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1676 - ADEMAR

Com a formação terminada ao serviço do Sporting, Ademar Moreira Marques, ainda como membro das “escolas” leoninas, seria convocado às jovens selecções de Portugal. Na caminhada internacional, o médio-centro, a 17 de Abril de 1976, acabaria, pela primeira vez, por ser chamado a envergar a “camisola das quinas”. Depois da referida partida frente à Polónia, cumprida no âmbito dos sub-16, o atleta continuaria a envergar as cores nacionais. Ao passar por todos os escalões, incluindo os “esperanças”, o jogador também teria a oportunidade de exibir o seu talento no conjunto “A”. A primeira dessas aparições aconteceria, pela mão de Juca, num particular forasteiro frente à Bulgária. Seguir-se-iam ao desafio agendado a 16 de Dezembro de 1981, as contendas da equipa “B”, dos “olímpicos”, outra presença em campo pelo conjunto principal e uma soma a dar ao centrocampista um total de 23 jogos disputados com as insígnias lusas.
No que concerne ao percurso clubístico, a estreia de Ademar pela equipa principal do Sporting dar-se-ia no decorrer da temporada de 1977/78. Lançado por Rodrigues Dias num jogo, frente ao Benfica, a contar para a Taça de Portugal, seria na “Prova Rainha”, ainda na época de estreia como sénior, que o médio teria o primeiro grande título da carreira. Ao ser chamado pelo referido treinador à final e à finalíssima da competição, o jogador ajudaria o seu lado a derrotar o FC Porto.
Continuando a falar de troféus vencidos pelo “Leões”, então há também que fazer referência às vitórias no Campeonato Nacional de 1979/80 e à “dobradinha” de 1981/82. Ora, tanta preponderância no xadrez táctico leonino, onde, quase sempre, ocuparia uma posição de titular, tornaria ainda mais estranha a sua saída dos “Verde e Brancos” e o final da campanha de 1982/83, com alguma polémica à mistura, marcaria a sua partida de Alvalade – “(…)a opção do presidente João Rocha em 1983, ao dispensar grande parte do plantel, foi descabida. O Oliveira, o Jordão e o Manuel Fernandes eram os craques, mas os que tocavam ferrinho e bombo na parte de trás do palco, como eu, também eram”*.
De seguida, numa altura em que já era internacional “A”, apareceria uma fase da sua carreira caracterizada por uma vincada errância. Durante 4 anos, Ademar envergaria 4 camisolas diferentes. Tais experiências trariam sensações bem diferentes à sua caminhada desportiva. No Marítimo e no Vitória Futebol Clube disputaria o 2º escalão. Já no intervalo desses dois emblemas, o FC Porto de 1984/85, onde pouco jogaria, entregar-lhe-ia ao palmarés outra conquista do Campeonato Nacional. Falta fazer menção ao Belenenses e à temporada de 1985/86, período durante o qual veria o grupo de trabalho onde estava inserido, a chegar a mais uma final da Taça de Portugal.
Sucedendo-se a esse período da carreira que, convenhamos, terá sido menos conseguido, Ademar entraria no emblema que, atrás do Sporting, mais representatividade daria à sua carreira. No Farense a partir da campanha de 1987/88, o médio recuperaria a magia de temporadas pretéritas. No Algarve, com uma única passagem pela 2ª divisão, o atleta permaneceria durante meia dúzia de anos. Quase sempre como figura central das manobras idealizadas pelos diferentes treinadores, o jogador, muito mais do que contribuir para os objectivos do colectivo, tornar-se-ia, progressivamente, numa figura histórica da agremiação sediada no Sotavento. Já o fim do seu trajecto enquanto futebolista também surgira ao serviço dos “Leões” da capital algarvia e consumar-se-ia com o termo das provas disputadas em 1992/93.

*retirado do artigo de Pedro Jorge da Cunha, publicado a 8/7/2020, em https://maisfutebol.iol.pt

1590 - MENEZES

Após representar as “escolas” do Vasco da Gama, o Maranhão e o Itabuna, Paulo Roberto Menezes, seria contratado pelo Sporting. Aconselhada a sua aquisição pelo treinador leonino Paulo Emílio, técnico que já conhecia o atleta dos tempos em que ambos frequentavam São Januário, o jovem praticante entraria em Lisboa como reforço para a temporada de 1977/78. Apesar da tenra idade e da pouca experiência enquanto sénior, a verdade é que o defesa-central depressa conquistaria um lugar de destaque no plantel dos “Leões”. Logo na época de chegada a Portugal, mesmo tendo em atenção a concorrência de Manaca, do capitão Laranjeira e de Virgílio, o jogador, dono de uma boa eficácia e com um remate portentoso, conseguiria impor-se como um dos mais utilizados no sector mais recuado. Tal preponderância, chamado já por Rodrigues Dias, levá-lo-ia a jogar a final, tal como a finalíssima, da Taça de Portugal e no Jamor ajudaria os “Verde e Brancos” a erguer o tão almejado troféu.
No que toca a conquistas e momentos inolvidáveis, o tempo passado por Menezes em Alvalade seria generoso. Logo na temporada a seguir à sua entrada no clube, como dono de um lugar no “onze”, o atleta voltaria a marcar presença na derradeira ronda da “Prova Rainha”. Porém, contrariamente à edição anterior, a prestação do defesa seria insuficiente para evitar o triunfo do Boavista. Ainda como titular, tornar-se-ia numa das peças fundamentais das estratégias montadas por Fernando Mendes na vitória do Campeonato Nacional de 1979/80. Daí em diante, o jogador acabaria por perder a importância de anos passados. Nesse sentido, depois de abandonar o lugar no alinhamento inicial, a chegada do inglês Malcolm Allison na temporada de 1981/82 vetá-lo-ia ao quase esquecimento. Ainda assim, conseguiria somar mais números ao palmarés pessoal e mesmo com poucas presenças em campo, teria lugar no rol de vencedores da “dobradinha” alcançada na última campanha referida.
O relevo perdido no Sporting empurrá-lo-ia para outro emblema. Como integrante do plantel do Farense, ajudaria a conquistar o Campeonato Nacional da 2ª divisão de 1982/83. Curiosamente, ao invés de continuar na colectividade algarvia, o defesa-central, que também tinha capacidade para jogar como “trinco”, acabaria por mudar novamente de clube. Mantendo-se na disputa do patamar secundário, a época de 1983/84 apresentá-lo-ia como elemento do Belenenses. Tal como no colectivo do Sotavento, o jogador, de novo em Lisboa, mais uma vez seria uma peça marcante da vitória no segundo escalão e, por consequência, do regresso dos “Azuis” ao convívio com os “grandes”. Aliás, seria ao serviço dos homens do Restelo, conduzido por Jimmy Melia, que, na campanha de 1984/85, viveria a última época de cariz primodivisionário. Daí em diante a sua caminhada competitiva cevar-se-ia nos degraus inferiores. Após o regresso aos “Leões de Faro”, o atleta, por 3 anos, envergaria as cores do Bragança e já no grupo de trabalho de 1989/90 do Macedo de Cavaleiros decidiria ser o tempo certo para “pendurar as chuteiras”.

1095 - BASTOS

Com o aproximar do final da temporada de 1949/50, da lesão do titular Mário Rosa, emergiria a necessidade de eleger um novo guarda-redes para o que restava da referida campanha e Ted Smith, o treinador inglês do Benfica, decidir-se-ia por José Bastos. Logo na estreia, o novo dono das balizas “encarnadas” bateria um recorde e tornar-se-ia no mais jovem guardião de sempre a jogar na categoria principal. Meses depois, o atleta conseguiria um novo feito. Com a Taça Latina a disputar-se em Lisboa e por lesão do presumível titular, o jogador, mais uma vez, seria chamado a competir. No Jamor participaria em todas as 3 partidas da prova e na finalíssima, frente aos franceses do Bordeaux, ajudaria as “Águias” a erguer o prestigiado troféu.
Daí em diante, muito por custa de um perfil tranquilo e, no entanto, bastante corajoso, o jogador tornar-se-ia no atleta mais usado no lugar à baliza. Manter-se-ia como um dos indiscutíveis no “onze” até à chegada de Costa Pereira, outro nome mítico na história do emblema lisboeta. Com a entrada do novo guarda-redes em 1954/55, Bastos começaria a partilhar a titularidade com o colega contratado ao Ferroviário de Lourenço Marques. Alternando épocas em que açambarcaria a quase totalidade dos jogos, com outras de enorme oblívio, seria a entrada de Béla Guttmann para o comando técnico do Benfica que acabaria por pôr um ponto final à sua ligação com o emblema já sediado no Estádio da “Luz”.
Depois de 11 temporadas de “Águia” ao peito e de ter acrescentado ao palmarés, para além da referida Taça Latina, 3 Campeonatos Nacionais e 5 Taças de Portugal, o guarda-redes acabaria “emprestado” ao Atlético. Ao entrar para o emblema de Alcântara na campanha de 1959/60 e com especial destaque para a temporada seguinte, Bastos continuara a mostrar-se como um excelente guardião. Nessa segunda época viveria também duas situações inesquecíveis. Na primeira, num “particular” frente à sua antiga equipa, acabaria por ter a sorte de jogar na estreia benfiquista de Eusébio. A segunda, bem caricata, surgiria através de uma solicitação feita pelo treinador que o tinha dispensado – “O Béla Guttmann era treinador do Benfica e viu-me depois em alguns jogos, pedindo mais tarde ao dirigente Gastão Silva para me contratar. Mal ele sabia que tinha dado ordens para eu sair da Luz quando contraí uma lesão no pulso e fiquei parado durante quase um ano”*.
Pouco mais restaria da sua carreira. Na 1ª divisão ainda representaria o Beira-Mar, para terminar a carreira em 1963, num regresso ao Atlético. Depois de aposentado das lides competitivas, José Bastos ainda teria algumas experiências como treinador. Nessas funções, destaque para a sua passagem, na década de 1970, pelo primodivisionário Estoril Praia ou, uns anos antes, pelo Leiria e Marrazes.

*retirado da entrevista publicada em www.record.pt, a 25/01/2014

1012 - MATOS

Depois de consumada a transferência da AD Guarda para os juvenis do Sporting Clube de Portugal, seria no emblema lisboeta que Matos terminaria o percurso formativo. Já em 1975/76, e no sentido da sua evolução, o guarda-redes conseguiria estrear-se no conjunto principal. Porém, os dois primeiros anos como sénior tornar-se-iam um pouco ingratos para o jovem atleta. Tendo como concorrentes para a sua posição colegas mais experientes, as oportunidades conseguidas seriam escassas. A presença de Vítor Damas e, depois da saída deste para o Racing Santander, a contratação de Conhé vetá-lo-iam ao estatuto de escolha secundária. Sem conseguir escapar a essa condição, a solução encontrada para a sua carreia seria a saída para outra agremiação.
Tendo conseguido chegar aos sub-21 de Portugal ainda com as cores do Sporting, seria já como atleta do Boavista que Matos viveria os melhores anos como desportista. Os 7 anos que viveria de “axadrezado” elevá-lo-iam ao estatuto de titular. Todavia, muito mais do que a quantidade de partidas disputadas, os troféus começariam a fazer parte da sua carreira. Depois da sua chegada ao Bessa na época de 1977/78, a campanha seguinte traria ao seu palmarés a Taça de Portugal. Escalonado pelo técnico Jimmy Hagan para “onze” inicial que disputaria a final e a finalíssima da “Prova Rainha”, o guardião contribuiria para a vitória frente ao Sporting. Já com Mário Lino como treinador, a temporada de 1979/80 voltaria a pô-lo como o “nº 1” de mais uma conquista. Dessa feita frente ao FC Porto, o guarda-redes ajudaria a vencer a Supertaça.
Curiosamente, seria já ao serviço dos “Dragões” que o futebolista voltaria a provar o sabor da conquista. Alicerçado como um dos melhores guardiões a actuar em Portugal, depois também de várias participações nas provas organizadas pela UEFA e de, paralelamente, ter conseguido internacionalizar-se pelos “olímpicos” e “BB”, para Matos chegaria a hora de voltar a competir por um dos denominados “3 grandes”. Nas Antas, tal com já tinha acontecido em Alvalade, Matos acabaria na sombra da concorrência mais directa. Zé Beto, Mlynarczyk, Barradas ou Peter Borota seriam alguns dos nomes que, durante essas duas temporadas, fariam frente ao guarda-redes. Ainda assim, tempo para acrescentar aquele que viria a tornar-se no título mais importante do seu currículo, o Campeonato Nacional de 1985/86.
A saída do FC Porto marcaria o começo da sua última fase como futebolista. Os anos seguintes, tendo vestido as cores de Felgueiras e Sporting de Espinho, vivê-los-ia na 2ª divisão. Em 1990/91 regressaria ainda ao escalão máximo do futebol português com as cores do Tirsense, mas para a derradeira temporada como atleta de alta competição. No entanto, o amor à modalidade não o afastaria dos “campos da bola”. Passados alguns anos após deixar os relvados, o antigo jogador voltaria como treinador de guarda-redes. Nesse trajecto, que já leva mais de 20 anos, seriam vários os clubes que representaria.  Destaque para as suas passagens pela Arábia Saudita, India ou China e ainda para os anos passados no Boavista, Académica e Benfica.
Faz parte, neste momento (2019/20), dos quadros técnicos do Sporting Farense.

1005 - CARLOS DUARTE

Também com o propósito de observar novos jogadores, o FC Porto, na transição da década de 40 para a de 50, haveria de encetar uma digressão pelas antigas colónias portuguesas em África. Como resultado dessa prospecção, chegaria à “Cidade Invicta” um lote de 4 atletas com um enorme potencial. Em Moçambique os responsáveis da equipa descobririam Albasini e Perdigão. Já de Angola, os nomes escolhidos para integrar o plantel “azul e branco” seriam Miguel Arcanjo e Carlos Duarte.
Carlos Duarte, depois de ter jogado pelo Atlético de Nova Lisboa, seria descoberto já ao serviço do GD Ferrovia. Veloz e de “drible” fácil, o extremo-direito seria visto como um exímio intérprete do jogo directo. Essas suas qualidades, e com o objectivo de reforçar as hostes portistas, fá-lo-iam, em 1952, embarcar para a metrópole. Já instalado na cidade do Porto, o jovem atleta haveria de adaptar-se rapidamente. Tão depressa quanto a sua integração, os seus dotes transformá-lo-iam numa das principais estrelas do clube. Ao formar com Virgílio e Hernâni um trio de dinamismo ímpar, o atacante acabaria por tornar-se num dos responsáveis pelo regresso do clube aos títulos.
Com a chegada de Dorival Yustrich em 1955, o FC Porto acabaria por pôr termo a um jejum que durava há 16 anos. Mesmo não sendo visto pelo técnico brasileiro como um dos titulares absolutos, Carlos Duarte manter-se-ia como um dos elementos mais importantes no seio do grupo de trabalho. A sua relevância, que conservaria o seu nome no “onze” tipo, haveria de ser fulcral na conquista da “dobradinha” de 1955/56. Com a vitória no Campeonato, a temporada seguinte daria a oportunidade ao extremo de participar pela primeira vez nas competições organizadas pela UEFA. Aliás, muitos dos principais episódios da carreira do atacante seriam vividos fora de portas.
Também pela selecção, cuja sua estreia, frente à África do Sul, aconteceria em Novembro de 1953, Carlos Duarte viveria ocorrências inolvidáveis. Um desses momentos seria passado num “particular” disputado frente à Inglaterra. Em Wembley, onde Portugal nunca tinha vencido ou marcado, o extremo deixaria a sua marca. Com um total de 7 partidas disputadas com a “camisola das quinas”, seria o mítico estádio londrino a apadrinhar o seu único golo concretizado pelo nosso país. Mesmo não tendo evitado a derrota lusa, a exibição do atacante não passaria despercebida. Com os diversos meios de comunicação a louvar a sua prestação, o atleta, nesse embate de Maio de 1958, terminaria o jogo como um dos melhores em campo.
As duas temporadas que açambarcariam o ano civil de 1958, acabariam por transformar-se num período de grande importância para Carlos Duarte. Para além dos troféus ganhos, nos quais ficariam listados a vitória na Taça de Portugal de 1957/58 e no Campeonato Nacional da campanha seguinte, surgiria o interesse de um dos “gigantes” do futebol mundial. Na pausa estival entre as referidas épocas, o AC Milan haveria de sugerir a transferência do avançado para o “calcio”. Contudo, as centenas de contos apresentadas pelo emblema italiano acabariam por não impressionar as hostes portistas. Com a saída de Jaburú a ser equacionada, o Presidente Paulo Pombo, prevendo uma excessiva delapidação do plantel, recusaria a proposta. Para o extremo, que aceitaria a decisão directiva, a hipótese de jogar no estrangeiro esfumar-se-ia.
No começo da temporada de 1959/60, Carlos Duarte lesionar-se-ia com gravidade. O recobro, resultante da cirurgia ao joelho, afastaria o atleta das competições. Durante quase um ano, o extremo ver-se-ia na impossibilidade de dar o seu contributo à equipa. Dir-se-ia que no regresso à actividade competitiva, a sua habilidade, que a tantos tinha impressionado, havia ficado diluída na recuperação. Ainda assim, a sua presença em campo era tida como de vital importância e, nos anos vindouros, a inscrição do seu nome nas fichas de jogo manter-se-ia constante.
Mesmo tendo perdido alguma habilidade física, Carlos Duarte ainda manteria a sua ligação ao FC Porto durante alguns anos. No final da temporada de 1963/64, a separação, tantas vezes alvitrada, consumar-se-ia. Todavia, o fim da ligação entre os “Dragões” e o atleta acabaria por não significar o fim da carreira do extremo. O Leixões abrir-lhe-ia as portas e no emblema de Matosinhos encerraria um ciclo que, na sua vida desportiva, congregaria um total de 12 temporadas disputadas no patamar maior do futebol português.

995 - ELDON

Contratado ao Vasco da Gama a meio da temporada de 1978/79, Eldon chegaria à Académica como um dos reforços capaz de inverter a má posição do clube na tabela classificativa. Infelizmente para os “Estudantes”, a tendência demonstrada na primeira metade da referida campanha manter-se-ia como uma constante. Com o fim do Campeonato, o emblema conimbricense acabaria despromovido. No entanto, e mesmo com a descida de escalão a assumir um papel negativo, algo de grande haveria de retirar-se de tamanho insucesso. Nessa perspectiva, o ganho de um avançado de referência transformar-se-ia num dado indiscutível.
Foi por ser tido como bom modelo que a sua continuidade nunca chegaria a sofrer qualquer contestação. Oportunista e bom no jogo aéreo, a sua generosidade física era mais um dos seus atributos de sucesso. Tais qualidades, muito mais do que colocarem o avançado na linha da frente, mantê-lo-iam como um dos melhores atletas no plantel “estudantil”. O seu estatuto, ainda hoje recordado com saudade, seria alicerçado na sua vontade e no que o número de golos conseguiria testemunhar. Essa aferição contabilística teria um dos momentos altos aquando de mais uma passagem da Académica pela 2ª divisão. Mesmo tendo em conta o contexto competitivo, é impossível não louvar a quase meia centena de remates certeiros conseguidos por Eldon no decorrer da temporada de 1982/83.
Seria esse pragmatismo numérico que catapultaria o avançado para outro patamar. Uma campanha com as cores do Vitória de Guimarães e logo um dos “3 grandes” seguiria no seu encalço. A proposta do Sporting seria aceite e Eldon, passado apenas um ano sobre a sua chegada à cidade minhota, mudar-se-ia para a capital. Porém, a sua integração no plantel leonino, que à partida já se adivinhava árdua, tornar-se-ia numa luta ingrata. Com Jordão e Manuel Fernandes a assumirem a dianteira, também as presenças somadas de Saucedo, Forbs, Fernando Cruz e, na sua segunda temporada de “Leão” ao peito, de Ralph Meade tornariam a afirmação do ponta-de-lança brasileiro num trabalho deveras difícil.
Ainda assim, a primeira campanha em Alvalade até terminaria com um saldo positivo. Pior seria a época de 1985/86. Nessa segunda temporada, Eldon já não conseguiria esgrimir argumentos para, com alguma regularidade, justificar a sua presença em campo. Nesse contexto, a sua saída de Alvalade acabaria por fazer algum sentido. O Marítimo seria o emblema seguinte na sua caminhada profissional. Apesar de positiva, a aposta não sustentaria o jogador por muito tempo na Madeira. A Académica, como uma paixão incontornável, voltaria a chamar por si. O apelo para o seu regresso surgiria como algo inegável. O avançado retornaria a Coimbra para fechar um ciclo que, nas margens do Mondego, conheceria os melhores momentos.
Com o seu falecimento em 2017, a memória do antigo atleta renovar-se-ia. Da Académica surgiria uma mensagem de pesar, na qual ficaria bem patente a grande admiração e seu peso na narrativa da instituição – “Hoje é, definitivamente, um dia triste para a Académica. Faleceu esta quinta-feira Eldon, um dos grandes jogadores da História da Briosa (…). Em 219 jogos, Eldon marcou 134 golos com a camisola da Académica. É o terceiro melhor marcador da nossa história. Grande e eterno jogador da Briosa, ainda melhor nos valores humanos e na alegria com que sempre vestiu a nossa camisola. Um verdadeiro exemplo e um ícone da Académica”*.

*retirado do artigo publicado em www.ojogo.pt, a 22/09/2017

949 - JABURÚ

Com as escolas do Fluminense a servirem de casa da partida, seria no América Mineiro que, após uma curta passagem pelo Olaria, Jaburú acabaria por merecer um maior destaque. No clube de Belo Horizonte, os golos por si concretizados torná-lo-iam numa das estrelas da massa adepta. Mais importante do que toda essa paixão, o trabalho mostrado em campo, lado-a-lado com uma faceta afoita, acabariam por fazer dele uma das prioridades nas convocatórias de Dorival Yustrich.
A admiração do técnico tornar-se-ia de tal ordem que, após ser contratado pelo FC Porto, haveria de sugerir o nome do ponta-de-lança como um dos reforços a adquirir. Com a chegada às Antas de Yustrich e do avançado, a temporada de 1955/56 acabaria por transformar-se num enorme sucesso. Para tão grande êxito muito contribuiria a disciplina imposta pelo treinador brasileiro. Porém, a ajuda do jogador, senão mais importante, passaria a ser vista como de igual relevância. Alto e possante, o físico do atleta era apenas o móbil para um exímio jogo aéreo e de pés. Tanto de cabeça, como a rematar com a direita ou com esquerda, Jaburú tornar-se-ia numa enorme dor de cabeça para todos os defesas adversários. Essa superioridade seria uma das maiores armas no quebrar do jejum que durava há 16 anos. As quase três dezenas de golos concretizados nessa época, conseguiriam transformar-se na base das vitórias do FC Porto e da conquista do Campeonato e da Taça de Portugal.
O pior para o avançado é que o brilho que tinha dentro de campo também o acompanhava na sua faceta boémia. Com a saída de Yustrich no início da época seguinte, o rendimento do jogador começaria a diminuir. Ainda mantendo o estatuto de estrela maior do conjunto portista, a falta da disciplina imposta pelo treinador brasileiro acabaria por desregrar também a produtividade do ponta-de-lança. Havia também outro problema – a sua característica fleumática. Por razão dessa faceta, por diversas ocasiões seria expulso e severamente castigado. Ora, com tantos aborrecimentos causados, a solução passaria pela sua transferência. Nada difícil. Com a fama dentro dos relvados a precedê-lo, não tardou muito a que viessem outros emblemas no seu encalço. Em Outubro de 1958 a mudança concretizar-se-ia e Espanha tornar-se-ia na sua nova morada.
Já no Celta de Vigo as polémicas não largariam o atleta. Logo nos primeiros tempos sairia dos treinos queixando-se das costas. Testes feitos e o diagnóstico dava-o com uma bronquite e uma lesão na coluna. Nisto, e com o intuito de anular a transferência, o clube galego haveria de apresentar na Federação Espanhola uma declaração assinada pelo jogador, que afirmava já estar lesionado por altura da sua venda. Jaburú viria a público e afirmaria que tal testemunho não tinha passado de um equívoco. Para alimentar a polémica seguir-se-iam mais exames médicos e queixas do jogador contra a sua entidade patronal. Em Janeiro de 1959 o clube acabaria por suspendê-lo de todas as actividade e em Abril, para terminar com toda a história, a Federação acabaria por desvincular o avançado das suas obrigações contratuais.
Sem ter participado em um único jogo com a camisola do Celta de Vigo, Jaburú regressaria a Portugal. Dessa feita com a camisola do Leixões, o avançado contribuiria para uma das mais bonitas páginas do emblema de Matosinhos. Orientado por José Valle, que como interino já tinha treinado o atacante no FC Porto, a sua primeira época ainda correria de feição. O pior seria a seguinte. Sem conseguir deixar de lado o seu lado boémio, os problemas com o álcool começariam a revelar-se bastante problemáticos para o seu desempenho desportivo. Ainda assim, e já com o argentino Filipo Nuñez como treinador, o brasileiro ainda daria a sua ajuda na conquista da Taça de Portugal de 1960/61.
Ainda começaria a temporada seguinte ao serviço do Leixões. No entanto, inebriado pelas suas adições, o atleta acabaria por ser tido como um indigente e deportado para o Brasil. De volta ao Rio de Janeiro acabaria a viver na rua. Ao tentar ganhar a vida como engraxador, era na sua caixa que trazia as melhores recordações. Com fotos suas no FC Porto a embelezarem o equipamento de trabalho, era nas imediações do Maracanã que mais vezes era visto. Acabaria por falecer de formar trágica. Embriagado, viria a morrer vítima de um atropelamento.

910 - BARBOSA

Podia ter posto em causa toda a sua carreira quando, ainda em idade júnior, decide assinar contrato pela Académica. Tendo ligação ao Boavista, esse seu acto poderia ter sido visto como uma traição. Mesmo assim, António Gama decide pôr de parte as altercações e, no final da campanha de 1968/69, o referido treinador chama o jovem defesa à equipa principal.
Ainda que na 2ª divisão, esse fim de temporada daria óptimas indicações. Depois de consumada a subida de escalão, a época de 1969/70 serviria para a sua afirmação. Aferidas as suas qualidades, Barbosa logo ficou como uma das referências no centro da defesa “axadrezada”. Curiosamente, e depois de ter ganho um lugar ao lado de Mário João, a chegada de um novo treinador daria outra orientação à sua carreira. Tendo visto nele distintas qualidades, Fernando Caiado, estrela com carreira feita entre o Boavista e o Benfica, empurra o jogador para meio-campo.
Seria nessa posição mais adiantada que, a partir da época de 1970/71, passaria a jogar. Ainda que algo turbulentas para o jogador, essa e as seguintes campanhas assegurariam que Barbosa como uma das figuras mais importantes do plantel boavisteiro. Quem ainda mais sublinharia esse seu estatuto, seria o antigo internacional “canarinho” Aimoré Moreira. Percebendo a influência que o atleta tinha na dinâmica da equipa, o técnico brasileiro faria dele o “capitão”. A braçadeira mantê-la-ia até à Revolução do 25 de Abril de 1974. Sendo descendente de uma família com plantações de café em Angola, o atleta, com a política a imiscuir-se no desporto, veria a sua liderança a ser rebatida. Para pôr fim à polémica, o médio decidiria abdicar da braçadeira e entregá-la-ia a um dos seus colegas.
Apesar da controvérsia, a importância que tinha para o plantel manter-se-ia. Por essa razão, nem mesmo a chegada de José Maria Pedroto ao Bessa, beliscaria o seu estatuto de titular. Todavia, a contratação do treinador traria algumas mudanças. A primeira, seria a sua passagem do meio-campo para a lateral direita. Depois, viria aquilo que transformaria as épocas vindouras nas mais importantes da sua carreira. Os títulos chegariam resultado de campanhas muito acima do expectável. Muito mais do que os lugares cimeiros na tabela classificativa, ou da presença nas competições europeias, seria à custa da Taça de Portugal que o sucesso passaria a fazer parte do trajecto do atleta. As vitórias nas edições de 1975/76 e 1976/77 da “Prova Rainha”, daria outra cor ao seu currículo. Passado alguns anos, o seu palmarés voltaria a colorir-se. Sob o comando do inglês Jimmy Hagan e depois de Mário Lino, Barbosa ajudaria o clube a erguer mais 2 troféus: a Taça de Portugal de 1978/79 e a Supertaça do ano seguinte.
Com a entrada nos “30”, a frequência da sua presença nas fichas de jogo começaria a diminuir. Mesmo com o fim a aproximar-se, Manuel Barbosa preferiria manter-se de “axadrezado”. Naquilo que foi a sua carreira sénior, transformando-se no atleta que mais vezes representou o clube no escalão máximo, acabaria por nunca vestir outras cores para além das do Boavista. Mesmo, ainda nas camadas jovens, tendo envergado a camisola das “quinas”, talvez tenha faltado uma internacionalização “A” para embelezar, ainda mais, o seu trajecto. Já na derradeira temporada como futebolista, a meio, Valentim Loureiro endereçar-lhe-ia o convite que o levaria à próxima tarefa dentro da modalidade. Pondo de parte as chuteiras, os primeiros passos como técnico dá-los-ia nessa época de 1982/83. Na estreia, encetaria uma espantosa recuperação até ao 5º posto. Destaque também para as suas passagens na 1ª divisão, pelo Penafiel e Desportivo de Chaves. Nas funções de treinador há que ainda fazer referência à sua experiência na China, onde, em 2011, levaria o Tianjin Teda à final da Taça.

894 - ACÚRSIO

Nascido em Oeiras, seria na localidade dos arredores de Lisboa que Acúrsio, juntamente com o irmão mais novo, daria os primeiros passos no hóquei. Já a entrada na maioridade levá-lo-ia a outra aventura. Em Moçambique, para onde iria à procura de trabalho, as cores do Ferroviário de Lourenço Marques passariam a fazer parte da sua vida. No emblema da actual Maputo, o ecléctico praticante partilharia o tempo entre duas actividades desportivas. No futebol destacar-se-ia como guarda-redes. Já na modalidade em patins, curiosamente, a sua posição era no ataque.
Na sua evolução como desportista, e apesar da maior popularidade que o futebol sempre auferiu, seria no ringue de patinagem que Acúrsio mais depressa conseguiria destacar-se. Ainda em África, começaria a ser chamado à selecção nacional portuguesa, pela qual participaria no Mundial de 1954. Contudo, também no futebol dava cartas. A sua altura faria com que, nas bolas altas, conseguisse impor-se com relativa facilidade. Ainda assim, não era desprovido de bons reflexos e, entre os postes, as defesas que fazia eram fonte de grandes louvores.
Sendo um craque no futebol e no hóquei, o FC Porto, que procurava reforços para ambas as modalidades, veria nele um bom elemento para envergar as cores do clube. Tendo regressado a Portugal para a temporada de 1955/56, mais uma vez seria de setique na mão que começaria por destacar-se. Tornando-se no primeiro internacional “Azul e Branco” na disciplina dos ringues, já no “campo da bola” as coisas não começariam assim tão bem. Com Dorival Yustrich a dar preferência a Pinho, Acúrsio teria poucas oportunidades para jogar. Mesmo tendo conseguido vencer o Campeonato e a Taça logo no ano de estreia, o guarda-redes só conquistaria a titularidade no decorrer da 3ª época de “Dragão” ao peito. Curiosamente, seria nessa campanha de 1957/58 que viveria um dos momentos mais marcantes da sua carreira. No desafio da última jornada, num pontapé de baliza a baliza, o guardião inscreveria o seu nome na lista dos marcadores. Nessa vitória frente ao Belenenses, e já depois do tento conseguido, o atleta fracturaria o braço. Todavia, e ao contrário daquilo que seria esperado, não sairia e, aguentando as terríveis dores, terminaria o encontro.
As boas exibições na guarda da baliza do FC Porto, levá-lo-iam, por fim, a vestir as cores nacionais. Com a estreia em Maio de 1959, esse “amigável” disputado em Gotemburgo marcaria o começo de uma caminhada que, sensivelmente um ano depois, terminaria com um total de 7 internacionalizações. Às parcas partidas disputadas com a camisola de Portugal não é indiferente a decisão por si tomada, pouco tempo depois. Numa altura em que a profissionalização era um facto incontornável no nosso país, Acúrsio teria que dedicar-se em exclusivo ao futebol. Ainda assim, o atleta pouco tempo conseguiria viver com tal resolução. Desejando voltar a praticar ambas as modalidades, a solução encontrada fá-lo-ia voltar a Moçambique. Com mais um Campeonato (1958/59) a embelezar-lhe o palmarés, Acúrsio, no final da época de 1960/61,transfere-se de novo para o Ferroviário. Seria no emblema de Lourenço Marques, que o antigo jogador portista faria a transição para as tarefas de técnico. Ainda como treinador de hóquei, destaque para o seu regresso à terra natal, onde orientaria o AD Oeiras.

515 - LARANJEIRA

Nascido no mais "Alfacinha" dos bairros lisboetas, Alfama, foi em pequenas colectividades que Laranjeira deu os primeiros passos como jogador de futebol. Depois de Arroios, Leões da Bica e Real Clube da Boavista (não sei se por esta ordem ou se, ao menos, a lista está completa) chega a vez do Sporting. Nas escolas leoninas, a sua maneira assertiva de jogar, tornam-no, desde muito cedo, num dos destaques das equipas por onde passa. Por razão desse mesmo sucesso, começa também a frequentar os escalões de formação da selecção nacional.
A sua estreia no principal plantel "Verde e Branco", dá-se já na temporada de 1970/71. De início, não joga muito. Mas, num grupo onde nomes como os de Alexandre Baptista ou José Carlos eram incontestáveis, um jovem nunca poderia contar com muitas oportunidades. Como em tudo, a ordem natural das coisas haveria de mostrar o caminho da sucessão no "Reino do Leão". Retiram-se os mais velhos e Laranjeira, logo no seu segundo ano de sénior, conquistaria o seu lugar no centro da defesa sportinguista.
Simples na sua maneira de abordar os lances; vigoroso, mas sempre leal; e com uma capacidade excepcional para as bolas altas, Laranjeira mostrava-se portentoso no derradeiro sector leonino. Com tais qualidades, inatas que eram, o seu nome, rapidamente, passa a ser um dos indiscutíveis no escalonamento do "onze" inicial. Tal estatuto, que se manteria nas épocas vindouras, abrir-lhe-ia as portas da principal selecção portuguesa. Começa na Mini Copa de 1972, frente ao Equador. Contudo, e apesar deste início prometedor, a sua vida com a "camisola das Quinas" acabaria por não ter a constância que se esperaria após esta estreia. A explicação para tal poder-se-á encontrar naquilo que foi um dos tormentos da sua carreira, as lesões. O pior desses episódios aconteceria no decorrer da temporada de 1973/74. Por essa altura, e na sequência de uma grave lesão num dos joelhos, houve quem vaticinasse o fim da sua vida profissional. No entanto, uma intervenção cirúrgica efectuada em Londres, e durante a qual a sua rótula seria substituída por uma artificial, devolvê-lo-ia à prática do futebol.
Após dois anos afastado dos relvados, Laranjeira regressa. A vontade de ajudar aquele que sempre foi o clube do seu coração, mostra um atleta que nem parecia ter passado por um terrível calvário. Aparentemente indiferente ao que se tinha passado, o defesa volta a conquistar o seu lugar no centro da defesa. Mantem-se como um dos indiscutíveis do clube e acaba mesmo por chegar a capitão de equipa.
Depois de mais de uma década ao serviço do Sporting, e sem que alguém adivinhasse tal desfecho, Laranjeira abandona Alvalade. A separação resultaria da falta de acordo na renovação do seu contrato... o seu destino, em mais uma daquelas contenciosas "trocas" entre os eternos rivais lisboetas, acabaria por ser o Benfica. Nas "Águias" passa as 3 temporadas seguintes. Apesar de regularmente utilizado, acaba por não conseguir impor-se da mesma maneira que no Sporting. Ainda assim, os anos de "encarnado" são proveitosos para o jogador. 1 Campeonato, 2 Taças de Portugal e 1 Supertaça, a juntar ao Campeonato e às 3 Taças de Portugal vencidas de "Verde e Branco", haveriam de enriquecer o currículo de Laranjeira.
Na 1ª Divisão, ainda faria uma derradeira temporada (1982/83) ao serviço do Amora. Já o fim da sua carreira, tenha acontecido no emblema da margem Sul do Tejo ou, como também vi relatado, na "North American Soccer League", não consegui apurar. Deixo aos nossos leitores o seguinte desafio: "Onde é que Laranjeira pendurou as chuteiras?".

469 - MASCARENHAS

Chegou de Angola, após uma longa viagem de barco, para jogar num Benfica onde, para o ataque de 1958/59, pontuavam nomes como os de José Águas ou de Palmeiro. Má fortuna a do jovem jogador que, apesar das qualidades demonstradas, não conseguiu impor-se perante tamanhas estrelas. Logo na campanha seguinte, à procura de novas oportunidades, seguiu para o FC Barreirense. No Estádio D. Manuel de Mello a história foi outra. Na primeira das três temporadas que passou no emblema da Margem Sul do Tejo, Mascarenhas começou a mostrar-se, marcou golos atrás de golos e ajudou a colectividade a regressar ao escalão máximo. De volta aos grandes palcos, consagrou-se como o melhor marcador da equipa. No entanto, os seus 10 golos acabaram por não ser suficientes para evitar a despromoção do listado alvirrubro. Novamente na 2ª divisão, o ponta-de-lança, a sublinhar uma qualidade futebolística a merecer muito mais que o patamar secundário, transformou-se no jogador que, na totalidade dos campeonatos europeus de 1961/62, mais golos marcou. O prémio para tal proeza não pode ser melhor, com o Sporting, o clube do seu coração, a elegê-lo como uma das contratações para a temporada vindoura.
Como jogador, a sua história em Alvalade, não pode dizer-se que tenha sido muito longa. Tal caminhada começou no dia em que, ao lado do brasileiro Osvaldo Silva, assinou o seu contrato e terminou 3 anos depois. Contudo, esse tempo foi mais que suficiente para que as suas proezas ficassem tanto na história do clube, como na do desporto português. Tal afirmação, como é lógico para quem jogou no ataque, está ligada à quantidade de golos por si concretizados. Nesse sentido, houve uns quantos remates certeiros a darem ao ponta-de-lança um recorde no futebol europeu. Por ventura já terão adivinhado a qual episódio faço referência. Ainda assim, tenho de sublinhar a tal façanha e falar dos 6 tentos de Mascarenhas num só jogo, partida disputada frente ao APOEL Nicósia, e que, ainda hoje, é uma das marcas por ultrapassar ao nível das competições organizadas pela UEFA.
Lembrem-se, que os 16-1 dessa goleada em Lisboa, imposta na peleja frente à colectividade cipriota referida no parágrafo anterior, foi um dos passos a conduzir os “Leões” à conquista da Taça dos Vencedores das Taças de 1963/64. Não só tal vantagem conseguiu tornar-se num recorde nas provas continentais, como deu ao avançado um enorme fôlego para vencer a corrida de melhor marcador da competição. Todavia, apesar do feito alcançado, apesar de ser aplicado nos treinos (diziam que subia as bancadas do estádio a correr e com Osvaldo Silva às costas), de ser incansável durante todos os encontros e de possuir um jogo aéreo implacável, a verdade é que temporada de 1964/65 mostrou um Mascarenhas bem longe dos números a que havia habituado os adeptos. Como consequência dessa queda exibicional tão brusca, o ano seguinte devolveu ao FC Barreirense o homem que dizia ser "fácil elevar-se, mas que depois demorava eternidades até pousar os pés na relva"* e, daí em diante, a carreira do atleta começou a decrescer significativamente.
Após o regresso à Margem Sul, onde, no escalão maior, ainda representou a CUF, Mascarenhas encetou um périplo por clubes de menor monta e pelas divisões inferiores do futebol luso. Já depois de, ao serviço do Paços de Ferreira, ter terminado a carreira, soube-se que Mascarenhas atravessava um período de sérias dificuldades financeiras. Em Janeiro de 1982, uma reportagem da "Gazeta dos Desportos" acabou a expor as condições miseráveis em que o antigo craque, a habitar num bairro degradado do Porto, vivia. O apelo surgiu logo na capa e em jeito de "slogan", o "Vamos arranjar-lhe um emprego no futebol" chegou ao presidente leonino, na altura João Rocha. Rapidamente, do departamento de futebol do Sporting chegou a proposta para a antiga estrela do clube e assim deu-se início à nova etapa na vida do antigo avançado que, como funcionário dos “Leões”, esteve em Alvalade mais de duas décadas.

*retirado do artigo de Vítor Almeida Gonçalves, publicado a 13 de Novembro de 2013, em www.record.pt

412 - FIDALGO

Aquando da transferência, ainda em idade júnior, do Sporting de Espinho para o Benfica, Fidalgo sabia, à partida, que a sua vida não iria ser fácil. Mais consciente do facto deve ter ficado quando, ao subir à primeira categoria das “Águias”, deu de caras primeiramente com José Henrique e alguns anos depois com Manuel Bento. Tamanha competição pelo lugar de guarda-redes faria com que o promissor atleta, escalonada a equipa, ficasse, na campanha de 1971/72 e nas seguintes, remetido para segundo e, por vezes, para terceiro plano. Encetar-se-iam, então, os empréstimos a outros emblemas e depois de uma modesta passagem pelo Leixões de 1973/74, seria o Sporting de Braga de 1976/77 a sublinhá-lo como um guardião ágil, arrojado e muito elegante entre os postes.
Seria igualmente na temporada cumprida na “Cidade dos Arcebispos” que o jogador ajudaria o emblema minhoto a atingir duas importantes metas. A primeira concretizar-se-ia com a chegada à última partida da Taça de Portugal. Na final disputada no Estádio das Antas, o seu nome seria um dos escolhidos, por Mário Lino, para fazer parte do “onze” dos “Guerreiros”. No entanto, apesar da vontade de manter invioláveis as suas redes, Fidalgo não conseguiria evitar que Fernando Gomes, aos 9 minutos da segunda metade do jogo, fizesse o tento a empurrar o troféu para os escaparates do FC Porto. Algumas semanas depois, já sob o comando de Hilário, viria a primeira grande conquista do Sporting de Braga e, como titular no derradeiro encontro, o guardião, numa partida frente ao Estoril Praia, auxiliaria o seu clube a vencer a Taça da Federação Portuguesa de Futebol.
Depois da temporada em Braga passada em altíssimo plano, o regresso do guarda-redes ao Estádio da "Luz" ter-se-á feito envolto noutras esperanças. A verdade é que o cenário manter-se-ia idêntico, ou seja, os nomes com ele disputar o lugar à baliza viriam a ser os mesmos de temporadas anteriores. Tal contexto, mais uma vez, faria com que o jogador, nas 2 campanhas seguintes, fosse “esquecido”. Então, no Verão de 1979, no meio da polémica a envolver a mudança de Botelho e Laranjeira do Sporting para as "Águias" e a partida de Eurico em sentido contrário, Fidalgo também trocaria de lado na 2ª circular.
Na época de estreia de "Leão" ao peito, Fidalgo, ao dividir a protecção do último reduto leonino com o companheiro de posição António Vaz, contribuiria para o sucesso do grupo rumo à conquista do Campeonato Nacional de 1979/80. Já na temporada seguinte, quando tudo apontava para que continuasse nessa senda, uma grave ruptura muscular atirá-lo-ia para uma longa recuperação, fazendo com que perdesse a oportunidade de lutar pela camisola número 1. A partir desse momento, o guardião deixaria de estar na linha-da-frente para a titularidade. Por essa razão, e depois de ajudar à "dobradinha" de 1981/82, decidiria que o melhor para a sua carreira seria rumar ao Norte e ao Salgueiros. Todavia, aquela que começaria como uma outra qualquer temporada, revelar-se-ia de importância extraordinária para o atleta - "Octávio Machado abandonou o clube numa altura em que eu não podia jogar por me encontrar lesionado. Por isso pediram-me para ficar como treinador. Foi o que aconteceu até final da temporada e conseguimos a manutenção nesse ano, o que foi algo de extraordinário dado que estávamos praticamente condenados"*.
A experiência como técnico, que podia ser vista sido como um somar de valências para o atleta, incrivelmente traduzir-se-ia em oportunidades perdidas. Fidalgo que, com 32 anos, tinha ainda a legítima vontade de continuar a caminhada enquanto futebolista, veria o seu cenário competitivo a alterar-se – “Curiosamente, as portas fecharam-se quase todas depois de ter sido treinador. Mantive vários contactos com clubes da I Divisão, no entanto, depois de ter treinado o Salgueiros com sucesso, a situação alterou-se”*. A solução encontrada levá-lo-ia ao 2º escalão, onde, ao serviço do Estoril Praia, teria novo poiso. Contudo, como o próprio o viria a confessar, "a motivação já não era a mesma"*, e ao fim de dois anos, acabaria por pôr um ponto final na carreira, transitando para o comando dos “Canarinhos”.
Depois de uma carreira de treinador erguida essencialmente nas pelejas dos patamares secundários, Fidalgo tem-se destacado como comentador desportivo. De relevo, ficam as suas passagens pelos programas televisivos da RTP, e também, à moda antiga, pelas telefonias, como é o exemplo da Rádio Renascença.

*retirado do artigo de Vítor Pinto, publicado a 10/05/2000, em www.record.pt

402 - PIETRA

Começaria no Belenenses a carreira de um dos mais brilhantes laterais do futebol português. Rápido, com capacidade para correr com a bola controlada, mas sempre de olhos postos no companheiro a quem passar o esférico, Minervino Pietra depressa ganharia o merecido destaque no Restelo. Com tamanhas qualidades, poucos ficariam admirados que, com apenas 19 anos de idade e a jogar pelos da “Cruz de Cristo”, o defesa fosse chamado à estreia na selecção A. O encontro, marcado para o Estádio de Alvalade, numa jornada a contar para a Fase de Qualificação do Mundial de 1974, haveria de opor as congéneres de Portugal e da Irlanda do Norte. Todavia, com o dia 14 de Novembro de 1973 a marcar a sua estreia com a principal “camisola das quinas”, outras datas surgiriam em que teria a oportunidade de continuar a representar o seu país. Curiosamente, seria à custa do equipamento luso que também viveria um dos maiores dissabores enquanto futebolista. Após participar no apuramento para o Euro 84 e quando a maioria já contava com o seu nome no grupo arrolado para a disputa do torneio organizado em França, o comité técnico, composto por Toni, José Augusto, Fernando Cabrita e António Morais, decidir-se-ia por outros dois atletas e, como resultado de tal opção, Pietra ver-se-ia ultrapassado por João Pinto e por Veloso.
Obviamente, a carreira do defesa não ficaria resumida ao episódio mencionado no final do parágrafo anterior. Voltando ao seu trajecto clubístico, seria no Verão de 1976, com a chegada ao Benfica de John Mortimore, que Pietra, contratado ao Belenenses, acabaria apresentado como um dos reforços das “Águias”. Sendo ambidestro, formaria, com o já aludido António Veloso, uma das melhores duplas de laterais a actuar nas provas portuguesas. A sua segurança defensiva, como a acutilância dada às ofensivas da equipa, somariam qualidade a um plantel recheado de praticantes com inquestionáveis predicados. A valia desse grupo de trabalho resultaria numa invejável lista de troféus conquistados entre 1976/77 e 1985/86, ou seja, no período em que o jogador vestiria de encarnado. No entanto, para além da conquista de 4 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal e 2 Supertaças, ao currículo do atleta faltaria a Taça UEFA de 1982/83, perdida na final frente ao Anderlecht.
Depois de terminada a carreira nos relvados, Pietra escolheria a vida de técnico. Com passagens por diversas agremiações e escalões, onde, com escassas excepções, desempenharia essencialmente a tarefa de treinador-adjunto, o antigo internacional português é hoje em dia um dos braços-direitos de Jorge Jesus no Benfica e, acima de tudo, um dos homens mais respeitados tanto no seio do clube, como pelos adeptos da colectividade lisboeta.

353 - JORGE SILVA

Depois de, ainda novo e com toda a família, ter-se mudado de Lisboa para Moçambique, seria em África que Jorge Silva começaria a ganhar o gosto pelo futebol. Influenciado, ou não, pela existência na família de antigos praticantes da modalidade, casos de Manuel Jorge, pai e antigo atleta do Belenenses, e de Pérides, seu tio e internacional português, a verdade é que seria este último a orientá-lo nos primeiros passos e a encaminhá-lo até à Académica de Lourenço Marques.
Ainda em idade formativa, a sua habilidade rapidamente inspiraria a confiança do Benfica e sem que as “Águias” quisessem esperar muito mais tempo, tudo ficaria acordado para que o atacante, ao lado do irmão mais velho José Luís, regressasse à cidade de onde era natural. Em Lisboa, tanto na extrema-esquerda do campo ou preferencialmente a jogar a avançado-centro, Jorge Silva começaria a revelar as suas habilidades. Rapidez, boa técnica e uma capacidade intuitiva para conseguir estar onde os golos aconteciam, fariam dele uma das melhores promessas da “escolas encarnadas” e, em paralelo, das camadas jovens da "Equipa das Quinas".
Já com o seu irmão a jogar com o plantel sénior, o atacante, também a merecer a atenção de John Mortimore, seria chamado à equipa principal no decorrer da temporada de 1977/78. Contudo, apesar das qualidades demonstradas, Jorge Silva, com concorrentes como Nené, Vítor Batista ou Reinaldo, acabaria preterido nas escolhas dos técnicos. Por ser pouco utilizado, os responsáveis pelo emblema da “Luz” decidiriam o empréstimo como a melhor solução para o crescimento do jovem atleta. Amora e Boavista, principalmente os 3 anos ao serviço dos “Axadrezados”, serviriam para mostrar um futebolista de belíssimos préstimos e pronto para atacar a titularidade no Benfica. Com essa certeza, Pal Csernai, para a campanha de 1984/85, daria instruções para que o jogador regressasse à “casa mãe”. A trabalhar com o técnico húngaro, o atacante começaria por impor-se na equipa. No entanto, as oportunidades conseguidas acabariam por mostrar um avançado um pouco abaixo das expectativas criadas e a regressar, progressivamente, ao leque das segundas e terceiras escolhas.
Ao terminar a ligação com os “Encarnados”, o avançado iniciaria um novo périplo que fá-lo-ia apontar, mais uma vez, a voos de outra monta. Após representar o Desportivo de Chaves, de acompanhar, na temporada de 1985/86, a estreia do emblema transmontano na 1ª divisão e de, na campanha seguinte, ajudar à qualificação dos flavienses para as provas sob a alçada da UEFA, o passo seguinte na sua carreira seria dado na ilha da Madeira.
Ao serviço do Marítimo a partir de 1987/88, as boas exibições, juntamente com os golos marcados nas provas de índole nacional, haveriam de pô-lo no lote de seleccionáveis para a principal equipa a trabalhar sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol. Esse passo dá-lo-ia a 26 de Abril de 1989, pela mão de Juca, numa partida a contar para a Fase Qualificação do Mundial de 1990. Nesse jogo frente à Suíça, a juntar às 25 pelejas que, entre diversos escalões, o avançado já contava no trajecto competitivo, Jorge Silva passaria a somar ao currículo 1 internacionalização “A”.
No que restaria da senda desportiva do atacante, a qual ainda viria a estender-se por quase uma década, Jorge Silva passaria por diversos emblemas. O Belenenses de 1988/89 e, subsequentemente à única época passada no Restelo, a temporada feita ao serviço do Vitória Futebol Clube poriam um fim ao seu trajecto primodivisionário. Seguir-se-iam, na divisão de Honra, outra campanha com as cores da agremiação da cidade de Setúbal e os dois anos na Ovarense. Já como o último capítulo na sua caminhada enquanto futebolista, surgiria o Lusitano de Vila Real de Santo António e o fim da carreira com o termo das provas agendadas para 1997/98 e com o jogador à beira de completar 40 anos de idade.

130 - SANTANA

Não foi só mais um jogador vindo de África, mas sim uma das grandes estrelas do futebol benfiquista dos anos 60. Nascido na província de Benguela, seria no Sport Clube da Catumbela que as “Águias” iriam descobri-lo. Para Lisboa viria em 1954, onde, com 18 anos de idade, começaria pelas categorias de formação do clube da Luz. Decorridas 2 temporadas após a sua chegada, Santana, pela mão de Otto Glória, juntar-se-ia à equipa principal. Começava a desenhar-se aquele que viria a ser um grupo vencedor e não demoraria muito tempo até que o jovem nascido em Angola formasse com o capitão José Águas, uma dupla temível no ataque “encarnado”.
No entanto, e ao contrário do seu companheiro no sector mais avançado, Santana não tinha um corpo impressionante. Era baixo e de aspecto franzino, mas dessa fisionomia, apesar da desconfiança de certos treinadores, nunca haveria de emergir qualquer fraqueza. Muito pelo contrário, era no seu físico de ar débil que tinha a maior arma. Era nessa ligeireza que cabia toda a técnica que o caracterizava. Maior do que toda a habilidade, o que mais se destacava nele era a calma com que encarava os lances. Nessa sua tranquilidade, o atacante sabia dar a todas as jogadas, aos passes e a todos os toques na bola uma elegância fenomenal.
Nas competições europeias, já com Béla Guttmann ao comando equipa, lograria estrear-se em Edimburgo. Nessa temporada de 1960/61 brilharia. Durante o desenrolar da mesma, teria um papel deveras preponderante na conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus, marcando presença em todos os jogos da campanha e concretizando 4 golos, um deles na final de Berna, frente ao Barcelona. A chegada de Eusébio ao Benfica tirar-lhe-ia a titularidade. Continuaria, no entanto, a ser muito utilizado e preponderante nos objectivos do colectivo. Era quase sempre a primeira escolha para substituir algum dos seus colegas da linha avançada. Por essa razão, continuaria a marcar presença nos mais importantes momentos vividos pelo conjunto português. A prova da sua relevância sublinhar-se-ia com a presença nas finais europeias seguintes, tanto na vitória em 1962 frente ao Real Madrid, como na derrota de 1963 frente ao AC Milan.
Faltou-lhe no currículo a presença num grande certame para selecções. No entanto, com 5 internacionalizações e 1 golo, deu o seu contributo à "Equipa das Quinas" em algumas das fases de qualificação.

87 - OCTÁVIO MACHADO

Aos 14 anos, Octávio, com apenas 1,35m e uma tremenda dificuldade em encontrar chuteiras para o seu pequeno pé, despontava no clube da sua terra. Com ele, já vinha uma cara de "brigão"; já vinha aquela vontade batalhadora que, aos 17 anos, permitiu que capitaneasse a equipa sénior do Palmelense.
O rezingão que todos reconhecemos nele, sempre foi sinónimo da uma atitude persistente, de uma luta constante pelo que sempre considerou ser, dentro e fora dos relvados, uma postura correcta. Foi esse seu crer intrépido que, durante os mais de 30 anos que passou no futebol, sempre mostrou. Tanto como atleta do Vitória de Setúbal, do FC Porto ou da Selecção de Portugal, ora como treinador dos "Dragões" ou do Sporting, Octávio sempre revelou e exigiu uma garra inabalável.
Contudo, não é difícil adivinhar que a sua postura, muito mais do que uma predisposição, tenha sido influenciada por outras pessoas. Muitos poderão ter tido esse papel na sua vida, no entanto houve um que, indubitavelmente, acabou por ter um grande peso na sua formação como Homem. O nome? José Maria Pedroto. Um dia, Octávio Machado falou assim do referido treinador – "um homem de causas, valores e princípios, que nunca se dava por vencido. Com ele, não havia vida fácil. Era extremamente exigente, mas, ao mesmo tempo, carinhoso e justo com aqueles que interpretavam as suas leis "*.
Após deixar o futebol e paralelamente à sua paixão pela agricultura, Octávio Machado apareceu em 2005, num gesto de gratidão à sua terra natal, nas listas à Câmara Municipal de Palmela. Cumpriu mandato como vereador e passados 4 anos, após sair do PSD por "divergências éticas, de princípios, de valores e ideológicas"**, candidatou-se, dessa feita, nas listas do CDS/PP. Falhou, no entanto, nova eleição.
Hoje em dia, e apesar de andar um pouco mais distante da vida pública, não anda por certo desatento, e fiquem descansados os mais saudosistas, pois não faltarão oportunidades para ouvirmos nas suas intervenções, "O Palmelão" dizer: "Vocês sabem do que estou a falar"!

*retirado da entrevista conduzida por Rui Tovar, publicada em www.ionline.pt, a 06/02/2010
**retirado do artigo publicado em www.publico.pt, a 04/05/2009