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1498 - ZEZINHO

Observado pelo treinador Ronnie Allen numa digressão feita pelo Sporting em Angola, Francisco José Teles de Andrade, popularizado como Zezinho, acabaria contratado ao Sporting do Lubango. Como um defesa-central de fino trato com a bola e de boa estampa física, o jovem jogador seria imediatamente aferido como um praticante promissor. Tais características fá-lo-iam viajar para Lisboa, mas, apesar de feita a estreia como sénior no emblema africano, o atleta passaria a integrar os juniores leoninos.
A passagem para a equipa principal dos “Leões” aconteceria, na época seguinte à da sua chegada à capital portuguesa. No entanto, a presença no plantel de 1973/74 de nomes bem mais tarimbados, casos de Carlos Alhinho, Bastos, José Carlos ou Laranjeira, levariam a que o treinador Mário Lino não concedesse a Zezinho muitas oportunidades na equipa. Aliás, as épocas seguintes seriam de idêntico proveito para o jogador. Não obstante a falta de utilização, o seu potencial levaria a que os responsáveis técnicos pela Federação Portuguesa de Futebol olhassem para si como um elemento capaz de acrescentar valor às equipas lusas. Nesse sentido, seria a 12 de Novembro de 1975 que, numa partida frente à Checoslováquia, o defesa-central encetaria o seu caminho com a “camisola das quinas”. Por Portugal, num trajecto que, sem qualquer presença em campo, ainda o levaria aos trabalhos do conjunto “B”, o atleta somaria 6 internacionalizações pelos “esperanças” e, nesse contexto competitivo, acrescentaria ao currículo a participação na edição de 1976 do Torneio de Toulon.
Regressando ao percurso clubístico, para Zezinho, ao somar poucas presenças em campo naquelas que viriam a ser as 4 primeiras temporadas na equipa principal dos “Verde e Branco”, começaria a equacionar-se a hipótese de um empréstimo. Essa cedência viria a ocorrer na temporada de 1977/78, aquando da sua passagem pelo Famalicão. Com boas prestações ao serviço do conjunto minhoto, o qual ajudaria a vencer a 2ª divisão, o defesa-central ganharia o direito de regressar a Alvalade. Todavia, tal como anteriormente, o atleta voltaria a revelar números modestos. Ainda assim, a sua qualidade iria mantê-lo no grupo de trabalho leonino, com as grandes excepções na sua carreira, no que à utilização diz respeito, a surgirem nas épocas de 1982/83 e de 1983/84, em que assumiria a titularidade.
Já com o palmarés recheado pelas vitórias em 2 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça, Zezinho, com o termo da campanha de 1984/85 e após 11 temporadas de “leão” ao peito, deixaria o Sporting para ingressar no Vitória Futebol Clube. No emblema sediado na cidade de Setúbal, a trabalhar inicialmente sob a intendência de Manuel de Oliveira, o defesa-central teria uma época de arranque forte. Porém, com o avançar para a veterania, também no seio dos “Sadinos” começaria a perder alguma preponderância. Com 4 campanhas cumpridas no conjunto a jogar em casa no Estádio do Bonfim, o atleta decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”. No entanto, apesar de retirado das lides de futebolista, o jogador voltaria a ligar-se à modalidade e, num regresso a Alvalade, abraçarias as funções de técnico, nas camadas jovens do Sporting.

1399 - LAURETA

Tal como o avô Francisco, o pai ou o irmão João, Alfredo Magalhães da Silva Rodrigues também ficaria popularizado pela alcunha Laureta. Da mesma forma, até em configurações mais vincadas do que os familiares, o seu nome acabaria ligado ao futebol e em particular ao Vitória Sport Clube. No emblema minhoto, o jovem praticante, ainda nos patamares de formação, começaria a destacar-se como um elemento de características mais ofensivas, jogando, sempre do lado canhoto, no meio-campo ou como extremo. Ainda nessa posição, naquela que viria a ser a sua época de estreia como sénior, passaria a temporada de 1980/81 emprestado ao Mirandela. Porém, apesar de disputar a 2ª divisão, as suas exibições seriam suficientes para chamar à atenção dos responsáveis pelo conjunto de “esperanças” à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com a estreia a acontecer em plena disputa da edição de 1981 do Torneio de Toulon, essa partida, jogada a 7 de Junho, serviria de arranque a uma caminhada que, em vários escalões, terminaria com 18 internacionalizações por Portugal.
De todas as suas chamadas à selecção, aquela que mais viria a destacar-se seria a que permitiria ao jogador acrescentar ao currículo pessoal uma peleja feita pelo mais importante “conjunto das quinas”. Chamado pelo famoso Otto Glória, Laureta, nesse encontro frente ao Brasil, agendado a 8 de Junho de 1983, começaria sentado no banco de suplentes, para, no início do segundo tempo, entrar para o lugar de Festas. Ainda assim, sendo esse, incontestavelmente, um dos momentos altos da sua carreira, outros houveram de similar importância. No Vitória Sport Clube, emblema ao qual regressaria para integrar o plantel de 1981/82, passaria 4 temporadas na equipa principal. Nessas 4 campanhas viveria ocasiões de fulcral importância para a sua evolução como futebolista. O primeiro, no trabalho com José Maria Pedroto, resultaria na sua mudança de posição. Já mais recuado no terreno de jogo, como lateral-esquerdo, o atleta assumir-se-ia como um praticante rápido, agressivo, de uma resistência física tremenda e preparado para assumir a titularidade.
Depois de aferido como um dos intérpretes mais consistentes a exibir-se nas provas lusas, avaliação que levá-lo-ia a ser sondado pelo Benfica, Laureta haveria de ser contratado pelo FC Porto. Com a transferência a integrá-lo no plantel de 1985/86 dos “Azuis e Brancos”, o lateral-esquerdo voltaria a trabalhar sob os comandos de Artur Jorge, treinador que tinha sido adjunto de José Maria Pedroto no Vitória Sport Clube. Na época de entrada nas Antas, o jogador arrogar-se-ia como um dos elementos mais utilizados, contribuindo, desse modo, para a conquista do Campeonato Nacional. Já na campanha seguinte, também como resultado de uma lesão, o atleta perderia alguma preponderância. Ainda assim, essa seria a temporada que inscreveria os “Dragões” na lista de vencedores da mais prestigiada prova mundial e com a sua participação na eliminatória frente ao Brondby, o defesa ajudaria à conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
A segunda metade do seu trajecto enquanto sénior levá-lo-ia de novo ao Minho. Dessa feita na “Cidade dos Arcebispos”, Laureta, sempre como um dos titulares da equipa, passaria as 4 temporadas seguintes ao serviço do Sporting de Braga. Seguir-se-ia, sem nunca abandonar o escalão máximo do futebol luso e como um dos elementos do “onze” sediado em Barcelos, a passagem do lateral pelo Gil Vicente. Por fim, transformando-se o passo no derradeiro capítulo da sua caminhada de futebolista profissional, o jogador disputaria a campanha de 1994/95 na 2ª divisão e com as cores da Académica de Coimbra.
Retirado das competições profissionais, Laureta abraçaria diversos projectos. Fora do “mundo da bola”, passaria a dedicar-se ao ramo têxtil. Porém, o futebol manter-se-ia como uma grande paixão e seriam várias as suas aparições. Como praticante, ainda faria o “gostinho ao pé” na variante de praia e vestiria, nos escalões “regionais”, a camisola do Sande São Lourenço. Também no ramo do agenciamento chegaria a colaborar com Paulo Futre. Já na actualidade, o antigo atleta trabalha com o departamento de formação do Vitória Sport Clube.

1167 - RANTANEN

Começaria por ser um praticante do mais ecléctico possível. Em boa parte por culpa do pai, dirigente em diversas colectividades, jogaria voleibol e basquetebol. Hóquei no gelo e andebol também fariam parte das modalidades arroladas à sua juventude. No entanto, a sua grande paixão era o futebol. No HJK Helsinki daria os primeiros passos de uma longa carreira. Já após terminada a formação, seria ainda no emblema da capital finlandesa que Jari “Jallu” Rantanen, no final da década de 1970, faria a transição para o patamar sénior. Com um físico impressionante, alto e espadaúdo, tinha na atitude, aguerrida e frenética, uma das suas grandes armas. Com tais predicados, acabaria feito numa das figuras centrais das conquistas do clube e a “dobradinha” de 1981, com as vitórias no Campeonato e na Taça, tornar-se-ia no primeiro grande marco da sua, ainda curta, carreira.
Ao destacar-se no clube, a selecção entraria no seu quotidiano competitivo de uma forma natural. A 4 de Maio de 1983, chamado a jogo por Martti Kuusela, chegaria a oportunidade de fazer a estreia pelo principal conjunto da federação de futebol suómi.  Com essa partida frente à Polónia, Rantanen encetaria uma caminhada que, ao longo de quase meia dúzia de anos, daria ao atleta 36 internacionalizações “A”. Curiosamente, seria ao serviço dos sub-21 do seu país que veria surgir a ocasião para a primeira grande aventura estrangeira do seu trajecto – “(…) nós fomos a Portugal onde ganhámos 2-0. Alguém do Estoril estava a ver aquele jogo e um par de meses depois eu juntei-me ao Estoril”*.
Com os “Canarinhos”, o ponta-de-lança participaria no desenrolar de 2 temporadas. Depois da entrada na campanha de 1983/84, o regresso do avançado à Finlândia, serviria de curto interlúdio para a participação na época de 1984/85, mas, dessa feita, já com o emblema da Linha de Cascais a militar no 2º escalão. Do cômputo, mesmo com números não tão faustosos quanto os de alguns colegas, Rantanen não deixaria de alimentar a memória colectiva e, para a quase generalidade dos adeptos, ficaria registado como uma verdadeira força da natureza.
Seguir-se-iam, como novas experiências no estrangeiro, os belgas do Beerschot e o IFK Göteborg. Na agremiação escandinava viveria, talvez, o período mais rico do seu percurso futebolístico. Ao ajudar também à vitória na edição de 1987 do Campeonato da Suécia, seria a presença nas competições europeias que serviria de pináculo às conquistas do avançado. Mesmo sem sair do banco de suplentes, nas duas mãos da final da Taça UEFA de 1986/87, os 5 golos marcados durante as eliminatórias a preceder o embate frente aos escoceses do Dundee United, não só seriam de extrema importância para a vitória colectiva na competição, como elevariam Rantanen, ao lado de Wim Kieft, Peter Houtman e Paulinho Cascavel, ao lugar de Melhor Marcador da prova.
As boas prestações de Rantanen, mormente no panorama das provas europeias, abrir-lhe-iam a possibilidade de experimentar a Liga Inglesa. Com o Leicester City a militar no escalão secundário, a transferência do avançado aconteceria na temporada de 1987/88. Os primeiros tempos a jogar pelo emblema sediado nas Midlands correriam de feição, com o ponta-de-lança a assumir-se como um dos principais intérpretes das manobras ofensivas. No entanto, aquilo que parecia uma boa aposta, com a saída de Bryan Hamilton e a contratação para o comando técnico de David Pleat, acabaria por tornar-se numa grande desilusão.
Falhada, ainda a meio da temporada britânica, a mudança para a Bundesliga e para o FC Köln, a saída de Rantanen do emblema inglês dar-se-ia com o jogador a voltar ao país natal. Numa senda em que levaria o atleta a alternar passagens no HJK Helsinki, FinnPa e outros emblemas de menor dimensão, destaque para os títulos ganhos pelo emblema da capital que, a juntar aos troféus já referidos durante esta peça, deixaria o seu palmarés com um total vencido de 3 Campeonatos e 3 Taças da Finlândia.
Marcados esses últimos anos por algumas lesões bem graves, o final da carreira de Rantanen não o empurraria para longe da modalidade. Ao assumir as funções de treinador, começaria pelo FinnPa. De seguida, teria uma passagem pelos Estados Unidos da América, onde também desempenharia as funções de jornalista. Finalmente, de novo na Finlândia, tem abraçado diferentes projectos, nomeadamente à frente de emblemas como o AC Vantaa, EIF ou o FC Kotkan Työväen Palloilijat.Ao mesmo tempo, não tem descurado outra faceta da sua vida e foi eleito em 2017 como vereador do Município de Myrskylä.

*retirado do artigo de John Hutchinson, publicado a 10/02/2018, em https://www.lcfc.com

1039 - VIRGÍLIO

Jimmy Hagan lançá-lo-ia no patamar sénior, no decorrer da derradeira ronda de 1976/77. Depois de terminar a formação no Sporting e, por razão dos bons desempenhos, ter também chegado às jovens selecções portuguesas, o técnico inglês decidiria ser a altura certa para Virgílio ter a primeira oportunidade no conjunto principal. A promoção acabaria por não ter continuidade na temporada seguinte. Mesmo ao ser um atleta polivalente e, com isso, almejar a mais chances, a presença no plantel de jogadores mais experientes determinaria o ocaso do jovem futebolista. Para contrariar tal tendência, e sempre com a sua evolução em mente, o seu empréstimo acabaria equacionado. A cedência, depois da vitória na Taça de Portugal de 1977/78, aconteceria na campanha seguinte e levá-lo-ia até ao Minho.
Os 3 anos passados no Famalicão representariam para o jovem praticante uma evolução notável. Com o treinador Mário Imbelloni como o primeiro impulsionador desse seu crescimento, Virgílio passaria a jogar com grande regularidade. Mesmo com os 2 últimos anos a serem disputados no escalão secundário, os sinais dados pelo atleta dariam azo ao seu retorno a Alvalade. De volta ao Sporting, o jogador, que até então tinha ocupado posições mais recuadas, passaria a preencher a posição de médio-defensivo. Num meio-campo musculado, ao lado de Ademar e Nogueira, tornar-se-ia num dos principais pilares da estratégia montada por Malcolm Allison. Logo na campanha do seu regresso, a de 1981/82, o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal dariam mais cor ao seu currículo. Na época seguinte, e com a Supertaça a engrossar o seu palmarés, chegaria a vez da primeira internacionalização “A”.
Com as cores de Portugal, mesmo tendo em conta a passagem por diversos escalões, o seu trajecto ficaria aquém da sua qualidade. Depois da chamada de Otto Glória, que, num particular frente à França, levá-lo-ia à estreia no principal conjunto das “quinas”, o seu trajecto com as cores de Portugal teria apenas mais 2 participações. Tendo ambas acontecido na Fase de Qualificação para o Mundial de 1986, a falta de mais presenças na referida etapa de apuramento acabaria por afastá-lo do torneio organizado no México. Na verdade, essa não seria a única razão para a sua exclusão da lista de convocados para o Campeonato do Mundo. Com rigor, a temporada de 1985/86 seria uma das menos produtivas da sua carreira. Aliás, essa campanha acabaria por marcar um certo declínio exibicional.
Ao perder alguma preponderância na equipa, a sua saída, em 1988, acabaria por ser encarada com uma certa naturalidade. O Sporting de Braga tornar-se-ia, desse modo, no último capítulo do seu trajecto como futebolista. No Minho passaria duas temporadas, mas já longe do nível exibicional que o tinha notabilizado na primeira metade da década de 80. Com a entrada nos anos 90, o antigo jogador decidir-se-ia pelo fim da sua carreira e durante mais de duas dezenas de anos, viveria um certo recato. No entanto, o seu afastamento terminaria com a primeira candidatura de Bruno de Carvalho à Presidência do Sporting. Depois das primeiras eleições perdidas, a segunda tentativa resultaria na eleição do já referido dirigente. Com isso, Virgílio passaria a desempenhar um cargo na estrutura leonina, ocupando o lugar de Director da Academia. Já esta temporada, 2019/20, a convite do Torreense, o antigo internacional português seria nomeado para Director Geral do Futebol.

1024 - BARRINHA

Das escolas do Belenenses, seria ainda em idade de formação que Barrinha começaria a dar nas vistas. O merecido destaque, antes ainda de ser promovido ao patamar sénior, levá-lo-ia a representar, em 1974, a selecção portuguesa no Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Curiosamente, e sendo uma das grandes promessas do emblema do Restelo, aquando da eventual transição para a equipa principal, o jovem jogador acabaria por sair do clube.
A estreia como sénior dar-se-ia, então, com as cores do União de Tomar. A temporada de 1974/75 representaria, não só a transição de escalão, como o começo da sua caminhada no patamar máximo do futebol português. Nos nabantinos, o médio-defensivo, ou defesa de posições centrais, jogaria 4 temporadas (mais uma no fim da carreira). Sendo as 2 iniciais na 1ª divisão, as 2 últimas acabariam por ter um elã especial. A razão? Uma só: a presença de António Simões e Eusébio.
A presença de tamanhas “estrelas” serviria para preservar uma série de memórias. Os campos cheios de gente, os treinos e ensinamentos dos craques, ajudariam a dar outra cor a esses anos passados na cidade de Tomar. No entanto, e numa altura em que a Barrinha já tinha sido entregue o desígnio de capitanear os seus colegas, surge então um dos mais impares momentos aí vividos – “Deram-me a braçadeira porque tinha havido zangas e o Faustino já não queria ser capitão(…). Era eu quem tinha mais anos de balneário(…). Quando o Sr. António Simões chegou, fui dar-lhe a braçadeira. Ele ficou bastante sensibilizado e colocou-me à vontade para continuar. Era o que faltava! Então ele era o capitão da Selecção Nacional e não havia de ser aqui do União?!”*.
Com o União de Tomar incapaz de voltar ao escalão principal, Barrinha haveria de tentar a sua sorte por outros canais. A passagem pelo Juventude de Évora em 1978/79, serviria de montra para que, logo no ano seguinte, o objectivo primodivisionário fosse alcançado. A oportunidade surgiria, no entanto, com o interesse da União de Leiria. Curta seria também a sua experiência nas margens do Rio Lis, pois a campanha seguinte apresentar-lhe-ia um dos maiores desafios do seu percurso profissional.
A boa temporada feita nos leirienses serviria, acima de tudo, para promover Barrinha como um jogador de topo. Como tal, a sua entrada no Vitória de Guimarães acabaria por trazer bons resultados. Conseguindo afirmar-se, ao longo de 4 épocas, como uma das principais figuras do plantel minhoto, o atleta elevaria também o seu nome a um dos históricos do Campeonato Nacional. Sendo um dos pilares na luta colectiva pelas posições cimeiras na tabela classificativa, a participação na Taça UEFA tornar-se-ia num justo prémio para as suas exibições.
Mesmo com a entrada na fase final da carreira, Barrinha, muito mais do que conseguir permanecer no escalão máximo, haveria de manter os seus índices exibicionais a um bom nível. Perto de entrar na casa dos 30, seria no Vitória de Setúbal que daria seguimento ao seu percurso. No entanto, a despromoção dos sadinos em 1985/86 também precipitaria o ocaso da carreira do atleta. Os regressos à União de Leiria e União de Tomar marcariam, desse modo, o fim da sua vida competitiva. Após “pendurar as chuteiras”, o antigo jogador ainda teria uma curta experiência como técnico. Respondendo ao chamamento do emblema da “Cidade dos Templários”, haveria de mostrar, já em 1991/92, os seus dotes de treinador.

*retirado do artigo de António Adão Farias, publicado a 09/05/2018, em https://www.record.pt/

956 - COELHO

Sem ter um físico impressionante, ainda mais tendo em conta que jogava a avançado-centro, era na velocidade que Coelho tinha a maior arma. Essa característica, ainda durante a sua formação como futebolista, permitir-lhe-ia vingar tanto no FC Porto, como com as cores das jovens selecções portuguesas.
Tendo, com as “quinas” ao peito, passado por diversos escalões, a transição das “escolas” para sénior parecia estar assegurada com sucesso. Depois do título de juniores conquistado pelos “Dragões” na época de 1979/80, a convocação, por parte de Jesualdo Ferreira, para que disputasse o Europeu sub-18 de 1980, serviria, mais uma vez, para aferir o êxito do seu futuro. No entanto, a primeira temporada no plantel principal “Azul e Branco” desmentiria as projecções feitas. Sem grandes oportunidades concedidas pelo austríaco Herman Stessl, o atacante acabaria por ser dispensado no final da campanha de 1980/81.
Tapado nas Antas pelo internacional irlandês Mike Walsh, a ida para o Boavista acabaria por ser a solução encontrada para assegurar a sua evolução. Podendo a mudança ter sido vista como um passo atrás, a verdade é que a sua ida para o Bessa provaria ser o oposto. Mantendo-se nas convocatórias para a selecção nacional, pela qual disputaria o afamado Torneio de Toulon, aos poucos começaria a tornar-se mais preponderante nas estratégias dos seus treinadores. A participação nas competições europeias e a luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, seriam pontos favoráveis ao seu desenvolvimento como atleta. Tanto com Mário Lino, como no reencontro com Herman Stessl, o atacante mereceria a aposta nele feita e, com grande regularidade, seria chamado a jogo.
Durante as 7 temporadas com os “Axadrezados”, o seu melhor período vivê-lo-ia nos últimos 2 anos. Ao conseguir assegurar-se como um dos titulares do ataque boavisteiro, também o seu nome passaria a ser equacionado para representar a selecção principal. Com Portugal a viver o rescaldo do tão badalado “Caso Saltillo”, a renovação perpetrada nos anos a seguir ao Mundial de 1986, poria o avançado na linha-da-frente. A viver uma temporada de sucesso no clube, Ruy Seabra convocá-lo-ia para a fase de qualificação do Euro 88. Essa partida de estreia, disputada frente à Suécia a 12 de Outubro de 1986, acabaria por ser de bom prenúncio. Tendo entrado para o lugar de Shéu aos 62 minutos, Coelho, à imagem do que tantas vezes já tinha acontecido no Boavista, tornar-se-ia na arma secreta do conjunto “luso”.
O golo marcado frente à selecção escandinava seria um ponto a seu favor. Esse tento, como serviria de tónico para mais uma serie de mais 7 convocatórias. Todavia, talvez pelo falhanço na qualificação para fase final do Europeu ou pela saída do Boavista em 1988, Coelho não voltaria a vestir a camisola de Portugal. Ainda que perdido o estatuto de internacional, a verdade é que o atacante conseguiria manter-se como um atleta de valor primodivisionário. Estrela da Amadora, Penafiel, Desportivo de Chaves e o regresso ao Bessa mantê-lo-iam no patamar principal do nosso futebol nas 4 épocas seguinte. Da temporada de 1991/92 em diante, a sua carreira prosseguiria pelos escalões secundários. Excepção para a primeira metade da campanha de 1995/96, na qual, ao serviço do Felgueiras, o avançado voltaria a participar na 1ª divisão.

947 - FLÁVIO

Nascido na Venezuela, filho de emigrantes aí radicados, a mudança para o país da sua família lançá-lo-ia no futebol juvenil. Nas “escolas” do Oliveira do Bairro daria os primeiros passos que, também no emblema do Distrito de Aveiro, acabariam por conduzi-lo à estreia no escalão sénior.
No novo desafio, e vogando apenas nos escalões secundários, as boas exibições conseguidas mereceriam justos elogios. Entre a 3ª e a 2ª divisão, as quatro primeiras temporadas de Flávio serviriam para que emblemas de maior monta começassem a prestar mais atenção à sua evolução dentro de campo. Podendo posicionar-se tanto a extremo como a avançado-centro, e tanto na direita como na esquerda, essa sua polivalência seria também uma factor tido como positivo.
A primeira consequência da sua constante valorização surgiria na temporada de 1980/81. O Académico de Viseu, recém-promovido ao escalão maior, decidiria que a sua contratação seria um bom acréscimo ao plantel. Os resultados não tardariam muito a chegar e Flávio, logo na campanha de estreia na divisão maior do futebol português, conseguiria afirmar-se como um dos titulares do conjunto beirão. Na época seguinte, depois dos viseenses terem assegurado a permanência com a vitória na Liguilha, o seu estatuto dentro da equipa manter-se-ia inalterado. A importância conquistada durante esses anos viria a ter repercussões no seu futuro, com o avançado a ser visto como um jogador de “status” primodivisionário.
A reputação ganha levá-lo-ia, nos anos seguintes, a ser sempre contratado por emblemas da 1ª divisão ou, então, por emblemas com a ambição de lá chegar. Assim seria com o Marítimo em 1982/83, com o Recreio de Águeda na campanha seguinte, com o Varzim e com a AD Fafe. Com todos os referidos clubes, Flávio marcaria presença na 1ª divisão. Em todas essas ocasiões, salvo uma ou outra pequena excepção, o avançado conseguiria sempre tornar-se num dos elementos mais preponderantes no desempenho desses colectivos.
Após, dois anos antes, ter largado o futebol de “11” para passar a dedicar-se ao futsal, é em 1995 que o avançado deixaria a actividade desportiva. No entanto, e sem conseguir afastar-se da modalidade que havia preenchido o quotidiano de praticamente toda a sua vida, Flávio passa a empenhar-se noutras actividades dentro futebol. Tendo abraçado as tarefas de técnico principal ao serviço do Valecambrense, tem sido nos escalões secundários que o antigo futebolista tem erguido a sua carreira como treinador. Nessas funções, destaque para o seu regresso ao Oliveira do Bairro e a passagem pelo Estádio da Luz. Nessa 4ª eliminatória da Taça de Portugal, os seus pupilos defrontariam o Benfica. A viagem até Lisboa ficaria envolvida num ambiente de festa, mas os oliveirenses acabariam derrotados por 5-0.

917 - LITO

Terminada a formação no Vitória de Setúbal, seria também no emblema da margem norte do Sado que, na temporada de 1974/75, Lito faria a primeira aparição no patamar sénior. Mesmo com a época de estreia a merecer uma avaliação discreta, as campanhas seguintes revelariam um atleta já preparado para desafios maiores. Veloz e com uma técnica apurada, o extremo-direito começaria a impor-se na equipa principal do Bonfim logo ao segundo ano como profissional. Todavia, tudo aquilo que o jogador começava a conquistar não era, na verdade, uma grande surpresa. Por essa altura, o atacante já era visto como uma das grandes promessas do futebol nacional e, se mais provas fossem necessárias, as chamadas às jovens selecções portuguesas eram a prova da sua qualidade.
Três anos passados sobre a estreia, a mudança do Vitória de Setúbal para o Sporting de Braga em nada diminuiria o valor das suas exibições. Aliás, a sua chegada ao Minho na temporada de 1977/78, serviria para sublinhar o avançado como um dos jogadores mais apetecíveis no mercado nacional. Com duas temporadas em que o colectivo bracarense andaria na luta pelos lugares cimeiros do Campeonato, também o valor de Lito acabaria por crescer de forma exponencial.
Tornando-se num dos pilares das referidas campanhas, seria com naturalidade que surgiria o interesse de emblemas de outra monta. Tomando a dianteira, o Sporting chegaria a um acordo com o atleta e a transferência consumar-se-ia no decorrer da temporada de 1979/80. Com a estreia a acontecer apenas em Janeiro de 1980, resultado de uma curta passagem do atacante pelos brasileiros do Vasco da gama, esse jogo da Taça de Portugal acabaria por ser uma das poucas oportunidades que o ala-direito conseguiria durante a primeira campanha de “verde e branco”. A falta de chances, justificada pela presença de atletas como Manuel Fernandes, Manoel, Jordão e, mais tarde, de António Oliveira, faria com que Lito não conseguisse assumir um papel tão relevante quanto seria esperado. Ainda assim, as épocas seguintes elevá-lo-iam à condição de suplente bastante utilizado e, desse modo, muito importante nos triunfos alcançados.
A vitória no Campeonato de 1979/89 e a “dobradinha” de 1981/82 acabariam por preceder aqueles que seriam os melhores anos da sua carreira. Com o avançar da época de 1982/83, principalmente após António Oliveira assumir as funções de treinador-jogador, Lito conseguiria granjear da importância que há muito merecia. Sendo o atleta mais utilizado durante essa campanha, o prémio maior viria com o fim da referida temporada. A 8 de Junho de 1983, convocado pelo mítico Otto Glória, o extremo faz a estreia pela “Equipa das Quinas”. A esse jogo frente ao Brasil, seguir-se-ia a chamada para outro embate da selecção. Infelizmente para o atleta, a partida disputada na Polónia, a contar para o apuramento do Euro 84, não teria seguimento. Ainda assim, no cômputo de todos os escalões, o atacante conseguiria mais de uma dezena e meia de internacionalizações.
Após mais uma temporada ao mais alto nível, a contratação do galês John Toshack para técnico dos “Leões” iria alterar o estatuto do atleta. Com o técnico a dar preferência a outros jogadores, Lito ver-se-ia remetido, mais uma vez, para a condição de suplente. Essa situação faria com o atacante preferisse dar outro rumo à sua carreira. O regresso ao Sporting de Braga acabaria por ser a solução encontrada para a pouca utilização em Alvalade. Curiosamente, o desfecho de tal transferência quase ninguém o imaginaria. Pouco mais de um ano após a chegada ao antigo Estádio 1º de Maio, o extremo, ainda com muito a dar à modalidade, decidiria ser a altura certa para deixar o futebol.

185 - RUI ÁGUAS

Não deve ser nada fácil para um jovem que procura singrar no mundo do futebol, carregar aos ombros o apelido Águas. As comparações com o pai, José Águas, tornaram-se inevitáveis – “(...) era olhado como mais um e como o filho de uma grande estrela”* – e a pressão causada por essa associação, logo nos primeiros passos, acabaram por fazê-lo tropeçar.
Depois de não singrar nas camadas jovens benfiquistas e de igual destino nas “escolas” do Sporting, Rui Águas chegou mesmo a abandonar a modalidade para passar a dedicar-se ao voleibol. Em boa hora emergiu o seu arrependimento, mas as portas dos “grandes” estavam fechadas e o regresso acabou por acontecer no modesto Grupo Desportivo de Sesimbra. Como um atleta de indubitável qualidade, depressa foi subindo degraus e, após uma passagem por Alcântara, no Atlético, finalmente, com as cores do Portimonense, fez a sua estreia na divisão maior do Campeonato Nacional.
No Algarve começou a sublinhar as qualidades que fizeram dele uma das maiores estrelas do futebol português. Inteligente, capaz de, como ninguém, entender toda a dinâmica do desporto que praticava, percebeu, talvez pelas desilusões que viveu no início da carreira, que o esforço e a dedicação eram essenciais para o sucesso. O resto ficou por conta, tal como o pai, de um poder de impulsão generoso e um jogo de cabeça positivamente invulgar.
Com os golos a surgirem naturalmente, a estreia na selecção principal aconteceu ainda durante a sua estadia a Sul. Ainda nesse mesmo ano de 1985, caiu sobre ele o interesse de outros emblemas. Depois dos primeiros contactos feitos pelo FC Porto, o ponta-de-lança, rendido à “mística” que nele nunca esmoreceu, decidiu retornar à "Luz". O primeiro ano de “Águia” ao peito, tapado pelo “gigante” Manniche, não começou de feição. Contudo, o espaço e as oportunidades que foi ganhando no seio do plantel, para além de 11 golos, permitiram-lhe frente ao Desportivo de Chaves, o seu primeiro “hat-trick”.
A importância no seio do conjunto “encarnado”, de jornada em jornada, cresceu. Em 1986/87 tornou-se num dos principais pilares da vitória do clube no Campeonato e, na temporada seguinte, com 2 golos na 2ª mão das meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus, ajudou a vencer o Steaua Bucareste e abriu as portas da derradeira peleja da prova. No entanto, e apesar de realizado desportivamente, Rui Águas começou a sentir-se injustiçado – “(...) nós no Benfica ganhávamos muito mal, mesmo em termos nacionais, muito mal mesmo”*. As negociações para a renovação do seu contrato, longe de conseguirem consenso no que diz respeito aos valores, ficaram ainda mais afectadas por uma proposta do FC Porto a oferecer “11 vezes mais do que aquilo que ganhava no Benfica”*. Rumou às “Antas”. Porém, a verdade é que a vida na “Invicta” não trouxe ao atleta o conforto desejado. Por um lado, uma certa hostilidade inicial, por parte de alguns colegas de balneário, não ajudou à adaptação. Por outro, constatou nele um enorme arrependimento que, aliado à tristeza de ver o seu pai desiludido, acabaram por, ao cabo de dois anos, fazê-lo regressar – “(...) sentia a mágoa do clube, do meu pai, enfim, houve um conjunto de coisas que me estimularam a voltar”*.
De novo com a camisola do Benfica, a conquista do título de Melhor Marcador do Campeonato Nacional de 1990/91, sublinhou Rui Águas no caminho do sucesso. Mas na época seguinte, na disputa da Taça dos Clubes Campeões Europeus, o avançado viveu uma das piores experiências da vida como futebolista. Em Kiev, na partida contra o Dínamo, o atacante começou, num lance infeliz à meia hora de jogo, por fazer a “assistência” para o golo de Salenko e que ditaria a derrota das “Águias”. Como se não bastasse o castigo de ver a equipa a perder, no final da segunda parte, num momento arrepiante, o ponta-de-lança partiu o pé.
 A referida lesão, no que restou do seu caminho, retirou-lhe parte do fulgor. Já o fim da carreira, reservado para 1995, só aconteceu depois de ajudar o Benfica a vencer o Campeonato Nacional de 1993/94, de passar alguns meses no Estrela da Amadora e após dar uma “perninha” no Serie A italiana, ao serviço da Reggiana.

*retirado de entrevista conduzida por Mary Caiado, publicada em http://www.ionline.pt, a 02/04/2011

28 - JORGE JESUS

Do filho de Virgolino, antiga glória leonina, quem não tem saudades dos seus inflamados e eruditos discursos? Quem não tem saudade dos apaixonados arrufos com outros colegas de profissão, em que Manuel Machado é o preferido? Ou, quem não tem saudade do, não menos famoso, penteado à Richard Gere?
Mas factos são factos. Podemos até dizer que, apesar de muitos anos na 1ª divisão e de formado no Sporting, a sua carreira de jogador foi discreta. Já como treinador, o seu percurso tem vindo a mostra algo diferente. Depois de ter ganho ao serviço do Sporting de Braga a Taça Intertoto de 2008/09, chegou, com o Benfica, à vitória no Campeonato Nacional.
Meritoriamente, é-lhe reconhecido grande empenho profissional. O facto de ter ganho o campeonato com o clube rival ao do seu coração, pode até ser parca prova disso mesmo. Porém, para aqueles que tenham alguma réstia de dúvida, bastará ir assistir a um qualquer treino ou jogo e ver tudo o que exige dos seus jogadores.
Se o ano passado, na apresentação, jurou o título e cumpriu. Vamos a ver, nesta época de 2010/11, que voo tem para “Águia Vitória".