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1757 - ZEFERINO

Ponta-de-Lança com grande aptidão para o golo, Zeferino Paulo Borges Soares, mesmo sem apresentar uma estampa física espantosa, desde muito cedo, haveria de chamar a atenção para as suas enormes potencialidades. Praticante pertencente às “escolas” do FC Porto, também nas jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, o jogador conseguiria destacar-se pelas qualidades desportivas. Com o percurso com as cores lusas encetado nos sub-16, o atacante, num somatório de 46 internacionalizações e 34 remates certeiros, manter-se-ia, durante vários anos, nas cogitações dos diferentes seleccionadores. Tendo a primeira aparição acontecido a 3 de Novembro de 1993, essa partida frente a França, na qual seria orientado por Rui Caçador, serviria de arranque a uma caminhada que iria empurrar o atacante para inúmeros certames de grande monta. Nesse sentido, pelo meio da presença no Europeu sub-16 de 1994, no Mundial sub-17 de 1995 ou no Europeu sub-18 de 1996, o maior destaque emergiria da sua participação no Europeu sub-16 de 1995 e de uma final, onde, frente a Espanha, marcaria um dos golos da vitória por 2-0.
Com o merecido destaque conseguido com a “camisola das quinas”, Zeferino, ainda em idade de formação, começaria a ser cobiçado pelos “gigantes” da Europa. Desse modo, num processo algo conturbado, o avançado deixaria o FC Porto para, com apenas 16 anos de idade, passar a representar o Real Madrid. Incluído no plantel “B” de 1995/96 dos “Merengues”, o avançado ainda manteria a ligação contratual à agremiação da capital espanhola durante vários anos. No entanto, sem nunca ter tido a oportunidade de representar o conjunto principal dos “Madridistas”, o ponta-de-lança primeiro passaria por empréstimos ao Las Palmas de 1997/98, ao Badajoz de 1999/00, até ser, a meio da temporada de 2000/01, libertado de qualquer obrigação. A dispensa faria com que repensasse a sua carreira e o regresso a Portugal levá-lo-ia, lado a lado com Tinaia, seu parceiro na aventura pelo país vizinho, a rubricar uma união com o Alverca.
No emblema ribatejano, inicialmente treinado por Jesualdo Ferreira, Zeferino voltaria a dar a ideia de puder recuperar alguma da magia perdida em Espanha. Todavia, o avançado, apesar da utilidade demonstrada durante a ligação de 3 anos e meio ao Alverca, nunca conseguiria afirmar-se como um dos titulares absolutos. Ainda assim, o referido período serviria para que o atleta viesse, não só a fazer a estreia, como a disputar 3 edições do Campeonato Nacional da 1ª divisão. De seguida, surgiriam novas passagens pelo estrangeiro. Tais experiências encaminhá-lo-iam, na campanha de 2004/05, até ao Umm-Salal do Qatar. Após o Médio Oriente, o avançado tentaria a Major Soccer League, mas os treinos no DC United não correriam como o pretendido e o avançado-centro acabaria por não assinar qualquer contrato.
À desilusão vivida nos Estados Unidos da América, suceder-se-ia o regresso ao país de “Nuestros Hermanos” onde, no 4º escalão espanhol, passaria a representar o Logroñes. Por fim, numa errância que caracterizaria os derradeiros anos do seu trajecto competitivo, com uma sabática de um ano pelo meio, emergiria novamente o Umm-Salal. Já em 2008/09, viria uma hipotética e breve passagem pelo Chipre do Norte e pelo Cetinkaya TSK*, para, ainda na última época mencionada, viajar até Malta onde, com as cores do Hibernians, acabaria a sagrar-se campeão daquele país situado no meio do Mar Mediterrâneo.

*não consegui confirmar tal informação. 

1712 - CATANHA

Nascido como Henrique Guedes da Silva, seria pela alcunha Catanha que o avançado ficaria conhecido no universo do futebol.
Até aqui, tudo bem! O pior surgiu no momento em que tentei reconstruir a sua caminhada competitiva! Nesse sentido, com diferentes fontes a veicularem trajectos bem diferentes, foi deveras difícil – no meu caso, impossível – conseguir recriar essa sua passagem pelo “jogo da bola”, com uma certeza inabalável. Ainda assim, e para encetar esta tentativa de biografia, a informação a aparecer com maior frequência é aquela a dizer-nos o início da carreira sénior de Catanha no plantel de 1991 do São Caetano.
Os passos seguintes da caminhada do atleta, numa ordem que depende da origem da informação, surgiriam da sua ligação a CSA, União São João, Paysandu e fazendo fé em fontes a aparecerem de forma mais esparsa, igualmente ao Rio Branco. Finalmente, tendo em conta que, daí em diante e durante vários anos, o seu percurso reveste-se de uma certeza bem alicerçada, emergiria a ligação de Catanha ao Belenenses de 1995/96. Já no Restelo, onde chegaria com a referida temporada a meio, o avançado-centro passaria a ser orientado por João Alves. Porém, com a ida do “Luvas Pretas” para o Salamanca, o jogador, numa “senda lusa” que englobaria nomes como Ivkovic, Paulo Torres, Miguel Serôdio, Nuno Afonso, Taira, Agostinho, Giovanella, Pauleta e César Brito, também acabaria a mudar-se para as provas espanholas agendadas para 1996/97.
Curiosamente, a sua passagem pelos “Charros” ficaria bem aquém do já revelado anteriormente. A fraca prestação obtida nessa época cumprida no emblema sediado na região de Castela e Leão levá-lo-ia, na campanha seguinte, a ser emprestado ao Leganés. Ainda no escalão secundário, os números conseguidos pelo novo clube, fariam com que o Málaga decidisse apostar na sua contratação. Na colectividade sediada no Sul do país, o avançado finalmente veria a sua “veia goleadora” a despontar e após a consagração como o Melhor Marcador da Segunda División de 1998/99, a subida de patamar, ainda ligado aos “Boquerones”, catapultá-lo-ia para os melhores anos da carreira.
Com a época de 1999/00 a mostrá-lo como o goleador máximo do Málaga e o 3º na tabela do Pichichi, Catanha veria a sua cotação a subir em flecha. Esse acréscimo de valor, fá-lo-ia ser cobiçado por emblemas com ambições maiores e a transferência para o Celta de Vigo, à altura por um montante recorde para o clube galego, transformar-se-ia num dos grandes acontecimentos do defeso estival de 2000. Nos Balaídos, onde começaria por ser treinado por Víctor Fernandéz, técnico que viria a ter uma ligação com o FC Porto, o avançado-centro conservar-se-ia como um dos bons intérpretes da La Liga. Paralelamente à confirmação das suas habilidades surgiria, então, a oportunidade do atacante vir a naturalizar-se e, com o termo do processo inerente à obtenção da nacionalidade espanhola, abrir-se-lhe-iam as portas da “La Roja”.
A estreia pela principal selecção de Espanha aconteceria, pela mão de José António Camacho, a 7 de Outubro de 2000. Depois dessa partida frente a Israel, agendada para o Estádio Santiago Bernabéu, Catanha teria a ocasião de disputar outras partidas do foro internacional. Igualmente no âmbito da Fase de Qualificação para o Mundial de 2002, participaria também no embate com a Áustria. Por fim, num trajecto que daria ao seu currículo um total de 3 partidas efectuadas com a camisola da “La Roja”, o avançado seria ainda convocado para, em Novembro do mesmo ano, entrar em campo num “amigável” frente aos Países Baixos.
Após 3 anos e meio passados na Galiza, Catanha decidiria ser a hora de mudar de rumo. Daí em diante, a sua carreira assumiria os contornos de uma caminhada extremamente errante. Depois dos russos do Krylya Sovetov, o avançado, a meio da temporada de 2004/05 regressaria ao Belenenses. De seguida, num trajecto dividido entre o Brasil e a Espanha surgiriam uma larga série de emblema que, como já destapei anteriormente, não tive como assegurar a sua veracidade no currículo do jogador. Ainda assim, pelo meio de diversas informações a dar-nos a sua união a clubes como o Marília, Sport Atalaia, CSA, Corinthians Alagoano, Sete de Setembro, Santa Rita, ou, já na fase espanhola, a Linares, Unión Estepona, Zenit de Torremolinos e Atlético Estación, há a destacar a sua passagem pelo Atlético Mineiro de 2005 e pelo Dos Hermanas San Andrés, onde, aos 44 anos, partilharia o balneário com o filho.
Já como treinador e também nas funções de dirigente, o antigo avançado parece ter tido algumas experiências. Sem que tenha conseguido confirmar tais informações, deixo-vos uma lista do que tem sido veiculado para Catanha nas aludias tarefas, nomeadamente os gibraltarinos do Leo FC, o Almuñécar City, o Nerja, o Unión Estepona ou as camadas de formação do Málaga.

1553 - CARLOS ALBERTO SILVA


Formado em Educação Física, seria no início dos anos de 1970 que Carlos Alberto Silva encetaria a carreira como treinador-principal no futebol sénior. Ainda na mesma década, a mudança para o Guarani, onde viria a orientar os ainda jovens Careca e Renato, traria ao seu palmarés o primeiro grande título. Com a entrada no emblema de Campinas a acontecer na temporada de 1978, o treinador dirigiria o clube até ao derradeiro jogo do “Brasileirão”. Na final encontrar-se-ia com o Palmeiras e, com vitórias em ambas as mãos, daria aos escaparates do “Bugre” o mais importante título do calendário futebolístico brasileiro.
Também nos “estaduais” conseguiria títulos meritórios. Pelo São Paulo venceria o “Paulistão” em 1980, 1989 e ainda participaria na campanha vitoriosa de 1981. No Campeonato Pernambucano, ao serviço do Santa Cruz, ergueria o troféu em 1983. Já na disputa do “Mineirão”, sagrar-se-ia campeão em 1981 pelo Atlético Mineiro e teria, mais uma vez, a sua cota parte de responsabilidade no triunfo conseguido pelo Cruzeiro, na época de 1987. Aliás, seria no emblema de Belo Horizonte que viria a selar outro momento importante na sua caminhada profissional, quando, numa digressão em Portugal, tomaria a decisão de lançar na equipa principal um jovem de nome Ronaldo Luís Nazário de Lima.
Outro emblema que defenderia, com enorme galhardia e sucesso, seria o da Confederação Brasileira de Futebol. Pela “Canarinha” venceria a edição de 1987 dos Jogos Pan-Americanos e qualificaria o Brasil para os Jogos Olímpicos de 1988. No torneio com sede em Seul, para onde levaria inúmeros nomes bem conhecidos do futebol português, como José Carlos, Batista, Ricardo Gomes, André Cruz, Aloísio, Careca e Valdo, o técnico conduziria o “Escrete” até à Medalha de Prata.
No estrangeiro, já como um treinador de créditos firmados no seu país natal, começaria pelo Japão, onde, ao serviço do Yomiuri FC (actual Tokyo Verdy) viria a sagrar-se campeão em 1991. Seguir-se-ia, pouco tempo depois, a sua experiência em Portugal. Contratado por Jorge Nuno Pinto da Costa para orientar o plantel de 1991/92 do FC Porto, o sucesso do técnico brasileiro seria imediato. À frente dos “Dragões”, onde voltaria a encontrar-se com Aloísio, venceria, por duas vezes consecutivas, o Campeonato Nacional da 1ª divisão. Também conquistaria a Supertaça de 1991/92, após uma finalíssima curiosamente disputada já no decorrer da época seguinte. No entanto, a memória do aludido Presidente dos “Dragões” sublinhá-lo-ia como uma pessoa distinta – “Tinha aquele jeito introvertido, mas era um excelente conversador e enquanto foi nosso treinador mostrou ser sempre um trabalhador incansável, com os bons resultados que conhecemos (…), mas nesta altura o que mais recordo é a relação de amizade que mantivemos todos estes anos”*.
No resto da carreira, cumprida na sua grande percentagem na defesa de emblemas brasileiros, as excepções emergiriam dos desafios lançados por emblemas europeus. Nesses regressos ao “Velho Continente”, o maior destaque iria para os seus desempenhos na La Liga, com as cores do Deportivo La Coruña. Obviamente, seria impossível esquecer a sua passagem pelos Açores, onde, à frente de um primodivisionário Santa Clara, orientaria o conjunto micaelense no decorrer da campanha de 2002/03.

*retirado do artigo de Joana Quintas, publicado a 13/11/2017, em https://bolanarede.pt