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1420 - SABÚ

Ao chegar de Angola para envergar as cores do Vitória Futebol Clube, seriam as camadas de formação a acolher João dos Santos Pacheco Júnior, popularizado no mundo do desporto como Sabú. Cumprido o período nas “escolas” do listado verde e branco, a estreia a jogar na equipa principal dos “Sadinos” ocorreria no início da década de 1970. Avaliado por José Maria Pedroto como um intérprete promissor, a verdade é que o defesa-central teria muitas dificuldades em impor-se numa equipa que, como correntes directos para a sua posição, apresentava nomes como Carlos Cardoso, José Mendes ou Conceição. Nesse sentido, depois de algumas épocas sem grande utilização no conjunto sénior setubalense, o jogador, na disputa das edições de 1973/74 e 1974/75 da 2ª divisão, passaria por diferentes empréstimos, respectivamente ao Torreense orientando por Francisco Polido e ao Montijo.
De regresso ao Estádio do Bonfim, Sabú finalmente conseguiria jogar com alguma regularidade. Porém, os números apresentados durantes a época de 1975/76 e na seguinte, não teriam a continuidade esperada. Sem qualquer partida disputada no Campeonato Nacional de 1977/78, o defesa-central decidiria deixar o Vitória Futebol Clube para tentar novas oportunidades noutras paragens. Sem deixar a 1ª divisão e num Beira-Mar treinado por Fernando Cabrita, o atleta, com a temporada de 1978/79, encetaria no Mário Duarte o período mais prolífero da sua carreira como futebolista profissional. No entanto, mesmo ao ser um dos elementos mais utilizados no plantel auri-negro, findos os dois anos passados em Aveiro, o jogador voltaria a mudar de rumo e, de forma algo surpreendente, regressaria aos palcos secundários.
Com a entrada no Juventude de Évora, Sabú, embora a cumprir épocas de grande valor, jamais regressaria aos principais cenários do futebol luso. Depois da campanha no Alentejo que, sob a orientação de Dinis Vital, quase daria a promoção à agremiação eborense, o defesa-central seguiria o ainda agora referido treinador e mudar-se-ia para a região do Oeste. Ao serviço do Ginásio de Alcobaça, o jogador participaria na histórica temporada de 1981/82, a qual daria a subida de patamar e a estreia do clube na 1ª divisão. Mais uma vez, sem que qualquer inevitabilidade fizesse prever tal transferência, o atleta regressaria à foz do Rio Sado e na cidade de Setúbal, durante um ano, passaria a envergar as cores do Comércio e Indústria.
Daí em diante, Sabú entraria numa fase mais errante da carreira. Nesse sentido, surgiriam as duas temporadas no Algarve, ao serviço do Torralta. De seguida, a contabilizar campanhas isoladas em cada agremiação, viriam o Amarante, o Cova da Piedade, os Leões de Tavira e, para finalizar, o plantel de 1988/89 do Paio Pires.

1403 - FONSECA

Saído das “escolas” do Benfica, Orlando António Fonseca da Costa chegaria à principal equipa dos “Encarnados” no decorrer da temporada de 1975/76. Avançado, o jovem praticante ver-se-ia preterido, na equipa ao cargo de Mário Wilson, por nomes como Nené, Jordão ou Vítor Batista. A falta de oportunidades no conjunto sénior das “Águias” levá-lo-ia, nos anos seguintes, a vogar por diferentes emblemas. Na primeira paragem dessa senda, o Montijo, o destaque alcançado faria com que o seu nome começasse a ser incluído nas equipas com o cunho da Federação Portuguesa de Futebol. Com a estreia pelas “esperanças” a acontecer a 11 de Junho de 1977, o atacante, nessa edição do Torneio de Toulon, ao lado de Gomes, Eduardo Luís, Frasco, Barão e outros ilustres nomes, iniciaria uma caminhada que viria a terminar, com a entrada nos “olímpicos”, num somatório de 6 internacionalizações.
Após ter também representado, sem nunca deixar a 1ª divisão, o Riopele e o Estoril Praia, o traquejo somado durante essas experiências justificariam um regresso à “Luz”. Porém, mesmo com as entradas em campo a surgirem de forma mais regular, Fonseca, na campanha de 1979/80, nunca haveria de conquistar o estatuto de titular no grupo de trabalho à guarda do “Velho Capitão”. Ainda assim, as duas passagens pelos seniores do Benfica trariam ao seu palmarés importantes troféus e, apesar de nunca ter conseguido afirmar-se como um elemento imprescindível, o avançado deixaria as “Águias” com a bagagem recheada pela conquista do Campeonato Nacional de 1975/76 e da Taça de Portugal correspondente à primeira época referida neste parágrafo.
A transferência para o Vitória Sport Clube na temporada de 1980/81 levá-lo-ia a trabalhar, depois da saída de Fernando Peres à 7ª ronda, com o técnico José Maria Pedroto. A ida para a cidade de Guimarães, a partir da mencionada campanha, faria com que Fonseca conseguisse regressar à regularidade merecida a um intérprete da sua categoria. Ao somar ao currículo várias dezenas de partidas esgrimidas no patamar mais importante do futebol luso, o atleta, muito para além de cimentar a agremiação minhota como o emblema mais representativo da carreira pessoal, faria com o seu estatuto no cenário competitivo português passasse a ser aferido como o de um elemento de valor primodivisionário.
Depois de 4 temporadas a exibir a camisola dos “Conquistadores”, durante as quais ajudaria o Vitória Sport Clube a regressar às competições organizadas na alçada da UEFA, a surpresa viria com a sua mudança para o plantel do Varzim. Mantendo-se ainda a disputar o escalão máximo, essa campanha de 1984/85, a trabalhar com Mourinho Félix, tornar-se-ia na última do atacante na 1ª divisão. Daí em diante, numa senda competitiva que ainda viria a estender-se por diversos anos, outros emblemas acabariam a colorir a sua caminhada. Felgueiras, Maia e o Esposende, preencheriam as derradeiras etapas de um trajecto que conheceria o fim com o termo da temporada de 1993/94.

1388 - CANSADO

Emergiria das “escolas” do Barreirense para, na temporada de 1974/75, aparecer na equipa principal do emblema da Margem Sul. Aferido como um defesa-central intrépido e infatigável, as suas características depressa poriam o atleta em plano de destaque. Porém, com a colectividade do listado alvirrubro fora das disputas primodivisionárias, a chegada do jovem praticante aos principais palcos do futebol português ainda demoraria alguns anos a acontecer.
Integrado num plantel riquíssimo, com estrelas em ascensão, tais como Frederico, Jorge Martins, Carlos Manuel ou ainda com craques de grande experiência como Arnaldo ou Praia, Cansado não deixaria intimidar-se pela forte concorrência, nem pelo acréscimo de exigência que a participação na 1ª divisão de 1978/79 passaria a reivindicar. Tanto com Manuel de Oliveira e, depois da saída deste à 17ª jornada, com a entrada de José Augusto para o lugar de treinador, o defesa, mantendo-se como uma das principais escolhas para o alinhamento inicial do Barreirense, não perderia qualquer protagonismo. Infelizmente, as fracas prestações colectivas da agremiação a jogar em casa no Estádio D. Manuel de Mello não evitariam, com o final do Campeonato Nacional, o 14º lugar na tabela classificativa e a respectiva despromoção ao patamar secundário.
Mesmo com o desaire da sua equipa, as boas prestações de Cansado levariam outros emblemas primodivisionários a olharem para si como um possível reforço. Nesse sentido, seria do Beira-Mar que surgiria o convite e a oportunidade para que o jogador continuasse a actuar nos principais palcos do cenário futebolístico luso. Sem estranhar a troca, a mudança para a cidade de Aveiro continuaria a revelar o defesa-central como um dos habituais titulares e um dos bons intérpretes das provas portuguesas. No entanto, tal como tinha acontecido na temporada de estreia na 1ª divisão, a sua equipa não evitaria a descida. A grande diferença é que, com o final da campanha de 1979/80, o jogador não mudaria de camisola e, com isso, acompanharia o clube beirão na disputa do 2º degrau.
Após 3 temporadas a envergar as cores do Beira-Mar, com as duas últimas longe dos principais escaparates, a aberta para o atleta regressar ao convívio com os “grandes” surgiria com o desafio lançado por uma equipa da periferia lisboeta. No Estoril Praia a partir da campanha de 1982/83, Cansado, tanto na época de entrada no Estádio António Coimbra da Mota, como na seguinte, voltaria a assumir-se como um elemento de cariz indubitavelmente primodivisionário. Contudo, numa altura em que demonstrava estar mais do que preparado para manter o seu percurso como um dos bons nomes a actuar nas provas lusas, uma grave lesão iria pôr um ponto final na prometida afirmação. Depois de um ano afastado das competições, o defesa ainda voltaria a jogar. A porta a esse regresso abrir-se-ia no Alto Minho e o Valenciano e a 3ª divisão tornar-se-iam na realidade do futebolista.
Durante 8 temporadas consecutivas, distante do “glamour” primodivisionário, Cansado manter-se-ia como um dos grandes nomes a actuar no emblema raiano. Antes ainda de “pendurar as chuteiras”, o defesa-central, sem sair da mesma localidade, teria tempo para disputar a temporada de 1993/94 ao serviço d’ “Os Torreenses”.

1279 - MONTÓIA

Foram poucos os apontamentos, por mim descobertos, a retratar, com maior minúcia, a carreira deste jogador que, para ser correcto, só recordo como pertença assídua das colecções de cromos. A primeira nota que encontrei, numa altura em que o atleta já contava com 19 anos de idade, refere-se à temporada de 1967/68, num Leixões treinado por António Teixeira e numa partida alusiva à disputa da Taça de Portugal. No que diz respeito à campanha seguinte, posso garantir que os arquivos acabaram por revelar-se um pouco mais generosos com a minha procura. Mais uma vez ao serviço da equipa de Matosinhos, Montóia, já orientado pelo mítico José Águas, aparece como um dos elementos do plantel com casa no Estádio do Mar e que disputaria a edição de 1968/69 do Campeonato Nacional da 1ª divisão.
Quando tudo parecia estar a compor-se, é então que novo mistério surge nesta minha busca. Sem qualquer dado encontrado, durante 3 temporadas consecutivas nada consegui apurar sobre a vida do atleta. Bem! Nada, não é o caso! Tendo “escavado” mais um pouco, haveria de ler uma curiosa crónica que dá Montóia, em determinado momento do tal hiato temporal, integrado, ao lado de José Carlos, antigo atleta do Vitória Sport Clube, no contingente que, na Guiné-Bissau, viveria os horrores da guerra colonial. Ora, ao saber que era bastante comum para os futebolistas, quando destacados em África, passarem a envergar emblemas desses países, pensei ser fácil deparar-me com algumas pistas elucidativas e prontas a encaminhar-me nesse sentido. Que posso mais dizer?! Sabem o que descobri?! Nada!
A partir da temporada de 1972/73, tanto para Montóia, como para pesquisa feita para esta modesta biografia, tudo mudaria. No Leixões, o atleta, que podia posicionar-se na defesa ou no miolo do terreno de jogo, passaria a jogar com bastante regularidade. Mais uma vez sob a batuta de António Teixeira, o jogador começaria a afirmar-se como um das figuras de proa do colectivo matosinhense. Por tal razão, após 3 temporadas de bom nível passadas no escalão máximo, a admiração chegaria com a sua transferência e, ainda por cima, para uma equipa a militar no 2º escalão.
Para ser correcto, a mudança para o Varzim até terá tido uma boa explicação. A razão, por certo, terá estado relacionada com a presença de António Teixeira à frente dos destinos técnicos da equipa sediada na Póvoa. A opção do atleta, a envergar o listado alvinegro a partir da temporada de 1975/76, levá-lo-ia a participar em momentos históricos. Depois do regresso ao patamar maior do futebol luso, no final do 3º ano consecutivo entre os “grandes”, o jogador daria o contributo para aquela que viria a transformar-se na melhor prestação de sempre do clube no Campeonato Nacional. Sendo um dos nomes utilizados com maior regularidade nas épocas anteriores, Montóia faria também parte do grupo de trabalho que, sob a alçada do treinador referido no começo deste parágrafo, terminaria a campanha de 1978/79 na 5ª posição da tabela classificativa.
Depois deste feito, a carreira de Montóia, fazendo fé nos “tais” registos, não duraria muito mais tempo. Com outra temporada ao serviço dos “Lobos-do-mar” a conferir ao currículo do atleta um total de 9 campanhas na 1ª divisão, seria no regresso ao Leixões que o futebolista, terminada a época de 1980/81, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
 
PS: Já depois da publicação desta biografia, chegou-me a informação que Montóia, durante a passagem na Guiné-Bissau, terá representado a União Desportiva Internacional de Bissau

1261 - CELSO

Sem que tenha apurado qualquer informação sobre a proveniência desportiva do atleta nascido no Brasil (1), a chegada de Celso ao Boavista dar-se-ia na temporada de 1969/70 e já com o médio a rondar os 22 anos de idade. Logo nessa campanha de entrada no Bessa, resultado também do traquejo acumulado pelo jogador no trajecto até aí trilhado, a frequência com que apareceria em campo aferi-lo-ia como um dos bons intérpretes a actuar em Portugal. Com a estreia no Campeonato Nacional a acontecer pela mão do treinador António Gama, a sua presença na grande maioria das jornadas agendadas para a prova, justificar-se-ia pela maneira aguerrida com que o “trinco” enfrentava todas as pelejas.
Titular na primeira época com os “Axadrezados” e ao conservar-se, nas duas campanhas seguintes, como um dos elementos com presença garantida no “onze” inicial, Celso começaria a puxar para si a atenção de outros emblemas. A mudança para o FC Porto de 1972/73, orientado pelo chileno Fernando Riera, transformar-se-ia no principal sinal dessa valorização. Sob a alçada do referido técnico, o médio-defensivo manteria a preponderância que tinha dado bom-nome à sua fama e acabaria por tornar-se numa das estrelas da caminhada onde os “Dragões”, na disputa da Taça UEFA, eliminariam o Barcelona.
Contudo, com as suas prestações a indicar um futuro brilhante, a verdade é que a contratação de Béla Guttmann, no ano seguinte ao da sua chegada às “Antas”, iria inverter-lhe o caminho. Curiosamente, o regresso ao Estádio do Bessa apresentá-lo-ia a uma das figuras com maior importância no desenrolar da sua carreira. Com José Maria Pedroto como treinador, Celso faria parte dos planteis que, nas temporadas de 1974/75 e de 1975/76, para além de terminarem o Campeonato Nacional nas posições cimeiras da tabela classificativa, venceriam pelo Boavista duas edições da Taça de Portugal.
Após a final disputada frente ao Vitória Sport Clube, ao repetir a presença do ano anterior no derradeiro jogo da prova, o médio, mais uma vez, mudaria de rumo. Com o regresso de José Maria Pedroto ao comando dos “Dragões”, também o centrocampista voltaria a equipar de azul e branco. Todavia, ao contrário da primeira passagem, o jogador, dessa feita, conseguiria rechear o currículo com títulos. Ao manter-se como elemento fulcral do desenho táctico, o atleta ajudaria a entregar aos escaparates do FC Porto a Taça de Portugal de 1976/77 e, pondo fim a um jejum de 19 anos, em muito contribuiria para a conquista do Campeonato Nacional de 1977/78.
Com essas duas épocas a assumirem-se, provavelmente, como o pico da sua caminhada desportiva, também da equipa nacional portuguesa surgiria uma oportunidade. Já com passaporte luso e com José Maria Pedroto no cargo de seleccionador, o atleta seria chamado à estreia com a “camisola das quinas”. A 16 de Outubro de 1976, depois de David Júlio e de Lúcio, Celso tornar-se-ia no 3º atleta naturalizado a representar Portugal. Após essa partida frente à Polónia, o médio seria ainda chamado a jogo por mais duas vezes, contabilizando um total de 3 internacionalizações “A”.
A terceira passagem pelo Boavista aconteceria na temporada de 1978/79. Porém, se na resposta aos objectivos lançados ao colectivo, o grupo sob a batuta de Jimmy Hagan conseguiria vencer a Taça de Portugal, já em termos pessoais, a aludida campanha ficaria marcada por uma grave lesão e pelo longo afastamento do atleta.
Em jeito de remate, tal como para o início da sua carreira, também a conclusão da caminhada de Celso enquanto futebolista, ao não conseguir amealhar informações conclusivas, tornou-se, aos meus olhos, num verdadeiro mistério (1). Sem obter qualquer confirmação que permita dizer os dados como irrefutáveis, há quem assevere o regresso do médio ao Brasil para, em 1980, vestir as cores do Goiás. Por outro lado, certa foi a viagem de volta a Portugal e que levaria o antigo jogador a tentar a sorte como treinador. Como o hábito acabou por ditar a esta singela biografia, sem granjear de grandes esclarecimentos, sei apenas que uma das suas experiências como técnico terá sido ao serviço do portuense FC da Foz.
 
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1190 - COENTRO FARIA

Já aqui falamos, por diversas vezes, de atletas que, por tanto mudarem de emblema durante a carreira, encaixam na perfeição no desígnio de um “globetrotter”. Coentro Faria, avançado cuja formação ficaria dividida entre o arranque de caminhada na CUF e os derradeiros anos já com as cores do Benfica, acabaria por tornar-se num desses intérpretes.
Depois de passar alguns anos nas fileiras juniores dos “Encarnados”, ao atacante seria dada a oportunidade de experimentar as competições seniores. Com o emblema da “Luz”, no sector mais ofensivo, recheado de excelsas figuras, a exemplo José Torres, Artur Jorge, Nené ou Eusébio, seria o Portimonense a dar ao futebolista a oportunidade de subir de escalão. Mesmo com a colectividade algarvia a militar na 2ª divisão de 1969/70, a projecção feita para a sua evolução mantê-lo-ia ligado à elite do futebol luso. Prova disso mesmo, seria a convocatória do avançado aos trabalhos das jovens selecções nacionais. Ao lado de “promessas” como António Oliveira, Laranjeira, Vítor Pereira ou Fraguito, Coentro Faria, num desafio marcado para Março de 1970, apareceria como um dos nomes chamado aos, agora designados, sub-18 de Portugal.
A verdade é que, mesmo ao ver reconhecidas qualidades superiores, o seu trajecto afastá-lo-ia dos principais palcos do desporto nacional. Após deixar o Portimonense, os anos seguintes prenderiam o avançado aos escalões secundários. Nesse sentido, o Clube Desportivo de Gouveia, intercalada a sua passagem pelo emblema serrano com o Serviço Militar Obrigatório, o destacamento para Angola e os anos a representar o FC Moxico, tornar-se-ia na colectividade mais representativa desse período inicial. Já em 1975/76, após o regresso à agremiação inscrita na Associação de Futebol da Guarda, surgiria a oportunidade de, durante um ano, representar o Sporting da Covilhã. No entanto, seria a mudança para o Montijo que permitiria ao atleta dar novo salto na carreira e tornar a temporada de 1976/77 na da sua estreia na 1ª divisão.
Como já aqui foi destapado, o percurso competitivo de Coentro Faria caracterizar-se-ia por constantes mudanças de emblema. Barreirense, Vitória Futebol Clube, Juventude de Évora e Estoril Praia, com a colectividade alentejana como a única a impedir o seu acesso ao contexto primodivisionário, tornar-se-iam nos emblemas que coloririam a melhor fase do seu trajecto profissional. Longe ainda de dar por terminada essa caminhada competitiva, mas já num tempo que podemos caracterizar como descendente, as apostas do avançado ainda o levariam a representar outros históricos do desporto nacional. Estrela da Amadora e Ginásio de Alcobaça antecederiam as passagens pelo Cova da Piedade, Neves e o fim da carreira de futebolista no Portosantense.
Também como treinador, Coentro Faria tem alimentado a sua paixão pelo futebol. Sem nunca ter conseguido chegar ao patamar máximo, o técnico, aferido pelo Nível IV UEFA Pro, tem trilhado um percurso pelos escalões secundários. Mesmo afastado dos principais escaparates, a sua carreira tem sido louvada, de forma quase unanime, pela seriedade e competência. Com uma longa experiência no cargo, destaque para as passagens pela antiga 2ª divisão “B” e, por entre as habituais mudanças de emblema, o trabalho desenvolvido em agremiações como o Praiense, Juventude de Évora, Lusitânia de Lourosa, Caldas ou, já mais recentemente, à frente do União de Montemor.