreira.
Ao contrário de muitos atletas que, por conta da falta de oportunidades, vêem na chegada a sénior um passo atrás na sua evolução, a transição de Joanito corresponderia a um salto deveras qualitativo. Após dar sinais promissores durante os anos de formação, o defesa seria contratado pelo Sporting da Covilhã e acabaria incluído no plantel de 1984/85 que, entre outros elementos, contava também com dois nomes que viriam a tornar-se míticos no futebol luso: os avançados César Brito e Rui Barros.
Com o comando técnico dos “Serranos” entregue às ordens do treinador Vieira Nunes, a qualidade patente nas exibições de Joanito, apesar da sua juventude, rapidamente permitiria ao atleta agarrar um lugar de destaque no “onze” do Sporting da Covilhã. Como um dos nomes a amealhar mais presenças no alinhamento inicial da equipa, o defesa, no decorrer dessa primeira época como sénior, tornar-se-ia num pilar do regresso do emblema beirão ao escalão máximo.
Com a referida promoção, a temporada de 1985/86 transformar-se-ia na sua campanha de estreia na 1ª divisão. Ao conservar a importância no desenho táctico, a solidez oferecida por si ao sector mais recuado dos “Leões da Serra”, não seria suficiente para evitar a descida do colectivo covilhanense. Curta a passagem pelo escalão secundário, pois a época de 1987/88 revelaria, mais uma vez, o emblema com casa no Estádio Municipal José dos Santos Pinto como um dos emblemas arrolados à disputa do patamar maior do futebol luso. Infelizmente para Joanito, o último lugar na tabela classificativa dessa edição do Campeonato Nacional, não deixaria outra alternativa para além de nova despromoção. Ainda assim e apesar de reconhecida a sua qualidade como capaz de pelejar em desafios primodivisionários, o defesa acompanharia a equipa no regresso aos degraus inferiores.
Mesmo com a carreira intimamente ligada ao Sporting da Covilhã, Joanito, enquanto sénior, acabaria também por vestir as cores de outras duas históricas colectividades. Porém, ao apostar na União de Leiria e depois na Académica de Coimbra, respectivamente nas campanhas de 1989/90 e 1990/91, o defesa, em ambas as experiências, veria gorada a oportunidade de retornar ao convívio dos “grandes”. Aliás, a 1ª divisão nunca mais voltaria ao percurso profissional do jogador. Regressaria, isso sim, aos “Leões da Serra” e de 1991/92 em diante, independentemente dos resultados obtidos pelo colectivo, o atleta conservar-se-ia fiel ao listado verde e branco.
“Penduradas as chuteiras” no final de 1999/00, ano em que partilharia as funções de jogador com as de treinador, a união de Joanito com o Sporting da Covilhã manter-se-ia. Sendo um nome histórico do clube, o qual chegaria a capitanear, o antigo defesa abraçaria as tarefas de adjunto e durante quase década e meia passaria a fazer parte dos quadros técnicos dos “Serranos”.

1238 - APARÍCIO

Ao acompanhar, ainda em criança, a mudança dos pais para França, seria em emblemas gauleses que António Aparício daria continuidade à paixão pelo futebol. Após encetar o trajecto como praticante sénior, o seu currículo, durante várias temporadas, alimentar-se-ia das experiências vividas em diversas colectividades do país de acolhimento. Já com 25 anos de idade, depois de descoberto pelos responsáveis do Vitória Futebol Clube, regressaria a Portugal e, para a temporada de 1984/85, acabaria apresentado como um dos reforços do plantel “sadino”.
Sem ser um intérprete de predicados técnicos exuberantes, Aparício apresentar-se-ia como um atleta sagaz, com a capacidade de estar presente no lugar certo, no momento exacto. Esse atributo, aprimorado pelos anos trazidos das ligas gaulesas, afeririam o avançado como um elemento de grande utilidade ao grupo sediado no Estádio do Bonfim. Mesmo tendo em conta a sua competência, a verdade é que o avançado, durante a campanha de chegada a Setúbal, não conseguiria convencer o treinador Manuel de Oliveira a institui-lo como um dos habituais titulares. Ainda assim, a sua qualidade jamais seria posta em causa. Após duas campanhas um pouco discretas, as épocas seguintes fariam emergir números bem mais faustosos e as suas exibições transformá-lo-iam num dos futebolistas mais relevantes do Vitória.
A importância conquistada no clube, teria como reflexo a chegada do avançado aos trabalhos das equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com um trajecto durante o qual inscreveria partidas feitas pelos sub-21 e pelo conjunto olímpico, Aparício também teria a oportunidade de envergar a principal “camisola das quinas”. Chamado por Juca à Fase de Qualificação para o Euro 88, o jogador seria escolhido para disputar a partida forasteira frente a Malta. Com a peleja agendada para o Ta'qali National Stadium, a 20 de Dezembro de 1987, o atacante, na condição de suplente, entraria no decorrer do jogo. Contribuiria para a vitória por uma bola a zero e, desse modo, acrescentaria ao seu currículo 1 internacionalização “A”.
Após meia-dúzia de temporadas ao serviço do Vitória Futebol Clube, a sua ligação com a colectividade da margem norte do Rio Sado, na condição de futebolista, chegaria ao fim. Ainda na disputa da 1ª divisão, na temporada de 1990/91, seguir-se-ia a passagem pelo Sporting de Braga. A experiência no Minho marcaria, para o avançado, o final da caminhada primodivisionária. Depois, já na derradeira fase da carreira, os patamares secundários chegariam para preencher o seu quotidiano competitivo. Nacional da Madeira, Montijo, Leixões, Seixal e o Clube Recreativo “O Grandolense” acabariam por plenificar essa última etapa.
Perto de completar 39 anos de idade, decidiria “pendurar as chuteiras”, sem, contudo, deixar a modalidade. A ligação de Aparício ao “jogo da bola” conheceria ainda outros capítulos. Ao ter o primeiro teste como técnico aquando da passagem pela agremiação de Grândola, uns bons anos mais tarde aceitaria o convite para orientar os juniores do Vitória. Noutros papéis, destaque também para o cargo de director “sadino” ou ainda para o papel desempenhado na Associação Nacional de Treinadores de Futebol.

1143 - BETO VIDIGAL

Sendo o mais velho dos irmãos futebolistas da família Vidigal, Beto, entraria para “O Elvas” ainda em idade de formação. Na temporada de 1982/83 surgiria a oportunidade para estrear-se no conjunto principal do emblema alentejano. Depois de 2 primeiras campanhas em que a habitual adaptação a um contexto competitivo mais exigente levá-lo-ia a ficar na sombra de colegas mais experientes, as suas capacidades haveriam de pô-lo em plano de destaque. Nesse sentido em muito contribuiriam as aptidões técnicas, visão de jogo e forte componente física. Aliás, dir-se-ia de si ser o mais habilidoso do “clã” e até o irmão Toni haveria de concordar com tal avaliação – “Era craque. Nos tempos de hoje, estava no Sporting, Benfica ou FC Porto e jogava de caras. Era muito bom”*.
Como um dos elementos em destaque no conjunto elvense, Beto Vidigal tornar-se-ia num dos pilares do regresso da equipa ao patamar maior do futebol português. Depois de ajudar à promoção, a época de 1986/87 tornar-se-ia na da sua estreia na 1ª divisão. No convívio com os “grandes”, manter-se-ia como um elemento relevante nas manobras tácticas do treinador Carlos Cardoso e, com a saída deste, de António Medeiros. Um dos factores para tal, seria a sua inteligência, permitindo-lhe actuar em diferentes posições dentro do terreno de jogo. Fosse no meio-campo ou em funções com pendor mais atacante, fosse descaído para a esquerda ou em lugares mais centrais, a verdade é que as suas exibições raramente seriam alvo de aferições negativas.
Com o alargamento a 20 equipas, o “O Elvas”, apesar do 16º posto na tabela classificativa, conseguiria prolongar a estadia na 1ª divisão por mais uma temporada. No plantel manter-se-ia Beto Vidigal e sempre merecedor de rasgados elogios. Contudo, a campanha de 1987/88 tornar-se-ia na última do atleta no escalão máximo. A mudança para o Louletano encetaria uma caminhada que perpetuaria a sua carreira pelos escalões secundários. Mesmo ao conseguir exibições de bom nível, a verdade é que o jogador não voltaria aos escaparates principais. Seguir-se-ia, na recém-criada divisão de honra, a passagem pela União de Leiria. Depois viria um curto regresso ao “O Elvas”, a Naval 1º de Maio, o Vila Real e, como derradeira etapa na sua caminhada competitiva, o envergar de novo da camisola azul e oiro.
Numa carreira de futebolista sénior que atingiria as duas décadas de duração, as 13 campanhas disputadas com o “O Elvas” fariam dele um dos históricos do emblema alentejano. A sua ligação manter-se-ia depois de deixar os campos. Como treinador, tendo chegado a adjunto da equipa principal, Beto Vidigal fortaleceria, ainda mais, a sua ligação com a equipa fronteiriça.

*retirado da entrevista conduzida por Romilson Teixeira e publicada em https://davidjosepereira.blogspot.com, a 28/03/2021

1105 - MÁRIO JORGE

Produto das “escolas” leoninas, Mário Jorge cedo conseguiria destacar-se pelo apurado sentido técnico, rapidez de execução e entendimento táctico de todo o jogo. Ao ser visto como um dos elementos com maior potencial nos patamares de formação “verde e branco”, a sua convocação aos seniores, numa altura em que ainda tinha idade de júnior, serviria também para demonstrar toda a crença que nele estava depositada. Com a primeira chamada a acontecer na temporada de 1979/80, a estreia permitiria ao jovem praticante somar ao seu currículo a vitória no Campeonato Nacional.
Ainda que na época seguinte continuasse a ser visto como um elemento de segunda linha, daí em diante a sua presença no “onze” inicial tornar-se-ia numa constante. Atleta canhoto, a excelsa aptidão para a modalidade rapidamente destacaria o jovem atleta como um intérprete capaz de desempenhar vários papéis. Tendo crescido como extremo-esquerdo, o primeiro treinador a fazer uso da sua polivalência seria o inglês Malcolm Allisson. No entanto, ao alinhar na defesa, Mário Jorge, ainda que sem jogar mal, nunca atingiria os mesmos níveis exibicionais. Mais tarde, já com Manuel José aos comandos do “Leão”, passaria para o meio-campo. Nessas funções, ao conseguir compilar tudo o que de melhor tinha aprendido nas diferentes posições de campo experimentadas por si, esgrimiria os mais bem conseguidos desempenhos pessoais e, provavelmente, acabaria por viver os melhores anos da carreira.
Seria também por essa altura que a selecção voltaria ao seu percurso. Com a única presença na principal “equipa das quinas” a remontar a 8 de Junho de 1983, esse regresso acabaria por sublinhar a ideia de justiça feita aos seus desempenhos. Depois da passagem por vários escalões de formação e de, inclusive, ter sido chamado ao Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1980 e de ter participado na edição de 1981 do Torneio de Toulon, o interregno de mais de 2 anos com as cores portuguesas conheceria o seu fim no derradeiro jogo de qualificação para o Mundial de 1986. Numa partida de boa memória, em que Portugal carimbaria o passaporte para a fase final do certame com a vitória na República Federal Alemã, Mário Jorge seria uma dos nomes arrolados por José Torres para entrar de início na fria noite de Estugarda. Após esse momento inolvidável, o jogador ainda participaria em alguns “amigáveis” de preparação para o Campeonato do Mundo. Mesmo sem ter sido incluído na lista de futebolistas a viajar para o México, as exibições conseguidas durante os referidos jogos mantê-lo-iam no conjunto de seleccionáveis. No rescaldo do “caso Saltillo”, o médio sublinharia ainda mais o seu estatuto, somando outras 5 partidas com a camisola do nosso país e atingindo as 9 internacionalizações.
No Sporting, o final dos anos 80 significariam para Mário Jorge a perda de alguma preponderância nas manobras leoninas. Após um período menos conseguido, durante o qual ainda passaria por um empréstimo ao Beira-Mar, o atleta, em 1991, tomaria a decisão de sair de Alvalade. Após 17 anos de “verde e branco”, em que as 11 temporadas no plantel sénior trariam ao seu palmarés 2 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças, o jogador passaria a vestir as cores do Estrela da Amadora para, alguns anos mais tarde, terminar a carreira ao serviço do Estoril Praia.
Já em 2018, depois de uma curiosa experiência como co-fundador e director-desportivo do conjunto cabo-verdiano Grupo Desportivo Oásis, Sousa Cintra acabaria por apadrinhar o seu regresso ao Sporting, convidando o antigo atleta para desempenhar funções como director-geral da Academia de Alcochete.

1103 - FORBS

Ao exibir-se nas camadas de formação do Ténis Clube de Bissau como um atleta veloz e dotado de uma boa técnica, Forbs rapidamente mostraria estar talhado para tarefas de maior monta. Nesse sentido, a sua transferência para a equipa principal da União de Bissau, daria ao jovem praticante a visibilidade necessária para sonhar com contextos competitivos bem mais ambiciosos. Pouco tempo depois da sua estreia como sénior e ainda sem clubes de grande calibre no seu encalço, a oportunidade para dar outro salto emergiria de um convite nascido na 3ª divisão portuguesa. Porém, o Bombarralense depressa revelaria ser modesto demais para a qualidade do avançado. Pequeno tornar-se-ia também o 2º escalão e o Peniche. Surgiria o Sporting e a estreia, 2 anos após a sua chegada a Portugal, no mais importante patamar do futebol luso.
Apesar dos inegáveis atributos, a sua integração no plantel leonino de 1984/85 cobrir-se-ia de grandes dificuldades. Sem surpresa, a presença de atletas como Jordão, Manuel Fernandes, Saucedo ou Eldon, acabariam por dificultar a vida do atacante. Com poucos jogos disputados nas 2 primeiras campanhas de “verde e branco”, a solução para o crescimento de Forbs seria encontrada na cedência dos seus préstimos a outro emblema. A passagem por Portimão, sem retirar o atleta do escalão máximo, entregá-lo-ia a temporadas de grande valor. Ao sublinhar-se como um dos elementos de maior destaque no conjunto algarvio, o avançado tornar-se-ia determinante nos desempenhos colectivos. Essa afirmação pessoal levá-lo-ia a carimbar o regresso a Lisboa e ao contrário do que tinha acontecido anteriormente, o avançado conseguiria jogar com bastante regularidade. No entanto, a qualidade das suas exibições acabariam por não agradar a todos e no final da época de retorno à “casa-mãe”, a sua dispensa empurrá-lo-ia, em definitivo, para fora do Sporting.
O ingresso no Boavista na temporada de 1989/90 serviria de ponte para a entrada no emblema que viria a tornar-se no mais representativo da sua carreira. Nos 5 anos ao serviço do Sporting de Braga, o atleta prosseguiria o seu trajecto como um futebolista de boas características. Não sendo um avançado muito prolífero em termos de golos, o entendimento que tinha do jogo assegurá-lo-ia como um elemento de grande aptidão no desenho dos movimentos atacantes. A competência revelada no municiamento dos colegas do sector ofensivo, serviria também para alimentar a sua importância. Mesmo com a passagem de vários treinadores pelo comando técnico da equipa minhota, Forbs manter-se-ia como uma das peças mais preponderantes do plantel “arsenalista”. Para consolidar tal valor, os números revelados durante a sua caminhada desportiva, serviriam para desmentir qualquer classificação medíocre. Com 11 épocas cumpridas na 1ª divisão, 260 partidas disputadas e mais de meia centena de remates certeiros no patamar máximo do Campeonato Nacional, o avançado ficaria para a história do desporto luso como um elemento valioso.
 Após deixar o Minho e antes de pôr termo à caminhada competitiva, Forbs teria ainda tempo para cumprir mais algumas temporadas. Penafiel e Tirsense, já longe dos principais palcos, serviriam as 3 últimas campanhas da sua carreira e precederiam a sua retirada em 1998.

1084 - HERNÂNI

Já a trabalhar com os seniores desde a temporada anterior, Hernâni estrear-se-ia pela equipa principal do Vitória Futebol Clube na campanha de 1982/83. Porém, mesmo visto como um jovem de imenso potencial, o médio, nos anos seguintes, não jogaria com regularidade. Depois de 3 épocas em que poucas vezes apareceria inscrito na ficha de jogo, o empréstimo ao Farense dar-lhe-ia a oportunidade para desenvolver as suas qualidades. A passagem pelo Algarve teria bons resultados e, no regresso ao Estádio do Bonfim, o atleta apresentar-se-ia com uma força bem diferente.
De volta ao plantel sadino na temporada de 1986/87, o “trinco” depressa assumiria uma posição preponderante nas manobras da equipa. Na sequência do seu papel como titular, também os responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol haveriam de ver em Hernâni um elemento de valor. Chamado a jogo por Juca, a sua estreia com a camisola da principal da selecção portuguesa aconteceria em Dezembro de 1987, numa partida da fase de qualificação para o Euro 88. Alguns meses após essa internacionalização, o médio daria outro passo importante na carreira e, resultado do crescimento demonstrado, o Benfica decidir-se-ia pela sua contratação.
O período passado com os “Encarnados” até começaria de feição. A jogar com satisfatória frequência, o término da 2ª temporada na “Luz” traria um dos momentos mais altos ao seu trajecto desportivo. Com o Benfica a trilhar uma caminhada irrepreensível na Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1989/90, a presença do emblema português na final, revelaria Hernâni no alinhamento inicial. Na partida disputada em Viena frente ao AC Milan, as “Águias” acabariam por perder o jogo. Ainda assim, mesmo a contar com a derrota na Áustria, os 6 anos ao serviço do emblema lisboeta trariam outros troféus ao palmarés do atleta e as vitórias em 3 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal serviriam para elevar o currículo do médio.
Apesar de reconhecidas as suas qualidades e de surgir sempre em campo como alguém de grande bravura, a verdade é que a passagem de Hernâni pelo Benfica ficaria aquém das expectativas. Muito assolado por lesões, o jogador, nas 4 últimas temporadas de “Águia” ao peito quase não entraria em campo. Mas nisso de maus momentos, o médio passaria também por outro episódio bem negativo. Ainda na temporada de estreia na “Luz”, o atleta acusaria positivo num controlo antidoping e após serem descobertos vestígios de cocaína nas análises à urina, o jogador seria castigado com 3 meses de suspensão.
Depois de deixar o Benfica em 1994, o regresso ao Vitória Futebol Clube e uma posterior experiência no Desportivo de Beja, marcariam a última fase da sua carreira. Para ser rigoroso, o ano de 1997 assinalaria, não o fim da sua passagem pelo desporto, mas a mudança do “futebol de 11” para o futebol de praia. Já na areia, Hernâni tornar-se-ia num dos grandes dinamizadores da emergente modalidade. Ao vestir, a nível das competições de clubes, as camisolas do Benfica e dos italianos do Cavalieri del Mare, seriam, no entanto, as cores de Portugal que elevariam o “fixo” à condição de estrela. Pela selecção, muitas vezes com a braçadeira de “capitão”, ajudaria a conquistar vários títulos internacionais. Claro que o destaque terá que ser dado ao Mundial de 2001. No certame disputado no Brasil, para além de ter ajudado à vitória colectiva, Hernâni haveria de ser eleito como o Melhor Jogador do torneio. Ainda com as insígnias lusas, venceria também 3 Ligas Europeias, 6 Taças da Europa, 1 Copa Latina e 2 Mundialitos.
No final da primeira década do novo milénio, Hernâni afastar-se-ia da vida de praticante. A partir de 2010, já a cumprir funções técnicas e de regresso à variante disputada nos relvados, passaria pelo Vitória Futebol Clube e, posteriormente, pelo Farense.

1026 - LUÍS CASTRO

Apesar de ter nascido em Trás-Os-Montes, seria na Região Centro que Luís Castro acabaria por crescer. Filho de uma professora e de um militar colocado na Base Aérea do Monte Real, o Distrito de Leiria serviria para o lançamento do seu percurso no desporto. Nesse sentido, e ainda como um jovem praticante, a União tomaria um papel de relevo nessa caminhada. No clube da “Cidade do Lis”, o defesa cumpriria grande parte da marcha formativa. Já na temporada de 1980/81, surgiria a chance de entrar em campo pela equipa principal. A disputar a 2ª divisão, poucas oportunidades conseguiria alcançar nessa campanha de estreia. A escassez de jogos levá-lo-ia a um empréstimo àquele que, nas “escolas”, tinha sido o seu primeiro emblema. No Vieirense ganharia o traquejo suficiente para garantir o regresso à “casa mãe”, o que viria a acontecer logo no ano seguinte ao da sua partida.
Tendo o União de Leiria deixado uma grande marca na sua carreira, seria por outro emblema que o defesa-direito conseguiria estrear-se no escalão máximo. Após uma época de bom nível com as cores leirienses, os responsáveis do Vitória de Guimarães decidir-se-iam pela sua contratação. Porém, e com Costeado a tapar-lhe os caminhos da titularidade, Luís Castro acabaria por não conseguir impor-se nessa temporada de 1985/86 e, menos ainda, na seguinte. Curiosamente, dando jus ao perfil de líder que desde cedo assumiria, o lateral asseguraria um papel relevante na equipa secundária – “Com 21 anos já era capitão do União de Leiria. Em Guimarães, como não jogava, era capitão das reservas. Depois fui para Elvas e fui capitão do Elvas na 1ª Liga”*.
Como é óbvio, o emblema seguinte na caminhada de Luís Castro seria o “O Elvas”. A temporada de estreia no Alentejo, e posso afirmá-lo com toda a certeza, tornar-se-ia na melhor da sua carreira. Com a transferência a mantê-lo na 1ª divisão, o jogador, finalmente, haveria de conseguir a titularidade. Conservaria o estatuto na época seguinte, mesmo com a despromoção vivida no final de 1987/88. Contudo, a descida marcaria o fim de um ciclo e o defesa nunca mais disputaria o patamar máximo. Seguir-se-iam o Fafe e o RD Águeda. No Baixo Vouga, e apesar da colectividade nunca ter saído dos escalões secundários, a sua passagem pela agremiação marcá-lo-ia. Muito mais do que os 7 anos com as cores aguedenses, seria aí que teria o ensejo de mudar de papel no futebol.
Após um pequeno ensaio, ainda enquanto futebolista sénior, nas camadas jovens do clube, seria na temporada de 1998/99 que assumiria o comando do plantel principal do RD Águeda. Como treinador, e com um percurso feito em emblemas mais modestos, o Penafiel, em 2004, devolvê-lo-ia à 1ª divisão. Ainda assim, seria o convite do FC Porto que cimentaria a sua cotação em papéis técnicos. Como coordenador da formação, mas principalmente à frente da equipa “b”, o antigo lateral passaria a ser visto como um homem de ideias válidas. A robustez do seu trabalho levá-lo-ia, ao substituir o demitido Paulo Fonseca, ao conjunto principal “Azul e Branco”. A experiência seria de curta duração. No entanto, e de volta à labuta habitual, o seu conhecimento sairia justamente premiado. Em 2015/16, sempre a trabalhar com os “bb”, Luís Castro sagrar-se-ia campeão da II Liga.
O Rio Ave, para a temporada de 2016/17, seria o emblema a assumi-lo em definitivo como um técnico de nível primodivisionário. Nessa nova etapa, e sempre assente em prestações valorosas, a sua ascensão levá-lo-ia também ao Desportivo de Chaves. Já em Guimarães, o trabalho feito à frente do Vitória destacá-lo-ia como um dos melhores em Portugal. Tendo qualificado a equipa para as provas europeias, a cotação alcançada durante a campanha de 2018/19 faria com que alguns dos bons emblemas europeus começassem a equacionar a sua contratação. O convite surgiria do Shakhtar Donetsk. Curiosamente, a sua chegada ao clube ucraniano seria, mais uma vez, para substituir Paulo Fonseca.

*retirado da entrevista conduzida por Mariana Cabral e Rui Duarte Silva, publicada a 26/07/2017, em https://tribunaexpresso.pt

906 - CHIQUINHO CARLOS

Após conseguir destacar-se no Botafogo de Ribeirão Preto, os “gigantes” do futebol brasileiro começaram a ir no seu encalço. Numa corrida em que também participariam Corinthians e Santos, seria a proposta de um clube do Rio de Janeiro que atrairia o atleta. Com o acordo consumado, seria no Flamengo que, no meio de um plantel recheado de craques, Chiquinho Carlos continuaria a mostrar o porquê da sua aquisição. Nem as estrelas Zico e Sócrates, nem os emergentes Mozer e Bebeto teriam força suficiente para intimidar o jovem atacante. No emblema “carioca”, pelo qual jogaria um par de temporadas, as suas exibições e golos acabariam por empurrá-lo para outros voos. Como sequência lógica, a Europa entraria no seu percurso e essa viagem mudaria o correr da sua vida.
Seria o Benfica o emblema a recebê-lo no “Velho Continente”. Com as “Águias” a atravessar uma fase muito positiva, logo nessa temporada de 1986/87 Chiquinho começaria por adicionar importantes títulos ao currículo. Como um elemento bastante utilizado pelo inglês John Mortimore, o atacante teria um papel importante na conquista do Campeonato Nacional e da Taça de Portugal. Também o ano seguinte seria, no campo desportivo, de grande satisfação para o avançado. Mesmo sem conseguir amealhar qualquer título, a brilhante caminhada dos “Encarnados” nas competições internacionais levá-lo-ia a estar presente num dos momentos mais importantes de toda a época. Depois de ter sido utilizado na grande maioria dos embates e, inclusive, ter marcado um golo numa das partidas dos quartos-de-final, o atacante seria escolhido para entrar de início na derradeira partida da competição. Infelizmente para o clube português, a “lotaria dos penalties” não correria de feição e a Taça dos Clubes Campeões Europeus seria ganha pelo PSV Eindhoven.
Surpreendentemente, a sua ligação ao Benfica terminaria no Verão de 1988. Mesmo assim, Chiquinho Carlos haveria de mostrar que ainda tinha muito a dar ao futebol português. Nas 7 temporadas seguintes, continuaria a prová-lo na 1ª divisão. No Vitória de Guimarães, Sporting de Braga e ainda no Vitória de Setúbal manter-se-ia como um elemento preponderante. Destaque para a sua passagem pela “Cidade Berço”, onde contribuiria para a vitória na Supertaça de 1988/89.
Já após ter passado a barreira dos 30 anos de idade, pode dizer-se que Chiquinho Carlos entra na última fase da carreira. Contudo, e mesmo afastado das principais competições nacionais, não é possível afirmar que esse capítulo tenha sido desinteressante. Muito pelo contrário, é a partir da temporada de 1995/96 que o seu percurso profissional começa a alimentar uma das curiosidades do mesmo. Tendo assinado contrato pelo Académico de Viseu, a mudança para a Beira Alta seria o primeiro passo para a sua “longevidade”. Seguir-se-iam o Atlético e o Mafra. No emblema saloio, com o terminar da campanha de 2000/01, o fim do seu trajecto como futebolista parecia adivinhar-se. Mais um engano. É então que o avançado decide dedicar-se à prática amadora e passa a defender as cores do Igreja Nova. A disputar os “regionais” de Lisboa, o atleta ainda consegue mais um par de surpresas. Primeiro passa a conciliar a vida de técnico no Mafra, com a do jogador dos “distritais”. Depois, provando que a sua habilidade dava para tudo, passa das zonas mais ofensivas do terreno de jogo para, como líbero, evitar os golos adversários.
Já em 2007, com 44 anos de idade, Chiquinho Carlos decide ser a hora certa para “pendurar as chuteiras”. Desde então, seria às funções de técnico que o antigo craque passaria a dedicar-se em exclusivo. No Mafra, onde já orientou os guarda-redes e até foi treinador principal, é agora (2018/19) um dos adjuntos de Filipe Martins.

811 - NIVALDO

Saído das “escolas” do Londrina, Nivaldo rapidamente conseguiria destacar-se como uma das grandes promessas do clube. Nesse seu primeiro ano como sénior, ainda sem a importância que viria a merecer nos anos vindouros, o avançado faria parte do grupo de trabalho que, no final da edição de 1977 do “Brasileirão”, conseguiria alcançar a 4ª posição da referida competição.
O feito conseguido pela equipa do Paraná, faria com que todas as atenções se virassem para os seus atletas. Nesse sentido, Nivaldo continuaria a mostrar as suas qualidades no ataque às áreas adversárias. Logo no ano seguinte ao da sua estreia, com a frequência das suas chamadas a jogo a crescer, torna-se num dos elementos de maior preponderância no esquema táctico da colectividade. Esse estatuto manter-se-ia ao longo das temporadas vindouras. Nem a rápida passagem do seu clube pelo 2º escalão brasileiro afectaria as suas capacidades. Se dúvidas houvesse acerca de tal assunto, então o Campeonato Estadual viria a dissipá-las. Tendo nesse mesmo ano conseguido regressar ao convívio dos “grandes”, o Londrina, com o ponta-de-lança em destaque, alcançaria também o título de campeão paranaense de 1981.
Já depois da sua mudança para o São Bento de Sorocaba, onde jogaria durante as próximas 4 temporadas, o valor de Nivaldo, em consonância com aquilo que eram as suas belas exibições, subiria exponencialmente. Já com o Santos no seu encalço, surge então uma proposta vinda da Europa. Nessa corrida, o contrato oferecido pelo Vitória de Guimarães acabaria por ser mais vantajoso para o atleta. Preferindo o emblema minhoto em detrimento do lendário clube do astro Pelé, o atacante deixa o “Paulistão” e segue em direcção a Portugal.
Apesar de ser uma escolha pessoal de Paulo Autuori, à altura o treinador-adjunto de Marinho Peres nos vimaranenses, a verdade é que a adaptação do avançado a um universo futebolístico diferente acabaria por não trazer os frutos esperados. Tendo chegado com o rótulo de craque, Nivaldo não conseguiria um rendimento condizente com a sua fama. Preterido por outros colegas da mesma posição, como é exemplo Paulinho Cascavel, a época de 1986/87 transformar-se-ia numa campanha bem discreta para o ponta-de-lança.
No rescaldo desse seu primeiro campeonato em Portugal, Nivaldo acabaria por ser incluído na lista de dispensáveis do Vitória de Guimarães. Posto de parte pelos novos responsáveis técnicos, a solução encontrada para o atleta seria a sua saída para o Varzim. Mantendo-se a disputar o patamar máximo do nosso futebol, o jogador passaria a ser uma das referências do sector mais ofensivo dos da Póvoa. Mesmo não tendo conseguido evitar a despromoção da sua equipa, o avançado manter-se-ia no clube. Já na 2ª divisão nacional, disputaria mais duas temporadas com os “Lobos do Mar”, para, na época de 1990/91, fazer a sua derradeira temporada no nosso país.
Depois dessa passagem pelo União de Leiria, Nivaldo decidiria regressar ao Brasil. Tendo já ultrapassado a barreira dos 30 anos de idade, o avançado fixar-se-ia no Estado de Santa Catarina e acabaria por vestir as camisolas dos dois emblemas mais representativos da cidade de Florianópolis, o Avaí e o Figueirense.

805 - SILVINO

Nascido na cidade de Setúbal, foi no Vitória local que Silvino deu os primeiros passos. Todavia, e ao contrário de que possam pensar, foi o andebol que apaixonou o jovem desportista! O futebol, a modalidade em que construiria a sua carreira, viria apenas mais tarde.
Apesar desta história curiosa, foi mesmo no “jogo da bola” que Silvino viria a merecer grande destaque. Igualmente produto das “escolas” sadinas, desde muito cedo que conseguiria destacar-se na defesa das balizas do clube. Seria também ao serviço do Vitória de Setúbal que faria a transição para o patamar sénior. A esse nível e apesar de já trabalhar com o plantel há alguns anos, a sua estreia em alta competição, acabaria por acontecer apenas na temporada de 1978/79. Os resultados seriam excelentes e, logo nessa mesma época, o guardião acabaria por ser convocado para os trabalhos da equipa portuguesa s-21.
Mesmo com um começo auspicioso, a verdade é que a experiência de Jorge Amaral, seu colega de balneário, acabaria por destroná-lo da titularidade. Esse facto haveria de pesar na sua decisão de mudar de clube e, para a temporada de 1982/83, o atleta passa a apresentar-se com as cores do Vitória de Guimarães. Já no Minho, onde trabalharia sob a alçada de Manuel José e Hermann Stessl, Silvino voltaria a afirmar-se como uma das grandes esperanças do futebol português. O seu potencial, logo na época da chegada, ficaria sublinhado com a convocatória para a principal selecção nacional e a estreia num particular frente à Hungria.
É já com o estatuto de internacional que Silvino é transferido para o Benfica. Passadas 2 épocas após a sua chegada a Guimarães, o emblema da “Luz”, com o intuito de ir preparando a sucessão de Manuel Bento, decide apostar na sua contratação. Com tal lenda na baliza das “Águias”, a conquista de um lugar no “onze” foi sendo adiada. Sem grandes oportunidades, o jogador acabaria por ser cedido. Contudo, e no fim desse empréstimo ao Desportivo das Aves, o lugar finalmente seria seu.
No rescaldo do Mundial de 1986, onde Bento sofreria uma grave lesão, Silvino consegue afirmar-se nos “Encarnados”. Daí em diante, torna-se num dos incontestáveis no alinhamento benfiquista e, mais uma vez, passa a ser um dos nomes presentes nas chamadas à selecção. No clube, os títulos começam a suceder-se e a disputa das competições europeias permitem a sua presença em 2 finais da Taça dos Campeões Europeus (1988; 1990). No cômputo dessas 9 campanhas pelas “Águias”, o resultado para o seu palmarés seriam a conquista de 4 Campeonatos Nacionais, 2 Taças de Portugal e 1 Supertaça.
Mesmo sendo um dos elementos mais importantes no plantel, o regresso de Neno em 1990, leva a que a sua hegemonia comece a ser disputada. Alternando a titularidade com o seu colega de equipa, só a chegada do treinador Artur Jorge e a contratação de Michel Preud’Homme põe um ponto final na ligação entre o Benfica e Silvino. Ainda assim, a sua carreira estava longe de terminar e, com 35 anos de idade, volta a assinar contrato pelo Vitória de Setúbal. Todavia, esse regresso à cidade do Sado, serviria apenas de ponte para o seu ingresso noutro dos “3 grandes”. O FC Porto, a partir da época de 1995/96, transformar-se-ia na sua nova casa. O melhor, no entanto, estava ainda para vir. Após vencer mais 2 Campeonatos e 1 Supertaça pelos “Azuis e Brancos”, a sua transferência para o Salgueiros permitir-lhe-ia novas chamadas à “Equipa das Quinas”. Resultado de uma série de lesões, Silvino, ironicamente, é chamado pelo treinador que o havia dispensado do Benfica. Ora, é sob a orientação de Artur Jorge que o guardião participa em 2 partidas da fase de qualificação para o Mundial de 1998, tornando-se no segundo atleta do emblema de Paranhos a envergar as "quinas".
Já depois de em Vidal Pinheiro ter “pendurado as luvas”, a sua ligação ao futebol manter-se-ia. Como treinador de guarda-redes começaria a trabalhar, em simultâneo, com a Federação Portuguesa de Futebol e no FC Porto. Com a chegada de José Mourinho aos “Dragões”, Silvino tornar-se-ia num dos seus fiéis escudeiros. Acompanhando o técnico português, o antigo internacional luso tem representado os melhores emblemas mundiais e ajudado a evoluir muitos daqueles que são tidos como os melhores a defender as balizas. Os casos de Petr Cech, Júlio César e Iker Casillas são bem o exemplo do seu excelente trabalho. Hoje em dia (2016/17), e desde o regresso a Inglaterra, Silvino é “Assistent Manager” do “Special One”, no Manchester United.