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1721 - SALVADOR

Formado no modesto Leverense, seria também na colectividade inscrita na Associação de Futebol do Porto que Salvador Moreira Silva, na temporada de 1956/57, faria a transição para a equipa principal da referida agremiação. Com os primeiros anos da carreira divididos entre os “regionais” e o 3º escalão, o defesa-central, que também conseguia posicionar-se mais adiantado no terreno de jogo, ainda assim haveria de chamar a atenção de emblemas de outra monta. Porém, nessa evolução, a verdade é que o reconhecimento do seu valor ainda demoraria um pouco a chegar e só cumpridas 7 campanhas seniores é que o jogador viria a dar o salto para outro patamar.
Apresentado como reforço do plantel de 1963/64 do Varzim, Salvador, naquele que é o patamar maior do futebol luso, gravaria o seu nome no rol de atletas participantes na estreia do emblema poveiro. Mesmo tendo em conta que tal facto, a emergir isolado, serviria para inscrevê-lo na história do clube, o defesa-central daria ainda aos cronistas muitas outras razões para o classificarem como um dos mais notáveis atletas a passar pelos “Lobos-do-mar”. Nesse sentido, depois da estreia sob a batuta do treinador Artur Quaresma, viria a cimentação da titularidade conquistada. Mesmo tendo em conta a sua falta de experiência no novo nível competitivo, o jogador, numa inolvidável linha defensiva composta igualmente por Quim, Fernando Ferreira, e Sidónio, depressa viria a consagrar-se como um dos esteios das ideias de jogo pensadas pelos diferentes técnicos a transitar pelo comando dos “Alvi-Negros”. Como membro, quase inquestionável, do “onze” varzinista, o atleta, ao longo de vários anos, acumularia um número espantoso de partidas disputadas pelo listado branco e preto e, no seio de tantas presenças nas fichas de jogo, alguns números viriam a destacar-se.
Das 11 épocas em que serviria o Varzim, 8 delas, consecutivas, seriam cumpridas na 1ª divisão. Durante o mencionado período passado no patamar máximo, a titularidade dar-lhe-ia ao currículo 198 pelejas entre os “grandes” do futebol luso. Tal número faria de Salvador, e ainda hoje faz, o intérprete com mais jogos efectuados pelo emblema poveiro, no patamar máximo português. Ainda assim, de dentro desse enorme feito, é também possível retirar outras proezas igualmente espantosas. Nesse contexto de façanhas, temos então as 166 jornadas disputadas de forma ininterrupta e o facto de em apenas 9 ocasiões ter estado ausente das contendas varzinistas.
Assumindo as 8 temporadas consecutivas no escalão máximo o papel mais relevante desse trecho da história do Varzim, o 6º lugar alcançado, sob a intendência técnica de Joaquim Meirim, tornaria a temporada de 1969/70 na mais emblemática desse nobre ciclo. Não é absurdo voltar a referir a importância de Salvador como um dos pilares do aludido período. Todavia, não seria só por isso que o atleta acabaria acarinhado como um enorme exemplo de dedicação. Aferido como um dos grandes nomes dos cenários primodivisionários, a descida de divisão, ocorrida no termo das provas agendadas para 1970/71, não faria com que o defesa-central procurasse dar outro destino à carreira. Convictamente apaixonado pelos “Lobos-do-mar”, o jogador permaneceria fiel à colectividade nascida no seio de pescadores e só deixaria de representar, dentro de campo, a agremiação nortenha aquando da sua decisão de, em 1973/74, “pendurar as chuteiras”.

1654 - SIDÓNIO

Júnior do Benfica, a época de 1958/59 significaria para Sidónio da Silva Bastos a chegada ao universo sénior. Tendo conseguido apenas segurar um lugar no conjunto de “reservas” das “Águias”, o jovem praticante teria de aguardar até 1960/61 para receber de Béla Guttmann a primeira oportunidade na equipa principal. Na referida temporada e na subsequente, campanhas em que os “Encarnados” triunfariam na Taça dos Clubes Campeões Europeus, o jogador somente entraria em campo nas competições de índole interno. Ainda assim, a meia dúzia de partidas por si disputadas, serviriam para inscrever no seu currículo alguns títulos importantes e as vitórias no Campeonato Nacional de 1960/61 e na Taça de Portugal do ano seguinte passariam a fazer parte do palmarés do defesa-esquerdo.
Já como internacional militar, Sidónio, em busca de mais presenças em campo, seria, na temporada de 1962/63, apresentado como reforço do Atlético. Sem deixar as contendas do escalão máximo, o defesa-esquerdo, a exibir-se no Estádio da Tapadinha, conseguiria afirmar-se como um dos elementos habitualmente arrolados ao “onze” inicial. No entanto, a despromoção da colectividade nascida no lisboeta bairro de Alcântara, faria com que procurasse prosseguir a sua senda competitiva noutras paragens. Nesse sentido, seria o plantel de 1963/64 do Varzim, colectividade a estrear-se na 1ª divisão, a receber o atleta nascido em Moçambique. A trabalhar sob a intendência de Artur Quaresma, o esquerdino voltaria a afirmar-se como uma dos bons elementos a passar pelas provas de maior calibre no calendário futebolístico português. Tal estatuto saberia mantê-lo nas campanhas seguintes e com o acumular de partidas cumpridas pelos “Lobos-do-mar”, o jogador encaminhar-se-ia para o estrito rol de nomes históricos a envergar a camisola da colectividade nortenha.
Tendo passado pelas mãos de diferentes treinadores, como são exemplo, para além do nome referido no parágrafo anterior, José Maria Pedroto, José Valle, Ricardo Perez, Monteiro da Costa, Joaquim Meirim, Rodrigues Dias ou Noé Castro, Sidónio raras vezes perderia a importância no seio do plantel do Varzim. A preponderância apresentada durante 8 temporadas consecutivas, todas elas na disputa da 1ª divisão, faria com que também fosse um dos responsáveis pelas diferentes metas alcançadas pelo clube. Entre os sucessos conseguidos, o maior destaque ira para o 6º posto atingido, na tabela classificativa do Campeonato Nacional, com o termo da campanha de 1969/70. Curiosamente, a época imediatamente a seguir terminaria com a despromoção do colectivo a trajar o listado alvinegro. O desaire marcaria também a separação do emblema e do defesa-esquerdo, o qual, em 1971/72, viria a prosseguir a carreira ao serviço da AD Fafe.
Sem ter conseguido confirmar a veracidade da informação fornecida por algumas fontes, depois da passagem de um ano pela agremiação minhota, Sidónio, hipoteticamente, ainda terá regressado ao Varzim. Infelizmente faltaram-me encontrar outras evidências para que possa considerar tal afirmação como correcta. Todavia, achei relevante torná-la aqui disponível.

1644 - MALÓ

Concluída a formação pelo Benfica, João Luís Maló de Abreu, ajudado por alguma casmurrice de Otto Glória, treinador que tinha vaticinado no jogador qualidades insuficientes para os “Encarnados”, deixaria as “Águias” para passar a defender as balizas da Académica de Coimbra. A viver nas margens do Rio Mondego, muito mais do que o futebol, o jovem guardião encontraria nas actividades escolares outro sentido para a vida pessoal. Ainda assim, com a Licenciatura em Medicina a ocupar, obviamente, as suas prioridades, o atleta não descuraria as obrigações futebolísticas e na época de entrada na “Briosa”, ultrapassando os outros colegas de posição nas opções inicialmente idealizadas por Óscar Montez, rapidamente ocuparia um lugar de destaque no plantel dos “Estudantes”.
À frente de Gomes da Silva, também ele com um passado ligado às “escolas” do Benfica, Maló assumir-se-ia, logo na campanha de 1959/60, como um dos titulares da Académica de Coimbra. Mesmo com a saída do treinador argentino e a entrada do luso-magiar János Biri, o seu estatuto manter-se-ia inalterado. No entanto, o guarda-redes, muitas vezes prejudicado por algumas lesões, nem sempre conseguiria manter-se como um dos elementos habituais do “onze” do conjunto beirão. Essas excepções, ainda assim, não prejudicariam em demasia a sua evolução. A prova viria alguns anos depois quando, por altura de uma partida agendada para os “esperanças” lusos, o guardião veria os responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol a incluir o seu nome numa peleja com a oposição da Grécia. Nesse “particular” frente ao conjunto helénico, disputado a 14 de Abril de 1963, o jogador iniciaria um trajecto a levá-lo, já em 1967, a nova chamada e numa partida pela equipa “B”, dessa feita contra a Bélgica, o atleta atingiria as 2 internacionalizações com a “camisola das quinas”.
No que diz respeito ao percurso clubístico, com a Académica a manter-se nas disputas do escalão maior, Maló, com o decorrer dos anos, muito mais do que ver reforçado o estatuto primodivisionário, ver-se-ia sublinhado como um dos melhores, da sua posição, a actuar em Portugal. Aferido como um dos símbolos da “Briosa”, reforçada essa visão pela situação de “estudante-atleta”, o guardião, a trabalhar sob as instruções de Mário Wilson, participaria numa das épocas mais faustosas do conjunto conimbricense. Nessa época de 1966/67, campanha na qual viria a ser totalista no Campeonato Nacional, o guardião contribuiria para o 2º posto, a melhor classificação de sempre do clube, alcançado na prova de maior monta no calendário futebolístico português. Também na Taça de Portugal, com a chegada à final, o colectivo sediado na Beira Litoral conseguiria brilhar. No Jamor, o guarda-redes seria escolhido para “onze”, mas numa partida a estender-se para além do prolongamento, a sorte calharia ao Vitória Futebol Clube e o troféu sairia do Estádio Nacional em direcção a Setúbal.
Curiosamente, daí em diante e com as presenças de Brassard, de Viegas e de Cardoso a atrapalharem as contas da titularidade, Maló perderia a preponderância de épocas anteriores. Ainda assim, numa carreira que terminaria com o fim das provas agendadas para 1969/70, o guardião, ao fazer parte de grupos de trabalho de inolvidável importância na história da agremiação, não deixaria de viver outros grandes feitos da Académica de Coimbra. O primeiro desses sucessos seria, com a entrada na Taça das Cidades com Feira, a estreia nas provas de índole continental. Ainda nessa temporada, surgiria a famosa final da Taça de Portugal de 1968/69 e os protestos estudantis. Finalmente, o brilhante percurso na edição de 1969/70 da Taça dos Vencedores das Taças, com a “Briosa” a atingir os quartos-de-final.

1623 - MORAIS

Cumpridas as etapas formativas com as cores da Associação Atlética Portuguesa, seria em 1959 que José Morais Rodrigues viria a rubricar o primeiro contrato profissional. Como é hábito em muitas das carreiras de atletas brasileiros, o avançado, ou médio-ofensivo, começaria no Auto Esporte Clube um percurso caracterizado, por razão das várias mudanças de emblema, pela errância. Nesse sentido, seguir-se-ia no seu trajecto a entrada no plantel de 1961 do Campinense Clube. Ao serviço da “Raposa”, logo no ano de chegada à colectividade e também na temporada seguinte, emergeriam as vitórias no “Estadual” de Paraíba. Por fim viria o interesse da Portuguesa dos Desportos comandada por Otto Glória e a mudança para São Paulo.
Integrado na “Lusa” por empréstimo do seu antigo clube, Morais, já na campanha de 1963, para além do técnico aludido no final do parágrafo anterior, acabaria a trabalhar sob as ordens de outro conhecido do futebol português, o treinador Aymoré Moreira. Com a estreia a dar-lhe ao currículo um golo frente ao Santos, as exibições conseguidas ao longo da temporada valer-lhe-iam a transferência para o Fluminense. Poucos seriam os meses passados no Rio de Janeiro, pois, nesse ano de 1964, o médio-ofensivo ainda envergaria a camisola do América (falta saber em qual das agremiações com essa designação) e o equipamento do Sport Recife. No emblema sediado no Estado de Pernambuco, o jogador continuaria a alimentar a sua cotação e acabaria por ver a cobiça de colectividades europeias a levá-lo até ao outro lado do oceano.
Ao plantel de 1965/66 do Vitória Sport Clube, Morais chegaria acompanhado de outro colega vindo Sport Recife, o avançado Djalma. Numa equipa comandada pelo gaulês Jean Luciano e onde brilhavam nomes como Peres, Gualter, Daniel Barreto, Manuel Pinto, Joaquim Jorge ou Mendes, o destaque merecido pelas suas exibições, não só ajudariam ao 4º lugar atingido na tabela classificativa com o final do Campeonato Nacional da 1ª divisão, como cevaria o interesse de emblemas de monta maior. Porém, a mudança para um Sporting campeão pelas mãos de Otto Glória complicar-se-ia por razão de alguns problemas burocráticos e a passagem pelo Treze de Campina Grande desemaranharia a mudança para Alvalade.
À entrada para o emblema lisboeta, Morais já não encontraria o mencionado treinador seu conterrâneo. Nos “Leões”, tendo a estreia pelo Sporting acontecido à 15ª jornada de 1966/67, só por duas rondas trabalharia com o espanhol Fernando Argila. Seguir-se-ia Armando Ferreira. No entanto, o atleta, que no primeiro jogo pelos “Verde e Brancos” concretizaria dois golos frente ao FC Porto, veria o azar a bater-lhe à porta após meia dúzia de partidas realizadas. Com uma grave lesão a afastá-lo da competição durante um largo período, o regresso aos relvados, dar-se-ia somente no começo da época seguinte. De volta à competição, talvez afectado por alguma mazela, a verdade é que não conseguiria convencer Fernando Caiado a dar-lhe, de forma indiscutível, um lugar no “onze”. A titularidade alcançá-la-ia na temporada de 1968/69 e ao realçar-se como um excelente médio-centro. Já no que diz respeito à campanha de maior proveito, o destaque iria para 1969/70, período durante qual inscreveria o seu nome no rol dos pupilos que, sob as ordens de Fernando Vaz, ganhariam o Campeonato Nacional.
Como uma dupla surpresa, primeiro surgiria a sua transferência para o Vitória Futebol Clube de 1970/71 e, em segundo lugar, erguer-se-ia uma época que, num grupo orientado por José Maria Pedroto, não traria qualquer partida à sendo desportiva de Morais. A suceder ao desaire vivido em Setúbal, assomar-se-ia o Marinhense e a experiência, na edição de 1972 da North American Soccer League, com as cores dos Toronto Metros. Por fim, de volta a Portugal, o médio ainda teria tempo para envergar as divisas d’ “Os Nazarenos” e do Vila Real. Já de regresso ao Brasil, ressurgiria o desejo de retornar aos estudos e a conclusão do curso de Direito.

Nota: por favor, tenham alguma reserva nas datas apresentadas, pois as mesmas referem-se às fontes que considerei mais fidedignas, sem, contudo, serem totalmente fiáveis.

1574 - NAFTAL

Seria no Clube de Manjacaze que o FC Porto viria a descobrir um jovem avançado de nome Domingos Lucas Naftal. Praticante de predicados físicos de excepção, logo os “Azuis e Brancos” tratariam da sua mudança de Moçambique para a “Cidade Invicta”. Porém, mesmo tendo em conta todo o potencial apresentado pelo atacante, a entrada no Estádio das Antas na temporada de 1962/63 não traria qualquer facilidade para o desenovelar da carreira do jogador. Nesse sentido, com essa época de chegada a Portugal a não produzir qualquer partida na equipa principal do conjunto nortenho, a seguinte apenas traria uma única presença em campo, para a Taça de Portugal e, ainda assim, com um golo seu a ajudar ao triunfo por 3-1 frente ao Vitória Sport Clube.
A campanha de 1964/65 traduzir-se-ia como a melhor etapa de Naftal com os “Dragões”. Mesmo sem conseguir conquistar um lugar como titular, o avançado, sob a batuta de Otto Glória, seria arrolado por diversas vezes a ocupar um lugar entre os atletas chamados a jogo. Uma dessas oportunidades, pelo lance proporcionado pelo moçambicano, tornar-se-ia num dos momentos inesquecíveis da sua carreira. A história conta-se depressa e envolveria uma jornada com o FC Porto a receber as “Águias”, um cruzamento de Nóbrega, o domínio da bola com o peito, um esférico a não tocar no chão, seguido de um potente remate à entrada da área e um golo de belo efeito a bater o benfiquista Costa Pereira.
Apesar das boas indicações deixadas na época referida no parágrafo anterior, a verdade é que Naftal não conseguiria dar grande seguimento a tais exibições de categoria. Com esse contexto a esmagar a evolução do atacante, a campanha de 1965/66, mais uma vez com poucas presenças em campo pela categoria principal, tornar-se-ia na última do jogador ao serviço do FC Porto. Seguir-se-ia o encetar de um período mais errante no seu trajecto, com uma passagem pouco expressiva pelo plantel de 1966/67 do Vitória Sport Clube e, na temporada subsequente, a boa experiência num Tirsense comandado pelo treinador-jogador Ferreirinha e durante a qual voltaria a trabalhar ao lado de antigos colegas nos “Azuis e Brancos”, casos de Manuel Silva, Carlos Manuel, Ernesto Pereira ou Acácio Carneiro.
A passagem pelos “Jesuítas” marcaria um fim de ciclo para Naftal. Ao terminar o seu trajecto primodivisionário, o atleta ainda envergaria as camisolas do Sporting da Covilhã, Sporting de Espinho e Marinhense. Nos “Vidreiros”, o avançado contribuiria para um dos episódios mais importantes da colectividade sediada no distrito de Leira, ou seja, a disputa da Liguilha de 1970/71 que, infelizmente para o clube, não resultaria na tão almejada promoção ao escalão maior do futebol luso.
Depois ainda viriam as passagens pelo Vilanovense, Aliados de Lordelo e a viagem até ao Canadá para, na edição de 1975 da Canadian National Soccer League, representar os Ottawa Tigers.

1570 - ALMEIDA

Tendo dividido o percurso formativo entre as “escolas” do Varzim e as do FC Porto, João Luís Pinto de Almeida subiria a sénior na temporada de 1962/63. Tapado por colegas mais experientes, caso de Miguel Arcanjo, o jovem defesa-central poucas oportunidades conseguiria sob a alçada do técnico Janos Kalmar. Todavia, na época seguinte à da sua chamada aos trabalhos do plantel principal, seria a lesão do colega ainda agora referido a abrir-lhe as portas da titularidade. Inicialmente a trabalhar com Artur Baeta, para, após a 4ª ronda do Campeonato Nacional, passar a ser treinado por Otto Glória, o jogador afirmar-se-ia como um dos esteios dos “Azuis e Brancos”. Daí em diante, raras seriam as vezes em que sairia dos planos dos diferentes timoneiros à frente da colectividade sediada na “Cidade Invicta” e o seu nome começaria a ser pensado no contexto de cogitações bem mais faustosas.
A regularidade apresentada nas primeiras épocas da carreira faria com que da Federação Portuguesa de Futebol começassem a pensar em si como um possível reforço nas pelejas agendadas para a “camisola das quinas”. Uma dessas hipóteses emergiria com a veiculação da lista de 40 pré-convocados, elaborada por Manuel da Luz Afonso, para o Mundial de 1966. Contudo, não tendo sido chamado para o certame realizado em Inglaterra, seria pelos “BB”, sem esquecer a participação na selecção militar, que o defesa-central teria oportunidade de auxiliar Portugal. Nessa senda, o jogador seria convocado à contenda marcada para o Estádio do Bonfim. Em Setúbal, a 11 de Junho 1966, Almeida entraria em campo ao lado de Custódio Pinto, camarada no FC Porto, e dessa maneira selaria 1 internacionalização com as cores lusas.
Apesar de ainda ter mantido a titularidade no FC Porto durante a temporada de 1966/67, a situação do jogador, nas campanhas seguintes, alterar-se-ia de forma bem vincada. A perda de preponderância fá-lo-ia dar um novo rumo à carreira, encontrando no FC Barreirense a nova morada. No emblema sediado na Margem Sul, o atleta passaria a integrar uma colectividade a atravessar uma fase áurea da sua história. Num plantel comandado por Manuel de Oliveira e composto por nomes como Bento, Bandeira, Valter, João Carlos ou Mira, o defesa-central, logo na campanha de 1969/70, contribuiria para a melhor classificação de sempre da agremiação, o 4º posto no Campeonato Nacional da 1ª divisão, e consequente apuramento e estreia nas provas de índole continental. Nesse cenário competitivo, inserido na edição de 1970/71 da Taça das Cidades com Feira, aos homens do listado alvirrubro, calharia em sorte jogarem com os jugoslavos do Dinamo Zagreb. Porém, com Almeida escalonado para o “onze” em ambas as partidas e apesar da vitória caseira por 2-0, uma copiosa derrota na 2ª mão empurraria para fora da prova o conjunto luso.
Seguir-se-ia, em 1971/72, o seu ingresso no Farense. Assumindo-se como titular no centro do sector mais recuado, Almeida passaria a ser tido como um dos pilares do esquema táctico idealizado por Manuel de Oliveira. Ao acompanhar a equipa no patamar máximo, quase sempre como membro do “onze” inicial, o defesa-central acrescentaria ao currículo outras 5 campanhas primodivisionárias. Aliás, seria na agremiação do Sotavento que o jogador completaria o percurso de 13 temporadas no 1º escalão. Depois, antes do termo da sua caminhada enquanto futebolista, viriam ainda o Famalicão e o Mirandela. Seria igualmente em Trás-os-Montes e em Mirandela que encetaria a carreira como treinador, a qual também passaria pelo Desportivo das Aves e pelas camadas jovens do Rio Ave.

1533 - FERREIRA PINTO

Tal como o seu irmão mais velho, José Ferreira Pinto, uns anos antes, Fernando sairia do Sporting de Benguela para viajar até à metrópole, onde viria a juntar-se ao Sporting Clube de Portugal. Nos “Leões” lisboetas a partir do final da temporada de 1960/61, campanha na qual apenas representaria as “reservas”, a estreia na equipa principal ficaria guardada para a época seguinte. Pela mão de Juca, a 31 de Dezembro de 1961, o jogador entraria em campo numa peleja a contar para a Taça de Portugal, a opor os “Verde e Brancos” ao Cova da Piedade. Porém, essa partida não teria, de forma regular, grande continuidade. Mesmo revelando uma enorme polivalência, característica a permitir-lhe jogar em qualquer sector, o atleta seria poucas vezes chamado à primeira categoria e nos anos vindouros por tornar-se-ia num dos nomes habituais, mas do conjunto secundário.
Apesar de pouco utilizado nos primeiros anos de “Leão” ao peito, Fernando Ferreira Pinto acabaria por marcar presença naquela que haveria de ser a caminhada mais importante da história sportinguista. Chamado pelo brasileiro Gentil Cardoso à recepção aos cipriotas do APOEL Nicósia, o atleta, a posicionar-se como atacante, contribuiria com 2 remates certeiros para a estrondosa goleada por 16-1. No entanto, muito para além da participação naquele que é, ainda hoje, o resultado mais desnivelado numa competição sob a égide da UEFA, o atleta, na sequência da partida mencionada, também contribuiria para a inolvidável vitória na edição de 1963/64 da Taça dos Vencedores das Taças.
No que diz respeito a conquistas, o palmarés de Ferreira Pinto não ficaria cingido ao troféu referido no parágrafo anterior. Numa altura em que, no meio-campo da equipa principal, era presença habitual nas fichas de jogo, o atleta transformar-se-ia numa das figuras de maior monta na vitória do Campeonato Nacional de 1965/66. Contudo, o protagonismo conquistado praticamente terminaria com o triunfo naquela que é a prova mais importante no calendário luso. Na época subsequente, o jogador regressaria à condição de suplente e tal retrocesso fá-lo-ia procurar um novo rumo para a caminhada desportiva.
Seguir-se-ia, sem deixar a 1ª divisão, o ingresso na Sanjoanense. Com a entrada nos “Alvinegros” a acontecer na temporada de 1967/68, Ferreira Pinto cimentar-se-ia como um dos titulares da equipa. A jogar essencialmente como médio-ofensivo, o atleta tornar-se-ia de fulcral importância para os desenhos tácticos de Monteiro da Costa e, na campanha seguinte, de Manuel de Oliveira. Ainda assim, as suas exibições seriam insuficientes para evitar, com o termo das provas planeadas para 1968/69, a despromoção da equipa. Pior ainda, seria com a aludida descida de escalão que começariam as minhas dúvidas sobre um pequeno trecho da sua carreira. Nesse sentido, tenho algumas fontes a garantirem a sua continuidade na agremiação de São João da Madeira em 1969/70, enquanto outras dão-no como elemento do plantel do Tramagal. Terá dividido a época pelas duas equipas? Não sei. Curiosamente, li também referências à sua passagem pela localidade ribatejana, mas como tendo acontecido em 1970/71!
Certo seria a sua entrada no plantel de 1970/71 do Farense. No emblema algarvio, Ferreira Pinto, para além de voltar a trabalhar sob a orientação de Manuel de Oliveira, também retornaria ao patamar primodivisionário. Aliás, o seu regresso ao convívio com os “grandes” seria suficiente para pôr o jogador no quadro de notáveis do emblema sulista, pois essa época de chegada ao Estádio de São Luís coincidiria com estreia dos “Leões de Faro” no escalão maior. Seguir-se-ia, após duas épocas como titular no colectivo do Sotavento, nova mudança de rumo, com o Sacavenense de 1972/73, onde passaria a ser treinado pelo irmão mais velho, José Ferreira Pinto, e onde viria a partilhar o balneário com Cuca, o irmão mais novo, a emergir como um novo passo na caminhada competitiva do atleta. Depois apareceria a viagem transatlântica e a milionária North American Soccer League, competição na qual integraria os grupos de trabalho de 1973 e de 1974 dos Toronto Metros.

1520 - HERCULANO

Natural da cidade de Setúbal, Herculano do Carmo Santos Oliveira terminaria o percurso formativo nas “escolas” do Vitória Futebol Clube. Aliás, seria igualmente nos “Sadinos” que o jovem jogador, chamado pelo técnico argentino Óscar Montez, daria os primeiros passos como sénior. Porém, com o clube, na temporada de 1960/61, a militar na 2ª divisão, o defesa teria ainda de aguardar algumas campanhas para conseguir estrear-se no escalão máximo. Entretanto, em 1961/62, puxado para o alinhamento inicial pelo treinador Filpo Núñez, o atleta acrescentaria ao currículo pessoal a primeira presença na final da Taça de Portugal. No Estádio Nacional, ao lado de Mourinho Félix, Jaime Graça, José Dimas, Polido ou Alfredo Moreira, o conjunto setubalense não conseguiria derrotar o Benfica e o desejado troféu partiria em direcção à Luz.
Finalmente, a época de 1962/63 traria o degrau maior do futebol luso ao caminho de Herculano. Em abono da verdade, não seria a campanha referida no início deste parágrafo a permitir ao defesa a estreia entre os “grandes”. Quase sem jogar, a única partida efectuada pelo jogador na equipa principal seria, no âmbito da disputa da Taça dos Vencedores das Taças, a agendada frente aos gauleses do Saint-Étienne. Nesse sentido, o arranque do seu percurso na 1ª divisão aconteceria apenas no decorrer de 1963/64 e pela mão do treinador Francisco Reboredo. No entanto, essa ´temporada, muito mais do que encetar a sua caminhada primodivisionária, possibilitaria ao atleta a conquista de um lugar no “onze” inicial.
Daí em diante, quase sempre como titular, Herculano cimentar-se-ia como um dos nomes mais conceituados do grupo de trabalho do Vitória Futebol Clube. Aferido como um dos pilares da equipa sediada na cidade de Setúbal, ao trajecto do jogador chegaria a segunda final da Taça de Portugal. Nessa edição de 1964/65, mais uma vez calharia aos “Sadinos” defrontar o Benfica. Contudo, o fado do embate seria diferente ao anteriormente mencionado e a sorte chegar-se-ia ao listado verde e branco. O defesa, chamado à peleja por Fernando Vaz, seria assim de fulcral importância para o desfecho do jogo disputado no Estádio Nacional e o “placard” final, a assinalar 3-1, entregaria ao palmarés do atleta a vitória na apelidada “Prova Rainha”.
A sublinhar uma das épocas áureas da história do Vitória Futebol Clube, Herculano seria um dos intérpretes de mais 3 chegadas à final da Taça de Portugal. Todas elas consecutivas, o agremiado setubalense, a somar ao já aludido triunfo frente ao Benfica, disputaria ainda, respectivamente frente ao Sporting de Braga, Académica e FC Porto, as decisivas partidas de 1965/66, de 1966/67 e de 1967/68. Já o defesa falharia o encontro correspondente à derrota frente ao conjunto minhoto. Por outro lado, compareceria nas duas partidas restantes. Com tais presenças, para além do desafio perdido com os “Dragões”, o jogador entraria no alinhamento a opor o seu emblema aos “Estudantes” e, ao contribuir para a vitória por 3-2, somaria mais um troféu ao trajecto competitivo.
No que respeita ao resto da sua carreira, Herculano manter-se-ia ligado ao Vitória Futebol Clube até ao termo da temporada de 1969/70. Antes ainda do fim da longa relação, o jogador participaria na brilhante campanha do emblema setubalense na edição de 1968/69 da Taça das Cidades com Feira, onde o colectivo português atingiria os quartos-de-final. Depois de deixar a sua cidade natal, o defesa decidiria ter tempo para mais uma campanha e seria um ano após a chegada ao Vitória Sport Clube que viria a “pendurar as chuteiras”.

1472 - RIBEIRO

Iniciaria a carreira no modesto plantel de 1958/59 do FC Lixa. Porém, mesmo afastado dos grandes holofotes do desporto luso, as prestações do defesa-central ao serviço do emblema da sua terra natal, levariam agremiações de outra monta a mostrarem interesse na sua contratação. Logo na época seguinte à estreia como sénior, o Boavista, orientado por Gyula Reinier, surgiria como o passo certo a assegurar, à ainda curta caminhada, uma evolução positiva. Talvez pelo impacto da mudança, a verdade é que o jogador, na disputa da 1ª divisão, revelaria algumas dificuldades para conseguir afirmar-se no grupo de trabalho “axadrezado”. Ainda assim, o potencial revelado, mesmo com a despromoção das “Panteras”, assegurar-lhe-ia a permanência entre os “grandes” e o Salgueiros surgiria como a colectividade seguinte no percurso do atleta.
Com a entrada no emblema do bairro de Paranhos a acontecer na temporada de 1960/61, Agostinho Pereira Ribeiro passaria a trabalhar sob as ordens de Artur Baeta. Com uma primeira campanha algo discreta, o segundo ano a envergar a camisola do Salgueiros revelá-lo-ia como um dos principais elementos da equipa portuense. Sem deixar o escalão máximo, seguir-se-ia a transferência para o Leixões de 1962/63. Logo na campanha de entrada na agremiação de Matosinhos, o atleta, mais uma vez em destaque nas pelejas primodivisionárias, seria chamado aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos “esperanças”, o defesa, a 14 de Abril de 1963, acabaria por estrear-se com a “camisola das quinas”, numa disputa agendada frente à Grécia. Por Portugal ainda representaria a selecção militar e a equipa “b”. Ficaria a faltar-lhe uma internacionalização pelo conjunto principal luso, porém, apesar de convocado, apenas conseguiria ser suplente em 3 ocasiões.
Com a reputação a crescer, seria o Belenenses a apostar na sua contratação. Ao entrar no Restelo como reforço para a temporada de 1964/65, Ribeiro passaria a partilhar o balneário com nomes como os futuros “magriços” Vicente, Peres ou José Pereira. No seio de tão ilustre companhia, o outro destaque surgiria com a sua estreia nas competições de índole continental. Com a agremiação lusa integrada na disputa da Taça das Cidades com Feira, o defesa seria chamado, pelo treinador Franz Fuchs, às 3 partidas da eliminatória frente ao Shelbourne. Infelizmente para o conjunto “alfacinha”, os irlandeses venceriam a “negra” e afastariam os “Azuis” da competição.
Após uma temporada muito abaixo dos números habituais, Ribeiro deixaria o Belenenses para ingressar no Sporting de Braga. No Minho, tal como tinha acontecido na sua chegada a Lisboa, o jogador apanharia o novo clube apurado para as competições sob a égide da UEFA. Com os “Guerreiros” integrados na Taça dos Vencedores das Taças, mais uma vez o atleta veria o seu nome no rol de elementos eleitos para disputar a referida prova. Orientado por Fernando Caiado, o defesa participaria nas 4 partidas feitas pela colectividade sediada na “Cidade dos Arcebispos”, ajudando, na ronda inicial, a eliminar os gregos do AEK de Atenas.
Já transformado num dos elementos mais influentes no plantel do Sporting de Braga e numa altura em que envergava a braçadeira de capitão, Ribeiro, com o termo da temporada de 1967/68, decidiria, com apenas 27 anos de idade, pôr um ponto final na sua caminhada enquanto futebolista. Depois de “pendurar as chuteiras”, o antigo defesa deixaria de vez a modalidade para passar a dedicar-se a outras actividades. Profissionalmente, como proprietário de empresas do ramo têxtil, abraçaria as funções de industrial. Já no campo desportivo, a sua atenção virar-se-ia para o tiro ao voo.

1457 - PRAIA

Formado nas “escolas” do Leixões, Clemente Rodrigues Crista, popularizado no mundo do futebol por Praia, veria José Maria Pedroto, muito à custa do seu aspecto franzino, a recusá-lo no conjunto principal da equipa sediada em Matosinhos. A nega levaria o jovem praticante, através de um empréstimo, a estrear-se como sénior ao serviço do plantel de 1965/66 do Esmoriz. Curiosamente, seria num amigável entre as duas formações que Manuel de Oliveira, maravilhado com o desempenho do jogador, exigiria o seu regresso. De volta ao Estádio do Mar, a temporada de 1966/67, talvez pela estreia na 1ª divisão, seria erguida em números modestos. Porém, a campanha seguinte daria azo à explosão do pequeno extremo e a sua técnica apurada e estonteante velocidade levá-lo-iam a ser cobiçado por um dos “grandes” em Portugal.
Com a transferência acertada, o atacante seria apresentado como reforço do Benfica de 1968/69. Recebido por Otto Glória, o jovem atacante ver-se-ia afrontado pela enorme concorrência para o sector ofensivo, onde, para além de uma colossal série de glórias, como Simões ou José Augusto, havia uma série de jovens, como Nené ou Raul Águas, a despontar e a merecer a atenção do aludido treinador brasileiro. Mesmo tendo em conta a enorme concorrência, Praia, na temporada de estreia na Luz, ainda conseguiria um bom quinhão, no que respeita às chamadas a jogo. A frequência das suas aparições fá-lo-ia a ser chamado aos trabalhos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos “esperanças”, o avançado, a 28 de Maio de 1969, seria titular e marcaria o golo que garantiria o empate a uma bola frente a Inglaterra. Contudo, mesmo a auferir do estatuto de internacional, as campanhas seguintes, no contexto competitivo dos “Encarnados”, seriam ainda mais ingratas para o jogador e, mesmo com a conquista de 2 Campeonatos Nacionais, 2 Taças de Portugal e 1Taça Ribeiro dos Reis, a escassez de partidas disputadas levá-lo-ia a outro destino.
Incluído no negócio a trazer Vítor Batista para o Benfica, Praia, por razão da exigência de José Maria Pedroto e ao lado de José Torres e Matine, deixaria as “Águias” para passar a envergar a camisola do Vitória Futebol Clube. Na cidade de Setúbal a partir da campanha de 1971/72, o extremo viveria uma época de estreia de alto gabarito, na qual contribuiria para o 2º lugar no Campeonato Nacional e para a participação dos “Sadinos” na Taça UEFA. De forma imprevista, a segunda época do avançado no Estádio do Bonfim correria em sentido completamente oposto à anterior, com o atleta a eclipsar-se. Daí em diante, apesar de muitas aparições no escalão máximo do futebol luso, a sua carreira tomaria os contornos de uma senda errante e ao retornar à “Luz”, após o empréstimo, apenas encontraria lugar nas “reservas”.
Seguir-se-ia ainda na temporada de 1973/74 a sua primeira passagem pelo FC Barreirense. Depois, com José Maria Pedroto mais uma vez responsável pela transferência, surgiria, intercalada pela experiência ao serviço do Varzim, a ligação de 2 anos ao Boavista. O Montijo e o regresso ao Estádio Dom Manuel de Mello para, na temporada de 1978/79, disputar a derradeira época na 1ª divisão, precederiam o fim da sua carreira, já ao serviço do plantel de 1982/83 do Palmelense.

1456 - JOSÉ MARIA

José Maria Azevedo terminaria o período formativo ao serviço do Sporting de Braga para, sem abandonar o emblema minhoto, passar a participar nas pelejas pertenças das competições seniores. Nesse contexto, a estreia na principal equipa dos “Guerreiros” aconteceria na temporada de 1955/56, mais especificamente na 11ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª divisão, num triunfo por 4-2 frente ao Vitória Futebol Clube. Daí em diante, o defesa-direito passaria a configurar-se como um dos preferidos do argentino Mário Imbelloni, à altura o treinador-jogador dos bracarenses. Porém, mesmo com a mudança de técnicos, o atleta conseguiria, ao longo dos anos, consolidar-se como um dos titulares da equipa e esse estatuto tornar-se-ia num dos primeiros factos para que passasse a ser tido como um dos grandes ícones da história da colectividade da “Cidade dos Arcebispos”.
Apesar dos primeiros passos como sénior terem acontecido na disputa da 1ª divisão, a verdade é que essa sua época de estreia terminaria com a agremiação minhota na 14ª posição da tabela classificativa do Campeonato Nacional e com a correspondente descida do Sporting de Braga. No entanto, para sorte do atleta e dos seus companheiros de balneário, onde destaco o internacional Ezequiel Baptista ou os irmãos Jorge Mendonça, João Mendonça e Fernando Mendonça, a experiência nos panoramas secundários seria curta e a campanha de 1957/58 marcaria o regresso de José Maria aos principais palcos do futebol português.
Ao cumprir imensos anos com a camisola “arsenalista”, o jogador, sempre como um dos pilares das estratégias tácticas, ajudaria a escrever momentos de inolvidável importância na existência da sua equipa. Depois de nova descida, de alguns anos afastado do convívio com os “grandes” e de, na época de 1963/64, ter participado na conquista da 2ª divisão, seria o fim da campanha de 1965/66 a dar ao currículo do defesa a entrada de maior monta na sua carreira. Com o Sporting de Braga a avançar na Taça de Portugal, o emblema minhoto chegaria ao derradeiro jogo da competição. No Estádio Nacional, com Rui Sim-Sim, depois da saída do argentino José Valle, a assumir o comando técnico do grupo de trabalho, José Maria seria chamado ao “onze” a enfrentar o Vitória Futebol Clube e, desse modo, consumado o triunfo por 1-0, contribuiria para que os “Guerreiros” saíssem do Jamor com o almejado troféu.
Outro dos momentos de enorme importância no seu trajecto competitivo viria na sequência da vitória na “Prova Rainha”. Com o Sporting de Braga a estrear-se nas competições organizadas pela UEFA, seria a Taça dos Vencedores das Taças a apadrinhar esse arranque no cenário continental. Com o sorteio a ditar ao emblema luso o AEK de Atenas como o primeiro adversário, José Maria seria chamado por Fernando Caiado para o embate frente ao emblema helénico. Dando razão ao seu estatuto de titular, o defesa, nos embates seguintes, continuaria a ser chamado pelo referido treinador. Depois de ajudar a eliminar a colectividade da capital grega, o atleta ainda participaria na 1ª mão da eliminatória frente ao Vasas Gyor. Contudo, ao contrário da ronda anterior, a sorte sorriria ao agremiado húngaro.
Numa caminhada competitiva que iria prolongar-se até à temporada de 1970/71, José Maria tornar-se-ia num símbolo de entrega e paixão pelo clube. Ao cumprir 17 épocas com as cores do Sporting de Braga, o defesa-direito acabaria por entrar em campo em 409 partidas oficiais pela colectividade sediada no Minho. Tal quantidade de desafios disputados, número elevado em qualquer contexto, configurá-lo-ia, não só como um dos notáveis do emblema nortenho, mas como o recordista de jogos feitos com a camisola dos “Guerreiros”.

1428 - MIRA

Natural do Barreiro, Luís Mira entraria para as ”escolas” do Barreirense para aí completar todo o percurso formativo. Os bons desempenhos conseguidos durante esse período levá-lo-iam a ser olhado como uma grande promessa do futebol português e, por essa razão, acabaria incluído nos trabalhos dos jovens conjuntos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse âmbito, seria chamado por David Sequerra para a disputa da edição de 1961 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. O certame, disputado em Portugal, haveria de contar com inúmeros atletas que, não muitos anos depois, passariam a ser tidos como elementos de enorme valia. Numa equipa onde pontuavam nomes como Simões, Peres, Oliveira Duarte, Serafim, Carriço ou Manuel Rodrigues, no grupo técnico o treinador-principal haveria de ser José Maria Pedroto. Com tamanha qualidade reunida num só agregado, a “equipa das quinas”, com Luís Mira a marcar presença na partida frente a França*, avançaria na prova até à final e, já no derradeiro jogo, arrecadaria o troféu corresponde à vitória.
Intérprete de cariz marcadamente ofensivo, seria ainda na temporada referente à campanha do torneio mencionado no parágrafo anterior que Mira haveria de ser chamado à equipa principal do Barreirense. A estreia ocorreria pela mão do treinador António Pinto e daria início a uma ligação sénior que, ao começar na 25ª ronda do Campeonato Nacional de 1960/61, viria a prolongar-se por 14 anos consecutivos. Para ser mais correcto, o jogador, durante a totalidade da sua caminhada desportiva, não conheceria outra camisola. Dentro do mencionado somatório de épocas, com algumas despromoções à mistura, 10 dessas campanhas seriam cumpridas na disputa do escalão máximo português. O último número apresentado conferiria ao atleta a oportunidade para inscrever o seu nome em 161 jogos a contar para a 1ª divisão e, com isso, mereceria 4º posto na lista de elemento com mais jornadas a contar para o degrau maior do futebol luso, feitos pela agremiação sediada na Margem Sul.
Não só de algarismos seria construída a ligação entre o atleta e o clube. É certo que seriam esses números que viriam a proporcionar ao futebolista a presença em momentos de inolvidável importância. No entanto, na caminhada do jogador com o listado alvirrubro, há para realçar episódios cuja relevância ultrapassa a frieza dos dados quantificáveis. Um desses capítulos, talvez um dos mais significativos, chegaria com as belíssimas prestações colectivas na temporada de 1969/70. Numa equipa comandada por Manuel de Oliveira e com nomes como Bento, Faneca, Valter ou Bandeira, Mira desempenharia um papel vital no 4º lugar alcançado no final do Campeonato Nacional. A referida classificação, a melhor de sempre na história da agremiação, levaria o grupo, na época seguinte, à disputa das provas além-fronteiras. Inseridos na Taça das Cidades com Feira, num Barreirense já orientado pelo brasileiro Edsel Fernandes, Mira seria chamado à disputa da prova continental e entraria em campo na 1ªmão referente à peleja agendada frente ao Dinamo Zagreb.
Após terminar a carreira de jogador com o termo da campanha de 1973/74, Luís Mira, através das actividades entregues a um treinador, voltaria a ligar-se ao futebol. No cumprimento dessas funções e sem grande surpresa, destaque para as suas passagens pelo comando técnico do Barreirense.

*por razão da desistência de algumas selecções, foram efectuados alguns jogos fora do torneio principal. O Portugal – França (3-1) foi um deles.

1422 - MARQUES

Ao começar o percurso sénior ao serviço do Ginásio de Alcobaça, António Pereira Marques representaria o emblema sediado na Região Oeste entre as temporadas de 1957/58 e a de 1960/61. Depois surgiria o Serviço Militar Obrigatório a atrapalhar o evoluir da sua carreira. Após um interregno e com o destacamento para Angola, a campanha de 1962/63, à imagem de tantos atletas empurrados para a Guerra Colonial, seria passada num emblema local, para o caso do defesa-esquerdo, o Sport Benguela e Benfica. Já o regresso à Metrópole apresentaria à sua caminhada desportiva a Académica de Coimbra. A partir dessa campanha de 1963/64, o jogador passaria a destacar-se como um dos elementos mais cotados do emblema estudantil. Ao estatuto aferido pelo atleta, será impossível de dissociar os sucessos colectivos que viriam a moldar aquela que terá sido a época áurea do emblema conimbricense. Num conjunto de trabalho orientado pelo mítico Mário Wilson e onde marcariam presença um rol enorme de ilustres pessoas do futebol luso, Marques transformar-se-ia num dos pilar de diversos momentos de inolvidável importância.
De entre os gloriosos episódios vividos pela “Briosa” na década de 1960, quase sempre com Marques como um dos nomes habituais no alinhamento inicial da Académica, há a destacar as boas classificações no Campeonato Nacional, onde o 2º lugar alcançado no final da temporada de 1966/67 tornar-se-ia no melhor exemplo dessas notáveis jornadas. Claro que também temos as presenças nas competições continentais. Nesse registo, o defesa-esquerdo entraria em campo na edição de 1968/69 da Taça das Cidades com Feira. No entanto, mais importante do que essa participação, famosa pela “moeda ao ar” que viria a decidir a eliminatória a favor do Olympique de Lyon, seria a Taça dos Vencedores das Taças de 1969/70. Nessa caminhada, que conduziria a o conjunto português até aos quartos-de-final da prova, o jogador participaria em ambas as mãos dessa última ronda e que, frente ao Manchester City, ditaria o afastamento dos “Estudantes”.
Numa ligação com a agremiação beirã que, como futebolista, duraria até à temporada de 1971/72, há também a Taça de Portugal. Com presença na derradeira peleja da edição de 1966/67, perdida para o Vitória Futebol Clube, a sua participação na final de 1968/69, por questões maiores que o desporto, sublinharia a partida frente ao Benfica como um dos momentos mais marcantes da sua caminhada competitiva. Numa altura em que a luta estudantil contra o regime ditatorial vigente em Portugal assumiria o seu ápice, Marques, ao lado de Gervásio, Viegas, Vieira Nunes, Belo, Rui Rodrigues, Nené, Vítor Campos, Mário Campos, Manuel António, Ernesto, Rocha e Serafim, entraria no Estádio do Jamor em protesto – “Nesse dia a Académica representou a expressão de um sentimento de repulsa pelo ambiente académico e social que havia em Portugal. Havia um movimento de conspiração geral no Portugal inteiro, mas que na Associação Académica de Coimbra teve aí um momento alto que culminou com essa celebérrima final da Taça de Portugal de 69. Perdemos, mas perdemos ganhando, porque aí ganhámos Portugal, embora perdendo o jogo, mas o jogo foi um acontecimento desportivo como outro qualquer e competimos com galhardia, com dignidade, sabendo que sobre os nossos ombros estava muita responsabilidade, muito orgulho e satisfação por representarmos um Portugal muito atrasado em termos culturais, em termos sociais e também de falta de liberdade de expressão. Não ganhámos, mas ganhámos um país”*.

*retirado da entrevista publicada a 01/07/2022, em www.50anos25abril.pt

1417 - QUIM

Joaquim Marques da Rosa, popularizado no mundo do futebol pelo diminutivo Quim, nasceria na Póvoa de Varzim e, como tantos na sua terra natal, teria no mar a fuga para pobreza – “Aos 14 anos fui para a pesca da sardinha numa catraia a remos e à vela que era do meu cunhado. Ia sempre a chorar mas tinha que ser porque a minha mãe mandava e era preciso ajudar a família”*. Desde muito novo, a faina passaria a moldar-se ao seu quotidiano. No entanto, outra actividade manter-se-ia nos tempos livres como a predilecta e os “jogos da bola”, disputados aos Domingos com os amigos, mudariam a sua vida.
Como resultado dessas pelejas desportivas, Quim haveria de ser convidado para representar o Varzim. Integrado na equipa de juniores, logo passaria de destacar-se como um defesa-central batalhador, corajoso e seguro. Ainda assim, o seu ganha-pão continuaria a estar nas linhas e redes de pesca e o jogador, muito para além do tempo passado com a camisola alvinegra, manteria as actividades marítimas, como a prioridade do seu dia-a-dia. Tudo mudaria aquando do convite dos dirigentes do clube poveiro para que assinasse um contrato profissional. Já na equipa principal, conquistaria um lugar de relevo e inscreveria o seu nome como um dos históricos futebolistas dos “Lobos do Mar”.
Inicialmente nas disputas dos patamares secundários, não demoraria muito tempo para que Quim experimentasse o sabor das contendas maiores do futebol português. Tendo entrado para os seniores varzinistas na temporada de 1960/61, o defesa transformar-se-ia numa peça fulcral para a ascensão da colectividade nortenha ao convívio com os “grandes”. A tão almejada subida aconteceria com a classificação conseguida no final da campanha de 1962/63, com a consequente promoção a levar o clube à estreia na 1ª divisão. Logicamente, esse Campeonato Nacional de 1963/64 também ficaria registado como o passo inicial do atleta no maior degrau luso. Orientado por Artur Quaresma e ao lado de outros nomes bem populares no futebol do Varzim, tais como Fernando Ferreira, Sidónio, Justino ou Salvador, a sua presença no esquema táctico do referido treinador, e dos seguintes, manter-se-ia deveras relevante e a importância revelada levá-lo-ia a apontar a outros voos – “Tive convites para jogar no Guimarães e no FC do Porto, mas o Varzim não vendeu a minha carta. Representei a selecção militar e fui chamado à selecção A e B, para defrontar a Espanha, em Córdoba. Perdemos 3-0, mas não cheguei a jogar”*.
Com as possíveis transferências chumbadas pelos directores do Varzim, Quim manteve-se no clube por vários anos, dos quais viriam a destacar-se as 8 temporadas consecutivas vividas na 1ª divisão. Em suma, o defesa passaria 16 anos com a equipa principal dos “Lobos do Mar”, número apenas ultrapassado pelo também defesa-central Alexandre. Contudo, muito mais do que alicerçada em algarismos, a sua carreira desportiva, dedicada em exclusivo aos “Alvi-Negros”, seria sublinhada pela paixão à modalidade e pelo respeito com todos os que com ele viriam a cruzar-se.

*retirado do artigo de José Peixoto, publicado a 22/04/2016, em www.correiodoporto.pt

1408 - ARMANDO MANHIÇA

Chegaria a Lisboa numa altura em que, no país natal, já tinha vestido as camisolas da Académica de Chamanculo e do Sporting de Lourenço Marques. Contudo, apesar de consagrado como um dos grandes intérpretes a actuar nas provas moçambicanas, a sua entrada no plantel de 1964/65 do Sporting Clube de Portugal não teria o efeito esperado. Depois da estreia, pela mão do treinador Armando Ferreira, numa partida a contar para a Taça de Portugal, Armando Manhiça continuaria a revelar algumas dificuldades em adaptar-se à nova realidade competitiva e, tirando a mencionada excepção, o atleta passaria as duas primeiras épocas em Alvalade a jogar praticamente no conjunto de “reservas”.
A grande mudança aconteceria já no decorrer da temporada de 1966/67 e por força da sua passagem do miolo do terreno até ao centro do sector mais recuado. Como defesa, Armando Manhiça, dono de um físico impressionante e a revelar uma coragem ímpar, voltaria a destacar-se como um futebolista de elevados índices exibicionais. Alcunhado como o “115 do Sporting”, tal a sua valia para os desempenhos colectivos dos “Leões”, daí em diante, o jogador passaria a ser tido como um dos elementos fulcrais para os sucessos do clube.
Com a sua importância a emergir no cumprir de cada partida, a época de 1967/68 sublinhá-lo-ia, ainda mais, como um dos indiscutíveis no alinhamento inicial do Sporting. Essa preponderância levaria os responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol a incluí-lo nas convocatórias para os desafios da selecção. Por Portugal, chamado a jogo por José Maria Antunes, Armando Manhiça estrear-se-ia, a 30 de Junho de 1968, num amigável forasteiro frente ao Brasil. Seguir-se-ia, em Dezembro do mesmo ano, a sua inclusão numa das jornadas a contar para a Fase de Qualificação do Mundial de 1970 e essa peleja contra a Grécia, sempre acompanhado no centro da defesa nacional pelo seu colega de clube José Carlos, dar-lhe-ia a segunda e derradeira internacionalização “A”.
Após, na campanha de 1968/69, ter ajudado o Sporting a ser um dos vencedores da Taça Intertoto, a última época de Armando Manhiça ao serviço do Sporting, empurrá-lo-ia para o ocaso vivido no decorrer dos primeiros anos com as cores leoninas. Esse facto, levaria o jogador a mudar de rumo e a prosseguir a carreira mais a norte. Com a entrada nas Antas a suceder-se em 1970/71, o defesa recuperaria a importância perdida em Alvalade. Durante as temporadas vindouras, com algumas excepções, o atleta assumir-se-ia como um dos mais importantes membros da equipa “azul e branca” e à custa da aura de futebolista fiável, voluntarioso e intrépido acumularia, ao envergar a camisola do FC Porto nas diferentes provas nacionais e estrangeiras, algumas dezenas de partidas disputadas.
Para seu enorme infortúnio, um grande acidente de viação, afectá-lo-ia de tal maneira que, após a temporada de 1973/74 sem efectuar qualquer partida, Armando Manhiça decidira, em definitivo, pôr um ponto final na caminhada enquanto jogador profissional de futebol. Regressado a Moçambique, o antigo defesa-central voltaria a abraçar a modalidade, mas, dessa feita, já no desempenho das tarefas de treinador. Como técnico, numa carreira que não consegui descortinar grande parte do trajecto, um dos maiores destaques viria com a sua nomeação para seleccionador nacional da Guiné-Bissau.

1394 - MANUEL RODRIGUES

Ao iniciar o seu percurso futebolístico com apenas 10 anos, seriam as “escolas” do Belenenses a recebê-lo. No emblema da “Cruz de Cristo” subiria os degraus necessários até que, na temporada de 1960/61, viria a ser chamado à equipa de “reservas”. Seria ainda durante essa campanha que despertaria a atenção de David Sequerra, que haveria de convocá-lo para a disputa do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961. No certame organizado em Portugal, o, à altura, médio acabaria integrado num grupo de jovens promessas, onde pontuavam nomes como os de Simões, Peres, Oliveira Duarte, Serafim, Crispim, Carriço, entre outros elementos que viriam a brilhar no desporto luso. Sob a orientação de José Maria Pedroto, sem ser um dos mais utilizados, o jogador daria o seu contributo para a belíssima caminhada do conjunto nacional e, nesse contexto, para a inédita conquista do troféu.
Seria já sob a batuta de Fernando Vaz que, para o Campeonato Nacional da 1ª divisão, Manuel Rodrigues faria a sua aparição de estreia na equipa principal do Belenenses. Daí em diante, o defesa-direito, como um elemento combativo, incapaz de desistir de uma bola dividida, passaria a ser um dos nomes que, com raras excepções, apareceria nas fichas de jogo dos “Azuis”. Essa preponderância levá-lo-ia a ser cobiçado por outros emblemas. Com o Benfica no seu encalço, o jogador, em 1965, veria o Presidente Acácio Rosa a recusar a proposta das “Águias” para a sua transferência. Manter-se-ia com a “Cruz de Cristo” ao peito e a partilhar o balneário com grandes nomes como Vicente, José Pereira e a servir de inspiração a jovens como Godinho ou Alfredo Quaresma.
Já a selecção principal chegaria ao currículo do defesa depois de 4 presenças pelos “BB” e numa altura em que estava consagrado como um dos grandes nomes do futebol luso. Chamado à Fase de Qualificação do Euro 68 por José Gomes da Silva, Manuel Rodrigues estrear-se-ia numa partida, disputada no Estádio das Antas, frente à Noruega. Depois dessa peleja agendada para 12 de Novembro de 1967, onde partilharia o quarto com o seu grande amigo Germano, seguir-se-iam, sempre em jornadas para o referido apuramento, outras 2 partidas, o que daria, à caminhada profissional do jogador, um total de 3 internacionalizações “A”.
No que diz respeito ao resto do trajecto feito ao serviço do Belenenses, numa ligação que, só nos seniores, duraria uma década e incluiria inúmeros jogos com a braçadeira de capitão à sua guarda, o fim emergeria com o termo da temporada de 1969/70. Dispensado por Joaquim Meirim, Manuel Rodrigues encontraria um novo poiso na Margem Sul do Rio Tejo. Ao serviço da CUF do Barreiro, num balneário orientado por Carlos Silva e com nomes como os de Conhé, Manuel Fernandes, Vítor Pereira, Arnaldo ou Capitão-Mor, o defesa, nas 3 temporadas passadas no Lavradio, tal como nas cumpridas pelos “Azuis”, contribuiria para as classificações que dariam aos respectivos emblemas as qualificações para as provas continentais.
Ao entrar na derradeira fase da carreira como praticante, Manuel Rodrigues retirar-se-ia com o fim da campanha de 1972/73. No entanto, apesar de “penduradas as chuteiras”, o antigo atleta ainda voltaria a ligar-se ao futebol. Como treinador, a exemplo, passaria pelo comando do Seixal. Já como director-desportivo, teria no Alentejo e no Campomaiorense uma boa experiência.

1324 - MARINHO

Formado no Atlético, seria no emblema sediado no bairro de Alcântara que Marinho Mateus, na campanha de 1962/63, chegaria às competições seniores. Com a colectividade lisboeta, na referida temporada, a disputar o degrau máximo do futebol português, o jovem extremo começaria por confirmar as suas qualidades enquanto jogador de eleição. Ao ter na velocidade o seu maior predicado, o atacante também ficaria conhecido pela aptidão para, com bastante sucesso, aparecer em zonas de finalização. Infelizmente, o ano da sua estreia na 1ª divisão, levaria o seu clube a descer de divisão e, com isso, ver-se-ia arrastado para as pelejas do patamar secundário. O regresso ao convívio com os “grandes” aconteceria na época de 1966/67 e, para infortúnio do atleta, com mais um azar a impedir a sua total afirmação.
Como “há males que vêm por bem”, a perna partida levaria Marinho a recuperar em Alvalade. Esse facto, segundo ficou registado, encetaria o “namoro” entre o atleta e os “Leões”, com a transferência de Marinho, da Tapadinha para o plantel do Sporting, a concretizar-se para a temporada de 1967/68. Recuperado da grave mazela, o extremo rapidamente conseguiria impor-se no “onze” leonino. Orientado por Fernando Caiado, o atacante passaria a ser tido como um dos titulares, estatuto que manteria nos anos seguintes. Nesse sentido, tornar-se-ia num dos pilares que, na campanha de 1969/70 e já sob a batuta de Fernando Vaz, contribuiria para a conquista do Campeonato Nacional.
Ainda de “Leão” ao peito, Marinho haveria de registar, a nível pessoal e colectivo, um longo rol de êxitos. Em termos de títulos, para além do aludido no parágrafo anterior, há ainda que listar as vitórias em 3 Taças de Portugal e na edição de 1973/74 do Campeonato Nacional. Claro está que não poderia esquecer as chamadas à selecção portuguesa. Nesse campo, a estreia pelo conjunto principal luso, depois de uma participação pelas “esperanças”, aconteceria, pela mão de José Maria Antunes, a 2 de Novembro de 1969. Curiosamente, as restantes internacionalizações da sua carreira, num total absoluto de 5 pelo conjunto “A”, só chegariam ao currículo do atacante alguns anos depois do tal “particular” frente à Suíça, mais concretamente nas campanhas de 1974/75 e 1975/76.
Com a carreira evidentemente marcada pela passagem de uma década pelo Sporting, o avançado, já no ocaso da caminhada competitiva, ainda teria tempo para envergar as camisolas de outros clubes. Os canadianos do First Portuguese, Marítimo, Estoril Praia e a passagem pela North American Soccer League, ao serviço do plantel de 1979 dos Toronto Blizzards, preencheriam esses capítulos. De seguida, a suceder aos derradeiros passos enquanto atleta, viria a mudança do antigo extremo para as funções de técnico. De regresso a Alvalade, Marinho começaria pelas tarefas de treinador-adjunto. Ainda no mesmo papel, estaria também ao serviço da Federação Portuguesa de Futebol. Já com as responsabilidades de principal “timoneiro”, teria curtas experiências com as cores leoninas, e também no Atlético e no Odivelas.

1323 - JAMBANE

Com proveniência no Desportivo 1º de Maio de Lourenço Marques, seria do emblema da capital moçambicana que Abel Jambane partiria para Portugal e para representar o Sport Clube da Régua. No emblema sediado no Douro Vinhateiro, apesar da modéstia da colectividade, as exibições do médio, intérprete com características de armador de jogo, acabariam por merecer os devidos louvores. Nesse sentido, seria o Boavista a apostar na sua contratação e a temporada de 1960/61 representaria a mudança do atleta para o Bessa.
Com os “Axadrezados” fora das pelejas primodivisionárias, a chegada do jogador ao patamar máximo do futebol português dar-se-ia com a sua saída do emblema portuense e em direcção ao Feirense. Com a transferência a ocorrer para a campanha de 1962/63, a primeira época com os “Fogaceiros” revelaria Jambane como um dos elementos em destaque no plantel. Ainda assim, apesar dos bons índices individuais, as prestações colectivas devolveriam a equipa ao escalão secundário e a mais uma época do centrocampista longe da 1ª divisão lusa.
A contratação do jogador por parte da Sanjoanense na temporada de 1964/65, levaria Jambane a uma das melhores fases da sua carreira. Apesar das primeiras campanhas passadas com as cores da agremiação sediada em São João da Madeira terem decorrido longe dos principais palcos do desporto luso, essa caminhada de 2 temporadas, ainda assim, teria momentos altos. Para além da chegada aos quartos-de-final da Taça de Portugal, isto na campanha de chegada ao emblema do distrito de Aveiro, o regresso do médio à 1ª divisão tornar-se-ia noutro capítulo de monta para a caminhada competitiva do futebolista.
Após mais 3 temporadas cumpridas no Estádio Conde Dias Garcia e junto da elite futebolística portuguesa, campanhas que transformariam Jambane num dos elementos com mais partidas feitas pela Sanjoanense na 1ª divisão, o jogador regressaria à terra natal. De volta a Moçambique e à capital daquele país, seria no Ferroviário de Lourenço Marques que, nos anos seguintes, prosseguiria a carreira. Com os registos encontrados a ligar o atleta ao referido emblema entre a época de 1970 e a de 1973, também os troféus ganhos durante o aludido período, nomeadamente os títulos de campeão provincial de 1970 e a vitória no Campeonato Distrital de 1973, seriam merecedores de grande destaque.
Depois de retirado das lides de futebolista, Jambane manteria a sua ligação à modalidade. Com as “chuteiras penduradas”, o antigo atleta daria início à sua caminhada nas tarefas de treinador.

1301 - ERNESTO

Algarvio, natural de Portimão, seria no Esperança de Lagos que Ernesto de Sousa terminaria a formação. Ao destacar-se como um dos melhores intérpretes da equipa que viria a vencer o Campeonato de Juniores do Barlavento, o avançado, valorizado pela agilidade revelada dentro de campo e pelo instinto goleador, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, aceitaria o convite do Serpa e, como elemento do plantel de 1959/60, passaria a disputar a 2ª divisão. A época passada no emblema alentejano, seria suficiente para que um dos emblemas de topo visse no jovem atacante um bom reforço. No entanto, a mudança para a CUF na campanha de 1960/61 não traria os resultados esperados e as 2 temporadas do jogador na colectividade do Lavradio seriam de extrema discrição.
O revés desse par de temporadas no emblema da Margem Sul do Rio Tejo levá-lo-ia a descer alguns patamares competitivos e a rubricar um contrato com o Tramagal. A competir na 3ª divisão, Ernesto voltaria a apresentar números bem auspiciosos. A partir de 1963/64 já com as cores do União de Tomar, mais do que manter-se no escalão referido no início do parágrafo, o avançado continuaria a alimentar a senda goleadora, tornando-se num dos principais pilares da subida da equipa à 2ª divisão. As duas temporadas cumpridas na agremiação nabantina levá-lo-iam, mais uma vez, a ser aferido como um elemento valoroso. A aposta, dessa feita, viria da Académica de Coimbra e a mudança para a “Cidade dos Estudantes” transformar-se-ia numa das etapas áureas da sua carreira.
Com a transferência para a “Briosa” a acontecer na temporada de 1965/66, depois da infrutífera passagem pela CUF, o avançado lá conseguiria estrear-se na 1ª divisão. Contudo, mesmo sem ter competido no patamar máximo do futebol português, Ernesto adaptar-se-ia rapidamente à nova realidade. Numa equipa recheada de craques, casos de Rocha, Artur Jorge, Jorge Humberto ou Crispim, ainda assim o atacante mereceria a preferência do treinador Mário Wilson. Como um dos mais utilizados do plantel da Académica, também os golos fariam dele um dos elementos a merecer as mais notáveis avaliações. Nos 3 anos passados em Coimbra, o atacante ajudaria o colectivo a erguer campanhas de excelência. Participaria no 2º lugar e no 4º posto alcançados no Campeonato Nacional, respectivamente, em 1966/67 e 1967/68, e seria chamado à titularidade na final da Taça de Portugal de 1966/67, perdida frente ao Vitória Futebol Clube, mas onde contribuiria com um golo para o resultado final de 3-2.
O período passado na Beira Litoral, para além do já referido, traria outras distinções à sua carreira. Uma delas seria a chamada aos trabalhos das equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Para envergar a “camisola das quinas”, Ernesto seria integrado no conjunto “B”. A única internacionalização consegui-la-ia a 22 de Março de 1967, numa deslocação à Bélgica, onde, no Stade du Pays de Charleroi, disputaria uma partida de preparação frente à congénere local.
Depois de 94 jogos oficiais e 64 golos concretizado pela Académica, seria o Sporting a interessar-se pela sua contratação. Com a entrada em Alvalade a acontecer na campanha de 1968/69, Ernesto, mesmo a distanciar-se dos números obtidos em Coimbra, ainda teria uma primeira campanha de bom nível. Todavia, a contratação de Fernando Vaz para o comando técnico leonino, tiraria o protagonismo ao avançado. Apesar de pertencer ao grupo que, nesse ano de 1969/70, viria vencer o Campeonato Nacional, o avançado participaria apenas na disputa da Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa e, por essa razão, ficaria de fora do rol de atletas vencedores da principal prova do calendário futebolístico luso.
Seguir-se-ia o regresso ao Algarve e, sem deixar a 1ª divisão, 2 temporadas no Farense. Numa carreira a passos largos a aproximar-se do fim, Ernesto ainda representaria o Portimonense. Após o fim da carreira, licenciado em Engenharia Mecânica, passaria a trabalhar como alto-cargo dos Serviços Municipalizados da Câmara Municipal de Lagos e, posteriormente, como quadro da EDP.

1290 - MOREIRA

De quando em vez surge um jogador que, no repto de escrever a sua biografia, emerge à minha vista como um verdadeiro desafio ou, melhor dizendo, como uma meta praticamente impossível de cruzar! Alguns, logo à partida, consigo adivinhá-los com tais dificuldades. Porém, neste caso foi bem diferente e tendo em conta a importância que teve para o histórico emblema que o lançou e até para as jovens selecções portuguesas, nunca pensei em Manuel Moreira como uma enorme luta! Bem, é melhor começar a história…
Ao sobressair nas “escolas” do Leixões, o defesa, no último ano de formação, acabaria chamado pelo seleccionador David Sequerra para disputar o Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961. No certame organizado em Portugal, juntar-se-ia a um grupo de jovens atletas onde é fácil destacar nomes como os de Peres, Serafim, Carriço, Oliveira Duarte ou Simões. Comandado no campo pelo treinador José Maria Pedroto, Moreira acabaria por ser um dos mais utlizados durante a competição. Já com o conjunto nacional a marcar presença na final frente à Polónia, a sua presença no sector mais recuado da equipa ajudaria à inviolabilidade da baliza lusa e, em favor da “camisola das quinas”, aos 4-0 do placard final.
A presença no referido torneio, onde somaria 4 jogos, elevá-lo-ia ao estatuto de grande promessa saída das camadas formativas do Leixões. Na época imediatamente a seguir à vitória de Portugal, a de 1961/62, Moreira acabaria promovido à equipa principal matosinhense e logo com o predicado de primeiro futebolista internacional do clube. Por coincidência, a subida a sénior coincidiria com a estreia do emblema nas competições europeias. Num plantel com grandes nomes, casos de Raul Machado, Jacinto, Osvaldo Silva ou Jaburú, a verdade é que, inicialmente, as presenças em campo escasseariam. Ainda assim, o técnico argentino Filpo Nuñez daria algum espaço ao defesa e, espantem-se!, ao jogador seria dada a oportunidade de participar nas duas partidas da Taça dos Vencedores das Taças frente aos romenos do Progresul de Bucareste.
A evolução demonstrada com o listado vermelho e branco da camisola do Leixões revelá-lo-ia, progressivamente, como um elemento de muita utilidade ao plantel. Com o trajecto trilhado a levá-lo somente às disputas primodivisionárias, Moreira teria na temporada de 1967/68 um dos melhores anos da carreira. Já a envergar a braçadeira de “capitão” e como um dos mais utilizados durante a referida campanha, o defesa posicionar-se-ia como um dos principais esteios das manobras tácticas da equipa comandada por António Teixeira. Curiosamente, quando tudo parecia indicar o contrário, o jogador começaria a eclipsar-se. Tal seria o “desaparecimento” que, depois de uma época de 1968/69 bem modesta e, ainda assim, com presença na Taça das Cidades com Feira, já não mais consegui acompanhar o seu rasto!
Custa-me a acreditar, mas pode ser possível, que o atleta, perto de completar apenas 26 anos de idade, tenha desistido do percurso desportivo! O que aconteceu de verdade, não sei! Tentei perceber, e esta parece-me a solução mais lógica para todo este “mistério”, a hipótese do defesa ter optado por prosseguir a carreira num emblema de um escalão inferior. Não muito usual para a época, também coloquei o pressuposto de uma contratação por parte de uma colectividade estrangeira. Em ambos os casos e depois de muito procurar, nada consegui apurar! Deixo-vos com a questão por responder e com a esperança de um dia deslindar o enigma!