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1769 - MATOS

Formado no FC Barreirense, haveria de ser no emblema da Margem Sul que José Fernando Silva Matos faria a estreia enquanto futebolista sénior. Nessa temporada de 1982/83, na qual participaria nas disputas da Zona Sul da 2ª divisão, o defesa-lateral poucas oportunidades conseguiria para demonstrar o seu valor. Nas épocas seguintes, sem deixar o referido patamar competitivo, o cenário pessoal do jogador começaria a mudar progressivamente e a campanha de 1984/85 acabaria a trazer-lhe a titularidade.
A constante chegada ao “onze” do FC Barreirense faria com que outras colectividades, nomeadamente aquelas ligadas às contendas de maior monta, começassem a reparar nas suas habilidades dentro de campo. O acréscimo de importância, verificado nesse período inicial da carreira, faria com que o Marítimo aferisse a sua contratação como benéfica para a valorização do plantel. Nos “Leões do Almirante Reis” a partir da temporada de 1985/86, o lateral-direito, estreante na 1ª divisão, teria em Mário Nunes o treinador a lançá-lo nas sendas do degrau maior do futebol luso. Mesmo sem qualquer experiência no referido plateau competitivo, a verdade é que Matos não ficaria, de todo, atrapalhado. Com presenças na maioria das jornadas do Campeonato Nacional, o atleta revelar-se-ia como um dos grandes destaques do conjunto madeirense. Essa constância exibicional, a levá-lo a merecer a confiança dos demais técnicos, saberia, com algumas excepções, conservá-la no par de campanhas seguintes. O contrário viria a verificar-se já no desenovelar de 1988/89 e a quebra de presenças nas fichas de jogo, ao fim de 4 anos na cidade do Funchal, fá-lo-ia mudar de rumo.
Com uma curiosa inscrição na página electrónica da Federação Portuguesa de Futebol a dá-lo, no arranque da temporada de 1988/89, como elemento do plantel do Beira-Mar, o que consegui apurar é que, no que diz respeito às aparições em campo, na mencionada época, Matos apenas contabilizaria jogos oficiais pelo Portimonense. No Algarve, ainda a pelejar nos cenários competitivos da 1ª divisão, o defesa-lateral, embora utilizado com uma frequência bastante aceitável, não conseguiria recuperar os números alcançados em anos pretéritos. De seguida, consumada a descida do listado alvinegro e a fazer fé na informação dada pelo “site” mencionado no início deste parágrafo, o jogador, mais uma vez, apareceria no encetar da campanha a exibir-se com um emblema para, no que aos registos de jogo diz respeito, apenas contabilizar presenças já ao serviço de outra agremiação. No entanto, independentemente do momento em que haveria de verificar-se a transferência, o que mais interessa retirar dessa mudança, é que o jogador, ao deixar o Barlavento para regressar ao FC Barreirense, jamais voltaria a calçar as chuteiras no universo primodivisionário.
Depois, já encetado o derradeiro trecho da sua carreira com o ano passado no emblema onde havia concluído a formação, Matos, que findaria a vida de futebolista com o termo das provas agendadas para a temporada de 1993/94, também continuaria a alimentar uma fase mais errante da caminhada competitiva. Nesse sentido, com mudanças de agremiação a cada ano cumprido, o lateral-direito ainda viria a representar, apresentados por ordem cronológica, os grupos de trabalho do Vila Real, do Montijo e da Quimigal.

1229 - DELGADO

Depois da passagem pelas “escolas” do Sporting de Braga, a mudança para o Sporting Clube de Portugal, por razão do ingresso na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, alimentaria os últimos passos da sua formação desportiva. À derradeira temporada nos juniores dos “Leões”, corresponderia também a sua estreia pelos sub-18 de Portugal. Porém, mesmo ao auferir do estatuto de jovem internacional, a verdade é que José Manuel Delgado não conseguiria convencer os responsáveis técnicos da colectividade “alfacinha” a promovê-lo ao plantel principal. Com os “Verde e Branco” à procura de guardiões mais experientes, a sua saída de Alvalade levá-lo-ia até ao plantel de 1976/77 do Montijo e, em simultâneo, aos primeiros passos como sénior e à estreia no escalão máximo português.
Mesmo sem conseguir agarrar a titularidade de forma inequívoca, e confirmada a descida do emblema da Margem Sul no final da campanha referida no parágrafo anterior, outros clubes surgiriam como interessados na sua contratação. A acompanhar a nova mudança que, mais uma vez, faria o atleta atravessar o Rio Tejo, a chamada aos sub-21 conduzi-lo-ia à edição de 1977 do Torneio de Toulon. Aliás, as convocatórias para os trabalhos das jovens equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol continuariam a cevar o seu potencial. No contexto clubístico, as 4 temporadas no plantel do Belenenses, ainda que de forma progressiva, começariam a cimentá-lo como um guarda-redes de cariz primodivisionário. Já as 2 últimas épocas no Restelo, tornar-se-iam, sem grande dúvida, no melhor período da carreira do guardião e a prová-lo, mesmo sem entrar em campo, chegariam as convocatórias à selecção “A”.
Depois da campanha de 1981/82 com as cores do Portimonense, mantendo-se Delgado como uma das figuras do Campeonato Nacional, seria a vez de outro “grande” acabar por abrir as portas ao guarda-redes. No Benfica, com uma época pelo meio ao serviço do Farense, o jogador manter-se-ia por diversas temporadas. Todavia, para seu azar, na passagem pela “Luz” teria de enfrentar uma forte concorrência. A presença no plantel de um dos melhores guarda-redes da história “encarnada”, empurraria o jogador para o banco de suplentes e para um episódio bem caricato – “Durante quatro anos joguei poucas vezes, apenas quando o Bento, que era titular indiscutível, estava lesionado. Curiosamente, tenho uma história com o Pál Csernai, que foi meu treinador na temporada 84/85. Um dia ele chamou-me e através do seu intérprete disse-me o seguinte: «estou muito satisfeito contigo, és um excelente guarda-redes. Mas para seres titular aqui tens de esperar que o Bento tenha um desastre de automóvel, como aconteceu com o Sepp Maier»”*.
Apesar de ter conseguido poucas oportunidades para jogar, Delgado retiraria da passagem pelo Benfica vários momentos dignos de destaque. Para além dos títulos que ajudaria a conquistar, caso dos 2 Campeonatos Nacionais e de 2 Taças de Portugal, as competições continentais também entrariam na sua caminhada. Nesse sentido, há que fazer referência à campanha das “Águias” na edição de 1982/83 da Taça UEFA – “Após a derrota em Bruxelas por 1-0, o jogo da segunda mão foi ao fim da tarde de uma quarta-feira e era preciso dar a volta à desvantagem. O treinador era Eriksson e nós com o treinador sueco não fazíamos estágios. Fizemos um treino ligeiro pela manhã e depois rumámos ao Hotel Altis para almoçar e para descansar. Umas quatro ou cinco horas antes do jogo o terceiro anel do estádio da Luz já estava cheio. Foi uma grande final”*.
Após cumprir a temporada de 1988/89 ao serviço do Sporting de Espinho, Delgado deixaria o futebol para passar a dedicar-se ao jornalismo. No novo contexto profissional tem desempenhado funções, maioritariamente no papel de editor ou director, em periódicos como a revista “Sábado” e os jornais “A Capital”, “Record” e “A Bola”. Tem, igualmente, apresentado programas televisivos na “A Bola TV” e fora do desporto, foi mandatário para a juventude na segunda campanha para a Presidência da República do General Ramalho Eanes, fez parte do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol e escreveu o livro “A vida aos pontapés”.

*retirado da entrevista publicada em https://arquivo.ensino.eu, em Dezembro de 2019

1164 - VALENTIM LOUREIRO

Nascido numa pequena aldeia do Município de Viseu, aquando da sua mudança para a também capital do Distrito, ficaria a viver com um primo adepto do Benfica. Por pirraça começaria a apoiar o Sporting e, como seguidor dos “Leões”, sublinharia a sua paixão pelo futebol. Muitos anos depois, esfumar-se-ia o desejo do Presidente João Rocha em pô-lo à frente do departamento de futebol leonino. Já por convite de Pinto do Costa, tornar-se-ia sócio do FC Porto, mas, pouco tempo após a inscrição, deixaria de pagar as cotas…
Tal como no futebol, a vida de Valentim Loureiro haveria de conhecer inúmeros interesses. Depois da Escola Comercial e Industrial de Viseu, seguir-se-ia, já na cidade do Porto, o curso de Contabilidade e a Academia Militar. Frequentaria, sem concluir a formação, a Universidade de Coimbra e a Faculdade de Direito. Nesse caminhar, o exército levaria a melhor e encaminhá-lo-ia para Angola. Posteriormente, estaria à frente da Administração Militar na “Cidade Invicta” e, diz-se, que desse período tiraria o gosto pelos negócios que o levaria ao mundo dos tecidos, electrodomésticos, conservas, móveis ou ao ramo imobiliário. Entretanto, a política, a filiação no PSD e os vários mandatos na presidência da Câmara Municipal de Gondomar.
No universo futebolístico, mesmo tendo estado à frente da Liga de Clubes por cerca de uma década, seria à custa do Boavista que ficaria famoso. Dois anos após rubricar a ficha de sócio, aceitaria a proposta do Presidente António Silva Reis e, em 1962, assumiria o cargo como dirigente das “Panteras”. Já em 1982, seria eleito como o responsável máximo dos “Axadrezados”, dando seguimento a um trabalho encetado anos antes. A colectividade portuense continuaria a sublinhar a tal mudança de paradigma e, de forma cada vez mais afincada, passaria a apontar aos títulos. Sob a alçada de Valentim Loureiro, entre 1982 e 1997, o clube manter-se-ia na peugada dos “grandes”. Durante esse período, afrontaria os crónicos candidatos e guiaria o enriquecimento dos escaparates do Bessa com a conquista da Taça de Portugal de 1991/92 e com a Supertaça da campanha seguinte. Ainda assim, o trabalho maior do Major emergiria sob a forma de legado e nas bases que, com a sucessão do filho João Loureiro, viriam a permitir a vitória no Campeonato Nacional.
Porém, também de celeumas seria construída a passagem de Valentim Loureiro pelo futebol. Muito para além do discurso inflamado, directo e polémico, o seu percurso ficaria associado a um dos grandes escândalos do desporto nacional. Investigado no âmbito do processo que ficaria conhecido como o “Apito Dourado”, seria condenado por abuso de poder e sentenciado a uma pena suspensa de 3 anos e 2 meses.

1141 - CAIO JÚNIOR

Como um dos destaques das “escolas” do Grêmio de Porto Alegre, Caio Júnior haveria de ser promovido à equipa principal na temporada de 1985. Logo na campanha de estreia pelos seniores, onde viria a encontrar-se com Valdo, o jovem atacante haveria de confirmar toda a esperança nele depositada e, ao sagrar-se o Melhor Marcador do Campeonato Gaúcho, daria, com os seus golos, uma ajuda de enorme importância para a conquista da referida edição do “estadual”.
Seguir-se-iam, nas 2 épocas seguintes, outros tantos triunfos no Campeonato Gaúcho. O destaque conseguido com esses êxitos, mas, principalmente, as boas exibições, levariam outros emblemas a olhar para o avançado como um bom reforço. Surgiria então o Vitória de Guimarães como a materialização de um “namoro” antigo e como a oportunidade para Caio Júnior entrar no tão almejado futebol europeu. No Minho a partir de 1987/88, o atleta conseguiria afirmar-se como um dos jogadores de maior preponderância no seio do plantel. Cotado como um futebolista com boa visão de jogo e técnica bem acima da média, mesmo sem a capacidade goleadora revelada nos primeiros anos como profissional, o seu contributo para a construção das acções ofensivas faria dele um dos bons elementos do colectivo vimaranense.
Curiosamente, depois de na temporada de chegada a Portugal ter conseguido destacar-se, a época seguinte, campanha em que o Vitória Sport Clube venceria a Supertaça, mostraria um jogador mais discreto. Rapidamente recuperaria a importância e, já sob a alçada de João Alves e recuado para o lugar de segundo avançado, faria, provavelmente, as melhores campanhas com a camisola branca dos minhotos. Aliás, o referido treinador tomaria uma importância vital no evoluir da carreira do atacante. Para além da adaptação a uma posição mais adequada às suas capacidades desportivas, alguns passos dados por Caio Júnior depois da passagem pela “Cidade Berço” dever-se-iam à admiração que o treinador nutria por ele.
Já com o “Luvas Negras” aos comandos do Estrela da Amadora, o convite dirigido ao avançado, fá-lo-ia mudar-se para a equipa da Linha de Sintra. Ao fim de 5 anos no norte do país, começaria, na temporada de 1992/93, por ajudar os “Tricolores” a regressar ao patamar máximo do futebol português. Depois, ainda na Reboleira, viria mais uma campanha na 1ª divisão, a qual precederia o regresso ao Brasil, a entrada no Internacional de Porto Alegre e a vitória no Campeonato Gaúcho de 1994.
A partir dessa altura o trajecto de Caio Júnior entraria numa fase mais errante. Ao dar corpo a mais um pedido de João Alves, retornaria a Portugal para envergar o emblema do Belenenses. Definitivamente de volta às competições brasileiras, passaria por diversos clubes, com destaque para o Paraná e para a conquista da edição de 1997 do Campeonato Paranaense. Já com o final do milénio, o avançado decidir-se-ia pelo fim da caminhada enquanto atleta para, quase de imediato, abraçar as tarefas de treinador. Nas novas funções, com a carreira, em grande parte, cimentada no Brasil, o antigo futebolista veria as suas qualidades cada vez mais apreciadas. Para tal, em muito contribuiria o trabalho feito, por exemplo, no Paraná ou no Palmeiras. Os seus feitos, nesses dois emblemas, incluiriam a primeira qualificação de sempre do conjunto sediado em Curitiba para a Copa Libertadores ou, na sequência da campanha feita na agremiação paulista, o prémio de treinador do ano de 2007, atribuído pela CBF.
Ao tornar-se no último emblema da sua carreira, o treinador assumiria os destinos da Chapecoense. Com o emblema de Santa Catarina, voltaria a ter resultados meritórios, nomeadamente na Copa Sul-Americana. Seria na disputa da referida competição que encontraria um fim trágico. Na viagem para a disputa da 1ª mão da final, o avião onde viajava a comitiva brasileira despenhar-se-ia, levando consigo o treinador e grande parte dos passageiros. Como homenagem aos malogrados e em respeito ao fatídico episódio, os colombianos do Atlêtico Nacional, abdicariam da prova e dariam o título ao conjunto adversário. Com tão bonito gesto, Caio Júnior acabaria por vencer o troféu mais importante da sua caminhada pelo futebol.

1116 - EDU MARANGON

Com a supremacia técnica a pô-lo em destaque nos escalões de formação, a subida à equipa principal serviria para sublinhar a sua mais-valia. Com a promoção a acontecer na temporada de 1984, Edu Marangon passaria a ser visto como um dos grandes valores do plantel principal da Portuguesa dos Desportos. No emblema de São Paulo, o médio destacar-se-ia pela habilidade com a bola nos pés, pela visão de jogo, pelo forte remate e pontaria nos lances de bola parada. Essas qualidades levá-lo-iam, ainda ao serviço do conjunto do Canindé, a ser chamado à selecção nacional. As internacionalizações conseguidas com as cores do Brasil, com destaque para a sua chamada à edição de 1987 da Copa América, como que serviriam de trampolim para a sua carreira e, nesse sentido, não tardaria muito até à chegada de novos convites.
A proposta do Torino acabaria por tornar-se mais atraente do que as ofertas dos demais pretendentes. Porém, a sua ida para Itália não correria de feição. Com o emblema a fazer uma temporada de 1988/89 muito aquém do que tinha conseguido em épocas transactas, o 15º posto na tabla classificativa da “Serie A” e a consequente descida de divisão precipitariam o fim da estadia do médio no “calcio”. Seguir-se-ia a contratação pelo FC Porto. No entanto, a sua passagem por Portugal também não faria justiça à fama que tinha amealhado no Brasil. Sem cativar o treinador Artur Jorge, e tapado por Semedo, o atleta quase nada jogaria. Ainda assim, com a participação em 2 jornadas, acrescentaria ao seu palmarés a conquista do Campeonato Nacional de 1989/90.
Com a experiência infrutífera na Europa, o regresso ao seu país serviria também relançar uma carreira ligeiramente fragilizada pelo insucesso vivido no “Velho Continente”. Ainda assim, a sua reputação permitir-lhe-ia, nos anos seguintes, ingressar em emblemas de grande monta. Flamengo, onde venceria a Copa do Brasil de 1990, Santos e Palmeiras seriam as equipas que acolheriam o atleta e que precederiam mais um par de aventuras no estrangeiro. No Japão e no Uruguai, respectivamente ao serviço dos Yokohama Marinos e Nacional de Montevideu, Edu Marangon passaria mais algumas temporadas. Já a entrar na fase descendente da sua caminhada como atleta profissional e de volta ao “Brasileirão”, Coritiba, Inter de Limeira e Bragantino transformar-se-iam nos derradeiros emblemas da sua caminhada como futebolista.
Depois viriam os afazeres de treinador. Sem conseguir apartar-se da modalidade, o antigo centrocampista encetaria o seu trajecto como técnico. Ainda que sem o destaque merecido aos seus tempos de jogador, Edu, com participações feitas nos diferentes escalões do futebol “canarinho”, tem trilhado um caminho meritório. Destaque também para as suas experiências como dirigente e para o trabalho realizado no Santacruzense e na Portuguesa Santista.

1089 - VERMELHINHO

Nascido Carlos Manuel Oliveira da Silva, conhecido no futebol como Vermelhinho, o avançado emergiria das afamadas “escolas” da Sanjoanense. No emblema do distrito de Aveiro subiria aos seniores. Passaria, depois, pelo Paços Brandão e, finda a cedência, com o regresso à terra do calçado e chapelaria, continuaria a alimentar as suas qualidades ao ponto de, no Recreio de Águeda, conseguirem ver nele as características certas para reforçar o plantel de 1980/81.
Ao subir um patamar na competição, mas ainda na 2ª divisão, o atacante prosseguiria a afinar a velocidade, a técnica e toda uma cadência ofensiva que nele viria a tornar-se famosa. Já a meio da temporada de 1982/83, sem nunca ter disputado o patamar máximo português, veria no FC Porto a maior oportunidade da carreira desportiva. No entanto, na campanha de estreia nas Antas, apenas viria a jogar na Taça de Portugal. Novas chances surgiriam na época seguinte. Nesse sentido, a alteração acabaria por ser significativa e apesar de não ser um jogador da “linha-da-frente”, a utilização regular do extremo-esquerdo conferir-lhe-ia um novo estatuto. Mais cimentado ficaria ainda o seu valor, quando, na caminhada dos “Dragões” até à final da Taça dos Vencedores das Taças de 1983/84, o golo concretizado por si frente ao Aberdeen, selaria a presença do emblema luso na derradeira partida da prova.
Também a selecção portuguesa marcaria o seu percurso competitivo. Sem ter qualquer chamada ao principal conjunto luso, Vermelhinho seria convocado ao grupo que viajaria até França, para competir no Euro 84. Mesmo sem ter disputado qualquer jogo na fase final do certame gaulês, o seu nome manter-se-ia nos planos da equipa nacional. A estreia viria a acontecer pouco tempo depois. Ainda em Junho desse ano, o atleta seria arrolado para a peleja marcada frente à congénere jugoslava e, na disputa desse “amigável”, obteria a primeira de 2 internacionalizações “A”.
Na “Cidade Invicta” o avançado continuaria a trilhar um percurso que culminaria num total de 6 temporadas de “azul e branco”. Pelo meio, o “empréstimo” ao Desportivo de Chaves inscreveria o nome de Vermelhinho na história do emblema transmontano. Com as cores dos “Flavienses”, o extremo-canhoto participaria na inédita campanha europeia. Na Taça UEFA de 1987/88, o atleta jogaria os 4 jogos disputados pelo clube. Já no final desse ano, voltaria ao Estádio da Antas para terminar uma etapa que, ao seu palmarés, somaria uma faustosa série de títulos. Com o destaque a ter de ser dado à conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1986/87, também o seu currículo ficaria colorido pelas vitórias em 2 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças.
Depois de finda a ligação com o FC Porto, o avançado entraria na derradeira fase da carreira. O Sporting de Braga, na temporada de 1989/90, marcaria a sua última campanha disputada na 1ª divisão. Seguir-se-iam, já nos patamares secundários, a passagem pelo Sporting de Espinho e o regresso à Sanjoanense. No emblema de São João da Madeira, de volta à colectividade onde tinha terminado o percurso formativo, Vermelhinho poria um ponto final na caminhada desportiva e, em definitivo, afastar-se-ia do futebol.

1082 - DOUGLAS

Seria no Cruzeiro, entre as “escolas” e a equipa profissional, que Douglas cumpriria grande parte do trajecto desportivo. Já no início da década de 1980, depois de completar a formação, o médio chegaria à categoria principal e rapidamente conquistaria um lugar de destaque. Para a campanha de 1982, a 2ª temporada do atleta no conjunto sénior, assumir-se-ia como um dos elementos mais utilizados no emblema de Belo Horizonte. Essa evolução levá-lo-ia também a entrar nas contas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Com as cores da selecção, em 1983, participaria no afamado Torneio de Toulon. Porém, o melhor viria a acontecer e ainda no ano do aludido certame francês, incluído no “Escrete”, disputaria a Copa América.
Ao consagrar-se como um médio completo, mordaz a defender e elegante com a bola nos pés, o jogador manter-se-ia como um dos pilares da equipa. Ainda que com o Cruzeiro longe dos títulos nacionais e internacionais, a qualidade que Douglas continuaria a demonstrar dentro de campo, faria com que o seu nome, com regularidade, fosse inscrito nas convocatórias para a selecção do Brasil. Esse facto transformar-se-ia num tónico importante para a sua promoção. Com o avançar da sua carreira, os especulados interesses vindos da Europa começariam a crescer e não tardaria muito para que a mudança tomasse lugar.
Após ajudar à vitória nas edições de 1984 e de 1987 do “Estadual” de Minas Gerais e de, no último dos anos referidos, ter também repetido a presença na Copa América, Douglas começaria a preparar-se para outros desafios. Depois de uma curta passagem pela Portuguesa dos Desportos, ao médio chegaria uma proposta vinda de Itália. Porém, com tudo acordado com um emblema da “Serie A”, os planos alterar-se-iam – “Na época tinha tudo acertado para ir para o Torino através do Juan Figger. Ia eu e o Muller. E o Silas e o Edu iam para o Sporting (…). Lá conseguiram convencer o Figger e o Torino e fez-se a troca: fui eu para o Sporting e o Edu para o Torino (…). Eu sabia que o Torino dificilmente ia conquistar títulos e no Sporting tinha mais possibilidades. Era uma equipa grande, como o Cruzeiro”*.
Cumprido o câmbio, Douglas chegaria a Alvalade para a temporada de 1988/89. Apesar da forte concorrência no miolo do terreno, o médio afirmar-se-ia como um elemento de grande preponderância. Durante 4 temporadas jogaria com bastante regularidade. Contudo, a sua passagem por Portugal não ficaria isenta de polémicas. Com um penteado diferente, a camisola por fora dos calções e a meias ao fundo das canelas, o atleta, por culpa do visual, acabaria transformado num bode expiatório. Ainda que longe de qualquer falha, alguns sectores da imprensa insistiriam em apontá-lo como o culpado para os parcos resultados colectivos. Injustiças à parte, a verdade é que para a maioria dos adeptos leoninos, o médio seria visto como um dos bons elementos do plantel.
Em 1992, Douglas deixaria Alvalade para voltar ao Brasil. De regresso ao Cruzeiro, o médio faria parte de uma época de grande sucesso para o clube. Aliás, a sua presença, muito mais do que importante, seria fulcral. Prova desse seu valor, seria o apreço mostrado pelos outros membros do plantel. Por entre a conquista de vários títulos, onde podem ser incluídos os Campeonatos Mineiros de 1992 e 1994, a Copa Brasil de 1993 e a Supercopa Libertadores de 1992, o jogador viveria um episódio curioso. Perto de terminar o contrato, a direcção do clube parecia não mostrar grande assertividade no momento de renovar a ligação. Nesse impasse, seriam os próprios colegas que, perante os responsáveis da colectividade, acabariam por exigir o selar de um novo vínculo.
Com o fim da temporada de 1995, e depois de um ano com as cores do Ponte Preta, o atleta tomaria a decisão de terminar a carreira de futebolista. Ao passar a dedicar-se à produção pecuária, o antigo médio, durante largos anos, afastar-se-ia do desporto. Porém, essa separação haveria também de conhecer o final. Já no novo milénio, Douglas haveria de aceitar um novo desafio. Ao conciliar a actividade agrícola com os afazeres de treinador, orientaria o Itaúna e, posteriormente, o Jataiense.

*retirado do artigo de João Tiago Figueiredo, publicado em https://maisfutebol.iol.pt, a 26/05/2016

1069 - LUÍS MIGUEL

O FC Porto dar-lhe-ia notabilidade suficiente para que da Federação Portuguesa de Futebol surgisse a oportunidade de vestir a camisola das selecções jovens. Num percurso que, entre todos os escalões representados, daria ao jogador mais de 3 dezenas de internacionalizações, Luís Miguel viveria o apogeu no Mundial sub-20 de 1991.
Por uma infeliz curiosidade, seria também no torneio organizado em Portugal que o médio-ala esquerdo passaria pelo momento que, de forma significativa, iria mudar o rumo da sua vida desportiva. Já aleijado no pé esquerdo, a partida frente à Coreia, a contar para a 3ª ronda da fase de grupos, acabaria por agravar a lesão. Pouco tempo depois, a 30 de Junho, um Estádio da “Luz” a transbordar de público, consagrá-lo-ia como campeão do mundo de sub-20. Porém, Luís Miguel sairia de Lisboa derrotado e com o infortúnio vivido uns dias antes, a sentenciar a sua, ainda curta, carreira.
Mas se por altura do referido Mundial, Luís Miguel vestia as cores do Rio Ave, a nova época e um novo empréstimo pô-lo-iam na rota do Gil Vicente. A estreia na 1ª divisão, nessa temporada de 1991/92, poderia ter servido para alimentar a ilusão de um percurso profissional ambicioso. Todavia, a verdade depressa destaparia uma realidade bem diferente. Ao ser operado à fractura no escafóide, o recobro atirá-lo-ia para um calvário de vários meses afastado dos relvados. Para degradar ainda mais a sua já frágil situação, o final dessa campanha serviria para, de uma forma muito cínica, piorar a sua condição física.
Recuperado das mazelas, o médio seria chamado para jogar a edição de 1992 do Torneio de Toulon. No entanto, a convocatória e a posterior vitória de Portugal, vistas como um verdadeiro tónico para uma esperança depauperada por tão grave lesão, serviria apenas para mitigar um pesadelo que viria a tornar-se bem maior – “Pois é. Na altura de dar o salto, fiquei pelo caminho. No Gil Vicente estive parado 8 meses e, depois do Torneio de Toulon, mais 22 meses de paragem, quando tinha tudo acertado com o Belenenses. Felizmente, o FC Porto, a quem estava ligado contratualmente, sempre me ajudou”*.
O ressurgimento do problema físico desviá-lo-ia, de uma forma definitiva, de um percurso que, durante largos anos, muitos tinham projectado como auspicioso. Daí em diante, o seu trajecto cingir-se-ia aos escalões secundários. O União de Lamas e o Cucujães acabariam, desse modo, por tornar-se nos dois emblemas mais representativos de uma carreira de futebolista que, ainda assim, duraria para além da passagem do milénio.
Depois, e já numa altura em que trabalhava para uma empresa transformadora de cortiça, Luís Miguel decidir-se-ia por frequentar o Curso de Treinadores de 1º Nível. Como técnico, o antigo médio tem trilhado o seu caminho pelos patamares inferiores do futebol português e, para a temporada de 2020/21, já foi dado como o novo timoneiro do União de Lamas.


*retirado do artigo de Paulo Montes, publicado na revista “A fantástica viagem da geração de ouro” (Edição “A Bola”)

1038 - JORGE FERREIRA

Seria ainda como atleta do Barreirense, emblema onde terminaria a sua etapa formativa, que o jovem defesa começaria a dar nas vistas. Mesmo a disputar a 2ª divisão, as características de Jorge Ferreira permitir-lhe-iam exibições com qualidade suficiente para que da Federação Portuguesa de Futebol quisessem a sua presença nas camadas jovens. Depois de, como júnior, envergar a “camisola das quinas” no Europeu de 1984, a sua chamada aos sub-21 levá-lo-ia, na edição de 1987, a participar no afamado Torneio de Toulon.
Já na categoria principal do conjunto da cidade do Barreiro, onde chegaria na temporada de 1984/85, o central jogaria durante 4 campanhas. Ao conseguir ser um dos titulares da equipa e mantendo-se nas convocatórias das jovens selecções portuguesas, a única surpresa seria o tempo que acabaria por demorar a chegar ao patamar máximo do nosso futebol.
Teria que esperar pelo “defeso” de 1988 para que no Vitória de Setúbal consumasse a meta de chegar à 1ª divisão. A mudança para a capital de Distrito levá-lo-ia à melhor fase da carreira. Mesmo com a concorrência de experientes colegas como Edmundo, Eurico ou Zezinho, Jorge Ferreira conseguiria conquistar o seu espaço no plantel. Como central ou, por vezes, a competir um pouco mais avançado no terreno, o atleta continuaria a ser visto como um jogador de topo. Aliás, muito mais do que alicerçar-se como um futebolista primodivisionário, o defesa, durante a sua estadia na margem direita do Sado, chegaria ao estatuto de internacional. Depois do percurso já feito como as cores lusas, em Agosto de 1989, o atleta conquistaria a sua primeira internacionalização “A”. Com a estreia, num particular frente à Roménia, a acontecer no Estádio do Bonfim, a essa primeira convocatória seguir-se-iam mais 3 chamadas por Portugal.
Com a despromoção dos “Sadinos” no final de 1990/91 e com a impossibilidade do regresso da equipa ao principal patamar do nosso futebol, dar-se-ia a transferência de Jorge Ferreira para o Sporting de Braga. A ida para o Minho em nada afectaria as suas exibições. Mais uma vez como um dos elementos importantes do “onze”, a sua passagem pelos “Arsenalistas” traria ao seu percurso profissional mais 4 campanhas na 1ª divisão. Curiosamente, seria a ida para o Campomaiorense que permitiria algo inédito na sua carreira. Com os Alentejanos a conseguirem uma progressão fantástica na edição de 1998/99 da Taça de Portugal, o central também ajudaria a conquistar a presença no Jamor. Para sua infelicidade, o defesa acabaria por não comparecer no relvado do Estádio Nacional. Pior ainda, teria de assistir à derrota da sua equipa frente ao Beira-Mar.
A passagem por Campo Maior marcaria o fim da sua história na 1ª divisão. União da Madeira, Alcochetense e, já nos “regionais” de Setúbal, o Quintajense marcariam o derradeiro capítulo do seu percurso enquanto desportista. Apesar de uma duradoura carreira que, em 2008, terminaria para além dos 40 anos de idade, a sua ligação à modalidade manter-se-ia. Depois de “penduradas as chuteiras”, o antigo internacional ainda experimentaria as tarefas de treinador. De regresso ao Barreirense, em 2009 Jorge Ferreira abraçaria as funções de técnico-adjunto.

716 - JORGE COUTO

É já nos últimos anos da sua formação que Jorge Couto chega ao FC Porto. Veloz e com boa técnica, as movimentações que fazia no ataque possibilitavam que, muitas das vezes, aparecesse em boa posição para finalizar. Essas suas características, mesmo tendo em conta a sua entrada tardia para as escolas “Azul e Brancas”, permitiriam com que o atacante conseguisse afirmar-se com alguma facilidade.
A rapidez da sua evolução faria com que, para além do clube, também da selecção quisessem testar as suas qualidades. Nesse caminho, o extremo-direito acabaria por despertar a atenção de Carlos Queiroz, que o chamaria a vestir a camisola de Portugal. Integrando o primeiro lote daquela que ficaria conhecida como a “Geração d’Ouro”, seria convocado a participar no Mundial s-20 de 1989. Na Arábia Saudita, já no seu primeiro ano como sénior, o atleta seria de importância fulcral na conquista do referido troféu. Na final, onde a jovem equipa “lusa” defrontaria a congénere nigeriana, Jorge Couto marcaria um dos golos que permitiram a Portugal vencer por 2-0.
A sua estreia pela principal equipa do FC Porto, já depois de um ano emprestado ao Gil Vicente, aconteceria na época de 1989/90. O traquejo conseguido ao serviço dos de Barcelos, que por altura da sua cedência disputavam a Divisão de Honra, servira para simplificar a sua integração no plantel portista. Num grupo de gabarito, Jorge Couto, logo nesse primeiro ano, conseguiria a proeza de ver o seu nome, por diversas vezes, fazer parte da lista de titulares.
Mesmo sem chegar ao estatuto de “indiscutível”, a frequência com que era trazido a jogo, valer-lhe-ia, durante o decorrer da primeira temporada nas Antas, a chamada à selecção “A” portuguesa. Na Maia, o jogo com os Estados Unidos da América, marcaria um percurso que, apesar de ser feito apenas de amigáveis, contaria com 6 partidas disputadas.
Uma das razões que poderão justificar a falta de mais internacionalizações, prender-se-á com a perda de preponderância a que o jogador, depois dos dois primeiros anos de “Dragão” ao peito, ficou sujeito. Mais sentido a partir do tempo em que estava sob a alçada de Bobby Robson, o afastamento do atacante levá-lo-ia a alterar o rumo da sua vida profissional. A chance de mudar surgiria alguns anos depois, com a compra de Artur ao Boavista. No decorrer das negociações, o nome de Jorge Couto surgiria como “moeda de troca” e, desse modo, ser-lhe-ia dada a oportunidade de, no Estádio do Bessa, dar seguimento à carreira.
Já depois de vencer 5 Campeonatos, 2 Taças de Portugal e 3 Supertaças pelo FC Porto, Jorge Couto passa a integrar um Boavista que estava, cada vez mais, próximo dos ditos “grandes”. A sua contratação acabaria por ser de grande importância no reforço da equipa. Impondo-se como um dos homens mais importantes nas manobras do clube, também de “xadrez” haveria de conseguir amealhar alguns títulos. A vitória na Taça de 1996/97 e na Supertaça do ano seguinte, acabariam por servir de mote para que, ao que consta, o FC Porto tentasse o seu regresso. Contudo, o jogador continuaria a vestir as cores da “Pantera” e, já em 2000/01, nos derradeiros anos como futebolista, acabaria por auxiliar o Boavista a sagrar-se Campeão Nacional.
Depois de ter ajudado a escrever um dos mais belos episódios na história boavisteira, eis que o antigo jogador, outra vez ao serviço do clube, volta ao futebol. Como adjunto, primeiro de Sánchez e, já depois do despedimento deste, do treinador Miguel Leal, Jorge Couto é, por esta altura (2016/17), parte integrante da equipa técnica “axadrezada”.

658 - TONI

Era ainda júnior do FC Porto, quando Carlos Queiroz o inclui na lista de convocados para o Mundial S-20 de 1991. Sendo ele um dos poucos que, por essa altura, ainda não havia iniciado a sua carreira sénior, em nada as suas exibições deixavam transparecer tal circunstância.
Como um dos mais assíduos no relvado, Toni acabaria por ter o seu momento mais alto nos quartos-de-final do torneio. Frente a um México que se apresentava fortíssimo, Portugal acabaria por ver o encontro estender-se para o prolongamento. No tempo extra, o avançado, que no decorrer do período regulamentar havia, escandalosamente, falhado um sem-número de golos, acabaria por salvar a eliminatória. Com o “placard” a indicar 1-1, é então que, ao passar do minuto 101, e para júbilo dos milhares presentes na “Luz”, Toni lá acerta na baliza!
Com a vitória no Mundial a servir de impulso, Toni acabaria por conquistar um lugar na categoria principal do FC Porto. Com os “Dragões” a serem comandados pelo brasileiro Carlos Alberto Silva, Toni faria a sua estreia na temporada de 1991/92. Contudo, e num balneário que contava, só para o sector ofensivo, com nomes como os de Domingos ou Kostadinov, depressa se entenderia que o atacante teria a vida bastante complicada.
A dificuldade em afirmar-se, acabaria por levá-lo a sucessivos empréstimos. Com passagens por Sp.Braga e Beira-Mar, Toni, sem sair da 1ª divisão, lá ia ganhando algum traquejo. Todavia, as exibições que ia amealhando acabariam por nunca ser suficientes para que vissem nele valor suficiente para o fazer regressar ao FC Porto.
É no seguimento destas cedências, que o ponta-de-lança acaba por ver o Salgueiros a oferecer-lhe um contrato de trabalho. Em Paranhos, onde chegaria no encetar da temporada de 1995/96, conseguiria, longe da vivacidade que prometeriam os seus anos de formação, alguma estabilidade na carreira. Presenças regulares no rol dos chamados a jogo, e golos quanto baste, haveriam de o pôr na lista de interesses de outros emblemas.
Na sequência de 3 razoáveis anos no Estádio Vidal Pinheiro, o Marítimo decide apostar nos seus préstimos. Contudo, muito longe de ser prometedora, a mudança para a Madeira acabaria por revelar-se desastrosa. Quase sempre preterido nas escolhas dos treinadores, o avançado, ao fim de época e meia, acabaria por sair.
Se a aposta no emblema do Funchal, em termos desportivos, viria a tornar-se num passo atrás, o que se sucederia nos anos vindouros, ainda mais afastariam Toni dos principais palcos futebolísticos. Ora, com uma carreira que, sem ser brilhante, ainda assim, nunca havia fugido do nosso patamar máximo, o avançado enfrentaria, doravante, uma nova realidade. Ao representar emblemas como, Leça, Vilanovense, ou, ainda, na sua experiência na 2ª divisão B espanhola (Burgos), o atleta veria a sua carreira diluir-se pelos escalões secundários.
É já neste trilho que o avançado chega ao Luxemburgo. No Grão-Ducado acabaria por ver chegar o fim da sua carreira. Ao ver-se afastado das altas rodas do futebol, ao antigo jogador pouco mais restaria do que tentar encontrar nova actividade. Toni, que, noutras andanças, havia sido Campeão do Mundo por Portugal e Campeão Nacional pelo FC Porto, iria encontrar nova oportunidade numa empresa de construção civil – “Nem todos podíamos seguir o mesmo caminho, não podíamos ser todos considerados o melhor do Mundo, como o Figo foi, ou ter uma carreira como tiveram Rui Costa, João Pinto, Abel Xavier e muitos outros”*.

*retirado do artigo de www.maisfutebol.iol.pt, a 21/06/2011