1317 - ANTÓNIO GARRIDO

Cresceria na Marinha Grande e desde muito cedo revelaria um grande entusiasmo pelo futebol. Ao juntar a sua paixão pela modalidade com a habilidade para a escrita, cedo passaria a ser colaborador do Mundo Desportivo. Curiosamente, uma das suas marcas enquanto jornalista, seriam as críticas à arbitragem, classe de quem chegou a dizer não gostar! De seguida virar-se-ia para o dirigismo e, nessas tarefas, acabaria a desempenhar funções no Marinhense.
Numa altura em que também já exercia a profissão de contabilista, deixaria o emblema referido no parágrafo anterior para abraçar as actividades da arbitragem. Com a estreia a acontecer em 1964 ainda como fiscal de linha, pouco tempo depois, numa partida entre “Os Nazarenos” e o Mirense, António Garrido encetaria o percurso como árbitro-principal. Durante essa caminhada de quase duas décadas, caracterizar-se-ia por ser um elemento com forte tendência para dialogar com os atletas e, tirando raras situações, por pouco utilizar os cartões disciplinares. Uma das excepções ocorreria com o benfiquista Artur que, como pedido de desculpas pelo comportamento que levaria à sua expulsão, acabaria a temporada a oferecer-lhe a faixa de campeão. Outra dessas escassas ocasiões passar-se-ia com um dos grandes astros do futebol mundial, Johan Cruyff. No entanto, um pouco à imagem do mencionado para defesa português, o jogador neerlandês teria a humildade de reconhecer a atitude menos própria e, no dia a seguir a ver o “vermelho”, dirigir-se-ia ao hotel onde o juiz estava hospedado para reconhecer o erro e oferecer a sua camisola.
Claro está que não foi só a faceta de mediador que levaria António Garrido a ser aferido como um dos melhores árbitros mundiais. Integrado nos quadros da FIFA a partir de 1973, tornando-se no primeiro português a ocupar tamanha posição, a prova do seu valor chegaria com a monta dos desafios em que participaria. Nos certames de maior destaque, para além da presença em 2 finais da Taça de Portugal, contaria com as chamadas à final da Taça do Clubes Campeões Europeus de 1979/80, aos Europeu de 1980 e aos Mundiais de 1978 e de 1982, onde chegou a ser apontado para arbitrar a derradeira partida do torneio disputado em Espanha – “Durante o campeonato, tudo indicava que seria o árbitro da final desde que o Brasil fosse à final (…).Acabei por me limitar a fazer o jogo do terceiro e quarto lugares. Estava em grande forma, era considerado um dos melhores, senão o melhor, árbitro mundial nessa altura. Acabei por ter azar e não ir à final”*.
Obviamente, numa carreira bem propensa a controvérsias, António Garrido acabaria envolvido em algumas polémicas. Com o dia em que incendiaram o seu carro após uma partida em Guimarães no rol dos episódios mais explosivos, também na lista de celeumas haveriam de estar as inúmeras acusações a apontá-lo como “favorito” do FC Porto. Para além de ter sido arrolado como testemunha no processo que ficaria conhecido como “Apito Dourado”, nada mais de concreto emergiria da suposta ligação entre o árbitro e o emblema nortenho. A única verdade patenteada, acabaria por ser o seu valor dentro de campo e a prová-lo, já depois de retirado, surgiriam os anos em que pela FIFA e pela UEFA trabalharia como observador e formador.

*retirado do artigo publicado em www.dn.pt, a 10/09/2014

1316 - CHRISTIAN ATSU

Descoberto nas camadas de formação da Feynoord Academy sediada no Gana, Christian Atsu chegaria a Portugal na temporada de 2009/10 e para integrar as “escolas” do FC Porto. Avaliado como uma forte promessa da modalidade, o extremo canhoto, ainda que introduzido aos trabalhos do conjunto principal, passaria 2 temporadas nos juniores dos “Azuis e Brancos”. Durante esse período, apesar de uma estampa pouco impressionante, o atacante, dono de uma velocidade estonteante, técnica apurada e até uma atitude a destapar uma ímpar valentia, rapidamente revelaria predicados suficientes para agoirar um bom futuro à sua carreira. No entanto, na altura de enfrentar os desafios seniores, o jogador, ao encarar a presença de atletas internacionais como Hulk, Silvestre Varela, Cristián Rodriguez ou Djalma acabaria por ser emprestado ao plantel de 2011/12 do Rio Ave.
No ano passado em Vila do Conde, a evolução demonstrada na sua campanha de estreia na 1ª divisão, levaria os responsáveis portistas a equacionar o regresso do avançado ao Estádio do Dragão. Depois da titularidade de “caravela” ao peito, o extremo não deixaria intimidar-se pela concorrência e rapidamente agarraria um lugar de destaque no plantel do FC Porto. Sob a alçada do treinador Vítor Pereira, Christian Atsu seria chamado à folha de jogo com franca regularidade. Nesse sentido, seria uma peça de enorme importância para estrutura táctica idealizada pelo referido técnico e um dos nomes que, na temporada de 2011/12, acabaria arrolado como vencedor da Supertaça e do Campeonato Nacional.
Tão boa aferição teria a campanha de Atsu ao serviço do FC Porto que o Chelsea acabaria por contratar o atleta. Todavia, apesar de ligado aos “Blues”, o jogador nunca chegaria a representar oficialmente o conjunto londrino. Nos anos seguintes, passaria por uma longa série de empréstimos, começando a aludida senda com as cores dos neerlandeses do Vitesse.
Curiosamente, seria após a campanha na Eredivisie que veria o seu nome na lista de convocados do Gana para o Mundial de 2014. Depois da estreia internacional numa partida pelejada, frente ao Lesoto, a 1 de Junho de 2012, o atacante, que já tinha vestido as cores do seu país na CAN 2013, mereceria a oportunidade para disputar a competição organizada no Brasil. Ainda no âmbito dos grandes certames de selecções, o avançado teria a ocasião para jogar outras 3 edições da Taça de Africa das Nações. O maior destaque emergiria com o desenrolar do torneio de 2015 onde, para além da presença na final, Atsu seria eleito o Melhor Jogador do evento realizado na Guiné-Equatorial.
No já referido trajecto de empréstimos, o jogador, em experiências de apenas 1 ano, envergaria ainda as cores do Everton, Bournemouth, Málaga e, de volta ao Reino Unido, ajudaria o Newcastle a vencer o Championship de 2016/17 e a regressar à Premier League. Nos “Magpies”, depois de contratado a título definitivo, o atleta passaria os melhores anos da carreira. Ao serviço do emblema sediado no nordeste inglês, quase sempre como um dos elementos mais utilizados do plantel, disputaria outras 4 temporadas. Finda a época de 2020/21, campanha com desempenhos modestos, o término da ligação ao “listado alvinegro” levá-lo-ia ao Médio Oriente e os sauditas do Al-Raed serviriam de interlúdio para o seu regresso à Europa. Apresentado como reforço de 2022/23 do Hatayspor, o mês de Fevereiro da mencionada campanha tornar-se-ia trágico para o internacional ganês. Por entre os milhares de assolados pela calamidade, Atsu tornar-se-ia numa das vítimas mortais dos terremotos que devastaram grandes áreas da Turquia e da Síria.

1315 - JOÃO MENDONÇA

Baptizado com o mesmo nome do pai, não seria só na identidade que João Mendonça seguiria as passadas paternas. Nesse sentido, também o futebol prenderia a sua atenção. No Sporting de Luanda, emblema fundado pelo progenitor, daria os primeiros passos na modalidade, para, ainda em idade de “formação” e a abrir caminho para os irmãos Fernando e Jorge, transitar para os “Leões” da metrópole. Já em Lisboa, findo o percurso nos “juniores”, ainda chegaria a representar, na temporada de 1949/50, as “reservas” dos “Verde e Brancos”. No entanto, num plantel com 4 dos “Cinco Violinos” no activo e com Mário Wilson nomeado como o substituto de Peyroteo, a falta de oportunidades levá-lo-ia a tentar a sorte no Alentejo.
Sempre a disputar a 2ª divisão, João Mendonça manter-se-ia até o final da campanha de 1952/53 com a camisola do Juventude de Évora. Seguir-se-ia, resultado de uma evolução francamente afirmativa, a transferência para o Vitória Futebol Clube. Sob a batuta do húngaro János Biri, dar-se-ia a estreia do avançado no escalão máximo português. Para além desse facto, nessa temporada de 1953/54, a colectividade setubalense conseguiria na Taça de Portugal trilhar uma excelente participação. Com os “Sadinos” a atingirem o derradeiro desafio da prova, o atacante seria chamado ao “onze” a entrar no Estádio Nacional. Porém, com os 2 golos do irmão Fernando a ajudar ao triunfo do Sporting por 3-2, a sua presença na final não terminaria com a conquista do almejado troféu.
Apesar de uma época positiva, João Mendonça, um ano após a entrada no Vitória acabaria por rumar ao Torreense. No emblema do Oeste a partir da temporada de 1954/55, o avançado transformar-se-ia num elemento de fulcral importância na subida da agremiação ao escalão máximo. O regresso à divisão de maior monta na campanha de 1955/56, traria à carreira do jogador a curiosidade de, pela primeira vez como sénior, partilhar o balneário com um dos seus irmãos. No término dessa época, ao lado de Fernando Mendonça e de outros colegas como os argentinos Juan Forneri ou Américo Belen, o atleta ajudaria o conjunto orientado Oscar Tellechea a chegar à final da Taça de Portugal. Infelizmente, tal como da primeira passagem pelo Jamor, o atacante veria o adversário, nesse caso o FC Porto, a superiorizar-se à sua equipa e a vencer a “Prova Rainha”.
A mudança para o Sporting de Braga na campanha de 1956/57, juntaria aos irmãos referidos no parágrafo anterior a companhia de um mais novo, o também avançado Jorge. O realce conseguido pela tríade Mendonça começaria na época de chegada ao Minho, com a promoção dos “Guerreiros” às lides primodivisionárias. Ao destacarem-se ainda mais na 1ª divisão, os três jogadores, findas as provas lusas de 1957/58, mas com as competições espanholas ainda a decorrer, veriam o Deportivo La Coruña a aliciá-los. Porém, as questões burocráticas relacionadas com o limite de estrangeiros, fariam com que João Mendonça acabasse preterido na contratação. De regresso a Portugal, o atacante voltaria a rubricar um contrato com o Vitória Futebol Clube. Em Setúbal manter-se-ia nas 2 campanhas seguintes, para, em 1960/61, passar a envergar as cores do Gil Vicente.

1314 - LEMOS

Descoberto no Ferroviário de Luanda pelo FC Porto, Lemos terminaria a formação já como atleta dos “Dragões”. Porém, apesar de ver reconhecidas as suas características como auspiciosas, o jovem atleta, na altura de arribar caminho no patamar sénior, seria emprestado ao Boavista. A entrada no plantel de 1968/69 da colectividade “axadrezada”, ainda que a disputar a 2ª divisão, resultaria numa parceria muito positiva para o jogador. A dar razão a uma louvada capacidade finalizadora, os golos de Lemos seriam de extrema importância no cumprimento dos objectivos atribuídos ao colectivo. Nesse sentido, o avançado acabaria como uma das principais figuras do regresso das “Panteras” ao degrau maior do futebol luso e, já na sequência da subida, a temporada de 1969/70, sem deixar o Bessa, tornar-se-ia na sua época de estreia no escalão máximo.
O regresso ao FC Porto aconteceria na campanha de 1970/71. Com a tarimba ganha no par de anos passados ao serviço do Boavista, o avançado rapidamente ganharia um lugar de relevo no grupo de trabalho às ordens de António Teixeira. Aliás, essa temporada, para além dos destaques vividos de “azul e branco”, Lemos mereceria a atenção dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Chamado às pelejas dos “esperanças”, a estreia com a “camisola das quinas” ocorreria a 17 de Fevereiro de 1971, num embate “particular” frente à Espanha e onde, como curiosidade, também marcaria um golo. Ainda no decorrer dessa temporada, o atacante voltaria a ser convocado aos trabalhos da referida categoria nacional e com cores portuguesas acabaria a colorir o currículo com um total de 3 internacionalizações.
Outra das histórias míticas da carreira do atleta, por certo a mais memorável, ocorreria também no desenrolar da temporada de 1970/71. Numa partida frente ao Benfica de Eusébio, Jaime Graça, Humberto Coelho, Toni, Nené ou Artur Jorge, os holofotes do jogo acabariam por incidir sobre a brilhante exibição do avançado. Naquela 18ª jornada do Campeonato Nacional, a disputa marcada para a “Cidade Invicta”, de maneira alguma terminaria segundo a maioria dos prognósticos. Numa altura em que as “Águias” tinham a hegemonia do futebol português, muito mais do que a vitória do FC Porto, o “placard” final a assinalar 4-0, com todos os golos sofridos por José Henrique a serem concretizados por Lemos, haveria de surpreender até o mais optimista adepto ”azul e branco”. O prémio para tal proeza, previamente prometido aos altifalantes do Estádio das Antas para o marcador de um “hat-trick”, seria uma enormidade de latas de tinta, electrodomésticos, um gira-discos e um televisor que, por vontade do avançado, seriam distribuídos por diferentes elementos do plantel.
Ao serviço do FC Porto, com o Serviço Militar Obrigatório a meter-se pelo meio e a levá-lo à Guiné e aos jogos com a camisola da União Desportiva Internacional de Bissau, Lemos ainda disputaria outras 3 temporadas. Com o fim da ligação aos “Dragões” a acontecer no término da campanha de 1974/75, ao saldo de 92 partidas oficiais e 47 golos concretizados pelos “Azuis e Brancos” seguir-se-iam na trajectória do avançado, Sporting de Espinho, Paredes, Sanjoanense e, num regresso à 1ª divisão, a época de 1978/79 numa passagem pelo Académico de Viseu. Para terminar a carreira, naquela que, segundo dizem, era para ser uma breve participação, surgiriam ainda os 5 anos a defender as cores do Infesta.

1313 - PEDRO

Produto das “escolas” do Estoril Praia, a temporada de 1981/82 revelaria Pedro Rodrigues como sénior dos “Canarinhos”. Com o emblema da Linha de Cascais a disputar a 1ª divisão, a pouca utilização do jovem jogador impedi-lo-ia de mostrar as suas qualidades. Ainda assim, a estreia no escalão máximo, numa altura em que Celestino Ruas já tinha substituído Jimmy Hagan no comando técnico da equipa, surgiria num embate caseiro frente ao Sporting. Porém, essa aparição à 28ª jornada do Campeonato Nacional não teria grande continuidade nas épocas seguintes e mesmo com a passagem de diferentes treinadores, a verdade é que raras seriam as ocasiões onde o médio haveria de ocupar um lugar na ficha de jogo.
Talvez sustentado na parca utilização, Pedro Rodrigues tomaria a decisão de, na campanha de 1985/86, deixar a modalidade de “11” para abraçar a variante de salão. Como atleta do Sporting, a sua passagem pelos pavilhões produziria um efeito bem diferente dos resultados até então conseguido para a sua carreira desportiva. Com a qualidade dos “Leões” bem acima da demais concorrência, o atleta arrecadaria para o palmarés pessoal a conquista da Taça da Liga, do Campeonato da Liga e do Campeonato Distrital. Curiosamente, todo o sucesso alcançado de “verde e branco” seria insuficiente para mantê-lo no clube e um ano após a chegada a Alvalade, o atleta regressaria ao Estádio António Coimbra da Mota.
De novo como elemento integrante do plantel principal do Estoril Praia, o jogador, nessa época de 1986/87, encontraria o clube a militar no escalão secundário. Nos anos seguintes, mesmo com as classificações a apontar a luta pela subida, a tão almejada ascensão acabaria por nunca acontecer. Cumpridas 3 temporadas após o regresso aos “Canarinhos”, o atleta tornaria a deixar o clube, mas, dessa feita, para aceitar o convite do Louletano, comandado pelo técnico Manuel Cajuda. Com a experiência algarvia a ser de pouca dura, finda a campanha de 1989/90, a Amoreira, mais uma vez, passaria a ser a sua morada desportiva. No entanto, o referido retorno, a dar ensejo à terceira etapa do futebolista no clube, teria um élan bem diferente. Já com Fernando Santos às rédeas da colectividade sediada no concelho de Cascais, os estorilistas, depois de conseguida a promoção, voltariam às disputas no patamar máximo do futebol português.
Espantosamente, a primodivisionária temporada de 1991/92, com Pedro a envergar a braçadeira de capitão por diversas ocasiões, tornar-se-ia na última do jogador com as cores “canarinhas”. Ao sair do Estoril Praia, o atleta não resistiria ao apelo do futsal e voltaria a envergar as cores do Sporting. Tal como da primeira experiência, o ingresso nos “Leões” encheria o seu currículo de títulos e as 4 épocas de “verde e branco” serviriam para vencer 3 Campeonatos Nacionais.
Após deixar as lides competitivas na metade final da década de 1990, Pedro Rodrigues não abandonaria o desporto. Mais uma vez ligado contratualmente ao Estoril Praia, o antigo futebolista tem tido diversas passagens pelo comando técnico de diferentes escalões do clube, inclusive à frente do conjunto principal.

1312 - JUVENAL

Depois da passagem pelos juvenis e pelos juniores do Sporting de Braga, a temporada de 1954/55, ao manter-se ao serviço do emblema sediado na “Cidade dos Arcebispos”, marcaria a subida de Juvenal ao patamar sénior. No entanto, por razões que ficaram por apurar, o jovem praticante acabaria por não continuar a representar a colectividade minhota. Aliás, para ser correcto, há que referir a segunda campanha após o fim do percurso formativo do jogador, como omissa ou, se preferirem, como o período para qual não encontrei qualquer tipo de referência feita à evolução do atleta.
Os registos para a época de 1956/57 dão conta de Juvenal como um elemento do plantel da União de Tomar. Posteriormente, com a campanha seguinte à passada com os “Nabantinos” a oferecer-nos outro hiato de incógnita génese, o regresso ao Minho levá-lo-ia a rubricar uma ligação com a Associação Desportiva “Os Limianos”. Na localidade situada no distrito de Viana do Castelo, o jogador manter-se-ia a competir por 4 temporadas consecutivas, com essa experiência a preceder o retorno à colectividade onde havia dado os primeiros passos como futebolista.
Com a entrada no Estádio 28 de Maio a acontecer na temporada de 1962/63, o atleta daria os passos iniciais para, de forma definitiva, inscrever o seu nome como um dos jogadores míticos da história do Sporting de Braga. Com o clube ainda a militar no escalão secundário, a promoção conseguida no final da campanha de 1963/64 transformar-se-ia no primeiro momento digno de registo. Porém, com os “Arsenalistas” de volta ao escalão máximo, a participação de Juvenal, sob alçada do treinador-jogador António Teixeira, ficaria muito aquém do esperado.
Curiosamente, a campanha seguinte e, acima de tudo, a chegada ao comando bracarense do argentino José Valle, mudaria radicalmente a sua importância no seio do grupo de trabalho. Ao mutar-se num dos titulares do esquema táctico idealizado pelo referido treinador sul-americano, o defesa, para além de participar em todas as jornadas referentes ao Campeonato Nacional, tornar-se-ia também numa das figuras de proa no galgar de etapas da Taça de Portugal. Na edição de 1965/66 da apelidada “Prova Rainha”, o atleta, mais do que marcar presença nas rondas eliminatórias, seria chamado a disputar a final da prova. No Estádio do Jamor, com a saída do técnico aludido no início do parágrafo a empurrar Rui Sim-Sim para as rédeas do colectivo, Juvenal seria chamado ao “onze” que, com um triunfo por 1-0 frente ao Vitória Futebol Clube, levaria para os escaparates minhotos o primeiro grande troféu da história da agremiação nortenha.
Com o brilharete conseguido na Taça de Portugal, o Sporting de Braga ver-se-ia a disputar a Taça dos Vencedores das Taças do ano seguinte. Mesmo com a perda de preponderância, resultado da contratação de Fernando Caiado para treinador, Juvenal teria a oportunidade de, ao lado da equipa, conseguir estrear-se nas provas organizadas pela UEFA. Depois de, sem a sua presença, terem sido eliminados os gregos do AEK de Atenas, o defesa acabaria chamado à peleja referente à 2ª mão da 2ª ronda. Para infelicidade do conjunto luso, o embate frente aos húngaros do Vasas Gyor ditaria a eliminação dos “Guerreiros do Minho”.
No que restaria da sua caminhada competitiva, sem abandonar os desafios primodivisionários, a carreira de Juvenal começaria a aproximar-se do fim. Sempre fiel ao Sporting de Braga e com a barreira dos 30 anos de idade bem ultrapassada, o termo da temporada de 1968/69 daria a ordem ao jogador para “pendurar as chuteiras”.

1311 - MOREIRA


Conhecido como um jovem praticante de excelsas qualidades, seria por sugestão de um colega seu no Arsenal do Alfeite que António Moreira acabaria a treinar no Sporting. Dias mais tarde, outro trabalhador da referida instituição militar levá-lo-ia a fazer testes no Benfica. Ao revelar-se como um atleta rápido e dotado de uma técnica bem acima da média, o extremo agradaria aos responsáveis pela colectividade “encarnada”. Preso entre o interesse dos rivais lisboetas, a sua paixão clubística pelas “Águias” acabaria a empurra-lo para um dos lados da disputa e, sem grandes dúvidas, levá-lo-ia a rubricar um vínculo com à agremiação sediada na Luz.
Com a entrada nas “escolas” do Benfica a acontecer em 1957, António Moreira rapidamente conseguiria distinguir-se como um dos melhores elementos das jovens equipas do clube. A aferir o seu valor, para além dos títulos colectivos, chegariam as chamadas aos patamares de formação sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Sob a égide da selecção lusa, no que agora conhecemos como o conjunto de sub-18, o atacante seria chamado à disputa do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1960. No certame organizado na Áustria, treinado por Armando Ferreira e ao lado de Simões, Rui, Crispim, Amândio, José Carlos, Pedras, Serafim, Lourenço ou Pedro Gomes, o avançado participaria em 4 das 5 partidas discutidas por Portugal. Nessa caminhada, que terminaria com o combinado da “camisola das quinas” a conquistar o 3º lugar da prova, destaque para encontro das meias-finais, onde, apesar da derrota lusa frente à Hungria, o extremo-direito sairia fortemente louvado pelo golo marcado através de um canto directo.
Seria na temporada imediatamente a seguir ao torneio aludido no parágrafo anterior que António Moreira subiria à equipa principal do Benfica. Promovido pelo treinador húngaro Béla Guttmann, a verdade é que o jovem atleta não conseguiria conquistar muitas oportunidades. Num conjunto que, nessa época de 1960/61 viria a conquistar a Taça dos Clubes Campeões Europeus, a presença de José Augusto no plantel vetaria o jovem intérprete a um compreensível ocaso. Ainda assim, o extremo conseguiria participar em 4 partidas a contar para a Taça de Portugal e numa jornada para o Campeonato Nacional. Aliás, a sua entrada em campo frente ao FC Porto, no jogo referente à 24ª ronda, levá-lo-ia a ser incluído no rol de atletas vencedores da mais importante prova do calendário futebolístico português.
Com o seu crescimento em mente, para a temporada de 1961/62, António Moreira, sem deixar a 1ª divisão, seria “emprestado” ao Atlético. Na colectividade do bairro de Alcântara, sob a alçada do argentino José Valle, o atacante destacar-se-ia como um dos elementos mais utilizados no “onze”. Essa regularidade, aliada a uma evolução deveras positiva, levariam os responsáveis das “Águias” a requerer o seu regresso na época seguinte. Mesmo apreciado pelo técnico Fernando Riera, o Serviço Militar Obrigatório acabaria por atrapalhar a sua afirmação. Tal seria o volte-face provocado pelo tempo passado na “tropa”, que o extremo não mais voltaria a envergar a principal camisola dos “Encarnados”. Nesse sentido, depois de desvinculado do emblema da Luz, o jogador acabaria por voltar à Margem Sul e, dessa feita, para representar os Pescadores.
Seria como atleta da agremiação da Costa da Caparica que veria o seu antigo treinador José Valle a endereçar-lhe um convite. Já a orientar o Vitória Sport Clube, o técnico argentino integraria o extremo numa tournée feita pelos Estados Unidos da América. Como resultado dos desempenhos conseguidos na mencionada digressão, António Moreira acabaria integrado no plantel de 1964/65 dos “Conquistadores”. Porém, apesar das previsões auspiciosas saídas dessa nova ligação, o que aconteceria pouco tempo depois mudaria em definitivo o rumo da sua carreira. Num gesto impetuoso, movido pelas saudades de casa, o jogador, sem qualquer autorização dada pelo clube, tomaria a decisão de viajar para Lisboa. Desagradados com a atitude, os responsáveis pela agremiação sediada na “Cidade Berço” acabariam por castigar o atleta, afastando-o de todas as actividades desportivas. Na sequência da punição, o atacante deixaria a colectividade minhota e, por desafio de Salvador Martins, antigo internacional do Benfica, começaria a treinar com o Monte da Caparica. No entanto, sem conseguir cessar o vínculo contratual a ligá-lo aos vimaranenses, o avançado viu-se impedido de dar seguimento às actividades futebolísticas. Tal imbróglio resolver-se-ia algum tempo depois, por intermédio dos dirigentes do Almada. No emblema da Margem Sul prosseguiria a carreira, a qual, sem o fulgor de outros tempos, ainda o levaria, mais uma vez, a envergar a camisola dos Pescadores da Costa da Caparica e a do Pragalense.

1310 - VASQUES

Com 17 anos apenas, numa altura em que já trabalhava nas oficinas da empresa, Manuel Vasques subiria à equipa principal de futebol da CUF. Mesmo afastado das disputas primodivisionárias, o jovem praticante, pelo virtuosismo com a bola nos pés, começaria a despertar a cobiça de outros emblemas. Após a estreia com as cores do conjunto barreirense na temporada de 1943/44, bastariam outras duas campanhas para que o cerco tomasse contornos de efectividade. Da margem norte do Rio Tejo surgiriam ecos do interesse do Atlético e também do Benfica. Chegaria a treinar com as “Águias” e a receber da agremiação “encarnada” uma proposta de contrato. No entanto, a conselho de Soeiro, antiga estrela leonina e o seu tio, o avançado rejeitaria a oferta e pouco tempo depois seria apresentado como atleta do Sporting Clube de Portugal.
Entraria no emblema lisboeta em paralelo com Travassos. Os dois novos elementos passariam a fazer companhia a Peyroteo, Jesus Correia e Albano, com quem viriam a compor a linha atacante que ficaria conhecida como os “Cinco Violinos”. Mesmo sem grande experiência competitiva, o avançado natural do Barreiro rapidamente conseguiria convencer o treinador Robert Kelly a dar-lhe um lugar no “onze”. Integrado no plantel edificado para a campanha de 1946/47, a sua entrada serviria para alimentar a hegemonia dos “Leões” no panorama futebolístico português. A provar o poderio do Sporting, os títulos chegariam em catadupa e o palmarés pessoal de Vasques depressa começaria a encher-se de glórias. Nesse sentido, o atacante seria peça fulcral na estratégia leonina e que encaminharia os de “verde e brancos” à conquista de 8 Campeonatos Nacionais, 2 Taças de Portugal, 1 Campeonato de Lisboa e 1 Taça de Honra da AFL.
Surpreendentemente, nem só de louvores viveria a sua carreira. Muitas vezes acusado de inconstância exibicional, apontado por ficar aleado do jogo por largos períodos de tempo e de evitar grandes choques físicos, ainda assim, os números alcançados em 13 temporadas como atleta do Sporting, serviriam para vincá-lo como um dos maiores nomes do desporto português. Nesse somatório de algarismos, destacar-se-ia a sua habilidade finalizadora. Ao posicionar-se preferencialmente como interior-direito e, por essa razão, maior parte das vezes longe das zonas de conclusão, Vasques, que podia jogar em todas as posições da linha ofensiva, conseguiria colorir a caminhada de “Leão” ao peito com 226 remates certeiros, em 349 partidas oficiais*. Desse brilhante rol, que faz do avançado o 3º maior goleador da história sportinguista, há que destacar os 28 golos marcados durante o Campeonato Nacional de 1950/51 e que levariam o atacante a vencer a corrida para Melhor Marcador da prova.
Também por Portugal, Vasques desenharia o seu caminho. Com a partida inicial pela selecção a surgir no dia 21 de Março de 1948, o “particular” frente à Espanha serviria de arranque para um honroso trajecto feito com as cores lusas. Escolhido por Virgílio Paula para o “onze” a entrar em Chamartín, a peleja disputada em Madrid, numa altura em que os desafios entre equipas nacionais não eram assim tão frequentes, transformar-se-ia no primeiro de 26 jogos feitos pelo seu país. Curiosamente, do trajecto internacional do avançado emergiria outra peculiaridade. Incontornavelmente marcado pelo rumo cumprido enquanto parte integrante dos já referidos “Cinco Violinos”, a verdade é que apenas em 2 ocasiões a famosa linha atacante do Sporting surgiria em simultâneo a envergar a “camisola das quinas”.
Por falar em singularidades, existem mais umas quantas associadas à senda desportiva de Vasques. Uma delas, numa altura em que o avançado atravessava uma situação financeira algo apertada, prender-se-ia com mais uma tentativa do Benfica em desviar o atleta. Porém, como resposta ao “namoro” das “Águias”, o Presidente Ribeiro Ferreira duplicaria o ordenado ao jogador e ajudá-lo-ia a custear o arranque de um negócio de electrodomésticos, aberto em parceria com Travassos.
Antes de terminar a carreira, após deixar o Sporting no final da temporada de 1958/59, Vasques ainda vestiria a camisola do Atlético. Já mais tarde, voltaria a ligar-se ao emblema leonino, não na área desportiva, mas como responsável pelo quiosque do Estádio de Alvalade.

*números obtidos em https://www.sporting.pt, no artigo publicado a 29/07/2016

1309 - SOTA

Sobrinho de José da Luz, filho de António da Luz, irmão mais velho de José Júlio da Luz, todos conhecidos por Sota e todos com uma forte ligação ao Portimonense, a Manuel da Luz pouco mais restaria do que seguir a carreira de futebolista no referido emblema do Barlavento e adoptar para a sua caminhada desportiva a alcunha Sota!
Como já foi dado a entender, seria nas “escolas” do Portimonense que Manuel Sota terminaria a formação para, na temporada de 1967/68, subir à equipa principal. A estreia no patamar sénior, pela mão do treinador e antigo guarda-redes Orlando Ramín, daria conta do emblema algarvio a competir na 2ª divisão do Campeonato Nacional. Durante os anos seguintes, apesar das classificações mostrarem a equipa, no final da grande maioria das campanhas, a posicionar-se na metade superior da tabela classificativa da Zona Sul, a verdade é que nada iria alterar-se em relação ao escalão disputado pelo futebolista.
Curiosamente, seria na época correspondente à sua passagem pelo Esperança de Lagos que o Portimonense conseguiria a tão almejada subida. Mesmo não tendo participado na campanha que resultaria na aludida promoção, Sota, logo no ano seguinte, acabaria por voltar à equipa do listado alvinegro. O regresso permitir-lhe-ia, na temporada de 1976/77, fazer parte do grupo de trabalho que, pela primeira vez na história da colectividade algarvia, competiria ao lado dos maiores emblemas nacionais. A partilhar o balneário com figuras míticas, como os internacionais Matine e Adolfo, o jogador viria a assumir um papel de enorme relevância no decorrer desse ano desportivo. Ao posicionar-se tanto nas laterais da defesa ou no meio-campo, o atleta conseguiria ser um dos elementos mais utilizado, primeiro pelo treinador Mário Nunes e, a partir da 16ª jornada, por José Augusto.
Assegurada a manutenção no escalão máximo do futebol luso, Sota seguiria para a época subsequente mantendo-se como um dos titulares da equipa. Aliás, para ser correcto, o atleta participaria em todas as rondas do Campeonato Nacional de 1977/78. No entanto, o seu contributo seria insuficiente para segurar o Portimonense na 1ª divisão. Como capitão do colectivo sediado no Barlavento algarvio, acompanharia os seus colegas na descida, dando continuidade a um elo que, com o já referido interregno, redundaria numa caminhada de 12 anos como sénior. Porém, a sua ligação ao clube viria a terminar com o final da campanha de 1979/80. Seguir-se-ia, na única experiência do jogador pelo norte do país, a Sanjoanense. Já de regresso aos emblemas do sul, destaque para as passagens pelo Torralta e pelo Alvorense, onde chegaria a conciliar as funções de praticante com as tarefas de treinador.

1308 - SIMPLÍCIO

Com várias fontes a darem conta de diferentes registos, os números que caracterizam o percurso desportivo do avançado tornam-se de difícil aferição. Por um lado temos os autores que asseguram o atleta como um elemento saído das “escolas” portistas. Porém, será que no começo do século XX já os “Dragões” tinham os denominados patamares de formação?! Há ainda os que asseveram as suas participações seniores a partir da segunda metade da década de 1910. Temos também os arquivos que apenas fazem referência às suas entradas na equipa principal “azul e branca” nas temporadas dos anos de 1920. Com tudo isto, é fácil entender as dificuldades em delinear, com alguma exactidão, o caminho deste jogador. Ainda assim, Augusto Baptista Ferreira, alcunhado no contexto futebolístico como Simplício, ficou intimamente ligado à história do FC Porto. Porquê? Já desvendo a razão mais à frente no texto!
Apesar da confusão de que dei conta no parágrafo anterior, existem notas que, com alguma precisão, alinham o atacante em momentos competitivos do FC Porto. Com especial relevância nos anais dos “Dragões”, a 8 de Junho de 1924, temos a sua presença na final do Campeonato de Portugal, disputada no Campo Grande e perdida para o Olhanense. Outro apontamento, ainda referente àquela que, à altura, era a prova nacional de maior relevo, encontrei-o no “onze” de uma partida frente ao Belenenses, na época de 1926/27. Daí em diante, dos tombos emergem mais informações a destaparem a participação de Simplício tanto na competição acima referida, como no “regional” disputado na “Cidade Invicta”. Para ser correcto, também no Campeonato do Porto há muitas dúvidas relativamente à sua assiduidade nas diferentes jornadas. Mesmo assim, acho que, com alguma segurança, posso afirmar o avançado como contribuinte directo para as vitórias nas edições de 1926/27, 1927/28, 1928/29 e 1929/30 da prova portuense.
Falta agora explicar a razão para a tamanha importância de Simplício na história portista. Conta-se que, ao ser um intérprete versado nas artes gráficas, terá sido dele o desígnio de fundir o, à época, emblema do FC Porto, com o brasão da cidade. Tal ideia levou-o a combinar a simplicidade da bola azul, onde figuravam apenas as iniciais representativas do nome da agremiação, com a simbologia das armas portuenses, pontuadas com figuras como o mítico dragão. O resultado foi a insígnia conhecida pela generalidade dos adeptos do desporto e que, após a aprovação na assembleia geral de 26 de Outubro de 1922, continua a adornar as camisolas da colectividade “azul e branca”.