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1672 - JOSÉ RAFAEL

Com o percurso formativo feito no Farense, seria ainda inscrito como júnior que José António Silvestre Rafael acabaria chamado, por Manuel de Oliveira, aos trabalhos da equipa principal. Nessa campanha de 1975/76, o avançado-centro, caracterizado por ser um praticante veloz, de enorme agilidade e com enorme faro para o golo, daria os primeiros passos numa carreira a entregá-lo, logo na época seguinte e resultado da despromoção do clube, às pelejas da 2ª divisão. No entanto, apesar do percalço competitivo, a cotação do jovem atleta não sairia beliscada e a prova surgiria, pouco tempo depois, com a chamada aos sub-18 de Portugal.
Com a primeira aparição a acontecer, pelas mãos de Peres Bandeira, a 26 de Outubro de 1976, as boas prestações que conseguiria com a “camisola das quinas” levá-lo-iam a manter-se como um dos elementos com presença assídua nas convocatórias das selecções. Ainda no escalão referido no termo do parágrafo anterior, o jogador conseguiria mais umas quantas chamadas, com a edição de 1977 do Torneio Internacional de Cannes a constituir o apogeu dessa experiência. Seguir-se-iam, bem mais à frente na carreira, as convocatórias para os “olímpicos”. Todavia, seria a passagem pelo conjunto “A” luso que mais embelezaria o currículo do ponta-de-lança. Nesse contexto, com José Torres como principal timoneiro, o atacante participaria na Fase de Apuramento para o Mundial de 1986 e surgiria, a 12 de Outubro de 1985, como um dos goleadores na vitória, por 3-2, frente a Malta. Passados uns dias voltaria a marcar presença em campo e, no inolvidável triunfo forasteiro frente à Republica Federal da Alemanha, ajudaria a selar a qualificação para o certame organizado no México.
Com o Farense longe dos principais palcos do futebol luso, as temporadas a seguir à primeira chamada de José Rafael à equipa principal seriam cumpridas no escalão secundário. Ainda assim, o avançado não ficaria afectado por tal desígnio e continuaria a revelar enormes habilidades futebolísticas. Nesse sentido, em 1977/78, o ponta-de-lança, que a meio da referida campanha deixaria o Algarve para uma curta passagem por Toronto e pelo First Portuguese, ainda conseguiria consagrar-se como o melhor marcador do conjunto do Sotavento. Pouco tempo depois da experiência na Canadian National Soccer League, dar-se-ia o regresso aos “Leões de Faro” e o atacante, algum tempo depois de voltar a Portugal, teria a oportunidade de fazer a estreia na 1ª divisão.
Apesar de ter regressado para representar o Farense, seria a transferência para o Portimonense a dar-lhe a oportunidade de conseguir exibir-se entre os “grandes”. Apresentado como reforço do plantel de 1979/80 dos “Alvi-negros”, onde voltaria a encontrar-se com Manuel de Oliveira, José Rafael, por razão do Serviço Militar Obrigatório, não revelaria, na experiência de 2 anos, números condizentes com o seu real valor. Seria necessária nova mudança de emblema para que esses parâmetros emergissem como uma realidade segura. No Amora a partir de 1981/82, época em que a colectividade da Margem Sul faria a estreia na 1ª divisão, a sua passagem de 2 campanhas pela Medideira levá-lo-ia a consagrar-se como um dos bons intérpretes a exibir-se no mais alto patamar português. Tal acréscimo de valor fá-lo-ia ser cobiçado por diversas agremiações. Contudo, apesar de tentado por Académica de Coimbra, Vitória Sport Clube e Beira-Mar, seria a “paixão” pelo emblema onde havia cumprido toda a formação a apelar ao seu coração.
Titular no Farense de 1983/84, onde faria parte de um tridente ofensivo também composto por Gil e por César, José Rafael, apesar das belíssimas exibições, veria uma grave lesão a comprometer o seu desempenho. Ainda assim, o fim das provas agendadas para a campanha aludida no começo deste parágrafo, empurrá-lo-ia para uma nova colectividade. Com a entrada no Boavista, onde, em 1984/85, passaria a ser orientado por Mário Wilson, o avançado-centro, mesmo com a concorrência de colegas como Filipovic ou Coelho, conseguiria destacar-se. Tal relevo faria com que o avançado-centro iniciasse no Bessa, com as chamadas à selecção “A” e o convite para ingressar no Sporting como os pináculos desse capítulo, o melhor trecho da sua carreira. Também nesse contexto, com as “Panteras” na luta pelos lugares cimeiros do Campeonato Nacional, as competições organizadas pela UEFA passariam igualmente a fazer parte do seu percurso. Todavia, outra mazela física voltaria a assolá-lo durante aquela que viria a tornar-se na derradeira época realizada pelos “Axadrezados” e o avançado, cumprida a temporada de 1986/87, deixaria a “Cidade Invicta”.
Seguir-se-ia o Vitória Futebol Clube de 1987/88, a partilha do balneário com Jordão ou Manuel Fernandes e a ruptura do tendão de Aquiles. Mais uma lesão, com muitas complicações no pós-operatório a comprometer a recuperação, levaria a que José Rafael, mesmo com uma mudança a meio da temporada de 1988/89 para o Belenenses, não mais jogasse futebol. O terrível desfecho impeliria o atleta para um final precoce da carreira e, com apenas 30 anos de idade, acabaria por “pendurar as chuteiras”.

1594 - GUEDES

Manuel Fernando de Azevedo Guedes, saído das “escolas” da colectividade nortenha, entraria para a equipa principal do FC Porto na temporada de 1972/73. De forma espantosa, nesse primeiro ano como sénior, o defesa, muito mais do que conquistar um lugar como titular na esquerda do sector mais recuado dos “Azuis e Brancos”, posicionar-se-ia, apenas atrás de Abel Miglietti, como o segundo nome mais utilizado pelo treinador chileno Fernando Riera. Também a época seguinte, dessa feita sob as ordens de Béla Guttmann, traria ao atleta praticamente o mesmo tipo de destaque. Tais números não fariam prever o desfecho da campanha de 1973/74 e o anúncio da sua saída das Antas provocaria uma enorme surpresa entre a massa adepta dos “Dragões”.
Com a mudança consumada, as provas agendadas para 1974/75 apresentá-lo-iam como reforço de um Leixões primodivisionário. Curiosamente, a entrar num verdadeiro contraciclo, Guedes perderia em Matosinhos a preponderância apresentada enquanto grande esperança formada pelo FC Porto. Talvez por essa razão, um ano após a chegada ao Estádio do Mar, o jogador tenha tomado a decisão de procurar um novo rumo para a carreira. Tal oportunidade surgiria em Aveiro e o defesa, com o Beira-Mar a disputar a 1ª divisão, acabaria por recuperar e manter a titularidade no par de épocas passadas a envergar o equipamento aurinegro.
A despromoção do emblema da Beira Litoral no termo do Campeonato Nacional de 1976/77 levaria Guedes, cimentado como um praticante merecedor dos melhores palcos, a prosseguir a caminhada competitiva no Varzim. Nos “Lobos-do-mar”, orientado por António Teixeira, o jogador contribuiria para um dos mais bonitos capítulos da existência do emblema poveiro. Incluído num plantel do qual fariam parte nomes como Washington, Jesus, José Domingos, Cacheira, Albino, Festas, Montóia, Francisco Mário, Jarbas ou Horácio, o defesa-central transformar-se-ia num dos pilares do 5º posto alcançado com o termo do Campeonato Nacional de 1978/79.
Apesar do sucesso vivido na Póvoa de Varzim, seria a mudança para o Minho a apresentá-lo ao emblema mais representativo da sua caminhada desportiva. Com as cores do Sporting de Braga a partir da campanha de 1981/82, o defesa-central continuaria a somar temporadas ao seu currículo primodivisionário. Para além desse facto, o qual culminaria com 14 anos entre os “grandes”, o atleta, nessa época de chegada aos “Arsenalistas”, faria parte do grupo que, comandado por Quinito, chegaria à final da Taça de Portugal. No Jamor, à imagem da maioria das partidas disputadas pelos homens sediados na “Cidade dos Arcebispos”, Guedes acabaria arrolado para a disputa do importante desafio. Porém, a sua presença no “onze” seria insuficiente para evitar a derrota e acabaria por ser o Sporting a sair do Estádio Nacional na posse do almejado troféu.
As 5 temporadas passadas ao serviço dos “Guerreiros” dariam lugar àqueles que viriam a tornar-se nos derradeiros capítulos da sua caminhada no papel de futebolista. Com o São Pedro da Cova e o Gondomar a preceder a decisão de “pendurar as chuteiras”, não demorariam muitos anos até que o antigo defesa assumisse as funções de treinador-principal. Nas novas tarefas, com o trajecto feito em exclusivo através dos escalões secundários, Guedes passaria pelo comando de Marco, Castêlo da Maia, Ermesinde, Sporting de Lamego, Rebordosa, Torres Novas, Famalicão e Rio Tinto.

1498 - ZEZINHO

Observado pelo treinador Ronnie Allen numa digressão feita pelo Sporting em Angola, Francisco José Teles de Andrade, popularizado como Zezinho, acabaria contratado ao Sporting do Lubango. Como um defesa-central de fino trato com a bola e de boa estampa física, o jovem jogador seria imediatamente aferido como um praticante promissor. Tais características fá-lo-iam viajar para Lisboa, mas, apesar de feita a estreia como sénior no emblema africano, o atleta passaria a integrar os juniores leoninos.
A passagem para a equipa principal dos “Leões” aconteceria, na época seguinte à da sua chegada à capital portuguesa. No entanto, a presença no plantel de 1973/74 de nomes bem mais tarimbados, casos de Carlos Alhinho, Bastos, José Carlos ou Laranjeira, levariam a que o treinador Mário Lino não concedesse a Zezinho muitas oportunidades na equipa. Aliás, as épocas seguintes seriam de idêntico proveito para o jogador. Não obstante a falta de utilização, o seu potencial levaria a que os responsáveis técnicos pela Federação Portuguesa de Futebol olhassem para si como um elemento capaz de acrescentar valor às equipas lusas. Nesse sentido, seria a 12 de Novembro de 1975 que, numa partida frente à Checoslováquia, o defesa-central encetaria o seu caminho com a “camisola das quinas”. Por Portugal, num trajecto que, sem qualquer presença em campo, ainda o levaria aos trabalhos do conjunto “B”, o atleta somaria 6 internacionalizações pelos “esperanças” e, nesse contexto competitivo, acrescentaria ao currículo a participação na edição de 1976 do Torneio de Toulon.
Regressando ao percurso clubístico, para Zezinho, ao somar poucas presenças em campo naquelas que viriam a ser as 4 primeiras temporadas na equipa principal dos “Verde e Branco”, começaria a equacionar-se a hipótese de um empréstimo. Essa cedência viria a ocorrer na temporada de 1977/78, aquando da sua passagem pelo Famalicão. Com boas prestações ao serviço do conjunto minhoto, o qual ajudaria a vencer a 2ª divisão, o defesa-central ganharia o direito de regressar a Alvalade. Todavia, tal como anteriormente, o atleta voltaria a revelar números modestos. Ainda assim, a sua qualidade iria mantê-lo no grupo de trabalho leonino, com as grandes excepções na sua carreira, no que à utilização diz respeito, a surgirem nas épocas de 1982/83 e de 1983/84, em que assumiria a titularidade.
Já com o palmarés recheado pelas vitórias em 2 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça, Zezinho, com o termo da campanha de 1984/85 e após 11 temporadas de “leão” ao peito, deixaria o Sporting para ingressar no Vitória Futebol Clube. No emblema sediado na cidade de Setúbal, a trabalhar inicialmente sob a intendência de Manuel de Oliveira, o defesa-central teria uma época de arranque forte. Porém, com o avançar para a veterania, também no seio dos “Sadinos” começaria a perder alguma preponderância. Com 4 campanhas cumpridas no conjunto a jogar em casa no Estádio do Bonfim, o atleta decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”. No entanto, apesar de retirado das lides de futebolista, o jogador voltaria a ligar-se à modalidade e, num regresso a Alvalade, abraçarias as funções de técnico, nas camadas jovens do Sporting.

1399 - LAURETA

Tal como o avô Francisco, o pai ou o irmão João, Alfredo Magalhães da Silva Rodrigues também ficaria popularizado pela alcunha Laureta. Da mesma forma, até em configurações mais vincadas do que os familiares, o seu nome acabaria ligado ao futebol e em particular ao Vitória Sport Clube. No emblema minhoto, o jovem praticante, ainda nos patamares de formação, começaria a destacar-se como um elemento de características mais ofensivas, jogando, sempre do lado canhoto, no meio-campo ou como extremo. Ainda nessa posição, naquela que viria a ser a sua época de estreia como sénior, passaria a temporada de 1980/81 emprestado ao Mirandela. Porém, apesar de disputar a 2ª divisão, as suas exibições seriam suficientes para chamar à atenção dos responsáveis pelo conjunto de “esperanças” à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com a estreia a acontecer em plena disputa da edição de 1981 do Torneio de Toulon, essa partida, jogada a 7 de Junho, serviria de arranque a uma caminhada que, em vários escalões, terminaria com 18 internacionalizações por Portugal.
De todas as suas chamadas à selecção, aquela que mais viria a destacar-se seria a que permitiria ao jogador acrescentar ao currículo pessoal uma peleja feita pelo mais importante “conjunto das quinas”. Chamado pelo famoso Otto Glória, Laureta, nesse encontro frente ao Brasil, agendado a 8 de Junho de 1983, começaria sentado no banco de suplentes, para, no início do segundo tempo, entrar para o lugar de Festas. Ainda assim, sendo esse, incontestavelmente, um dos momentos altos da sua carreira, outros houveram de similar importância. No Vitória Sport Clube, emblema ao qual regressaria para integrar o plantel de 1981/82, passaria 4 temporadas na equipa principal. Nessas 4 campanhas viveria ocasiões de fulcral importância para a sua evolução como futebolista. O primeiro, no trabalho com José Maria Pedroto, resultaria na sua mudança de posição. Já mais recuado no terreno de jogo, como lateral-esquerdo, o atleta assumir-se-ia como um praticante rápido, agressivo, de uma resistência física tremenda e preparado para assumir a titularidade.
Depois de aferido como um dos intérpretes mais consistentes a exibir-se nas provas lusas, avaliação que levá-lo-ia a ser sondado pelo Benfica, Laureta haveria de ser contratado pelo FC Porto. Com a transferência a integrá-lo no plantel de 1985/86 dos “Azuis e Brancos”, o lateral-esquerdo voltaria a trabalhar sob os comandos de Artur Jorge, treinador que tinha sido adjunto de José Maria Pedroto no Vitória Sport Clube. Na época de entrada nas Antas, o jogador arrogar-se-ia como um dos elementos mais utilizados, contribuindo, desse modo, para a conquista do Campeonato Nacional. Já na campanha seguinte, também como resultado de uma lesão, o atleta perderia alguma preponderância. Ainda assim, essa seria a temporada que inscreveria os “Dragões” na lista de vencedores da mais prestigiada prova mundial e com a sua participação na eliminatória frente ao Brondby, o defesa ajudaria à conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
A segunda metade do seu trajecto enquanto sénior levá-lo-ia de novo ao Minho. Dessa feita na “Cidade dos Arcebispos”, Laureta, sempre como um dos titulares da equipa, passaria as 4 temporadas seguintes ao serviço do Sporting de Braga. Seguir-se-ia, sem nunca abandonar o escalão máximo do futebol luso e como um dos elementos do “onze” sediado em Barcelos, a passagem do lateral pelo Gil Vicente. Por fim, transformando-se o passo no derradeiro capítulo da sua caminhada de futebolista profissional, o jogador disputaria a campanha de 1994/95 na 2ª divisão e com as cores da Académica de Coimbra.
Retirado das competições profissionais, Laureta abraçaria diversos projectos. Fora do “mundo da bola”, passaria a dedicar-se ao ramo têxtil. Porém, o futebol manter-se-ia como uma grande paixão e seriam várias as suas aparições. Como praticante, ainda faria o “gostinho ao pé” na variante de praia e vestiria, nos escalões “regionais”, a camisola do Sande São Lourenço. Também no ramo do agenciamento chegaria a colaborar com Paulo Futre. Já na actualidade, o antigo atleta trabalha com o departamento de formação do Vitória Sport Clube.

1175 - NARCISO

Nascido na cidade de Setúbal, seria no Vitória Futebol Clube que, ao entrar para os patamares de formação, Narciso começaria a caminhada no futebol. Já na temporada de 1972/73, promovido pelo treinador José Maria Pedroto, o jovem atleta estrear-se-ia na equipa sénior do emblema sadino e, por conseguinte, na 1ª divisão. No entanto, apesar de ser uma aposta para o futuro da equipa, demoraria uns quantos anos até conseguir afirmar-se como um elemento com alguma preponderância. Tal aconteceria na época de 1976/77, depois de um empréstimo ao Torreense, de um regresso de curta duração ao Estádio do Bonfim e da experiência nos canadianos do Toronto Italia.
A partir da segunda metade da década de 70, Narciso surgiria no esquema táctico do Vitória de Setúbal com regularidade. Durante 4 anos, o médio, que cumpria tanto em funções defensivas, como nas manobras de construção de jogo, tornar-se-ia num dos elementos mais importantes do plantel sadino. Nesse sentido, seria com alguma surpresa que os adeptos veriam o jogador deixar o clube para, na Margem Sul do Rio Tejo, abraçar outro projecto. No Amora, onde trabalharia com outro ilustre setubalense, o treinador Mourinho Félix, para além de manter a titularidade, aperfeiçoaria a sua “veia goleadora”. Ao pautar-se como um dos bons intérpretes dessa temporada de 1980/81, receberia o convite do Vitória de Guimarães para rumar ao Minho e, já na “Cidade Berço”, voltaria a encontrar-se com José Maria Pedroto.
Após envergar as cores do conjunto vimaranense, onde nunca conseguiria impor-se como um elemento indiscutível, Narciso continuaria a alimentar um percurso que, de algum modo, tinha começado a caracterizar-se pela constante mudança de clubes. Depois de, em dois anos, ter vestido a camisola de dois emblemas diferentes, o centrocampista, nessa senda mais errática, regressaria ao Vitória de Setúbal para a derradeira temporada primodivisionária, passaria pelo Benfica de Castelo Branco e, a seguir à aventura albicastrense, aceitaria o desafio daquela que viria a tornar-se na sua última colectividade enquanto futebolista profissional.
Terminada a ligação ao Torralta na segunda metade da década de 80, Narciso, formado em Educação Física e com o 4º nível do Curso de Treinadores, iniciaria o seu trajecto enquanto técnico. Durante vários anos, seria adjunto de Quinito. Como “braço direito” do seu conterrâneo, passaria por diferentes emblemas, casos do Sporting de Espinho, Marítimo, Portimonense, União de Leiria e, quase de forma inevitável, pelo Vitória Futebol Clube. No entanto, seria noutra variante da modalidade que viria a ter grande sucesso. Ao aceitar o desafio do emblema sadino para comandar o conjunto dedicado à vertente de praia, por certo, jamais adivinharia a glória destinada ao seu trajecto. A verdade é que logo no ano de estreia à frente do listado vertical verde e branco, levaria os seus discípulos à conquista da edição de 2008 da Liga Nacional. Repetiria o feito em 2010 e, em 2013, ao rubricar o contrato para ocupar o cargo de seleccionador nacional, subiria mais um degrau na carreira. À frente de Portugal, o seu trabalho levaria a “Equipa das Quinas” a grandes glórias e entregaria aos escaparates da Federação os troféus referentes às vitórias dos Campeonatos do Mundo de 2015 e 2019, 4 Ligas Europeias, 1 Jogos Europeus de Praia, entre outros prestigiados certames. Para além disso, seria eleito como o Melhor Treinador do Mundo em 2015 e 2016.

1167 - RANTANEN

Começaria por ser um praticante do mais ecléctico possível. Em boa parte por culpa do pai, dirigente em diversas colectividades, jogaria voleibol e basquetebol. Hóquei no gelo e andebol também fariam parte das modalidades arroladas à sua juventude. No entanto, a sua grande paixão era o futebol. No HJK Helsinki daria os primeiros passos de uma longa carreira. Já após terminada a formação, seria ainda no emblema da capital finlandesa que Jari “Jallu” Rantanen, no final da década de 1970, faria a transição para o patamar sénior. Com um físico impressionante, alto e espadaúdo, tinha na atitude, aguerrida e frenética, uma das suas grandes armas. Com tais predicados, acabaria feito numa das figuras centrais das conquistas do clube e a “dobradinha” de 1981, com as vitórias no Campeonato e na Taça, tornar-se-ia no primeiro grande marco da sua, ainda curta, carreira.
Ao destacar-se no clube, a selecção entraria no seu quotidiano competitivo de uma forma natural. A 4 de Maio de 1983, chamado a jogo por Martti Kuusela, chegaria a oportunidade de fazer a estreia pelo principal conjunto da federação de futebol suómi.  Com essa partida frente à Polónia, Rantanen encetaria uma caminhada que, ao longo de quase meia dúzia de anos, daria ao atleta 36 internacionalizações “A”. Curiosamente, seria ao serviço dos sub-21 do seu país que veria surgir a ocasião para a primeira grande aventura estrangeira do seu trajecto – “(…) nós fomos a Portugal onde ganhámos 2-0. Alguém do Estoril estava a ver aquele jogo e um par de meses depois eu juntei-me ao Estoril”*.
Com os “Canarinhos”, o ponta-de-lança participaria no desenrolar de 2 temporadas. Depois da entrada na campanha de 1983/84, o regresso do avançado à Finlândia, serviria de curto interlúdio para a participação na época de 1984/85, mas, dessa feita, já com o emblema da Linha de Cascais a militar no 2º escalão. Do cômputo, mesmo com números não tão faustosos quanto os de alguns colegas, Rantanen não deixaria de alimentar a memória colectiva e, para a quase generalidade dos adeptos, ficaria registado como uma verdadeira força da natureza.
Seguir-se-iam, como novas experiências no estrangeiro, os belgas do Beerschot e o IFK Göteborg. Na agremiação escandinava viveria, talvez, o período mais rico do seu percurso futebolístico. Ao ajudar também à vitória na edição de 1987 do Campeonato da Suécia, seria a presença nas competições europeias que serviria de pináculo às conquistas do avançado. Mesmo sem sair do banco de suplentes, nas duas mãos da final da Taça UEFA de 1986/87, os 5 golos marcados durante as eliminatórias a preceder o embate frente aos escoceses do Dundee United, não só seriam de extrema importância para a vitória colectiva na competição, como elevariam Rantanen, ao lado de Wim Kieft, Peter Houtman e Paulinho Cascavel, ao lugar de Melhor Marcador da prova.
As boas prestações de Rantanen, mormente no panorama das provas europeias, abrir-lhe-iam a possibilidade de experimentar a Liga Inglesa. Com o Leicester City a militar no escalão secundário, a transferência do avançado aconteceria na temporada de 1987/88. Os primeiros tempos a jogar pelo emblema sediado nas Midlands correriam de feição, com o ponta-de-lança a assumir-se como um dos principais intérpretes das manobras ofensivas. No entanto, aquilo que parecia uma boa aposta, com a saída de Bryan Hamilton e a contratação para o comando técnico de David Pleat, acabaria por tornar-se numa grande desilusão.
Falhada, ainda a meio da temporada britânica, a mudança para a Bundesliga e para o FC Köln, a saída de Rantanen do emblema inglês dar-se-ia com o jogador a voltar ao país natal. Numa senda em que levaria o atleta a alternar passagens no HJK Helsinki, FinnPa e outros emblemas de menor dimensão, destaque para os títulos ganhos pelo emblema da capital que, a juntar aos troféus já referidos durante esta peça, deixaria o seu palmarés com um total vencido de 3 Campeonatos e 3 Taças da Finlândia.
Marcados esses últimos anos por algumas lesões bem graves, o final da carreira de Rantanen não o empurraria para longe da modalidade. Ao assumir as funções de treinador, começaria pelo FinnPa. De seguida, teria uma passagem pelos Estados Unidos da América, onde também desempenharia as funções de jornalista. Finalmente, de novo na Finlândia, tem abraçado diferentes projectos, nomeadamente à frente de emblemas como o AC Vantaa, EIF ou o FC Kotkan Työväen Palloilijat.Ao mesmo tempo, não tem descurado outra faceta da sua vida e foi eleito em 2017 como vereador do Município de Myrskylä.

*retirado do artigo de John Hutchinson, publicado a 10/02/2018, em https://www.lcfc.com

1148 - ICA

De vez em quando elejo um atleta que, apesar de ter feito parte de um remoto imaginário de dominicais relatos radiofónicos e de coloridas colecções de cromos, pouco ou nada sei sobre a sua carreira. Porém, dentro desse grupo de futebolistas, há aqueles que, com algum esforço e com uma boa dose de pesquisa, é possível, com um certo grau de certeza, esquissar a sua caminhada profissional. Por outro lado, emergem aqueles cujos mistérios do seu trajecto competitivo são, numa impiedosa escala de dificuldade, bem superiores à minha vontade de contar uma história. Ica é, sem dúvida, um membro deste último grupo!
Aquilo que consegui descobrir sobre o ponta-de-lança brasileiro, pouco mais é do que o trajecto competitivo que, durante alguns, acabou por fazer em Portugal. Nesse sentido, a Oliveirense tornar-se-ia no primeiro emblema do avançado no nosso país. Ora, logo após essa temporada de 1981/82, a disputar o 2º escalão, surgiria a oportunidade de passar a representar o Recreio de Águeda. A mudança de colectividade, sem, com isso, deixar o patamar secundário e o Distrito de Aveiro, transformaria o avançado num dos principais esteios da promoção dos “Galos do Botaréu” à 1ª divisão.
Depois da campanha de subida, durante a qual iria consagrar-se como um dos titulares e como o melhor marcador da equipa, o atacante, à imagem da memorável página escrita na história do clube, também conseguiria estrear-se no escalão máximo. Contudo, contrariamente ao que tinha demonstrado no ano anterior, o jogador perderia o lugar no “onze” inicial. Essa temporada de 1983/84, em termos individuais e colectivos, transformar-se-ia numa grande desilusão. Ainda assim, e com a descida do Recreio de Águeda à 2ª divisão, Ica manter-se-ia no convívio dos “grandes”, acabando por mudar-se para o sul do país.
Já com as cores do Farense, exibições discretas não dariam muitas presenças em campo ao avançado. Seguir-se-ia o Leixões e, sem certeza do que vou escrever, o fim da sua caminhada em território luso. De resto pouco mais conseguirei dizer. Com algum grau de convicção poderei ainda fazer referência à sua passagem, a montante dos anos vividos em Portugal, pelo Campo Grande do Rio de Janeiro. Há ainda, sem ter conseguido confirmar tal informação, à presença de Ica no plantel de 1987 da Portuguesa dos Desportos…

1039 - VIRGÍLIO

Jimmy Hagan lançá-lo-ia no patamar sénior, no decorrer da derradeira ronda de 1976/77. Depois de terminar a formação no Sporting e, por razão dos bons desempenhos, ter também chegado às jovens selecções portuguesas, o técnico inglês decidiria ser a altura certa para Virgílio ter a primeira oportunidade no conjunto principal. A promoção acabaria por não ter continuidade na temporada seguinte. Mesmo ao ser um atleta polivalente e, com isso, almejar a mais chances, a presença no plantel de jogadores mais experientes determinaria o ocaso do jovem futebolista. Para contrariar tal tendência, e sempre com a sua evolução em mente, o seu empréstimo acabaria equacionado. A cedência, depois da vitória na Taça de Portugal de 1977/78, aconteceria na campanha seguinte e levá-lo-ia até ao Minho.
Os 3 anos passados no Famalicão representariam para o jovem praticante uma evolução notável. Com o treinador Mário Imbelloni como o primeiro impulsionador desse seu crescimento, Virgílio passaria a jogar com grande regularidade. Mesmo com os 2 últimos anos a serem disputados no escalão secundário, os sinais dados pelo atleta dariam azo ao seu retorno a Alvalade. De volta ao Sporting, o jogador, que até então tinha ocupado posições mais recuadas, passaria a preencher a posição de médio-defensivo. Num meio-campo musculado, ao lado de Ademar e Nogueira, tornar-se-ia num dos principais pilares da estratégia montada por Malcolm Allison. Logo na campanha do seu regresso, a de 1981/82, o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal dariam mais cor ao seu currículo. Na época seguinte, e com a Supertaça a engrossar o seu palmarés, chegaria a vez da primeira internacionalização “A”.
Com as cores de Portugal, mesmo tendo em conta a passagem por diversos escalões, o seu trajecto ficaria aquém da sua qualidade. Depois da chamada de Otto Glória, que, num particular frente à França, levá-lo-ia à estreia no principal conjunto das “quinas”, o seu trajecto com as cores de Portugal teria apenas mais 2 participações. Tendo ambas acontecido na Fase de Qualificação para o Mundial de 1986, a falta de mais presenças na referida etapa de apuramento acabaria por afastá-lo do torneio organizado no México. Na verdade, essa não seria a única razão para a sua exclusão da lista de convocados para o Campeonato do Mundo. Com rigor, a temporada de 1985/86 seria uma das menos produtivas da sua carreira. Aliás, essa campanha acabaria por marcar um certo declínio exibicional.
Ao perder alguma preponderância na equipa, a sua saída, em 1988, acabaria por ser encarada com uma certa naturalidade. O Sporting de Braga tornar-se-ia, desse modo, no último capítulo do seu trajecto como futebolista. No Minho passaria duas temporadas, mas já longe do nível exibicional que o tinha notabilizado na primeira metade da década de 80. Com a entrada nos anos 90, o antigo jogador decidir-se-ia pelo fim da sua carreira e durante mais de duas dezenas de anos, viveria um certo recato. No entanto, o seu afastamento terminaria com a primeira candidatura de Bruno de Carvalho à Presidência do Sporting. Depois das primeiras eleições perdidas, a segunda tentativa resultaria na eleição do já referido dirigente. Com isso, Virgílio passaria a desempenhar um cargo na estrutura leonina, ocupando o lugar de Director da Academia. Já esta temporada, 2019/20, a convite do Torreense, o antigo internacional português seria nomeado para Director Geral do Futebol.

1024 - BARRINHA

Das escolas do Belenenses, seria ainda em idade de formação que Barrinha começaria a dar nas vistas. O merecido destaque, antes ainda de ser promovido ao patamar sénior, levá-lo-ia a representar, em 1974, a selecção portuguesa no Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Curiosamente, e sendo uma das grandes promessas do emblema do Restelo, aquando da eventual transição para a equipa principal, o jovem jogador acabaria por sair do clube.
A estreia como sénior dar-se-ia, então, com as cores do União de Tomar. A temporada de 1974/75 representaria, não só a transição de escalão, como o começo da sua caminhada no patamar máximo do futebol português. Nos nabantinos, o médio-defensivo, ou defesa de posições centrais, jogaria 4 temporadas (mais uma no fim da carreira). Sendo as 2 iniciais na 1ª divisão, as 2 últimas acabariam por ter um elã especial. A razão? Uma só: a presença de António Simões e Eusébio.
A presença de tamanhas “estrelas” serviria para preservar uma série de memórias. Os campos cheios de gente, os treinos e ensinamentos dos craques, ajudariam a dar outra cor a esses anos passados na cidade de Tomar. No entanto, e numa altura em que a Barrinha já tinha sido entregue o desígnio de capitanear os seus colegas, surge então um dos mais impares momentos aí vividos – “Deram-me a braçadeira porque tinha havido zangas e o Faustino já não queria ser capitão(…). Era eu quem tinha mais anos de balneário(…). Quando o Sr. António Simões chegou, fui dar-lhe a braçadeira. Ele ficou bastante sensibilizado e colocou-me à vontade para continuar. Era o que faltava! Então ele era o capitão da Selecção Nacional e não havia de ser aqui do União?!”*.
Com o União de Tomar incapaz de voltar ao escalão principal, Barrinha haveria de tentar a sua sorte por outros canais. A passagem pelo Juventude de Évora em 1978/79, serviria de montra para que, logo no ano seguinte, o objectivo primodivisionário fosse alcançado. A oportunidade surgiria, no entanto, com o interesse da União de Leiria. Curta seria também a sua experiência nas margens do Rio Lis, pois a campanha seguinte apresentar-lhe-ia um dos maiores desafios do seu percurso profissional.
A boa temporada feita nos leirienses serviria, acima de tudo, para promover Barrinha como um jogador de topo. Como tal, a sua entrada no Vitória de Guimarães acabaria por trazer bons resultados. Conseguindo afirmar-se, ao longo de 4 épocas, como uma das principais figuras do plantel minhoto, o atleta elevaria também o seu nome a um dos históricos do Campeonato Nacional. Sendo um dos pilares na luta colectiva pelas posições cimeiras na tabela classificativa, a participação na Taça UEFA tornar-se-ia num justo prémio para as suas exibições.
Mesmo com a entrada na fase final da carreira, Barrinha, muito mais do que conseguir permanecer no escalão máximo, haveria de manter os seus índices exibicionais a um bom nível. Perto de entrar na casa dos 30, seria no Vitória de Setúbal que daria seguimento ao seu percurso. No entanto, a despromoção dos sadinos em 1985/86 também precipitaria o ocaso da carreira do atleta. Os regressos à União de Leiria e União de Tomar marcariam, desse modo, o fim da sua vida competitiva. Após “pendurar as chuteiras”, o antigo jogador ainda teria uma curta experiência como técnico. Respondendo ao chamamento do emblema da “Cidade dos Templários”, haveria de mostrar, já em 1991/92, os seus dotes de treinador.

*retirado do artigo de António Adão Farias, publicado a 09/05/2018, em https://www.record.pt/

1016 - KOSTOV

Chegaria ao Sporting para temporada de 1982/83 e já como um jogador consagrado no país natal. Com uma carreira cimentada no Slavia de Sófia, onde chegaria a ostentar a braçadeira de capitão, também na selecção búlgara marcaria presença por diversas vezes.  Tendo subido à categoria principal do emblema da capital ainda na primeira metade da década de 70, o médio haveria de merecer o seu lugar no grupo de trabalho. Nisso de conquistas, mesmo sem ter conseguido alcançar o título de campeão nacional, Kostov embelezaria o seu currículo com a vitória nas edições da Taça da Bulgária de 1975 e 1980. A equipa nacional também chegaria à sua carreira durante esse período. Com a estreia a acontecer em Novembro de 1974, o centrocampista lograria vestir a camisola da sua pátria por mais 14 vezes.
Já a sua passagem pelo Sporting, muito mais do que falada pelo aspecto desportivo, acabaria envolta em polémica. No sentido de contornar a restrição imposta ao número de estrangeiros em cada plantel, Kostov e Bukovac, chegados na mesma altura e ambos via Slavia de Sófia, acabariam por obter a cidadania portuguesa através de casamentos, diz-se, “arranjados” pelos próprios dirigentes leoninos.
Voltando ao rectângulo de jogo, o médio acabaria por impor-se com alguma naturalidade. Sendo um atleta que, para além da capacidade física, também mostrava uma certa habilidade com a bola nos pés, António Oliveira e, mais tarde, Jozef Venglos não hesitariam em inscrevê-lo no “onze” inicial. Pior seria aquando da saída do treinador Checoslovaco, para a entrada do galês John Toshack. Com a antiga estrela do Liverpool aos comandos do “Leão”, o jogador acabaria por perder o espaço conquistado nas temporadas anteriores. De tal forma ficaria vetado ao estatuto de escolha secundária que, na época de 1984/85, poucas seriam as vezes que seria utilizado. Tão irrisório o número de partidas disputadas e o futebolista decidir-se-ia a cambiar de rumo. Ficaria em Lisboa, mas mudar-se-ia para o Restelo. Na bagagem ainda levaria consigo a conquista da Supertaça de 1982/83. Porém, a partir do Verão 1985, passaria a representar o Belenenses.
Mesmo estando à porta de completar 30 anos de idade, ninguém adivinharia que a sua contratação pelos da “Cruz de Cristo” antecedesse, em pouco mais de um par de anos, o fim da sua carreira profissional. Pelo Belenenses conseguiria destacar-se. Voltaria à competição ainda na campanha de 1987/88, mas, dessa feita, já com as cores do Farense. No Algarve, o fulgor mostrado dentro de campo desenvolver-se-ia apenas como uma réstia de um passado que não era assim tão longínquo. Há registos, sem que tenha conseguido confirmar tal informação, de uma passagem sua pelo Bragança! Vanio Kostov haveria de terminar o seu percurso competitivo antes da viragem para a década de 90. Todavia, continuaria ligado à modalidade. Ficaria a residir em Portugal e passaria a dedicar-se às actividades de empresário desportivo.

956 - COELHO

Sem ter um físico impressionante, ainda mais tendo em conta que jogava a avançado-centro, era na velocidade que Coelho tinha a maior arma. Essa característica, ainda durante a sua formação como futebolista, permitir-lhe-ia vingar tanto no FC Porto, como com as cores das jovens selecções portuguesas.
Tendo, com as “quinas” ao peito, passado por diversos escalões, a transição das “escolas” para sénior parecia estar assegurada com sucesso. Depois do título de juniores conquistado pelos “Dragões” na época de 1979/80, a convocação, por parte de Jesualdo Ferreira, para que disputasse o Europeu sub-18 de 1980, serviria, mais uma vez, para aferir o êxito do seu futuro. No entanto, a primeira temporada no plantel principal “Azul e Branco” desmentiria as projecções feitas. Sem grandes oportunidades concedidas pelo austríaco Herman Stessl, o atacante acabaria por ser dispensado no final da campanha de 1980/81.
Tapado nas Antas pelo internacional irlandês Mike Walsh, a ida para o Boavista acabaria por ser a solução encontrada para assegurar a sua evolução. Podendo a mudança ter sido vista como um passo atrás, a verdade é que a sua ida para o Bessa provaria ser o oposto. Mantendo-se nas convocatórias para a selecção nacional, pela qual disputaria o afamado Torneio de Toulon, aos poucos começaria a tornar-se mais preponderante nas estratégias dos seus treinadores. A participação nas competições europeias e a luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, seriam pontos favoráveis ao seu desenvolvimento como atleta. Tanto com Mário Lino, como no reencontro com Herman Stessl, o atacante mereceria a aposta nele feita e, com grande regularidade, seria chamado a jogo.
Durante as 7 temporadas com os “Axadrezados”, o seu melhor período vivê-lo-ia nos últimos 2 anos. Ao conseguir assegurar-se como um dos titulares do ataque boavisteiro, também o seu nome passaria a ser equacionado para representar a selecção principal. Com Portugal a viver o rescaldo do tão badalado “Caso Saltillo”, a renovação perpetrada nos anos a seguir ao Mundial de 1986, poria o avançado na linha-da-frente. A viver uma temporada de sucesso no clube, Ruy Seabra convocá-lo-ia para a fase de qualificação do Euro 88. Essa partida de estreia, disputada frente à Suécia a 12 de Outubro de 1986, acabaria por ser de bom prenúncio. Tendo entrado para o lugar de Shéu aos 62 minutos, Coelho, à imagem do que tantas vezes já tinha acontecido no Boavista, tornar-se-ia na arma secreta do conjunto “luso”.
O golo marcado frente à selecção escandinava seria um ponto a seu favor. Esse tento, como serviria de tónico para mais uma serie de mais 7 convocatórias. Todavia, talvez pelo falhanço na qualificação para fase final do Europeu ou pela saída do Boavista em 1988, Coelho não voltaria a vestir a camisola de Portugal. Ainda que perdido o estatuto de internacional, a verdade é que o atacante conseguiria manter-se como um atleta de valor primodivisionário. Estrela da Amadora, Penafiel, Desportivo de Chaves e o regresso ao Bessa mantê-lo-iam no patamar principal do nosso futebol nas 4 épocas seguinte. Da temporada de 1991/92 em diante, a sua carreira prosseguiria pelos escalões secundários. Excepção para a primeira metade da campanha de 1995/96, na qual, ao serviço do Felgueiras, o avançado voltaria a participar na 1ª divisão.

947 - FLÁVIO

Nascido na Venezuela, filho de emigrantes aí radicados, a mudança para o país da sua família lançá-lo-ia no futebol juvenil. Nas “escolas” do Oliveira do Bairro daria os primeiros passos que, também no emblema do Distrito de Aveiro, acabariam por conduzi-lo à estreia no escalão sénior.
No novo desafio, e vogando apenas nos escalões secundários, as boas exibições conseguidas mereceriam justos elogios. Entre a 3ª e a 2ª divisão, as quatro primeiras temporadas de Flávio serviriam para que emblemas de maior monta começassem a prestar mais atenção à sua evolução dentro de campo. Podendo posicionar-se tanto a extremo como a avançado-centro, e tanto na direita como na esquerda, essa sua polivalência seria também uma factor tido como positivo.
A primeira consequência da sua constante valorização surgiria na temporada de 1980/81. O Académico de Viseu, recém-promovido ao escalão maior, decidiria que a sua contratação seria um bom acréscimo ao plantel. Os resultados não tardariam muito a chegar e Flávio, logo na campanha de estreia na divisão maior do futebol português, conseguiria afirmar-se como um dos titulares do conjunto beirão. Na época seguinte, depois dos viseenses terem assegurado a permanência com a vitória na Liguilha, o seu estatuto dentro da equipa manter-se-ia inalterado. A importância conquistada durante esses anos viria a ter repercussões no seu futuro, com o avançado a ser visto como um jogador de “status” primodivisionário.
A reputação ganha levá-lo-ia, nos anos seguintes, a ser sempre contratado por emblemas da 1ª divisão ou, então, por emblemas com a ambição de lá chegar. Assim seria com o Marítimo em 1982/83, com o Recreio de Águeda na campanha seguinte, com o Varzim e com a AD Fafe. Com todos os referidos clubes, Flávio marcaria presença na 1ª divisão. Em todas essas ocasiões, salvo uma ou outra pequena excepção, o avançado conseguiria sempre tornar-se num dos elementos mais preponderantes no desempenho desses colectivos.
Após, dois anos antes, ter largado o futebol de “11” para passar a dedicar-se ao futsal, é em 1995 que o avançado deixaria a actividade desportiva. No entanto, e sem conseguir afastar-se da modalidade que havia preenchido o quotidiano de praticamente toda a sua vida, Flávio passa a empenhar-se noutras actividades dentro futebol. Tendo abraçado as tarefas de técnico principal ao serviço do Valecambrense, tem sido nos escalões secundários que o antigo futebolista tem erguido a sua carreira como treinador. Nessas funções, destaque para o seu regresso ao Oliveira do Bairro e a passagem pelo Estádio da Luz. Nessa 4ª eliminatória da Taça de Portugal, os seus pupilos defrontariam o Benfica. A viagem até Lisboa ficaria envolvida num ambiente de festa, mas os oliveirenses acabariam derrotados por 5-0.

917 - LITO

Terminada a formação no Vitória de Setúbal, seria também no emblema da margem norte do Sado que, na temporada de 1974/75, Lito faria a primeira aparição no patamar sénior. Mesmo com a época de estreia a merecer uma avaliação discreta, as campanhas seguintes revelariam um atleta já preparado para desafios maiores. Veloz e com uma técnica apurada, o extremo-direito começaria a impor-se na equipa principal do Bonfim logo ao segundo ano como profissional. Todavia, tudo aquilo que o jogador começava a conquistar não era, na verdade, uma grande surpresa. Por essa altura, o atacante já era visto como uma das grandes promessas do futebol nacional e, se mais provas fossem necessárias, as chamadas às jovens selecções portuguesas eram a prova da sua qualidade.
Três anos passados sobre a estreia, a mudança do Vitória de Setúbal para o Sporting de Braga em nada diminuiria o valor das suas exibições. Aliás, a sua chegada ao Minho na temporada de 1977/78, serviria para sublinhar o avançado como um dos jogadores mais apetecíveis no mercado nacional. Com duas temporadas em que o colectivo bracarense andaria na luta pelos lugares cimeiros do Campeonato, também o valor de Lito acabaria por crescer de forma exponencial.
Tornando-se num dos pilares das referidas campanhas, seria com naturalidade que surgiria o interesse de emblemas de outra monta. Tomando a dianteira, o Sporting chegaria a um acordo com o atleta e a transferência consumar-se-ia no decorrer da temporada de 1979/80. Com a estreia a acontecer apenas em Janeiro de 1980, resultado de uma curta passagem do atacante pelos brasileiros do Vasco da gama, esse jogo da Taça de Portugal acabaria por ser uma das poucas oportunidades que o ala-direito conseguiria durante a primeira campanha de “verde e branco”. A falta de chances, justificada pela presença de atletas como Manuel Fernandes, Manoel, Jordão e, mais tarde, de António Oliveira, faria com que Lito não conseguisse assumir um papel tão relevante quanto seria esperado. Ainda assim, as épocas seguintes elevá-lo-iam à condição de suplente bastante utilizado e, desse modo, muito importante nos triunfos alcançados.
A vitória no Campeonato de 1979/89 e a “dobradinha” de 1981/82 acabariam por preceder aqueles que seriam os melhores anos da sua carreira. Com o avançar da época de 1982/83, principalmente após António Oliveira assumir as funções de treinador-jogador, Lito conseguiria granjear da importância que há muito merecia. Sendo o atleta mais utilizado durante essa campanha, o prémio maior viria com o fim da referida temporada. A 8 de Junho de 1983, convocado pelo mítico Otto Glória, o extremo faz a estreia pela “Equipa das Quinas”. A esse jogo frente ao Brasil, seguir-se-ia a chamada para outro embate da selecção. Infelizmente para o atleta, a partida disputada na Polónia, a contar para o apuramento do Euro 84, não teria seguimento. Ainda assim, no cômputo de todos os escalões, o atacante conseguiria mais de uma dezena e meia de internacionalizações.
Após mais uma temporada ao mais alto nível, a contratação do galês John Toshack para técnico dos “Leões” iria alterar o estatuto do atleta. Com o técnico a dar preferência a outros jogadores, Lito ver-se-ia remetido, mais uma vez, para a condição de suplente. Essa situação faria com o atacante preferisse dar outro rumo à sua carreira. O regresso ao Sporting de Braga acabaria por ser a solução encontrada para a pouca utilização em Alvalade. Curiosamente, o desfecho de tal transferência quase ninguém o imaginaria. Pouco mais de um ano após a chegada ao antigo Estádio 1º de Maio, o extremo, ainda com muito a dar à modalidade, decidiria ser a altura certa para deixar o futebol.

633 - VALDEMAR

Tendo feito a primeira parte da sua carreira no Fafe, aliás, onde terminaria a formação como jogador, Valdemar haveria de fazer a sua estreia na 1ª divisão, ao serviço do Varzim.
Ora, depois de, na época de 1975/76, ter subido ao plantel sénior da colectividade minhota, as 5 temporadas que se seguiriam, acabariam por consolidar Valdemar como futebolista. Apesar de construído na 2ª divisão, o percurso feito pelo avançado não o deixaria na sombra de outros jogadores. Tanto assim é que, do escalão máximo em Portugal, começa a despertar alguma cobiça.
Quem, no defeso de 1980, acaba por dar aval à sua contratação, seria o antigo internacional português e capitão do Sporting, José Carlos. Sem ser, logo de início, uma das escolhas incontornáveis no “onze” varzinista, a evolução que ia apresentando agoirava bons momentos.
Sendo a velocidade a sua principal arma dentro de campo, o atacante, na segunda temporada com os da Póvoa, começa a ganhar preponderância no seio do plantel. A despromoção do Varzim no final da temporada de 1980/81, e a saída de alguns dos seus companheiros do sector ofensivo, abrir-lhe-iam, em boa hora, as portas da titularidade. Apesar de, em termos de números, essa época passada na 2ª divisão ter sido uma das mais prolíferas da sua carreira, um dos maiores destaques da sua vida como profissional chegaria com o regresso ao convívio dos “grandes”. Tendo como treinador José Torres, à 7ª jornada do Campeonato, os “Lobos do Mar” preparavam-se para receber no seu estádio o campeão em título. Mais do que favorito, o Sporting apresentar-se-ia em campo com uma equipa recheada de estrelas. Contudo, no meio de Jordão, Manuel Fernandes ou António Oliveira, o nome que, naquela tarde de Outubro, mais brilharia seria o de Valdemar. Com dois golos da sua autoria, contra um de Lito, o atacante acabaria por ser o principal responsável por uma das mais memoráveis vitórias na história do Varzim. A prova é que, ainda hoje, é recordado por essa brilhante exibição.
Depois de 5 temporadas ao serviço do Varzim e mais uma com as cores do Paredes, Valdemar decide-se por encerrar a seu trajecto como futebolista. Todavia, e tendo sido um aluno exemplar, o antigo avançado sabia que a vida não se esgotaria com a sua saída dos relvados. Licenciado em Biologia, Valdemar é, nos tempos que correm, um estimado professor do Ensino Secundário.

525 - PAQUITO

Para o enquadrarmos nesta temática familiar, há que referir que o verdadeiro nome de Paquito, já que esta é a sua alcunha, é Francisco Saura. Depois de esclarecido este pormenor, não poderei esquecer que, tal como os outros elementos da sua família, a sua carreira desportiva tem uma forte ligação ao Rio Ave.
Ora, seria no emblema vilacondense que o extremo começaria a sua formação. Terminada a mesma, e, já por esta altura, com um percurso nas selecções jovens portugueses, Paquito é chamado à categoria principal. Estreia-se em 1979/80 e por aí continuaria por mais 3 temporadas. Essa última, que, por sinal, até marcava o regresso da equipa ao escalão principal do futebol português, acaba por mostrar um Rio Ave bem diferente do habitual. Reforçados, os de Vila do Conde acabam por fazer uma campanha extraordinária, terminando o ano no topo da tabela classificativa.
Um dos responsáveis por tamanha campanha, acabaria por ser Paquito. Rápido, com uma técnica acima da média, fazia da ala direita do campo um ponto municiador do ataque. Seria desta posição que, com sua qualidade de passe, acabaria por ser tornar num dos atletas do Campeonato Nacional com melhor capacidade de assistência. Esta sua característica, acabaria por levar o Vitória de Guimarães a apostar na sua contratação. Malas feitas para o Minho e Paquito, depois do normal período de adaptação, e tal como o tinha conseguido no seu anterior clube, torna-se num dos elementos fundamentais dentro do seu plantel. A confusão que lançava nas defesas contrárias, juntamente com uma capacidade de luta sensacional, torná-lo-iam num dos favoritos da massa associativa vitoriana.
Quem não deixaria de reparar nesta sua ascensão, seriam os responsáveis técnicos do FC Porto, há altura liderados por Artur Jorge. As suas qualidades faziam dele uma boa aposta, no entanto, para os lados das Antas estavam a criar-se os alicerces daquela que viria a ser uma futura equipa campeã europeia. Este contexto fazia com que, naturalmente, a concorrência dentro do plantel fosse enorme. Ora, na disputa por um lugar no onze "Azul e Branco", Paquito acabaria por perder algum espaço. Jogaria pouco e, apesar do Campeonato conquistado, no final dessa época de 1985/86, o atleta deixa os "Dragões".
O encerrar deste capítulo na "Cidade Invicta", leva o jogador a uma nova fase na sua vida profissional. Sem nunca abandonar a 1ª Divisão, começa a cirandar por diversos clubes, com uma frequência maior do que a habitual. Já depois de envergar as cores do Marítimo, Varzim e Beira-Mar, numa altura final da sua carreira, Paquito faz ainda algumas temporadas nos patamares inferiores do nosso futebol. Joga no Torrense e no Vizela acaba por "pendurar as chuteiras".
Tal como qualquer outro apaixonado pela modalidade, a sua vida não poderia afastar-se muito dos relvados. Tal razão faz com que apresente um consistente trajecto como técnico. Nessas funções, tem-se destacado na sua passagem pelas “escolas” do Rio Ave, onde, com a mesma entrega que teve como jogador, é reconhecido pela sua consistência - "É um trabalho interessante porque eu vejo partir, vejo ir para o escalão seguinte, vejo os miúdos crescerem, vejo-os andarem, começam a aprender a estar no campo, começam a despertar para o futebol e eu vejo essa caminhada com grande entusiasmo. Sinto-me bem, dou aquilo que sei e que aprendi”.

256 - BÓBÓ

Quando ouvimos falar nas equipas do Boavista que, durante os anos de 1990, pisaram os relvados nacionais, há sempre presente uma faceta de luta impossível delas dissociar. Um dos primeiros responsáveis, que recordo, por sublinhar bem essa faceta batalhadora da equipa portuense, foi Bóbó.
É inegável que o “trinco“ era um jogador duro, daqueles que raras eram as ocasiões em que terminava uma partida sem o correspondente cartão amarelo. Porém, longe da agressividade intempestiva e por vezes com laivos de loucura de alguns, Bóbó, acima de tudo, caracterizou-se por ser um atleta incansável. Por razão da sua bravura, foi considerado um dos esteios, um verdadeiro pilar no meio-campo defensivo e que permitiu aos "Axadrezados" vogar, durante anos a fio, nos lugares de topo do Campeonato Nacional. Nesse sentido, o médio também ajudou a garantir muitas presenças nas competições europeias, foi figura essencial nessas mesmas campanhas continentais e, como titular, fez parte do grupo que venceu a Taça de Portugal em 1992.
Aliás, foi na última prova referida que o "trinco" encetou, para a sua carreira, a conquista de grandes títulos. Representava na altura o Estrela da Amadora de 1989/90, clube que acabou por ser um novo impulso numa caminhada muito prometedora e que, em certa medida, chegou a andar adormecida. Talvez muitos não saibam, mas o centrocampista começou por ser uma das apostas do FC Porto. Ao subir à equipa principal dos “Dragões” com apenas 18 anos, o guineense, com um empréstimo pelo meio ao Recreio de Águeda, pouco jogou de “azul e branco”. Seguiram-se outros emblemas primodivisionários, onde as suas prestações até tiveram sucesso. Tanto no Varzim, como no Vitória Sport Clube e no Marítimo, as suas qualidades sobressaíram. Ainda assim, acabou por ser com o equipamento “tricolor” do emblema sediado na Linha de Sintra e já no Bessa, que Bóbó sublinhou a carreira como a de um dos futebolistas de maior destaque na última década do século XX, a jogar em Portugal.
Terminada a carreira nos relvados, Bóbó continuou ligado ao futebol, tanto pela criação de uma escola na Guiné-Bissau, como a trabalhar na prospecção de novos craques. Aliás, foi essa nova função que o levou a assinar contrato como "olheiro", pelos londrinos do Chelsea.

185 - RUI ÁGUAS

Não deve ser nada fácil para um jovem que procura singrar no mundo do futebol, carregar aos ombros o apelido Águas. As comparações com o pai, José Águas, tornaram-se inevitáveis – “(...) era olhado como mais um e como o filho de uma grande estrela”* – e a pressão causada por essa associação, logo nos primeiros passos, acabaram por fazê-lo tropeçar.
Depois de não singrar nas camadas jovens benfiquistas e de igual destino nas “escolas” do Sporting, Rui Águas chegou mesmo a abandonar a modalidade para passar a dedicar-se ao voleibol. Em boa hora emergiu o seu arrependimento, mas as portas dos “grandes” estavam fechadas e o regresso acabou por acontecer no modesto Grupo Desportivo de Sesimbra. Como um atleta de indubitável qualidade, depressa foi subindo degraus e, após uma passagem por Alcântara, no Atlético, finalmente, com as cores do Portimonense, fez a sua estreia na divisão maior do Campeonato Nacional.
No Algarve começou a sublinhar as qualidades que fizeram dele uma das maiores estrelas do futebol português. Inteligente, capaz de, como ninguém, entender toda a dinâmica do desporto que praticava, percebeu, talvez pelas desilusões que viveu no início da carreira, que o esforço e a dedicação eram essenciais para o sucesso. O resto ficou por conta, tal como o pai, de um poder de impulsão generoso e um jogo de cabeça positivamente invulgar.
Com os golos a surgirem naturalmente, a estreia na selecção principal aconteceu ainda durante a sua estadia a Sul. Ainda nesse mesmo ano de 1985, caiu sobre ele o interesse de outros emblemas. Depois dos primeiros contactos feitos pelo FC Porto, o ponta-de-lança, rendido à “mística” que nele nunca esmoreceu, decidiu retornar à "Luz". O primeiro ano de “Águia” ao peito, tapado pelo “gigante” Manniche, não começou de feição. Contudo, o espaço e as oportunidades que foi ganhando no seio do plantel, para além de 11 golos, permitiram-lhe frente ao Desportivo de Chaves, o seu primeiro “hat-trick”.
A importância no seio do conjunto “encarnado”, de jornada em jornada, cresceu. Em 1986/87 tornou-se num dos principais pilares da vitória do clube no Campeonato e, na temporada seguinte, com 2 golos na 2ª mão das meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus, ajudou a vencer o Steaua Bucareste e abriu as portas da derradeira peleja da prova. No entanto, e apesar de realizado desportivamente, Rui Águas começou a sentir-se injustiçado – “(...) nós no Benfica ganhávamos muito mal, mesmo em termos nacionais, muito mal mesmo”*. As negociações para a renovação do seu contrato, longe de conseguirem consenso no que diz respeito aos valores, ficaram ainda mais afectadas por uma proposta do FC Porto a oferecer “11 vezes mais do que aquilo que ganhava no Benfica”*. Rumou às “Antas”. Porém, a verdade é que a vida na “Invicta” não trouxe ao atleta o conforto desejado. Por um lado, uma certa hostilidade inicial, por parte de alguns colegas de balneário, não ajudou à adaptação. Por outro, constatou nele um enorme arrependimento que, aliado à tristeza de ver o seu pai desiludido, acabaram por, ao cabo de dois anos, fazê-lo regressar – “(...) sentia a mágoa do clube, do meu pai, enfim, houve um conjunto de coisas que me estimularam a voltar”*.
De novo com a camisola do Benfica, a conquista do título de Melhor Marcador do Campeonato Nacional de 1990/91, sublinhou Rui Águas no caminho do sucesso. Mas na época seguinte, na disputa da Taça dos Clubes Campeões Europeus, o avançado viveu uma das piores experiências da vida como futebolista. Em Kiev, na partida contra o Dínamo, o atacante começou, num lance infeliz à meia hora de jogo, por fazer a “assistência” para o golo de Salenko e que ditaria a derrota das “Águias”. Como se não bastasse o castigo de ver a equipa a perder, no final da segunda parte, num momento arrepiante, o ponta-de-lança partiu o pé.
 A referida lesão, no que restou do seu caminho, retirou-lhe parte do fulgor. Já o fim da carreira, reservado para 1995, só aconteceu depois de ajudar o Benfica a vencer o Campeonato Nacional de 1993/94, de passar alguns meses no Estrela da Amadora e após dar uma “perninha” no Serie A italiana, ao serviço da Reggiana.

*retirado de entrevista conduzida por Mary Caiado, publicada em http://www.ionline.pt, a 02/04/2011

104 - CLÁUDIO ADÃO

Apesar de ter sido, até há bem pouco tempo, um verdadeiro mistério para mim, este avançado brasileiro, cuja estadia em Portugal pode ser, simpaticamente, adjectivada como efémera, no Brasil, pelo qual chegou a internacional, foi considerado um grande jogador.
Cláudio Adão, na sua carreira de mais de 20 anos, passou por 21 emblemas e 5 países diferentes. Apelidado de "Cigano", tal a frequência com que mudou de clube, teve na passagem pelo Benfica, um dos episódios mais fugazes da sua vida como futebolista. Na "Luz", comandado por Sven-Goran Eriksson, o avançado chegou apenas à partida de apresentação da temporada de 1983/84. Tirando o referido encontro, um empate a 2 bolas com o Coventry, não há registo algum, oficial ou não, de outra participação sua com as cores das "Águias".
O atleta, nos dias a seguir ao “amigável”, acabou por deixar Lisboa. Segundo o que foi veiculado por essa altura, o internacional “canarinho”, que nunca teve um contrato assinado, desentendeu-se com a direcção do clube “encarnado” e decidiu regressar ao seu país. Ora, não fossem alguns cromos e afins imagens, bem que poderíamos considerá-lo quase como uma miragem! E a verdade é que, sem ter marcado presença em jogos das nossas provas nacionais, praticamente foi!

91 - TÓ ZÉ

Com passagem pela formação do Sport Lisboa e Olivais, o jovem futebolista tem a sua estreia como sénior já no Atlético. Após a descida do clube e de 2 temporadas na 2ª divisão, o aguerrido defesa-central decide aceitar o convite do seu antigo treinador no emblema de Alcântara. Sob a alçada do técnico Carlos Silva, e para abraçar um projecto de subida, vai para o Algarve no Verão de 1979 e assina um contrato com o Farense. Contudo, o plano do emblema “algarvio” acaba por sair gorado e a promoção não acontece. Ainda assim, as suas boas prestações chamam a atenção de um dos históricos do futebol português. Tó Zé regressa a Lisboa e, dessa feita, para vestir a camisola azul do Belenenses.
O primeiro ano com o emblema da "Cruz de Cristo", com Tó Zé a participar em pouco mais de metade dos jogos, não corre como o desejado. Já a época seguinte, no plano estritamente pessoal, revela-se bem mais proveitosa. O defesa consegue ser um dos atletas com mais presenças no “onze” titular. No entanto, o Campeonato de 1981/82 acaba por não correr de feição e o Belenenses, pela primeira vez na sua longa história, vê-se relegado à divisão secundária do nosso futebol.
O jogador "esquiva-se" à despromoção e ruma ao Norte, mais precisamente ao Rio Ave. Em Vila do Conde ainda começa por ser utilizado com alguma frequência, mas o regresso ao clube de Baltemar Brito e um joelho em condições débeis, impossibilitam-no de lutar por um lugar no eixo da defesa. Na segunda temporada não disputa qualquer jogo e, no final da mesma, acaba por sair. Na campanha seguinte ainda assina contrato pela Académica de Coimbra, mas as mazelas contraídas impedem-no de atingir boas prestações.
Terminada a carreira futebolística, troca a luta nos relvados pela defesa dos seus concidadãos. No Município onde reside, funda a Comissão de Utentes de Saúde do Concelho de Sintra. Nessa luta pelo povo, é também normal encontrar o seu nome, António Manuel Gonçalves Carrasco, nas listas da CDU para as Eleições Autárquicas. Assim, e com a mesma bravura que entrava em campo, Tó Zé está sempre pronto a "morder as canelas" a quem atacar os mais desfavorecidos.

28 - JORGE JESUS

Do filho de Virgolino, antiga glória leonina, quem não tem saudades dos seus inflamados e eruditos discursos? Quem não tem saudade dos apaixonados arrufos com outros colegas de profissão, em que Manuel Machado é o preferido? Ou, quem não tem saudade do, não menos famoso, penteado à Richard Gere?
Mas factos são factos. Podemos até dizer que, apesar de muitos anos na 1ª divisão e de formado no Sporting, a sua carreira de jogador foi discreta. Já como treinador, o seu percurso tem vindo a mostra algo diferente. Depois de ter ganho ao serviço do Sporting de Braga a Taça Intertoto de 2008/09, chegou, com o Benfica, à vitória no Campeonato Nacional.
Meritoriamente, é-lhe reconhecido grande empenho profissional. O facto de ter ganho o campeonato com o clube rival ao do seu coração, pode até ser parca prova disso mesmo. Porém, para aqueles que tenham alguma réstia de dúvida, bastará ir assistir a um qualquer treino ou jogo e ver tudo o que exige dos seus jogadores.
Se o ano passado, na apresentação, jurou o título e cumpriu. Vamos a ver, nesta época de 2010/11, que voo tem para “Águia Vitória".