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1670 - FEBRAS

Descoberto enquanto atleta das camadas de formação do Cracks de Lamego, Jorge Manuel Ribeiro Cardoso, popularizado pelo nome Febras, alcunha que ganharia por razão do talho do pai, cedo chegaria a Coimbra. Como juvenil da Académica, o jovem avançado partilharia o balneário com Sérgio Conceição. Nesse trilhar de caminho, alguns anos mais tarde chegaria a altura de transitar para o escalão sénior. No entanto, a forte concorrência por um lugar no ataque da “Briosa”, que contava com nomes como Lewis, empurrá-lo-ia, em 1992/93, para um empréstimo ao serviço da Naval 1º de Maio. Os 2 anos cumpridos na Figueira da Foz, respectivamente passados nas disputas do 3º escalão e da 2 divisão “B”, serviriam para sublinhar o seu valor. Já o regresso aos “Estudantes” dar-se-ia em 1994/95 e apesar das boas prestações, o início da temporada seguinte não surgiria sem uma pequena polémica – “Lembro-me de ter sido o melhor marcador da equipa, em 1994/95, e na época seguinte o treinador Vieira Nunes me querer emprestar. Até hoje, nunca percebi porque tinham essa intenção e disse-lhes que preferia sair de vez do que ser emprestado. Acabei por ficar e por regressar aos golos num jogo em que só fui convocado porque os outros avançados estavam lesionados. Nunca mais saí da equipa, nem com o treinador Eurico Gomes, nem com Vítor Oliveira”*.
Ao manter-se com as cores da “Briosa”, Febras tornar-se-ia numa das peças da caminhada que, em 1997/98, levaria a Académica de Coimbra a retornar aos cenários primodivisionários. Apesar da época periclitante em termos colectivos, a ampla utilização do atacante mantê-lo-ia como um valor seguro do plantel. Conseguida a manutenção na campanha de regresso ao convívio como os “grandes”, a época seguinte também viria a tornar-se numa árdua provação. Porem, pior do que os desempenhos do grupo de trabalho, a fraca utilização do atacante levá-lo-ia a ser empurrado para um novo empréstimo. Nesse sentido, a meio da época de 1998/99, o jogador acabaria por ser apresentado como reforço do Gil Vicente. Os meses no emblema sediado na cidade de Barcelos, passados nas contendas da divisão de Honra, serviriam para justificar um novo regresso. Todavia, com a descida dos “Estudantes” a manter o atleta nas disputas do patamar secundário, o ano sob as ordens de Carlos Garcia não seria, de todo, proveitoso e o termo da temporada 1999/00 transformar-se-ia no fim da sua ligação com a agremiação beirã.
Daí em diante, em definitivo longe do patamar maior do futebol luso, o avançado encetaria um périplo a levá-lo a diferentes clubes e até a uma curta experiência no estrangeiro. Académico de Viseu, Lousada, Vizela e os malaios de um Sabah FA orientado por José Garrido, antecederiam o regresso a Portugal e, mais uma vez, ao Lousada. Por fim, com Febras a escrever o último capítulo da carreira, a única presença sénior do jogador numa colectividade da sua terra natal e o plantel de 2006/07 do Sporting de Lamego a encerrar a caminhada do atacante enquanto futebolista.
“Penduradas as chuteiras”, Febras ainda voltaria a ligar-se à modalidade e como treinador trabalharia para colectividades como o Sporting de Lamego, Moimenta da Beira ou Sampedrense.

*retirado do artigo a 7/11/2013, em www.record.pt

1591 - CAMILO

Com o fim do trajecto formativo feito com as cores do Mangualde, seria no emblema sediado no distrito de Viseu que Camilo António Marques Rodrigues Fernandes também subiria ao escalão de seniores. Depois da promoção, tendo começado a sua senda pelas disputas da 2ª divisão de 1988/89, o jovem praticante ainda demoraria algum tempo até atingir o patamar máximo do futebol português. Nessa caminhada de 7 anos, seguir-se-iam, numa senda caracterizada pela relativa errância, diversas colectividades do centro e do norte do país. Mirandense, UD Oliveirense, Lousanense e União de Coimbra precederiam então o salto para os exigentes desafios primodivisionários e o Algarve daria a oportunidade ao defesa-central para fazer a estreia entre os “grandes”.
Com a chegada ao Farense a acontecer para a temporada de 1995/96, Camilo passaria a ser treinado por Paco Fortes. Sob a égide do treinador catalão, o jogador, muito para além do arranque de caminhada no patamar maior do futebol luso, não enjeitaria a ocasião para merecer um lugar na história do emblema do Sotavento. Tal momento aconteceria numa partida frente aos gauleses do Olympique Lyonnais, naquele que viria a tornar-se no jogo de estreia da colectividade portuguesa nas competições de índole continental. Porém, esse desafio a contar para a Taça UEFA, lado-a-lado com um começo de época auspicioso, não viria a consolidar-se como mais um passo para a titularidade. Usado com parca frequência, ainda assim o atleta viria a manter-se no plantel do conjunto algarvio por 3 campanhas sucessivas. Contudo, tapado consecutivamente por outros colegas de trabalho, casos de Jorge Soares ou de Pedro Miguel, a saída acabaria mesmo por materializar-se e seria na sua cidade natal que encontraria novo poiso.
Em Coimbra, dessa feita para representar a Académica, Camilo, na temporada de 1998/99 manter-se-ia nas lutas primodivisionárias. Todavia, a época de estreia a lutar pelos “Capas Negras” traduzir-se-ia num péssimo resultado colectivo, com o conjunto beirão, após várias mudanças de treinador, a sucumbir ao 18º lugar da tabela classificativa do Campeonato Nacional. Com a inevitável despromoção, a aposta na “Briosa”, ainda que a entregá-lo à titularidade, afastá-lo-ia definitivamente do convívio com os “grandes”. Para piorar o contexto competitivo do defesa-central, o fim da campanha de 2001/02, logo após ajudar o emblema conimbricense a voltar à 1ª divisão, traduzir-se-ia pelo termo da relação contratual entre o jogador e a agremiação sediada nas margens do Rio Mondego. Nesse sentido, após deixar a Académica de Coimbra, Camilo entraria naqueles que viram a tornar-se nos derradeiros capítulos da sua caminhada enquanto futebolista profissional. Ovarense, Pampilhosa e “Os Marialvas” precederiam o fim da sua carreira. No entanto, o antigo praticante voltaria a reencontrar-se com o futebol e de regresso aos “Estudantes” assumiria em 2017/18 as tarefas de coordenador-geral.

1568 - ISAÍAS

Seria no Esporte Clube de Propriá, emblema sediado na sua terra natal, que Isaías Silva Aragão completaria o percurso formativo e onde faria, na temporada de 1986, a transição para o patamar sénior. Defesa-central de recursos físicos possantes e de processos simples e eficazes, o jovem jogador depressa começaria a revelar capacidades bem acima das modestas ambições da colectividade por si representada. No desenrolar do seu percurso, depois de uma curta passagem pelo plantel de 1988 do Lagartense, seria a transferência para o Clube Sportivo Sergipe de 1989 que empurraria o atleta para os primeiros sucessos colectivos. As 3 campanhas cumpridas pelo novo agrupamento, intercaladas pela época de 1991 ao serviço do Naútico Capibaribe, haveriam de trazer-lhe as almejadas vitórias e as conquistas das edições de 1989 e de 1992 do “estadual” colorir-lhe-iam o currículo pessoal.
Com cerca de 7 anos de caminhada sénior, a Isaías ser-lhe-ia dada a primeira oportunidade no estrangeiro. Convidado pelo Penafiel, o defesa-central chegaria a Portugal para competir na divisão de Honra de 1992/93. Lançado por Carlos Garcia, o jogador rapidamente ganharia um lugar como titular dos “Durienses”. Porém, mesmo com o clube longe das lutas pela promoção, a verdade é que as suas exibições fariam com que os responsáveis pelo Leça olhassem para si como uma boa “arma” para o ataque à almejada subida. Esse objectivo seria alcançado logo na época da sua entrada na agremiação do concelho de Matosinhos e após ajudar à vitória no Campeonato Nacional do patamar secundário, a campanha de 1995/96 oferecer-lhe-ia a estreia no convívio com os “grandes”.
Com uma época brilhante num Leça inicialmente comandado por Fernando Festas e recheado de bons jogadores, casos de Jaime Magalhães, Constantino, Vladan, Matias ou Paulo Fonseca, Isaías daria o salto para o Boavista. Com a entrada no Bessa a ocorrer na temporada de 1996/97, o defesa-central, muito para além de manter os níveis exibicionais em padrões bem elevados, tornar-se-ia numa das figuras dos sucessos colectivos. Um desses êxitos, atingido na primeira época com as “Panteras”, seria a vitória na Taça de Portugal. Chamado ao “onze” por Mário Reis, o atleta daria um enorme contributo para os 3-2 a derrotar o Benfica. Logo na época seguinte, na disputa da Supertaça Cândido de Oliveira, o jogador entraria em campo na 2ª mão da referida competição e ajudaria, dessa feita frente ao FC Porto, ao triunfo dos “Axadrezados”. Claro, é impossível olvidar a época de 1998/99 e o 2º posto da tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão, alcançado sob a alçada de Jaime Pacheco.
Após o vice-campeonato conseguido pelo Boavista, Isaías decidir-se-ia pelo regresso ao Brasil. Contratado pelo histórico Cruzeiro, a curta experiência vivida no emblema de Belo Horizonte, teria como curiosidade o balneário partilhado com Valdo e com Geovanni, duas figuras do Benfica e do futebol luso. Poucos meses após a passagem pela agremiação do Estado de Minas Gerais, o defesa-central voltaria a Portugal e ao Leça de 2000/01. Já numa fase terminal da sua carreira, mantendo-se em exclusivo pelos escalões inferiores, o jogador ainda vestiria as cores do Tirsense, onde, na campanha de 2001/02, voltaria a encontrar-se com Fernando Festas. Por fim, emergiria a aventura chinesa, no termo da qual e depois de envergar as divisas do Chongqing FC de 2002, viria a “pendurar as chuteiras”.
Mais uma vez de volta à cidade natal, Isaías manter-se-ia ligado ao futebol e por altura do acidente rodoviário a ceifar-lhe a vida, o antigo defesa cumpria o papel de director do América de Propriá.

1292 - RAMOS

Extremo dono de uma velocidade estonteante e de uma técnica bem acima da média, Manuel Ramos cedo começaria a destacar-se nas “escolas” do Farense. Tão boa seria a evolução demonstrada durante o percurso formativo que, como júnior do emblema algarvio, o atacante seria chamado aos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com a camisola de Portugal estrear-se-ia no escalão sub-17, a 01 de Junho de 1995 e pela mão de Rui Caçador. Essa partida frente à Áustria, a contar para o Torneio Internacional da Suíça, encetaria um percurso que levaria o atleta, entre o patamar referido, os sub-20 e sub-21, a somar ao currículo um total de 21 internacionalizações.
Também no clube, o crescimento demonstrado levá-lo-ia a ser aferido como uma grande promessa. Uma das provas desse valor emergiria com a convocatória do avançado à equipa principal, ainda no decorrer do último ano de formação. Com Paco Fortes como “timoneiro” do Farense, Ramos, nessa temporada de 1995/96, acabaria chamado à estreia na 1ª divisão. Progressivamente começaria a impor-se no plantel, não só como um elemento útil aos objectivos do colectivo sotaventino, mas como um dos melhores intérpretes do conjunto. No desenrolar da campanha de 1997/98, já o extremo havia conseguido posicionar-se como um dos mais utilizados da colectividade algarvia. Manteria esse estatuto na época seguinte e, por conseguinte, a mudança de emblema no defeso estival de 1999 transformar-se-ia numa enorme surpresa.
A real razão para a saída de Ramos, tal como veiculado pelos periódicos desportivos da altura, seria a rescisão unilateral, por parte do atleta, do contrato que o ligava ao clube. Ao alegar salários em atraso, o atacante deixaria o Algarve e acabaria por rubricar um novo vínculo com o Salgueiros. Porém, no emblema sediado na cidade do Porto, ao contrário do que a sua evolução vinha a revelar, o extremo não conseguiria atingir os níveis exibicionais de anos anteriores. Ao fim de um par de temporadas ao serviço da colectividade do bairro de Paranhos, o jogador acabaria por dar novo rumo à carreira e, com tal passo, afastar-se-ia do escalão máximo do futebol português.
A entrada na Ovarense marcaria uma nova fase no percurso profissional do jogador. A passagem pelo emblema vareiro na temporada de 2001/02 transformar-se-ia no primeiro capítulo de Ramos como um representante de emblemas a militar nos escalões secundários. Nessa senda, o destaque acabaria por ir para o regresso do avançado ao Algarve. Numa caminhada que terminaria em 2005, Lagoa, Almancilense e Quarteirense seriam os emblemas a colorir o derradeiro troço do futebolista que, com apenas 27 anos de idade, decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”.

1230 - MIGUEL SERÔDIO

Com a formação dividia entre o Imortal de Albufeira e o Olhanense, seria neste último emblema que Miguel Serôdio faria a transição para o patamar sénior. Com habilidade para, entre o centro do sector mais recuado e o meio-campo, posicionar-se em lugares de cariz defensivo, o atleta, mesmo a disputar o escalão secundário, conseguiria chamar a atenção de outros emblemas. Como um elemento batalhador e capaz de recuperar muitas bolas, o jogador, ainda que sem um físico impressionante, seria visto como um bom reforço para o Farense de 1990/91, orientado pelo mítico Paco Fortes. Sob a alçada do treinador catalão, ainda que com uma primeira temporada um pouco discreta, as seguintes revelariam um elemento primordial no alinhar do “onze” inicial e com grande responsabilidade no alcançar dos feitos colectivos.
No contexto competitivo do emblema sediado no Algarve, os anos 90, tal como será fácil de recordar, caracterizar-se-iam pelas melhores campanhas realizadas pelos “Leões de Faro”. Durante esse período áureo da história do clube, Miguel Serôdio, como um dos elementos mais utilizados na disputa das provas nacionais, muito para além de ajudar a colectividade a cimentar-se no cenário primodivisionário, auxiliaria o grupo a ultrapassar metas nunca antes atingidas. Titular no desenrolar tanto da temporada de 1991/92, como da época de 1992/93, seria também dele a responsabilidade pelo 6º lugar conseguido em ambos os anos. Contudo, mais estaria para chegar. Nesse sentido, o Campeonato de 1994/95 terminaria com o Farense no 5º lugar da prova, melhor classificação de sempre para os do Sotavento, e com a qualificação para as pelejas continentais.
Com o feito alcançado, Miguel Serôdio, como alguns dos seus colegas de equipa, decidiria aceitar o convite de outras colectividades tradicionalmente preparadas para metas mais auspiciosas. Curiosamente, a mudança para o Boavista distanciaria o jogador das provas realizadas no âmbito da UEFA. No entanto, pior do que o afastamento das competições continentais, o atleta, com as cores do emblema portuense, não conseguiria manter a preponderância das épocas precedentes. No final da campanha de 1995/96 deixaria os “Axadrezados” e tentaria a sua sorte do lado de lá da fronteira. Em Espanha, integrado num contingente bem familiarizado com os emblemas lusos, passaria a disputar o 2º escalão. Porém, tal como tinha acontecido na experiência anterior, o jogador, bem longe de conquistar um lugar no alinhamento inicial do Salamanca, teria de aceitar o fracasso de mais uma aposta e, a meio da temporada, marcaria a viagem de retorno a Portugal.
De regresso ao Algarve, Miguel Serôdio voltaria a vestir a camisola do Farense. As 3 épocas e meia seguintes, sempre a disputar a 1ª divisão, levariam o atleta a acrescentar muitos jogos ao currículo. Esse somatório, com mais de 2 centenas de partidas disputadas no principal escalão do Campeonato Nacional, transformá-lo-iam no 3º elemento com mais presenças conseguidas pelos “Leões de Faro”, na referida prova. Mas apesar de tão longa ligação, a separação entre o jogador e a agremiação aconteceria com o término da campanha de 1999/00. Daí em diante, o futebolista entraria na derradeira fase do seu trajecto enquanto praticante. Imortal, Padernense e Guia coloririam esses anos e, com o fim da carreira a acontecer em 2003, antecederiam o início da sua caminhada como treinador. Nas funções de técnico, começaria como adjunto na equipa sénior do Farense, passaria também pelas camadas jovens do clube, pelo conjunto principal do Moncarapachense e ainda pelos juniores do Olhanense.

1226 - PAULO ALEXANDRE

Natural do concelho flaviense, Paulo Alexandre terminaria a formação nas camadas jovens do Desportivo de Chaves. O passo seguinte, após ter começado a trabalhar com a equipa principal na época anterior, seria dado na temporada de 1989/90 e marcaria a estreia do defesa no patamar sénior. Com o emblema transmontano a militar na 1ª divisão, seria pela mão do treinador José Romão que, numa partida no Estádio das Antas frente ao FC Porto, o jovem praticante encetaria a caminhada no patamar maior. Progressivamente conquistaria um lugar de destaque no seio do conjunto “Azul-grená” e, pela campanha de 1991/92, já era visto como um dos grandes valores do plantel.
Com o final da temporada de 1992/93, Paulo Alexandre e os seus colegas enfrentariam a despromoção à Divisão de Honra. “Sol de pouca dura”, pois, volvido um ano após o desaire, já os flavienses estavam de volta ao escalão principal. Aliás, os anos seguintes testemunhariam a permanência da equipa na 1ª divisão e, tais prestações colectivas, sublinhariam o defesa-central como um intérprete capaz de marcações muito fortes. Contudo, e mesmo com a atitude dentro de campo a pô-lo como um bom exemplo da raça exigida pelo clube, a relação do atleta com os dirigentes do emblema transmontano, com o fim da época de 1998/99 a ditar nova descida, começaria a degradar-se – “É quase certo que não vou ficar no Desportivo de Chaves, e não é por falta de vontade da minha parte. Tenho 29 anos e já tive oportunidade de sair do clube noutras ocasiões, mas não o fiz (…).Esta não foi uma boa época para mim e para o resto do grupo, mas a proposta que me apresentaram foi como um convite para me mandarem embora (…). Compreendo as dificuldades financeiras do D. Chaves neste momento e já se previa um corte nos vencimentos devido à descida, mas assim não”*.
A querela levaria o futebolista a uma das poucas, e curtas, passagens competitivas fora de Trás-Os-Montes. Com contrato assinado pelo Desportivo das Aves de 1999/00, o defesa passaria a integrar o plantel orientado pelo Professor Neca e, como um dos esteios do sector mais recuado, ajudaria a equipa a regressar à 1ª divisão. Curiosamente, e ao assumir um papel importante na referida subida, a opção de Paulo Alexandre seria a de sair do clube, voltar a envergar as cores do Desportivo de Chaves e, com isso, manter-se a disputar o escalão secundário. Tal escolha, com o emblema nortenho a entrar numa fase menos positiva, inviabilizaria, no percurso do atleta, nova experiência no patamar primodivisionário. Ainda assim, e ao demonstrar uma enorme motivação e paixão pela colectividade, a carreira do jogador com a camisola mais representativa da sua terra natal, prolongar-se-ia por diversos anos.
Após somar um total de 17 campanhas como sénior do Desportivo de Chaves, a temporada 2007/08 encaminhá-lo-ia até à única passagem pelo estrangeiro. Ao deixar a agremiação flaviense como o atleta com mais partidas oficiais na existência do clube, Paulo Alexandre viajaria para o outro lado da fronteira e, na Galiza, ingressaria no modesto Verín CF. A época cumprida em Espanha, antecederia o fim da sua carreira enquanto futebolista. Mesmo depois de “pendurar as chuteiras”, o antigo atleta não abdicaria de experimentar outras áreas da modalidade. Como Coordenador Técnico, em 2010/11, voltaria a defender os interesses dos “Azul-Grená”. Já na época seguinte acabaria por aceitar o desafio lançado pelos dirigentes do Boticas e abraçaria as tarefas de treinador.

*retirado do artigo de Paulo Reis, publicado a 24/06/1999, em www.record.pt

1094 - ZECA

As primeiras participações na equipa sénior do Marítimo, ainda em idade júnior, serviriam para sublinhar o trilho de excelência feito com as cores das jovens selecções nacionais. Com 26 internacionalizações, num total acumulado através dos diversos escalões de formação, Zeca acabaria por ter no Europeu sub-18 e no Mundial sub-20, ambos disputados em 1993, o ponto mais alto na caminhada ao serviço de Portugal.
No clube, depois da presença no banco de suplentes em 1991/92 e da estreia na época seguinte, o “trinco” fixar-se-ia na equipa principal. Bastaria mais uma temporada para que conseguisse afirmar-se no conjunto funchalense como um dos mais importantes membros do grupo de trabalho. Esse estatuto, alcançado na campanha de 1994/95, transformá-lo-ia num dos nomes listados para disputar a final da Taça de Portugal desse ano. No Jamor, num “onze” arrolado pelo treinador brasileiro Paulo Autuori, o médio entraria de início. Parca sorte para o jogador, pois o Marítimo perderia por 2-0. Igual fortuna teria passados alguns anos. Dessa feita a “saltar” do banco, o atleta voltaria a marcar presença em mais um derradeiro encontro da denominada “Prova Rainha”. Com o FC Porto como adversário, a equipa insular regressaria ao Estádio Nacional em 2000/01 e mais uma vez sairia de Oeiras com uma derrota.
Também o Campeonato e as competições continentais desenhariam a carreira de Zeca. Ao ajudar o clube a atingir o 5º lugar no final de 1992/93, o atleta marcaria presença na primeira participação do Marítimo na Taça UEFA. Apesar de não ter saído do banco de suplentes, a eliminatória disputada frente aos belgas do Royal Antwerp asseguraria ao seu nome um lugar na história do emblema madeirense. Mais adiante, com os “Verde-rubros” a garantir diversos apuramentos, o médio acabaria por ter a oportunidade de entrar em campo nas provas europeias. Nesse sentido, destaque para os inolvidáveis encontros com a Juventus ou os míticos embates com os ingleses do Leeds United.
Por tudo o que já aqui foi dito e vincado pelas 14 temporadas ao serviço do Marítimo, Zeca tornou-se não só numa figura emblemática do clube, como num dos históricos atletas da 1ª divisão. Com as campanhas jogadas pelos funchalenses a coincidirem com os anos passados no mais importante escalão do futebol português, o aguerrido centrocampista ainda vestiria as camisolas de outras 2 colectividades. Já no final da sua carreira e longe do patamar máximo, o Santa Clara e o União da Madeira, numa caminhada que terminaria em 2008, também entrariam no seu percurso profissional.

1040 - MARCO FREITAS

Nascido em Angola, a mudança da sua família para a Ilha da Madeira permitir-lhe-ia dar os primeiros passos no futebol. Ainda em idade adolescente, ligar-se-ia às escolas do Machico. Porém, as boas prestações rapidamente levariam o Nacional a contratá-lo. Nesse sentido, seria nos escalões jovens da equipa funchalense que o médio acabaria por terminar a etapa formativa. Curiosamente, e por altura da subida a sénior, um empréstimo levá-lo-ia a voltar ao primeiro emblema. A cedência, sempre a pensar na sua evolução competitiva, dar-lhe-ia o traquejo necessário para singrar, no regresso aos “Alvi-negros”. Mesmo a competir na divisão de Honra, Marco Freitas conseguiria chamar a atenção de colectividades primodivisionárias. Depois de 4 temporadas nos patamares secundários, o Vitória de Guimarães chegaria ao seu trajecto profissional e a mudança para o Minho acabaria por catapultar a sua carreira.
A chegada à “Cidade Berço” na temporada de 1995/96, levaria o “trinco” a viver os melhores anos da sua caminhada profissional. Com um começo ainda ofuscado pela presença de atletas mais experientes, a mudança de treinador viria a alterar esse panorama. A contratação de Jaime Pacheco, faria com que Marco Freitas passasse de suplente para um dos atletas mais utilizados no plantel. Com isso, transformar-se-ia num pilar das boas classificações conseguidas pelo emblema minhoto nesse ano e nas campanhas seguintes. A participação do médio-defensivo nas competições europeias e, principalmente, os lugares cimeiros na tabela classificativa do Campeonato, levariam clubes de outra monta a olhar para si como um bom reforço.
Sendo um atleta de características essencialmente defensivas, mas que, por razão do seu bom remate, também gostava de subir no terreno de jogo, não causaria qualquer surpresa o surgimento do interesse do Benfica. No entanto, a mudança para a “Luz” não traria ao atleta as vantagens prometidas. Depois de cumprir a pré-época de 1998/99 com as “Águias”, o treinador Graeme Souness decidiria emprestá-lo ao Alverca. Já a chegada ao comando técnico do alemão Jupp Heynckes, daria ao jogador uma nova esperança. A verdade é que, mesmo integrado no plantel, Marco Freitas nunca conseguiria tornar-se numa opção válida. Pouco jogaria na temporada de 1999/00 e, finda a dita campanha, regressaria ao emblema sediado no Ribatejo.
A carreira de Marco Freitas, daí em diante, acabaria por decrescer em qualidade. Mesmo mantendo-se na 1ª divisão, a sua passagem pelo já referido Alverca e, posteriormente, pelo Salgueiros, revelaria o atleta longe das exibições que, em anos anteriores, o tinham posto num lugar de destaque. Aliás, seria ao serviço do emblema de Paranhos que o médio voltaria aos escalões secundários. A excepção a esse progressivo ocaso, surgiria com a sua primeira internacionalização. Depois de, muitas vezes, ter sido veiculada a sua integração nos trabalhos da selecção portuguesa, o “trinco” acabaria por vestir as cores do seu país natal. Tendo a sua estreia por Angola acontecido em 2001, o jogador representaria a nação africana ainda por mais 2 vezes.
Felgueiras, e na volta à Madeira, o Pontassolense e o Machico, tornar-se-iam nos derradeiros emblemas do seu trajecto desportivo. Em abono da verdade, o fim da sua ligação ao futebol não aconteceria na temporada de 2007/08. Existem, após alguns anos de interregno, registos do seu regresso. Em 2011/12, sem que tenha conseguido confirmar fidedignamente tal informação, Marco Freitas ligar-se-ia aos amadores do Porto da Cruz e como “Massagista-Jogador”!

1019 - ABAZAJ

Formado no Dínamo de Tirana, a rápida ascensão na equipa da capital albanesa levá-lo-ia a ser tido como uma das promessas mais valiosas do seu país. Para provar tal potencial nada melhor que a estreia na selecção principal. Com apenas 16 anos de idade, Eduard Abazaj seria chamado ao apuramento para o Mundial de 1986, onde, numa partida frente à Grécia, conseguiria a sua primeira internacionalização.
Depois dessa partida inicial, o defesa teria que esperar sensivelmente 4 anos e meio para conseguir jogar novamente pela Albânia. Pelo clube, a sua evolução corroboraria tudo aquilo que dele havia sido dito. Podendo posicionar à esquerda e no centro do sector mais recuado, Abazaj, com o passar dos jogos, conseguiria tornar-se num dos elementos mais importantes das estratégias tácticas da sua equipa. Muito mais do que a polivalência mostrada dentro de campo, o jovem atleta apresentaria outras características que aumentariam o seu valor. Aguerrido, disciplinado e com uma técnica superior a muitos da sua posição, o jogador veria o seu valor crescer.
O que também elevaria a sua cotação, seriam os títulos conquistados colectivamente. Sendo o Dínamo de Tirana uma das potências do futebol albanês, seria com alguma naturalidade que a glória chegaria ao seu trajecto. As vitória na Liga de 1985/86, na Taça de 1988/89, e, principalmente, a “dobradinha” ganha em 1989/90, acabariam por servir de incentivo a uma nova mudança. Com o antigo Bloco de Leste mais permissivo a movimentações, o Hajduk Split, na temporada de 1990/91, decidir-se-ia pela sua contratação. No emblema croata, que à data ainda concorria no contexto competitivo da Jugoslávia, conseguiria conquistar um lugar. Mais uma vez, os troféus iriam enriquecer o seu currículo. O 1º lugar em 1992, tomado naquela que viria a ser a 1ª edição da Liga croata, seria apoiado por mais 1 Taça e 2 Supertaças. Com tudo isso, o defesa estabelecer-se-ia como um dos nomes habituais nas convocatórias da selecção e uma das grandes estrelas do seu país.
O interesse de outros emblemas, e de outros campeonatos, serviriam também para asseverar o seu valor. Antes ainda da chegada a Portugal, certos registos dão-nos conta que o defesa poderá ter tido experiências noutros países. Uma curta passagem pelos austríacos do Grazer AK, segundo o que é veiculado por algumas fontes, terá sido precedida pelo “namoro” com o Benfica. Sendo fiel a referida informação, o emblema da “Luz”, depois de contratar o jogador, tê-lo-á cedido aos croatas do HNK Sibenik. Mesmo com todas essas dúvidas, o certo é que Abazaj faria a pré-temporada de 1994/95 com as “Águias”. Rezam algumas crónicas que o excesso de extracomunitários e a recusa a um casamento “arranjado” terão inviabilizado a sua continuidade nos “Encarnados”. Todavia, o jogador haveria de desmentir tais boatos – “Quando cheguei a Portugal, assinei pelo Benfica, mas não fiquei por opção própria. Tinha contrato e fui convidado a ficar, mas o Benfica tinha quatro jogadores estrangeiros e surgiu o Boavista, portanto preferi ser emprestado. Não me arrependo”*.
A boa temporada nos “Axadrezados” levaria o Manchester City a investir na sua contratação. No entanto, a passagem por Inglaterra seria curta e infrutífera. Sem hipóteses de jogar, o atleta acabaria, já a meio da temporada de 1995/96, por vestir as cores da Académica. No emblema de Coimbra, viveria os melhores anos do seu período em Portugal. Mantendo-se ao longo de 4 campanhas como titular, Abazaj ajudaria à subida da “Briosa” em 1997/98. Com o regresso à 1ª divisão, e sem nunca baixar o nível exibicional, o internacional encetaria a derradeira etapa da carreira como futebolista. Depois dos conimbricenses, tempo ainda para uma “perninha” nos “regionais” com a camisola dos Marialvas, e ainda o regresso ao seu país. No Shkumbini teria também a primeira experiência como treinador. Nas referidas funções, e já de volta ao nosso país, haveria de, igualmente, ganhar currículo. Clubes de menor monta e o trabalho com jovens marcariam essa fase. Hoje em dia, Abazaj vive um pouco desligado do desporto e, tendo fixado residência em Coimbra, gere um café.

*retirado do artigo de Vítor Hugo Alvarenga, publicado a 13/10/2008, em https://maisfutebol.iol.pt

984 - ZAHOVIC

Representava o Kovinar Maribor quando Milko Djurovski, a cumprir o serviço militar na região, o descobre. Zlatko Zahovic, depois da observação feita pelo atleta do Partizan, é convidado a juntar-se ao emblema de Belgrado. Chega à capital da antiga Jugoslávia na temporada de 1989/90, para entrar num balneário que, entre outros internacionais, contava com Predrag Mijatovic. A presença de vários craques faz com a afirmação do jovem jogador tome um caminho mais tortuoso. Na época seguinte acaba cedido aos também primodivisionários do Proleter Zrenjanin. Passa a jogar com maior regularidade e, dando sinais positivos, começa a dar razão a quem nele tinha apostado.
No regresso ao Partizan, Zahovic começa a gozar de outra preponderância. Esse destaque, em Novembro de 1992, leva-o à estreia na selecção principal da Eslovénia. Contudo, o desenrolar da guerra dos Balcãs, e o êxodo daí resultante, faz com que o médio comece a ver com bons olhos a mudança para outro país. Em 1993, e já com 1 Campeonato e 1 Taça no currículo, aceita o convite do Vitória de Guimarães e dá início a uma longa ligação com Portugal.
No Minho, em toda a sua plenitude, mostra as qualidades que tinham feito dele uma grande promessa. Uma técnica singular, com um drible e uma capacidade de passe sublimes, aliada a uma soberba visão de jogo, fazem de Zahovic um dos melhores “10” a actuar no nosso Campeonato. O desempenho colectivo do Vitória de Guimarães, onde pontuavam jogadores como Dimas, Paulo Bento, Pedro Barbosa, José Carlos, Ziad, Pedro Martins, Vítor Paneira ou Capucho, seria também um factor decisivo para o acréscimo de valor na sua carreira. A sua evolução, auxiliada por um percurso internacional em crescendo, leva-lo a entrar no “radar” de emblemas de outra monta. Quem ganha a corrida acaba por ser o FC Porto e, com a mudança para o Estádio das Antas, o seu percurso profissional ganha um novo ímpeto.
Com o “Penta” a entrar no 3º capítulo, Zahovic estreia-se com a camisola “azul e branca”. António Oliveira, como timoneiro do conjunto portuense, lança o esloveno no “onze” inicial. A sua qualidade impõe-se de imediato e o médio passa a ser um dos grandes estrategas da equipa. As exibições por si conseguidas, muito mais do que um tónico para o grupo, transformam-se num dos pilares para as futuras conquistas. Com os agentes do futebol de olhos no FC Porto, os melhores intérpretes desse ciclo de 5 vitórias consecutivas começam a ser cobiçados. Para o médio surgem nas Antas diversas propostas e no Verão de 1999 dá-se a sua partida.
Apesar da vontade do atleta não estar em sintonia com a do clube, o negócio da sua transferência leva-o ao Olympiakos. Tanto na Grécia, como já ao serviço do Valência, o desempenho do médio, em termos de protagonismo, acaba por ser ultrapassado pelas diversas polémicas vividas com os treinadores. Primeiro em Pireus, e depois em Espanha, Zahovic passa mais tempo a discutir a sua utilização do que a jogar. Salva-se o Euro 2000. O médio é chamado àquele que, à altura, passa a ser o primeiro grande torneio disputado pelo seu país. No certame organizado entre a Bélgica e a Holanda, o atleta destaca-se. Boas exibições e 3 golos em 3 partidas, seriam suficientes para manter o seu valor bem alto.
Após a passagem pela “La Liga”, num negócio que envolve a ida de Marchena para Valência, Zahovic regressa a Portugal. Para jogar com as cores do Benfica, o médio chega a Lisboa numa altura em que as “Águias” já estavam na fase de transição entre os “anos negros” de Vale e Azevedo e o recobro planeado por Luís Filipe Vieira. A mudança directiva permite ao clube voltar a sonhar com títulos. O desempenho do médio esloveno, ainda que longe dos anos no FC Porto, toma um papel importante na recuperação e nos troféus conquistados. Porém, e antes das vitórias, mais uma polémica com um treinador. Com Katanec no lugar de seleccionador, a ida da Eslovénia ao Mundial de 2002 resulta em mais uma contenda. Ao discordar da táctica utilizada, o atleta, pouco utilizado, vem a público criticar as opções do treinador.
Já as vitórias no Benfica coincidem com os 2 últimos anos de Zahovic como atleta profissional. A Taça de Portugal de 2003/04 e a conquista da Liga de 2004/05 fecham “com chave d’ouro” a sua caminhada desportiva. Não muito tempo depois vêm o início das funções como dirigente. De volta ao país natal, o antigo internacional enceta um novo capítulo na vida. No NK Maribor, onde entra em 2007, dá os primeiros passos como Director Desportivo. No entanto, não pensem que tais tarefas o afastam dos campos. Com saudades dos relvados, aceita o convite do Limbus Pekre e passa a actuar nos “regionais” da Eslovénia.

912 - FILIPE AZEVEDO

Filho de emigrantes em França, seria no Marseille que Filipe Azevedo faria quase toda a sua formação. Chegaria também a representar os sub-18 gauleses, mas, incontornavelmente, o seu destino profissional estava fadado a Portugal. Ainda seria promovido à equipa sénior, onde haveria de partilhar o balneário com Rui Barros e Paulo Futre. Depois rebentaria o escândalo de corrupção, envolvendo o Presidente Bernard Tapie. Na debandada daí resultante, e com a maioria dos atletas à procura de novos destinos, também ele acabaria por partir.
Apesar de ter um convite do Sporting, o atacante daria a sua preferência ao recém-promovido Felgueiras. Com receio de não conseguir conquistar um lugar no conjunto de Alvalade, a sua escolha acabaria por incidir no emblema de onde eram oriundos os seus pais. A estreia na 1ª divisão portuguesa, com Jorge Jesus como treinador e um jovem Sérgio Conceição como colega, aconteceria no decorrer da campanha de 1995/96. Contudo, a escolha feita pelo avançado no início dessa temporada, revelar-se-ia pouco acertada e, depois de uma 2ª volta desastrosa, o emblema duriense não conseguiria evitar a descida.
Após 2 anos a disputar a Divisão de Honra, sem nunca conseguir a tão almejada promoção, o regresso de Filipe Azevedo ao patamar máximo do nosso futebol dar-se-ia com a mudança de clube. Tendo deixado o Felgueiras para ingressar no Alverca, o atacante daria novo elã à sua carreira. Depois de 2 campanhas em que os seus golos mereceriam o devido destaque, é do Leste da Europa que surge novo desafio – “Perguntaram-me: queres ir jogar na Liga dos Campeões? E eu fui para lá atrás desse sonho. Íamos participar na pré-eliminatória, que na altura era só a uma mão, só que calhou-nos jogar em Istambul contra o Besiktas e acabámos por ser eliminados”*.
A admiração que Yuriy Semin, à altura o treinador do Lokomotiv de Moscovo, tinha pelo trabalho do avançado, faria com que o mesmo tivesse um lugar assegurado no “onze” do emblema russo. Sendo o primeiro português a jogar no “País dos Czares” muitos estariam à espera que o avançado tivesse alguns problemas de adaptação. Contudo, e depois de um início bastante auspicioso, aquilo que deixaria a sua experiência um pouco aquém do esperado seria uma grave lesão. Tendo fracturado o pé, Filipe Azevedo ver-se-ia afastado dos relvados durante grande parte da temporada. Depois, e vivendo longe daqueles que deveria ter mais próximo, viriam os problemas familiares. Ora, a conjunção desses dois factores, mesmo com os responsáveis dos “Zheleznodorozhniki” (Ferroviários) a pedir a sua continuidade, levá-lo-iam a voltar a Portugal. A meio da temporada de 2000/01, o atacante passaria a vestir as cores de um primodivisionário Campomaiorense. Esse regresso marcaria a entrada na segunda metade da sua carreira, fase que acabaria por caracterizar-se pela passagem por vários clubes e campeonatos.
França, Índia, Espanha e Chipre seriam os países que também acabariam por colorir o seu trajecto. Tendo passado maior parte do seu tempo, desde a saída do clube alentejano, a disputar os escalões secundários, ainda assim há que destacar alguns momentos do que restou no seu percurso como futebolista. O regresso à “Ligue 1”, com as cores do Sedan ou a experiência num exótico Mahindra Utd, transformar-se-iam em pontos de interesse na carreira do avançado.
Mesmo afastado dos maiores palcos do futebol, a sua caminhada prolongar-se-ia até aos 35 anos. Já depois de em 2010 ter “pendurado as chuteiras”, o antigo atleta tem procurado aprender outras realidades dentro da modalidade. Entre vários estágios feitos em França, cursos de treinador e uma experiência na Arábia Saudita como treinador-adjunto do Al-Qadisiya, foi na AD Camacha que aceitou um cargo como dirigente. Em 2017, com a criação da SAD do emblema madeirense, Filipe Azevedo seria escolhido para as funções de Director Desportivo.


*retirado da entrevista de Carlos Torres, publicada em www.sabado.pt, a 18.06.2017

865 - HERIVELTO

Transferido do Flamengo ainda em idade júnior, os primeiros tempos de Herivelto no Marítimo seriam gastos entre os trabalhos da equipa principal e os escalões de formação do conjunto madeirense. Ainda antes de conseguir afirmar-se no plantel sénior, o atacante passaria também por um empréstimo ao Machico. Já depois de “rodar” na 2ª divisão “B”, o regresso aos Barreiros em 1997/98, mostraria um atleta com capacidade para ajudar os “Verde-Rubro”. Veloz, com boa técnica e um bom sentido posicional, o avançado conseguia-se posicionar-se no centro ou no lado direito do ataque. Seria nessas posições que o atleta, sem nunca conseguir afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis, passaria a evoluir nos anos seguintes.
Surpreendentemente, e numa altura em que o seu estatuto dentro da equipa poderia até evoluir, o jogador decide “mudar de ares”. No Verão de 1999, Herivelto aceita o convite de Mário Reis e ingressa na União de Leiria. Contudo, e ao contrário daquilo que o atleta estaria à espera, a mudança não correria de feição. Poucos meses após a sua chegada à "Cidade do Lis", o avançado é afastado da equipa. Volta ao Brasil e, sem conseguir novo contrato, ficaria afastado do futebol por algum tempo. Felizmente, o interregno duraria apenas até Março de 2000. Por essa altura vincula-se ao Vitória de Setúbal. Ainda assim, o regresso aos relvados acabaria por não ser o mais feliz. Com os “Sadinos” em posição difícil na tabela classificativa, a despromoção acabaria mesmo por acontecer e, mais uma vez, o avançado vêr-se-ia sem clube.
No seguimento da sua carreira, e já depois de ter vestido a camisola do Nacional da Madeira, Herivelto decide aventurar-se por “Terras de Sua Majestade”. No Walsall encontrar-se-ia com vários atletas bem conhecidos no futebol português. Ao lado de nomes como Marcelo, Jorge Leitão ou Carlos André, o jogador começaria por animar os adeptos do emblema britânico. A sua técnica, as prestações conseguidas nas primeiras rondas e, inclusive, alguns golos, haveriam de pô-lo nos corações dos “Saddlers”. O pior é que o atacante acabaria por não conseguir manter o mesmo nível exibicional durante o resto da temporada de 2001/02. Irregular, o avançado seria preterido em favor de outros colegas. Já com a campanha seguinte em andamento, o brasileiro, sem espaço na equipa, ver-se-ia na lista de transferíveis, acabando por aceitar a mudança para a Liga grega.
Na 1ª divisão helénica, na qual representaria o Ionikos, a sua passagem também não se prolongaria por muito tempo. Aliás, a partir dessa temporada de 2002/03 o seu percurso profissional tornar-se-ia um pouco errante.  Daí em diante, Herivelto mudaria de emblema praticamente todos os anos. Tendo regressado ao seu país natal, o avançado vestiria cerca de meia-dúzia de camisolas diferentes, numa carreira que terminaria em 2010.

849 - SOUSA

Sobrinho de António Sousa, antigo internacional português, e primo de Ricardo Sousa, José Sousa também encontraria no “jogo da bola” a sua paixão. Tal como os familiares, seria na Sanjoanense, emblema da sua terra natal, que o atleta daria os primeiros passos na modalidade. Mostrando-se bastante assertivo na maneira como abordava os lances, essa característica faria com que um dos “grandes” começasse a prestar mais atenção ao seu evoluir. É nesse sentido que, ainda em idade juvenil, o defesa acabaria por mudar-se para Lisboa, passando a vestir as cores do Benfica.
Relativamente à sua contratação por parte de “Águias”, não podemos ficar indiferente ao facto de que, por altura da sua chegada à “Luz”, o jogador já ter conseguido estrear-se com as cores da selecção nacional s-15. Pelo novo clube, tal como por Portugal, as suas exibições eram suficientes para que fosse possível aferir as suas boas qualidades. Sem ser um futebolista virtuoso ou com características físicas excepcionais, era no rigor táctico que Sousa tinha a sua maior força.
A sua estreia nos seniores do Alverca, à altura “satélite” do Benfica, viria sublinhar tudo aquilo que aqui já foi escrito sobre o jogador. A temporada que passaria a disputar a Divisão de Honra, faria com que os “Encarnados”, logo no ano a seguir à sua passagem pelo emblema ribatejano, o quisessem de volta ao plantel. Estreia-se na “Luz” na época de 1997/98 e, numa parceria com o extremo checo Karel Poborsky, ajuda a dinamizar a ala direita do clube “alfacinha”.
Com o Benfica a atravessar uma das mais conturbadas fases da sua história, os primeiros tempos de Sousa com a camisola encarnada seriam auspiciosos. Numa temporada em que passariam pelo banco diversos treinadores, o defesa conseguiria manter-se como um dos mais utilizados do plantel. O início da campanha seguinte, com o lateral a ser escolhido para jogar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, dava sinais igualmente positivos. Contudo, a continuação de Graeme Souness no comando técnico da equipa, e a contratação de inúmeros britânicos, fariam com que o jogador perdesse algum espaço.
Incompreensivelmente, o começo de nova época “devolveria” Sousa ao Alverca. Possivelmente afectado por tal decisão, o final da temporada de 1999/00 leva o jogador rubricar um contrato com o FC Porto. Todavia, a sua sorte na “Invicta” seria ainda pior do que a vivida em Lisboa e, sem nunca ter jogado qualquer partida oficial pelos “Dragões”, o lateral começa a ser emprestado a outros clubes. Nessa senda de cedências acabaria por vestir, de Norte a Sul do país, uma série de diferentes camisolas. Sempre a disputar a 1ª divisão, o atleta passaria por Sporting de Braga, Farense e Belenenses.
É com a passagem pelo Restelo, primeiro por empréstimo e depois a título definitivo, que viveria a melhor fase da sua carreira. Com os da “Cruz de Cristo”, pela regularidade apresentada, Sousa torna-se num dos jogadores do Campeonato Nacional a melhor actuar na sua posição. Depois, 5 anos após a chegada ao Belenenses, a primeira experiência no estrangeiro. Nos cipriotas do Olympiakos de Nicosia, o jogador entra em definitivo na derradeira fase do seu percurso como futebolista. O fim, tendo por essa altura representado Beira-Mar e Arouca, chegaria com o terminar da temporada de 2009/10.
Com saída dos relvados, Sousa daria os primeiros passos como treinador. Nessas funções passaria pelas camadas jovens do Belenenses e, em 2016/17, pela equipa principal do Vilafranquense. Em paralelo com as suas tarefas de técnico, o antigo jogador tem-se destacado como comentador televisivo, em especial no canal Sportv.

818 - ZÉ NANDO

Com o percurso formativo intimamente ligado ao FC Porto, é na temporada de 1985/86, numa altura que ainda era júnior, que o seu nome aparece na ficha de jogo da equipa principal. Apesar de, nessa 14ª jornada do Campeonato Nacional, ter estado sentado no banco de suplentes, a verdade é que Zé Nando nunca mais haveria de ter outra oportunidade de “Azul e Branco”.
Com diversas internacionalizações conseguidas nas jovens selecções nacionais, tendo, inclusive, participado na fase final do Campeonato Europeu S-16 de 1985, o jovem atleta seria incapaz de convencer os responsáveis dos “Dragões” a integrá-lo no plantel. Com as portas do Estádio das Antas fechadas, o esquerdino, que podia jogar na defesa ou mais avançado no campo, decide tentar a sua sorte com outras cores. Começa pelo Desportivo das Aves e, naquelas que foram as suas 4 primeiras temporadas, mantem-se a disputar os escalões secundários do nosso futebol. A 1ª divisão chega à sua carreira na temporada de 1991/92. Já depois de ter também envergado as cores de Famalicão, Varzim e Académico de Viseu, é pelo conjunto de Barcelos que Zé Nando enfrenta a mais importante competição nacional.
Sem nunca passar um longo período ao serviço do mesmo emblema, curiosidade que haveria de caracterizar a primeira metade do seu percurso profissional, a presença de Zé Nando no patamar máximo também não seria a mais constante. No entanto, a temporada de 1995/96 alteraria, pelo menos um desses paradigmas. Sem grande espaço num Felgueiras orientado por Jorge Jesus, o defesa opta por deixar o emblema do Vale do Sousa e passa a integrar o plantel da Académica de Coimbra.
A referida mudança levaria a que o atleta conseguisse, finalmente, manter-se num só emblema por mais tempo. De forma completamente contrária às épocas precedentes, o jogador fixa-se na “Cidade dos Estudantes” e aí permanece anos a fio. A sua devoção ao clube conimbricense seria de tal ordem que, ao cabo de algumas temporadas, passaria a ser visto como uma das referências do plantel. Ao serviço da “Briosa”, só na condição de atleta, Zé Nando participaria em 8 campanhas. Já em 2003, terminado o seu tempo de futebolista, inicia a sua caminhada como técnico. Nessas funções começa por orientar as camadas jovens, passando, alguns anos cumpridos, a colaborar com a equipa principal.
Apesar de algumas experiências como técnico-principal, caso da passagem pelo Tourizense em 2008/09 (à altura o “satélite” da Académica), uma boa parte da sua carreira tem sido feita como adjunto. Na selecção do Burkina Faso, auxiliando Paulo Duarte, o antigo jogador teria tarefa idêntica.  Outra excepção aconteceria aquando da sua ida para o Médio Oriente. No Catar ficaria à frente dos destinos do Al-Shahaniva, período esse que antecederia a sua vinda para Portugal. De regresso aos Campeonatos Nacionais, Zé Nando volta a juntar-se a Manuel Machado. Já depois de, na Académica, ter trabalhado com o referido treinador, este ano (2017/18) apresenta-se como um dos elementos que compõem a equipa técnica do Moreirense.

569 - BRIAN DEANE

Seria ainda nos escalões mais baixos do futebol profissional inglês, que Brian Deane iria trocar o Doncaster pelo Sheffield United. Ainda que a jogar na mesma divisão (3ª), o passado do seu novo clube permitia ao avançado sonhar com outros horizontes. E se tal preposição era, no início, algo de muito vago, rapidamente se constataria que a mudança havia sido muito benéfica.
De degrau em degrau, o Sheffield United chega ao principal patamar do futebol britânico. Com Brian Deane a confirmar a sua veia goleadora, ele que era o grande marcador da equipa, bastaram dois anos para que o regresso aos grandes desafios fosse uma realidade. Mas se para o clube era o esperado retorno, já para o avançado, a época de 1990/91 seria a sua primeira.
Talvez por ser um estreante, as expectativas em relação ao ponta-de-lança não fossem as mais elevadas. Mesmo assim, e com toda a pressão a incidir sobre o atleta, Brian Deane acabaria por mostrar uma consistência espantosa. Possuidor de um figurino alto e possante, o atacante cedo mostrou ser um pesadelo para as defesas contrárias. O desgaste que conseguia perpetrar nos seus oponentes, aliado a um forte jogo aéreo, começariam a deixar as suas marcas. E se todos estes aspectos faziam com que o seu nome fosse cada vez mais falado, mais notabilizado ficaria quando, frente a frente ao guardião Peter Schmeichel (Manchester United), Brian Deane marca o primeiro golo da recém-criada "Premier League".
Claro que não foi este momento que fez dele uma estrela. Também ajudou, é certo! Contudo, e como já o referi, aquilo que verdadeiramente haveria de catapultar a sua carreira, seria a relação vitoriosa que tinha com as redes adversárias. Esses mesmos golos levá-lo-iam, num particular disputado frente à Nova Zelândia, a ser chamado à  selecção inglesa. Seria, então, já com o estatuto de internacional, que, no defeso de 1993, assinaria pelo clube da sua cidade natal. A jogar pelo Leeds United, num contexto onde a concorrência por um lugar no onze inicial era bem maior, Brian Deane já não conseguiria um tão grande destaque. Não quer isto dizer que as suas capacidades tivessem piorado. Muito pelo contrário, este novo universo, com a presença no plantel de atletas como Yeboah, Brolin ou Rush, ou mesmo a participação nas competições europeias, tornar-se-ia para o avançado num manancial de aprendizagem.
Seria já como um jogador experiente, que em 1997/98, depois de nova passagem pelo Sheffield United, chega ao Benfica. Numa temporada conturbada, como só as do "reinado" de Vale e Azevedo conseguiriam ser, o atacante faz a sua estreia na primeira jornada da segunda volta. Sob a alçada de Graeme Souness, que haveria de impor um tão britânico 4x4x2, Brian Deane torna-se numa peça fulcral. Posicionado ao lado de Nuno Gomes, logo começa a mostrar o seu valor. A marcar golos ou a oferecê-los aos seus companheiros de equipa, o carinho com que os adeptos reconhecem o seu esforço, cresceria de jogo para jogo.
A instabilidade vivida para os lados da "Luz", levariam a que a sua estadia em Portugal fosse muito curta. Ainda assim, as boas exibições que efectuaria, aliadas a golos importantes, levariam a que a sua cotação subisse em flecha. Vendido por um montante três vezes superior àquele pelo qual tinha sido adquirido o seu passe, Brian Deane regressa a Inglaterra. No Middlesbrough continua a mostrar à "Premier" todo o seu valor. No entanto, a idade começa a pesar. Depois de algumas temporadas mais no patamar máximo do futebol inglês, onde ainda representaria o Leicester, começa a vogar pelo segundo escalão.
É já depois de alguns anos, que se caracterizariam pela constante mudança de emblemas, e depois de uma curta experiência nos australianos do Perth Glory, que Brian Deane decide o seu afastamento dos relvados. Mas apesar do fim anunciado, a separação, por razão da sua paixão pela modalidade, não duraria muito tempo. Desse modo, dá início à sua actividade de treinador. É já nessas funções que, após alguns anos de experiência no futebol universitário, se aventura em mais uma aventura no estrangeiro e assina pelos noruegueses do Sarpsborg 08.

517 - BINO

Ainda nas camadas de formação, as suas prestações ao serviço do FC Porto levariam Carlos Queiroz a incluí-lo nas convocatórias da selecção nacional. Ao lado de jogadores como Luís Figo, Rui Costa ou João Pinto, Bino, também ele, acabaria por fazer parte da intitulada "Geração de Ouro" do futebol português. É verdade que falhou a fase final do Mundial s-20 de 1991. Contudo, a sua ausência no torneio organizado em Portugal não lhe tira qualquer mérito, e a sua presença nesse restrito rol de atletas era, à altura, vista como um sinal de futuro sucesso.
É também no decorrer da temporada de 1990/91 que o médio se estreia na principal equipa dos "Dragões". Joga apenas uma partida e, como é normal em jogadores ainda em evolução, a época seguinte passa-a, por empréstimo, ao serviço do Rio Ave.
Apesar de mostrar talento, onde a sua técnica, capacidade de passe e visão de jogo eram os seus melhores atributos, para Bino, cada regresso à "casa mãe" era, acho que assim o posso classificar, um pequeno desaire. Sem que se entendesse muito bem o porquê, o jovem jogador teimava em não conseguir impor-se nas Antas. Ano após ano, mesmo quando na primeira metade da época era incluído no plantel, acabava sempre cedido a outras formações. Salgueiros, Belenenses e Marítimo haveriam de ser os emblemas que, nesta roda-viva, o jogador haveria de representar nos anos seguintes. Engraçado é que, mesmo sem nunca ter conseguido garantir inequivocamente um lugar nos "Dragões", Bino, com as poucas participações que teve ao serviço do FC Porto, conseguiria acrescentar ao seu currículo, nada mais, nada menos, do que 3 Campeonatos Nacionais.
Finalmente, corria o Verão de 1998, dá-se o negócio que viria a mudar o rumo da carreira do centrocampista. A "troca" leva-o até Alvalade. Na ida para Sul é acompanhado por Rui Jorge, enquanto no sentido contrário seguiriam viagem Costinha e Peixe. Já de "Leão" ao peito, Bino vive os seus melhores anos. Joga regularmente, mostra um futebol bonito e acaba por ser um dos esteios leoninos na conquista do Campeonato Nacional de 1999/00. Este feito, não esquecer que o Sporting estava há 18 anos sem vencer o Campeonato, leva-o, novamente, a entrar nas contas dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. É assim, pela mão de António Oliveira, que Bino acaba por fazer a sua estreia na equipa "A" portuguesa.
Ora, os anos passados de "verde e branco" dariam ao atleta uma projecção que nunca havia tido enquanto sénior. O resultado de tal visibilidade acaba por ser o convite recebido pelo Tenerife. Em resposta à proposta do emblema espanhol, Bino muda-se para as Canárias. Joga uma temporada, 2001/02, no principal escalão da "La Liga" e, já depois de, durante um ano, ter acompanhado a sua equipa na descida de divisão, decide voltar ao seu país.
Este regresso voltaria a mostrar um Bino desligado da sua melhor forma. A sua passagem pelo Marítimo, discreta, acaba por ser o primeiro capítulo daquilo que poderei referir como o ocaso da sua vida dentro dos relvados. O fim chegaria quatro épocas depois e, sempre pelos escalões secundários, após representar o Moreirense.

403 - JORGE SILVA

Seria como produto das camadas jovens do FC Porto que Jorge Silva emergiria na equipa principal dos "Azuis e Brancos". No entanto, nessa temporada de 1990/91, a presença de Vítor Baía e de Padrão remeteriam o inexperiente guarda-redes para a condição de terceira escolha. Em abono da verdade, as oportunidades que o guardião teria no clube, mesmo nas campanhas vindouras, seriam praticamente nulas. Como resultado da pouca utilização, o empréstimo ao Rio Ave surgiria como a solução certa para fazer o atleta ganhar algum traquejo. Nesse sentido, as épocas seguintes cumpri-las-ia numa alternância entre o emblema de Vila do Conde e o Estádio das Antas. Ainda assim, conseguiria surgir de “dragão” ao peito, o que aconteceria na 33ª e penúltima jornada de 1995/96. A referida temporada, ao registar-se a onda de lesões e castigos a fustigarem os homens das balizas portistas, daria ao jogador a oportunidade de entrar em campo e os poucos minutos frente ao Estrela da Amadora conferir-lhe-iam o direito de receber a faixa de campeão nacional.
Apesar do título conquistado, os anos subsequentes da sua carreira acabariam por acontecer também na "Cidade Invicta", mas longe das Antas. No Salgueiros passaria os 5 anos seguintes, conquistaria a titularidade e a notoriedade suficientes para, a propósito de uma partida de preparação incluída na campanha de apuramento para o Mundial de 2002, ser chamado, por António Oliveira, aos trabalhos da selecção nacional. Nesse jogo de cariz particular, disputado a 15 de Novembro de 2000 frente à congénere de Israel, Jorge Silva, ao substituir Quim já nos momentos finais do encontro, alcançaria, depois de também ter representado os sub-18 e os sub-21 lusos, a sua primeira e única internacionalização pela equipa principal portuguesa.
Depois dos anos passados no bairro de Paranhos, a aposta do guardião, passaria por uma mudança de ares. Essa decisão levá-lo-ia até ao Arquipélago dos Açores, onde, a partir de 2001/02, vestiria a camisola do Santa Clara. No entanto, com a presença dos micaelenses na edição de 2003/04 da divisão de Honra, a carreira de Jorge Silva afastar-se-ia, de vez, do trajecto primodivisionário. Seguir-se-ia, num regresso ao Norte do país, um percurso mais errante e que levaria o guarda-redes a vogar entre vários emblemas, nomeadamente os Dragões Sandinenses, Paredes, Trofense e Vila Meã, para, depois de representar a UD Oliveirense, decidir, com o termo da campanha de 2009/10, pôr um termo à sua vida como futebolista.
Com o fim da sua etapa como praticante, uma nova senda começaria para Jorge Silva no futebol. Na UD Oliveirense, onde tinha "pendurado as luvas", entregar-se-ia às funções de treinador-adjunto, responsável pela preparação dos guarda-redes. Seriam essas tarefas que o fariam, ao assinar pelo Gil Vicente e ao acompanhar João de Deus na viagem, voltar, nesta temporada de 2013/14, aos palcos principais do desporto português.

374 - ISAÍAS

Por certo, os responsáveis do Belenenses, ao vê-lo jogar pelo Rio Ave, depressa deverão ter mostrado algum arrependimento por, uns tempos antes, terem-no aferido como inapto para vestir a camisola da "Cruz de Cristo".
É verdade, depois de ter treinado no Restelo e de ter sido recusado pelo emblema lisboeta, Isaías finalmente conseguiria um clube em Portugal. A proposta de contrato chegaria de Vila do Conde, onde rapidamente mostraria dotes de craque. Com uma enorme resistência, força, capacidade lutadora e um fortíssimo remate, bastaria um ano após a sua chegada do Brasil para que outros emblemas começassem a acenar-lhe com propostas bem mais tentadoras. Seguir-se-ia, em 1988/89, o Boavista. No Bessa habituar-se-ia a jogar ao mais alto nível, a não ficar impressionado com os maiores palcos do futebol europeu e a lutar pelos lugares cimeiros das provas lusas. Nesse contexto competitivo, Sven-Göran Eriksson aferiria em si um praticante competente e seria por conselho do técnico sueco que o Benfica haveria de prosseguir para a contratação do atacante.
Na temporada de 1990/91, muito para além do primeiro título conquistado em Portugal, ou seja, o Campeonato Nacional, Isaías encetaria uma relação com os adeptos “Encarnados” alimentada por uma mútua admiração. Para tal, muito contribuiria a maneira corajosa como encarava os desafios ou como, sem qualquer temor, tomava para si a responsabilidade de atentar contra as balizas adversárias. Muitos desses remates acabariam no “terceiro anel”. No entanto, seria nesse sector do Estádio da Luz que a sua atitude arrojada viria a ser mais apreciada. É certo também que muitas dessas tentativas dariam golos tremendos, golos de levantar multidões e de calar as plateias adversárias. Seria exactamente isso que aconteceria em Highbury Park, a 6 de Novembro de 1991, na partida entre o Arsenal e o Benfica, a contar para a ronda de acesso à fase de grupos da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Depois de na 1ª mão, realizada em Lisboa, os "Gunners" terem conseguido um empate a uma bola, o jogo de Londres parecia bem mais favorável aos da casa. Contudo, Isaías não estava de acordo com as previsões da maioria dos apostadores e ao rubricar uma exibição memorável, onde marcaria dois portentosos tentos, acabaria com as pretensões do Arsenal em chegar à etapa seguinte da competição. De Inglaterra, após o prolongamento, o Benfica sairia com uma vitória por 1-3, com a massa adepta a ganhar um novo herói. Porém, não só no Reino Unido o avançado soube mostrar-se ao mais alto nível. Também em Alvalade, no inolvidável 3-6 de 1993/94, o atacante marcaria dois golos que ajudariam à vitória das “Águias” e que, principalmente, empurrariam os “Encarnados” para a conquista de mais um Campeonato Nacional. Nesse desafio frente ao Sporting, o jogador decidiria celebrar aos saltinhos e com as mãos a imitar uns chifres. O que quis dizer com tal momice, provavelmente poucos saberão. Já para os adeptos, o gesto festivo significaria apenas uma coisa: que o “Verão Quente”, onde seria especulada a sua mudança para o plantel leonino, estava para sempre esquecido.
Seria com enorme estranheza que o público receberia a notícia da sua dispensa por parte do treinador Artur Jorge. Curiosamente, na mesma temporada em que tinha sido o melhor marcador da equipa, Isaías, finda a temporada de 1994/95, veria o seu nome na lista de atletas excedentários. Com a "limpeza" perpetrada pelo técnico português, o avançado abandonaria o futebol luso para, durante duas épocas, experimentar a Liga Inglesa. O sucesso conseguido ao serviço do Coventry, com uma utilização pouco regular, acabaria por ser relativo. Tendo em conta essa aferição, o jogador decidiria regressar a Portugal. Com as cores do Campomaiorense a partir da campanha de 1997/98, o atleta viveria o melhor momento na edição de 1998/99 da Taça de Portugal e com a chegada à final da “Prova Rainha”, ajudaria a escrever a página mais notável na existência da agremiação alentejana.
Após voltar vestir as cores do Cabofriense, o seu primeiro clube no Brasil, de envergar a camisola do Friburguense e de dar por terminada a sua carreira no "futebol dos relvados", Isaías retornaria a Portugal. Dessa feita, o contexto acabaria por ser um pouco diferente daquele em que estávamos habituados a vê-lo. É que, por razão da sua naturalização, o jogador passaria a representar a "selecção das quinas", mas na variante de praia.

318 - LAMPTEY

Tudo no começo da sua carreira prometeria sucesso. Fossem os 16 anos aquando da primeira partida na Liga belga, tornando-se, por essa razão, no atleta mais jovem de sempre a conseguir tal estreia, fosse a conquista do Mundial sub-17 de 1991, onde, com 4 golos e empatado com o brasileiro Adriano, haveria de ser o Melhor Marcador do torneio; fosse ainda pela Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de 1992 ou por razão do segundo lugar no Mundial de sub-20 de 1993, Nii Lamptey tornar-se-ia num dos jovens futebolistas que, no início dos anos de 1990, acabaria empurrado para a ribalta. O destaque seria tanto que haveria de ser apelidado como o "Novo Pelé". No entanto, esse arranque auspicioso não passaria disso mesmo e o primeiro passo em falso terá sido dado, provavelmente, com a decisão de deixar o clube que o albergava desde os 15 anos, o Anderlecht.
O destino levá-lo-ia à colectividade com ligação à Philips, o PSV Eindhoven. A temporada passada pelo médio-ofensivo nos Países Baixos até correria de feição e ajudado pela apetência para o golo, o ganês, depois dessa campanha de 1993/94, rapidamente começaria a ser cobiçado por emblemas de campeonatos maiores. Tendo em conta as boas exibições conseguidas, a transferência para o Aston Villa dar-lhe-ia a oportunidade para disputar a Premier League. Todavia, muito acima da vontade do jogador em mudar-se para outro cenário competitivo, haveriam de estar, segundo o especulado à altura, os interesses financeiros do seu empresário, o qual detinha uma percentagem do seu “passe”. A ida do jogador para Inglaterra, numa senda em que nunca demonstraria o real valor dos seus dotes, encetaria uma caminhada que tomaria os contornos de uma errância gigantesca. Seria durante essa fase, com experiências em diversas agremiações, países e continentes que passaria por Portugal. Tal como nas outras colectividades, na União de Leiria o desempenho de Lamptey seria bastante discreto e a sua passagem pelas provas lusas terminaria com pouco mais de uma mão cheia de partidas.
 Depois de uma vida nos relvados que só não o levaria à Oceania, Lamptey, em 2008, decidir-se-ia pela "reforma". Entretanto passaria a assumir as funções de técnico e actualmente, de volta ao Gana, ocupa as funções de treinador-adjunto no Sekondi Wise Fighters.

302 - CARLOS ÁLVAREZ

Considerado como um dos melhores jogadores saídos da “cantera” do Celta de Vigo, Carlos Álvarez facilmente começou a amealhar presenças nos escalões de formação da selecção espanhola, onde, inclusive, chegou às chamadas para os sub-21. Contudo, apesar do potencial e de, durante vários anos, conseguir manter-se no plantel do emblema galego, "Carlitos", nome pelo qual ficou conhecido entre os adeptos, nunca veio a afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis da sua equipa.
Tirando a excepção da temporada 1994/95, onde foi utilizado com alguma regularidade, todas as outras seriam pautadas pela quase ausência de presenças em campo. Por essa razão, ao fim de uma série de anos a vestir a camisola azul celeste do Celta, Carlos Álvarez decidiu arriscar e dar seguimento à carreira do lado luso da fronteira. O destino, em berra na altura, acabou por ser o Desportivo de Chaves e Trás-os-Montes acolheu de braços abertos mais um "craque" espanhol.
Ao chegar a Portugal já com 27 anos, a perspectiva de muitas oportunidades e de relançar a carreira em direcção a grandes voos, de certo modo, ia contra as probabilidades. Para contrariar as verosimilhanças, na campanha de estreia ao serviço dos “Flavienses”, Carlos Álvarez logo tratou de mostrar todas as suas qualidades. Ao longo dessa época de 1998/99, o “Comandante do Marão”, alcunha ganha pela preponderância revelada nas manobras do grupo transmontano, revelou-se como um elemento competente a defender, a atacar e, apesar de ser acusado de alguma lentidão, capaz de destacar-se pelas habilidades técnicas, capacidade de passe e pelo entendimento do jogo.
Finda a primeira temporada do médio em Portugal, ainda por cima com o Desportivo de Chaves relegado ao segundo patamar, ninguém estranhou o salto dado pelo atleta em direcção ao Vitória Sport Clube. Nos dois anos passados na cidade de Guimarães, onde alternou bons momentos com outros mais discretos, mas principalmente ao serviço do Nacional da Madeira, o centrocampista espanhol continuou a mostrar a razão pela qual os treinadores viam nele uma aposta importante. Já na fase descendente como profissional, decidiu voltar às origens e na Galiza ainda envergou a camisola do Ourense.
Sensivelmente um ano após a decisão de deixar a competição e com a ligação à modalidade assegurada pela inauguração de uma escola de futebol, Carlos Álvarez veio a falecer na sequência de um terrível acidente com o desabamento de uma casa, contava apenas com 35 anos de idade.