1715 - CESÁRIO

Cesário da Ponte Fernandes teria no Sporting de Braga os derradeiros capítulos do percurso formativo. No entanto, na altura de subir ao patamar sénior, seria no regresso à terra natal que encontraria uma porta aberta. Nessa temporada de 1947/48, o jovem guarda-redes, após a viagem de volta ao Alto Minho, passaria a representar o Desportivo de Monção. No emblema sediado na raia do distrito de Viana do Castelo, os seus préstimos seriam de tal ordem que a ordem para retornar à “Cidade dos Arcebispos” emergiria ao fim de uma campanha e o guardião, em 1948/49, apresentar-se-ia de novo com a camisola dos “Guerreiros”.
A exibir-se no Campo da Ponte, Cesário rapidamente conseguiria alcançar um lugar de destaque no seio do plantel minhoto. Titular na maior parte das partidas agendadas para o calendário competitivo do Sporting de Braga, o guarda-redes passaria a ser aferido como um dos responsáveis pela consolidação do emblema nortenho nas sendas do patamar máximo do ludopédio português. Paralelamente ao cumprimento dos objectivos colectivos dos “Arsenalistas”, a cotação do guardião, como um dos grandes activos da colectividade, também encetaria uma senda em crescendo. Esse acréscimo de valor, bem vincado desde os primeiros passos a envergar a principal divisa dos “Guerreiros”, contribuiria para que, de outros lados, começassem a olhar par si como um dos grandes intérpretes do plateau luso e o prémio, para as boas exibições alcançadas dentro do rectângulo de jogo, viria com a convocatória a levá-lo aos trabalhos sob a intendência dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol.
Chamado para o Áustria – Portugal agendado para a Fase de Qualificação do Mundial de 1954, Cesário tornar-se-ia no primeiro atleta na história do Sporting de Braga arrolado para uma partida da principal selecção lusa. Ao lado de grandes vultos do futebol nacional, casos de José Águas, Virgílio, Rogério de Carvalho, Vasques, Martins, Serafim, Travassos, entre outros, o guarda-redes apresentar-se-ia na comitiva a viajar até à contenda a disputar, a 27 de Setembro de 1953, no Praterstadion. Já em Viena, as escolhas para compor o alinhamento a envergar a “camisola das quinas” dariam preferência, no lugar entre os postes, ao portista Frederico Barrigana. Suplente do “onze” orientado por Salvador do Carmo, o guarda-redes minhoto, para além de perder a oportunidade de juntar ao currículo uma internacionalização “A”, assistiria de fora à copiosa goleada sofrida pelo agregado português e o regresso a Lisboa far-se-ia com um desastroso 9-1 a ocupar demasiado espaço na bagagem.
No caminho trilhado com o Sporting de Braga, ao lado de Elói, António Marques, Antunes, Ezequiel Baptista, Corona, Eduardo Vital, José Maria Azevedo, Ferreirinha, Imbelloni, Jorge Mendonça, Fernando Mendonça, João Mendonça ou Armando, todos com uma grande presença no futebol da agremiação minhota, como no desporto luso, Cesário tornar-se-ia numa das principais figuras das 11 campanhas dos “Arsenalistas” cumpridas na disputa da 1ª divisão. Todavia, o ciclo de uma dúzia de temporadas consecutivas terminaria, para o guardião, com o fim das provas agendadas para 1959/60. Decidido a “pendurar as luvas”, ainda assim, o apelo para regressar às lides futebolísticas, com um par de anos a alimentar uma sabática, fá-lo-ia integrar o plantel de 1962/63 dos “Guerreiros”. Adiada a reforma competitiva por mais algum tempo, o guarda-redes permaneceria outra época na colectividade da “Cidade dos Arcebispos” e viria, após alguns jogos efectuados ao serviço do Desportivo de Monção, a cessar as actividades à baliza já em 1964/65.

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