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1333 - BÖLÖNI

Seria na equipa principal do Târgu Mures que László Bölöni, na temporada de 1970/71, haveria de conseguir estrear-se como sénior. Depois dessa campanha inicial, ainda a vogar pelo segundo escalão, o médio, ao lado dos companheiros, passaria a disputar a 1ª divisão romena. Durante várias épocas, destacar-se-ia como um futebolista de grande técnica e com uma capacidade estupenda para entender e organizar o jogo. Essas qualidades haveriam de pô-lo no caminho das selecções do seu país. Com a estreia pelos “AA”, a 24 de Setembro de 1975, a acontecer numa partida frente à Grécia, a carreira do atleta colorir-se-ia com 102 partidas feitas pela Roménia. Nesse percurso, destaque para a sua presença no Euro 84, onde jogaria frente a Portugal, e para o facto de, por altura de “pendurar as chuteiras”, ainda deter o recorde de internacionalizações feitas com as cores da sua nação.
Voltando ao percurso clubístico, os 14 anos ao serviço do Târgu Mures e os 2 troféus de Melhor Jogador do Ano levariam o atleta a ser visto como um dos grandes intérpretes do futebol romeno. Tal estatuto faria com que um dos maiores clubes do país começasse a olhar para o médio como um bom elemento. Com o jogador a ser apresentado pelo Steaua Bucaresti como reforço para a temporada de 1984/85, a sua integração num dos bons planteis europeus da altura, encaminhá-lo-ia para a conquista de várias e importantes competições. Claro está, para além das vitórias em 4 edições do Campeonato e em 3 Taças da Roménia, seriam as provas organizadas sob a égide da UEFA a sublinhá-lo como um dos nomes em destaque na modalidade. Nesse sentido, é impossível esquecer as fabulosas campanhas cumpridas com os “homens do exército” e que encaminharia o atleta para um par de títulos. Com presença a titular em ambas as partidas, primeiro chegaria a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1985/86, ganha frente ao FC Barcelona. Já na época seguinte surgiria a peleja na Supertaça, dessa feita com triunfo perante o Dynamo de Kyiv.
O resto da sua carreira, com o Bloco de Leste já mais aberto ao Ocidente, seria cumprido em emblemas da Bélgica e da França. Com o Racing Jet de Bruxelas a encabeçar a lista, seriam os franceses de Créteil e do Orléans a preencher os derradeiros capítulos da sua caminhada enquanto futebolista. Contudo, mesmo retirado das lides de praticante, László Bölöni não haveria de ficar afastado por muito tempo dos balneários. Ao aceitar o convite do Nancy, o antigo médio encetaria aí a senda como técnico. Após vários anos aos comandos do referido emblema gaulês, onde orientaria Afonso Martins e Mustapha Hadji, surgiria a oportunidade de ocupar o lugar de seleccionador da Roménia. De seguida, como muitos o recordam, viriam as duas temporadas com o Sporting. Em Alvalade a partir de 2001/02, o destaque emergiria com a “dobradinha” logo na campanha de chegada e com a vitória Supertaça Cândido Oliveira do ano seguinte. Igualmente impossível de esquecer, será o facto de ter sido sob a sua alçada que Cristiano Ronaldo viria a estrear-se na equipa principal dos “Leões”.
Ainda como treinador, numa carreira que já vai bem longa, László Bölöni teria a oportunidade de treinar em vários países. Nesse sentido, há que salientar o Campeonato e as 2 Supertaças ganhas pelo Standard Liège. Da mesma maneira não podemos olvidar os regressos a França, onde ficaria à frente de Rennes, AS Monaco e Lens ou ainda as experiências no Médio Oriente com o Al Wahda dos Emirados Árabes Unidos ou com o Al-Khor do Catar. Do seu percurso fazem também parte emblemas como o PAOK, o Panathinaikos, o Antwerp e o Gent. Actualmente (2022/23) o romeno apresenta-se como “timoneiro” do Metz.

1166 - MANNICHE

Com a formação concluída e a transição para os seniores feita com as cores do Bronshoj BK, seria a transferência para o Hvidovre IF que daria o primeiro grande impulso na carreira de Michael Manniche. Já com as cores do emblema de Copenhaga, o avançado começaria a acrescentar títulos ao seu palmarés. Logo na campanha da sua chegada, a de 1980, a conquista da Taça da Dinamarca. No ano seguinte, a vitória no Campeonato e, em consequência dos bons resultados desportivos, a chamada à principal selecção do seu país.
A estreia do avançado com as cores da equipa nacional dinamarquesa dar-se-ia a 12 de Agosto de 1981, numa partida frente à Finlândia. Sem nunca ser um dos nomes indiscutíveis nas convocatórias do colectivo escandinavo, Manniche conseguiria acumular, no total do seu percurso competitivo, 11 internacionalizações. Mesmo sem grande acesso aos palcos maiores do futebol, a verdade é que as suas exibições e qualidades futebolísticas haveriam de chamar a atenção de outra “personagem” nórdica.
Sven-Göran Eriksson, treinador do Benfica para a época de 1983/84, incluiria na lista de pretensões o atacante. Logo à chegada, o seu físico impressionaria. Espadaúdo e com 1,96m de altura, Manniche apresentar-se-ia no Estádio da “Luz” como a antítese, em termos de figura, do atleta português. A primeira temporada, referida no começo do parágrafo, ao desenlear-se de forma intermitente, haveria de dar azo ao rótulo de “tosco”. Puro engano, o dos adeptos! O jogador, nas campanhas seguintes, mostrar-se-ia como um intérprete de uma utilidade tremenda. Combativo, possante, com um bom sentido posicional e remate perigoso, os golos marcados acabariam por fazer dele uma referência no ataque das “Águias”.
As 4 temporadas passadas em Lisboa consagrá-lo-iam como um goleador de excelência. Os 75 remates certeiros seriam um óptimo contributo para o alcançar das metas colectivas. Nesse sentido, os 2 Campeonatos ganhos materializar-se-iam como o pináculo de meia-dúzia de conquistas. Também haveria de colorir o seu currículo com 1 Supertaça. Todavia, seria uma das 3 vitórias na Taça de Portugal que acabaria transformada num dos melhores momentos vividos pelo Benfica. Chamado à final de 1984/85, o ponta-de-lança transfigurar-se-ia no herói da tarde. Escalonado para o “onze” inicial pelo treinador húngaro Pal Csernai, seriam dele 2 dos golos com que os “Encarnados”, no Estádio do Jamor, derrotariam o FC Porto por 3-1.
Como o próprio haveria de confessar, cansado da exigência das rotinas competitivas e com saudades de casa, Manniche decidiria deixar o Benfica para retornar ao seu país. Em 1987 assinaria contrato pelo B1903. Já após a união do seu emblema com o Kjøbenhavns Boldklub, que teria como resultado o nascimento do FC København, o atacante, com a conquista do Campeonato dinamarquês de 1992/93, voltaria a celebrar outro importante título. Alguns anos depois viria o fim da sua carreira. Contudo, o antigo ponta-de-lança manter-se-ia ligado à modalidade. Primeiro, encetaria tarefas como treinador em clubes mais modestos. De seguida, já de regresso ao último clube que tinha representado enquanto atleta, assumiria o papel de adjunto e alguns anos após a viragem do milénio, passaria a liderar o projecto “Global Goal”.

1056 - ZVONKO ZIVKOVIC

Ao terminar a formação no Partizan, seria também na equipa sediada em Belgrado que Zvonko Zivkovic faria a transição para o patamar sénior. Numa altura em que o emblema da antiga Jugoslávia tinha um plantel recheado de bons elementos, a sua integração, ao contrário do que seria espectável para um jovem atleta, correria de feição. Mostrando uma maturidade para além do normal, o atacante conseguiria conquistar muitas oportunidades na categoria principal. Logo na campanha de estreia, a de 1978/79, as suas exibições fariam com que os responsáveis da equipa passassem a vê-lo como um futebolista de créditos seguros. Sem que nada parecesse atormentá-lo, o médio-ofensivo, que podia posicionar-se no centro ou na esquerda, rapidamente conseguiria cimentar-se como uma das peças mais importantes do grupo de trabalho. Com o clube na luta pelos títulos, o jogador assumiria um papel importante nessas contendas desportivas. Contudo, e depois de falhar a conquista da Taça da Jugoslávia de 1979, a primeira prova adicionada ao seu currículo apareceria apenas no final da temporada de 1982/83.
A vitória no Campeonato de 1982/83, repetida em 1985/86, transformar-se-ia numa boa montra para o jogador. Claro está, as participações do emblema jugoslavo nas competições organizados pela UEFA, também contribuiriam para o acréscimo do seu valor. Nesse evoluir, o conjunto nacional representaria, de igual modo, um papel importante. Depois de um percurso que tinha levado o atleta a representar a sua nação nos certames organizados para os escalões de sub-20 e sub-21, a equipa principal da Jugoslávia entraria na sua caminhada profissional em Novembro de 1982. A grande curiosidade desse percurso internacional acabaria por ser a cronologia do mesmo. É que antes da partida de estreia pelo seu país, disputada frente à congénere búlgara, já Zvonko Zivkovic havia sido chamado ao mais importante torneio de selecções. Convocado por Miljan Miljanic, o médio, mesmo sem participar em qualquer peleja, faria parte dos arrolados que marcariam presença no Mundial de 1982.
Seria depois da conquista do Campeonato da Jugoslávia de 1985/86, que Zivkovic teria a oportunidade para prosseguir a sua carreira no estrangeiro. O convite vindo de Portugal acabaria por pôr o jogador na rota da “Luz”. Porém, e apesar de ter chegado com o justo rótulo de craque, a verdade é que o médio não conseguiria adaptar-se à nova realidade competitiva. Ao preferir jogadores como Chiquinho Carlos, Carlos Manuel ou Wando, John Mortimore poucas vezes chamaria o atleta a jogo. Com 11 partidas disputadas pelo Benfica, repartidas entre o Campeonato e Taça dos Vencedores da Taças, salvar-se-ia o título ganho naquela que é a principal prova nacional.
Com a preparação da época seguinte e com a chegada de Mats Magnusson a ocupar uma das vagas para estrangeiros, a solução encontrada para Zvonko Zivkovic seria a saída. Depois de ter feito alguns testes no FC Zurique, o jugoslavo acabaria transferido para o Fortuna de Düsseldorf. Um ano passado sobre a sua chegada à Alemanha, e o médio acabaria por rumar a França. No 2º escalão gaulês passaria a representar o Dijon e, volvidas 3 temporadas, por aí terminaria a sua carreira de futebolista.
Após de ter escolhido retirar-se em 1991, Zivkovic continuaria ligado à modalidade. Como treinador, a sua carreira tem estado mais relacionada ao trabalho com as selecções jovens da Sérvia. Porém, o antigo internacional também conta com outras experiências. Como técnico principal, lideraria equipas como o Metalac, o Teleoptik ou os bósnios do Zvijezda Gradacac. Destaque também para o seu regresso ao Partizan, onde, como adjunto, orientaria o antigo atleta do Benfica e Sporting, Lazar Markovic.

707 - CAMATARU

Se há jogador com histórias para contar, um deles, por certo, é Rodion Camataru. Contudo, e ao invés daqueles que, como ele, também tiveram uma longa carreira, os episódios vividos por este antigo ponta-de-lança vestem-se de algumas particularidades bem curiosas.
Tendo começado a jogar nas camadas jovens do Progresul Strehaia, as boas exibições que conseguiria ao serviço do emblema da sua terra natal, serviriam para o fazer transitar para os juniores da Universitatea Craiova. Já a passagem para a equipa sénior, decorreria apenas umas temporadas depois e, desde logo, as suas qualidades de goleador começariam a fazer-se notar.
Alto e possante, Camataru era uma dor de cabeça para qualquer defesa contrário. O seu impressionante físico, aliado a uma capacidade finalizadora de excelsas qualidades, fariam dele um dos bons avançados a jogar na Europa. Impressionados com os seus atributos, não tardou muito para que os responsáveis pela principal selecção romena o chamassem à estreia. Tanto com a camisola do seu país, a qual vestiria entre 1978 e 1990, como com as cores do seu clube, Camataru era um dos nomes que despertava cobiça no lado ocidental do “Velho Continente”. Quem também não ficaria indiferente aos seus desempenhos, seria Sven-Göran Eriksson. O técnico, por altura da sua primeira passagem por Portugal, haveria de insistir muito na sua contratação. Todavia, só quando o sueco já se encontrava em Itália, é que o Benfica conseguiria que o avançado vestisse de “encarnado”.
É aqui que começa uma das suas histórias caricatas. Tendo chegado pouco tempo após o “fecho do 3º anel”, e por altura da inauguração da “obra”, a estrela romena, com toda a pompa e circunstância, é apresentada aos sócios. Na senda dos eventos que ocasião haveria de proporcionar, Camataru ainda disputa pelas “Águias” um “particular”. No entanto, depois desse “amigável” frente ao FC Porto, o atacante desaparece. Como constaria, a “surpresa” feita aos sócios benfiquista, acabaria, também ela, por ter a sua surpresa. Ao que parece, o regime ditatorial de Ceausescu não terá dado o aval à sua mudança e, cancelada a transferência, o futebolista regressaria de imediato à Universitatea Craiova.
Outro momento curioso, aconteceria cerca de 2 anos após a sua passagem pelo Benfica. Já no Dínamo de Bucareste, para onde se transferiria no começo dessa mesma época, Camataru liderava a lista de goleadores do Campeonato Romeno. A 6 jornadas do fim, os seus 26 golos jamais fariam pensar que o atacante conseguisse chegar à conquista da Bota d’Ouro. É então que o incrível acontece e, com 18 golos nessas últimas rondas, Camataru consegue ultrapassar os 39 golos do austríaco Toni Polster (Rapid Viena)! A verdadeira proeza levaria a muita especulação. Dir-se-ia que tudo tinha sido “fabricado” por uma manobra de propaganda do regime de Ceausescu. A Camataru, a quem nunca seria apontada nenhuma falha ou feita qualquer acusação, acabaria por ser atribuído o prémio de melhor marcador dos campeonatos europeus de 1986/87.
Finalmente, e já nos derradeiros anos da sua carreira, Camataru consegue a almejada mudança para o estrangeiro. Muito tempo depois de, ainda ao serviço do Universitatea Craiova, ter vencido 2 Campeonatos e 4 Taças da Roménia, o avançado continuava a despertar o interesse de alguns emblemas europeus. A transferência, para a temporada de 1989/90, ocorreria para o Charleroi. Enquanto na Bélgica, ele que já tinha marcado presença no Euro 84, é chamado a disputar a última grande competição da sua carreira. Já depois da participação no Mundial de 1990, Camataru ainda faz mais algumas épocas. É já na Holanda, e ao serviço do Heerenveen, que o antigo internacional decide pôr um ponto final na sua vida de futebolista.

696 - JAIME PACHECO

Depois de, durante alguns meses, treinar à experiência no FC Porto, Jaime Pacheco ficaria com a promessa de José Maria Pedroto que, após conseguir livrar-se do Serviço Militar Obrigatório, teria um lugar garantido no seio do plantel. Pacto feito e cumprido. Entretanto, outros convites chegariam às mãos do jogador. Ainda assim, nada demoveria o médio a retrair-se no primeiro acordo e, vindo dos Aliados do Lordelo, o médio chega às Antas na temporada de 1979/80.
Sendo um atleta lutador, Jaime Pacheco acabaria por ser uma das figuras que, na passagem para os anos 80, ajudariam a mudar o paradigma do FC Porto. Ora, numa altura em que os “Dragões” ainda lutavam para regressar aos lugares cimeiros do futebol português, o antigo futebolista acabaria por fazer parte das equipas que ajudariam nessa caminhada.
Curiosamente, o primeiro brilharete na sua carreira, viria com a participação nas competições europeias. Qualificado para a Taça dos Vencedores das Taças de 1983/84, e tendo, até então, apenas vencido 2 Supertaças (1981/82; 1983/84), Jaime Pacheco, e o FC Porto, seguiriam até à final da dita competição internacional. A partida, disputada em Basileia, oporia a equipa portuguesa aos italianos da Juventus. Platini e os seus companheiros acabariam por conseguir vencer o desafio e, desse modo, estragar o sonho do atleta portista.
O apuramento para o Euro 84 e a convocatória para a fase final da dita competição, cimentariam Jaime Pacheco como um “habitué” da selecção nacional. Seria logo após a participação ocorrida em França, que o impensável aconteceria. João Rocha, naquilo que ficou tido como a vingança pela saída de Paulo Futre, endereçaria um convite ao médio. Sendo uma das principais caras na dinâmica do FC Porto, poucos acreditaram que Jaime Pacheco acedesse ao assédio do Presidente leonino. A verdade, todavia, seria outra e, juntamente com António Sousa, Jaime Pacheco mudar-se-ia para o Sporting.
Em Alvalade nem tudo correria de feição. Sem qualquer título conquistado, e com uma grave lesão a assombrar-lhe a época de estreia, a passagem de Jaime Pacheco por Lisboa salvar-se-ia com a chamada ao Mundial de 1986. No regresso do México, e sem que o clube conseguisse renovar-lhe o contrato, o médio faz “inversão de marcha” e volta a vestir de “Azul e Branco”. Esta nova ligação ao FC Porto, traria ao atleta os melhores resultados da sua vida de jogador. A Taça dos Campeões Europeus de 1986/87 e a Supertaça e Taça Intercontinental da temporada seguinte, seriam, nessa lista de sucessos, os melhores exemplos. Depois, para completar um currículo já bem rico, viria, com a vitória na Taça e no Campeonato, a “dobradinha” de 1987/88.
No defeso de 1988, no rescaldo da saída de Rui Águas e Dito para as Antas, Jaime Pacheco recusa uma proposta do Benfica. A sua ligação com FC Porto, que poderia ter tido aí o seu fim, acabaria por conhecer o seu termo no Verão de 1989. O jogador, a entrar na fase final da carreira, acabaria por assinar contrato com o Vitória de Setúbal. Nos “Sadinos”, e mesmo estando a afastar-se dos melhores anos, o médio ainda voltaria a merecer a confiança do seleccionador nacional. Depois de mais de 4 anos de ausência, Jaime Pacheco voltaria a envergar a “camisola das quinas”, naquela que seria a sua derradeira internacionalização.
Paços de Ferreira, Sporting de Braga, Rio Ave e Paredes, muito mais do que marcar os últimos capítulos de uma longa carreira, serviriam de aprendizagem para o seu novo papel dentro do futebol. À excepção dos “Arsenalistas”, em todos os clubes acima citados, Jaime Pacheco haveria de ter uma experiência como treinador-jogador. Já “em exclusivo”, o início da sua caminhada como técnico ocorreria ao serviço do União de Lamas. Pouco mais de meia dúzia de partidas feitas na Divisão de Honra, e o Vitória de Guimarães leva-o à estreia na 1ª divisão. No entanto, o seu percurso no escalão máximo atingiria o pico ao serviço de outro clube. Os anos que passaria no Boavista, nomeadamente entre 1997 e 2002, fariam dele um dos melhores no cumprimento das funções de treinador. As participações na “Champions”, a chegada às meias-finais da Taça UEFA de 2002/03, mas, acima de tudo, a vitória no Campeonato de 2000/01, deixá-lo-iam no topo.
Não sendo, como o próprio já o disse, “um treinador do sistema”*, a carreira de Jaime Pacheco veio a afastar-se dos grandes palcos nacionais. Tendo, ainda ao serviço do Boavista, tido convites para orientar as equipas do Benfica e do Sporting, os sucessos conseguidos com os “Axadrezados”, e ao contrário do que seria normal, acabaria por afastá-lo-ia da ribalta – “(…) para se chegar a certos lugares é preciso ir a muitas capelas ou a muitos bruxos. Duvido muito que as grandes portas se abram sem que se faça isso. Posso chegar ao fim da vida com menos dinheiro e menos currículo mas tenho coluna (…). Depois de ter sido campeão é que se fecharam as grandes portas”*.
Já depois de uma curta passagem pelo Mallorca, e os regressos ao Estádio do Bessa e ao D. Afonso Henriques, Jaime Pacheco haveria de passar pelo comando do Belenenses. Desde 2009, nunca mais voltou a treinar em Portugal. Actualmente (2016/17) orienta os chineses do Tianjin Teda, tendo, ao longo destes anos, tido passagens pelo Al-Shabab (Arábia Saudita); Zamalek (Egipto) e Beijing Guoan  (China).


*retirado da entrevista de Alexandra Tavares-Teles, Diário de Notícias, 16 de Outubro de 2009

647 - EURO 84

Nunca tendo estado presente numa única fase final, e com um grupo de qualificação composto pelas congéneres da Finlândia, Polónia e da poderosa União Soviética, Portugal, aquando do sorteio (lembramos que só passavam os primeiros), era tudo menos favorito à presença no Euro 84.
Os dois primeiros embates, com duas vitórias – 0-2 na Finlândia; 2-1 na recepção à Polónia – acabariam por ser um bom arranque e, acima de tudo, por trazer algum ânimo à nossa selecção. Contudo, para 27 de Abril de 1983 estava marcado o mais difícil de todos os desafios. Em Moscovo, os comandados de Otto Glória, acabariam por ser destroçados por uma União Soviética que, nas suas fileiras, contava com nomes como os de Blokhin, Dasaev, Baltacha ou Bessonov. Ainda assim, e apesar da esperada derrota, os números que preencheriam o “placard” seriam tudo menos normais. Os 5-0, denotando alguma ansiedade e, porque não dizê-lo, uma boa dose de inexperiência, acabariam por ser pesado castigo para Portugal.
Na sequência de tal fracasso, viria a demissão do técnico brasileiro. Sem um nome para substituir Otto Glória, os responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol saem-se com uma solução, no mínimo, curiosa. Aproveitando os adjuntos, Portugal passa a ter, não um, mas quatro treinadores!
Seria essa Comissão Técnica, composta por Fernando Cabrita, José Augusto, António Morais e Toni, que comandaria a “Selecção das Quinas” na metade final do apuramento. Apesar de esta solução, relativamente à sua exequibilidade, ter causado algumas dúvidas, a verdade é que tudo sairia da melhor maneira. Mais uma vez, os dois primeiros jogos dessa segunda volta, trariam duas vitórias a Portugal. Contudo, e depois do sucesso alcançado na deslocação à Polónia, que, caso não se lembrem, tinha conseguido o 3º lugar no Mundial de 1982, faltava defrontar o líder do grupo.
A 13 de Novembro de 1983, estava marcado esse desafio que iria resolver quem, dentro do Grupo 2, iria merecer a viagem até França. Num Estádio da “Luz” esgotado, as probabilidades apontadas à selecção portuguesa, davam como certa a qualificação da URSS. No entanto, Fernando Chalana haveria de provar que esses números, de tão científicos, estavam errados. À beira do intervalo, numa arrancada começada bem longe da baliza adversária, o extremo flete da direita para o centro do terreno. Centímetros antes de entrar na grande-área, é rasteirado. O jogador estatela-se; ouve-se o apito; o árbitro aponta para o local da marcação e… assinala grande penalidade!!!
Para a marcação do castigo máximo apresenta-se Jordão. O avançado pousa a bola e nada, nem a tentativa do capitão soviético, Aleksandr Chivadze, consegue distrair o atleta. Jordão, com um à-vontade desconcertante, avança para a bola; Dasaev lança-se para a esquerda do atacante… e a bola entra no sentido oposto!!!
Portugal estava no Europeu de Selecções!!! Ainda sob o comando do tal “quarteto”, aos “Patrícios”, calha em sorte Alemanha, Espanha e Roménia. Sob a atenção dos jornalistas estrangeiros, perante a invulgar Comissão Técnica, as investidas da imprensa sucedem-se. Quem, por essa altura, também era presença assídua nos jornais, era Anabela. Muito requisitada, a esposa de Chalana, à sua maneira, também conseguiria tornar-se numa “estrela” da selecção!
Curiosidades à parte, e com a bola já a rolar em campo, Portugal consegue empatar os dois primeiros encontros. A Roménia, onde László Bölöni era um dos craques, acabaria por ficar para o fim. O terceiro jogo da fase de grupos, contrariando, mais uma vez, todas as apostas, daria a Portugal a vitória e a passagem às meias-finais. O dito encontro, oferecer-nos-ia a possibilidade de, frente à França, fazer um pouco de história. No entanto, uma equipa onde nomes como Platini, Tigana, Giresse eram só alguns dos melhores futebolistas da altura, a tarefa, nem de longe, parecia fácil. Mas aquilo que poucos sonhariam, esteve prestes a acontecer!
Portugal, sem se importar com os nomes que tinha pela frente, entra no Vélodrome de Marselha de forma destemida. Depois de sofrer um golo aos 24 minutos, não se deixa cair e, praticando um bom futebol, chega ao empate aos 74. O golo de Jordão leva a partida para prolongamento. Logo no início, o avançado luso volta a acertar na baliza de Joël Bats e Portugal toma a dianteira da eliminatória. Aí, começa o contra-ataque gaulês e uma exibição excepcional de um Manuel Bento “feito de borracha”!!! Ainda assim, toda a bravura “lusa” seria insuficiente para parar uma França que contava com o apoio do público. O defesa Domergue, repetindo o golo do tempo regulamentar, e Platini, acabariam por ser os carrascos de um sonho que se desmoronaria aos 119 minutos.
Para trás ficaria um terceiro lugar que nos orgulharia; por essa Europa fora, revelaríamos à modalidade, onde Chalana teria a maior das atenções, nomes de grandes futebolistas; no fim ainda teríamos o consolo de ver João Pinto, como o melhor defesa direito, nomeado para o “onze” ideal do torneio.

624 - GEORGE BEST

"Maradona good. Pelé better. George Best”. – Nunca um apelido coube tão bem numa personagem!!! Sim, George Best foi muito mais do que um jogador ou do que um simples homem. George Best foi um ídolo “pop”!!!
Nascido na capital da Irlanda do Norte, diz-se que a sua paixão pelo futebol vinha desde miúdo. A bola, muito mais do que uma camarada, era, nesses tempos de infância, a sua companheira na hora de dormir. Foi assim que cresceu, e foi assim que, anos mais tarde, seria descoberto por um olheiro do Manchester United. A mudança dos Cregagh Boys, colectividade amadora de Belfast, para Manchester até pode ter sido difícil. Contudo, a espontaneidade com que continuou a jogar à bola fá-lo-ia, na habituação a essa nova realidade, derrotar as adversidades.
Aos 17 anos de idade, George Best haveria de ser chamado à categoria principal dos “Red Devils”. A sua velocidade, a capacidade de fintar qualquer adversário e a habilidade para criar oportunidades de golo, não demorariam muito a entregá-lo ao “onze” inicial. Passados alguns anos, já em 1966, nos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus, dois golos marcados no Estádio da Luz (vitória por 1-5 frente ao Benfica), levá-lo-iam às primeiras páginas dos jornais. A lenda crescia, sob a manchete “O quinto Beatle” …
Por essa altura, já George Best tinha ganho a sua primeira Liga inglesa (1964/65). Voltaria a vencer mais uma em 1966/67 e, grande momento da sua carreira, conquistaria a Taça dos Campeões Europeus de 1968. Faltou-lhe a presença num Mundial. No entanto, essa participação esteve quase para acontecer. Espantosamente, deixaria escapar a oportunidade no derradeiro jogo de qualificação para o Campeonato do Mundo de 1966. Nessa última jornada, Best seria incapaz de ajudar os seus companheiros, e a Irlanda do Norte não levaria de vencida a modesta Albânia.
O “Ballon d’Or” de 1968, viria consagrar tudo aquilo que George Best era dentro dos relvados. Todavia, muito daquilo que o tornaria numa lenda viva, passava-se fora de campo. Frases como – “Em 1969 deixei as mulheres e o álcool. Foram os piores 20 minutos da minha vida”; ou ainda “Gastei muito dinheiro com bebidas, mulheres e carros. O resto esbanjei.”, são bem os retratos da sua vida boémia.
Esses excessos levá-lo-iam a desperdiçar grande parte da carreira desportiva. Tinha apenas 27 anos quando, em 1974, abandonou o Manchester United. A partir desse momento, atravessaria um sem número de emblemas, em diferentes países. As passagens pelos Estados Unidos, República da Irlanda, África do Sul, Hong Kong, Austrália ou até os esporádicos regressos a Inglaterra, nunca mais trariam de volta o génio irlandês.
George Best, sempre consciente das suas escolhas, vivê-las-ia intensamente. Talvez tivesse sido melhor ou como o próprio chegou a reconhecer – “Se eu tivesse nascido feio, vocês não ouviriam falar de Pelé. Dou-me muito bem com as garotas, gosto de divertir-me, de tirar prazer do dinheiro que ganho e por isso não me dedico inteiramente ao futebol. Eu não serei um monge do futebol, apesar de treinar com vontade e de jogar com mais vontade ainda. Sinto que posso fazer o que quiser com a bola, não importa o adversário. Por isso, poderia ser melhor que Pelé, se quisesse.”

578 - IVKOVIC

Seria o Dinamo de Zagreb a lançá-lo no mundo do futebol. Contudo, a existência no plantel de guarda-redes de maior tarimba, caso do internacional Zeljko Stincic, acabaria por tornar a sua presença em campo, de algum modo, condicionada. Mesmo não jogando pelo clube com a regularidade desejada, as qualidades que o tinham levado até ali, continuavam inalteradas.
Quem também não questionava essas ditas características, eram os responsáveis técnicos da selecção jugoslava, que, para si, pareciam ter um lugar garantido. Sendo um dos atletas habitualmente chamados às camadas jovens, Ivkovic haveria de marcar presença em importantes certames. Convocado para o Mundial S-20 de 1979 (Japão) e para os Jogos Olímpicos do ano seguinte (Moscovo), o estatuto que o guardião auferia no seio do seu emblema, era insuficiente para as suas ambições. Ainda assim, é certo que na condição de suplente, haveria de ser no Dinamo de Zagreb que Ivkovic conseguiria os primeiros títulos da sua carreira. A Taça de 1979/80 e o Campeonato de 1981/82 seriam, deste modo, os troféus que ilustrariam as primeiras páginas da sua vida como profissional.
No entanto, a intermitência com que era chamado à equipa, haveria de pesar no seu destino. É já depois de um empréstimo ao Dinamo Vinkovci, que o atleta assina pelo Estrela Vermelha. Em Belgrado, para a temporada de 1983/84, Ivkovic consegue, finalmente, chegar à titularidade. Esses dois anos no "gigante" do futebol europeu, seriam suficientes para que conseguisse repetir as vitórias alcançadas no seu antigo clube. Mais um Campeonato (1983/84) e uma Taça (1984/85), paralelamente à presença, em 1984, no Europeu de França e à Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos disputados em Los Angeles, fariam dele um atleta apetecível.
Com os campeonatos europeus ainda muito condicionados ao limite máximo de forasteiros, a saída de Ivkovic para o estrangeiro dar-se-ia pela fronteira austríaca. A escolha pelo país dos Alpes acabaria por levá-lo a uma fase mais discreta da sua carreira. Com passagens pelo Wiener Sport-Club ou pelo Wacker Innsbruck e, ainda por cima, com a Jugoslávia afastada dos grandes torneios internacionais, a cotação do guarda-redes perderia alguma força.
Essa tendência inverter-se-ia já depois da sua estadia na Bélgica. A curta passagem pelo Gent haveria de ser com um prelúdio para um novo capítulo. Apresentado por Sousa Cintra como um dos melhores na sua posição, Ivkovic chegaria ao Sporting para a época de 1989/90. Com um físico imponente, e uma presença entre os postes capaz de assustar qualquer avançado, não custou muito para que se tornasse no "dono e senhor" das redes leoninas. Com os de Alvalade à procura de títulos nacionais, algo que escapava desde 1982, seria nas competições internacionais que o jogador mais brilharia. Nesse sentido, o seu ano de estreia pelos "Leões" ficaria para a posteridade, pela eliminatória frente ao Napoli de "El Pibe" - "Lembro-me que, quando ele chegou a Alvalade, vinha gordo, com barba (...). Começou no banco mas, quando entrou, Alvalade ficou em silêncio, tudo com medo. Em Nápoles (...) voltámos a empatar e, quando chegaram as grandes penalidades, fiz uma aposta num momento decisivo e inesperado. Lembrei-me. Cheguei ao pé do Maradona e saiu-me aquilo. O Maradona ficou surpreendido e o árbitro também. Apostei 100 dólares em como ia defender. Era o quinto penalty e defendi mesmo! No final do jogo, ele foi ao nosso balneário com a camisola 10 e o dinheiro"*.
Apesar do desafio superado, Ivkovic veria a sua equipa ser eliminada dessa edição da Taça UEFA. Curiosamente, alguns meses depois, a mesma dupla voltar-se-ia a encontrar dentro de campo. O contexto, em Junho de 1990, eram os quartos-de-final do Mundial italiano. Desta feita, as camisolas usadas por ambos eram, respectivamente, as da Jugoslávia e Argentina. Mais uma vez, o desfecho do desafio acabaria por se decidir na marca das grandes penalidades. Nova aposta haveria de ser lançada. Contudo, Maradona haveria de recusar. Quanto ao resto, tudo igual! Ivkovic defenderia o “castigo máximo" do astro das Pampas, e a sua selecção acabaria afastada do torneio.
Se estes foram os momentos mais marcantes do seu ano de estreia pelos "Verde e Brancos", os 3 que seguiram fariam dele um dos ídolos da massa adepta do Sporting. É certo que ninguém irá esquecer os seus "golpes de vista". Mas aquilo que, acima de tudo, ficará na memória daqueles que o viram jogar, será a maneira abnegada como defendia as balizas do clube.
Terá sido esta sua faceta mais desprendida que, após ter sido dispensado do Sporting, o levou ao Estoril-Praia. No emblema da "Linha" (corrijam-me, se estiver errado) o contrato que terá assinado, seria, em certa forma, simbólico. Lembro-me de ouvir dizer que não auferia qualquer salário e que a única condição posta por si, terá sido a desvinculação, caso uma outra proposta aparecesse.
A oportunidade surgiria a meio dessa época de 1993/94. O Vitória de Setúbal tornar-se-ia na sua nova casa até ao final da referida temporada. Depois, dando continuidade a essa fase descendente da sua carreira, durante a qual manteve intactas muitas das suas habilidades, Ivkovic começaria a vogar por diversos emblemas.
Belenenses, Salamanca (Espanha) e Estrela da Amadora seriam os passos que antecederiam a sua passagem para a vida de treinador. Tendo, nessas funções, começado no Sporting, a vida de adjunto, entre outros clubes, levá-lo-ia à selecção da Croácia. Hoje em dia, já depois de se ter lançado como técnico principal, é responsável máximo dos croatas do NK Lokomotiva.



* retirado da entrevista de Vítor Hugo Alvarenga, em "Mais Futebol"

491 - SUSIC

Vindo das escolas do clube, chega aos seniores um jovem médio que demonstrava, para além de grande propensão ofensiva, uma enorme queda para os golos. Os primeiros anos com a equipa principal, sem que grande admiração provocasse, foram os de adaptação. Já o salto para a fama, igualmente sem coincidências, acabaria por acontecer paralelamente a uma das melhores prestações do FK Sarajevo, nos finais dos anos 70. O segundo lugar no Campeonato jugoslavo de 1979/80 e, para o atleta, o prémio de melhor marcador e de jogador do ano, acabariam por, definitivamente, lançar Susic para o estrelato.
É certo que nesta minha inicial apreciação, talvez tenha exagerado num determinado aspecto. É que Susic, antes dos prémios já aqui referidos, não era um desconhecido no futebol da Península Balcânica. Longe disso, em 1977, já o médio-atacante havia sido chamado à selecção "A" do seu país, passando a ser um dos nomes habituais nas convocatórias.
Ora, o primeiro grande palco que pisaria, haveria de ser o Mundial de 1982. Em Espanha, a Jugoslávia, com nomes comos os de Halilhodzic, o do nosso conhecido Ivan Pudar (Sp. Espinho e Boavista) ou o dos irmãos Vujovic, haveria de sofrer um pequeno desaire, acabando por não passar da 1ª Fase de Grupos. Contudo, para Susic, o tal tropeção, seria a oportunidade certa para se lançar noutras aventuras.
Tendo jogado todos os minutos do torneio organizado por "Nuestros Hermanos", pelo menos aqueles em que a sua equipa participou, acabaria por chamar a atenção do PSG. Foi, então, nesse Verão de 1982 que Susic se mudaria para a capital francesa. A verdade é que esta mudança, não seria apenas de clube ou de residência. Para o médio, este novo contrato representaria muito mais. Não falo apenas das vitórias colectivas... porque as houve!!! Refiro-me ao facto de se ter imortalizado na história de um dos actuais grandes emblemas da Europa. A razão é simples e conta-se de maneira igual, ou seja, seria a sua classe, a sua maneira de pensar o jogo, e, porque não, os seus golos, os principais motores do primeiro Campeonato Francês ganho pelo emblema parisiense (1985/86).
Depois de quase uma década no PSG, que lhe valeu o título de "Melhor de Sempre" no clube, de participações no Euro 1984 e Mundial de 1990, Susic termina a sua carreira, aos 37 anos de idade, com uma derradeira temporada ao serviço do Red Star 93. Voltou à ribalta do futebol, quando, no ano passado, assegurou a primeira presença de sempre da Bósnia-Herzegovina num grande certame internacional. Para o antigo jogador, que, embora com passagens discretas, já conta com alguns anos de experiência como técnico, a qualificação dos seus pupilos para o Mundial do Brasil, acabaria por ter uma importância muito acima das desportivas - “O país está arrasado por problemas políticos e económicos. É lógico que isso se reflecte no nosso futebol, mas ir ao Brasil ajudará nas duas direcções. Essa equipa une as pessoas. Há alguns anos, você não poderia imaginar bósnios, sérvios e croatas torcendo pela equipa, o que mudou agora”.

457 - CARLOS MANUEL

Começaria bem cedo a mostrar imensa habilidade para a prática do desporto. Acabaria a experimentar o hóquei em patins, o ténis de mesa, mas o futebol emergiria como a paixão maior e os internacionais Vítor Damas e Peres como os seus grandes ídolos. Tentou o FC Barreirense. Disseram-lhe para vir na semana seguinte. Então, decidiu-se pela CUF. Nos treinos de captação chamaria à atenção dos responsáveis técnicos. Entre tantos jovens a tentarem a sorte e a acabarem preteridos (Chalana, um deles!), Carlos Manuel seria aceite e, alguns anos depois, a temporada de 1975/76 viria a marcar a sua estreia na primeira categoria da equipa “fabril”.
Com um jogo musculado, por certo reflexo da vida como metalúrgico da CP, mas cheio de técnica, rapidez e visão de jogo, Carlos Manuel facilmente conseguiria um lugar de destaque no “onze” da CUF. Depois da estreia na 1ª divisão e de outras duas épocas passadas no segundo escalão, um impasse nas negociações para a renovação do seu contrato, levá-lo-ia a aceitar o convite de Manuel de Oliveira, treinador dos rivais do FC Barreirense. A verdade é que a qualidade do jogo por si apresentado durante a campanha de 1978/79, depressa faria com o que o Estádio D. Manuel de Mello viesse a transformar-se num palco pequeno demais para o médio. A prova de tal aferição surgiria um ano depois, com FC Porto e o Sporting já na corrida, com a transferência para o Benfica. Na Luz, logo no ano da sua chegada, a constância exibicional levá-lo-ia a chegar à principal selecção lusa. Seguir-se-iam, nas épocas seguintes, as conquistas de 4 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal e 2 Supertaças. Faltar-lhe-ia o troféu a consagrar de toda uma geração nas “Águias”, a Taça UEFA de 1982/83, perdida na final para o Anderlecht. Ainda assim, teria o mérito de atingir outras metas. Marcaria presença no Euro 84 e repetiria a convocatória para o Mundial de 1986. Aliás, o grande momento da qualificação a si ficaria directamente relacionado quando, na última jornada dessa campanha, em Estugarda, o jogador concretizaria um golo espectacular, a selar a vitória frente à Republica Federal da Alemanha. Já no certame realizado no México, a história seria bem diferente. Assombrada pelo "Caso Saltillo", a prestação de Portugal ficaria, também no campo desportivo, manchada. Nesse contexto, o centrocampista transformar-se-ia num das principais caras pelas revindicações feitas pelos atletas e após a chegada a Lisboa, tal como tinha prometido, não mais envergaria a “camisola das quinas”.
Estranha seria também a história da sua saída do Benfica, com o jogador, a meio da temporada de 1987/88 a transferir-se para o FC Sion. Muita controvérsia emergiria da partida do médio, com o nome de Gaspar Ramos a ser indicado como o principal responsável pela ruptura entre o atleta e o emblema lisboeta. Dir-se-ia muito mais, com o referido dirigente benfiquista hipoteticamente a oferecer 5000 contos ao médio, para que não mais regressasse aos “Encarnados”. Voltaria a Portugal para, na temporada de 1988/89, passar a representar o Sporting. Apresentado como um dos principais trunfos conseguidos pelo Presidente Jorge Gonçalves, a qualidade das suas exibições transformá-lo-iam num dos melhores jogadores da época. Tais prestações dar-lhe-iam um prémio, com Manuel José, no ano seguinte ao da sua entrada em Alvalade, a nomeá-lo capitão. Ganharia também o Prémio Stromp. Todavia, o termo da sua ligação com os “Leões” chegaria com a contratação de um novo técnico – "Com Raul Águas só jogavam os amigos"*. Já resto da carreira fá-la-ia de passagens pelo Boavista e pelo Estoril Praia. Aliás, seria no clube da "Linha de Cascais" que Carlos Manuel faria a transição para a carreira de treinador. Nessas funções passaria por inúmeros emblemas nacionais, tais como Salgueiros, Sporting, Sporting de Braga, Campomaiorense ou Santa Clara. Também teria experiências em África, onde assumiria as funções de técnico no 1º de Agosto de Angola e de seleccionador nacional da Guiné-Bissau.

*retirado de de “100 figuras do futebol português”, de António Simões e Homero Serpa, A Bola, 1996

352 - JOSÉ LUÍS

Cumpriu, entre o tempo da formação e os anos como sénior, 15 anos de Águia ao peito Tal facto seria mais do que suficientes para pô-lo na galeria dos históricos do clube da "Luz". No entanto, José Luís foi muito mais do que isso!
Quando, na temporada de 1976/77, o britânico John Mortimore chegou a Lisboa para comandar os destinos dos "Encarnados", encetou-se uma pequena revolução no plantel. Para junto da equipa principal decidiu chamar alguns dos jogadores a despontar nas camadas jovens do clube. Um deles, de nome de José Luís, de ar franzino, veio a revelar-se, contrariamente ao aspecto, um elemento abnegado, com imensa garra e com a mente moldada ao verdadeiro espírito de equipa.
O batalhador médio, disciplinado tacticamente, era um jogador que, sem ser de grandes brilhantismos, procurava no futebol descomplicado uma forma de conseguir impor-se dentro de campo. Talvez tenha sido essa a razão para o treinador inglês, rigoroso na forma de trabalhar, ter imediatamente gostado dele. A prova é que José Luís, no centro ou na direita do meio-campo, rapidamente conquistou a confiança dos responsáveis técnicos e, consequentemente, a titularidade. Todo o respeito ganho, tanto da parte dos adeptos, como de todos aqueles que trabalhavam no futebol do Benfica, passou a reflectir-se na sucessão de anos em que permaneceu no clube e, com isso, na quantidade de títulos que conseguiu arrecadar, isto é, 5 Campeonatos Nacionais, 6 Taças de Portugal, 2 Supertaças… a somar à presença na final da Taça UEFA da época de 1982/83.
Depois de deixar o emblema da capital lisboeta, José Luís decidiu mudar-se para a ilha da Madeira. No Marítimo a partir da campanha de 1987/88, mesmo distante das disputas a que estava habituado, o internacional luso não deixou de ser, como seria de esperar pelo carácter sempre revelado, um futebolista decisivo nos intuitos do novo clube. Por isso, acho que não exagero ao dizer que o centrocampista foi um daqueles que veio a ajudar os "Verde-rubro" a consolidar o estatuto de que hoje ainda auferem, ou seja, o de um colectivo intrinsecamente ligado ao primeiro escalão do futebol português.
Já depois de abandonar os relvados, nos quais ainda representou a Ovarense, José Luís decidiu mudar de papel no desporto que sempre amou e passou para o banco. A sua vida de treinador, longe do virtuosismo de outros pares, tem tido alguns pontos curiosos. Como exemplo, temos a sua passagem por Timor, onde encabeçou a selecção do país ou ainda as suas aventuras na Malásia e, mais recentemente, na China.

296 - VERCAUTEREN

Quando há a sorte de partilhar os relvados com a melhor geração futebolística de um país, não é difícil também ser-se um dos melhores!
Muito para além desta pequena introdução que remete para os anos 80 do futebol belga, Vercauteren, sem qualquer excesso nas palavras, foi um excelente praticante. O "Pequeno Príncipe", nome pelo qual foi acarinhado, apenas conheceu, durante grande parte da carreira, a camisola do Anderlecht. No clube da capital fez a formação e durante os doze anos em que fez parte do conjunto principal, acompanhou a equipa naquele que seria o melhor capítulo da sua história. Num grupo por onde passaram nomes como os de Geoges Grün, Michel De Groote, Hugo Broos ou ainda os dinamarqueses Morten Olsen e Per Frimann, o médio-ala esquerdo, entre tantas outras estrelas que fizeram as delícias dos adeptos do futebol, nunca foi somente mais um elemento do plantel. A prová-lo estão as mais de 360 partidas pelo emblema de Bruxelas e, claro, os títulos ganhos. Nesse campo não há assim tantos atletas da modalidade que possam gabar-se de tal rol de conquistas. Ora vejamos: na Bélgica venceu 4 Campeonatos, 2 Taças e 1 Supertaça; já em termos de competições internacionais podemos acrescentar ao seu currículo 2 Taças dos Vencedores das Taças, 2 Supertaças Europeias e 1 Taça UEFA, esta última de má memória para o futebol português, pois a vitória foi conseguida em 1983, frente ao Benfica.
Com a selecção do seu país, Vercauterem foi também um elemento preponderante, fazendo parte dos “Diabos Vermelhos” em diversos certames. Para além de marcarem presença no Europeu de 1984, os belgas participaram nos Mundiais de 1982 e de 1986, onde, no caso do certame organizado no México, atingiram as meias-finais, tendo sido eliminados pela Argentina de Diego Maradona.
Já como treinador, apesar da sua carreira, internacionalmente, ainda não ter tido o peso e o mediatismo de muito dos seus pares, o belga pode orgulhar-se de contar, para além da Supertaça de 2011 ao serviço do Genk, com 3 Campeonatos: 2 pelo Anderlecht (2005/06 e 2006/07) e 1 pelo Genk (2010/11). Para além de uma "folha de serviço" com algum interesse, Vercauteren é também conhecido por lançar muitos jovens nos emblemas por onde tem passado. Se a isso juntarmos que o Sporting, apesar da sua situação financeira pouco recomendável, tem, reconhecidamente e como prova o 1º posto da “equipa B” na classificação da Liga Orangina 2012/13, as melhores “escolas” do país, então, a sua escolha para técnico do conjunto principal leonino até parece ter lógica.

155 - OLIVEIRA

Diz-se que aos 13 anos já treinava com os seniores do emblema da sua terra, o Penafiel. Como a equipa não tinha escalões de formação, foi tentar a sorte ao FC Porto. Agradou, ficou e ainda bem novo, nos juniores, começou a despertar a curiosidade dos responsáveis técnicos pelo conjunto principal portista.
O treinador brasileiro Paulo Amaral, mesmo sabendo da sua juventude, não enjeitou a oportunidade de tê-lo a trabalhar no seio do plantel a seu cargo e, aos 17 anos, António Oliveira juntou-se à primeira equipa "azul e branca". Apesar da importância da promoção à equipa sénior na temporada de 1970/71, foi pela mão de José Maria Pedroto que, anos mais tarde, viveu um dos primeiros episódios históricos da sua passagem pelo FC Porto. O Campeonato Nacional de 1977/78, ganho pelos "Dragões" ao fim de 19 anos de jejum, mostrou o médio-ofensivo como uma das pedras basilares da estratégia do conjunto nortenho. A liberdade táctica que gozava permitia-lhe vogar atrás dos avançados e, a partir dessa parte do terreno e com o auxílio da sua brilhante visão de jogo e passe mortífero, armar todo o jogo ofensivo da equipa.
Foi desse modo que, também no ano seguinte, ajudou à conquista do Campeonato Nacional. Com a referida vitória, ganhou a atenção de outros emblemas, nomeadamente a do Real Bétis de Sevilha. Depois de consumada a transferência para a “La Liga”, o jogador esteve pouco tempo em Espanha. Falou-se muito sobre o seu regresso e do temperamento difícil, para explicar o insucesso da passagem pela Andaluzia. De volta à “Invicta” na segunda metade da temporada de 1979/80, o médio viu-se apanhado no meio da contenda que opôs José Maria Pedroto ao Presidente do FC Porto, Américo Sá. Despedido o treinador, Oliveira acabou por sair. Novamente no Penafiel, a sua carreira passou por outro episódio caricato. Ao invés do normal, onde só atletas em final de carreira são convidados, ao jogador foi lançado o desafio de orientar os seus colegas. Não correu mal a aventura, com a equipa a terminar a época de 1980/81 em 10º lugar.
Já no Sporting, dessa feita ao substituir o dispensado Malcolm Allison, repetiu o papel de treinador-jogador. Apesar de, nessas funções, ter conseguido boas marcas, como a participação nos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, ainda hoje recorde no clube, a sua passagem por Alvalade, iniciada na temporada anterior à do despedimento do técnico britânico, foi, claramente, mais importante que isso. Em Lisboa a partir da época 1981/82, Oliveira voltou a assumir-se como o “maestro” de uma das grandes equipas nacionais. Com Jordão e Manuel Fernandes, constituiu uma das frentes de ataque mais temíveis em Portugal e, logo no ano de estreia com o "Leão" ao peito, ajudou à vitória no Campeonato Nacional. No entanto, o entendimento mostrado com os colegas dentro de campo, não era o mesmo fora dele. O acumular de funções não era do agrado de todos os companheiros e o ambiente no balneário tornou-se ainda pior quando Manuel Fernandes, capitão de equipa, pediu ao Presidente João Rocha para contratar um novo técnico.
Apesar dos relatados desentendimentos, Oliveira ainda continuou no Sporting por mais dois anos. Na temporada de 1985/86 decidiu abraçar o desafio lançado pelos responsáveis do Marítimo e mudou-se para o Funchal. Na Madeira, também como treinador-jogador, terminou a carreira enquanto atleta, sem, no entanto, afastar-se da modalidade. Convicto em dedicar-se, em exclusivo, às funções de técnico, as primeiras tentativas, onde incluo as passagens pela Académica de Coimbra, Vitória de Guimarães, Gil Vicente, sub-21 de Portugal e Sporting de Braga, acabaram por ser algo discretas. Por tudo isso, a sua contratação para comandar a principal Selecção Nacional, que se preparava para enfrentar a fase de apuramento para o Euro 96, tornou-se numa surpresa. A verdade é que o seu currículo não o impediu de conseguir a qualificação para a Fase Final e, melhor ainda, de atingir os quartos-de-final do torneio disputado em Inglaterra.
O sucesso à frente da “Equipa das Quinas” fez com que Jorge Nuno Pinto da Costa apostasse nele para suceder a Sir Bobby Robson. Com o treinador inglês a conquistar dois Campeonatos pelo FC Porto, Oliveira repetiu o feito e, findas duas épocas, embarcou em nova aventura no estrangeiro. Mais uma vez no Real Bétis, na nova passagem pela equipa sevilhana estaria ainda menos tempo e, após uma discussão com o Presidente do clube, abandonou os espanhóis sem ter comandado qualquer jogo oficial. O desaire voltou a vivê-lo aquando do seu, até agora, último teste no banco de suplentes. No regresso à Selecção, conseguiu o apuramento para o Mundial de 2002, mas a prestação da equipa lusa, já em pleno torneio, foi desastrosa e Portugal acabou por não passar da fase de grupos.
Afastado do "mundo da bola" desde a passagem pela presidência do Penafiel, posso concluir que António Oliveira teve uma carreira cheia de episódios interessantes. Por alguns dos capítulos menos prolíferos estarem relacionados com as estadias em Espanha, poderá parecer exagerada a sua inclusão na temática deste mês. Todavia, tendo em conta uma altura em que poucos tinham sequer o privilégio de atravessar a fronteira, ele teve a oportunidade de assinar contrato por um clube estrangeiro. Essa realidade, está bem que por pouco tempo, fez dele não um projecto, mas um verdadeiro emigrante.

38 - INÁCIO

Dividiu a sua carreira de jogador profissional entre três emblemas. No Sporting, onde se formou, ganhou os seus dois primeiros títulos de campeão. No FC Porto, conquistou tudo o que podia: Campeonatos, Taças de Portugal, Supertaças, Taça dos Campeões Europeus, Supertaça Europeia e Taça Intercontinental. Por fim a selecção. Com esta não alcançou nenhum título, mas envergou a sua camisola no Europeu de França (1984) e no Mundial do México (1986).
Tal percurso fez dele uma das mais emblemáticas figuras do nosso futebol. E se o reconhecimento veio com os títulos, é na paixão e, principalmente, na simpatia com que se entrega, que se fez dele um dos treinadores mais acarinhados do nosso universo futebolístico. No actual papel, teve o seu grande marco quando, em 1999/2000, após 18 anos de sofrimento, devolveu ao Sporting a alegria de comemorar um Campeonato Nacional. Desde então tem deambulado por vários emblemas nacionais e estrangeiros, mas sem grandes conquistas. Enceta, este ano, novo projecto: o de devolver o Leixões à divisão cimeira do futebol português.