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1761 - AUGUSTO

Nascido no Brasil, mas filho de portugueses, Augusto Martins que é, segundo algumas fontes, irmão mais novo de Osvaldo Manoel Martins, atleta igualmente com passagens por Portugal, teria no plantel de 1958 do Bonsucesso o começo da actividade enquanto praticante sénior. No seguimento da mencionada estreia, o extremo-direito manter-se-ia no mesmo emblema até do Fluminense surgir o interesse na sua contratação. Tal intenção materializar-se-ia, ainda que por empréstimo, na temporada de 1961. Contudo, a experiência nos “Tricolor” não correria como esperado e o jogador, findo o período de cedência e ainda no mesmo ano da mudança em direcção às Laranjeiras, retornaria à colectividade detentora do seu passe.
Havendo quem afirme como certa a sua passagem, em 1962, pelo Madureira, verdadeira seria a apresentação de Augusto como reforço do Sporting para a temporada de 1962/63. Em Alvalade, com Juca como treinador, o atacante começaria por ser utilizado com bastante regularidade. Mesmo com a curiosidade de, nessa campanha de chegada a Portugal, ter apenas jogado no Campeonato Nacional, a entrada para a época seguinte prometeria uma afirmação ainda mais contundente por parte do extremo. No entanto, aquilo que viria a verificar-se seria exactamente o oposto. Com o treinador Gentil Cardoso contratado para o arranque da temporada, o atleta, mesmo adaptado ao meio-campo, viria a perder muito do espaço conquistado anteriormente. Ainda assim, seria chamado para disputar 3 partidas da Taça dos Vencedores das Taças e com o Sporting a conquistar a edição de 1963/64 da dita prova, Augusto também seria inscrito no rol de nomes triunfadores da competição organizada pela UEFA.
Dispensado pelos “Leões”, Augusto, para a temporada de 1964/65, teria no Vitória Futebol Clube o capítulo seguinte da carreira. Com a entrada no emblema de Setúbal a coincidir com uma das épocas áureas da colectividade, o extremo seria peça importante nos feitos conseguidos na disputa da Taça de Portugal. Nesse sentido, logo no primeiro ano com o listado vertical verde e branco, o jogador, chamado por Fernando Vaz, entraria em campo no derradeiro desafio da competição. No Jamor, frente ao Benfica, ajudaria a conquistar o referido troféu. Também na época seguinte, repetiria a presença no Estádio Nacional. Contudo, dessa feita, o “caneco” partiria em direcção aos escaparates do Sporting de Braga. Já façanha de triunfar mais uma vez na “Prova Rainha” emergiria novamente na campanha de 1966/67 e, mesmo afastado da final, a sua presença nas rondas anteriores transformá-lo-iam num dos vencedores.
A época de 1967/68 marcaria, na caminhada do futebolista, a chegada ao Minho. No Vitória Sport Clube, muito mais do que reencontrar Juca, o jogador encetaria um trajecto a levá-lo a uma ligação de 4 anos com o conjunto de Guimarães. Durante o aludido período, os grandes destaques dessa passagem pela “Cidade Berço” iriam para o 3º lugar alcançado no termo do Campeonato Nacional de 1968/69 e, principalmente, para os apuramentos para as provas continentais. Repetindo a presença nesse tipo de competições, como já o tinha conseguido nos dois anteriores clubes, o médio teria na edição de 1969/70 da Taça das Cidades com Feira a estreia dos “Conquistadores” nos desafios europeus e entraria, dessa forma, para a história da agremiação minhota.
Depois da possível saída do Vitória Sport Clube no final de 1970/71, com 9 temporadas na 1ª divisão a colorir-lhe o currículo, existem fontes a dar o atleta, na campanha de 1972/73 e nas duas seguintes, a participar nas pelejas do Gil Vicente. Sobre esta hipotética passagem pelos “Galos”, é verdade que encontrei registos de um “Augusto” que, no relato de algumas rondas referentes a esse período, aparece alinhado na equipa inicial. Todavia, a correcção merecida a este singelo texto faz-me confessar que não consegui confirmar as diferentes alusões como sendo sobre o mesmo futebolista.

1758 - VIEGAS

Armelim Ferreira Viegas, nascido no concelho de Tondela, viajaria para Coimbra com o intuito de aí dar seguimento aos estudos liceais. Paralelamente, tendo como paixão o futebol, o jovem praticante encontraria na Académica o poiso ideal para alimentar o gosto pela prática da mencionada modalidade. Com o crescimento nas “escolas” da “Briosa” a revelá-lo como um exímio guarda-redes, o atleta conseguiria despertar a atenção dos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse sentido, o seu nome seria incluído, pelo seleccionador David Sequerra, no elenco que viria a disputar a edição de 1961 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. No entanto, no certame organizado em território luso, o guardião, nas escolhas do treinador José Maria Pedroto, nunca passaria da 3ª opção para ocupar um lugar à baliza. Ainda assim, mesmo não tendo entrado em campo em qualquer desafio disputado pelos rapazes a envergar a “camisola das quinas”, a sua presença também contribuiria para a vitória de Portugal.
No que concerne ao seu percurso clubístico, as primeiras partidas oficiais do guardião na equipa principal da Académica de Coimbra surgiriam no decorrer de 1962/63. Curiosamente, na referida campanha, José Maria Pedroto, dessa feita como o responsável pelo arranque das suas actividades na 1ª divisão, voltaria a surgir como um nome importante na carreira do atleta. Porém, mesmo tendo em conta a relevância da estreia naquela que é a principal prova do calendário português de futebol, a verdade é que o guardião acabaria a quedar-se pela condição de suplente de Maló. Aliás, ainda demoraria algum tempo para que o guarda-redes conseguisse afirmar-se como uma das principais figuras dos “Estudantes”.  Bem! Não é completamente correcta esta minha afirmação, pois na época seguinte à aludida no começo deste parágrafo, numa temporada em que a escolha para ocupar a baliza acabaria dividida entre 3 jogadores (falta fazer referência a Américo), Viegas seria o que mais vezes apareceria como titular.
A época de 1966/67 voltaria a trazer um momento importante na senda competitiva de Viegas. Dessa feita, com a sua participação em duas das eliminatórias, seria na Taça de Portugal que o guardião viria a contribuir para outro episódio colectivo de alguma relevância histórica. Infelizmente, a final, à qual não seria chamado por Mário Wilson, não correria de feição para o seu lado e seria o Vitória Futebol Clube a arrecadar o almejado troféu. Ainda na apelidada “Prova Rainha”, por ocasião da edição de 1968/69 da competição, o guarda-redes voltaria a participar noutra caminhada a levar a “Briosa” até ao Estádio Nacional. No entanto, ao contrário da última referência feita, o jogador, escolhido por Francisco Andrade, marcaria presença no jogo decisivo. Ainda assim, numa partida marcada pelos protestos estudantis contra o governo ditatorial, a Académica de Coimbra não conseguiria superar o Benfica e sairia do Jamor, mais uma vez, como o conjunto derrotado.
Claro está que, no trajecto de Viegas, seria impossível esquecer as provas de índole continental. Ao coincidir a estreia do guarda-redes nestes contextos competitivos com a primeira aparição da Académica de Coimbra nos referidos cenários, o guardião seria um dos escolhidos, por Mário Wilson, para, na Taça das Cidades com Feira de 1968/69, pelejar a ronda inaugural frente aos gauleses do Olympique Lyon. Já em 1969/70 e na disputa das Taças dos Vencedores das Taças, o jogador entraria em campo nas duas mãos da eliminatória a opor a colectividade beirã ao Magdeburg e contribuiria, com as exibições frente aos germânicos, para uma inolvidável campanha a levar os “Estudantes” até aos quartos-de-final.
Seria igualmente na temporada de 1969/70 que guarda-redes, segundo as informações por mim encontradas, deixaria os campos de futebol para dar mais atenção aos estudos na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Ainda assim, essa não seria a última inscrição Viegas e na temporada de 1980/81, segundo o “site” da Federação Portuguesa de Futebol, o antigo atleta de futebol “11” terá feito uma época no futsal (provavelmente futebol de salão) ao serviço da agremiação Os Barrigas.

1477 - NÉNE

Modesto Luís Ortiz de Sousa Neves, popularizado no mundo do futebol como Néne, nasceria em Madrid para, ainda em tenra idade, acompanhar a família na mudança para Moçambique. Na actual Maputo começaria a prática do futebol e as enormes qualidades exibidas levá-lo-iam a ser cobiçado na metrópole. Veloz e dono de uma técnica estonteante, o jovem avançado deixaria o Desportivo de Lourenço Marques, onde tinha conseguido popularizar-se, para escolher nos estudos em Coimbra e na camisola negra da Académica o novo destino da sua vida. Já na “Cidade dos Estudantes”, onde chegaria para integrar a equipa de juniores, depressa as suas qualidades empurrariam o avançado para o conjunto principal e ao agarrar a titularidade, a época de 1968/69 tornar-se-ia no primeiro grande capítulo da história de uma verdadeira lenda.
Parte de um sector ofensivo que, na sua época de estreia pelos seniores, contava com nomes como Manuel António, Artur Jorge, Crispim, Serafim ou Rocha, Néne não deixaria intimidar-se pela forte concorrência e assumiria, a partir da 12ª jornada do Campeonato Nacional, um papel de enorme relevância no decorrer da temporada de 1968/69. Muito para além da presença naquela que é a competição de maior relevo no calendário futebolístico luso, o atacante assumir-se-ia de fulcral importância no desenrolar da Taça de Portugal. Nesse sentido, depois de marcar um dos golos que, na disputa das meias-finais, ajudaria a eliminar o Sporting, o jogador seria chamado, por Fernando Andrade, para a disputa da derradeira peleja da prova. No Estádio Nacional, numa partida que ficaria para sempre marcada pelo protesto estudantil contra o vigente regime ditatorial, o atleta entraria no alinhamento inicial, mas o seu génio seria insuficiente para derrotar o Benfica.
Antes ainda da partida disputada no Jamor e aludida no parágrafo anterior, já Néne tinha tido a oportunidade para envergar a “camisola das quinas”. Chamado aos trabalhos da equipa de “esperanças” à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, o avançado, ao lado de outros colegas da Académica, casos de Toni e de Mário Campos, integraria a comitiva a viajar para “Terras de Sua Majestade”. Na cidade de Coventry, a 16 de Abril de 1969, o avançado faria parte do “onze” que entraria no Highfield Road Ground. Frente a Inglaterra, o jogador estrear-se-ia por Portugal e consequentemente adicionaria 1 internacionalização ao currículo pessoal.
A segunda temporada cumprida pela Académica iria trazer-lhe a estreia nas competições sob a tutela da UEFA. Com os “Estudantes” incluídos nos sorteios associados à Taça dos Vencedores das Taças, a progressão na prova levaria Nené e os companheiros a enfrentar, já nos quartos-de-final, o Manchester City. Convocado por Juca, disputaria ambas as mãos da referida ronda e mesmo com o afastamento da agremiação conimbricense, o jogador sairia da eliminatória como um dos elementos merecedor dos mais rasgados elogios.
Seria já com o início da época de 1970/71 à vista que a desgraça atingiria o jovem praticante. Aferido como uma das maiores promessas do desporto luso, Néne começaria a ser perseguido por Benfica, Sporting e, segundo veiculado, pelo Real Madrid. Com o assédio a crescer de tom e com a confusão instalada entre as direcções leoninas e da “Briosa”, o jogador, à altura a cumprir o Serviço Militar Obrigatório nas Caladas da Rainha, aproveitaria uma das licenças para desanuviar do clima tenso que o suposto “namoro” com outros emblemas havia causado no meio futebolístico estudantil. Nessa viagem, na estrada entre Coimbra e a Figueira da Foz, o avançado, a conduzir o seu Mini, embateria de frente com uma camioneta e na sequência do terrível acidente de viação, perderia a vida a 10 dias de cumprir 21 anos de idade.

1365 - MÁRIO REIS

Formado no Salgueiros, seria no emblema do popular bairro portuense de Paranhos que Mário Reis haveria de cumprir uma grande fatia do seu percurso enquanto futebolista. À parte do primeiro ano como sénior, fazendo fé em alguma informação, passado ao serviço do CD Portugal, o médio ganharia estaleca ao realizar diversas campanhas no conjunto a jogar em casa no Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro.
De volta ao Salgueiros na temporada de 1967/68, Mário Reis apanharia o clube a discutir a 2ª divisão. Aliás, para infelicidade de todos os envolvidos, em particular do atleta aqui retratado, o referido período corresponderia a uma longa fase em que o emblema da “Cidade Invicta” estaria afastado do convívio com os “grandes”. Nesse sentido, os anos seguintes à campanha referida no começo deste parágrafo, seriam todos satisfeitos na disputa do patamar secundário. Ainda assim, o traquejo ganho durante mais de uma década permitiria ao médio ser visto, por outras colectividades, como um bom reforço e a mudança de emblema já no final dos anos de 1970 serviria também para alterar um pouco o paradigma da sua caminhada competitiva.
Com o Rio Ave em franca ascensão, a chegada à agremiação sediada em Vila do Conde levaria Mário Reis a participar num episódio histórico do emblema da caravela. Ao encetar a sua senda com o listado verde e branco na temporada de 1977/78, o médio manter-se-ia na 2ª divisão. Porém, em sentido contrário ao que tinha vivido no Salgueiros, a campanha de 1979/80 daria ao atleta, em paralelo com a estreia da colectividade no escalão maior, a sua primeira campanha no patamar máximo do futebol português.
Com a carreira de futebolista a aproximar-se do fim, para além do aludido, Mário Reis ainda teria oportunidade para voltar aos palcos primodivisionários. Sempre como elemento do plantel do Rio Ave, o jogador ainda manteria as funções de atleta durante algumas épocas, duas das quais nos principais palcos lusos. No entanto, com a ideia já moldada às tarefas de treinador, a sua preocupação ficaria mais virada para as funções técnicas. Com esse objectivo em mente, após, interinamente e ao lado de Soares e de Duarte, ter orientado, em 1979/80, o principal grupo “rioavista”, a derradeira campanha enquanto atleta cumpri-la-ia, em paralelo, já no exercício do papel de adjunto.
Como treinador-principal, Mário Reis, com um percurso bem longo, orientaria diversas equipas. Com várias experiências na 1ª divisão, há que exaltar as suas passagens pelo Rio Ave, Salgueiros, Vitória Futebol Clube ou União de Leiria. Contudo, o período mais prolífero da sua caminhada de técnico tê-lo-á vivido à frente do Boavista. Nas “Panteras”, encaminharia os seus discípulos para a final da edição de 1996/97 da Taça de Portugal. No Estádio Nacional do Jamor, já depois de, nas meias-finais, ter eliminado o Sporting, enfrentaria o Benfica e o tão almejado troféu, com o placard a revelar 3-2, iria parar aos escaparates do Bessa.
Logo no ano seguinte, dessa feita com o FC Porto como adversário, surgiria o momento de pelejar pela Supertaça Cândido de Oliveira. Numa competição ainda disputada a duas mãos, os seus pupilos, no agregado das partidas, conseguiriam bater os “Dragões” e enriquecer, com o tal feito, o palmarés de todo o grupo “axadrezado”.

1119 - CANEIRA

Descoberto nas camadas de formação do Sintrense, a mudança para as “escolas” do Belenenses abrir-lhe-ia também as portas das jovens selecções lusas. Ao destacar-se na lateral-direita, a chamada aos sub-18 nacionais dar-lhe-ia a oportunidade de obter 5 internacionalizações e de, por Portugal, disputar o “play-off” de apuramento para a edição de 1963 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA.
Já para a temporada de 1964/65, a subida à principal equipa do conjunto do Restelo, indicaria Raul Caneira no caminho certo para uma evolução positiva. Promovido aos seniores pelo treinador austríaco Franz Fuchs, a sua estreia na 1ª divisão, e logo como titular, aconteceria na visita da 8ª jornada ao Estádio das Antas. Apadrinhados os primeiros passos com a “Cruz de Cristo” pela partilha do balneário com os futuros “Magriços” Vicente e José Pereira, a verdade é que, depois de uma promissora 1ª volta do Campeonato, o defesa não mais voltaria a ser visto em campo. Essa ausência espalhar-se-ia pelas temporadas seguintes, fazendo com que as próximas aparições acontecessem apenas na campanha de 1967/68.
Mais uma vez pouco utilizado, a solução para as épocas vindouras acabaria por passar pela sua transferência. Ao passar a representar a Sanjoanense, Caneira, finalmente, conseguiria agarrar um lugar de destaque. No entanto, e com a descida de escalão do conjunto sediado no distrito de Aveiro, o final da temporada de 1968/69, apesar do bom desempenho individual do atleta, ditaria o seu afastamento dos palcos primodivisionários. Curta separação, pois, volvido um ano após a despromoção, os bons desempenhos conseguidos na 2ª divisão voltariam a despertar a cobiça de outros emblemas. Dessa feita seria o Farense a apostar na sua contratação e, também para o jogador, a mudança para o Algarve em 1970, revelar-se-ia bastante proveitosa.
Muito para além de uma boa ocasião, o Farense transformar-se-ia no emblema mais representativo do percurso competitivo do defesa. No extremo Sul do país, continuaria a jogar com regularidade. Embora sem conseguir afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis da equipa algarvia, o certo é que a sua contribuição para os resultados colectivos, mantê-lo-ia como uma peça importante para o bom funcionamento do plantel. Durante as 7 temporadas seguintes, com as 6 primeiras sempre a disputar o patamar máximo do futebol português, as qualidades de Caneira permitir-lhe-iam ficar registado como um futebolista de bom valor e com lugar garantido na história dos “Leões de Faro”.
Em jeito de rescaldo podemos dizer que, espalhadas por 9 épocas, o lateral conseguiria amealhar para o seu currículo 151 partidas disputadas na 1ª divisão. Seguir-se-ia, para a campanha de 1976/77, o regresso aos escalões secundários. Essa campanha, a última disputada pelo emblema algarvio, encetaria o derradeiro capítulo da sua história como futebolista. Já numa fase descendente do seu trajecto, tempo ainda para voltar ao clube da sua terra natal. Pai do internacional português Marco Caneira, por certo que terá aproveitado essas 4 temporadas para, com a camisola do Negrais, mostrar alguns truques ao seu filho.

1002 - PEDRAS

Tendo chegado à equipa sénior do Vitória de Guimarães depois do 3º lugar conquistado no Europeu de Juniores de 1960, Pedras sublinharia o seu nome como uma das grandes promessas do futebol nacional. Ao conseguir estrear-se na principal equipa vimaranense na temporada de 1960/61, o médio, logo à partida, demonstraria que toda a esperança nele depositada dificilmente cairia em saco roto. Atleta com propensões ofensivas, o que traria para o seu currículo muitos golos, seriam necessárias apenas duas temporadas para que o Benfica fosse no seu encalço. A transferência concretizar-se-ia para a campanha de 1962/63 e o jovem centrocampista seria levado para o seio do grupo bicampeão europeu.
Numa equipa tão poderosa, e não pondo em causa a qualidade do jogador, a verdade é que a sua adaptação seria sempre complicada. A presença no plantel de nomes como José Neto ou Mário Coluna deixariam o médio sem grande margem para conseguir impor-se na equipa. Em 4 temporadas de “Águia” ao peito, poucas seriam as oportunidades dadas a Pedras. Por outro lado, e mesmo tendo jogado apenas 31 partidas durante a sua passagem pela “Luz”, o centrocampista conseguiria acrescentar ao seu currículo um total de 3 Campeonatos e 1 Taça de Portugal.
A transferência para o Vitória de Setúbal, além de dar ao jogador uma chance para relançar a carreira, acabaria por catapultá-lo para um nível já há muito merecido. Envolvido no negócio que levaria Jaime Graça para a “Luz”, Pedras, juntamente com Guerreiro e Arcanjo, partiriam para as margens do Sado. Nos dois anos em que vestiria o listado verde e branco do clube, o médio granjearia do merecido destaque. A presença em 2 finais da Taça de Portugal, tendo ajudado a ganhar a edição de 1966/67, seria superada em importância apenas pelas chamadas à principal selecção nacional. Pelos “AA” de Portugal, tendo também conseguido uma presença no conjunto “B”, jogaria 3 vezes. Bulgária, em duas ocasiões, e Brasil apadrinhariam as suas internacionalizações. No que diria respeito a seleccionadores, José Gomes da Silva e, mais tarde, José Maria Antunes transformar-se-iam nos seus timoneiros.
Após o destaque conseguido com os “Sadinos”, seria o Sporting a perguntar por si. Ao agarrar na temporada de 1968/69 a titularidade, o que aconteceria nas campanhas seguintes voltaria a levantar dúvidas sobre a sua real qualidade. Tal como já tinha sido verificado na passagem pelo Benfica, Pedras, ao perder muito fulgor, passaria os 2 anos seguintes sem ser tantas vezes chamado ao “onze” titular. Mais uma vez, salvar-se-iam os títulos e a vitória no Campeonato Nacional de 1969/70 e na Taça de Portugal do ano seguinte, serviriam para colorir o palmarés do atleta.
Já na derradeira etapa da sua carreira, tempo ainda para representar outro emblema naquele que é o nosso escalão máximo. Depois de um par de épocas com as cores do Atlético, Sintrense e o Seixal seriam os passos finais de uma caminhada que terminaria com o fim da temporada de 1974/75.

904 - ARNALDO

Depois de ter encantado no Sport Bissau e Benfica, seria na CUF que o jovem Arnaldo Silva faria a estreia no principal escalão português. No grupo do Barreiro, sob o comando de Manuel de Oliveira, o médio seria lançado na temporada de 1964/65. A segunda metade da referida época mostraria um jogador que, apesar da tenra idade, mereceria a confiança do treinador. No entanto, esse belo arranque acabaria por não ter continuidade nas campanhas seguintes. A irregularidade mostrada levaria os responsáveis da equipa a procurar nova solução. A resposta para a sua carreira viria na forma de empréstimo e, durante os 3 anos seguintes, o centrocampista evoluiria longe da Margem Sul.
Seria no regresso que Arnaldo conseguiria, finalmente, afirmar-se como um atleta fundamental na manobra da sua equipa. Com a ascensão do emblema do Barreiro, expressa na luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, o médio começaria a ser cobiçado por emblemas de outra monta. Com a “Lei da Opção” a dificultar a sua saída, os “grandes” do futebol português acabariam por ser dissuadidos da, tantas vezes veiculada, contratação. Apesar de nunca conseguir a tão almejada transferência, o prémio para as suas excelsas qualidades acabaria por vir da Federação Portuguesa de Futebol. Já com 30 anos de idade, o médio, com José Maria Pedroto no lugar de seleccionador, envergaria pela primeira vez a camisola das “quinas”.
Até 1976 manter-se-ia como uma das maiores estrelas da CUF. É já com a entrada em decadência da empresa que dava nome ao clube, que o internacional português acaba por deixar a camisola que, durante 10 temporadas, tinha envergado. Com a sua saída, seriam o Montijo, Barreirense e Amora as colectividades que, daí em diante, permitiriam ao jogador dar continuidade à sua carreira. Entre os 2 principais escalões nacionais, o atleta passaria aquela que pode ser vista como a segunda parte do seu percurso. A maior curiosidade desse período prender-se-ia com a polivalência revelada pelo futebolista. Durante essa meia dúzia de anos, o antigo médio acabaria por experimentar diferentes lugares. Ainda assim, e tendo jogado a avançado e defesa, a qualidade do seu jogo pouco diminuiria. Preponderante, Arnaldo poucas vezes seria esquecido na altura de delinear a táctica de jogo.
Bem perto de completar a sua quarta década de vida, e numa altura em que qualquer atleta estaria a pensar na reforma, Arnaldo decidiria manter as chuteiras nos pés. Já a distanciar-se da vontade e técnica mostrados nos mais importantes palcos do futebol português, a sua determinação levá-lo-ia ainda a jogar durante mais algumas temporadas. É em 1987, com 43 anos e a disputar os “distritais”, que decide ser a hora certa para afastar-se dos “jogos da bola”. Curiosamente, seria como segurança em estádios de futebol que, anos mais tarde, o antigo jogador passaria a ganhar a vida.

621 - DENIS LAW

Nascido em Aberdeen, no seio de uma família pobre de pescadores, Denis Law, desde cedo, mostraria uma grande paixão pelo “jogo da bola”. Esse gosto pela modalidade levá-lo-ia, em detrimento de outras escolas, a escolher a Powis Academy. Ora, seria enquanto estudante da dita instituição, conhecida pelas suas equipas de futebol, que Law haveria de ser descoberto por um olheiro do Huddersfield.
Franzino e, ainda por cima, sendo estrábico, a primeira impressão que o jovem praticante causou no treinador, não foi a melhor. Contudo, esta desconfiança duraria até ao momento em que a bola começou a rolar. Aí, ele que tinha chegado para treinar “à experiência”, passou de imediato a uma certeza, acabando, aos 15 anos de idade, por assinar contrato.
Com o Huddersfield na 2ª divisão, a estreia de Law na equipa principal, dar-se-ia um ano e meio após a sua chegada. A tenra idade com havia sido promovido aos seniores, em nada parecia afectar as suas qualidades. Logo começaram a surgir ofertas pelo jovem futebolista. O primeiro haveria ser Matt Busby, “manager” do Manchester United. Anos mais tarde, e depois de trocar o Huddersfield pelo Liverpool, Bill Shankly também tentaria a sua sorte. Contudo, as maquias oferecidas em ambos os casos, nunca agradariam aos responsáveis do clube.
Ao fim de 4 anos, condicente com as habilidades do atacante, lá apareceu uma boa proposta. £55 000, montante recorde em Inglaterra, e Law mudar-se-ia para o Manchester City. A chegada ao novo clube, com a transferência a ocorrer numa fase adiantada da época, em nada afectaria o rendimento do jogador. Rápido, com um pé direito fabuloso e um jeito para os golos que punha qualquer defesa em sentido, ninguém dizia que Law estava a fazer a sua estreia na “First Division”.
Os poucos jogos feitos nesse primeiro ano, ainda que suficientes para salvar os “The Citizens” da despromoção, seriam o tónico para uma segunda época de gabarito. Mais de duas dezenas de golos, numa equipa que ficaria abaixo do meio da tabela, seriam o móbil para uma nova transferência. Desta feita, quem apareceria na carreira de Law, seriam os italianos do Torino. Contudo, a adaptação a uma nova realidade seria pouco grata ao atacante. Época volvida e o regresso do escocês consumar-se-ia. Finalmente, Matt Busby, que até já o havia orientado num jogo pela selecção da Escócia, conseguia a sua contratação. Novo recorde para uma transferência em Inglaterra (£115,000) e a vida do avançado iria mudar para sempre.
Itália ficara para trás. Um acidente de carro, quando o seu colega Joe Baker decidiu entrar ao contrário numa rotunda; conflitos com o treinador, a quem acusaria de pedir a sua expulsão a um árbitro; e a fuga para Aberdeen, aquando de uma imposta mudança para a Juventus, tinham sido peripécias a mais!!! Talvez o que Law não adivinharia, é que o seu regresso a Manchester, muito mais do que um resgate, haveria de o elevar à condição de astro.
Para esse estatuto de estrela, muito contribuíram os títulos que foi conseguindo. Curiosamente, seria antes de conquistar a Liga Inglesa, ou qualquer outra competição importante, que Denis Law seria agraciado com uma das mais importantes distinções individuais. Em 1964 o avançado escocês vence o Ballon d’Or. Este facto mostra bem da qualidade do jogador. Claro está que outros factores, muito para além dos troféus, pesaram na escolha da “France Football”. Os 46 golos marcados na temporada de 1963/64, recorde ainda em vigor no Manchester United, terão tido a sua importância. Já a sua chamada, na comemoração do centenário da Federação Inglesa, para jogar pela Selecção do Mundo, haveria de ser mais um incentivo.
Os títulos acabariam por surgir. Sem esquecer a Taça de Inglaterra, ganha logo no seu ano de estreia pelo Manchester United (1962/63), Denis Law ainda haveria de juntar ao seu currículo 2 “Charity Shields” (1965/66; 1967/68) e 2 Ligas Inglesas (1964/65; 1966/67). Claro está, nesta senda de vitórias, é impossível esquecer a Taça dos Campeões Europeus de 1968. Na final, disputada frente ao Benfica, o Manchester United acabaria por sair vencedor. No entanto, para o avançado, esta vitória também teria o seu amargo de boca. Uma grave lesão no joelho impedi-lo-ia de disputar tanto as meias-finais, como a derradeira partida da competição.
Aliás, seria a dita lesão que marcaria o início do seu declínio. Com a saída de Matt Busby, o clube começa, também, a entrar numa fase menos boa. Nisto, com o agravar dos problemas físicos, tudo começa a conjugar-se para que o seu afastamento se concretize. Antes disso, Law jogaria mais um ano no Manchester City. Essa última temporada, com o jogador bem distante do que havia habituado os fãs, acabaria, para si, por ser um misto de emoções. Por um lado, a tristeza de marcar o último golo da época ao Manchester United, confirmando a (impensável) descida do seu antigo emblema. Por outro, é nesse ano de 1974 que Denis Law, pela primeira vez na sua vida profissional, tem o prazer de participar num Mundial de Futebol.

488 - VALDIR

Depois de no Brasil ter representado o Vitória da Bahia, emblema da sua cidade natal, e, posteriormente, o Fluminense, Valdir atravessa o Atlântico em direcção a Portugal. Chega ao FC Porto para a temporada 1963/64 e na bagagem trazia a fama de ser, para além de um bom tecnicista, um homem com excelente faro para a baliza. Não enganou. Contudo, e apesar dos predicados confirmados, o atacante brasileiro parecia não conseguir impor-se como titular indiscutível, no ataque dos "Dragões". A explicação para tal, pelo menos para os que da bancada aferiam as partidas, ninguém conseguia dá-la. Já Valdir, apesar de interpolar entre o "onze inicial" e o sofá de sua casa, parecia não esmorecer e a cada partida em que era chamado a actuar, o avançado, quase sempre, fazia o "gostinho ao pé"!
Já na sua segunda época de "Azul e Branco", Valdir reafirma a sua condição de atleta de grande valor. Primeiro, frente ao Olympique Lyon, participa na primeira passagem da sua equipa numa eliminatória das competições europeias. De seguida, ainda nessa mesma temporada, consegue sagrar-se o melhor marcador da equipa no Campeonato Nacional.
Apesar dos bons números, pelo menos aqueles que ilustram os tentos por ele concretizados, Valdir continuava sem um lugar cativo na frente ofensiva. Inexplicável, dirão alguns, mas outros, como o treinador José Maria Pedroto, acabariam por reforçar esse estatuto do atleta, ao ponto do mesmo acabar como "emprestado" ao Varzim.
Após essa temporada com os da Póvoa (1967/68), Valdir regressa ao comando do "Mestre". Continua sem conseguir segurar o lugar. Mas, ainda assim, nessa época acaba por vencer o seu primeiro troféu, a Taça de Portugal de 1967/68.
Dispensado do FC Porto, Valdir volta ao Varzim. As boas prestações continuam, no entanto os golos pareciam querer começar a escassear. Perda de habilidade???!!! Não!!! Apenas uma mudança de posição no terreno de jogo! Essa mesma alteração da sua maneira de actuar, ficaria sublinhada com a sua transferência para o Farense. Na capital algarvia, Valdir passaria a actuar como médio, onde a sua excelente capacidade técnica, acabaria por se tornar essencial no municiamento dos seus companheiros de ataque.
Já com 32 anos de idade, Valdir começa uma nova fase na sua carreira de profissional. Nesta, começa a vogar por emblemas de escalões inferiores, acabando por vestir as camisolas do Silves, Esperança de Lagos, Salgueiros e Lusitano VRSA. Afastado dos grandes palcos futebolísticos, Valdir continuaria a escrever o seu nome na história dos emblemas por onde passou. Por exemplo, como a grande estrela da primeira subida do Esperança de Lagos à Segunda Divisão ou, ainda, como treinador/jogador do Lusitano VRSA.