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1721 - SALVADOR

Formado no modesto Leverense, seria também na colectividade inscrita na Associação de Futebol do Porto que Salvador Moreira Silva, na temporada de 1956/57, faria a transição para a equipa principal da referida agremiação. Com os primeiros anos da carreira divididos entre os “regionais” e o 3º escalão, o defesa-central, que também conseguia posicionar-se mais adiantado no terreno de jogo, ainda assim haveria de chamar a atenção de emblemas de outra monta. Porém, nessa evolução, a verdade é que o reconhecimento do seu valor ainda demoraria um pouco a chegar e só cumpridas 7 campanhas seniores é que o jogador viria a dar o salto para outro patamar.
Apresentado como reforço do plantel de 1963/64 do Varzim, Salvador, naquele que é o patamar maior do futebol luso, gravaria o seu nome no rol de atletas participantes na estreia do emblema poveiro. Mesmo tendo em conta que tal facto, a emergir isolado, serviria para inscrevê-lo na história do clube, o defesa-central daria ainda aos cronistas muitas outras razões para o classificarem como um dos mais notáveis atletas a passar pelos “Lobos-do-mar”. Nesse sentido, depois da estreia sob a batuta do treinador Artur Quaresma, viria a cimentação da titularidade conquistada. Mesmo tendo em conta a sua falta de experiência no novo nível competitivo, o jogador, numa inolvidável linha defensiva composta igualmente por Quim, Fernando Ferreira, e Sidónio, depressa viria a consagrar-se como um dos esteios das ideias de jogo pensadas pelos diferentes técnicos a transitar pelo comando dos “Alvi-Negros”. Como membro, quase inquestionável, do “onze” varzinista, o atleta, ao longo de vários anos, acumularia um número espantoso de partidas disputadas pelo listado branco e preto e, no seio de tantas presenças nas fichas de jogo, alguns números viriam a destacar-se.
Das 11 épocas em que serviria o Varzim, 8 delas, consecutivas, seriam cumpridas na 1ª divisão. Durante o mencionado período passado no patamar máximo, a titularidade dar-lhe-ia ao currículo 198 pelejas entre os “grandes” do futebol luso. Tal número faria de Salvador, e ainda hoje faz, o intérprete com mais jogos efectuados pelo emblema poveiro, no patamar máximo português. Ainda assim, de dentro desse enorme feito, é também possível retirar outras proezas igualmente espantosas. Nesse contexto de façanhas, temos então as 166 jornadas disputadas de forma ininterrupta e o facto de em apenas 9 ocasiões ter estado ausente das contendas varzinistas.
Assumindo as 8 temporadas consecutivas no escalão máximo o papel mais relevante desse trecho da história do Varzim, o 6º lugar alcançado, sob a intendência técnica de Joaquim Meirim, tornaria a temporada de 1969/70 na mais emblemática desse nobre ciclo. Não é absurdo voltar a referir a importância de Salvador como um dos pilares do aludido período. Todavia, não seria só por isso que o atleta acabaria acarinhado como um enorme exemplo de dedicação. Aferido como um dos grandes nomes dos cenários primodivisionários, a descida de divisão, ocorrida no termo das provas agendadas para 1970/71, não faria com que o defesa-central procurasse dar outro destino à carreira. Convictamente apaixonado pelos “Lobos-do-mar”, o jogador permaneceria fiel à colectividade nascida no seio de pescadores e só deixaria de representar, dentro de campo, a agremiação nortenha aquando da sua decisão de, em 1973/74, “pendurar as chuteiras”.

1472 - RIBEIRO

Iniciaria a carreira no modesto plantel de 1958/59 do FC Lixa. Porém, mesmo afastado dos grandes holofotes do desporto luso, as prestações do defesa-central ao serviço do emblema da sua terra natal, levariam agremiações de outra monta a mostrarem interesse na sua contratação. Logo na época seguinte à estreia como sénior, o Boavista, orientado por Gyula Reinier, surgiria como o passo certo a assegurar, à ainda curta caminhada, uma evolução positiva. Talvez pelo impacto da mudança, a verdade é que o jogador, na disputa da 1ª divisão, revelaria algumas dificuldades para conseguir afirmar-se no grupo de trabalho “axadrezado”. Ainda assim, o potencial revelado, mesmo com a despromoção das “Panteras”, assegurar-lhe-ia a permanência entre os “grandes” e o Salgueiros surgiria como a colectividade seguinte no percurso do atleta.
Com a entrada no emblema do bairro de Paranhos a acontecer na temporada de 1960/61, Agostinho Pereira Ribeiro passaria a trabalhar sob as ordens de Artur Baeta. Com uma primeira campanha algo discreta, o segundo ano a envergar a camisola do Salgueiros revelá-lo-ia como um dos principais elementos da equipa portuense. Sem deixar o escalão máximo, seguir-se-ia a transferência para o Leixões de 1962/63. Logo na campanha de entrada na agremiação de Matosinhos, o atleta, mais uma vez em destaque nas pelejas primodivisionárias, seria chamado aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos “esperanças”, o defesa, a 14 de Abril de 1963, acabaria por estrear-se com a “camisola das quinas”, numa disputa agendada frente à Grécia. Por Portugal ainda representaria a selecção militar e a equipa “b”. Ficaria a faltar-lhe uma internacionalização pelo conjunto principal luso, porém, apesar de convocado, apenas conseguiria ser suplente em 3 ocasiões.
Com a reputação a crescer, seria o Belenenses a apostar na sua contratação. Ao entrar no Restelo como reforço para a temporada de 1964/65, Ribeiro passaria a partilhar o balneário com nomes como os futuros “magriços” Vicente, Peres ou José Pereira. No seio de tão ilustre companhia, o outro destaque surgiria com a sua estreia nas competições de índole continental. Com a agremiação lusa integrada na disputa da Taça das Cidades com Feira, o defesa seria chamado, pelo treinador Franz Fuchs, às 3 partidas da eliminatória frente ao Shelbourne. Infelizmente para o conjunto “alfacinha”, os irlandeses venceriam a “negra” e afastariam os “Azuis” da competição.
Após uma temporada muito abaixo dos números habituais, Ribeiro deixaria o Belenenses para ingressar no Sporting de Braga. No Minho, tal como tinha acontecido na sua chegada a Lisboa, o jogador apanharia o novo clube apurado para as competições sob a égide da UEFA. Com os “Guerreiros” integrados na Taça dos Vencedores das Taças, mais uma vez o atleta veria o seu nome no rol de elementos eleitos para disputar a referida prova. Orientado por Fernando Caiado, o defesa participaria nas 4 partidas feitas pela colectividade sediada na “Cidade dos Arcebispos”, ajudando, na ronda inicial, a eliminar os gregos do AEK de Atenas.
Já transformado num dos elementos mais influentes no plantel do Sporting de Braga e numa altura em que envergava a braçadeira de capitão, Ribeiro, com o termo da temporada de 1967/68, decidiria, com apenas 27 anos de idade, pôr um ponto final na sua caminhada enquanto futebolista. Depois de “pendurar as chuteiras”, o antigo defesa deixaria de vez a modalidade para passar a dedicar-se a outras actividades. Profissionalmente, como proprietário de empresas do ramo têxtil, abraçaria as funções de industrial. Já no campo desportivo, a sua atenção virar-se-ia para o tiro ao voo.

1422 - MARQUES

Ao começar o percurso sénior ao serviço do Ginásio de Alcobaça, António Pereira Marques representaria o emblema sediado na Região Oeste entre as temporadas de 1957/58 e a de 1960/61. Depois surgiria o Serviço Militar Obrigatório a atrapalhar o evoluir da sua carreira. Após um interregno e com o destacamento para Angola, a campanha de 1962/63, à imagem de tantos atletas empurrados para a Guerra Colonial, seria passada num emblema local, para o caso do defesa-esquerdo, o Sport Benguela e Benfica. Já o regresso à Metrópole apresentaria à sua caminhada desportiva a Académica de Coimbra. A partir dessa campanha de 1963/64, o jogador passaria a destacar-se como um dos elementos mais cotados do emblema estudantil. Ao estatuto aferido pelo atleta, será impossível de dissociar os sucessos colectivos que viriam a moldar aquela que terá sido a época áurea do emblema conimbricense. Num conjunto de trabalho orientado pelo mítico Mário Wilson e onde marcariam presença um rol enorme de ilustres pessoas do futebol luso, Marques transformar-se-ia num dos pilar de diversos momentos de inolvidável importância.
De entre os gloriosos episódios vividos pela “Briosa” na década de 1960, quase sempre com Marques como um dos nomes habituais no alinhamento inicial da Académica, há a destacar as boas classificações no Campeonato Nacional, onde o 2º lugar alcançado no final da temporada de 1966/67 tornar-se-ia no melhor exemplo dessas notáveis jornadas. Claro que também temos as presenças nas competições continentais. Nesse registo, o defesa-esquerdo entraria em campo na edição de 1968/69 da Taça das Cidades com Feira. No entanto, mais importante do que essa participação, famosa pela “moeda ao ar” que viria a decidir a eliminatória a favor do Olympique de Lyon, seria a Taça dos Vencedores das Taças de 1969/70. Nessa caminhada, que conduziria a o conjunto português até aos quartos-de-final da prova, o jogador participaria em ambas as mãos dessa última ronda e que, frente ao Manchester City, ditaria o afastamento dos “Estudantes”.
Numa ligação com a agremiação beirã que, como futebolista, duraria até à temporada de 1971/72, há também a Taça de Portugal. Com presença na derradeira peleja da edição de 1966/67, perdida para o Vitória Futebol Clube, a sua participação na final de 1968/69, por questões maiores que o desporto, sublinharia a partida frente ao Benfica como um dos momentos mais marcantes da sua caminhada competitiva. Numa altura em que a luta estudantil contra o regime ditatorial vigente em Portugal assumiria o seu ápice, Marques, ao lado de Gervásio, Viegas, Vieira Nunes, Belo, Rui Rodrigues, Nené, Vítor Campos, Mário Campos, Manuel António, Ernesto, Rocha e Serafim, entraria no Estádio do Jamor em protesto – “Nesse dia a Académica representou a expressão de um sentimento de repulsa pelo ambiente académico e social que havia em Portugal. Havia um movimento de conspiração geral no Portugal inteiro, mas que na Associação Académica de Coimbra teve aí um momento alto que culminou com essa celebérrima final da Taça de Portugal de 69. Perdemos, mas perdemos ganhando, porque aí ganhámos Portugal, embora perdendo o jogo, mas o jogo foi um acontecimento desportivo como outro qualquer e competimos com galhardia, com dignidade, sabendo que sobre os nossos ombros estava muita responsabilidade, muito orgulho e satisfação por representarmos um Portugal muito atrasado em termos culturais, em termos sociais e também de falta de liberdade de expressão. Não ganhámos, mas ganhámos um país”*.

*retirado da entrevista publicada a 01/07/2022, em www.50anos25abril.pt

1324 - MARINHO

Formado no Atlético, seria no emblema sediado no bairro de Alcântara que Marinho Mateus, na campanha de 1962/63, chegaria às competições seniores. Com a colectividade lisboeta, na referida temporada, a disputar o degrau máximo do futebol português, o jovem extremo começaria por confirmar as suas qualidades enquanto jogador de eleição. Ao ter na velocidade o seu maior predicado, o atacante também ficaria conhecido pela aptidão para, com bastante sucesso, aparecer em zonas de finalização. Infelizmente, o ano da sua estreia na 1ª divisão, levaria o seu clube a descer de divisão e, com isso, ver-se-ia arrastado para as pelejas do patamar secundário. O regresso ao convívio com os “grandes” aconteceria na época de 1966/67 e, para infortúnio do atleta, com mais um azar a impedir a sua total afirmação.
Como “há males que vêm por bem”, a perna partida levaria Marinho a recuperar em Alvalade. Esse facto, segundo ficou registado, encetaria o “namoro” entre o atleta e os “Leões”, com a transferência de Marinho, da Tapadinha para o plantel do Sporting, a concretizar-se para a temporada de 1967/68. Recuperado da grave mazela, o extremo rapidamente conseguiria impor-se no “onze” leonino. Orientado por Fernando Caiado, o atacante passaria a ser tido como um dos titulares, estatuto que manteria nos anos seguintes. Nesse sentido, tornar-se-ia num dos pilares que, na campanha de 1969/70 e já sob a batuta de Fernando Vaz, contribuiria para a conquista do Campeonato Nacional.
Ainda de “Leão” ao peito, Marinho haveria de registar, a nível pessoal e colectivo, um longo rol de êxitos. Em termos de títulos, para além do aludido no parágrafo anterior, há ainda que listar as vitórias em 3 Taças de Portugal e na edição de 1973/74 do Campeonato Nacional. Claro está que não poderia esquecer as chamadas à selecção portuguesa. Nesse campo, a estreia pelo conjunto principal luso, depois de uma participação pelas “esperanças”, aconteceria, pela mão de José Maria Antunes, a 2 de Novembro de 1969. Curiosamente, as restantes internacionalizações da sua carreira, num total absoluto de 5 pelo conjunto “A”, só chegariam ao currículo do atacante alguns anos depois do tal “particular” frente à Suíça, mais concretamente nas campanhas de 1974/75 e 1975/76.
Com a carreira evidentemente marcada pela passagem de uma década pelo Sporting, o avançado, já no ocaso da caminhada competitiva, ainda teria tempo para envergar as camisolas de outros clubes. Os canadianos do First Portuguese, Marítimo, Estoril Praia e a passagem pela North American Soccer League, ao serviço do plantel de 1979 dos Toronto Blizzards, preencheriam esses capítulos. De seguida, a suceder aos derradeiros passos enquanto atleta, viria a mudança do antigo extremo para as funções de técnico. De regresso a Alvalade, Marinho começaria pelas tarefas de treinador-adjunto. Ainda no mesmo papel, estaria também ao serviço da Federação Portuguesa de Futebol. Já com as responsabilidades de principal “timoneiro”, teria curtas experiências com as cores leoninas, e também no Atlético e no Odivelas.

1227 - MANUEL DUARTE

Ao emergir das “escolas” da Académica, Manuel Duarte, atleta nascido na Beira Alta, surgiria na equipa principal do conjunto conimbricense na temporada de 1962/63. Lançado nos seniores da “Briosa” pelo treinador José Maria Pedroto, o atacante abrilhantaria a estreia no Campeonato Nacional com um golo marcado frente ao Vitória de Setúbal. Aliás, 3 das 4 partidas disputadas por si durante a referida campanha, seriam brindadas por remates certeiros. Porém, o jogador, que ao longo da carreira ganharia destaque por conseguir posicionar-se na esquerda ou no centro do sector mais ofensivo, acabaria por nunca conseguir afirmar-se no “onze” inicial e, ao fim de 2 anos, viria a abandonar o clube.
Sem deixar de competir na 1ª divisão, a transferência do avançado para outro emblema, acabaria por ajudar a catapultar a sua carreira. Após representar os “Estudantes”, a campanha de 1964/65 marcaria, na sua caminhada desportiva, o início da ligação ao Leixões. A chegada ao emblema de Matosinhos, onde voltaria a trabalhar sob a alçada de José Maria Pedroto, serviria para sublinhá-lo, não só como uma promessa do futebol luso, mas como um intérprete com grandes qualidades. Depois de, na época de arranque, ter apenas conseguido destacar-se na metade final da temporada, a época de 1965/66 mostraria Manuel Duarte como um futebolista capaz de exibições exuberantes. Essa valorização empurrá-lo-ia para um patamar superior e, mesmo sem ter participado na campanha de qualificação para o Mundial de 1966, o atacante passaria a ser visto pelos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol como um possível elemento a juntar à comitiva com destino a Inglaterra.
Chamado por Manuel da Luz Afonso aos trabalhos da selecção, antes ainda da partida para o certame aludido no parágrafo anterior, Manuel Duarte, com 2 presenças na equipa “B” e outras 2 pelo conjunto principal das “quinas”, conseguiria, nessas pelejas de preparação, as internacionalizações que acabariam por colorir a sua carreira. Integrado no grupo que partiria para a “Albion”, o avançado também celebraria o 3º lugar conquistado por Portugal. Mesmo sem contar com qualquer minuto em campo, a sua valorização, resultado da presença no Campeonato do Mundo, levaria emblemas de outra monta a olhar para si como um bom reforço para os respectivos planteis. Nesse sentido, seria o Sporting a convencer o atleta e a mudança para Alvalade dar-se-ia no prelúdio da temporada de 1966/67.
Trabalharia com os “Leões” durante 4 temporadas e ajudaria a agremiação lisboeta a vencer a edição de 1967/68 da Taça Intertoto. Nessa caminhada, a primeira campanha findaria com Manuel Duarte, para além de cimentado no “onze” sportinguista, como o melhor marcador da equipa. Todavia, nas épocas seguintes, muito mais do que perder a titularidade, o avançado, progressivamente, começaria a desaparecer das fichas de jogo. Com poucas presenças em campo no resto da sua ligação ao clube, a saída do Sporting levá-lo-ia até ao plantel de 1970/71 de um FC Porto orientado por António Teixeira. Contudo, a mudança não traria à carreira do futebolista os resultados esperados e, um ano após a entrada no Estádio das Antas, com apenas 2 presenças em partidas oficiais, o trajecto do atleta sofreria nova mudança.
A época com os “Azuis e Brancos” marcaria para o avançado a sua última passagem pelo escalão maior do futebol luso. Seguir-se-ia o Varzim e, naquela que viria a tornar-se na sua maior ligação enquanto sénior, as 6 temporadas ao serviço da AD Fafe. Depois viriam ainda as experiências em clubes mais modestos, com destaque para o Felgueiras, onde, como treinador-jogador, subiria o emblema aos “nacionais”.

1218 - ÁLVAREZ

Tal como com tantos nomes de temporadas mais antigas, nomeadamente atletas vindo do estrangeiro e com passagens por emblemas de menor monta em Portugal, a informação sobre a carreira de Ramón Manuel Álvarez é, não muito longe de uma completa incógnita, feita de dados pouco concretos ou mesmo bastante confusos. Ora, ao utilizar como introdução para esta pequena biografia a ideia das dificuldades que encontrei aquando das minhas tentativas para descobrir linhas fidedignas e que alinhassem, de uma forma clara, a cronologia da caminhada desportiva deste espanhol, passarei, de seguida, a expor o pouco que consegui apurar.
Parece que não há grande dúvida quanto à naturalidade de Álvarez, que, através de várias fontes, podemos aferir como nascido na Galiza e, com mais pormenor, na cidade de Vigo. Já quanto aos primeiros passos da carreira, aqueles que precederiam a sua chegada às provas portuguesas, aí sim, começam as dúvidas. Sendo que parece seguro afirmar que a entrada no nosso país terá acontecido na campanha de 1962/63, o que terá ocorrido antes, já é mais difícil de confirmar. Ainda assim, há fontes que asseveram o médio como jogador do Celta de Vigo, na temporada de 1961/62. Também há quem diga que, entre a passagem pelo emblema galego e a chegada ao Sporting de Espinho, o centrocampista terá tido a primeira experiência no Cádiz CF. Para baralhar tudo, a mesma fonte, a tal que afirma a passagem pela colectividade andaluza antes da entrada em Portugal, lá mais à frente, sublinha essa experiência inicial com “Los Piratas”, não antes do atleta ter atravessado a fronteira, mas como um interlúdio entre as várias campanhas passadas com os “Tigres”!
Confuso?! Eu avisei!
Com intervalo ou não, o que também parece ser certo é que a passagem de Álvarez pelo Sporting de Espinho, para além de encetada na época de 1962/63, terá terminado com o final da campanha de 1964/65. Sem nunca deixar o 2º escalão luso, a transferência para a Associação Desportiva Sanjoanense manteria o médio no degrau secundário. No entanto, a troca de emblema acabaria por revelar à caminhada competitiva do atleta outros horizontes. Como um dos elementos mais preponderantes do plantel, destacando-se pela capacidade de interpretar o jogo e pela habilidade em servir os colegas mais avançados no terreno, a sua ajuda serviria para elevar o conjunto “alvinegro” ao patamar máximo. Com o regresso do clube ao convívio dos “grandes”, o jogador manter-se-ia como um dos mais importantes no alinhar da equipa. A prova do seu valor aferir-se-ia pela quantidade de vezes em que seria chamado à ficha de jogo e as 38 partidas disputadas, divididas por 2 temporadas, transformariam o espanhol no 8º futebolista com mais presenças pelo clube na 1ª divisão.
Mesmo avaliado como um bom jogador, a verdade é que a temporada de 1967/68 revelaria o médio um pouco mais discreto. A perda de preponderância terá, provavelmente, ajudado na decisão que levaria o atleta a deixar Portugal. O passo seguinte, como já tinha sido ligeiramente destapado, acabaria por ser o de retorno a Espanha e o acordo assinado, sem confirmado a estreia ou o regresso na união, com o Cadiz CF.

1188 - DURAND

Natural do Barreiro, seria no Luso Futebol Clube que Augusto Esteves Durand, com passagens pelas equipas de juvenis e de juniores, completaria a formação. Com a sua evolução no desporto a ser tida como bastante auspiciosa, os responsáveis pelo Sporting, para a temporada de 1953/54, decidir-se-iam pela contratação do jovem jogador. No entanto, com a mudança para o emblema lisboeta, o melhor que o defesa conseguiria, seria a participação nos desafios dados à categoria de “reservas”. Durante as épocas seguintes, não disputaria qualquer outra partida oficial para além das listadas ao conjunto secundário “verde e branco”. Com a falta de utilização na equipa principal a pôr em causa o seu crescimento, depois de atravessado um longo “deserto”, a solução encontrada para a sua carreira acabaria por ser a saída.
Após uma curta passagem pelo Torres Novas na temporada de 1956/57, Durand decidiria voltar a representar um dos emblemas com sede no Concelho no Barreiro. Porém, dessa feita, o regresso à terra natal levá-lo-ia a envergar uma camisola diferente. No Grupo Desportivo da CUF, a sua contratação e posterior integração no plantel principal, sublinharia o defesa como um verdadeiro reforço. Lançado pelo treinador Cândido Tavares na 9ª jornada, o desenrolar da campanha de 1957/58, para além de dar azo à estreia do atleta no principal escalão do futebol português, faria com que o seu nome começasse a aparecer nas fichas de jogo, com uma frequência bem mais do que aceitável.
Como um dos elementos mais utilizados do plantel alvi-verde, a sua importância no seio do grupo de trabalho também serviria de sustento para alavancar alguns dos momentos mais relevantes da história do clube estabelecido na Margem Sul. Depois de ajudar a atingir o 4º lugar na tabela classificativa de 1961/62, a campanha de 1964/65, com o 3º posto alcançado no Campeonato Nacional, representaria a melhor classificação de sempre na vida do emblema. Após tal feito, ao conjunto do Lavradio ser-lhe-ia dada a oportunidade de participar na edição do ano seguinte da Taça dos Clubes das Cidades com Feira. Ao entrar directamente na 2ª ronda da competição, à colectividade portuguesa calharia em sorte disputar a eliminatória com o poderoso AC Milan. Todavia, nem a presença no plantel italiano de “estrelas” como Giovanni Trapattoni, Cesare Maldini, Gianni Rivera ou Karl-Heinz Schnellinger, assustaria a agremiação lusa. Na 1ª mão, disputada no recém-inaugurado Estádio Alfredo da Silva, Durand marcaria presença no “onze” que derrotaria os milaneses por 2-0. Repetiria a chamada à equipa titular na volta disputada em Milão e, na partida de desempate, que ditaria o afastamento da CUF.
Depois de 11 temporadas a defender as cores da CUF, o vínculo de Durand com o emblema barreirense conheceria o fim com o término da temporada de 1967/68. Sem que tenha conseguido confirmar tal informação, há relatos que dão conta de um regresso do atleta, antes de “pendurar as chuteiras” definitivamente, ao Luso Futebol Clube. Já o que é certo, é a sua ligação a outra colectividade da região. Com mais paixões no desporto para além da prática do futebol, o antigo defesa também ficaria conhecido pela sua participação nas rotinas do Clube Naval Barreirense. No emblema dedicado às modalidades náuticas, daria azo à sua faceta de dirigente, chegando mesmo a ocupar o lugar de Presidente.