Mostrar mensagens com a etiqueta Futebol Acção e Movimento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Futebol Acção e Movimento. Mostrar todas as mensagens

1449 - BALTEMAR BRITO

Com os primeiros anos como sénior passados ao serviço do Sport Recife, seria a transferência para o Santa Cruz que, na temporada de estreia pelo novo clube, levaria Baltemar Brito a juntar ao palmarés pessoal a conquista Da edição de 1973 do Campeonato Estadual de Pernambuco.
Apreciado como um defesa-central fisicamente possante e deveras intrépido, os desempenhos do jogador, após mais uma época ao serviço do Santa Cruz, levá-lo-ia a ser cobiçado por emblemas portugueses. No entanto, apesar de bem cotado, a verdade é que a temporada de 1974/75 e a chegada ao Vitória Sport Clube seriam bem diferentes das expectativas criadas inicialmente. Na cidade de Guimarães, numa equipa orientada por Mário Wilson, Baltemar Brito não conseguiria convencer o referido treinador a dar-lhe grandes oportunidades. Sem qualquer partida oficial disputada, seguir-se-iam os escalões secundários e o Paços de Ferreira. Porém, mesmo afastado dos principais escaparates, as 2 campanhas na “Capital do Móvel”, fariam emergir as qualidades do atleta que, com nova mudança de emblema, conseguiria a almejada estreia em desafios da 1ª divisão.
A passagem pelo plantel de 1977/78 do Feirense introduziria Baltemar Brito ao contexto competitivo daquela que é a prova de maior valor no calendário competitivo português. Contudo, para azar do jogador, os desempenhos colectivos dos “Fogaceiros” não permitiriam a sua consolidação no patamar maior do futebol luso. Tal cenário viria apenas a concretizar-se alguns anos depois e com um regresso, pelo meio, ao Paços de Ferreira. Já como elemento do grupo de trabalho do Rio Ave, após a entrada no emblema de Vila do Conde na campanha de 1980/81, a segunda temporada de “Caravela” ao peito levá-lo-ia a cimentar-se como um praticante de cariz primodivisionário. Nessa época de 1981/82, na alçada de Mourinho Félix, o atleta ajudaria os vilacondenses a superar os objectivos inicialmente traçados e a atingir a melhor posição de sempre no Campeonato Nacional, o 5º posto da tabela classificativa.
A suceder à temporada de 1982/83, passada ao serviço do Vitória Futebol Clube, o defesa-central regressaria a Vila do Conde e para participar em outro momento histórico para a agremiação nortenha. Ainda a trabalhar sob a batuta de Mourinho Félix, o Rio Ave encetaria uma brilhante caminhada na edição de 1983/84 da Taça de Portugal, a qual apenas terminaria no Estádio Nacional. Na derradeira ronda da apelidada “Prova Rainha”, Baltemar Brito, dando jus à sua importância para o colectivo, seria chamado à titularidade. Infelizmente para os “Rioavistas”, a sorte sorriria ao adversário e, com o “placard” final a assinalar 4-1, seria o FC Porto a sair do Jamor em posse do almejado troféu.
A escrever os últimos capítulos da carreira enquanto futebolista, Baltemar Brito, a partir da temporada de 1985/86, ainda envergaria a camisola do Varzim. Mesmo tendo em conta a veterania, a verdade é que o defesa, tal como até ali vinha a fazer, conseguiria manter-se como uma figura primordial no idealizar das manigâncias tácticas. Nos 3 anos a trabalhar com os “Lobos-do-mar”, o jogador manter-se-ia como um dos elementos a merecer maior destaque e concluiria a sua caminhada competitiva, no que ao trajecto feito em Portugal diz respeito, com um somatório de 8 campanhas cumpridas entre os “grandes”.
Depois de “penduradas as chuteiras”, Baltermar Brito passaria a dedicar-se às tarefas de treinador. Encetaria esse trajecto por colectividades de menor monta. Todavia, em 2001/02 receberia o convite que voltaria pô-lo nas “luzes da ribalta”. Como adjunto de José Mourinho, com quem chegou a partilhar o balneário nos tempos do Rio Ave, o antigo defesa trabalharia em equipas como a União de Leiria, o FC Porto e o Chelsea, tendo ajudado o “Special One” a vencer diversos troféus, como a Taça UEFA, a “Champions” ou a Premier League. Já ao assumir-se como técnico-principal, os maiores destaques iriam para as suas passagens por agremiações da Líbia, Emirados Árabes Unidos, Brasil, Luxemburgo ou como seleccionador do Zimbabué.

1255 - MURÇA

Mano mais novo do defesa internacional Alfredo Murça, Joaquim, para além de partilhar o sector posicional com o irmão, haveria também de dar os primeiros passos no Grupo Desportivo dos Pescadores da Costa da Caparica.
No emblema do Concelho de Almada, o jovem lateral, depois de terminada a formação, subiria aos seniores. Como um elemento dotado de boa técnica, velocidade e igualmente aguerrido, as suas qualidades permitir-lhe-iam, com idêntica competência, participar nas acções defensivas e ofensivas. Terão sido esses predicados que levariam os responsáveis do Barreirense a ver nele um bom elemento. Contratado para reforçar o plantel de 1976/77, nem mesmo a disputar o 2º escalão, Murça conseguiria esconder-se de emblemas de maior monta. Nesse sentido, no final da temporada de entrada no Estádio D. Manuel de Mello, avaliadas em alta as suas prestações, seria o Sporting a requisitar os serviços do defesa.
A passagem por Alvalade, apesar das boas expectativas, resultaria num ingrato ocaso. Sem grandes oportunidades conquistadas durante as 2 temporadas de “verde e branco”, a solução encontrada para a sua carreira acabaria por ser a saída. Todavia, a dispensa, ao contrário de negativa, empurraria o atleta para a melhor fase da caminhada profissional. Depois de, pelo Sporting ter ajudado a vencer a Taça de Portugal de 1977/78, as distinções alcançadas no Sul do país elevá-lo-iam para um patamar superior.
Como membro do Portimonense a partir da campanha de 1979/80, Joaquim Murça cruzar-se-ia com Artur Jorge. Ao ser um dos habituais titulares da equipa, a entrada do referido treinador à 11ª jornada do Campeonato Nacional de 1981/82, perpetraria uma mudança no posicionamento do jogador. Aferindo-o como um praticante capaz de desempenhar outras funções, o defesa-lateral passaria a jogar mais adiantado no terreno. Como médio-ala, as suas exibições cresceriam em qualidade. Esse acréscimo de rendimento levá-lo-ia a ser equacionado para as futuras pelejas da selecção nacional. Com a principal “camisola das quinas”, estrear-se-ia pela mão de Juca, a 05 de Maio de 1982. Depois desse “amigável” frente ao Brasil, seguir-se-iam no seu trajecto mais 1 internacionalização “A” e 4 partidas com as cores do conjunto olímpico.
Depois de terminada a experiência no Algarve, seguir-se-ia a passagem de uma temporada pelo Vitória Sport Clube. Em Guimarães, ao partilhar o balneário de 1983/84,encontrar-se-ia com o seu irmão Alfredo. Outro dos destaques dessa campanha acabaria por ser a sua participação, como estreante nas provas europeias, na Taça UEFA. Contudo, apesar de utilizado com boa frequência, a verdade é que, finda a temporada, Murça transferir-se-ia para o Belenenses.
No regresso a Lisboa, o atleta encontrar-se-ia com Jimmy Melia. Com o técnico inglês a escaloná-lo, preferencialmente, para o sector mais recuado, o jogador continuaria a manter-se relevante no desenho táctico do conjunto do Restelo. Tido pelos treinadores seguintes como um elemento igualmente preponderante, a maior prova dessa importância emergiria com a chegada dos “Azuis” ao derradeiro desafio da edição de 1985/86 da Taça de Portugal. Na final frente ao Benfica, seria chamado pelo belga Henri Depireux ao “onze” inicial. Contudo, a alegria de participar em tão importante jogo seria diluída pelo 2-0 final, a indicar a vitória das “Águias”.
Às 4 temporadas com a “Cruz de Cristo” ao peito, já nos patamares inferiores, suceder-se-iam a época no Gil Vicente o derradeiro capítulo enquanto jogador, com a camisola de 1989/90 do Loures. Porém, o “pendurar das chuteiras” não significaria o afastamento da modalidade. Como técnico, destaque para o seu regresso ao Belenenses no começo da década de 1990 e para o trabalho realizado como treinador de guarda-redes.

1004 - CEPEDA

Com o percurso formativo a terminar no Dramático, bastaria uma temporada na equipa sénior, que militava apenas nos “regionais” de Lisboa, para que o Barreirense reparasse nas suas qualidades como jogador. A transferência, que levaria o jovem extremo de Cascais para a Margem Sul do Rio Tejo, acabaria também por catapultá-lo para a 1ª divisão. Na equipa comandada pelo mítico Manuel de Oliveira, Cepeda, progressivamente, começaria a ganhar algum espaço. Estrear-se-ia no “derby” frente à CUF, mas, na viragem para a 2ª metade da campanha de 1969/70, uma grave lesão iria comprometer o resto da sua temporada.
Como resultado de tal revés, Cepeda aceitaria dar continuidade à sua caminhada no Estoril Praia. No emblema da sua terra natal, no que poderia ter sido visto como um passo atrás, o atacante acabaria por construir as bases de uma evolução sustentada. Com a colectividade a disputar a 3ª divisão, o jogador, no seio de um plantel maioritariamente amador, tornar-se-ia numa das figuras mais cotadas. Já sob a alçada de Jimmy Hagan, a temporada de 1973/74 serviria para lançar o regresso do emblema “canarinho” ao patamar máximo do futebol português. Sendo uma das principais peças da referida demanda, o extremo-esquerdo ajudaria o conjunto a uma notável senda de boas exibições. Com duas subidas em dois anos consecutivos, os da Linha de Cascais conseguiriam concretizar o sonho de voltar a competir entre os “grandes”. Quem também aproveitaria a oportunidade seria Cepeda, que, ao mais alto nível, transformar-se-ia num intérprete de referência.
Após 3 anos a disputar a 1ª divisão, Cepeda seria convidado a mudar-se para o Belenenses. Aproveitando a presença de António Medeiros no comando técnico dos “Azuis”, o extremo aceitaria o desafio. Com o referido treinador, que também tinha orientado o atleta nos “Canarinhos”, o avançado acabaria por viver um dos momentos mais caricatos da sua carreira – “No encontro da primeira volta, que os azuis venceram por 2-1, o treinador, que tinha saído do Estoril para o Belenenses, considerou que os balneários da Amoreira não tinham condições. Daí que tenha mandado os jogadores equiparem-se todos no autocarro e, no fim, levou a equipa a tomar banho no Restelo”*. Nova provocação, dessa feita protagonizada pelo Presidente do Estoril Praia, chegaria com a 2ª metade do Campeonato. Jorge Dias entregaria a Cepeda uma boca de chuveiro, com o recado que a peça deveria ser oferecida ao seu treinador.
Entre 1978 e 1982, 4 seriam as temporadas vividas com a “Cruz de Cristo” ao peito. A sua passagem pelo Belenenses alimentaria, ainda mais, o seu estatuto de cariz primodivisionário. Mesmo a jogar pouco durante a última campanha, o que já tinha alcançado nos anos anteriores seria suficiente para inscrever o seu nome na história do clube. Com o fim da carreira já bem próximo, ter-lhe-á faltado, por certo, duas coisas. A primeira, e ao “pendurar aos chuteiras” ao serviço do Pêro Pinheiro, ter terminado o percurso desportivo num dos dois emblemas mais marcantes da sua caminhada profissional. A outra seria a falta de oportunidade para vestir, fosse em que patamar fosse, a “camisola das quinas”.

*retirado de artigo publicado em www.record.pt, a 12/03/2015

978 - SIMÕES

Apesar da curta passagem pelo Sporting, o percurso formativo de Simões dever-se-ia às “escolas” da Académica de Coimbra. Na temporada de 1969/70 é promovido à equipa principal, mas a presença de atletas com mais experiência, tais como Rui Rodrigues ou Carlos Alhinho, empurrariam o jovem defesa para um segundo plano.
Mesmo não conseguindo assegurar um lugar como titular, as qualidades que exibia seriam suficientes para que os treinadores responsáveis pela equipa quisessem mantê-lo no grupo de trabalho. Juca, técnico que o tinha promovido dos juniores, seria o mesmo que, já na campanha de 1971/72, começaria a chamá-lo ao “onze” inicial. Com a troca de treinadores e a entrada de Fernando Vaz, Simões não teria problemas em manter a sua importância no seio do plantel. Aliás, e após uma descida de divisão, o defesa central seria um dos esteios na campanha de promoção ao escalão máximo português.
O regresso à 1ª divisão serviria para consagrar Simões como um dos melhores a actuar na sua posição. O bom desempenho conseguido nessa temporada de 1973/74, seria o móbil para que emblemas de outra monta começassem a cobiçá-lo. FC Porto, que atravessava um longo jejum no Campeonato perfilar-se-ia como o melhor candidato à sua contratação e no começo da época seguinte já o atleta vestia de “azul e branco”.
No FC Porto, apesar de um arranque um pouco “envergonhado”, Simões estrear-se-ia logo em Setembro de 1974. Depois de pela Académica já ter participado nas competições europeias, seria a Taça UEFA e o Wolverhampton Wanderers a apadrinhar os seus primeiros passos de “Dragão” ao peito. Porém, muito mais que a participação nas provas continentais, a sua entrada na nova equipa seria sinónimo de troféus. Com os “Portistas” há 19 anos sem vencer o Campeonato, os triunfos ganhos em 1978 e em 1979 serviriam para colorir o seu palmarés. Como aperitivo a essa dupla vitória, a Taça de Portugal de 1976/77 também acabaria nos escaparates do clube. Para terminar, a conquista da edição de 1981/82 da Supertaça Cândido de Oliveira e a certeza que a passagem pela “Cidade Invicta” acabaria por ser o período mais importante do seu percurso profissional.
As nove épocas passadas no FC Porto não resultariam apenas em troféus. Seria também durante essa altura que Simões encetaria trabalhos na principal selecção “lusa”. O defesa, que já tinha amealhado algumas chamadas aos sub-18 nacionais, estrear-se-ia, pela mão de Mário Wilson, com a mais importante “camisola das quinas”. Após essa partida frente à Noruega, conseguiria mais 12 internacionalizações “A”. Seria entre Novembro de 1979 e Dezembro de 1981, cruzando duas fases de qualificação, que o atleta viveria o seu trajecto com as cores seniores de Portugal.
O derradeiro capítulo da sua carreira, numa história de 20 anos como sénior, vivê-lo-ia entre o Portimonense e a Académica. No Algarve, ao lado de Vital, Barão, Skoda, Cadorin, Nivaldo ou Freire, faria parte da mítica equipa que, na temporada de 1985/86 disputaria a Taça UEFA. No regresso à sua Coimbra natal, ainda viveria mais uma descida do clube. Na época seguinte acompanharia a “Briosa” no escalão secundário para, no final dessa campanha de 1988/89, pôr um ponto final na vida de futebolista.
Após deixar os relvados Simões continuaria ligado ao futebol. Como treinador faria a sua carreira pelos escalões secundários. Destaque pela sua passagem por alguns históricos do futebol nacional, casos de Académico de Viseu, Tirsense ou Campomaiorense.

533 - BARÃO

Com os amigos do Prior Velho, zona na periferia da cidade de Lisboa, Francisco Barão começa a jogar à bola. Sobre a égide de "Os Guadianas" e treinado pelo seu pai, é numa dessas partidas que acaba por ser descoberto pelos "olheiros" do Sporting. Entra para as camadas jovens do clube de Alvalade e ainda com a idade de júnior, faz a sua estreia pela equipa principal.
É esse jogo da Taça de Portugal (1975/76), frente ao Sesimbra, que acaba por marcar o início de um percurso inesquecível de "Leão" ao peito. Contudo, e apesar de todos os adeptos o recordarem como um bom jogador, a sua vida no Sporting vestir-se-ia de alguma irregularidade. Alternando algumas temporadas de muita utilização, com outras em que parecia vetado ao esquecimento, ainda assim, Barão era um elemento importante dentro do plantel. Uma das características que lhe assegurava esse estatuto, para além da forma incansável como disputava cada lance, era a sua polivalência. Tanto no meio campo, onde começou a ser mais utilizado, como nas laterias da defesa, posições onde se consagraria, Barão era, como já o mencionei, um símbolo de combatividade. Essa sua grande arma acabaria por ser uma mais-valia para o Sporting, entre os finais dos anos 70 e o começo dos anos 80. 2 Campeonatos Nacionais (1979/80; 1981/82), 2 Taças de Portugal (1977/78; 1981/82) e 1 Supertaça (1982/83) seriam o saldo, no que a títulos diz respeito, da ligação de Barão com emblema leonino.
Apesar da sua, aqui referida, inconstante utilização, o começo da época de 1983/84, não deixaria de trazer uma pequena surpresa, quando o defesa decide trocar de clube - "Com a entrada do Manuel José como treinador, no Portimonense foi elaborada uma lista de jogadores como possíveis reforços, dessa lista constava o meu nome. Após várias reuniões chegámos a acordo"*. No Algarve encontrar-se-ia com atletas como Cadorin, Vítor Damas, Skoda, Simões, Coelho, Rui Águas, entre outros. Ora, num grupo tão forte, onde pontuavam tantos internacionais, o triunfo da equipa era algo inevitável. Esse mesmo sucesso acabaria por ser conquistado na temporada de 1984/85, quando o Portimonense, depois de atingir o 5º lugar na tabela classificativa, consegue a qualificação para as provas organizadas pela UEFA. Ironicamente, e se para a equipa tudo corria de feição, para o jogador, principalmente no plano físico, algo havia de assombrar este êxito. Uma grave lesão nos ligamentos e, depois de esta estar sanada, uma outra a nível do menisco, haveriam de o manter afastado dos relvados, nessa mesma temporada de 1984/85, por mais de um ano.
Recuperaria ainda a tempo de, na época seguinte, disputar as duas partidas da eliminatória frente ao Partizan de Belgrado. No entanto, as marcas deixadas por este episódio, fariam com que o atleta, no Verão de 1988, e com apenas 31 anos, acabasse por "pendurar as chuteiras".
Seguiu-se, ainda no Portimonense, a passagem para a vida de treinador. Hoje em dia, já com uma longa carreira na função, feita, essencialmente, de passagens por equipas dos escalões secundários, tem no trabalho o seu maior valor. Apesar de apresentar um trajecto discreto, o reconhecimento como técnico acabaria por no ano passado (2013/14), garantir o regresso ao seu clube de sempre - "Voltar ao Sporting era algo que há muito estava no meu pensamento, pois o meu coração é verde"**. Foi também pela porta dos "bb" leoninos que Barão, já esta temporada, acabaria por se assumir como o timoneiro principal da dita equipa. Contudo, e apesar da inegável paixão com que se entregou à tarefa, o atribulado começo do Campeonato, valeu-lhe nova "despromoção", ocupando, mais uma vez, as funções de adjunto.


* retirado da entrevista ao "Blog do Portimonense" (http://blogdoportimonense.blogspot.com/)
** retirado do "Jornal do Sporting"; a 31/10/2013

489 - FERNANDO SANTOS

Terminada a formação no Benfica, Fernando Santos tem uma primeira experiência como sénior nas "Reservas" da "Luz". O pior é que na equipa principal, para a posição que maior parte das vezes ocupava em campo, a de central, estavam nomes como os de Humberto Coelho ou Rui Rodrigues. Sem espaço nas "Águias", Fernando Santos acaba por rumar ao Estoril, convidado por Jimmy Hagan, entretanto afastado do comando técnico dos "Encarnados".
É verdade que para quem vem de um dos ditos "Grandes", ir parar à Terceira Divisão pode não ser muito animador. No entanto, o convite feito pelos "Canarinhos", nesse ano de 1973, acabaria por ser muito vantajoso para Fernando Santos. Admirados?!!! A razão é simples! É que por essa altura, o atleta também era um afincado estudante de Engenharia Electrónica e Telecomunicações e o facto de os treinos serem à noite permitiu-lhe conciliar (e terminar) o curso, sem ter que abandonar o futebol.
Dois anos após o começo desta nova aventura, já Fernando Santos se mostrava na Primeira Divisão. Mas se dentro de campo, apesar da sua maior propensão para defesa, vogava por quase todas as posições, já no que diz respeito ao emblema envergado, era fiel ao Estoril. Foram 6 temporadas com os da "Linha", até que, para a temporada de 1979/80, surge o convite do Marítimo - "Foi uma opção profissional. Tinha de ir à procura de melhores condições financeiras. Na altura pensava que ia fazer uma carreira no Marítimo. No ano seguinte decidi voltar"*.
O regresso ao continente é precedido de uma série de convite de outros clubes do escalão maior, como o Belenenses e o Vitória de Guimarães. Contudo, a preferência do defesa acabaria por recair no Estoril (entretanto na Segunda Divisão), até porque seria daí que as suas exigências seriam atendidas. Quais? A de conseguir trabalhar como Engenheiro, ao mesmo tempo que continuava na prática futebolística!
Com emprego, arranjado pelo clube, no Hotel Palácio, Fernando Santos treinava à noite. Continuou assim durante mais uns anos, até que um dia, convidado por Fidalgo, assumiria as funções de adjunto, tornando-se num caso raro no futebol do Séc. XX, o "jogador-trabalhador-treinador"!!!!
Foi após terminar a carreira como jogador que Fernando Santos decide enveredar pela de técnico principal. Começa, como não poderia deixar de ser, por pegar no leme do Estoril. A etapa que se seguiu, 7 anos após esse início, leva-o ao Estrela da Amadora. Na Reboleira o seu trabalho começa a ser reconhecido entre a classe de treinadores, maioritariamente por conseguir as melhores classificações da história do clube. Tal notoriedade leva Jorge Nuno Pinto da Costa a deslocar-se pessoalmente a sua casa. A razão?! Simples! O convite para a recta da final daquilo que ficaria conhecido como os "Anos do Penta".
Depois de conquistar esse 5º, e consecutivo, título nacional para o FC Porto, Fernando Santos ainda permanece mais dois anos com os "Dragões". Não consegue repetir o Campeonato, mas vence 2 Taças de Portugal e 2 Supertaças.
Com a reputação em alta, "O Engenheiro do Penta", epíteto pelo qual ficou conhecido após a sua aventura pela "Invicta", enceta uma nova fase da sua vida, que o leva a alternar a morada entre a Grécia e Portugal. Durante esses anos (começou em 2001 e, por agora, ainda se mantem) Fernando Santos treinou os principais emblemas dos dois países referidos. Por cá, passou pelo Sporting e pelo Benfica, tornando-se no primeiro treinador português a comandar todos os três "Grandes". Já no "país da democracia" veria o seu estatuto equiparado ao de uma qualquer estrela.... é que, para além de vencer por 4 vezes o título de treinador do ano, foi considerado o Melhor Treinador da 1ª década do Séc. XXI.
Agora, e desde 2010 quando assumiu funções, Fernando Santos é o seleccionador da equipa nacional helénica. No Euro 2012 conseguiu chegar aos 1/4 de final e neste Mundial, o de 2014, apesar de já ter sido eliminado pela Costa Rica nos "oitavos", conseguiu a proeza de, pela primeira vez na história dos gregos, conseguir passar da fase de grupos.



* da entrevista a Rui Miguel Tovar, Jornal i

343 - DIAMANTINO

Apesar de recordarmos o jogador, em maior parte do seu tempo como profissional, a jogar na ala direita do ataque, Diamantino, sem qualquer sombra de dúvida, era intérprete para qualquer posição do meio-campo para a frente. Prova disso, temos a época que antecedeu a sua presença no Euro 84 em França, na qual, ao jogar como avançado-centro, concretizou 19 golos, quedando-se, atrás de Nené e de Gomes, na terceira posição da lista dos Melhores Marcadores desse Campeonato.
Ora, pelas razões já expostas, do atacante podemos dizer que o seu talento era bem acima da média. Terá sido essa constatação que fez com que um tio seu o levasse a prestar provas no Vitória Futebol Clube. Pela cidade de Setúbal cresceu como futebolista e deu, na temporada de 1976/77 e ainda em idade de júnior, os primeiros passos na equipa principal. Com uma técnica individual estupenda, um sentido posicional e uma leitura de jogo extraordinários que, postos ao serviço de um passe preciso, faziam dele um adversário mortífero, o avançado rapidamente chamou a atenção dos "grandes" da Margem Norte do Rio Tejo. A escolha passou pela mudança para o Benfica, onde, após a entrada nas “escolas encarnadas” e a temporada de 1979/80 com pouca utilização, o atleta acabou emprestado, primeiro ao Amora e depois ao Boavista.
No Bessa, num grupo de trabalho comandado inicialmente por Mário Lino e depois por Álvaro Carolino, deu-se o cimentar de todas as características que até ali tinham prometido ao jogador um futuro de sucesso. A prova foram as suas 3 primeiras chamadas, pela mão de Juca, à principal selecção portuguesa e a aposta do Benfica, em definitivo, nos seus préstimos. Pela mão de Sven-Göran Eriksson, o atacante transformou-se numa das prioridades para compor o "onze" titular. Logo nessa temporada do regresso, a de 1982/83, Diamantino marcou presença na sua primeira final europeia, a da Taça UEFA, frente ao Anderlecht. O feito só não veio a repetir-se em 1988, dessa feita para a Taça dos Clubes Campeões Europeus, pois, dias antes, num encontro a opor o Benfica e o Vitória Sport Clube, Diamantino, num lance mais duro com Adão, lesionou-se gravemente e a rotura dos ligamentos cruzados do joelho direito afastou o capitão dos "Encarnados" da partida disputada frente ao PSV Eindhoven.
Curioso na sua carreira foi o facto de ter sido o mesmo técnico que o lançou na ribalta e para história das “Águias”, o treinador sueco mencionado no parágrafo anterior, também a dispensá-lo do Benfica É certo que Diamantino, no final dessa temporada de 1989/90, já havia ultrapassado os 30 anos de idade. Porém, duvido que esse factor reflectisse a sua disponibilidade dentro de campo. Por outro lado, também é sabido que o seu carácter reivindicativo, mormente na defesa dos seus interesses e dos da sua classe, podem não ter ajudado à sua permanência. Bem, na verdade tudo o que disse não passa de meras especulações. O que aconteceu mesmo foi que, com a sua saída do Estádio da Luz, o extremo-direito voltou à casa onde nasceu para o futebol e onde, anos mais tarde viria a dar nova cara à sua ligação com a modalidade. Nos "Sadinos" terminou a caminhada dentro dos relvados, passando a exercer as funções de treinador, as quais têm-no levado aos mais diversos emblemas e, desde 2012, a África e aos moçambicanos do Costa do Sol.

152 - JOÃO ALVES

Como neto de Carlos Alves, antigo internacional português, herdou dele as luvas pretas. Não as ditas propriamente, mas o hábito de usar um amuleto igual ao que um dia uma rapariga entregara ao seu avô antes de uma partida frente ao Benfica, jogava ele no Carcavelinhos.
Provavelmente, quando começou a usar as luvas nunca interessou a João Alves a fortuna que tal poderia trazer. O importante era homenagear o homem que, falecido dois dias antes, o tinha acompanhado a vida toda e com o qual tinha feito a viagem a Lisboa, para ir prestar testes nos juniores do Benfica. Já como elemento das “escolas encarnadas”, rapidamente mostrou as qualidades que viriam a confirmá-lo como um craque. Inteligente, João Alves sabia pensar o jogo de forma brilhante, sempre um passo à frente dos seus adversários e, por vezes, adiante até dos seus colegas de equipa. Tais características, fizeram dele um pensador de jogo e o resultado traduzir-se-ia num rol infinito de jogadas construídas para que os seus companheiros, ou até mesmo ele, pudessem concluir em golo.
Terminada a formação e depois de uma passagem pelas “reservas”, João Alves seria emprestado ao Varzim. Passada a época nos seniores do emblema poveiro, o seu regresso às "Águias" parecia mais que confirmado. No entanto, o impensável aconteceria! Resultado de um desentendimento com António Simões, num jogo de pré-época em homenagem a Santana, o jovem jogador viria o seu estatuto passar de “grande promessa” a “excedentário”. Acabaria transferido para o Montijo, mas com tão bons desempenhos, uma temporada bastaria para que um dos nomes míticos do futebol português nele reparasse.
Agradado com as suas qualidades, José Maria Pedroto, à frente do Boavista de 1974/75, pediria a sua contratação. Em 2 anos no Bessa, o médio ajudaria a ganhar 2 Taças de Portugal. Na primeira final, frente ao Benfica, ironicamente marcaria o golo que ditaria a vitória e no final da partida, ainda magoado com o episódio da referida contenda, João Alves desabafaria com os jornalistas – “Provei aos dirigentes do Benfica que não me quiseram no clube que, afinal, sabia jogar futebol”*. Todavia, muito mais do que a confirmação das suas qualidades, a certeza de que ali estava um executante excepcional, levaria à cobiça de outros emblemas. De Espanha chegaria a proposta que faria o centrocampista emigrar. Ao serviço do Salamanca, daria continuidade às boas exibições e, principalmente, conseguiria aquilo que muitos considerariam impossível e terminaria a temporada de 1977/78, à frente de nomes como Cruijff, Neeskens e Kempes, eleito o melhor estrangeiro a actuar na La Liga.
Já a sua segunda aventura no estrangeiro não correria tão bem. Após o regresso a Portugal para jogar a época de 1978/79 ao serviço do Benfica, surgiria a oportunidade para representar o Paris Saint-Germain. Na capital francesa, dessa feita, a sorte ser-lhe-ia madrasta e uma grave lesão, contraída logo nas jornadas iniciais, afastá-lo-ia dos relvados por grande parte da referida campanha. Acabaria por voltar ao emblema do seu coração, para, no "Estádio da Luz", sofrer mais uma das grandes desilusões da sua carreira e não marcar presença na final da Taça UEFA de 1983, frente ao Anderlecht- “Só Eriksson poderia dizer porque não me pôs na equipa, depois de uma época inteira a jogar e a fazer grandes exibições. Mas se foi só por ter chegado atrasado a um treino, pareceu-me injusto de mais…”**.
Mais uma vez com as cores do Boavista, o médio encetaria nova etapa no futebol. Depois de ter entrado no Bessa no Verão de 1983 e de ter começado a temporada de 1984/85 ainda como atleta, a saída de Mário Wilson do comando técnico "axadrezado", abriria a João Alves a oportunidade para iniciar a sua vida "nos bancos". Como treinador, passado alguns anos e à frente do Estrela da Amadora de 1989/90, levantaria a 5ª Taça de Portugal do seu currículo e conseguiria, atrás do seu antigo “mestre” José Maria Pedroto, alcançar a 2ª posição das figuras mais condecoradas na referida competição.
Mesmo ao saber que essa vitória na “Prova Rainha” continua a ser o seu único título como treinador e de isso parecer pouco no desenhar do seu palmarés, a verdade é que João Alves pode orgulhar-se de outras marcas dignas de registo. Uma delas, indesmentível, é o “olho” que possui para detectar novas “estrelas”, fazendo parte das suas descobertas craques como Paulo Bento, Pedro Barbosa, Abel Xavier, Catanha e Pauleta. Para além desse facto, nessa sua caminhada como técnico conta com diversas passagens por emblemas da 1ª divisão portuguesa. Contudo, actualmente está à frente dos destinos do Servette, onde, após ter conseguido a subida ao principal escalão do Campeonato suíço, vai tentar esta temporada, com a ajuda do seu filho Carlos Alves (adjunto) e de Costinha (director-desportivo), a conquista de novas metas para o emblema helvético.

*retirado da biografia publicada em https://sjogadores.pt/
**retirado de https://serbenfiquista.com/forum/index.php?topic=22362.90, publicado por “Ednilson” a 28/02/2008