Mostrar mensagens com a etiqueta Penalty. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Penalty. Mostrar todas as mensagens

1578 - PARRA

Natural de Portalegre, Valentim José Roque Parra despontaria para o futebol com as cores do Portalegrense. Daí para as “escolas” do Sporting Clube de Portugal seria um pequeno salto. No entanto, apesar da aposta dos “Leões” nas qualidades do médio de características ofensivas, a verdade é que o momento de transição para o patamar sénior seria ingrato para o jovem intérprete. Sem lugar num grupo de trabalho ainda a viver o rescaldo da vitória na Taça dos Vencedores das Taças de 1963/64, o jogador veria Fernando Caiado a preteri-lo em detrimento de outros nomes e a solução para a continuação da sua carreira viria do União de Lamas.
Com o início da carreira sénior a ocorrer nas contendas planeadas para a edição de 1967/68 da 2ª divisão, seria a mudança para o plantel de 1968/69 do Feirense a dar ao jogador a etapa mais representativa do seu trajecto desportivo. A transferência para os “Fogaceiros”, apesar de obrigar o atleta à descida de um degrau na escala competitiva do futebol luso, dar-lhe- ia a oportunidade de envergar a camisola daquela que viria a tornar-se na divisa que, por mais anos, o acompanharia. Ainda durante algum tempo a pelejar-se nas contentas do 3º escalão, a ambição da colectividade sediada em Santa Maria da Feira transformaria a temporada de 1973/74 na campanha de regresso do clube ao patamar imediatamente acima. Já como um elemento fundamental nas manobras tácticas dos diferentes treinadores, Parra começaria a cimentar-se com uma das grandes figuras da agremiação. Com companheiros de balneário como Manuel Pinto, Henrique Nunes, Cândido Araújo, António Portela, Sobreiro, Acácio Silva, entre outros históricos, o médio ajudaria à caminhada que, com os colegas ainda agora arrolados, empurraria os de azul a outro feito competitivo e a levá-los a inscrever-se como os elementos participantes da segunda aparição do emblema entre os “grandes”.
A época de regresso do Feirense à 1ª divisão teria Parra já como capitão. Nessa temporada de 1977/78, orientado o grupo de trabalho inicialmente por Eduardo Gonzalez para, a partir da 4ª jornada do Campeonato Nacional contar com a orientação técnica do Professor João Mota, o médio, apesar de utilizado com uma boa frequência, não teria a preponderância de anos anteriores. Talvez por esse motivo, não deixando de ser curioso o facto, o jogador acabaria por conhecer o termo da união aos “Fogaceiros”. Com o fim da ligação de uma década, o atleta teria no Sporting de Espinho a nova morada. Nesse sentido, também os “Tigres da Costa Verde” marcariam um novo trecho nos patamares secundários e depois de uma temporada com o listado alvinegro, o Lusitânia de Lourosa e o Esmoriz tornar-se-iam nos emblemas seguintes de uma caminhada que viria a concluir-se com o fecho da temporada de 1984/85.

1530 - CAROLINO

Como atleta das “escolas” do Benfica, Álvaro Carolino seria chamado aos trabalhos sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. A estreia, feita no âmbito das disputas agendadas para os juniores, aconteceria, numa partida frente a França, a 11 de Novembro de 1968. O mencionado desafio daria início a uma caminhada que terminaria, anos mais tarde, com o atleta a vestir a principal “camisola das quinas”. Nesse contexto, a primeira aparição do jogador surgiria durante a Fase de Apuramento para o Euro 76. Chamado por José Maria Pedroto, o defesa, a 19 de Novembro de 1975, participaria na jornada a opor Portugal a Inglaterra. Daí em diante, sempre pela equipa “A”, o atleta teria ainda nova oportunidade para entrar em campo e, na soma das aparições feitas pelos dois escalões referidos neste parágrafo, juntaria ao currículo 5 internacionalizações com as cores lusas.
Apesar de revelar um enorme potencial, a verdade é que, na altura de subir a sénior, Carolino, tapado no Benfica por nomes como Humberto Coelho, Jacinto ou Zeca, ver-se-ia obrigado a rumar noutra direcção. O destino acabaria por levá-lo ao Peniche e à 2ª divisão. Porém, o jovem atleta aproveitaria esses anos longe dos principais escaparates desportivos para ganhar o traquejo necessário a um crescimento sustentado. Já mais experiente, veria o Montijo a apostar na sua contratação e a apresentá-lo como reforço para o plantel de 1972/73. De regresso ao escalão principal, o defesa-central assumir-se-ia como um dos titulares da agremiação sediada na Margem Sul do Rio Tejo. Tamanho destaque faria com que o Boavista olhasse para si como uma boa aposta e o jogador, com Francisco Mário e João Alves como companheiros de viagem, deixaria a área metropolitana de Lisboa para partir em direcção ao Porto.
Ao entrar no Bessa na temporada de 1974/75, o defesa ajudaria a erguer uma das melhores fases da história dos “Axadrezados”. Com José Maria Pedroto como treinador, para além das boas prestações no Campeonato Nacional, como prova a 2ª posição em 1975/76, a Taça de Portugal transformar-se-ia num dos grandes palcos do colectivo sediado na “Cidade Invicta”. No contexto da “Prova Rainha”, Carolino, muito para além de participar nas finais de 1974/75 e de 1975/76, inscreveria o seu nome como um dos vencedores de ambas as edições. No entanto, mesmo tendo em conta todo o sucesso vivido, os últimos anos da sua ligação às “Panteras” seriam ingratos para o atleta, com o defesa-central afastado dos campos de jogo. Na sequência desse longo ocaso, a meio da temporada de 1980/81 o futebolista transferir-se-ia para a Académica de Coimbra e seria como atleta dos “Estudantes” que haveria de pôr um ponto final na carreira como praticante.
Apesar de “penduradas as chuteiras”, Álvaro Carolino manter-se-ia ligado à modalidade. Como treinador, mesmo com um trajecto maioritariamente relacionado a emblemas dos escalões secundários, o antigo defesa também teria experiencias na 1ª divisão. Aliás, dos primeiros anos como técnico tiramos as experiências à frente dos primodivisionários Boavista e Sporting de Espinho. Também nesse cenário competitivo, há ainda a destacar as suas passagens pelo Académico de Viseu e pelo Feirense. Merecedor de realce, temos igualmente de relembrar os anos cumpridos à frente do Desportivo de Chaves. Em Trás-os-Montes, seria o grande responsável pela primeira subida da história dos “Flavienses” ao patamar maior do futebol luso e só não celebrou junto aos seus discípulos porque, por razão de um desentendimento com os dirigentes do clube, sairia antes da Liguilha que selaria a inédita promoção.

1402 - LUÍS PEREIRA

Com a formação dividida entre as “escolas” do Limianos e as do FC Porto, seria no emblema do Douro Litoral que Luís Pereira seria promovido ao escalão sénior. Antes desse importante passo, surgiria ainda a convocatória aos juniores a trabalhar sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Com José Maria Canhoto encarregue do referido escalão, a 29 de Março de 1967, numa partida frente à congénere francesa, o atleta, ao lado de nomes como Raul Águas ou Vítor Batista, enriqueceria o seu currículo com 1 internacionalização. Não muito tempo depois, com a entrada na equipa principal “azul e branca” a acontecer na temporada de 1967/68, José Maria Pedroto transformar-se-ia no treinador a levar o médio-ofensivo à estreia na 1ª divisão. Porém, apesar de ser tido como um praticante de enorme potencial, a verdade é que na aludida campanha, tal como na seguinte, o jovem jogador não conseguiria muitas oportunidades para entrar em campo. Seguir-se-iam o empréstimo ao Famalicão, a chamada ao Serviço Militar Obrigatório, a incorporação no contingente a viajar para Angola e o tempo passado com as cores do Benfica de Luanda.
Fontes há que referem o seu regresso a Portugal novamente pela porta do Famalicão. Sem não ter consigo confirmar tal informação, o que é certo é sua integração no plantel de 1971/72 do Tirsense. No entanto, a nova experiência na 1ª divisão teria, individualmente, o mesmo resultado do período passado nas Antas, ou seja, o centrocampista acabaria por ser pouco utilizado. Já a grande mudança na sua caminhada profissional surgiria com mais uma transferência. No Riopele a partir da campanha 1973/74, Luís Pereira, dentro de campo, assumir-se-ia como o verdadeiro cérebro de uma caminhada que teria o seu ápice numa inédita presença na 1ª divisão. Com o conjunto da Pousada de Saramagos a atingir o patamar máximo na temporada de 1977/78, o médio-ofensivo tornar-se-ia num dos nomes, ao lado de Vitorino e Teixeira, a disputar todas as 30 jornadas do Campeonato Nacional. Infelizmente, apesar do bom desempenho do jogador, o conjunto minhoto não cumpriria os objectivos colectivos e, um ano volvido sobre a promoção, regressaria ao degrau secundário.
Após mais uma época no Riopele, Luís Pereira prosseguiria a sua carreira no União de Lamas. Já o retorno ao convívio com os “grandes”, aconteceria uns anos mais tarde e numa altura em que representava a colectividade a jogar em casa no Estádio Vidal Pinheiro. Com a entrada no Salgueiros a acontecer em 1981/82, o médio voltaria a contribuir para nova subida. No escalão máximo, mesmo num troço do seu trajecto profissional já sublinhado pela veterania, o atleta, na edição de 1982/83 do Campeonato Nacional, conseguiria assumir-se como um dos pilares da equipa portuense. Em Paranhos, tendo perdido alguma preponderância no delinear do esquema táctico, ainda cumpriria outro ano. De seguida, como os capítulos finais de uma caminhada competitiva, emergiriam ainda o São Pedro da Cova, o Gondomar e o “pendurar das chuteiras” com o termo da temporada de 1986/87.

1360 - MANUEL ANTÓNIO

Terminaria a formação no Tirsense para, na temporada de 1963/64 e ainda ao serviço dos “Jesuítas”, encetar a caminhada sénior. Um ano volvido sobre a promoção à equipa principal, no sentido de continuar a caminhada estudantil, Manuel António apresentar-se-ia em Coimbra. Mesmo tendo como única experiência a campanha passada a disputar a 3ª divisão, a verdade é que as qualidades do avançado agradariam aos responsáveis da “Briosa” e o ponta-de-lança seria integrado no plantel de 1964/65.
Treinado por Mário Wilson, a época de estreia de Manuel António pelos “Estudantes” seria de tal forma prolífera que rapidamente apareceriam outros emblemas interessados na sua contratação. Com o Benfica e o Sporting também no seu encalço, acabaria por ser o FC Porto a convencer o jovem atleta a mudar de ares. Nos “Azuis e Brancos” a partir da temporada de 1965/66, o ponta-de-lança, assumindo-se como um dos titulares do conjunto portuense, manteria as exibições em níveis elevados. No norte do país, ainda na campanha de chegada ao Estádio das Antas, algo de novo surgiria à caminhada do atleta e a partida frente ao Stade Français, a contar para a Taça das Cidades com Feira, representaria o arranque do seu trajecto nas competições continentais. Porém, nos 3 anos passados ao serviço dos “Dragões”, o maior destaque surgiria com a edição de 1967/68 da Taça de Portugal. Na apelidada “Prova Rainha”, apesar de não ter sido chamado à disputa da final, o avançado, com 6 golos feitos durante as eliminatórias, daria um enorme contributo para a conquista do troféu.
O regresso a Coimbra, por razão maior dos estudos, traria à carreira de Manuel António vários momentos de grande relevância, com o primeiro a emergir a 6 de Abril de 1969. Com a chamada à principal selecção nacional, o alinhamento escolhido por José Maria Antunes empurraria o avançado-centro para o “particular” frente ao México. Nessa senda com a “camisola das quinas”, depois do referido encontro, o atacante ainda participaria noutros desafios. Com destaque para as rondas referentes à Fase de Qualificação para o Mundial de 1970, o jogador acabaria por colorir o seu currículo com 4 internacionalizações feitas pelo colectivo de Portugal.
Também na temporada de 1968/69, Manuel António veria o seu palmarés enriquecido. Curiosamente, apesar de nem ter sido uma das épocas mais prolíferas do avançado, os 19 golos concretizados no decorrer do Campeonato Nacional, acabariam por elevá-lo à condição de Melhor Marcador da prova. Ainda nesse ano, viria a sua primeira presença numa final da Taça de Portugal. No Estádio do Jamor, chamado por Francisco Andrade à decisiva peleja, seria um remate certeiro do ponta-de-lança a abrir o marcador. Infelizmente para os de Coimbra, os dois golos do Benfica reverteriam o resultado e o troféu acabaria por escapar aos escaparates dos “Estudantes”.
Daí em diante a carreira futebolística de Manuel António, sempre em paralelo com o Curso de Medicina, seria dedicada, quase na totalidade, ao emblema conimbricense. Num total de 10 temporadas a envergar o negro da “Briosa”, o avançado, por tudo o que aqui já foi dito, tornar-se-ia num dos símbolos máximos do clube e da cultura do estudante-atleta. Nessa caminhada, há também que destacar as presenças nas competições sob a alçada da UEFA, mormente a edição de 1969/70 da Taça dos Vencedores das Taças, onde ajudaria os “Estudantes” a atingir os quartos-de-final.
Por fim, numa ligação à Académica que terminaria com o final da época de 1976/77, falta referir a sua passagem, de um ano apenas, pela União de Leiria. Depois de “pendurar as chuteiras”, Manuel António desligar-se-ia das actividades do futebol profissional e passaria a dedicar o seu tempo às tarefas relacionadas com a medicina.

1243 - NELINHO

Destacar-se-ia nas “escolas” do Palmense, onde, durante um embate frente às também jovens “Águias”, chamaria a atenção dos responsáveis pelos “Encarnados”. Porém, finda a formação no popular emblema da Freguesia de São Domingos de Benfica, Nelinho, por empréstimo, arrepiaria caminho em direcção ao Tramagal. No emblema ribatejano, a militar na Zona Norte da 2ª divisão de 1968/69, conseguiria destacar-se pela velocidade e capacidade técnica. Com tão bons predicados, não tardariam a aparecer outros clubes interessados no seu concurso. Tirsense, Beira-Mar, Famalicão e Boavista apareceriam na linha da frente, mas o extremo-direito, dando seguimento a uma conversa com um atleta da colectividade aveirense, o “Magriço” José Pereira, escolheria fardar de amarelo e preto.
Mantendo a ligação contratual ao emblema que o tinha formado, Nelinho ainda passaria 2 temporadas no Beira-Mar. Na última campanha desse par, transformar-se-ia numa das grandes figuras do clube na conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão de 1970/71 e na consequente promoção do emblema de Aveiro ao escalão máximo. No defeso seguinte, com a Académica de Coimbra e o Vitória de Guimarães já no seu encalço, o Benfica resolveria avançar para a sua contratação. Pagos os 1500 contos do acordo feito com o Palmense e com o atacante sem lugar no grupo à guarda de Jimmy Hagan, seria tomada a decisão de, por mais um ano, pôr o atacante a rodar. Ainda faria testes no Belenenses, mas com o plantel dos “Azuis” fechado e com a vontade do atleta em regressar ao Estádio Mário Duarte, o extremo acabaria por estrear-se no patamar maior do futebol luso ao serviço dos “Aurinegros”.
A entrada na “Luz” aconteceria na preparação da temporada de 1972/73 e numa altura em que aos comandos da equipa benfiquista ainda estava o técnico inglês referido no parágrafo anterior. Porém, a presença no sector mais ofensivo de craques como Eusébio, Vítor Baptista, Jordão, Simões ou Nené, faria com que Nelinho fosse pouco utilizado. Com a chegada do treinador Milorad Pavic para a campanha de 1974/75, a situação do avançado pioraria e a solução encontrada levaria o jogador a novo empréstimo. Após a passagem pelos espanhóis do Ourense, o regresso ao plantel “encarnado” começaria a mudar o paradigma do atleta. Com Mário Wilson passaria a ser utilizado com outra regularidade, para, já na época de 1976/77, vir a tornar-se num dos favoritos de John Mortimore. Contudo, nem essa ascensão acabaria valorizada pelos dirigentes das “Águias” e, na altura de renovar o contrato, a relação entre o atleta e o clube conheceria o fim.
Com a titularidade no “onze” do Benfica a apontar a outros voos, Nelinho acabaria por chegar às cogitações da Selecção Nacional. Com a estreia com a “camisola das quinas” a acontecer a 30 de Março de 1977, a lista feita por Juca para o “particular” frente à Suíça, encetaria um trajecto que traria outras convocatórias ao seu currículo. Por outro lado e com as negociações entre as “Águias” e o avançado a não chegarem a “bom-porto”, outros emblemas começariam a “namorar” o atleta. Com o Sporting Clube de Portugal a posicionar-se na corrida, seria, no entanto, o Sporting de Braga a convencer o jogador. Com o palmarés pessoal recheado pela conquista de 3 Campeonatos Nacionais, partiria em direcção ao Minho onde seria apresentado como reforço do plantel de 1977/78. As boas exibições mantê-lo-iam como um elemento de grande valor e tal facto reflectir-se-ia nas restantes convocatórias que dividiriam um total de 4 internacionalizações, metade para cada lado, entre a equipa “A” e o conjunto “B” de Portugal.
Ao findar a ligação com os “Guerreiros” no final da temporada de 1979/80, Marítimo, Farense e Grupo Desportivo Portalegrense preencheriam os derradeiros 4 anos da caminhada competitiva de Nelinho. Ainda experimentaria o papel de treinador, por exemplo, ao serviço do Clube Desportivo e Recreativo de Massamá. Contudo, seria em lides afastadas do futebol que o antigo jogador passaria a apostar e no Bairro da Boavista, local onde cresceu, abriria um cabeleireiro e uma padaria.

1187 - OSVALDINHO

Com a chegada de António Feliciano ao Desportivo de Beja, uma das primeiras arremetidas do antigo internacional português e figura de monta da história do Belenenses, seria a criação de uma “escola” de futebol. Firmino Baleizão da Graça Sardinha acabaria como um dos elementos seleccionados para integrar tal projecto. Porém, para além de endereçar o convite ao jovem praticante, o ex-defesa trataria também de arranjar-lhe uma alcunha. Ao encontrar no seu semblante, principalmente na tez trigueira, semelhanças com o antigo craque leonino Osvaldinho, o técnico colar-lhe-ia uma nova identidade e, daí em diante, esse passaria a ser o seu “nome de guerra”.
Com o percurso formativo concluído e a passagem, na temporada de 1963/64, para o conjunto principal do Desportivo de Beja, os primeiros passos nas competições seniores, ainda que na 2ª divisão, seriam suficientes para avaliar o jovem esquerdino como um atleta promissor. Esse potencial seria também aferido por um negociante nortenho que, apesar da actividade na cidade alentejana, mantinha fortes ligações ao Minho e, principalmente, a uma das grandes colectividades da região. Aconselhado aos responsáveis do Vitória Sport Clube, Osvaldinho seguiria até à “Cidade Berço” para fazer alguns testes. Agradado com as provas prestadas, o técnico argentino José Valle daria a bênção para a sua contratação e a campanha de 1964/65 marcaria o arranque da união do jogador com a equipa sediada em Guimarães.
Mesmo estimadas as suas qualidade desportivas como francamente positivas, a verdade é que vida de Osvaldinho em Guimarães estaria longe de ser fácil. Preterido por elementos bem mais experientes, as duas primeiras temporadas no Vitória permitir-lhe-iam apenas a presença em meia dúzia de partidas na equipa principal. Aliás, essas 6 entradas em campo seriam todas registadas durante a época de chegada ao clube. Tal escassez, com o Serviço Militar Obrigatório a acelerar o processo, faria com que a vida do jogador mudasse de rumo. Integrado no CICA nº1 (Centro de Instrução de Condução Auto), a mudança para a cidade do Porto levá-lo-ia a ser “emprestado” ao Boavista. Depois acabaria destacado para São Tomé e Príncipe, onde também envergaria as cores do Benfica local.
O regresso a Guimarães daria conta de um futebolista com traquejo suficiente para assegurar um lugar no “onze” titular da equipa. A época de 1969/70 revelaria um intérprete de cariz combativo, incansável e com uma enorme percepção táctica do jogo. Podendo desempenhar diferentes funções na estratégia de grupo, como tantas vezes faria no sector intermediário, seria, no entanto, na lateral-esquerda que melhor evidenciaria as suas capacidades. Dessa época em diante, mesmo com a passagem de diferentes treinadores pelo comando técnico do Vitória, Osvaldinho passaria a ser tido como um dos elementos mais importantes do conjunto minhoto e um dos melhores a actuar em Portugal. Esse estatuto seria sublinhado pela chamada à principal selecção nacional. Sob a alçada de José Maria Pedroto, o defesa estrear-se-ia a 13 de Novembro de 1974, num “particular” com a Suíça. Conseguiria também marcar presença no embate frente a Inglaterra, a contar para a qualificação do Euro 76 e, desse modo, embelezar a carreira com 2 internacionalizações “A”.
Mesmo tendo sido veiculado o interesse de Benfica, Sporting e FC Porto, Osvaldinho manter-se-ia por Guimarães. Após várias épocas na “linha da frente” vimaranense, a temporada de 1977/78, bem mais discreta que as anteriores, decretaria o fim da ligação entre o Vitória e o atleta. Seguir-se-ia, como derradeira campanha no contexto primodivisionário, a sua passagem de um ano pelo Marítimo. Já de volta ao Minho, onde fixaria morada, tempo ainda para representar o Gil Vicente e, em experiências que, por diversas vezes, o levaria a conciliar os deveres de atleta com os de treinador, chegariam ao currículo do defesa emblemas como Felgueiras, Prado ou Valenciano.
Já depois de retirado das lides do futebol, Osvaldinho passaria a dedicar-se à gestão da sua pastelaria.

1152 - MARCONI

Chegaria do Sport Recife para, na temporada de 1973/74, reforçar o plantel do Gil Vicente. Já no Minho, às ordens do técnico Joaquim Meirim, o jovem ponta-de-lança começaria a destacar-se como um atleta que, com ambos os pés e com a cabeça, sabia atacar bem a bola. Alto e com uma boa técnica, a panóplia de habilidades que exibia em campo, onde, para além dos golos, também ficaria conhecido pela capacidade de municiar os seus colegas de equipa, alimentar-lhe-iam a ambição para outros voos. Nesse sentido, as 2 campanhas passadas ao serviço do emblema de Barcelos, sempre na 2ª divisão, serviriam para que o Sporting de Braga visse nele um elemento de valor.
A mudança para a capital de distrito em 1975, faria com que Marconi conseguisse estrear-se no principal escalão nacional. Todavia, e com uma primeira temporada em que, como titular, participaria na grande maioria das pelejas do Campeonato, a época seguinte à da sua chegada aos “Arsenalistas”, desenovelar-se-ia em desempenhos mais discretos. Ainda assim, dessa campanha de 1976/77, o avançado haveria de retirar um par de momentos inesquecíveis. O primeiro, a vitória na única edição da Taça da Federação Portuguesa de Futebol e, para terminar o ano desportivo, a chegada dos bracarenses à final da Taça de Portugal.
Regressaria a Barcelos para, com a temporada de 1977/78 ao serviço do Gil Vicente, encetar um longo período a disputar o patamar secundário. Para além dessa travessia longe das principais batalhas do nosso futebol, essas 8 épocas caracterizar-se-iam, igualmente, por outra curiosidade. De forma errante, Marconi mudaria de emblema a cada final de campanha. Lusitânia de Lourosa, Desportivo de Chaves, Recreio de Águeda, Ginásio de Alcobaça, Académica de Coimbra, Riopele e Desportivo das Aves, durante o referido intervalo, acabariam por colorir a caminhada do avançado.
Mesmo na 2ª divisão, as temporadas aí vividas não surgiriam desprovidas de emoção competitiva. Se depois de auxiliar o Ginásio de Alcobaça à conquista da promoção ao escalão maior, não seria escolhido para acompanhar o conjunto da Região Oeste nessa aventura, já com as cores do Desportivo das Aves, após ajudar a idêntico feito, o seu nome não seria riscado do rol de atletas chamados às disputas primodivisionárias. Com tal subida, a temporada de 1985/86 tornar-se-ia na 3ª do atleta ao mais alto nível. No entanto, com a carreira já em fase descendente e com uma grave lesão a atrapalhar os seus desempenhos, em poucos jogos participaria. Seguir-se-ia o Desportivo de Bragança e, muito mais do que assinalar o fim da sua carreira como praticante, a colectividade transmontana transformar-se-ia na etapa de transição para outras tarefas dentro do futebol.
Como treinador, para além do passo destapado no parágrafo anterior, Marconi trilharia os primeiros anos no desempenho de tais funções na 2ª divisão. Mais tarde voltaria a ligar-se ao emblema que o tinha acolhido aquando da sua chegada a Portugal. No Gil Vicente, quase sempre como adjunto, acrescentaria traquejo ao seu currículo. Destaque para a temporada de 1996/97, durante a qual, depois do afastamento de Fernando Festas, passaria, no escalão máximo, a assumir o papel de treinador-principal.

1101 - AILTON

Sem ter encontrado uma fonte que, de forma fidedigna, contasse o seu percurso desportivo no Brasil, certo é que Ailton Ballesteros chegaria a Portugal na campanha de 1974/75 e vindo do maranhense Sampaio Corrêa.
Já no FC Porto e tendo sido apresentado como um reforço sonante, a sua integração acabaria por ficar aquém dos resultados projectados com a sua contratação. Com o seu conterrâneo Aimoré Moreira a liderar os “Azuis e Brancos” no primeiro terço da referida temporada, as oportunidades dadas ao médio seriam quase nulas. Porém, com entrada de Monteiro da Costa para o comando técnico, a realidade do jogador iria alterar-se um pouco. Ainda assim e tendo em conta a sua utilização, a verdade é que Ailton demoraria a impor-se como um elemento de uma preponderância indiscutível. Essa realidade reverter-se-ia na última campanha no Estádio das Antas e como um elemento capaz de produzir um pouco mais do que o suficiente, o atleta tornar-se-ia num nome relevante no plantel e uma peça importante na vitória da Taça de Portugal de 1976/77.
No Verão de 1977, à procura de melhores condições contratuais, Ailton aceitaria a proposta do Presidente João Rocha e tomaria a decisão de trocar o FC Porto pelo Sporting. Em Alvalade continuaria a manter-se como um atleta, mesmo longe do virtuosismo de alguns colegas, capaz de conseguir ser relevante para o equilíbrio do grupo de trabalho. De “Leão” ao peito também venceria a Taça de Portugal. Logo na campanha de chegada ao emblema de Lisboa, o esquerdino seria chamado a disputar a final e a finalíssima da “Prova Rainha” e frente à antiga equipa, entraria de início na partida que entregaria o troféu às estantes leoninas.
A 3ª conquista em Portugal aconteceria ao serviço do Boavista. Aliás, o seu regresso à cidade do Porto e a entrada no Estádio do Bessa entregariam Ailton, em termos individuais, às melhores épocas passadas em terras lusas. Sob a alçada de Mário Lino, começaria logo por vencer a Supertaça de 1979/80. Contribuiria também para as boas prestações no Campeonato Nacional e para a qualificação e participação dos “Axadrezados” nas provas europeias. Seguir-se-ia, já no ocaso da sua carreira, o Varzim. Com o emblema poveiro, o médio brasileiro cumpriria a 9ª campanha no escalão máximo luso e chegaria às 163 partidas primodivisionárias.

968 - TORRES

Conseguindo destacar-se ao serviço do SL Fuzeta, Joaquim Torres cedo começou a ser cobiçado por emblemas de outra monta. Segundo a imprensa da altura, Benfica, Sporting e Olhanense completavam o rol de colectividades interessadas no jovem desportista algarvio. No entanto, e apesar da forte competição, a decisão do guarda-redes recairia para o convite endereçado pelo Vitória de Setúbal. Nos “Sadinos” passaria mais de uma década e, tendo em conta os êxitos conseguidos pelo conjunto durante a década de 70, o atleta acabaria elevado à condição de lenda.
Tendo chegado ao Bonfim na temporada de 1963/64, e apesar do potencial nele reconhecido, a sua adaptação não foi fácil. Tendo demorado algumas épocas para conseguir impor-se, só na campanha de 1970/71 é que começou a figurar, com regularidade, nas fichas de jogo. Primeiro pela presença de Mourinho Félix e, mais tarde por razão das contratações de Dinis Vital e de António Vaz, a concorrência que enfrentou por um lugar no “onze” foi sempre muito vigorosa. Ainda assim, mormente sob a alçada de José Maria Pedroto, os momentos de grandeza foram suficientes para conseguir figurar na memória dos adeptos como um dos pilares da glória sadina. Em 1971/72, ainda que na condição de suplente, ajudaria o conjunto a atingir o 2º lugar na tabela classificativa, a melhor classificação de sempre na história do Vitória de Setúbal. Já em 1972/73 e 1973/74, aí como o principal dono das balizas, Torres ajudaria a sua equipa, por duas vezes consecutivas, a atingir os quartos-de-final da Taça UEFA.
Seria José Maria Pedroto que ajudaria o guardião a dar o passo seguinte na sua carreira. Satisfeito com o seu trabalho nos tempos vividos por ambos na cidade de Setúbal, o treinador acabaria por levar o jogador para as Antas. Com o FC Porto, Torres viveria, em termos de títulos, o seu período mais áureo. De “Azul e Branco”, ainda que não tendo jogado na primeira das duas temporadas, o atleta faria parte dos planteis que venceriam os Campeonatos de 1977/78 e 1978/79 e ainda a Taça de Portugal de 1976/77.
Tendo chegado aos “Dragões” já depois de ter passado a barreira dos 30 anos de idade, as 4 épocas passadas na “Cidade Invicta” encaminhá-lo-iam para os derradeiros passos da sua caminhada profissional. Tempo ainda, ao serviço do Amora, para mais uma temporada na 1ª divisão, completando, desse modo, 18 anos no escalão máximo do futebol português.
Em 1982, após uma última campanha com as cores do Nacional da Madeira, Torres deixaria o desporto. Daí em diante passaria a dedicar-se a outra das suas paixões. Tendo abandonado o futebol, o antigo guarda-redes passaria a trabalhar como repórter fotográfico.

944 - RONALDO

Contratado ao Botafogo da Bahia, Ronaldo chegaria ao FC Porto rotulado como avançado. Porém, nessa temporada de 1969/70, talvez pela instabilidade causada pela mudança de treinadores, poucas oportunidades teria para mostrar as suas qualidades. As escassas partidas disputadas nessa época de estreia em Portugal, levariam a que os responsáveis técnicos portistas, liderados pela estrela escocesa Tommy Docherty, tomassem a decisão de ceder o atleta ao Boavista. A campanha passada no Estádio do Bessa, tal como a de regresso às Antas, seriam, em abono da verdade, uma nova desilusão. Sem mostrar a tão apregoada “veia goleadora”, o futebolista não conseguiria ser mais do que uma solução secundária.
É então que algo muda radicalmente a sua carreira. Já com Fernando Riera, mas, principalmente com a contratação de Béla Guttmann, o suposto atacante passa a jogar bastante mais recuado no terreno de jogo. Adaptado a defesa central, a mudança táctica rapidamente daria razão aos dois técnicos. A alteração levaria a que o atleta, logo na temporada de 1973/74, tomasse para si um lugar no “onze” inicial do FC Porto. No que aconteceu daí em diante, existem momentos de inteira sombra. Sem ter conseguido encontrar qualquer informação sobre o seu paradeiro na campanha de 1974/75 (talvez tenha estado lesionado!) a verdade é que o brasileiro volta a reaparecer em 1975/76.
Ainda de “Azul e Branco”, Ronaldo volta a perder a preponderância conquistada sob a alçada do já referido treinador húngaro. À procura de mais oportunidades para jogar, o atleta acabaria mesmo por ser transferido. Ao serviço do Sporting de Braga, e logo na época da sua chegada, o defesa abeira-se de conquistar o primeiro troféu em Portugal. Consigo a titular, o conjunto minhoto chega à derradeira partida da edição de 1976/77 da Taça de Portugal. No entanto, 1 golo de Fernando Gomes, seu antigo colega no FC Porto, acabaria por desviar o título para as Antas. Mesmo assim, não tardou muito até que o seu currículo ficasse mais colorido. Ainda durante essa temporada, os bracarenses voltam a chegar a uma final. A prova seria a Taça Federação Portuguesa de Futebol. Com a decisão a ser disputada frente ao Estoril-Praia, dessa feita a sorte sorriria aos minhotos.
No total que foram as 4 temporadas ao serviço do Sporting de Braga, pode dizer-se que a importância desportiva de Ronaldo foi maior do que no resto do tempo despendido em Portugal. Tendo conseguido assumir a titularidade em 3 delas, só na última, a que anteciparia a sua partida, é que o defesa passaria para segundo plano. Também em termos de popularidade, aquela que conquistou no Minho, só seria ultrapassada pela granjeada na sua terra natal. Ainda em 2017, por altura da reinauguração de um complexo desportivo, Ronaldo seria homenageado pela Prefeitura Municipal de Ituaçu.

925 - VÍTOR MARTINS

Há uma expressão no futebol inglês capaz de definir a carreira do médio. Ora, um desportista que jogou a totalidade da sua carreira profissional num clube apenas, é um “One-Club men”… e foi isso que o Vítor Martins foi!
Antes ainda de chegar aos juniores do Benfica, seria nas “escolas” dos Nazarenos que Fernando Cabrita o descobriria. Transferido para a formação das “Águias”, e após uma passagem pelas “reservas”, seria na temporada de 1969/70 que participaria no primeiro jogo pela categoria principal. No entanto, não seria uma estreia qualquer! Frente a um Celtic que contava com Billy McNeill, Jim Craig ou Bobby Murdoch, vencedores da Taça dos Campeões Europeus uns anos antes, a confiança nas suas capacidades daria a Otto Glória a necessária certeza para lançá-lo numa partida de tal importância. O Benfica acabaria por perder na decisão por moeda ao ar, mas essa partida para as competições europeias marcaria o início de uma grande caminhada.
Muito desse seu trajecto seria feito de trabalho. Muito mais do que um virtuoso, o médio era um trabalhador. Recto nas suas intervenções, Vítor Martins não tinha medo de qualquer confronto mais físico. Ainda assim, era um atleta que tratava bem a bola. As habilidades técnicas que possuía permitir-lhe-iam posicionar-se em qualquer lugar no rectângulo de jogo. Por tudo isso, transformar-se-ia num elemento indispensável para qualquer um dos seus treinadores. Desde o já referido Otto Glória, a Jimmy Hagan, passando por Mário Wilson ou John Mortimore, a inscrição do seu nome na ficha de jogo passaria a ser uma rotina. Seria assim na maioria das 9 temporadas em que representou o plantel principal das “Águias” e, razão de tudo o que foi aqui escrito, um pilar em diversas conquistas.
Campeonatos seriam 6. Ainda somaria ao palmarés 2 Taças de Portugal. Ironicamente, seria naquela que é uma das provas mais estimadas por adeptos, técnicos e jogadores que Vítor Martins conheceria o fim da sua carreira. Nas rondas iniciais da edição de 1977/78 da “Prova Rainha”, calharia ao Benfica receber a formação do Desportivo de Chaves. Nesse fatídico dia 26 de Novembro Vítor Martins acabaria aleijado num joelho. Durante à operação ao menisco, o médio seria vítima de uma embolia cerebral. As mazelas resultantes do acidente obrigá-lo-iam a afastar-se do futebol.
Numa caminhada interrompida precocemente, os 27 anos que tinha na altura representariam a força de uma carreira no auge. Ainda assim, e apesar de curto, o seu trajecto ainda daria ao jogador a honra de vestir as cores nacionais. Representaria os sub-18, os sub-21 e, a meio do seu percurso profissional, a equipa “A”. Com a estreia a acontecer em Novembro de 1974, a chamada de José Maria Pedroto para um “amigável” frente à Suíça marcaria a primeira de 2 internacionalizações*.

*Vítor Martins jogaria uma terceira partida, não oficial, frente à selecção de Goiás.

922 - JOHN MORTIMORE

As “escolas” do Woking, emblema sediado nos arredores de Londres e perto da sua terra natal, serviriam para que John Mortimore tivesse o primeiro contacto com o futebol associativo. Após ter terminado o percurso formativo, o jovem defesa haveria de, no mesmo clube, fazer a transição para o patamar sénior. Aí permaneceria até aos 21 anos, idade com que seria resgatado dos escalões amadores.
O salto dado na temporada de 1955/56, desde os “regionais” até à “First Division”, não amedrontaria John Mortimore. Após o normal período de adaptação a um contexto competitivo completamente diferente daquele a que estava habituado, o defesa começaria a aparecer com alguma regularidade na primeira equipa do Chelsea. Na campanha de 1957/58, já o central era um dos titulares do “onze” londrino. Durantes os anos vindouros raramente esse estatuto seria posto em causa. A importância que tinha para o grupo era tal que, como reconhecimento pela sua dedicação, a braçadeira de capitão acabaria entregue à sua responsabilidade.
Curiosamente, só no último ano em Stamford Bridge é que os títulos chegariam à sua carreira. Após representar os “Blues” em 10 temporadas diferentes, os derradeiros passos no seu percurso como futebolista levá-lo-iam a disputar a final da “League Cup”. Tendo falhado a primeira mão, no segundo jogo, marcado para a casa do adversário, John Mortimore seria chamado ao “onze” inicial. Depois da vitória por 3-2 em Londres, a sua participação serviria para aguentar o nulo nessa partida e, acima de tudo, para garantir o triunfo frente à equipa do Leicester.
Antes de encetar a sua actividade como treinador-principal, John Mortimore ainda faria uma última temporada com as cores do Queens Park Rangers. Contudo, a referida mudança só chegaria passados alguns anos e num país diferente. Ao contrário daquilo que seria previsível, a oportunidade de orientar um clube surgiria na Grécia. No Ethnikos de Pireus e, mais tarde, ao serviço do Portsmouth, o antigo defesa central ganharia a experiência necessária para, em 1976, enfrentar o maior desafio da sua curta carreira como técnico – “O trabalho no Benfica apareceu através da “Football Association” (FA) e eu agarrei a oportunidade. Eu penso que o clube abordou a FA, que recomendou uma ou duas pessoas e nós fomos entrevistados”*.
Na chegada à “Luz”, uma das primeiras decisões tomadas pelo inglês seria reforçar a equipa com os juniores Alberto, José Luís e Fernando Chalana. Tendo conseguido afinar o conjunto pela mistura dessa juventude com a experiência dos restantes elementos, o técnico levaria o Benfica à vitória no Campeonato. No entanto, e apesar desse bom arranque, as temporadas seguintes seriam dominadas pelo FC Porto de José Maria Pedroto. Sem o sucesso exigido por dirigentes e adeptos, John Mortimore haveria de deixar o clube para, em 1985/86, regressar aos comandos das “Águias”.
A segunda passagem pelos “Encarnados”, ainda melhor do que a primeira, seria recheada de êxitos. O Campeonato ganho em 1986/87, as 2 Taças de Portugal e 1 Supertaça seriam o saldo desses 2 anos. Outro dos resultados dessa estadia acabaria por ser a sua contratação pelo Real Bétis. Todavia, a experiência no conjunto de Sevilha seria pouco proveitosa. Num plantel que contava com Chano (ex-Benfica) e Ralph Meade (ex-Sporting), John Mortimore acabaria por ser dispensado na mesma temporada da sua contratação.
O que restou da sua carreira como treinador, ainda o levaria a orientar o Belenenses e o Southampton.  A maior curiosidade desse troço seria a ligação com o emblema do sul de Inglaterra. John Mortimore, cuja relação com os “Saints” remontava aos anos 60 e à altura em que ainda era adjunto, haveria de passar pela Presidência do clube.
 
*retirado da entrevista conduzida por Dominic Bliss e publicada a 24/12/2014, em https://portugoal.net

905 - VITAL

Com a formação dividida entre o Caldas e o Benfica, a possibilidade de continuar na equipa “encarnada” ficaria inviabilizada pela presença de avançados mais experientes. Artur Jorge, Nené, Jordão, Vítor Baptista e, principalmente, Eusébio empurrariam Vital para fora da “Luz”. Nesse sentido, Famalicão e Marinhense seriam os emblemas que acolheriam o jovem atleta nos dois primeiros anos como sénior. Seguir-se-ia o Riopele.
No emblema do concelho de Famalicão, Vital participaria num dos mais importantes capítulos da “colectividade fabril”. Tendo chegado na temporada de 1974/75, o jogador participaria nas campanhas que levariam o clube à estreia na 1ª divisão. O destaque merecido durante essas 3 temporadas faria com que José Maria Pedroto, à altura técnico principal do FC Porto, decidisse apostar na sua contratação. Apesar de pouco utilizado, as exibições pelo emblema da “Invicta” levariam a que, a 16 de Novembro de 1977, conseguisse estrear-se com a principal camisola da selecção portuguesa. Chamado por Juca, o avançado, que já contava com algumas internacionalizações nas camadas jovens, entraria na segunda metade da partida frente ao Chipre. Mesmo sendo essa a sua única presença na equipa “A” o atleta deixaria a sua marca no desfecho da partida e, com um golo, daria o seu contributo para a vitória por 4-0.
A sua saída do FC Porto, a meio da temporada de 1979/80, levá-lo-ia a entrar numa fase mais errante da carreira. Mesmo não conseguindo fixar-se por muito tempo no mesmo clube, a verdade é que as suas qualidades, mormente o jogo aéreo, mantê-lo-iam em emblemas de topo. Nos anos seguintes, Betis, na única aventura pelo estrangeiro, o regresso ao Benfica e ainda o Boavista seriam as cores que passaria a envergar.
Curiosamente, aquela que seria a última fase da sua carreira afastá-lo-ia dos principais palcos competitivos. Sem ainda ter chegado aos 30 anos de idade, Vital passaria a competir nas divisões secundárias do futebol português. Apesar desse final um pouco surpreendente, o percurso do atacante não ficaria desvirtuado. Tendo representado importantes emblemas, também os títulos conseguidos serviriam de testemunho do seu sucesso. Divididos entre os anos no FC Porto e no Benfica, o avançado ajudaria as suas equipas a conquistar 3 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça.
Com o final da carreira de futebolista, a passagem para as funções de técnico seria imediata. No Vizela, onde ainda desempenharia o papel de treinador-jogador, daria os primeiros passos de uma longa caminhada. Tendo orientado diversos clubes, principalmente nos escalões inferiores, há que destacar a sua passagem pelo Sporting. Em Alvalade, onde entraria como adjunto de Octávio Machado, chegaria a comandar a equipa principal. Em 1997/98 seria dele a responsabilidade de dirigir os “Leões” durante algumas partidas. Contudo, e numa altura conturbada para o emblema de Alvalade, os resultados não ajudariam à sua continuidade. Ao fim de apenas algumas semanas, seria demitido e o argentino Vicente Cantatore acabaria por ocupar aquele que tinha sido o seu lugar
.

885 - CHICO GORDO

Nascido num contexto modesto, foi nas ruas do Lobito que começou a dar os primeiros pontapés na bola. Bem depressa, os responsáveis do FC Lobito, filial do FC Porto em Angola, percebem que naquele rapaz estava um grande tesouro. Ingressa, ainda adolescente, no emblema da terra que o viu nascer. Contudo, a ligação não duraria assim tanto tempo, pois, da “Cidade Invicta”, houve quem perguntasse por ele. Sem tempo para desperdiçar, seria com 16 anos que Chico Gordo deixaria o seu país, para passra a jogar pelas “escolas” do emblema portuense.
O desafio que tinha pela frente, mesmo estando afastado do conforto do lar, jamais intimidaria o avançado. Continuou a fazer aquilo que melhor sabia. Os golos surgiam em catadupa e, nessa progressão, também da selecção haveriam de chamá-lo a jogo. Com as cores dos juniores portugueses, Chico Gordo faria algumas partidas. Claro está que, toda essa projecção teria repercussões no seu estatuto dentro do clube. Com José Maria Pedroto aos comandos do “Dragão”, o ponta-de-lança seria intimado a integrar os trabalhos da equipa principal.
É na época de 1968/69 que faz a estreia na primeira categoria. Ainda assim, a vida de “Azul e Branco” não seria fácil. Com atletas mais experientes a tomarem a dianteira por um lugar no “onze”, só na temporada seguinte é que conseguiria mais oportunidades. Depois, sem sair da 1ª divisão, viria a passagem pelo Tirsense. Contudo, e numa altura em que estava a conseguir conquistar o seu espaço no futebol profissional, o serviço militar viria estragar-lhe todos esses objectivos. Em seguida viria o destacamento para Angola e, mesmo tendo vestido as cores do FC Moxito, a ida para um cenário de guerra embargar-lhe-ia o evoluir da carreira.
Só em 1974 é que Chico Gordo, livre das obrigações para com o exército, volta a Portugal. Já depois de ter conseguido sagrar-se campeão angolano, é no Lusitânia de Lourosa que encontra novo abrigo. Começa por jogar nos campos da 2ª divisão, mas o regresso ao escalão maior do nosso futebol aconteceria num “piscar de olhos”. Um ano após ingressar na equipa do concelho de Santa Maria da Feira, é do Sporting de Braga que surge novo convite. Nos “Guerreiros” o seu impacto é imediato e, logo na temporada de 1975/76, o avançado surge como um dos principais elementos da equipa minhota.
Nos anos vindouros manter-se-ia como titular. Com um “faro” tremendo, Chico Gordo conseguia superar algumas limitações técnicas com um sentido posicional de excelência. O avançado parecia adivinhar onde a bola ia cair e, com o esférico em sua posse, a simplicidade com que executava os remates era mais uma das suas armas. Todas as temporadas, os seus golos tomavam uma importância suprema no desempenho da equipa bracarense. Seria com ele no plantel que o Sporting de Braga chegaria à final da Taça de Portugal de 1976/77. Depois, logo na época seguinte, ocorreria algo nunca visto na história do clube. O 4º posto no Campeonato, com o atacante a ser uma das principais figuras do conjunto, daria aos “Arsenalistas” a qualificação para as competições europeias.
No plano pessoal, tal como no colectivo, as coisas saiam bem ao atleta. Apesar de nunca ter conseguido sagrar-se o Melhor Marcador em Portugal, na época de 1977/78, sendo apenas ultrapassado por Fernando Gomes, Chico Gordo ficaria lá bem perto. Todavia, e como tudo na vida, também para o avançado o seu percurso como futebolista entraria no plano descendente. Depois de 5 temporadas ao serviço do Sporting de Braga, durante as quais conseguiria tornar-se no goleador máximo da equipa no Campeonato, o jogador opta por prosseguir no Vitória de Setúbal. Nas margens do Sado, ainda que longe dos anos dourados da sua carreira, os seus golos seriam cruciais. Depois viriam os escalões secundários e passagens por Beira-Mar, AD Guarda e Macedo de Cavaleiros.

612 - ANTÓNIO TEIXEIRA

Natural de Lisboa, é descoberto após representar alguns emblemas da capital portuguesa. Depois dos modestos Águias do Alto Pina ou do Chelas, chega a vez de António Teixeira vestir as cores do Benfica. Entra para as camadas de formação do clube, onde se sagra campeão nacional de juniores, e, pela mão do inglês Ted Smith, acaba por ser promovido à categoria principal.
Avançado, que havia começado a trilhar caminho como extremo esquerdo, é no centro do ataque que começa a ganhar algum destaque. Contudo, a temporada em que sobe aos seniores “Encarnados” (1949/50) é, também, aquela em que o Benfica vence a Taça Latina. Ora, este contexto, o de uma equipa recheada de craques, acaba por não ser muito favorável à conquista de um lugar no seio do plantel. Nomes como os de Rogério de Carvalho, Arsénio, Julinho ou Espírito Santo, acabariam por não dar a António Teixeira muito espaço para progredir.
A falta de oportunidades, faz com que o atacante deixe o clube. Já com um Campeonato Nacional (1949/50) na bagagem, segue, então, para o Norte de Portugal. No Minho, acaba por vestir as cores do Vitória de Guimarães. A mudança, devolve ao atacante uma presença regular dentro de campo. Teixeira regressa aos golos e, no espaço de um ano, volta a ser cobiçado por outros “grandes” do futebol nacional.
É para a época de 1952/53 que António Teixeira ingressa no FC Porto. Afastado dos títulos há mais de uma década, os “Dragões” passariam a contar no sector ofensivo, com um atleta que, muito mais do que ser combativo e de possuir um belo remate, era um ás na finalização. O evoluir desta união acabaria por trazer os seus frutos. Em 1955/56, o FC Porto volta aos troféus, e logo com uma “dobradinha”. Os golos de Teixeira, somando-os aos do brasileiro Jaburú, haveriam de ser os principais impulsionadores deste sucesso.
Daí em diante, tudo mudaria para o avançado. A consolidação das suas exibições, que ajudariam à conquista da Taça de Portugal de 1957/58 e do Campeonato do ano seguinte, levá-lo-iam à elite do futebol nacional. Reflexo disso mesmo, seria a sua chamada à selecção portuguesa. Um golo frente à Itália, numa partida de qualificação para o Mundial de 1958, marca a sua estreia. Com a “camisola das quinas” jogaria mais 6 vezes. Talvez, não com a regularidade que merecia. Ainda assim, Teixeira será recordado como um dos melhores pontas-de-lança do futebol nacional, nos anos 50.
Depois de uma década com as cores do FC Porto, António Teixeira decide afastar-se dos rectângulos de jogo. Após um pequeno interregno, o antigo internacional decide-se pela vida de treinador. Passa pelo Sp. Braga. Orienta Leixões, FC Porto e Boavista, até que chega ao Varzim. Na Póvoa, os resultados do seu trabalho haveriam de o pôr na história do clube. Vence, na época de 1975/76, o Campeonato da 2ª divisão; devolve o clube, na temporada seguinte, aos grandes palcos nacionais; e, em 1978/79, com um 5º lugar na tabela classificativa, consegue levar os “Lobos do Mar” à melhor classificação de sempre na sua história.

573 - WAGNER

Ainda era um jovem jogador, produto da formação da Juventus de São Paulo, quando, da Europa, aparecem os primeiros interessados no seu concurso. Inexperiente, com pouco mais de "meia dúzia" de partidas pelo seu clube de origem, e um empréstimo ao Internacional de Limeira (3ª divisão), Wagner via-se agora a caminho de Espanha. No entanto, pelos anos 60, a limitação de estrangeiros no futebol de "nuestros hermanos", fazia com que a entrada de futebolistas vindos de outros países, fosse muito difícil. Por essa razão, e já depois de alguns treinos à experiência em emblemas muito importantes (Barcelona e Zaragoza), o seu destino acaba por mudar (ligeiramente) de rumo.
Curiosamente, ele que é de ascendência portuguesa, haveria de ver nova oportunidade surgir-lhe na terra dos seus avós. Quem lhe abriria as portas, acabaria por ser o seu conterrâneo e treinador do Leixões, o internacional José Carlos Bauer. Na Primeira Divisão nacional, 4 temporadas seriam suficientes para que nele se visse um belo jogador. Por essa altura, 1963/64, ainda Wagner jogava em lugares adiantados no terreno. Esse seu posicionamento dentro das quatro linhas, aliado a características como uma boa técnica e um entendimento perfeito das movimentações no campo, faziam dele um atacante a ter em conta.
Apesar das qualidades de avançado, acabaria por ser em posições mais recuadas que Wagner conseguiria maior destaque. Ora, seria já depois de um curto regresso ao Brasil, durante o qual representaria a Portuguesa, que o atleta volta a Portugal. Desta feita com as cores do Vitória de Setúbal, o atleta vê o seu treinador pedir-lhe para jogar a meio campo. Fernando Vaz, que, para a época de 1968/69, era o timoneiro dos "Sadinos", veria na sua qualidade de passe e visão de jogo uma boa oportunidade para adaptar Wagner as outras responsabilidades. Essa mudança faria dele uma das principais peças de um Vitória que, liderados pelo já referido treinador e também por José Maria Pedroto, conseguira consecutivas qualificações para a Taça das Cidades com Feira.
A visibilidade dessas boas campanhas, onde por duas vezes chegaria aos quartos-de-final, levá-lo-iam a subir mais um degrau na sua vida profissional. Mais uma vez orientado por Fernando Vaz, é de Alvalade que surge novo contrato. No Sporting, acabaria por se consagrar como um atleta delineado para os grandes desafios. Tal estatuto, muito para além das boas exibições que conseguia, acabaria por emergir da sua forte personalidade. Com um carácter bem vincado, Wagner também se perfilava com um verdeiro condutor dos seus colegas. Esse seu lado, faria com que, primeiramente, fosse ele o substituto de José Carlos como "capitão". Mais tarde, para a temporada de 1974/75, seria ele próprio o dono da dita braçadeira.
Mas esta troca de clubes, não trouxe para a sua carreira apenas algum "estatuto". Nessas quatro temporadas com o emblema lisboeta, seria o Sporting a dar-lhe os seus primeiros títulos como profissional. Um Campeonato Nacional (1973/74) e duas Taças de Portugal (1972/73; 1973/74), seriam o saldo dessa sua experiência de "Leão" ao peito.
Os últimos anos da sua carreira passá-los-ia de volta à cidade do Sado. Depois de mais três temporadas a pisar os relvados, e de em 1978 tomar a decisão de se retirar, Wagner resolve-se pelas funções de treinador. Começa no Brasil e volta a Portugal, onde, tanto como adjunto, técnico principal ou a orientar as camadas jovens, passaria por diversos emblemas.

254 - SENINHO

Dono de uma velocidade sem par, à custa da qual chegou a fazer 10,8 segundos em 100 metros, Seninho, à estonteante qualidade física, soube juntar um controlo do esférico igualmente assombroso. Foi essa simbiose perfeita que, na temporada de 1977/78, destruiu o intento do Manchester United, em recuperar dos 4-0 sofridos no Estádio das Antas. Ainda assim, apesar da excelente vantagem trazida da primeira mão, a partida em Old Trafford, na disputa dos oitavos-de-final da Taça do Vencedores das Taças, perspectivava-se difícil para os “Dragões”. Os "Red Devils", alimentados por um ambiente incrível, depressa conseguiriam adiantar-se no marcador. No entanto, o extremo não estava pelos ajustes – “fiz uma arrancada, driblei dois ou três adversários pela direita e rematei com o pé esquerdo, já perto da área"*. Feito o empate, o árbitro, veiculado à altura como senhor de tendências caseiras, entre golos irregulares e constantes faltas por marcar, começou a dificultar a vida aos portistas. A 30 minutos do fim, com o “placard” a registar 4-1 a favor da colectividade inglesa, mais uma vez coube ao avançado agitar o rumo do jogo – “Domino a bola, consigo fintar o guarda-redes e como tinha pouca posição, tentei enquadrar--me com a baliza, já que estavam dois adversários em cima da linha de golo. Se com um jogador já é difícil, imagine com dois! Depois meti a bola no buraco da agulha, por entre as pernas de um deles. Tive sorte porque a bola bateu num dos calcanhares e ganhou um efeito que impossibilitou o corte de quem quer que fosse”*.
O resultado ficou 5-2, com Seninho, verdadeiramente, a fintar os ingleses. Quem também saiu desconsertado do estádio foram os emissários do New York Cosmos que, naquela noite, até iam para ver jogar António Oliveira. Porém, o destaque acabou por incidir no extremo e os observadores, agradecidos pela coincidência, logo na manhã seguinte fizeram chegar aos responsáveis portistas uma proposta milionária. 20 mil contos depois, 12 para o jogador e 8 para o clube, mais um telefonema de Pelé a convencer o atleta a mudar-se, e o negócio ficou fechado.
Seninho partiu para o outro lado do Atlântico, após recusar um rol de tentadoras propostas vindas de grandes clubes do “velho continente”. Quem também ficou para trás foi o FC Porto, emblema a que chegou em 1969, vindo de Angola, e o qual ajudou a vencer 2 Campeonatos Nacionais, inclusive o que pôs fim a um jejum de 19 anos sem vencer a mais importante prova lusa. Já nos Estados Unidos da América, para além de um salário substancialmente maior ao auferido em Portugal, o jogador teve a oportunidade de partilhar o balneário com o astro brasileiro referido no parágrafo anterior e com outras estrelas como Beckenbauer, Neeskens ou Carlos Alberto.
Financeiramente e também pelo “glamour hollywoodesco” em que nasceu a Liga norte-americana, a experiência, por certo, terá compensado. Já no campo desportivo a história é um pouco diferente. Seninho, ao contrário da maioria dos jogadores famosos que lá foram parar, transferiu-se ainda no auge da carreira e, com a mudança, acabou por perder alguma visibilidade no "mundo" do futebol. Um dos resultados mais notórios desse afastamento foi o facto de, a partir daí, nunca mais ter sido chamado a representar a selecção nacional.

*retirado da entrevista publicada em https://ionline.sapo.pt, a 22/11/2011

203 - KEITA

Espantosamente, logo no ano de estreia pelos seniores do Pionniers Ouolofobougou, o Real Bamako, um dos principais emblemas do Mali, haveria de contratá-lo. Apesar do potencial reconhecido nele, tudo parecia estar a acontecer de forma muito rápida para Salif Keita. A primeira chamada à selecção “A”, no mesmo ano de 1963, só viria acentuar essa ideia. No entanto, o jovem de 16 anos saberia, como ninguém, aguentar toda a responsabilidade e, em abono da verdade, a passos largos, tão depressa quanto tinha aparecido, o seu futebol transformar-se-ia num dos mais cobiçados do seu país natal.
A resposta à sua evolução viria do Saint-Étienne. Mais uma vez, Keita não deixaria atemorizar-se com mudança para o clube, à altura, mais bem cotado de França. Bem, habituado a ganhar já ele estava! Na bagagem trazia alguns Campeonatos ganhos no seu país. Mas tal facto terá ajudado na sua adaptação? Nada indica que não tenha ficado arrebatado com a mudança. Porém, logo na época da sua chegada, para além da forma surpreendente como, com facilidade, conseguiria impor-se no “onze” do emblema gaulês, o avançado tornar-se-ia num dos pilares da “dobradinha” conquistada, nessa temporada de 1967/68, pelos “Verts”.
A sua rapidez, aliada a uma capacidade de drible fantástica, serviam na perfeição um pé esquerdo fenomenal. Nesse sentido, fosse na assistência aos colegas do ataque ou mesmo a finalizar, o jogador, a cada jornada cumprida, tornar-se-ia num dos intérpretes mais importantes das manobras ofensivas da equipa. Com a conquista do tricampeonato gaulês, nos 3 primeiros anos de Keita em França, o atleta passaria a ser muito conceituado. Com tamanha evolução, em 1970 ser-lhe-ia atribuído o título de Jogador Africano do Ano. No entanto, para a consagração ficar completa, faltava-lhe ainda um troféu no contexto das selecções. A tão almejada meta quase que a atingiria, dois anos passados sobre o referido prémio individual e com o Mali a chegar à final da CAN de 1972.
Curiosamente, esse mesmo ano haveria de marcar uma viragem na sua carreira. Acabado de chegar ao Marseille, o excesso de estrangeiros no seio do plantel, faria com que os dirigentes pressionassem o atleta a naturalizar-se francês. A veemente recusa por parte do jogador levaria com que, finda a temporada, Keita fosse transferido, não só para outro clube, como para outro campeonato. No Valência, o começo seria atribulado, com a desconfiança dos associados na sua contratação, a ser alimentada por intoleráveis comentários racistas vindos da imprensa espanhola – “El Valencia va a por alemanes y vuelve con un negro”*. Contudo, toda a polémica seria insuficiente para abalar o seu rendimento. Rapidamente, as boas exibições calariam as vozes reaccionárias que dele desdenhavam e os três anos que por lá passaria torná-lo-iam num dos futebolistas mais acarinhados pela massa adepta.
A última etapa na Europa cumpri-la-ia a convite do treinador inglês Jimmy Hagan. Depois de ter perdido alguma preponderância na equipa “Che”, Keita, já à beira dos 30 anos, assinaria pelo Sporting. Com o objectivo de fazer esquecer Yazalde e perante tão difícil meta, os golos começariam por faltar e a vitória na Taça de Portugal de 1977/78 saberia a pouco. A verdade é que a genialidade do seu futebol vingaria e, ao traçar o seu caminho, acabaria por formar, juntamente com Manuel Fernandes, Jordão e Manoel, um dos melhores sectores ofensivos da história leonina.
Depois de, nos Estados Unidos da América, ao serviço dos New England Tea Men, ter concluído a carreira, Keita regressaria ao Mali. No seu país, continuaria ligado à modalidade, primeiro com a criação do Centre Salif Keita (CSK) e, por fim, após cumprir o mandato como Ministro do Desporto, na Presidência da Federação Maliana de Futebol. Já em jeito de conclusão, só uma curiosidade. Foi da “escola” por si fundada que saiu uma das estrelas do futebol actual, o seu sobrinho e jogador do Barcelona, Seydou Keita.
 
*retirado do artigo de Ricardo Figueiredo, publicado a 08/12/2011, em https://aoutravisao.wordpress.com