1160 - MANUEL CORREIA

Intercalada a formação no Seixal Futebol Clube, com uma curta experiência nas camadas jovens do Sporting, o regresso às “escolas” do emblema sediado na margem sul do Rio Tejo daria a Manuel Correia a oportunidade de, alguns anos depois, fazer a transição para a equipa principal. Todavia, com o clube do Campo do Bravo a militar nas divisões inferiores, o defesa-central ainda demoraria alguns anos até chegar ao degrau maior do futebol português.
Com o avançar da caminhada, depois ter conseguido estrear-se nos seniores na campanha de 1979/80, seguir-se-iam as passagens pelo Sesimbra e pelo “O Elvas”. Seria mesmo no Alentejo que o atleta, depois de uma temporada de 1983/84 de bom nível exibicional, conseguiria dar o salto para os palcos principais do Campeonato Nacional. Com a transferência para o Vizela, a época de 1984/85 ficaria como um marco no seu percurso desportivo. Em termos pessoais, a referida campanha acabaria por encetar o seu itinerário na 1ª divisão. Também em termos colectivos, esse mesmo ano registaria a estreia do emblema minhoto entre os “grandes” e, por consequência, inscreveria o defesa numa das páginas mais importantes do clube.
Com o último lugar na tabela classificativa, os minhotos, um ano após a subida, acabariam por descer de escalão. Com a despromoção, também Manuel Correia seria arrastado. Mantendo-se como um dos mais importantes pilares do conjunto, a passagem de 2 temporadas pela 2ª divisão serviria para sublinhar o atleta como um elemento capaz de atingir outros horizontes. Nesse sentido, e ao verem na sua habilidade aptidões suficientes para acrescentar valor ao plantel, os responsáveis do Penafiel aceitariam a aposta nos seus serviços. A troca de clubes, ocorrida na época de 1987/88, devolveria o jogador ao patamar máximo e promoveria o reencontro com José Romão. De novo sob a alçada do seu antigo treinador no Vizela, Manuel Correia afirmar-se-ia como um intérprete de cariz vincadamente primodivisionário. Para tal aferição, em muito contribuiria a titularidade. Dono de um lugar no “onze” durante a passagem pela colectividade duriense, o estatuto mantê-lo-ia também no clube seguinte.
Em Trás-Os-Montes, ao acompanhar José Romão na mudança, o defesa acabaria a viver o período mais marcante da caminhada profissional. Entre 1989 e 1996, envergaria o azul-grená das camisolas flavienses. Com 7 temporadas consecutivas, 6 das quais despendidas no patamar maior, o registo de 193 partidas disputadas faria de Manuel Correia o 2º atleta com mais partidas disputadas pelo Desportivo de Chaves, na 1ª divisão.
Mas não só como atleta defenderia os interesses do emblema transmontano. Também na cidade nortenha decidiria aposentar-se das lides de futebolista e, imediatamente após “pendurar as chuteiras”, abraçar as funções de técnico. Como não poderia deixar de ser, o antigo praticante aproveitaria a oportunidade dada por José Romão, tornando-se no seu adjunto. Já na temporada de1997/98, com a experiência a contar para o seu registo na 1ª divisão, assumiria o cargo de treinador-principal. Seguir-se-iam, numa carreira longa e marcada pelos escalões secundários, diversas colectividades. De entre os vários emblemas, destaque para os regressos ao Penafiel, ao Vizela e ao Sesimbra ou as passagens pelo União de Lamas, Desportivo das Aves, Felgueiras e Fabril.

1159 - CARLOS CARDOSO

Produto das “escolas” sadinas, Carlos Cardoso, na temporada de 1964/65, seria chamado à equipa principal pelo treinador Fernando Vaz. Analisado pelo “olho clínico” do técnico, o promissor atleta seria, do miolo do terreno, recuado para o sector mais recuado. Logo na campanha de estreia como sénior, revelando o acréscimo de valor dado à equipa, ajudaria o Vitória Futebol Clube a vencer a Taça de Portugal. Frente ao Benfica, num jogo disputado no Estádio Nacional do Jamor, o jovem defesa-central entraria em campo como titular e, a favor do listado “verde e branco” do conjunto setubalense, contribuiria para o 3-1 final.
Carlos Cardoso viveria no emblema da terra natal, aqueles que seriam os melhores anos do conjunto sediado na margem norte do Rio Sado. Com isso, outros títulos emergiriam das pelejas disputadas no Bonfim e noutros palcos. Para além do acima referido, o atleta faria parte dos grupos que venceriam a Taça de Portugal de 1966/67 e as edições de 1968/69 e 1969/70 da Taça Ribeiro dos Reis. Ainda assim, outros momentos haveriam de aferir a glória da sua carreira. Com os setubalenses a lutar pelos lugares cimeiros das provas nacionais, como seria prova o 2º lugar conseguido na época de 1971/72, também as competições internacionais entrariam para o currículo do jogador – “Dos 70 jogos europeus do Vitória, participei em 57. Joguei com Elfsborg, Banik Ostrava, Liverpool,Tottenham, Zaglebie, Juventus, Leeds, Lyon, Fiorentina, Newcastle, Racing White, Hertha Berlim, Lausana, Hadjuk e Anderlecht entre Taça das Taças, Taça UEFA e Taça Intertoto(…)”*.
Com um percurso brilhante, Carlos Cardoso acabaria chamado aos trabalhos das equipas sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado primeiro à formação de “Esperanças”, sensivelmente dois meses depois conseguiria estrear-se pelo conjunto principal. A 10 de Dezembro de 1969, o defesa adicionaria à sua caminhada profissional 1 internacionalização “A”. Nesse “particular” frente a Inglaterra, o atleta entraria em campo pela mão de José Maria Antunes e, apesar de titular no Estádio de Wembley, não seria capaz de evitar a derrota do seleccionado luso, por 1-0.
Mas não só como praticante seria construída a sua ligação ao futebol. Também no papel de treinador, o antigo defesa cimentaria o elo à modalidade. Ainda que longe do sucesso conseguido dentro do campo, Carlos Cardoso haveria de ter vários momentos dignos de excelsas avaliações. Depois de, com o término da temporada de 1976/77, pôr um ponto final no trajecto de futebolista, as tarefas de técnico seriam assumidas em exclusivo. Porém, ao invés da caminhada até aí feita, os passos dados levá-lo-iam a puxar para si as responsabilidades competitivas de outros emblemas. Mesmo tendo começado no Bonfim, para além da insígnia do Vitória de Setúbal, Barreirense, Nacional da Madeira, “O Elvas”, União da Madeira, Benfica de Castelo Branco e Juventude de Évora também seriam orientados pela sua pessoa.
E se em Elvas levaria os de “azul e oiro” à 1ª divisão de 1986/87, seria no regresso ao conjunto sénior do Vitória Futebol Clube que, a partir da segunda metade da década de 90, agarraria a maior parte das experiências primodivisionárias. Tantas vezes visto como um “pronto-socorro”, por razão das diversas “promoções” de adjunto ao posto cimeiro de comando, Carlos Cardoso, em várias ocasiões, afugentaria do clube os desaires competitivos. Pelo meio, a época de 1998/99 transformar-se-ia na única em que, de princípio ao fim, assumiria como treinador-principal. No final da referida campanha, os “Sadinos” atingiriam o 5º lugar da tabela classificativa e voltariam às provas organizadas pela UEFA.

*retirado da entrevista conduzida por Rui Miguel Tovar, publicada em https://tovarfc.pt, a 08/06/2020

1158 - TIBI

Jogava ainda como juvenil quando António Teixeira, treinador da equipa principal do Leixões, haveria de aferir as suas qualidades como suficientes para integrar o plantel sénior do conjunto de Matosinhos. Sem nunca passar pelos juniores, o salto dado na temporada de 1969/70 daria a Tibi a oportunidade de também fazer a sua estreia na 1ª divisão. Mesmo ao aparecer pouco em campo, essa campanha como que serviria de rampa para os anos seguintes. Já a titular, as suas habilidades chamariam a atenção dos responsáveis técnicos de vários emblemas de monta. Com o Benfica também na corrida pelo guardião, recairia sobre o FC Porto a sua preferência e acordado o montante, que viria a tornar-se num recorde português para a transferência de um atleta da sua posição, a mudança para as Antas consumar-se-ia com o arranque da época de 1972/73.
Por razão da chamada ao serviço militar, a primeira temporada de “dragão” ao peito seria um pouco discreta. No entanto, as campanhas seguintes mostrariam um jogador altamente preparado para os desafios maiores das competições internas e provas além-fronteiras. Com o crescer da sua popularidade, Tibi, que, por altura do Leixões, já tinha sido chamado a vestir a camisola das jovens selecções nacionais, acabaria convocado ao principal conjunto de Portugal. Listado por José Maria Pedroto para um “particular” frente à Suíça, o guarda-redes entraria ao intervalo para o lugar de Vítor Damas e, com tal substituição, faria do 13 de Novembro de 1974 a data da sua primeira internacionalização A.
Com a carreira bem vincada pelas temporadas feitas ao serviço do FC Porto, Tibi, pelo meio desses 8 anos e meio, ainda representaria, por “empréstimo” dos “Azuis e Brancos”, Varzim e Famalicão. Com os poveiros, faria uma época excepcional. Mais uma vez orientado pelo técnico António Teixeira, ajudaria o grupo, na campanha de 1977/78, a alcançar o 6º posto da tabela classificativa e, com tal registo, a talhar a melhor prestação de sempre na história primodivisionária do clube.
Já no Minho, sempre a disputar o escalão máximo, as suas exibições, apesar de louváveis, seriam insuficientes para concretizar os objectivos do colectivo. Todavia, e mesmo com a despromoção, o guardião conseguiria assegurar o regresso à “casa-mãe”. Curiosamente, pois não haveria de adicionar ao seu currículo qualquer título de campeão nacional, nas duas épocas da sua ausência, os “Dragões” conseguiriam vencer por duas vezes o Campeonato Nacional. Ainda assim, ficaria registado no palmarés do guardião a vitória na Taça de Portugal de 1976/77.
Com a saída das Antas a meio da temporada de 1982/83, Tibi, por alguns meses, regressaria ao Leixões. Seguir-se-ia o Recreio de Águeda na época precedente, numa campanha em que coincidiriam a sua derradeira temporada na 1ª divisão e a estreia do emblema do Distrito de Aveiro no escalão máximo. Depois, numa fase marcadamente descendente do percurso competitivo do guardião, Mangualde, Sporting de Espinho, Maia e o Vila Nova de Foz Côa acabariam por fazer o remate de uma caminhada que terminaria no final da década de 80.

1157 - FRANK RIJKAARD

Filho do também futebolista Herman Rijkaard, Frank acabaria por seguir as pegadas do pai. Ao fazer a última etapa formativa no Ajax, veria o treinador Leo Beenhakker chamá-lo aos seniores da equipa de Amesterdão, quando contava apenas 17 anos de idade. Apresentando-se como um jovem rápido, forte fisicamente, com boa técnica e, apesar da inexperiência no universo profissional, como um elemento emancipado e bastante tranquilo, o impacto da sua inclusão no plantel principal seria imediato.
Após a estreia na jornada inicial do Campeonato neerlandês de 1980/81, na qual marcaria um golo, a sua presença em campo passaria a pautar-se pela constância. Ora como defesa-central ou “trinco”, nos 7 anos seguintes, sempre como figura preponderante nas configurações tácticas da equipa, ajudaria o Ajax à conquista de diversos títulos. Nesse sentido, adicionaria ao seu palmarés 3 Ligas, 3 Taças da Holanda e, na temporada de 1986/87, numa final disputada com os alemães do FC Lokomotive Leipzig, a vitória na Taça dos Vencedores das Taças. Também no plano pessoal o atleta viria o seu esforço premiado com algumas distinções e as 2 Golden Boot ganhas, prémio atribuído por duas publicações desportivas ao melhor atleta das provas holandesas, transformar-se-iam na prova cabal do seu valor individual.
Seria durante essa primeira passagem pelo Ajax, que Frank Rijkaard chegaria à principal selecção do seu país. Chamado a um “particular” frente à Suíça, o dia 1 de Setembro de 1981 marcaria o seu arranque com a camisola laranja dos Países Baixos. Pelo conjunto nacional, num total de 73 internacionalizações, o atleta participaria nos mais importantes certames futebolísticos. Comandado pelo mítico Rinus Michel, o atleta estrear-se-ia nas grandes competições com a participação no Euro 88. Ao lado de craques como Marco van Basten, Ruud Gullit ou Ronald Koeman sairia do torneio organizado na Alemanha Federal como um dos vencedores.
Por coincidência, seria também por altura do referido Campeonato Europeu que Rijkaard viveria um dos momentos mais conturbados da sua carreira. Depois de um desentendimento com Johan Cruyff, seu treinador no Ajax, o atleta acabaria por afirmar que jamais voltaria a trabalhar sob o seu comando. Na sequência do polémico episódio, o médio, à revelia do clube, chegaria a um acordo com o Sporting Clube de Portugal. No entanto, e sem qualquer entendimento entre os dois emblemas, a transferência, já com o jogador a treinar em Alvalade, cairia por terra. Seguir-se-ia, ainda vinculado ao emblema de Amesterdão, o empréstimo do médio ao Zaragoza. Depois, e para pôr um ponto final ao desaguisado, a venda do seu passe ao AC Milan.
Em Itália a partir da temporada de 1988/89, o holandês viveria uma das mais faustosas fases da carreira enquanto praticante. Para além das presenças no Mundial de 1990 e no Euro 92, o seu palmarés sairia fortemente enriquecido. Sempre num papel central, com os “Rossoneri” venceria um extenso rol de troféus. Para além das conquistas internas, com 2 “Scudettos”, 2 Supercoppas e o prémio de Melhor Jogador da Serie A de 1992, o destaque iria para as conquistas internacionais do AC Milan. Sem esquecer as 2 Supertaças Europeias e as 2 Taças Intercontinentais, as 2 vitórias na Taça dos Campeões Europeus acabariam como júbilo maior. Após o brilharete na edição 1988/89, o ano seguinte traria outro triunfo. Frente ao Benfica, seria Rijkaard a concretizar o único golo da partida e, com esse momento, a ajudar o clube milanês a adornar, ainda mais, os seus escaparates.
Já a última fase da carreira enquanto futebolista vivê-la-ia no regresso aos Países Baixos. De novo ao serviço do Ajax, e mesmo tido como um veterano, a verdade é que Rijkaard assumiria um papel deveras preponderante. Como “comandante” de um promissor grupo de jovens intérpretes, no qual estavam incluídos van der Sar, os irmãos de Boer, Seedorf, Davids, Litmanen, Overmars, Kanu, Reiziger, Bogarde ou Kluivert, o experiente jogador seria visto como um farol. O resultado de tal séquito, para além da conquista de mais 2 Ligas e de 2 Supertaças, terminaria com outra vitória na que é considerada, a nível mundial, como a mais importante competição de clubes. Contrariando todas as expectativas, o emblema de Amesterdão ultrapassaria todas as fases da edição de 1994/95 e, numa final frente ao AC Milan, ergueria a 4ª “Champions” da sua história.
Depois da referida vitória, Rijkaard daria por terminada a sua caminhada enquanto atleta. Manter-se-ia ligado à modalidade como treinador e, em 1998, assumiria as rédeas da selecção do seu país, com a qual marcaria presença no Euro 2000. Nas funções de técnico, depois de uma experiência no Sparta de Roterdão, o melhor período passá-lo-ia com o Barcelona. À frente dos catalães, venceria 2 “La Ligas”, 2 Supercopas, a Liga dos Campeões de 2005/06 e, na sequência do título europeu, o prémio de Melhor Treinador do Ano da UEFA, e também os galardões para idêntica distinção, mas atribuídos pela “Onze Mondial” e IFFHS. Por fim, as suas passagens pelo Galatasaray, equipa nacional da Arábia Saudita e o final da sua ligação ao futebol, anunciado em 2014.

1156 - TAÍ

Com passagens pelos seniores do Amarante e também pela Académica de Coimbra, seria com as cores do Boavista que, na primeira metade da década de 70, o jovem atleta começaria a destacar-se. Ainda que com algumas épocas de cariz exibicional intermitente, aos poucos o defesa-esquerdo começaria a assumir-se como um dos elementos mais importantes do plantel “axadrezado”. Já com José Maria Pedroto aos comandos das “Panteras”, a campanha de 1974/75 traria ao seu trilho competitivo um dos grandes marcos do mesmo. Ao defrontar o Benfica no Estádio Nacional, Taí, escalonado como titular, ajudaria o emblema portuense a vencer a Taça de Portuga e a trazer ao seu próprio palmarés o primeiro grande troféu.
A época seguinte à da referida vitória no Jamor, premiaria o jogador com uma nova conquista na apelidada “Prova Rainha”. Porém, para além de vencer o troféu, essa temporada de 1975/76 ficaria gravada como a da estreia de Taí na principal selecção portuguesa. Com as cores nacionais, chamado pelo seu conhecido José Maria Pedroto, o 19 de Novembro de 1975 ficaria marcado como a data da sua primeira internacionalização “A”. O empate 1-1 frente a Inglaterra registaria o começo de uma caminhada que, em outras 3 ocasiões, daria a oportunidade ao atleta de voltar a envergar a “camisola das quinas”.
O passo seguinte da carreira do lateral canhoto, mais uma vez, ficaria ligado a Pedroto. Com a transferência do treinador do Boavista para o FC Porto em 1976/77, Taí, lado-a-lado com o centrocampista Celso, acompanharia o técnico na mudança de emblema. Depois de uma primeira temporada em que o jogador, ao ocupar posição também no miolo do terreno, conseguiria manter-se como um dos nomes habituais no “onze”, o ano seguinte faria emergir um cenário bem diferente. Poucas vezes chamado às disputas dos “Azuis e Brancos”, o final da época levá-lo-ia a procurar outro rumo. Ficariam, como ponto maior dessa passagem pelo Estádio das Antas, o Campeonato Nacional ganho em 1977/78 e as duas presenças na final da Taça de Portugal, com vitória na primeira dessas duas edições.
Retornaria ao Boavista para uma viagem estendida ao longo de mais 4 épocas. Nesse trajecto, logo na etapa inicial, Taí voltaria a marcar comparência no derradeiro jogo da Taça de Portugal, transformando-se, até aos dias de hoje, no único atleta que, na história do futebol português, conseguiu disputar 5 finais consecutivas. Ajudaria as “Panteras” a vencer essa peleja frente ao Sporting e à conquista da Supertaça de 1979/80. Terminaria a ligação aos “Axadrezados” no final de 1981/82 e regressaria ao Amarante. No clube da terra natal e onde também tinha trilhado o seu percurso formativo, daria por terminado um longo percurso como futebolista. Sem sair da referida colectividade, ainda tentaria as tarefas de treinador, mas acabaria por abandonar a modalidade.
Licenciado em Ciências do Desporto, enveredaria pelo ensino de Educação Física. Recentemente, abraçaria um projecto como Presidente do Centro Cultural de Amarante, no qual desenvolveu um programa alicerçado na música e de apoio a crianças com dificuldades de aprendizagem.

1155 - SADAKOV

Com qualidades que o destacavam dos demais colegas, Sadakov, com 16 anos apenas, conseguiria estrear-se na equipa principal do Lokomotiv Plovdiv. Depois da presença em algumas partidas na temporada de 1978/79, a sua evolução aconteceria de forma sustentada. Aos poucos, ainda a disputar a 1ª divisão búlgara, o médio conseguiria afirmar-se como um dos elementos importantes no esquema táctico da sua equipa. No entanto, seria com a despromoção do conjunto sediado nas margens do Rio Maritsa que o seu sucesso passaria a desenhar-se em contornos bem definidos.
A primeira confirmação do seu êxito enquanto praticante de futebol, viria no começo da temporada de 1981/82. Arrolado para uma digressão ao Brasil, Sadakov seria chamado ao “onze” da selecção principal da Bulgária que, a 28 de Outubro, participaria num “particular” frente à congénere “canarinha”. Já o segundo momento especial, durante a referida passagem pelo escalão secundário, aconteceria em 1983. Numa caminhada feita na Taça do Exército Soviético que incluiria a eliminação do “gigante” CSKA de Sófia, o Lokomotiv Plovdiv não só conseguiria atingir a final, como, já no derradeiro desafio da prova, bateria o Chirpan por 3-1.
Apesar de ver o clube a oscilar demasiadas vezes entre os dois principais patamares búlgaros, a habilidade que o médio continuaria a demonstrar em campo levá-lo-ia a cimentar-se como um dos nomes habituais nas convocatórias da equipa nacional. Nesse sentido, seria com as cores da selecção que viveria um dos momentos mais importantes da sua caminhada profissional. Chamado a viajar para o México pelo treinador Ivan Vutsov, Sadakov, ao lado de uma extensa lista de atletas bem conhecidos dos emblemas portugueses, participaria em todas as partidas do seu país na campanha do Campeonato do Mundo de 1986.
De volta aos desafios de âmbito clubístico, o médio, cada vez mais tido como um das estrelas das provas búlgaras, passaria também a ser um dos elementos mais cobiçados do Lokomotiv Plovdiv. Depois de, alguns anos antes, ter visto gorada a transferência para o CSKA de Sófia, emblema com o qual, em 1985, chegaria a ter um pré-acordo rubricado, a oportunidade de conhecer outra colectividade surgiria vinda de um contexto competitivo estrangeiro. Após a queda do Muro de Berlim e no seguimento da aposta dos clubes portugueses em atletas nascidos na Bulgária, o Belenenses abriria as portas a Sadakov.
Ao Restelo chegaria para a temporada de 1989/90 e depressa conseguiria afirmar-se como uma das figuras dos “Azuis”. Porém, a despromoção do emblema lisboeta e a consequente presença na 2ª divisão de 1991/92 alteraria a ideia de uma união que, até esse momento, parecia perfeita. Como veiculado pelos noticiários da altura, Sadakov, juntamente com Galo e Jaime, seriam acusados, pela direcção liderada por Luís Pires, de falta de profissionalismo. Num processo que haveria de surpreender o restante plantel e até o treinador Abel Braga, os três internacionais acabariam afastados do grupo principal e, como castigo, seriam postos a treinar à parte.
Na sequência do polémico episódio, o médio, ainda durante a campanha de 1991/92, acabaria por regressar à Bulgária e ao Lokomotiv Plovdiv. Jogaria no emblema que o tinha formado durante mais 2 temporadas e meia. Ao fim do referido período e com vontade de dar o seu contributo, veria a pretensão de renovar contrato recusada pelos dirigentes. Acabaria por vincular-se aos rivais do Botev Plovdiv e, já em 1996, daria por terminada a sua caminhada como futebolista.
Anos mais tarde, já nas funções de treinador, voltaria àquele que ficaria ligado à sua carreira como o clube mais representativo.

1154 - POLEKSIC

Seria já como um futebolista experiente que Poleksic entraria em Portugal para reforçar o Desportivo de Chaves. Vindo do Hajduk Kula, a chegada ao emblema transmontano na temporada de 1996/97, revelaria um guardião que, apesar do físico imponente, muitas vezes acabaria criticado pela inconstância exibicional. Talvez por essa razão, o atleta montenegrino haveria de encontrar algumas dificuldades em impor-se no “onze” flaviense. Em 2 temporadas participaria em pouco mais do que meia dúzia de pelejas e, em 1998, decidiria mudar o rumo à sua carreira.
A transferência para o Campomaiorense, daria ao guarda-redes uma maior visibilidade. Ao ser chamado a jogar grande parte das jornadas do Campeonato Nacional de 1998/99, Poleksic veria a sua cotação subir. Para melhorar ainda o seu valor, a Taça de Portugal, desse mesmo ano, serviria para que vivesse um dos momentos altos da sua caminhada competitiva. Depois de ajudar os “Galgos” a atingir a final da “Prova Rainha”, o guardião também marcaria presença no derradeiro “match” da competição. No Estádio Nacional do Jamor acabaria escalonado como titular. Porém, não seria capaz de desviar o remate de Ricardo Sousa e, com isso, evitar a vitória do Beira-Mar por 1-0.
Após a primeira temporada realizada com as cores da colectividade alentejana, começariam a emergir alguns emblemas que, de Espanha, passariam a rondar o atleta. No entanto, nenhum dos “namoros” daria a azo a uma união – "Quero esquecer tudo. É verdade que houve uma proposta do Alavés e de outro clube espanhol. Não escondo que desejava actuar nesse campeonato, um dos melhores no Mundo. Mas creio que vou ficar em definitivo no Campomaiorense, esta temporada. O melhor é não falar mais deste assunto"*.
Ironicamente, depois de recusadas as propostas endereçadas da “La Liga”, Poleksic haveria de começar a perder alguma preponderância nas estratégias do Campomaiorense. Depois de 2 temporadas em que, mais uma vez, poucas seriam as vezes em que veria o seu nome arrolado para os desafios das provas nacionais, o guardião regressaria ao norte do país. Como atleta do Sporting de Espinho, ainda que na 2º divisão, o guardião voltaria a destacar-se como um dos elementos mais importantes no grupo de trabalho.
Mesmo com a sua preponderância a ser sublinhada por boas exibições, os “Tigres”, na época 2001/02, transformar-se-iam no derradeiro emblema de Poleksic em Portugal. Após uma única temporada com os da Costa Verde, seguir-se-ia o regresso aos Balcãs. De entre vários clubes representados, destaque para os anos com o FK Indjija. Na agremiação sediada na Província de Vojvodina, o guarda-redes acompanharia o conjunto nas diversas subidas de escalão, na chegada ao patamar máximo e, na temporada de 2010/11, tornar-se-ia no atleta mais velho de sempre a jogar na 1ª divisão sérvia.
Depois de mais um ano ao serviço do Hajduk Belgrado, 2012, com o guardião já bem acima dos 40 anos de idade, representaria o fim da sua carreira de futebolista. Poleksic, manter-se-ia ligado à modalidade, mas em tarefas diferentes. Como treinador de guarda-redes, para além da passagem por alguns clubes, realce para o trabalho realizado nas camadas jovens da selecção sérvia e, desde 2019, nos sub-21 do Azerbaijão.

*retirado do artigo de Nuno Martins, publicado em www.record.pt, a 27/07/1999

1153 - ADEMIR

Ao dar os primeiros passos da carreira desportiva em emblemas mais modestos, os anos ao serviço de Cianorte e Pinheiros levá-lo-iam ao Pelotas. A disputar o “estadual” de 1984 com as cores do emblema sediado no Rio Grande do Sul, Ademir Alcântara, médio-ofensivo de fino recorte técnico, boa visão de jogo e com uma enorme qualidade de passe, alimentaria outra das suas boas qualidades, a de goleador.
Depois de conseguir sagrar-se no Melhor Marcador da referida edição do Campeonato Gaúcho, o atleta transferir-se-ia para um dos históricos emblemas brasileiros. Já como jogador do Internacional de Porto Alegre, as suas exibições levariam até si convites saídos de emblemas europeus. Aceite a proposta do Vitória de Guimarães, o médio, em 1986/87, iria encontrar-se no Minho com um grupo de uma qualidade incrível. Comandados por Marinho Peres, o colectivo da “Cidade Berço”, composto por atletas como Paulinho Cascavel, Nascimento, Adão, Miguel, António Jesus, entre outros, atingiriam, logo na época de chegada de Ademir, o 3º posto no Campeonato Nacional e os quartos-de-final da Taça UEFA.
A temporada seguinte à da sua estreia em Portugal, com o Vitória Sport Clube a chegar à final da Taça de Portugal, também em termos individuais seria positiva para a projecção da carreira do médio. Com o Benfica e o FC Porto em inflamada disputa pelo seu concurso, Ademir acabaria por escolher o emblema lisboeta. Nas “Águias”, após uma campanha de 1988/89 em bom destaque, a chegada de Sven-Göran Eriksson iria contribuir para uma substancial mudança na importância do criativo atleta. Preterido pelo técnico sueco em favor de elementos mais fortes fisicamente, o jogador, no Verão de 1990, seria incluído no rol de jogadores a dispensar.
Ainda assim, a sua experiência na “Luz” teria capítulos de especial glória. Com destaque para a conquista do Campeonato Nacional de 1988/89, Ademir faria ainda parte do grupo que, em 1990, perderia a final da Taça dos Campeões Europeus frente ao AC Milan. Contudo, haveria outro momento de peculiar destaque, aquando da sua passagem pelos “Encarnados”. Com o objectivo de angariar fundos para ajudar as vítimas do incêndio do Chiado, organizar-se-ia um “amistoso” entre os melhores atletas de Portugal e do Brasil, a actuar em emblemas lusos. Chamado ao desafio pelo treinador Paulo Autuori, o médio ajudaria o improvisado “Escrete” a vencer por 2-1.
Boavista e Marítimo seriam os outros dois emblemas representados por Ademir durante os anos em Portugal. Sempre em plano de destaque, após a temporada de 1990/91 com os “Axadrezados”, a mudança do médio para a Madeira traria à sua caminhada outro momento de valor histórico. Com o 5º lugar da tabela classificativa de 1992/93 a dar ao conjunto insular, pela primeira vez na sua existência, o direito a um lugar nas provas europeias, a campanha seguinte levaria o emblema funchalense a participar na Taça UEFA. No embate frente ao Royal Antwerp, o médio seria chamado a jogo, em ambas as mãos. Porém, frente ao conjunto belga, não conseguiria evitar a eliminação da sua equipa.
De regresso ao país natal em 1994, Ademir ainda representaria Mogi Mirim e Coritiba. Em 1996 decidir-se-ia pelo fim da caminhada enquanto futebolista e acabaria também por desligar-se da modalidade. Passaria a dedicar-se a outros negócios e, juntamente com Nenê, seu antigo companheiro de balneário no Vitória de Guimarães, abriria uma empresa de construção civil.

1152 - MARCONI

Chegaria do Sport Recife para, na temporada de 1973/74, reforçar o plantel do Gil Vicente. Já no Minho, às ordens do técnico Joaquim Meirim, o jovem ponta-de-lança começaria a destacar-se como um atleta que, com ambos os pés e com a cabeça, sabia atacar bem a bola. Alto e com uma boa técnica, a panóplia de habilidades que exibia em campo, onde, para além dos golos, também ficaria conhecido pela capacidade de municiar os seus colegas de equipa, alimentar-lhe-iam a ambição para outros voos. Nesse sentido, as 2 campanhas passadas ao serviço do emblema de Barcelos, sempre na 2ª divisão, serviriam para que o Sporting de Braga visse nele um elemento de valor.
A mudança para a capital de distrito em 1975, faria com que Marconi conseguisse estrear-se no principal escalão nacional. Todavia, e com uma primeira temporada em que, como titular, participaria na grande maioria das pelejas do Campeonato, a época seguinte à da sua chegada aos “Arsenalistas”, desenovelar-se-ia em desempenhos mais discretos. Ainda assim, dessa campanha de 1976/77, o avançado haveria de retirar um par de momentos inesquecíveis. O primeiro, a vitória na única edição da Taça da Federação Portuguesa de Futebol e, para terminar o ano desportivo, a chegada dos bracarenses à final da Taça de Portugal.
Regressaria a Barcelos para, com a temporada de 1977/78 ao serviço do Gil Vicente, encetar um longo período a disputar o patamar secundário. Para além dessa travessia longe das principais batalhas do nosso futebol, essas 8 épocas caracterizar-se-iam, igualmente, por outra curiosidade. De forma errante, Marconi mudaria de emblema a cada final de campanha. Lusitânia de Lourosa, Desportivo de Chaves, Recreio de Águeda, Ginásio de Alcobaça, Académica de Coimbra, Riopele e Desportivo das Aves, durante o referido intervalo, acabariam por colorir a caminhada do avançado.
Mesmo na 2ª divisão, as temporadas aí vividas não surgiriam desprovidas de emoção competitiva. Se depois de auxiliar o Ginásio de Alcobaça à conquista da promoção ao escalão maior, não seria escolhido para acompanhar o conjunto da Região Oeste nessa aventura, já com as cores do Desportivo das Aves, após ajudar a idêntico feito, o seu nome não seria riscado do rol de atletas chamados às disputas primodivisionárias. Com tal subida, a temporada de 1985/86 tornar-se-ia na 3ª do atleta ao mais alto nível. No entanto, com a carreira já em fase descendente e com uma grave lesão a atrapalhar os seus desempenhos, em poucos jogos participaria. Seguir-se-ia o Desportivo de Bragança e, muito mais do que assinalar o fim da sua carreira como praticante, a colectividade transmontana transformar-se-ia na etapa de transição para outras tarefas dentro do futebol.
Como treinador, para além do passo destapado no parágrafo anterior, Marconi trilharia os primeiros anos no desempenho de tais funções na 2ª divisão. Mais tarde voltaria a ligar-se ao emblema que o tinha acolhido aquando da sua chegada a Portugal. No Gil Vicente, quase sempre como adjunto, acrescentaria traquejo ao seu currículo. Destaque para a temporada de 1996/97, durante a qual, depois do afastamento de Fernando Festas, passaria, no escalão máximo, a assumir o papel de treinador-principal.

1151 - DUDA

Com a derradeira parte do trajecto formativo a ser cumprido ao serviço do Vitória de Guimarães, seria também por essa altura que Duda começaria a ser chamado aos patamares jovens da selecção nacional. Com entrada nos sub-17, para, de seguida, representar os sub-18 lusos, seria nessa caminhada que venceria o primeiro grande título de uma carreira ainda a dar os passos iniciais. Com o triunfo de Portugal na edição de 1999 do Campeonato Europeu da última categoria referida, também a sua cotação subiria. No entanto, a decisão tomada de seguida, faria emergir o seu futuro em aparente contraciclo.
Na altura de fazer a transição para o universo sénior, a escolha de Duda recairia num emblema do 3º escalão espanhol. Atleta do Cádiz a partir da temporada de 1999/00, a aposta que inicialmente poderia parecer pouco ambiciosa, não tardaria a dar resultados. Depois de uma primeira campanha algo discreta, a época seguinte revelá-lo-ia como um elemento basilar na estratégia do conjunto andaluz. A preponderância assumida, levaria os responsáveis do Málaga a olhar para o esquerdino como um bom reforço. Nesse sentido, a troca de emblemas acabaria por dar ao atleta a oportunidade para conseguir estrear-se no principal patamar da “La Liga”.
Após a temporada de 2001/02 com os “Boquerones” e, depois de ajudar à conquista da Taça Intertoto de 2002/03, já no decorrer da última temporada aludida seguir-se-ia um empréstimo ao Levante. Após um ano de cedência, de volta ao La Rosaleda, Duda aproveitaria o regresso para assumir a titularidade. Como elemento fulcral do “onze”, a regularidade das presenças em campo dar-lhe-ia a estaleca suficiente para voos mais ambiciosos. Surgiria então o Sevilla e mesmo com uma ligeira perda de protagonismo em relação aos seus tempos no Málaga, a verdade é que a presença num plantel com ambições de outra monta, enriqueceria a caminhada profissional do atleta.
Com a transferência o jogador conseguiria acrescentar mais troféus ao seu palmarés. Por outro, para além das conquistas da Copa del Rey e da Taça UEFA de 2006/07 e, por fim, da Supercopa do ano seguinte, as 2 campanhas passadas com os “Blanquirrojos”, cimentadas por um trajecto crescente nos diferentes escalões da selecção, dar-lhe-iam o primeiro desafio com a principal “camisola das quinas”. Daí em diante, Duda passaria a ser um nome recorrente nas convocatórias de Portugal. Com a estreia a acontecer ainda na Fase de Qualificação para o Euro 2008, a chamada de Luiz Felipe Scolari ao embate frente à Bélgica encetaria uma caminhada que acumularia 18 internacionalizações e, já sob a alçada do seleccionador Carlos Queiroz, ficaria também marcada pela presença no Mundial de 2010.
Voltando ao seu percurso clubístico, Duda, depois da experiência sevilhana, mais uma vez envergaria o listado azul e branco do Málaga. Com mais 9 temporadas a somar às passagens anteriores, o médio, que também podia jogar em posições defensivas, tornar-se-ia no atleta com o maior número de partidas realizadas na história do clube. Naquele que, provavelmente, terá sido um dos períodos mais ilustres da existência da colectividade, a participação na Liga dos Campeões e a chegada, na campanha de 2012/13, aos quartos-de-final da competição, registar-se-ia como outro dos marcos do trajecto do futebolista português.
Ao pôr um ponto final na carreira em 2017, Duda acabaria por manter-se ligado ao emblema andaluz. Convidado para integrar os quadros técnicos, o antigo jogador passaria a desempenhar as funções de Observador das camadas jovens.