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1796 - PAULÃO


Depois de completar a formação no Atlético de Minas Gerais, Paulo Afonso Santos Júnior, conhecido no mundo do futebol como Paulão, teria igualmente no “Galo” a oportunidade de fazer a transição para o patamar sénior. Contudo, as presenças em campo pela equipa principal, tanto nessa temporada de 2000, como nas duas seguintes, seriam escassas. Ainda assim, no ano de estreia acabaria a festejar a conquista do Campeonato Mineiro. O pior viria nas épocas subsequentes e sua dispensa, já com a preparação da campanha de 2003 em andamento, seria anunciada.
O anúncio da rescisão, aludido no final do parágrafo anterior, seria disseminado, a exemplo, pela “Folha de São Paulo”, a 2 de Fevereiro de 2003*. Curiosamente, logo no dia seguinte, o mesmo órgão de comunicação social haveria de informar os seus leitores a respeito da declaração emitida pela direcção do Botafogo-SP, a comunicar a contratação do defesa-central**. Todavia, espantem-se! Pois, logo a 5 de Fevereiro, 3 dias após a notícia do novo vínculo laboral, sairia outra informação, dessa feita a transmitir o cancelamento da tal união mencionada anteriormente!
O que terá ocorrido, no que refere à carreira de Paulão, nas temporadas de 2003 e de 2004, por mais que tenha procurado esclarecimentos fidedignos, permanece um mistério para mim. Em abono da verdade, até há algumas páginas “on-line” a sublinhar a tal passagem pelo Botafogo-SP e, posteriormente, pelo Ituiutaba de Minas Gerais. Por outro lado, existem também fontes a referir a sua permanência no Atlético de Minas Gerais, mas numa equipa secundária. O que parece ser certo, num virar de página e depois desse acinzentado hiato de um par de campanhas, é sua integração no plantel de 2005 do América Mineiro e a passagem pelo Gama de 2006.
Já do outro lado do Atlântico, a época de 2006/07 marcaria a chegada de Paulão a Portugal. Recebido pela Naval 1º de Maio, o jogador acabaria inicialmente por ser orientado por Rogério Gonçalves. O defesa-central, mesmo tendo em conta o cenário diferente, não deixaria intimidar-se pelas novidades competitivas e acabaria por afirmar-se como um dos esteios da colectividade sediada na Figueira da Foz. Os 3 anos cumprido no emblema a jogar em casa no Estádio Municipal José Bento Pessoa, serviriam para cevar a sua cotação e frisar o atleta como um dos bons nomes a actuar nas provas lusas. Tal acréscimo de valor levaria a que outras agremiações fossem no seu encalço e a temporada de 2009/10 marcaria uma nova mudança de rumo.
A sua contratação por parte do Sporting de Braga, justiça há que ser feita, acabaria abaixo das expectativas criadas.  Ainda assim, tapado inicialmente pela concorrência de Alberto Rodríguez e de Moisés, a segunda campanha cumprida no Minho até traria ao currículo do jogador números bem positivos. O aludido crescimento faria com que outras portas viessem a abrir-se para o defesa-central e após marcar presença, chamado à titularidade por Domingos Paciência, na final da edição de 2010/11 da Liga Europa, Paulão acabaria transferido para o Saint-Étienne.
Sem grande sucesso na curta passagem pela França, o jogador, de começo por empréstimo, tentaria a sua sorte em Espanha. Com a mudança a ocorrer a meio da campanha de 2011/12, Paulão, contrariamente ao ocorrido em “Terras Gaulesas”, acabaria por confirmar o seu valor desportivo. No Betis Balompié, o defesa-central pegaria de estaca e num grupo de trabalho onde chegaria a partilhar o balneário com nomes conhecidos do futebol português, casos de Nélson ou Salvador Agra, os números alcançados sensivelmente no decorrer de 2 anos e meio dariam razão à sua contratação.
Já a preencher os derradeiros capítulos da carreira, Paulão ainda experimentaria o México e as cores do Atlético San Luis. Por fim, viria o regresso às competições lusas e com o Olhanense a disputar a 2ª divisão, a entrada no colectivo algarvio em 2016/17 antecederia, no termo da época referida, o termo da sua caminhada competitiva.

*https://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u54942.shtml
**https://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u55000.shtml
***https://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u55094.shtml

1722 - JESUALDO FERREIRA

Apesar de uma curta carreira enquanto praticante, mormente cumprida nas equipas de formação do Desportivo de Chaves e da Ovarense, Manuel Jesualdo Ferreira nunca perderia a paixão pelo futebol. Porém, nessa caminhada competitiva, o médio-ofensivo depressa tomaria a decisão de trocar as chuteiras pelos livros. Já em Lisboa, como aluno do ISEF, concluiria o curso em Educação Física e, ao aproveitar o convénio celebrado entre o referido estabelecimento de ensino e a Federação Portuguesa de Futebol, numa ideia onde também caberiam Peres Bandeira e José Moniz, desde cedo começaria a trabalhar com os jovens a envergarem a “camisola das quinas”.
Numa altura em que já tinha igualmente abraçado a carreira de docente no ISEF, onde viria a ser professor de Carlos Queiroz, o jovem treinador seria convidado por Gaspar Ramos para ficar à frente das “escolas” do Benfica. Depois, a fase seguinte da sua carreira apresentá-lo-ia aos desafios de orientar algumas equipas seniores. No entanto, mesmo com a excepção que viria a tornar-se a passagem pelo plantel de 1984/85 da Académica de Coimbra, as experiências à frente do Rio Maior, Torreense, Atlético e Silves não levariam o jovem treinador para além da 2ª divisão. Então, numa altura em que já contava com alguns anos de traquejo, surgiria o convite para regressar às “Águias”, para onde, na temporada de 1987/88, entraria como adjunto de Toni.
Seguir-se-ia, em 1990, a passagem à frente da selecção de Angola. Não muito tempo depois, na sua caminhada enquanto treinador, emergiria uma nova experiência primodivisionária, dessa feita com o Estrela da Amadora de 1990/91. Em paralelo ao tempo cumprido na Reboleira, surgiria também o convite endereçado por Artur Jorge, para que o coadjuvasse nos trabalhos da selecção portuguesa. Mais tarde, com a época de 1992/93 em andamento, reunir-se-ia mais uma vez a Toni no Benfica e, ainda como seu adjunto, após ano e meio na Luz, partiriam os dois em direcção a um Girondins de Bordeaux, onde, em 1994/95, brilhavam nomes como Lizarazu, Dugarry ou Zidane.
FAR Rabat e uma nova entrada nos quadros da Federação Portuguesa de Futebol, onde, entre 1996 e 2000, orientaria os sub-21, precederiam os anos que, em definitivo, viriam a consagrar Jesualdo Ferreira como um treinador de elite. Ao começar essa senda pelo plantel de 2000/01 do Alverca, a entrada num Benfica no rescaldo dos anos negros de João Vale e Azevedo, não teria grande proveito em termos de resultados colectivos. Já o grande salto na carreira dá-lo-ia, a partir de 2002/03, ao serviço do Sporting de Braga. Do Minho, onde começaria a habituar-se a lutar pelos lugares cimeiros do Campeonato Nacional, transitaria para o FC Porto. Com a entrada no Estádio do Dragão a acontecer na campanha de 2006/07, chegaria o tempo do experiente treinador começar a ver o currículo a ficar colorido por diversos títulos. Nesse contexto vitorioso, destacar-se-iam os triunfos em 2 Taças de Portugal, 1 Supertaça e, acima de tudo, o “tri” conquistado entre a sua chegada aos “Azuis e Brancos” e a época de 2008/09.
Com a despedida da “Cidade Invicta”, Jesualdo Ferreira encetaria um longo périplo, ainda que interrompido um par de vezes, por emblemas estrangeiros. Nesse trecho da sua caminhada pelo futebol, surgiria à cabeça a passagem pela edição de 2010/11 da La Liga e pelo Málaga. De seguida apareceriam o Panathinaikos, o regresso a Portugal para orientar o Sporting e o Sporting de Braga, as vitórias do Campeonato e da Taça do Egipto ao serviço do Zamalec e o Al-Sadd onde ganharia vários troféus nas provas do Qatar. Para terminar, as curtas passagens pelo Santos, pelo Boavista e mais um período à frente do já referido emblema egípcio.

1665 - GONÇALO BRANDÃO

Formado no Belenenses, as suas qualidades desportivas levá-lo-iam, a 1 de Novembro de 2001, a estrear-se com a “camisola das quinas”. Esse primeiro encontro com as cores de Portugal, partida disputada frente à Hungria no âmbito dos sub-16, daria azo à sua continuidade nos conjuntos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Aliás, daí em diante, o defesa-central, que também haveria de jogar à esquerda do sector mais recuado, passaria por distintos escalões, sendo convocado para diversos certames de renome, como a edição de 2007 do Torneio de Toulon. Mais tarde, em 2009, resultado de uma evolução bastante positiva, acabaria chamado por Carlos Queiroz à equipa principal lusa e pelo meio de 40 internacionalizações, cumpriria 2 pelo conjunto “A”.
Já no que diz respeito à sua caminhada sénior, seria também ao serviço do Belenenses que, pela mão de Manuel José, Gonçalo Jardim Brandão conseguiria estrear-se no escalão sénior e nas pelejas da 1ª divisão. Depois de um arranque ambicioso na equipa principal dos “Azuis”, a verdade é que o defesa, cumprida essa temporada de 2003/04, acabaria sucessivamente preterido nas escolhas dos treinadores. Tamanha falta de utilização levá-lo-ia a procurar evoluir noutros cenários competitivos e após o infrutífero empréstimo ao Charlton de 2005/06, a temporada de 2008/09 apresentá-lo-ia como atleta de outra colectividade e logo na disputa de um dos campeonatos mais cotados no mundo.
Contratado pelo Siena, o jogador passaria a disputar a Serie A italiana. Porém, a entrada num dos contexto competitivos mais exigentes do universo futebolístico não assustaria o defesa. Contrariamente ao que alguma falta de experiência poderia apontar, Gonçalo Brandão conseguiria afirmar-se na agremiação com sede na Toscana. Como um dos destaques da equipa, o atleta começaria a despertar a atenção de emblemas de outra monta. A primeira dessas divisas a chamá-lo, como referido no primeiro parágrafo deste texto, seria a selecção “A” de Portugal. No entanto, igualmente na campanha 2009/10, uma digressão de fecho de temporada levá-lo-ia a ser emprestado à Juventus e a fazer, ao serviço da “Vecchia Signora”, alguns particulares nos Estados Unidos da América.
Ao não ser contratado pela Juventus e com a descida de divisão do Siena, Gonçalo Brandão passaria a temporada de 2010/11 nas contendas da Serie B. Acabaria resgatado para o contexto primodivisionário logo na campanha seguinte, mas a passagem pelo Parma não surtiria o efeito desejado. Sem grande utilização no novo emblema, o defesa começaria, em 2012/13, um sucessão de empréstimos a levá-lo ao Cesena, Cluj e finalmente ao Belenenses. O regresso ao Restelo, inicialmente numa cedência encetada a meio da temporada de 2013/14, transformar-se-ia numa ligação definitiva. Daí em diante, contrariamente ao sucedido na primeira passagem pelos “Azuis”, o jogador haveria de impor-se como umas das principais figuras do plantel “alfacinha”. Nesse sentido, seria com algum espanto que os adeptos veriam o atleta sair do clube e a apresentar-se, no “mercado de Inverno” de 2017, como reforço do Estoril Praia.
A verdade é que a mudança para o emblema da “Linha de Cascais” não traria o proveito por si projectado. Mesmo sem sair do escalão máximo luso, Gonçalo Brandão, no ano e meio despendido com os “Canarinhos” nunca conseguiria passar de segunda escolha. Seguir-se-ia, em 2018/19, a experiência nos helvéticos do Lausanne, o regresso a Portugal para fazer parte do plantel de 2019/20 do FC Porto “B” e o fim da carreira como futebolista, ainda no conjunto secundário dos “Dragões”, com o termo das provas agendadas para 2020/21.
Já com as “chuteiras penduradas”, Gonçalo Brandão decidir-se-ia pelas actividades de treinador. Nas funções de adjunto, já representou o Sporting “B” e é, actualmente, um dos membros da equipa técnica do Casa Pia.

1616 - EDSON

Nascido em Angola, Edson de Jesus Nobre, por razão da mudança da família, chegaria a Portugal com 6 anos de idade. Tempos mais tarde, apaixonado pelo futebol, começaria por representar as camadas de formação do Anadia. No entanto, a passagem para o patamar sénior, numa altura em que ainda era obrigado a conciliar o desporto com o trabalho, levá-lo-ia, na temporada de 1999/00, a envergar as cores do Mealhada – “Desde os dezoito anos que sempre trabalhei. Comecei na construção civil, como trolha, estive depois no atendimento numa loja de tintas, mas as coisas correm mal, tive de sair, e foi o presidente do Oliveira do Bairro que me arranjou emprego na fábrica dele de louças e sanitários. Trabalhava na secção de banheiras”*.
O Mealhada, o regresso ao Anadia e a entrada no já mencionado Oliveira do Hospital, com 2 épocas cumpridas em cada uma das colectividades, transformar-se-iam nos primeiros 6 anos da carreira sénior do extremo. Até aí a militar nos escalões secundários, Edson, aferido pela estonteante velocidade e por uma técnica bem acima da média, haveria de despertar os sentidos a outros emblemas. Contratado pelo Paços de Ferreira e orientado por José Mota, a campanha de 2005/06 acabaria por oferecer ao atacante a estreia no escalão máximo luso. Pouco amedrontado pelo salto dado, o atacante rapidamente conseguiria alcançar a titularidade e como uma referência no sector ofensivo da agremiação sediada na “Cidade dos Móveis”, o jogador começaria a apontar a outros horizontes.
Ao revelar-se como um dos nomes habituais no “onze” do Paços de Ferreira, Edson veria o seleccionador angolano a interessar-se pelas suas habilidades. Convocado por Luís Gonçalves para a disputa, a 16 de Novembro de 2005, de um “amigável” frente ao Japão, o extremo acabaria igualmente incluído no grupo chamado a disputar a CAN de 2006. Ainda nesse ano, muito para além do torneio disputado na África do Sul, o grande destaque na caminhada do avançado surgiria com o Campeonato do Mundo. No certame organizado na Alemanha, numa equipa com inúmeras figuras bem conhecidas do futebol luso, casos de Mantorras, João Ricardo, Akwá, Kali, Rui Marques, Marco Airosa, Figueiredo, André Macanga, Marco Abreu, Mendonça, Mateus ou Zé Kalanga, o extremo entraria em campo por uma vez e logo na partida, a contar para a Fase de Grupos, frente a Portugal.
Seria ainda como atleta do Paços de Ferreira que Edson, com a chamada à edição de 2008 da CAN, disputaria o 3º grande torneio pelos “Palancas Negros”. No que concerne ao panorama clubístico, o extremo, durante os 4 anos a vestir as cores dos “Castores”, manter-se-ia como um dos melhores intérpretes a jogar em casa no Estádio da Mata. Seguir-se-iam, a experiência no plantel de 2009/10 do Ethnikos Achnas e o regresso, cumpridos poucos meses no Chipre, ao país natal, para representar o Recreativo do Libolo treinado por Mariano Barreto. De volta a Portugal e já a aproximar-se do final de carreira, o extremo, nas disputas dos escalões secundários, ainda vestiria as camisolas do Arouca e do Aliados do Lordelo.

*retirado do artigo de Sérgio Pereira, publicado a 3/10/2005, em https://maisfutebol.iol.pt

1283 - HUSSAIN YASSER

Filho do futebolista egípcio, Yasser Elmohamady, ao nascer num lar onde o desporto assumia grande importância, Hussain Yaser, ainda em tenra idade, acabaria aferido como um prodígio a despontar no Médio Oriente. Com a habilidade a destacá-lo dos demais praticantes, rapidamente começaria a galgar etapas. Nessa rápida senda, mesmo ao passar pelas “escolas” do seu clube e pelas camadas de formação ligadas à Associação de Futebol do Catar, o jovem extremo entraria na equipa sénior do Al-Khor ainda como juvenil. À selecção principal também chegaria bastante cedo e, com a estreia a acontecer em 2001, o atacante alcançaria a primeira internacionalização “A” com apenas 17 anos.
Mesmo com a rápida evolução a revelá-lo como um futebolista de enorme potencial, seria a “mão” de um treinador dos Países Baixos a puxá-lo para a ribalta. Orientado por René Meulensteen nas camadas jovens da selecção catari, a entrada do referido técnico para os quadros do Manchester United, abrir-lhe-ia as portas do emblema inglês. Desde há muito impressionado com as qualidades do atacante, o neerlandês proporia a Sir Alex Ferguson a sua aquisição. Sem revelar o nome, descreveria Hussain Yaser como dono de uma impressionante velocidade, detentor de uma técnica acima da média e, espantem-se, como um promissor jogador brasileiro!
Após Meulensteen justificar a pequena mentira com o facto da nacionalidade do atleta, sem grande tradição no futebol, ter o poder para afastar o “manager” escocês de uma análise justa, a verdade é que o atacante, contratado ao Al-Rayyan em 2002/03, rubricaria uma ligação com o Manchester United. Problemas com o visto de trabalho levá-lo-iam a juntar-se às “reservas”, para, na campanha de chegada a Inglaterra, ser ainda emprestado ao Antwerp. No emblema belga passaria outra época, mas sem nunca conseguir conquistar uma oportunidade nos “Red Devils”. Já uns anos mais tarde, em 2005/06 e após um périplo que levaria o avançado ao Chipre e de volta ao Catar, chegaria a vez de tentar a sorte no Manchester City. Dessa feita, cruzar-se-ia com um Guardiola em fim de carreira e, também ele, a prestar provas nos “Citizens”. Tendo o espanhol recusado o contrato oferecido pelo emblema inglês, Hussain Yaser não viraria as costas a novo ensejo para vingar no futebol britânico. Todavia, mesmo ao integrar o plantel principal e depois de jogar uma partida para a Taça da Liga, o atacante não conseguiria, novamente, segurar o lugar num emblema da “Premier League”.
Nova oportunidade na Europa surgiria pouco tempo depois. Ao partilhar o balneário de 2006/07 do Al-Rayyan com João Tomás, seria o internacional português que, ao ingressar no Sporting de Braga, haveria de sugerir a contratação do futebolista nascido no Catar. No Minho apenas permaneceria meia época. Com a abertura do “mercado de Inverno” de 2007/08, o extremo mudar-se-ia para o Boavista. No entanto, as jornadas em que conseguiria inscrever o seu nome na ficha de jogo não seriam suficientes para justificar a sua continuidade em Portugal e Hussain Yaser acabaria por partir em direcção a uma nova aventura.
No resto da caminhada enquanto futebolista profissional, a passagem pelo Egipto acabaria por transformar-se na etapa mais prolífera da carreira do atacante. No Al-Ahly, onde também seria treinado por Manuel José e, posteriormente, por Nelo Vingada, ajudaria à conquista de 2 Campeonatos e de 1 Supertaça Africana. Sem sair do “país dos faraós” representaria ainda o Zamalek. Seguir-se-iam, num percurso que conheceria o fim em 2018, as temporadas com os belgas do Lierse, o catari Al-Wakrah, os espanhóis do Olímpic Xàtiva e, finalmente, os egípcios do Wadi Degla.

1060 - TOTTI

Praticante em clubes mais modestos, Francesco Totti, ainda em idade de formação, começaria a despertar a atenção de emblemas de maior monta. AC Milan e Lazio, para tentarem a sua sorte, chegariam primeiro. Porém, o destino parecia querer ligá-lo ao clube do coração. Não tardaria muito para que o convite, endereçado por um dos responsáveis das “escolas” da AS Roma, surgisse. O jovem avançado anuiria ao desafio e, sem que ninguém ainda adivinhasse, estava dado o passo inicial para o surgimento de uma lenda.
Emergiria de tal forma inequívoco o seu talento que, com apenas 16 anos de idade, Totti seria chamado à estreia na equipa principal da AS Roma. A temporada de 1992/93, dividida entre os juniores e os seniores, transformar-se-ia no maior testemunho do seu rápido crescimento. Precoce, é certo, mas as suas qualidades, por essa altura, eram bem reveladoras de uma maturidade surpreendente. A prova cimentar-se-ia nos anos seguintes, com o atacante, muito mais do que a segurar um lugar no plantel romano, a conseguir mostrar-se como um dos mais brilhantes intérpretes do “calcio”.
À 3ª temporada, a titularidade entregar-se-ia a seus pés como uma rotina. Nem mesmo a presença de craques bem mais experientes, casos de Abel Balbo ou Daniel Fonseca, teriam força para travar tão portentosa ascensão. Outro segredo para a sua afirmação, viria da polivalência. Ao contrário de tantos outros que apenas mostram qualidades em determinadas posições, o rendimento de Totti não estava preso a uma zona específica do campo. Ao mostrar idêntica virtude em diversas funções, o atacante revelar-se-ia igualmente produtivo no centro do ataque, mais descaído para as alas ou a jogar a “10”.
Para aferir ainda mais a sua importância, e numa altura em que já era tido como uma das grandes “estrelas” do conjunto “Giallorossi”, a braçadeira de capitão passaria também a fazer parte da sua indumentária. Porém, sem que alguém conseguisse diminuí-lo por isso, os títulos pareciam tardar a aparecer no seu percurso. Esse estigma desapareceria pouco tempo depois. Numa prova manifesta de investimento, os responsáveis directivos da AS Roma decidiriam reforçar a equipa. Já com Fabio Capello aos comandos, o clube, só no sector ofensivo, passaria a contar com Montella, Delvecchio e, como bandeira maior dessa ambição, com o astro argentino Gabriel Batistuta.
Seria na temporada de 2000/01 que os troféus ganhos pelo clube, passariam também a fazer parte do seu palmarés. A vitória na Serie A glorificaria, ainda mais, uma carreira marcada por belos momentos. Seguir-se-ia, já no ano seguinte, a Supercoppa italiana. Insuficiente? Sem dúvida! Muito pouco para fazer justiça às suas qualidades. Contudo, na cabeça de Totti outros valores haveriam de tomar a dianteira. Defender a camisola do seu coração seria, sem qualquer contestação, um deles. Talvez tivesse tido a oportunidade de representar outros emblemas; talvez tivesse conseguido ingressar em colectividades bem mais prolíferas. A verdade é que o atacante decidiria continuar fiel a AS Roma. Nessa caminhada de 25 anos como sénior, tempo ainda para arrolar outras conquistas, como viria a ser o caso da Coppa de Itália de 2006/07 e, na campanha subsequente, a repetição do triunfo na Taça e a vitória na Supercoppa.
Sem contestação possível, também as cores da selecção nacional enriqueceriam o seu currículo. Depois de um longo percurso nas camadas jovens da “Squadra Azzurra” e de, em 1996, ter ajudado a vencer o Europeu de sub-21, Outubro de 1998 traria ao atacante a primeira internacionalização “A”. Depois dessa partida frente à Suíça, Totti representaria o país por mais 57 vezes. Durante esse percurso, destaque para a sua presença nos mais importantes certames futebolísticos. Chamado para os grandes eventos, o jogador faria parte das convocatórias para o Euro 2000, Euro 2004, Mundial de 2002 e Mundial de 2006. Aliás, seria nesse último torneio que ganharia, quiçá, o troféu mais importante da carreira. Na Alemanha, sob a alçada de Marcello Lippi, destacar-se-ia como um dos mais importantes elementos do grupo. Participaria, quase sempre como titular, em todos os jogos de Itália. Na final, também o seu nome apareceria no “onze” inicial e, desse modo, ajudaria a derrotar a congénere francesa.
Para concluir, e para melhor reflectirmos sobre a sua qualidade, falta fazer referência às distinções individuais. Nesse campo, se na análise incluirmos o contexto colectivo em que Totti ergueu a carreira, então, mais valor conseguiremos atribuir ao trajecto feito por si. Podemos começar pela temporada de 2006/07 e com os prémios de Melhor Marcador da Serie A e, na sequência desse galardão, a conquista da Bota d’Ouro. Já 2000 e 2003 trariam ao avançado a distinção de Jogador do Ano do “Calcio”. Ainda no contexto interno, temos o atacante, em 3 ocasiões, consagrado como o “rei” das assistências. Claro, não posso esquecer-me da sua inclusão no Melhor “Onze” do Euro 2000 e Mundial de 2006. Para terminar, temos ainda as consagrações entregues após o fim da carreira, das quais saliento a sua entrada para o “Hall of Fame” da Federação Italiana e da AS Roma, a atribuição do “UEFA President's Award” ou do “Laureus Academy World Sports Exceptional Achievement Award”.

817 - PEDRO SILVA

Conseguir manter-se no plantel do Palmeiras após ter saído da formação do clube, poderia ter sido um bom prenúncio para si. Contudo, e após alguns anos sem conseguir impor-se no Palestra Itália, o jovem atleta começa uma longa caminhada de empréstimos. Nesse contexto, e sempre a disputar o maior escalão brasileiro, Pedro Silva acabaria por passar por diversas colectividades. Com diferentes sortes, as referidas cedências levá-lo-iam a atravessar o país de Norte a Sul e a vestir as camisolas de Figueirense (2003), Vitória Bahia (2004), e Internacional de Porto Alegre (2005). Nos dois últimos emblemas, o lateral acabaria por ajudar à conquista dos respectivos Estaduais. Ainda assim, e com as vitórias no Campeonato Baiano e no Campeonato Gaúcho a embelezarem-lhe o palmarés, o regresso à “casa-mãe” seria mais uma vez adiado.
É nesse sentido que o defesa tem a sua primeira experiência no estrangeiro. Mais uma vez cedido pelo Palmeiras, Pedro Silva acabaria por aterrar na Europa. Em Portugal, mais concretamente na cidade de Coimbra, o jogador veste as cores da Académica. Com os “Estudantes” a disputar a 1ª divisão, a temporada de 2005/06 até correria de forma bastante positiva. Chegar-se-ia a falar na aquisição do seu “passe” por parte do clube beirão. No entanto, o preço exigido pela sua transferência, incomportável para os cofres do emblema português, levaria a que os responsáveis da “Briosa” recuassem na intenção de, em definitivo, o juntar ao plantel.
O Iraty foi a solução encontrada para o seu regresso ao Brasil. Todavia, a sua passagem pelo Estado do Paraná seria bem curta. O Santos, com Vanderlei Luxemburgo ao leme, apostaria na sua contratação. De volta a São Paulo, ao invés de aproveitar a oportunidade dada, Pedro Silva vê-se envolvido em algumas polémicas com o seu treinador. Aliás, esse tipo de episódio não seria caso isolado na sua carreira e, nos anos vindouros, outros exemplos de indisciplina seriam difundidos pela imprensa desportiva. Nesta senda, também a sua saída para o Corinthians, em razão da já referida contenda, não traria grandes resultados desportivos. Em sentido oposto, os jornais voltariam a veicular problemas de insubordinação. A direcção do emblema paulista, através de um comunicado oficial, relataria que o defesa, sem qualquer autorização, havia abandonado o estágio da equipa. Resultado: processo disciplinar e novo “empurrão porta fora”.
Mesmo sabendo do comportamento do atleta, o Sporting recebe-o de braços abertos. A aposta no lateral-direito, que também sabia colocar-se no lado oposto do campo, era de tal forma evidente que, logo no jogo da Supertaça de 2007/08, aparece como um dos titulares. Os “Leões” conseguiriam conquistar o troféu, mas Pedro Silva começa aí um calvário de lesões. Após ter saído aleijado aos 10 minutos desse encontro, e já depois de concluída a recuperação, o defesa volta ao boletim clínico. Desta feita bem mais grave, a mazela levá-lo-iam ao bloco operatório e a uma longa paragem.
Apesar deste começo atribulado, as épocas que se seguiriam seriam proveitosas para si. Como um dos principais trunfos de Paulo Bento, o atleta conseguiria vencer a oposição de Abel para a direita da defesa e acabaria por recuperar o posto. Mas muito mais do que a disputa por um lugar no “onze” inicial, a temporada de 2008/09 ficaria marcada por mais um momento controverso. Na final da Taça da Liga, encontro disputado frente ao Benfica, um “penalty” muito discutível resultaria no empate para os “Encarnados” e na expulsão de Pedro Silva. Os “Leões” acabariam derrotados na resolução por grandes penalidades e, já na cerimónia de entrega de prémios, o jogador haveria de recusar a sua medalha, arremessando-a para o meio do relvado.
A chegada de Paulo Sérgio a Alvalade marcaria o fim do seu caminho em Lisboa. Dispensado pelo novo treinador, o defesa acabaria por ser emprestado ao Portimonense. Com a despromoção dos algarvios no final dessa época de 2010/11, o atleta decide ser a altura certa para regressar ao seu país. Mais uma vez no Brasil, o lateral acabaria por entrar na derradeira fase do seu percurso como desportista. Após vestir as cores do Novo Hamburgo, ABC, ASA Arapiraca e CSA, eis que chega a hora de “pendurar as chuteiras”. Ainda assim, o antigo futebolista não ficaria muito tempo afastado da modalidade e, no decorrer desse ano de 2014, volta a Portugal para começar a sua carreira de treinador. Como técnico tem desempenhado as funções de adjunto. Desde então no Portimonense, e a cumprir idênticas tarefas, Pedro Silva começou esta temporada (2017/18) como um dos ajudantes de Vítor Oliveira.

762 - ÂNDERSON POLGA

Já depois de terminar a sua formação no Grêmio de Porto Alegre, a capacidade que já demonstrava levou a que sua integração na equipa principal fosse encarada com normalidade. Tendo sido promovido em 1999, a sua adaptação a uma realidade competitiva bem diferente ocorreria com normalidade. Logo à 2ª temporada, Polga começa a conquistar o seu lugar no “onze” titular. A partir desse momento, a regularidade com que começaria a ser utilizado faria dele uma das grandes promessas do emblema do Rio Grande do Sul.
Central elegante, Ânderson Polga nunca necessitou de ser agressivo para conseguir jogar com eficácia. Quem também faria uma avaliação positiva ao seu desempenho, seriam os responsáveis pela selecção brasileira. Com Luiz Felipe Scolari aos comandos do “Escrete”, o defesa acabaria incluído no grupo de atletas convocados a disputar o Mundial de 2002. No certame organizado entre o Japão e a Coreia do Sul, Polga seria chamado a disputar dois encontros da fase de grupos. Apesar de ter entrado apenas nessas duas partidas, a sua participação seria suficiente para que, no final do torneio, também ele fosse responsável pela 5ª vitória do Brasil em Campeonatos do Mundo.
É já com este título no seu currículo que, da Europa, começam a surgir interessados na sua contratação. Fala-se no Benfica, mas acaba por ser o Sporting a conseguir convencer o atleta. Em 2003, já depois de ter conquistado 2 estaduais gaúchos e 1 Copa do Brasil, Polga ruma a Portugal. A Alvalade chega como o 1º atleta campeão do mundo a jogar no nosso país. Tendo em conta esse estatuto, não foi surpreendente a sua imediata inclusão no “onze” inicial. Durante os anos que se seguiriam, tirando algumas excepções, o defesa seria presença habitual no centro da defesa leonina. Ainda que sem grandes vitórias, as suas exibições contribuiriam bastante para a conquista de alguns troféus. Com Paulo Bento como técnico principal, e com Ânderson Polga titular em todas as finais, o Sporting conseguiria levar de vencidas 2 Taças de Portugal (2006/07; 2007/08) e 2 Supertaças (2007/08; 2008/09).
Na sua estadia por Lisboa, terá faltado a conquista de um Campeonato. Infelizmente, não foi essa a única decepção na sua passagem pelo nosso país. Em 2004/05 viveria a pior desilusão desses anos de “Leão” ao peito. Tendo o conjunto leonino conseguido chegar ao derradeiro jogo da Taça UEFA, a esperança de uma conquista europeia era grande. Mesmo com a final a ser disputada no Estádio de Alvalade, o Sporting não conseguiria bater o CSKA de Moscovo. Para piorar o desgosto do atleta, José Peseiro deixá-lo-ia no banco, impedindo-o de disputar essa importante partida.
Dizem que depois de ter sido suplente nessa final, a sua relação com o treinador degradou-se. Com quem também nunca teve uma relação fácil, foi com os adeptos. Apesar de ter estado quase 9 épocas ao serviço do clube, e de ter chegado a envergar a braçadeira de capitão, Ânderson Polga nunca conseguiu reunir consenso entre a massa adepta. Umas vezes aplaudido, outras assobiado, a verdade é que o defesa marcou uma temporada no Sporting. Aquando da sua partida, o jogador confessaria a sua paixão pelo emblema “verde e branco” –"Na minha carreira só tive dois clubes, Grémio e Sporting. É uma mescla de sentimentos, uma emoção muito grande. Estou orgulhoso por ter jogado no Sporting e honrado pelo carinho do clube e dos adeptos”*.
O seu regresso ao Brasil, levá-lo-ia a dar o derradeiro passo da sua carreira. Num negócio curioso, Ânderson Polga acabaria por assinar pelo São José de Porto Alegre, para, logo de seguida, ser emprestado ao Corinthians. Com a equipa de São Paulo, nessa que seria a sua última temporada como profissional, o defesa faria parte do grupo que disputou e venceu o Mundial de Clubes de 2012.

 
*retirado do artigo de Mário Aleixo, em www.rtp.pt, publicado a 14/05/2012

735 - CÂNDIDO COSTA

Após ter começado na Sanjoanense, onde, sem sucesso, também tentaria a sua sorte no hóquei em patins, Cândido Costa vê o Benfica interessar-se na sua contratação. Ainda em idade juvenil, e demonstrando verdadeiros predicados, o atleta deixa São João da Madeira para mudar-se para Lisboa. De “Águia” ao peito, o extremo confirmaria todas as qualidades. Começa a ser chamado aos trabalhos das camadas jovens da selecção nacional e, como “capitão” dos s-18 portugueses, lidera os seus companheiros à vitória no Europeu de 1999.
Sendo considerado como uma das grandes promessas das “escolas encarnadas”, foi com grande surpresa que a sua dispensa foi anunciada. O Benfica, sob o “reinado” de João Vale e Azevedo, deixava sair um dos seus melhores jogadores que, logo de seguida, haveria de encontrar nova “casa”. Sob a orientação de Dito, também ele um antigo atleta do emblema da “Luz”, é no Salgueiros que Cândido Costa faz a sua estreia no patamar sénior. Contudo, a sua estadia em Vidal Pinheiro seria curta e, ainda nessa temporada de 1999/00, o avançado mudar-se-ia para o FC Porto.
A sua estadia nas Antas começaria pela equipa “b”. Só no ano seguinte à sua chegada é que Cândido Costa seria chamado ao plantel principal “Azul e Branco”. Já integrado na equipa, os seus primeiros tempos seriam marcados pelas praxes de um dos mais emblemáticos jogadores do clube – “Quando fiz o primeiro estágio pelo FC Porto em França, com 18 anos, calhou-me como colega de quarto o famoso Paulinho Santos (…).Dirigi-me ao Paulinho, receoso, e lá lhe disse «Senhor Paulinho, somos os dois no quarto», ao qual ele respondeu: «a sério? Então leva-me o saco que estou à rasquinha das costas». E eu, claro, lá peguei no saco, fui para o quarto e esperei por ele. Passados uns 15 minutos lá chegou o Paulinho, que me perguntou logo qual era a cama que eu preferia. Eu, humildemente, respondi que ele é que escolhia. Ele insistiu, e eu acabei por dizer que gostava da cama perto da varanda. E ele prontamente disse: «então ficas na outra!» (…). Ainda nesse dia, durante o treino, deu-me uma porrada que me obrigou a sair mais cedo. No quarto, disse-lhe «Paulinho, para protector quase que me partias a perna», ao que ele respondeu «é para cresceres e ganhares nervo. Um dia vais-me agradecer por isto»”*.
Os anos que passaria no FC Porto, acabariam por não ser muito proveitosos em termos pessoais. Sendo quase sempre uma segunda escolha, muito por culpa de jogadores como Nuno Capucho, o atleta acabaria por ser pouco utilizado. Já na questão dos títulos, as contas seriam um puco diferentes. Tendo feito parte da equipa comanda por José Mourinho, Cândido Costa, a juntar à Taça de Portugal conquistada em 2000/01, ajudaria a vencer a “Dobradinha” e a Taça UEFA de 2002/03.
É já depois de no decorrer dessa temporada de 2002/03, ter sido cedido ao Vitória de Setúbal, que um novo empréstimo acontece na sua carreira. Desta feita no estrangeiro, o sucesso que teria no segundo escalão inglês, levaria a que a pensar que a sua carreira estava relançada. Todavia, depois de deixar o Derby County, a sua ida para o Sporting de Braga não correria como o esperado. Tendo feito uma boa primeira época (2004/05), a segunda campanha devolveria o jogador à condição de pouco utilizado. É então que surge o Belenenses. Ainda com a decisão do “Caso Mateus” por resolver, Cândido Costa, sem saber ainda em que divisão iria jogar, decide regressar a Lisboa – “Eu sabia que vir para o Belenenses seria para mim uma prova de fogo. Depois de ter sido uma das maiores promessas do futebol português aos 18, 20 anos, foi-me dada alguma credibilidade. Mantive-a quando fui para Inglaterra, onde joguei sempre e fui uma das figuras da equipa da altura. Braga tirou-me essa credibilidade, essa notoriedade. Então eu sabia que o meu ingresso no Belenenses seria uma prova de fogo: ou seria a eterna promessa e nunca ia de facto ter consistência, ou não”**.
No Restelo faria 4 temporadas. Durante esse período, e numa altura em que começou a ser mais utilizado como lateral-direito, Cândido Costa voltaria a uma constância exibicional muito positiva. Tendo sempre a disputado a divisão maior do futebol português, os créditos que foi amealhando abrir-lhe-iam as portas de outro histórico do futebol europeu. No Rapid de Bucareste, já depois de no Verão de 2010 ter deixado o Belenenses, o atleta iniciaria aquela que poderá ser vista como a derradeira etapa do seu percurso profissional. Após a experiência na Roménia, Arouca, Tondela, São João de Ver e Ovarense acabariam por marcar os derradeiros passos da sua carreira.
Já depois de, em 2015, ter “pendurado as chuteiras”, Cândido Costa escreveria as primeiras páginas como treinador. No futebol feminino da Ovarense e, mais tarde, como adjunto na Sanjoanense, o antigo jogador acabaria por dar os passos iniciais, num caminho que se espera com novas e longas viagens.
   

*retirado de “www.relato.pt”
**retirado de entrevista dada ao “belematemorrer.blogspot.com”

721 - FILIPE ANUNCIAÇÃO

Tendo sido um produto das escolas do Boavista, Filipe Anunciação só conseguiria integrar a primeira equipa “axadrezada”, uns bons anos após terminar a sua formação. Seria então, com as cores do Feirense, que o atleta acabaria por fazer a estreia na categoria principal. Depois, apareceria o Paços de Ferreira e, passadas duas temporadas sobre a sua estreia a sénior, os primeiros passos na 1ª divisão.
Apesar de 2000/01 ter marcado o início do seu percurso no escalão máximo, o caminho que, até aí, já tinha feito, contava com diversas presenças na selecção nacional. Pelas camadas jovens de Portugal, o médio tornar-se-ia numa presença habitual. Combativo, como um dos primeiros entraves às ofensivas adversárias, Filipe Anunciação era uma preciosa ajuda nas manobras defensivas. Nesse sentido, a sua integração no grupo que disputaria o Mundial s-20 de 1999, acabaria por não surpreender ninguém.
Já depois da curta passagem pelos principais palcos do futebol português, na qual não conseguiria grande destaque, seria o regresso à divisão de honra que devolveria o trinco às exibições de excelência. No Desportivos das Aves, o médio voltaria a demonstrar as suas qualidades de batalhador incansável. Os seus predicados, que haveriam de o manter em evidência durante esse ano e meio, acabariam por merecer a atenção do Boavista. À procura de alguém que, com características semelhantes, pudesse suprimir a ida de Petit para o Benfica, Jaime Pacheco decide apostar na contratação de um jogador acostumado à “filosofia da casa”.
Habitual presença no “onze” boavisteiro, foi confuso constatar que o final da temporada de 2003/04, levasse à sua saída do Bessa. A carreira do médio, sem que abandonasse o escalão principal, acabaria por prosseguir no Moreirense. Depois, mais uma vez, viria o emblema da Vila das Aves e, por fim, o início do capítulo mais marcante do seu percurso profissional.
Na verdade, esse virar de página, um pouco como no caminho até aí percorrido, não traria nada de muito novo à sua vida. A grande diferença, é que este novo ingresso no Paços de Ferreira conseguiria, em primeiro lugar, cimentá-lo como um dos bons futebolistas do nosso campeonato. A seguir, e reconhecidas as suas qualidades pelos responsáveis e adeptos do clube, viria a progressiva elevação a um dos históricos do emblema da “Capital do Móvel”.
As temporadas que se seguiriam, desde o seu começo em 2007/08, fariam de Filipe Anunciação numa das mais respeitáveis figuras do clube. Conseguindo, com todo o mérito, tornar-se num dos esteios, e figura de proa, dos pacenses, não tardou muito que a braçadeira de capitão fosse a si confiada. Seria nesse estatuto que, dentro de campo, comandaria os seus companheiros naqueles que seriam os melhores capítulos da história do Paços de Ferreira. Com o 3º lugar conquistado na classificação de 2012/13, a época seguinte traria à localidade nortenha as competições europeias. Depois de ter liderado a equipa no “Play-off” da Liga dos Campeões, a eliminação perante os russos do Zenit, levaria Filipe Anunciação, e os seus colegas, a disputar a Liga Europa. Num grupo que contava com Pandurii, Dnipro e Fiorentina, o Paços de Ferreira terminaria na 3ª posição.
O fim da carreira de Filipe Anunciação viria em 2014/15. Sem conseguir atingir o nível exibicional dos anos anteriores, o médio, já com a temporada a decorrer, decide mudar o rumo da sua vida. Aceitando o convite dos dirigentes do clube, o atleta acede em deixar os relvados, para, integrando a equipa técnica de Paulo Fonseca, dar início ao seu percurso como treinador. Nas funções de adjunto, tem, desde então, estado ao serviço dos “Castores”.

601 - BALLOTTA

A longevidade da sua carreira e a quantidade de emblemas que foi representando ao longo de todos esses anos, seriam matéria, mais do que suficiente, para umas largas horas de conversa ou, neste caso, para uma boa série de parágrafos. Como o espaço e o tempo que a mim me cabem padecem de alguns limites, tentarei resumir ao essencial a vida profissional deste guarda-redes.
Os primeiros clubes que em que jogaria, o Bologna, onde poucas chances teve, e outros quantos emblemas de menor monta, representariam para Ballotta os anos iniciais como futebolista. Já as 6 épocas que se seguiriam, a vestir as cores do Modena, acabariam por ser, finalmente, sua porta de entrada para a “Serie A”.
Ao fim de uma década a cirandar pelas divisões secundárias, as exibições pelo clube da cidade de Enzo Ferrari, levariam o Cesena (1990/91) a apostar no seu concurso. Ora, essa meia temporada passada entre os grandes palcos italianos, fez com que o guardião começasse a merecer a atenção de alguns dos maiores emblemas do “Calcio”. Segue-se o Parma e seguem-se os títulos. Contudo, a Taça UEFA (1991/92), a Taça das Taças (1992/93) e a Supertaça Europeia (1993/94) conquistadas pelo seu novo clube, acabariam por ser parco prémio para convencer Ballotta a abdicar de alguma regularidade no “onze” inicial.
Seria para tentar a titularidade que Ballotta, nos anos que se seguiriam, veste as cores de Brescia e Reggiana. É, igualmente, neste presumível passo atrás, que o atleta acaba por encontrar um novo tónico para a sua vida profissional. O resultado desse pequeno “sacrifício”, acabaria por ser a sua transferência para a Lazio. No entanto, a mudança para o emblema da capital, leva Ballotta de volta a um paradigma já por si vivido: muitos troféus, mas poucos jogos.
As conquistas do Scudetto (1999/00), das 2 Taças de Itália (1997/98; 1999/00), da Taça das Taças (1998/99) ou, ainda, da Supertaça Europeia (1999/00), são, inegavelmente, mais um marco na vida de Ballotta. No entanto, muito mais do que aquilo que venceu na sua primeira passagem pela Lazio, o momento mais curioso da sua carreira aconteceria no seu regresso ao clube. Ora, a 18 de Setembro de 2007, o Olympiacos recebia em casa a Lazio. A data, que de especial nada parecia ter, representava para Ballotta qualquer coisa como 43 anos e 168 dias de vida. Pois, ao entrar em campo nesse jogo, o guarda-redes haveria de quebrar mais um recorde. Depois de ultrapassar Dino Zoff, como o atleta mais velho a disputar uma partida na “Serie A”, Ballotta, a partir desse encontro realizado na cidade de Pireu, tornar-se-ia, também ele, no futebolista mais velho de sempre a participar na Liga dos Campeões.

394 - SUAZO

Praticamente da mesma idade, David Suazo e o seu primo Maynor Suazo encetariam em paralelo as carreiras de futebolista. Curiosamente, com ambos a jogar pelo Olimpia, Maynor até começaria por merecer maior destaque. Seria nesse contexto que, aquando da qualificação da selecção hondurenha de sub-20 para o Campeonato do Mundo de 1999, e com David bem longe de cogitado para o rol de convocados, Maynor terá pedido ao treinador José Herrera para observar o primo. Agradado o técnico com as habilidades do jovem jogador, integraria o avançado na comitiva de partida para o torneio disputado na Nigéria e David haveria de embarcar para África já como dono da braçadeira de capitão.
O referido Mundial, com três derrotas em três jogos, poderia não ter sido uma grande montra para os atletas hondurenhos. No entanto, David Suazo, com um estilo portentoso bem vincado, ao marcar metade dos golos obtidos pela sua equipa, faria o suficiente para que Óscar Tabárez reparasse nele. O resultado, com o conceituado técnico uruguaio, à altura, a trabalhar na Serie A italiana, seria uma aferição bem positiva e a assegurar o jovem avançado como um valor seguro para servir de reforço ao plantel do Cagliari de 1999/00.
A primeira época de Suazo no “Calcio”, mesmo tendo em conta os resultados esperados para a adaptação a um contexto competitivo completamente diferente, seria relativamente fraca. No entanto, a partir da campanha a suceder o arranque do avançado no emblema da Sardenha, o cenário haveria de mudar. Temporada após temporada, o físico poderoso, a velocidade estonteante, a técnica e a capacidade goleadora dar-lhe-iam, não só o epiteto de "Pantera", mas, acima de tudo, transformá-lo-iam num dos activos mais valorizados do clube e num dos atletas mais acarinhados pela massa adepta do Cagliari.
Em 8 anos, vários seriam os desafios superados e as barreiras por si ultrapassadas. Por um lado, Suazo quebraria o recorde de golos numa só época pelo clube, deixando para trás a lenda Gigi Riva. Por outro, acabaria eleito como o melhor estrangeiro a actuar em Itália e teria o privilégio de passar a envergar a braçadeira de capitão do Cagliari. Nesse sentido, o crescimento das suas exibições traria a cobiça de outros emblemas e Inter e AC Milan colocar-se-iam em boa posição na corrida para a sua contratação. Todavia, antes de qualquer transferência, uma enorme polémica rebentaria entre os dois emblemas rivais. Primeiro seriam os “Rossonero” a anunciar a mudança do avançado, com o Presidente do colectivo sardenho a confirmar a existência de um conchavo. Depois viria à tona a combinação selada entre o atleta e os “Neroazurri”, com o representante do jogador a garantir a nulidade do pacto veiculado dias antes. Por fim, surgiria o atacante a pôr um ponto final na confusão e a garantir que manteria a palavra dada aos dirigentes do Internazionale.
A sua passagem pela cidade de Milão na campanha de 2007/08, à partida adivinhada como pouco fácil, viria a confirmar a concorrência de craques como Ibrahimovic, Julio Cruz, Adriano ou Crespo como muito forte e causadora das escassas oportunidades conseguidas por Suazo. Já com um “Scudetto” no currículo, mas com o banco de suplentes como o melhor dos cenários para o futuro, o atacante decidiria mudar de ares e, por empréstimo, viajaria até Portugal. Com a camisola do Benfica, com uma grave lesão pelo meio, a sua prestação também não seria a melhor. Mesmo assim, o avançado haveria de conseguir um lugar na história das "Águias", não tanto pela vitória na Taça da Liga de 2008/09, mas porque seria dele a autoria do golo 5000 dos "Encarnados", no Campeonato Nacional.
O resto da sua carreira, à excepção da presença no Mundial 2010, pautar-se-ia, muito por culpa do agravamento dos problemas num dos joelhos, por um declínio da sua, outrora invejável, condição física. Depois do regresso ao Inter, onde ajudaria a vencer a “Champions” de 2009/10, e de ainda ter representado emblemas como Genoa ou Catania, Suazo, em Março de 2013, anunciaria o fim da caminhada enquanto futebolista.

345 - JORGE ANDRADE

Filho de Manuel Andrade, jogador do Atlético na década de 1970, e irmão mais novo de Carlos Andrade, com quem chegaria a partilhar o balneário no Estrela da Amadora, Jorge Andrade também escolheria o futebol como a sua grande paixão desportiva.
Seria pela mão do progenitor que o pequeno Jorge, com apenas 6 anos de idade, entraria no emblema da Reboleira. De tal forma agradaria, que os responsáveis pelas “escolas” do Estrela da Amadora não mais o deixariam abalar. Em abono da verdade, haveria uma pequena excepção. Por razão de ser uma criança franzina, o seu treinador daria instruções para que fosse emprestado. O pobre rapaz, ao pensar que estava a ser rejeitado, chegaria a casa lavado em lágrimas e pediria para deixar o futebol. Ainda bem que tal não aconteceu, pois, alguns anos mais tarde, o defesa tornar-se-ia numa das maiores promessas e num dos atletas mais cobiçados no panorama futebolístico luso.
Após a estreia na campanha de 1997/98, as 3 temporadas cumpridas pelos seniores dos “Tricolores”, com as boas prestações colectivas a darem também um bom contributo para a sua valorização, seriam suficientes para que Jorge Andrade conseguisse sublinhar-se como um grande intérprete. Nesse sentido, o Benfica e o FC Porto entrariam na corrida pela contratação do atleta, com as “Águias” a tomarem a dianteira. No entanto, depois de bem encaminhadas as negociações, ninguém mais no Estrela da Amadora receberia notícias do Presidente “encarnado”, João Vale e Azevedo. Com o impasse a prolongar-se por 5 meses, Jorge Andrade, para a temporada de 2000/01, decidir-se-ia pelos “Dragões” e já no Norte voltaria a encontrar-se com Fernando Santos, o seu primeiro treinador no conjunto da Linha de Sintra.
Com o ciclo do “Penta” terminado, os únicos destaques da sua passagem pelo Estádio das Antas iriam para a conquista da Taça de Portugal de 2000/01 e para a vitória, com o único golo apontado a ser da sua autoria, na Supertaça do ano seguinte. Porém, mesmo com a escassez de títulos, parco hábito para um emblema da dimensão do FC Porto, as exibições do defesa-central seriam suficientes para fazê-lo catapultar-se para um cenário de maior monta e para o emblema que viria a tornar-se no mais representativo de toda a sua carreira.
Em Espanha, ao serviço do Deportivo La Coruña, o defesa voltaria a cruzar-se com o FC Porto e logo com um episódio bem caricato! A partida, como provavelmente estarão recordados, era a contar para a 1ª mão das meias-finais da Liga dos Campeões de 2003/04, a edição que os “Azuis e Brancos” acabariam por vencer. Num lance disputado já perto do final da dita contenda, o seu colega de selecção, Deco, estatelar-se-ia no chão. Jorge Andrade, num acto de brincadeira, como que a querer dizer, provavelmente até disse, "levanta-te, fiteiro", deu-lhe um pequeno pontapé no traseiro. O pior foi que o árbitro da partida, não viu na coisa paródia alguma e, nem mesmo o argumento do central português, a repetir por diversas vezes que "eram amigos", fez com que o juiz voltasse atrás na decisão de expulsá-lo do jogo.
Após a mudança para Itália em 2007/08, os problemas no seu joelho esquerdo, que já tinham afectado o atleta aquando da sua estadia em Espanha, voltariam a agudizar-se. Jorge Andrade acabaria por regressar às mesas de operação e o prognóstico médico acabaria por não ser o melhor, com os especialistas a porem grandes reservas quanto à sua continuidade no futebol profissional. Depois de rescindir com os "Transalpinos" em 2008/09, o defesa-central ainda foi tido como reforço do Málaga. Contudo, as mazelas relacionadas com a mencionada lesão fariam com que o clube espanhol recuasse no intento de contratá-lo, com o jogador, resultado desse revés, a decidir pôr um ponto final na carreira desportiva.

334 - TIJANI BELAID

Depois de ter sido uma aposta de futuro dos italianos do Inter de Milão, ao ponto de o terem contratado para jogar nas equipas de formação, o internacional tunisino nascido em França, país pelo qual chegou a envergar a camisola nas camadas jovens, parece ter perdido algum do fulgor que caracterizou, inicialmente, a sua carreira.
Após envergar as cores da referida colectividade milanesa e de ter representado, durante uma temporada apenas, os holandeses do PSV, o médio-ofensivo passou a cirandar por campeonatos de menor monta que, durante o tempo em que esteve na República Checa ao serviço do Slavia de Praha, ainda o levou a jogar a Liga dos Campeões. Já esta época decidiu rescindir o contrato que o ligava aos germânicos FC Union Berlin, que disputam agora o segundo escalão desse país, ficando livre para prosseguir a sua profissão noutro emblema. A escolha, nesta abertura do mercado de Inverno, recaiu sobre os minhotos de Moreira de Cónegos. Para os "axadrezados" do Moreirense, esta foi a oportunidade de contarem, na árdua luta pela permanência, com um futebolista com experiência internacional. Já Tijani Belaid, numa atitude de confessada entrega, vê a abrirem-se-lhe as portas para, quem sabe, relançar a carreira.

298 - TOÑITO

Quando falamos em disputas entre os “grandes” emblemas portugueses, principalmente as que não acontecem dentro do rectângulo de jogo, facilmente associamos o nome do Benfica numa peleja com um dos rivais, o FC Porto ou o Sporting. A verdade é que, mais espaçadas as contendas, também os “Dragões” e os “Leões” vão tendo as suas desavenças. Uma delas aconteceu por razão de um avançado espanhol que, depois da ligação ao Tenerife, tinha, na temporada de 1997/98, rubricado uma ligação ao Vitória Futebol Clube.
Toñito, como chegou a relatar, incentivado por Mourinho Félix, à altura dirigente do referido emblema setubalense, desenvolveu muito da sua técnica, velocidade e raça aquando da passagem pelo seio do grupo sadino. Ao contribuir com as suas habilidades para os ataques do Vitória, facilmente veio a tornar-se numa das figuras de proa da equipa. Daí até começar a ser cobiçado por emblemas de maior monta, foi um pequeno passo. Como já foi dito, quem logo ficou na dianteira pela corrida ao atacante espanhol foram o FC Porto e o Sporting, acabando o avançado, talvez por influência de Manuel Fernandes, o seu primeiro treinador em Portugal, por escolher o Estádio José de Alvalade, em detrimento das Antas.
No meio leonino nunca alcançou o destaque auferido em Setúbal. No entanto, mesmo ao não conseguir afirmar-se como titular, coisas houve de que poderá para sempre gabar-se. Uma delas foi ter contribuído, depois de 18 anos de “jejum” para o Sporting, para a conquista do Campeonato Nacional de 1999/00. A outra, bem mais curiosa, está relacionada com a assistência para o primeiro golo sénior de Cristiano Ronaldo – “Era o primeiro jogo de Cristiano a titular e marcou dois golos. Recordo que no primeiro fui eu quem lhe passou a bola, de calcanhar, no meio-campo. Depois, ele fez uma grande jogada, passou por três adversários e marcou (...) Dei-lhe um golo feito!”*.
Depois do tempo passado no Sporting, durante o qual ainda teve um empréstimo aos açorianos do Santa Clara, Toñito acabou por envergar as cores do Boavista e, num regresso ao antigo clube, voltou a vestir a camisola do Tenerife. Ao perder algum fulgor, o avançado rapidamente entrou na fase descendente da carreira, com os últimos anos a fazerem-se de experiências nos croatas do HNK Rijeka, na União de Leiria, nos gregos do Ionikos e no Chipre, já ao serviço do AEK Larnaca. Retirado das lides de atleta aos 32 anos e com o objectivo futuro de vir a tornar-se num técnico-principal de um plantel sénior, assumiu-se como coordenador de uma escola de futebol, a Sporting Tenerife.

*traduzido a partir do artigo de Manu Sainz, publicado em https://as.com, a 17/02/2012

282 - ANTUNES

Quem também está de regresso ao Campeonato Nacional e ao emblema que o lançou no futebol da Primeira Liga, é o defesa-lateral esquerdo. Antunes, três vezes internacional pela selecção principal portuguesa, voltou a Portugal e ao Paços de Ferreira.
Ainda na aventura italiana, onde passou por vários empréstimos, inclusive ao Leixões, fez sempre parte dos quadros da AS Roma. No entanto, depois de não conseguir segurar um lugar no “Calcio”, nada como um retorno a casa para relançar uma carreira que, outrora, chegou a ser aferida como muito promissora. A razão para o fracasso talvez esteja ligada à asneira, tantas vezes vista, de dar o salto para o estrangeiro, cedo demais. Porém, apesar do desaire, algo pesa a favor do atleta, ou seja, a idade. Com 25 anos, feitos neste último Abril, Antunes tem tempo de sobra para mostrar que ainda possui as qualidades futebolísticas que fizeram dele um dos jovens mais cobiçados do cenário competitivo português. Pode até ser que a necessidade de um dos “grandes” leve o jogador a lutar por objectivos de outra monta. O Benfica tem mostrado para sua posição algumas debilidades e, talvez, haja um reacendimento da antiga, na altura muito veiculada, paixão pelo jogador.
Especulação à parte, com a sua força, resistência, sem esquecer o forte pontapé, Antunes é um belíssimo craque, daqueles a quem devemos agradecer por mostrarem as suas habilidades nos relvados portugueses.

276 - VIDIGAL

Nascido e criado no seio de uma família onde maior parte dos irmãos, mais velhos e mais novos, são ou foram profissionais de futebol, o jovem José Luís também não fugiu a tal destino.
Natural de Angola, de onde saiu ainda muito novo, foi no “O Elvas” CAD, popular emblema da cidade alentejana onde cresceu, que Vidigal deu os primeiros pontapés na bola. Ao começar a carreira num clube outrora primodivisionário, mas que, na altura em que o jogador subiu aos seniores, militava na 2ª divisão “b”, a visibilidade a que teve direito não foi, com certeza, a maior. Contudo, o convite para integrar um plantel profissional acabou por surgir pela mão do treinador Carlos Manuel e o jovem jogador, em 1994/95, fez a estreia na divisão de Honra, ao serviço do Estoril Praia.
No clube da Linha de Cascais, a sua vontade lutadora, a maneira incansável como corria atrás dos adversários e um poder físico invejável, rapidamente puseram o atleta debaixo dos olhares dos maiores emblemas do futebol português. A primeira prova do seu valor veio com a chamada à selecção de "esperanças" para, logo de seguida, surgir o interesse do Sporting. Em Alvalade a partir de 1995/96, da mesma maneira como conseguiu impor-se na equipa, Vidigal conquistou a estima de associados e adeptos. É certo que, de início, teve de aguentar os normais paralelismos feitos com o capitão Oceano. Porém, a garra com que, desde as primeiras chamadas a jogo, entrou em campo, facilitou-lhe a vida e longe de qualquer comparação, o jogador, com toda a justiça, transformou-se num dos elementos icónicos do plantel “verde e branco”.
A sua melhor temporada e a que, indubitavelmente, catapultou Vidigal para o estrelato foi também a sua derradeira campanha de “verde e branco”. Em 1999/00, com Augusto Inácio no comando técnico leonino, o Sporting, 18 anos depois da última vitória, voltou a ganhar o Campeonato Nacional. Para o atleta, a conquista com os “Leões” não foi o único grande momento da época. Para o médio, que até já tinha estado em Atlanta a participar nos Jogos Olímpicos de 1996, a referida campanha deu-lhe também a estreia na principal “equipa das quinas” e, alguns meses depois, trouxe-lhe, pela mão do seleccionador Humberto Coelho, a convocatória para a fase final do Euro 2000.
De seguida vieram o período no “Calcio”. Entre o Napoli, o Livorno e a Udinese, ao serviço da qual ajudou a eliminar o Sporting num “play-off” de acesso à “Champions”, o médio-defensivo passou 8 anos em Itália. Apesar de estar numa das ligas mais competitivas da Europa, Vidigal manteve em mente um possível regresso a Alvalade. A verdade é que tal desejo nunca chegou a concretizar-se e impossibilitado de voltar aos “Leões”, o regresso a Portugal fez-se pela mão do Estrela da Amadora que, na temporada de 2008/09, tinha como treinador-principal o seu irmão mais velho, Lito Vidigal.

117 - BUTT

O primeiro sinal apareceu no VfB Oldenburg, clube de cariz regional, onde terminou a sua formação e onde jogou as primeiras campanhas como sénior. Anos mais tarde, com a sua transferência para um emblema de outra monta, cresceu a esperança que conseguisse reprimir essa mania. Não, nada desapareceu na sua ida para o Hamburger SV, e nada desapareceu na posterior transferência para o Bayer Leverkusen. Assim, o guardião continuou a marcar penalties.
No emblema da Renânia do Norte-Vestfália sofreu um golo de meio-campo, após o recomeço do jogo e enquanto festejava a marcação de um tento seu. Ainda assim, nem este incidente desencorajou Hans-Jörg Butt a cobrar as grandes penalidades atribuídas à sua equipa. Ora, à custa de marcar os penalties, ganhou o apelido de "o guarda-redes mais sul-americano da Europa".
Ao ver-se remetido para o banco de suplente, depois de várias épocas como titular, Butt decidiu mudar a direcção à sua carreira. O guardião deixou o Bayer Leverkusen, com quem chegou à final da “Champions” de 2001/02, e rumou a outro clube e a outro país. O destino, em 2007, foi Portugal e o Benfica. Contudo, pouco mudou na sua carreira. Desde cedo, Quim tirou-lhe a ilusão da titularidade no Campeonato. Nos jogos que restaram, os das Taças, na primeira oportunidade que teve para marcar uma grande penalidade, falhou!
Passado uma época, voltou à Alemanha. No Bayern Munique ainda conquistou a titularidade, e esta já é a 4ª campanha ao serviço do emblema bávaro. Mas depois de tantos anos e como tudo tem que ter um fim, Butt já revelou que entre esta temporada de 2010/11 ou a próxima, a sua carreira com "veia goleadora", conhecerá o final.

100 - EDINHO

"Edinho é jogador do Marítimo até ao final da época, por empréstimo do Málaga"*. Foi desta maneira que Carlos Pereira, o Presidente do emblema insular, anunciou, há quase um mês atrás, a contratação do novo reforço "verde-rubro".
Com a transferência, o clube ganhou um avançado rápido que, sem exibir um enorme poderio físico, consegue desgastar as defesas pela forma como, incessantemente, procura a bola. Por outro lado, a mudança também é vantajosa para o jogador. Edinho ganhou mais uma oportunidade para relançar a sua carreira. Em abono da verdade, a sua mudança, em 2009/10, do AEK de Atenas para o futebol espanhol, foi um passo atrás na sua carreira. No Málaga nunca conseguiu impor o futebol que já tinha revelado nas suas passagens pelo Gil Vicente, Paços de Ferreira, e Vitória de Setúbal.
O que mostrou na Grécia, fez dele um dos elegíveis para Carlos Queiroz, na Fase de Apuramento para o Mundial da África do Sul. Esperemos que, com o seu regresso ao Campeonato português, o ponta-de-lança volte a jogar assiduamente. É necessário que o avançado afine bem a sua forma, pois as escolhas que temos para a sua posição são escassas. Há que ser sincero e dizer que, mesmo sem ser um jogador deslumbrante, Edinho é uma boa escolha para a Selecção Nacional.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 29/01/2011