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1755 - DJOINCEVIC

Numa caminhada feita a pulso, Cedomir Djoincevic (ou Doincevic), após chegar a sénior, ainda cumpriria alguns anos nas disputas dos patamares inferiores da antiga Jugoslávia. Nesse trilho, começaria pelo plantel de 1983/84 do Zarkovo, para, na temporada seguinte, vir a representar o Elektrobosna Jajce. Já do segundo escalão surgiria a oportunidade de, no decorrer da campanha de 1985/86, passar a envergar as insígnias do FK Crvenka. A presença na última colectividade mencionada dar-lhe-ia o traquejo e a visibilidade suficientes para que outros emblemas começassem a reparar no seu trabalho e a entrada nos primodivisionários do Rad Beograd aconteceria na época de 1987/88.
Na agremiação da capital, o jogador começaria a lutar por outras metas colectivas. Nesse sentido, em planteis que, ao longo dos anos, viriam a incluir nomes bem conhecidos do futebol europeu, casos de Miroslav Djukic, Vladimir Jugovic, Ljubinko Drulovic ou o “ex-setubalense” Vlada Stosic, o momento mais alto dessa sua passagem pelos “Gradevinari” coincidiria com a presença do clube nas provas de índole continental. Com o 4º lugar alcançado no final da temporada de 1988/89, época onde também participariam na Taça Intertoto, a dar direito à participação na Taça UEFA do ano seguinte, Djoincevic, arrolado por Ivan Brzic, entraria em campo na 1ª mão da ronda inicial, disputada frente ao Olympiacos. Porém, a segunda partida, sem o defesa-central no “onze”, não correria de feição para os jugoslavos e a derrota por 2-0, a somar à vitória caseira por 2-1, faria com que os apurados fossem os gregos.
Já com a temporada de 1990/91 em andamento, Djoincevic seria contratado pelo Salgueiros. No popular bairro de Paranhos, o jogador, numa altura em que a aposta no mercado do seu país era bem evidente, encontrar-se-ia com vários conterrâneos. Orientado por Zoran Filipovic e a partilhar o balneário com Nikolic, Dragan Djukic, Milovac ou Besic, a época de chegada ao Estádio Eng. Vidal Pinheiro dar-lhe-ia a oportunidade, não só de contribuir, como titular, para o histórico 5º lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão, como, já na campanha seguinte, de inscrever o seu nome na lista de atletas a participarem na estreia do emblema portuense nas pelejas continentais. Outra vez no contexto da Taça UEFA, o possante defesa-central entraria em campo apenas na 2ª partida frente ao Cannes. A derrota forasteira por 1-0 levaria a contenda para o prolongamento, em seguida para o desempate por grandes penalidades e na decisiva roleta, seria o emblema português a claudicar.
Apesar da idade com que haveria de chegar a Portugal, 29 anos, Djoincevic, com uma atitude deveras substantiva e uma experiência com competência suficiente para colmatar qualquer hipotética debilidade física, conseguiria manter-se como um elemento preponderante no pensar dos esquemas tácticos da equipa sediada na “Cidade Invicta”. As 4 temporadas em que jogaria pela equipa do Salgueiros, todas elas cumpridas no patamar maior do futebol luso, serviriam para que, na memória dos adeptos, viesse a cimentar-se a ideia de um praticante cumpridor dos seus deveres enquanto ocupante do sector mais recuado. A prova da importância granjeada pelo defesa-central verificar-se-ia pelos mais de 100 partidas oficiais que o jogador faria pelo colectivo nortenho. Ainda assim, a ligação às provas portuguesas findaria com o termo das contendas agendadas para 1993/94 e o atleta jugoslavo regressaria ao seu país.
De volta à zona de Belgrado, seria o Radnicki a apadrinhar, em 1994/95, a sua decisão de “pendurar as chuteiras”. Daí em diante, como um verdadeiro apaixonado pela modalidade, Djoincevic passaria a dedicar-se às funções de técnico. Como treinador principal tem feito carreira, principalmente, na Sérvia, mas também na Bósnia, Bulgária e Grécia. Entre vários emblemas, onde merecem destaque os diferentes regressos ao Rad, o grande feito nessas novas funções surgiria ao serviço do Zeleznik, emblema pelo qual, na temporada de 2004/05 e numa final frente ao Estrela Vermelha, venceria a Taça da Sérvia e Montenegro.

1658 - SOEIRO

Com a formação terminada ao serviço do Vitória Sport Clube, seria ainda em idade júnior que José Manuel Guedes Soeiro da Silva acabaria, pela mão da dupla Djunga/Alfredo Murça, chamado à equipa principal. Após essa estreia, ocorrida no decorrer da temporada de 1983/84, o jovem jogador passaria a fazer parte integrante do plantel sénior do emblema vimaranense. No entanto, a falta de oportunidades traçaria um novo rumo para sua caminhada e o atleta, na campanha de 1985/86, encetaria um périplo que, durante 3 anos, iria levá-lo a representar diversas colectividades.
A passagem por Lixa, AD Fafe e “O Elvas”, mormente pelas duas últimas agremiações mencionadas, acrescentariam bastante ao seu percurso profissional. Nesse sentido, seria com as cores da colectividade minhota que Soeiro viria, inicialmente, a ser chamado aos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos “esperanças”, o jogador, que devido à sua propensão defensiva viria a posicionar no centro da defesa ou a “trinco”, estrear-se-ia com as cores lusas na edição de 1987 do Torneio Internacional de Toulon. Depois dessa partida frente ao Brasil, onde seria orientado por António Oliveira, o atleta, sempre no mesmo escalão, ainda teria a oportunidade de vestir a “camisola das quinas” por outras 5 ocasiões e impulsionado por tais experiências veria as portas do clube sediado na “Cidade Berço” a abrirem-se para o seu regresso.
Em abono da verdade, não seriam apenas as internacionalizações conseguidas que convenceriam os responsáveis técnicos pelo Vitória Sport Clube a recebê-lo de novo em Guimarães. Também a passagem pelo emblema alentejano mencionado no começo do parágrafo anterior, principalmente a maneira como assumiria a titularidade no contexto primodivisionário, serviria de tónico ao seu regresso. Ainda assim, as várias presenças em campo pelo “O Elvas” de 1987/88 não assegurariam o mesmo destaque com a camisola dos “Conquistadores”. Tal preponderância surgiria apenas na temporada de 1988/89 e o jogador, a partir dessa campanha, assumir-se-ia como uma das principais caras da colectividade minhota.
Curiosamente, depois de ter ajudado ao triunfo na edição de 1988/89 da Supertaça e de ter granjeado, com o seu trabalho, o papel de capitão de equipa, o termo da campanha de 1991/92 levá-lo-ia a abraçar outro projecto. Apresentado como reforço do plantel de 1992/93 do Marítimo, Soeiro voltaria a trabalhar sob a intendência de Paulo Autuori, treinador que tinha apostado em si, de forma bem vincada, em Guimarães. No novo contexto competitivo, o atleta entraria para a história do emblema insular, logo na campanha da sua chegada ao Estádio dos Barreiros, como um dos homens a assegurar o 5º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional e, por consequência, a levar os “Leões do Almirante Reis” à inédita qualificação para as provas de índole continental. Já na época seguinte, sob o comando de Edinho, participaria na estreia dos “Verde-rubros” na Taça UEFA e entraria em campo em ambas as partidas frente aos belgas do Royal Antwerp.
No Funchal, permaneceria por 3 anos, ao fim das quais retornaria ao Vitória Sport Clube. Nessa campanha de 1995/96, tal como anteriormente, o jogador viria a assumir-se como um dos nomes habituais arrolados ao “onze”. Porém, a época seguinte voltaria a apresentá-lo com uma camisola diferente. No Sporting de Espinho, a temporada de 1996/97 transformar-se-ia na última da sua caminhada nos cenários primodivisionários. De seguida, pouco tendo passado da barreira dos 30 anos de idade, Soeiro começaria a aproximar-se do fim da sua carreira enquanto atleta e 1998/99, depois de representar o Felgueiras, daria azo a que “pendurasse as chuteiras”.
Apesar de deixar os relvados, Soeiro manter-se-ia ligado à modalidade. Ao abraçar as funções de técnico, o antigo futebolista orientaria diferentes colectividades e, num percurso feito pelos escalões inferiores, Joane, AD Fafe, Paredes, Lixa, Ribeirão, AR São Martinho e Tourizense fariam parte desse trajecto.

1332 - PORTELA

Tendo parte do percurso formativo feito ao serviço do Ericeirense, seria nas “escolas” do Atlético Clube de Portugal que Jorge Portela completaria a referida etapa. Também no emblema do popular bairro lisboeta de Alcântara faria, na temporada de 1983/84, a estreia no patamar sénior. Os anos seguintes passá-los-ia a disputar os escalões secundários. Ainda assim, as suas exibições seriam mais do que suficientes para chamar a atenção de colectividades de maior monta e o lateral-direito, depois de em miúdo já ter praticado atletismo na colectividade alfacinha, chegaria a Alvalade como reforço para a campanha de 1988/89.
Ao serviço do Sporting, apesar de ser visto como uma opção válida para fazer concorrência ao brasileiro João Luís, a verdade é que ao fim de duas temporadas na equipa principal leonina, o defesa poucas oportunidades tinha conseguido almejar. Com 10 partidas oficiais feitas com a camisola verde e branca, a opção encontrada para o desenrolar da sua carreira seria encontrada mais a sul. Com o Farense interessado na contratação de Portela, o jogador acabaria apresentado no Estádio de São Luís e juntar-se-ia ao plantel de 1990/91.
A transferência chegaria em boa hora, pois a mudança para o Algarve daria ao atleta as chances que a qualidade demonstrada nos primeiros anos da caminhada profissional já merecia. Como um defesa-lateral incansável e de uma força superior, Portela rapidamente conseguiria afirmar-se como um dos bons intérpretes das provas futebolísticas portuguesas. Nesse sentido, seria já com o estatuto de elemento primodivisionário bem sublinhado que o jogador, peça fundamental no esquema táctico idealizado pelo catalão Paco Fortes, contribuiria para os objectivos de um dos mais fortes colectivos na história da agremiação sediada no Sotavento. Claro está, os maiores destaques emergiriam com o termo da temporada de 1994/95 e, resultado do 5º lugar obtido na tabela classificativa do Campeonato Nacional, com a qualificação para a Taça UEFA do ano seguinte.
 Curiosamente, mesmo nunca tendo perdido o estatuto de titular e com a referida prova continental no horizonte, Jorge Portela, no defeso estival de 1995, viria a mudar de emblema. Aliás, a ligação com o Campomaiorense, inicialmente a disputar a 1ª divisão, marcaria o começo da derradeira fase da sua carreira enquanto praticante. Com a despromoção do emblema alentejano no final da temporada de 1995/96, o lateral-direito ainda acompanharia a sua equipa no trajecto pelo escalão secundário e depois de adjuvar os “Galgos” na vitória da divisão de Honra e de, por consequência, ajudar o conjunto a regressar ao convívio com os “grandes”, o atleta decidir-se-ia pelo término da caminhada competitiva.
Apesar de “penduradas as chuteiras”, Jorge Portela não romperia a ligação com a modalidade. Ao iniciar a carreira de treinador nas camadas de formação do Campomaiorense, a caminhada como técnico levá-lo-ia também a orientar emblemas como o Farense, Louletano, Operário de Lagoa, Almancil ou até os brasileiros do Grêmio Inhumense. Destaque também para o desempenho das tarefas como Coordenar-técnico, em especial os anos passados ao serviço da Associação Desportiva Geração de Génios.

1081 - DINO

Como preferem? Raimundo Barreto, Dino Furacão ou, simplesmente, Dino?
Bem, para pôr justiça numa possível resposta, há que facultar outros dados. Nesse propósito, penso que sem grande surpresa, posso confessar-vos que a primeira opção é um singelo nome de baptismo. Já a última escolha indica-nos o vocábulo pelo qual ficou conhecido em Portugal. Por outro lado, temos ainda um tal fenómeno meteorológico que, mais do que a alcunha ganha no Brasil, haveria de tornar-se na sua imagem dentro de campo… Já escolheram? Enquanto pensam, vou contar-vos a história deste avançado!
Depois de terminar a formação no Bahia, seria o emblema sediado em São Salvador que também daria a oportunidade a Dino para rubricar o primeiro contrato profissional. Mesmo a jogar num dos históricos emblemas do desporto brasileiro, o avançado, passados alguns anos, decidiria mudar-se para um dos maiores centros futebolísticos do país. No Estado de São Paulo começaria por representar o XV de Jaú, para, de seguida, vestir as cores do São Bento. Seria já no conjunto de Sorocaba que o atacante acabaria convocado para a selecção estadual. Com uma evolução positiva, as boas exibições despertariam a atenção dos responsáveis do Santos, que, em 1985, tomariam a decisão de contratar o atleta de 25 anos.
Terminada a experiência no “Peixe”, seguir-se-ia Portugal. Talvez à procura de mais oportunidades para jogar, Dino aceitaria o convite vindo da 2ª divisão lusa. Porém, o desafio lançado pelo Nacional da Madeira e anuído pelo jogador, pouco tempo manteria o avançado longe dos principais escaparates. Após a promoção conseguida no final da temporada de estreia no Funchal, a campanha seguinte, a de 1988/89, entregaria o atacante ao patamar máximo. Ainda com as cores do emblema insular, as suas qualidades levá-lo-iam a destacar-se como um dos melhores intérpretes do nosso Campeonato. Com uma velocidade estonteante, uma boa técnica e uma vontade sagaz, o acréscimo dado por si aos grupos onde estava inserido tornar-se-ia evidente. Nesse sentido, se a colectividade funchalense serviria para confirmar o que no Brasil já era sabido, seria o Beira-Mar que haveria de consagrá-lo como uma verdadeira “estrela”.
A mudança para Aveiro, selada na temporada de 1990/91, coincidiria com um dos mais importantes capítulos da história dos “Aurinegros”. Com Dino a marcar 5 golos durante as eliminatórias, o Beira-Mar, no culminar de uma campanha invejável, chegaria à final da Taça de Portugal. Já no Jamor, o desafio daria pelo nome de FC Porto. Com o treinador Vítor Urbano a eleger o avançado para o “onze” inicial, nem aquele que era um conjunto composto por atletas de muita experiência conseguiria levar de vencida a equipa “Azul e Branca”. O troféu acabaria no museu dos “Dragões”. Ainda assim, nem tudo tinham sido derrotas e as boas exibições do conjunto vouguense serviriam para alicerçar o clube como uma equipa difícil de ultrapassar.
As dificuldades impostas nos embates do Estádio Mário Duarte, dariam jus a uma série de episódios memoráveis. Mais caricata seria ainda a circunstância da história vivida por Dino na sequência de um golo que retiraria às “Águias” a hipótese de conquistar o título de 1992/93 – “Quando voltei para Portugal, no ano seguinte, o avião não foi para o Porto mas para Lisboa. Quando ia apanhar o táxi para ir para Aveiro fui insultado pelo taxista que era benfiquista. Xingou-me, disse-me palavras não muito boas. Pensei que ia ficar em Lisboa, mas lá consegui ir para Aveiro”*.
As últimas temporadas de Dino como futebolista profissional seriam passadas em Portugal. Depois de envergar as camisolas do Vitória de Setúbal e do Desportivo de Chaves, o ano de 1996 marcaria o fim da sua carreira. Depois da “aposentação”, já formado em Educação Física, o antigo avançado fixar-se-ia no Brasil e passaria a dedicar-se ao ensino.

*retirado do artigo de João Tiago Figueiredo, publicado em https://maisfutebol.iol.pt, a 30/04/2015

889 - RUI FILIPE

Apesar de ter terminado a formação nos escalões juniores do FC Porto, só passados alguns anos é que Rui Filipe apareceria como elemento do plantel principal “Azul e Branco”. O Gil Vicente, ainda na 2ª divisão, serviria na temporada de 1986/87 para a estreia do, à altura, avançado. Nessa sua evolução, e mesmo mostrando habilidades que prometiam outras aspirações, a verdade é que a passagem por equipas de menor monta prolongar-se-ia por diversos anos. Sporting de Espinho e um regresso ao conjunto de Barcelos acabariam por completar esse ciclo de 5 campanhas.
Quando em 1991/92 o FC Porto volta a apostar no atleta, já Rui Filipe contava com alguma experiência no escalão máximo. Essa prática faria com que, à chegada, fosse mais fácil a sua inclusão no “onze” inicial. Com Carlos Alberto Silva aos comandos da equipa, o médio tornar-se-ia num dos elementos mais importantes do grupo. Chamado muitas vezes a entrar em campo, a regularidade com o que o seu nome aparecia nas fichas de jogo levaria a que da selecção também começassem a equacionar a sua presença. Já com algumas partidas feitas pelos sub-21 nacionais, a primeira internacionalização “A” surgiria em Maio de 1992. Convocado por Carlos Queiroz, o “amigável” frente à Itália marcaria o seu arranque com a camisola “lusa”.
Mesmo tido como um elemento importante no escalonamento dos “Dragões”, é com a chegada à “Invicta” de Bobby Robson que Rui Filipe começa a ser visto como uma das grandes estrelas da equipa. No centro do terreno, e longe do estereótipo que, por norma, ocupava essas posições, a maneira como tratava a bola torná-lo-ia num dos favoritos do treinador inglês. Naturalmente tecnicista, eram habituais os lances bonitos saídos dos seus pés. É impossível esquecer alguns dos momentos que viveria com o listado das camisolas “azuis e brancas”. Uma das jogadas inolvidáveis, seria um dos golos por si concretizados em pleno Estádio “da Luz”. Depois de sentar Michel Preud’ Homme com uma “finta de corpo”, a bola enviada para o fundo das redes “encarnadas” contribuiria para o triunfo do FC Porto na Supertaça de 1993/94.
Tragicamente, esse encontro acabaria por ser o “canto do cisne” do jogador. Expulso, o castigo aplicado a Rui Filipe acabaria por excluí-lo da 2ª jornada do Campeonato de 1993/94. Após ter marcado na primeira ronda, golo esse que seria o primeiro concretizado no ciclo do “penta”, o dia do desafio frente ao Beira-Mar tornar-se-ia num dos mais fatídicos do desporto português. Nessa manhã, o jovem futebolista despistar-se-ia ao volante do seu automóvel. Em sequência desse acidente de viação, o atleta, que passava pelo pico da carreira, acabaria por falecer.
O FC Porto venceria os aveirenses e dedicaria a vitória ao médio. A admiração que os adeptos nutriam por si, perpetuar-se-ia nas homenagens realizadas. Saudade e pesar é o que ainda se sente quando o tema das conversas é Rui Filipe. No entanto, muito mais do que o triste episódio que poria termo à sua vida, aquilo que ficou na memória dos fãs do futebol, é a de um intérprete que, para além de requinte técnico, também conseguia atrair toda a gente com o seu lado batalhador e abnegado.

713 - CAPUCHO

Apesar de representar o Gil Vicente desde tenra idade, Capucho, como o próprio haveria de afirmar, só começaria a dar mais importância ao futebol no seu último ano como sénior. Todavia, e por essa altura, já o avançado era um dos nomes habituais nas convocatórias das jovens selecções portuguesas. Nesse sentido, seria com as “quinas” ao peito que, na sua primeira temporada como sénior, conseguiria consolidar-se como um dos craques da “geração d’ouro”.
Ora, seria pela mão do Prof. Carlos Queiroz que Capucho chegaria ao Mundial S-20 de 1991. Disputado em Portugal, a equipa nacional, que contava com nomes como os de Luís Figo, João Vieira Pinto ou Rui Costa, conseguiria, dando seguimento ao brilharete alcançado 2 anos antes, renovar o título de campeã. A conquista de tal troféu, faria com que os jogadores inseridos nesse grupo vissem o seu valor acrescido. Fazendo parte de um clube de menor monta, foi com alguma naturalidade que o atacante viu alguns dos emblemas de maior tradição irem no seu encalço. Quem ganharia a corrida seria o Sporting e, para a temporada de 1992/93, o atleta apresentar-se-ia em Alvalade.
Os 3 anos passados de “verde e branco”, primeiramente orientado por Bobby Robson e, mais tarde, pelo seu velho conhecido Carlos Queiroz, acabariam por não ser suficientes para confirmar tudo aquilo que já havia prometido. Actuando, mormente, pelo centro da zona ofensiva, as qualidades que Capucho possuía não eram, de alguma forma, condizentes com a posição escolhida para si. A temporada de 1994/95, mesmo tendo vencido a Taça de Portugal, acabaria por ser, no plano individual, a menos excitante. Excluído da maioria das partidas, o atacante vê-se envolvido no negócio de aquisição de Pedro Barbosa e Pedro Martins. Sem grandes chances no Sporting, Capucho, no final da referida época, acabaria mesmo transferido para o Vitória de Guimarães.
De regresso ao Minho, Capucho voltaria também às exibições de excelência. Já mais encostado ao flanco direito do ataque, o atleta acabaria por destacar-se como um dos melhores extremos a actuar no Campeonato português. Auferindo desse estatuto, foi sem surpresa alguma, que Capucho seria incluído nos trabalhos da Selecção “A”. Por Portugal, e no cômputo da sua carreira, o atleta conseguiria 34 internacionalizações. Destaque para as suas chamadas ao Euro 2000, Mundial de 2002 e, pela selecção olímpica, aos Jogos de 1996.
Nisto de metas e vitórias, os melhores capítulos da sua vida desportiva, talhar-se-iam a “azul e branco”. A mudança para o FC Porto, inscreveria no palmarés do jogador grande parte dos seus troféus. Tendo chegado às Antas na época de 1997/98, Capucho ainda entraria para a história do “Penta”. Curiosamente, a conquista desses 5 Campeonatos (Capucho só participaria nos 2 últimos), e que, sem sombra de dúvida, celebrariam a hegemonia dos “Dragões” nos anos 90, precederiam uma série de 3 anos pouco abonatórios para o clube. Conseguindo, ainda assim, amealhar 2 Taças e 2 Supertaças, só a chegada de um treinador “especial” é que poria um fim a esse período menos prolífero.
Com José Mourinho aos comandos do FC Porto, embora sem a preponderância dos tempos em que era um dos principais municiadores de Mário Jardel, Capucho consegue acrescentar ao seu rol de títulos a “dobradinha” de 2002/03. No entanto, o grande momento dessa temporada seria a conquista da Taça UEFA. Na final disputada em Sevilha, o atleta seria escalonado para o “onze” inicial e, dessa forma, ajudaria o seu clube a derrotar os escoceses do Celtic.
Curiosamente, no defeso seguinte, Capucho voltaria a cruzar-se com mais um emblema da cidade de Glasgow. Contudo, a passagem pelo Rangers acabaria por marcar os derradeiros passos de uma carreira que, na temporada seguinte, e ao serviço do Celta de Vigo, conheceria o seu fim.
Já depois de “penduradas as chuteiras”, e após um pequeno interregno no futebol, o antigo jogador voltaria ao clube do seu coração. Desta feita como treinador, Capucho passaria a integrar a estrutura técnica das “escolas” do FC Porto. É já depois de largos anos nestas funções que, em 2015, surge a sua primeira oportunidade como treinador principal, numa equipa sénior. A experiência de um ano ao serviço do Varzim, acabaria por servir de trampolim para o escalão máximo em Portugal. Seria com as cores do Rio Ave que Capucho, já este ano (2016/17), faria a sua estreia na 1ª divisão.

369 - JOSÉ CARLOS

Benfiquista dos "sete costados", seria ao serviço das “Águias” que José Carlos acabaria o percurso formativo e onde, na campanha de 1985/86, subiria ao patamar sénior. No entanto, apesar da oportunidade dada ao defesa para integrar o grupo de trabalho a cargo de John Mortimore, a presença, no plantel principal, de jogadores como Minervino Pietra ou de António Veloso transformar-se-ia numa arrebatadora concorrência e na principal razão para que o lateral-direito, durante as duas primeiras temporadas com os “Encarnados”, não conseguisse passar de uma escolha secundária.
Após algumas épocas emprestado a outros emblemas, a campanha de 1988/89, a segunda ao serviço do Portimonense, revelaria um intérprete maduro e capaz de enfrentar outros desafios na divisão maior do futebol luso. Com uma assertividade acima da média, a capacidade defensiva mostrada começaria a surpreender os responsáveis pelo clube de origem. A somar a essa característica, igualmente bem vincada, surgiria a sua apetência para auxiliar, com cruzamentos certeiros, os colegas do ataque. Nesse sentido, José Carlos assumir-se-ia como um elemento a ter em conta para ajudar o Benfica em futuras contendas. Seria também a essa conclusão que chegaria Sven-Göran Eriksson e o atleta, para a temporada de 1989/90, acabaria chamado para junto das “Águias”.
Daí em diante, o lateral-direito, ao assumir-se como um dos mais importantes elementos do plantel “encarnado”, passaria a contar com uma média de mais de duas dezenas de partidas por temporada. Como um dos habituais titulares, nos 4 anos a seguir ao regresso à Luz, José Carlos transformar-se-ia num pilar dos sucessos colectivos dos “Encarnados”. Para além das conquistas de 1 Campeonato Nacional, 2 Taças de Portugal e 1 Supertaça, o defesa ainda faria parte do lote de jogadores que, frente ao AC Milan, jogariam a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1989/90. Ainda na senda do sucesso, outro prémio pelas suas boas exibições emergiria com a chamada à principal selecção portuguesa. Convocado por Artur Jorge, o jogador, a 29 de Agosto de 1990, entraria em campo frente à República Federal Alemã e nesse particular disputado com a “Mannschaft”, conseguiria a sua única internacionalização “A”.
Por tudo isso, muitos estranhariam que, no Verão de 1993, o seu nome aparecesse como um dos excluídos do plantel benfiquista. Dizem as "más-línguas" que muito desta sua "dispensa" teria começado ainda no ano anterior, após um encontro contra o FC Barcelona. Nesse desafio, decisivo para o apuramento para a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1991/92, José Carlos teria pela frente Hristo Stoichkov. Em abono da verdade, o lateral português não sairia bem na fotografia e com a derrota do Benfica por 2-1, muitos seriam os dedos a apontarem o defesa como o principal culpado do desaire.
Maus momentos à parte, a saída de José Carlos do Benfica, nem de perto, nem de longe, terminaria com a sua carreira. Já depois da passagem pelo plantel de 1993/94 do Estrela da Amadora, onde provaria não ter perdido qualquer das qualidades a fazerem dele um belo praticante, na temporada subsequente à cumprida na Reboleira, seguir-se-ia o Vitória Sport Clube. Na "Cidade Berço", o defesa voltaria aos maiores palcos internacionais, disputaria as competições europeias, mas, acima de tudo, continuaria a provar ser um dos melhores, na sua posição, a actuar em Portugal.
Já a entrar na derradeira fase da sua caminhada enquanto futebolista, ao atleta, ainda na 1ª divisão, surgiria o Belenenses de 1999/00. Por fim, antes de “pendurar as chuteiras”, emergiriam as campanhas com as cores do Atlético.

317 - N'KONGOLO

Transferido do futebol belga - FC Liègeois - para representar um Sporting de Espinho orientado, na temporada de 1987/88, por Quinito, seriam também as mãos do treinador português que, para o jogador, abririam as portas do Estádio das Antas.
Fascinado pelo potencial físico do defesa internacional pelo Zaire, actual República Democrática do Congo, o referido técnico, que já tinha dado o aval à sua contratação enquanto timoneiro dos "Tigres da Costa Verde", passado apenas um ano sobre a sua chegada a Portugal, veria nele um bom reforço para o acompanhar na aventura pelo FC Porto. Porém, nem mesmo a presença do central na edição de 1988 da Taça de África das Nações, disputada em Marrocos e com o atleta ao lado de nomes bem conhecidos do desporto nacional, casos de N'Dinga, Tueba ou Basaúla, convenceria os responsáveis pelos "Dragões" a dar mais algumas hipóteses ao atleta.
Depois dessa época de 1988/89, onde, mesmo assim, conseguiria disputar, nas provas nacionais, um número bem razoável de partidas, Kalombo N'Kongolo haveria ser considerado como excedentário e seria posto na lista de dispensados. Ao regressar ao Sporting de Espinho, aí disputaria as próximas temporadas até que, para a campanha de1992/93, decidiria rumar a sul e ao Atlético Clube de Portugal. Já ao serviço do clube "alfacinha" aconteceria uma tragédia. Sem grande explicação e sem que nada o fizesse prever, uma embolia cerebral ceifaria a vida deste jovem, contava ele apenas com 31 anos de idade.

187 - CADETE

Depois de, em 1987/88, subir aos seniores do Sporting, na temporada seguinte, Jorge Cadete viu-se “emprestado” ao Vitória Futebol Clube. O regresso do jovem atleta a Alvalade, por razão das boas exibições na equipa de Setúbal, envolveu-se das melhores expectativas. O avançado depressa mostrou que tinha muito a dar aos “Verde e Branco” e ninguém ficou espantado quando, logo às primeiras jornadas da campanha de 1989/90, assumiu um papel de monta no plantel leonino. Contudo, apesar de mostrar inequívocas qualidades e da sua presença em campo ser regular, os golos teimaram em aparecer. A primeira grande explosão ficou reservada para a época de 1991/92. Finalmente começou a mostrar a assertividade que nele era espectável, mas o mais engraçado é que, os 25 golos alcançados nesse Campeonato – a melhor marca que conseguiu pelos “Leões” – seriam, ante o endiabrado Ricky, insuficientes para vencer a corrida ao lugar cimeiro da tabela dos Melhor Marcadores.
Essa meta dos “goleadores máximos” atingiu-a no ano seguinte. Ironicamente, dessa feita, bastaram-lhe 18 golos para alcançar tal feito. A época seguinte, com a substituição, no comando técnico leonino, de Sir Bobby Robson por Carlos Queiroz, trouxe a Cadete alguns dissabores – “Foi mais um mal-entendido. Eu era o capitão de equipa e dois companheiros meus estavam a discutir. Eu mandei-os calar e Queiroz pensou que eu tinha começado a discussão”*. O equívoco fez com que, aos olhos do treinador, a sua importância no seio da equipa diminuísse. A sua utilização começou a decrescer e a solução encontrada para o problema acabou por ser o “empréstimo” ao Brescia.
Com a passagem pela Serie A, Cadete entrou numa fase mais negativa da carreira. A saída para Itália resultou num falhanço e o regresso a Lisboa não trouxe mais do que novos litígios com o clube. Na Primavera de 1996 deixou de novo Portugal. Rumou a Glasgow e quando tudo pareceu encaminhar-se, surgiu mais um obstáculo. O processo de inscrição pelo Celtic pareceu não ter fim. Especulou-se que o atraso de seis semanas teve como propósito evitar que o avançado participasse na meia-final da Taça da Escócia, frente aos rivais do Rangers. Verdade ou não, o facto é que Jim Farry, Chefe Executivo da Scottish Football Association, na sequência da investigação que deu o erro como grosseiro, foi demitido do cargo.
Caso à parte, a sua estreia aconteceu num desafio contra o Aberdeen. O início foi no banco de suplentes, mas com o avolumar do “placard”, já nos 4-0 para o Celtic, o treinador Tommy Burns decidiu ter chegado a vez do ponta-de-lança. Não foi preciso muito para se mostrar! Bastou responder a uma desmarcação e, ao primeiro toque na bola, com um belo “chapéu” ao guardião contrário, Cadete fez entrar a bola nas redes adversárias. O que se sucedeu foi ainda mais incrível. O público entrou em delírio e tal foi o barulho dos festejos, que os microfones da BBC, durante largos segundos, não conseguiram captar mais nada!
Com tal arranque, os fãs do clube escocês ganharam um novo ídolo e a cada golo seu começaram a entoar hinos inspiradores: “There’s only one Jorge Cadete, / he puts the ball in the netty, / He’s Portuguese and he scores with ease, / walking in Cadete wonderland”. Ora, pelo meio dos cânticos, renasceu o “homem de área”. A rapidez com que voltou a atacar os lances, a facilidade com que passou a movimentar-se no campo, aliado ao seu poder de elevação, ressuscitaram-no como um atacante temível. Já após a participação no Euro 96, com a porta do sucesso de novo escancarada, a maior resposta deu-a na 2ª temporada passada em Glasgow e com 25 remates certeiros conquistou, não só o topo da tabela dos Melhores Marcadores da edição de 1996/97 da Liga escocesa, como o título de maior artilheiro de toda a Grã-Bretanha, na referida campanha.
O que depois aconteceu, por certo, ninguém estava à espera! Ao que parece, por razão das exigências contratuais negadas pelo clube a Cadete, o jogador e os responsáveis directivos do Celtic entraram em “rota de colisão”. Talvez na pior decisão da sua vida futebolística, o avançado exigiu a saída. Com a transferência para o Celta de Vigo e, posteriormente, para o Benfica, a caminhada desportiva do ponta-de-lança entrou em declínio. Em nenhum dos emblemas conseguiu impor-se e depois das passagens pelos ingleses do Bradford City e do Estrela da Amadora, o atleta suspendeu a actividade profissional.
Durante esse interregno acabou por aceitar um convite para participar num “reality show”. Ainda regressou aos campos, ao passar pelos escoceses do Partick Thistle e pelo Pinhalnovense. Nessa derradeira fase da carreira, o destaque acabou mesmo por ser a sua participação, a pedido do amigo e antigo colega Fernando Mendes, nos Distritais de Beja e ao serviço do São Marcos.
Hoje, depois da experiência como treinador na sua escola de formação, orienta pela primeira vez uma equipa de futebol sénior, o Recreio Desportivo do Algueirão, equipa que milita nos “Regionais” da Associação de Futebol de Lisboa.

*retirado da entrevista publicada em www.cmjornal.pt, a 21/03/2009

36 - LITOS

Sempre foi conhecido como um "enfant terrible"... terá sido mau feitio?
Às vezes, e admitamos que de valores andamos muito confusos, é muito fácil apontar uma pessoa como tresmalhada, quando ela apenas mostra empenho em defender as suas convicções. Por essa razão ou outra qualquer, a verdade é que o estrelato profetizado por John Toshack, treinador que o lançou no Sporting, nunca passou de um vaticínio. O erro de tal projecção, tem prova em algo muito simples. Com a dúvida que merece, é de minha análise afirmar que a sua melhor época sua melhor época foi logo a primeira como sénior!
Se essa temporada de 1985/86, quando contava apenas com 17 anos, levou-o à principal selecção portuguesa, as seguintes apenas serviram para mostrar um jogador inconstante. Saiu do Sporting em 1992, continuando a sua carreira no Boavista, Sporting de Braga, Estoril Praia, Lusitanos de Saint Maur, Beira-Mar e Atlético.
Como treinador já passou pela 1ª Liga. Agora à frente do Portimonense, Litos já treinou, naquele que é o patamar máximo do futebol português, o Estoril-Praia. Contudo, não conseguiu evitar que o emblema da “Linha de Cascais” fosse relegado.