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1716 - LÁZARO

Cumprido o percurso formativo na AD Oeiras, Lázaro Fonseca Costa Oliveira teria no emblema da Linha de Cascais a oportunidade de, no decorrer da temporada de 1986/87, chegar ao contexto sénior. Já os passos seguintes do médio levá-lo-iam primeiro até Cantanhede, onde integraria o plantel de 1987/88 d’ “Os Marialvas”, para, na campanha seguinte passar a envergar a camisola do Grupo Desportivo da Usseira. Porém, contrariamente ao que poderia ser projectado, essas passagens, respectivamente, pelo escalão secundário e pela 3ª divisão não tirariam visibilidade ao atleta e o jogador, para a campanha de 1989/90, acabaria apresentado como reforço de um dos emblemas com grande tradição no futebol português.
Mesmo com o Estoril Praia a disputar a Zona Sul da 2ª divisão, a chegada de Lázaro à Amoreira serviria de rampa para uma carreira bem mais estruturada. Nesse sentido, a temporada de 1991/92 acabaria por destapar o escalão máximo ao jogador. Porém, as escolhas de Fernando Santos para o alinhamento da equipa recairiam sobre outros atletas. Ainda assim, num plantel que, ao longo desses anos, teria no sector intermediário jogadores como Carlos Manuel, Bouderbala, Borreicho, Sánchez ou Marco Paulo, o seu trabalho continuaria a ser apreciado pelos responsáveis técnicos dos “Canarinhos”. A aferição feita ao médio mantê-lo-ia ligado ao clube durante 5 épocas consecutivas. Todavia, com o termo das provas agendadas para 1993/94, temporada em que os homens a envergar de amarelo também claudicariam na luta pela manutenção, o elo que vinha a ter com a colectividade a jogar em casa no Estádio António Coimbra da Mota quebrar-se-ia e o centrocampista, que nunca havia passado da condição de suplente, decidiria partir para outras aventuras.
O ano passado ao serviço do Louletano e o par de temporadas a defender as divisas do Penafiel constituiriam, na caminhada do médio, um interlúdio na sua experiência primodivisionária. Curiosamente, seria Fernando Santos a resgatar Lázaro desse hiato. Com o treinador à frente do Estrela da Amadora, o jogador seria um dos nomes escolhidos para reforçar o plantel de 1997/98 dos “Tricolores”. Contrariamente ao que tinha acontecido na sua experiência com o Estoril Praia, a sua preponderância no xadrez táctico da nova equipa seria completamente distinto. Em abono da verdade, a época de chegada do atleta à Reboleira não haveria de coincidir com a sua titularidade. Porém, mesmo com poucas aparições no “onze” inicial, o centrocampista começaria a merecer a atenção das pessoas ligadas a outros contextos competitivos.
 O destaque mencionado no final do parágrafo anterior surgiria da Federação Angolana de Futebol. Natural de Gabela, localidade situada na província do Quanza Sul, o médio, com a selecção do seu país apurada para a CAN de 1998, veria o seu nome adicionado pelo Professor Neca à comitiva a participar no mais importante torneio organizado pela CAF. Já no certame disputado no Burkina Faso, o jogador acabaria por entrar em campo nas 3 partidas disputadas pelos “Palancas Negros”, mas os dois empates e uma derrota não permitiram a passagem às eliminatórias.
No que diz respeito à sua caminhada clubística, Lázaro, ao permanecer 7 anos seguidos no Estádio José Gomes, 5 dos quais no convívio com os “grandes”, transformaria o Estrela da Amadora no emblema mais representativo da sua caminhada enquanto futebolista profissional. “Penduradas as chuteiras” no decorrer da temporada de 2003/04, o antigo médio manter-se-ia ligado à modalidade e transitaria, ainda na aludida época, para o papel de treinador-adjunto dos “Tricolores”. Já a mudança para técnico-principal ocorreria na época de 2009/10, ao serviço do Penafiel. Daí em diante, novas oportunidades surgiriam e o Portimonense, Atlético, Farense, a selecção de Macau e, nesta época de 2025/26, o Portimonense (clube), preencheriam o seu trajecto.

1683 - HUGO COSTA

Filho de Vicente Costa, antigo avançado de equipas como o Tramagal ou o Sintrense, Hugo Alexandre Esteves Costa acabaria a seguir as passadas desportivas do pai. Antes ainda de terminar o período formativo com as cores do Benfica, já o defesa-central era visto como uma das grandes promessas do futebol luso. A provar o seu valor surgiriam as chamadas às equipas sob a guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse trilho, começaria por representar os actualmente denominados sub-16. A estreia, a 27 de Dezembro de 1989, levaria o jogador a entrar em campo frente à Hungria. Depois dessa partida, à qual seria chamado por Carlos Queiroz, o atleta continuaria a avançar no seu trajecto internacional. Participaria em grandes competições como o Euro sub-16 de 1990, o Euro sub-18 de 1992, a edição de 1993 do Torneio de Toulon ou, no mesmo ano do certame francês, no Mundial sub-20.
O acumular de partidas com a “camisola das quinas” levá-lo-ia até às 48 pelejas disputadas por Portugal. Contudo, a riqueza do seu trajecto enquanto praticante das camadas jovens, não daria o direito a Hugo Costa para conquistar um lugar na equipa principal do Benfica. Sem lugar nos “Encarnados”, o defesa-central acabaria cedido a outras colectividades. Ao descobrir um espaço na 1ª divisão, o capítulo inicial da carreira sénior levá-lo-ia a envergar as cores do plantel de 1992/93 do Gil Vicente, grupo comandado por Vítor Oliveira. De seguida, ainda por empréstimo das “Águias”, surgiriam o par de anos passados com o Beira-Mar e finalmente o Estrela da Amadora. No entanto, e mesmo tendo em conta que, com excepção feita à agremiação da Reboleira, o jogador conseguiria apresentar-se sempre como titular, a verdade é que o regresso à Luz nunca viria a acontecer e a solução, para a época de 1996/97, haveria de emergir vinda do estrangeiro.
A entrada no Stoke City, à altura a disputar o segundo escalão de Inglaterra, não seria assim tão proveitosa quanto o projectado inicialmente. Esse pequeno desaire levaria o jovem jogador, a meio da campanha britânica, a equacionar o regresso a Portugal. Já com o tal plano em marcha, seria o Alverca, numa altura em que o emblema ainda era “satélite” do Benfica, a abrir as suas portas ao defesa-central. A entrada no novo clube fá-lo-ia também participar noutro capítulo de enorme monta para os ribatejanos e a estreia da colectividade na 1ª divisão daria ao atleta a oportunidade de voltar, em 1998/99, às pelejas do patamar máximo luso.
Os 4 anos e meio cumpridos com as cores do Alverca, transformaria o clube na camisola mais representativa da sua carreira. Ainda assim, impulsionado pela perda da titularidade, a ligação de Hugo Costa com a agremiação ribatejana conheceria o fim com o termo das provas agendadas para 2000/01. Seguir-se-ia o também primodivisionário Vitória Futebol Clube, onde, durante as duas épocas seguintes, o defesa-central regressaria aos melhores índices exibicionais. Os números apresentados no Bonfim, alimentar-lhe-iam nova aventura além-fronteiras e seria na Alemanha que o atleta decidiria dar seguimento ao trajecto profissional.
Está bem que no escalão secundário germânico, mas a entrada no RW Oberhausen serviria para que Hugo Costa voltasse a sonhar com outros voos. Curiosamente, seria nessa experiência pela Alemanha que o defesa-central entraria numa fase menos consentânea com o valor já antes demonstrado. Mesmo ao revelar algum decréscimo exibicional, a 1ª divisão portuguesa, na temporada de 2005/06, voltaria a acolhê-lo. Porém, como destapado neste parágrafo, a entrada na União de Leiria não devolveria à sua carreira a ambicionada titularidade. Após 3 anos na “Cidade do Lis”, o atleta ainda viria a aventurar-se brevemente nos cipriotas do Atromitos Yeroskipou. Por fim, surgiria o Pinhalnovense e o “pendurar das chuteiras” na conclusão da campanha de 2010/11.
Já com a carreira de futebolista terminada, Hugo Costa manter-se-ia ligado à modalidade e no papel de treinador ainda viria a trabalhar com clubes dos escalões inferiores, como são exemplo o Fabril do Barreiro, a AD Oiras ou o Mineiro Aljustrelense.

1583 - TELMO

Já com alguma experiência no futebol brasileiro, feita de passagens por Volta Redonda, Barra Mansa, Madureira, Sport e Central, Telmo Além da Silva chegaria a Portugal para representar o Campomaiorense. Porém, a estreia na 1ª divisão de 1997/98, já bem perto do termo da mencionada prova, ficaria marcada pelo azar – “(…) num célebre jogo com o Sporting, em Campo Maior, João Alves, então treinador dos alentejanos, lançou o lateral-esquerdo brasileiro Telmo, aos 63', a substituir Vincze. O jogo estava a correr de feição para os galgos, em vantagem no marcador, mas Telmo sete minutos depois cometeu um "penalty" perfeitamente escusado sobre Oceano, mesmo junto à linha de fundo, sem que o capitão leonino tivesse hipótese de criar perigo. Alves substituiu-o pouco depois, mas o erro estava feito e abriu caminho à reviravolta do Sporting, que venceu por 5-3”*.
No início da campanha seguinte à da sua chegada a Portugal dar-se-ia a transferência do defesa para o Santa Clara. A disputar o segundo escalão português, o retrocesso na caminhada desportiva, acabaria a dar-lhe a oportunidade de inscrever o seu nome na história da colectividade micaelense. Com o emblema insular a disputar os lugares cimeiros da tabela classificativa e com Telmo como uma das figuras de tal proeza, o fim da competição ditaria a inédita subida do conjunto açoriano. Mais uma vez na 1ª divisão, Telmo manter-se-ia como um dos pilares do “onze” idealizado por Manuel Fernandes. No entanto, as boas prestações do esquerdino seriam insuficientes para ajudar à manutenção e o jogador viveria a campanha de 2000/01 de volta às pelejas secundárias.
A meio da última época referida no parágrafo anterior, concretamente em Dezembro de 2000, Telmo acabaria transferido para o Sport. O regresso ao Brasil não duraria mais do que alguns meses e o lateral-esquerdo voltaria a Portugal e ao plantel de 2001/02 do Santa Clara. A cevar brilhantemente a sua cotação, o atleta, resultado das boas exibições lavradas pelo emblema sediado na cidade de Ponta Delgada, acabaria por cair nas boas graças de outra colectividade lusa. A mudança para o Sporting de Braga ocorreria na preparação da campanha de 2002/03. Todavia, a experiência com os “Guerreiros” teria duas fases bem distintas, com o primeiro ano a mostrar o defesa como um elemento amiúde arrolado às estratégias colectivas e uma segunda temporada a traduzir-se num verdadeiro ocaso.
O desaparecimento ocorrido na agremiação arsenalista levá-lo-ia a rubricar um contrato com um novo emblema. A mudança para o Varzim em 2004/05, afastaria o defesa da 1ª divisão. Ainda assim, mesmo apartado, em definitivo, do convívio com os “grandes”, o atleta, nesse momento, encontrar-se-ia com aquela que viria a tornar-se na mais importante ligação que haveria de conhecer no futebol. Daí em diante, a sua caminhada desenrolar-se-ia numa senda de mais de uma década passada com as cores dos “Lobos-do-mar”, ligação que viria somente a terminar, com o jogador já com 40 anos de idade, e após a conclusão das provas agendadas para 2014/15.
Com o “pendurar das chuteiras”, Telmo manter-se-ia ligado ao futebol e após a passagem como treinador nos patamares formativos do Varzim, seguiram-se as experiências como dirigente, primeiro ao serviço da AD Oliveirense, para, depois, vir a abraçar novo projecto com o emblema poveiro.

*retirado do artigo publicado a 01/11/2001, em www.record.pt

1546 - MARTINS

Descoberto nas “escolas” do Lusitânia de Lourosa, seria já como elemento das camadas de formação do FC Porto que Joaquim dos Santos Martins seria chamado às jovens equipas a trabalhar sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos sub-16, o atleta seria convocado a disputar o Europeu da referida categoria, organizado em França. Arrolado ao “onze” inicial por José Augusto, o jogador entraria em campo frente à equipa da casa e a 25 de Maio de 1987, ao lado de nomes como Paulo Sousa, Pedro Barbosa, Folha, Paulo Madeira, Bilro, entre outros, conseguiria alcançar 1 internacionalização.
Sem espaço no plantel dos “Azuis e Brancos”, Martins estrear-se-ia como sénior com as cores do Vianense. Seguir-se-ia, após essa época de 1989/90 passada no Minho, a chegada ao Varzim, onde, entre a divisão de Honra e a 2ª divisão “B”, cumpriria 2 temporadas. Aliás, os primeiros anos da sua carreira, durante os quais ainda representaria o Maia e, num regresso à sua terra natal, o Lusitânia de Lourosa, seriam despendidos nas lutas dos escalões secundários. Finalmente, a oportunidade de conseguir encetar um caminho entre os “grandes” surgiria e a campanha de 1996/97, após a ajudar o Rio Ave a sagrar-se campeão da divisão de Honra, representaria os primeiros passos do jogador no patamar máximo do futebol português.
A entrada no emblema sediado em Vila do Conde daria início a uma ligação que viria a tornar-se, para o defesa, na mais representativa da sua carreira enquanto futebolista. Como titular, num conjunto inicialmente orientado por Henrique Calisto, o atleta rapidamente conseguiria afirmar-se como uma das principais figuras do plantel. Paralelamente, mesmo com algumas lutas a estenderem-se praticamente até ao último minuto, os objectivos do colectivo iam sendo executados. Com a manutenção assegurada, o currículo primodivisionário do jogador começaria a crescer e Martins acumularia, no seu trajecto profissional, um total de 4 épocas consecutivas a disputar a 1ª divisão do Campeonato Nacional.
Seria de regresso às pelejas da divisão de Honra que o infortúnio bateria à porta do defesa. Uma gravíssima lesão na coluna impossibilitaria o jogador de continuar a dar os seus préstimos ao Rio Ave. Mesmo ao manter-se contratualmente ligado ao clube vilacondense, com a derradeira partida a ocorrer na época de 2000/01, o atleta, com apenas 29 anos de idade, não mais voltaria a entrar em campo. Passaria, algumas temporadas mais tarde, a abraçar as tarefas de treinador. Como técnico, num percurso feito pelos patamares secundários e pelos escalões de formação, Martins já conta com experiências ao serviço de agremiações como o Arrifanense, o Carregosense, o Cesarense e o Lusitânia de Lourosa.

1534 - VAN DER STRAETEN

Após terminar o percurso formativo nas “escolas” do KVC Jong Lede, seria com as cores do do referiemblema do norte da Bélgica que Yves van der Straeten, na temporada de 1987/88, iniciaria o percurso como sénior. Guarda-redes de bons predicados, não tardaria muito até começar a chamar a atenção de outros conjuntos. A evolução promissora, revelada logo durante os primeiros anos da carreira, faria com que o RC Malines decidisse endereçar-lhe um convite. Ao aceitar o repto, a mudança dar-se-ia na campanha de 1990/91. Porém, apesar da egrégia existência do seu novo clube, a verdade é que o guardião haveria de apanhar a colectividade numa fase menos boa da sua história. Ainda assim, a passagem pela 2ª divisão do seu país natal daria frutos e o atleta, sensivelmente 3 anos após chegar à agremiação da Flandres, subiria de patamar competitivo.
A chegada ao Royal Antwerp como reforço para a temporada de 1993/94, não só abriria as portas do escalão maior ao jogador, como, num altura em que já era visto como um dos elementos mais preponderantes do plantel, daria ao guardião visibilidade suficiente para que da Royal Belgium Football Association começassem a olhar para si como um elemento a ter em conta. Nesse sentido, após ter jogado 1 vez pela equipa “B”, van der Straeten seria convocado ao conjunto principal. Arrolado por Wilfried Van Moer, o jogador, a 24 de Abril de 1996, teria a oportunidade de, pela primeira vez, ser chamado a sentar-se no banco de reservas. Curiosamente, depois desse amigável frente à Rússia, o atleta, especificamente em Maio de 1996, Outubro de 2000 e Março de 2003, voltaria a aparecer na lista de eleitos a representar a selecção. Todavia, a sorte não estaria do lado do guarda-redes e em nenhuma dessas situações conseguiria passar da condição de suplente não utilizado.
No que concerne ao percurso clubístico, van der Straeten, com a titularidade perdida na Bélgica, acabaria por trocar, sensivelmente a meio da campanha de 1996/97, o Royal Antwerp pelo Marítimo. No Funchal depressa asseguraria um lugar no “onze” do conjunto madeirense e ao estrear-se, pela mão de Manuel José, à 15ª jornada do Campeonato Nacional, depressa conquistaria um lugar de destaque. Daí em diante, nas 3 épocas e meia em que o jogador representaria o emblema insular, seriam raras as vezes em que a baliza dos “Leões do Almirante Reis” a ele não haveria de ser entregue. Como “dono” da posição mais recuada no rectângulo de jogo, o guardião transformar-se-ia num dos principais responsáveis por alguns dos marcos atingidos pelos “Verde-rubro”. Um dos melhores exemplos seria o 5º lugar na tabela classificativa de 1997/98 e o apuramento para a Taça UEFA do ano seguinte, prova na qual, frente aos ingleses do Leeds United, o conjunto luso seria eliminado apenas no desempate por grandes penalidades.
Ao deixar o Marítimo com o termo das provas agendadas para a campanha de 1999/00, Yves van der Straeten regressaria à Bélgica e ao patamar máximo daquele país. Seguir-se-ia, então, o Lierse, emblema que, ao defender por meia dúzia de épocas, haveria de tornar-se na insígnia mais representativa da sua caminhada enquanto praticante. Mais tarde ainda vestiria as cores do SK Berlare, colectividade onde faria a transição para o papel de treinador. Nessas funções, o antigo guarda-redes tem trabalhado nas provas organizadas no seu país, onde também já orientou agremiações como o Eendracht Zele, o KSV Temse ou o KRC Gent.

1521 - POEJO

Produto das “escolas” leoninas, Paulo Poejo cedo seria aferido como uma das grandes promessas do Sporting. A sublinhar tal avaliação, surgiriam também as chamadas às jovens equipas sob a guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse campo, o médio-defensivo, num percurso que, entre diversos escalões, atingiria as 54 internacionalizações, faria a estreia com a “camisola das quinas”, no âmbito dos trabalhos apontados aos sub-16, a 27 de Dezembro de 1989. Chamado por Carlos Queiroz a uma peleja frente à Hungria, o jogador encetaria aí uma caminhada que o levaria a disputar diversos torneios de monta. Entre muitos certames, mereceriam maior destaque as suas presenças no Europeu sub-16 de 1990, o Europeu sub-18 de 1992, onde Portugal ficaria em 2º lugar, e o Mundial sub-20 de 1993.
No que toca ao percurso clubístico, Poejo seria chamado à primeira equipa do Sporting, por Bobby Robson, durante a campanha de 1992/93, não tendo, em qualquer ocasião, passado do banco de suplentes. A sua estreia com a principal camisola dos “Leões”, na época seguinte à da sua promoção a sénior, ocorreria já com Carlos Queiroz à frente do comando técnico da equipa lisboeta. Porém, a referida temporada, durante a qual seria utilizado com uma frequência bastante aceitável, não teria continuidade nos anos vindouros e o atleta seria emprestado a outras equipas.
Com a temporada de 1994/95 passada com as cores da União de Leiria e a seguinte ao serviço do Estrela da Amadora, os números conseguidos nessas duas campanhas primodivisionárias, augurariam um bom futuro para o “trinco”. A verdade é que, contrariamente ao esperado regresso a Alvalade, o jogador, sem lugar no plantel inicialmente às ordens do belga Robert Waseige e já sem qualquer ligação contratual aos “Leões”, regressaria as margens do Rio Lis. No entanto, as prestações colectivas do grupo beirão seriam insuficientes para a almejada manutenção e a escolha do atleta, mesmo tendo deixado o clube, levá-lo-ia, pela primeira vez na carreira, a encetar uma experiência nos escalões secundários.
Com o listado vermelho e branco do Desportivo das Aves a partir da época de 1997/98, Poejo passaria 2 temporadas a disputar a divisão de Honra. Seguir-se-ia o regresso ao patamar maior do futebol luso, pela mão de Carlos Manuel, ao serviço do Campomaiorense. No Alentejo, o médio retornaria também às exibições a prometer-lhe outros voos. Contudo, mesmo sem abandonar o cenário primodivisionário, o atleta não conseguiria dar o desejado e merecido salto. No convívio com os “grandes”, o jogador envergaria ainda as cores do Alverca. As 3 campanhas cumpridas com os ribatejanos, com a do meio a levá-lo de volta à divisão de Honra, aproximá-lo-iam, com alguma surpresa, do termo da caminhada enquanto futebolista. Esse final emergiria após a sua experiência no plantel de 2004/05 do Olivais e Moscavide e com o médio a contar apenas 31 anos de idade.
Apesar de retirado das lides de jogador, Paulo Poejo voltaria a aproximar-se do futebol. Primeiro como treinador das camadas jovens do Clube Atlético e Cultural da Pontinha, colectividade onde também tinha dados os primeiros passos como praticante, e com passagens como adjunto do Torreense e ainda pelas “escolas” do Real Massamá, o antigo médio estaria mormente ligado às estruturas competitivas do Sporting. Para além de adjuvar nas equipas de formação, a sua última colaboração com os “Leões” passaria pelo departamento de “Scouting”, nomeadamente na observação e acompanhamento dos jogadores emprestados.

1502 - EUSÉBIO

Apesar de ter passado pelas “escolas” de vários emblemas da Madeira, seria com a camisola do Marítimo que Eusébio Malho Sousa terminaria o percurso formativo. Ao subir à equipa principal no decorrer da temporada de 1992/93, o defesa-esquerdo participaria logo numa campanha histórica para o emblema insular. Com o 5º posto no Campeonato Nacional, alcançado com o termo da campanha de estreia do lateral como sénior, os “Verde-rubro” conquistariam, pela primeira vez na existência da colectividade, o direito de participar nas competições de índole continental. Na edição de 1993/94 da Taça UEFA, aos “Leões do Almirante Reis” calharia em sorte o Royal Antwerp. O jovem jogador, chamado ao embate pelo técnico Paulo Autuori, entraria em campo no decorrer da partida referente à 1ª mão da 1ª eliminatória. Porém, para infelicidade do conjunto luso, seriam os belgas a passar a referida ronda.
Depois deste arranque inolvidável, demorariam ainda alguns anos até Eusébio conseguir afirmar-se, de forma indiscutível, como merecedor de um lugar no “onze” da agremiação funchalense. Com o sentido de ganhar alguma experiência, o primeiro empréstimo ocorreria com a campanha de 1994/95 em andamento e levá-lo-ia até ao Sporting de Espinho. A passagem pela divisão de Honra e pelos “Tigres da Costa Verde” não seria de todo negativa. No entanto, o traquejo ganho não seria suficiente para alcançar a meta da titularidade. Para tal, seria necessária outra cedência e após cumprir uma época com as cores do Camacha, o jogador regressaria ao Estádio dos Barreiros.
Já com outra preparação e de volta ao Marítimo para integrar o plantel de 1997/98, o atleta encontraria Augusto Inácio no comando técnico da equipa insular. Sob a alçada do referido treinador, o lateral canhoto assumir-se-ia como um dos grandes esteios da agremiação funchalense. Nessa época e nas duas seguintes, Eusébio ganharia e manteria a titularidade. O pior emergiria com a temporada de 2000/01, na qual uma grave lesão num dos joelhos empurraria o jogador para o calvário de uma longa recuperação. Para agravar o problema, o defesa acabaria também por falhar a final da Taça de Portugal. A verdade é que daí em diante o jogador começaria, gradualmente, a perder algum do habitual fulgor e mesmo com registos aferidos como suficientes para justificar a sua continuidade no grupo de trabalho, o lateral começaria a perder alguma importância nos desenhos tácticos do conjunto madeirense.
Curiosamente, seria numa época de bons números que Eusébio veria a sua ligação ao Marítimo terminar. Dispensado com o fim da temporada de 2004/05, o defesa despedir-se-ia do clube mais representativo da sua carreira, como um dos nomes históricos dos “Leões do Almirante Reis” – “Apaixonei-me pela bola com a camisola verde-rubra vestida. Foram 388 jogos e não foram mais porque os problemas físicos não me deixaram”*. Já a solução para o seu caminho profissional surgiria vinda do continente. No Estrela da Amadora de 2005/06, o atleta continuaria a esgrimir-se no contexto primodivisionário. No entanto, a campanha feita a trabalhar sob o comando de Toni Conceição, ficaria bem abaixo das expectativas e um ano após a chegada à Reboleira, o lateral-esquerdo decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”.

*retirado do artigo de João Manuel Fernandes, publicado a 14/09/2018, em www.record.pt

1441 - PEDRO MIGUEL

Ao cumprir grande parte do percurso formativo no emblema da sua terra natal, seria já como atleta do FC Porto que o defesa viria a terminar essa etapa. Porém, Pedro Miguel Ferreira, por altura de subir ao escalão sénior, veria a gigantesca concorrência por um lugar no sector mais recuado dos “Dragões” a afastá-lo da equipa principal. Seguir-se-ia, como resultado da falta de espaço nas Antas, o regresso à UD Oliveirense e a disputa, na temporada de 1986/87, do Campeonato Nacional da 3ª divisão.
Apesar de afastado dos principais holofotes, as suas qualidades depressa dariam a entender que o lugar que Pedro Miguel merecia estava mais acima. Passada apenas uma temporada sobre o retorno a Oliveira de Azeméis, o defesa-central receberia um novo convite e acabaria a mudar-se, sem sair do distrito de Aveiro, para o Feirense. Ao subir um degrau competitivo, passaria, no Estádio Marcolino de Castro, a participar nas pelejas do 2º escalão. Já sob a batuta do treinador Henrique Nunes, o jogador integraria o grupo de trabalho que, na campanha de 1989/90, devolveria os “Fogaceiros” ao convívio com os “grandes”. Num plantel com nomes bem conhecidos do futebol português, casos de Pedro Martins, Resende, Valido ou Morgado, o atleta faria a sua estreia na 1ª divisão. Contudo, e apesar da boa utilização, os desempenhos colectivos seriam insuficientes para evitar a despromoção e o regresso ao patamar secundário, com o fim da última temporada mencionada, emergiria com uma inevitabilidade.
Meia-dúzia de anos a representar o Feirense, a juntar, na época de 1993/94, a mais uma passagem pela UD Oliveirense, dariam ao jogador traquejo suficiente para ser visto, por outros emblemas, como uma boa aposta. Nesse sentido, seria o Beira-Mar a apresentá-lo como um dos reforços para a temporada de 1994/95. Tendo à frente da equipa técnica Rodolfo Reis, seu treinador nos juniores do FC Porto, esse reencontro, muito mais do que devolver Pedro Miguel às contendas da prova maior do calendário futebolístico português, serviria para sublinhar o defesa-central como um praticante de gabarito primodivisionário. Mesmo com o emblema sediado na cidade de Aveiro, com termo da campanha aludida no início do parágrafo, a descer de divisão, as suas prestações serviriam para dar continuidade ao bom trajecto no escalão máximo luso. Pela primeira vez na sua caminhada sénior, o passo seguinte seria dado fora do distrito que, até então, tinha apadrinhado a sua carreira profissional e o atleta viajaria até ao Sul do país para envergar a camisola do Farense.
No emblema algarvio a partir da temporada de 1995/96, Pedro Miguel, ao serviço dos “Leões de Faro” viveria, na minha singela opinião, os anos mais consistentes da sua carreira como desportista de alta-competição. A trabalhar sob a alçada de Paco Fortes, a entrada do jogador no Estádio São Luís coincidiria com primeira participação da colectividade do Sotavento nas provas de contexto continental. Com o sorteio correspondente à 1ª eliminatória da Taça UEFA a indicar o Olympique Lyonnais como o adversário do conjunto português, o defesa-central acabaria chamado pelo técnico catalão à 2ª mão da mencionada ronda, da qual a agremiação gaulesa emergiria como vencedora.
Os dois anos seguintes mostrá-lo-iam como um dos esteios do alinhamento táctico do Farense. Pior surgiria no par de temporadas seguintes, em que o atleta acabaria por perder a preponderância revelada anteriormente e que culminaria, com o termo da campanha de 1999/00, com o fim da sua carreira como praticante. Curioso é também o registo patente no “site” oficial da Federação Portuguesa de Futebol e que o dá, numa altura em que o antigo defesa até já havia encetado a sua caminhada como treinador, como elemento do plantel de 2001/02 da UD Oliveirense. Pondo de parte tal curiosidade, tem sido como técnico que Pedro Miguel vem mantendo a ligação à modalidade. Já com uma longa carreira, mas sem que da 1ª divisão surgisse qualquer oportunidade, o grande destaque dessa caminhada, para além das passagens pelo comando do Feirense, Leixões ou Varzim, terá de ir, sem sombra de dúvida, para os muitos anos cumpridos à frente da UD Oliveirense.

1410 - TONI

Já com um bom percurso em Cabo Verde, com passagens pelo Amarante, Grupo Sportivo Mindelense, Santa Maria e Morabeza, António Dinis Duarte, popularizado no universo do futebol como Toni, viajaria para Portugal para, na temporada de 1989/90, representar o Vianense. Aferido como um intérprete possante, com um bom entendimento das dinâmicas de jogo e vigoroso nos lances aéreos, o ponta-de-lança, após a primeira campanha cumprida no Minho, depressa começaria a subir degraus no cenário competitivo luso. Ainda nos escalões secundários, seguir-se-ia o interesse e a mudança para o Rio Ave. Em Vila do Conde, depois da entrada no emblema da caravela em 1990/91, o avançado faria uma segunda campanha de alto nível e as suas exibições valer-lhe-iam a transferência para o Sporting de Braga e a estreia na 1ª divisão.
Apesar de ter jogado com bastante frequência na campanha de estreia pelos “Guerreiros”, a verdade é que Toni nunca conseguiria impor-se como um dos indiscutíveis do grupo de trabalho às ordens de Vítor Manuel e, com a saída deste, sob o comando de António Oliveira. Ao não ultrapassar o estatuto de suplente utilizado, o ponta-de-lança regressaria ao Rio Ave no período de 1993/94, para, na temporada seguinte, já com outros argumentos, voltar ao Estádio 1º de Maio. A partir desse momento, o atacante passaria a ser tido como um elemento importante à execução dos objectivos colectivos e ainda que com algumas intermitências durante o primeiro par de anos, as épocas subsequentes, tanto nos desafios nacionais, como nas provas organizadas pela UEFA, sublinhá-lo-iam como um dos nomes mais vezes chamado à titularidade.
Também na equipa nacional do seu país, Toni viria a assumir um papel importante. Na caminhada feita pelos “Tubarões Azuis”, um dos melhores momentos vividos pelo avançado-centro aconteceria aquando da edição de 2000 da Taça Amílcar Cabral. Orientado pelo antigo internacional português Óscar, o jogador, ao marcar 3 golos durante o desenrolar do certame, transformar-se-ia num herói para a pátria natal. De entre os remates certeiros do atleta, um mereceria especial destaque e, na final frente ao Senegal, seria dele o tento que encerraria o placard com 1-0 e selaria a vitória da nação crioula.
A entrar na veterania, Toni, com a perda de preponderância nos esquemas tácticos pensados para o Sporting de Braga, acabaria por deixar o Minho para dar seguimento à sua carreira noutro destino. Já com a temporada de 2000/01 em curso, o avançado partiria para os Açores. No arquipélago, ajudaria o Santa Clara a subir à 1ª divisão e, já no convívio dos “grandes”, a campanha de 2001/02 tornar-se-ia na última do atleta nos principais palcos do futebol luso. Em seguida, ao sair da agremiação micaelense ainda no decorrer da última época referida, o jogador entraria numa fase mais errante e, nos anos vindouros, representaria Portimonense, Feirense, Lousada, Merelinense e Caçadores das Taipas.
Com as “chuteiras penduradas” desde 2006, Toni, ao manter a ligação à modalidade, passaria a desempenhar as funções de treinador. Nessas tarefas, destaque para as suas experiências no Merelinense e no Tomarense e, depois de regressar a Cabo Verde, o trabalho realizado à frente do Juventude e do Santa Maria.

1319 - SÉRGIO CHINA

Formado no Santa Cruz, seria também no emblema sediado na cidade brasileira do Recife que o criativo médio, na temporada de 1986, faria a transição para o patamar sénior. Na equipa principal do conjunto nordestino, Sérgio China não demoraria muito até conseguir destacar-se como um dos elementos mais importantes nas manobras tácticas dos diferentes treinadores. Nesse sentido, o atleta tornar-se-ia numa das figuras das várias conquistas da agremiação e como principal destaque podem ser citadas as vitórias no Campeonato Pernambucano de 1986, 1987 e 1993.
Apesar do Santa Cruz ter sido o emblema mais representativo da metade inicial da carreira de Sérgio China, o médio, ainda a disputar as provas brasileiras, vestiria também outras camisolas. A primeira colectividade a romper a longa ligação à colectividade “tricolor”, seria o Internacional. Contudo, a passagem por Porto Alegre, para além de curta, acabaria igualmente discreta. Já a experiência no ABC seria bastante mais prolífera e a vitória na edição de 1993 do Campeonato Potiguar serviria de rampa ao centrocampista.
Na proximidade da conquista referida no parágrafo anterior, viria a primeira experiência de Sérgio China na Europa. Contratado pela União de Leira para a temporada de 1993/94, a chegada do médio a Portugal coincidiria com o emblema da “Cidade do Lis” a disputar a divisão de Honra. Apesar de não ser um dos titulares indiscutíveis da equipa, o jogador, como um dos elementos mais utilizados do plantel, acabaria por ser de vital importância para a colectividade beirã na subida de divisão. Curiosamente, o passo seguinte da sua carreira levá-lo-ia de volta ao Brasil, inicialmente para um regresso ao Santa Cruz e posteriormente para envergar as cores do Bahia.
O Rio Ave entraria na caminhada do atleta, mais uma vez na disputa do segundo escalão português, na temporada de 1995/96. Tal como da passagem anterior pelas provas lusas, Sérgio China ajudaria o seu clube à subida de divisão. Todavia, ao contrário da época em Leiria, o médio, desde cedo, conseguiria afirmar-se como um dos pilares do “onze” vilacondense. A mesma importância manter-se-ia durante a sua campanha de estreia na 1ª divisão e também nas subsequentes. Tal preponderância levá-lo-ia a acumular muitas presenças no escalão máximo e as 125 partidas disputadas empurrá-lo-iam para a história da agremiação nortenha.
Após cumprir 5 épocas com a camisola do Rio Ave e depois de um interregno no trajecto competitivo, o médio, já ao serviço dos brasileiros do Confiança decidiria, de uma vez por todas, ser a hora certa para “pendurar as chuteiras”. No entanto, apesar de retirado dos relvados, o antigo futebolista não abandonaria a modalidade. Como treinador, após várias ´temporadas ligado às “escolas” do Náutico, Sérgio China encetaria a caminhada como técnico-principal. Nessas funções, com a anuência dada a vários convites, a sua carreira tem sido caracterizada por alguma errância.

1295 - LUÍS VOUZELA

Terminaria a formação já como atleta do Académico de Viseu e numa altura em que ainda conciliava o desporto com a profissão numa pastelaria. Impossibilitado de manter ambas as actividades, daria prioridade ao desporto, mas os primeiros anos como atleta profissional, até pela intromissão do Serviço Militar Obrigatório, revelar-se-iam complicados. Ainda assim, depois da estreia nos seniores na temporada de 1992/93, Luís Miguel Silva Tavares, já por essa altura popularizado pelo nome da sua terra, a vila de Vouzela, acabaria por singrar no “mundo da bola”. Na campanha de 1994/95, ainda comandado por João Cavaleiro, o treinador que o tinha lançado na equipa principal, assumiria um papel de relevo no seio do conjunto “estudante”. Nessa evolução, bastaria mais uma época para que conseguisse um dos saltos mais importantes da carreira e as boas exibições na divisão de honra levá-lo-iam ao patamar máximo português.
A transferência para a União de Leiria na temporada de 1996/97, serviria de primeiro passo para afirmar o “trinco” como um futebolista de cariz primodivisionário. Durante as 6 temporadas passadas com o emblema sediado nas margens do Rio Lis, 5 das quais na 1ª divisão, Luís Vouzela viveria os melhores momentos da carreira. A valorização conseguida durante os esses anos, por culpa das boas campanhas nas provas internas, levariam o Sporting, no decorrer da época de 1999/00, a sondar o emblema leiriense com vista à mudança do médio para Alvalade. Contudo, as exigências feitas pela colectividade beirã inviabilizariam a ligação aos “Leões” que, meses mais tarde, consagrar-se-iam como campeões nacionais.
Também pelas posições cimeiras conquistadas pela União de Leiria, Luís Vouzela assumir-se-ia como um dos bons jogadores a exibir-se em Portugal. A grande prova do seu valor viria com a convocatória aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Arrolado por Rui Caçador à partida disputada em Marco de Canaveses frente à Alemanha, o médio-defensivo, a 15 de Agosto de 2000, acrescentaria ao currículo 1 internacionalização “B”. Porém, nem essa chamada faria com que o “trinco” desse o salto para um emblema com ambições de outra monta. Ainda assim, o jogador saberia manter-se na 1ª divisão e Santa Clara e Moreirense dar-lhe-iam ao percurso outras 3 temporadas entre os “grandes”.
Em 2006/07, após uma temporada no Beira-Mar, Luís Vouzela teria a oportunidade de dar azo às primeiras aventuras no estrangeiro. No entanto, as curtas passagens pelos cipriotas do Olympiakos Nicósia e pelos gregos do Niki Volou esbarrariam em incumprimentos salariais. Já de volta a Portugal, sensivelmente um ano após a partida, o médio continuaria a sua senda pelos palcos secundários. Desportivo de Chaves, Nelas, Penalva do Castelo, Académico de Viseu, Nogueirense e Oliveira de Frades acabariam por colorir uma carreira que terminaria em 2014 e com o atleta já com os 40 anos de idade cumpridos.
Após “pendurar as chuteiras” Luís Vouzela manter-se-ia ainda ligado à modalidade e durante alguns meses assumiria um cargo como dirigente do Académico de Viseu. Depois viria o trabalho na Câmara Municipal de Vouzela, a experiência como técnico dos Vouzelenses e a passagem pelos Estados Unidos da América, onde voltaria à prática do futebol. Já de regresso à sua terra e às funções no município, o antigo atleta retornaria também às tarefas de treinador, nomeadamente à frente do Campia e do Santacruzense.

1271 - RIVA

Ao revelar-se nas equipas de formação do Valeriodoce Esporte Clube, emblema da cidade de Itabira e pelo qual venceria 2 Campeonatos de juniores do Estado de Minas Gerais, Riva depressa chamaria a atenção de emblemas de outra monta.
Extremo rápido e dotado de boa técnica, já depois de uma curta passagem pelo Bela Vista, o regresso à primeira colectividade aqui aludida, faria com que o avançado conseguisse fixar-se na equipa principal. Nessa progressão, uns anos após a estreia no conjunto sénior do Valeriodoce, a vitória do clube na edição de 1992 da Supercopa Minas Gerais transformar-se-ia na rampa de lançamento do atacante. Ainda no decorrer da mesma época, surgiria o interesse do Cruzeiro na sua contratação e a disputa do “Brasileirão” pelo emblema sediado em Belo Horizonte. Terminado o empréstimo, dar-se-ia o regresso do jogador a Itabira. No entanto, a estadia na sua terra natal pouco tempo duraria e, o desafio vindo do outro lado do Atlântico, levá-lo-ia à primeira aventura no estrangeiro.
Por empréstimo no Paços de Ferreira de 1993/94, Riva encontrar-se-ia com o técnico que acabaria por tornar-se na figura mais importante para a sua fixação em Portugal. Depois de um curto regresso ao Brasil, durante o qual vestiria a camisola do América, o extremo receberia o convite de Vítor Urbano, o seu treinador na passagem pelos “Castores”, para integrar o plantel do Desportivo de Chaves. A única época disputada em Trás-Os-Montes seria suficiente para o atacante demonstrar capacidades suficientes para apontar a outros horizontes. A evoluir positivamente, seguir-se-ia o Vitória Sport Clube, a luta pelos lugares cimeiros do Campeonato Nacional e as pelejas sob a chancela da UEFA.
Na “Cidade Berço” desde a temporada de 1996/97, Riva, à imagem do papel desempenhado nos emblemas lusos anteriormente representados, sublinhar-se-ia como um dos elementos mais importantes no xadrez táctico da equipa. Sempre como um dos mais utilizados durante as 4 campanhas nos “Conquistadores”, o avançado contribuiria para as boas prestações colectivas. Nesse sentido, como já foi destapado no parágrafo antecedente, o destaque acabaria por ir para as participações nas provas continentais e, logo na sua época de estreia em Guimarães, para a eliminação do Parma.
Seria também durante esse período passado no Minho que haveria de ser abordada a transferência do atacante para o Benfica. Segundo consta, a mudança para as “Águias” esbarraria na intransigente vontade do Presidente Pimenta Machado em manter o jogador no plantel vimaranense. Porém, o atleta acabaria mesmo por findar a sua ligação com o clube. Segundo as especulações da altura, Paulo Autuori, recém-contratado, terá posto o extremo na lista de elementos dispensáveis. A separação faria com que o atacante viajasse para bem perto e passasse a reforçar os rivais do Sporting de Braga.
As 2 temporadas com os “Guerreiros” terminariam com o currículo do jogador a indicar um total de 8 campanhas disputadas no escalão máximo português. Já de regresso ao Brasil, o extremo ainda teria tempo para vestir as camisolas do Vila Nova, Ponte Preta e, ao lado do irmão Samis, jogar com as cores da Democrata de Sete Lagoas. Porém, uma grave lesão no joelho obrigá-lo-ia, aos 33 anos de idade e retirar-se das lides competitivas. Mesmo agastado pelo infortúnio, o antigo atleta voltaria a ligar-se à modalidade. Como técnico, destaque para a experiência como treinador do Boa Esperança, mas, principalmente para a criação da “Escola” Riva’s Sport, onde trabalha com crianças.

1240 - GAÚCHO

Com alguns anos de carreira sénior e passagens pelos Estudantes de Timbaúba ou Ypiranga, seria como atleta do Sport Recife que Eric Freire Gomes, mais conhecido no mundo do desporto por Gaúcho, chamaria a atenção do Estrela da Amadora. Em abono da verdade, o ponta-de-lança já anteriormente tinha despertado a cobiça de outra colectividade portuguesa – “Antes de eu vir para Portugal, eu estive – muitas pessoas não conhecem essa história – eu estive no FC Famalicão, à experiência. Passei lá uns 15 ou 16 dias, mas o treinador, o Francisco Vital, ele falou para mim que não ia ficar comigo porque eu não era um ponta-de-lança «trombador»”*
Decorrido o episódio aludido no parágrafo anterior, o avançado, inicialmente por empréstimo, chegaria ao Estrela da Amadora para reforçar o plantel de 1996/97. Com 23 anos de idade, e depois de ter trabalhado com a equipa do Sport Recife que, em 1996, acabaria por vencer o “Estadual” Pernambucano, a sua entrada no contexto competitivo português viria acompanhada de fortes expectativas. Mesmo tendo em conta a falta de um físico impressionante, Gaúcho não desiludiria. Astuto e ágil, o atacante confirmar-se-ia como um goleador nato. Logo na temporada de entrada no Campeonato Nacional, os 16 golos por si concretizados levá-lo-ia ao 3º posto da tabela dos Melhores Marcadores. Curiosamente, as épocas seguintes desenrolar-se-iam de forma mais discreta e uma certa incompatibilidade com o treinador, levariam o jogador a uma passagem pelos espanhóis do Ourense – “(…) quando o Jorge Jesus assumiu o Estrela da Amadora, então eu não concordava muito do jeito, do estilo dele trabalhar, de «descomunicar», sabe? Então foi um choque muito grande, do jeito dele falar com os jogadores, eu não aceitava, não dava para mim e também nunca falou comigo como falava com outros jogadores, com todo o respeito. Então aquilo foi um choque muito grande e eu, cheguei a um momento que falei com o presidente para arranjar um clube para mim(…)”*.
Meia temporada depois, Gaúcho retornaria ao emblema da “Linha de Sintra”. Voltaria para uma campanha de 1999/00, em muitos aspectos, brilhante. Com 21 remates certeiros, o atleta, mais uma vez, subiria ao 3º posto do pódio dos goleadores do Campeonato e regressaria ao “radar” de um dos “grandes” do futebol luso – “No primeiro ano no Estrela falava-se do Sporting, o presidente acertou tudo verbalmente, mas não saí. No segundo, quando o Nelo Vingada era adjunto do Souness, estive perto do Benfica, só que, uma semana depois de me contactarem, foi despedida a equipa técnica. A terceira vez foi quando marquei 21 golos. Ia para o Porto se o Fernando Santos não metesse um travão. Não quis levar mais jogadores do Estrela, além do Jorge Andrade e do Chainho”**.
A mudança de emblema surgiria em 2001/02 e na direcção da Ilha da Madeira. No Marítimo, depois de, pelo Estrela da Amadora ter participado na edição de 1998/99 da Taça Intertoto, Gaúcho entraria nos “Verde-rubros” numa campanha de Taça UEFA. Ao repetir as “performances” de anos anteriores, o avançado brindarias as provas, agendadas nesse primeiro ano no Funchal e nos seguintes, com mais um alargado rol de golos. Aferido pelos números faustosos dos seus desempenhos, o avançado conservar-se-ia como um dos melhores intérpretes a actuar em Portugal e o ano de 2004 haveria de trazer à sua caminhada a aventura nos sul-coreanos do Busan i.Cons.
Já com a barreira dos 30 anos de idade ultrapassada, na temporada de 2004/05, mais uma vez, voltaria a Portugal e ao serviço do Rio Ave enfrentaria mais duas temporadas de 1ª divisão. Seria ao serviço do emblema de Vila do Conde que Gaúcho superaria a marca dos 100 golos no escalão máximo. Seguir-se-iam, já a disputar os patamares secundários, Feirense, Beira-Mar, Moreirense e o regresso ao Brasil, com a ideia de já não retornar às actividades de futebolista. No entanto, Nivaldo, antigo jogador com passagens pelo Benfica, Vitória de Guimarães e Portimonense, conseguiria convencer o atleta a vestir a camisola do Santa Cruz, com a qual, em 2009, venceria a Copa Pernambuco e sagrar-se-ia no Melhor Marcador da prova.
Depois de retirado, Gaúcho repartiria o seu tempo em diversas actividades. Para além da criação de uma empresa de transportes, ainda no Brasil ficaria ligado à fundação de uma “escola” de futebol e, à abertura de um salão de cabeleireiro. Ao mudar a residência para Santa Maria da Feira, o antigo futebolista voltaria a investir noutro salão. Daria também mais alguns passos na carreira de treinador e acrescentaria ao currículo experiências a orientar o União de Lamas “b” e a Associação Desportiva Escolinha Rui Dolores.

*retirado da entrevista conduzida por Afonso Viana Santos, publicada em https://bolanarede.pt, a 14 de Março de 2022
**retirado da entrevista conduzida por Matilde Rocha Dias, publicada https://www.publico.pt, a 18/03/2006

1206 - RUBENS JÚNIOR

Descoberto no Taubaté, emblema da sua terra natal, a mudança para o Palmeiras iria trazer alguns desafios à carreira do jovem Rubens Júnior. A dificuldade em adaptar-se à nova realidade competitiva, complicada pela presença de atletas como Roberto Carlos, levaria os responsáveis técnicos da colectividade paulista a equacionar um novo trajecto para o lateral-esquerdo. Depois da estreia na equipa principal do “Verdão” em 1995, a temporada seguinte encaminharia o atleta para um périplo de “empréstimos”. Começaria pelo Bragantino, para, nas 2 campanhas subsequentes, envergar as cores do Guarani e do Coritiba.
Em 1999, no regresso ao Palestra Itália, Rubens Júnior encontrar-se-ia com Luiz Felipe Scolari. Após a promessa do treinador de que iria desempenhar um papel relevante no cumprir das metas colectivas, o atleta concordaria em permanecer em São Paulo. Nessa temporada, mesmo sem ser um dos titulares, ajudaria o clube a vencer a Copa dos Libertadores. A importante conquista, com boas exibições do defesa, revelá-lo-ia além-fronteiras. Avaliado como um intérprete de bons índices físicos, com um entendimento táctico que permitia defender e atacar bem e com uma qualidade técnica capaz de passes certeiros, progressões com bola e cruzamentos mortíferos, o lateral começaria a ser pretendido por outros emblemas.
A aposta na sua aquisição surgiria de Portugal. Ao serviço do FC Porto, contratado para a temporada de 1999/00, o jogador conseguiria uma campanha de arranque bem auspiciosa. Sob a alçada de Fernando Santos, as suas presenças em campo contribuiriam para a conquista da Supertaça e da Taça de Portugal. Curiosamente, a campanha seguinte mostraria um atleta bem diferente. Apoquentado por algumas lesões, a verdade é que também muito se especularia sobre os fracos índices exibicionais e sobre uma postura fora dos relvados pouco condizente com as exigências da alta-competição. Com a perda de preponderância, os “Dragões” decidiriam “emprestar” o atleta. Uma curta passagem pelo Atlético Paranaense precederia o regresso à “Cidade Invicta” e uma época de 2001/02 com aferição positiva.
Surpreendentemente, Rubens Júnior, apesar dos apelos para ficar, preferiria continuar a carreira noutras paragens. Nem mesmo uma conversa com o treinador demoveria o atleta e a partida levá-lo-ia a nova senda de cedências – “Eu tinha propostas para voltar ao Brasil e o Mourinho, que tinha acabado de chegar, disse: «Não vás embora, conto contigo para a próxima temporada. Não prometo que sejas titular, mas vais ser importante» (…). Faltou-me maturidade para perceber que deveria ter ficado, esperado e participado nas conquistas”*.
Atlético Mineiro, Botafogo e o Vitória de Guimarães transformar-se-iam nos novos emblemas de Rubens Júnior. De seguida chegaria ao fim a ligação contratual com o FC Porto, clube que, para além do que já foi referido, contribuiria com outra Taça de Portugal e com 1 Supertaça para o palmarés do atleta. O regresso ao Brasil levá-lo-ia a entrar na derradeira fase de uma caminhada desportiva que em 2007, após envergar as camisolas de Coritiba, Corinthians e Vasco da Gama, abraçaria o seu término. Depois investiria em alguns negócios na terra natal, dedicar-se-ia às actividades de DJ e, não há muitos anos, aceitaria o repto para assumir o cargo de Coordenador Técnico do Taubaté. Hoje em dia, voltou a Portugal e fixou residência na cidade de Braga.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 26/01/2017

1107 - MACHAIRIDIS

Com um percurso que, progressivamente, iria aproximar o jogador dos patamares cimeiros do futebol grego, o Pandramaikos, após aí terminar a formação, tornar-se-ia no primeiro emblema da sua caminhada como sénior. Depois de 3 temporadas a militar nos escalões secundários, as exibições ao serviço do referido emblema levá-lo-iam a merecer a confiança do Xanthi. Já a disputar o escalão máximo helénico, as suas prestações, sempre em crescendo de qualidade, acabariam por elevá-lo ao estatuto de bom intérprete. Como um médio-defensivo de boa compleição física e com uma capacidade de luta bem acima da média, Machairidis (ou Macheridis) depressa entraria na rota dos mais importantes clubes da Grécia.
O passo seguinte encaminhá-lo-ia até à capital do seu país. No AEK de Atenas, muito para além de sublinhar o que vinha a fazer, o “trinco” conseguiria enriquecer o currículo com o primeiro título de cariz nacional. Ao assegurar um lugar de destaque na nova equipa, Machairidis em muito contribuiria para os sucessos do colectivo. Com a bela campanha na Taça dos Vencedores das Taças a levar o clube aos quartos-de-final, a vitória na edição de 1996/97 da Taça da Grécia acabaria por embelezar a época da sua chegada aos “Dikéfalos Aetós”.
Outro dos grandes saltos da sua carreira ocorreria com a mudança para o Benfica. Numa altura em que já representava as cores do PAOK, o médio tornar-se-ia numa das figuras de destaque na disputa que, na Taça UEFA de 1999/00, oporia as duas equipas. Surpreendidos com a sua exibição, os responsáveis das “Águias” rapidamente fariam chegar ao emblema sediado em Salónica uma proposta pela aquisição do seu “passe”. Cerca de dois meses depois, Machairidis, num pacote que também envolveria a chegada do egípcio Abdel Sabry, entraria na “Luz” como um dos reforços de Inverno. Mesmo não tendo agradado à grande maioria dos adeptos “encarnados”, a verdade é que o médio grego seria, daí em diante, uma das principais apostas do treinador germânico Jupp Heynckes. Esse facto tornaria ainda mais surpreendente o que viria a passar-se no começo da temporada seguinte. Sem que nada o fizesse prever, o atleta faltaria ao arranque dos trabalhos e daria jus a um diferendo que acabaria por arrastar-se durante largos dias.
Com regresso ao país natal, a sua carreira como que entraria numa espiral descendente. Depois de um empréstimo ao Kalamata, a mudança para os cipriotas do Alki Larnaca e as subsequentes passagens por emblemas de menor monta na Grécia, assinalariam os derradeiros capítulos do seu percurso desportivo. Após vestir a camisola do Doxa Dramas e de um interregno competitivo, seriam as cores do Xania que, em 2005/06, apadrinhariam o fim da sua caminhada no futebol.

1088 - PEDRO ESTRELA

Tinha tanto talento que, mesmo a jogar no desconhecido Marítimo Olhanense, a sua habilidade chamou a atenção dos responsáveis pelo Sporting. Em Lisboa, nos iniciados da equipa leonina, ficou apenas um mês. Voltou ao Algarve pelas saudades que tinha de casa. No entanto, quando de Alvalade voltaram a perguntar por ele, o pai já não permitiu o seu regresso à capital. Não autorizou dessa vez, nem consentiu da próxima. Ao que consta, Pedro Estrela tinha tudo acordado com o Benfica, mas a nova nega deitou por terra outra grande ocasião.
A oportunidade que conseguiu materializar levou-o, já em juniores, ao Olhanense. Nos “Rubro- negros”, logo no ano de estreia viveu um episódio que mostra bem o seu lado estouvado – “Foi uma brincadeira de Carnaval. Uns amigos meus pegaram nuns burros e andámos pela cidade durante a noite. De manhã, amarrei o burro ao pé do balneário e queria ir treinar. O Mário Wilson impediu-me, só lá voltei no dia seguinte (…). Sem o burro, claro”*.
No emblema algarvio, sem nunca escapar aos escalões secundários, fez também as primeiras temporadas na equipa principal. Aliás, esses 4 anos e meio nos seniores do Olhanense só foram interrompidos por culpa de um conterrâneo seu. Manuel Cajuda, com a temporada de 1994/95 a meio, levou o médio para o Minho. No Sporting de Braga, o resto dessa campanha não permitiu ao médio mostrar a sua qualidade. Já daí em diante, tudo foi diferente. Ao ser um jogador com um talento enorme, com uma técnica excepcional e uma visão de jogo acima da média, o atleta veio a perder-se por alguma falta de disciplina táctica. Ainda assim, os anos passados com as cores dos “Guerreiros” tornar-se-iam nos mais proveitosos da sua vida profissional.
Após ter terminado a ligação contratual com o emblema bracarense e depois de falhada a especulada transferência para o Racing Santander, Pedro Estrela acabou por alinhar, ainda na 1ª divisão, pelo Leça. Mesmo sem abandonar o escalão máximo, a verdade é que a carreira do atleta, talvez por razão de tantos episódios insensatos, começou a perder-se. Ainda passou pelo Belenenses. Regressou com o conjunto do Restelo ao patamar primodivisionário e nessa temporada de 1999/00 despediu-se dos palcos maiores do futebol português.
O resto da sua carreira, sempre com a sensação de que podia ter feito muito mais, viveu-a nos escalões secundários. Quase sempre em emblemas de grande tradição em Portugal, casos de Santa Clara, Portimonense, Atlético, Lusitano De Vila Real de Santo António, Farense ou “O Elvas”, o médio nunca conseguiu segurar-se durante muito tempo em cada equipa. Numa altura em que já andava pelas “distritais”, a sua carreira chegou ao fim e os fãs do, autodenominado, “Peter Star” deixaram de ter mais episódios para acrescentar às memórias.

*retirado da entrevista de Rui Miguel Tovar, publicado em https://maisfutebol.iol.pt, a 18/10/2019

958 - LARS RICKEN

Com a entrada para o clube em idade adolescente, seria ainda com os 18 anos por completar que Lars Ricken faria a estreia na equipa principal. A partida, disputada a 8 de Março de 1994, acabaria por inscrever o jovem jogador na história da colectividade. O estatuto conquistado, como o mais novo de sempre a entrar em campo com a camisola sénior do emblema alemão, justificar-se-ia pelo facto do médio ser visto como um dos mais promissores atletas das escolas do Borussia Dortmund. No entanto, havia muito mais a asseverá-lo e as constantes chamadas às jovens selecções germânicas serviriam também para aferir a sua qualidade.
Com um começo de carreira bastante prometedor, tanto nas camadas jovens da “Mannschaft”, mas principalmente pelo seu clube, os primeiros anos de Ricken como praticante da modalidade acabariam por ser bem prolíferos. Pela selecção alemã acabaria por fazer parte da equipa de sub-16 campeã europeia em 1992 e do grupo de sub-18 que, na final de 1994, perderia o Campeonato Europeu frente a Portugal. Já pelo Borussia Dortmund poderá dizer-se que a sua inclusão no plantel principal coincidiria com a melhor fase da história do emblema da Renânia.
Sendo, logo à 2ª temporada, uma presença regular nas fichas de jogo, os seus 5 primeiros anos na equipa principal também trariam, com semelhante regularidade, diversos títulos ao currículo do médio ofensivo. Com 2 “Bundesligas” conquistadas, uma em 1994/95 e outra em 1995/96, melhor só a vitória na Liga dos Campeões de 1996/97 e na Taça Intercontinental de 1997/98. Inserido num grupo onde pontuavam estrelas como Matthias Sammer, Andreas Möller, Paulo Sousa, Jürgen Kohler, Karl-Heinz Riedle ou Stéphane Chapuisat, também o médio haveria de construir momentos de enorme brilhantismo. Uma dessas ocasiões ocorreria na final da já referida Liga dos Campeões. Tendo saído do banco de suplentes aos 71 minutos, bastariam 16 segundos para que, com um “chapéu” de longa distancia, contribuísse com um golo para a vitória colectiva.
 Sem grande surpresa, os resultados desses primeiros anos como sénior levá-lo-iam à selecção principal alemã. Convocado por Berti Vogts, a estreia, na Fase de Qualificação para o Mundial de 1998, aconteceria numa partida frente Arménia. Apesar de um começo auspicioso, e da indiscutível qualidade do seu futebol, a regularidade com seria chamado aos trabalhos da equipa nacional acabaria afectada pela sua condição física. Ao começar, com alguma frequência, a ser assolado por lesões, o rendimento do médio também sofreria um decréscimo significativo. Essa fase mais negra do seu percurso profissional seria ultrapassada, de certa forma, na viragem de milénio. De volta aos bons velhos tempos, Lars Ricken ainda conseguiria ser chamado ao Mundial de 2002, onde a Alemanha perderia a final frente ao Brasil de Luiz Felipe Scolari.
A vitória na “Bundesliga” de 2001/02 e a presença na final da Taça UEFA desse mesmo ano, acabariam por ser tornar-se nos últimos marcos alcançados com a camisola do Borussia Dortmund. Alguns anos passados e o médio começaria a entrar na derradeira etapa enquanto futebolista. Mais uma vez marcado pelas lesões, o médio voltaria a perder bastante importância no seio do plantel. Na tentativa de recuperar a forma física, o jogador, durante a temporada de 2006/07, faria ainda algumas partidas pela equipa “b”. Sem conseguir regressar aos níveis exibicionais de outrora, é já com a temporada de 2007/08 a decorrer que o atleta anunciaria o abandono em definitivo. Com o fim da carreira de desportista, Ricken ainda encetaria um percurso como dirigente. Sol de pouca dura e, alguns meses após ser nomeado como Coordenador da Formação, o antigo internacional germânico deixaria o cargo.

923 - VÍTOR VIEIRA

Vítor Vieira foi um autêntico “globetrotter”! Doze clubes em dezoito anos de carreira profissional, muito mais do que atestar tal afirmação, poderiam indicar alguma incapacidade do atleta em adaptar-se ao futebol de alta competição. Muito pelo contrário! Para testemunhar a favor do seu percurso, há números que muitos jogadores apenas conseguiram sonhar. Nesse sentido, estão as onze temporadas passadas a disputar a 1ª divisão e as quase duas centenas e meia de partidas naquele que é o principal escalão português.
Muito antes das dezoito temporadas que completariam a sua carreira, o extremo haveria de emergir das “escolas” do Penafiel. Seria também no emblema duriense que, na temporada de 1991/92, Vítor Vieira faria a primeira aparição por um conjunto sénior. Para além da estreia na categoria principal, essa campanha acabaria também por levar o atacante à primeira partida no patamar mais importante do nosso futebol.
Rápido e com uma técnica bem acima da média, o extremo depressa começaria a ser visto como uma das grandes promessas do futebol português. Com o Penafiel relegado à Divisão de Honra, não tardaria muito para que emblemas mais bem posicionados fossem no seu encalço. A proposta que mais agradou ao atleta acabaria por vir de um dos históricos do nosso desporto. No entanto, a mudança para o Belenenses não correria tão bem quanto o esperado. Mesmo tendo em conta as capacidades que apresentava, Vítor Vieira nunca chegaria a conquistar espaço suficiente para ser uma presença regular no “onze” inicial. Por outro lado, e reflexo das características já aqui apregoadas, da Federação chegam as primeiras convocatórias para os Sub-21. Com as “Quinas” ao peito, o atacante seria chamado a disputar o Torneio Internacional de Toulon e ajudaria Portugal a atingir a final de 1994.
O seu regresso à 1ª divisão, após a saída do Belenenses e uma passagem pelo Paços de Ferreira, traria a confirmação de que o lugar de Vítor Vieira era, sem sombra de dúvida, o “escalão máximo”. Daí em diante, e pelos diversos clubes por que passou, o extremo seria sempre uma peça fulcral no desenho táctico dos seus treinadores. Marítimo, Desportivo de Chaves, Estrela da Amadora, Gil Vicente, Santa Clara e Académica acabariam por testemunhar aquilo que de melhor o atleta tinha para oferecer. Mesmo tendo em conta as constantes mudanças de clube, a verdade é que, independentemente das cores representadas, a importância do atleta no desempenho do conjunto raramente seria posta em causa.
No que restou da sua carreira, naquela que pode ser vista como a curva descendente da mesma, Vítor Vieira acabaria por ter a sua primeira e única experiência no estrangeiro. No Gansu Tianma, o extremo experimentaria o futebol chinês. Claro está, e sendo essa uma constante no seu percurso profissional, o atacante, durante os últimos anos como futebolista, ainda passaria por mais alguns emblemas. O final acabaria por aparecer em 2008 e após estar ao serviço do Lusitânia dos Açores.
Sem conseguir estar muito tempo afastado da modalidade, seria logo na temporada de 2008/09 que o antigo jogador testaria as suas capacidades como técnico. Com a porta aberta no clube que o tinha lançado na modalidade, Vítor Vieira agarraria o comando dos Sub-17 do Penafiel. Nos anos seguintes, tirando uma curta experiência como adjunto no Machico, seria com os jovens que mais trabalharia. Nesse sentido, o seu currículo também já conta com uma passagem pelos sub-19 penafidelenses.

870 - OVCHINNIKOV

Apesar de ter terminado a formação no Dínamo de Moscovo e de, ainda no clube, ter representado a equipa “B”, seria noutro emblema da capital que Ovchinnikov chegaria à ribalta do futebol russo. Após ter passado uma temporada no Dínamo Sukhumi (actual Geórgia), é em 1991 que o guarda-redes chega a acordo com o Lokomotiv. Nos “Ferroviários”, às muitas oportunidades conseguidas logo durante a época de estreia, seguir-se-ia a titularidade. Sendo um atleta com um excelente porte físico, seria na agilidade que o guardião mostraria a maior habilidade. Essa qualidade levá-lo-ia a conseguir, durante as campanhas seguintes, um lugar de destaque no conjunto moscovita. Depois viriam os títulos colectivos, os prémios de “Guarda-Redes Russo do Ano” em 1994 e 1995, a selecção e a chamada ao Euro 96.
Em 1997 Ovchinnikov mudar-se-ia para o Benfica. Apesar do estatuto de internacional e das boas qualidades, a verdade é que o russo não conseguiria impor-se no emblema da “Luz”. Tendo Michel Preud’Homme como principal oponente, a conquista de um lugar a titular acabara por ficar comprometida. Com o fim da carreira do belga, ainda chegou a pensar-se que seria para si o lugar à baliza. Contudo, a chegada de Jupp Heynckes ao comando técnico das “Águias” mostraria exactamente o contrário e a saída do atleta acabaria por ser negociada.
Com as notícias de alguns clubes espanhóis interessados na sua aquisição, seria a empresa de Paulo Barbosa, o seu empresário à altura, que acabaria por adquirir o “passe” do jogador. Já com uma futura transferência em vista, Ovchinnikov seria colocado no Alverca, na época de 1999/00. No ano seguinte, e depois de uma temporada bastante positiva nos ribatejanos, o guarda-redes mudar-se-ia para o FC Porto. Nas Antas, sob a alçada de Fernando Santos, o russo consegueria manter o nível exibicional demonstrado na campanha anterior. É então que, durante esse primeiro ano na “Invicta”, rebenta uma polémica referente ainda à sua passagem pelos “Encarnados”. Com o clube lisboeta a reclamar a falta de pagamento relacionada com a sua saída, as autoridades policiais acabariam por apontar o dedo a João Vale e Azevedo. Tendo sido descoberto um registo dessa maquia nos “cofres” do antigo Presidente “Encarnado”, o dirigente seria acusado de peculato e, mais tarde, acabaria por ser preso.
O último terço da carreira do jogador passar-se-ia no seu país natal. Após ter deixado os “Dragões” em 2002, Ovchinnikov regressaria ao clube que, sem sombra de dúvida, mais peso acabaria por ter no seu percurso profissional. De volta ao Lokomotiv de Moscovo, o atleta, muito mais do que recuperar o estatuto como titular, conseguiria resgatar o seu lugar na selecção. Depois de ter voltado a vencer, por mais duas vezes, o prémio de “Guarda-Redes Russo do Ano” (2002; 2003), é com a equipa nacional que o atleta volta a Portugal. Com as cores da Rússia o guardião seria chamado a disputar o Euro 2004.
Tendo decido terminar a carreira após uma derradeira temporada já ao serviço do Dínamo de Moscovo, o ex-guardião daria os primeiros passos como técnico. Nessas funções desde 2007, tendo desempenhado as tarefas de adjunto, treinador de guarda-redes e treinador principal, Ovchinnikov conta já com passagens por Dínamo de Kiev, Dínamo de Minsk ou Federação Russa de Futebol. Neste momento (2017/18), o antigo internacional é parte integrante dos quadros do CSKA de Moscovo.

863 - ARMANDO SÁ

Nascido em Moçambique, Armando Sá chegaria a Portugal ainda bastante novo. A sorte levá-lo-ia a frequentar um estabelecimento de ensino onde, como docente, trabalhava um dos treinadores das “escolas” do Belenenses. Reconhecendo-lhe o talento necessário para chegar a futebolista, o professor convida-o a treinar com os da “Cruz de Cristo”. No Restelo terminaria a sua formação. Contudo, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, a falta de espaço no plantel “Azul” leva-o a ser “emprestado”.
As temporadas no Vilafranquense, onde seria capitaneado por Rui Vitória, dariam início a uma jornada de alguns anos pelos escalões secundários. Depois do emblema ribatejano, a viagem para Norte e as passagens por Bragança e Vila Real, empurrá-lo-iam em direcção aos emblemas primodivisionários. No Rio Ave, onde entraria em 1998/99, destacar-se-ia como um atleta veloz e de uma entrega singular. Essas suas características fariam com que de outros lados o olhassem como um possível reforço. O convite, numa altura em que disputava a 2ª divisão, chegaria do Minho. Armando Sá, cotado como um dos bons laterais direitos do nosso campeonato, deixa então os vilacondenses para ingressar no Sporting de Braga.
O período passado na “Cidade dos Arcebispos” seria curto. Essa meia temporada, no entanto, seria suficiente para que desse novo salto na sua vida profissional. Incluído num “pacote” que abarcaria também o médio Tiago e o defesa Ricardo Rocha, o negócio levaria o lateral até ao Estádio da “Luz”. Tendo chegado em Janeiro de 2002, Armando Sá atravessaria um dos melhores períodos da sua carreira. Todavia, muito mais do que vencer a edição de 2003/04 da Taça de Portugal, o lateral direito, enquanto atleta das “Águias”, seria pela primeira vez chamado à selecção de Moçambique.
Novos títulos chegariam ao seu palmarés aquando da mudança para Espanha. No Villarreal venceria a Taça Intertoto de 2004/05. Já no Espanyol, para onde se transferiria na temporada a seguir à referida vitória, ajudaria a conquistar a Taça del Rey. Todavia, e apesar de conseguir enriquecer o currículo, a sua carreira começa a perder algum fulgor. Sem espaço no plantel dos catalães, Armando Sá, na época de 2006/07, é cedido ao Leeds United. Ainda assim, a solução encontrada acabaria por não ser satisfatória. Pouco utilizado no emblema de Yorkshire, a experiência no 2º escalão inglês pouco acrescentaria ao seu percurso.
Daí em diante as suas escolhas surpreenderiam muita gente. Após deixar o Reino Unido, o lateral opta por aceitar o convite do seu sogro, Augusto Inácio, e sob a orientação do treinador português assina por uma colectividade da 2ª divisão do Irão. A campanha feita no Foolad leva a que o Sepahan FC, um dos mais importantes emblemas do país, decida endereçar um convite ao internacional moçambicano. A transferência faria com que o defesa conseguisse, ao vencer a Liga iraniana de 2009/10, acrescentasse mais um título ao seu palmarés.
Após retirar-se dos relvados, Armando Sá decide orientar a sua vida em diferentes direcções. Investe no ramo imobiliário e abre também um ginásio. Por outro lado, e sem conseguir afastar-se da modalidade, inaugura uma escola de futebol. Contudo, e apesar desse último projecto não ter corrido como o desejado, a verdade é que a aposta numa carreira de técnico não terminaria por aí. Começa por frequentar cursos em Portugal e no estrangeiro, chega a orientar a selecção portuguesa de futsal para diabéticos e, dando seguimento ao convite de um antigo treinador da Academia do Ajax, aceita orientar a equipa s-16 dos canadianos Kleinburg Nobleton Soccer Club.