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1702 - FUSCO

Tendo chegado à equipa principal do Seixal, emblema onde também concluiria a formação, no decorrer da temporada de 1990/91, João Carlos Proença Filipe, popularizado no mundo do futebol como Fusco, começaria por experimentar as contendas da 2ª divisão “B”. Porém, logo no termo da mencionada campanha, o médio-centro assistiria aos esforços colectivos a claudicarem na luta pela manutenção. Com a descida de patamar, o jovem jogador veria a estadia naquele que, à altura, era o mais baixo escalão nacional, a prolongar-se por diversos anos e só a mudança de colectividade é que faria com que regressasse ao nível competitivo de onde tinha partido.
A entrada no plantel de 1994/95 do Louletano, onde partilharia o balneário com caras bem conhecidas do cenário primodivisionário, casos de Lázaro, Idalécio ou Rui Pataca, muito mais do que devolver o centrocampista às contendas da 2ª divisão “B”, levá-lo-ia a usufruir de uma visibilidade até aí nunca alcançada. Tamanha projecção faria com que, na época seguinte à sua chegada ao Algarve, o jogador fosse apresentado como reforço do Beira-Mar. Ainda que, por essa altura, o emblema aveirense estivesse apenas a disputar a divisão de Honra, a verdade é que a mudança abriria os horizontes ao atleta proveniente da Margem Sul e os resultados, como veremos mais adiante, surgiriam de forma bastante faustosa.
Treinado, à chegada ao Estádio Mário Duarte, por Álvaro Carolino, o jogador afirmar-se-ia como um dos pilares dos esquemas tácticos desenhados pelo referido treinador e pelos “homens do leme” que, no principal posto técnico, sucederiam ao antigo internacional português. Ainda assim, mesmo como uma das principais figuras do emblema da Beira Litoral, a ambição do colectivo, a apontar sempre para as disputas a encaminhá-los para a subida, ainda demoraria alguns anos até conseguir levar o atleta ao objectivo de alcançar o convívio com os “grandes”. Tal meta seria granjeada no termo da campanha de 1997/98 e, a época seguinte, daria a Fusco a estreia nos principais palcos do futebol luso.
A temporada de 1998/99 transformar-se-ia numa época de inolvidável importância para a carreira de Fusco. Numa campanha em que, no desenovelar do Campeonato Nacional da 1ª divisão, o emblema aveirense lutaria para manter a cabeça à tona de água, o avançar do clube na Taça de Portugal levaria o Beira-Mar a marcar presença no Estádio Nacional. No Jamor, numa final inédita onde também estaria presente o Campomaiorense, o médio-centro, escolhido para o combate pelo treinador António Sousa, comandaria, na condição de capitão de equipa, os seus colegas para a inesquecível vitória por 1-0 – “Foi o dia mais importante da minha vida enquanto jogador”*.
No polo oposto à felicidade dada pela conquista da “Prova Rainha”, já tinha emergido, tempos antes, a tristeza conferida pela confirmação da descida de divisão. Assim sendo, a temporada de 1999/00, transformar-se-ia, para Fusco, numa mistura de sentimentos. Nessa mescla, o desgosto de não ter conseguido ajudar no propósito da manutenção, contraporia à satisfação de, pela primeira vez no seu trajecto competitivo, ter a oportunidade de participar nas competições de índole continental. No contexto das contendas organizadas sob a égide da UEFA, na taça baptizada com a mesma designação da organização europeia, ao colectivo português calharia em sorte disputar a 1ª ronda frente ao Vitesse. No duplo embate, com o médio-centro a ser escolhido para o “onze” inicial em ambas as mãos, o Beira-Mar não conseguiria sobrepor-se ao conjunto neerlandês e o empate no campo do adversário, após a derrota caseira, seria insuficiente para que os “Aurinegros” saltassem para a fase seguinte.
Depois da passagem de um ano pela divisão de Honra, o regresso ao escalão máximo levaria o jogador a juntar ao currículo outras 4 temporadas naquela que é a principal competição futebolística do calendário português. As ditas campanhas que, somadas às anteriores, dariam, para Fusco, um conjunto de 9 épocas com as cores do Beira-Mar, terminariam com o findar das provas planeadas para 2003/04. De seguida, o atleta voltaria à zona onde tinha crescido e ao entrar na idade da veterania, rubricaria um contrato com o Pinhalnovense orientado por Paco Fortes.
Numa carreia aparentemente a aproximar-se do fim, mas com o atleta a demonstrar capacidades para prolongar essa caminhada por mais uns anos, Seixal, Fabril, Paio Pires e “Os Navegadores” viriam a colorir o trajecto de Fusco até 2015/16. “Penduradas as chuteiras”, o antigo médio voltaria a ligar-se ao futebol e abraçaria, como treinador-adjunto do Seixal, as funções outorgadas aos técnicos.

*retirado do artigo publicado a 26/01/2005, em www.record.pt

1670 - FEBRAS

Descoberto enquanto atleta das camadas de formação do Cracks de Lamego, Jorge Manuel Ribeiro Cardoso, popularizado pelo nome Febras, alcunha que ganharia por razão do talho do pai, cedo chegaria a Coimbra. Como juvenil da Académica, o jovem avançado partilharia o balneário com Sérgio Conceição. Nesse trilhar de caminho, alguns anos mais tarde chegaria a altura de transitar para o escalão sénior. No entanto, a forte concorrência por um lugar no ataque da “Briosa”, que contava com nomes como Lewis, empurrá-lo-ia, em 1992/93, para um empréstimo ao serviço da Naval 1º de Maio. Os 2 anos cumpridos na Figueira da Foz, respectivamente passados nas disputas do 3º escalão e da 2 divisão “B”, serviriam para sublinhar o seu valor. Já o regresso aos “Estudantes” dar-se-ia em 1994/95 e apesar das boas prestações, o início da temporada seguinte não surgiria sem uma pequena polémica – “Lembro-me de ter sido o melhor marcador da equipa, em 1994/95, e na época seguinte o treinador Vieira Nunes me querer emprestar. Até hoje, nunca percebi porque tinham essa intenção e disse-lhes que preferia sair de vez do que ser emprestado. Acabei por ficar e por regressar aos golos num jogo em que só fui convocado porque os outros avançados estavam lesionados. Nunca mais saí da equipa, nem com o treinador Eurico Gomes, nem com Vítor Oliveira”*.
Ao manter-se com as cores da “Briosa”, Febras tornar-se-ia numa das peças da caminhada que, em 1997/98, levaria a Académica de Coimbra a retornar aos cenários primodivisionários. Apesar da época periclitante em termos colectivos, a ampla utilização do atacante mantê-lo-ia como um valor seguro do plantel. Conseguida a manutenção na campanha de regresso ao convívio como os “grandes”, a época seguinte também viria a tornar-se numa árdua provação. Porem, pior do que os desempenhos do grupo de trabalho, a fraca utilização do atacante levá-lo-ia a ser empurrado para um novo empréstimo. Nesse sentido, a meio da época de 1998/99, o jogador acabaria por ser apresentado como reforço do Gil Vicente. Os meses no emblema sediado na cidade de Barcelos, passados nas contendas da divisão de Honra, serviriam para justificar um novo regresso. Todavia, com a descida dos “Estudantes” a manter o atleta nas disputas do patamar secundário, o ano sob as ordens de Carlos Garcia não seria, de todo, proveitoso e o termo da temporada 1999/00 transformar-se-ia no fim da sua ligação com a agremiação beirã.
Daí em diante, em definitivo longe do patamar maior do futebol luso, o avançado encetaria um périplo a levá-lo a diferentes clubes e até a uma curta experiência no estrangeiro. Académico de Viseu, Lousada, Vizela e os malaios de um Sabah FA orientado por José Garrido, antecederiam o regresso a Portugal e, mais uma vez, ao Lousada. Por fim, com Febras a escrever o último capítulo da carreira, a única presença sénior do jogador numa colectividade da sua terra natal e o plantel de 2006/07 do Sporting de Lamego a encerrar a caminhada do atacante enquanto futebolista.
“Penduradas as chuteiras”, Febras ainda voltaria a ligar-se à modalidade e como treinador trabalharia para colectividades como o Sporting de Lamego, Moimenta da Beira ou Sampedrense.

*retirado do artigo a 7/11/2013, em www.record.pt

1591 - CAMILO

Com o fim do trajecto formativo feito com as cores do Mangualde, seria no emblema sediado no distrito de Viseu que Camilo António Marques Rodrigues Fernandes também subiria ao escalão de seniores. Depois da promoção, tendo começado a sua senda pelas disputas da 2ª divisão de 1988/89, o jovem praticante ainda demoraria algum tempo até atingir o patamar máximo do futebol português. Nessa caminhada de 7 anos, seguir-se-iam, numa senda caracterizada pela relativa errância, diversas colectividades do centro e do norte do país. Mirandense, UD Oliveirense, Lousanense e União de Coimbra precederiam então o salto para os exigentes desafios primodivisionários e o Algarve daria a oportunidade ao defesa-central para fazer a estreia entre os “grandes”.
Com a chegada ao Farense a acontecer para a temporada de 1995/96, Camilo passaria a ser treinado por Paco Fortes. Sob a égide do treinador catalão, o jogador, muito para além do arranque de caminhada no patamar maior do futebol luso, não enjeitaria a ocasião para merecer um lugar na história do emblema do Sotavento. Tal momento aconteceria numa partida frente aos gauleses do Olympique Lyonnais, naquele que viria a tornar-se no jogo de estreia da colectividade portuguesa nas competições de índole continental. Porém, esse desafio a contar para a Taça UEFA, lado-a-lado com um começo de época auspicioso, não viria a consolidar-se como mais um passo para a titularidade. Usado com parca frequência, ainda assim o atleta viria a manter-se no plantel do conjunto algarvio por 3 campanhas sucessivas. Contudo, tapado consecutivamente por outros colegas de trabalho, casos de Jorge Soares ou de Pedro Miguel, a saída acabaria mesmo por materializar-se e seria na sua cidade natal que encontraria novo poiso.
Em Coimbra, dessa feita para representar a Académica, Camilo, na temporada de 1998/99 manter-se-ia nas lutas primodivisionárias. Todavia, a época de estreia a lutar pelos “Capas Negras” traduzir-se-ia num péssimo resultado colectivo, com o conjunto beirão, após várias mudanças de treinador, a sucumbir ao 18º lugar da tabela classificativa do Campeonato Nacional. Com a inevitável despromoção, a aposta na “Briosa”, ainda que a entregá-lo à titularidade, afastá-lo-ia definitivamente do convívio com os “grandes”. Para piorar o contexto competitivo do defesa-central, o fim da campanha de 2001/02, logo após ajudar o emblema conimbricense a voltar à 1ª divisão, traduzir-se-ia pelo termo da relação contratual entre o jogador e a agremiação sediada nas margens do Rio Mondego. Nesse sentido, após deixar a Académica de Coimbra, Camilo entraria naqueles que viram a tornar-se nos derradeiros capítulos da sua caminhada enquanto futebolista profissional. Ovarense, Pampilhosa e “Os Marialvas” precederiam o fim da sua carreira. No entanto, o antigo praticante voltaria a reencontrar-se com o futebol e de regresso aos “Estudantes” assumiria em 2017/18 as tarefas de coordenador-geral.

1568 - ISAÍAS

Seria no Esporte Clube de Propriá, emblema sediado na sua terra natal, que Isaías Silva Aragão completaria o percurso formativo e onde faria, na temporada de 1986, a transição para o patamar sénior. Defesa-central de recursos físicos possantes e de processos simples e eficazes, o jovem jogador depressa começaria a revelar capacidades bem acima das modestas ambições da colectividade por si representada. No desenrolar do seu percurso, depois de uma curta passagem pelo plantel de 1988 do Lagartense, seria a transferência para o Clube Sportivo Sergipe de 1989 que empurraria o atleta para os primeiros sucessos colectivos. As 3 campanhas cumpridas pelo novo agrupamento, intercaladas pela época de 1991 ao serviço do Naútico Capibaribe, haveriam de trazer-lhe as almejadas vitórias e as conquistas das edições de 1989 e de 1992 do “estadual” colorir-lhe-iam o currículo pessoal.
Com cerca de 7 anos de caminhada sénior, a Isaías ser-lhe-ia dada a primeira oportunidade no estrangeiro. Convidado pelo Penafiel, o defesa-central chegaria a Portugal para competir na divisão de Honra de 1992/93. Lançado por Carlos Garcia, o jogador rapidamente ganharia um lugar como titular dos “Durienses”. Porém, mesmo com o clube longe das lutas pela promoção, a verdade é que as suas exibições fariam com que os responsáveis pelo Leça olhassem para si como uma boa “arma” para o ataque à almejada subida. Esse objectivo seria alcançado logo na época da sua entrada na agremiação do concelho de Matosinhos e após ajudar à vitória no Campeonato Nacional do patamar secundário, a campanha de 1995/96 oferecer-lhe-ia a estreia no convívio com os “grandes”.
Com uma época brilhante num Leça inicialmente comandado por Fernando Festas e recheado de bons jogadores, casos de Jaime Magalhães, Constantino, Vladan, Matias ou Paulo Fonseca, Isaías daria o salto para o Boavista. Com a entrada no Bessa a ocorrer na temporada de 1996/97, o defesa-central, muito para além de manter os níveis exibicionais em padrões bem elevados, tornar-se-ia numa das figuras dos sucessos colectivos. Um desses êxitos, atingido na primeira época com as “Panteras”, seria a vitória na Taça de Portugal. Chamado ao “onze” por Mário Reis, o atleta daria um enorme contributo para os 3-2 a derrotar o Benfica. Logo na época seguinte, na disputa da Supertaça Cândido de Oliveira, o jogador entraria em campo na 2ª mão da referida competição e ajudaria, dessa feita frente ao FC Porto, ao triunfo dos “Axadrezados”. Claro, é impossível olvidar a época de 1998/99 e o 2º posto da tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão, alcançado sob a alçada de Jaime Pacheco.
Após o vice-campeonato conseguido pelo Boavista, Isaías decidir-se-ia pelo regresso ao Brasil. Contratado pelo histórico Cruzeiro, a curta experiência vivida no emblema de Belo Horizonte, teria como curiosidade o balneário partilhado com Valdo e com Geovanni, duas figuras do Benfica e do futebol luso. Poucos meses após a passagem pela agremiação do Estado de Minas Gerais, o defesa-central voltaria a Portugal e ao Leça de 2000/01. Já numa fase terminal da sua carreira, mantendo-se em exclusivo pelos escalões inferiores, o jogador ainda vestiria as cores do Tirsense, onde, na campanha de 2001/02, voltaria a encontrar-se com Fernando Festas. Por fim, emergiria a aventura chinesa, no termo da qual e depois de envergar as divisas do Chongqing FC de 2002, viria a “pendurar as chuteiras”.
Mais uma vez de volta à cidade natal, Isaías manter-se-ia ligado ao futebol e por altura do acidente rodoviário a ceifar-lhe a vida, o antigo defesa cumpria o papel de director do América de Propriá.

1292 - RAMOS

Extremo dono de uma velocidade estonteante e de uma técnica bem acima da média, Manuel Ramos cedo começaria a destacar-se nas “escolas” do Farense. Tão boa seria a evolução demonstrada durante o percurso formativo que, como júnior do emblema algarvio, o atacante seria chamado aos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com a camisola de Portugal estrear-se-ia no escalão sub-17, a 01 de Junho de 1995 e pela mão de Rui Caçador. Essa partida frente à Áustria, a contar para o Torneio Internacional da Suíça, encetaria um percurso que levaria o atleta, entre o patamar referido, os sub-20 e sub-21, a somar ao currículo um total de 21 internacionalizações.
Também no clube, o crescimento demonstrado levá-lo-ia a ser aferido como uma grande promessa. Uma das provas desse valor emergiria com a convocatória do avançado à equipa principal, ainda no decorrer do último ano de formação. Com Paco Fortes como “timoneiro” do Farense, Ramos, nessa temporada de 1995/96, acabaria chamado à estreia na 1ª divisão. Progressivamente começaria a impor-se no plantel, não só como um elemento útil aos objectivos do colectivo sotaventino, mas como um dos melhores intérpretes do conjunto. No desenrolar da campanha de 1997/98, já o extremo havia conseguido posicionar-se como um dos mais utilizados da colectividade algarvia. Manteria esse estatuto na época seguinte e, por conseguinte, a mudança de emblema no defeso estival de 1999 transformar-se-ia numa enorme surpresa.
A real razão para a saída de Ramos, tal como veiculado pelos periódicos desportivos da altura, seria a rescisão unilateral, por parte do atleta, do contrato que o ligava ao clube. Ao alegar salários em atraso, o atacante deixaria o Algarve e acabaria por rubricar um novo vínculo com o Salgueiros. Porém, no emblema sediado na cidade do Porto, ao contrário do que a sua evolução vinha a revelar, o extremo não conseguiria atingir os níveis exibicionais de anos anteriores. Ao fim de um par de temporadas ao serviço da colectividade do bairro de Paranhos, o jogador acabaria por dar novo rumo à carreira e, com tal passo, afastar-se-ia do escalão máximo do futebol português.
A entrada na Ovarense marcaria uma nova fase no percurso profissional do jogador. A passagem pelo emblema vareiro na temporada de 2001/02 transformar-se-ia no primeiro capítulo de Ramos como um representante de emblemas a militar nos escalões secundários. Nessa senda, o destaque acabaria por ir para o regresso do avançado ao Algarve. Numa caminhada que terminaria em 2005, Lagoa, Almancilense e Quarteirense seriam os emblemas a colorir o derradeiro troço do futebolista que, com apenas 27 anos de idade, decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”.

1230 - MIGUEL SERÔDIO

Com a formação dividia entre o Imortal de Albufeira e o Olhanense, seria neste último emblema que Miguel Serôdio faria a transição para o patamar sénior. Com habilidade para, entre o centro do sector mais recuado e o meio-campo, posicionar-se em lugares de cariz defensivo, o atleta, mesmo a disputar o escalão secundário, conseguiria chamar a atenção de outros emblemas. Como um elemento batalhador e capaz de recuperar muitas bolas, o jogador, ainda que sem um físico impressionante, seria visto como um bom reforço para o Farense de 1990/91, orientado pelo mítico Paco Fortes. Sob a alçada do treinador catalão, ainda que com uma primeira temporada um pouco discreta, as seguintes revelariam um elemento primordial no alinhar do “onze” inicial e com grande responsabilidade no alcançar dos feitos colectivos.
No contexto competitivo do emblema sediado no Algarve, os anos 90, tal como será fácil de recordar, caracterizar-se-iam pelas melhores campanhas realizadas pelos “Leões de Faro”. Durante esse período áureo da história do clube, Miguel Serôdio, como um dos elementos mais utilizados na disputa das provas nacionais, muito para além de ajudar a colectividade a cimentar-se no cenário primodivisionário, auxiliaria o grupo a ultrapassar metas nunca antes atingidas. Titular no desenrolar tanto da temporada de 1991/92, como da época de 1992/93, seria também dele a responsabilidade pelo 6º lugar conseguido em ambos os anos. Contudo, mais estaria para chegar. Nesse sentido, o Campeonato de 1994/95 terminaria com o Farense no 5º lugar da prova, melhor classificação de sempre para os do Sotavento, e com a qualificação para as pelejas continentais.
Com o feito alcançado, Miguel Serôdio, como alguns dos seus colegas de equipa, decidiria aceitar o convite de outras colectividades tradicionalmente preparadas para metas mais auspiciosas. Curiosamente, a mudança para o Boavista distanciaria o jogador das provas realizadas no âmbito da UEFA. No entanto, pior do que o afastamento das competições continentais, o atleta, com as cores do emblema portuense, não conseguiria manter a preponderância das épocas precedentes. No final da campanha de 1995/96 deixaria os “Axadrezados” e tentaria a sua sorte do lado de lá da fronteira. Em Espanha, integrado num contingente bem familiarizado com os emblemas lusos, passaria a disputar o 2º escalão. Porém, tal como tinha acontecido na experiência anterior, o jogador, bem longe de conquistar um lugar no alinhamento inicial do Salamanca, teria de aceitar o fracasso de mais uma aposta e, a meio da temporada, marcaria a viagem de retorno a Portugal.
De regresso ao Algarve, Miguel Serôdio voltaria a vestir a camisola do Farense. As 3 épocas e meia seguintes, sempre a disputar a 1ª divisão, levariam o atleta a acrescentar muitos jogos ao currículo. Esse somatório, com mais de 2 centenas de partidas disputadas no principal escalão do Campeonato Nacional, transformá-lo-iam no 3º elemento com mais presenças conseguidas pelos “Leões de Faro”, na referida prova. Mas apesar de tão longa ligação, a separação entre o jogador e a agremiação aconteceria com o término da campanha de 1999/00. Daí em diante, o futebolista entraria na derradeira fase do seu trajecto enquanto praticante. Imortal, Padernense e Guia coloririam esses anos e, com o fim da carreira a acontecer em 2003, antecederiam o início da sua caminhada como treinador. Nas funções de técnico, começaria como adjunto na equipa sénior do Farense, passaria também pelas camadas jovens do clube, pelo conjunto principal do Moncarapachense e ainda pelos juniores do Olhanense.

1226 - PAULO ALEXANDRE

Natural do concelho flaviense, Paulo Alexandre terminaria a formação nas camadas jovens do Desportivo de Chaves. O passo seguinte, após ter começado a trabalhar com a equipa principal na época anterior, seria dado na temporada de 1989/90 e marcaria a estreia do defesa no patamar sénior. Com o emblema transmontano a militar na 1ª divisão, seria pela mão do treinador José Romão que, numa partida no Estádio das Antas frente ao FC Porto, o jovem praticante encetaria a caminhada no patamar maior. Progressivamente conquistaria um lugar de destaque no seio do conjunto “Azul-grená” e, pela campanha de 1991/92, já era visto como um dos grandes valores do plantel.
Com o final da temporada de 1992/93, Paulo Alexandre e os seus colegas enfrentariam a despromoção à Divisão de Honra. “Sol de pouca dura”, pois, volvido um ano após o desaire, já os flavienses estavam de volta ao escalão principal. Aliás, os anos seguintes testemunhariam a permanência da equipa na 1ª divisão e, tais prestações colectivas, sublinhariam o defesa-central como um intérprete capaz de marcações muito fortes. Contudo, e mesmo com a atitude dentro de campo a pô-lo como um bom exemplo da raça exigida pelo clube, a relação do atleta com os dirigentes do emblema transmontano, com o fim da época de 1998/99 a ditar nova descida, começaria a degradar-se – “É quase certo que não vou ficar no Desportivo de Chaves, e não é por falta de vontade da minha parte. Tenho 29 anos e já tive oportunidade de sair do clube noutras ocasiões, mas não o fiz (…).Esta não foi uma boa época para mim e para o resto do grupo, mas a proposta que me apresentaram foi como um convite para me mandarem embora (…). Compreendo as dificuldades financeiras do D. Chaves neste momento e já se previa um corte nos vencimentos devido à descida, mas assim não”*.
A querela levaria o futebolista a uma das poucas, e curtas, passagens competitivas fora de Trás-Os-Montes. Com contrato assinado pelo Desportivo das Aves de 1999/00, o defesa passaria a integrar o plantel orientado pelo Professor Neca e, como um dos esteios do sector mais recuado, ajudaria a equipa a regressar à 1ª divisão. Curiosamente, e ao assumir um papel importante na referida subida, a opção de Paulo Alexandre seria a de sair do clube, voltar a envergar as cores do Desportivo de Chaves e, com isso, manter-se a disputar o escalão secundário. Tal escolha, com o emblema nortenho a entrar numa fase menos positiva, inviabilizaria, no percurso do atleta, nova experiência no patamar primodivisionário. Ainda assim, e ao demonstrar uma enorme motivação e paixão pela colectividade, a carreira do jogador com a camisola mais representativa da sua terra natal, prolongar-se-ia por diversos anos.
Após somar um total de 17 campanhas como sénior do Desportivo de Chaves, a temporada 2007/08 encaminhá-lo-ia até à única passagem pelo estrangeiro. Ao deixar a agremiação flaviense como o atleta com mais partidas oficiais na existência do clube, Paulo Alexandre viajaria para o outro lado da fronteira e, na Galiza, ingressaria no modesto Verín CF. A época cumprida em Espanha, antecederia o fim da sua carreira enquanto futebolista. Mesmo depois de “pendurar as chuteiras”, o antigo atleta não abdicaria de experimentar outras áreas da modalidade. Como Coordenador Técnico, em 2010/11, voltaria a defender os interesses dos “Azul-Grená”. Já na época seguinte acabaria por aceitar o desafio lançado pelos dirigentes do Boticas e abraçaria as tarefas de treinador.

*retirado do artigo de Paulo Reis, publicado a 24/06/1999, em www.record.pt

1094 - ZECA

As primeiras participações na equipa sénior do Marítimo, ainda em idade júnior, serviriam para sublinhar o trilho de excelência feito com as cores das jovens selecções nacionais. Com 26 internacionalizações, num total acumulado através dos diversos escalões de formação, Zeca acabaria por ter no Europeu sub-18 e no Mundial sub-20, ambos disputados em 1993, o ponto mais alto na caminhada ao serviço de Portugal.
No clube, depois da presença no banco de suplentes em 1991/92 e da estreia na época seguinte, o “trinco” fixar-se-ia na equipa principal. Bastaria mais uma temporada para que conseguisse afirmar-se no conjunto funchalense como um dos mais importantes membros do grupo de trabalho. Esse estatuto, alcançado na campanha de 1994/95, transformá-lo-ia num dos nomes listados para disputar a final da Taça de Portugal desse ano. No Jamor, num “onze” arrolado pelo treinador brasileiro Paulo Autuori, o médio entraria de início. Parca sorte para o jogador, pois o Marítimo perderia por 2-0. Igual fortuna teria passados alguns anos. Dessa feita a “saltar” do banco, o atleta voltaria a marcar presença em mais um derradeiro encontro da denominada “Prova Rainha”. Com o FC Porto como adversário, a equipa insular regressaria ao Estádio Nacional em 2000/01 e mais uma vez sairia de Oeiras com uma derrota.
Também o Campeonato e as competições continentais desenhariam a carreira de Zeca. Ao ajudar o clube a atingir o 5º lugar no final de 1992/93, o atleta marcaria presença na primeira participação do Marítimo na Taça UEFA. Apesar de não ter saído do banco de suplentes, a eliminatória disputada frente aos belgas do Royal Antwerp asseguraria ao seu nome um lugar na história do emblema madeirense. Mais adiante, com os “Verde-rubros” a garantir diversos apuramentos, o médio acabaria por ter a oportunidade de entrar em campo nas provas europeias. Nesse sentido, destaque para os inolvidáveis encontros com a Juventus ou os míticos embates com os ingleses do Leeds United.
Por tudo o que já aqui foi dito e vincado pelas 14 temporadas ao serviço do Marítimo, Zeca tornou-se não só numa figura emblemática do clube, como num dos históricos atletas da 1ª divisão. Com as campanhas jogadas pelos funchalenses a coincidirem com os anos passados no mais importante escalão do futebol português, o aguerrido centrocampista ainda vestiria as camisolas de outras 2 colectividades. Já no final da sua carreira e longe do patamar máximo, o Santa Clara e o União da Madeira, numa caminhada que terminaria em 2008, também entrariam no seu percurso profissional.

1040 - MARCO FREITAS

Nascido em Angola, a mudança da sua família para a Ilha da Madeira permitir-lhe-ia dar os primeiros passos no futebol. Ainda em idade adolescente, ligar-se-ia às escolas do Machico. Porém, as boas prestações rapidamente levariam o Nacional a contratá-lo. Nesse sentido, seria nos escalões jovens da equipa funchalense que o médio acabaria por terminar a etapa formativa. Curiosamente, e por altura da subida a sénior, um empréstimo levá-lo-ia a voltar ao primeiro emblema. A cedência, sempre a pensar na sua evolução competitiva, dar-lhe-ia o traquejo necessário para singrar, no regresso aos “Alvi-negros”. Mesmo a competir na divisão de Honra, Marco Freitas conseguiria chamar a atenção de colectividades primodivisionárias. Depois de 4 temporadas nos patamares secundários, o Vitória de Guimarães chegaria ao seu trajecto profissional e a mudança para o Minho acabaria por catapultar a sua carreira.
A chegada à “Cidade Berço” na temporada de 1995/96, levaria o “trinco” a viver os melhores anos da sua caminhada profissional. Com um começo ainda ofuscado pela presença de atletas mais experientes, a mudança de treinador viria a alterar esse panorama. A contratação de Jaime Pacheco, faria com que Marco Freitas passasse de suplente para um dos atletas mais utilizados no plantel. Com isso, transformar-se-ia num pilar das boas classificações conseguidas pelo emblema minhoto nesse ano e nas campanhas seguintes. A participação do médio-defensivo nas competições europeias e, principalmente, os lugares cimeiros na tabela classificativa do Campeonato, levariam clubes de outra monta a olhar para si como um bom reforço.
Sendo um atleta de características essencialmente defensivas, mas que, por razão do seu bom remate, também gostava de subir no terreno de jogo, não causaria qualquer surpresa o surgimento do interesse do Benfica. No entanto, a mudança para a “Luz” não traria ao atleta as vantagens prometidas. Depois de cumprir a pré-época de 1998/99 com as “Águias”, o treinador Graeme Souness decidiria emprestá-lo ao Alverca. Já a chegada ao comando técnico do alemão Jupp Heynckes, daria ao jogador uma nova esperança. A verdade é que, mesmo integrado no plantel, Marco Freitas nunca conseguiria tornar-se numa opção válida. Pouco jogaria na temporada de 1999/00 e, finda a dita campanha, regressaria ao emblema sediado no Ribatejo.
A carreira de Marco Freitas, daí em diante, acabaria por decrescer em qualidade. Mesmo mantendo-se na 1ª divisão, a sua passagem pelo já referido Alverca e, posteriormente, pelo Salgueiros, revelaria o atleta longe das exibições que, em anos anteriores, o tinham posto num lugar de destaque. Aliás, seria ao serviço do emblema de Paranhos que o médio voltaria aos escalões secundários. A excepção a esse progressivo ocaso, surgiria com a sua primeira internacionalização. Depois de, muitas vezes, ter sido veiculada a sua integração nos trabalhos da selecção portuguesa, o “trinco” acabaria por vestir as cores do seu país natal. Tendo a sua estreia por Angola acontecido em 2001, o jogador representaria a nação africana ainda por mais 2 vezes.
Felgueiras, e na volta à Madeira, o Pontassolense e o Machico, tornar-se-iam nos derradeiros emblemas do seu trajecto desportivo. Em abono da verdade, o fim da sua ligação ao futebol não aconteceria na temporada de 2007/08. Existem, após alguns anos de interregno, registos do seu regresso. Em 2011/12, sem que tenha conseguido confirmar fidedignamente tal informação, Marco Freitas ligar-se-ia aos amadores do Porto da Cruz e como “Massagista-Jogador”!

1019 - ABAZAJ

Formado no Dínamo de Tirana, a rápida ascensão na equipa da capital albanesa levá-lo-ia a ser tido como uma das promessas mais valiosas do seu país. Para provar tal potencial nada melhor que a estreia na selecção principal. Com apenas 16 anos de idade, Eduard Abazaj seria chamado ao apuramento para o Mundial de 1986, onde, numa partida frente à Grécia, conseguiria a sua primeira internacionalização.
Depois dessa partida inicial, o defesa teria que esperar sensivelmente 4 anos e meio para conseguir jogar novamente pela Albânia. Pelo clube, a sua evolução corroboraria tudo aquilo que dele havia sido dito. Podendo posicionar à esquerda e no centro do sector mais recuado, Abazaj, com o passar dos jogos, conseguiria tornar-se num dos elementos mais importantes das estratégias tácticas da sua equipa. Muito mais do que a polivalência mostrada dentro de campo, o jovem atleta apresentaria outras características que aumentariam o seu valor. Aguerrido, disciplinado e com uma técnica superior a muitos da sua posição, o jogador veria o seu valor crescer.
O que também elevaria a sua cotação, seriam os títulos conquistados colectivamente. Sendo o Dínamo de Tirana uma das potências do futebol albanês, seria com alguma naturalidade que a glória chegaria ao seu trajecto. As vitória na Liga de 1985/86, na Taça de 1988/89, e, principalmente, a “dobradinha” ganha em 1989/90, acabariam por servir de incentivo a uma nova mudança. Com o antigo Bloco de Leste mais permissivo a movimentações, o Hajduk Split, na temporada de 1990/91, decidir-se-ia pela sua contratação. No emblema croata, que à data ainda concorria no contexto competitivo da Jugoslávia, conseguiria conquistar um lugar. Mais uma vez, os troféus iriam enriquecer o seu currículo. O 1º lugar em 1992, tomado naquela que viria a ser a 1ª edição da Liga croata, seria apoiado por mais 1 Taça e 2 Supertaças. Com tudo isso, o defesa estabelecer-se-ia como um dos nomes habituais nas convocatórias da selecção e uma das grandes estrelas do seu país.
O interesse de outros emblemas, e de outros campeonatos, serviriam também para asseverar o seu valor. Antes ainda da chegada a Portugal, certos registos dão-nos conta que o defesa poderá ter tido experiências noutros países. Uma curta passagem pelos austríacos do Grazer AK, segundo o que é veiculado por algumas fontes, terá sido precedida pelo “namoro” com o Benfica. Sendo fiel a referida informação, o emblema da “Luz”, depois de contratar o jogador, tê-lo-á cedido aos croatas do HNK Sibenik. Mesmo com todas essas dúvidas, o certo é que Abazaj faria a pré-temporada de 1994/95 com as “Águias”. Rezam algumas crónicas que o excesso de extracomunitários e a recusa a um casamento “arranjado” terão inviabilizado a sua continuidade nos “Encarnados”. Todavia, o jogador haveria de desmentir tais boatos – “Quando cheguei a Portugal, assinei pelo Benfica, mas não fiquei por opção própria. Tinha contrato e fui convidado a ficar, mas o Benfica tinha quatro jogadores estrangeiros e surgiu o Boavista, portanto preferi ser emprestado. Não me arrependo”*.
A boa temporada nos “Axadrezados” levaria o Manchester City a investir na sua contratação. No entanto, a passagem por Inglaterra seria curta e infrutífera. Sem hipóteses de jogar, o atleta acabaria, já a meio da temporada de 1995/96, por vestir as cores da Académica. No emblema de Coimbra, viveria os melhores anos do seu período em Portugal. Mantendo-se ao longo de 4 campanhas como titular, Abazaj ajudaria à subida da “Briosa” em 1997/98. Com o regresso à 1ª divisão, e sem nunca baixar o nível exibicional, o internacional encetaria a derradeira etapa da carreira como futebolista. Depois dos conimbricenses, tempo ainda para uma “perninha” nos “regionais” com a camisola dos Marialvas, e ainda o regresso ao seu país. No Shkumbini teria também a primeira experiência como treinador. Nas referidas funções, e já de volta ao nosso país, haveria de, igualmente, ganhar currículo. Clubes de menor monta e o trabalho com jovens marcariam essa fase. Hoje em dia, Abazaj vive um pouco desligado do desporto e, tendo fixado residência em Coimbra, gere um café.

*retirado do artigo de Vítor Hugo Alvarenga, publicado a 13/10/2008, em https://maisfutebol.iol.pt

984 - ZAHOVIC

Representava o Kovinar Maribor quando Milko Djurovski, a cumprir o serviço militar na região, o descobre. Zlatko Zahovic, depois da observação feita pelo atleta do Partizan, é convidado a juntar-se ao emblema de Belgrado. Chega à capital da antiga Jugoslávia na temporada de 1989/90, para entrar num balneário que, entre outros internacionais, contava com Predrag Mijatovic. A presença de vários craques faz com a afirmação do jovem jogador tome um caminho mais tortuoso. Na época seguinte acaba cedido aos também primodivisionários do Proleter Zrenjanin. Passa a jogar com maior regularidade e, dando sinais positivos, começa a dar razão a quem nele tinha apostado.
No regresso ao Partizan, Zahovic começa a gozar de outra preponderância. Esse destaque, em Novembro de 1992, leva-o à estreia na selecção principal da Eslovénia. Contudo, o desenrolar da guerra dos Balcãs, e o êxodo daí resultante, faz com que o médio comece a ver com bons olhos a mudança para outro país. Em 1993, e já com 1 Campeonato e 1 Taça no currículo, aceita o convite do Vitória de Guimarães e dá início a uma longa ligação com Portugal.
No Minho, em toda a sua plenitude, mostra as qualidades que tinham feito dele uma grande promessa. Uma técnica singular, com um drible e uma capacidade de passe sublimes, aliada a uma soberba visão de jogo, fazem de Zahovic um dos melhores “10” a actuar no nosso Campeonato. O desempenho colectivo do Vitória de Guimarães, onde pontuavam jogadores como Dimas, Paulo Bento, Pedro Barbosa, José Carlos, Ziad, Pedro Martins, Vítor Paneira ou Capucho, seria também um factor decisivo para o acréscimo de valor na sua carreira. A sua evolução, auxiliada por um percurso internacional em crescendo, leva-lo a entrar no “radar” de emblemas de outra monta. Quem ganha a corrida acaba por ser o FC Porto e, com a mudança para o Estádio das Antas, o seu percurso profissional ganha um novo ímpeto.
Com o “Penta” a entrar no 3º capítulo, Zahovic estreia-se com a camisola “azul e branca”. António Oliveira, como timoneiro do conjunto portuense, lança o esloveno no “onze” inicial. A sua qualidade impõe-se de imediato e o médio passa a ser um dos grandes estrategas da equipa. As exibições por si conseguidas, muito mais do que um tónico para o grupo, transformam-se num dos pilares para as futuras conquistas. Com os agentes do futebol de olhos no FC Porto, os melhores intérpretes desse ciclo de 5 vitórias consecutivas começam a ser cobiçados. Para o médio surgem nas Antas diversas propostas e no Verão de 1999 dá-se a sua partida.
Apesar da vontade do atleta não estar em sintonia com a do clube, o negócio da sua transferência leva-o ao Olympiakos. Tanto na Grécia, como já ao serviço do Valência, o desempenho do médio, em termos de protagonismo, acaba por ser ultrapassado pelas diversas polémicas vividas com os treinadores. Primeiro em Pireus, e depois em Espanha, Zahovic passa mais tempo a discutir a sua utilização do que a jogar. Salva-se o Euro 2000. O médio é chamado àquele que, à altura, passa a ser o primeiro grande torneio disputado pelo seu país. No certame organizado entre a Bélgica e a Holanda, o atleta destaca-se. Boas exibições e 3 golos em 3 partidas, seriam suficientes para manter o seu valor bem alto.
Após a passagem pela “La Liga”, num negócio que envolve a ida de Marchena para Valência, Zahovic regressa a Portugal. Para jogar com as cores do Benfica, o médio chega a Lisboa numa altura em que as “Águias” já estavam na fase de transição entre os “anos negros” de Vale e Azevedo e o recobro planeado por Luís Filipe Vieira. A mudança directiva permite ao clube voltar a sonhar com títulos. O desempenho do médio esloveno, ainda que longe dos anos no FC Porto, toma um papel importante na recuperação e nos troféus conquistados. Porém, e antes das vitórias, mais uma polémica com um treinador. Com Katanec no lugar de seleccionador, a ida da Eslovénia ao Mundial de 2002 resulta em mais uma contenda. Ao discordar da táctica utilizada, o atleta, pouco utilizado, vem a público criticar as opções do treinador.
Já as vitórias no Benfica coincidem com os 2 últimos anos de Zahovic como atleta profissional. A Taça de Portugal de 2003/04 e a conquista da Liga de 2004/05 fecham “com chave d’ouro” a sua caminhada desportiva. Não muito tempo depois vêm o início das funções como dirigente. De volta ao país natal, o antigo internacional enceta um novo capítulo na vida. No NK Maribor, onde entra em 2007, dá os primeiros passos como Director Desportivo. No entanto, não pensem que tais tarefas o afastam dos campos. Com saudades dos relvados, aceita o convite do Limbus Pekre e passa a actuar nos “regionais” da Eslovénia.

959 - ARTUR


Tendo, durante a juventude, alternado entre o futebol de “11” e o futebol de salão, a transição para o patamar sénior levaria a que Artur preferisse a variante dos relvados. Independência FC na campanha de 1991 e, na segunda metade desse mesmo ano, o Clube do Remo, dariam alguma notoriedade ao avançado. A cotação ganha durante esses primeiros tempos como profissional, catapultada pela vitória no Estadual Paraense, faria com que outra atenção começasse a debruçar-se sobre o atleta.
Apresentando-se como um atacante rápido, com uma finta desconcertante e de olhos sempre postos na baliza adversária, Artur tanto podia posicionar-se nas alas, como no centro do sector ofensivo. Com essas características em mente, o empresário do jovem avançado decide enviar para o FC Porto uma cassete com as suas melhores jogadas. Apesar de agradados com o que viam, os responsáveis do emblema nortenho, aconselhados pelo treinador da altura, o também brasileiro Carlos Alberto Silva, acabariam por dar a primazia a outro atleta, Paulinho César “McLaren”. É então que a oferta é direccionada a outro emblema da “Invicta”. O Boavista pede para que o avançado venha a Portugal para alguns testes. Na primeira partida “à experiência”, disputada num particular frente aos “Dragões”, marca um golo e ajuda os “Axadrezados” a vencer o Torneio Internacional da Cidade do Porto. A exibição seria mais que suficiente para convencer os responsáveis do clube que, de imediato, contratariam o jogador.
A chegada ao Boavista na temporada de 1992/93 serviria para valorizar, ainda mais, o atacante. Com as “Panteras” a desafiar a hegemonia dos normais candidatos aos títulos, o avançado tornar-se-ia num dos protagonistas dessas contendas. A vitória na Supertaça de 1992/93, a participação nas competições europeias e o 3º lugar na lista dos Melhores Marcadores do Campeonato de 1994/95 vincariam essa admiração. Com a sua evolução, o primeiro emblema a endereçar um convite ao jogador seria o Benfica, à altura orientado por Paulo Autuori. No entanto, a falta de entedimento entre os dois clubes acabaria por desviá-lo para o FC Porto e, na campanha de 1996/97, o atacante entra nas “Antas”.
De “Azul e Branco”, o jogador acabaria por viver alguns dos melhores momentos da carreira. Numa partida para a Liga dos Campeões de 1996/97, frente ao todo-poderoso AC Milan, Artur marca um dos golos que, em San Siro, dariam a vitória ao FC Porto. Ainda no decorrer dessa temporada, a viagem a Lisboa para a 2ª mão da Supertaça, com mais um tento do atacante, resultaria num triunfo na competição – “(…) fomos jogar à Luz e demos cinco ao Benfica. Fiz um jogo quase perfeito e no final da partida recebi os parabéns de um homem muito especial, (…) do senhor Eusébio”*.
Já tido como um dos melhores a actuar no nosso Campeonato, Artur volta a receber novos convites. Quem volta à carga pela aquisição dos seus serviços é Paulo Autuori. Estando aos comandos do Flamengo, o treinador prometeria ao atleta que o seu regresso ao Brasil significaria também a entrada na selecção “Canarinha”. A transferência acabaria vetada. Todavia, a vontade do jogador em representar a sua pátria era enorme. Nesse sentido acabaria por recusar uma proposta para representar a equipa nacional de Portugal. Sempre com a estreia pelo “Escrete” em mente, seria já a meio da época de 1998/99 que o jogador voltaria ao seu país. Ingressaria no Vitória da Bahia, mas, apesar da qualidade das suas exibições, as internacionalizações nunca chegariam ao seu currículo.
Com o palmarés colorido pelas 2 campanhas e meia vividas no FC porto e pelas conquistas de mais 3 Campeonatos, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças, o regresso às competições brasileiras significaria mais algumas conquistas. O saldo acabaria por ser 2 “Estaduais” baianos e 1 Copa do Nordeste e, de volta ao Remo, mais uma vitória no “Estadual” paraense. Pelo meio ficariam as passagens pelo Botafogo e Figueirense.
Em 2004, Artur tomaria a decisão de pôr termo ao seu percurso como futebolista. Contudo, a sua paixão pela modalidade levá-lo-ia a encetar uma carreira como técnico. Tendo, desde 2007, estado à frente de diversos emblemas brasileiros, o antigo avançado já conta com 2 “estaduais” no seu palmarés. Ainda que tendo vencido o Campeonato do Acre pelo Rio Branco e Campeonato Paraense pelo Remo, um dos grandes objectivos nessa sua caminhada, como o próprio haveria de confessar, será o de treinar uma equipa em Portugal.

*adaptado da entrevista publicada em https://maisfutebol.iol.pt, conduzida por Pedro Jorge da Cunha a 13/12/2018

912 - FILIPE AZEVEDO

Filho de emigrantes em França, seria no Marseille que Filipe Azevedo faria quase toda a sua formação. Chegaria também a representar os sub-18 gauleses, mas, incontornavelmente, o seu destino profissional estava fadado a Portugal. Ainda seria promovido à equipa sénior, onde haveria de partilhar o balneário com Rui Barros e Paulo Futre. Depois rebentaria o escândalo de corrupção, envolvendo o Presidente Bernard Tapie. Na debandada daí resultante, e com a maioria dos atletas à procura de novos destinos, também ele acabaria por partir.
Apesar de ter um convite do Sporting, o atacante daria a sua preferência ao recém-promovido Felgueiras. Com receio de não conseguir conquistar um lugar no conjunto de Alvalade, a sua escolha acabaria por incidir no emblema de onde eram oriundos os seus pais. A estreia na 1ª divisão portuguesa, com Jorge Jesus como treinador e um jovem Sérgio Conceição como colega, aconteceria no decorrer da campanha de 1995/96. Contudo, a escolha feita pelo avançado no início dessa temporada, revelar-se-ia pouco acertada e, depois de uma 2ª volta desastrosa, o emblema duriense não conseguiria evitar a descida.
Após 2 anos a disputar a Divisão de Honra, sem nunca conseguir a tão almejada promoção, o regresso de Filipe Azevedo ao patamar máximo do nosso futebol dar-se-ia com a mudança de clube. Tendo deixado o Felgueiras para ingressar no Alverca, o atacante daria novo elã à sua carreira. Depois de 2 campanhas em que os seus golos mereceriam o devido destaque, é do Leste da Europa que surge novo desafio – “Perguntaram-me: queres ir jogar na Liga dos Campeões? E eu fui para lá atrás desse sonho. Íamos participar na pré-eliminatória, que na altura era só a uma mão, só que calhou-nos jogar em Istambul contra o Besiktas e acabámos por ser eliminados”*.
A admiração que Yuriy Semin, à altura o treinador do Lokomotiv de Moscovo, tinha pelo trabalho do avançado, faria com que o mesmo tivesse um lugar assegurado no “onze” do emblema russo. Sendo o primeiro português a jogar no “País dos Czares” muitos estariam à espera que o avançado tivesse alguns problemas de adaptação. Contudo, e depois de um início bastante auspicioso, aquilo que deixaria a sua experiência um pouco aquém do esperado seria uma grave lesão. Tendo fracturado o pé, Filipe Azevedo ver-se-ia afastado dos relvados durante grande parte da temporada. Depois, e vivendo longe daqueles que deveria ter mais próximo, viriam os problemas familiares. Ora, a conjunção desses dois factores, mesmo com os responsáveis dos “Zheleznodorozhniki” (Ferroviários) a pedir a sua continuidade, levá-lo-iam a voltar a Portugal. A meio da temporada de 2000/01, o atacante passaria a vestir as cores de um primodivisionário Campomaiorense. Esse regresso marcaria a entrada na segunda metade da sua carreira, fase que acabaria por caracterizar-se pela passagem por vários clubes e campeonatos.
França, Índia, Espanha e Chipre seriam os países que também acabariam por colorir o seu trajecto. Tendo passado maior parte do seu tempo, desde a saída do clube alentejano, a disputar os escalões secundários, ainda assim há que destacar alguns momentos do que restou no seu percurso como futebolista. O regresso à “Ligue 1”, com as cores do Sedan ou a experiência num exótico Mahindra Utd, transformar-se-iam em pontos de interesse na carreira do avançado.
Mesmo afastado dos maiores palcos do futebol, a sua caminhada prolongar-se-ia até aos 35 anos. Já depois de em 2010 ter “pendurado as chuteiras”, o antigo atleta tem procurado aprender outras realidades dentro da modalidade. Entre vários estágios feitos em França, cursos de treinador e uma experiência na Arábia Saudita como treinador-adjunto do Al-Qadisiya, foi na AD Camacha que aceitou um cargo como dirigente. Em 2017, com a criação da SAD do emblema madeirense, Filipe Azevedo seria escolhido para as funções de Director Desportivo.


*retirado da entrevista de Carlos Torres, publicada em www.sabado.pt, a 18.06.2017

873 - FAIZULIN


Surgiria na primeira equipa do CSKA de Moscovo em 1991 e, tendo crescido de forma exponencial, conseguiria tornar-se na estrela do conjunto russo. Para tal, como é lógico, muito contribuiriam as suas prestações no campeonato. Contudo, também é inegável que a noite que mudaria a sua carreira aconteceria na disputa das provas da UEFA.
É em Camp Nou que, em Novembro de 1992, o CSKA chega para discutir a 2ª mão da 2ª ronda de qualificação para a fase de grupos da “Champions”. Com o 1-1 da 1ª volta, poucos foram os que tiveram o atrevimento de apostar na passagem da formação moscovita. Ainda assim, o conjunto de Leste vinha apostado em contrariar todas probabilidades. A sua grande arma acabaria por ser um jovem atacante que, durante toda a partida, conseguiria surpreender o mundo do futebol. Faizulin, como o motor ofensivo, conseguiria alimentar a dinâmica da equipa. Mesmo sem concretizar qualquer golo, a sua exibição empurraria os colegas para a baliza dos “blaugrana” e, com duas assistências, ajudaria os russos a vencer por 3-2.
A partir desse jogo, muitos clubes começaram a acompanhar a evolução do jovem atleta. Mantendo-se como um dos elementos mais preponderantes do CSKA de Moscovo, a sua cotação continuaria a subir. Para essa ascensão muito contribuiria a sua chamada à principal selecção russa em 1993 ou, logo no ano seguinte, a participação no Euro S-21. Com o seu valor a crescer cada vez mais, quem arriscaria a contratação do avançado seria o Racing de Santander. É então que, em 1995/96, Faizulin chega à região da Cantábria. Todavia, a mudança para o Norte de Espanha tornar-se-ia numa desilusão. Apesar do rótulo de craque, a sua adaptação à “La Liga” seria bastante difícil. Mesmo sendo um jogador com uma técnica acima da média, com uma visão de jogo soberba e uma mobilidade tal que tornava penosa a sua marcação, o atleta não conseguiria conquistar um lugar na nova equipa.
Duas temporadas após a sua chegada a Espanha, Faizulin deixa o Racing de Santander. Começa então um périplo que, com o avançar dos anos, faria esquecer o brilhantismo dos seus primeiros tempos como profissional. Villarreal, na 2ª liga espanhola, Alverca e Farense no principal escalão português, não seriam mais do que discretas tentativas para tentar relançar a sua carreira. Após mais esses fracassos, o percurso do russo ensombrar-se-ia ainda mais. Turquia, os regressos à Rússia e um final de carreira passado em modestos emblemas espanhóis, dariam corpo a uma caminhada que ficaria marcada por alguma decepção e frustração por algo desperdiçado.
Já após ter “pendurado as chuteiras” em 2007, Faizulin começaria a trabalhar na sua carreira de treinador e de dirigente. Nessas funções, o antigo internacional russo já conta com passagens pela equipa técnica do Rubin Kazan, ou como director das “escolas” do Lokomotiv de Moscovo e dos arménios do Banants.

865 - HERIVELTO

Transferido do Flamengo ainda em idade júnior, os primeiros tempos de Herivelto no Marítimo seriam gastos entre os trabalhos da equipa principal e os escalões de formação do conjunto madeirense. Ainda antes de conseguir afirmar-se no plantel sénior, o atacante passaria também por um empréstimo ao Machico. Já depois de “rodar” na 2ª divisão “B”, o regresso aos Barreiros em 1997/98, mostraria um atleta com capacidade para ajudar os “Verde-Rubro”. Veloz, com boa técnica e um bom sentido posicional, o avançado conseguia-se posicionar-se no centro ou no lado direito do ataque. Seria nessas posições que o atleta, sem nunca conseguir afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis, passaria a evoluir nos anos seguintes.
Surpreendentemente, e numa altura em que o seu estatuto dentro da equipa poderia até evoluir, o jogador decide “mudar de ares”. No Verão de 1999, Herivelto aceita o convite de Mário Reis e ingressa na União de Leiria. Contudo, e ao contrário daquilo que o atleta estaria à espera, a mudança não correria de feição. Poucos meses após a sua chegada à "Cidade do Lis", o avançado é afastado da equipa. Volta ao Brasil e, sem conseguir novo contrato, ficaria afastado do futebol por algum tempo. Felizmente, o interregno duraria apenas até Março de 2000. Por essa altura vincula-se ao Vitória de Setúbal. Ainda assim, o regresso aos relvados acabaria por não ser o mais feliz. Com os “Sadinos” em posição difícil na tabela classificativa, a despromoção acabaria mesmo por acontecer e, mais uma vez, o avançado vêr-se-ia sem clube.
No seguimento da sua carreira, e já depois de ter vestido a camisola do Nacional da Madeira, Herivelto decide aventurar-se por “Terras de Sua Majestade”. No Walsall encontrar-se-ia com vários atletas bem conhecidos no futebol português. Ao lado de nomes como Marcelo, Jorge Leitão ou Carlos André, o jogador começaria por animar os adeptos do emblema britânico. A sua técnica, as prestações conseguidas nas primeiras rondas e, inclusive, alguns golos, haveriam de pô-lo nos corações dos “Saddlers”. O pior é que o atacante acabaria por não conseguir manter o mesmo nível exibicional durante o resto da temporada de 2001/02. Irregular, o avançado seria preterido em favor de outros colegas. Já com a campanha seguinte em andamento, o brasileiro, sem espaço na equipa, ver-se-ia na lista de transferíveis, acabando por aceitar a mudança para a Liga grega.
Na 1ª divisão helénica, na qual representaria o Ionikos, a sua passagem também não se prolongaria por muito tempo. Aliás, a partir dessa temporada de 2002/03 o seu percurso profissional tornar-se-ia um pouco errante.  Daí em diante, Herivelto mudaria de emblema praticamente todos os anos. Tendo regressado ao seu país natal, o avançado vestiria cerca de meia-dúzia de camisolas diferentes, numa carreira que terminaria em 2010.

849 - SOUSA

Sobrinho de António Sousa, antigo internacional português, e primo de Ricardo Sousa, José Sousa também encontraria no “jogo da bola” a sua paixão. Tal como os familiares, seria na Sanjoanense, emblema da sua terra natal, que o atleta daria os primeiros passos na modalidade. Mostrando-se bastante assertivo na maneira como abordava os lances, essa característica faria com que um dos “grandes” começasse a prestar mais atenção ao seu evoluir. É nesse sentido que, ainda em idade juvenil, o defesa acabaria por mudar-se para Lisboa, passando a vestir as cores do Benfica.
Relativamente à sua contratação por parte de “Águias”, não podemos ficar indiferente ao facto de que, por altura da sua chegada à “Luz”, o jogador já ter conseguido estrear-se com as cores da selecção nacional s-15. Pelo novo clube, tal como por Portugal, as suas exibições eram suficientes para que fosse possível aferir as suas boas qualidades. Sem ser um futebolista virtuoso ou com características físicas excepcionais, era no rigor táctico que Sousa tinha a sua maior força.
A sua estreia nos seniores do Alverca, à altura “satélite” do Benfica, viria sublinhar tudo aquilo que aqui já foi escrito sobre o jogador. A temporada que passaria a disputar a Divisão de Honra, faria com que os “Encarnados”, logo no ano a seguir à sua passagem pelo emblema ribatejano, o quisessem de volta ao plantel. Estreia-se na “Luz” na época de 1997/98 e, numa parceria com o extremo checo Karel Poborsky, ajuda a dinamizar a ala direita do clube “alfacinha”.
Com o Benfica a atravessar uma das mais conturbadas fases da sua história, os primeiros tempos de Sousa com a camisola encarnada seriam auspiciosos. Numa temporada em que passariam pelo banco diversos treinadores, o defesa conseguiria manter-se como um dos mais utilizados do plantel. O início da campanha seguinte, com o lateral a ser escolhido para jogar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, dava sinais igualmente positivos. Contudo, a continuação de Graeme Souness no comando técnico da equipa, e a contratação de inúmeros britânicos, fariam com que o jogador perdesse algum espaço.
Incompreensivelmente, o começo de nova época “devolveria” Sousa ao Alverca. Possivelmente afectado por tal decisão, o final da temporada de 1999/00 leva o jogador rubricar um contrato com o FC Porto. Todavia, a sua sorte na “Invicta” seria ainda pior do que a vivida em Lisboa e, sem nunca ter jogado qualquer partida oficial pelos “Dragões”, o lateral começa a ser emprestado a outros clubes. Nessa senda de cedências acabaria por vestir, de Norte a Sul do país, uma série de diferentes camisolas. Sempre a disputar a 1ª divisão, o atleta passaria por Sporting de Braga, Farense e Belenenses.
É com a passagem pelo Restelo, primeiro por empréstimo e depois a título definitivo, que viveria a melhor fase da sua carreira. Com os da “Cruz de Cristo”, pela regularidade apresentada, Sousa torna-se num dos jogadores do Campeonato Nacional a melhor actuar na sua posição. Depois, 5 anos após a chegada ao Belenenses, a primeira experiência no estrangeiro. Nos cipriotas do Olympiakos de Nicosia, o jogador entra em definitivo na derradeira fase do seu percurso como futebolista. O fim, tendo por essa altura representado Beira-Mar e Arouca, chegaria com o terminar da temporada de 2009/10.
Com saída dos relvados, Sousa daria os primeiros passos como treinador. Nessas funções passaria pelas camadas jovens do Belenenses e, em 2016/17, pela equipa principal do Vilafranquense. Em paralelo com as suas tarefas de técnico, o antigo jogador tem-se destacado como comentador televisivo, em especial no canal Sportv.

818 - ZÉ NANDO

Com o percurso formativo intimamente ligado ao FC Porto, é na temporada de 1985/86, numa altura que ainda era júnior, que o seu nome aparece na ficha de jogo da equipa principal. Apesar de, nessa 14ª jornada do Campeonato Nacional, ter estado sentado no banco de suplentes, a verdade é que Zé Nando nunca mais haveria de ter outra oportunidade de “Azul e Branco”.
Com diversas internacionalizações conseguidas nas jovens selecções nacionais, tendo, inclusive, participado na fase final do Campeonato Europeu S-16 de 1985, o jovem atleta seria incapaz de convencer os responsáveis dos “Dragões” a integrá-lo no plantel. Com as portas do Estádio das Antas fechadas, o esquerdino, que podia jogar na defesa ou mais avançado no campo, decide tentar a sua sorte com outras cores. Começa pelo Desportivo das Aves e, naquelas que foram as suas 4 primeiras temporadas, mantem-se a disputar os escalões secundários do nosso futebol. A 1ª divisão chega à sua carreira na temporada de 1991/92. Já depois de ter também envergado as cores de Famalicão, Varzim e Académico de Viseu, é pelo conjunto de Barcelos que Zé Nando enfrenta a mais importante competição nacional.
Sem nunca passar um longo período ao serviço do mesmo emblema, curiosidade que haveria de caracterizar a primeira metade do seu percurso profissional, a presença de Zé Nando no patamar máximo também não seria a mais constante. No entanto, a temporada de 1995/96 alteraria, pelo menos um desses paradigmas. Sem grande espaço num Felgueiras orientado por Jorge Jesus, o defesa opta por deixar o emblema do Vale do Sousa e passa a integrar o plantel da Académica de Coimbra.
A referida mudança levaria a que o atleta conseguisse, finalmente, manter-se num só emblema por mais tempo. De forma completamente contrária às épocas precedentes, o jogador fixa-se na “Cidade dos Estudantes” e aí permanece anos a fio. A sua devoção ao clube conimbricense seria de tal ordem que, ao cabo de algumas temporadas, passaria a ser visto como uma das referências do plantel. Ao serviço da “Briosa”, só na condição de atleta, Zé Nando participaria em 8 campanhas. Já em 2003, terminado o seu tempo de futebolista, inicia a sua caminhada como técnico. Nessas funções começa por orientar as camadas jovens, passando, alguns anos cumpridos, a colaborar com a equipa principal.
Apesar de algumas experiências como técnico-principal, caso da passagem pelo Tourizense em 2008/09 (à altura o “satélite” da Académica), uma boa parte da sua carreira tem sido feita como adjunto. Na selecção do Burkina Faso, auxiliando Paulo Duarte, o antigo jogador teria tarefa idêntica.  Outra excepção aconteceria aquando da sua ida para o Médio Oriente. No Catar ficaria à frente dos destinos do Al-Shahaniva, período esse que antecederia a sua vinda para Portugal. De regresso aos Campeonatos Nacionais, Zé Nando volta a juntar-se a Manuel Machado. Já depois de, na Académica, ter trabalhado com o referido treinador, este ano (2017/18) apresenta-se como um dos elementos que compõem a equipa técnica do Moreirense.

803 - NELO


Produto das escolas “axadrezadas”, Nelo, durante os primeiros anos como profissional, cumpriria o tão habitual périplo de empréstimos. Tendo, durante esse período, sido cedido a Felgueiras e, em por duas ocasiões diferentes, também ao Farense, a experiência ganha durante essas épocas iniciais permitiriam ao atleta conquistar o seu lugar no plantel do Boavista.
O seu regresso em definitivo aconteceria na temporada de 1990/91. À altura com 23 anos, o traquejo que já tinha, acrescido à chamada à selecção s-21, dar-lhe-ia a oportunidade de conseguir afirmar-se como um dos titulares. Preferencialmente pela esquerda, podendo actuar no meio-campo ou mais recuado, Nelo tornar-se-ia num dos homens mais importantes da manobra boavisteira. O seu sucesso seria de tal ordem que, poucos meses cumpridos após a sua reintegração no clube, da principal “equipa das quinas” receberia a primeira internacionalização. Nas Antas, numa partida frente à Holanda, o jogador passaria a fazer parte das contas do apuramento para o Euro 92. Todavia, e tendo participado noutras qualificações, ao atleta faltaria uma presença numa fase final de uma grande competição. Como que a compensar essa “falha”, destaque para a sua presença no Torneio Skydome de 1995, onde, na condição de “capitão”, ergueria o troféu organizado no Canadá.
Regressando ao Boavista, e numa altura em que o emblema sediado na cidade do Porto já estava a ser orientado por Manuel José, Nelo faria parte de um dos períodos áureos da história do clube. Batendo-se em todas as provas pelos lugares cimeiros, as “Panteras”, muito para além de afrontaram a hegemonia dos “3 grandes”, acabariam por vencer algumas competições. Tendo Nelo como um dos pilares dessas conquistas, o Boavista, sob a alçada do referido treinador, haveria de sair vitorioso numa Taça de Portugal (1991/92) e numa Supertaça (1992/93).
Claro está, também as competições europeias, resultado das boas classificações obtidas no Campeonato Nacional, fizeram parte do percurso de Nelo. Temporadas como a de 1993/94, na qual o Boavista conseguiria atingir os quartos-de-final da Taça UEFA, contribuiriam muito para exponenciar o seu valor. Neste sentido, nada teve de estranho o aparecimento de interessados na sua contratação. Quem acabaria por ganhar essa corrida, seria o Benfica. No entanto, a sua ida para a “Luz” acabaria por ser pouco positiva. Tendo a transferência ocorrido no início de uma fase conturbada para o clube lisboeta, a sua passagem pelas “Águias” não mostraria um jogador em posse de todas as suas capacidades. Provavelmente, e como o próprio viria a afirmar, alguns problemas familiares acabariam por prejudicar essa “aventura” – "Artur Jorge queria que continuássemos, mas a minha mulher não se adaptou a Lisboa, as minhas filhas choravam e a minha cabeça já não estava lá"*. No final, sobraria a experiência vivida na “Champions” de 1994/95, onde os “Encarnados” cairiam apenas aos pés do poderoso Milan.
O regresso ao Boavista acabaria por ficar marcado por dois acontecimentos de distinta importância. Primeiro, a vitória na Taça de Portugal de 1996/97. Já o segundo momento, logo a seguir à conquista da “Prova Rainha”, seria o fim da ligação com o clube. Com 30 anos de idade, ainda prosseguiria a sua actividade profissional na 1ª divisão. Contudo, e após esses 2 anos com o Rio Ave, o seu percurso conheceria uma realidade bem diferente da vivida até então e Nelo passaria a disputar os escalões inferiores do nosso futebol.
Tendo, durante essa derradeira fase do seu trajecto como futebolista, representado diversos emblemas, o jogador estenderia a sua carreira ainda durante vários anos. Com os 40 bem à vista, e ao serviço do Tirsense, Nelo decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”. Desde a sua retirada dos relvados, o antigo internacional luso tem tido diversas experiências como treinador. Nessa nova caminhada, destaque para o seu trabalho no Boavista, onde é um dos responsáveis pelo trabalho com os craques das camadas jovens.

*retirado do artigo de Rui Frias, publicado em http://www.dn.pt, a 20/03/2016

784 - MICKEY


Já depois de passar pelas “escolas” de diversos emblemas da Beira Litoral, é já na Académica de Coimbra que termina o seu percurso formativo. Rui Miguel Alegre do Nascimento Lopes, que ficaria conhecido no mundo do futebol por Mickey, acabaria por encontrar no emblema da “Cidade dos Estudantes” um meio propício a lançar-se na referida modalidade. Ainda assim, e já depois de, na temporada de 1990/91, ter conseguido estrear-se na categoria principal, a falta de oportunidades daria jus a um pequeno périplo de empréstimos.
A cedência ao Mirandense (1991/92) e, no ano seguinte, à Naval 1º de Maio (1992/93), abrir-lhe-iam as portas do regresso a Coimbra. De volta à “casa mãe”, a sua ascensão ao “onze” inicial não seria imediata e o médio-ofensivo ainda teria de penar um pouco mais. Esse estatuto, o de titular, consegui-lo-ia apenas em 1994/95. Sendo um jogador que primava pela excelente leitura de jogo, e tendo uma técnica de passe acima da média, Mickey começaria a cimentar-se como o “playmaker” do grupo.
A importância que, no decorrer das temporadas seguintes, conseguiria granjear, serviria para sublinhar as suas excelsas qualidades. Todavia, não era só dentro de campo que o centrocampista personificava o espírito da “Briosa”. Também fora dele, mormente no desenrolar da sua vida académica, Mickey era um bom exemplo. Como estudante-atleta, o futebolista serviria para preservar uma das tradições mais vincada na história da instituição conimbricense.
Já numa altura em que o seu lugar na equipa inicial era inquestionável, Mickey, finalmente, consegue disputar a mais importante competição em Portugal. Infelizmente para o jogador, e uma injustiça para a consistência que sempre mostrou dentro de campo, o seu percurso no nosso maior patamar não atingiria a duração que este merecia. Com os “Estudantes”, o médio estaria 2 temporadas na 1ª divisão (1997 a 1999). Já sua saída do clube coincidiria com a despromoção do grupo e com a necessidade de reduzir o orçamento da equipa – ”É doloroso sair da Académica, sinto alguma mágoa porque estou muito ligado a esta casa (…). Sei que ainda tenho muito a dar ao futebol e chegou a hora de pensar também em mim (…). “As negociações com o Campomaiorense estão muito bem encaminhadas, o que me permitirá continuar a jogar na I Divisão (…). A possibilidade de ir para Espanha continua de pé”*.
A sua escolha recairia no emblema da raia alentejana. Incrivelmente, a partir dessa mudança de clube, a sua carreira, e de uma forma repentina, encurtar-se-ia. Depois de uma época ao serviço do Campomaiorense, Mickey assina pelo Sporting de Espinho e mergulha nos escalões inferiores. Maior tornar-se-ia a surpresa quando, sem ainda ter chegado aos 30 anos de idade, decide pôr um ponto final no seu percurso profissional. Depois dessa temporada com os “Tigres da Costa Verde”, e numa decisão que, aos olhos de um normal adepto, parece sempre prematura, o atleta afastar-se-ia dos “campos da bola”.

 
*adaptado de artigo publicado no jornal “Record”, a 02/07/99

740 - ROY KEANE

Apesar de hoje reconhecermos o valor da sua carreira, a verdade é que o início da mesma seria tudo menos fácil. Com uma constituição física pouco impressionante, Roy Keane, ainda durante a adolescência, haveria de ser recusado pelos mais diversos treinadores. Chumbado nos testes para os “schoolboys” irlandeses, o passo seguinte seria tentar ser aceite por um clube em Inglaterra. Nessas tentativas, o tal entrave físico, mais uma vez, haveria de barrar aquele que era o seu grande sonho. Todavia, e como haveria de demonstrar nos anos vindouros, a sua tenacidade impedi-lo-ia de desistir.
Ao contrário do que é possível entender pelo parágrafo anterior, as tentativas de embicar a sua vida futebolística para um patamar profissional, nunca impediram Roy Keane de praticar a modalidade que tanto o apaixonava. Parte integrante das camadas jovens do Rockmount, o jovem jogador, curiosamente, até era tido como um dos grandes craques da equipa. No entanto, e ao invés de outros que acabariam por conquistar as suas oportunidades, o médio, na hora de mostrar o seu real valor, acabava sempre por claudicar.
Esta sina acabaria por mudar aquando do convite dos responsáveis do Cobh Ramblers. O emblema da zona de Cork, ainda que semi-profissional, tornar-se-ia na rampa de lançamento para um percurso memorável. Rapidamente, as suas exibições começariam a chamar a atenção de outros clubes. É na sequência desta evolução que, por convite de um dos “olheiros” do Nottingham Forest, Roy keane acaba a treinar-se às ordens de Brian Clough. Tendo agradado, o destino do médio acabaria por ser apontado, em primeiro lugar, à equipa dos s-21. Depois chegaria a oportunidade nas “reservas”, para, finalmente, conquistar um lugar no plantel principal.
A estreia na primeira equipa do Nottingham Forest ocorreria logo no ano da sua chegada. A temporada de 1990/91, muito mais do que proporcionar ao jogador algumas oportunidades, acabaria por revelá-lo com um elemento de enorme preponderância. Brian Clough, rendido às capacidades do “trinco”, acabaria por afiançar-lhe a titularidade. Não tendo decepcionado, Roy Keane, ao longo dessa época, conseguiria manter esse estatuto. Já com o ano desportivo quase a terminar, e a testemunhar todo o seu crescimento, é então que surge a primeira chamada à principal selecção irlandesa. Depois desse “amigável” frente ao Chile, o seu caminho fica traçado e o sucesso começa a avistar-se.
Muito mais do que qualquer outra camisola por si envergada, aquela que mais sublinharia as suas excelsas qualidades seria, sem sombra de dúvida, a do Manchester United. Após, nas 3 campanhas realizadas pelo emblema de Nottingham, ter convencido Alex Ferguson, o “internacional” irlandês mudar-se-ia para Old Trafford. Aí, e como parte influente num dos melhores períodos da história do emblema, Roy Keane transformar-se-ia num atleta de classe mundial.
Nem só os títulos fariam de Roy Keane um dos elementos de maior importância no percurso dos “Red Devils”. A sua entrega, incontestável, faria dele um exemplo para os demais colegas. Já como capitão de equipa, a motivação que mostrava em campo era a mesma que exigia dos outros elementos do plantel. É verdade que essa sua atitude, nem sempre trouxe os melhores resultados. Algum exagero na postura, talvez empolada pela visibilidade que o clube ainda hoje merece, acabaria por denegrir um pouco a sua imagem. Apesar de adorado pelos adeptos e de merecer a confiança do corpo técnico, foram comuns as suas altercações com colegas e adversários. Já numa fase mais adiantada da sua carreira, quando as mazelas físicas e o avançar da idade começaram a impedir o jogador de atingir as metas de outrora, essa faceta quezilenta tornar-se-ia ainda mais evidente. Como Alex Ferguson recordaria – “A energia que o Roy despendia nos jogos era verdadeiramente excepcional, mas quando tu entras nos teus trintas é difícil de compreenderes onde estás a errar (…). Ficou claro para nós que já não estávamos a lidar com o mesmo Roy Keane. (…) Tentámos alterar o seu papel, desencorajando-o de carregar pelo campo fora e de fazer tantas corridas para a frente (…). Acho que ele conseguia ver a verdade naquilo que lhe dizíamos, mas render-se a isso era uma grande afronta ao seu brio”*.
A sua relação com os colegas e responsáveis técnicos denegrir-se-ia até ao ponto de ruptura. Constantes discussões, exigências e posturas caprichosas atingiriam o seu ponto mais alto com uma polémica entrevista ao canal televisivo do clube. Na conversa com os jornalistas, Roy Keane criticaria tudo e todos. A sua intervenção seria tida como uma afronta imperdoável e, a meio dessa temporada de 2005-06, acabaria por levar à sua transferência para o Celtic.
Com o Manchester United, Roy Keane venceria 7 “Premier Leagues”, 4 “F.A. Cups”, 4 “Community Shields”, 1 Taça Intercontinental e 1 “Champions”. Já a mudança para a Escócia marcaria o fim da sua carreira. Em Glasgow, longe das exibições que o haviam delineado como um grande atleta, passaria os últimos meses daquela que seria a sua derradeira época como futebolista. Ajudaria a conquistar a “dobradinha” e, na transição para a temporada seguinte, passaria a assumir novas funções no futebol. Tendo começado como treinador principal, o antigo jogador tomaria as rédeas do Sunderland. Alguns anos mais tarde, acabaria também por passar pelo comando do Ipswich. Contudo, e ao que consta, o seu feitio eruptivo tem-no impedido de melhores resultados. Ainda assim, e após um interregno, durante o qual trabalharia como comentador televisivo, a Federação irlandesa endereçaria um convite a Roy Keane. Como adjunto, o antigo jogador tem continuado a dar o seu contributo no futebol. Como curiosidade, temos ainda a sua passagem pelo corpo técnico do Aston Villa, em simultâneo com o compromisso arcado com a selecção do seu país.


*adaptado do livro “Alex Ferguson, my autobiography”, por Sir Alex Ferguson