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1668 - VÍTOR GOMES

Ao não conseguir aferir praticamente nada sobre os primeiros anos da ligação de Vítor Manuel Gomes Lopes ao futebol, o que parece ser certo é a sua primeira inscrição ter acontecido, em 1963/64, no Futebol Benfica. Assim sendo, e com o percurso iniciado nas camadas jovens do popular “Fofó”, também é certo dizer-se que o jovem médio haveria de prosseguir a carreira, sem saber o ano da transição, nas “escolas” da CUF.
No emblema do Lavradio terá terminado a etapa formativa. Se fez, ou não, a transição para o escalão sénior ao serviço da colectividade fabril, em lugar algum encontrei qualquer informação a esse respeito. No que concerne aos anos seguintes, sei, de fonte segura, que acabaria emprestado ao Tramagal. Já a época da sua presença na agremiação do concelho de Abrantes, após cruzar alguma informação a dizer-me do balneário partilhado com Nelinho e Vítor Manuel, aponta para 1968/69. Quanto ao resto, só posso afirmar que a estreia no principal conjunto da CUF, pelo menos no Campeonato Nacional da 1ª divisão, terá sido alcançada em 1970/71.
Com a estreia no escalão máximo luso a acontecer pela mão de Carlos Silva, Vítor Gomes encetaria um trajecto que, logo na campanha seguinte, traria o médio-defensivo para a linha da frente do “onze” idealizado por Fernando Caiado. Como interveniente em todas as jornadas da edição de 1971/72 do Campeonato Nacional e com o 4º lugar conquistado na tabela classificativa da 1ª divisão, a cotação do atleta depressa subiria. Para ajudar à sua valorização, à titularidade, a época de 1972/73 somaria a sua estreia nas competições de índole continental. Inserido o clube na Taça UEFA, o jogador, ao competir nas 4 partidas correspondentes à participação do emblema da Margem Sul na mencionada prova, entraria em campo frente aos belgas do Racing White e aos germânicos do Kaiserslautern. Já no plano interno, voltaria a trazer para o currículo a totalidade das partidas disputadas na principal prova do calendário português e nas épocas seguintes, em pouco a dever às antecessoras, ainda haveria a registar o centrocampista como um dos homens pertencentes a um dos conjuntos vencedores da Taça Intertoto de 1974/75.
Tamanha coerência exibicional, adjuvada pelos excelsos préstimos do colectivo da CUF, empurrá-lo-ia para a subida até um dos denominados “grandes”. No Sporting de 1975/76 encontraria um plantel com um sector intermediário recheado de craques. Com Fraguito como principal competidor à sua posição em campo, Vítor Gomes, num segundo plano nas escolhas de Juca, acabaria a época de entrada em Alvalade um pouco ofuscado pela concorrência. Porém, a mudança de paradigma perpetrada com a chegada de Jimmy Hagan, na qual o técnico inglês haveria de ver no jogador alguém com as capacidades para também ocupar a direita da defesa, levá-lo-ia a aparecer em jogo com maior frequência. Contudo, a época subsequente faria com que o atleta retrocedesse na sua afirmação. Ainda assim, erguido o momento num episódio carregado de ironia, a Taça de Portugal de 1977/78 traria o seu “canto do cisne” e seria um golo da sua autoria, naquela que viria a tornar-se na derradeira partida a envergar o listado dos “Verde e Brancos”, a abrir o marcador na vitória dos “Leões” na finalíssima da “Prova Rainha”.
Apesar de tido como um jogador abnegado, prova feita após um acidente de caça que, ao feri-lo gravemente num pé, não o impediria de continuar a dar uma bela ajuda ao clube, o fim da sua contribuição para os objectivos colectivos do Sporting, mesmo contra a vontade de Miroslav Pavic, viria com o termo da temporada de 1977/78. Seguir-se-iam, sem abandonar o escalão máximo, o ano passado num Marítimo inicialmente orientado por Fernando Vaz, a muito aludida recusa para regressar a Alvalade, as duas campanhas cumpridas no Portimonense e uma derradeira temporada no cenário primodivisionário, ao serviço do Belenenses. De seguida, numa época em que abraçaria, em simultâneo, as tarefas de jogador e de treinador, emergiria o Juventude de Évora de 1982/83. Aliás, seria a sua experiência no emblema alentejano encaminhá-lo-ia na direcção de uma carreira de técnico-principal e a trabalhar à frente de colectividades como o Esperança de Lagos, Ginásio de Alcobaça, Caldas, Paços de Ferreira, Moreirense, Gil Vicente, Trofense, Marco, Paredes ou Freamunde.

1437 - LOBO

Mais uma vez, e começa a parecer fado, escolhi escrever a biografia de um atleta que, sem saber de antemão, iria revelar-se, em boa parte da carreira, um verdadeiro mistério. Nesse sentido, de Joaquim Lopes Lobo, natural de Vieira de Leiria, posso dizer-vos que encontrei como referência a um primeiro emblema, sem contudo encontrar a(s) correspondente(s) temporada(s), a sua passagem pelo Sport Lisboa e Marinha.
Mais consistente surgiu-me a informação da sua integração no plantel do Belenenses de 1965/66. Com os “Azuis”, o defesa-esquerdo, a trabalhar às ordens do brasileiro Jorge Vieira, terá feito, na campanha ainda agora referida, a estreia na 1ª divisão. Será dessa mesma época a única de 3 internacionalizações que, através da deficiente comunicação encontrada no “site” oficial da Federação Portuguesa de Futebol, consegui confirmar como pertencente ao currículo do atleta. A partida, disputada a 23 de Maio de 1966, frente à Bulgária, fez parte do calendário agendado para o Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Nessa ficha de jogo, que nos dá a conhecer José Maria Canhoto como “timoneiro”, podemos ainda encontrar nomes que haveriam de singrar no desporto luso, casos de Damas, Rebelo, Camolas ou Brasfemes.
Também no escalão máximo do futebol português, parece ser certa a sua passagem pelo Atlético Clube de Portugal de 1966/67. Na colectividade sediada no bairro lisboeta de Alcântara, o defesa terá dado continuidade à sua caminhada primodivisionária. O pior, no que ao conhecimento diz respeito, emergiu dos anos seguintes. Num somatório de dados contraditórios, omissos e, acima de tudo, muito confusos, as poucas coisas que consegui aferir foram as experiências do atleta com as camisolas do Salgueiros e, na tão habitual passagem por África e pelo Serviço Militar Obrigatório, as jornadas feitas com o emblema do Sporting de Lourenço Marques.
Com a chegada da temporada de 1972/73, e avante no tempo, quero pensar nos dados encontrados, em diversas fontes, como fidedignos. Com essa ideia presente, posso asseverar-vos a chegada de Lobo ao Estádio do Bessa como reforço para a temporada mencionada no encetar deste parágrafo. Num grupo de trabalho comandado por Aymoré Moreira e com nomes como Bernardo da Velha, Mário João, Taí, Acácio Casimiro, Barbosa ou Moinhos, o defesa-canhoto conseguiria erigir aquela que, em prestações pessoais, terá sido a época de maior constância na sua carreira como futebolista. Daí em diante, ainda que tendo perdido alguma da preponderância inicial, o atleta manter-se-ia como um elemento de boa presença no plantel dos “Axadrezados”. Os grandes destaques terão de ir para as duas últimas épocas realizadas pelo jogador ao serviço do conjunto com os jogos domésticos disputados na “Cidade Invicta” e para as prestações colectivas na Taça de Portugal. Já com José Maria Pedroto à frente das “Panteras”, a equipa portuense chegaria, consecutivamente, a 2 finais. Quanto a Lobo, esse contexto glorioso, apesar da única presença na derradeira contenda da competição ter-se cingido à segunda edição aqui aludida, traria ao seu palmarés as vitórias nas edições de 1974/75 e 1975/76 da apelidada “Prova Rainha”.
O resto do seu trajecto competitivo seria feito, exclusivamente, nos patamares secundários. Após a transferência para a União de Leiria na temporada de 1976/77, Lobo, com um par de campanhas cumpridas na agremiação da “Cidade do Lis”, arrepiaria caminho para o Rio Maior. Seguir-se-iam, com experiências como treinador-jogador à mistura, as passagens por Vieirense, Marinhense e, num regresso ao emblema da terra natal, o fim da carreira com o termo da época de 1982/83.

1424 - JOSÉ CARLOS

Ao completar a formação no Sporting Clube de Portugal, José Carlos Gonçalves da Silva acabaria por fazer a estreia como sénior bem longe de Alvalade. Integrado no plantel do Gil Vicente na temporada de 1960/61, o jovem atleta iniciaria no Minho um périplo que até à estreia no escalão máximo português ainda viria a prolongar-se por alguns anos. Após uma campanha em Barcelos, seguir-se-iam o Amora e o Silves. Depois, surgiria na sua caminhada competitiva o Seixal de 1963/64 e o encetar, num conjunto de trabalho comandado pelo treinador-jogador Angel Oñoro, da sua experiência primodivisionária.
Apesar dos bons números apresentados, a fazerem do médio-ofensivo um dos elementos presente no “onze tipo” do conjunto sediado na Margem Sul do Rio Tejo, José Carlos, cumprida apenas uma temporada, acabaria por deixar o Campo do Bravo para, não muito longe dali, começar a envergar a camisola do Almada. No Pragal a partir de 1964/65, o médio, de características marcadamente atacantes, voltaria a demonstrar qualidades suficientes para ambicionar a voos de maior monta. Dois anos passados nas contendas da 2ª divisão seriam suficientes para que outros emblemas começassem a aferir o atleta como uma figura capaz de reforçar os respectivos planteis. Nesse sentido, ao jogador abrir-se-iam as portas do Estádio do Bonfim e no Vitória Futebol Clube passaria a trabalhar sob a intendência de Fernando Vaz.
A verdade é que a época de 1966/67, passada com as cores da agremiação setubalense, correria muito aquém do esperado e José Carlos praticamente não entraria em campo com o equipamento listado dos “Sadinos”. Ainda assim, a sua reputação não sofreria danos de maior e o FC Barreirense, com o jogador a manter-se no convívio com os “grandes”, tornar-se-ia na sua nova “casa”. Ao retornar a um dos emblemas da Margem Sul, o médio-ofensivo recuperaria a cotação e voltaria, ainda que com ligeiríssimas intermitências, a ser tido como um titular. Nas 4 temporadas a jogar em casa no Estádio Dom Manuel de Mello, 3 delas no degrau maior do futebol português, o atleta sublinhar-se como um elemento de grande valor. Mais uma vez com grande surpresa, seria já depois de, frente ao Dinamo Zagreb, ter participado na estreia do clube nas competições continentais que José Carlos deixaria o clube.
No plantel do Cova da Piedade de 1971/72, o grande momento surgiria na disputa da Taça de Portugal e nos quartos-de-final alcançados pelo emblema a militar na 2ª divisão. A campanha no Parque Silva Nunes valer-lhe-ia, na companhia de Móia, a transferência para o Oriental. Com a chegada à Azinhaga dos Alfinetes na temporada de 1972/73, José Carlos participaria numa das páginas históricas da colectividade “alfacinha”, ou seja, no regresso do clube às pelejas primodivisionárias. O resto das épocas passadas no Estádio Engenheiro Carlos Salema, serviriam para o jogador somar mais duas épocas no convívio com os “grandes” e para, com o termo das provas agendadas no calendário de 1975/76, pôr um ponto final no seu trajecto como futebolista.
Posteriormente e depois de, como treinador-jogador, já ter conduzido o Oriental de 1974/75, José Carlos manteria a sua ligação à modalidade como técnico-principal. Nessa caminhada de mais de duas décadas, numa carreira feita pelos escalões secundários, o antigo atleta orientaria colectividades como Vilafranquense, Samora Correia, Pescadores da Costa da Caparica, Sacavenense, Amora, Fanhões, Odivelas, Seixal, Atlético da Malveira, Benavente, Coruchense e Loures.

1391 - ADEMIR

Começaria a jogar profissionalmente na época de 1971. Como atleta da equipa principal do Santo André, Ademir Vieira rapidamente começaria a revelar boas qualidades. Contudo, apesar das qualidades patentes, a sua mudança para Portugal seria resultado de um episódio bem caricato e a envolver Luiz Antônio, o seu irmão mais velho – “O meu irmão é que devia ter ido para o Olhanense, acho que por intermédio do Juan Figer, um empresário uruguaio. Ele soube que o guarda-redes principal do clube estava suspenso e indicou o meu irmão para lá. Mas à última da hora o negócio caiu, porque o Rodrigues, o tal guarda-redes, foi perdoado (…). Apesar de o meu irmão não ter sido contratado, as pessoas do Olhanense perguntaram-lhe se ele conhecia algum avançado bom. E ele indicou o irmão. Eu”*.
Em Portugal a partir da temporada de 1972/73, Ademir começaria a destacar-se num Olhanense ainda a disputar a 2ª divisão. Com um interregno estival, tão normal nessa altura, para, na North American Soccer League, integrar o plantel de 1974 do Toronto Metros, o avançado ainda passaria outras 2 temporadas no Algarve. Ao fim desse par de campanhas, ambas na 1ª divisão, as prestações conseguidas levá-lo-iam a ser cobiçado por diversos emblemas lusos. Com o Sporting, o Benfica, o Vitória Sport Clube e o Boavista no seu encalço, seria o FC Porto a convencê-lo a mudar de ares. Com a chegada à “Invicta” a acontecer na época de 1975/76 e com António Oliveira e Cubillas a apresentarem-se como os principais competidores por um lugar no “onze”, o atacante revelaria algumas dificuldades para conseguir agarrar a titularidade. Porém, a mudança de posição, perpetrada por José Maria Pedroto, pô-lo-ia a jogar mais recuado no terreno de jogo e, com essa alteração, o atleta assumiria um papel de maior relevância no grupo de trabalho “azul e branco”.
Apesar de ter somado números bem positivos durante as 3 campanhas ao serviço dos “Dragões”, durante as quais também ajudaria a vencer a Taça de Portugal de 1976/77, houve um momento em especial que acabaria por marcar toda a sua passagem pelo FC Porto. Numa altura em que imperava o longo jejum da equipa sem ganhar o principal troféu do calendário futebolístico português, a 28ª jornada de 1977/78 assumir-se-ia como de fulcral importância para dar um fim a esse interregno. Nas Antas, frente ao Benfica, os “Azuis e Brancos”, resultado de um autogolo de Simões, começariam a perder. Já bem perto do fim do jogo, na sequência de um livre por si marcado, a bola é rechaçada por Alberto. Todavia, o esférico voltaria à proximidade do médio-ofensivo que, com um potente remate sem preparação, bateria o guardião Fidalgo e, desse modo, ajudaria a sua equipa a dar um passo de gigante na direcção de um título que, há 19 anos, fugia à colectividade portuense.
Curiosamente, apesar de ser um dos mais utilizados, Ademir, antes ainda do fim da temporada de 1977/78 decidiria rubricar um contrato com o Boavista. Apesar da tentativa dos responsáveis do FC Porto para reverter a situação, o atleta acabaria mesmo por deixar o clube. Contudo, o destino de jogador não seria o Bessa e transferido de imediato pelos “Axadrezados”, a Espanha e o Celta de Vigo transformar-se-iam na sua nova morada.
Depois de 4 temporadas cumpridas na Galiza, Ademir tornaria a Portugal e ao Algarve. De novo a envergar as cores do Olhanense, o jogador entraria na derradeira etapa da carreira competitiva. Sem voltar, desde o regresso, a experimentar o contexto primodivisionário, o médio-ofensivo, antes de “pendurar as chuteiras”, ainda teria tempo para representar o Louletano e o Imortal. Após decidir pôr um ponto final na caminhada enquanto praticante, o antigo atleta voltar-se-ia para as tarefas de técnico. Nessas funções, como adjunto, passaria pelo Olhanense, para de seguida, em agremiações de menor monta, assumir os encargos de treinador-principal. Já de novo no Brasil, mantendo-se ligado à modalidade, seria responsável pela criação de 2 “escolas” de futebol.

*retirado da entrevista conduzida por Pedro Jorge da Cunha, publicada a 2/12/2021, em https://maisfutebol.iol.pt

1382 - BARROCA

Filho de Álvaro Barroca Silva, antigo Presidente do Estrela da Amadora e do SC Linda-a-Velha, José Pedro Barroca da Silva, depois de dar os primeiros passos no emblema do concelho de Oeiras, viria terminar a formação já nas “escolas” do Benfica. A jogar pelas “Águias”, o guardião rapidamente daria sinais de grandes qualidades. Para sublinhar tal avaliação, ainda durante os anos a vogar pelas camadas jovens, surgiria a chamada às selecções à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com a presença em campo a 7 de Abril de 1955, a partida de juniores frente à Itália, na qual também marcaria comparência o extremo José Augusto, embelezaria a carreira do guarda-redes com 1 internacionalização.
Ao subir a sénior na temporada de 1957/58, Barroca deparar-se-ia com uma forte concorrência pelo lugar à baliza. Com Costa Pereira e José Bastos a tomar a dianteira na corrida pela titularidade, a primeira oportunidade do jovem guarda-redes surgiria apenas na temporada de 1959/60. Ao ir a jogo na equipa principal dos “Encarnados” pela mão de Béla Guttmann, as partidas disputadas na principal prova do calendário futebolístico nacional ser-lhe-iam suficientes para, nesse ano, juntar o seu nome ao rol de atletas vencedores do Campeonato Nacional. Nas épocas seguintes, parte integrante dos planteis que viriam a ganhar as 2 Taças dos Clubes Campeões Europeus, o guardião somaria ao palmarés pessoal a conquista de outro Campeonato e de mais 1 Taça de Portugal. Faltar-lhe-ia arrolar ao currículo, fruto de nunca ter entrado nas fichas de jogo, as vitórias na prova actualmente conhecida como “Champions”.
À procura de mais minutos em campo, Barroca, para a temporada de 1963/64, decidiria mudar de emblema. No Sporting voltaria a deparar-se com uma enorme disputa por um lugar no “onze”. Tapado por Carvalho, a falta de jogos começaria a justificar a noção do jogador estar transformado num eterno suplente. Para sublinhar tal ideia, como já tinha acontecido na sua passagem pelo Benfica, o seu nome, mais uma vez sem qualquer presença na prova, também acabaria excluído da lista dos atletas triunfadores da Taça dos Vencedores das Taças, vencida pelos “Leões” nesse ano da sua entrada em Alvalade. Salvar-se-ia a presença numa das jornadas do Campeonato Nacional de 1965/66 e, com isso, o relacionar da sua identidade com a lista de campeões*.
Sem deixar a 1ª divisão, a campanha de 1970/71 representaria para Barroca uma radical mudança de paradigma. Ao rubricar um contrato com o Farense, finalmente o guardião conseguiria conquistar aquilo que as suas qualidades enquanto desportista sempre tinham deixado entender. Dono das balizas à guarda do emblema algarvio, o jogador tornar-se-ia numa das figuras dos “Leões de Faro”. Ironicamente, o destaque duraria apenas uma temporada e ao contrário do ocorrido na época anterior, o futebolista, em 1971/72, ver-se-ia ultrapassado por Rodrigues Pereira.
Já com a carreira a entrar nos derradeiros capítulos, o jogador haveria ainda de representar o plantel de 1972/73 do Olhanense. Primeiro na disputa da 2ª divisão, a promoção conseguida ao serviço da colectividade sediada no Sotavento, levaria o guarda-redes de volta ao escalão máximo, com a temporada de 1973/74 a tornar-se na última de Barroca no papel de futebolista.


*no que a esta informação diz respeito, tenho de deixar uma ressalva, pois algumas fontes dão Barroca como um dos vencedores do Campeonato de 1965/66, enquanto outras não incluem o guardião.

1361 - NICOLAU VAQUEIRO

Surgiria na equipa principal do Leixões treinada por António Teixeira, na temporada de 1969/70, e numa altura em que já tinha sido chamado aos trabalhos das equipas de formação de Portugal. Sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol, depois da estreia a 11 de Novembro de 1968, Nicolau Vaqueiro acabaria também convocado para a disputa do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1969. No certame realizado na antiga República Democrática Alemã, o atacante, ao entrar em campo na partida frente à Itália, daria à sua carreira a 2ª internacionalização.
De volta ao Estádio do Mar, o avançado, apesar da falta de experiência e com o Leixões a fazer parte das pelejas primodivisionárias, apenas demoraria uma temporada para conseguir impor-se como um elemento imprescindível nos trâmites tácticos do emblema matosinhense. Na campanha de 1970/71, num plantel onde também despontavam nomes como Tibi, Teixeira ou Eliseu, o extremo-direito terminaria a referida época como um dos mais utilizados por António Medeiros. Aliás, daí em diante esses seriam os preceitos em que Nicolau Vaqueiro passaria a apresentar-se. Sempre como um elemento de importância fulcral para os esquemas idealizados pelos diferentes treinadores, o atleta começaria a acumular, no currículo, um crescendo de partidas disputadas. Com 7 temporadas cumpridas com as cores dos “Bebés”, o somatório de jornadas feitas pela agremiação, num total de 156 presenças em campo, levá-lo-iam a ser aferido como um dos jogadores da colectividade nortenha com mais presenças no escalão máximo português.
Apesar da temporada de 1975/76 ter voltado a sublinhar Nicolau Vaqueiro como um dos titulares do Leixões e com o clube a conseguir a manutenção no patamar maior, o avançado tomaria a decisão de pôr fim à sua caminhada com o listado alvirrubro e de cambiar de paradeiro. Curiosamente, a transferência para o Sporting de Espinho levá-lo-ia, pela primeira vez na carreira, a abraçar as pelejas dos escalões secundários. Outra grande surpresa viria logo de seguida, com os “Tigres da Costa Verde” a atingirem os lugares com direito à promoção, mas com o atacante a dar preferência a nova mudança.
O ano passado a envergar a camisola do Rio Ave serviria de interlúdio para o regresso do jogador à 1ª divisão. Já no Famalicão, orientado inicialmente por Mário Imbelloni, a verdade é que Nicolau Vaqueiro não revelaria os índices exibicionais de anos anteriores. Sem nunca conseguir elevar-se a uma das escolhas para a linha-da-frente das pelejas da agremiação minhota, essa temporada de 1978/79, em termos individuais, terminaria com resultados abaixo do esperado. Para a frente no tempo, num trajecto a sublinhar-se de forma decrescente, o atacante não mais voltaria ao convívio com os “grandes”. Lusitânia de Lourosa, Desportivo das Aves e o Lousada seriam os emblemas, numa carreira de desportista que terminaria com o fim da época de 1982/83, a colorir a sua derradeira fase enquanto futebolista.
Apaixonado pela modalidade, Nicolau Vaqueiro passaria a abraçar as tarefas de treinador. Numa longa caminhada, mormente dedicada a emblemas a competir nos escalões secundários, o técnico ainda passaria pela 1ª divisão, em experiências à frente do Leixões e do Farense. Recentemente assumir-se-ia como dirigente e, na temporada de 2021/22, regressaria ao Trofense para desempenhar as funções de Team Manager.

1352 - CELESTINO

Destacar-se-ia, inicialmente, na primeira metade da década de 1960, num Montijo a vogar pelo escalão secundário. Ao fazer a transição para as competições seniores na colectividade da Margem Sul do Rio Tejo, Celestino, lateral-direito combativo e dono de belíssimos índices físicos, teria na passagem para outro emblema histórico do panorama futebolístico português, o salto necessário para catapultar a carreira em direcção a patamares de excelência. Já em Coimbra, num grupo recheado de craques, o defesa acabaria por ajudar a escrever uma das mais brilhantes páginas da existência da agremiação estudantil.
Como jogador da Académica a partir da campanha de 1965/66, em grupos liderados por Mário Wilson e compostos por um largo rol de inolvidáveis atletas como Mário Torres, Curado, Vítor Campos, Mário Campos, Gervásio, Rui Rodrigues, Toni, Jorge Humberto, Artur Jorge, Rocha, Crispim, Vieira Nunes, Serafim, Brasfemes, Quinito, Oliveira Duarte, Belo, Maló, Ernesto, entre outros, Celestino, tal como foi dado a entender no parágrafo anterior, passaria a fazer parte de um dos momentos áureos dos “Estudantes”. Como pontos altos desses 3 anos passados em Coimbra, com o jogador, já dono de uma boa experiência competitiva, a assumir uma boa cota parte de importância no alcançar dos feitos colectivos, destacar-se-iam as competições internas da época de 1966/67.
Presença habitual no “onze” da “Briosa” na última temporada aludida, Celestino transformar-se-ia num dos esteios do 2º lugar alcançado, pela Académica de Coimbra, no concluir do Campeonato Nacional. Paralelamente, a caminhada colectiva na Taça de Portugal, levaria o clube até à final da competição. No Estádio Nacional do Jamor, frente ao Vitória Futebol Clube, o lateral-direito seria chamado ao alinhamento inicial. Curiosamente, mesmo sendo um elemento do sector mais recuado, seria dele um dos golos a pautar a partida. Infelizmente para e si e para os seus companheiros de equipa, esse remate certeiro acabaria como insuficiente prémio para a derrota e, com o placard final a registar 3-2, o tão almejado troféu escaparia em direcção a Setúbal.
Também da passagem de Celestino por Coimbra saltaria outro momento inesquecível. Convocado à selecção “B” pelos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol, o lateral-direito acabaria a estrear-se numa peleja frente à Bélgica. Depois dessa partida disputada no Stade du Pays de Charleroi, a 22 de Março de 1967, o jogador, dentro do mesmo escalão, ainda voltaria a envergar a “camisola das quinas”. Passados alguns meses após a já mencionada chamada, o atleta, dessa feita com a França, somaria mais uma partida por Portugal, num total, a abrilhantar a sua carreira, de 2 internacionalizações.
O passo seguinte da sua caminhada desportiva, a partir da temporada de 1968/69, dar-se-ia com a transferência para o Sporting. Em Alvalade, orientado por Fernando Vaz, Celestino conquistaria o troféu mais importante da carreira. Titular desde a chegada ao emblema lisboeta, o defesa tornar-se-ia num dos pilares da vitória no Campeonato Nacional de 1969/70. Infelizmente para a sua progressão, uma terrível lesão iria travar a preponderância demonstrada no cumprir dos objectivos colectivos dos “Leões”. Com a época seguinte à do triunfo na principal prova do calendário português a revelar-se bem abaixo das prestações de anos anteriores, o lateral acabaria por deixar os “Leões” e voltaria a atravessar o Rio Tejo.
De regresso ao Montijo na época de 1971/72, o lateral-direito seria uma das peças mais importantes do emblema aldegalense, naquelas que viriam a tornar-se nas mais pródigas páginas do clube. Com esta nova etapa a iniciar-se ainda no patamar secundário, Celestino seria um dos intérpretes, na temporada de 1972/73, da estreia da colectividade na 1ª divisão. Ainda participaria nas outras duas campanhas da agremiação entre os “grandes” e, numa altura em que tinha sob a sua alçada a braçadeira de capitão, os 74 jogos disputados, torná-lo-iam no atleta com mais partidas realizadas, pelo conjunto da Margem Sul, naquele que é o patamar máximo do futebol luso.
Antes de pôr termo à carreira como futebolista, segundo as informações veiculadas por algumas publicações, Celestino terá ainda representado o Estrela de Vendas Novas e os açorianos do Oliveirenses.

1341 - SOARES

Tendo despontado no Pedras Rubras, o Serviço Militar Obrigatório levá-lo-ia até Angola, onde, na antiga colónia portuguesa, acabaria a representar o Sporting Clube do Lubango. De regresso à metrópole, seria ao serviço do Beira-Mar que, nas provas lusas da temporada de 1969/70, o defesa-central retomaria a actividade desportiva. Com o emblema do Estádio Mário Duarte, na já aludida campanha, a disputar o 2º escalão, o jogador tornar-se-ia de fulcral importância para o regresso do clube ao convívio dos “grandes”.
Avaliado como um elemento aguerrido, com bom porte físico, eficiente no jogo aéreo e fortíssimo nos duelos individuais, a titularidade conquistada e mantida durante os dois primeiros anos a jogar pela agremiação aveirense, fariam dele um pilar dos estratagemas colectivos. Nesse sentido, ao marcar presença no jogo decisivo para a atribuição do título, partida disputada, em Leiria, frente ao Atlético, o jogador, na época de 1970/71, ajudaria a colectividade sediada na Beira Litoral a vencer o Campeonato Nacional da 2ª divisão e a voltar ao escalão máximo.
A estreia de Soares na 1ª divisão, em termos de avaliação pessoal, correria de feição para o jogador. Mesmo sem qualquer experiência no patamar maior do futebol luso, o defesa não deixaria intimidar-se pelos adversários, hipoteticamente, mais fortes. Como elemento habitual nos “onzes” idealizados por Dante Bianchi e, com a saída do treinador argentino, ao manter-se indispensável na táctica pensada por Armindo Teto, o atleta haveria de cimentar-se como um elemento de cariz primodivisionário. Aliás, durante as 8 temporadas com as cores do Beira-Mar, 5 delas no escalão mais elevado, poucas seriam as ocasiões em que perderia o estatuto de titular e os 296 jogos feitos pelos “Auri-negros”, serviriam de prova para sua elevada preponderância colectiva.
Já como um atleta experimentado e depois de, no Beira-Mar, ter envergado a braçadeira de capitão, Soares daria um novo rumo à carreira. Com Mário Wilson à procura de reforços para o sector mais recuado do Vitória Sport Clube, o defesa deixaria Aveiro para rumar a Guimarães. No Minho a partir da temporada de 1977/78, o jogador conservaria os níveis exibicionais das épocas anteriores e conseguiria manter um nível elevado de presenças nas fichas de jogo. Mesmo com a barreira dos 30 anos de idade ultrapassada à chegada à “Cidade Berço”, a verdade é que as suas “performances” em nada sairiam beliscadas. Ainda assim, finda a campanha de 1978/79, o central acabaria, novamente, a mudar de clube e já com as cores do Rio Ave daria continuidade à caminhada na 1ª divisão.
A temporada de 1979/80, a de estreia em Vila do Conde, traria à sua história na modalidade uma nova faceta. Com o despedimento, à 12ª jornada do Campeonato Nacional, de Ruben Garcia, os dirigentes do Rio Ave convidariam Soares, num conjunto técnico igualmente formado por Mário Reis e Duarte, a comandar, interinamente, a equipa do listado vertical verde e branco. O Rio Ave acabaria por não conseguir evitar a despromoção. No entanto, esse não seria o último ano do defesa na 1ª divisão. A transferência para o Salgueiros em 1981/82, traria à sua carreira novo ensejo para disputar o patamar máximo. Com a mudança para a colectividade do portuense bairro de Paranhos inicialmente a mantê-lo no 2º escalão, as duas campanhas seguintes trariam ao seu currículo a 9ª e a 10ª época do atleta a pelejar no degrau maior do futebol português.
No resto da sua caminhada desportiva, trajecto terminado com a incrível idade de 42 anos, tempo ainda para representar o Senhora da Hora, o Castêlo da Maia e o Ribeirão.

1234 - MALTA DA SILVA

Descoberto no Sports Clube Portugal de Benguela, onde, em simultâneo, chegaria a praticar futebol e basquetebol, Malta da Silva aterraria em Lisboa para representar o Benfica. Para essa temporada de 1964/65, campanha em que as “Águias” alcançariam a 4ª final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, nos comandados do treinador Elek Schwartz, estavam, só para o sector mais recuado, nomes como Germano, Cavém, Jacinto, Raúl, entre outros. Com tamanha e tão ilustre companhia, as oportunidades dadas ao reforço recém-chegado de Angola seriam poucas. Mesmo podendo posicionar-se na direita ou no centro da defesa, a polivalência do jovem futebolista de pouco serviria e, na campanha de entrada na “Luz”, apenas participaria em meia-dúzia de partidas para o Campeonato. Nas campanhas seguintes, igual fado e seria somente no desenrolar da época de 1969/70 que a sua sorte mudaria.
Com Otto Glória de regresso ao emblema da Luz, Malta da Silva, finalmente, teria o ensejo de demonstrar todas as qualidades que, alguns anos antes, tinham feito os responsáveis pelos “Encarnados” interessarem-se pela sua contratação. Com fino recorte técnico, capacidade de passe superior, elegância e, contudo, sem deixar de ser combativo, o defesa começaria a ganhar espaço no seio do plantel. Fixar-se-ia na lateral-direita e conservaria a titularidade, mesmo com a chegada do treinador Jimmy Hagan. Aliás, seria sob a batuta do técnico inglês que mais brilharia. Tal destaque não passaria despercebido aos homens da Federação Portuguesa de Futebol, que começariam a ver em si um elemento capaz de ajudar aos desígnios futebolísticos da nação. A primeira presença em campo com a “camisola das quinas” chegaria, a 17 de Fevereiro de 1971, pela mão de José Gomes Silva. Depois dessa partida frente à Bélgica, calendarizada para a Fase de Apuramento para o Euro 72, o seu nome voltaria a ser chamado a representar Portugal e, no total, somaria 5 internacionalizações “A”.
Após 11 temporadas a representar o Benfica, a ligação entre o clube e o atleta conheceria o fim. Malta da Silva partiria depois de participar em 191 pelejas oficiais, de marcar 1 golo e com o currículo enriquecido pelas conquistas de 7 Campeonatos Nacionais e de 2 Taças de Portugal. Seguir-se-iam o Viseu e Benfica e a viagem em direcção ao “El Dorado” do futebol dos anos de 1970. Entraria para a North American Soccer League em 1977, onde reencontraria a companhia de António Simões, seu antigo colega nas “Águias” e até no, ainda agora referido, emblema beirão. Nos Estados Unidos da América começaria por envergar as cores do San Jose Earthquakes. Passaria também, já na disputa da American Soccer League, pelos Rhode Island Oceaneers. Cumprida a curta vivência do outro lado do Oceano Atlântico, regressaria a Portugal numa fase marcadamente descendente da carreira profissional. Encetaria, então, um trajecto de alguns anos pelos escalões secundários, durante o qual sobressairiam os seus desempenhos como treinador-jogador. Benfica de Castelo Branco, onde contribuiria para uma subida à 2ª divisão, Lusitano de Vila Real de Santo António e Pêro Pinheiro transformar-se-iam nas colectividades do aludido período.

1212 - BALTAZAR

É impossível não começar esta pequena biografia por uma curiosidade! É que Baltazar ou, se preferirem a alternativa, Baltasar, tal como haveria de ficar conhecido no mundo do futebol, afinal tem como nome de baptismo Vítor Manuel Jesus Gonçalves!
Peculiaridades à parte, a vida competitiva do jogador, ao dar os primeiros passos nos Pescadores da Costa da Caparica, cedo começaria a dar sinais de excelência. A primeira prova dessa qualidade, tinha o jogador 16 anos de idade, surgiria com a chamada à equipa sénior do conjunto sediado no Concelho de Almada. Contudo, e mesmo ao revelar bons índices técnicos, físicos e tácticos, a verdade é que o jovem atleta teria que percorrer um longo caminho até começar a aparecer nos principais escaparates do desporto português.
Depois de, em 1964/65, ter conseguido estrear-se nas provas seniores, só 4 anos depois é que teria a oportunidade de subir alguns degraus na carreira. Tendo, durante esse período, disputado o 3º escalão e, em grande parte, os Campeonatos Regionais, ainda assim conseguiria despertar a atenção de emblemas bem melhor posicionados nos “rankings” classificativos. Com uma evolução a merecer patamares de maior exigência competitiva, seria o Seixal, em 1968/69, a apostar na sua contratação. Com capacidade para posicionar-se em várias posições, a possível polivalência conferir-lhe-ia também outra característica interessante. Com tantos predicados a alavancá-lo, a mudança para o Atlético na temporada de 1970/71, serviria o seu crescimento. Uma campanha passada sobre a sua chegada à Tapadinha, e como um elemento preponderante na esquematização táctica dos “alcantarenses”, viriam os primeiros passos na 1ª divisão e os palcos merecidos à sua qualidade.
A experiência ganha como titular nas 2 temporadas a disputar o escalão máximo, mesmo com o Atlético, no final da campanha de 1972/73, a não conseguir evitar os lugares da despromoção, serviriam para promovê-lo e fazer com que um dos denominados “grandes” visse nele um bom reforço. Ao serviço do Sporting, mesmo ao ser conhecido pela polivalência, seria no meio-campo que asseguraria um lugar e que melhor contribuiria para os objectivos comuns. No sentido das conquistas, a temporada de chegada a Alvalade seria bem prodiga. Com Mário Lino aos comandos da equipa e com Baltazar, na metade final da época, a assumir-se como titular, os “Leões” venceriam o Campeonato e a Taça de Portugal.
Outro dos grandes prémios que acabaria por receber, numa altura em já era reconhecido como um dos melhores intérpretes a actuar em Portugal, seria a chamada à selecção nacional. Convocado por Juca e arrolado pelo treinador para o “onze” inicial, o “amigável” frente à Suíça, disputado no Funchal a 30 de Março de 1977, daria a Baltazar algo que nunca tinha alcançado em toda a carreira. Sem ter passado por qualquer escalão de formação, esse encontro com a congénere helvética, conferiria ao currículo do médio a única internacionalização do seu percurso profissional.
Após 6 anos a envergar a camisola listada do Sporting, ao perder alguma preponderância no seio do plantel leonino, Baltazar decidiria prosseguir a carreira no Belenenses. No Estádio do Restelo a partir da campanha de 1979/80, sempre a competir em contexto primodivisionário, completaria mais 3 temporadas de bom nível. Dez épocas consecutivas no patamar máximo, precederiam a passagem pelo Vizela e a preciosa ajuda na chegada da colectividade minhota, pela primeira vez na história, à 1ª divisão. Contudo, o médio não acompanharia os colegas na subida. Já a entrar numa fase descendente do percurso desportivo, Lixa e Pêro Pinheiro tornar-se-iam nos últimos emblemas da sua caminha enquanto jogador. Ao “pendurar as chuteiras” no final da temporada de 1986/87, Baltazar manter-se-ia ligado ao futebol. Como treinador, destaque para a experiência nos açorianos do Sport Clube Lusitânia.

1200 - FRANCISCO MÁRIO

Seria no Grupo Desportivo de Sesimbra que Francisco Mário, depois de aí concluída a formação como jogador, daria os primeiros passos no universo competitivo sénior. Mesmo com o emblema do Distrito de Setúbal a militar no escalão secundário, o jovem extremo conseguiria evoluir o suficiente para começar a destacar-se como um elemento digno de objectivos de outra monta. Com a estreia no conjunto principal a acontecer na campanha de 1967/68, seriam ainda necessárias algumas temporadas para que surgisse a oportunidade para o merecido salto. Depois de 5 épocas em que veria a sua equipa posicionar, por norma, na metade superior da tabela classificativa da Zona Sul, seria, no entanto, com outras cores que o atacante emergiria no patamar maior do futebol português.
Já como atleta do Clube Desportivo do Montijo, para onde entraria como reforço do plantel de 1972/73, o avançado conseguiria dar os passos iniciais na 1ª divisão. Essa circunstância, que faria dele um dos nomes com participação na estreia do emblema da Margem Sul no escalão máximo, acabaria por justificar, só por si, a inscrição da sua identidade nos anais da colectividade. Porém, o referido facto não seria o único a entregar a Francisco Mário um lugar na história dos aldeanos. As 55 partidas disputadas na principal prova do calendário competitivo luso, para além de provar o seu valor, serviriam também para pôr o atacante no 4º lugar dos atletas com mais partidas disputadas pelo conjunto, no contexto primodivisionário.
Todavia e mesmo tendo em conta o que já foi relatado, acabaria por ser o Boavista a tornar-se no emblema com mais peso na sua carreira profissional. Após a despromoção do Montijo no final da temporada de 1973/74, a qualidade demonstrada nos dois anos anteriores, permitiram a Francisco Mário manter-se pela 1ª divisão. Para ser mais correcto, a sua transferência para o emblema sediado na cidade do Porto, traria muito mais ao atleta do que a continuidade nos grandes palcos. Sob a alçada de José Maria Pedroto, a época de ingresso no Bessa, com a presença do extremo no decisivo jogo da prova, traduzir-se-ia pela conquista da Taça de Portugal de 1974/75. Repetiria a titularidade e o triunfo na campanha seguinte. Porém, o prémio maior desse período passado no Norte do país viria com a chamada à selecção nacional. Ao estrear-se com a “camisola das quinas”, também pela mão do seu treinador nos “Axadrezados”, a peleja frente ao Chipre, realizada a 8 de Junho de 1975 e a contar para a Fase de Qualificação do Euro 76, daria início a uma caminhada que somaria 4 internacionalizações “A” e 1 pelo conjunto “B” de Portugal.
Volvidos 4 anos após a sua entrada no Boavista, a carreira de Francisco Mário tomaria outro rumo. Seguir-se-ia o Varzim orientado pelo técnico António Teixeira e, como melhor classificação de sempre na história do clube, o 5º lugar na tabela de 1978/79. Depois, adicionada mais 1 época a defender os interesses dos “Lobos do Mar”, dar-se-ia o retorno ao distrito de onde é natural e, sem deixar a 1ª divisão, o contrato rubricado com o Amora. Por fim, numa fase a entrar na curva descendente do trajecto competitivo do atacante, o regresso ao Sesimbra e o termo da caminhada no Desportivo de Chaves que, com o fim da temporada de 1984/85, veria realizado o objectivo de subir, pela primeira vez na história, ao escalão máximo.
Após “pendurar as chuteiras” Francisco Mário manter-se-ia ligado à modalidade. Decidir-se-ia pela carreira de treinador e aceitaria alguns convites de emblemas da Margem Sul. A cumprir as funções de técnico, destaque para as suas passagens pelo Amora ou pelo Seixal.