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1791 - RAUDNEI

Produto das “escolas” do Clube Atlético Juventus, Raudnei Anversa Freire, desde muito cedo, seria aferido como uma das grandes promessas da colectividade de São Paulo. Fruto dessa avaliação, o avançado, com a estreia sénior a acontecer no decorrer da temporada de 1985, depressa começaria a ser cobiçado por emblemas com maiores ambições. No entanto, mesmo cimentado como uma das figuras centrais do emblema sediado no bairro da Mooca, o atleta, ainda assim, manter-se-ia no clube por mais algum tempo. Tal cenário viria a alterar-se durante a 3ª campanha do atacante no “Moleque Travesso” e a viagem a levá-lo até à Europa apresentá-lo-ia a um cenário competitivo bem diferente.
Como reforço para o plantel de 1987/88 do FC Porto, num contrato com a durabilidade de 6 anos, Raudnei, mesmo ao exibir qualidades diferenciadoras, teria grandes dificuldades em conquistar o seu espaço. Tamanha contrariedade, em muito, teria a ver com a forte concorrência de Fernando Gomes, Madjer, Jorge Plácido e até de Domingos. Porém, outro factor haveria igualmente de contribuir para o seu ocaso e a maneira atribulada como tinha chegado às Antas teria um peso gigantesco na falta de oportunidades – “O Ivic e a equipa técnica tinham pedido outro jogador. Naquele momento, o meu empresário – Delane Vieira, muito ligado ao FC Porto e a Pinto da Costa – acabou por convencer o presidente que eu era uma melhor opção, até por ser um atleta mais jovem. Isso acabou por me prejudicar, porque o treinador não me queria. Tive muitas dificuldades”*.
Mesmo com poucas presenças em campo, as partidas disputadas por Raudnei dar-lhe-iam o direito de fazer parte do rol de atletas a inscrever o seu nome na conquista da “dobradinha” de 1987/88. Ainda assim, e ao começar a temporada seguinte com as divisas dos “Azuis e Brancos”, o avançado acabaria por ser emprestado. Duas épocas no Deportivo La Coruña, à altura a competir no segundo escalão espanhol, precederiam o seu regresso a Portugal e as passagens discretas, ambas com a duração de apenas uma campanha, pelo Belenenses e pelo Gil Vicente.
A seguir a envergar o emblema de Barcelos, onde seria orientado por António Oliveira, Raudnei, já livre do acordo contratual a ligá-lo ao FC Porto, voltaria ao Brasil. No país natal, com algumas experiências, pelo meio, feitas no estrangeiro, casos dos espanhóis do Castellon ou dos nipónicos do Kyoto Purple Sanga, o avançado construiria uma carreira numa base em que as transferências de um emblema para outro viriam a tornar-se numa constante. Ainda assim, mesmo tendo em conta as inúmeras mudanças de colectividade, uma delas haveria de conferir à sua caminhada profissional um dos momentos mais importantes e o golo, concretizado pelo Bahia numa partida frente ao Vitória, daria o empate a uma bola e selaria a conquista da edição de 1994 do “Estadual” Baiano pelo conjunto da cidade de Salvador.
Como destapado no parágrafo anterior, a carreira de Raudnei haveria de ficar colorida por um enorme número de emblemas. Pelo meio de 20 colectividades diferentes, e ao não querer repetir os nomes das agremiações mencionadas ao longo deste texto, posso também fazer referência às suas passagens pelo Guarani, América do Rio de Janeiro, Paraná, Ituano, Santo André ou Portuguesa dos Desportos. Já com o fim da caminhada enquanto praticante profissional, anunciada em 1999, o antigo atacante haveria de encontrar outras funções para desempenhar dentro da modalidade e tanto como empresário, como nas tarefas de dirigente, o ex-jogador tem vindo a manter a sua ligação ao futebol.

*retirado da entrevista conduzida por Pedro Jorge da Cunha, publicada a 1/10/2020, em https://maisfutebol.iol.pt/

1737 - BARRIGA

Formado nas “escolas” do Paços de Ferreira, seria igualmente ao serviço dos homens a jogar em casa no Estádio da Mata Real que Joaquim Ângelo Brandão Ferreira, popularizado no desporto pela alcunha Barriga, encetaria o trajecto enquanto sénior. No principal conjunto dos “Castores” a partir da temporada de 1982/83, o jovem atleta, num plantel orientado por Ferreirinha, começaria por disputar a zona norte da 2ª divisão. No entanto, mesmo actuando, numa mão cheia de anos, apenas nos cenários secundários, o defesa-esquerdo, baixo em estatura, mas enorme na entrega e na ousadia, começaria a destacar-se no seio da sua equipa e veria um dos “grandes” do futebol português, numa altura em que já tinha conseguido afirmar-se como titular indiscutível da agremiação pacense, a interessar-se pelo seu concurso.
Com a aposta do FC Porto a levá-lo até às Antas na campanha de 1987/88, Barriga entraria nos “Azuis e Brancos” ainda no rescaldo da vitória da colectividade na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Recebido no comando técnico pelo jugoslavo Tomislav Ivic, a concorrência de Inácio faria com que o jogador tivesse muitas dificuldades em conquistar diversas oportunidades para demonstrar o seu valor dentro de campo. Ainda assim, mesmo com poucas inscrições na ficha de jogo, o atleta teria o direito a figurar no rol de nomes associados aos triunfos na Taça de Portugal e no Campeonato Nacional.
As poucas aparições em campo fariam com que os responsáveis pelos “Dragões” vissem no seu empréstimo uma boa oportunidade para a carreira do lateral-esquerdo. Nesse sentido, sem deixar o escalão máximo, Barriga passaria a temporada de 1988/89 com as cores do Sporting de Espinho. As boas exibições conseguidas pelos “Tigres da Costa Verde” viriam a garantir-lhe, na campanha seguinte, um lugar no plantel do FC Porto. Contudo, tal como na experiência anterior, o atleta ver-se-ia tapado por outro colega e na sombra do internacional brasileiro Branco, o defesa, apesar de acrescentar ao palmarés pessoal a conquista do Campeonato Nacional de 1989/90, poucas vezes viria a exibir-se com o listado dos “Azuis e Brancos”.
Embora envolto na desilusão vivida nas Antas, a verdade é que a sua qualidade continuaria a ser apreciada por outros emblemas. Continuando a acrescentar campanhas na principal prova do calendário luso, a saída da “Cidade Invicta” levá-lo-ia até ao plantel de 1990/91 do Marítimo. Após a estadia na Madeira, seguir-se-ia o regresso ao Paços de Ferreira para inscrever o seu nome no grupo de trabalho que, sob as ordens de Vítor Oliveira e pela primeira vez na história, haveria de estrear-se no escalão máximo. Ainda no mesmo contexto competitivo, completando desse modo meia dúzia de temporadas consecutivas no cenário primodivisionário, Barriga manter-se-ia pela Mata Real por mais uma campanha. Já com o fim do percurso como futebolista à vista, o defesa-esquerdo acabaria por rubricar um contrato com o Leixões e no fim da época de 1993/94 tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Mesmo ao terminar a carreira como praticante profissional, Barriga ainda voltaria a ligar-se ao futebol e no papel de treinador, como são exemplo as passagens pelo Citânia de Sanfins e pelos Leões da Citânia, o antigo atleta manteria acesa a sua paixão pela modalidade.

1629 - PAIVA

Com a formação terminada nas “escolas” do Marítimo, seria nos “Leões do Almirante Reis” que Marco Paulo Paiva Rocha, no decorrer da campanha de 1990/91 faria a transição para as provas de índole sénior. Chamado ao conjunto principal por Ferreira da Costa, o médio defensivo, após a partida do referido técnico e com a chegada ao comando dos “Insulares” do brasileiro Paulo Autuori, depressa conseguiria consolidar-se como um dos elementos mais importantes dos esquemas tácticos idealizados para as pelejas dos “Verde-rubro”.
Não só como um dos titulares do Marítimo, mas igualmente a sobressair-se como uma das grandes figuras da formação funchalense, Paiva seria chamado aos trabalhos dos grupos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Incluído nos planos dos sub-21, o “trinco”, a 14 de Novembro de 1991, faria a estreia, no mencionado escalão, num desafio de preparação agendado frente a Angola. Depois dessa partida comandada pelo treinador Nelo Vingada, o jogador continuaria a merecer a confiança dos responsáveis técnicos da selecção e viria, por mais algumas vezes, a ser convocado a envergar a “camisola das quinas”. Nessa caminhada, a incluir um somatório de 7 jogos feitos pelos “esperanças” e a abranger também a participação na edição de 1993 do Torneio Internacional de Toulon, o médio-defensivo teria ainda a oportunidade de representar a equipa “A”. Numa altura em que já vestia as cores do Vitória Sport Clube, Humberto Coelho chamá-lo-ia para um “amigável” e frente a Moçambique, a 19 de Agosto de 1998, o atleta adicionaria ao currículo 1 internacionalização pelo principal conjunto de Portugal.
Com as cores do Marítimo, Paiva manter-se-ia, ao longo de 4 temporadas, como um dos principais pilares da equipa. Nesse contexto, seria uma das caras a ajudar o emblema da Madeira a atingir o 5º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão de 1992/93. Tal feito, levaria o emblema sediado na cidade do Funchal a conseguir a qualificação para as provas de cariz continental. Já na disputa da Taça UEFA de 1993/94, o jogador, chamado à contenda por Edinho, participaria naquela que viria a tornar-se na ronda de estreia dos “Insulares” em competições além-fronteiras. Tamanha preponderância faria com que emblemas de outra monta começassem a interessar-se pela sua contratação. O Benfica seria a colectividade a convencer o atleta a mudar-se. No entanto, após ter participado, pelas “Águias”, na pré-temporada de 1994/95, o “trinco” seria dispensado por Artur Jorge e, emprestado ao Famalicão, acabaria a disputar a divisão de Honra.
Incluído no negócio da ida de Hassan para a Luz, Paiva, na campanha de 1995/96, daria continuidade à carreira ao serviço do Farense. No Algarve, mais uma vez à custa de uma estreia nas provas continentais, o atleta inscreveria o seu nome na história de outro clube. Comandado pelo catalão Paco Fortes, disputaria a Taça UEFA, numa ronda a contar também com o Olympique de Lyon. Seguir-se-ia mais uma temporada em que, para além de cimentar o estatuto de elemento primodivisionário, ainda conseguiria afirmar-se como um dos praticantes mais apetecíveis a jogar na sua posição. Essa aferição levá-lo-ia a nova transferência e a mudança para o Vitória Sport Clube dar-lhe-ia um novo impulso ao trajecto enquanto desportista.
No Minho a partir de 1997/98, um dos marcos alcançados pelo jogador, como já aludido neste texto, seria a internacionalização “A” por Portugal. Ainda nos anos a representar os “Conquistadores”, o médio-defensivo daria o seu contributo para diferentes momentos na história colectiva do clube, com principal realce para o 3º lugar no Campeonato Nacional, alcançado na temporada da sua chegada à “Cidade Berço”, ou para as qualificações para as provas sob a intendência da UEFA. Nesse contexto, onde poderei afirmar as 4 épocas por si passadas em Guimarães como o período mais consistente da sua carreira, a surpresa da sua partida apanharia desprevenido até o mais atento. De seguida, apresentado no Santa Clara como reforço do plantel de 2000/01, o atleta encetaria em Ponta Delgada o último trecho cumprido entre os “grandes”. Já com a descida da agremiação micaelense, a época de 2003/04 daria azo ao regresso de Paiva aos escalões secundários. Nesse cenário competitivo, naqueles que viriam a tornar-se nos últimos capítulos da sua caminhada como futebolista, o “trinco”, após envergar as camisolas do Maia, do União da Madeira e do Machico, decidir-se-ia pelo fim da senda competitiva, com o termo das provas agendadas para 2009/10.
Logo de seguida assumiria o comando técnico do Machico, numa carreira como técnico que, alguns anos depois, levá-lo-ia também a aceitar um cargo na estrutura de formação do Marítimo.

1582 - DRAGOLOV

Produto das “escolas” do Beroe, Vasili Ivanov Dragolov, como tantos outros jovens na sua condição, antes de conseguir afirmar-se na equipa principal do clube que o havia formado, teria ainda de passar por outro emblema. Com a estreia sénior a ocorrer no plantel de 1979/80 do Hebar Pazardzhik, para o avançado-centro seguir-se-ia o regresso à colectividade sediada na cidade de Stara Zagora. Ao passar a integrar o plantel principal dos “Verdes” na temporada 1980/81, o jogador encetaria uma longa caminhada onde, no decorrer de 8 campanhas consecutivas, contribuiria para os sucessos do colectivo e igualmente para cevar a sua cotação no futebol da Bulgária.
O primeiro desses êxitos viria com a inédita vitória do seu clube no Campeonato búlgaro. Num emblema habituado à luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa e por várias qualificações para as provas de índole continental, a época de 1985/86 traria a Dragolov várias novidades à sua senda competitiva. Nesse sentido, ao lado de nomes com passagens pelo futebol luso, casos de Peytchev, Kachmerov e Anguel Kostadinov, o ponta-de-lança tornar-se-ia numa das principais figuras da conquista referida no começo do parágrafo. Como primeira consequência dessa brilhante caminhada, ele que já contava com presenças nas “esperanças”, viriam as convocatórias para a principal selecção da Bulgária. Chamado ao “onze” por Ivan Vutsov, o atleta entraria em campo, a 23 de Abril de 1986. No entanto, após essa partida forasteira frente à Bélgica, viriam ainda: uma segunda internacionalização num jogo com a Coreia do Norte, um golo nesse encontro frente à congénere asiática e a sua inclusão na lista de desportistas a viajar para o Mundial de 1986.
No certame organizado no México, o atacante faria parte de uma comitiva a incluir um largo rol de atletas que ficariam conhecidos em várias colectividades portuguesas. Todavia, com Mihaylov, Petrov, Sadakov, Mladenov, Gospodinov, Getov, Radi e Kostadin Kostadinov, como componentes desse balneário, a Bulgária claudicaria logo na Fase de Grupos. Para piorar o cenário, Dragolov tornar-se-ia num dos jogadores sem qualquer minuto em campo na passagem pelo Campeonato do Mundo. Ainda assim, a sua cotação não sairia beliscada e o ponta-de-lança manter-se-ia como uma das figuras mais apreciadas no futebol do seu país.
O valor que soube manter ao longo de uma década como futebolista sénior levá-lo-ia além-fronteiras. Com a abertura do Bloco de Leste ao Ocidente e depois da passagem pelo plantel de 1988/89 do Levski Sofia, à altura denominado Vitosha Sofia, Dragolov teria a primeira experiência no estrangeiro. Com o avançar do seu trajecto desportivo, os gregos do Larissa e do Ionikos antecederiam a passagem por Portugal. Com a entrada no Torreense a acontecer na temporada de 1991/92, o ponta-de-lança apanharia o emblema saloio de regresso ao escalão máximo. Comandado por Manuel Cajuda, o jogador assumir-se-ia como um dos principais nomes da equipa. Porém, apesar de pertencer a um grupo com nomes de boa monta, as prestações colectivas, com o 16º lugar no termo do Campeonato Nacional, não mais dariam do que a despromoção. Mesmo assim, o atleta manter-se-ia no grupo a pelejar já no panorama secundário luso e a sua saída do conjunto sediado no Oeste verificar-se-ia apenas no final da época de 1992/93.
Depois do regresso à Bulgária, onde viria, de novo, a representar o Beroe e também o Cherno More, Dragolov acabaria por “pendurar as chuteiras”. Retirado dos relvados, o antigo avançado manter-se-ia ligado ao futebol e passaria a contar no currículo com as funções de treinador do Lokomotiv de Stara Zagora e de dirigente do Beroe.

1518 - BRUNO

Filho de Abílio, membro do plantel primodivisionário do Torreense que disputaria a campanha de 1964/65, Bruno Vaza Ferreira também seguiria as pisadas do pai e na temporada de 1988/89, após já ter participado em pelejas agendadas para as “reservas”, faria a estreia pelo conjunto principal sediado na Região Oeste. A chegada à primeira equipa, numa altura em que ainda era júnior, aconteceria pela mão de Mário Wilson. Ao lado de jovens nomes como Filipe, Sérgio Santos ou, ligeiramente mais tarde, a partilhar o balneário com Hélder Batista, o médio-centro depressa começaria a revelar-se como um nome importante para as estratégias tácticas dos diferentes treinadores. Já no decorrer da época de 1990/91, o jogador assumir-se-ia como um dos esteios do grupo de trabalho e, depois do 3º lugar conseguido na divisão de Honra, o atleta sublinhar-se-ia como uma das grandes figuras da subida ao escalão máximo.
Orientado por Manuel Cajuda, a agenda de 1991/92 dar-lhe-ia a estreia na 1ª divisão. Porém, os desempenhos colectivos, um pouco a par das prestações individuais do atleta, seriam modestos demais para que o objectivo da manutenção fosse cumprido. Com a despromoção, Bruno manter-se-ia fiel ao clube. Ainda assim, mesmo com o Torreense afastado dos palcos principais do futebol luso, o médio continuaria a evoluir positivamente e realizadas duas campanhas no escalão secundário, o jogador veria um emblema de outra monta a interessar-se pela aquisição do seu passe. Nesse sentido, numa altura em que já tinha sido chamado aos trabalhos da selecção de “esperanças”, a mudança para o Sporting de Braga, onde voltaria a encontrar-se com o treinador mencionado no começo deste parágrafo e também com Hélder, traria outros horizontes à sua carreira e, por consequência, o centrocampista, com a camisola dos “Arsenalistas”, acabaria a viver os melhores anos da sua caminhada competitiva.
Mantendo-se como um dos homens mais utilizados desde a chegada, o primeiro momento alto vivido por Bruno na “Cidade dos Arcebispos”, seria como resultado do 4º posto conseguido com o termo do Campeonato Nacional de 1996/97 e com a consequente qualificação para as provas de índole continental. Inserido o Sporting de Braga na Taça UEFA de 1997/98, Bruno, depois da estreia frente aos neerlandeses do Vitesse, participaria em todas as restantes partidas do conjunto minhoto e ajudaria os “Guerreiros”, com um golo na ronda a opor a sua equipa ao Dínamo Tbilisi, a atingir a 3ª eliminatória da competição, na qual viriam a ser eliminados pelos germânicos do Schalke 04. Já no que diz respeito ao calendário nacional, sem sair da última campanha aludida, o maior destaque iria para a Taça de Portugal. Com os “Arsenalistas” a chegarem ao derradeiro desafio da prova, o médio-centro, escalonado pelo espanhol Alberto Pazos, sairia do banco de suplentes para entrar no jogo frente ao FC Porto. Infelizmente para si e para os seus colegas, os “Dragões” seriam mais forte e o almejado troféu sairia do Jamor em direcção aos escaparates das Antas.
Na temporada seguinte à da partida disputada no Estádio Nacional, para além da presença na Taça dos Vencedores das Taças, Bruno voltaria a participar noutra final. Dessa feita a contar para a Supertaça de 1997/98, o jogador, já a trabalhar na intendência de Vítor Oliveira, também seria chamado à referida contenda. O médio, a marcar presença em ambas as mãos, não veria o FC Porto a facilitar a discussão com o Sporting de Braga e depois da derrota pela margem mínima na ronda inicial, o empate verificado com o termo da partida agendada para o Estádio 1º de Maio, mais uma vez deixaria fugir o troféu para a “Cidade Invicta”.
Ao envergar apenas duas camisolas durante a caminhada competitiva, Bruno manter-se-ia ligado ao Sporting de Braga durante 7 temporadas consecutivas. No entanto, nos últimos anos passados pelo jogador no Minho, uma grave lesão acabaria a precipitar o fim da sua carreira. Ainda assim, o médio regressaria ao Torreense para um derradeira campanha e com o termo da época de 2001/02, com 31 anos apenas, o atleta tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.

1496 - MONTEIRO

Ao terminar a formação já com as cores do Paços de Ferreira, seria no emblema sediado na “Capital do Móvel” que, na temporada de 1985/86, Pedro Monteiro daria o salto para o patamar sénior. Inserido na equipa principal dos “Castores”, o defesa-direito progressivamente começaria a ganhar o seu espaço no grupo de trabalho. Mesmo não sendo um elemento indiscutível na construção do alinhamento inicial, a verdade é que a maneira aguerrida como viria a aproveitar as oportunidades conferidas pelos diferentes treinadores, permitir-lhe-iam, ao longo dos primeiros anos do seu trajecto competitivo, salvaguardar um lugar no seio do plantel.
Inicialmente a competir na antiga 2ª divisão, o primeiro grande momento da sua carreira surgiria na campanha de 1990/91, aquando da participação do Paços de Ferreira na divisão de Honra. A trabalhar sob a alçada do saudoso Vítor Oliveira, numa altura em que as presenças em campo já davam ao atleta uma boa importância nos desenhos tácticos do conjunto pacense, o lateral, muito para além de ajudar à vitória na edição inicial do referido escalão, também inscreveria o seu nome na lista de jogadores participantes numa das mais bonitas páginas da história da colectividade. Com a estreia dos “Castores” no degrau maior do futebol luso a acontecer, como sequência do triunfo do ano anterior, na campanha de 1991/92, o defesa-direito continuaria a manter a sua preponderância. Nesse sentido, as prestações de Monteiro tornar-se-iam de grande peso, nomeadamente na manutenção do clube entre os “grandes”. Porém, após 3 épocas consecutivas na disputa do patamar máximo, a despromoção sofrida com o termo das provas agendadas para 1993/94, não só devolveriam o atleta ao cenário secundário, como marcariam o fim das suas participações na 1ª divisão.
Tendo acompanhado o clube na descida, Monteiro manter-se-ia ao serviço do Paços de Ferreira por mais 3 temporadas. Ao cumprir 12 campanhas com as cores da colectividade da “Cidade do Móvel”, o defesa, mesmo que outras razões não existissem, viria, pela longevidade da sua ligação, a inscrever o seu nome como um dos maiores atletas na história do emblema nortenho. No entanto, apesar do estatuto auferido, a separação entre o jogador e a agremiação dar-se-ia no final de 1996/97. Seguir-se-ia a transferência para o grande rival do clube até então representado e depois de 3 anos no Freamunde, numa caminhada a aproximar-se do fim, surgiriam outras três campanhas ao serviço do Vizela.
Com o regresso a um dos emblemas da sua formação, o Lousada e a experiência no 1º de Maio de Figueiró emergiria o fim da sua carreira como futebolista. Apesar de “penduradas as chuteiras”, Monteiro manter-se-ia ligado à modalidade. Ao abraçar as funções de técnico, como adjunto ou como treinador principal, a sua caminhada já vai bem longa. Numa carreira feita exclusivamente nas divisões secundárias, o antigo defesa, para além dos inúmeros projectos a preencherem o seu currículo, tem tido algumas passagens por colectividades de renome no contexto desportivo português, casos do Desportivo de Chaves, do Famalicão ou do Tirsense.

1374 - LEMAJIC

Seria já como dono de uma sólida carreira, erguida em emblemas da antiga Jugoslávia, que Zoran Lemajic, depois das experiências ao serviço de FC Sutjeska, FC Bokelj e FC Pristina, chegaria a Portugal. No plantel de 1989/90 do Farense, orientado pelo catalão Paco Fortes, o guarda-redes depressa assumiria um papel de grande relevância. Logo na temporada correspondente à da sua chegada ao Algarve, o atleta conquistaria a titularidade e transformar-se-ia numa das figuras de proa de uma das mais importantes páginas da história do clube. Com a colectividade do Sotavento a ultrapassar as diversas eliminatórias da Taça de Portugal, a chegada ao derradeiro jogo da prova, premiaria o guardião com a presença no Estádio Nacional do Jamor. Infelizmente para os “Leões de Faro”, a peleja frente ao Estrela da Amadora, após a disputa da final e da finalíssima, daria a vitória ao adversário e o troféu acabaria nos escaparates da agremiação sediada na Linha de Sintra.
Apesar de derrotado no derradeiro jogo da apelidada “Prova Rainha”, Lemajic, mais os companheiros de balneário, acabaria a campanha referida no parágrafo anterior a comemorar o regresso do emblema algarvio ao escalão máximo do futebol luso. No convívio com os “grandes”, o guardião não claudicaria. Pelo contrário, as suas exibições elevá-lo-iam à condição de um dos melhores na sua posição, a actuar em Portugal. Nesse sentido, com o final da temporada 1991/92 e depois de eleito pelo Jornal “Record” como o Melhor Guarda-Redes da época, não foi de estranhar que emblemas de outra monta começassem a olhar para si como um bom reforço. Curiosamente, com o Benfica e o Sporting a mostrarem-se como os mais fortes candidatos à sua contratação, seria o Boavista a convencê-lo a mudar de ares.
Nas “Panteras” a partir da campanha de 1992/93, orientado pelo treinador Manuel José, Lemajic acabaria por viver outros dois acontecimentos merecedores de realce e, acima de tudo, venceria o primeiro troféu em Portugal. O primeiro desses episódios surgiria na disputa da Supertaça Cândido Oliveira. Cimentado como uma das grandes figuras do cenário desportivo nacional, o guardião seria chamado à titularidade e, no somatório das duas mãos, ajudaria a derrotar o FC Porto. Já o segundo momento emergiria, mais uma vez, na final da Taça de Portugal. No entanto, tal como tinha acontecido na presença anterior, o jogador, dessa feita frente ao Benfica, voltaria a sair derrotado do Estádio Nacional do Jamor.
Após uma temporada no Bessa, o Sporting finalmente chegaria ao seu currículo. Tendo viajado para Lisboa acompanhado do companheiro de balneário, o também guarda-redes Costinha, Lemajic acabaria por tomar a dianteira na corrida por um lugar à baliza dos “Leões”. Sob a alçada de Bobby Robson e, após a saída do técnico inglês, treinado por Carlos Queiroz, o jogador, em Alvalade, faria uma primeira época de alto nível. Contudo, quase como numa praga, a disputa da derradeira ronda da Taça de Portugal, nada traria para além do amargo da derrota. A maldição conheceria o fim na época seguinte e o atleta, ao entrar em campo nos últimos minutos da final, daria o seu contributo para a vitória na edição de 1994/95 da prova.
Depois de uma época ao serviço do Marítimo, a última passada em Portugal, Lemajic viajaria para a Premier League da Escócia para, após um par de campanhas com as cores do Dunfermline, pôr um ponto final à caminhada enquanto futebolista. Porém, mesmo ao “pendurar as luvas”, o antigo guardião não ficaria afastado da modalidade. Ao abraçar as tarefas de treinador de guarda-redes, com presença no Mundial de 2006, passaria pela selecção principal da, à altura, Jugoslávia. De seguida, nas mesmas funções, mudar-se-ia para a equipa técnica do conjunto nacional do seu país natal, o Montenegro. Daí em diante tem abraçado projectos em diferentes destinos, como no Qatar ou na Suíça.

1325 - MÁRIO TITO

Filho de Marinho, antigo internacional português e estrela do Sporting, e irmão gémeo do igualmente futebolista José Carlos, Mário Tito, tal como o pai, também faria a transição dos escalões de formação para o universo sénior com as cores do Atlético Clube de Portugal. No entanto, contrariamente ao progenitor, o jovem praticante, no momento da chegada à equipa principal do emblema sediado no popular bairro lisboeta de Alcântara, não apanharia a colectividade a disputar o patamar máximo do futebol luso. Ainda assim, a espera por tal momento não duraria muito tempo e a sua presença na 1ª divisão aconteceria passado um par de temporadas.
Com a mencionada estreia no patamar sénior a acontecer na campanha de 1986/87, Mário Tito, na temporada correspondente à transferência para o Nacional da Madeira, conseguiria dar os primeiros passos no convívio com os “grandes”. Infelizmente para o defesa, essa época de 1988/89, orientada pelo treinador brasileiro Paulo Autuori, não teria continuidade no ano seguinte. Pouco utilizado pelo referido técnico, o jogador acabaria por retornar ao território continental, mas dessa feita para envergar as cores do Estoril Praia e para passar a partilhar o balneário com o irmão José Carlos. A aposta, apesar de empurrar o atleta para o escalão secundário, não correria mal de tudo e depois da chegada ao emblema da Amoreira em 1989/90, o regresso à 1ª divisão estaria para breve.
Como um dos elementos principais na caminhada que levaria os “Canarinhos” de volta ao degrau maior do futebol português, Mário Tito, ainda que uns furos abaixo da campanha que terminaria com a promoção do Estoril Praia, conseguiria ser um dos atletas que, sob a batuta do Engenheiro Fernando Santos, acabaria por ser utilizado com regularidade na temporada de 1991/92. Já época seguinte, apesar da permanência na 1ª divisão, não seria, em termos individuais, tão proveitosa quanto as anteriores e pouco chamado a jogo pelo já aludido técnico, a carreira do defesa viria mesmo a mudar de rumo.
Depois da saída do emblema da Linha de Cascais a acontecer com o termo da temporada de 1992/93, Mário Tito, que não voltaria a disputar o patamar máximo, regressaria a uma casa bem conhecida. Ao retornar ao Atlético, o defesa acabaria igualmente por dar início à última fase da carreira. No decorrer desse último capítulo competitivo, para além da agremiação “alfacinha”, destaque também para as suas passagens pelo Amora e pelo Futebol Benfica.

1313 - PEDRO

Produto das “escolas” do Estoril Praia, a temporada de 1981/82 revelaria Pedro Rodrigues como sénior dos “Canarinhos”. Com o emblema da Linha de Cascais a disputar a 1ª divisão, a pouca utilização do jovem jogador impedi-lo-ia de mostrar as suas qualidades. Ainda assim, a estreia no escalão máximo, numa altura em que Celestino Ruas já tinha substituído Jimmy Hagan no comando técnico da equipa, surgiria num embate caseiro frente ao Sporting. Porém, essa aparição à 28ª jornada do Campeonato Nacional não teria grande continuidade nas épocas seguintes e mesmo com a passagem de diferentes treinadores, a verdade é que raras seriam as ocasiões onde o médio haveria de ocupar um lugar na ficha de jogo.
Talvez sustentado na parca utilização, Pedro Rodrigues tomaria a decisão de, na campanha de 1985/86, deixar a modalidade de “11” para abraçar a variante de salão. Como atleta do Sporting, a sua passagem pelos pavilhões produziria um efeito bem diferente dos resultados até então conseguido para a sua carreira desportiva. Com a qualidade dos “Leões” bem acima da demais concorrência, o atleta arrecadaria para o palmarés pessoal a conquista da Taça da Liga, do Campeonato da Liga e do Campeonato Distrital. Curiosamente, todo o sucesso alcançado de “verde e branco” seria insuficiente para mantê-lo no clube e um ano após a chegada a Alvalade, o atleta regressaria ao Estádio António Coimbra da Mota.
De novo como elemento integrante do plantel principal do Estoril Praia, o jogador, nessa época de 1986/87, encontraria o clube a militar no escalão secundário. Nos anos seguintes, mesmo com as classificações a apontar a luta pela subida, a tão almejada ascensão acabaria por nunca acontecer. Cumpridas 3 temporadas após o regresso aos “Canarinhos”, o atleta tornaria a deixar o clube, mas, dessa feita, para aceitar o convite do Louletano, comandado pelo técnico Manuel Cajuda. Com a experiência algarvia a ser de pouca dura, finda a campanha de 1989/90, a Amoreira, mais uma vez, passaria a ser a sua morada desportiva. No entanto, o referido retorno, a dar ensejo à terceira etapa do futebolista no clube, teria um élan bem diferente. Já com Fernando Santos às rédeas da colectividade sediada no concelho de Cascais, os estorilistas, depois de conseguida a promoção, voltariam às disputas no patamar máximo do futebol português.
Espantosamente, a primodivisionária temporada de 1991/92, com Pedro a envergar a braçadeira de capitão por diversas ocasiões, tornar-se-ia na última do jogador com as cores “canarinhas”. Ao sair do Estoril Praia, o atleta não resistiria ao apelo do futsal e voltaria a envergar as cores do Sporting. Tal como da primeira experiência, o ingresso nos “Leões” encheria o seu currículo de títulos e as 4 épocas de “verde e branco” serviriam para vencer 3 Campeonatos Nacionais.
Após deixar as lides competitivas na metade final da década de 1990, Pedro Rodrigues não abandonaria o desporto. Mais uma vez ligado contratualmente ao Estoril Praia, o antigo futebolista tem tido diversas passagens pelo comando técnico de diferentes escalões do clube, inclusive à frente do conjunto principal.

1169 - DJOINCEVIC

Com um físico corpulento e uma barba cerrada a ajudar ao aspecto de durão, Djoincevic, dentro de campo, também não era “pêra doce” para os avançados. Logo nos primeiros anos como sénior, ainda com as cores do modesto Zarkovo, essa seria a imagem que deixaria em jogo. Seguir-se-ia, na sua ainda curta carreira, o Crvenka e a subida de mais uns patamares na escala competitiva da antiga Jugoslávia. Esse capítulo, ainda nos patamares secundários, serviria para dar traquejo ao atleta e de transição para mais um degrau ascendido. A subida levaria o defesa ao escalão máximo do seu país e em direcção à senda trilhada ao serviço do FK Rad Beograd.
O emblema do bairro de Banjica, com ambições de monta maior, ajudaria a afirmar o defesa como um praticante de gabarito. Como um dos esteios no centro do sector mais recuado, o jogador ajudaria o colectivo a cumprir metas de “ambição europeia”. Depois do 4º posto da tabela classificativa alcançado com o final da temporada de 1988/89, a campanha seguinte traria ao calendário competitivo do conjunto sediado na capital Belgrado, a presença na Taça UEFA. Com o sorteio a ditar um embate entre o FK Rad e o Olympiacos, os gregos acabariam por passar à eliminatória seguinte. No entanto, a 1ª mão ditaria uma vitória caseira para os jugoslavos, com Cedomir Djoincevic a marcar um dos golos.
A temporada de 1989/90, a mesma do desafio com a agremiação helénica, terminaria, mais uma vez, com FK Rad nos lugares cimeiros da tabela e com o futuro de vários elementos do plantel a ser projectado de forma risonha. No início da época seguinte, numa altura em que já partilhava o balneário com, o agora bem conhecido, Ljubinko Drulovic, chegaria a Djoincevic o convite para, em direcção a um país estrangeiro, deixar o clube. O desafio surgiria de Portugal e do Salgueiros. Em Paranhos, com a colectividade a ser orientada pelo técnico jugoslavo Zoran Filipovic, o defesa iria juntar-se ao plantel de 1990/91 e encontrar-se com uma série de elementos vindos dos balcãs.
Ao lado de nomes como Jovica Nikolic, Dragan Djukic, Stevan Milovac ou Enes Basic, a maturidade acrescida pela contratação de Djoincevic, levaria o Salgueiros, logo na temporada de entrada do defesa, a escrever a página mais brilhante da sua história. Com o 5º lugar conquistado no Campeonato Nacional, as provas europeias, pela primeira vez na existência do clube portuense, passariam a constar do reportório competitivo. Em sorte, calharia defrontar os franceses do Cannes, onde despontava um jovem de seu nome Zinedine Zidane. Frente ao conjunto gaulês, o defesa apenas disputaria a 2ª ronda, que, após desempate pela marcação de grandes penalidades, ditaria a eliminação da equipa portuguesa.
Quatro temporadas com o Salgueiros seriam suficientes para gravar o seu nome no imaginário dos adeptos. Já de regresso ao seu país, onde viria a terminar a carreira, também encetaria o seu trajecto como técnico. No papel de treinador, com passagens pela Grécia e pela Bulgária, Djoincevic tem orientado diversos emblemas, mormente na Sérvia. Nesse trilhar de caminho, destaque para a experiência com o Zeleznik e a vitória na edição de 2004/05 da Taça da Sérvia e Montenegro.

1082 - DOUGLAS

Seria no Cruzeiro, entre as “escolas” e a equipa profissional, que Douglas cumpriria grande parte do trajecto desportivo. Já no início da década de 1980, depois de completar a formação, o médio chegaria à categoria principal e rapidamente conquistaria um lugar de destaque. Para a campanha de 1982, a 2ª temporada do atleta no conjunto sénior, assumir-se-ia como um dos elementos mais utilizados no emblema de Belo Horizonte. Essa evolução levá-lo-ia também a entrar nas contas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Com as cores da selecção, em 1983, participaria no afamado Torneio de Toulon. Porém, o melhor viria a acontecer e ainda no ano do aludido certame francês, incluído no “Escrete”, disputaria a Copa América.
Ao consagrar-se como um médio completo, mordaz a defender e elegante com a bola nos pés, o jogador manter-se-ia como um dos pilares da equipa. Ainda que com o Cruzeiro longe dos títulos nacionais e internacionais, a qualidade que Douglas continuaria a demonstrar dentro de campo, faria com que o seu nome, com regularidade, fosse inscrito nas convocatórias para a selecção do Brasil. Esse facto transformar-se-ia num tónico importante para a sua promoção. Com o avançar da sua carreira, os especulados interesses vindos da Europa começariam a crescer e não tardaria muito para que a mudança tomasse lugar.
Após ajudar à vitória nas edições de 1984 e de 1987 do “Estadual” de Minas Gerais e de, no último dos anos referidos, ter também repetido a presença na Copa América, Douglas começaria a preparar-se para outros desafios. Depois de uma curta passagem pela Portuguesa dos Desportos, ao médio chegaria uma proposta vinda de Itália. Porém, com tudo acordado com um emblema da “Serie A”, os planos alterar-se-iam – “Na época tinha tudo acertado para ir para o Torino através do Juan Figger. Ia eu e o Muller. E o Silas e o Edu iam para o Sporting (…). Lá conseguiram convencer o Figger e o Torino e fez-se a troca: fui eu para o Sporting e o Edu para o Torino (…). Eu sabia que o Torino dificilmente ia conquistar títulos e no Sporting tinha mais possibilidades. Era uma equipa grande, como o Cruzeiro”*.
Cumprido o câmbio, Douglas chegaria a Alvalade para a temporada de 1988/89. Apesar da forte concorrência no miolo do terreno, o médio afirmar-se-ia como um elemento de grande preponderância. Durante 4 temporadas jogaria com bastante regularidade. Contudo, a sua passagem por Portugal não ficaria isenta de polémicas. Com um penteado diferente, a camisola por fora dos calções e a meias ao fundo das canelas, o atleta, por culpa do visual, acabaria transformado num bode expiatório. Ainda que longe de qualquer falha, alguns sectores da imprensa insistiriam em apontá-lo como o culpado para os parcos resultados colectivos. Injustiças à parte, a verdade é que para a maioria dos adeptos leoninos, o médio seria visto como um dos bons elementos do plantel.
Em 1992, Douglas deixaria Alvalade para voltar ao Brasil. De regresso ao Cruzeiro, o médio faria parte de uma época de grande sucesso para o clube. Aliás, a sua presença, muito mais do que importante, seria fulcral. Prova desse seu valor, seria o apreço mostrado pelos outros membros do plantel. Por entre a conquista de vários títulos, onde podem ser incluídos os Campeonatos Mineiros de 1992 e 1994, a Copa Brasil de 1993 e a Supercopa Libertadores de 1992, o jogador viveria um episódio curioso. Perto de terminar o contrato, a direcção do clube parecia não mostrar grande assertividade no momento de renovar a ligação. Nesse impasse, seriam os próprios colegas que, perante os responsáveis da colectividade, acabariam por exigir o selar de um novo vínculo.
Com o fim da temporada de 1995, e depois de um ano com as cores do Ponte Preta, o atleta tomaria a decisão de terminar a carreira de futebolista. Ao passar a dedicar-se à produção pecuária, o antigo médio, durante largos anos, afastar-se-ia do desporto. Porém, essa separação haveria também de conhecer o final. Já no novo milénio, Douglas haveria de aceitar um novo desafio. Ao conciliar a actividade agrícola com os afazeres de treinador, orientaria o Itaúna e, posteriormente, o Jataiense.

*retirado do artigo de João Tiago Figueiredo, publicado em https://maisfutebol.iol.pt, a 26/05/2016

1017 - MÁRIO JORGE

Seria com o Estoril Praia, emblema onde terminaria o seu percurso formativo, que Mário Jorge daria os primeiros passos como sénior. Depois de alguns anos no escalão secundário, a subida do clube da Linha de Cascais ao patamar máximo do futebol português acabaria por pôr o jogador numa posição de destaque. Com Fernando Santos a confiar ao atleta um lugar no “onze” inicial, a sua evolução levá-lo-ia, em primeiro lugar, às convocatórias dos sub-21 de Portugal. Depois da selecção, e no final dessa temporada de 1991/92, viria o desfio de um dos “3 grandes” e a transferência para o Benfica.
Na “Luz”, o médio, que poderia colocar-se no centro ou na direita do sector intermediário, ver-se-ia confrontado com uma forte concorrência. Como colegas de posição, Mário Jorge acabaria por partilhar o balneário com nomes como Kulkov, Paulo Sousa, Hêrnani, Vítor Paneira ou até Schwarz. Tamanho rol de craques tornariam a sua passagem pelos “Encarnados” num autêntico deserto exibicional. Sem conseguir qualquer oportunidade para entrar em campo, a solução encontrada para a sua carreira seria a mais óbvia. Nesse sentido, e no final da campanha em que tinha entrado para o clube, a sua dispensa levá-lo-ia até ao Estrela da Amadora.
Na Reboleira começaria por trabalhar com João Alves. Seria, no entanto, com a chegada do seu antigo treinador no Estoril Praia que Mário Jorge voltaria a merecer um destaque especial. Mantendo-se como titular e como uma das principais figuras do Estrela da Amadora, o rescaldo da temporada de 1994/95 voltaria a pôr o médio na rota de um desafio maior. Porém, e tal como tinha acontecido na passagem pelas “Águias”, a sua experiência no outro lado da 2ª Circular traria os mesmos resultados. Aliás, o tempo passado em Alvalade seria menor do que aquele vivido com as cores do Benfica. Sem conseguir convencer Carlos Queiroz a dar-lhe um lugar no plantel leonino, o centrocampista, semanas após a sua chegada, acabaria emprestado ao Marítimo.
Depois dos “Insulares”, o regresso ao Estrela da Amadora dar-se-ia em 1996/97 e com a bênção, mais uma vez, de Fernando Santos. Curiosamente, as duas campanhas realizadas pelos da Linha de Sintra lançariam Mário Jorge para outro desafio. Dessa feita no estrangeiro, o convite surgiria do Leganés, que, à altura, disputava o 2º escalão espanhol. Alegando, motivos familiares, o retorno a Portugal materializar-se-ia um ano depois. O Campomaiorense abrir-lhe-ia as portas, para que voltasse ao nosso Campeonato. Nos alentejanos cumpriria as últimas campanhas no patamar máximo, completando, no fim dessas 2 épocas, 9 temporadas na 1ª divisão.
Antes ainda de começar a dedicar-se às tarefas de treinador, Mário Jorge representaria outros emblemas. Imortal e Abrantes, intercalados pela experiência nos canadianos Vancouver Whitecaps, serviriam para dar mais cor ao seu percurso. Numa fase seguinte, e quando já exercia a profissão de técnico de forma exclusiva, o centrocampista ainda teria tempo para uma “perninha” no 9 Abril de Trajouce. A orientar equipas de futebol, o antigo praticante construiria um currículo feito em conjuntos amadores. Destaque também para a sua passagem pelo desporto feminino e pelo 1º Dezembro, onde daria o seu contributo para a vitória em 2 Campeonatos Nacionais.

979 - ABÍLIO

Com o último ano de júnior a ser cumprido pelo FC Porto, Abílio, que tinha feito o resto do seu percurso formativo com as cores do Candal, veria uma nova oportunidade a abrir-se no seu, ainda muito curto, trajecto desportivo. Todavia, a sempre difícil transição para o patamar sénior haveria de afastá-lo das Antas nos anos seguintes.
A 3ª divisão, com a Oliveirense e com o União de Lamas, daria corpo aos 2 primeiros anos como sénior. Depois surgiria o Leixões e, tendo ajudado o grupo a conseguir a promoção, viria a entrada no escalão máximo em 1988/89. Tendo conseguido destacar-se nessa temporada de estreia na 1ª divisão, o regresso ao FC Porto seria visto como um justo prémio para tão excelsas exibições. Após a entrada no plantel “azul e branco”, o médio teria que, de seguida, enfrentar algumas dificuldades de adaptação. Dando de caras com a concorrência de elementos como Semedo, ou até mesmo a de Madjer, as oportunidades que conseguiria conquistar durante as duas épocas passadas com os “Dragões”, seriam poucas. Ainda assim, o saldo desse período seria positivo, com 1 Campeonato, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça a dar cor ao seu palmarés.
A mudança para o Salgueiros em 1991/92, daria início à mais prolífera parte da sua carreira. Tendo Paranhos representado 7 anos no seu percurso profissional, seria aí que conseguiria mostrar, em toda a plenitude, os seus melhores atributos. Médio de fino recorte, as suas exibições eram plenas de técnica, capacidade de passe e visão de jogo. Gostava de posicionar-se, mormente em funções de transição ofensiva, entre o centro do terreno e o lugar de “10”. Tirando raras excepções, o atleta acabaria por reservar uma posição no “onze” titular. A sua entrada para o clube coincidiria também com a presença do emblema portuense nas competições europeias. Nessa eliminatória contra o Cannes, onde ainda pontuava Zinedine Zidane, Abílio participaria nas duas mãos.
Apesar de ter sido o Salgueiros o emblema mais figurativo da sua carreira, outros também preencheriam o seu espaço nessa caminhada. Primeiro, e representando 1 ano sabático na sua ligação ao Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro, surgiria o Belenenses. Depois e consumado o divórcio com os de Paranhos, viriam Campomaiorense, Desportivo das Aves e o regresso ao Leixões. Na colectividade de Matosinhos, numa altura em que as 13 temporadas consecutivas no escalão máximo do futebol português precediam a sua entrada pela 2ª divisão “B”, Abílio viveria mais um momento histórico. Num plantel recheado de talentos, casos de Antchouet, Besirovic ou Detinho, e com o treinador Carlos Carvalhal a dar os primeiros passos, o grupo conseguiria a proeza de chegar à final da edição de 2001/02 da Taça de Portugal.
Aliás, não seria um, mas vários os momentos marcantes que viveria nessa passagem pelo Leixões. Nesse sentido, é impossível dissociar a experiência vivida no Estádio do Mar, da presença na Supertaça e a disputa da Taça UEFA na época seguinte à presença no Estádio do Jamor. Para completar tudo isso, e a meio dessa segunda temporada, o médio seria convidado a ocupar o lugar deixado vago por Carlos Carvalhal. Começaria aí a sua carreira de treinador que, logo na estreia, contaria com uma subida de escalão. Daí em diante, o antigo futebolista manteria a ligação à modalidade. Nem sempre como técnico, tendo desempenhado funções de “olheiro” e até de Presidente do Sport Canidelo, Abílio tem vogado principalmente pelos patamares inferiores do nosso desporto.

890 - SÉRGIO SANTOS

Com um faustoso percurso feito nas camadas jovens do Torreense, foi com alguma naturalidade que, em 1987/88, chegaria à categoria principal da colectividade. Com Jesualdo Ferreira a empurra-lo para a estreia, aos poucos o jovem defesa conseguiria sublinhar o seu lugar no plantel. Alcançado esse tão desejado espaço, logo na 3ª temporada como sénior já Sérgio era um dos elementos com mais chamadas a jogo. Actuando preferencialmente na direita, a titularidade conquistada na defesa dos de Torres Vedras faria dele uma das principais figuras do regresso do clube à 1ª divisão.
Curiosamente, e depois de no ano anterior ter sido um dos indiscutíveis de Manuel Cajuda, a sua estreia na 1ª divisão ficaria marcada por alguma discrição. Com o treinador a dar preferência a Nuno Damas, antigo atleta do Benfica, Sérgio acabaria por não conseguir tantas oportunidades quanto as desejadas por si. Infelizmente, também em termos colectivos a temporada de 1991/92 não correria de feição. Com o 16º posto na tabela classificativa, não restaria mais nada ao jogador do que aceitar a despromoção. Ironicamente, essa realidade devolveria o atleta ao “onze” inicial. Contudo, nem o regresso à titularidade traria grande felicidade ao lateral. Sem conseguir voltar a disputar a principal prova nacional, o jogador decidiria apostar noutras paragens.
Num capítulo que o afastaria por alguns anos do Torreense, Sérgio começaria por envergar a camisola do Nacional da Madeira. Mesmo sem alcançar a tão almejada promoção, as boas exibições realizadas ao serviço dos insulares levariam a que outros clubes pensassem na sua contratação. É então que, já com a campanha de 1995/96 a decorrer, chega da União de Leira um convite tentador. Com Vítor Manuel como treinador, a nova passagem pelo escalão máximo do futebol português ficaria, mais uma vez, muito longe do traçado. Sem conseguir afirmar-se, a solução encontrada para a sua carreira levá-lo-ia a deixar a “Cidade do Lis”. O regresso à Ilha da Madeira em 1996/97, dessa feita com as cores do Câmara de Lobos, devolvê-lo-ia à titularidade. No entanto, e sem que tal pudesse ser adivinhado, o lateral-direito ficaria para sempre afastado da 1ª divisão.
O que sobrou do seu percurso profissional entregá-lo-ia a uma casa por si bem conhecida. De volta ao Torreense, agremiação da sua cidade natal, os anos seguintes fariam dele um dos históricos do clube. Essas 9 temporadas, se somadas ao primeiro capítulo vivido no emblema de Torres Vedras, transformar-se-iam num total de 16 campanhas aí passadas. Naquela que seria uma carreira estendida para além dos 40 de idade, tempo ainda para mais uma camisola. Já a disputar os “regionais”, seria no Encarnacense que, em 2009, poria um ponto final na vida de futebolista.

858 - MARK PEMBRIDGE


Estrear-se-ia no principal escalão inglês ao serviço do Luton Town. Nessa campanha de 1990/91, que seria também a sua primeira como sénior, Mark Pembridge encetaria uma carreira que, sem ser brilhante, caracterizar-se-ia pela robustez.
Longe de ser um virtuoso, o médio esquerdo haveria de revelar-se como um atleta trabalhador. Esforçado, sempre que era chamado a jogo, o galês jamais mostrava falta de empenho. Nesse sentido, foi conquistando o seu lugar na equipa e, progressivamente, o seu nome começou a aparecer, cada vez mais, nas fichas de jogo. No começo da segunda temporada já era um dos jogadores mais utilizados pelo clube e, como um merecido prémio, é chamado a disputar um amigável pela equipa nacional do seu país.
A partir de Setembro de 1991, data desse particular frente ao Brasil, Mark Pembridge passa a ser um dos atletas mais assíduo nas convocatórias do País de Gales. Mesmo depois de mudar de clube, e da passagem pelos escalões secundários britânicos, a sua presença com a camisola dos “Dragons” não esmoreceria. Tendo participado em diversas fases de qualificação, o médio, no espaço de 13 anos, conseguiria amealhar 54 internacionalizações.
Voltando ao seu percurso clubístico, e após a descida do Luton Town em 1992, o “passe” de Mark Pembridge seria adquirido pelo Derby County. Contudo, a mudança não evitaria a passagem do médio pelos escalões secundários. Um ano após a dita transferência, também os “The Rams” acabariam relegados. Ainda assim, as prestações do jogador não passariam despercebidas e, ao invés de o seu valor diminuir, o esquerdino veria a sua cotação aumentar.
Tido como um jogador capaz de dar solidez à sua equipa, é pela mão do Sheffield Wednesday que Mark Pembridge acabaria por regressar aos palcos maiores do futebol britânico. As 3 épocas passadas no emblema de South Yorkshire acabariam por ser as mais consistentes do seu percurso profissional. Esse facto levá-lo-ia a cimentar-se como um atleta de cariz primodivisionário. Tal certeza não passaria despercebida e o médio passaria a ser visto, por muita gente, como um bom reforço a ter nos seus planteis.
Quem viria a apostar no atleta seria Graeme Souness. Na sua passagem pelo Benfica, o técnico escocês acabaria por apoiar-se na contratação de um enorme contingente britânico. Já no arranque da campanha de 1998/99, juntamente com Michael Thomas, Mark Pembridge é apresentado na “Luz”. Desde início, é tido como um dos titulares e dono do lado canhoto do ataque encarnado. Todavia, e nunca esquecendo que os “Encarnados” estavam a passar por uma fase bem conturbada da sua história, o jogador nunca conseguiria afirmar-se plenamente. No fim dessa temporada e empurrado pelo despedimento do já referido treinador, o médio vê-se na lista dos “transferíveis”. Nisto, o Everton faz a sua proposta e o atleta acabaria por regressar a Inglaterra.
Na cidade de Liverpool, e apesar de um arranque marcado por algumas lesões, Mark Pembridge voltaria a afirmar-se como um bom jogador. Recuperando a fama de “batalhador”, os adeptos do Everton começariam a elegê-lo como um dos seus favoritos. Mesmo após a sua saída para o Fulham, o médio continuaria a ser recordado com saudade. No regresso a Goodison Park o internacional galês, num momento de verdadeiro “fair-play”, haveria de ser acarinhado pela assistência – “Eu fui tão bem recebido e foi uma experiência de verdadeira humildade. O facto de os fãs terem ovacionado o meu nome quando foi anunciado antes do jogo e, depois, a maneira como aplaudiram quando eu marquei os cantos, foi algo que nunca mais esquecerei”*.
No final de 2006/07, após a sua mudança para Londres em 2003, Mark Pembridge decide ser a hora certa para terminar a sua carreira como futebolista. A ligação com o clube manter-se-ia, mas, dessa feita, com outras funções. Como treinador pertencente aos quadros do Fulham, para além de uma passagem como adjunto na equipa principal, o antigo jogador tem-se destacado pelo seu trabalho nas camadas de formação.

*retirado de https://toffeeweb.com

833 - JORGE

Com uma carreira ligada maioritariamente ao Torreense, é curioso que a sua estreia no escalão máximo esteja associada a outro emblema. Ora, já depois de, nos regionais “alfacinhas”, ter vestido a camisola do CDUL e de, anos mais tarde, ter dado início à sua história no clube de Torres Vedras, é no centro do país que consegue estrear-se na 1ª divisão. Na Académica de Coimbra, para a temporada de 1984/85, o guardião acabaria por não lograr de muitas oportunidades. Com Marrafa a titular e ainda com o jovem Vítor Nóvoa à sua frente, Jorge acabaria por ser a 3ª escolha para os responsáveis técnicos da “Briosa”. Mesmo não sendo visto como uma prioridade no escalonamento da equipa, o guarda-redes acabaria por ter a sua chance. Num desafio referente à 2ª jornada do Campeonato Nacional, entraria ao minuto 65, numa partida que terminaria com a vitória do Sporting por 2-3.
Depois da fugaz passagem pelos “Estudantes”, voltar ao Torreense faria dele um dos históricos do clube. Esses 7 anos, passados na sua grande maioria a disputar a 2ª divisão e divisão de honra, terminaria num momento memorável para o emblema saloio. Sendo também um dos grandes pilares da campanha de promoção, o guarda-redes haveria de estar presente no regresso da colectividade aos palcos maiores do nosso futebol. No entanto, a sorte não sorriria ao atleta. Mesmo sendo tido como um dos elementos mais influentes no plantel, a prioridade de Manuel Cajuda para a baliza acabaria por ser Elísio. Mais uma vez, Jorge, que até começaria essa temporada de 1991/92 como o dono da camisola nº1, acabaria como segunda escolha e seria chamado à titularidade apenas por 4 ocasiões.
Talvez por não estar contente com a sua condição de suplente, a verdade é que, terminada a referida época primodivisionária, Jorge deixaria o Estádio Manuel Marques. Numa altura em que o seu trajecto como futebolista profissional já fazia adivinhar um fim próximo, o guarda-redes entraria numa fase de verdadeira alternância. Depois de ter assinado contrato com o Lourinhanense, ainda voltaria a defender as redes do Torreense. Essas 2 últimas temporadas no emblema do Oeste ajudariam, na soma de 3 diferentes ocasiões, a um cômputo de 11 anos ao serviço do clube. O final da sua caminhada aconteceria nos finais dos anos 90 e, com mais um regresso, após envergar as cores do já referido emblema da Lourinhã.

832 - TORREENSE

A 1 de Maio de 1917, num tempo em que o desporto estava em franca expansão em Portugal, nascee na zona Oeste uma colectividade que, durante anos a fio, iria dinamizar a prática das mais diversas modalidades. Futebol, basquetebol, atletismo ou ciclismo seriam algumas das bandeiras do, à altura, baptizado como Sport União Torreense.
Claro está que, sendo a adesão repartida por todas as modalidades, houve uma que, pela popularidade atingida durante esses anos, conseguiria chamar a atenção de mais pessoas. O “jogo da bola” rapidamente obteria uma serie de fiéis seguidores. Curiosamente, a inscrição do emblema “saloio” na Associação de Futebol de Lisboa não seria permitida. Sem a devida autorização e com o intuito de competir, os responsáveis do clube optariam por outra solução e o Torreense passaria a disputar as provas da Associação de Futebol de Leiria.
Só muitos anos após a sua fundação é que o ingresso do clube na AF Lisboa voltaria a ser equacionado. Com 7 títulos de campeão nos “regionais” leirienses, conseguidos durante as décadas de 30 e 40, a cotação do Torreense cresceria bastante. O respeito que a colectividade havia alcançado, alicerçado nas referidas conquistas, faria com que os responsáveis pelo organismo “alfacinha” avaliassem e acabassem por anuir a um novo pedido de filiação. Como é compreensível, a popularidade do clube também não parava de aumentar. As boas campanhas conseguidas nos Campeonatos Nacionais muito ajudariam a isso e acabariam por lançar o emblema na senda da divisão maior do nosso futebol.
O desfecho desse crescimento aconteceria no final de 1954/55. Já depois de na derradeira jornada dessa campanha, o clube ter conseguido assegurar a promoção, o início da época seguinte marcaria a estreia da cidade de Torres Vedras na 1ª divisão. Orientados por Oscar Tellechea e com Morais, Joaquim Fernandes ou os argentinos Forneri e Belen a ajudarem à construção de um plantel de boa qualidade, 1955/56 tornar-se-ia na melhor temporada da história do Torreense. Muito para além da 7ª posição alcançada na tabela classificativa do Campeonato Nacional, recorde repetido um ano depois, seria a participação na Taça de Portugal que levaria o conjunto às primeiras páginas dos jornais. Depois de uma caminhada irrepreensível, durante a qual eliminaria os “colossos” Sporting e Belenenses, a qualificação para a final, levá-lo-ia a defrontar o FC Porto. No Jamor, mesmo com o devido louvor pela presença, o jogo não correria de feição para o grupo “saloio” e, com 2 golos de Hernâni, os “Dragões” levariam o troféu para a cidade “Invicta”.
Para além das 4 primeiras temporadas no escalão máximo do nosso futebol, todas elas seguidas, o Estádio Manuel Marques ainda assistiria a mais algumas campanhas na 1ª divisão. O recinto do Torreense, inaugurado em 1925, seria o palco de mais embates primodivisionários nas épocas de 1964/65 e 1991/92. Como é fácil de adivinhar, essas últimas duas participações não correriam de feição e, em ambos os casos, o clube não conseguiria escapar à despromoção.
Hoje em dia (2017/18), dando seguimento a uma história maioritariamente feita nos “nacionais”, o Sport Clube União Torreense disputa o Campeonato de Portugal (3º escalão). Tendo dado passos importantes no sentido de resolver a grave crise financeira em que esteve mergulhado, o responsáveis pelo clube têm agora como principal objectivo aproximar cada vez mais a colectividade das pessoas, da cidade e da região.

831 - PETER BEARDSLEY


Tendo começado a sua carreira profissional nas divisões inferiores, Peter Beardsley, ainda assim, conseguiria chamar à atenção de emblemas de maior nomeada. Mesmo não possuindo um físico impressionante, a sua técnica apurada, visão de jogo e capacidade finalizadora, levariam o atleta, ao cabo de 3 temporadas, a deixar o Carlisle United. A aposta na sua contratação acabaria por vir do Manchester United. O atacante, que tinha intercalado a sua experiência no já referido clube com passagens pelos canadianos dos Vancouver Whitecaps, chegaria assim ao patamar máximo do futebol inglês.
A sua passagem por Old Trafford acabaria por ficar muito aquém do que o atleta esperaria. Poucas vezes chamado a jogo, no final dessa época de 1982/83, acabaria por ser vendido ao Newcastle. Curiosamente, o emblema que agora abria as portas ao avançado era o mesmo que, alguns anos antes, o tinha dispensado das suas camadas jovens. Desta feita, a história acabaria por escrever-se de maneira bem diferente e St. James Park serviria para catapultar a sua carreira.
Enquanto integrante do Newcastle, Peter Beardsley seria chamado à selecção. Já depois da sua estreia frente ao Egipto e de uma série de outros “amigáveis”, o avançado veria o seu nome arrolado para o Campeonato do Mundo de 1986. Todavia, já por essa altura o avançado era visto como um dos favoritos no clube. Tendo, uns anos antes, assumido um papel de extrema importância no regresso dos “Magpies” ao escalão máximo, o jogador era adorado por todos os adeptos. Claro está que, estando com a cotação em alta, o atleta começaria a ser bastante cobiçado por outros emblemas. Foi nesse sentido que Kenny Dalglish decidiria fazer uma oferta pela sua aquisição. A maquia, recorde nas transferências em Inglaterra, levá-lo-ia para Liverpool.
Tendo chegado a Merseyside no Verão de 1987, o atacante, daí em diante, iria partilhar o balneário com estrelas como Bruce Grobbelaar, John Barnes, Jan Molby, John Aldridge ou Ian Rush. Tamanha “constelação de estrelas” só poderia resultar em diversos títulos. Aquele que seria o período mais prolífero no percurso profissional de Beardsley, acabaria por trazer ao seu currículo 2 Ligas (1987/88; 1989/90), 1 FA Cup (1988/89) e 3 Charity Shields (1988/89; 1989/90; 1990/91). Para além desse rol de troféus, e que atesta bem a importância do avançado durante os anos em que jogaria pelo conjunto de Anfield, seriam as diversas nomeações para o “PFA Team of the Year”.
Mesmo sendo um dos atletas com presença obrigatória na selecção inglesa, tendo sido chamado ao Euro 88 e Mundial de 1990, o seu espaço no Liverpool começaria a diminuir. Preterido por nomes como o do galês Dean Saunders, a solução para a falta de utilização seria a sua saída do clube. Numa transferência que, por certo, pouco agradou à maioria dos adeptos “Reds”, Peter Beardsley acabaria por mudar-se para os rivais do Everton, na temporada de 1991/92. Numa passagem que, no sentido colectivo, não traria grandes motivos de destaque, só o seu regresso ao Newcastle, 2 anos após a sua ida para Goodison Park, é que o devolveria à equipa nacional.
Já depois desse período no emblema do Nordeste, onde chegou a envergar a braçadeira de capitão, a carreira de Beardsley, tendo já há muito ultrapassado a barreira dos 30 anos, entraria numa fase de enorme errância. Bolton Wanderers, Manchester City, Fulham ou até mesmo a sua passagem pelos australianos do Melbourne Knights, preencheriam um percurso que terminaria na época de 1998/99. Já depois de se afastar dos relvados, a vida do antigo internacional continuaria relacionada com a modalidade. Principalmente ligado ao Newcastle, mas também com uma curta passagem pela selecção inglesa, a sua experiência como treinador tem sido construída nas camadas jovens ou como adjunto.

730 - RUI CARLOS

Já depois da Académica de Santarém, Rui Carlos prosseguiria a sua formação no Caldas Sport Clube. É no emblema das Caldas da Rainha que vai terminar o seu percurso nas camadas jovens e que, na temporada de 1987/88, faz a transição para a equipa principal.
Jogador aguerrido, com índices físicos impressionantes, Rui Carlos conseguiria, progressivamente, conquistar o seu lugar. Logo na segunda temporada como sénior, com o grupo a disputar a 2ª divisão nacional, o seu nome já era um dos mais regulares na ficha de jogo. A qualidade que, por essa altura, já demonstrava, faz com que a sua visibilidade aumente. Começam a surgir alguns interessados e, para a época de 1990/91, a tão esperada transferência concretiza-se.
O salto leva-o à estreia na 1ª divisão nacional. Com as cores do Gil Vicente, que também fazia a sua primeira temporada entre os “grandes”, Rui Carlos acabaria por confirmar aquilo que dele já se sabia. Veloz a atacar e intrépido na hora de defender, o lado canhoto do campo não tinha segredos para o, ainda jovem, jogador. Tanto na defesa, como no meio-campo, o esquerdino, nas 2 épocas que passa em Barcelos, acabaria por sublinhar o seu estatuto de primodivisionário. Por essa razão, foi até com alguma surpresa que, no final de 1991/92, Rui Carlos deixa o Gil Vicente para, na divisão de Honra, assinar contrato com o Vitória de Setúbal. Todavia, esse suposto passo atrás acabaria por revelar-se como frutuoso. Os “Sadinos”, logo nesse campeonato, conseguem a promoção e o jogador, mais uma vez, passa a disputar o escalão máximo do nosso futebol.
Com o Vitória de Setúbal, quase sempre na 1ª divisão, Rui Carlos disputaria 9 temporadas. Durante esse período, onde grande parte das vezes conseguiria ser titular, o jogador passaria a figurar como um dos mais respeitáveis atletas na história do clube. Destaque para a temporada de 1998/99, onde, com o 5º lugar na tabela classificativa, o Vitória de Setúbal consegue conquistar um lugar nas competições europeias.
Não tendo participado na eliminatória contra Roma, essa mesma temporada 1999/00 também marcaria uma mudança de paradigma na sua carreira. Assolado por uma grave lesão, que o manteria afastado dos relvados por um longo período, a relevância de Rui Carlos no seio do grupo acabaria por diminuir. Mesmo recuperado da mazela, os níveis exibicionais do atleta nunca voltariam a ser os mesmos. É então, no final da temporada de 2000/01, que a ligação que mantinha com o emblema setubalense conhece o fim.
Com a barreira dos 30 anos já passada, é depois de deixar o Bonfim que Rui Carlos começa a última fase do seu trajecto como jogador. Dando início a um périplo que, sempre nos escalões inferiores, o levaria a vestir as cores de clubes como o Seixal, Portimonense, Alcochetense, Estrela de Vendas Novas, é nos Açores, e no Vitória do Pico, que termina a sua carreira.
Na verdade ainda voltaria aos relvados. Em 2008/09 haveria de aceitar o cargo de jogador/treinador-adjunto e com o emblema do Fabril (antiga CUF), Rui Carlos faria a transição do rectângulo de jogo para o banco de suplentes. Já como técnico tem-se destacado pelo trabalho feito nas camadas jovens daquele que foi o seu primeiro emblema, a Académica de Santarém.

722 - LUSITANO FC

Nascido em meados da década de 10, o contexto político-social vivido na época, iria moldar, logo à sua fundação, todo o clube. Numa altura em que, por razão da Grande Guerra ou da recente Proclamação da República, a ideia de nação estava ao rubro, a escolha do nome estaria envolta num enorme sentimento patriótico.
Contando, ao que consta, com inspiração do romance histórico “Santa Pátria” de António de Campos Júnior, os primeiros membros da colectividade decidem baptizá-la de Lusitano Futebol Clube. Tendo o primeiro passo sido dado a 15 de Abril de 1916, o emblema de Vila Real de Santo António, como a lógica o haveria de ditar, começa por impor-se no Algarve. Já depois de Farense e Olhanense tomarem a dianteira no futebol da região, eis que na temporada de 1922/23, o clube, que era uma das principais delegações do Benfica, quebra a hegemonia dos seus mais directos adversários. Depois dessa primeira vitória no “regional” algarvio, o interregno de 4 épocas sem conseguir erguer o troféu, serviria de antecâmara para o feito que se seguiria. O Tricampeonato, conquistado entre 1927/28 e 1929/30, acabaria, sem qualquer dúvida, por lançar o clube na senda do sucesso e da afirmação nacional.
Já após conseguir, por mais duas vezes, levar de vencida a prova, é na temporada de 1934/35 que o Lusitano consegue apurar-se para o Campeonato da 2ª divisão. Contudo, e apesar de não disputar os “nacionais” com a regularidade esperada, o crescimento que o clube vinha a conquistar, faria com que, alguns anos mais tarde, conseguisse superar outra barreira. Seria já na época de 1946/47, que o Lusitano escreveria uma nova página na sua história. Depois de uma primeira fase imaculada, durante a qual não consentiria qualquer derrota, as “Águias Algarvias” enfrentariam a etapa final do Campeonato da 2ª divisão de uma forma intrépida. Batendo-se de forma gloriosa com os rivais mais próximos, a 2ª posição conquistada acabaria por levar o emblema à estreia no escalão máximo português.
Entre os “grandes”, o Lusitano conseguiria manter-se por 3 anos consecutivos. Mesmo sem conseguir resultados significativos, tendo como um 12º lugar (1947/48) a sua melhor classificação, a presença do emblema na alta-roda do futebol nacional teria as suas particularidades. Uma delas, talvez a maior, seria a passagem pelo Campo Francisco Gomes Socorro de grandes nomes da modalidade. Os internacionais José Maria Pedroto e Manuel Caldeira terão sido os que, fazendo parte desse grupo, mais brilharam no desporto português. No entanto, atletas como Germano ou Isaurindo, mesmo sem ter atingido a notoriedade dos já citados futebolistas, acabariam por mostrar toda a sua raça e elevar o emblema à condição de um dos históricos de Portugal.
A vida mais recente do Lusitano narra-nos algumas dificuldades. Sem condições financeiras para se manter no topo, o emblema algarvio tem alternado a presença nos “nacionais” com algumas despromoções aos “distritais”. Procurando, em termos financeiros e humanos, estabilizar o clube, o trabalho que os seus dirigentes têm feito é no sentido de o sustentar durante os anos vindouros. No campo desportivo, sem estar a prever qual será o futuro, há que relembrar a capacidade das suas “escolas”; há que relembrar que jogadores como Paulo Madeira, Jacques ou Cavém sairiam do sudeste português para abrilhantar o resto do país.