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1694 - CASSIANO GOUVEIA

Praticante federado de andebol, período durante o qual representaria o Boavista FC e o Oeiras, Cassiano Pedro Alonso Gouveia, anos mais tarde, teria noutra modalidade a oportunidade de brilhar grandemente no universo do desporto.
Formado academicamente pelo Instituto Nacional de Educação Física, seria no Sport Clube Leiria e Marrazes que começaria a ganhar fama de bom treinador de futebol. Tendo passado pelas “escolas” do clube, onde, em juvenis e juniores, conseguiria encaminhar os grupos sob a sua alçada técnica até às vitórias nos respectivos campeonatos distritais, a temporada de 1976/77, ainda ao serviço da mesma colectividade, marcaria uma das suas chegadas às pelejas seniores. Nas rondas agendadas para a 3ª divisão, num plantel que contava, a exemplo, com Fernando Paixão, atleta que viria a ter experiência primodivisionária, o trabalho efectuado por Cassiano Gouveia seria de excelência e daria à agremiação da Beira Litoral o direito à subida de patamar.
Já com o currículo recheado pela promoção do Leiria e Marrazes ao Campeonato Nacional da 2ª divisão, Cassiano Gouveia, para a temporada de 1977/78 acabaria apresentado como o responsável pela equipa de juniores do Sporting Clube de Portugal. Durante as duas campanhas passadas em Alvalade, ajudaria a formar atletas como Alberto, Artur Fonte, Tomás, Rui Águas, Baltasar, Rosado, Rosário, Justino, Crispim, Carlos Xavier, Craveiro ou Mário Jorge. Mesmo sem títulos a colorirem-lhe o palmarés, a verdade é que a sua cotação não desceria e a época de 1979/80 apresentar-lhe-ia um novo desafio.
Com o encetar da última temporada aludida no parágrafo anterior, Cassiano Gouveia, incluído na equipa técnica de Mário Imbelloni, aceitaria o cargo de preparador físico do Vitória Sport Clube. Em Guimarães, apesar de ter começado como um dos adjuntos do referido treinador argentino, o despedimento deste após a 24ª jornada do Campeonato Nacional, levá-lo-ia a anuir ao repto lançado pela direcção dos “Conquistadores” e acabaria por ficar à frente dos destinos do colectivo minhoto.
Na época seguinte, numa dupla com Fernando Peres, ainda voltaria a liderar a agremiação fundada na “Cidade Berço”. Contudo, pouco tempo estaria nessas tarefas e o resto da campanha de 1980/81 cumpri-la-ia com outras cores. A experiência como responsável técnico da equipa principal do Desportivo de Chaves serviria de interlúdio para o seu regresso aos palcos da 1ª divisão, nessa oportunidade ao serviço do Penafiel. No entanto, a época de 1981/82, iniciada no emblema duriense, concluir-se-ia, mais uma vez, nas contendas do escalão secundário e já ao serviço do Recreio de Águeda. Anos mais tarde, ainda regressaria aos desafios futebolísticos e aceitaria comandar a União de Leira de 1986/87 e o Paredes de 1988/89.

PS: sei da passagem de Cassiano Gouveia pelo Grupo Desportivo da Batalha, mas, infelizmente, não consegui aferir o período durante o qual terá ocorrido essa experiência.

1463 - ARTUR

Concluiria a formação no emblema da sua terra natal. Porém, a passagem dos juniores para os seniores não correria como o esperado e as 4 primeiras campanhas após a dita transição passá-las-ia ao serviço das “reservas” do Varzim. Na sequência desse primeiro desaire, seria apenas na temporada de 1971/72 que o defesa-central finalmente conseguiria convencer os responsáveis técnicos do clube. Após um arranque de carreira um pouco “lento”, a verdade é que daí em diante o jogador impor-se-ia como um elemento fulcral no arranjo táctico dos “Lobos-do-mar”. Ainda assim, com o conjunto do listado alvinegro a manter-se apenas pelas lutas dos escalões secundários, seriam precisos mais alguns anos para que Artur Nogueira Ferreira chegasse ao convívio com os “grandes”. Depois de ajudar o Varzim a sagrar-se campeão da edição de 1975/76 do Campeonato Nacional da 2ª divisão, Artur seria desafiado a mudar de clube. Com a entrada no Bessa a acontecer na temporada de 1976/77, numa altura em que já contava 28 anos de idade, o defesa-central depressa começaria a conquistar um lugar de destaque no plantel do Boavista. Orientado por Mário Wilson, logo na época inicial com as “Panteras”, o jogador seria chamado à novidade da disputa da Taça dos Vencedores das Taças. Num crescimento deveras rápido, mas condizente com a regularidade, eficácia e maturidade apresentadas dentro de campo, o atleta, na época seguinte, acabaria puxado para os trabalhos dos conjuntos sob a guarda da Federação Portuguesa de Futebol. A estreia, no âmbito da equipa “B” de Portugal, aconteceria a 8 de Março de 1978, num particular frente à França. Seguir-se-ia, numa altura em que o escalão admitia alguns convocados excepcionalmente fora da idade prevista, um jogo pelos “esperanças”. Por fim, com um novo desafio pelos “BB” lusos, viria a 3ª internacionalização a colorir o seu currículo. No Boavista, já na alçada de Jimmy Hagan, o jogador adicionaria ao palmarés pessoal o primeiro grande título da carreira. Chamado pelo técnico inglês para a final e para a finalíssima da Taça de Portugal de 1978/79, o defesa-central, como um dos titulares indiscutíveis nas “Panteras”, tornar-se-ia num dos elementos fulcrais para a vitória frente ao Sporting. À glória do título ganho, seria também dele o regozijo de, na condição de capitão de equipa, receber o troféu correspondente ao triunfo na “Prova Rainha”. Já na sequência da competição conquistada no Estádio Nacional do Jamor, a colectividade portuense, com Mário Lino como treinador, entraria na disputa da primeira edição da Supertaça. Num “derby” da “Cidade Invicta”, frente ao FC Porto, mais uma vez os “Axadrezados” conseguiriam superiorizar-se ao adversário. Nesse novo sucesso colectivo e depois de ajudar a derrotar os “Azuis e Brancos”, seria novamente de Artur a honra de erguer o “caneco”. Após 7 épocas ao serviço do Boavista, durante as quais conseguiria somar um total de 231 jogos oficiais, o atleta despedir-se-ia das “Panteras” para, nos derradeiros capítulos como futebolista, ainda cumprir um par de temporadas com as cores do Vitória Futebol Clube. Ao “pendurar as chuteiras” com o termo da campanha de 1984/85, o antigo defesa-central passaria a assumir as funções de treinador. Como técnico-principal, numa senda que começaria ao serviço dos alentejanos do Estrela de Portalegre, Artur construiria uma carreira feita essencialmente em colectividades dos escalões secundários. Para além do já referido, ainda guiaria emblemas como o Oriental, “Os Marialvas”, o Recreio de Águeda, AD Guarda, o Sporting de Lamego, o Gondomar ou o Rio Tinto. No entanto, nesse trilho, o destaque iria para o seu regresso ao Bessa, para trabalhar com o plantel de 1990/91.

1338 - QUEIRÓ

Descoberto no Avintes pelo Boavista, António Augusto Alves de Oliveira, popularizado no futebol como Queiró, chegaria ao Bessa na temporada de 1978/79. Apesar de já ter algum traquejo como sénior, a verdade é que o salto do 3º escalão para a divisão maior do futebol português, levaria o atleta a revelar algumas dificuldades na altura de conquistar algum espaço no novo clube. Ainda assim, certos do seu valor, os responsáveis pelas “Panteras Negras” não abdicariam da sua presença no plantel e apesar de pouco utilizado durante as duas primeiras épocas, o jogador conseguiria garantir a continuidade no emblema portuense.
Curiosamente, seria durante as duas temporadas iniciais ao serviço do Boavista que chegariam ao currículo do atleta as principais distinções alcançadas no decorrer da sua carreira. Sob a alçada do inglês Jimmy Hagan, na condição de suplente utilizado, Queiró entraria em campo frente ao Sporting, tanto na final, como na finalíssima da edição de 1978/79 da Taça de Portugal. Depois da vitória na “Prova Rainha”, a campanha seguinte, na disputa da Supertaça, entregaria ao palmarés do jogador mais um troféu. Já orientado o clube “axadrezado” pelo técnico Mário Lino, o jogador, mais uma vez a saltar do banco, daria a sua contribuição na vitória frente ao FC Porto e, dessa maneira, ajudaria a levar o “caneco” para os escaparates do Bessa.
Daí em diante e na grande maioria das campanhas a envergar a camisola do Boavista, Queiró passaria a ser um dos elementos mais utilizados do plantel. Habituado às lides do sector intermediário do terreno de jogo, a mudança para a lateral-direita da defesa daria um novo estímulo à caminhada profissional do jogador. Aferido pelos diferentes treinadores como um intérprete de cariz altruísta e aguerrido, a sua constância exibicional transformá-lo-ia, não só num nome de referência das provas futebolísticas organizadas durante os anos de 1980, mas também numa das figuras míticas da história dos “Axadrezados”.
Durante um longo percurso feito com o Boavista, outro dos grandes prémios de Queiró viria com a braçadeira de capitão. Claro está que, de bastante importância, surgiriam igualmente as lutas do clube pelos lugares cimeiros das provas disputadas. Com o defesa integrado num grupo de trabalho com altas ambições, as prestações colectivas naquele que é o mais importante conjunto de pelejas do calendário luso, levaria o jogador a apresentar-se nas competições continentais. Nesse contexto além-fronteiras, a estreia do atleta surgiria durante a temporada de 1980/81. Com o 4º lugar alcançado no final do Campeonato Nacional do ano anterior, a qualificação para a Taça UEFA levá-lo-ia, nas eliminatórias frente ao Vasas e ao Sochaux, a entrar em campo nas 4 partidas disputadas pelas “Panteras Negras”.
Com o final da carreira a aproximar-se com o término da década de 1980, Queiró, durante a temporada de 1989/90, na disputa da Zona Norte da 2ª divisão, vestiria a camisola do Leixões. Na campanha seguinte à passada no Estádio do Mar, segundo o “site” da Federação Portuguesa de Futebol, o jogador voltaria a ser inscrito pelo Boavista. Aliás, a sua ligação ao clube dar-se-ia também no desempenho de outras funções. Como treinador, o antigo defesa notabilizar-se-ia pelo trabalho feito nas “escolas”. Tendo completado a formação superior na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, o seu lavor à frente das jovens equipas “axadrezadas” resultaria em diversos títulos nacionais.

1181 - JOAQUIM ROCHA

Nascido em Castelo de Paiva, ainda em criança, acompanharia a família na mudança para o Brasil. No novo país, onde os pais passariam a depositar a esperança por uma vida com melhores condições, Joaquim Rocha alimentaria a sua paixão pelo futebol. Superaria, com boa avaliação, os desafios lançados aos diferentes patamares do seu percurso formativo. Já no início da década de 70, fruto das boas qualidades entretanto desenvolvidas, seria no histórico Corinthians que o avançado daria os primeiros passos no patamar sénior. A chegada ao contexto profissional no emblema paulista, levá-lo-ia, não muito tempo depois, a equacionar um convite vindo da Europa. Tido como um elemento que, apesar de não exibir um físico impressionante, era habilidoso com a bola nos pés, seria o repto lançado pelo Sporting a sustentar o seu regresso a Portugal.
Com a entrada em Alvalade a ocorrer na época de 1971/72, Joaquim Rocha integrar-se-ia num balneário que, para só o sector mais ofensivo, contava com Lourenço, Marinho, Dinis, Chico Faria e, principalmente, com o argentino Hector Yazalde. Tão forte concorrência, faria com que, na campanha de chegada e também nos anos vindouros, poucas fossem as oportunidades conquistadas pelo atacante. Mesmo pouco utilizado, a habilidade que demonstrava ditaria, por mais alguns anos, a sua continuidade de “Leão” ao peito. Durante essas 4 temporadas, destaque para a de 1973/74 e para o enriquecimento do seu palmarés, com as vitórias no Campeonato Nacional e na Taça de Portugal.
Seguir-se-ia na sua caminhada competitiva, a Académica de Coimbra. Na “Cidade dos Estudantes”, Joaquim Rocha, finalmente teria a ocasião para provar a qualidade do seu futebol. Para além de uma técnica bem acima da média, o atleta, resultado de um bom entendimento do jogo, também demonstraria ser exímio nas movimentações. Tais predicados, levá-lo-iam a assumir-se como um elemento de enorme importância e, a partir da segunda campanha com as cores da “Briosa”, como um dos nomes imprescindíveis no alinhar da equipa inicial.
Curiosamente, quando o avançado, para além de titular, era também um dos principais goleadores da equipa, o término da campanha de 1977/78 ditaria o fim da ligação do jogador com o conjunto beirão. No Académico de Viseu daria continuidade ao seu trajecto primodivisionário e depois da experiência na referida agremiação, seria o Vitória de Guimarães a dar novo tónico à carreira do atacante. No Minho, como um dos principais elementos do colectivo, ajudaria às boas classificações no Campeonato Nacional, contribuindo, com a sua constância exibicional, para o 4º lugar na tabela classificativa de 1981/82 e para o consequente apuramento do clube para a Taça UEFA disputada no ano seguinte.
O Penafiel e a temporada de 1983/84, com Joaquim Rocha a participar em todas as jornadas do Campeonato, marcariam, depois de 13 campanhas na 1ª divisão, o adeus do avançado ao escalão máximo português. Seguir-se-iam, sempre nos patamares secundários, as passagens por diversos emblemas e o final da carreira enquanto futebolista, já em 1988, com as cores do Torralta. Depois de “pendurar as chuteiras”, manteria a residência no Algarve e, ao mesmo tento que exercia funções na área da hotelaria, continuaria a alimentar a paixão pelo futebol. Durante vários treinaria equipas dos “regionais”, tendo, posteriormente, trabalhado como adjunto do Esperança de Lagos.