819 - FIGUEIREDO

Ainda que um produto das escolas do Belenenses, a sua relação com o emblema do Restelo haveria de ser um pouco peculiar. Tendo terminado a sua formação já na segunda metade da década de 70, o empréstimo ao Lusitano de Évora, como para tantos outros jovens atletas, seria uma quase inevitabilidade. Ora, os primeiros anos como sénior, e numa altura em que já tinha sido chamado à selecção nacional s-18, passá-los-ia no Alentejo. A disputar os escalões secundários, Figueiredo, mostra ter as qualidades de alguém bem mais experiente, conseguiria afirmar-se como um bom guarda-redes.
Usado regularmente pelo emblema eborense, é já na temporada de 1982/83 que o jogador regressa à “casa-mãe”. Com a descida dos da “Cruz de Cristo”, a primeira da história do clube lisboeta, Figueiredo voltaria a enfrentar a 2ª divisão. Aliás, a sua estreia no nosso principal escalão dar-se-ia apenas duas temporadas volvidas e ao serviço de outra colectividade. Com a sua transferência para o Rio Ave, é então em Vila do Conde que o guardião faz a sua estreia nos grandes palcos do futebol português. Tendo iniciado essa campanha de 1984/85 na condição de suplente, Félix Mourinho, também seu treinador no Belenenses, entregar-lhe-ia a custódia das balizas já na recta final do Campeonato.
No evoluir da sua carreira, a temporada em que, pela primeira vez, conseguiria merecer grande destaque, seria a de 1986/87. Como titular indiscutível, muito mais do que afirmar-se como um atleta primodivisionário, Figueiredo haveria de ser elevado à condição de favorito do emblema vila-condense. As boas exibições levá-lo-iam, naquilo que seria a segunda metade do seu percurso como futebolista profissional, a mantê-lo na disputa pelas principais provas nacionais. Portimonense e Famalicão seriam os clubes que se seguiriam nessa senda e aqueles que precederiam o regresso a uma casa bem conhecida. De volta ao Estádio do Restelo, talvez tenha visto nessa nova passagem a chance de agradecer ao clube o facto de o ter lançado no mundo do desporto. É verdade que teria mais oportunidades do que naqueles primeiros anos da sua carreira. Ainda assim, e nessas 4 épocas (1991/92 a 1994/95) teria que partilhar o lugar com Pedro Espinha ou Tomislav Ivkovic.
Após ter posto um ponto final no seu percurso como atleta ao serviço do Famalicão, Figueiredo volta a aparecer no futebol nas tarefas de técnico. Vitória de Setúbal, Belenenses e Sintrense acabariam por anteceder a sua contratação pelo Olhanense. No Algarve, conheceria o homem que mudaria a sua carreira de treinador. Tendo aí começado a trabalhar com Sérgio Conceição, é, desde então, um dos elementos da sua equipa. Nesse sentido, e depois de ter passado por uma série de outros emblemas, o antigo futebolista começou a esta temporada (2017/18) a ajudar Iker Casillas, José Sá, Vaná… os guarda-redes do FC Porto.

818 - ZÉ NANDO

Com o percurso formativo intimamente ligado ao FC Porto, é na temporada de 1985/86, numa altura que ainda era júnior, que o seu nome aparece na ficha de jogo da equipa principal. Apesar de, nessa 14ª jornada do Campeonato Nacional, ter estado sentado no banco de suplentes, a verdade é que Zé Nando nunca mais haveria de ter outra oportunidade de “Azul e Branco”.
Com diversas internacionalizações conseguidas nas jovens selecções nacionais, tendo, inclusive, participado na fase final do Campeonato Europeu S-16 de 1985, o jovem atleta seria incapaz de convencer os responsáveis dos “Dragões” a integrá-lo no plantel. Com as portas do Estádio das Antas fechadas, o esquerdino, que podia jogar na defesa ou mais avançado no campo, decide tentar a sua sorte com outras cores. Começa pelo Desportivo das Aves e, naquelas que foram as suas 4 primeiras temporadas, mantem-se a disputar os escalões secundários do nosso futebol. A 1ª divisão chega à sua carreira na temporada de 1991/92. Já depois de ter também envergado as cores de Famalicão, Varzim e Académico de Viseu, é pelo conjunto de Barcelos que Zé Nando enfrenta a mais importante competição nacional.
Sem nunca passar um longo período ao serviço do mesmo emblema, curiosidade que haveria de caracterizar a primeira metade do seu percurso profissional, a presença de Zé Nando no patamar máximo também não seria a mais constante. No entanto, a temporada de 1995/96 alteraria, pelo menos um desses paradigmas. Sem grande espaço num Felgueiras orientado por Jorge Jesus, o defesa opta por deixar o emblema do Vale do Sousa e passa a integrar o plantel da Académica de Coimbra.
A referida mudança levaria a que o atleta conseguisse, finalmente, manter-se num só emblema por mais tempo. De forma completamente contrária às épocas precedentes, o jogador fixa-se na “Cidade dos Estudantes” e aí permanece anos a fio. A sua devoção ao clube conimbricense seria de tal ordem que, ao cabo de algumas temporadas, passaria a ser visto como uma das referências do plantel. Ao serviço da “Briosa”, só na condição de atleta, Zé Nando participaria em 8 campanhas. Já em 2003, terminado o seu tempo de futebolista, inicia a sua caminhada como técnico. Nessas funções começa por orientar as camadas jovens, passando, alguns anos cumpridos, a colaborar com a equipa principal.
Apesar de algumas experiências como técnico-principal, caso da passagem pelo Tourizense em 2008/09 (à altura o “satélite” da Académica), uma boa parte da sua carreira tem sido feita como adjunto. Na selecção do Burkina Faso, auxiliando Paulo Duarte, o antigo jogador teria tarefa idêntica.  Outra excepção aconteceria aquando da sua ida para o Médio Oriente. No Catar ficaria à frente dos destinos do Al-Shahaniva, período esse que antecederia a sua vinda para Portugal. De regresso aos Campeonatos Nacionais, Zé Nando volta a juntar-se a Manuel Machado. Já depois de, na Académica, ter trabalhado com o referido treinador, este ano (2017/18) apresenta-se como um dos elementos que compõem a equipa técnica do Moreirense.

817 - PEDRO SILVA

Conseguir manter-se no plantel do Palmeiras após ter saído da formação do clube, poderia ter sido um bom prenúncio para si. Contudo, e após alguns anos sem conseguir impor-se no Palestra Itália, o jovem atleta começa uma longa caminhada de empréstimos. Nesse contexto, e sempre a disputar o maior escalão brasileiro, Pedro Silva acabaria por passar por diversas colectividades. Com diferentes sortes, as referidas cedências levá-lo-iam a atravessar o país de Norte a Sul e a vestir as camisolas de Figueirense (2003), Vitória Bahia (2004), e Internacional de Porto Alegre (2005). Nos dois últimos emblemas, o lateral acabaria por ajudar à conquista dos respectivos Estaduais. Ainda assim, e com as vitórias no Campeonato Baiano e no Campeonato Gaúcho a embelezarem-lhe o palmarés, o regresso à “casa-mãe” seria mais uma vez adiado.
É nesse sentido que o defesa tem a sua primeira experiência no estrangeiro. Mais uma vez cedido pelo Palmeiras, Pedro Silva acabaria por aterrar na Europa. Em Portugal, mais concretamente na cidade de Coimbra, o jogador veste as cores da Académica. Com os “Estudantes” a disputar a 1ª divisão, a temporada de 2005/06 até correria de forma bastante positiva. Chegar-se-ia a falar na aquisição do seu “passe” por parte do clube beirão. No entanto, o preço exigido pela sua transferência, incomportável para os cofres do emblema português, levaria a que os responsáveis da “Briosa” recuassem na intenção de, em definitivo, o juntar ao plantel.
O Iraty foi a solução encontrada para o seu regresso ao Brasil. Todavia, a sua passagem pelo Estado do Paraná seria bem curta. O Santos, com Vanderlei Luxemburgo ao leme, apostaria na sua contratação. De volta a São Paulo, ao invés de aproveitar a oportunidade dada, Pedro Silva vê-se envolvido em algumas polémicas com o seu treinador. Aliás, esse tipo de episódio não seria caso isolado na sua carreira e, nos anos vindouros, outros exemplos de indisciplina seriam difundidos pela imprensa desportiva. Nesta senda, também a sua saída para o Corinthians, em razão da já referida contenda, não traria grandes resultados desportivos. Em sentido oposto, os jornais voltariam a veicular problemas de insubordinação. A direcção do emblema paulista, através de um comunicado oficial, relataria que o defesa, sem qualquer autorização, havia abandonado o estágio da equipa. Resultado: processo disciplinar e novo “empurrão porta fora”.
Mesmo sabendo do comportamento do atleta, o Sporting recebe-o de braços abertos. A aposta no lateral-direito, que também sabia colocar-se no lado oposto do campo, era de tal forma evidente que, logo no jogo da Supertaça de 2007/08, aparece como um dos titulares. Os “Leões” conseguiriam conquistar o troféu, mas Pedro Silva começa aí um calvário de lesões. Após ter saído aleijado aos 10 minutos desse encontro, e já depois de concluída a recuperação, o defesa volta ao boletim clínico. Desta feita bem mais grave, a mazela levá-lo-iam ao bloco operatório e a uma longa paragem.
Apesar deste começo atribulado, as épocas que se seguiriam seriam proveitosas para si. Como um dos principais trunfos de Paulo Bento, o atleta conseguiria vencer a oposição de Abel para a direita da defesa e acabaria por recuperar o posto. Mas muito mais do que a disputa por um lugar no “onze” inicial, a temporada de 2008/09 ficaria marcada por mais um momento controverso. Na final da Taça da Liga, encontro disputado frente ao Benfica, um “penalty” muito discutível resultaria no empate para os “Encarnados” e na expulsão de Pedro Silva. Os “Leões” acabariam derrotados na resolução por grandes penalidades e, já na cerimónia de entrega de prémios, o jogador haveria de recusar a sua medalha, arremessando-a para o meio do relvado.
A chegada de Paulo Sérgio a Alvalade marcaria o fim do seu caminho em Lisboa. Dispensado pelo novo treinador, o defesa acabaria por ser emprestado ao Portimonense. Com a despromoção dos algarvios no final dessa época de 2010/11, o atleta decide ser a altura certa para regressar ao seu país. Mais uma vez no Brasil, o lateral acabaria por entrar na derradeira fase do seu percurso como desportista. Após vestir as cores do Novo Hamburgo, ABC, ASA Arapiraca e CSA, eis que chega a hora de “pendurar as chuteiras”. Ainda assim, o antigo futebolista não ficaria muito tempo afastado da modalidade e, no decorrer desse ano de 2014, volta a Portugal para começar a sua carreira de treinador. Como técnico tem desempenhado as funções de adjunto. Desde então no Portimonense, e a cumprir idênticas tarefas, Pedro Silva começou esta temporada (2017/18) como um dos ajudantes de Vítor Oliveira.

816 - DEMBELÉ

Depois de ter andado diversos anos a cirandar por emblemas amadores dos subúrbios parisienses, é já numa altura em que poucos acreditariam numa mudança radical desse paradigma que surge uma nova oportunidade para Siramana Dembelé. Com passagens por Villiers-le-Bel, Saint-Denis e FC Les Lilas, é na época de 2002/03 que é posta em cima da mesa a primeira proposta para assinar um contrato profissional. Apesar dos 25 anos de idade, as suas qualidades fariam com o Olympique Alès, à altura no 3º escalão francês, decidisse apostar na sua aquisição. Muito forte fisicamente, mas sem descurar a parte mais técnica, as capacidades do médio faziam dele um bom reforço para as manobras defensivas, tal como para as atacantes.
A melhor prova que Dembelé era um jogador com capacidades para enfrentar desafios maiores viria logo nos anos seguintes. Ainda que sem abandonar os patamares secundários, as boas exibições que conseguiria fariam com que clubes com mais tradição no futebol gaulês começassem a vê-lo com outros olhos. Cannes e Nîmes seriam os emblemas seguintes no seu percurso futebolístico. No entanto, o grande salto da sua carreira, aquele que o levaria a disputar uma competição de topo, seria dado pela mão de um antigo internacional português.
Contratado pelo Vitória de Setúbal para a temporada de 2005/06, Norton de Matos faz uma grande aposta no mercado francês para reforçar o seu plantel. É então que, por entre nomes como os de Gregóry Lacombe, Mamadou Diakité ou Oumar Tchomogo surge também a transferência do médio. Mais uma vez, Dembelé supera todas as expectativas. Tendo conseguido agarrar a titularidade com relativa facilidade, pouco tempo após a sua chegada a Portugal surge uma proposta de outro clube de renome na Europa. Com o “mercado de Inverno” aberto, é do Standard Liège que vem o novo convite. Numa altura em que o emblema belga tinha nos seus quadros alguns nomes bem conhecidos do futebol “luso”, casos de Jorge Costa ou Almani Moreira, é a presença de Sérgio Conceição que, anos mais tarde, iria mudar a vida do jogador.
Voltemos ao Standard Liège… Seria por este emblema que Dembelé ganharia os troféus mais importantes da sua carreira. Em 2007/08, sob o comando de Michel Preud’Homme, ajudaria à conquista da “Pro League”. Já na temporada seguinte, e com Laszlo Bölöni como treinador, o médio participa na vitória da Supertaça. Curiosamente, a disputa desse último troféu representaria a derradeira partida com as cores do emblema belga. Antes do fecho do “mercado”, o atleta assinaria pelo Maccabi Petah Tikva e mudar-se-ia para Israel.
É no clube israelita, no final da campanha de 2008/09, que decide pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Já em 2010 volta ao Standard, para ocupar a posição de treinador-adjunto. É nesse regresso à Bélgica que reencontra Sérgio Conceição, também ele um dos assistentes de Dominique D’Onofrio. Todavia, com a contratação do ex-atleta português para técnico-principal do Olhanense, o francês decide segui-lo. É partir desse momento que antigo centrocampista passa a ser um dos fiéis escudeiros do internacional “luso”. Desde então, já representou Académica, Sporting de Braga e Nantes, para, no início desta temporada (2017/18), ser apresentado como um dos elementos da equipa técnica do FC Porto.

815 - JORGE SIMÃO

Com a formação feita no Estrela da Amadora, a transição de Jorge Simão para o patamar sénior transformar-se-ia numa desilusão. Sem espaço na equipa da “Linha de Sintra”, que em meados dos anos 90 era presença assídua no nosso principal escalão, a solução para prosseguir a sua carreira acabaria por passar pelo ingresso no Real de Massamá.
No entanto, o que poderia ter sido um episódio transitório, no sentido de ganhar algum traquejo, tornar-se-ia na regra do seu percurso. Ao invés de regressar ao emblema que o tinha formado, Jorge Simão, e durante os anos que haveriam de compor a sua passagem pelos relvados, acabaria por quedar-se pelas divisões secundárias. Ainda assim, o que passou a ser a sua rotina futebolística foi incapaz de o desviar de um objectivo maior. Em paralelo com o seu trajecto nos “campos da bola”, e crendo que o seu lugar seria a elite do desporto nacional, o médio começa a investir noutras vertentes.
Estudante de Ciências do Desporto na Faculdade de Motricidade Humana, o atleta, ainda em tenra idade, aposta também nos Cursos de Treinador. Tendo feito todo esse investimento, e com a consciência que a sua vida de jogador dificilmente escaparia à sombra dos emblemas mais modestos, Jorge Simão decide aceitar novo desafio. Com 27 anos, abandona as obrigações de atleta e passa a abraçar as tarefas de treinador. Depois de, como centrocampista, ter vestido as cores de Real, Atlético do Cacém, Fanhões ou Carregado, 2003 torna-se num momento de viragem na sua vida.
Como técnico, naquela que foi uma mutação precoce, também começa por baixo. O regresso ao Atlético do Cacém, e apenas como adjunto, é o primeiro passo para essa mudança. Aliás, os primeiros anos nessas funções não seriam fáceis para si. Com muita coragem, trabalho e resiliência Jorge Simão começa a superar alguns obstáculos e a abrir outras tantas portas. É na temporada de 2013/14 que surge, então, uma grande oportunidade. Após ter passado pelo Estrela da Amadora em 2008/09 e ter sido assistido Mitchell van der Gaag no Belenenses, é do Atlético que surge o convite para passar a treinador-principal.
No emblema do bairro de Alcântara assume o papel onde viria a destacar-se. Subindo a pulso, começa a ganhar competências que o fazem apontar a desafios cada vez maiores. Na época seguinte, e depois de ter deixado o Mafra no caminho da promoção, o Belenenses endereça-lhe novo desafio. O convite é impossível de recusar e Jorge Simão não só faz a sua estreia na 1ª divisão, como leva os da “Cruz de Cristo” aos lugares de acesso às provas da UEFA. Curiosamente, e com o apuramento para as competições europeias a embelezar-lhe o currículo, dá-se a sua saída do Restelo. Seguem-se Paços de Ferreira e Desportivo de Chaves. Em ambos os clubes, o seu trabalho excede todas as expectativas. Esse sucesso leva António Salvador, Presidente do Sporting de Braga, a propor-lhe o lugar que tinha sido de José Peseiro. A meio de 2016/17, Jorge Simão muda-se de Trás-os-Montes para o Minho. Contudo, o desafio não corre de feição e o treinador, após não conseguir atingir os objectivos traçados por si, apresenta a demissão.
Sem orientar qualquer clube desde a 30ª jornada da campanha passada, Jorge Simão, à 6ª ronda desta nova época (2017/18) seria apresentado com as cores do Boavista. Para já, e com poucos desafios decorridos desde a sua nomeação, fica o registo para uma estreia de sonho. Aquele que substituiu Miguel Leal haveria de arrancar no comando dos “Axadrezados” com uma vitória caseira frente aos “Tetra- Campeões”, o Sport Lisboa e Benfica.

814 - ABEL

Formado nas “escolas” do Penafiel, as qualidades de Abel fariam com que conseguisse destacar-se dos demais colegas da “formação”. Rápido, com boa técnica e assertivo nas missões ofensivas e defensivas, o jovem atleta caracterizava-se pela elegância com que abordava todos os lances do jogo.
Tendo a sua estreia na equipa sénior ocorrido no decorrer da temporada 1997/98, à segunda campanha no referido patamar já Abel era um dos principais esteios da equipa duriense. Ainda que a disputar os escalões secundários dos nossos campeonatos, o defesa rapidamente começa a merecer a atenção de outras colectividades. O potencial exibido era de tal forma evidente que o Vitória de Guimarães, um dos maiores emblemas do nosso futebol, decide apostar na sua contratação para a época de 2000/01. Logo à chegada à “Cidade Berço”, ele que era apenas uma esperança, torna-se numa das principais apostas do clube. Numa época bastante conturbada, sublinhada pelas várias mudanças de treinador, o lateral haveria de conseguir manter a constância exibicional, conquistando a um lugar no “onze” inicial.
Já na campanha seguinte, e ainda sob o comando de Augusto Inácio, o atleta, muito para além de manter o estatuto de titular, conseguiria ser chamado aos trabalhos da selecção “B” de Portugal. Curiosamente, é ainda sob a batuta do antigo internacional “luso”, que o jogador começa a perder algum espaço no seio do plantel vimaranense. Também a chegada de Jorge Jesus pouco alteraria essa sua condição. É então que ocorre uma reviravolta na sua carreira. Ao trocar o Vitória de Guimarães por um dos seus maiores rivais, Abel passa a vestir as cores do Sporting de Braga. No novo clube, rapidamente consegue recuperar a sua cotação e, no espaço de temporada e meia, volta a ser um dos laterais de maior valor na Liga portuguesa.
Tendo ficado evidente esse próximo passo, o novo capítulo da carreira de Abel só poderia ser escrito ao serviço de um dos denominados “3 grandes”. Essa mudança ocorreria a meio da temporada de 2005/06 e a experiência seria de tal forma agradável que, aquilo que tinha começado como um empréstimo, transformar-se-ia na compra em definitivo do seu “passe”. Com Paulo Bento à frente do Sporting, e mesmo com a chegada de novos treinadores, a sua presença nas fichas de jogo manteve-se bastante elevada. Também em termos de títulos, esta fase seria a mais prolífera. As vitórias na Taça de Portugal (2006/07; 2007/08) e na Supertaça (2007/08; 2008/09) seriam os momentos mais altos do seu percurso como atleta.
Quando já tinha completado os 32 anos de idade, uma grave lesão precipita o fim da sua carreira como futebolista. A rotura dos ligamentos cruzados, numa altura em que também se falava da sua passagem para os quadros técnicos do clube, faz com que Abel responda positivamente ao convite do então Presidente Godinho Lopes. O antigo defesa passa a desempenhar tarefas nas “camadas jovens” e, como treinador-principal dos juniores “leoninos”, consegue conquistar o Campeonato Nacional de 2011/12.
Já depois de ter sido dispensado por Bruno de Carvalho de treinador da equipa “B” do Sporting, Abel aceita idênticas funções no Sporting de Braga. Desde 2014 ao serviço dos “Guerreiros do Minho”, as prestações medíocres da principal equipa “arsenalista” na temporada transacta (2016/17) levariam a que assumisse o comando desse grupo. A primeira experiência, ainda que interinamente, levá-lo-ia a vencer os “Leões” em pleno Estádio de Alvalade. Já mais para o final da temporada, em substituição de Jorge Simão, assumiria o cargo em definitivo e já com olhos postos nos desafios desta nova época (2017/18).

EQUIPAS TÉCNICAS 2017

O começo de mais uma temporada renova os desafios de clubes e dos seus responsáveis. É acerca desses, daqueles que todos os dias trabalham no campo com os jogadores, que falaremos durante este mês. Assim, e durante todo Outubro, dedicaremos o nosso tempo às “Equipas Técnicas”.

813 - ESQUERDINHA

Mesmo não tendo a benção do seu pai, Esquerdinha, ainda um adolescente, haveria de insistir na sua carreira de futebolista. Já em 1989, a actuar pelo Santos de Paraíba, conseguiria assinar o seu primeiro contrato como profissional. Contudo, aqueles que eram os passos iniciais de um sonho transformar-se-iam, bem depressa, numa grande desilusão.
Tendo regressado ao Botafogo de Paraíba, o emblema onde tinha passado grande parte da sua formação, o contrato oferecido não assegurava as condições necessárias para que o atleta pudesse sobreviver. Sem ter como sustentar-se, decide abandonar o futebol para procurar outra profissão. Todavia, e com cerca de um ano de interregno, as saudades da modalidade começariam a aumentar. Então, resolve voltar aos relvados e ao Botafogo.
Seria em 1993, uma temporada após o dito regresso, que tudo ficaria bem definido na sua cabeça. Nuno Leal Maia, afamado actor brasileiro, era o treinador do clube. Tendo detectado a falta de um lateral-esquerdo no plantel, decidiria lançar o desafio a Esquerdinha, pedindo-lhe para ocupara a posição. Não estando familiarizado com tais funções, a verdade é que a mudança correria de feição. O atleta deixaria de ser uma segunda escolha e passaria a ocupar um lugar como titular.
A adaptação a defesa, e as boas exibições conseguidas, fariam com que Esquerdinha passasse a ser bastante cobiçado. Esporte Bahia e Fluminense apareceriam como os principais candidatos à aquisição do seu passe. A transferência acabaria por não se concretizar e o atleta, muito por culpa da ligação que tinha ao seu empresário, acabaria a disputar a 2ª divisão paulista e no Paraguaçuense.
Apesar de afastado dos “grandes palcos”, a qualidade do defesa faria com que, mais uma vez, clubes de maior nomeada fossem no seu encalço. Seguir-se-iam Esporte Bahia, Atlético de Minas Gerais e Fluminense. Contudo, e depois de curtas passagens pelos emblemas referidos, seria no Vitória da Bahia que a sua carreira sofreria um verdadeiro impulso. Sendo um dos principais pilares dos sucessos da equipa, os 2 “Estaduais” conquistados, a Taça do Nordeste e a estreia do clube nas competições internacionais fariam com a sua cotação subisse em flecha. Da Europa surgem alguns interessados e numa corrida que envolveria portugueses e italianos, o FC Porto acabaria por levar de vencida o Venezia.
A chegada às Antas não seria fácil para o atleta. Tendo de enfrentar a concorrência de atletas consagrados, casos de Fernando Mendes e Paulinho Santos, a sua maior dificuldade prender-se-ia com o estilo de jogo. Apesar de ser um atleta raçudo e rápido, as mudanças tácticas a que ficaria sujeito acabariam por não facilitar a sua adaptação. Pouco habituado às tarefas defensivas, Esquerdinha passaria ainda um longo período afastado das escolhas de Fernando Santos.
 A sua estreia de “azul e branco” aconteceria apenas na 2ª volta do campeonato de 1998/99, mas ainda a tempo de ajudar a selar o último título do inesquecível “Penta”. Nas duas épocas seguintes conseguiria ainda acrescentar ao seu palmarés 2 Taças de Portugal (1999/00; 2000/01) e 1 Supertaça (1999/00). Ainda assim, e apesar de continuar a ser um elemento preponderante no seio da equipa, a chegada de Octávio Machado ao comando dos “Dragões” levaria à sua dispensa. Passaria ainda pelo Zaragoza e, de volta ao nosso país, pela Académica de Coimbra. Já o regresso ao Brasil levaria o atleta, que ficaria conhecido pela maneira assertiva como batia os livres-directos, a caminhar para o fim do seu percurso de futebolista. Após ter “pendurado as chuteiras”, Esquerdinha, sem nunca ter a ambição fazer grande carreira de nessas funções, ainda teria algumas experiências como técnico.

812 - ESQUERDINHA


No início dos anos 80, emerge das categorias de formação do Palmeiras um jovem rápido e muito habilidoso com a bola nos pés. Sendo canhoto, Décio de Abreu ficaria conhecido no mundo do futebol brasileiro como Esquerdinha. Ora, seria também desse lado do campo que o jovem atleta tentaria afirmar-se. Contudo, nas posições mais avançadas do terreno de jogo, o emblema de São Paulo tinha no seu plantel futebolistas de grande categoria. Esse factor, aliado à sua inexperiência, faria com que encontrasse bastante dificuldade na altura de conseguir afirmar-se. Nos 3 anos que haveria de permanecer no plantel principal do “Palestra Itália”, o extremo acabaria por jogar pouco e, ao fim do referido período, seria emprestado ao Santo André.
Ao fim de uma temporada cedido, Esquerdinha vê-se como “moeda de troca” na transferência de outro atleta. Como resultado do tal negócio, o extremo, que também podia actuar como médio-esquerdo, acabaria por passar a vestir as cores da Portuguesa dos Desportos. Na “Lusa”, dando sequência ao trabalho realizado durante o empréstimo ao Santo André, o atleta começa a destacar-se. Logo no ano da chegada ao novo grupo de trabalho, o clube consegue chegar à final do “Paulistão” de 1985. Essa campanha, na qual seria um dos melhores intérpretes, ajudaria a que a sua cotação também subisse. Nisto da fama, e para além da maneira como conseguia conduzir os ataques da equipa, os festejos por cada golo seu também ficariam célebres. Ora, cada vez que conseguia introduzir a bola nas redes adversárias, era costume vê-lo beijar a ponta da bota esquerda!
A notoriedade que ganharia nas épocas ao serviço da Portuguesa faria com que outros emblemas fossem no seu encalço. Da Europa, destino predilecto de tantos futebolistas sul-americanos, surge, em 1988, o convite do Marítimo. O desafio apresentado, e bastante aliciante, levá-lo-ia a aceitar a proposta dos funchalenses. Ainda assim, e apesar de ter sempre actuado no nosso maior escalão, as exibições da equipa madeirense seriam insuficientes para que o conjunto conseguisse passar dos lugares do meio da tabela. Com prestações colectivas pouco exuberantes, e mesmo sendo um dos atletas mais utilizados, a verdade é que as 3 temporadas que passaria no Campeonato português não revelariam um atleta com qualidade suficiente para outros voos. De certa maneira impedido de “dar o salto” para um emblema de maior nomeada, Esquerdinha acabaria por voltar ao Brasil.
Já perto de completar 30 anos de idade, o regresso aos campeonatos “canarinhos” daria início a um périplo que ficaria caracterizado por diversas mudanças. Durante esse período, que ainda duraria cerca de uma década, o esquerdino acabaria por vestir diversas camisolas. Tendo actuado em diferentes escalões do “Brasileirão”, merecem destaque as suas passagens pelo União de São João ou pelo Bragantino.
Em 2001, depois de uma derradeira campanha com o emblema do Sãocarlense, Esquerdinha decidiria ser a altura certa para pôr um ponto final no seu trajecto como futebolista. Tendo deixado os relvados perto de entrar nos 40, o antigo atleta não abandonaria a modalidade. Desse momento em diante, passaria a desempenhar as funções de treinador. Com essas tarefas destacar-se-ia como técnico de camadas jovens e emblemas de menor monta.

811 - NIVALDO

Saído das “escolas” do Londrina, Nivaldo rapidamente conseguiria destacar-se como uma das grandes promessas do clube. Nesse seu primeiro ano como sénior, ainda sem a importância que viria a merecer nos anos vindouros, o avançado faria parte do grupo de trabalho que, no final da edição de 1977 do “Brasileirão”, conseguiria alcançar a 4ª posição da referida competição.
O feito conseguido pela equipa do Paraná, faria com que todas as atenções se virassem para os seus atletas. Nesse sentido, Nivaldo continuaria a mostrar as suas qualidades no ataque às áreas adversárias. Logo no ano seguinte ao da sua estreia, com a frequência das suas chamadas a jogo a crescer, torna-se num dos elementos de maior preponderância no esquema táctico da colectividade. Esse estatuto manter-se-ia ao longo das temporadas vindouras. Nem a rápida passagem do seu clube pelo 2º escalão brasileiro afectaria as suas capacidades. Se dúvidas houvesse acerca de tal assunto, então o Campeonato Estadual viria a dissipá-las. Tendo nesse mesmo ano conseguido regressar ao convívio dos “grandes”, o Londrina, com o ponta-de-lança em destaque, alcançaria também o título de campeão paranaense de 1981.
Já depois da sua mudança para o São Bento de Sorocaba, onde jogaria durante as próximas 4 temporadas, o valor de Nivaldo, em consonância com aquilo que eram as suas belas exibições, subiria exponencialmente. Já com o Santos no seu encalço, surge então uma proposta vinda da Europa. Nessa corrida, o contrato oferecido pelo Vitória de Guimarães acabaria por ser mais vantajoso para o atleta. Preferindo o emblema minhoto em detrimento do lendário clube do astro Pelé, o atacante deixa o “Paulistão” e segue em direcção a Portugal.
Apesar de ser uma escolha pessoal de Paulo Autuori, à altura o treinador-adjunto de Marinho Peres nos vimaranenses, a verdade é que a adaptação do avançado a um universo futebolístico diferente acabaria por não trazer os frutos esperados. Tendo chegado com o rótulo de craque, Nivaldo não conseguiria um rendimento condizente com a sua fama. Preterido por outros colegas da mesma posição, como é exemplo Paulinho Cascavel, a época de 1986/87 transformar-se-ia numa campanha bem discreta para o ponta-de-lança.
No rescaldo desse seu primeiro campeonato em Portugal, Nivaldo acabaria por ser incluído na lista de dispensáveis do Vitória de Guimarães. Posto de parte pelos novos responsáveis técnicos, a solução encontrada para o atleta seria a sua saída para o Varzim. Mantendo-se a disputar o patamar máximo do nosso futebol, o jogador passaria a ser uma das referências do sector mais ofensivo dos da Póvoa. Mesmo não tendo conseguido evitar a despromoção da sua equipa, o avançado manter-se-ia no clube. Já na 2ª divisão nacional, disputaria mais duas temporadas com os “Lobos do Mar”, para, na época de 1990/91, fazer a sua derradeira temporada no nosso país.
Depois dessa passagem pelo União de Leiria, Nivaldo decidiria regressar ao Brasil. Tendo já ultrapassado a barreira dos 30 anos de idade, o avançado fixar-se-ia no Estado de Santa Catarina e acabaria por vestir as camisolas dos dois emblemas mais representativos da cidade de Florianópolis, o Avaí e o Figueirense.