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1414- PALHARES

Com a formação terminada no “escolas” do Sporting, seria ainda como atleta das camadas jovens que Rui Palhares começaria a ser chamado aos trabalhos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Naquele que hoje é denominado por escalão sub-18, o extremo-esquerdo faria a sua estreia, pela mão de José Augusto, a 13 de Novembro de 1972. Após os primeiros passos, ao lado de nomes que ficariam bem conhecidos do público português, tais como Tozé Fonseca, Abreu, Barrinha ou José Domingos, o canhoto prosseguiria a sua caminhada com a “camisola das quinas”. No trajecto com as cores lusas, que incluiria chamadas aos “esperanças” e aos “olímpicos”, o destaque iria para a entrada nos planos da equipa principal. Nesse contexto, a primeira aparição em campo surgiria alguns anos depois. A 15 de Abril de 1981, com Juca no papel de seleccionador, dar-se-ia o arranque de uma caminhada que terminaria em 1985 e com um somatório de 6 internacionalizações “A”.
No que diz respeito ao seu trajecto clubístico, seria no Sporting Clube de Portugal que Palhares daria os primeiros passos como sénior. Ao ser aferido como um atleta de enorme potencial, com as chamadas às jovens selecções nacionais a sublinhar essa avaliação, a sua primeira aparição na equipa principal dar-se-ia, sob as ordens de Mário Lino, numa partida a contar para a edição de 1973/74 da Taça de Honra. Porém, nesses anos iniciais com o conjunto leonino, o extremo, ou médio-ala, poucas vezes seria chamado às pelejas futebolísticas. A mudança começaria a notar-se apenas na temporada de 1976/77, já com Jimmy Hagan aos comandos do “Leão”. Ainda assim, com o termo da referida campanha e com o fim da ligação contratual, o jogador preferiria deixar Alvalade e daria continuidade à sua carreira noutro emblema.
Ao serviço do Vitória Futebol Clube a partir da época de 1977/78, Palhares começaria a vincar as qualidades que nele haviam desenhado um tremendo potencial. No emblema da cidade de Setúbal, inicialmente orientado por um homem também com forte ligação ao Sporting, o treinador Fernando Vaz, o atleta daria passos decisivos para a sua afirmação como um intérprete de cariz primodivisionário. Seguir-se-ia, sem abandonar o escalão máximo, o Varzim de António Teixeira. Cumprida a temporada de 1979/80 com o listado dos “Lobos do Mar”, durante a qual contribuiria para o 9º lugar no Campeonato Nacional, o jogador arrepiaria caminho para o Bessa e com os “Axadrezados” viveria aqueles que, poderei afirmar com segurança, viriam a tornar-se nos melhores anos da sua carreira profissional.
Com a entrada no plantel do Boavista a acontecer na campanha de 1980/81, Palhares encetaria um capítulo da sua caminhada competitiva que, muito para além de fazer da colectividade portuense a mais representativa da sua carreira, dar-lhe-ia, como mencionado no parágrafo inicial desta biografia, a maioria das tão almejadas internacionalizações “A”. Tendo, na transição da Póvoa de Varzim para o Estádio do Bessa, acompanhado o técnico António Teixeira, o ala-canhoto, também sob a orientação dos treinadores seguintes, manteria a preponderância para os excelsos resultados colectivos, com o maior relevo, resultado das posições cimeiras no Campeonato Nacional, a irem para as provas continentais. Na Taça UEFA, o jogador destacar-se-ia principalmente na edição de 1981/82, na ronda frente ao Atlético de Madrid, onde um golo seu ajudaria a eliminar os “Colchoneros”.
A entrada na derradeira fase da sua senda profissional levá-lo-ia a vestir mais duas cores. Depois da temporada de 1985/86 a envergar a camisola do Sporting de Braga, período durante o qual ainda seria chamado à selecção nacional, Palhares, pela primeira vez, conheceria os meandros dos patamares secundários. Ao serviço do Estrela da Amadora, o atleta faria parte de um momento histórico para a agremiação da Reboleira e, consumada a subida no final da campanha de 1987/88, o médio-ala acompanharia os “Tricolores” na estreia na 1ª divisão.
Depois de “pendurar as chuteiras” com o fim da época de 1988/89, Palhares manter-se-ia ligado à modalidade e viria a evidenciar-se como treinador das camadas jovens do Sporting, tendo conquistado diversos títulos nacionais.

1370 - NELITO

Júnior no Belenenses, a temporada de 1976/77 daria a Manuel Joaquim Fernandes, popularizado no universo do futebol como Nelito, a oportunidade de subir a sénior. Ainda como um dos elementos da colectividade a jogar em casa no Estádio do Restelo, a sua época de estreia na equipa principal “azul” dar-lhe-ia também espaço para encetar uma caminhada competitiva no principal escalão português. Inicialmente orientado pelo treinador Carlos Silva, a referida campanha revelaria um atleta de propensão ofensiva e com capacidade para jogar no sector intermediário ou mais avançado no terreno de jogo. Porém, a falta de experiência levá-lo-ia a não conseguir muitas presenças em campo e, nesse sentido, a sua saída do emblema lisboeta acabaria por ser equacionada.
Daí em diante, numa carreira caracterizada pela enorme errância, muitos seriam os clubes que o jogador representaria. Durante os 5 anos precedentes à sua estreia sénior, Gil Vicente, “O Elvas”, Cova da Piedade e Ginásio de Alcobaça tornar-se-iam nas cores desse trajecto. Sempre a vogar no escalão secundário, a chegada ao emblema sediado na Região do Oeste traria ao atleta, não uma novidade, mas um retorno a um contexto já conhecido. Com a época de 1981/82 a terminar com a histórica promoção da colectividade alcobacense, o resultado desse feito seria a estreia dos “Ginasistas” na 1ª divisão e o regresso de Nelito ao convívio dos “grandes”.
Na época primodivisionária do Ginásio de Alcobaça, Nelito, sob o comando de Orlando Moreira e, depois da saída deste, treinado por Edmundo Duarte, pautar-se-ia como um dos elementos mais utilizados e com maior influência no colectivo. Os bons índices individuais, mesmo com a descida do clube no final da temporada de 1982/83, faria com que outros emblemas do escalão maior olhassem para si como um bom reforço. Com tal ideia em mente, seria o Salgueiros a propor-lhe uma nova ligação contratual. No entanto, numa carreira que, como já foi mencionado, caracterizar-se-ia por várias mudanças de clube, a estadia do atleta no Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro apenas duraria uma campanha e, já de malas feitas, viajaria para norte e ao encontro de um antigo companheiro de balneário.
Com José Romão, seu colega no Ginásio de Alcobaça, aos comandos do Vizela, Nelito aceitaria o desafio dos minhotos e acabaria por somar ao currículo outra época na 1ª divisão. Todavia, com o emblema, no final da campanha de 1984/85, a não conseguir a manutenção, o jogador decidiria dar novo rumo à caminhada competitiva e, mais uma vez, mudaria de poiso. De volta ao “O Elvas”, a viagem até o Alentejo traduzir-se-ia pelo regresso aos patamares secundários. No que restaria da sua carreira, o futebolista, num trajecto que ainda duraria mais uma mão cheia de anos, não mais retornaria aos principais palcos do desporto português. Peniche, Bragança, Atlético, Cova da Piedade e Rio Maior transformar-se-iam nas insígnias a marcar o derradeiro trecho de uma vida que, na alta-competição, conheceria o fim com a passagem da década de 1980 para a de 1990.

1346 - BELMIRO

Tendo já representado como sénior, pela seguinte ordem cronológica, as agremiações amadoras do Futebol Clube Malta e do Grupo Desportivo da Maconde, Belmiro Marques Graça seria apresentado como reforço do Varzim, para a temporada de 1982/83. Natural das Caxinas, nascido no seio de uma família de pescadores, o defesa-esquerdo depressa revelaria o carácter físico e batalhador. Estrear-se-ia sob o comando do “Magriço” José Torres e, testemunho da grande aposta feita pelos responsáveis dos “Lobos-do-mar”, logo na disputa do escalão máximo.
Talvez por razão do enorme salto competitivo, a verdade é que a sua primeira época entre os “grandes”, em termos individuais, não seria muito proveitosa para o atleta, com o lateral a aparecer em campo em apenas 3 jornadas do Campeonato Nacional. Já a temporada seguinte destaparia um jogador completamente diferente e lançado para uma das melhores campanhas da carreira. A prová-lo, Belmiro, muito para além de titular indiscutível, seria um dos elementos do plantel do Varzim, naquela que é a mais importante prova do calendário futebolístico português, a marcar presença em todas as rondas da competição
 Curiosamente, na temporada de 1984/85, o defesa, depois de ter conseguido ser um dos nomes sempre arrolado ao “onze” inicial, voltaria ao ocaso da primeira época passada com o emblema sediado na Póvoa do Varzim. Também em termos colectivos, a referida campanha teria um saldo negativo, com o clube a ver-se relegado para o segundo escalão. Uma época cumprida e o sonho de regressar à 1ª divisão cumprir-se-ia. Sob a alçada do treinador Henrique Calisto, num plantel composto por nomes como os de Vata, Reinaldo, Rui Barros, José Maria, Miranda ou o guardião Lúcio, Belmiro faria parte do grupo de trabalho que, no final da época de 1987/88, alcançaria, para a colectividade alvinegra, o 7º lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional.
Ao perder alguma preponderância no esquema táctico varzinista, talvez à procura de jogar com mais regularidade, o Desportivo das Aves apresentar-se-ia como uma boa solução para o seu trajecto competitivo. Porém, essa época de 1987/88, ao serviço da agremiação do concelho de Santo Tirso, encetaria na carreira do defesa-esquerdo uma nova etapa. Ao escolher representar um emblema a disputar a 2ª divisão, o jogador não mais conseguiria apresentar-se no patamar máximo luso. Daí em diante, sempre a vogar pelos escalões secundários, Belmiro ainda regressaria ao Varzim, onde completaria outras 3 campanhas. Depois, numa caminhada desportiva que acabaria com o termo da temporada de 1993/94, seguir-se-iam Oliveira do Bairro, Joane e Freamunde.
Após “pendurar as chuteiras”, apesar de presença assídua nas bancadas, Belmiro não mais retornaria às actividades do futebol. Ao voltar às tradições familiares, o antigo atleta passaria a dedicar-se às artes da pesca. Ao fim de vários anos no mar, numa senda que o levaria a passar por diversos países, a notícia de um naufrágio ao largo da costa de França, traria a triste notícia do seu falecimento.

1329 - REIS

Seria na União de Coimbra que Fernando Reis encontraria a oportunidade para encetar a caminhada no universo primodivisionário. Com os da “Cruz de Santiago” a disputar o patamar máximo do futebol português na temporada de 1972/73, o avançado, apesar de jovem, tornar-se-ia numa das figuras do plantel com maior utilização. Ainda assim, com os resultados colectivos abaixo do esperado, o jogador, finda a referida campanha, acompanharia a agremiação conimbricense na descida de divisão e, desse modo, ficaria afastado dos principais palcos lusos durante algumas épocas.
Após outras 2 temporadas com a União de Coimbra e uma a servir de interlúdio com as cores do Lusitânia de Lourosa, a campanha de 1976/77 e a transferência de Reis para o Sporting de Espinho, trariam novos horizontes à carreira do atacante. Inicialmente ainda a disputar o segundo escalão, o jogador seria de fulcral importância no retorno dos “Tigres da Costa Verde” ao convívio com os “grandes”. Com a época seguinte à da sua chegada ao Estádio Comendador Manuel Violas a representar o aludido regresso à 1ª divisão, é certo que demoraria um pouco mais para que o atleta conseguisse cimentar o seu percurso como o de um elemento pertence à elite desportiva. Tal, com uma nova e curta passagem pelo universo secundário, viria a acontecer já em 1979/80 e, daí em diante, seguir-se-iam meia dúzia de anos sem abandonar a principal competição do panorama futebolístico português.
Com as 5 temporadas passadas ao serviço do Sporting de Espinho a fazer da colectividade sediada no distrito de Aveiro uma das mais representativas da sua caminhada competitiva, não é menos verdade a relevância de outros emblemas no percurso do atleta. Para o caso, sempre em pelejas de 1ª divisão, há então que fazer referência a outras duas experiências vividas pelo jogador. Primeiro, com a entrada no Estádio do Bonfim a acontecer na campanha de 1981/82, surgiria o Vitória Futebol Clube. Não menos importante, num regresso à “Cidade dos Estudantes”, viria a sua inclusão como reforço do plantel de 1983/84 da Académica de Coimbra.
Já numa fase descendente da sua carreira como futebolista, Reis teria ainda tempo para envergar as cores de outras agremiações. Com a União de Leiria, Marinhense e o Mirense a perfilarem-se como os derradeiros capítulos dessa jornada final, seria no emblema de Mira de Aire que o avançado faria a transição para os novos desafios lançados ao seu trajecto no desporto. Ao abraçar as tarefas de técnico, depois dessa primeira experiência como treinador-jogador, o antigo praticante daria continuidade à sua senda nos patamares secundários e passaria por diversos conjuntos, com especial destaque para os anos vividos à frente de colectividades como o Moreirense, Recreio de Águeda ou ainda, pela ligação mais extensa, o Sporting de Pombal.

1297 - VITINHA

Formado no Benfica, seria como membro do plantel sénior do Estoril Praia, embora na condição de “emprestado” pelo emblema das “Águias”, que Vitinha surgiria no radar da Federação Portuguesa de Futebol. Com a “camisola das quinas”, o extremo-direito seria chamado aos trabalhos do patamar sub-20 e a 17 de Maio de 1979, pela mão de Peres Bandeira, conseguiria estrear-se no conjunto luso. Depois do particular frente a Espanha, o atacante ainda voltaria a representar Portugal e, com mais um par de participações no referido escalão e um golo frente ao Japão, coloriria o seu currículo com 3 internacionalizações.
Depois da entrada no António Coimbra da Mota na campanha de 1978/79 e logo para ser orientado pelo mítico José Torres, as 4 temporadas passadas no emblema da Linha de Cascais, com o interregno de um ano durante o qual seria cedido pelo Benfica ao União de Lamas, dariam a Vitinha o traquejo suficiente para ser aferido como um elemento valioso em qualquer plantel primodivisionário. As campanhas feitas ao serviço dos “Canarinhos” no escalão máximo português teriam continuidade, a partir da época de 1983/84, na margem direita do Rio Sado. No Vitória Futebol Clube, ao conservar na passagem pela cidade de Setúbal um número elevado de partidas disputadas na 1ª divisão, Vitinha encontraria no treinador Manuel de Oliveira uma fonte inspiradora.
Apesar de ter acompanhado o Vitória na despromoção que, na temporada de 1986/87, levaria os “Sadinos” a disputar o escalão secundário, Vitinha não perderia o ímpeto competitivo dos palcos maiores e, um ano volvido sobre a descida, já o avançado regressava ao convívio dos “grandes”. No Algarve, onde, na segunda campanha ao serviço do Farense, voltaria a encontrar-se com o seu antigo treinador em Setúbal, o inglês Malcolm Allison, o avançado somaria mais 3 campanhas ao currículo sénior. Com as duas primeiras a militar na 1ª divisão, curiosamente seria na última época no sul do país, a tal longe do patamar principal, que o atacante viveria um dos grandes momentos da carreira. Ao galgar as eliminatórias da Taça de Portugal, os “Leões de Faro” chegariam aos derradeiros desafios da prova. Mesmo sem entrar em campo na final, nem na finalíssima, o atleta contribuiria para as passagens nas rondas precedentes e desse modo, veria o seu nome arrolado como um dos intérpretes de tão importante feito.
Numa caminhada profissional com um total de 9 temporadas de cariz primodivisionário, os últimos anos como futebolista, trariam ao trajecto de Vitinha outros emblemas. O regresso ao Estoril Praia, o Amora, o Barreirense e o Fanhões antecederiam a última aventura do atacante. No Grupo Desportivo Negro Rubro, ao lado de nomes conhecido do futebol luso, como o paraguaio Sotil ou Hermano, antigo avançado com presença na 1ª divisão ao serviço do Sporting da Covilhã, o jogador acabaria por experimentar e vencer o Campeonato de Macau.

1177 - WANDO

Seria descoberto pelo Vasco da Gama durante uma partida entre as selecções jovens de Brasília e do Rio de Janeiro. Acabaria a formação nas “escolas” do emblema “carioca” e, resultado de uma evolução positiva, depressa começaria a apontar para outros destinos. A oportunidade, contava apenas com 19 anos de idade, surgiria na temporada de 1982/83. De Portugal surgiria o convite do Sporting de Braga e a mudança sublinharia uma atleta de um virtuosismo estonteante.
Na colectividade minhota, a velocidade, apurada nos tempos em que praticava atletismo, o drible fácil, que permitia a Wando ultrapassar os adversários, rapidamente dariam ao extremo-canhoto um lugar no desenho táctico dos “Arsenalistas”. Orientado pelo treinador Juca, o atacante terminaria a campanha de estreia em Portugal como um dos atletas mais utilizados no plantel e marcaria presença em ambas as partidas da Supertaça, perdida para o Sporting. A época seguinte serviria, tendo o jogador participado em todas as jornadas do Campeonato Nacional, para asseverar a sua ascensão. Tal crescimento abrir-lhe-ia as portas de um novo desafio e o Estádio “da Luz” tornar-se-ia na sua nova “casa”.
Com o desafio de substituir Fernando Chalana, entretanto transferido para o Bordeaux, a temporada de 1984/85, mesmo com uma boa frequência em presenças em campo, serviria para a adaptação de Wando a uma realidade competitiva mais exigente. Já bem ajustado, o avançado, com inscrição regular no “onze” titular, continuaria a dar o seu contributo para a conquista de novos títulos. Nesse sentido, as 4 épocas de “águia ao peito”, seriam bem proveitosas. Logo na campanha de chegada a Lisboa, o esquerdino ajudaria à conquista da Taça de Portugal. Disputaria e conquistaria as duas edições seguintes da “Prova Rainha” e, em 1986/87, com a vitória no Campeonato, gravaria a “dobradinha” no palmarés pessoal. Porém, seria o derradeiro ano passado com o Benfica que acabaria por oferecer à sua carreira um dos momentos mais gloriosos. A presença na final de 1987/88 da Taça dos Clubes Campeões Europeus, mesmo perdida para ao PSV Eindhoven, inscrever-se-ia na sua caminhada como um marco e o desempate por grandes penalidades tornar-se-ia num capítulo inolvidável – “Estávamos sentados e o Veloso falou: «Eu vou lá, dou uma paradinha, o guarda-redes vai para um canto e eu chuto para o outro.» E eu disse: «Vai, Veloso, vai!» Eu não queria era bater! «Vai, Veloso…" O Álvaro fez coro: «Vai, Veloso, vai!» E o Veloso foi: fez uma paradinha, mas o guarda-redes não se mexeu; ele chutou e o Van Breukelen defendeu a bola”*.
Seguir-se-ia, no trajecto do atleta, uma fase mais errante e, com isso, a passagem por diversos emblemas. Ainda em Portugal, Wando vestiria as camisolas do Vitória de Setúbal, Marítimo e, após uma “ponte” feita no Calheta, viria a experiência ao serviço dos turcos do Konyaspor. Depois, consumar-se-ia o regresso ao Brasil, a passagem pelo XV de Jaú e o terminar da caminhada enquanto desportista profissional. Com o fim da carreira, Wando transformar-se-ia num agente multifacetado. Investe no ramo imobiliário, abriria uma creche, inauguraria uma escola de futebol, passaria a colaborar com vários clubes na prospecção de novos talentos e ainda ajuda à gestão da carreira de jovens atletas.

*retirado da entrevista conduzida por João Sanches, publicada a 07/02/2019, em www.slbenfica.pt