Depois da entrada para as camadas de formação do Belenenses, a temporada de 1929/30, ainda que nas categorias inferiores, daria início à caminhada de José Simões nas equipas seniores dos “Azuis”.
Ao caracterizar-se como um atleta veloz, ágil, com grande resistência e dono de um enorme sentido posicional, o defesa-direito começaria a ficar conhecido pela sua habilidade em antecipar-se aos adversários. Tais apanágios levá-lo-iam, na temporada de 1931/32, a encetar labores pela equipa principal, à altura denominada categoria de honra. Como um dos mais importantes elementos do grupo de trabalho, logo nessa campanha de estreia, José Simões ajudaria o Belenenses a vencer o Campeonato Regional de Lisboa e a atingir o derradeiro desafio do Campeonato de Portugal.
O título nacional, depois da final perdida frente ao FC Porto, surgiria no ano seguinte. Sob a alçada do “Mestre” Artur José Pereira, o Belenenses daria corpo a uma caminhada brilhante. Naquela que era a prova mais importante do calendário futebolístico português, depois da eliminação de conjuntos como o Carcavelinhos, Barreirense e Vitória de Setúbal, o Sporting revelar-se-ia como o último obstáculo para a conquista do almejado troféu. No Estádio do Lumiar, José Simões apresentar-se-ia como um dos elementos arrolados para o “onze” e, com a tão importante eleição, transformar-se-ia em parte fulcral da vitória frente aos “Leões”.
Com os títulos a colorirem o currículo e com o avolumar da sua importância no seio do grupo belenense, também da selecção portuguesa chegaria a oportunidade para mostrar as suas habilidades. Orientado por Cândido de Oliveira, a estreia de José Simões com a “camisola das quinas” aconteceria a 26 de Janeiro de 1936. Após a chamada a essa peleja frente à Áustria, seguir-se-iam, no seu trajecto desportivo, mais 9 internacionalizações. Todas importantes, mas, numa altura em que os embates entre países não assim eram tão frequentes, algumas partidas tomariam proporções de maior realce. Dois desses momentos aconteceriam frente à Hungria e à Espanha e selariam a primeira vitória de Portugal frente àquelas que eram duas grandes potências do futebol da altura. Todavia, o momento mais badalado viver-se-ia no Estádio da Salésias. Mais uma vez frente à congénere espanhola, a governação de ambas as nações por forças de extrema-direita impunha aos rituais de apresentação ao público, a saudação nazi. Ao contrário do esperado, José Simões, ao lado de outros dois colegas, recusaria o aceno e, ao invés de esticar o braço com a palma da mão virada para baixo, decidir-se-ia pelo braço levantado e com o punho cerrado.
Sanado o incidente protocolar, José Simões pôde prosseguir a sua caminhada. Cada vez mais importante nas manobras tácticas do Belenenses, a sua pertinência nos sucessos colectivos conseguiria sublinhar-se ainda mais. Nesse trajecto e após perder duas finais seguidas da Taça de Portugal, a época de 1941/42 traria ao jogador, e colegas, a terceira oportunidade consecutiva para vencer um dos títulos mais importantes do calendário nacional. Numa equipa recheada de estrelas, casos de António Feliciano, Serafim das Neves, Mariano Amaro, Artur Quaresma ou Rafael Correia, os da “Cruz de Cristo” bateriam o Vitória de Guimarães e levariam para a casa o troféu correspondente à conquista da “Prova Rainha”.
A carreira de José Simões não duraria muitos mais anos. Fustigado por uma grave doença, o defesa viria a falecer, em Julho de 1944, com 31 anos e depois de ajudar a vencer mais um Campeonato de Lisboa.
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1127 - JOSÉ SIMÕES
950 - DOMINGOS LOPES
Domingos Lopes, alentejano de nascença, haveria de surgir para o futebol um pouco mais a Sul. No Algarve, com as cores do Lusitano de Vila Real de Santo António, o extremo emergiria das camadas jovens para, na transição da década de 20 para a de 30, brilhar na categoria principal dos do Sotavento. Pela delegação do Sport Lisboa Benfica, daria um enorme contributo para alguns dos títulos conquistados por essa altura. Tendo vestido a camisola do clube por diversas temporadas, o apogeu da sua passagem pelos “Diabos Algarvios” viria com as conquistas de 3 Campeonatos regionais.
Apesar do sucesso alcançado nas competições algarvias, seria a participação no Campeonato de Portugal que viria a sublinhar a sua qualidade. Não podendo mostrar-se indiferente a tão categórica demonstração de classe, o Benfica decide chamá-lo para a “casa mãe”. Tendo chegado a Lisboa na temporada de 1933/34, o atacante depressa conseguiria afirmar-se como um dos bons jogadores do plantel sénior. Podendo colocar-se à esquerda ou na direita do ataque, a sua contribuição para os êxitos das “Águias” ficaria nos anais do clube lisboeta. Apesar de não ter entrado em campo na campanha que levaria à conquista do Campeonato de Portugal de 1934/35, a vitória como que serviria de tónico para a sua participação no primeiro “tri” do futebol português.
Com a criação do Campeonato da Liga da 1ª divisão na temporada de 1934/35, a 2ª edição da prova daria início a um ciclo glorioso, até então inalcançado por qualquer um dos emblemas nacionais. Com Domingos Lopes a assumir-se como uma das estrelas das referidas campanhas, o Benfica venceria 3 provas consecutivas. Sendo, muito à custa das suas assistências, um dos mais utilizados pelo treinador húngaro Lippo Hertzka e também por Vítor Gonçalves, o extremo tornar-se-ia num dos pilares de tais conquistas. Curiosamente, seria ainda antes dos troféus alcançados com a camisola encarnada que Domingos Lopes vestiria as cores da selecção nacional. Em Março de 1934, com ambas as partidas a contar para a Fase de Qualificação do Mundial, Ribeiro dos Reis haveria de eleger o avançado benfiquista como um dos titulares no duplo confronto com a congénere espanhola.
Apesar do sucesso alcançado nas competições algarvias, seria a participação no Campeonato de Portugal que viria a sublinhar a sua qualidade. Não podendo mostrar-se indiferente a tão categórica demonstração de classe, o Benfica decide chamá-lo para a “casa mãe”. Tendo chegado a Lisboa na temporada de 1933/34, o atacante depressa conseguiria afirmar-se como um dos bons jogadores do plantel sénior. Podendo colocar-se à esquerda ou na direita do ataque, a sua contribuição para os êxitos das “Águias” ficaria nos anais do clube lisboeta. Apesar de não ter entrado em campo na campanha que levaria à conquista do Campeonato de Portugal de 1934/35, a vitória como que serviria de tónico para a sua participação no primeiro “tri” do futebol português.
Com a criação do Campeonato da Liga da 1ª divisão na temporada de 1934/35, a 2ª edição da prova daria início a um ciclo glorioso, até então inalcançado por qualquer um dos emblemas nacionais. Com Domingos Lopes a assumir-se como uma das estrelas das referidas campanhas, o Benfica venceria 3 provas consecutivas. Sendo, muito à custa das suas assistências, um dos mais utilizados pelo treinador húngaro Lippo Hertzka e também por Vítor Gonçalves, o extremo tornar-se-ia num dos pilares de tais conquistas. Curiosamente, seria ainda antes dos troféus alcançados com a camisola encarnada que Domingos Lopes vestiria as cores da selecção nacional. Em Março de 1934, com ambas as partidas a contar para a Fase de Qualificação do Mundial, Ribeiro dos Reis haveria de eleger o avançado benfiquista como um dos titulares no duplo confronto com a congénere espanhola.
898 - GUSTAVO TEIXEIRA
Com 10 anos de idade deixa a sua Vila Real natal para dar continuidade aos estudos na Casa Pia. Na escola lisboeta, sendo a ideia intrínseca à instituição, a prática desportiva começa a fazer parte da sua vida. Nas piscinas ou no campo da bola Gustavo Teixeira começa a destacar-se. Nesse sentido, e no mesmo ano em que entra para os seniores dos “Gansos”, faz a sua estreia pela selecção portuguesa de natação.
No futebol, sempre do lado canhoto do campo, é pelo ataque que começa. Sem ser muito veloz, a técnica, a capacidade de passe e o entendimento que tinha de toda a estratégia eram as suas armas. Tal era a evidência das suas capacidades que, ainda nas primeiras épocas como sénior, começa a ser requisitado por outros emblemas. Um dos desafios surgiria do Sporting que, tendo planeada uma digressão pelo Brasil, logo solicitaria a sua presença na comitiva. O convite acabaria por não resultar em nada mais. Contudo, as suas exibições ficariam na retina de muita gente. A imprensa local ficaria fascinada com tanta qualidade que acabaria por apelidar o atleta como o “Pé de Ouro”.
De volta ao Casa Pia, Gustavo Teixeira continuaria a representar a categoria principal. Jogando sempre ao mais alto nível, foi com normalidade que da selecção nacional chegaria a primeira convocatória. Tendo feito a estreia com a “camisola das quinas” num “amigável” frente à Bélgica, essa partida daria início a uma caminhada que, sensivelmente 8 anos depois, chegaria à dezena de participações.
O estatuto de internacional fez ainda com que fosse mais desejado. Em 1932, dessa feita pelo Benfica, é mais uma vez requisitado ao Casa Pia. Todavia, o desfecho da história seria diferente. Após envergar a camisola encarnada frente ao Barcelona, desafio que servia para comemorar o aniversário dos “Encarnados”, é endereçado a Gustavo Teixeira uma proposta. Ora, o convite é aceite e o atleta muda-se para as “Águias”. A partir dessa temporada de 1932/33, também os títulos passaram a fazer parte do seu currículo. Logo na época de estreia ajuda o clube a vencer o “Regional” de Lisboa. Depois viriam ainda as vitórias no Campeonato de Portugal de 1934/35 e, entre 1935/36 e 1937/38, o “Tri” no antigo no “Campeonato da Liga da 1ª divisão”.
Curiosamente, enquanto a sua carreira andava para à frente, a sua posição no campo evoluía para trás. Vítor Gonçalves, à altura treinador dos benfiquistas, entendo ser mais útil noutras partes do campo, começou por mover Gustavo Teixeira para o meio-campo. Daí ainda recuou mais um pouco. Sempre à esquerda, acabou como defesa e, por mérito da sua exemplar entrega, terminaria também como “capitão” de equipa.
No futebol, sempre do lado canhoto do campo, é pelo ataque que começa. Sem ser muito veloz, a técnica, a capacidade de passe e o entendimento que tinha de toda a estratégia eram as suas armas. Tal era a evidência das suas capacidades que, ainda nas primeiras épocas como sénior, começa a ser requisitado por outros emblemas. Um dos desafios surgiria do Sporting que, tendo planeada uma digressão pelo Brasil, logo solicitaria a sua presença na comitiva. O convite acabaria por não resultar em nada mais. Contudo, as suas exibições ficariam na retina de muita gente. A imprensa local ficaria fascinada com tanta qualidade que acabaria por apelidar o atleta como o “Pé de Ouro”.
De volta ao Casa Pia, Gustavo Teixeira continuaria a representar a categoria principal. Jogando sempre ao mais alto nível, foi com normalidade que da selecção nacional chegaria a primeira convocatória. Tendo feito a estreia com a “camisola das quinas” num “amigável” frente à Bélgica, essa partida daria início a uma caminhada que, sensivelmente 8 anos depois, chegaria à dezena de participações.
O estatuto de internacional fez ainda com que fosse mais desejado. Em 1932, dessa feita pelo Benfica, é mais uma vez requisitado ao Casa Pia. Todavia, o desfecho da história seria diferente. Após envergar a camisola encarnada frente ao Barcelona, desafio que servia para comemorar o aniversário dos “Encarnados”, é endereçado a Gustavo Teixeira uma proposta. Ora, o convite é aceite e o atleta muda-se para as “Águias”. A partir dessa temporada de 1932/33, também os títulos passaram a fazer parte do seu currículo. Logo na época de estreia ajuda o clube a vencer o “Regional” de Lisboa. Depois viriam ainda as vitórias no Campeonato de Portugal de 1934/35 e, entre 1935/36 e 1937/38, o “Tri” no antigo no “Campeonato da Liga da 1ª divisão”.
Curiosamente, enquanto a sua carreira andava para à frente, a sua posição no campo evoluía para trás. Vítor Gonçalves, à altura treinador dos benfiquistas, entendo ser mais útil noutras partes do campo, começou por mover Gustavo Teixeira para o meio-campo. Daí ainda recuou mais um pouco. Sempre à esquerda, acabou como defesa e, por mérito da sua exemplar entrega, terminaria também como “capitão” de equipa.
867 - KULKOV
Antes do sucesso alcançado na principal equipa do Spartak de Moscovo, já Kulkov tinha passado por diversos emblemas da antiga União Soviética. Dinamo Kashira, Krasnaya Presnya ou Spartak Ordzhonikidze (actual Alania) antecederiam a sua entrada no plantel sénior do conjunto da capital. O primeiro ano com a “Narodnaya komanda” (Equipa do Povo), haveria de ser deveras positivo para a carreira do atleta. Primeiro, resultado do destaque que conseguiria, chega a chamada à selecção; depois, com o final da temporada de 1989, vem a conquista do Campeonato da URSS.
A evolução mostrada dentro de campo levaria a uma consolidação das suas exibições. Tendo conseguido tornar-se num elemento importante do “onze” do clube e da selecção, as épocas seguintes transformá-lo-iam num jogador apetecível. Com a abertura dos países de Leste ao Ocidente, os emblemas interessados no seu concurso começariam a aparecer. Entre vários conjuntos, o Benfica acabaria por ganhar essa corrida e, para temporada de 1991/92, Kulkov é apresentado no Estádio da “Luz”.
Nos anos passados em Lisboa, o “trinco”, a par dos seus conterrâneos Iuran e Mostovoi, tornar-se-ia numa figura polémica. Apesar das boas exibições, o jogador ficaria também conhecido pela indisciplina e pelos excessos da sua vida particular. Ainda assim, Kulkov conseguiria tornar-se num dos jogadores mais relevantes para o clube. Titular com Sven-Göran Eriksson, Tomislav Ivíc e Toni, o internacional russo contribuiria para a vitória na Taça de Portugal de 1992/93 e para a conquista do Campeonato do ano seguinte.
Com a contratação de Artur Jorge para o comando das “Águias”, o seu nome e o de Iuran surgem na lista de jogadores a libertar. Sabendo da dispensa dos atletas, Sir Bobby Robson, à altura o treinador do FC Porto, daria indicações para que o médio e o avançado fossem contratados. Contudo, a mudança de emblema não mudaria muito a atitude dos dois. As polémicas continuariam e, mesmo conseguindo ter um papel preponderante na conquista do Campeonato Nacional de 1994/95, Kulkov e o seu conterrâneo deixariam os “Dragões” um ano após a chegada.
Com o regresso ao Spartak de Moscovo, o centrocampista entraria numa fase mais discreta da sua carreira. Tendo ainda, durante um curto empréstimo ao Millwall, tentado a sua sorte no futebol inglês, a verdade é que, daí em diante, as oportunidades dadas ao atleta viriam, na sua maioria, de emblemas russos. Depois de ter ainda representado Zenit e Krylya Sovetov, a excepção a esses anos passados no Campeonato do seu país viria, mais uma vez, de Portugal. Com o Alverca à procura de reforçar o seu plantel, Kulkov acabaria por ser um dos destaques do conjunto ribatejano e da temporada de 1999/00.
Após um pequeno interregno, o jogador deixaria os relvados ao serviço dos russos do Energiya Shatura. Numa caminhada que conheceria o fim em 2001, a sua carreira acabaria por ficar manchada por um comportamento pouco condizente com o de um atleta de alta competição. Um dos bons exemplos a dar é o seu percurso na selecção. Apesar de ter conseguido mais de 4 dezenas de internacionalizações, o médio acabaria por nunca participar numa fase final de um grande torneio. É bem certo que o seu afastamento do Euro 92 e Euro 96 dever-se-ia a lesões. Já na chamada para o Mundial de 1994, a história seria bem diferente. Tendo entrado em rota de colisão com o treinador Pavel Sadyrin, Kulkov, em conjunto com outros jogadores, exigiria a demissão do seleccionador. A reivindicação não seria aceite e quem acabaria por ser afastado do torneio organizado nos Estados Unidos seria o médio.
A evolução mostrada dentro de campo levaria a uma consolidação das suas exibições. Tendo conseguido tornar-se num elemento importante do “onze” do clube e da selecção, as épocas seguintes transformá-lo-iam num jogador apetecível. Com a abertura dos países de Leste ao Ocidente, os emblemas interessados no seu concurso começariam a aparecer. Entre vários conjuntos, o Benfica acabaria por ganhar essa corrida e, para temporada de 1991/92, Kulkov é apresentado no Estádio da “Luz”.
Nos anos passados em Lisboa, o “trinco”, a par dos seus conterrâneos Iuran e Mostovoi, tornar-se-ia numa figura polémica. Apesar das boas exibições, o jogador ficaria também conhecido pela indisciplina e pelos excessos da sua vida particular. Ainda assim, Kulkov conseguiria tornar-se num dos jogadores mais relevantes para o clube. Titular com Sven-Göran Eriksson, Tomislav Ivíc e Toni, o internacional russo contribuiria para a vitória na Taça de Portugal de 1992/93 e para a conquista do Campeonato do ano seguinte.
Com a contratação de Artur Jorge para o comando das “Águias”, o seu nome e o de Iuran surgem na lista de jogadores a libertar. Sabendo da dispensa dos atletas, Sir Bobby Robson, à altura o treinador do FC Porto, daria indicações para que o médio e o avançado fossem contratados. Contudo, a mudança de emblema não mudaria muito a atitude dos dois. As polémicas continuariam e, mesmo conseguindo ter um papel preponderante na conquista do Campeonato Nacional de 1994/95, Kulkov e o seu conterrâneo deixariam os “Dragões” um ano após a chegada.
Com o regresso ao Spartak de Moscovo, o centrocampista entraria numa fase mais discreta da sua carreira. Tendo ainda, durante um curto empréstimo ao Millwall, tentado a sua sorte no futebol inglês, a verdade é que, daí em diante, as oportunidades dadas ao atleta viriam, na sua maioria, de emblemas russos. Depois de ter ainda representado Zenit e Krylya Sovetov, a excepção a esses anos passados no Campeonato do seu país viria, mais uma vez, de Portugal. Com o Alverca à procura de reforçar o seu plantel, Kulkov acabaria por ser um dos destaques do conjunto ribatejano e da temporada de 1999/00.
Após um pequeno interregno, o jogador deixaria os relvados ao serviço dos russos do Energiya Shatura. Numa caminhada que conheceria o fim em 2001, a sua carreira acabaria por ficar manchada por um comportamento pouco condizente com o de um atleta de alta competição. Um dos bons exemplos a dar é o seu percurso na selecção. Apesar de ter conseguido mais de 4 dezenas de internacionalizações, o médio acabaria por nunca participar numa fase final de um grande torneio. É bem certo que o seu afastamento do Euro 92 e Euro 96 dever-se-ia a lesões. Já na chamada para o Mundial de 1994, a história seria bem diferente. Tendo entrado em rota de colisão com o treinador Pavel Sadyrin, Kulkov, em conjunto com outros jogadores, exigiria a demissão do seleccionador. A reivindicação não seria aceite e quem acabaria por ser afastado do torneio organizado nos Estados Unidos seria o médio.
799 - VUJACIC
Apesar de ter nascido na capital Titograd (actual Podgorica), Budimir Vujacic cresceria em Petrovac na Moru, localidade banhada pelo Mar Adriático. Consequência de tal morada, os primeiros passos do seu percurso futebolístico dá-los-ia nessa antiga vila piscatória. Seria então no OFK Petrovac que o defesa, ainda na metade inicial da década de 80, disputaria as primeiras partidas no patamar sénior.
Curiosamente, as primeiras temporadas da sua carreira caracterizar-se-iam por algumas mudanças de clube. Já depois da estreia e de uma passagem, igualmente curta, pelo Obilic Beograd, a evolução que começava a mostrar dentro de campo levaria a que, da Alemanha, surgisse o interesse na sua contratação. No SC Freiburg, ainda que a disputar as divisões secundárias, o central conseguiria confirmar aquilo que dele já era sabido: Vujacic, alto e possante, fazia do jogo aéreo uma das suas grandes armas.
As suas qualidades levá-lo-iam a afirmar-se como um dos grandes esteios defensivos do emblema germânico. Ainda que longe dos grandes palcos da “Bundesliga”, a verdade é que os seus desempenhos abrir-lhe-iam novas portas. O FK Vojvodina, colectividade que se seguiria na sua carreira, seria a rampa para Vujacic atingir outros patamares. No emblema da cidade de Novi Sad, reflexo de uma excelsa caminhada por parte do clube, o defesa conseguiria as suas primeiras chamadas à principal selecção jugoslava. Praticamente na mesma altura, sagrar-se-ia campeão jugoslavo (1988/89) e esse importante título, juntamente com o estatuto de internacional, fariam dele um alvo apetecido.
A transferência para o Partizan transformá-lo-ia numa das grandes estrelas do futebol jugoslavo. As regulares convocatórias para os jogos da selecção, serviram, ainda mais, para sublinhar essa importância ganha. Nesse sentido, poucos ficariam surpreendidos quando o seu nome foi cogitado para fazer parte do grupo que iria disputar a fase final do Euro 92. No entanto, o agravar do conflito nos Balcãs, faria com que a Jugoslávia fosse afastada do torneio organizado na Suécia.
Já pelo emblema de Belgrado, Vujacic, entretanto promovido a “capitão” de equipa, conseguiria juntar alguns títulos ao seu currículo. É já com a conquista de mais 1 Taça (1991/92) e 1 Campeonato da Jugoslávia (1992/93), que o defesa chega ao Sporting. Contratado por Sousa Cintra e, segundo dizem, à revelia de Bobby Robson, os primeiros tempos em Lisboa seriam difíceis para o atleta. Com o treinador a pôr de parte o jogador, a oportunidade para que pudesse mostrar as suas qualidades só surgiria com o despedimento do inglês e a contratação de Carlos Queiroz.
Foi a partir de Fevereiro de 1994, data da sua primeira partida com a camisola dos “Leões”, que Vujacic começou a fazer parte do “onze” inicial. Mesmo tardia, a verdade é que a estreia permitiria ao defesa assegurar rapidamente um lugar na equipa. Primeiro no centro do sector mais atrasado e, com a chegada de Naybet e Marco Aurélio, a ser encostado à esquerda, o atleta passaria a ser um dos elementos mais relevantes no plantel de Alvalade. A preponderância que ganharia no seio do grupo, seria crucial para a conquista de alguns títulos. Com o Sporting já há muito arredado da vitória no Campeonato, as vitórias na Taça de Portugal de 1994/95 e Supertaça de 1995/96, desafios onde Vujacic entraria como titular, tornar-se-iam de vital importância.
Já depois de iniciada a temporada de 1996/97, a sua ligação aos “Verde e Brancos” chegaria ao fim. Um convite do Vissel Kobe, numa altura em que contava com 31 anos de idade, faria com o atleta decidisse mudar-se para o Japão. No “País do Sol Nascente”, Vujacic, em parte por culpa da lesão que o tinha afectado nos últimos tempos de “Leão” ao peito, decidiria pôr termo ao percurso como futebolista. Anos mais tarde ainda regressaria à modalidade. Desta feita como “olheiro”, e indicado por Carlos Queiroz, o antigo defesa trabalharia para o Manchester United.
Curiosamente, as primeiras temporadas da sua carreira caracterizar-se-iam por algumas mudanças de clube. Já depois da estreia e de uma passagem, igualmente curta, pelo Obilic Beograd, a evolução que começava a mostrar dentro de campo levaria a que, da Alemanha, surgisse o interesse na sua contratação. No SC Freiburg, ainda que a disputar as divisões secundárias, o central conseguiria confirmar aquilo que dele já era sabido: Vujacic, alto e possante, fazia do jogo aéreo uma das suas grandes armas.
As suas qualidades levá-lo-iam a afirmar-se como um dos grandes esteios defensivos do emblema germânico. Ainda que longe dos grandes palcos da “Bundesliga”, a verdade é que os seus desempenhos abrir-lhe-iam novas portas. O FK Vojvodina, colectividade que se seguiria na sua carreira, seria a rampa para Vujacic atingir outros patamares. No emblema da cidade de Novi Sad, reflexo de uma excelsa caminhada por parte do clube, o defesa conseguiria as suas primeiras chamadas à principal selecção jugoslava. Praticamente na mesma altura, sagrar-se-ia campeão jugoslavo (1988/89) e esse importante título, juntamente com o estatuto de internacional, fariam dele um alvo apetecido.
A transferência para o Partizan transformá-lo-ia numa das grandes estrelas do futebol jugoslavo. As regulares convocatórias para os jogos da selecção, serviram, ainda mais, para sublinhar essa importância ganha. Nesse sentido, poucos ficariam surpreendidos quando o seu nome foi cogitado para fazer parte do grupo que iria disputar a fase final do Euro 92. No entanto, o agravar do conflito nos Balcãs, faria com que a Jugoslávia fosse afastada do torneio organizado na Suécia.
Já pelo emblema de Belgrado, Vujacic, entretanto promovido a “capitão” de equipa, conseguiria juntar alguns títulos ao seu currículo. É já com a conquista de mais 1 Taça (1991/92) e 1 Campeonato da Jugoslávia (1992/93), que o defesa chega ao Sporting. Contratado por Sousa Cintra e, segundo dizem, à revelia de Bobby Robson, os primeiros tempos em Lisboa seriam difíceis para o atleta. Com o treinador a pôr de parte o jogador, a oportunidade para que pudesse mostrar as suas qualidades só surgiria com o despedimento do inglês e a contratação de Carlos Queiroz.
Foi a partir de Fevereiro de 1994, data da sua primeira partida com a camisola dos “Leões”, que Vujacic começou a fazer parte do “onze” inicial. Mesmo tardia, a verdade é que a estreia permitiria ao defesa assegurar rapidamente um lugar na equipa. Primeiro no centro do sector mais atrasado e, com a chegada de Naybet e Marco Aurélio, a ser encostado à esquerda, o atleta passaria a ser um dos elementos mais relevantes no plantel de Alvalade. A preponderância que ganharia no seio do grupo, seria crucial para a conquista de alguns títulos. Com o Sporting já há muito arredado da vitória no Campeonato, as vitórias na Taça de Portugal de 1994/95 e Supertaça de 1995/96, desafios onde Vujacic entraria como titular, tornar-se-iam de vital importância.
Já depois de iniciada a temporada de 1996/97, a sua ligação aos “Verde e Brancos” chegaria ao fim. Um convite do Vissel Kobe, numa altura em que contava com 31 anos de idade, faria com o atleta decidisse mudar-se para o Japão. No “País do Sol Nascente”, Vujacic, em parte por culpa da lesão que o tinha afectado nos últimos tempos de “Leão” ao peito, decidiria pôr termo ao percurso como futebolista. Anos mais tarde ainda regressaria à modalidade. Desta feita como “olheiro”, e indicado por Carlos Queiroz, o antigo defesa trabalharia para o Manchester United.
761 - LIMA PEREIRA
Conta-se que, tendo ido observar outro atleta do Varzim, José Maria Pedroto acabaria por ficar impressionado com o desempenho de Lima Pereira. Curiosamente, o perfil do jogador nem era o do típico reforço de um “grande”. Já com 26 anos, sem ser um dos indiscutíveis da equipa poveira e com 2 temporadas apenas no nosso maior escalão, o interesse no central terá, por certo, surpreendido muita gente.
Ainda assim, a transferência do defesa acabaria por concretizar-se no Verão de 1978. Como esperado, à sua chegada às Antas o jogador teria algumas dificuldades em adaptar-se. Naquelas que foram as suas primeiras temporadas de “Azul e Branco”, Lima Pereira poucas oportunidades teria. Tapado pela dupla Simões e Freitas, dizia-se que Pedroto ainda andava a moldá-lo às responsabilidades de titular.
A sua chance surgiria na temporada de 1980/81. Com a chegada do austríaco Hermann Stessl, o atleta começa a ganhar maior importância no escalonamento da equipa. Alto e esguio, era a sua assertividade que, no entanto, merecia maior destaque. Essa característica, ao longo do seu percurso profissional, seria muito louvada. Aliás, a objectividade do seu jogo acabaria por ser responsável pela sua importância no seio do plantel e base dos sucessos que estavam para vir.
Em 1983/84, o FC Porto chega à primeira final europeia. Em Basileia, os “Dragões” tinham pela frente uma Juventus com Boniek, Rossi e Platini e orientada por Trapattoni. Lima Pereira, numa dupla com Eurico, seria chamado ao “onze” inicial pelo técnico António Morais. No entanto, e apesar do bom desempenho da sua equipa, o atleta veria a Taça dos Vencedores das Taças fugir para Itália.
Ainda nesse ano, o defesa é convocado para disputar o Euro 84. Ele que, 3 anos antes, tinha feito a estreia pela selecção nacional, via naquele certame mais uma oportunidade para ganhar um troféu internacional. O pior é que a “Equipa das Quinas” cairia frente a congénere gaulesa. Contudo, e no contexto estritamente pessoal, o torneio correria de feição para o jogador. Chamado a disputar todos os encontros, Lima Pereira acabaria por ser um dos esteios da caminhada de Portugal até às meias-finais.
Seria já em 1987 que, finalmente, conseguiria a merecida consagração internacional. Com o FC Porto a disputar a Taça dos Campeões Europeus, o central chegaria a participar nas duas partidas das meias-finais. No entanto, uma lesão afastá-lo-ia da final jogada no Estádio do Prater, em Viena. Ainda assim, e apesar deste revés, os “Dragões” derrotariam o Bayern de Munique e Lima Pereira comemoraria a conquista da importante competição.
No ano seguinte chegariam mais vitórias. Desta feita com a Supertaça Europeia e Taça Intercontinental em questão, Lima Pereira conseguiria ser sempre titular. Mais uma vez, a equipa da “Invicta” não deixa fugir a oportunidade de engrossar o seu palmarés. Respectivamente, frente ao Ajax e ao Peñarol, os dois troféus seriam levantados pelos portistas.
Nisto de troféus, o percurso do central não se esgotou nas vitórias já acima referidas. Em termos de títulos, o jogador haveria de contar com: 4 Campeonatos (1978/79; 1984/85; 1985/86; 1987/88), 2 Taças de Portugal (1983/84; 1987/88) e 4 Supertaças (1981/82; 1983/84; 1984/85; 1985/86). Contudo, e tendo em conta toda a importância destas 13 conquistas, houve duas que tiveram uma particularidade especial. Tanto na Taça de Portugal de 1987/88, tal como na Supertaça de 1983/84, por razão de envergar a braçadeira de capitão, seria Lima Pereira a ter o privilégio de levantar os respectivos troféus.
Foi em 1989 que a sua ligação com o FC Porto chegou ao fim. À altura já com 37 anos, foram muitos os que vaticinaram o fim da sua carreira. Ainda assim, o futebolista achou que ainda não era sua hora e ao aceitar o convite do Maia, perlongaria a sua carreira por mais duas temporadas.
Ainda assim, a transferência do defesa acabaria por concretizar-se no Verão de 1978. Como esperado, à sua chegada às Antas o jogador teria algumas dificuldades em adaptar-se. Naquelas que foram as suas primeiras temporadas de “Azul e Branco”, Lima Pereira poucas oportunidades teria. Tapado pela dupla Simões e Freitas, dizia-se que Pedroto ainda andava a moldá-lo às responsabilidades de titular.
A sua chance surgiria na temporada de 1980/81. Com a chegada do austríaco Hermann Stessl, o atleta começa a ganhar maior importância no escalonamento da equipa. Alto e esguio, era a sua assertividade que, no entanto, merecia maior destaque. Essa característica, ao longo do seu percurso profissional, seria muito louvada. Aliás, a objectividade do seu jogo acabaria por ser responsável pela sua importância no seio do plantel e base dos sucessos que estavam para vir.
Em 1983/84, o FC Porto chega à primeira final europeia. Em Basileia, os “Dragões” tinham pela frente uma Juventus com Boniek, Rossi e Platini e orientada por Trapattoni. Lima Pereira, numa dupla com Eurico, seria chamado ao “onze” inicial pelo técnico António Morais. No entanto, e apesar do bom desempenho da sua equipa, o atleta veria a Taça dos Vencedores das Taças fugir para Itália.
Ainda nesse ano, o defesa é convocado para disputar o Euro 84. Ele que, 3 anos antes, tinha feito a estreia pela selecção nacional, via naquele certame mais uma oportunidade para ganhar um troféu internacional. O pior é que a “Equipa das Quinas” cairia frente a congénere gaulesa. Contudo, e no contexto estritamente pessoal, o torneio correria de feição para o jogador. Chamado a disputar todos os encontros, Lima Pereira acabaria por ser um dos esteios da caminhada de Portugal até às meias-finais.
Seria já em 1987 que, finalmente, conseguiria a merecida consagração internacional. Com o FC Porto a disputar a Taça dos Campeões Europeus, o central chegaria a participar nas duas partidas das meias-finais. No entanto, uma lesão afastá-lo-ia da final jogada no Estádio do Prater, em Viena. Ainda assim, e apesar deste revés, os “Dragões” derrotariam o Bayern de Munique e Lima Pereira comemoraria a conquista da importante competição.
No ano seguinte chegariam mais vitórias. Desta feita com a Supertaça Europeia e Taça Intercontinental em questão, Lima Pereira conseguiria ser sempre titular. Mais uma vez, a equipa da “Invicta” não deixa fugir a oportunidade de engrossar o seu palmarés. Respectivamente, frente ao Ajax e ao Peñarol, os dois troféus seriam levantados pelos portistas.
Nisto de troféus, o percurso do central não se esgotou nas vitórias já acima referidas. Em termos de títulos, o jogador haveria de contar com: 4 Campeonatos (1978/79; 1984/85; 1985/86; 1987/88), 2 Taças de Portugal (1983/84; 1987/88) e 4 Supertaças (1981/82; 1983/84; 1984/85; 1985/86). Contudo, e tendo em conta toda a importância destas 13 conquistas, houve duas que tiveram uma particularidade especial. Tanto na Taça de Portugal de 1987/88, tal como na Supertaça de 1983/84, por razão de envergar a braçadeira de capitão, seria Lima Pereira a ter o privilégio de levantar os respectivos troféus.
Foi em 1989 que a sua ligação com o FC Porto chegou ao fim. À altura já com 37 anos, foram muitos os que vaticinaram o fim da sua carreira. Ainda assim, o futebolista achou que ainda não era sua hora e ao aceitar o convite do Maia, perlongaria a sua carreira por mais duas temporadas.
712 - PANCEV
Nascido em Skopje, capital da Macedónia, seria no FK Vardar, emblema da já referida cidade, que Darko Pancev começaria a carreira como futebolista. A sua estreia pela equipa principal, quando apenas contava 17 anos, haveria de tornar-se muito badalada. Chamado a jogo no final da temporada de 1982/83, eis que, nessas últimas 4 partidas, o avançado consegue marcar 3 golos.
Já tido como um fenómeno, o atacante, nos anos seguintes, continuaria a cimentar-se como um dos melhores atletas nos campeonatos da antiga Jugoslávia. Veloz e com um bom entendimento do jogo, Pancev era especialmente talentoso na hora de se antecipar aos defesas contrários. Esses seus dotes, que tantos golos valeriam, rapidamente chamariam a atenção de Veselinovic e o seleccionador, em Março de 1984, acabaria por incluir Pancev nos trabalhos da equipa nacional.
Quem, em termos colectivos, também beneficiaria da sua capacidade goleadora, seria o FK Vardar. O emblema macedónio que, apesar da sua tradição na categoria principal, era apenas um modesto participante, veria a sua reputação subir em flecha. Pancev, que logo na sua segunda temporada, conseguiria sagrar-se no Melhor Marcador do Campeonato jugoslavo, ajudaria o clube a subir na tabela, conseguindo, inclusive, o apuramento para as provas europeias.
Por essa altura, já Pancev era um dos atletas mais cobiçados no seu país. Com os melhores clubes na corrida pelos seus préstimos, quem haveria de convencer o atleta, em detrimento do Partizan, seriam os adversários do Estrela Vermelha (Crvena Zvezda). Contudo, o primeiro ano de ligação ao clube de Belgrado, acabaria por ficar marcado por alguma polémica. Sendo o Partizan o clube do exército, eis que, logo após assinar contrato pelos rivais, Darko Pancev é chamado a cumprir o Serviço Militar Obrigatório. O alistamento no exército acabaria por afastar o avançado das disputas desportivas. Só passado um ano é que o atleta voltaria a entrar campo e, como se nada tivesse acontecido, regressaria em grande forma.
As 3 temporadas que se seguiram mostrariam o Estrela Vermelha no seu melhor. O clube acabaria por vencer esses 3 Campeonatos e a Taça de 1989/90. Todavia, os grandes brilharetes estariam reservados para as competições internacionais. A vitória na Taça dos Campeões Europeus de 1990/91, acabaria por ser adornada com mais uma conquista e, logo na época seguinte, o emblema jugoslavo venceria a Taça Intercontinental.
Também em termos individuais, Darko Pancev estaria irrepreensível. Nesses 3 anos, consegue sagrar-se 3 vezes o Melhor Marcador do Campeonato. Ainda nesse plano, a temporada de 1990/91 acabaria por ser a mais importante. Os 34 golos conseguidos durante essa época, acabariam por levá-lo ao topo da tabela dos goleadores europeus. A Bota d’Ouro, no entanto, não chegaria às suas mãos. Devido a um protesto da Federação cipriota, o prémio (oficialmente) ficaria suspenso por alguns anos e o troféu apenas seria entregue em 2006.
Já depois de ter disputado o Mundial de 1990, eis que a Jugoslávia é proibida de participar no Euro 92. Por razão da guerra que entretanto havia começado, as sanções impostas ao seu país impedem Pancev de estar presente na Suécia. Curiosamente, também nesse pedaço de história, o jogador haveria de ter a sua pequena participação. Aquando de uma eliminatória frente ao Panathinaikos, e no momento de completar a papelada necessária à sua entrada na Grécia, eis que o atleta decide preencher o campo “nacionalidade” com “macedónia”. A veleidade haveria de valer a Pancev um longo interrogatório. O jogo, esse, haveria de correr de feição, e os 2 golos marcados por si como que “apagariam” a afronta cometida.
Tendo atingido a melhor fase na carreira, foi com naturalidade que de Itália surgiu o interesse do Inter. A mudança, contudo, acabaria por fica muito aquém do esperado. Acusado de não participar nas acções defensivas da equipa milanesa, Darko Pancev acabaria por ser afastado do “onze” inicial. Com pouco tempo de jogo, a forma do avançado rapidamente decresceria e, ao invés de mostrar tudo o que sabia, a sua passagem pelo “calcio” tornar-se-ia numa enorme desilusão.
Coincidência, ou não, a sua saída do Estrela Vermelha como que alteraria todos os seus predicados. Os números começariam a castigar aquele que tinha sido um prolífero avançado e, nem os anos em Milão, nem as suas passagens pela “Bundesliga” (VfB Leipzig; Fortuna Düsseldorf) conseguiriam empurrar o jogador de volta aos golos.
O fim da sua carreira, aos 31 anos, aconteceria depois de uma temporada (1996/97) ao serviço dos suíços do FC Sion. Depois de afastado dos relvados, Darko Pancev continuaria ligado à modalidade, com passagens pela Federação de Futebol da Macedónia e como dirigente do FK Vardar.
Já tido como um fenómeno, o atacante, nos anos seguintes, continuaria a cimentar-se como um dos melhores atletas nos campeonatos da antiga Jugoslávia. Veloz e com um bom entendimento do jogo, Pancev era especialmente talentoso na hora de se antecipar aos defesas contrários. Esses seus dotes, que tantos golos valeriam, rapidamente chamariam a atenção de Veselinovic e o seleccionador, em Março de 1984, acabaria por incluir Pancev nos trabalhos da equipa nacional.
Quem, em termos colectivos, também beneficiaria da sua capacidade goleadora, seria o FK Vardar. O emblema macedónio que, apesar da sua tradição na categoria principal, era apenas um modesto participante, veria a sua reputação subir em flecha. Pancev, que logo na sua segunda temporada, conseguiria sagrar-se no Melhor Marcador do Campeonato jugoslavo, ajudaria o clube a subir na tabela, conseguindo, inclusive, o apuramento para as provas europeias.
Por essa altura, já Pancev era um dos atletas mais cobiçados no seu país. Com os melhores clubes na corrida pelos seus préstimos, quem haveria de convencer o atleta, em detrimento do Partizan, seriam os adversários do Estrela Vermelha (Crvena Zvezda). Contudo, o primeiro ano de ligação ao clube de Belgrado, acabaria por ficar marcado por alguma polémica. Sendo o Partizan o clube do exército, eis que, logo após assinar contrato pelos rivais, Darko Pancev é chamado a cumprir o Serviço Militar Obrigatório. O alistamento no exército acabaria por afastar o avançado das disputas desportivas. Só passado um ano é que o atleta voltaria a entrar campo e, como se nada tivesse acontecido, regressaria em grande forma.
As 3 temporadas que se seguiram mostrariam o Estrela Vermelha no seu melhor. O clube acabaria por vencer esses 3 Campeonatos e a Taça de 1989/90. Todavia, os grandes brilharetes estariam reservados para as competições internacionais. A vitória na Taça dos Campeões Europeus de 1990/91, acabaria por ser adornada com mais uma conquista e, logo na época seguinte, o emblema jugoslavo venceria a Taça Intercontinental.
Também em termos individuais, Darko Pancev estaria irrepreensível. Nesses 3 anos, consegue sagrar-se 3 vezes o Melhor Marcador do Campeonato. Ainda nesse plano, a temporada de 1990/91 acabaria por ser a mais importante. Os 34 golos conseguidos durante essa época, acabariam por levá-lo ao topo da tabela dos goleadores europeus. A Bota d’Ouro, no entanto, não chegaria às suas mãos. Devido a um protesto da Federação cipriota, o prémio (oficialmente) ficaria suspenso por alguns anos e o troféu apenas seria entregue em 2006.
Já depois de ter disputado o Mundial de 1990, eis que a Jugoslávia é proibida de participar no Euro 92. Por razão da guerra que entretanto havia começado, as sanções impostas ao seu país impedem Pancev de estar presente na Suécia. Curiosamente, também nesse pedaço de história, o jogador haveria de ter a sua pequena participação. Aquando de uma eliminatória frente ao Panathinaikos, e no momento de completar a papelada necessária à sua entrada na Grécia, eis que o atleta decide preencher o campo “nacionalidade” com “macedónia”. A veleidade haveria de valer a Pancev um longo interrogatório. O jogo, esse, haveria de correr de feição, e os 2 golos marcados por si como que “apagariam” a afronta cometida.
Tendo atingido a melhor fase na carreira, foi com naturalidade que de Itália surgiu o interesse do Inter. A mudança, contudo, acabaria por fica muito aquém do esperado. Acusado de não participar nas acções defensivas da equipa milanesa, Darko Pancev acabaria por ser afastado do “onze” inicial. Com pouco tempo de jogo, a forma do avançado rapidamente decresceria e, ao invés de mostrar tudo o que sabia, a sua passagem pelo “calcio” tornar-se-ia numa enorme desilusão.
Coincidência, ou não, a sua saída do Estrela Vermelha como que alteraria todos os seus predicados. Os números começariam a castigar aquele que tinha sido um prolífero avançado e, nem os anos em Milão, nem as suas passagens pela “Bundesliga” (VfB Leipzig; Fortuna Düsseldorf) conseguiriam empurrar o jogador de volta aos golos.
O fim da sua carreira, aos 31 anos, aconteceria depois de uma temporada (1996/97) ao serviço dos suíços do FC Sion. Depois de afastado dos relvados, Darko Pancev continuaria ligado à modalidade, com passagens pela Federação de Futebol da Macedónia e como dirigente do FK Vardar.
711 - WIM KIEFT
Num grupo em que as grandes estrelas eram Johan Cruyff e Soren Lerby, uma nova geração de craques parecia querer emergir na principal equipa do Ajax. Por entre Marco van Basten, Frank Rijkaard, Gerald Vanenburg e outros, Wim Kieft, como o próprio o viria a afirmar, nem era dos futebolistas mais dotados. Todavia, aquilo que o diminuía em talento era compensado por uma entrega exemplar – “Eu era o fim da linha num bom ataque e, normalmente, tinha a tarefa mais fácil. Eu não podia correr pelo campo e saltar como uma superestrela. Isso não era eu (…). Eu não era prendado. Tinha o talento para marcar e precisava de trabalhar mesmo muito”*.
A modéstia que sempre demonstrou e, talvez, até um certo embaraço, acabariam por ser a sua grande característica. A maneira intrépida como acorria aos lances ou o esforço que fazia para estar no lugar certo, eram o reflexo desse seu anti vedetismo. A responder aos passes dos colegas ou, apenas, reagindo às “sobras” de outros remates, Wim Kieft, desde os seu primeiros tempos como sénior, mostraria que, como poucos, até sabia das “artes” de ponta-de-lança. Esse seu talento, que ainda hoje continua a negar, levá-lo-ia ao topo do futebol europeu e, logo na sua 3ª temporada na equipa de Amesterdão, fá-lo-ia marcar golos suficientes para vencer a Bota d’Ouro de 1981/82.
Mas nem só de metas individuais se fez a carreira do avançado. Como é lógico num desporto colectivo, muito daquilo que conseguiria alcançar seria resultado das boas equipas onde estava inserido. Com as cores do Ajax, que vestiria até 1982/83, Wim Kieft acabaria por vencer 3 campeonatos e 1 Taça da Holanda. Já no PSV, onde ingressaria depois de uma passagem menos conseguida por Itália, repetiria os êxitos e conquistaria outros 3 campeonatos, 3 Taças e 1 Taça dos Campeões Europeus.
Na equipa nacional, o seu trajecto também seria premiado pelo sucesso. Com a estreia a acontecer em Setembro de 1981, o seu caminho com a camisola da Holanda acabaria por levá-lo à disputa dos mais importantes certames para selecções. Tendo estado presente no Mundial de 1990 e no Europeu de 1992, seria, no entanto, no primeiro grande torneio por si disputado que conseguiria a maior conquista. No Europeu de 1988, apesar da sua condição de suplente, Wim Kieft acabaria por ser essencial na caminhada vitoriosa. Na derradeira partida da fase de grupos, e quando tudo apontava para um empate, é então que o avançado salta do banco. Com uma cabeçada certeira, haveria de desfazer o zero a zero e, com esse triunfo frente à Republica da Irlanda, conseguiria garantir a passagem do seu país às meias-finais do torneio.
1988 acabaria por ser um dos melhores anos da sua carreira. No mês anterior à vitória no Euro 88, também a Alemanha (ainda RFA) testemunharia mais uma das suas conquistas. Em Estugarda, frente a um Benfica comandado por Toni, o nome do atacante faria parte do alinhamento inicial do PSV. Tendo o tempo regulamentar, tal como o prolongamento, terminado com um nulo no marcador, o que se seguiria seria a “lotaria” dos penalties. Ao contrário do azarado Veloso, Kieft não falharia na concretização do castigo máximo e ajudaria a equipa de Eindhoven a vencer essa final da Taça dos Campeões Europeus.
Tendo as passagens pelo estrangeiro – Pisa (83-86), Torino (86-87) e Bordeaux (90-91) – como os piores momentos do seu percurso profissional, seria já depois de “penduradas as chuteiras” que a sua vida tomaria um rumo indesejado. Numa altura em que já era comentador de televisão, o vício das drogas levá-lo-ia a uma situação financeiramente desesperante. Num contexto em que a sua saúde não era muito abonatória e que a pobreza já acenava de perto, eis que o antigo futebolista decide que era tempo de procurar uma cura. Recuperado da adição, voltaria aos programas desportivos e, paralelamente, lançaria um livro biográfico onde contaria todas as peripécias da sua passagem pelos relvados, como os momentos menos bons na sua existência pessoal.
A modéstia que sempre demonstrou e, talvez, até um certo embaraço, acabariam por ser a sua grande característica. A maneira intrépida como acorria aos lances ou o esforço que fazia para estar no lugar certo, eram o reflexo desse seu anti vedetismo. A responder aos passes dos colegas ou, apenas, reagindo às “sobras” de outros remates, Wim Kieft, desde os seu primeiros tempos como sénior, mostraria que, como poucos, até sabia das “artes” de ponta-de-lança. Esse seu talento, que ainda hoje continua a negar, levá-lo-ia ao topo do futebol europeu e, logo na sua 3ª temporada na equipa de Amesterdão, fá-lo-ia marcar golos suficientes para vencer a Bota d’Ouro de 1981/82.
Mas nem só de metas individuais se fez a carreira do avançado. Como é lógico num desporto colectivo, muito daquilo que conseguiria alcançar seria resultado das boas equipas onde estava inserido. Com as cores do Ajax, que vestiria até 1982/83, Wim Kieft acabaria por vencer 3 campeonatos e 1 Taça da Holanda. Já no PSV, onde ingressaria depois de uma passagem menos conseguida por Itália, repetiria os êxitos e conquistaria outros 3 campeonatos, 3 Taças e 1 Taça dos Campeões Europeus.
Na equipa nacional, o seu trajecto também seria premiado pelo sucesso. Com a estreia a acontecer em Setembro de 1981, o seu caminho com a camisola da Holanda acabaria por levá-lo à disputa dos mais importantes certames para selecções. Tendo estado presente no Mundial de 1990 e no Europeu de 1992, seria, no entanto, no primeiro grande torneio por si disputado que conseguiria a maior conquista. No Europeu de 1988, apesar da sua condição de suplente, Wim Kieft acabaria por ser essencial na caminhada vitoriosa. Na derradeira partida da fase de grupos, e quando tudo apontava para um empate, é então que o avançado salta do banco. Com uma cabeçada certeira, haveria de desfazer o zero a zero e, com esse triunfo frente à Republica da Irlanda, conseguiria garantir a passagem do seu país às meias-finais do torneio.
1988 acabaria por ser um dos melhores anos da sua carreira. No mês anterior à vitória no Euro 88, também a Alemanha (ainda RFA) testemunharia mais uma das suas conquistas. Em Estugarda, frente a um Benfica comandado por Toni, o nome do atacante faria parte do alinhamento inicial do PSV. Tendo o tempo regulamentar, tal como o prolongamento, terminado com um nulo no marcador, o que se seguiria seria a “lotaria” dos penalties. Ao contrário do azarado Veloso, Kieft não falharia na concretização do castigo máximo e ajudaria a equipa de Eindhoven a vencer essa final da Taça dos Campeões Europeus.
Tendo as passagens pelo estrangeiro – Pisa (83-86), Torino (86-87) e Bordeaux (90-91) – como os piores momentos do seu percurso profissional, seria já depois de “penduradas as chuteiras” que a sua vida tomaria um rumo indesejado. Numa altura em que já era comentador de televisão, o vício das drogas levá-lo-ia a uma situação financeiramente desesperante. Num contexto em que a sua saúde não era muito abonatória e que a pobreza já acenava de perto, eis que o antigo futebolista decide que era tempo de procurar uma cura. Recuperado da adição, voltaria aos programas desportivos e, paralelamente, lançaria um livro biográfico onde contaria todas as peripécias da sua passagem pelos relvados, como os momentos menos bons na sua existência pessoal.
*retirado do artigo em “Bleed Orange” – http://dutchsoccersite.org/ – , a 2 Fevereiro de 2016
701 - RAFAEL CORREIA
Cerca de década e meia sempre ao serviço do Belenenses, seria razão mais do que suficiente para fazer de Rafael – maneira como era identificado na altura em que jogava – uma das principais personagens nas histórias do clube. No entanto, e muito mais do que um atleta com uma extensa ligação ao emblema lisboeta, o extremo esquerdo seria parte activa naquelas que foram as maiores glórias conseguidas pelo futebol da “Cruz de Cristo”.
Pode dizer-se dele que, durante as maiores conquistas do clube, teve a sorte de fazer parte da equipa do Belenenses. Pode também dizer-se o contrário e afirmar-se que as maiores vitórias na vida do emblema foram devidas à presença de futebolistas como Rafael Correia. Mas que interessa saber qual a equação mais correcta? Todos sabemos que numa soma, independentemente da ordem em que apresentemos as parcelas, o resultado toma sempre a mesma forma! Ora, nesta comutatividade, resta dizer-se então, que o antigo atleta conta na sua passagem pelas Salésias, com 2 Campeonatos de Lisboa, 1 Taça de Portugal e 1 Campeonato Nacional.
Mas se dos outros troféus o museu do Belenenses conta com mais alguns exemplares, já a conquista do Campeonato Nacional de 1945/46 afigura-se, até à data, como um acontecimento sem par. Nele, Rafael Correia, e um golo em particular, teriam um papel crucial. Corria o minuto 77 do jogo disputado frente ao SL e Elvas e, na cidade alentejana, o 1-1 do marcador deixava os de Belém fora do topo da tabela. É então que Vasco Oliveira, defesa com crer ofensivo, decide tomar conta da bola. Com ela na sua posse, avança pelo terreno fora e passa a Artur Quaresma. Já na área contrária, este último pontapeia o esférico. O remate, afortunadamente, encontraria, no desenho da sua trajectória, Rafael. Este, desviando-o, transforma o esquiço feito pelos colegas numa obra de arte. A bola entra nas redes adversárias e o 1-2 dessa última jornada, permitira os festejos “Azuis”.
Tendo que nisto do futebol, nem sempre um jogador tem um único amor, também a camisola das “quinas” haveria de marcar o coração de Rafael Correia. Por Portugal, na sua categoria principal, o avançado jogaria por 6 vezes. Contudo, essa meia dúzia de internacionalizações, iniciada em Novembro de 1938, nunca confundiria o atleta. A importância de ter representado o seu país, sem qualquer tipo de menosprezo, seria sempre esmagada pela ligação ao seu emblema – “Eu, no Belenenses, joguei sempre por gosto. Noutro clube, estou certo que depressa me aborrecia de um futebol jogado por obrigação e, então, teria de abandonar a actividade, porque não era do meu feitio saltitar de clube para clube”*.
Pode dizer-se dele que, durante as maiores conquistas do clube, teve a sorte de fazer parte da equipa do Belenenses. Pode também dizer-se o contrário e afirmar-se que as maiores vitórias na vida do emblema foram devidas à presença de futebolistas como Rafael Correia. Mas que interessa saber qual a equação mais correcta? Todos sabemos que numa soma, independentemente da ordem em que apresentemos as parcelas, o resultado toma sempre a mesma forma! Ora, nesta comutatividade, resta dizer-se então, que o antigo atleta conta na sua passagem pelas Salésias, com 2 Campeonatos de Lisboa, 1 Taça de Portugal e 1 Campeonato Nacional.
Mas se dos outros troféus o museu do Belenenses conta com mais alguns exemplares, já a conquista do Campeonato Nacional de 1945/46 afigura-se, até à data, como um acontecimento sem par. Nele, Rafael Correia, e um golo em particular, teriam um papel crucial. Corria o minuto 77 do jogo disputado frente ao SL e Elvas e, na cidade alentejana, o 1-1 do marcador deixava os de Belém fora do topo da tabela. É então que Vasco Oliveira, defesa com crer ofensivo, decide tomar conta da bola. Com ela na sua posse, avança pelo terreno fora e passa a Artur Quaresma. Já na área contrária, este último pontapeia o esférico. O remate, afortunadamente, encontraria, no desenho da sua trajectória, Rafael. Este, desviando-o, transforma o esquiço feito pelos colegas numa obra de arte. A bola entra nas redes adversárias e o 1-2 dessa última jornada, permitira os festejos “Azuis”.
Tendo que nisto do futebol, nem sempre um jogador tem um único amor, também a camisola das “quinas” haveria de marcar o coração de Rafael Correia. Por Portugal, na sua categoria principal, o avançado jogaria por 6 vezes. Contudo, essa meia dúzia de internacionalizações, iniciada em Novembro de 1938, nunca confundiria o atleta. A importância de ter representado o seu país, sem qualquer tipo de menosprezo, seria sempre esmagada pela ligação ao seu emblema – “Eu, no Belenenses, joguei sempre por gosto. Noutro clube, estou certo que depressa me aborrecia de um futebol jogado por obrigação e, então, teria de abandonar a actividade, porque não era do meu feitio saltitar de clube para clube”*.
*retirado do blog “belenensesilustrado.blogspot.com”, publicado a 26 de Março de 2016
692- JOÃO DOS SANTOS
Na temporada de 1923/24, aquando do primeiro triunfo no “regional alfacinha”, já João dos Santos era um dos mais afamados futebolistas “Sadinos”. Interior-esquerdo, o jogador do Vitória de Setúbal sobressaía por ter uma técnica aprimorada e bem acima do que, para a época, era normal. O controlo da bola e a maneira como conseguia construir as jogadas, eram as suas melhores virtudes. Essas suas características, por altura de uma digressão realizada em Espanha, haveriam de merecer o louvor da imprensa local. João dos Santos, para surpresa de “nuestros hermanos”, seria eleito como um dos melhores atletas da comitiva setubalense e acabaria como o grande destaque dos periódicos desportivos – “João dos Santos e Casaca conduziram três ou quatro avançadas que foram um primor de execução. A bola em suave zig-zag ia de um para o outro, sem que ao fazer a passagem perdessem a elegância das suas figuras”*.
Dois anos passados sobre o primeiro brilharete e o Vitória de Setúbal consegue novo triunfo no Campeonato de Lisboa. Para João dos Santos, um dos pilares de tão importante conquista, a época de 1925/26, também no plano pessoal, haveria de ser de consagração. O merecido reconhecimento chegaria com a primeira chamada à selecção nacional. O particular contra a antiga Checoslováquia, onde também faria a estreia o seu colega Armando Martins, muito mais do que o primeiro jogo com a “Camisola das Quinas”, introduziria o atacante no grupo que acabaria por estar presente nos Jogos Olímpicos de Amesterdão.
Todavia, João dos Santos não era apenas um bom atleta. Era, igualmente, um modelo de integridade e cavalheirismo. Como bom exemplo, a rondar os 20 anos de idade, já envergava a braçadeira de capitão do clube para, alguns anos mais tarde, também de ostentar a da selecção nacional. Depois, e já após ter-se retirado dos campos, seria nomeado para treinar a equipa principal do Vitória de Setúbal. Ora, é por todas essas razões que o antigo internacional português é apontado com um dos grandes símbolos da história do clube. Se mais provas fossem necessárias, então a inauguração do Estádio do Bonfim poria um fim a qualquer dúvida mesquinha. É que, a 16 de Setembro de 1962 haveria de ser ele o chamado para, nas festas de abertura do recém-construído recinto, ter a honra de transportar o estandarte do clube.
Dois anos passados sobre o primeiro brilharete e o Vitória de Setúbal consegue novo triunfo no Campeonato de Lisboa. Para João dos Santos, um dos pilares de tão importante conquista, a época de 1925/26, também no plano pessoal, haveria de ser de consagração. O merecido reconhecimento chegaria com a primeira chamada à selecção nacional. O particular contra a antiga Checoslováquia, onde também faria a estreia o seu colega Armando Martins, muito mais do que o primeiro jogo com a “Camisola das Quinas”, introduziria o atacante no grupo que acabaria por estar presente nos Jogos Olímpicos de Amesterdão.
Todavia, João dos Santos não era apenas um bom atleta. Era, igualmente, um modelo de integridade e cavalheirismo. Como bom exemplo, a rondar os 20 anos de idade, já envergava a braçadeira de capitão do clube para, alguns anos mais tarde, também de ostentar a da selecção nacional. Depois, e já após ter-se retirado dos campos, seria nomeado para treinar a equipa principal do Vitória de Setúbal. Ora, é por todas essas razões que o antigo internacional português é apontado com um dos grandes símbolos da história do clube. Se mais provas fossem necessárias, então a inauguração do Estádio do Bonfim poria um fim a qualquer dúvida mesquinha. É que, a 16 de Setembro de 1962 haveria de ser ele o chamado para, nas festas de abertura do recém-construído recinto, ter a honra de transportar o estandarte do clube.
*retirado de http://viiiexercito.com/, citando o “El Mundo Desportivo”
688 - CIPRIANO SANTOS
Tendo entrado para as categorias inferiores do Sporting perto de atingir a maioridade, Cipriano Santos rapidamente começaria a demonstrar características que o destacariam dos demais. Sendo considerado um dos primeiros guarda-redes que, em Portugal, mostraria verdadeiras aptidões para a defesa da baliza, o jovem atleta saltaria directamente da 4º categoria e, sem passar por qualquer um dos restantes patamares, passaria para a equipa principal.
Coincidência, ou não, com a promoção do jovem atleta, o Sporting daria início a um ciclo de vitórias que, logo na sua temporada de estreia, culminaria com a vitória do clube tanto no Campeonato de Lisboa, como no Campeonato de Portugal. Essa época de 1922/23, num grupo onde pontuavam atletas como o mítico Francisco Stromp, seria o ponto de partida para uma carreira que elevaria Cipriano Santos a um dos grandes ídolos dos “verde e branco”.
Não conseguindo mais nenhum título nacional, mas acrescentando ao seu currículo mais 3 “regionais alfacinha”, também pela selecção nacional Cipriano Santos deixaria a sua marca. Numa altura em que o “rei e senhor” das redes portuguesas era o casapiano António Roquete, o guardião leonino era o segundo nas contas da equipa nacional. Ainda assim, o atleta natural de Almada, por duas vezes, conseguiria furar a hegemonia do seu colega. Tendo a sua estreia acontecido num particular frente à antiga Checoslováquia, a segunda dessas internacionalizações chegaria uns meses antes da presença de Portugal nos Jogos Olímpicos de 1928.
Na cidade holandesa de Amesterdão, Cipriano Santos, ao lado dos seus colegas de equipa Jorge Vieira e José Manuel Martins, acabaria por não participar em qualquer uma das partidas que levariam a “Equipa das Quinas” a atingir os quartos-de-final da competição. Mesmo sem conseguir qualquer presença em campo, nessas que seriam as primeiras Olimpíadas para o futebol do nosso país, nada na sua reputação sairia beliscado.
No que restaria da sua carreira, o guarda-redes dos “Leões”, manter-se-ia no topo do futebol português. Para além da consideração que conseguiria entre adversários e tantos outros amantes da modalidade, seria entre os associados sportinguistas que lograria os maiores louvores. Ora, já depois de deixar o clube e de, após representar Académica de Coimbra e Boavista, ter posto um ponto final na sua carreira de desportista, os préstimos do antigo guardião continuariam a ser reconhecidos no seu antigo clube. A prova de toda essa gratidão, passados alguns anos, viria aquando das bodas de ouro do clube, com a agraciação pela Medalha de Mérito e Dedicação.
Coincidência, ou não, com a promoção do jovem atleta, o Sporting daria início a um ciclo de vitórias que, logo na sua temporada de estreia, culminaria com a vitória do clube tanto no Campeonato de Lisboa, como no Campeonato de Portugal. Essa época de 1922/23, num grupo onde pontuavam atletas como o mítico Francisco Stromp, seria o ponto de partida para uma carreira que elevaria Cipriano Santos a um dos grandes ídolos dos “verde e branco”.
Não conseguindo mais nenhum título nacional, mas acrescentando ao seu currículo mais 3 “regionais alfacinha”, também pela selecção nacional Cipriano Santos deixaria a sua marca. Numa altura em que o “rei e senhor” das redes portuguesas era o casapiano António Roquete, o guardião leonino era o segundo nas contas da equipa nacional. Ainda assim, o atleta natural de Almada, por duas vezes, conseguiria furar a hegemonia do seu colega. Tendo a sua estreia acontecido num particular frente à antiga Checoslováquia, a segunda dessas internacionalizações chegaria uns meses antes da presença de Portugal nos Jogos Olímpicos de 1928.
Na cidade holandesa de Amesterdão, Cipriano Santos, ao lado dos seus colegas de equipa Jorge Vieira e José Manuel Martins, acabaria por não participar em qualquer uma das partidas que levariam a “Equipa das Quinas” a atingir os quartos-de-final da competição. Mesmo sem conseguir qualquer presença em campo, nessas que seriam as primeiras Olimpíadas para o futebol do nosso país, nada na sua reputação sairia beliscado.
No que restaria da sua carreira, o guarda-redes dos “Leões”, manter-se-ia no topo do futebol português. Para além da consideração que conseguiria entre adversários e tantos outros amantes da modalidade, seria entre os associados sportinguistas que lograria os maiores louvores. Ora, já depois de deixar o clube e de, após representar Académica de Coimbra e Boavista, ter posto um ponto final na sua carreira de desportista, os préstimos do antigo guardião continuariam a ser reconhecidos no seu antigo clube. A prova de toda essa gratidão, passados alguns anos, viria aquando das bodas de ouro do clube, com a agraciação pela Medalha de Mérito e Dedicação.
666 - VÍTOR GONÇALVES
Apesar da distância centenária que nos separa dos anos em que Vítor Gonçalves conheceu o seu apogeu, há que relembrar a importância deste antigo internacional.
Ora, como atleta, Vítor Gonçalves haveria de ingressar, corria a temporada de 1914/15, na 4ª categoria do Benfica. Mesmo tendo começado pela base, a verdade é que, rapidamente, o seu nome começou a merecer algum destaque. O realce, granjeado pelas suas capacidades com a bola e reconhecida capacidade de liderança, levá-lo-ia, cerca de um ano após a sua estreia, a envergar a braçadeira de capitão dessa sua primeira equipa.
A evolução que mostraria de “Águia” ao peito, muito mais do que revelar uma voz de comando, haveria de, igualmente, comportar outras curiosidades. Nesse sentido, os acertos feitos à sua posição em campo, fariam com que a sua habilidade se ajustasse melhor ao futebol. Assim, e já depois de ter começado como avançado, o meio-campo passaria a ser o seu novo sector.
É já no “miolo” do terreno que Vítor Gonçalves começa a mostrar aptidões de cariz superior. A promessa de que ali se forjava uma nova “estrela”, haveria de ser confirmada com a promoção à equipa principal. A sua chegada à 1ª categoria, permitir-lhe-ia o convívio com outros grandes nomes do futebol “encarnado”. A jogar ao lado de Ribeiro dos Reis ou Cândido de Oliveira, o centrocampista passaria de um confortável anonimato para as conversas de todos os amantes da modalidade.
A saída de Cândido de Oliveira para fundar o Casa Pia Atlético Clube, entregá-lo-ia, mais uma vez, às funções de capitão. O acréscimo de deveres, isto na época de 1920/21, contribuiriam, e de que maneira, para alimentar a sua já crescente fama. Todavia, não seria só ao serviço do Benfica que Vítor Gonçalves conquistaria adeptos. O início das actividades da selecção nacional, acabariam por sublinhar esse mesmo apreço. Com 2 internacionalizações no seu trajecto, o médio, em Dezembro de 1921, seria chamado à disputa do primeiro jogo da equipa portuguesa. Este momento, a juntar ao facto de ter sido, sucedendo mais uma vez a Cândido de Oliveira, o segundo capitão com as cores de Portugal, gravaria o seu nome nas memórias do desporto luso.
Curioso é também constatar que, apesar de reconhecido como um grande praticante, o seu palmarés enquanto jogador haveria de ficar um pouco aquém do seu mérito. Com as competições de cariz nacional a resumirem-se ao Campeonato de Portugal, as provas regionais assumiam um papel de maior importância. Mesmo assim, o Benfica, por essa altura, andava um pouco arredado das vitórias. Esse facto faz com que o seu currículo seja colorido apenas por 1 Campeonato de Lisboa (1919/20) e 2 Taças de Honra (1919/20; 1921/22).
Já como técnico, e no que a vitórias diz respeito, a história é diferente. Com carreira feita ao serviço do Benfica, a Vítor Gonçalves deve-se uma das maiores proezas do futebol “encarnado”. Tendo dado início à sua actividade por convite do seu antigo colega Ribeiro dos Reis, à altura o responsável máximo do futebol benfiquista, o técnico estrear-se-ia na temporada de 1934/35. Contudo, esta aposta não correria de feição, pois tanto no Campeonato da 1ª Liga (1ª edição), como no “regional alfacinha”, o Benfica claudicaria perante adversários mais poderosos.
Estes desaires fariam com a direcção do clube pedisse a Ribeiro dos Reis para assumir o leme da equipa no Campeonato de Portugal (o Benfica venceria essa edição), afastando, por essa razão, Vítor Gonçalves. Ainda assim, e apesar do tropeção inicial, para a época seguinte o seu nome volta a ser o eleito para ocupar a cadeira de treinador. A insistência, ou confiança nas suas capacidades, acabariam por trazer os seus frutos. O Benfica venceria o Campeonato da 1ª Liga (1935/36) e Vítor Gonçalves tornar-se-ia no primeiro treinador a consegui-lo.
Em jeito de resumo, pode dizer-se, pelos diferentes papéis que desempenhou na história do futebol – atleta internacional, treinador e dirigente –, que Vítor Gonçalves foi uma figura de proa e, de certa forma, um pioneiro no desporto nacional. Agora, o que nem todos sabem é o que, de igual forma, também ele haveria de ter um papel de grande importância na história de Portugal. É que Vítor Gonçalves é pai de Vasco Gonçalves, “militar de Abril” e Primeiro Ministro nos Governos que se seguiriam à “Revolução dos Cravos”.
Ora, como atleta, Vítor Gonçalves haveria de ingressar, corria a temporada de 1914/15, na 4ª categoria do Benfica. Mesmo tendo começado pela base, a verdade é que, rapidamente, o seu nome começou a merecer algum destaque. O realce, granjeado pelas suas capacidades com a bola e reconhecida capacidade de liderança, levá-lo-ia, cerca de um ano após a sua estreia, a envergar a braçadeira de capitão dessa sua primeira equipa.
A evolução que mostraria de “Águia” ao peito, muito mais do que revelar uma voz de comando, haveria de, igualmente, comportar outras curiosidades. Nesse sentido, os acertos feitos à sua posição em campo, fariam com que a sua habilidade se ajustasse melhor ao futebol. Assim, e já depois de ter começado como avançado, o meio-campo passaria a ser o seu novo sector.
É já no “miolo” do terreno que Vítor Gonçalves começa a mostrar aptidões de cariz superior. A promessa de que ali se forjava uma nova “estrela”, haveria de ser confirmada com a promoção à equipa principal. A sua chegada à 1ª categoria, permitir-lhe-ia o convívio com outros grandes nomes do futebol “encarnado”. A jogar ao lado de Ribeiro dos Reis ou Cândido de Oliveira, o centrocampista passaria de um confortável anonimato para as conversas de todos os amantes da modalidade.
A saída de Cândido de Oliveira para fundar o Casa Pia Atlético Clube, entregá-lo-ia, mais uma vez, às funções de capitão. O acréscimo de deveres, isto na época de 1920/21, contribuiriam, e de que maneira, para alimentar a sua já crescente fama. Todavia, não seria só ao serviço do Benfica que Vítor Gonçalves conquistaria adeptos. O início das actividades da selecção nacional, acabariam por sublinhar esse mesmo apreço. Com 2 internacionalizações no seu trajecto, o médio, em Dezembro de 1921, seria chamado à disputa do primeiro jogo da equipa portuguesa. Este momento, a juntar ao facto de ter sido, sucedendo mais uma vez a Cândido de Oliveira, o segundo capitão com as cores de Portugal, gravaria o seu nome nas memórias do desporto luso.
Curioso é também constatar que, apesar de reconhecido como um grande praticante, o seu palmarés enquanto jogador haveria de ficar um pouco aquém do seu mérito. Com as competições de cariz nacional a resumirem-se ao Campeonato de Portugal, as provas regionais assumiam um papel de maior importância. Mesmo assim, o Benfica, por essa altura, andava um pouco arredado das vitórias. Esse facto faz com que o seu currículo seja colorido apenas por 1 Campeonato de Lisboa (1919/20) e 2 Taças de Honra (1919/20; 1921/22).
Já como técnico, e no que a vitórias diz respeito, a história é diferente. Com carreira feita ao serviço do Benfica, a Vítor Gonçalves deve-se uma das maiores proezas do futebol “encarnado”. Tendo dado início à sua actividade por convite do seu antigo colega Ribeiro dos Reis, à altura o responsável máximo do futebol benfiquista, o técnico estrear-se-ia na temporada de 1934/35. Contudo, esta aposta não correria de feição, pois tanto no Campeonato da 1ª Liga (1ª edição), como no “regional alfacinha”, o Benfica claudicaria perante adversários mais poderosos.
Estes desaires fariam com a direcção do clube pedisse a Ribeiro dos Reis para assumir o leme da equipa no Campeonato de Portugal (o Benfica venceria essa edição), afastando, por essa razão, Vítor Gonçalves. Ainda assim, e apesar do tropeção inicial, para a época seguinte o seu nome volta a ser o eleito para ocupar a cadeira de treinador. A insistência, ou confiança nas suas capacidades, acabariam por trazer os seus frutos. O Benfica venceria o Campeonato da 1ª Liga (1935/36) e Vítor Gonçalves tornar-se-ia no primeiro treinador a consegui-lo.
Em jeito de resumo, pode dizer-se, pelos diferentes papéis que desempenhou na história do futebol – atleta internacional, treinador e dirigente –, que Vítor Gonçalves foi uma figura de proa e, de certa forma, um pioneiro no desporto nacional. Agora, o que nem todos sabem é o que, de igual forma, também ele haveria de ter um papel de grande importância na história de Portugal. É que Vítor Gonçalves é pai de Vasco Gonçalves, “militar de Abril” e Primeiro Ministro nos Governos que se seguiriam à “Revolução dos Cravos”.
625 - GULLIT
É no final dos anos 70, que Ruud Gullit, como profissional, conhece o seu primeiro clube. Essa temporada de estreia no Haarlem, ainda que no principal escalão holandês, acabaria por ditar a despromoção da equipa. O passo atrás, muito mais do que prejudicial, permitiria ao grupo reorganizar-se. Dessa restruturação, como grande dinamizador, emergiria Gullit.
O regresso do Haarlem à “Eredivisie” tornar-se-ia numa grande surpresa. A pequena colectividade, muito para além de lutar pela manutenção, haveria de conseguir, nessa temporada de 1981/82, a qualificação para as competições europeias. Gullit, como o grande mestre da equipa, passaria a ser um dos atletas mais apetecíveis na Holanda.
Rápido, forte e com uma habilidade espantosa para o golo, o seu nome começou a ser cogitado noutros patamares. Ora, quem aproveitaria para as suas fileiras, acabaria por ser o Feyenoord. A mudança para um dos maiores clubes do país, daria os primeiros títulos à sua carreira. A “dobradinha” na época de 1983/84, acabaria por ser o ponto mais alto dessa sua passagem. No entanto, aquilo que mais se destacava era a sua evolução. Para ela, muito contribuiriam o convívio com grandes nomes do futebol, casos de Ivan Nielsen e, claro, Johan Cruijff.
Se o Feyenoord é um nome grande na Holanda, o PSV, em meados dos anos 80, preparava-se para atingir o topo da Europa. É nesse sentido que a contratação de Gullit acontece. Duas temporadas no emblema de Eindhoven, corresponderiam a mais 2 Campeonatos ganhos pelo médio ofensivo. Todavia, o grande prémio para o jogador acabaria por ser uma nova transferência.
Já com Sílvio Berlusconi como o “patrão” do Milan, a construção de uma equipa que arrasasse tanto em Itália, como pela Europa fora, era um grande desejo. Num plantel que contava com Baresi, Costacurta, Maldini, Ancelotti, Donadoni e Evani, nada melhor, só para completar o ramalhete, que a inclusão de Marco van Basten e Ruud Gullit. O conjunto, logo no ano de estreia dos dois holandeses (1987/88), venceria a “Serie A”. A caminhada, contudo, ainda não tinha atingido o topo idealizado por Berlusconi… pelo meio, o renascer da “Laranja Mecânica”.
Adiantando-se ao clube, na senda dos grandes sucessos, Gullit venceria o “Ballon d’Or” de 1987. O galardão seria dedicado a Nelson Mandela e à sua luta. Anos mais trade, o líder anti-apartheid, durante um encontro entre ambos, agradecer-lhe-ia o gesto, dizendo-lhe – “Agora muitos asseguram ser meus amigos, mas, naqueles anos, tinha muito poucos. Tu eras um dos meus soldados”*.
No ano seguinte ao do prémio da “France Football”, Gullit disputaria a 8ª edição do Europeu de selecções. O referido torneio, testemunharia o renascer de uma ideia antiga. A Holanda, mais uma vez recheada de craques, apresentava-se na Alemanha. Esse novo grupo, também ele orientado por Rinus Michels, acabaria por vingar a selecção de 1974. Numa campanha que até começaria com uma derrota frente à União Soviética, os holandeses chegariam à final. No Estádio Olímpico de Munique, ao contrário do que Cruijff, Neeskens e “companhia” tinham conseguido, esta nova “Laranja Mecânica” sairia vencedora. Depois de, nas meias-finais, afastarem a Alemanha Federal, os golos de Gullit e Marco van Basten derrotariam a U.R.S.S., abrindo caminho à conquista do troféu.
O regresso a Itália marcaria o início de um período áureo, na relação de Gullit com o Milan. Já com Frank Rijkaard nas fileiras, ele que haveria de se transferir do Sporting, os “Rossonero” conquistariam a Europa. A primeira vítima seria o Steaua de Bucareste, para, passado um ano, arrasarem com o Benfica. Destas duas finais, em 1989 e 1990, sairiam as duas Taças dos Campeões Europeus que constam na carreira de Gullit. A estas podemos ainda juntar 2 Taças Intercontinentais, 2 Supertaças Europeias e ainda, incluindo o que acima já foi referido, 3 “Scudettos”.
Apesar do papel de Gullit nesta caminhada gloriosa, a verdade é que o internacional holandês, nos derradeiros anos de Milan, haveria de perder alguma preponderância. Já sem o peso de outrora, a regularidade com era chamado à equipa, baixaria muito. Acabaria por não ser chamado à final da Taça dos Campeões Europeus de 1993 (vitória do Marseille), e, no final dessa temporada, seria emprestado à Sampdoria.
A fase final da sua carreira passá-la-ia em Inglaterra. Primeiro como jogador, e, depois, acumulando essas funções com as de treinador, Gullit defenderia as cores do Chelsea. A vitória na FA Cup (1996/97), seria o momento alto dessa sua passagem por Stamdford Bridge. Curiosa, seria também a análise que, alguns anos depois, faria desses seus últimos anos – “Quando fui do Milan para a Sampdoria e de seguida para o Chelsea, disfrutei muito mais do futebol, diverti-me mais, tive mais liberdade, expressei-me muito melhor no campo. Por sua vez, nunca mais ganhei como no Milan. Ganhei partidas, ganhei em diversão, mas nunca voltei a ganhar ao mais alto nível”*.
*retirado da entrevista conduzida por Martín Mazur, em “El Gráfico” (Maio de 2010)
O regresso do Haarlem à “Eredivisie” tornar-se-ia numa grande surpresa. A pequena colectividade, muito para além de lutar pela manutenção, haveria de conseguir, nessa temporada de 1981/82, a qualificação para as competições europeias. Gullit, como o grande mestre da equipa, passaria a ser um dos atletas mais apetecíveis na Holanda.
Rápido, forte e com uma habilidade espantosa para o golo, o seu nome começou a ser cogitado noutros patamares. Ora, quem aproveitaria para as suas fileiras, acabaria por ser o Feyenoord. A mudança para um dos maiores clubes do país, daria os primeiros títulos à sua carreira. A “dobradinha” na época de 1983/84, acabaria por ser o ponto mais alto dessa sua passagem. No entanto, aquilo que mais se destacava era a sua evolução. Para ela, muito contribuiriam o convívio com grandes nomes do futebol, casos de Ivan Nielsen e, claro, Johan Cruijff.
Se o Feyenoord é um nome grande na Holanda, o PSV, em meados dos anos 80, preparava-se para atingir o topo da Europa. É nesse sentido que a contratação de Gullit acontece. Duas temporadas no emblema de Eindhoven, corresponderiam a mais 2 Campeonatos ganhos pelo médio ofensivo. Todavia, o grande prémio para o jogador acabaria por ser uma nova transferência.
Já com Sílvio Berlusconi como o “patrão” do Milan, a construção de uma equipa que arrasasse tanto em Itália, como pela Europa fora, era um grande desejo. Num plantel que contava com Baresi, Costacurta, Maldini, Ancelotti, Donadoni e Evani, nada melhor, só para completar o ramalhete, que a inclusão de Marco van Basten e Ruud Gullit. O conjunto, logo no ano de estreia dos dois holandeses (1987/88), venceria a “Serie A”. A caminhada, contudo, ainda não tinha atingido o topo idealizado por Berlusconi… pelo meio, o renascer da “Laranja Mecânica”.
Adiantando-se ao clube, na senda dos grandes sucessos, Gullit venceria o “Ballon d’Or” de 1987. O galardão seria dedicado a Nelson Mandela e à sua luta. Anos mais trade, o líder anti-apartheid, durante um encontro entre ambos, agradecer-lhe-ia o gesto, dizendo-lhe – “Agora muitos asseguram ser meus amigos, mas, naqueles anos, tinha muito poucos. Tu eras um dos meus soldados”*.
No ano seguinte ao do prémio da “France Football”, Gullit disputaria a 8ª edição do Europeu de selecções. O referido torneio, testemunharia o renascer de uma ideia antiga. A Holanda, mais uma vez recheada de craques, apresentava-se na Alemanha. Esse novo grupo, também ele orientado por Rinus Michels, acabaria por vingar a selecção de 1974. Numa campanha que até começaria com uma derrota frente à União Soviética, os holandeses chegariam à final. No Estádio Olímpico de Munique, ao contrário do que Cruijff, Neeskens e “companhia” tinham conseguido, esta nova “Laranja Mecânica” sairia vencedora. Depois de, nas meias-finais, afastarem a Alemanha Federal, os golos de Gullit e Marco van Basten derrotariam a U.R.S.S., abrindo caminho à conquista do troféu.
O regresso a Itália marcaria o início de um período áureo, na relação de Gullit com o Milan. Já com Frank Rijkaard nas fileiras, ele que haveria de se transferir do Sporting, os “Rossonero” conquistariam a Europa. A primeira vítima seria o Steaua de Bucareste, para, passado um ano, arrasarem com o Benfica. Destas duas finais, em 1989 e 1990, sairiam as duas Taças dos Campeões Europeus que constam na carreira de Gullit. A estas podemos ainda juntar 2 Taças Intercontinentais, 2 Supertaças Europeias e ainda, incluindo o que acima já foi referido, 3 “Scudettos”.
Apesar do papel de Gullit nesta caminhada gloriosa, a verdade é que o internacional holandês, nos derradeiros anos de Milan, haveria de perder alguma preponderância. Já sem o peso de outrora, a regularidade com era chamado à equipa, baixaria muito. Acabaria por não ser chamado à final da Taça dos Campeões Europeus de 1993 (vitória do Marseille), e, no final dessa temporada, seria emprestado à Sampdoria.
A fase final da sua carreira passá-la-ia em Inglaterra. Primeiro como jogador, e, depois, acumulando essas funções com as de treinador, Gullit defenderia as cores do Chelsea. A vitória na FA Cup (1996/97), seria o momento alto dessa sua passagem por Stamdford Bridge. Curiosa, seria também a análise que, alguns anos depois, faria desses seus últimos anos – “Quando fui do Milan para a Sampdoria e de seguida para o Chelsea, disfrutei muito mais do futebol, diverti-me mais, tive mais liberdade, expressei-me muito melhor no campo. Por sua vez, nunca mais ganhei como no Milan. Ganhei partidas, ganhei em diversão, mas nunca voltei a ganhar ao mais alto nível”*.
*retirado da entrevista conduzida por Martín Mazur, em “El Gráfico” (Maio de 2010)
587 - PÉRIDES
Numa equipa que acabaria por conquistar o Campeonato Nacional de Juniores, era dele um dos nomes de maior destaque. Foi deste modo, com a importância de uma jovem promessa, que Pérides acabaria por chegar à primeira categoria da Académica de Coimbra. Na "Cidade dos Estudantes", seriam necessárias apenas duas temporadas para que a sua contratação começasse a preencher a agenda dos denominados "grandes" do futebol português!!!
Nesta senda, quem com mais firmeza insistiu no seu concurso, acabaria por ser o Sporting. Já em Alvalade, as exibições do médio interior, logo quase à sua chegada, haveriam de o pôr na primeira fila dos planos tácticos "leoninos". Contudo, e apesar de uma época (1956/57) de estreia bem sucedida, a chegada de um novo treinador como que alteraria o seu estatuto no seio do plantel.
Ora, com Enrique Fernandez à frente da equipa técnica, Pérides poucas vezes viu a folha de jogo preenchida com o seu nome. Foi assim nas duas épocas do treinador uruguaio em Lisboa e continuaria a sê-lo já com Fernando Vaz a liderar os destinos dos "Verde e Branco". Esta situação só terminaria já depois de um empréstimo do atleta ao Sporting da Covilhã. A dita cedência, acabaria por relembrar aos adeptos da modalidade, assim como aos responsáveis do Sporting, que a habilidade do jogador não se tinha perdido por um qualquer infortúnio. A boa temporada (1960/61) nos "Leões da Serra", fez com que o regresso ao Estádio de Alvalade se revestisse, tanto para o futebolista, como para os demais, de boas expectativas.
Essa esperança acabaria por ser confirmada com Pérides, mais uma vez, a assumir um papel de relevo no meio-campo do Sporting. Tanto assim foi que, por altura da inesquecível campanha europeia de 1963/64, Pérides, que já contava com 2 presenças na Selecção Nacional, era um dos indiscutíveis na manobra sportinguista. Na Taça dos Vencedores das Taças, o centrocampista seria escalonado para o derradeiro encontro (finalíssima) da competição. Conta-se que nessa partida terá vivido um dos episódios mais caricatos da sua carreira. Depois de, a medo, ter disputado um lance com um adversário, e depois de essa sua atitude ter resultado num lance de grande perigo para a sua equipa, Carvalho acerca-se dele. O guardião, percebendo do nervosismo do colega, e, por certo, irritado com a situação, faz o impensável. Prega um par de estalos em Pérides que, assim, seria devolvido à calma e a uma boa exibição.
Seria na temporada seguinte ao triunfo sobre o MTK de Budapeste, que a ligação de Pérides com o Sporting conhece o seu fim. Já desvinculado do seu antigo emblema, o médio decide mudar-se para bem perto. Quem acolheu o jogador foi o Benfica. De braços abertos estavam agora as "Águias" que, deste modo, passavam a contar nas suas fileiras com mais um internacional. De "Encarnado" jogaria duas épocas. O suficiente para conquistar, juntando aos dois que trazia do Sporting (1957/58; 1961/62), mais um título de Campeão Nacional (1964/65).
A Sanjoanense marcaria o fim de uma carreira que, durante 13 anos, apenas conheceu um escalão. Com os naturais altos e baixos de um qualquer percurso, a Pérides pode apontar-se, em algumas fases da sua vida profissional, alguma inconstância. Ainda assim o antigo jogador pode orgulhar-se de ter vestido a "Camisola das Quinas" e de nunca ter jogado para além da 1ª Divisão!
Nesta senda, quem com mais firmeza insistiu no seu concurso, acabaria por ser o Sporting. Já em Alvalade, as exibições do médio interior, logo quase à sua chegada, haveriam de o pôr na primeira fila dos planos tácticos "leoninos". Contudo, e apesar de uma época (1956/57) de estreia bem sucedida, a chegada de um novo treinador como que alteraria o seu estatuto no seio do plantel.
Ora, com Enrique Fernandez à frente da equipa técnica, Pérides poucas vezes viu a folha de jogo preenchida com o seu nome. Foi assim nas duas épocas do treinador uruguaio em Lisboa e continuaria a sê-lo já com Fernando Vaz a liderar os destinos dos "Verde e Branco". Esta situação só terminaria já depois de um empréstimo do atleta ao Sporting da Covilhã. A dita cedência, acabaria por relembrar aos adeptos da modalidade, assim como aos responsáveis do Sporting, que a habilidade do jogador não se tinha perdido por um qualquer infortúnio. A boa temporada (1960/61) nos "Leões da Serra", fez com que o regresso ao Estádio de Alvalade se revestisse, tanto para o futebolista, como para os demais, de boas expectativas.
Essa esperança acabaria por ser confirmada com Pérides, mais uma vez, a assumir um papel de relevo no meio-campo do Sporting. Tanto assim foi que, por altura da inesquecível campanha europeia de 1963/64, Pérides, que já contava com 2 presenças na Selecção Nacional, era um dos indiscutíveis na manobra sportinguista. Na Taça dos Vencedores das Taças, o centrocampista seria escalonado para o derradeiro encontro (finalíssima) da competição. Conta-se que nessa partida terá vivido um dos episódios mais caricatos da sua carreira. Depois de, a medo, ter disputado um lance com um adversário, e depois de essa sua atitude ter resultado num lance de grande perigo para a sua equipa, Carvalho acerca-se dele. O guardião, percebendo do nervosismo do colega, e, por certo, irritado com a situação, faz o impensável. Prega um par de estalos em Pérides que, assim, seria devolvido à calma e a uma boa exibição.
Seria na temporada seguinte ao triunfo sobre o MTK de Budapeste, que a ligação de Pérides com o Sporting conhece o seu fim. Já desvinculado do seu antigo emblema, o médio decide mudar-se para bem perto. Quem acolheu o jogador foi o Benfica. De braços abertos estavam agora as "Águias" que, deste modo, passavam a contar nas suas fileiras com mais um internacional. De "Encarnado" jogaria duas épocas. O suficiente para conquistar, juntando aos dois que trazia do Sporting (1957/58; 1961/62), mais um título de Campeão Nacional (1964/65).
A Sanjoanense marcaria o fim de uma carreira que, durante 13 anos, apenas conheceu um escalão. Com os naturais altos e baixos de um qualquer percurso, a Pérides pode apontar-se, em algumas fases da sua vida profissional, alguma inconstância. Ainda assim o antigo jogador pode orgulhar-se de ter vestido a "Camisola das Quinas" e de nunca ter jogado para além da 1ª Divisão!
519 - ARTUR AUGUSTO
Irmão mais novo de Alberto Augusto, assemelhava-se com ele em diversos aspectos do seu futebol. Por um lado, a sua polivalência fazia-o ocupar, desde a defesa ao ataque, diversas posições dentro do terreno de jogo; por outro a qualidade que sempre apresentava nas suas exibições, torná-lo-ia num dos melhores praticantes da sua época.
Ora, Artur Augusto (mais uma vez à imagem do seu irmão) estrear-se-ia na categoria principal do Benfica. Ágil, veloz e dotado de uma técnica muito invulgar para a altura, as suas actuações pelo lado canhoto do ataque "encarnado", depressa o puseram na linha da frente do clube. Na meia dúzia de temporadas que passaria com o plantel das "Águias" (entre 1915/16 e 1920/21), o jovem jogador faria parte de um grupo que, raras excepções, dominaria o futebol "alfacinha". Quatro Campeonatos de Lisboa e uma vitória na Taça de Honra seriam a prova disso mesmo, e constituiriam a primeira parte do palmarés do atleta. E se no que diz respeito ao palmarés há uma primeira parte, então quer dizer que tem de haver uma segunda. Essa seria conseguida a Norte, mais precisamente na cidade do Porto.
Corria o defeso de 1921, quando Artur Augusto, a troco de um substancial aumento no salário, decide mudar de ares. O novo destino levá-lo-ia a vestir as cores do FC Porto, equipa orientada pelo francês Adolphe Cassaigne. Ora, por essa altura, os "Dragões" eram os "donos e senhores" do futebol portuense. As vitórias a nível regional, sucediam-se a um ritmo frenético e maioria das vezes, tal era o poderio da equipa, de forma incontestável. Mas na verdade faltava aos de "Azul e Branco" algo que os confirmasse como uma grande equipa nacional. Esse momento, que acabaria por ser o culminar do trabalho realizado pelo já referido técnico gaulês, haveria de tomar forma com a criação da primeira grande prova em Portugal. É então, nessa temporada de 1921/22 que, ainda que de uma forma embrionária, se realiza o arranque daquilo que ficaria conhecido como o Campeonato de Portugal. Nessa primeira edição, que apenas oporia os Campeões da "Capital" com os da "Invicta", disputar-se-ia entre FC Porto e Sporting. Depois dos dois primeiros encontros, com uma vitória para cada lado da contenda, seria um terceiro desafio que decidiria a atribuição do troféu. Nessa partida, realizada no Parque de Jogos do Boavista, o FC Porto acabaria por dominar. 3-1 seria o resultado final, com Artur Augusto, num remate que encontraria a barra da baliza adversária, a falhar uma grande penalidade.
Pode dizer-se que este título terá sido o capítulo mais importante da sua carreira. Contudo, houve outro momento que o imortalizaria para a história do desporto português. Esse, decorrido na mesma temporada, passar-se-ia num jogo entre Espanha e Portugal. Nesse particular realizado em Madrid, e que marca o primeiro jogo realizado pela "Equipa das Quinas", Artur Augusto seria um dos escolhidos para nos representar. Nada de extraordinário, tendo em conta as suas qualidades futebolísticas. No entanto, há uma pequena curiosidade nesta convocatória… Artur Augusto seria o único jogador que, à altura, não representava um clube de Lisboa.
Depois de mais uma temporada ao serviço dos "Dragões", e durante a qual voltaria a vencer o Campeonato do Porto, Artur Augusto regressa à cidade que o viu nascer. Em Lisboa, desta feita ingressa ao serviço do Carcavelinhos. Contudo, e apesar de ter um futuro brilhante pela frente, uma grave doença haveria de o travar no intuito de prosseguir sua a carreira. Seria mesmo essa dita maleita que, muito antes do tempo devido, o obrigaria a “pendurar as chuteiras”.
Ora, Artur Augusto (mais uma vez à imagem do seu irmão) estrear-se-ia na categoria principal do Benfica. Ágil, veloz e dotado de uma técnica muito invulgar para a altura, as suas actuações pelo lado canhoto do ataque "encarnado", depressa o puseram na linha da frente do clube. Na meia dúzia de temporadas que passaria com o plantel das "Águias" (entre 1915/16 e 1920/21), o jovem jogador faria parte de um grupo que, raras excepções, dominaria o futebol "alfacinha". Quatro Campeonatos de Lisboa e uma vitória na Taça de Honra seriam a prova disso mesmo, e constituiriam a primeira parte do palmarés do atleta. E se no que diz respeito ao palmarés há uma primeira parte, então quer dizer que tem de haver uma segunda. Essa seria conseguida a Norte, mais precisamente na cidade do Porto.
Corria o defeso de 1921, quando Artur Augusto, a troco de um substancial aumento no salário, decide mudar de ares. O novo destino levá-lo-ia a vestir as cores do FC Porto, equipa orientada pelo francês Adolphe Cassaigne. Ora, por essa altura, os "Dragões" eram os "donos e senhores" do futebol portuense. As vitórias a nível regional, sucediam-se a um ritmo frenético e maioria das vezes, tal era o poderio da equipa, de forma incontestável. Mas na verdade faltava aos de "Azul e Branco" algo que os confirmasse como uma grande equipa nacional. Esse momento, que acabaria por ser o culminar do trabalho realizado pelo já referido técnico gaulês, haveria de tomar forma com a criação da primeira grande prova em Portugal. É então, nessa temporada de 1921/22 que, ainda que de uma forma embrionária, se realiza o arranque daquilo que ficaria conhecido como o Campeonato de Portugal. Nessa primeira edição, que apenas oporia os Campeões da "Capital" com os da "Invicta", disputar-se-ia entre FC Porto e Sporting. Depois dos dois primeiros encontros, com uma vitória para cada lado da contenda, seria um terceiro desafio que decidiria a atribuição do troféu. Nessa partida, realizada no Parque de Jogos do Boavista, o FC Porto acabaria por dominar. 3-1 seria o resultado final, com Artur Augusto, num remate que encontraria a barra da baliza adversária, a falhar uma grande penalidade.
Pode dizer-se que este título terá sido o capítulo mais importante da sua carreira. Contudo, houve outro momento que o imortalizaria para a história do desporto português. Esse, decorrido na mesma temporada, passar-se-ia num jogo entre Espanha e Portugal. Nesse particular realizado em Madrid, e que marca o primeiro jogo realizado pela "Equipa das Quinas", Artur Augusto seria um dos escolhidos para nos representar. Nada de extraordinário, tendo em conta as suas qualidades futebolísticas. No entanto, há uma pequena curiosidade nesta convocatória… Artur Augusto seria o único jogador que, à altura, não representava um clube de Lisboa.
Depois de mais uma temporada ao serviço dos "Dragões", e durante a qual voltaria a vencer o Campeonato do Porto, Artur Augusto regressa à cidade que o viu nascer. Em Lisboa, desta feita ingressa ao serviço do Carcavelinhos. Contudo, e apesar de ter um futuro brilhante pela frente, uma grave doença haveria de o travar no intuito de prosseguir sua a carreira. Seria mesmo essa dita maleita que, muito antes do tempo devido, o obrigaria a “pendurar as chuteiras”.
511 - OTTO GLÓRIA
Nem só de jogadores se faz o histórico das "trocas" entre os "grandes" do futebol português. Otto Glória, técnico nascido no Brasil, mas de ascendência portuguesa (tanto o avô paterno como o materno, eram portugueses), haveria de ser o primeiro treinador a comandar Benfica, FC Porto e Sporting. Claro está, sendo um dos nomes incontornáveis no futebol luso e, porque não dizê-lo, do futebol internacional, esta marca não é a única que, numa vida profissional recheada de sucessos, haveria de conseguir alcançar.
Tudo começou quando ainda era novo e dentro das "quatro linhas" de jogo. Tendo representado Vasco da Gama, Botafogo e Olaria, seria com 25 anos que decidiria terminar a sua actividade de futebolista. Surpresa? Talvez! Mas mais surpreendidos ficarão quando vos disser que o jovem Otto tomaria a decisão de "pendurar as chuteiras", para encetar uma carreira no basquetebol!!!
Anos mais tarde, seria também neste desporto que Otto Glória daria os primeiros passos como treinador. Sol de pouca dura, já que Flávio Costa, antigo seleccionador brasileiro e seu amigo pessoal, haveria de o convencer a regressar ao futebol. Começou no "banco" Vasco da Gama (camadas jovens e adjunto), ganhou o título carioca à frente do Botafogo e já depois de ter comandado mais algumas equipas no seu país natal, recebe um convite vindo do outro lado do Atlântico.
Por esta altura, o Benfica estava a dar os primeiros passos no sentido da profissionalização do seu futebol. A procura de um novo timoneiro para a equipa, era o passo inicial para um caminho que se queria cheio de triunfos. Ora, o que o Benfica necessitava era de alguém que, para além de brilhante nos aspectos técnicos e tácticos, conseguisse impor, fora de campo, algumas regras aos atletas. Com fama de duro, de disciplinador e de rigoroso na disposição das suas equipas, Otto Glória perfilava-se como a pessoa exacta para o cargo. É então que, em 1954, o brasileiro aterra em Lisboa. As reformas no clube da "Águia" não tardaram. Foi criado o "Lar do Jogador"; foram impostos estágios com regras duras, onde não havia permissão para, entre outras coisas, jogar às cartas ou usar o calão; e, por exemplo, até o Presidente Joaquim Bogalho seria proibido de entrar nos balneários.
Mas o principal objectivo da sua contratação eram os resultados desportivos. Ora, se era isso que queriam, foi isso que Otto Glória trouxe ao Benfica, onde 2 Campeonatos e 3 Taças de Portugal acabariam por ser o saldo dessa sua primeira passagem pela "Luz".
A seguir veio o Sporting e o Belenenses. E se nos do Restelo, ganharia uma nova Taça de Portugal, já nos "Leões" passaria por um episódio caricato. O começo da segunda temporada em Alvalade, depois de um primeiro ano sem títulos, encher-se-ia de contestações ao seu trabalho. Muitas vozes se levantaram contra si, até que o ridículo aconteceu. No próprio Jornal do Sporting as críticas rosaram o insulto, quando o intitularam de "ultrapassado". Ironicamente, tal desdém seria acompanhado pela vitória dos "Verde e Branco" em pleno Estádio das Antas. Aí, já nem as ovações valeriam de nada aos adeptos leoninos. Otto Glória pediria a demissão e, sem ainda saber que tinha lançado os alicerces da conquista do Campeonato desse ano, seguiria viagem até França.
Os anos que se seguiram, trariam ao destino de Otto Glória um par de endereços novos e diferentes clubes. É já depois deste périplo, com passagens pelo Marseille, Vasco da Gama e FC Porto, que o treinador volta a Alvalade. A época era a de 1965/66 e marcaria o regresso de Otto Glória aos grandes sucessos desportivos. Primeiro conquistaria o título nacional com Sporting, para, no final dessa temporada, conseguir, ao leme dos "Magriços", atingir o 3º lugar no Mundial, disputado em Inglaterra.
A medalha de bronze conseguida pela Selecção Portuguesa e, ao que parece, novo desentendimento em Alvalade, levá-lo-iam até ao Atletico Madrid. Contudo, o fado de Otto Glória estava em Portugal e bastariam dois anos para que este regressasse ao nosso país. O Benfica abrir-lhe-ia novamente as portas e, mais uma vez, tal união traria excelentes resultados.
Foi depois de conseguir, com a conquista de mais dois títulos, ser o treinador com mais Campeonatos ganhos em Portugal e de levar o Benfica à sua 5ª Final da Taça dos Campeões Europeus, que Otto Glória voltaria ao Brasil. Como não deixaria de ser, histórias interessantes não faltaram ao técnico. No entanto há uma que ninguém esquecerá. Na final do Campeonato de São Paulo, tudo estava para ser resolvido nos penalties. Alternavam-se as marcações, com é normal, entre os seus pupilos e os do Santos. Terminado o desempate a Portuguesa, comandada por Otto Glória, é dada como campeã. O engraçado é que, para além do treinador, são poucos os que reparam que o árbitro se havia enganado na contagem dos castigos máximos!!! Então, Otto Glória, reunindo os seus jogadores, manda-os, de imediato, para os balneários. A ordem era simples: tinham que se vestir rapidamente e ir para o autocarro... estava na hora de partir, antes que alguém desse pelo erro!!! Como é lógico, o equívoco viria à baila. O pior é que os jogadores da Portuguesa já não estavam no estádio e a recusa do treinador em repetir o encontro foi tal, que a Federação Paulista dividiria o título pelos dois emblemas.
Tudo começou quando ainda era novo e dentro das "quatro linhas" de jogo. Tendo representado Vasco da Gama, Botafogo e Olaria, seria com 25 anos que decidiria terminar a sua actividade de futebolista. Surpresa? Talvez! Mas mais surpreendidos ficarão quando vos disser que o jovem Otto tomaria a decisão de "pendurar as chuteiras", para encetar uma carreira no basquetebol!!!
Anos mais tarde, seria também neste desporto que Otto Glória daria os primeiros passos como treinador. Sol de pouca dura, já que Flávio Costa, antigo seleccionador brasileiro e seu amigo pessoal, haveria de o convencer a regressar ao futebol. Começou no "banco" Vasco da Gama (camadas jovens e adjunto), ganhou o título carioca à frente do Botafogo e já depois de ter comandado mais algumas equipas no seu país natal, recebe um convite vindo do outro lado do Atlântico.
Por esta altura, o Benfica estava a dar os primeiros passos no sentido da profissionalização do seu futebol. A procura de um novo timoneiro para a equipa, era o passo inicial para um caminho que se queria cheio de triunfos. Ora, o que o Benfica necessitava era de alguém que, para além de brilhante nos aspectos técnicos e tácticos, conseguisse impor, fora de campo, algumas regras aos atletas. Com fama de duro, de disciplinador e de rigoroso na disposição das suas equipas, Otto Glória perfilava-se como a pessoa exacta para o cargo. É então que, em 1954, o brasileiro aterra em Lisboa. As reformas no clube da "Águia" não tardaram. Foi criado o "Lar do Jogador"; foram impostos estágios com regras duras, onde não havia permissão para, entre outras coisas, jogar às cartas ou usar o calão; e, por exemplo, até o Presidente Joaquim Bogalho seria proibido de entrar nos balneários.
Mas o principal objectivo da sua contratação eram os resultados desportivos. Ora, se era isso que queriam, foi isso que Otto Glória trouxe ao Benfica, onde 2 Campeonatos e 3 Taças de Portugal acabariam por ser o saldo dessa sua primeira passagem pela "Luz".
A seguir veio o Sporting e o Belenenses. E se nos do Restelo, ganharia uma nova Taça de Portugal, já nos "Leões" passaria por um episódio caricato. O começo da segunda temporada em Alvalade, depois de um primeiro ano sem títulos, encher-se-ia de contestações ao seu trabalho. Muitas vozes se levantaram contra si, até que o ridículo aconteceu. No próprio Jornal do Sporting as críticas rosaram o insulto, quando o intitularam de "ultrapassado". Ironicamente, tal desdém seria acompanhado pela vitória dos "Verde e Branco" em pleno Estádio das Antas. Aí, já nem as ovações valeriam de nada aos adeptos leoninos. Otto Glória pediria a demissão e, sem ainda saber que tinha lançado os alicerces da conquista do Campeonato desse ano, seguiria viagem até França.
Os anos que se seguiram, trariam ao destino de Otto Glória um par de endereços novos e diferentes clubes. É já depois deste périplo, com passagens pelo Marseille, Vasco da Gama e FC Porto, que o treinador volta a Alvalade. A época era a de 1965/66 e marcaria o regresso de Otto Glória aos grandes sucessos desportivos. Primeiro conquistaria o título nacional com Sporting, para, no final dessa temporada, conseguir, ao leme dos "Magriços", atingir o 3º lugar no Mundial, disputado em Inglaterra.
A medalha de bronze conseguida pela Selecção Portuguesa e, ao que parece, novo desentendimento em Alvalade, levá-lo-iam até ao Atletico Madrid. Contudo, o fado de Otto Glória estava em Portugal e bastariam dois anos para que este regressasse ao nosso país. O Benfica abrir-lhe-ia novamente as portas e, mais uma vez, tal união traria excelentes resultados.
Foi depois de conseguir, com a conquista de mais dois títulos, ser o treinador com mais Campeonatos ganhos em Portugal e de levar o Benfica à sua 5ª Final da Taça dos Campeões Europeus, que Otto Glória voltaria ao Brasil. Como não deixaria de ser, histórias interessantes não faltaram ao técnico. No entanto há uma que ninguém esquecerá. Na final do Campeonato de São Paulo, tudo estava para ser resolvido nos penalties. Alternavam-se as marcações, com é normal, entre os seus pupilos e os do Santos. Terminado o desempate a Portuguesa, comandada por Otto Glória, é dada como campeã. O engraçado é que, para além do treinador, são poucos os que reparam que o árbitro se havia enganado na contagem dos castigos máximos!!! Então, Otto Glória, reunindo os seus jogadores, manda-os, de imediato, para os balneários. A ordem era simples: tinham que se vestir rapidamente e ir para o autocarro... estava na hora de partir, antes que alguém desse pelo erro!!! Como é lógico, o equívoco viria à baila. O pior é que os jogadores da Portuguesa já não estavam no estádio e a recusa do treinador em repetir o encontro foi tal, que a Federação Paulista dividiria o título pelos dois emblemas.
472 - GÉO
Apesar de ter dados os primeiros passos nas “escolas” do Náutico, Géo acabaria por vir a transformar-se num dos ídolos do principal rival. Seria, então, no Sport Recife, clube igualmente sediado na sua cidade natal, que o atacante começaria por ganhar destaque no futebol brasileiro. Para tal, ajudaria o emblema a vencer os "Estaduais" de Pernambuco de 1955 e de 1956 e acabaria a tornar-se numa das grandes estrelas do conjunto.
Por essa altura, o Sport Recife usufruía de uma excelente fama, o que resultaria numa série de convites para uma "tournée" na Europa. Se o tal "passeio" teve, ou não, influência directa na carreira do atacante, não sei. O que é certo é que, em jeito de premonição, o jogo inaugural da tal digressão, a qual também teria uma passagem pelo Santiago Barnabéu (inauguração da iluminação artificial), haveria de ser em Lisboa e frente ao Sporting. Nessa senda de sucessos, aos desempenhos do jogador não ficariam indiferentes os responsáveis pelo Palmeiras que, ao pretender formar uma equipa capaz de rivalizar com o Santos de Pelé e na busca por novos craques, acabariam por ganhar interesse no atacante. Géo viria mesmo a ser um dos escolhidos para compor a linha ofensiva da equipa de São Paulo. Já os resultados da contratação do avançado, e de outras de idêntico calibre, apareceriam uns anos mais tarde quando, em 1959, o grupo do Palestra Italia, onde pontuavam nomes como Djalma Santos ou Chinesinho, alcançaria a vitória no tão almejado Campeonato Paulista.
Seria depois da proeza conseguida ao serviço do Palmeiras que Géo viria a tentar a sorte do outro lado do Atlântico. O destino, como desvendado há pouco, haveria de ser o Estádio de Alvalade. Já em Lisboa, dono de uma técnica soberba, a qualidade futebolística valer-lhe-ia, imediatamente, um lugar no onze inicial dos "Leões". Na esquerda, tanto a extremo como a interior, Géo faria as delícias dos adeptos leoninos e acabaria por ajudar o Sporting, numa altura em que o Benfica vinha a afirmar-se como uma potência nacional e internacional, na conquista de uma série de troféus. Na aludida senda triunfal, mesmo vencido o Campeonato Nacional de 1961/62 e a Taça de Portugal do ano seguinte, o futuro ainda revelaria outros sucessos para o avançado e, como recordado pelo filho, um desses títulos orgulhá-lo-ia mais do que qualquer outra vitória – “O meu pai sempre guardou com carinho sua passagem pelo Sporting. Para ele, a época em que conquistou a Recopa [Taça dos Vencedores das Taças] sempre foi a maior lembrança de todas. Em especial o jogo contra o Manchester United, em que ele marcou o terceiro golo da goleada de 5 a 0”*.
Após a brilhante campanha continental, por razões que apontam para uma lesão grave, Géo acabaria por deixar o futebol português. Contudo, não seria o fim da sua carreira, pois, de Lisboa, partiria para a Bélgica, onde, ainda durante largos anos, daria continuidade à sua paixão desportiva e onde ainda vestiria, com a chegada ao novo contexto competitivo, as camisolas do Racing White, Cercle Brugge e Racing Jet de Bruxelles.
* retirado de http://www.superesportes.com.br/app/18,98/2013/05/22/noticia_nautico,24157/o-pai-dele-e-idolo-do-sporting.shtml
450 - JORGE VIEIRA
Por culpa do tempo, que tem por hábito esbater as conquistas e qualidades daqueles que já não estão entre nós, muitos não terão conhecimento que Jorge Vieira foi um dos nomes incontornáveis do futebol português. Sim, isto é um facto. Contudo, a piada é que o antigo atleta do Sporting é merecedor de figurar nos livros, não só pelo que fez dentro de campo… Huuummm! Não é bem assim! Bem, isto está a tornar-se muito complicado, não é? Então é melhor irmos com calma e contar as coisas uma de cada vez.
Jorge Vieira era ainda um miúdo quando descobriu a paixão pelo futebol e sobretudo o amor que tinha pelo Sporting. Foi por essa razão que decidiu sair de casa no Dafundo e percorrer a pé, com apenas 9 anos de idade, os quilómetros que separavam a sua morada do lugar onde o Sporting ia jogar, ou seja, o Campo da Quinta Nova, em Carcavelos. Para quê?!, perguntam vocês. Para assistir a um pouco de história; para assistir ao primeiro "derby" entre as "Águias" e os "Leões".
Foi essa mesma vontade que o fez prestar provas no clube do seu coração. Ficou. Começou nas categorias mais baixas, mas aos 17 anos já era parte integrante da equipa principal. Dizem que, pelo físico, o seu caminho fez-se na defesa. Aí era dono e senhor de um belíssimo jogo de cabeça e exímio no que aos desarmes diz respeito. Ainda assim, Jorge Vieira não era só “destruição”. Também sabia pôr a bola em andamento e um esférico nos seus pés, adepto que era do estilo inglês do futebol directo, transfigurava-se, velozmente, num lançamento para os colegas que procuravam a contra-ofensiva.
Jorge Vieira transformou-se num dos símbolos leoninos. Era uma atleta admirado mas, essencialmente, era um Homem respeitado pela conduta integra que sempre mostrou dentro de campo. Quando Francisco Stromp, em 1924, decidiu abandonar a competição, o defesa tomou o seu lugar como capitão de equipa. Incontestável no Sporting e dono de uma inegável qualidade, por essa altura também já era um dos nomes habituais da selecção. Aliás, a sua estreia com a "camisola das quinas" coincidiu com a primeira partida da mesma, o mítico Espanha - Portugal de 18 de Dezembro de 1921. Pelo nosso país, onde nos 18 primeiros jogos do conjunto luso só falhou apenas um, também chegou a capitão. Foi nessa condição que caminhou nos Jogos Olímpicos de 1928 e comandou, ao envergar a braçadeira, os colegas no primeiro grande certame internacional em que Portugal participou.
Até podia acabar assim a história de Jorge Vieira, mas a verdade é que estaria a cometer uma grande falha. Parece que estou a esquecer-me de algo muito importante, não é? Claro que não! Como tentei, de forma atabalhoada, dizer no início deste texto, o defesa não foi só um grande futebolista. Enorme conhecedor das regras do jogo, acabou por ser chamado, em 1921, a arbitrar uma partida. Foi desse modo que, no Espanha - Bélgica disputado em Bilbao, o jogador, para além de um imenso atleta, passou igualmente a ser o primeiro árbitro internacional português.
Jorge Vieira era ainda um miúdo quando descobriu a paixão pelo futebol e sobretudo o amor que tinha pelo Sporting. Foi por essa razão que decidiu sair de casa no Dafundo e percorrer a pé, com apenas 9 anos de idade, os quilómetros que separavam a sua morada do lugar onde o Sporting ia jogar, ou seja, o Campo da Quinta Nova, em Carcavelos. Para quê?!, perguntam vocês. Para assistir a um pouco de história; para assistir ao primeiro "derby" entre as "Águias" e os "Leões".
Foi essa mesma vontade que o fez prestar provas no clube do seu coração. Ficou. Começou nas categorias mais baixas, mas aos 17 anos já era parte integrante da equipa principal. Dizem que, pelo físico, o seu caminho fez-se na defesa. Aí era dono e senhor de um belíssimo jogo de cabeça e exímio no que aos desarmes diz respeito. Ainda assim, Jorge Vieira não era só “destruição”. Também sabia pôr a bola em andamento e um esférico nos seus pés, adepto que era do estilo inglês do futebol directo, transfigurava-se, velozmente, num lançamento para os colegas que procuravam a contra-ofensiva.
Jorge Vieira transformou-se num dos símbolos leoninos. Era uma atleta admirado mas, essencialmente, era um Homem respeitado pela conduta integra que sempre mostrou dentro de campo. Quando Francisco Stromp, em 1924, decidiu abandonar a competição, o defesa tomou o seu lugar como capitão de equipa. Incontestável no Sporting e dono de uma inegável qualidade, por essa altura também já era um dos nomes habituais da selecção. Aliás, a sua estreia com a "camisola das quinas" coincidiu com a primeira partida da mesma, o mítico Espanha - Portugal de 18 de Dezembro de 1921. Pelo nosso país, onde nos 18 primeiros jogos do conjunto luso só falhou apenas um, também chegou a capitão. Foi nessa condição que caminhou nos Jogos Olímpicos de 1928 e comandou, ao envergar a braçadeira, os colegas no primeiro grande certame internacional em que Portugal participou.
Até podia acabar assim a história de Jorge Vieira, mas a verdade é que estaria a cometer uma grande falha. Parece que estou a esquecer-me de algo muito importante, não é? Claro que não! Como tentei, de forma atabalhoada, dizer no início deste texto, o defesa não foi só um grande futebolista. Enorme conhecedor das regras do jogo, acabou por ser chamado, em 1921, a arbitrar uma partida. Foi desse modo que, no Espanha - Bélgica disputado em Bilbao, o jogador, para além de um imenso atleta, passou igualmente a ser o primeiro árbitro internacional português.
357 - BATTY
De tal forma começou a revelar-se nas “escolas” do Leeds United que, aos 18 anos, fez a estreia pela equipa principal. Apesar de ter uma estatura não muito imponente, principalmente para um homem a ocupar uma posição sujeita a constantes embates físicos, David Batty, médio-defensivo, rapidamente veio a impor-se e a fazer-se reconhecer pelo jogo aguerrido, intrépido e sempre a perseguir os adversários a cirandar no meio-campo. Contudo, e apesar de ser essa a sua grande marca, a posse do esférico nunca o atrapalhou. Com a bola nos pés, o jogador inglês sempre teve a habilidade para, facilmente, conseguir distribuí-la pelos colegas e, dessa maneira, tornou-se num elemento importante e eficaz no encetar das manobras ofensivas da sua equipa.
Foi durante a primeira passagem pelo emblema da sua terra natal que o médio sofreu, ou melhor dizendo, agravou uma lesão que tinha contraído anteriormente. Estava em casa, em recuperação de uma intervenção cirúrgica a um tendão de Aquiles, quando a sua filha, na altura com 3 anos, e descontraída no seu passeio de triciclo, atropela o jogador! Resultado: mais uns tempitos a acrescentar ao período de recobro.
Voltando ao seu percurso desportivo, Batty, um ano após ter conquistado a edição de 1991/92 da Liga Inglesa, ao lado de nomes como Eric Cantona, Gary Speed ou Gary McAllister, viu o Leeds United, por razão de algumas dificuldades financeiras, a não ter como recusar a proposta do emergente Blackburn Rovers pela sua aquisição. Acertada a transferência já com a temporada de 1993/94 em andamento, o “trinco”, ao serviço da nova equipa, regressou aos títulos e em 1994/95 venceu a Premier League. Em abono da verdade, a época, vitoriosa colectivamente, acabou por não correr assim tão bem para o atleta e uma grave lesão, um pé partido, afastou-o de tantos jogos que, com o termo da dita campanha e ao alegar não ter dado grande contributo para o troféu ganho, o centrocampista recusou a medalha de campeão.
Foi também ao serviço do Blackburn Rovers que aconteceu outro dos episódios caricatos da sua carreira. No ano a seguir à vitória na já referida edição da Liga, durante uma partida a contar para a “Champions League” frente ao Spartak de Moscovo, Batty desentendeu-se com o companheiro de equipa Graeme Le Saux. Depois de uma rápida troca de palavras, os dois atletas começaram a agredir-se, tendo de ser separados pelo capitão Tim Sherwood, acabando, mesmo assim, por ser poupados pelo árbitro a uma severa sanção disciplinar.
No que restou da sua caminhada desportiva, o internacional inglês, com presenças no Euro 92 e no Mundial de França em 1998, já depois de uma passagem pelo Newcastle United, voltou, na temporada de1998/99, ao Leeds United, clube onde, em 2004, pôs termo ao trajecto como futebolista profissional.
Foi durante a primeira passagem pelo emblema da sua terra natal que o médio sofreu, ou melhor dizendo, agravou uma lesão que tinha contraído anteriormente. Estava em casa, em recuperação de uma intervenção cirúrgica a um tendão de Aquiles, quando a sua filha, na altura com 3 anos, e descontraída no seu passeio de triciclo, atropela o jogador! Resultado: mais uns tempitos a acrescentar ao período de recobro.
Voltando ao seu percurso desportivo, Batty, um ano após ter conquistado a edição de 1991/92 da Liga Inglesa, ao lado de nomes como Eric Cantona, Gary Speed ou Gary McAllister, viu o Leeds United, por razão de algumas dificuldades financeiras, a não ter como recusar a proposta do emergente Blackburn Rovers pela sua aquisição. Acertada a transferência já com a temporada de 1993/94 em andamento, o “trinco”, ao serviço da nova equipa, regressou aos títulos e em 1994/95 venceu a Premier League. Em abono da verdade, a época, vitoriosa colectivamente, acabou por não correr assim tão bem para o atleta e uma grave lesão, um pé partido, afastou-o de tantos jogos que, com o termo da dita campanha e ao alegar não ter dado grande contributo para o troféu ganho, o centrocampista recusou a medalha de campeão.
Foi também ao serviço do Blackburn Rovers que aconteceu outro dos episódios caricatos da sua carreira. No ano a seguir à vitória na já referida edição da Liga, durante uma partida a contar para a “Champions League” frente ao Spartak de Moscovo, Batty desentendeu-se com o companheiro de equipa Graeme Le Saux. Depois de uma rápida troca de palavras, os dois atletas começaram a agredir-se, tendo de ser separados pelo capitão Tim Sherwood, acabando, mesmo assim, por ser poupados pelo árbitro a uma severa sanção disciplinar.
No que restou da sua caminhada desportiva, o internacional inglês, com presenças no Euro 92 e no Mundial de França em 1998, já depois de uma passagem pelo Newcastle United, voltou, na temporada de1998/99, ao Leeds United, clube onde, em 2004, pôs termo ao trajecto como futebolista profissional.
312 - LUCIANO
Nascido no seio de uma família pobre de Olhão, um dos principais objectivos de Luciano ao querer singrar no mundo do futebol, foi o de ajudar os parentes mais próximos a conseguir uma vida mais desafogada. Nesse intuito ingressou no clube da sua terra e aí completou a formação.
Como um atleta promissor e com algumas chamadas às selecções jovens portuguesas, o defesa-central rapidamente caiu nas graças de outros emblemas. Nesse sentido, o Benfica transformou-se no passo seguinte da sua carreira. No entanto, apesar de todo o talento revelado e a justificar plenamente a aposta feita em si, a sua vida na "Luz" não foi fácil. Nomes como o de Germano fizeram-lhe frente no trajecto para a titularidade. Mesmo assim, aos poucos conquistou o seu espaço e, com os sinais que dava em cada oportunidade conquistada, muitos projectaram-no como o natural substituto do colega que impedia a sua promoção ao “onze” das “Águias”.
Infelizmente, o destino pregou-lhe uma tremenda partida! Na ressaca do Mundial de 1966, quando o futebol português andava nas bocas de todos os amantes da modalidade, uma notícia abalou o estado de graça trazido de Inglaterra. Durante uma sessão de hidromassagem vários atletas do Benfica partilhavam a banheira montada para o efeito. Sem que nada fizesse prever, o mau funcionamento do sistema eléctrico do equipamento provocou uma enorme descarga, fulminando de imediato Luciano. A tragédia só não foi maior, pois a pronta interversão de Jaime Graça, que antes do futebol tinha aprendido o ofício de electricista, desligou prontamente a fonte de energia. Escaparam do acidente Cavém, Eusébio e Malta da Silva, mas o mundo do desporto, em ambiente de grande transtorno, perdeu um dos mais promissores intérpretes, contava apenas 26 anos de idade.
Como um atleta promissor e com algumas chamadas às selecções jovens portuguesas, o defesa-central rapidamente caiu nas graças de outros emblemas. Nesse sentido, o Benfica transformou-se no passo seguinte da sua carreira. No entanto, apesar de todo o talento revelado e a justificar plenamente a aposta feita em si, a sua vida na "Luz" não foi fácil. Nomes como o de Germano fizeram-lhe frente no trajecto para a titularidade. Mesmo assim, aos poucos conquistou o seu espaço e, com os sinais que dava em cada oportunidade conquistada, muitos projectaram-no como o natural substituto do colega que impedia a sua promoção ao “onze” das “Águias”.
Infelizmente, o destino pregou-lhe uma tremenda partida! Na ressaca do Mundial de 1966, quando o futebol português andava nas bocas de todos os amantes da modalidade, uma notícia abalou o estado de graça trazido de Inglaterra. Durante uma sessão de hidromassagem vários atletas do Benfica partilhavam a banheira montada para o efeito. Sem que nada fizesse prever, o mau funcionamento do sistema eléctrico do equipamento provocou uma enorme descarga, fulminando de imediato Luciano. A tragédia só não foi maior, pois a pronta interversão de Jaime Graça, que antes do futebol tinha aprendido o ofício de electricista, desligou prontamente a fonte de energia. Escaparam do acidente Cavém, Eusébio e Malta da Silva, mas o mundo do desporto, em ambiente de grande transtorno, perdeu um dos mais promissores intérpretes, contava apenas 26 anos de idade.
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