Mostrar mensagens com a etiqueta 2004-05. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2004-05. Mostrar todas as mensagens

1711 - RICARDO FERNANDES

Com a formação feita com a camisola do Desportivo das Aves, Ricardo Ribeiro Fernandes teria no plantel de 1996/97 do Moreirense a estreia enquanto sénior. Com os “Cónegos” a militar, na referida época, no escalão secundário do futebol português, o médio-ofensivo poucas oportunidades conseguiria alcançar no grupo de trabalho às ordens de Carlos Garcia. Seguir-se-ia, logo à temporada de chegada à colectividade da sua terra natal, a transferência para o Freamunde. No novo emblema, ainda a disputar os patamares inferiores, as suas habilidades técnicas iriam merecer tal destaque que serviriam de intensivo para que um dos “grandes” decidisse apostar na sua contratação. Ligado ao Sporting a partir da campanha de 1999/00, ainda assim, o jogador demoraria algum tempo a fixar-se em Alvalade e só depois de 3 anos cedido a outras colectividades é que teria a chance de ostentar, em jogos oficiais, as divisas dos “Leões”.
Sempre por empréstimo, Freamunde, Santa Clara e Gil Vicente preencheriam os passos do médio-ofensivo subsequentes à assinatura do contrato com os “Verde e Brancos”. Em Barcelos, numa equipa comandada inicialmente por Luís Campos e depois por Vítor Oliveira, Ricardo Fernandes inscreveria no capítulo inicial da passagem pela 1ª divisão, trecho correspondente à jornada inaugural do Campeonato Nacional de 2001/02, um golo no triunfo frente ao Vitória Sport Clube. Já o resto da mencionada época também correria de feição para o atleta. A aferição feita aos seus desempenhos ao serviço dos “Galos” assegurar-lhe-ia um lugar no plantel de 2002/03 do Sporting. No entanto, apesar de um arranque fulgurante, com 2 golos concretizados na conquista da Supertaça, a verdade é que Laszlo Bölöni não daria muitas oportunidades ao jogador e finda a campanha passada na agremiação “alfacinha”, o negócio a envolver a chegada de Clayton a Alvalade levá-lo-ia a viajar até à “Cidade Invicta”.
A “troca” de atletas faria com que Ricardo Fernandes fosse apresentado como reforço do FC Porto de 2003/04. No Estádio do Dragão, mesmo sem conseguir conquistar a titularidade no plantel sob a intendência de José Mourinho, o médio-ofensivo ergueria a época mais prolífera da carreira. Para tal, em muito contribuiriam os sucessos colectivos dos “Azuis e Brancos”. No referido campo, para além da conquista da Supertaça e do Campeonato Nacional, o melhor ficaria reservado para a Liga dos Campeões. Naquele que é a prova de maior monta no calendário futebolístico da UEFA, o jogador, apesar de não ter marcado presença na final de Gelsenkirchen, entraria em jogo em 5 partidas e, desse modo, inscreveria o seu nome no rol de notáveis que ajudariam a trazer, para os escaparates portistas, o tão almejado troféu.
Mesmo tendo jogado com uma regularidade bastante aceitável, a entrada de Luigi del Neri para o comando dos “Dragões” faria com que acabasse transferido para a Académica de Coimbra. Sem deixar o escalão máximo, o médio-ofensivo teria nos “Estudantes” uma época, não digo decepcionante, mas abaixo do que as suas qualidades desportivas permitiriam. Esse facto levaria a que decidisse, em 2005/06, arriscar-se noutros contextos competitivos. Num registo que viria a acompanhá-lo em grande parte da carreira, o Chipre seria o capítulo inicial de uma enorme senda pelo estrangeiro. Com as cores do APOEL a partir da temporada de 2005/06, o jogador, nos anos seguintes, ajudaria o clube a vencer 1 Campeonato e 1 Taça. Depois, numa caminhada cada vez mais errante, emergiriam os ucranianos do Metalurg Donetsk, o regresso às provas cipriotas, onde envergaria as camisolas do Anorthosis e do AEL Limassol, a curta passagem pelos israelitas do Hapoel Be’er Sheva, outros dois anos no Metalurg Donetsk, os gregos do Panetolikos, mais uma ronda de 4 anos pelo Chipre, dessa feita cumprida no Doxa e no Omonia e, finalmente, o regresso a Portugal.
A cumprir os derradeiros anos da carreira enquanto futebolista, Ricardo Fernandes ainda competiria ao serviço do Trofense e do Felgueiras. Após uma temporada em cada um dos emblemas referidos, o antigo jogador decidiria, aos 39 anos de idade, “pendurar as chuteiras”. De seguida surgiria a aposta na hotelaria e os projectos como dirigente que o empurrariam, mais uma vez, até ao Felgueiras e até à UD Oliveirense.

1515 - AMOREIRINHA

Com o percurso formativo terminado com as cores do Alverca, seria ainda como membro das “escolas” do emblema ribatejano que Eurípedes Amoreirinha seria chamado aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos sub-18, a estreia com a “camisola das quinas” aconteceria, pela mão de Carlos Dinis, a 6 de Junho de 2002. Essa partida frente à Noruega, a contar para o Torneio Internacional Cidade de Lisboa, serviria de tiro de partida para uma senda que levaria o defesa, em diversos escalões de formação, a atingir os 37 jogos pelos conjuntos lusos. Nesse total incluir-se-iam as presenças em diversos certames de monta, como o Euro sub-19 de 2003, onde Portugal conseguiria o 2º lugar, o Euro sub-21 de 2007 e as 3 participações no Torneio de Toulon, de onde o atleta e os colegas sairiam vitoriosos da edição de 2003.
No que diz respeito à caminhada clubística, a Amoreirinha, ainda em idade júnior, seria dada a oportunidade de fazer a estreia nas competições seniores. Lançado no decorrer da temporada de 2002/03, logo os tempos iniciais de primeira equipa proporcionariam um momento caricato – “Num jogo no Alverca, estava eu a começar a carreira, há um contra-ataque contra o Alverca, junto ao nosso banco, e o mister José Couceiro grita «mata, mata, mata», para eu matar a jogada. Mata, mata? Eu sempre fui um jogador impetuoso e lá fui eu dar uma porrada no adversário. O árbitro chega, dá amarelo e o Couceiro grita: «Porra, miúdo! Mata não é o jogador, é a jogada!»*.
Com uma ascensão deveras positiva, a segunda temporada no conjunto principal do Alverca, depois de consumada a subida de escalão na época anterior, serviria para Amoreirinha fazer a estreia na 1ª divisão. Apesar da pouca experiência do jogador, o defesa, ajudado pela sua polivalência, haveria de impor-se na agremiação ribatejana como um dos nomes mais utilizados. As boas exibições realizadas durante essa temporada de 2003/04, fariam com que começasse a ser cobiçado pelos principais emblemas portugueses. Com o FC Porto já na corrida pela sua contratação, seria o Benfica a convencê-lo a rubricar nova ligação. Na mudança para a Luz, o atleta encontraria, tanto na direita, como no centro do sector mais recuado, uma forte concorrência e esse factor faria com que fosse pouco utilizado por Giovanni Trapattoni.
Mesmo emprestado a meio da campanha de chegada ao Benfica, as partidas disputadas no Campeonato Nacional serviriam para que entrasse no rol de nomes vencedores daquela que é prova de maior destaque no calendário futebolístico português. Já no Estoril Praia, como nos dois anos seguintes, durante os quais seria cedido ao Estrela da Amadora, as indicações dadas pelo defesa, sempre a actuar no cenário primodivisionário, fariam prever um regresso à Luz. A verdade é que tal não ocorreria e o jogador, para a temporada de 2007/08, seria vendido ao CFR Cluj. Todavia, a única época passada na Roménia também não correria de feição, com Amoreirinha, depois de um empréstimo ao UTA Arad, a preferir voltar a Portugal. Curiosamente, os anos seguintes, ainda que na 1ª divisão, revelariam um praticante a perder o fulgor e nas 3 campanhas cumpridas pela Académica de Coimbra, como nas 2 subsequentes já ao serviço do Vitória Futebol Clube, o atleta nunca iria afirmar-se como titular.
Após o termo da época de 2012/13, o que restaria da sua caminhada profissional seria feita pelos escalões secundários. Nesse sentido, Benfica e Castelo Branco, Santa Clara e Penafiel anteporiam os derradeiros capítulos da carreira de Amoreirinha, a qual ainda teria algumas experiências nos “distritais”, nomeadamente no Sampedrense e, para finalizar, no plantel de 2018/19 do Moimenta da Beira.

*retirado do artigo publicado a 06/03/2018, em https://bancada.pt

1494 - CLAYTON

Com os primeiros passos na conjunto principal do Atlético Mineiro a acontecerem na época de 1993, Clayton Ferreira Cruz iniciaria na colectividade de Belo Horizonte a caminhada enquanto sénior. Com um arranque modesto, o extremo-esquerdo, que viria a partilhar o balneário com nomes bem conhecidos do futebol luso, casos de Doriva, Ronaldo, Aílton ou Valdir, aos poucos começaria a ganhar o seu espaço. Contudo, mesmo como um elemento utilizado com frequência e já com o palmarés pessoal colorido pela vitória na edição de 1995 do “Estadual”, o atacante nunca viria a consagrar-se como um dos titulares do “Galo” e tal contexto competitivo faria com que procurasse outros caminhos.
Ao tentar ganhar outra preponderância, Clayton iniciaria um pequeno périplo de empréstimos, primeiramente a levá-lo ao Guarani e depois ao América Natal. Seria por altura da última cedência que um afamado treinador português, sentado nas bancadas e com a prospecção de novos reforços em mente, haveria de reparar num par de avançados – “Estava a jogar um dérbi com o ABC e ganhámos 3-1, num jogo em que marquei dois golos e fiz uma assistência. Manuel Fernandes, que treinava o Santa Clara, estava na bancada a observar dois jogadores da equipa adversária. No dia seguinte, um empresário ligou-me para me levar para Portugal”*.
Acompanhado de George, a sua chegada aos Açores dar-se-ia no arranque da temporada de 1999/00. A estreia do extremo na divisão maior portuguesa, coincidente com a primeira campanha do colectivo insular no escalão maior, depressa revelaria o avançado como um intérprete merecedor de outros voos. Com uma técnica bem acima da média, uma velocidade estonteante e uma habilidade para o golo a superar as expectativas, Clayton veria dois dos “grandes” a interessarem-se pela sua contratação. Com o Sporting também na corrida, seria o FC Porto a conseguir convencer o atleta e alguns meses após a chegada a São Miguel, o atacante mudar-se-ia para a “Cidade Invicta”.
Nos “Azuis e Brancos”, Clayton começaria por trabalhar na alçada de Fernando Santos. Mesmo sem ser um dos indiscutíveis do “onze”, o extremo-esquerdo alcançaria números suficientes para conseguir manter a sua utilidade no grupo portista. Também no que diz respeito ao currículo, seriam os anos passados de “dragão” ao peito os mais proveitosos. Nesse sentido, para além de inscrever o seu nome na lista de vencedores de 1 Campeonato Nacional, 3 Taças de Portugal e 2 Supertaças, o avançado faria parte da equipa que, sob o comando de José Mourinho, encetaria mais uma senda de títulos além-fronteiras. O primeiro nesse rol seria a Taça UEFA de 2002/03. Na final disputada em Sevilha, frente ao Celtic, o jogador não sairia do banco de suplentes. Ainda assim, a presença nas eliminatórias anteriores e o golo marcado frente aos turcos do Denizlispor, fariam dele um justo merecedor do troféu ganho colectivamente.
Seguir-se-ia, numa troca a envolver, em sentido contrário, Ricardo Fernandes, a sua viagem para Lisboa – “Depois de ganharmos a Taça UEFA comecei a época como titular, mas tive uma lesão e fiquei afastado durante três meses. Quando voltei, a equipa estava em grande forma e não tive espaço para entrar. Estava a jogar muito pouco e o Sporting fez uma proposta”**.  Porém, a sua passagem por Alvalade, onde voltaria a ser orientado por Fernando Santos, ficaria muito aquém do espectável e o avançado, finda a campanha de 2003/04, deixaria os “Leões”. De regresso ao Norte, Clayton passaria a envergar as cores do Penafiel. A entrada no novo emblema, aliciada pela presença de Manuel Fernandes no comando técnico, devolveria o atacante a números bem mais condizentes com a sua qualidade. Ainda assim, a temporada de 2004/05, para além das boas prestações do atleta, não correria sem um percalço a envolver o treinador natural de Sarilhos Pequenos – “O presidente [António Oliveira] era meio maluco, despediu-o à 3.ª jornada e não avisou ninguém. Depois veio Luís Castro, que ninguém conhecia, mas é um grande treinador e uma das melhores pessoas que conheci no futebol”*.
As boas exibições conseguidas ao serviço do Penafiel levariam o Vitória Sport Clube a apresentá-lo como reforço para a temporada de 2005/06. No entanto, a passagem por Guimarães não surtiria os resultados desejados. A partir daí, o avançado encetaria um périplo de início a conduzi-lo de volta ao Brasil. Depois do Sport Recife, Clayton ainda regressaria a Portugal e a um Penafiel a disputar a divisão de Honra de 2006/07. Seguir-se-ia a viagem para o Chipre, onde durante vários anos representaria agremiações como o Alki Larnaca, o Omonia e o AEL Limassol. Por fim, como os derradeiros capítulos do seu trajecto competitivo, emergiria o par de épocas com as cores dos baianos do Serrano.
Já depois de, em 2012, ter tomado a decisão de “pendurar as chuteiras”, Clayton afastar-se-ia do futebol, passando, ao lado da esposa, a dedicar-se a negócios relacionados com a transformação da madeira de eucaliptos.

*retirado da entrevista conduzida por David Pereira, publicada www.dn.pt, a 18/03/2018
**retirado do artigo de Luís Pedro Silva, publicado em 05/04/2020, em www.record.pt

1180 - RUI MARQUES

Apesar do percurso formativo feito no Benfica, seria a ida para a Suíça que lançaria a carreira de Rui Marques no patamar sénior. A experiência nos helvéticos do FC Baden, colectividade distante das mais emblemáticas do país, ainda assim teria o condão de dar ao defesa nascido em Angola visibilidade suficiente para conseguir dar o salto para Alemanha. No escalão principal da Bundesliga, as exibições com as cores do SSV Ulm levá-lo-iam a subir novo degrau na carreira e a temporada de 2000/01 marcaria a sua transferência para o Hertha de Berlim.
Na capital germânica, o defesa-central não conseguiria conquistar as oportunidades desejadas. A falta de jogos faria com que a sua caminhada, a meio da campanha de chegada, passasse a ser equacionada de forma diferente. A alternativa encontrada, encaminhá-lo-ia para um empréstimo e, com o interesse demonstrado pelo Stuttgart, abrir-se-iam as portas para uma boa solução. Após alguns meses cedido, já com os responsáveis do emblema sediado no Estado de Baden-Württemberg convencidos das suas qualidades, a época de 2001/02 selaria, de forma definitiva, a ligação entre o atleta e o emblema do sudoeste da Alemanha. Ainda assim e apesar de ser chamado a jogo com alguma frequência, Rui Marques não seria capaz de afirmar-se como um titular indiscutível. Apesar de tudo, os 3 anos e meio passados com a camisola dos “Die Schwaben”, durante os quais também partilharia o balneário com Fernando Meira, trariam ao jogador momentos inolvidáveis e a vitória na edição de 2002/03 da Taça Intertoto acabaria por abrilhantar o seu currículo.
Ao perder protagonismo no Stuttgart, a campanha de 2004/05 marcaria o seu regresso a Portugal. Com o acordo rubricado com o Marítimo, Rui Marques faria a estreia na 1ª divisão. Porém, a escolha do defesa revelar-se-ia pouco acertada. Sem protagonismo nos “Insulares”, ao fim de um ano de ligação, clube e atleta chegariam a um acordo para a rescisão do contrato. Seguir-se-ia o interesse do Ipswich Town e do Leeds United. A escolha pelo emblema de Yorkshire levá-lo-ia a mais um recomeço atribulado. Ultrapassado por outros colegas nas escolhas para o “onze”, mais uma vez o central viveria momentos complicados. Sem espaço em Elland Road, a passagem pelo Hull City e a presença, por Angola, no Mundial de 2006, dariam um novo ânimo à sua caminhada desportiva.
Depois de, com as cores dos “Palancas Negros”, ter estado no Campeonato do Mundo organizado na Alemanha, Rui Marques, finalmente, conquistaria um lugar no sector mais recuado do Leeds United. A partir desse momento, também a presença nas listas de arrolados aos trabalhos da selecção do seu país, tornar-se-ia numa constante. Por Angola, para além da chamada ao certame já referido, o defesa seria convocado para a disputa das edições de 2008 e de 2010 da CAN. Com o crescimento internacional a ser acompanhado pelas exibições no clube, as partidas feitas pelo emblema do norte de Inglaterra encaminhá-lo-iam em direcção ao coração dos adeptos. Mesmo sem ter vestido a camisola dos “Peacocks” no escalão máximo, a sua atitude fá-lo-ia a ser tido como um membro exemplar. Nesse sentido, chegaria a envergar a braçadeira de capitão e, 5 anos após a sua chegada, passaria a ser recordado como um elemento de cariz histórico.
A temporada de 2009/10 assinalaria o fim de uma carreira que, no derradeiro capítulo, também ficaria marcada por algumas lesões. Hoje em dia, Rui Marques mantem-se ligado à modalidade. Ainda que longe dos relvados, o antigo defesa começaria a assumir novas funções e tem trabalhado na prospecção de novos talentos.

963 - MIGUEL

Seria ainda como formando nas “escolas” do Estrela da Amadora que Miguel começaria a cimentar o seu estatuto internacional. Depois de algumas chamadas aos sub-17 “lusos”, a vitória no Europeu sub-18 de 1999 serviria como rampa de lançamento para uma carreira profissional auspiciosa. Nesse sentido, o nome de Jorge Jesus acabaria por marcar o seu percurso. Seria o referido treinador que, no decorrer da temporada de 1998/99, lançaria o atleta na categoria principal do emblema da Reboleira.
Mais uma temporada completa ao serviço dos “Tricolores“ e seria o Benfica que apostaria na contratação do promissor e jovem extremo. Porém, a evolução de Miguel nos primeiros anos de “Águia” ao peito acabaria por ficar um pouco aquém daquilo que era espectável. Mesmo jogando regularmente, o atleta revelaria algumas dificuldades para conseguir manter-se como um dos titulares indiscutíveis no “onze” “encarnado”. É então que, já no decorrer da sua terceira temporada na “Luz”, a saída de Jesualdo Ferreira do comando técnico altera a sua progressão. Na condição de interino, Fernando Chalana decide lançar o jogador como lateral direito. O encontro frente ao Sporting de Braga, o único orientado pela antiga estrela “encarnada” nessa campanha de 2002/03, terminaria com a vitória do Benfica por 3-0. A par do resultado, outro desfecho feliz. A prestação do antigo atacante seria de tal forma positiva que, daí em diante e até ao final da sua carreira, Miguel jamais largaria a posição na defesa.
Seria essa mudança que permitiria ao futebolista regressar à selecção. Ao atingir um patamar exibicional de excelência, o recém-chegado Luiz Felipe Scolari, convocá-lo-ia para a sua primeira internacionalização “A” por Portugal. Essa estreia com a principal “camisola das quinas”, encetaria uma caminhada que englobaria a participação em 2 Europeus e 2 Mundiais. A sua cotação, mormente após a disputa do Euro 2004, começaria a subir exponencialmente. Depois da conquista do Campeonato Nacional de 2004/05, a sua saída do Benfica começa a ser vaticinada pelos meios de comunicação. Indo contra a pretensão do clube, que queria a continuidade do atleta, Miguel entra em conflito com os “Encarnados”, acabando mesmo por, unilateralmente, rescindir o contrato. A contenda acabaria com sua partida para o Valência, acabando a colectividade espanhola que ressarcir as “Águias” em 7.5 milhões de euros.
Na “La Liga”, Miguel confirmaria toda a qualidade demonstrada até então. Veloz e possante, a sua capacidade ofensiva, inerente àquilo que tinha sido grande parte do seu percurso como desportista, em nada beliscava a concentração necessária às tarefas defensivas. Dono de um lugar no “onze” “Ché”, o internacional português acabaria por tornar-se numa das principais figuras do clube. Esse estatuto manteria o lateral no plantel durante diversos anos. Num total que duraria 7 campanhas no patamar máximo do futebol de “Nuestros Hermanos”, o Valência passaria a ser o emblema mais representativo da sua carreira. Essa ligação, que acrescentaria ao seu palmarés a vitória na Copa del Rey de 2007/08, terminaria em 2012. No entanto, a sua vontade de continuar ligado à modalidade seria de tal ordem que, dois anos após o fim da ligação contratual aos espanhóis, o atleta surge a treinar-se no Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol. Pela boca do próprio, fala-se ainda em convites vindos de países asiáticos. No entanto, nada chega a concretizar-se e a sua pretensão em dar continuidade à caminhada na alta-competição acabaria por desvanecer.

814 - ABEL

Formado nas “escolas” do Penafiel, as qualidades de Abel fariam com que conseguisse destacar-se dos demais colegas da “formação”. Rápido, com boa técnica e assertivo nas missões ofensivas e defensivas, o jovem atleta caracterizava-se pela elegância com que abordava todos os lances do jogo.
Tendo a sua estreia na equipa sénior ocorrido no decorrer da temporada 1997/98, à segunda campanha no referido patamar já Abel era um dos principais esteios da equipa duriense. Ainda que a disputar os escalões secundários dos nossos campeonatos, o defesa rapidamente começa a merecer a atenção de outras colectividades. O potencial exibido era de tal forma evidente que o Vitória de Guimarães, um dos maiores emblemas do nosso futebol, decide apostar na sua contratação para a época de 2000/01. Logo à chegada à “Cidade Berço”, ele que era apenas uma esperança, torna-se numa das principais apostas do clube. Numa época bastante conturbada, sublinhada pelas várias mudanças de treinador, o lateral haveria de conseguir manter a constância exibicional, conquistando a um lugar no “onze” inicial.
Já na campanha seguinte, e ainda sob o comando de Augusto Inácio, o atleta, muito para além de manter o estatuto de titular, conseguiria ser chamado aos trabalhos da selecção “B” de Portugal. Curiosamente, é ainda sob a batuta do antigo internacional “luso”, que o jogador começa a perder algum espaço no seio do plantel vimaranense. Também a chegada de Jorge Jesus pouco alteraria essa sua condição. É então que ocorre uma reviravolta na sua carreira. Ao trocar o Vitória de Guimarães por um dos seus maiores rivais, Abel passa a vestir as cores do Sporting de Braga. No novo clube, rapidamente consegue recuperar a sua cotação e, no espaço de temporada e meia, volta a ser um dos laterais de maior valor na Liga portuguesa.
Tendo ficado evidente esse próximo passo, o novo capítulo da carreira de Abel só poderia ser escrito ao serviço de um dos denominados “3 grandes”. Essa mudança ocorreria a meio da temporada de 2005/06 e a experiência seria de tal forma agradável que, aquilo que tinha começado como um empréstimo, transformar-se-ia na compra em definitivo do seu “passe”. Com Paulo Bento à frente do Sporting, e mesmo com a chegada de novos treinadores, a sua presença nas fichas de jogo manteve-se bastante elevada. Também em termos de títulos, esta fase seria a mais prolífera. As vitórias na Taça de Portugal (2006/07; 2007/08) e na Supertaça (2007/08; 2008/09) seriam os momentos mais altos do seu percurso como atleta.
Quando já tinha completado os 32 anos de idade, uma grave lesão precipita o fim da sua carreira como futebolista. A rotura dos ligamentos cruzados, numa altura em que também se falava da sua passagem para os quadros técnicos do clube, faz com que Abel responda positivamente ao convite do então Presidente Godinho Lopes. O antigo defesa passa a desempenhar tarefas nas “camadas jovens” e, como treinador-principal dos juniores “leoninos”, consegue conquistar o Campeonato Nacional de 2011/12.
Já depois de ter sido dispensado por Bruno de Carvalho de treinador da equipa “B” do Sporting, Abel aceita idênticas funções no Sporting de Braga. Desde 2014 ao serviço dos “Guerreiros do Minho”, as prestações medíocres da principal equipa “arsenalista” na temporada transacta (2016/17) levariam a que assumisse o comando desse grupo. A primeira experiência, ainda que interinamente, levá-lo-ia a vencer os “Leões” em pleno Estádio de Alvalade. Já mais para o final da temporada, em substituição de Jorge Simão, assumiria o cargo em definitivo e já com olhos postos nos desafios desta nova época (2017/18).

791 - FYSSAS

Quando Fyssas chegou a Portugal, não era propriamente um desconhecido no mundo do futebol. No entanto, e sem ser um dos nomes mais badalados na modalidade, década e meia como profissional e várias chamadas à selecção grega, davam ao defesa a experiência necessária para que o Benfica visse nele um elemento importante para o reforço do plantel.
Tendo chegado na abertura do “mercado de Inverno”, o acordo entre as duas partes tinha sido selado em Novembro de 2003. Já depois desse encontro entre o atleta e os responsáveis directivos do emblema “encarnado”, o FC Porto, sem resultado, ainda tentaria desviar o lateral do Estádio “da Luz” – “Se eu fosse outro tipo de pessoa, talvez tivesse aceitado a proposta do FC Porto, tinha melhor equipa, o treinador era o José Mourinho... mas já tinha dado a minha palavra ao Benfica e tenho valores. Agradou-me o interesse do FC Porto, mas não podia aceitar, apesar de terem sido muito correctos comigo”*.
O Benfica, orientado por Camacho, ganhava uma nova alma para o lado esquerdo da defesa. É certo que os seus melhores anos já tinham passado. Não tão veloz quanto o desejado para alguém da sua posição, o lateral compensava essa sua fraqueza com uma leitura de jogo mais hábil. Ora, essa prática, apurada durante um longo percurso, vinha já desde 1990, ano da sua estreia pelos seniores do Panionios. No emblema de Nea Smyrni, cidade situada nos subúrbios de Atenas, o atleta passaria quase uma década. Durante esse intervalo, haveria de conquistar o primeiro grande título. Numa final que terminaria com o placard a assinalar 1-0, o clube de Fyssas conseguiria derrotar o Panathinaikos, acabando por vencer a Taça da Grécia de 1997/98.
Ironicamente, o emblema que se seguiria na sua carreira seria o Panathinaikos. Na capital, transferido a meio da temporada de 1998/99, o jogador acabaria por viver um dos seus melhores períodos como profissional. Semanas após a sua contratação, num desafio frente à Finlândia, Fyssas consegue a primeira chamada à principal selecção helénica. Já no que diz respeito às metas alcançadas com o clube, o esquerdino haveria de colorir o seu currículo com mais vitórias. Curiosamente, essas conquistas concretizar-se-iam numa altura em já jogava pelo Benfica. Tendo participado nessas competições ainda na primeira metade da temporada de 2003/04, o defesa acabaria também por fazer parte do rol de vencedores da Taça e Campeonato grego.
O ano de 2004 haveria de ser verdadeiramente prolífero para o lateral. Muito mais do que vencer a final da Taça de Portugal, desafio no qual marcaria um dos golos, Fyssas conquistaria o maior troféu da sua carreira. Pela selecção nacional, haveria de ser chamado ao Euro 2004. No torneio organizado em Portugal, no caminho para o derradeiro jogo, participaria em todas as partidas. Nesse último encontro, mais uma vez seria chamado ao “onze” titular. Como um dos principais pilares da equipa, ajudaria a Grécia a derrotar a “Equipa das Quinas” e acabaria por conquistar o tão almejado troféu.
Após mais uma temporada ao serviço do Benfica, e durante a qual, com as cores do seu país, participaria também na Taça das Confederações, Fyssas transfere-se para os escoceses do Hearts. Nesses que foram os últimos anos como futebolista, o fim do seu percurso aconteceria já no regresso ao Panathinaikos. Depois dessa temporada de 2007/08, onde seria treinado pelo português José Peseiro, o atleta decidira ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”. A sua ligação ao futebol manter-se-ia e, como dirigente, há que destacar o seu trabalho na Federação Helénica.

 
*retirado do artigo de João Araújo, publicado no jornal “O Jogo”, a 08/01/2017

694 - FRECHAUT

O primeiro grande destaque na sua carreira, acabaria por acontecer com as cores do Vitória de Setúbal. Num grupo que também contava com Marco Tábuas, Sandro, Mário Loja ou Carlos Manuel, os “Sadinos” estiveram a beira de conquistar o Nacional de Juniores de 1994/95. Contudo, num campeonato que, nos seus momentos finais, ver-se-ia envolto em grande polémica, o Boavista, no golo “average”, acabaria por ganhar o título. Os responsáveis setubalenses ainda reclamaram da eventual utilização, por parte dos “axadrezados”, de dois jogadores castigados. No entanto, o protesto em nada daria e o troféu permaneceria no Bessa.
Ironicamente, seria com as cores do Boavista que Frechaut passaria os melhores anos do seu percurso como profissional. Depois da estreia pelos seniores do Vitória de Setúbal, as 4 temporadas que passaria na 1ª divisão, seriam suficientes para que os responsáveis do emblema nortenho vissem nele um bom reforço. A mudança do Bonfim para a cidade do Porto, numa altura em que o clube já há muito ameaçava a hegemonia dos denominados “grandes”, traria ao atleta o seu primeiro grande título.
Podendo actuar, tanto na direita da defesa, como no miolo do terreno, o jogador seria peça fulcral nas manobras do treinador Jaime Pacheco. A conquista do Campeonato Nacional de 2000/01, projectaria o atleta para a ribalta do desporto português. Nesse sentido, poucos estranharam a sua inclusão nos trabalhos da equipa nacional. Ele que até já tinha algum currículo nas selecções jovens portuguesas, passava a fazer parte do grupo que, em 2002, marcaria presença no Mundial organizado entre o Japão e a Coreia do Sul.
Com a sua cotação a subir em flecha, também por culpa das presenças na Liga dos Campeões, muitos foram os clubes que iriam no seu encalço. Numa altura em que o futebol russo começava a merecer a atenção dos multimilionários daquele país, o Dínamo de Moscovo decidiria investir em Portugal. Com esse propósito, e já depois de contratados uma série de outros futebolistas, Frechaut segue caminho para a Rússia. Todavia, a sua passagem pelas antigas “terras dos Czares” seria bem curta. Incapaz de se adaptar a uma realidade bem diferente, nem a presença de inúmeros compatriotas tornaria a experiência em algo positivo. Seis meses após a sua partida, Frechaut estava de regresso a Portugal e, desta feita, para vestir as cores do Sporting de Braga.
No Minho, Frechaut volta às boas exibições. Como um dos elementos mais importantes no plantel bracarense, o internacional luso contribuiria para a ascensão do clube aos lugares cimeiros da tabela classificativa. Com as boas épocas a sucederem-se, a presença do Sporting de Braga nas competições europeias, começaria a ser um hábito. Em 2008/09, sob o comando de Jorge Jesus, os “Arsenalistas” conseguem um feito inédito. Numa edição em que o vencedor era decidido por quem mais longe chegasse na Taça UEFA, Frechaut, ao ajudar à vitória na Taça Intertoto, adicionaria um troféu internacional à sua lista de conquistas.
Já numa fase descendente da sua carreira, Frechaut assume mais uma experiência no estrangeiro. A passagem pelos franceses do Metz, daria início a um périplo que o levaria a cirandar pelos escalões secundários dos campeonatos gauleses e do nosso país. Depois, vestiria a camisola da Naval 1º de Maio, para, no regresso ao Boavista, terminar a sua carreira de futebolista.
Seria também no Bessa que Frechaut faria a transição para os “bastidores”. Como treinador, passaria pelas camadas jovens dos “Axadrezados”. Já em 2014/15, ao serviço do Beira-Mar, teria então o seu primeiro teste como dirigente, quando, com as cores do Beira-Mar, aceitaria o cargo de Director Desportivo.

577 - MARCO AURÉLIO

Formou-se nas escolas do Botafogo, onde, em 1989, conseguiria sagrar-se campeão de juniores. No entanto, e apesar do sucesso destes seus primeiros anos como futebolista, a passagem a sénior acabaria por não trazer grandes oportunidades ao guardião. Com os caminhos para a titularidade tapados, Marco Aurélio (ou Marquito, com era conhecido no Brasil) começaria a vogar por agremiações mais modestas.
Seria já depois de representar clubes como o Gioânia ou o Vitória de Santantão, que nova oportunidade surgiria na sua vida. De volta ao patamar máximo do "Brasileirão", Marco Aurélio acabaria por vestir as cores do Náutico. Ironicamente, e apesar do sucesso deste seu regresso aos grandes palcos, seria uma nova "despromoção" que acabaria por alterar a sua vida profissional.
A transferência para o Santa Cruz, que inicialmente poderia ter sido vista como um retrocesso, revelar-se-ia no primeiro passo para um percurso marcante. O emblema de Pernambuco, que apenas disputava o segundo escalão nacional, acabaria por ser a porta para a conquista do Campeonato daquele estado. Contudo, muito para além deste importante título, seria a partir do Santa Cruz que Marco Aurélio sairia em direcção a Portugal.
Já em Vila do Conde, a primeira metade da temporada de 1996/97 seria suficiente para que, desde logo, se confirmassem as suas habilidades. A participar na Primeira Divisão nacional, as boas exibições ao serviço do Rio Ave, valer-lhe-iam um novo contrato com o Farense. A estadia no Algarve, de ano e meio, acabaria por ser a passagem para o que viria a tornar-se na etapa mais importante da sua carreira.
O Belenenses abrir-lhe-ia as portas na época de 1998/99. E se, por esta altura, já ninguém tinha a mínima dúvida que Marco Aurélio era um reforço importante, poucos haveriam de projectar o que o atleta conseguiria pelo clube. Ora, 9 temporadas a jogar no Restelo, já são motivo bastante para que o guarda-redes figure na história dos da "Cruz de Cristo". Contudo, Marco Aurélio conseguiria muito mais. Essa marca dá-se pelo número 194. O que representam tais algarismos? Pasmem-se, pois é o número de partidas em que, de forma consecutiva, o brasileiro participaria na nossa categoria máxima!!!
A importância dessas 194 jornadas, vão muito para além dos jogos ou, ainda, do recorde (roubado a Vítor Baía) que tal permitiria alcançar. Elas são o reflexo de alguém com uma entrega exemplar, que sempre deu tudo em defesa do sucesso do seu grupo e que, como tal, haveria de ser visto como um modelo. O prémio para tal dedicação acabaria por chegar na forma da braçadeira de capitão, a qual usaria durante 5 anos - "Ser capitão de uma equipa como o Belenenses é sempre um orgulho para qualquer jogador (...). Durante estes anos o Belenenses teve excelentes capitães, pessoas que cumpriram muito bem o papel de capitão, como o Filgueira e o Tuck, dois companheiros e amigos. Agora, fui eu designado capitão e espero poder corresponder e servir de exemplo para os mais jovens a nível de postura, trabalho e profissionalismo".*
O final da sua carreira aconteceria em 2007, e, em certa medida, motivado por um grave lesão nos ligamentos cruzados. Mesmo tendo alguns projectos em Portugal - por exemplo, a sua escola de futebol - Marco Aurélio decidir-se-ia pelo retorno ao país de origem. O engraçado é que neste regresso a casa, o antigo futebolista arranjaria uma actividade bem distante do desporto! O quê? Aproveitando-se da sua formação universitária na área da Administração de Empresas, ajuda agora ao bom sucesso do negócio de família... uma "lanchonete", em Ribeirão Preto.


* Retirado do jornal "Os Belenenses", Dezembro de 2005 

571 - PAUL MURRAY

Tendo dado bons sinais no Carlisle, os responsáveis do Queens Park Rangers decidem que um empréstimo seria a melhor maneira de aferir a sua real qualidade. O salto do terceiro escalão para a "Premier League", pareciam justificar essa tomada de precaução. O jovem atleta, no entanto, em nada se mostraria afectado com tão radical mudança. Forte, lutador, que de bom tanto tinha a defender, como a auxiliar os seus colegas do ataque, logo transformou esse teste em seguro sucesso.
A época seguinte traria a Paul Murray um contrato definitivo com os de Londres. Mas muito para além da ligação contratual, o centrocampista também conseguiria assumir-se como um dos principais pilares, na estratégia da equipa.
Esse estatuto de titular, levá-lo-ia, primeiro na categoria de s-21 e depois nos "BB", a ser chamado à selecção inglesa. É já como internacional e, ainda que na segunda divisão, com a vida a correr-lhe bem no clube, que o sonho de Paul Murray sofre os primeiros reveses. As amaldiçoadas lesões, começam, sistematicamente, a bater-lhe à porta - "Todas as minhas lesões foram sérias! Tive os dois pés e uma perna partida. Sempre pensei para comigo, «porque raio me lesionei outra vez?». Fiz tudo bem, mantive-me em forma, mas foi apenas uma inacreditável má sorte"*.
Ainda assim, Pau Murray continuaria a merecer a confiança dos seus técnicos. Nesse sentido, ele que já estava há mais de 5 anos no clube, é lhe apresentada uma proposta de renovação. Contudo, a situação financeira do Queens Park Rangers não era a melhor. Mergulhados numa crise, para os dirigentes do clube, a única saída possível era a redução dos salários dos jogadores.
 Neste contexto, a proposta apresenta a Paul Murray não seria, de forma alguma, a que este estaria à espera. Entre reduzir o salário para metade e ficar nas divisões secundárias, ou estudar outras propostas de emblemas primodivisionários, o médio decidir-se-ia pela segunda opção.
Primeiro veio o Newcastle. Mas o seu historial de lesões, haveria fazer com que os "Magpies" o chumbassem nos exames médicos. Depois apresentou-se em Southampton. Aí a história foi diferente. Foi considerado apto e, até, começou a ser utilizado com regularidade. No entanto, os técnicos do clube achavam que as características de Paul Murray eram mais úteis noutras posições. Já farto de jogar fora da sua posição natural, é então que o atleta decide tomar uma atitude arrojada - "Eu joguei a defesa esquerdo, a defesa direito, lateral em todos os lados, menos a centrocampista! Fui falar com o Gordan Strachan [treinador principal], disse-lhe que queria jogar no meio campo, e acabei nas reservas"*.
Depois desta despromoção, e com vontade de participar em mais encontros, Paul Murray fala com o seu agente. Apostado na saída, cede à proposta do seu antigo "manager" no QPR, e escolhe para seu novo clube, o Oldham Athletic. 
Esta sua opção, durante alguns anos, mantê-lo-ia afastado dos patamares principais da modalidade. Seria para contrariar esse caminho, que Paul Murray volta a aceitar novo desafio de Mick Wadsworth. Desta feita, o convite do treinador levá-lo-ia a Portugal. Ao Beira-Mar chega com o rótulo de craque. Mas, ao contrário das expectativas criadas, o médio não conseguiria impor o seu futebol. Volta à sua terra natal e ao velho conhecido Carlisle.
Passados dois anos, mais uma vez pela mão de Mick Wadsworth, Paul Murray chega a uma primeira divisão. Na Escócia, ao serviço do Gretna FC, tudo parecia alinhado para que a sua carreira voltasse ao rumo certo. Contudo, o clube, inexperiente nestas andanças, falha os seus objectivos. Ainda assim, a prestação de Paul Murray, como um dos mais utilizados, é bastante aceitável.
Nem esse balanço positivo, o leva reconsiderar na posição de deixar o país. O regresso a Inglaterra não lhe traz mais do que contractos em clubes de menor monta. É já depois de representar Shrewsbury e Hartlepool que, de volta ao Oldham, decide em 2013, passar da carreira de futebolista para a de treinador.


* retirado da entrevista de Ron Norris, em "QPRnet.com"

559 - HÉLIO

Quando em Fevereiro de 1989, Portugal cumpre os seus primeiros encontros no Mundial s-21, ainda Hélio era um (quase) desconhecido do futebol português. É certo que a sua estreia como sénior do Vitória de Setúbal, remontava à temporada de 1987/88. Mas as poucas partidas que ia disputando com a principal equipa sadina, normal para um atleta da sua idade, fazia com que o seu nome ainda não tivesse grande destaque nos órgãos de comunicação nacionais.
Tudo mudaria após a vitória frente à Arábia Saudita, e que consagraria a selecção portuguesa como a vencedora do torneio acima referido. A partir desse momento, a vida do médio prometia mudar radicalmente. Seguro, lutador e bastante inteligente na hora de abordar os lances, Hélio começava a despertar cobiça noutros clubes. No entanto, o evoluir da sua carreira haveria de sofrer um pequeno desaire.
A despromoção do Vitória de Setúbal, no final da época de 1990/91, projectava um cenário no qual o jogador não haveria de merecer tanta atenção. O engraçado, é que seria este tropeção que levaria Hélio a, definitivamente, conseguir um lugar no "onze" inicial. A jogar regularmente, o contexto que, de início, se mostrava desfavorável, acabaria por alavancá-lo. Falou-se numa hipotética mudança para Lisboa... segundo se disse, praticamente combinada! A verdade é que tal nunca haveria de se concretizar. Dizem que uma violenta entrada sobre um jogador "encarnado" (salvo erro sobre Schwarz ou Thern, num jogo para a Taça de Portugal de 1991/92) teria deitado tudo por terra.
Mas se é correcto dizer-se que Hélio nunca vestiu de "Águia" ao peito, já dizer-se o mesmo em relação à "Cruz de Cristo" seria mentira!!! A história, mais uma caricata na vida do centrocampista, remonta à temporada de 1995/96. No Restelo, os "Azuis" eram comandados por João Alves. Uma das contratações do "Luvas Pretas" era, como já adivinharam, Hélio. Internacional "A", com a estreia na principal "Equipa das Quinas" feita num amigável frente à Noruega (20/04/94), o médio perfilava-se como uma das principais aquisições do Belenenses. Apresentação feita, foto oficial tirada e... alguém descobre nele uma gravíssima lesão!!! Contrato rescindido e, como contaria Pedro Barny, o atleta volta à origem - "O Hélio iniciou a época connosco... mas ainda antes do início do campeonato regressou ao Setúbal... ainda hoje não sei o motivo!!"*.
Depois de mais esta, tão típica no futebol português, intrigante novela, Hélio prosseguiria a sua carreira no clube que sempre havia representado. Cumpridor, de uma entrega exemplar, voltaria a ser, como era constatável dentro de campo, um dos pilares da sua equipa. Seria com a responsabilidade desse estatuto que, em 1998/99, ajudaria os seus colegas a atingir a 5ª posição da tabela classificativa. A brilhante posição no Campeonato Nacional, valeria aos da margem norte do Rio Sado uma presença na Taça UEFA da época seguinte. Nessa edição da prova europeia, e apesar da copiosa derrota da primeira mão (7-0), o Vitória de Setúbal, com Hélio a titular, haveria de conseguir, perante o seu público, a proeza de derrotar a poderosa AS Roma (1-0).
Mas apesar deste feito, com certeza que Hélio há-de concordar que, se tivesse que escolher o melhor momento com a camisola do Vitória de Setúbal, o do triunfo perante os italianos não mereceria a primazia. Ora, há um outro capítulo da sua vida de profissional que, sem sombra de dúvida, é bem mais brilhante. Esse aconteceria no fecho da temporada de 2004/05. Depois de ajudar bater o Benfica por 2-1, Hélio, envergando a braçadeira de capitão, sobe à tribuna presidencial do Estádio Nacional, para erguer a terceira Taça de Portugal do Vitória de Setúbal.


*Retirado da página "Cavaleiro Andante", Facebook (20/10/2011)

474 - OSVALDO SILVA

Sem descrédito para nenhum dos outros atletas, pode dizer-se que Osvaldo Silva foi, dentro de campo, o grande mestre da vitória da Taça dos Vencedores das Taças de 1963/64. Claro está que, por altura dessa campanha, já o médio brasileiro tinha talhado uma bela carreira. Essa caminhada começaria no seu país natal, o Brasil, onde, com as cores do Pompeia FC, viria a despontar. Alguns anos cumpridos e seria já a representar o América Mineiro que Osvaldo Silva conheceria a pessoa que mudaria o rumo da sua vida. Falo-vos do treinador Dorival Yustrich, o responsável pela sua vinda para Portugal e… para o FC Porto! 
Sim, seria para "Cidade Invicta" que o antigo interior iria inicialmente jogar. Também ao serviço dos “Dragões”, a excelente técnica, a velocidade e a visão de jogo, fariam com que o médio-atacante facilmente conseguisse impor-se. Ao serviço dos "Azuis e Brancos", o jogador, em dois anos, ajudaria a vencer a Taça de Portugal de 1957/58 e também o Campeonato Nacional da época seguinte. Contudo, a sua relação com os responsáveis portistas, por razão do despedimento de Yustrich, começaria a deteriorar-se logo na temporada da sua estreia pelo emblema luso. Ao nunca esconder o descontentamento pela forma como o técnico brasileiro havia sido afastado, a sua relação com a direcção do clube continuaria a azedar e Osvaldo Silva acabaria igualmente por ser dispensado.
Depois da saída do FC Porto no final de 1958/59, o médio-ofensivo não perderia muito tempo e logo arranjaria, ali bem perto, um clube pronto abrir as portas à sua vida profissional. No Leixões, quase em modo de vingança, o atleta ajudaria a escrever uma das páginas mais brilhantes do emblema de Matosinhos. O episódio, para quem ainda não adivinhou, refere-se à conquista da Taça de Portugal de 1960/61, onde o brasileiro, na vitória por 2-0 alcançada na final, marcaria um dos golos. Tamanho marco, por si só e ainda por cima para uma colectividade mais modesta, erguer-se-ia como algo deveras notável. Porém, se, à aludida vitória, juntarmos o facto de a derradeira partida da “Prova Rainha” ter sido disputada frente aos “Dragões” e em pleno Estádio das Antas, então é fácil entendermos os contornos épicos de tal história!
Seria depois do feito relatado no parágrafo anterior e ao fim de 3 temporadas a representar os "Homens do Mar", que Osvaldo Silva haveria de rumar a Lisboa. O destino seria o Sporting e o médio-ofensivo, mais uma vez, parecia carregar nele a essência do sucesso. Nessa senda leonina, após a conquista da Taça de Portugal de 1962/63, seguir-se-ia a famosa campanha europeia que terminaria na Bélgica, com a consagração dos "Leões". Tal caminhada teria nos últimos desafios – final e finalíssima –, até pelo desfecho de ambas rondas, contornos de um acontecimento inolvidável. No entanto, também é verdade dizer-se que outros capítulos, principalmente para o médio leonino, haveriam de merecer um enorme destaque. O primeiro desses momentos seria o 5-0 sobre o Manchester United, onde, depois da derrota por 4-1 em Inglaterra, 3 golos de Osvaldo Silva acabariam por dar o mote para a reviravolta na eliminatória. Outro seria o desempate das meias-finais frente ao Lyon, no qual, com mais um remate certeiro, o médio brasileiro carimbaria, em definitivo, a passagem para o último estágio da competição.
Com o triunfo no Campeonato Nacional de 1965/66 a enriquecer o seu currículo, Osvaldo Silva, no final da aludida época, deixaria o Sporting. Rumaria à Portuguesa dos Desportos e depois ao Académico de Viseu. De seguida acabaria a assinar pelo Olhanense e, mais tarde, pelo Avintes, acumulando, nos colectivos lusos mencionados, as tarefas de jogador e de treinador. Em definitivo nas funções de técnico, a antiga estrela do futebol leonino haveria de regressar a Alvalade, onde trabalharia na formação de novos craques, no auxílio a outros treinadores – como Di Stéfano – ou mesmo ao leme do plantel principal. Por fim, falta ainda fazer referência à sua passagem pelo União de Tomar e o regresso à colectividade a jogar em casa no Estádio do Fontelo.

454 - TRAVASSOS

É curiosa a maneira como o destino por vezes entra na nossa vida ou como, com antecedência, somos alertados para o devir do nosso caminho. Com Travassos passou-se exactamente isso. Nasceu em Lisboa, na Quinta do Lumiar. Talvez o nome não diga muito à maioria. No entanto, consigo dar-vos uma pista para que logrem entender as primeiras linhas deste texto! Nesse sentido, posso falar-vos da bancada nova do antigo Estádio de Alvalade! Pois é, o famoso atacante nasceu no mesmíssimo lugar onde, anos mais tarde, veio a erguer-se a referida estrutura da “casa” leonina. O mais engraçado é que a tal premonição chegou a estar em perigo. Conta-se que o avançado, ao decidir prestar provas no Sporting, foi aferido como franzino demais para a prática desportiva. O treinador Jesef Szabo terá mesmo aconselhado o jovem futebolista a comer mais batatas com bacalhau, acabando por recusar o seu ingresso nos “Verdes e Brancos”.
Pela razão acima exposta e porque no Barreiro também tinha a garantia de emprego, Travassos arribou caminho para a Margem Sul. No GD CUF, onde veio a estrear-se como sénior na temporada de 1943/44, o avançado, mesmo a disputar o 2º escalão, rapidamente começou a despertar a atenção de outros emblemas nacionais. Então, surgiu no seu encalço o FC Porto. Com o “namoro” encetou-se mais uma das típicas ”novelas” do futebol luso. Depois de apalavrado o acordo com os “Dragões”, apareceu o Sporting a esconder o atleta algures em Torres Vedras, enquanto tentava um acordo com o emblema fabril. Mais uma vez, surgiram os “Azuis e Brancos” a conseguirem convencer o atacante a viajar para o Norte. Já na "Cidade Invicta", talvez por um misto de culpa e de paixão pelo clube lisboeta, o jogador tomou a decisão de telefonar aos “Leões” e acabou a informá-los do seu paradeiro.
Com o fim do imbróglio, o atacante veio mesmo a assinar pelo emblema do coração. No novo colectivo, a inteligência revelada em campo, a maneira fácil como punha os outros colegas a jogar e a uma técnica irrepreensível, garantiram-lhe o espaço no "onze" do Sporting. Com a sua chegada e com a contratação de Vasques, ambos a entrar no clube na temporada de 1946/47, ficava completa aquela que foi a linha avançada mais famosa do futebol português ou como o jornalista Tavares da Silva a baptizou, "Os Cinco Violinos". Essa portentosa equipa leonina, onde também couberam, para além do atleta já referido neste parágrafo, Peyroteo, Albano e Jesus Correia, acabou a dominar o cenário competitivo luso no final dos anos de 1940 e durante uma boa parte da década de 1950. Por essa razão, o palmarés do interior-direito transformou-se num rol de troféus deveras faustoso e a incluir as vitórias em 8 Campeonatos Nacionais, 1 Campeonato de Lisboa e 2 Taças de Portugal.
Apesar do sucesso conseguido dentro de fronteiras, nada mais o projectou internacionalmente que a chamada à selecção da UEFA. Nunca antes um futebolista português tinha tido tamanha honra. Diz-se que Travassos estava de férias na Costa da Caparica quando recebeu a boa-nova. Como estava parado há algum tempo, decidiu pelos próprios meios e para não fazer má figura durante a partida, recuperar a boa forma física. Nesse desafio disputado em Belfast, a 13 de Agosto de 1955, o atacante cotou-se como um dos melhores em campo e tal desempenho valeu-lhe o epíteto, pelo qual ficou conhecido para o resto da vida, do "Zé da Europa".

329 - TONEL


Depois da saída do Sporting, a meu ver um pouco surpreendente, e após a sua contratação, mais espantosa ainda, por parte dos sérvios do Dínamo de Belgrado, Tonel é outro dos atletas que, tendo vestido a camisola da principal selecção do nosso país, regressa a Portugal, engrossando o tão depauperado efectivo de nacionais nas provas lusas de maior monta.
Voltando a falar um pouco sobre a sua saída dos "Verde e Branco", a verdade é que a escolha do defesa-central pelo emblema sérvio veio a revelar-se acertada. Para tal análise, basta ter em conta que a colectividade de Belgrado, para além da luta pelos lugares cimeiros no Campeonato, levou o jogador a disputar a Liga dos Campeões. Já em relação à agremiação elegida para apadrinhar este retorno, partindo do princípio que o atleta teve hipótese de escolha, tenho de admitir algumas reservas!
É certo que o emblema aveirense, comprado pelo magnata iraniano Majid Pishyar, prometeu, pela voz do mesmo, outros voos. No entanto, o que tem acontecido tem sido um pouco diferente do tão apontado topo da tabela classificativa. Talvez a justificação esteja à vista. Certo é que o investimento em atletas mais faustosos do que aquilo a que Aveiro está habituado, pela menor crença do titular de 80% das acções da SAD do Beira-Mar ou por outra razão qualquer, parece não ter passado das intenções. Pode ser que a contratação do defesa-central seja o primeiro sinal de uma reviravolta na estratégia; pode ser que o clube beirão comece, tal como "pareceu" ser a vontade do seu proprietário, a intrometer-se nas contendas normalmente a cargo de Benfica, FC Porto e Sporting.

292 - CASQUILHA

Depois de mais de dez anos em que a sua carreira, mesmo ao destacar-se pelas passagens por clubes como a Académica de Coimbra, Feirense e Amora, ficou cingida a presenças nos escalões secundários, Casquilha, pela mão do Gil Vicente chegou à 1ª Divisão na temporada de 1999/00.
Os 30 anos de idade, que já contava por essa altura, podiam ter sido um empecilho à nova etapa. Na realidade, os números apresentados pelo extremo, com as inúmeras participações a titular durante as épocas seguintes à chegada a Barcelos, provaram o contrário. No Minho, as suas arrancadas pelas alas do campo, as diagonais com que baralhava os opositores, a maneira como rasgava as defensivas adversárias e também a assertividade dos seus cruzamentos passaram a ser uma mais-valia para o plantel gilista. Os golos, apesar de não muito frequentes, também foram aparecendo. Como exemplo temos o seu primeiro remate certeiro na divisão maior do futebol português e que assegurou, no Vidal Pinheiro, a vitória fora do Gil Vicente nessa que foi sua época de estreia entre os “grandes” – ”Tive a felicidade de ser eu a concluir um bom trabalho do Fangueiro, que lateraliza para o Cuc e eu só tive de marcar. Penso que a estreia na I Divisão está a ser muito positiva, estou bastante satisfeito”*.
Foi positivo esse ano, continuaram a ser os seguintes e as contas fazem-se de forma simples, com seis temporadas consecutivas e quase 180 partidas disputadas como atleta primodivisionário. Já no papel de treinador, a sua carreira, que vai no sétimo ano, tem sido caracterizada por um sucesso que pode dizer-se “em crescendo”. Desde que assumiu o comando do Moreirense, Jorge Casquilha tem começado a ganhar alguma notoriedade entre os da sua classe. O técnico conseguiu, desde que pegou na equipa na 2ª divisão “b”, assegurar duas subidas de escalão, fazendo com que os de Moreira de Cónegos voltassem, esta temporada de 2012/13, ao convívio dos maiores do futebol português.

*retirado do artigo de Miguel Sá Pereira, publicado em www.record.pt, a 26/10/99

174 - BRUNO RIBEIRO

Por volta da segunda metade dos anos de 1990, das escolas do Vitória de Setúbal emergiram uma série de jovens que, uns de forma mais concreta que outros, conseguiram singrar no cenário futebolístico português e até além-fronteiras. Ao lado de nomes como Mário Loja, Frechaut, Mamede, Carlos Manuel, Nuno Santos ou Sandro, Bruno Ribeiro fez também parte desse núcleo de jogadores.
Não passou muito tempo até que novos voos começassem a perspectivar-se. Três temporadas após a promoção à equipa principal “sadina”, com 21 anos e sem que, por cá, alguém tivesse, verdadeiramente, reparado nele, recebeu o convite de George Graham para viajar até Inglaterra. Ao serviço do Leeds United, no mesmíssimo ano em que o Boavista transferiu Jimmy Hasselbaink para o emblema sediado em Yorkshire, Bruno Ribeiro deu os primeiros passos na Premier League. A estreia foi auspiciosa, com o médio a mostrar grande raça. Com uma atitude apreciada em terras britânicas, conseguiu, em quase todas as jornadas, um lugar entre os eleitos para o “onze” inicial da equipa. No entanto, o pior estava para vir. Uma lesão no começo da época seguinte à da sua chegada e a contracção do “manager” David O'Leary, afastaram-no da titularidade e daquilo que podia ter sido uma carreira excepcional.
As páginas seguintes da sua vida profissional, no Sheffield United e, depois de voltar a Portugal, no Beira-Mar e no Santa Clara, não trouxeram acrescento maior. As grandes conquistas estavam reservadas para o regresso ao emblema do seu coração. Na cidade natal, ao fazer parte dos melhores anos da história recente do Vitória Futebol Clube, gravou brilhantes páginas na memória pessoal. Numa inolvidável senda de títulos, em 2005 ajudou a levar a Taça de Portugal até Setúbal para, três anos depois, conquistar a primeira edição da Taça da Liga.
No ano passado, com apenas alguns meses de experiência como técnico dos escalões jovens, aceitou o desafio de comandar a luta dos seus antigos companheiros e, com o trabalho desenvolvido nas derradeiras partidas do Campeonato Nacional, salvou-os da despromoção. Esta temporada, embebido pela garra habitual ou, se preferirem, pela paixão tão bem transmitida aos seus pupilos, ocupa, reflexo dos bons resultados, a metade superior da tabela classificativa.

123 - COSTA PEREIRA

Ainda no tempo do Ferroviário de Lourenço Marques, começaria a destacar-se por ser um praticante ecléctico! Na vela, mas principalmente no basquetebol e no futebol, Costa Pereira mostraria ser um exímio desportista.
No futebol daria os primeiros passos a jogar como avançado. Porém, a habilidade que as suas mãos demonstravam no ataque ao cesto, levariam o seu técnico no clube moçambicano a sugerir-lhe a baliza. Em boa hora viria a troca, pois Costa Pereira tornar-se-ia num dos maiores entre os postes. Nesse caminho, superaria vários "handicaps". Adaptaria os tiques de basquetebolista às suas novas funções, faltando-lhe vencer as reticências relativas à mudança de posição – “Quem sabe o que o futebol perdeu com a minha passagem a keeper? Talvez fosse hoje um avançado como me dizem ter sido o Soeiro, que eu não vi jogar, mas que me afirmam levava tudo na sua frente, graças ao poder físico que possuía”*.
No Benfica venceria tudo. Contra o Barcelona, em 1961, afastaria das redes benfiquistas um sem-número de bolas, numa final onde o trio magiar Kubala, Kocsis e Czibor semeariam o terror no meio-campo das “Águias”. No ano seguinte, nem os 3 golos do também húngaro Puskas assombrariam uma bela exibição sua e, muito menos, evitaram a segunda vitória dos “Encarnados” na Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Já os dissabores viriam nos anos seguintes. O primeiro aconteceria na terceira final consecutiva, onde o Benfica, dessa feita contra o AC Milan, conheceria a derrota. No entanto, o pior desaire ainda estaria para vir. Em 1965, em mais uma presença no derradeiro jogo da Taça dos Clubes Campeões Europeus, um remate frouxo do brasileiro Jair, resultaria num "frango" tremendo de Costa Pereira. Para piorar o cenário já por si negativo, 12 minutos após o intervalo, o guarda-redes ressentir-se-ia de uma pancada sofrida na 1ª parte. Acabaria por sair e, ao não estarem ainda instituídas as substituições, veria o defesa Germano substituí-lo à baliza. O resultado de 1-0 não voltaria a alterar-se. Ainda assim, a chegada ao aeroporto de Lisboa, com os adeptos a ovacioná-lo, serviria para atenuar toda a má fortuna da peleja disputada no Giuseppe Meazza.
Para além do que já foi dito, Costa Pereira será para sempre recordado como um lutador dentro campo ou fora dele. Para além do que conseguiu no rectângulo de jogo, o guardião ficaria conhecido por defender os direitos dos colegas, acabando, tantas vezes, por ser comparado a um aguerrido sindicalista.

*retirado do livro de João Malheiro, “Memorial Benfica 100 glórias”; Quidnovi (2004)

66 - PEYROTEO

É considerado por muitos o melhor avançado-centro de sempre do futebol português. Se foi ou não o maior, ser-me-á difícil discuti-lo. Porém, e verdade seja dita, os números não deixam muitas duvidas e será fácil chegar à conclusão que Peyroteo terá sido um grande goleador. Vejamos: em 12 anos marcou à volta de 700 golos; detém o recorde de golos numa só partida para o Campeonato, 9 nos 14-0 ao Leça; foi 6 vezes o Melhor Marcador do Campeonato Nacional; e, com mais de 1,6 golos/jogo, é o detentor do recorde mundial para a melhor média de golos conseguidos durante a carreira, em campeonatos nacionais.
Não foi só os golos que se tornaram Peyroteo num exemplo. Vários são os episódios que aferem a rectidão deste homem. Acabado de chegar de Angola, onde representava o Sporting de Luanda, e ainda sem ter contrato assinado, consta que um emissário do FC Porto tê-lo-á abordado e oferecido condições mais vantagens. Recusou, pois já tinha dado a sua palavra aos “Leões” e nunca a trairia. Anos mais tarde, terá sido também assediado pelo rival Benfica e pelos franceses do Bordeaux, mas a fidelidade e paixão pelo seu clube era tal que, novamente, recusou as vantajosas propostas.
Só no último ano da sua brilhante carreira, abandonou o emblema “verde e branco” e vestiu a camisola do Belenenses. No entanto, a sua imagem ficará para sempre ligada ao Sporting, seja pela sua estreia, onde marcou 2 golos na vitória por 5-3 frente ao Benfica; seja por ter feito parte de uma das mais famosas linhas de ataque, "Os Cinco Violinos"; seja pela admiração e saudade que deixou nos corações leoninos.
A devoção à sua pessoa chegou a ser tanta que, por graça, e também em alusão à rivalidade que mantinha com um tal avançado das “Águias”, era costume ouvir-se da boca dos sportinguistas: "Em nome do pai, e do filho e do Peyroteo, que o Espírito Santo é do Benfica!"

61 - RICARDO SOUSA

Para além de jogar na mesma posição que o pai ocupava em campo, herdou um remate igualmente fulminante. No entanto, e admito que é injusto este tipo de comparações, há que dizer que a semelhança entre a carreira dos dois termina praticamente aqui.
Ricardo Sousa, saído dos escalões de formação da Sanjoanense, acabaria, pela mão do seu pai e também treinador do conjunto principal, conseguir estrear-se pelos seniores do referido clube. Não tardaria muito para que as suas qualidades fossem motivo suficiente para que o FC Porto visse nele um bom reforço. Ao estar ainda em idade formativa, o seu destino acabaria por ser os juniores do emblema “azul e branco”. Porém, tudo o que nele haveriam de projectar, por razões que custam a discernir, nunca passariam de promessas. Como resultado, os anos seguintes transformar-se-iam numa sequência de “empréstimos” a outros clubes.
Beira-Mar, Santa Clara e Belenenses, com algumas presenças à mistura na equipa principal do FC Porto transformar-se-iam na sua realidade enquanto sénior. Já 2003/04, ao assinar contrato pelo Boavista, transformar-se-ia numa das suas melhores temporadas. Os bons desempenhos feitos pela equipa do Bessa, abrir-lhe-iam as portas da Bundesliga e do Hannover. Desenganar-se-iam aqueles que haveriam de apostar nessa sua ida para a Alemanha, como o empurrão necessário a reviravolta na sua carreira. Tal não aconteceria e o médio acabaria por entrar numa senda que só podemos classificar como marcadamente errante. De Graafschap, Boavista, Omonia de Nicósia, Kickers Offenbach, Beira-Mar, União de Leira e NK Drava, acabariam por ser as cores desse corrupio.
Para esta época de 2010/11, seria a Oliveirense a abrir-lhe as portas. O seu regresso aos Campeonatos lusos veio, por parte do jogador, com uma promessa – “sei que ainda tenho futebol para fazer muito em Portugal. Sinto-me com capacidade para ajudar”*. Todos esperamos que sim.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 26/07/2010

49 - HILDEBRAND

Chegou ao Sporting para fazer frente a Rui Patrício. Parecia, à partida, ter a tarefa facilitada. Todavia, a evolução que o actual titular da baliza leonina tem mostrado, aparenta ser suficiente para que o internacional alemão ainda não tenha merecido, por parte do treinador Paulo Sérgio, grandes oportunidades.
Estranha opção a do técnico do Sporting, tendo em conta o seu percurso. Timo Hildebrand começou no VfB Suttgart e por lá ficou até 2007. Várias épocas após a sua promoção à equipa sénior do emblema alemão e a com 1 vitória na Liga germânica a colorir o seu currículo, o Valência avançou para a sua contratação. Em Espanha começou por ser bastante utilizado. No entanto, e depois da partida de Ronald Koeman, a sua vida mudou. Já sob a orientação de Unai Emery, e após a recusa em sentar-se no banco de suplentes, o guarda-redes não mais participou em qualquer partida. Como resultado do incidente, e a meio da temporada de 2008/09, Hildebrand voltou à Alemanha, dessa feita para representar o Hoffenheim.
Na selecção, apesar de ter sido uma terceira escolha, foi escolhido para integrar as comitivas que participaram no Euro 2004, na Taça das Confederações de 2005 e no Campeonato do Mundo de 2006.