614 - ALBINO

Fruto da formação do Leixões, seria no Varzim que, alguns anos mais tarde, faria a sua estreia na Primeira Divisão. Contudo, e se sua entrada nos grandes palcos lusos, seria feita à custa da equipa povoeira, o começo do seu caminho como sénior, isto no início dos anos 70, aconteceria no segundo patamar dos “nacionais”.
Seria dessa maneira que o Famalicão apadrinharia os primeiros passos da carreira de Albino. Ora como defesa, ora como médio, o corredor central do campo era a área predilecta deste jogador. Essas temporadas passadas no escalão secundário, dariam ao atleta o traquejo necessário para que nele voltassem a reparar. Boa capacidade aérea e descomplicado na hora de jogar a bola, Albino acabaria por despertar a atenção de alguém que já tinha trabalho perto dele.
Coincidência, ou não, quem o levaria para o Varzim, seria António Teixeira. O treinador que, quando Albino era júnior em Matosinhos, já havia orientado a equipa principal do Leixões, decidiria apostar em alguém que já conhecia. Essa época de 1976/77, marcaria tanto o regresso do Varzim à Primeira, como a estreia de Albino nessa mesma divisão. A maturidade que já apresentava, permitiria ao jogador ser um dos principais trunfos dentro do plantel. Regularmente no onze inicial, Albino acabaria por ser um dos esteios das boas classificações que a sua equipa conseguiria nos anos vindouros. O estatuto de titular mantê-lo-ia daí em diante. Ajudaria o Varzim a alcançar o 5º posto no Campeonato de 1978/79 e, juntando a tudo isso, os 7 anos que passaria na Póvoa, fariam do seu nome um dos mais acarinhados pala massa associativa e adepta.
Se os melhores ano da carreira de Albino seriam conseguidos com o listado alvi-negro, estes acabariam, também, por ser os únicos passados no patamar máximo do nosso futebol. Daí em diante Albino começaria, novamente, a vogar pelas divisões secundárias. O regresso a Famalicão marcaria esta última fase da sua vida profissional. Durante a mesma, vestiria ainda a camisola de uns quantos clubes. Entre estes, destaque para nomes como os do Trofense ou Paços de Ferreira.

613 - TORRES

Depois de, praticamente, percorrer todo o caminho da formação no Vitória de Guimarães, Torres haveria de chegar aos seniores vimaranenses no final dos anos 60. As primeiras temporadas como sénior, muito mais do que jogar na equipa principal, passá-las-ia a representar as “reservas”. No entanto, ao invés de ser um factor de desânimo, esta passagem traria ao defesa o traquejo necessário para o tornar num bom jogador.
Central que de permissivo, como se pede alguém na sua posição, pouco tinha, Torres primava pela inteligência com que encarava o jogo. Estas suas características, aliado a um bom físico, acabariam por conquistar um lugar no seio de um plantel bastante competitivo. Depois de alguns anos como escolha secundária, Torres haveria de conseguir impor-se como um dos principais esteios da equipa. Essa temporada de 1974/75, segundo o próprio refere, haveria de trazer uma mudança de paradigma à equipa, alteração essa que o levaria a disputar a final da Taça de Portugal, logo no ano seguinte – “a experiência de jogadores como Custódio Pinto, Tito e Rui Rodrigues mesclada com a irreverência de nomes como Ernesto, Abreu, Romeu, representavam a grande arma da equipa. [Mário Wilson] encontrou a fórmula ideal para a equipa fazer um campeonato entusiasmante que revolucionou o clube e a cidade, tendo sido foi importante para o futuro do clube"*.
Se os dois primeiros terços da carreira profissional de Torres, haveriam ser passados com as cores do Vitória de Guimarães, a última destas porções seria ao serviço do Varzim. A mudança ocorreria no defeso de 1979, para dar início a uma ligação que duraria 5 temporadas. Durante estas épocas, entre as 4 passadas na 1ª divisão e o deslise de uma descida, Torres acabaria por se tornar num dos nomes importantes na história do emblema poveiro. Também para o atleta, o clube representa um marco relevante na sua ligação com o futebol. Seria pelos “Lobos do Mar” que, sempre ligado à modalidade que o apaixona, faria uma mudança importante na sua vida.
Ora, seria para a temporada de 1984/85 que Torres passaria a assumir as responsabilidades de técnico. Ainda como adjunto, os primeiros passos que daria nestas funções, levá-lo-iam, passados uns campeonatos, ao comando do Vitória de Guimarães. Essa sua estreia como principal timoneiro de uma equipa, não poderia ter corrido melhor, com os minhotos a conseguirem chegar ao Jamor, e à final da Taça de Portugal de 1987/88.
Desde então, o percurso de José Alberto Torres tem passado mais pelas divisões secundárias portuguesas. No entanto, o grande destaque desta sua carreira acabaria, já em pleno século XXI, pela ida para Angola, onde treinaria o Progresso e o Petro do Huambo.

612 - ANTÓNIO TEIXEIRA

Natural de Lisboa, é descoberto após representar alguns emblemas da capital portuguesa. Depois dos modestos Águias do Alto Pina ou do Chelas, chega a vez de António Teixeira vestir as cores do Benfica. Entra para as camadas de formação do clube, onde se sagra campeão nacional de juniores, e, pela mão do inglês Ted Smith, acaba por ser promovido à categoria principal.
Avançado, que havia começado a trilhar caminho como extremo esquerdo, é no centro do ataque que começa a ganhar algum destaque. Contudo, a temporada em que sobe aos seniores “Encarnados” (1949/50) é, também, aquela em que o Benfica vence a Taça Latina. Ora, este contexto, o de uma equipa recheada de craques, acaba por não ser muito favorável à conquista de um lugar no seio do plantel. Nomes como os de Rogério de Carvalho, Arsénio, Julinho ou Espírito Santo, acabariam por não dar a António Teixeira muito espaço para progredir.
A falta de oportunidades, faz com que o atacante deixe o clube. Já com um Campeonato Nacional (1949/50) na bagagem, segue, então, para o Norte de Portugal. No Minho, acaba por vestir as cores do Vitória de Guimarães. A mudança, devolve ao atacante uma presença regular dentro de campo. Teixeira regressa aos golos e, no espaço de um ano, volta a ser cobiçado por outros “grandes” do futebol nacional.
É para a época de 1952/53 que António Teixeira ingressa no FC Porto. Afastado dos títulos há mais de uma década, os “Dragões” passariam a contar no sector ofensivo, com um atleta que, muito mais do que ser combativo e de possuir um belo remate, era um ás na finalização. O evoluir desta união acabaria por trazer os seus frutos. Em 1955/56, o FC Porto volta aos troféus, e logo com uma “dobradinha”. Os golos de Teixeira, somando-os aos do brasileiro Jaburú, haveriam de ser os principais impulsionadores deste sucesso.
Daí em diante, tudo mudaria para o avançado. A consolidação das suas exibições, que ajudariam à conquista da Taça de Portugal de 1957/58 e do Campeonato do ano seguinte, levá-lo-iam à elite do futebol nacional. Reflexo disso mesmo, seria a sua chamada à selecção portuguesa. Um golo frente à Itália, numa partida de qualificação para o Mundial de 1958, marca a sua estreia. Com a “camisola das quinas” jogaria mais 6 vezes. Talvez, não com a regularidade que merecia. Ainda assim, Teixeira será recordado como um dos melhores pontas-de-lança do futebol nacional, nos anos 50.
Depois de uma década com as cores do FC Porto, António Teixeira decide afastar-se dos rectângulos de jogo. Após um pequeno interregno, o antigo internacional decide-se pela vida de treinador. Passa pelo Sp. Braga. Orienta Leixões, FC Porto e Boavista, até que chega ao Varzim. Na Póvoa, os resultados do seu trabalho haveriam de o pôr na história do clube. Vence, na época de 1975/76, o Campeonato da 2ª divisão; devolve o clube, na temporada seguinte, aos grandes palcos nacionais; e, em 1978/79, com um 5º lugar na tabela classificativa, consegue levar os “Lobos do Mar” à melhor classificação de sempre na sua história.

611 - VARZIM S.C.

Quando, no começo do século passado, o futebol chegou a Portugal, rapidamente a sua fama alastrou-se aos quatro cantos do país. Não conseguindo mostrar indiferença a tão popular modalidade, alguns estudantes poveiros iniciariam a sua prática.
É de um grupo de entusiastas, que nasce um dos primeiros emblemas da Póvoa do Varzim. O União Foot-Ball Club começa por ser um dos pontos de congregação destes jovens. Contudo, a paixão que os levaria a fundar tal agremiação, acabaria por, também ela, originar algumas cisões no seio do conjunto. Ora, por acharem que eram sempre preteridos na altura da escolha dos “onzes”, alguns elementos do clube, haveriam de, noutro caminho, procurar o entusiasmo que os tinha levado a tal desporto. É deste modo que, aproximadamente, um ano após a criação do União Foot-Ball Club, surge o Varzim Foot-Ball Club.
 A 25 de Dezembro de 1915, davam-se os primeiros passos daquele que é, actualmente, o maior emblema da cidade nortenha. Depois de constituído, nada melhor do que uma partida de futebol para dar início às hostilidades. O adversário escolhido só poderia ser um e, desse modo, o primeiro jogo do Varzim haveria de terminar com uma vitória por 9-5, sobre o União Foot-Ball Club!!!
No entanto, não há zanga que separe os verdadeiros amigos. Como acordado em assembleia geral, aqueles que de costas viradas andavam, voltariam a dar as mãos. A 25 de Março de 1916, os elementos do União Foot-Ball Club e do Varzim Foot-Ball Club decidem acabar com a contenda que os havia separado. Fundem-se os clubes e o nome alterar-se-ia para Varzim Sport Club.
Após um caminho difícil, onde, durante a década de 40, até o futebol deixou de existir, o Varzim lá foi cimentando a sua existência. Um dos grandes pilares dessa história haveria de ser o actual estádio. Aprovada a compra dos terrenos em 1929, só passados muitos anos, precisamente em 1944, é que se dá início à construção da bancada central. Com o clube a subir os degraus das divisões, seria já com a chegada à 1ª Divisão que decisivos empreendimentos (construção de novas bancadas; relva; campo de treinos) haveriam de ser tomados para o imóvel.
A temporada de 1963/64, já depois de na época anterior marcar estreia na Taça de Portugal, traça um dos capítulos mais importantes na vida do Varzim. A primeira presença no patamar maior do nosso futebol e as 8 temporadas que, consecutivamente, aí passariam, fariam dos “Lobos do Mar” um dos clubes importantes no panorama nacional. Em termos de resultados, a melhor classificação de sempre, aconteceria já no final dos anos 70. Depois de um período de 5 anos sem marcar presença entre os “grandes”, o Varzim, pela mão de António Teixeira, sublinha o seu regresso. Esse trabalho, sempre pelo comando do antigo internacional luso, haveria de atingir o seu ponto máximo na época de 1978/79. O 5º lugar na tabela classificativa, seria demonstrativo da força de um grupo cheio de figuras primodivisionárias.
Após este período áureo e de, na segunda metade dos anos 80, voltar a marcar presença regular na 1ª divisão, as prestações do Varzim deixariam de ser condizentes com o seu estatuto e história. Nos últimos 28 anos, excepção feita a 3 temporadas (1997/98; 2001/02; 2002/03), o emblema poveiro viveria afastado das maiores decisões do futebol nacional. De salutar foi o regresso do clube, para esta época de 2015/16, aos campeonatos profissionais e à 2ª Liga. A esperança é que o “Alvi-Negro” das suas camisolas volte, o mais rápido possível, a abrilhantar os grandes palcos do futebol português.

CENTENÁRIOS - VARZIM S.C.

A entrada neste novo mês, marca mais uma efeméride para o futebol nacional. Sem conseguirmos ficar indiferentes àquilo que são 100 anos, o “Cromo sem caderneta” volta a juntar-se a mais uma bela celebração. Desta feita, a vez é do Varzim. Assim, Dezembro, mais uma vez, será dedicado aos “Centenários”.

610 - MANUEL MACHADO

Filho de um histórico do Vitória de Guimarães, o guarda-redes António Machado, a sua ligação ao futebol esculpir-se-ia de outras oportunidades. Sem grande carreira dentro das quatro linhas, ou, pelo menos, sem nada de relevante a apontar nesse contexto, Manuel Machado talhar-se-ia no banco dos suplentes.
Treinador de aferido em Portugal, o seu trajecto começaria a delinear-se no emblema onde seu pai é um símbolo. As camadas jovens vimaranenses, naquilo que era o começo dos anos 90, tornar-se-iam no seu tubo de ensaio. Depois veio a intermitência que, ora o punha como adjunto ou interino no Vitória, ora fazia dele o treinador principal de equipas de escalões secundários.
Após estes caboucos, Manuel Machado começaria a solidificar a sua carreira. A transição do Fafe para o Moreirense, haveria de se tornar num ponto fulcral do seu evoluir. Ao encetar esta nova etapa na 2ª divisão “B”, o sucesso que conseguiria ao serviço da formação de Moreira de Cónegos, chamaria a atenção para o trabalho perpetrado. Duas promoções consecutivas e a veleidade de, na época de estreia do clube na 1ª divisão (2002/03), conseguir um lugar tranquilo na tabela classificativa, convertê-lo-iam num treinador a ter em conta.
A partir desta altura, Manuel Machado cimentar-se-ia como um treinador de topo. A sua carreira, que jamais se afastaria do convívio dos grandes palcos, haveria de se construir de emblemas como os da Académica, Sp.Braga, Nacional, de uma curta passagem pelos gregos do Aris de Salónica e, claro, dos regressos a Guimarães. Seria mesmo na “Cidade Berço” que Manuel Machado daria um passo importante na consolidação do seu estatuto de primodivisionário. A obtenção de um 5º lugar na temporada de 2004/05, e a consequente qualificação para as competições europeias da época seguinte, seriam o sustento disso mesmo.
Hoje em dia no Nacional da Madeira, clube que conduziu à estreia europeia, Manuel Machado continua com uma postura singular e, de salutar no mundo do futebol, nada ortodoxa. Muito para além daquilo que põe em campo, da maneira ardilosa como monta as suas estratégias, há as acutilantes tiradas. Dono de uma eloquência distinta, a faculdade com que articula os seus raciocínios, faz dele um orador peculiar. Não é necessário muita pesquisa para que encontremos variadíssimos exemplos. Um desses momentos passar-se-ia após o embate contra o Sporting (2015/16), em que sofreria uma polémica derrota em Alvalade – “Isto deixa-me um pouco triste, ver este país de espinha dobrada, sempre a bater palmas aos Salgados e aos Azevedos e afins e que continua a espezinhar quem ganha o ordenado mínimo e que ainda tem de pagar impostos sobre isso."*.

 
*Em declarações à SportTV, a 21/09/2015

609 - PABLO SANZ


Natural da capital catalã, seria no Barcelona que Pablo Sanz daria os primeiros passos no futebol profissional. No entanto, a carreira do médio, apesar das qualidades que nele se reconheciam, haveria de esbarrar na equipa “B” “blaugrana”. Sem espaço para evoluir, a escolha do atleta, como para tanto outros ali formados, acabaria por ser a saída.
De malas aviadas para a capital espanhola, seria no Rayo Vallecano que encontraria abrigo. A temporada de 1997/98, era, desse modo, a oportunidade de Pablo Sanz fazer a sua estreia numa equipa principal. Ainda longe dos palcos maiores do futebol de “nuestros hermanos”, a continuidade no segundo escalão não desmoralizaria o jogador. Rapidamente, o centrocampista haveria de conseguir encontrar o caminho para o onze inicial, tornando-se numa das peças chave do plantel. A importância que granjeava dentro da dinâmica da equipa, faria de Pablo Sanz um dos principais responsáveis pelo regresso dos madrilenos à “La Liga”. Essa época de 1999/00, a da sua estreia no patamar maior, acabaria por mostrar que Pablo Sanz também era talhado para este tipo de desafios.
Num gruppo que foi contando com nomes como os de Lopetegui , o português Hélder (Sp. Braga; Boavista; PSG) ou o avançado angolano Quinzinho, as metas talhadas iam sendo cumpridas. Surpreendentemente, muito mais do que garantir a manutenção, o Rayo Vallecano ia conseguindo ultrapassar adversários de maior gabarito. Essas boas prestações colectivas, permitiriam a Pablo Sanz chegar às competições europeias, onde, para a temporada de 2000/01, atingiria os quartos-de-final da Taça UEFA.
Não só de alegrias foram feitos os 7 anos que Pablo Sanz passaria em Madrid. Em 2004, com o clube a viver a segunda despromoção num espaço de 2 anos, alguns adeptos acabariam por tomar atitudes desproporcionadas – “Foi o dia mais triste da minha vida: depois de sete anos no Rayo, sair do campo numa carrinha da polícia (…). Estávamos sitiados no campo. Tentamos ir por várias saídas, mas em todas havia gente a insultar-nos, gritando-nos. Fui o último a sair e um rapaz ou um homem, não me recordo bem, pediu-me a camisola. Ele estava à paisana e disse-lhe que não a podia dar. Então, agarrou-me o braço com força, insultou-me e vi que fazia um gesto para me agredir. Foi uma reacção instintiva e trocamos uns murros”*.
Este episódio, marcaria o derradeiro momento de Pablo Sanz com as cores do Rayo Vallecano. Curiosamente, a sua saída, apesar de inglória, acabaria por devolver o médio aos grandes palcos. O Numancia, que preparava a sua temporada 2004/05, haveria de ser a sua porta de regresso à primeira divisão espanhola.
Já com a barreira dos 30 anos ultrapassada, a carreira de Pablo Sanz não se prolongaria por muito mais tempo. Depois de representar o, já referido, emblema de Valência, o atleta acabaria por terminar a sua vida de futebolista ao serviço do Sabadell. Contudo, após um pequeno interregno, o antigo jogador haveria de voltar à modalidade, desta feita na condição de treinador.
Mormente ligado às equipas jovens, Pablo Sanz tem talhado o seu percurso como técnico. Essa experiência na formação, levariam a que a Federação da Costa Rica, em 2011, o escolhesse como coordenador dessas mesmas camadas. Seria, igualmente, para essas funções que o FC Porto, por indicação de Lopetegui, acabaria por o contratar. Pablo Sanz, com provas dadas nessas tarefas, é, desde 2014, o “Manager” da Academia  “Azul e Branca”.


*Retirado de http://getafeweb.mforos.com/  (22/06/2004), citando o jornal Marca.

608 - JOSÉ VITERBO

Apesar de só ter chegado à 1ª Liga na temporada passada (2014/15), para José Viterbo a história da Académica não era, de todo, estranha à sua própria existência. Se, por um lado, para documentar a sua ligação ao clube, tinha a presença nas balizas das equipas jovens, por outro, os anos que já tinha passado como técnico das camadas de formação, serviam para atestar o dito vínculo.
Mesmo sabendo desse passado comum, surpreendente foi a maneira como, desde o primeiro instante, Viterbo conseguiria manietar o público aos seus propósitos. A ideia de levantar a Académica, de a tirar das posições da despromoção, foi por si transmitida e acatada por os todos adeptos da “Briosa”. O veículo dessa mensagem, um só – a paixão que sempre nutriu pelo emblema conimbricense.
Depois de, no início do milénio, ter estado aos comandos da equipa “B” da Académica, os anos de separação entre o técnico e os “Estudantes”, prolongar-se-iam por mais de uma década. Contudo, o sonho de regressar àquela que sempre teve como sua casa, haveria de estar sempre presente. A prova seria o acordo que fez com Catarina Crisóstomo, a Presidente do seu último clube, antes do regresso a Coimbra – “Quando chegou ao Eirense foi bastante claro. Se tivesse algum convite para regressar à Académica, regressaria. A paixão é evidente e foi honesto a esse respeito”*.
Foi depois de muito vogar pelas divisões secundárias do nosso futebol, que José Viterbo voltou a sentir a emoção de estar à frente do clube do seu coração. Já após começar a época (2014/15) a treinar os “BB”, a demissão de Paulo Sérgio abrir-lhe-ia as portas da equipa principal. O começo, embebido na paixão que já descrevi, não poderia ter sido o melhor: 6 jogos sem perder e a Académica a ver-se livre dos lugares de despromoção. No final, o desfecho desejado por todos: a permanência entre os “Grandes”.
Mas, se a temporada transacta acabaria por se caracterizar pelo sucesso, já 2015/16 haveria de mostrar uma Académica bem longe da euforia do ano anterior. Os maus resultados, 5 derrotas nas 5 primeiras jornadas, ditariam o afastamento do técnico e a contratação de Filipe Gouveia. Contudo, e apesar deste desaire, a paixão de José Viterbo continua intacta. Prova são as suas palavras na hora do adeus – “Tomei a liberdade de pedir a demissão no final do jogo porque acho que é o melhor para a Académica (…).O mais importante é a Instituição e a minha decisão prende-se com o meu academismo. Não poderia prolongar no tempo outra decisão que não fosse esta”**.

 
*Artigo de Tiago Pimentel (Público), a 16/03/2015
**Artigo de Eduardo Pedrosa Marques (A Bola), a 20/09/2015

607 - GOUVEIA

A carreira de Gouveia, enquanto jogador profissional de futebol, haveria de desenhar-se com uma característica que aqui já falámos umas quantas vezes. Ora, 15 clubes como sénior e mais uns quantos nas camadas jovens, fazem do antigo médio uma espécie de “globetrotter”. Neste seu percurso, haveria de dar o salto para a categoria principal ao serviço do Varzim. Contudo, nessa temporada de 1991/92, Gouveia ainda estava a uma grande distância daquilo que viriam a ser as luzes da ribalta. AD Guarda, Amarante, União da Madeira e Paços de Ferreira haveriam de ser os capítulos que, entre a 2ª divisão “B” e a 1ª divisão, se seguiriam.
Foi com a camisola do Farense (1998/99) que o antigo futebolista chegou ao escalão máximo do nosso futebol. Requintado tecnicamente e com um bom entendimento das dinâmicas do jogo, Gouveia haveria de, desde logo, granjear algum destaque. O 11º lugar alcançado pelos algarvios na tabela classificativa, seria mais do que suficiente para pôr o centrocampista na rota de outros emblemas. O Belenenses, colectividade que se seguiria, serviria, então, de curta passagem para a Liga francesa.
Com o Montpellier a ocupar as últimas posições na tabela classificativa, o contrato assinado por Gouveia, como que a prever aquilo que acabaria por acontecer, seria apenas para o que restava da época de 1999/00. Findo esse período e confirmada a despromoção do emblema gaulês, o médio regressa a Portugal. No entanto, e ao contrário daquilo que tinha alcançado ao serviço dos clubes até aí representados, Gouveia não conseguiria impor-se como titular.
Apesar deste afastamento do “onze” inicial, o médio acabaria por sagrar-se campeão nacional (2000/01). Mas, se em termos de títulos tudo corria bem, a falta de jogos pelos “axadrezados” ditaria, ao fim de ano e meio, a saída de Gouveia. O regresso a Paços de Ferreira, mas, principalmente, as 3 temporadas ao serviço do Nacional, devolveriam o médio ao estatuto de imprescindível e classificá-lo-iam como um dos melhores na sua posição.
Já com a barreira dos 30 anos bem ultrapassada, Gouveia faz no Gil Vicente a sua última aparição na 1ª Liga. Depois de 2006, como que a entrar numa fase descendente da sua vida desportiva, o atleta começa a vogar pelos escalões secundários. Vizela, Desportivo das Aves e Vila Meã serviriam, desse modo, para completar a dezena e meia de clubes na sua carreira.
Como um verdadeiro apaixonado pela modalidade, não estaria muito tempo retirado do futebol. Logo na temporada seguinte à da sua despedida dos relvados, o Boavista volta a abrir-lhe as portas. Desta feita, o convite passaria por orientar as camadas de formação, nomeadamente os S-19. Ora, esta experiência com as jovens “Panteras” servira para dar início a uma carreira de treinador. Seria nessa senda que Gouveia, já no decorrer desta época (2015/16), receberia um convite da Académica. Na “Briosa” ocuparia o lugar deixado vago pela demissão de José Viterbo. O objectivo de tal união, será o de devolver o emblema aos bons resultados. Os mesmos que conseguiu em 2011/12, enquanto adjunto de Pedro Emanuel, e que permitiram aos “Estudantes” alcançarem a vitória na Taça de Portugal.

EQUIPAS TÉCNICAS 2015

Depois de mais um (não planeado) interregno, voltamos para vos dar a conhecer alguns dos "timoneiros" dos campeonatos profissionais. Treinadores Principais, Adjuntos, 1ª e 2ª Liga fazem, desse modo, parte do contexto para este novo mês. Assim sendo, não deixe de acompanhar em Novembro, as "Equipas Técnicas 2015".