1215 - ALBERTO DE JESUS

Formado no Benfica, o jovem atleta acabaria por, na segunda metade da década dos anos 30, prosseguir a ainda curta carreira noutro emblema lisboeta. Já no Belenenses, mesmo com a qualidade do grupo de trabalho a não facilitar a sua afirmação, o atacante passaria a desenhar-se como uma das figuras dos “Azuis”. A sua integração no conjunto sediado nas Salésias, com posição assegurada no sector mais ofensivo da equipa sénior, contribuiria para alguns episódios importantes. Com o clube a chegar ao derradeiro desafio das edições de 1939/40 e 1940/41 da Taça de Portugal, Alberto de Jesus sublinharia a sua relevância e seria um dos nomes chamado a campo na primeira das duas finais referidas.
Mas apesar do saldo positivo retirado da passagem pelo Belenenses, seria a mudança para o Estoril Praia que iria, passados alguns anos, catapultar a sua carreira. Com a entrada no emblema da Linha de Cascais na campanha de 1941/42, o jogador passaria a disputar a 2ª divisão. Todavia, a época de 1943/44 traria os primeiros sinais de uma vincada mudança. Depois de confirmada a subida de escalão e, com tal feito, assegurar a estreia do clube no patamar maior do futebol luso, os “Canarinhos” marcariam presença no derradeiro encontro da Taça de Portugal. Com a peleja frente ao Benfica agendada para o Estádio das Salésias, o regresso a uma “casa” que bem conhecia, adicionaria à carreira do atleta outra final. Contudo, para sua infelicidade, a nova tentativa para ganhar o troféu, resultaria em mais uma derrota.
Outro dos momentos inolvidáveis para Alberto de Jesus enquanto atleta do Estoril Praia, seria a chamada à equipa nacional. Por altura de um “particular” agendado para Madrid, ser-lhe-ia dada a primeira oportunidade para envergar a principal “camisola das quinas”. Depois de Miguel Lourenço, a partida frente à Espanha torná-lo-ia no segundo futebolista do clube a representar o conjunto “A” de Portugal. Numa altura em que os “matches” de selecções escasseavam, ao jogo disputado no dia 21 de Março de 1948 seguir-se-iam outras ocasiões e o jogador ainda acrescentaria ao currículo mais 1 internacionalização “A” e outra pelo conjunto “B”.
Para além do estatuto alcançado com as chamadas às equipas nacionais, as qualidades apresentadas por Alberto de Jesus a cada jornada disputada, características que permitiriam ao jogador posicionar-se em diversos lugares, mantê-lo-iam como um dos mais conceituados atletas a actuar em Portugal. Com o seu emblema cimentado no convívio com os “grandes”, as temporadas cumpridas por si até ao final da carreira em 1953, cimentá-lo-iam como uma das grandes figuras da história do clube. Com 12 temporadas cumpridas de amarelo vestido, 8 delas feitas no escalão máximo luso, os 182 jogos pelo Estoril Praia na 1ª divisão, torná-lo-iam no atleta com mais partidas conseguidas pela agremiação "canarinha" no patamar maior do futebol português.

1214 - LOURENÇO

Descoberto no Sporting Clube da Cruz, popular colectividade do bairro de Paranhos, a sua transferência para o FC Porto, abriria a José Lourenço a porta das principais competições portuguesas. No Campo da Constituição, na temporada 1942/43, iria encontrar-se com atletas que, já por essa altura, mereciam os mais altos elogios. Com tanto gabarito a preencher o dia-a-dia no novo emblema, com Pinga e Araújo como nomes maiores de um sector ofensivo que também contava com Correia Dias, Pratas ou o internacional Gomes da Costa, a sua época de entrada na categoria principal dos “Azuis e Brancos” poucos jogos daria ao currículo do extremo-direito.
O húngaro Lippo Hertzka, que na campanha de 1942/43 apenas tinha chamado o atleta à disputa de um par de jornadas correspondentes ao “Regional” sob a égide da Associação de Futebol do Porto, logo na campanha seguinte faria de Lourenço um dos principais elementos do esquema táctico. Daí em diante, a qualidade das suas exibições assegurá-lo-iam, na grande maioria das pelejas dos “Dragões”, como uma das caras arroladas ao “onze” inicial. A titularidade, mantida durante a meia dúzia de anos em que defenderia os interesses competitivos dos “Azuis e Brancos”, transformá-lo-iam num dos preferidos dos adeptos. No entanto, não só no seio dos adeptos o avançado veria a sua cotação a subir. Também da Federação Portuguesa de Futebol começariam a olhar para si como um elemento de valor. Apesar de nunca ter chegado ao principal “conjunto das quinas”, a chamada à equipa “B” dar-lhe-ia a merecida internacionalização. Convocado à disputa agendada para o Stade du Parc Lescure, o dia 3 de Maio de 1947, serviria para o atacante, frente à França, vestir a camisola de Portugal.
Outros momentos inolvidáveis também preencheriam a caminhada de Lourenço. Com o FC Porto afastado dos títulos de índole nacional, a hegemonia demonstrada pelo clube no âmbito regional, levaria o atleta a acrescentar ao seu currículo pessoal 6 Campeonatos do Porto. Ainda assim, e sem diminuir a importância das referidas conquistas, a temporada de 1947/48 traria um dos episódios mais marcantes, não só da sua carreira, como da história do clube portuense. Com o Arsenal, à altura tido como um dos melhores colectivos mundiais, a digressão da agremiação londrina pela Europa, levá-la-ia ao Estádio do Lima. Após a vitória frente ao Benfica uns dias antes, o embate com os “Dragões” haveria de ser vaticinado como uma fácil missão. Todavia, o jogo marcado para o dia 6 de Maio de 1948, correria bem diferentes das projecções e, com Lourenço como um dos destaques dos portistas, o “placard” a assinalar 3-2 acabaria favorável ao “onze” português.
Pouco tempo depois do ribombante triunfo sobre o poderoso clube inglês, Lourenço deixaria o FC Porto. Seguiria a sua carreira não muito longe e, sem abandonar o escalão máximo, passaria a envergar a camisola do Boavista. De “axadrezado” desde 1948/49, a época imediatamente à da sua entrada no plantel, após a despromoção, coincidiria com a vitória das “Panteras” no Campeonato Nacional da 2ª divisão. Manter-se-ia durante vários anos ligado ao clube até, segundo fontes que não consegui confirmar, mudar a morada para o continente africano. Em Angola terá representado o Lusitano do Lobito, onde haveria de jogar ao lado de José Águas.

1213 - ADÃO

Com passagem pelo Sporting Clube de Bissau, seria já em Portugal e no Boavista que Adão da Silva viria a ser reconhecido como um atleta de alto gabarito. Com a entrada no Bessa a acontecer nos finais dos anos 70, o defesa-central não demoraria muito até conseguir merecer o seu lugar de destaque no “onze” inicial das “Panteras Negras”. Na época de 1979/80, sob o comando do técnico Mário Lino, começaria a ser visto como um dos esteios do sector mais recuado do conjunto portuense. Logo no princípio da referida temporada, seria arrolado para, de início no jogo, defrontar o FC Porto na disputa da Supertaça Cândido de Oliveira. Ao actuar os 90 minutos do encontro marcado para o Estádio das Antas, ajudaria na retenção das ofensivas adversárias e, desse modo, tornar-se-ia numa das principais figuras da vitória “axadrezada” por 2-1.
Ao ter a carreira praticamente toda ligada ao Boavista, é com normalidade que consideramos Adão como uma das históricas personagens da vida do clube. No entanto, a sua importância, que também justifica a sua longevidade como atleta impreterível do emblema sediado na Freguesia de Ramalde, extravasaria os anos passados a envergar a “camisola do xadrez”. Como é fácil de entender ao analisarmos os números do seu percurso profissional, o defesa, para quase todos os treinadores com passagem pelo Bessa, assumir-se-ia como um elemento regularmente presente nas convocatórias dos mais diferentes embates futebolísticos. Tirando algumas excepções, essa frequência rapidamente incluiria o jogador no rol de nomes com o selo primodivisionário. Para o estatuto de figura-mor, em boa medida e em igual força, contribuiriam as glórias colectivas. Aliás, essa relação de interdependência, o laço entre o homem e o conjunto, seria a chave de muitos sucessos.
No campo dos êxitos, para além do óbvio, ou seja, o troféu ganho e aludido no primeiro parágrafo, podemos começar pelas participações nas diferentes provas estruturadas pelo organismo aglutinador dos emblemas do “Velho Continente”. No âmbito das pelejas europeias, com a edição de 1979/80 da Taça dos Vencedores das Taças a marcar a sua estreia, a Taça UEFA também acabaria por preencher o percurso competitivo do internacional guineense. Como é igualmente claro, todos esses desafios, numa primeira instância, resultariam de uma boa performance colectiva nas competições portuguesas. Nesse sentido, para o ataque do Boavista às posições cimeiras do Campeonato Nacional, tal como da apelidada “Prova Rainha”, em muito contribuiriam as qualidades futebolísticas de Adão. Como um atleta possante, intrépido e incansável perante qualquer disputa, o central passaria a figurar como um exemplo para colegas de balneário e a merecer todo o respeito por parte dos adversários. Esse facto, como não poderia deixar de ser, ficaria sublinhado pela justa entrega ao seu braço esquerdo da braçadeira de “capitão” de equipa.
Depois de cerca de uma década ligado ao Boavista, o jogador, cuja única superstição era entrar primeiro com o pé canhoto em campo, veria as derradeiras etapas do trajecto competitivo levá-lo, com idêntica dedicação, a envergar outros emblemas. Já fora dos cenários primodivisionários, Adão teria uma curta experiência no plantel de 1989/90 da União de Leiria para, na campanha seguinte e após uma boa temporada com as cores do Feirense, dar por terminada a sua carreira.

1212 - BALTAZAR

É impossível não começar esta pequena biografia por uma curiosidade! É que Baltazar ou, se preferirem a alternativa, Baltasar, tal como haveria de ficar conhecido no mundo do futebol, afinal tem como nome de baptismo Vítor Manuel Jesus Gonçalves!
Peculiaridades à parte, a vida competitiva do jogador, ao dar os primeiros passos nos Pescadores da Costa da Caparica, cedo começaria a dar sinais de excelência. A primeira prova dessa qualidade, tinha o jogador 16 anos de idade, surgiria com a chamada à equipa sénior do conjunto sediado no Concelho de Almada. Contudo, e mesmo ao revelar bons índices técnicos, físicos e tácticos, a verdade é que o jovem atleta teria que percorrer um longo caminho até começar a aparecer nos principais escaparates do desporto português.
Depois de, em 1964/65, ter conseguido estrear-se nas provas seniores, só 4 anos depois é que teria a oportunidade de subir alguns degraus na carreira. Tendo, durante esse período, disputado o 3º escalão e, em grande parte, os Campeonatos Regionais, ainda assim conseguiria despertar a atenção de emblemas bem melhor posicionados nos “rankings” classificativos. Com uma evolução a merecer patamares de maior exigência competitiva, seria o Seixal, em 1968/69, a apostar na sua contratação. Com capacidade para posicionar-se em várias posições, a possível polivalência conferir-lhe-ia também outra característica interessante. Com tantos predicados a alavancá-lo, a mudança para o Atlético na temporada de 1970/71, serviria o seu crescimento. Uma campanha passada sobre a sua chegada à Tapadinha, e como um elemento preponderante na esquematização táctica dos “alcantarenses”, viriam os primeiros passos na 1ª divisão e os palcos merecidos à sua qualidade.
A experiência ganha como titular nas 2 temporadas a disputar o escalão máximo, mesmo com o Atlético, no final da campanha de 1972/73, a não conseguir evitar os lugares da despromoção, serviriam para promovê-lo e fazer com que um dos denominados “grandes” visse nele um bom reforço. Ao serviço do Sporting, mesmo ao ser conhecido pela polivalência, seria no meio-campo que asseguraria um lugar e que melhor contribuiria para os objectivos comuns. No sentido das conquistas, a temporada de chegada a Alvalade seria bem prodiga. Com Mário Lino aos comandos da equipa e com Baltazar, na metade final da época, a assumir-se como titular, os “Leões” venceriam o Campeonato e a Taça de Portugal.
Outro dos grandes prémios que acabaria por receber, numa altura em já era reconhecido como um dos melhores intérpretes a actuar em Portugal, seria a chamada à selecção nacional. Convocado por Juca e arrolado pelo treinador para o “onze” inicial, o “amigável” frente à Suíça, disputado no Funchal a 30 de Março de 1977, daria a Baltazar algo que nunca tinha alcançado em toda a carreira. Sem ter passado por qualquer escalão de formação, esse encontro com a congénere helvética, conferiria ao currículo do médio a única internacionalização do seu percurso profissional.
Após 6 anos a envergar a camisola listada do Sporting, ao perder alguma preponderância no seio do plantel leonino, Baltazar decidiria prosseguir a carreira no Belenenses. No Estádio do Restelo a partir da campanha de 1979/80, sempre a competir em contexto primodivisionário, completaria mais 3 temporadas de bom nível. Dez épocas consecutivas no patamar máximo, precederiam a passagem pelo Vizela e a preciosa ajuda na chegada da colectividade minhota, pela primeira vez na história, à 1ª divisão. Contudo, o médio não acompanharia os colegas na subida. Já a entrar numa fase descendente do percurso desportivo, Lixa e Pêro Pinheiro tornar-se-iam nos últimos emblemas da sua caminha enquanto jogador. Ao “pendurar as chuteiras” no final da temporada de 1986/87, Baltazar manter-se-ia ligado ao futebol. Como treinador, destaque para a experiência nos açorianos do Sport Clube Lusitânia.

1211 - MÁRIO CARLOS

Ao emergir nas “escolas” do Vitória Futebol Clube, Mário Carlos depressa conseguiria afirmar-se não só como uma grande promessa dos “Sadinos”, mas de todo o desporto nacional. A prova disso mesmo surgiria com as constantes chamadas aos trabalhos das jovens equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Com a camisola lusa, em Janeiro de 1999, o extremo estrear-se-ia pelos sub-15. Seria, no entanto, ao juntar-se aos sub-16 que alcançaria o primeiro grande troféu. No Campeonato da Europa da categoria, cuja Fase Final seria organizada em Israel, ao lado de Raul Meireles, Hugo Viana, Custódio ou Ricardo Quaresma, o atacante ajudaria a vencer a edição realizada em 2000.
Mantendo-se com um dos nomes habituais nas convocatórias dos diferentes patamares das jovens selecções, onde chegaria até aos sub-21, a sua estreia como sénior encher-se-ia de grandes expectativas. Nessa época de 2002/03, mesmo com o Vitória Futebol Clube, em termos colectivos, a desiludir, a verdade é que o extremo, ao assumir-me como um dos melhores elementos do plantel faria incidir sobre si muitos holofotes. Depois do emblema setubalense não conseguir mais do que a última posição da tabela classificativa, Mário Carlos evitaria a descida ao 2º escalão. Com os ingleses do Wolverhampton Wanderers também na corrida pela sua contratação, seria a Madeira, com uma promessa à mistura, que acabaria como o destino do atacante – “Nessa altura falava-se muito que eu seria o sucessor do Quaresma no Sporting (…). O meu empresário era o Jorge Mendes, que nesse verão de 2003 meteu o Ronaldo no Manchester United e o Quaresma no Barcelona. A mim disse-me: «Vais para o Nacional que eu em dezembro ou no final da época meto-te no Sporting»”*.
Porém, apesar de um início de época auspicioso, várias lesões fá-lo-iam perder o lugar no “onze” e transformar aquilo que poderia ter sido uma rampa, numa temporada, em termos pessoais, algo frustrante. Seguir-se-ia a União de Leira e mais um episódio curioso. Depois de, no começo da temporada 2004/05, ter chegado à final da Taça Intertoto, o último dia antes do fecho do “mercado” de transferências, surpreendentemente, veria Mário Carlos ser “emprestado” ao Sporting de Espinho. Daí em diante, o percurso do jogador entraria num périplo um tanto errante. Barreirense, os romenos do Farul, o regresso à 1ª divisão e ao Vitória de Setúbal e os espanhóis do Zamora antecederiam a sua aposta na liga cipriota.
No Alki Lanarca de 2007/08 encontrar-se-ia com vários nomes conhecidos do futebol português e com um contexto, pelo menos em termos financeiros, simpático. Ao lado de Clayton, Elpídio Silva, Chaínho, entre outros, Mário Carlos voltaria a dar bons sinais desportivos. Todavia, a mudança de clubes e a crise financeira em que o país haveria de entrar, fariam com que o aspecto monetário deixasse de ser assim tão atractivo. Nesse sentido, após a passagem pelo Ermis Aradippou, a sua entrada no Chalkanoras Idaliou levá-lo-ia a ter que enfrentar vários meses de salários em atraso. Com o agravar da situação e já desiludido com o “universo” do futebol, o extremo tomaria uma decisão radical e, com apenas 29 anos, decidiria que a temporada de 2011/12 haveria de ser a sua última como praticante profissional.
De seguida mudar-se-ia para Inglaterra. Afastado da modalidade que o tinha acompanhado a vida toda, agarraria a oportunidade para trabalhar num armazém, a descarregar contentores. No desporto, voltaria a competir. Apaixonar-se-ia pelo Thai Boxe, mas as lesões, depois de ter atingido o 12º posto do “ranking” britânico, levá-lo-ia a desistir dos combates. Cambiaria de profissão e também de modalidade, agarrando-se às tarefas de Segurança e ao Culturismo. Finalmente, mais uma mudança e a oportunidade conseguida como condutor de camiões TIR.

*retirado da entrevista conduzida por Vítor Hugo Alvarenga, publicada a 12/12/2019, em https://maisfutebol.iol.pt

1210 - SERGINHO BAIANO

Apesar de ter estado ligado ao Vitória durante o começo da carreira, seria ao serviço do Esporte Bahia que Serginho Baiano alavancaria a caminhada profissional. Após 3 campanhas a defender o “Tricolor”, o avançado, para a temporada de 2000, transferir-se-ia para o ASA. Depois de, pelos dois primeiros clubes, ter trabalhado com os grupos que venceriam diferentes edições do “Estadual” Baiano, a escolha pelo novo emblema levaria o extremo a vencer também o Campeonato Alagoano.
Numa carreira que haveria de caracterizar-se por constantes mudanças de emblema, seria após outra transferência que o esquerdino chamaria a atenção de uma colectividade portuguesa. Contratado ao Corinthians Alagoano, a sua chegada ao Boavista aconteceria na temporada de 2001/02. Com os “Axadrezados” ainda no rescaldo da conquista do Campeonato Nacional do ano anterior, a “Champions” surgiria no horizonte do jogador e do clube como o próximo desafio a enfrentar. Tanto na referida competição, como nas restantes provas, Serginho Baiano conseguiria destacar-se como um elemento de grande importância. Rápido e com uma técnica bem acima da média, as suas incursões pelo flanco esquerdo ajudariam as “Panteras” a afrontar todos os adversários. Surpreendentemente, a época seguinte à da sua chegada à “Cidade Invicta” revelaria um atleta completamente diferente. Sem conseguir impor-se no “onze” do Bessa, a meio da campanha de 2002/03, o atacante mudar-se-ia para o Paços de Ferreira.
Mesmo depois de cumprir uma temporada algo atribulada, a verdade é que o FC Porto, no Verão de 2003, decidir-se-ia pela contratação do avançado. Todavia, o atleta nunca vestiria a camisola azul e branca em jogos oficiais. Diz-se que, desagrado com o excesso de peso do atacante, José Mourinho, à altura o treinador dos “Dragões”, terá dado instruções para a sua dispensa. Nesse sentido, seria por “empréstimo” que Serginho Baiano acabaria por ser apresentado como elemento do plantel de 2003/04 do Nacional da Madeira. Nos “Alvi-negros”, apesar de boas exibições, a sua passagem pela Choupana ficaria ensombrada por diversas polémicas, diferendos e castigos aplicados pelo clube. Pelo meio, uma curta passagem pelos sul-coreanos do Chunman Dragons.
O fim da ligação do atleta com o emblema madeirense aconteceria com abertura do “Mercado de Inverno” de 2006/07. Daí em diante, como já revelado neste texto, as constantes mudanças de clube acentuar-se-iam ao ponto de conseguirmos destacar o facto como um dos mais marcantes do trajecto profissional do jogador. Nessa errância, Serginho Baiano ainda teria mais algumas passagens por agremiações estrangeiras. Os japoneses do Oita Trinita e o regresso a Portugal para, na 1ª divisão, envergar a camisola do Leixões, tornar-se-iam nessas experiências. No entanto, a última meia-dúzia de anos da sua carreira cumprir-se-ia, em grande percentagem, no Brasil. Espantosamente, esse período, para além do colectivo nipónico e da equipa matosinhense, acabaria colorido por outras 10 agremiações.

1209 - ADOLFO

Formado no Barreirense, onde viria a estrear-se pelo conjunto sénior durante a temporada de 1960/61, Adolfo teria ainda que passar pelo Seixal FC até conseguir fixar-se na equipa principal dos “Alvi-rubros”. Nesse sentido, a campanha de 1963/64 acabaria por confirmá-lo como um elemento capaz de ser utilizado com frequência e, aos poucos, haveria de conquistar o seu lugar no sector mais recuado do colectivo sediado na Margem Sul do Rio Tejo.
Ao destacar-se como um dos melhores elementos da equipa, seria o “magriço” José Augusto a aconselhá-lo ao Benfica. Depois de brilhar durante a temporada de 1965/66, a transferência do Barreirense para as “Águias” teria como propósito reforçar uma lateral-esquerda à procura de concorrência para Cruz. Aliás, seria a presença do referido atleta que atrasaria a afirmação de Adolfo. Depois de uma primeira campanha discreta, a adaptação ao lado direito da defesa permitir-lhe-ia actuar com uma maior regularidade. Essa progressiva afirmação levá-lo-ia, na época de 1967/68, a um dos momentos mais importantes da sua carreira. Com os “Encarnados” a avançar nas eliminatórias da Taça dos Clubes Campeões Europeus e com a chegada à final, Otto Glória chamá-lo-ia ao derradeiro desafio da competição e à peleja frente ao Manchester United.
Durante a passagem pelo Benfica, resultado das boas exibições conseguidas nas provas de índole clubística, a Adolfo abrir-se-iam outras importantes portas. A mais relevante seria, sem sombra de dúvida, a da selecção nacional. Chamado a jogo por José Gomes da Silva, ao conseguir a primeira internacionalização numa jornada da Fase de Apuramento para o Euro 72, essa partida frente à Escócia daria o tiro de partida para um total de 15 presenças com a principal “camisola das quinas”. Pelo meio transformar-se-ia numa peça fulcral na inolvidável participação de Portugal no Torneio da Independência. No Brasil, no certame que também ficaria conhecido como a Mini-Copa de 1972, o defesa participaria em todas as rondas, inclusive na final perdida para o Brasil.
Ao cumprir 9 temporadas com a camisola do Benfica, Adolfo acabaria por merecer o seu lugar na história do clube lisboeta. Para além das 204 partidas oficiais, realizadas entre as diferentes competições, o defesa distinguir-se-ia pela ajuda na conquista de diversos troféus. Com um palmarés riquíssimo, com realce para as vitórias em 6 Campeonatos Nacionais e 3 Taças de Portugal, o jogador também conseguiria destacar-se pela atitude dentro do rectângulo de jogo. Nesse campo, o atleta acabaria aferido como um intérprete veloz, incansável e que facilmente era capaz de percorrer todo o corredor lateral. Para desempenhar todas essas funções, fossem elas defensivas ou atacantes, em muito também contribuiriam a sua técnica, capacidade de passe, entendimento táctico e uma postura aguerrida na altura dos embates homem-a-homem.
Com a sua caminhada a aproximar-se do fim, tempo ainda para Adolfo vestir outras camisolas. União de Montemor e o Portimonense como derradeira participação do defesa na 1ª divisão, transformar-se-iam nas últimas etapas do seu trajecto enquanto futebolista. Como treinador, teria algumas experiências, como são exemplo as suas passagens pelo Benfica de Castelo Branco ou Alcains. No Benfica acabaria também por aceitar um lugar nas equipas técnicas das camadas jovens.

1208 - WIJNHARD

Produto das afamadas “escolas” do Ajax, Clyde Wijnhard, na promoção à equipa principal, haveria de encontrar uma forte concorrência. Integrado num plantel que, só para a posição de avançado-centro, contava com elementos como os internacionais Dennis Bergkamp, John van Loen ou Stefan Pettersson, as oportunidades dadas ao jovem futebolista seriam escassas. Após disputar a temporada de 1992/93, a primeira do atacante nas competições seniores, a hipótese de um “empréstimo” começaria a ganhar forma. A passagem de um ano pelo Groningen, com o intuito de conferir traquejo ao jogador, daria bons sinais. Porém, o seu regresso à colectividade de Amesterdão não correria como esperado. Na época em que o clube haveria de vencer a “Champions”, mesmo integrado no grupo de trabalho, o atleta pouco ou nada contaria para o técnico Louis van Gaal.
À procura de um novo ímpeto para a carreira, o avançado escolheria o RKC Waalwijk para prosseguir o seu trajecto no futebol. Sempre no escalão máximo neerlandês, um par de temporadas no referido clube e outra a envergar as cores do Willem II seriam suficientes para que o valor do internacional pelas camadas jovens dos Países Baixos voltasse a aumentar. Esse crescimento levaria o Leeds United, orientado pelo escocês George Graham, a apostar na sua contratação. Contudo, pouco tempo depois da estreia na “Premier League”, a troca de treinadores mudaria as circunstâncias que envolviam Wijnhard. Nesse sentido e apesar de ser chamado a campo com alguma regularidade, com o fim dessa temporada de 1998/99, o avançado terminaria a ligação com o emblema de Yorkshire.
A primeira temporada com Huddersfield Town, já no segundo escalão inglês, voltaria a dar a ideia que a carreira de Wijnhard estaria prestes a voltar aos mais altos patamares. Contudo, contrariamente ao que os bons desempenhos prometeriam, um grave acidente de viação iria alterar toda essa ideia. Ocorrido em Setembro de 2000, o desastre teria como resultado um longuíssimo período de recuperação e o afastamento das competições por cerca de ano e meio. Daí em diante, o avançado nunca mais conseguiria exibir os índices que tinham feito dele um avançado promissor. A única excepção, após curtas passagens por Preston North End e Oldahm Athletic, talvez tenha sido ao serviço do Beira-Mar. Em Portugal, numa altura em que os aveirenses começavam a apostar no mercado britânico, o atacante surgiria para a campanha de 2003/04 como um dos mais sonantes reforços. Mesmo ao ser utilizado pelo treinador António Sousa com bastante regularidade, a verdade é que, no final da referida época, o avançado decidir-se-ia pelo regresso a “Terras de Sua Majestade”.
Sempre nos escalões secundários, Darlington, Macclesfield Town e Brentford marcariam o final do seu trajecto profissional no futebol. Depois de 2006/07, Wijnhard, sem abandonar a prática do futebol, ficaria vinculado a emblemas amadores, como o Bramham FC ou o Shadwell United. Mas a sua ligação à modalidade não ficaria por aqui. Depois de tomar a decisão de fixar residência na zona norte de Inglaterra, contratado pelo Leeds United, o antigo avançado começaria a trabalhar como adjunto nas camadas jovens do clube e a ajudar na prospecção e na avaliação de jovens promessas britânicas e estrangeiras. Paralelamente, encetaria actividades em negócios longe do desporto, como, por exemplo, no campo da iluminação LED, na organização de eventos e numa empresa de “marketing”.

1207 - JOSÉ MARIA


Oriundo de uma família pobre, a pesca, ainda em criança, tomaria conta da sua vida. Porém, apesar de muito ocupado pela actividade profissional, José Maria conseguiria arranjar tempo para alimentar a paixão pelo futebol. Seria assim que, em idade adolescente, tentaria a sorte no Varzim. Ficaria. No entanto, as faltas dadas por razão dos labores da faina, levariam os responsáveis pelas camadas jovens do emblema poveiro a mandá-lo embora. Dispensado, desistiu da modalidade. Só passado um par anos é que voltaria ao desporto e, dessa feita, ao Futebol de Salão. Regresso suficiente para chamar a atenção da modesta Associação Cultural e Desportiva de Fajozes e, daí em diante, abraçar a variante de “11”com outra força.
Depois de uma curta passagem pelo Castêlo da Maia, o Famalicão daria um novo fôlego à sua caminhada e logo em dois aspectos. Primeiro e com um contrato profissional, José Maria acabaria por deixar a vida no mar. Já o segundo pormenor viria com a substituição de dois colegas – “Eu era ponta de lança, sempre fui ponta de lança. Mas num jogo do Famalicão no terreno do Riopele ficámos sem dois jogadores de combate, que se lesionaram, logo aos vinte minutos: um central e um médio. O treinador era o Fernando Tomé, chamou-me ao banco e disse que só tinha um recurso: tinha de me meter a central. Acabámos por ganhar. A partir daí joguei como trinco, embora às vezes pudesse ser central ou lateral-direito”*.
Apesar de militar na 2ª divisão, os seus desempenhos fariam com que as 2 temporadas ao serviço da equipa minhota contribuíssem para cevar o seu valor. Esse crescimento levaria o Varzim a apostar na sua contratação. Ao mudar-se para o emblema da sua terra, orientado pelo “magriço” José Torres, José Maria, na campanha de 1983/84, teria a oportunidade para fazer a estreia no escalão máximo. Pouco afectado pelo acréscimo da exigência competitiva, o “trinco” logo assumiria um lugar no “onze” inicial. Aliás, a titularidade seria uma constante durante toda a sua caminhada desportiva. Como um atleta de raça, durinho e incapaz de virar as costas à luta, o médio tornar-se-ia indispensável para os treinadores. Poucas vezes seria preterido no alinhar da equipa e só o enorme azar de duas graves lesões contraídas, afastariam o médio dos campos da bola.
A primeira lesão, para além de um longo período de recuperação, interromperia as negociações e impediria mesmo a transferência do jogador para o Sporting. Já o segundo incidente, mais uma vez uma perna partida, aconteceria quando José Maria defendia as cores do Tirsense. Com convites de vários emblemas, a opção do médio-defensivo pelo emblema “jesuíta” levá-lo-ia, na temporada de 1988/89, a abraçar um novo projecto. Contribuiria, na campanha da sua chegada, para o regresso do clube à 1ª divisão. Depois, ajudaria a colectividade a manter-se no convívio com os “grandes”, mas o final da época de 1990/91, não evitada a despromoção, marcaria também o regresso do atleta à Póvoa de Varzim.
Pouco mais duraria a sua carreira desportiva. Ainda na primeira metade da década de 90, ao aceitar o desafio lançado pelos dirigentes dos “Lobos do Mar”, passaria a dedicar-se às tarefas de técnico, no papel de treinador-adjunto do Varzim. “Sol de pouca dura”, pois a decisão de José Maria, após um convite para orientar as camadas jovens da colectividade poveira que nunca chegaria a concretizar-se, seria a de voltar às lides da pesca.

*retirado do artigo de Sérgio Pereira, publicado a 26/04/2018, em https://maisfutebol.iol.pt

1206 - RUBENS JÚNIOR

Descoberto no Taubaté, emblema da sua terra natal, a mudança para o Palmeiras iria trazer alguns desafios à carreira do jovem Rubens Júnior. A dificuldade em adaptar-se à nova realidade competitiva, complicada pela presença de atletas como Roberto Carlos, levaria os responsáveis técnicos da colectividade paulista a equacionar um novo trajecto para o lateral-esquerdo. Depois da estreia na equipa principal do “Verdão” em 1995, a temporada seguinte encaminharia o atleta para um périplo de “empréstimos”. Começaria pelo Bragantino, para, nas 2 campanhas subsequentes, envergar as cores do Guarani e do Coritiba.
Em 1999, no regresso ao Palestra Itália, Rubens Júnior encontrar-se-ia com Luiz Felipe Scolari. Após a promessa do treinador de que iria desempenhar um papel relevante no cumprir das metas colectivas, o atleta concordaria em permanecer em São Paulo. Nessa temporada, mesmo sem ser um dos titulares, ajudaria o clube a vencer a Copa dos Libertadores. A importante conquista, com boas exibições do defesa, revelá-lo-ia além-fronteiras. Avaliado como um intérprete de bons índices físicos, com um entendimento táctico que permitia defender e atacar bem e com uma qualidade técnica capaz de passes certeiros, progressões com bola e cruzamentos mortíferos, o lateral começaria a ser pretendido por outros emblemas.
A aposta na sua aquisição surgiria de Portugal. Ao serviço do FC Porto, contratado para a temporada de 1999/00, o jogador conseguiria uma campanha de arranque bem auspiciosa. Sob a alçada de Fernando Santos, as suas presenças em campo contribuiriam para a conquista da Supertaça e da Taça de Portugal. Curiosamente, a campanha seguinte mostraria um atleta bem diferente. Apoquentado por algumas lesões, a verdade é que também muito se especularia sobre os fracos índices exibicionais e sobre uma postura fora dos relvados pouco condizente com as exigências da alta-competição. Com a perda de preponderância, os “Dragões” decidiriam “emprestar” o atleta. Uma curta passagem pelo Atlético Paranaense precederia o regresso à “Cidade Invicta” e uma época de 2001/02 com aferição positiva.
Surpreendentemente, Rubens Júnior, apesar dos apelos para ficar, preferiria continuar a carreira noutras paragens. Nem mesmo uma conversa com o treinador demoveria o atleta e a partida levá-lo-ia a nova senda de cedências – “Eu tinha propostas para voltar ao Brasil e o Mourinho, que tinha acabado de chegar, disse: «Não vás embora, conto contigo para a próxima temporada. Não prometo que sejas titular, mas vais ser importante» (…). Faltou-me maturidade para perceber que deveria ter ficado, esperado e participado nas conquistas”*.
Atlético Mineiro, Botafogo e o Vitória de Guimarães transformar-se-iam nos novos emblemas de Rubens Júnior. De seguida chegaria ao fim a ligação contratual com o FC Porto, clube que, para além do que já foi referido, contribuiria com outra Taça de Portugal e com 1 Supertaça para o palmarés do atleta. O regresso ao Brasil levá-lo-ia a entrar na derradeira fase de uma caminhada desportiva que em 2007, após envergar as camisolas de Coritiba, Corinthians e Vasco da Gama, abraçaria o seu término. Depois investiria em alguns negócios na terra natal, dedicar-se-ia às actividades de DJ e, não há muitos anos, aceitaria o repto para assumir o cargo de Coordenador Técnico do Taubaté. Hoje em dia, voltou a Portugal e fixou residência na cidade de Braga.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 26/01/2017