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1195 - FREITAS

Depois de começar a jogar futebol no Lusitano do Lobito, a viagem para Portugal, com o intuito principal de continuar os estudos, levá-lo-ia até ao Belenenses. No Restelo, ainda que tido como um jogador com pouca capacidade técnica, Freitas conseguiria impor-se no centro do sector mais recuado. Com a chegada aos “Azuis” a acontecer na temporada de 1967/68, a sua dedicação, rigor táctico e força física seriam suficientes para fazer dele um elemento importante no seio do plantel lisboeta.
Ao dividir, durante as duas primeiras campanhas, as presenças em campo com outros colegas, a época de 1969/70 mostraria o defesa já como um dos titulares. Daí em diante, Freitas tornar-se-ia num dos grandes pilares dos sucessos do colectivo. Ao configurar-se como uma figura nuclear de um Belenenses a lutar, muitas vezes, pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, o atleta assumir-se-ia também como um dos nomes habituais nos trabalhos da selecção nacional. Com a estreia pela principal equipa de Portugal a acontecer a 10 de Maio de 1972, essa partida de qualificação para o Mundial de 1974 frente ao Chipre, serviria de arranque a uma caminhada na qual acumularia um total de 9 internacionalizações “A” e 1 participação pelo conjunto “B” luso.
Ao fim de 9 temporadas a defender o emblema da “Cruz de Cristo”, depois de 212 jogos no escalão máximo, das participações com a “camisola das quinas” e da presença, no Maracanã, com as cores da selecção do Mundo, Freitas aceitaria um novo desafio para a carreira. Com José Maria Pedroto no comando técnico do FC Porto, a época de 1976/77, a da chegada do atleta à “Cidade Invicta”, ficaria marcada pela conquista da Taça de Portugal. Depois desse primeiro grande título, seguir-se-iam uma série de conquistas que abrilhantariam, ainda mais, os escaparates do clube e o currículo do jogador. A campanha imediata assinalaria o fim de 19 anos sem a conquista, por parte dos “Dragões”, da prova maior do calendário futebolístico nacional. À vitória no Campeonato de 1977/78, juntar-se-ia a vitória na edição seguinte da referida prova. Por fim, no que ao palmarés do defesa diz respeito, há ainda que fazer referência ao triunfo na Supertaça Cândido de Oliveira de 1981/82.
Já numa fase marcadamente descendente do trajecto competitivo, Freitas teria ainda tempo para outras duas camisolas. Depois de em 1983/84, ainda na 1ª divisão, representar o Portimonense, a passagem pelo Sporting de Espinho na campanha de 1984/85, significaria o fim da sua história como futebolista. Sem deixar a Costa Verde, logo após “pendurar as chuteiras”, o antigo defesa assumiria o papel de treinador dos “Tigres”. Nas funções de técnico, viveria algumas experiências no seu país natal, as quais marcariam a sua memória com momentos arrepiantes – “(…) quando estive a treinar em Angola um avião que nos transportava caiu mas conseguimos escapar “*. Mais tarde voltaria a sobreviver a outro acidente de aviação – “(…) o helicóptero caiu porque acabou a gasolina”*! Já de volta a Portugal, juntamente com os filhos, inauguraria a Escola Futebol 115.

*retirado do artigo de Eugénio Queirós, publicado em www.record.pt, a 04/12/2016

1109 - JOSÉ ROMÃO

Natural de Beja, seria nessa cidade alentejana que José Romão daria os primeiros passos no futebol. Depois de um percurso formativo feito com as cores do Despertar Sport Clube, seria a mudança para o Desportivo que acabaria por apadrinhar a sua promoção ao patamar sénior.
Apesar de apenas disputar a 3ª divisão nacional, os bons desempenhos do extremo-direito levariam o Vitória de Guimarães a aferir em si um bom reforço para os anos vindouros. Pouco tempo passado após a sua estreia na equipa principal da colectividade bejense, o atacante, com a viagem para a “Cidade Berço”, passaria a viver uma realidade competitiva bem diferente daquela a que estava habituado. Com os vimaranenses a disputar o escalão máximo do futebol nacional, a grandeza do salto dado pelo atleta poderá explicar o vivido nos anos seguintes à sua chegada ao novo clube. No Minho, entre 1971 e 1976, poucas seriam as oportunidades que o atacante conseguiria alcançar. A escassez de jogos feitos pelo primeiro conjunto levá-lo-ia a procurar uma nova solução e a atravessar um largo período afastado das mais importantes decisões do futebol português.
Com passagens pela AD Fafe, Penafiel, Rio Pele e Ginásio de Alcobaça, a experiência de José Romão na 2ª divisão terminaria com a promoção do último emblema arrolado no começo deste parágrafo. Com a colectividade pertencente à Associação de Futebol de Leiria a conseguir estrear-se na 1ª divisão nessa temporada de 1982/83, o nome do avançado ficaria, incontornavelmente, ligado à história do clube. Idêntico elo conseguiria na ligação ao Vizela. Depois de uma época em que, ainda na condição de jogador, ajudaria o emblema minhoto na subida de divisão, a campanha de 1984/85 levá-lo-ia a assumir o comando técnico da equipa e, com isso, a tornar-se no primeiro treinador a orientar o clube no patamar máximo do Campeonato Nacional.
Aliás, seria no desempenho das funções de treinador que José Romão mais conseguiria destacar-se. No referido papel, cimentar-se-ia como um nome incontornável no teatro primodivisionário. Para além do Vizela, também o Penafiel, Desportivo de Chaves, Vitória de Setúbal, Famalicão, Belenenses, Tirsense, Académica e Alverca fariam parte do seu trajecto profissional. Com tamanho traquejo a enriquecer o seu currículo, o convite por parte da Federação Portuguesa de Futebol, serviria como reconhecimento do seu bom desempenho. Começaria, na campanha de apuramento e fase final do Mundial de 2002, como adjunto de António Oliveira. Passaria, depois, a trabalhar com os conjuntos sub-21 e “olímpicos” de Portugal, com os quais, respectivamente, disputaria o Euro 2004 e, ainda no mesmo ano, o torneio de futebol dos Jogos de Atenas.
Depois de cumprida a etapa na Federação, José Romão, ao dar seguimento ao seu papel como treinador, passaria a orientar equipas estrangeiras. Marrocos, Catar e Kuwait apresentar-se-iam como os novos cenários competitivos do técnico português. Apesar das boas prestações nos países do Médio Oriente, seria na nação magrebina que o “timoneiro” luso alcançaria maior sucesso. Após ter conseguido vencer o Campeonato em 2005/06 ao serviço do WAC, o seu regresso a Casablanca, dessa feita à frente dos destinos do Raja, levá-lo-ia, em 2008/09, a repetir a vitória na principal competição marroquina.

1049 - KIKAS

Com a parte inicial da carreira dedicada à Sanjoanense, emblema onde faria a transição para o patamar sénior, Kikas, à custa de um físico apropriado à sua posição de campo, começaria a ganhar espaço na equipa. Curiosamente, e já com alguns anos no conjunto principal, seria a mudança para outra colectividade que daria ao defesa-central a visibilidade necessária para um novo salto na carreira.
No Valecambrense, e a disputar a 3ª divisão de 1978/79, o atleta despertaria a curiosidade de conjuntos com aspirações maiores. Ao ser contratado pelo Penafiel, subiria um patamar competitivo, mas ao contrário do que tinha acontecido em São João da Madeira, passaria a integrar um emblema cuja ambição apontava ao patamar maior do nosso futebol. O objectivo da subida concretizar-se-ia logo no ano da sua chegada e com Kikas a revelar-se como um dos pilares dessa promoção. Já estreia na 1ª divisão, na temporada de 1980/81, em nada diminuiria a qualidade e importância das suas exibições. Rapidamente começaria a ser visto como dos elementos indispensáveis na estratégia táctica da equipa penafidelense. Para todos treinadores, a sua inscrição na ficha de jogo passaria a ser um acto incontornável. Porém, e apesar das boas relações com os seus técnicos, a confiança de um deles permitir-lhe-ia dar novo salto na carreira
António Oliveira, no papel de treinador-jogador do Penafiel, já tinha orientado o defesa. Convencido da sua qualidade, o internacional português acabaria por tornar-se numa peça de fulcral relevância para a carreira do central. Depois de ter deixado o comado dos “Durienses”, para assumir idênticas tarefas em Alvalade, a necessidade do Sporting em reforçar o sector mais recuado, levá-lo-ia a indicar Kikas. Porém, e apesar de aferido pelo responsável técnico dos “Leões”, a vida do jogador não seria fácil. Com a forte concorrência do experiente Zezinho e dos emergentes Carlos Xavier e Pedro Venâncio, poucas seriam as oportunidade que conseguiria conquistar. Já na 2ª campanha de “verde e branco”, a de 1983/84, o azar bateria à sua porta. Com indicadores que apontavam o atleta no caminho da titularidade, um acidente de viação acabaria por afastá-lo durante boa parte da temporada.
Sem nunca conseguir impor-se no Sporting, a partida para Coimbra daria novo alento à sua caminhada profissional. Com a Supertaça de 1982/83 como o único troféu ganho na passagem por Lisboa, Kikas, em 1984/85, ingressaria na Académica. Pelos “Estudantes”, mantendo-se no patamar máximo, voltaria a jogar com regularidade e a actuar com bons níveis exibicionais.
Depois de “pendurar” as chuteiras ainda abraçaria as tarefas de treinador. Com um percurso feito nos escalões mais baixos, destaque para a sua ligação com o Sertanense e com a temporada de estreia do emblema beirão nos “nacionais”.

801 - CARRAÇA

Após a sua experiência no Vilafranquense, onde terminaria a sua formação e faria também a transição para o patamar sénior, António Carraça prosseguiria a sua carreira no Sacavenense. No emblema do subúrbio lisboeta, o médio conseguiria despertar a atenção de um dos emblemas que, nessa temporada de 1977/78, conseguiria a promoção ao patamar máximo português. Essa mudança para o Famalicão, iria permitir ao jovem atleta zarpar da 3ª divisão e estrear-se entre os “grandes” do nosso futebol.
No Minho, aquilo que poderia ter sido um passo importante na sua progressão, acabaria por ser pouco mais do que uma desilusão. Raramente utilizado, Carraça, no final desse ano, ainda teria que conviver com a despromoção da sua equipa. Continuaria ligado ao emblema famalicense mas, mesmo a disputar a 2ª divisão, a sua condição de 2ª escolha manter-se-ia inalterada. Curiosamente, seria o regresso ao Sacavenense que, na época de 1980/81, permitir-lhe-ia conseguir uma nova oportunidade. Sendo um médio que preferencialmente jogava pelo lado esquerdo, o Vitória de Guimarães, orientado por José Maria Pedroto, veria nele um bom elemento para reforçar o seu plantel. Todavia, e como já tinha acontecido na anterior aventura, as contas dessa nova passagem pela região, mostrariam números bem modestos.
Em 1984, depois de ter representado o Belenenses, a sua afirmação como um jogador primodivisionário parecia estar prestes a acontecer. Contratado pelo Farense, Carraça, finalmente consegue cimentar-se como um jogador titular. Na temporada seguinte, já com as cores do Vitória de Setúbal, o mesmo. O antigo internacional s-18 português mostrava estar preparado para enfrentar esses desafios da alta competição, quando, surpreendentemente, a sua carreira sofre um novo volte-face.
Com a sua ida para o Fafe em 1986, o seu percurso volta a entrar nos trilhos dos escalões secundários. Só que ao contrário de outras ocasiões, o regresso à divisão maior não mais aconteceria. Ora, tendo esta última parte da sua carreira sido preenchida por emblemas modestos, seria já no União de Montemor que outra mudança aconteceria. Tendo chegado ao clube alentejano em 1991, seria aí que, na condição de treinador-jogador, teria a sua primeira experiência como técnico.
Nessas novas funções, tendo também orientado “O Elvas” e Atlético, o seu percurso não seria muito longo. Mantendo-se sempre ligado à modalidade, Carraça acabaria por ter maior destaque como dirigente. Tendo entrado para o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol em 1997, e tendo sido eleito para Presidente em 2000, 7 seriam os anos em que manteria um vínculo com a instituição. No que a clubes diz respeito, o seu trabalho no Benfica e no grupo WS Sports (grupo ligado ao Pinhalnovense e Torreense), dar-lhe-ia grande credibilidade como Director Desportivo. Ainda nessas funções, e no âmbito do acordo de cooperação entre as “Águias” e Millonarios, António Carraça, já no decorrer deste ano (2017), mudar-se-ia para a Colômbia.

635 - TIÃO

Depois de no Brasil ter feito carreira em emblemas como o Campo Grande ou Guarani, Tião, de seu verdadeiro nome Sebastião Soares Thomé, decide aventurar-se pela Europa. Com o campeonato de 1977/78 já a decorrer, o extremo esquerdo brasileiro, que também sabia posicionar-se no centro do terreno, chega ao Portimonense. Atleta pujante, cujo forte remate constituía uma das suas principais armas, rapidamente arranjaria maneira de se adaptar ao futebol português.
Conseguindo a titularidade quase com a sua chegada, Tião haveria de se tornar num dos grandes símbolos do clube. A despromoção, que aconteceria logo na época da sua chegada, não o desmoralizaria. Continuaria ao serviço do Portimonense e, durante as 6 temporadas em que envergaria o “alvi-negro”, acabaria por inscrever o seu nome na história do clube.
Para além da conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão, a qual permitiria o seu regresso ao escalão principal, houve outros momentos que, recorrentemente, vemos recordados. Os livres directos que marcava, para sempre deixarão sorrisos na cara daqueles que os testemunharam. Já os golos conseguidos frente aos “grandes”, com especial apetência para o Sporting, acabariam por ser uma das melhores memórias deixadas em Portimão.
Sendo o Portimonense o clube que em mais épocas o acompanhou na 1ª divisão, é normal que o seu nome esteja ligado à colectividade do Barlavento. Apesar deste laço, Tião, ainda no principal escalão português, haveria de representar o Estoril-Praia. Estrela da Amdora, Recreio Desportivo de Águeda, Pessegueirense e Oiveirense, haveriam de ser os outros emblemas, aos quais o esquerdino manteria ligação. Aliás, o vínculo que Tião conservaria com o emblema de Oliveira de Azeméis acabaria por ser muito especial. Seria no emblema do Distrito de Aveiro que o atleta terminaria a sua carreira como futebolista; seria aí, também, que escreveria a maior parte dos capítulos do seu percurso como treinador.
Infelizmente, Tião deixar-nos-ia em 2014. A recordá-lo como Homem, ficam as palavras de Hermínio Loureiro, afamado dirigente desportivo, Deputado da Assembleia da Republica, Secretário de Estado e Presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis – “Um enorme profissional que escolheu Oliveira de Azeméis para viver. Um espirito guerreiro invulgar que marcou a sua passagem pelo futebol em Portugal. Homem simples e com uma esmerada educação. Vai deixar saudades”.*


*Retirado de “Correio da Manhã”, a 27/08/2014

613 - TORRES

Depois de, praticamente, percorrer todo o caminho da formação no Vitória de Guimarães, Torres haveria de chegar aos seniores vimaranenses no final dos anos 60. As primeiras temporadas como sénior, muito mais do que jogar na equipa principal, passá-las-ia a representar as “reservas”. No entanto, ao invés de ser um factor de desânimo, esta passagem traria ao defesa o traquejo necessário para o tornar num bom jogador.
Central que de permissivo, como se pede alguém na sua posição, pouco tinha, Torres primava pela inteligência com que encarava o jogo. Estas suas características, aliado a um bom físico, acabariam por conquistar um lugar no seio de um plantel bastante competitivo. Depois de alguns anos como escolha secundária, Torres haveria de conseguir impor-se como um dos principais esteios da equipa. Essa temporada de 1974/75, segundo o próprio refere, haveria de trazer uma mudança de paradigma à equipa, alteração essa que o levaria a disputar a final da Taça de Portugal, logo no ano seguinte – “a experiência de jogadores como Custódio Pinto, Tito e Rui Rodrigues mesclada com a irreverência de nomes como Ernesto, Abreu, Romeu, representavam a grande arma da equipa. [Mário Wilson] encontrou a fórmula ideal para a equipa fazer um campeonato entusiasmante que revolucionou o clube e a cidade, tendo sido foi importante para o futuro do clube"*.
Se os dois primeiros terços da carreira profissional de Torres, haveriam ser passados com as cores do Vitória de Guimarães, a última destas porções seria ao serviço do Varzim. A mudança ocorreria no defeso de 1979, para dar início a uma ligação que duraria 5 temporadas. Durante estas épocas, entre as 4 passadas na 1ª divisão e o deslise de uma descida, Torres acabaria por se tornar num dos nomes importantes na história do emblema poveiro. Também para o atleta, o clube representa um marco relevante na sua ligação com o futebol. Seria pelos “Lobos do Mar” que, sempre ligado à modalidade que o apaixona, faria uma mudança importante na sua vida.
Ora, seria para a temporada de 1984/85 que Torres passaria a assumir as responsabilidades de técnico. Ainda como adjunto, os primeiros passos que daria nestas funções, levá-lo-iam, passados uns campeonatos, ao comando do Vitória de Guimarães. Essa sua estreia como principal timoneiro de uma equipa, não poderia ter corrido melhor, com os minhotos a conseguirem chegar ao Jamor, e à final da Taça de Portugal de 1987/88.
Desde então, o percurso de José Alberto Torres tem passado mais pelas divisões secundárias portuguesas. No entanto, o grande destaque desta sua carreira acabaria, já em pleno século XXI, pela ida para Angola, onde treinaria o Progresso e o Petro do Huambo.

535 - NASCIMENTO

Tendo começado a prática do futebol em França, país para onde os pais tinham emigrado, o seu regresso a Portugal dar-se-ia pelas portas do Benfica. Contudo, tal como acontece com tantos outros jovens saídos das escolas "encarnadas", Nascimento, na transição para sénior, acabaria por não conseguir garantir um lugar no plantel principal.
Na União de Leiria, o médio faria o seu baptismo na Primeira Divisão (1979/80). Acontece que a prestação da equipa nesse ano, haveria de ficar aquém daquilo que, por certo, seria o esperado pelos seus responsáveis, acabando por cair na despromoção. A descida, negativa como sempre, acabaria, no entanto, por dar um empurrão na carreira de Nascimento. Pouco utilizado nessa sua temporada de estreia, o médio, com a busca de novas soluções desportivas para a equipa, acaba ter um papel importante na recuperação da mesma.
Seria já como o motor do meio-campo leiriense que Nascimento regressa aos maiores palcos do nosso futebol. Possante, combativo e com uma resistência inesgotável, o atleta afirma-se como um dos jogadores mais interessantes do nosso Campeonato. Apesar de mostrar algumas debilidades a nível técnico, a sua postura dentro das quatro linhas permitia disfarçar outro tipo de fraquezas. Ora, essas suas qualidades acabariam por ser determinantes, visto que a União de Leiria voltaria a fazer uma campanha desastrosa (1981/82), para que Nascimento conseguisse manter o seu lugar nos maiores palcos do desporto nacional.
Quem viria a apostar no jovem centrocampista, acabaria por ser o Vitória de Setúbal. No seio de uma equipa que juntava jogadores consagrados (Octávio Machado; Jorge Martins; Jorge Jesus; Baltemar Brito) com um grupo de jovens muito promissores (Edmundo; Sobrinho; Hernâni; Jorge Plácido; Nunes), Nascimento haveria de se mostrar, como para o resto da sua vida desportiva, como uma das peças mais importantes dos "Sadinos".
E se foi na "Cidade do Sado" que Nascimento recebeu o reconhecimento dos seus pares, seria sobre a égide de outro Vitória que atingiria a consagração como futebolista. De malas aviadas para Guimarães, o trajecto do jogador haveria de alcançar os melhores momentos. Seria, então, pelos minhotos que se estrearia nas competições da UEFA; seria, também, durante o tempo que envergou o emblema de D.Afonso Henriques que haveria de ser chamado à selecção "A" portuguesa.
Mas apesar da admiração que conseguiria alcançar entre colegas de equipa e massa adepta, a sua saída acabaria por ficar ensombrada pela polémica. Ora, ao fim de quatro anos como um dos melhores do clube e, ainda por cima, tendo nessa época de 1988/89 envergado a braçadeira de capitão, era lógico que a renovação era uma prioridade para a direcção. O pior é que o atleta, até à data do fim do seu contrato, recusar-se-ia a assinar um novo contrato. Pimenta Machado, o Presidente, considerando tal acto como uma traição ao clube, e acabaria por pô-lo na lista das "personae non gratae" e proibir o seu regresso ao Vitória.
A explicação para este episódio revelar-se-ia pouco tempo depois, quando Nascimento assina pelo FC Porto (1989/90). Mas numa equipa que ainda vivia do brilho da Taça dos Campeões Europeus de 1987, ganhar um lugar no "onze" inicial, não era tarefa fácil. Para Nascimento estas dificuldades reflectir-se-iam na pouca quantidade de jogos em que seria utilizado. Já no final da temporada, o desfecho foi o esperado, com o jogador a ser incluído na lista de dispensas.
Já com 30 anos feitos, e depois da saída das Antas como campeão nacional, Nascimento preparava-se para a última fase da sua vida nos relvados. Ainda na 1ª Divisão, faz ao serviço do Tirsense uma época de bom nível. De seguida vem o escalão secundário, primeiro ainda ao serviço dos "Jesuítas" e, por fim, como uma derradeira "perninha" pelos do Amora.
Foi um curto interregno que separou a sua vida de futebolista com um novo papel no futebol. Daí em diante faria carreira como adjunto. No entanto, ao fim de cerca de duas décadas ao lado de Manuel Cajuda, Nascimento decidiu ser a hora de seguir o seu próprio caminho. Começou nos escalões secundários e, esta temporada (2014/15) abraçou o projecto do Atlético. Na Liga 2, tenta recuperar o emblema lisboeta de uma fase complicada. A nível desportivo, os de Alcântara têm a cabeça à tona da água. Contudo, numa competição tão aguerrida, antevêem-se dificuldades para o antigo internacional.

516 - ROMEU

Natural do Minho, mas tendo passado a sua infância em Moçambique, seria nos emblemas da antiga colónia portuguesa que daria os primeiros passos no futebol. Certo dia, por ocasião do regresso a Portugal para passar férias, e por influência de dois primos seus que aí jogavam - Ibraim e José Carlos - Romeu decide prestar provas no clube de simpatia do seu pai. Agradou e, desse modo, ainda com a idade de júnior, ingressa no Vitória de Guimarães.
É ainda nessa temporada de 1972/73 que Mário Wilson, à altura o treinador dos vimaranenses, decide lançá-lo na equipa principal. As suas qualidades, principalmente aquelas que faziam dele um lutador incansável, logo projectaram a ideia de que, futuramente, haveria de ser uma peça fundamental do onze inicial. A prova viria nas duas épocas seguintes, onde o médio conseguiria ser um dos mais utilizados durante o campeonato.
A regularidade que demonstrava fazia dele um dos mais apreciados, não só entre os adeptos, mas, também, pelo técnico Mário Wilson. Essa admiração de que era alvo, faria com que o "Velho Capitão", após assinar contrato pelo Benfica, o quisesse no plantel da "Luz". Sendo internacional “A”, estatuto que entretanto tinha atingido, e um dos mais promissores centrocampistas portugueses, a exigência do técnico haveria de ser aceite pelos responsáveis "encarnados". Já em Lisboa, a afirmação de Romeu haveria ser afectada por uma grave lesão, contraída logo no início da temporada. O segundo ano de "Águia" ao peito, já com John Mortimore aos comandos da equipa, também não correria de feição para o atleta. Tapado por uma forte concorrência, que ocupava tanto o lado canhoto do meio campo, como a faixa central do mesmo, a Romeu é pedido que se adapte à posição de lateral esquerdo. Sem vocação para tais funções, as exibições do jogador decrescem significativamente. Ora, o desfecho de tal não poderia ser pior e no final dessa campanha de 1976/77, Romeu vê-se dispensado.
Como "há males que vêm por bem", o regresso de Romeu à "Cidade Berço" teria o condão de relançar a sua carreira. Novamente tido como um dos melhores no seu lugar, desta feita é o FC Porto que decide arriscar a sua contratação. Nos "Dragões" encontra-se com José Maria Pedroto, que, para essa temporada de 1979/80 tinha como principal intuito a conquista do "tri-campeonato". Apesar de falhado tal objectivo, Romeu vê-se transformado num dos pilares da equipa. Com isso volta a ser chamado à Selecção Nacional, atravessando, nesses anos, os melhores que teria como profissional.
É já depois de 4 temporadas na "Invicta", e de juntar aos 2 Campeonatos ganhos no Benfica, mais 2 Supertaças, que Romeu chega ao Sporting. O seu começo em Alvalade, principalmente no ano inicial, pode dizer-se proveitoso. No entanto, algumas debilidades físicas, resultantes, talvez, da entrada numa fase descendente da carreira, acabam por não permitir que o jogador mostrasse todo o valor nele reconhecido.
O fim da sua vida nos relvados aconteceria em 1988, após passagem pelo Salgueiros e, já nos escalões secundários do nosso futebol, ao serviço do Amora.

455 - DAMAS

O mais incrível é que hoje podia estar a falar de Damas… o avançado. Não sei quem o fez mudar de ideias, mas, segundo consta, o sonho do miúdo Vítor era de jogar no ataque às redes. Acabou a defendê-las, pois, muito acima do que eram as habilidades apresentadas com os pés, estava o jeito revelado com as mãos. Por certo não veio a arrepender-se da escolha. No entanto, teve muito trabalho para conseguir afirmar-se como um dos melhores na posição. Quem ia ver os treinos das camadas de formação leoninas, contava que por lá andava um rapaz de aparência elástica. Diziam os mesmos que Travassos, após o fim das ditas sessões, ficava a rematar à baliza e que o jovem bem reclamava pelo descanso – "sô Zé, não posso mais"*. Nunca, ninguém o viu desistir. Foi essa resiliência, as exibições impossíveis, sobre-humanas, a torná-lo num dos ícones dos “Leões”. Foram muitos os momentos a sublinhar a sua singularidade. Como exemplo, temos a eleição como o melhor jogador em campo, numa partida em que o Sporting, em pleno Estádio da Luz, acabou por perder por 5-1. Qual a razão? Uma prestação simplesmente magistral!
Com tamanhas qualidades, Damas pareceu andar sempre um passo à frente do que era suposto. Chegou ao Sporting pela mão de um vizinho que, lado a lado com o futebol, também era atleta na equipa de ténis de mesa. Aos 15 anos, Vítor Damas já estava nos juniores, para aos 19, no jogo de despedida de Vicente Lucas e pela primeira vez na carreira, calçar as luvas na equipa principal. Bastaram-lhe 2 épocas para destronar o mítico Carvalho. A naturalidade revelada, a maneira exuberante de entrar aos lances, as estiradas acrobáticas, toda a segurança que dava ao último reduto leonino, fizeram-no manter o estatuto de titular e conseguiu conservar o lugar no “onze” nas últimas 8 das 10 temporadas que fizeram a sua primeira passagem pelo clube lisboeta.
Saiu para Espanha. Antes, já tinha alimentado os periódicos com uma verdadeira novela quando, no decorrer da temporada de 1975/76, informou os responsáveis pelo Sporting que não ia renovar. Gerou-se o burburinho com o boato de uma hipotética mudança para o Estádio das Antas. Escreveu-se que o guarda-redes, também dono da baliza de Portugal, iria seguir José Maria Pedroto, assinando pelo FC Porto. O que realmente aconteceu, não sei. A verdade é que no início da temporada de 1976/77, Damas foi apresentado como atleta do Racing Santander, onde ficou 4 anos.
Por certo que a ida para Espanha trouxe a Damas algumas vantagens. Chegou a ser eleito o melhor estrangeiro a actuar na "La Liga". No entanto, acabou por perder o lugar de titular na selecção, dizem que por vingança de José Maria Pedroto, responsável técnico pela equipa lusa, para o benfiquista Manuel Bento. Curiosamente voltou a Portugal para trabalhar com o referido treinador. Fê-lo no Vitória Sport Clube, tendo daí passado para o Portimonense. O regresso ao Sporting deu-se apenas depois de Damas ter sido convocado para o Euro 84. Tão tarde?! Chegou com 32 anos; jogou até aos 41. Pelo meio ainda mereceu outra chamada para um grande torneio. Esteve no Mundial de 1986, onde, após a lesão de Bento, assumiu a titularidade.
Retirou-se em 1989, mas manteve-se no Sporting, onde assumiu funções técnicas. Em muitos colegas, como em Manuel Fernandes, deixou saudades e especialmente boas recordações – “O Damas foi um fenómeno (…). Um dia, era ele júnior do Sporting, foi jogar ao Montijo. Eu era criança e fiquei tão fascinado ao vê-lo que quis ser guarda-redes durante uns tempos (…). Guardarei para sempre a memória de um grande companheiro e de um guarda-redes a quem vi fazer coisas incríveis”**.

*retirado do artigo publicado a 21/08/2008, em www.dn.pt
**retirado de “Os 100 magníficos” (Zebra Publicações), Rui Dias, 2012.