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1801 - LÚCIO

Nascido no Brasil, mas com filiação portuguesa, Lúcio Soares desde cedo mostraria fortes aptidões para a prática do futebol. Depois de uma fase inicial, ainda com estatuto de amador, durante a qual representaria agremiações como o Estrelinha do Reduto, o Minas Atlético Clube de Manhumirim ou Fluvasan de Manhuaçu, a mudança para o Rio de Janeiro levá-lo-ia a encetar um percurso profissional. Primeiramente ao serviço da Portuguesa da Ilha do Governador, onde ficaria até ao ingresso no América (RJ), seria no último emblema mencionado, onde chegaria a ser treinado por Dorival Yustrich, que o defesa-central, depois de uma digressão europeia, chamaria a atenção do Sporting.
Com a mudança para Alvalade a ocorrer na temporada de 1959/60, Lúcio, ainda sob a batuta de Fernando Vaz, conseguiria logo fixar-se no “onze” dos “Leões”. A preponderância demonstrada nos desenhos tácticos da equipa, onde o forte pontapé e a exímia habilidade para a marcação de livres directos constituiriam motivo de grande destaque ao longo da sua carreira, levá-lo-iam a ser cogitado para a equipa nacional. Chamado por José Maria Antunes aos trabalhos da principal selecção portuguesa, o defesa-central estrear-se-ia com a “camisola das quinas”, a 27 de Abril de 1960. Com o arranque da caminhada internacional a dar-se num particular frente à Republica Federal da Alemanha, esse jogo, que teria como treinador de campo Otto Glória, serviria de arranque a uma caminhada que, com algum tempo de intervalo, teria continuidade cerca de um ano e meio depois. Tal reatamento empurrá-lo-ia para mais disputas com as cores lusas e o jogador embelezaria o currículo com um total de 5 partidas feitas ao serviço de Portugal e, como revelado no encetar dessa aventura, com um enorme sentido de brio – “Nem me pergunte se isso me dá prazer. Estou feliz e honrado mas sei que não sou o único. Lá longe, numa casinha em Niterói [arredores do Rio de Janeiro], onde deixei parte do meu coração, um homem e uma mulher devem ter chorado de alegria e de orgulho quando souberam que o seu filho fora chamado para defender as cores de Portugal. Nasci no Brasil, sim, mas sou português de direito e de sangue. Sabe, é que eu não sou estrangeiro, não”*.
Não só do trajecto internacional, no qual viria a tornar-se, a par de David Júlio, num dos primeiros naturalizados a representar Portugal, viveria a caminhada competitiva de Lúcio. Também no Sporting, o atleta saberia constituir-se como uma figura de referência no panorama desportivo da colectividade “alfacinha”. Curiosamente, após uma época de arranque bem auspiciosa, o defesa-central, numa segunda campanha, orientado pelo argentino Alfredo González, viria a perder a visibilidade alcançada de início. A importância desportiva viria a recuperá-la não muito tempo depois. Já restituído à titularidade, Lúcio transformar-se-ia num dos pilares de várias conquistas. O Campeonato Nacional de 1961/62 emergiria como o primeiro desses triunfos colectivos. Também a Taça de Portugal viria a enriquecer o seu palmarés. Na final de 1962/63, época em que mais vezes seria chamado a campo pelo Sporting, o jogador seria um dos escolhidos, por Juca, para defrontar o Vitória Sport Clube e, no Estádio Nacional do Jamor, um golo seu ajudaria à vitória por 4-0.
Outro importante triunfo alcançado enquanto membro do Sporting, seria a Taça dos Vencedores das Taças de 1963/64. Curiosamente, seria este importante marco que, tempos depois, levaria ao fim da ligação do jogador com os “Verde e Brancos”. A história conta-se depressa e no rescaldo da 1ª mão dos quartos-de-final da prova, derrota forasteira, por 4-1, frente ao Manchester United, o jogador, resultado de uma fraca exibição, acabaria acusado, pelos colegas de equipa, de uma enorme falta de compromisso. Após o tamanho desentendimento, o defesa-central ver-se-ia afastado da titularidade, substituído por Alexandre Baptista nas tarefas do sector mais recuado e com o termo da aludida temporada a trazer-lhe o fim da experiência enquanto atleta dos “Leões”.
Regressado ao Brasil, Lúcio ainda daria muito ao futebol. Contratado em 1964 pelo Flamengo da Varginha, o defesa-central, em 1967 regressaria, por pouco tempo, à Portuguesa do Rio de Janeiro. Por fim, voltaria ao emblema referido no começo deste parágrafo e após também exercer as funções de treinador-jogador, o final da sua carreira surgiria com o termo das provas agendadas para a campanha de 1971.

*retirado do artigo de Rui Miguel Tovar, publicado a 19/04/2021, em https://www.contacto.lu/

1733 - COUCEIRO

Apesar de natural de Tentúgal, Bento Silva Soares Couceiro haveria de ter no Sporting o termo do percurso formativo. Também no que diz respeito ao encetar da caminhada sénior, seria no emblema lisboeta que o jogador, inicialmente avançado para mais tarde passar a posicionar-se como defesa, daria os primeiros passos. Porém, nessa temporada de 1951/52, o jovem atleta apenas conseguiria um lugar no conjunto de “reservas”. A época seguinte, com o intuito de ganhar mais estaleca competitiva, passá-la-ia, na disputa da 2ª divisão, ao serviço do Luso do Barreiro. De regresso ao plantel dos “Leões”, a verdade é que a sorte alcançada na campanha de 1953/54 não seria diferente da obtida na experiência anterior e sem lugar na equipa principal, os empréstimos seguintes cumpri-los-ia na Serra da Estrela.
A chegada ao Sporting da Covilhã em 1954/55 daria a oportunidade a Couceiro de fazer a estreia no escalão máximo do futebol português. Treinado por János Szabó, depressa o defesa conseguiria assegurar um lugar na canhota do sector mais recuado. A preponderância conquistada com a titularidade, faria do jogador um dos pilares daquela que viria a ser a melhor posição de sempre dos “Serranos”. Com a agremiação beirã a terminar o Campeonato Nacional de 1955/56 no 5º posto da tabela classificativa, a importância desse feito, lado-a-lado com as suas excelentes prestações, assegurar-lhe-iam o regresso a Lisboa. No entanto, a temporada de 1956/57 resultaria em números bem aquém do esperado e o atleta poucas vezes apareceria em campo pelos “Verde e Brancos”.
Já a título definitivo, Couceiro voltaria à “Capital dos Lanifícios” para, na temporada de 1957/58, passar a integrar o plantel dos “Leões da Serra”. De novo a jogar em casa no Estádio José dos Santos Pinto, o defesa apanharia o clube afastado do convívio com os “grandes”. Ainda assim, a disputa do escalão secundário seria de pouca dura para a colectividade. Campeões da 2ª divisão, a campanha de 1958/59 marcaria o regresso dos homens da Beira Baixa à prova de maior monta no calendário luso de futebol. A mencionada subida de patamar permitiria ao jogador, ao consagrar-se como uma das grandes figuras do “onze” idealizado pelos diferentes treinadores, somar ao currículo outras 4 épocas primodivisionárias. Tal registo permitir-lhe-ia sublinhar o seu nome – ainda hoje o registo é válido – como um dos atletas com mais presenças no degrau máximo, pelo Sporting da Covilhã. Ainda assim, esse não seria o maior reconhecimento dado ao atleta. Nesse sentido, a braçadeira de capitão, entregue à sua responsabilidade, tornar-se-ia num dos maiores prémios concedidos à sua carreira. Por fim, sinal também do seu valor, falta referir a chamada, ao lado de José Rita e de Fernando Cabrita, aos treinos da selecção nacional, pela qual, infelizmente, nunca chegaria a entrar em campo.
Após mais um par de épocas a representar o Sporting da Covilhã, anos cumpridos novamente na 2ª divisão, Couceiro deixaria os “Leões da Serra” para, em 1964/65, como atleta e também como treinador, passar a envergar as divisas do Gouveia. Por fim, segundo algumas fontes, informação que não consegui confirmar, Couceiro, como técnico, ainda teria experiências à frente de colectividades como a AD Fornos de Algodres, Mangualde, Académico de Viseu e AD Guarda.

1678 - IAÚCA

Beira-Mar, Desportivo de Benguela e Sporting de Catumbela seriam os clubes que, na Angola dos primeiros anos da sua caminhada competitiva, lançariam para o estrelato o avançado António Fernandes, popularizado pelo apelido Iaúca – “Herdei a alcunha do meu avô e gosto muito dela. Mas não se escreve Yaúca, escreve-se Iaúca, com I, tal como ele escrevia”*.
Como um atleta veloz, com um bom drible e com um enorme sentido goleador, a fama de Iaúca depressa começaria a despertar os interesses dos maiores emblemas da metrópole. Nessa corrida pelos seus préstimos, à frente apareceria o Sporting. Depois, com uma proposta mais tentadora, viriam as “Águias” e finalmente surgiria o emblema que conseguiria convencer o atleta a deixar a família – “Se não fosse a rápida interferência do capitão Soares da Cunha eu tinha ingressado no Benfica. Felizmente acabei por ir para o Belenenses. E digo felizmente, porque sinto orgulho no meu clube e encontrei nele uma camaradagem e um espírito de solidariedade que me impressionou profundamente”**.
Curiosamente, não consegui descortinar, de forma segura, a época da chegada do avançado à agremiação “alfacinha”. Há fontes a garantirem-nos a entrada de Iaúca na temporada de 1957/58. Por outro lado, não parece haver qualquer tipo de dúvida quanto à participação do jogador, pelos “Azuis”, nas provas agendadas para 1958/59. Aquilo que aparenta ser igualmente certo é dizer-se do enorme impacto que a sua contracção haveria de ter nos esquemas tácticos do Belenenses. Nesse sentido, num plantel a contar, só para o sector ofensivo, com Matateu, Dimas, Martinho ou Tonho, o avançado, que podia exibir-se no centro ou nas pontas do ataque, depressa convenceria Fernando Vaz da mais-valia da sua titularidade.
Como um dos membros mais importantes do “onze” do Belenenses, a projecção de Iaúca levá-lo-ia, com naturalidade, a ser chamado às pelejas da selecção nacional. O avançado que, durante a caminhada competitiva, também envergaria as divisas dos “esperanças” e do conjunto “B”, teria a estreia com a principal “camisola das quinas” a 11 de Novembro de 1959. Após essa partida frente a França, chamado ao desafio gaulês por José Maria Antunes, o atacante continuaria nos planos de Portugal. Apesar de apenas ter voltado a representar o agregado luso sensivelmente 1 ano e 4 meses depois, o atleta, na segunda aparição, brindaria o Luxemburgo com um “hat-trick”. Daí em diante e com maior regularidade, o avançado somaria mais jogos e conseguiria, para o currículo, um total de 10 internacionalizações “A”.
A preponderância nos desempenhos colectivos do Belenenses levá-lo-ia a viver momentos de enorme importância para o clube. O primeiro desses feitos viria com a edição de 1959/60 da Taça de Portugal, na qual, chamado por Otto Glória, marcaria presença na final disputada no Jamor e ajudaria, frente ao Sporting, à vitória dos “Azuis”. Mais à frente, emergiria o arranque dos homens do Restelo nas competições de índole continental. Nessa estreia, alcançada no âmbito da Taça das Cidades com Feira de 1961/62, Iaúca entraria em campo em ambas as mãos frente ao Hibernian. Já na época seguinte, na disputa da mesma prova, o avançado participaria na ronda com o FC Barcelona e contribuiria para os dois inesquecíveis empates conseguidos frente aos “Culés”.
Com a cotação a subir acentuadamente, Iaúca, no reavivar de um “namoro” antigo, encetaria negociações com o Benfica, com vista à sua mudança para a Luz. Depois do pagamento de bem mais de 2000 contos, à altura o recorde português para uma transferência, o jogador chegaria às “Águias” para integrar o plantel de 1963/64. Nesse primeira época com os “Encarnados”, mesmo no seio de tantas estrelas, o jogador manter-se-ia como uma figura influente. Todavia, daí em diante, o avançado quase desapareceria das intenções tácticas dos diferentes treinadores e no final da temporada de 1967/68, com o palmarés recheado pelas conquistas de 4 Campeonatos Nacionais e de outra Taça de Portugal, o atacante daria um novo rumo à carreira.
À procura de outros desafios, Iaúca, acompanhado por Germano, Santana e Melo, seria apresentado, na campanha de 1968/69, como reforço do Salgueiros. No emblema da cidade do Porto ainda jogaria na época seguinte. Depois viria a passagem pela América do Norte, onde, nas épocas de 1969 e de 1970, ao lado de Matateu e de Uria, integraria os planteis do First Portuguese vencedores das referidas edições da Canadian National Soccer League. Finalmente, o regresso a Portugal, para representar o Famalicão de 1970/71.

*retirado do artigo de Afonso de Melo, publicado a 31/03/2021, em https://ionline.sapo.pt
**retirado da revista “Ídolos do Desporto – 2ª série, nº3”, publicada a 31 de Outubro de 1959

1632 - CARAÇA

António Joaquim Caraça começaria no futebol, na temporada de 1949/50, ao serviço dos juniores do Juventude de Évora. Com um brilhante trajecto no Campeonato Nacional da categoria, campanha a levar o emblema alentejano até às meias-finais, as prestações do jovem ponta-de-lança alimentariam a cobiça de outras agremiações. CUF, Lusitano de Évora, Vitória Futebol Clube e Benfica surgiriam como os principais interessados na sua contratação. Porém, seriam as “Águias” a convencer o avançado a mudar de camisola e o jogador, a partir da época de 1950/51, passaria a envergar as divisas dos “Encarnados”.
No Benfica, na campanha de estreia, Caraça passaria a dividir o tempo entre os juniores e as reservas. Já a temporada de 1951/52, num grupo inicialmente orientado por Ted Smith e depois por Cândido Tavares, corresponderia à época de arranque no seu trajecto enquanto futebolista sénior. No entanto, apesar da inegável qualidade, sublinhada pelo poderio físico, pela astúcia e pela mobilidade dentro da grande-área, o avançado-centro apenas viria a mostrar-se nas “reservas” e em jogos amigáveis. Tal ocaso, provocado essencialmente pela presença de José Águas, levá-lo-ia a mudar-se para o Minho e, acompanhado na viagem por José da Costa e Cesário, seria apresentado como reforço do plantel de 1952/53 do Vitória Sport Clube.
Na “Cidade Berço”, numa campanha que até começaria sob a intendência do magiar Sándor Peics, Caraça voltaria a trabalhar com Cândido Tavares. Ao integrar-se, com distinção, no esquema táctico da colectividade sediada em Guimarães, o ponta-de-lança rapidamente passaria a ser tida como uma das principais figuras do clube. Nessa temporada de entrada no Campo da Amorosa, o atleta, para além de totalista no Campeonato Nacional da 1ª divisão, viria igualmente a consagrar-se como o goleador máximo da equipa. Também a época seguinte seria de grande relevo e, mais uma vez, o jogador conseguiria ser o melhor marcador do Vitória Sport Clube.
Já aferido como um dos grandes atacantes a disputar as provas lusas, Caraça envolver-se-ia numa polémica transferência. Cobiçado pelo Lusitano de Évora, o avançado-centro, na pré-época de 1954/55, acabaria por não marcar presença no arranque dos trabalhos do Vitória Sport Clube. Sem qualquer autorização, por parte da agremiação minhota, para que negociasse uma possível mudança, seria através de um emprego oferecido na Câmara Municipal de Évora que o ponta-de-lança forçaria a desvinculação com os “Conquistadores”. Apesar dos protestos, o regresso à sua cidade natal dar-se-ia mesmo e seria de verde e branco que o jogador prosseguiria a caminhada no futebol.
Ao ingressar no Lusitano de Évora em 1954/55, Caraça voltaria a trabalhar com Cândido Tavares. Com a colectividade alentejana a viver os anos de ouro da sua história, o atacante, quase sempre como titular, manter-se-ia na disputa do escalão máximo e acabaria a participar em momentos de grande importância para o clube eborense. Nesse campo, destaque para o 5º lugar alcançado como o fim do Campeonato Nacional de 1956/57, melhor classificação de sempre para o listado verde e branco, ou as meias-finais atingidas na edição de 1958/59 da Taça de Portugal.
Para além dos capítulos já aludidos, a passagem de Caraça pelo Campo Estrela traria à caminhada competitiva do ponta-de-lança outros focos de interesse. Um deles seriam as 11 campanhas primodivisionárias vividas com o emblema alentejano. Ora, tamanha quantidade de temporadas resultariam num número igualmente elevado de partidas disputadas, pelos “Giraldos”, naquele que é o patamar maior do futebol luso. Nessa longa senda, que viria a terminar com o fecho das provas agendadas para 1964/65, o jogador disputaria 221 jornadas na 1ª divisão e tornar-se-ia no 5º atleta do Lusitano de Évora com mais desafios cumpridos no contexto da principal prova do futebol português.

1257 - HUMBERTO FERNANDES

Saído dos escalões formativos do Sport Lisboa e Benfica, Humberto Fernandes transitaria para o patamar sénior na temporada de 1957/58. Tido como um defesa seguro e dotado de uma técnica não tão usual para os futebolistas da sua posição, o atleta, inicialmente inserido na equipa de “reservas”, chegaria ao conjunto principal das “Águias”, lançado pelo treinador Otto Glória, na campanha de 1958/59.
Essa partida a contar para o Campeonato Nacional acabaria por não ter continuidade. Aliás, a sua carreira, aferida aos olhos de hoje, erguer-se-ia numa caminhada bem peculiar. Apesar de, como sénior, ter cumprido mais de uma década de “Águia” ao peito, a verdade é que Humberto Fernandes raramente sairia da sombra de outros colegas. Mesmo tendo em conta um total de partidas oficiais disputadas pelo Benfica pouco condizente com o já referido número de temporadas passadas na “Luz”, também não é menos certo dizer-se que tamanha dedicação traria ao palmarés do jogador um importantíssimo rol de títulos.
Com 6 Campeonatos Nacionais e 4 Taças de Portugal a embelezarem o seu currículo, a ajuda dada em ambas as mãos da eliminatória frente ao Áustria de Viena, dar-lhe-ia a honra de figurar na lista de vencedores da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1961/62. Todavia, para além das distinções relatadas no início deste parágrafo, o atleta participaria ainda em diversos momentos de monta. Mesmo não tendo conseguido auxiliar o clube na conquista de nenhuma das edições, Humberto Fernandes entraria em campo nas duas participações do Benfica na Taça Intercontinental. Já esses jogos frente ao Peñarol e ao Santos, não seriam as únicas finais disputadas pelo jogador. No contexto de desafios decisivos, mais uma vez assombrados os momentos pelas derrotas dos “Encarnados”, o defesa também seria chamado à ficha de jogo contra o Inter de Milão e o Manchester United, respectivamente nas participações do emblema português nas derradeiras partidas da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1962/63 e de 1967/68.
Sem nunca ter marcado um único golo em jogos oficiais pelas “Águias”, as 88 partidas feitas nesses preceitos, também seriam um parco número para quem tanto tempo dedicou ao mesmo clube. Ainda assim, é incontornável continuar a frisar que Humberto Fernandes teve a capacidade de, anos a fio, alimentar um lugar em diferentes grupos de trabalho que, ao disputarem as maiores provas a nível mundial, escreveram com letras de ouro as mais importantes páginas da história desportiva do futebol benfiquista.
Reconhecida sua entrega e tido como um grande exemplo para todos os colegas, o atleta acabaria por envergar no seu braço a faixa de “capitão”. Com tudo o que já foi dito, ainda assim, a sua ligação ao Benfica também haveria de conhecer o fim. Ao deixar os “Encarnados” com o terminar da temporada de 1969/70, Humberto ainda prolongaria a caminhada futebolística por mais uns anos. Para além da passagem pelo Estrela de Portalegre, onde voltaria a trabalhar ao lado de Mário Coluna, há registos que veiculam, sem que tenha conseguido confirmar fidedignamente as fontes, a sua posterior ligação ao Sport Lisboa e Cartaxo.